sexta-feira, 16 de maio de 2014

NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES

A cidade de Juazeiro do Norte, por seu poder legislativo tem novos cidadãos honorários, conforme as Resoluções aprovadas recentemente: 
RESOLUÇÃO N.º 699 DE 08 DE MAIO DE 2014: Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Senhora Roberta Sampaio de Menezes Macêdo. Autoria: José Ivan Beijamim de Moura; Coautoria: Maria Calisto de Brito Pequeno; Subscrição: Normando Sóracles Gonçalves Damascena – José Nivaldo Cabral de Moura – José Adauto Araújo Ramos – Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Paulo José de Macêdo – Cícero Claudionor Lima Mota – João Alberto Morais Borges – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – José Tarso Magno Teixeira da Silva – Glêdson Lima Bezerra – Rita de Cássia Monteiro Gomes e Maria de Fátima Ferreira Torres.
RESOLUÇÃO N.º 700 DE 08 DE MAIO DE 2014: Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Aloísio Gregório do Nascimento. Autoria: João Alberto Morais Borges; Coautoria: Cláudio Sergei Luz e Silva; Subscrição: José Tarso Magno Teixeira da Silva – José Nivaldo Cabral de Moura - Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Paulo José de Macêdo – José Ivan Beijamim de Moura – Danty Bezerra da Silva – Francisco Alberto da Costa – Rubens Darlan de Morais Lobo - Normando Sóracles Gonçalves Damascena - Cícero Claudionor Lima Mota – Antônio Vieira Neto - Maria Calisto de Brito Pequeno.
RESOLUÇÃO N.º 701 DE 08 DE MAIO DE 2014: Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Marcus Vinícius Furtado Coelho. Autoria: Antônio Vieira Neto; Coautoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva e João Alberto Morais Borges; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura - Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro - Paulo José de Macêdo - Glêdson Lima Bezerra – Cláudio Sergei Luz e Silva - José Ivan Beijamim de Moura – Firmino Neto Calú – Danty Bezerra da Silva – Francisco Alberto da Costa – Rubens Darlan de Morais Lobo - Maria Calisto de Brito Pequeno – Auricélia Bezerra – Rita de Cássia Monteiro Gomes e Maria de Fátima Ferreira Torres. RESOLUÇÃO N.º 702 DE 08 DE MAIO DE 2014: Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor João Peixoto da Costa. Autoria: Rita de Cássia Monteiro Gomes; Subscrição: José Tarso Magno Teixeira da Silva – José Nivaldo Cabral de Moura – Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Paulo José de Macêdo – José Ivan Beijamim de Moura – José Adauto Araújo Ramos - Glêdson Lima Bezerra – Firmino Neto Calú – Cláudio Sergei Luz e Silva - Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha - João Alberto Morais Borges – Antônio Vieira Neto – Normando Sóracles Gonçalves Damascena e Maria Calisto de Brito Pequeno.
(Na foto: Senhora Roberta Sampaio de Menezes Macêdo.)

BOA TARDE

































Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
017: (23.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, PADRE AURELIANO DE SOUZA GONDIM.
AINDA NÃO TIVE A OPORTUNIDADE DE SAUDÁ-LO NA PASSAGEM DESTA PÁSCOA. CONTUDO, JÁ NO TEMPO PASCAL, EM DUAS OCASIÕES, EU ESTIVE JUNTO E COM OUVIDOS MUITO ABERTOS PARA OUVI-LO NAS HOMILIAS, PREPARATÓRIAS PARA ESSA GRANDE FESTA DO CRISTO RESSUSCITADO. AO NOS ORGANIZARMOS PARA A RECONCILIAÇÃO COM O CRISTO, VOCÊ NOS ADVERTIA PARA A NECESSÁRIA CONFISSÃO, O MELHOR SENTIDO DO GESTO CONCILIATÓRIO, PELA QUAL SOMOS RECONHECIDAMENTE FRÁGEIS E PECADORES. FELIZMENTE, A NAÇÃO CRISTÃ, PELO MENOS ESTA ROMEIRA QUE NOS CERCA, SEM DÚVIDAS, GUARDA UMA VOCAÇÃO DE PROFUNDO RECONHECIMENTO, REVERÊNCIA, TEMOR, E RECONCILIAÇÃO. ALIÁS, PADRE AURELIANO, E A PROPÓSITO, NA SUA MENSAGEM DE PÁSCOA, DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO, ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, NOS APONTA PARA A “RECONCILIAÇÃO, A MUDANÇA DE VIDA, A ASSUMIR A BUSCA DA HUMANIDADE INTEIRA POR LIBERTAÇÃO, JUSTIÇA, DIGNIDADE E PAZ.” AINDA SEGUNDO ELE, A “QUARESMA TEM O SENTIDO MAIOR DE FAZER-NOS REDIMIR AS NOSSAS FALTAS E TAMBÉM AS FALTAS DE TODA A HUMANIDADE. É O SENTIDO DA SOLIDARIEDADE E, ATRAVÉS DELA, A PREPARAÇÃO DOS CAMINHOS DE UM MUNDO MELHOR, MAIS FRATERNO, EM DIREÇÃO À RESSURREIÇÃO.” DESNECESSÁRIO É DIZER O QUANTO O CRISTO É ESTA ESSÊNCIA DE NOSSA CRENÇA. HÁ POUCO, PADRE AURELIANO, REENCONTREI ESTE TESTEMUNHO IMPREGNANDO VELHAS COMUNIDADES. DA RELEITURA DE PEQUENO TRECHO DA CLÁSSICA OBRA - BREVE CONTO SOBRE O ANTICRISTO, ONDE O FILÓSOFO, TEÓLOGO, POETA E CRÍTICO LITERÁRIO RUSSO VLADIMIR SOLOVIEV, QUE VIVEU ENTRE 1853 E 1900, AI MANIFESTA: “O IMPERADOR INTERROGOU OS CRISTÃOS: “HOMENS ESTRANHOS... DIZEI-ME VÓS MESMOS, Ó CRISTÃOS, ABANDONADOS PELA MAIORIA DE VOSSOS IRMÃOS E DE VOSSOS CHEFES, O QUE VOS É MAIS CARO NO CRISTIANISMO?” LEVANTOU-SE ENTÃO, O STARETS JOÃO E RESPONDEU COM DOÇURA: “Ó GRANDE REI, O QUE NOS É MAIS CARO NO CRISTIANISMO É O PRÓPRIO CRISTO.  ELE PRÓPRIO E TUDO O QUE DELE VEM, PORQUE SABEMOS QUE NELE HABITA CORPORALMENTE TODA A PLENITUDE DA DIVINDADE.”  SÁBIA E OPORTUNA, DIRIA TAMBÉM – ATUALÍSSIMA ASSERTIVA, ESTA EM QUE AINDA NOS FIRMAMOS COMO POVO ESQUECIDO DE NOSSOS IRMÃOS E CHEFES. PÁSCOA É TAMBÉM ESTE TEMPO EM QUE REPENSAMOS A NOSSA EXISTÊNCIA COMO POVO DE DEUS, EM COMUNIDADE. MAS TAMBÉM AS NOSSAS FUNÇÕES CIVIS E DE RESPONSABILIDADE SOCIAL, DIANTE DE TANTO ABANDONO QUE VIVEMOS NA DESORDEM DO ESTADO E DE SEUS PODERES CONSTITUIDOS. TALVEZ, POR ESTA RAZÃO, PADRE AURELIANO, NOSSA CONSCIÊNCIA MAIS RECORRA AO REI DOS REIS, E NOSSA CRENÇA NELE TANTO SE FORTALEÇA, DIANTE DA DESCRENÇA DE QUE ALGUÉM VENHA, A TEMPO, EM NOSSO SOCORRO. POR ISSO MESMO, MEU CARO PADRE AURELIANO, NA CRENÇA PELO RESUSCITADO, DESEJO-LHE, NESTA PÁSCOA, PAZ E BEM. E GOSTARIA DE QUE ESTA SAUDAÇÃO SE ESTENDESSE A TODA A COMUNIDADE CRISTÃ, DE TODOS OS CREDOS E RITOS, NUM GESTO FRATERNO A TODOS OS SEUS MEMBROS, NOS DIVERSOS MINISTÉRIOS, DOCÊNCIAS, PASTORAIS E MISSÕES.  E A TODO O SANTO POVO DE DEUS. COMO NOS TEMPOS DO NAZARENO, “SHABAT SHALOM”. E, ETERNAMENTE ENTRE NÓS, FELIZ PÁSCOA A TODOS. QUE O SENHOR DEUS HABITE EM CADA UM DE NÓS, SEMPRE QUE ESTEJAMOS UNIDOS E REUNIDOS, EM SEU NOME, EM NOME DO SEU FILHO TÃO AMADO E IMOLADO, E NA PROTEÇÃO DIVINA DO ESPÍRITO SANTO, AMÉM.

018: (25.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, POETA PEDRO BANDEIRA PEREIRA DE CALDAS
UMA DAS MINHAS SATISFAÇÕES NESTE ANO FOI SABER QUE O RESPEITO À CULTURA, DEVIDO POR NOSSA NACIONALIDADE E CIDADANIA, O CONDUZIU A UMA CADEIRA NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL, NO RIO DE JANEIRO. A UM POETA POPULAR DA SUA ENVERGADURA, PEDRO, ISTO É GESTO DE PRIMAZIA. MAIS AINDA, PARA NÓS, SABER QUE ESTE RECONHECIMENTO FICOU CASADO NA LEMBRANÇA IMORREDOURA DE SEU PATRONO, O TAMBÉM POETA, EXPEDITO SEBASTIÃO DA SILVA, NOMEANDO O ASSENTO 35 QUE AGORA É OCUPADO PELO PRÍNCIPE DOS POETAS POPULARES. O QUE É, PARA NÓS, ESTA NOMENCLATURA APLICADA A PEDRO BANDEIRA? O QUE SE DIZ DE MAGESTADE E MAJESTOSO NA VIDA E OBRA DESTE HOMEM, NOSSO IRMÃO NO CHÃO SAGRADO DA TERRA DO PADRE CÍCERO? UMA EXCENTRICIDADE, UMA DESTAS BANALIDADES QUE A VIDA COMPORTA, NA VULGARIDADE DE SENTIMENTOS E AÇÕES? SEGURAMENTE, NÃO! TRATA-SE DE UM ATESTADO INCONTESTE DE QUE É PRECISO COROAR TODA UMA VIDA DE DEDICAÇÃO E AFIRMAÇÃO PELA COMPETÊNCIA DESTES SABERES E FAZERES CULTURAIS. POR ISSO, PEDRO BANDEIRA, NOS ALEGRAMOS, TODOS, COM ESTA SUA CONQUISTA, COM O GESTO CONCRETO DESTA INVESTIDURA E CONSAGRAÇÃO. RECUO AOS ANOS 60 DE MINHA JUVENTUDE PARA FLAGRÁ-LO, PELA RUAS E AMBIENTES DAQUELA VILA, RESIDENTE DE PRIMEIRAS ÁGUAS NESTA SUA CIDADE AMADA. JÁ MORANDO AQUI, JUNTO A TANTOS OUTROS POETAS DA SUA PREDILEÇÃO, CANTANDO E ENCANTANDO, AQUI VOCÊ FEZ, PARA PRIVILÉGIO NOSSO, QUASE TUDO QUE TOCA A UM HOMEM EM VIDA. VIVENDO HOJE EM JUSTIFICÁVEL E APRAZÍVEL LATIFUNDIO URBANO, VOCÊ - IMAGINO, DEVE TER PLANTADO ÁRVORES, DAQUELAS FRONDOSAS QUE ENCONTREI AO VISITÁ-LO RECENTEMENTE. AQUI VOCÊ CASOU COM SUA HELENA, CONSTITUIU FAMILIA E ESCREVEU LIVROS. LIVROS COMO AQUELE PRIMEIRO - O SERTÃO E A VIOLA. ALIÁS, PEDRO, EU ESTAVA LÁ, QUANDO PRESENCIEI VOCÊ ENTREGAR SEUS ORIGINAIS AO ENTÃO GOVERNADOR PLÁCIDO CASTELO, QUE O RECEBEU E PATROCÍNOU, ENVIANDO PARA PUBLICAÇÃO. VOCÊ SE TORNOU UMA DAS NOSSAS UNANIMIDADES. UM FILHO AMADO QUE A CIDADE RECEBEU, CREDENCIOU, AJUDOU A ILUMINAR E DELEGOU CONFIANÇAS QUE PASSARAM ATÉ PELO MANDATO POLÍTICO DE CIDADANIA, COM VOTAÇÃO E CARGO. VOCÊ FOI E CONTINUA SENDO ESTA INTERLOCUÇÃO NECESSÁRIA PARA QUE OS PODERES PERCEBAM QUE CULTURA NÃO É O PIRES DA ESMOLA POR RECURSOS MINGUADOS. TAMPOUCO É A PROFISSÃO DESNECESSÁRIA ONDE ATÉ SE IMPLORA A CARIDADE PÚBLICA. VOCÊ, POETA E CANTADOR DE TODOS OS DIAS, TEM NOS APONTADO O CAMINHO PERSISTENTE DESTA ADMIRAÇÃO POR UMA ATIVIDADE CULTURAL, DE RAIZES, QUE NOS CONDUZEM ÀS CONQUISTAS DE CIDADANIA, EM BUSCA DA FELICIDADE DE UM POVO. POETA, CANTADOR, FOLCLORISTA, CORDELISTA, CIDADÃO HONRADO, VOCÊ É NOSSA HOMENAGEM DIÁRIA. EM SEU NOME, TANTA COISA JÁ SE FEZ E TANTO MAIS HÁ AINDA POR FAZER. VOCÊ É UMA BASE, UM PORTO SEGURO, UM LUGAR DE INSPIRAÇÃO. LAMENTO POR SUA SAÚDE DEBILITADA. MAS, SE É CONFORTANTE DIZÊ-LO, QUE DIGAMOS, ENTÃO, QUE TU, PEDRO, TU ÉS PEDRA E SOBRE ELA EDIFICAREMOS ESTA NOSSA CAMINHADA, ENTRE O VERBO E O VERSO, NA SUA MAESTRIA QUE COM TAL HABILIDADE SE FAZ PARA O NOSSO ENCANTO. AVE, POETA, CHEIO DE GRAÇAS.

019: (28.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, JOSÉ ROBERTO BARRETO CELESTINO
HÁ MUITOS ANOS, SOB OS CÉUS DO JUAZEIRO TRANSITAM AERONAVES QUE NOS LEVAM E NOS TRAZEM DE DIVERSOS LUGARES DESTE PLANETA. PELA AVIAÇÃO CIVIL ESTA É UMA DAS MAIS REAIS INSERÇÕES DESTE NOSSO CARIRI NO MUNDO GLOBALIZADO. PENSANDO NISTO, ME OCORREM COM SAUDADES AS IMAGENS DE TUDO QUE MEUS OLHOS JÁ VIAM NOS ANOS 50. ERAM OS HEROICOS DC-3 DA REAL AEROVIAS AERONORTE, O ENCANTO DE UM MENINO QUE AINDA NÃO SABIA O QUE ERA VOAR. SEM SAUDOSISMO, MEU CARO JOSÉ ROBERTO, DESEMBARCAMOS HOJE NA REALIDADE DO NOSSO AEROPORTO. NEM PRECISARIA LHE CONFESSAR QUE SOU UM CURIOSO PARA PERGUNTAR: O QUE É ESTE AEROPORTO? ONDE ELE ESTÁ? AONDE DEVE CHEGAR? HÁ MUITOS MESES EU TENHO ME ESFORÇADO PARA COMPREENDER A SUA LUTA DETERMINADA E INCESSANTE, EM DEFESA DO AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE, SOBREVOANDO AS SÉRIES ESTATÍSTICAS DA INFRAESTRUTURA AEROPORTUÁRIA QUE CONTROLA 63 AEROPORTOS DO PAÍS. SUPERFICIALMENTE, SEGMENTO O SETOR POR CATEGORIAS (INTERNACIONAIS E DOMÉSTICOS), POR LOCALIZAÇÃO (CAPITAL E INTERIOR) E POR REGIÃO (PAÍS E NORTE-NORDESTE). DOS NÚMEROS DE ABRIL DE 2013 A MARÇO PASSADO, COLHO AS SEGUINTES CONCLUSÕES SOBRE O DESEMPENHO DESTE NOSSO EQUIPAMENTO AEROPORTUÁRIO: NO BRASIL, NÓS SOMOS O 36º COLOCADO. TRANSITARAM POR AQUI, EMBARCANDO OU DESEMBARCANDO, 404.315 PASSAGEIROS EM 7.190 OPERAÇÕES DE POUSO E DECOLAGEM. ISTO QUER DIZER QUE, EM MÉDIA, A NOSSA OCUPAÇÃO É DE 56 PASSAGEIROS, POR EMBARQUE OU DESEMBARQUE. E DE TODOS OS ASSENTOS DISPONÍVEIS, A NOSSA OCUPAÇÃO ATINGIU 43%. PENSO QUE ESTE É UM ESCORE INVEJÁVEL. SE CONSIDERARMOS APENAS OS AEROPORTOS DOMÉSTICOS EM TODO O PAÍS, O DE JUAZEIRO É DESTACADO COMO O DE NÚMERO 16 DO RANKING. E SE AFUNILAMOS A SELEÇÃO, PARA OS INTERIORANOS, ELE É O OITAVO. NO CASO DE TODA A REGIÃO NORTE-NORDESTE, SOMOS O DÉCIMO OITAVO. DOS DOMÉSTICOS, SOMO O SÉTIMO, E DENTRE OS INTERIORANOS, O QUINTO, ABAIXO APENAS DE ILHÉUS, SANTARÉM, PETROLINA E MARABÁ. E MUITO PRÓXIMO DE TRÊS DELES, PARA CHEGARMOS A AMEAÇAR A LIDERANÇA DE ILHÉUS. VÁ DESCULPANDO, AMIGO, SE LHE FAÇO PASSAR POR ESTE VEXAME, REPETINDO COISAS QUE VOCÊ ESTÁ CANSADO DE SABER. MAS, FIZ QUESTÃO DE ACENTUAR ESTES NÚMEROS PARA CONCLUIR QUE, INDISCUTIVELMENTE, A HISTÓRIA SERIA DIFERENTE, SE AÍ NÃO EXISTISSE A SUA LUTA, A SUA DETERMINADA PAIXÃO, OBSTINAÇÃO E DEDICAÇÃO PARA QUE HOJE POSSAMOS CONTÁ-LA DE OUTRO MODO. O QUE HÁ PARA FAZER E MELHORAR AINDA MAIS ESTA PERFORMANCE? NÓS O SABEMOS, POR SUA VOZ. ENQUANTO USUÁRIOS, SOMOS COMO VOCÊ A RECLAMAR, A PROTESTAR E A INFLUIR PARA QUE A CONSIDERAÇÃO MÍNIMA SEJA DISPENSADA. E NISTO, TODOS NÓS LHE DEVEMOS UM POUCO DE ATENÇÃO PARA ENFRENTARMOS JUNTOS A BATALHA POR UM AEROPORTO MELHOR: TERMINAIS, PISTA, NOVAS COMPANHIAS, NOVOS DESTINOS, ESTACIONAMENTO, ACESSO URBANO, E TANTA COISA MAIS, QUEM SABE - INTERNACIONALIZAÇÃO. RELEMBRO QUE NADA DISTO É POR ACASO. VOCÊ ENCARA HOJE ESTA SAGA QUE PROJETA UMA FORTE CARGA EMOCIONAL DE SONHOS DE FAMÍLIA E GENÉTICA PATERNAL. CORRE NAS SUAS VEIAS O SANGUE VELHO DE UM PAI QUE NÃO DESCANSOU, ENQUANTO PARTE DISTO FOSSE REALIDADE. VOCÊ ESTÁ CERTÍSSIMO QUANDO NOS DEMONSTRA O QUANTO É NECESSÁRIO PENSAR GRANDE. ESTAMOS AO SEU LADO, DECOLANDO PARA SONHAR AINDA MUITO MAIS ALTO.  

020: (30.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, PADRE GIANCARLO PERINI
A ÚLTIMA VEZ QUE NOS FALAMOS, AINDA NO ANO PASSADO, PELO SKYPE – NÃO SEI PORQUE, MAS IMAGINEI ALGUMA COISA ESTAVA A ME GARANTIR QUE TÃO CEDO VOLTARÍAMOS A NOS ENCONTRAR. VOCÊ ME FALAVA DA DOENÇA DE SUA MÃE, DAS SUAS PREOCUPAÇÕES CONSIGO PRÓPRIO E OUTRAS COISAS QUE DEIXAVAM NO AR ALGUMAS INCERTEZAS. ASSIM, ME PARECIA, DA ITÁLIA, SUA TERRA AO NORTE DO PAÍS, VINHAM DE LONGE ALGUMAS DÚVIDAS E PERTURBAÇÕES QUE NEM SEMPRE GOSTAMOS DE OUVIR, PRINCIPALMENTE QUANDO VEM DE GENTE QUERIDA. E É ISSO MESMO, MEU CARO PE. JOÃO CARLOS, QUERO-LHE MUITO BEM. ONTEM, AO CHEGAR EM CASA, ME DERAM A NOTÍCIA DE QUE VOCÊ ESTÁ NOVAMENTE ENTRE NÓS, AQUI NESTA TAMBÉM, SUA JUAZEIRO DO NORTE. É BEM VERDADE QUE VOCÊ HOJE É LEGITIMADO UM CIDADÃO JUAZEIRENSE, COM PAPEL PASSADO, GRANDE AFETO PÚBLICO MANIFESTADO EM MUITOS ABRAÇOS DE NOITE FESTIVA E LOUVAÇÃO DA CÂMARA. NADA MAIS JUSTO, SENÃO AJUNTÁ-LO A UM GRUPO SELETO DENTRE AQUELES QUE VERDADEIRAMENTE HONRAM E CONTINUARÃO HONRANDO ESTA CHANCELA. MAS, É CLARO QUE VOCÊ, NA SUA SIMPLICIDADE, AQUELA MESMA QUE O FEZ FILHO DILETO DE DOM BOSCO, VOCÊ DE HÁ MUITO HAVIA SE JUSTIFICADO NUMA PAIXÃO INTEMPESTIVA PELA HISTÓRIA DESTE JUAZEIRO. QUANTO QUE VOCÊ JÁ ESCREVEU SOBRE NOSSA HISTÓRIA, PE. JOÃO CARLOS!!! POUCOS DE NÓS SE DERAM TÃO DEDICADAMENTE A ESTE FAZER, MOTIVADO POR ESTE CONHECIMENTO QUE MAIS E MAIS DESPERTA NOSSA ANSIEDADE. VOCÊ NÃO É, EXATAMENTE, UM CONTADOR DE HISTÓRIAS. MAS A LEITURA DOS SEUS LIVROS É TAREFA CATIVANTE. NÃO OBSTANTE AINDA HOJE OS SEUS DESLIZES COM O NOSSO VERNÁCULO, SUAS EXPRESSÕES SÃO SINCERAS E DIRETAS. ELAS, POR EXEMPLO, NOS FIZERAM ADMIRÁ-LO PELA PROPRIEDADE DE REVER VELHOS CAPÍTULOS DESTE PASSADO. NUM DELES, POR EXEMPLO, VOCÊ REVISA MAGISTRALMENTE A TRAJETÓRIA DA BEATA MARIA MAGDALENA DO ESPÍRITO SANTO DE ARAÚJO, RECUANDO O REGISTRO AO TEMPO DE SUA OPÇÃO PELA VIDA CONSAGRADA, INSPIRADA NA CONGREGAÇÃO RELIGIOSA CRIADA PELO PADRE MESTRE IBIAPINA. HÁ OITO ANOS ATRÁS, ESTE SEU ESCRITO JÁ FAZIA CORO COM O ESFORÇO DE UNS POUCOS HISTORIADORES E CIENTISTAS SOCIAIS PARA REVER HISTORICAMENTE O PAPEL DESTA ADMIRÁVEL SERVA DO SENHOR. FORAM ESTES TRABALHOS, AQUELES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER POR TEREM SUBSTITUÍDO E RENOVADO A VISÃO MÍOPE DE FALSOS CONTADORES DE HISTÓRIAS, DETRATORES DE PRIMEIRAS ÁGUAS, GENTE AVEXADA EM EMPORCALHAR RICAS PÁGINAS DE NOSSA MEMÓRIA. SUA MENTE CAPTOU COM PRECISÃO OS DETALHES QUE SE ENFEIXAVAM NAS BIOGRAFIAS RICAS DE CÍCERO, DE FLORO, DE MARROCOS E OUTROS MAIS, PARA QUE SUA GENEROSA NARRATIVA EXPUSESSE O CORAÇÃO APAIXONADO QUE GUARDAVA TODAS ESTAS EMOÇÕES. COMO SUBTRAIR DISTO TUDO A PAIXÃO POR UM PERSONAGEM QUE NOS DIZ, NAS PÁGINAS DA HISTÓRIA, “QUEM MATOU NÃO MATE MAIS.”  VOCÊ TAMBÉM NÃO FOI CAPAZ E, A RIGOR, NINGUÉM LHE COBRAVA QUE NÃO O FOSSE. SE MAIS NÃO POSSO DIZER-LHE, NESTA MINHA IMPRESSÃO E GRAÇA POR SEUS TRABALHOS, LEMBRARIA APENAS AQUILO QUE VI DE SI PARA QUE O SEU SERVIÇO FOSSE ENTENDIDO COMO UMA MISSÃO, UM GESTO CONCRETO PARA ESCLARECER, PARA ILUMINAR. SEJA, NOVAMENTE, BEM VINDO ENTRE NÓS, PE. JOÃO CARLOS PERINI. DAMOS GRAÇAS POR SUA PRESENÇA, AINDA MAIS POR SABER, SE ASSIM FOR, QUE PODE SER DEFINITIVO. PARECE QUE ESTA É A DERRADEIRA VONTADE DE UM JUAZEIRENSE AUTÊNTICO, VIVER E SERVIR POR AQUI MESMO. POR ISSO MESMO, ME PERMITA, SEM ARROGÂNCIA: O TEMPO NÃO NOS PERSEGUE. SOMOS ETERNOS.  

021: (02.05.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, PROFESSORA SUELY SALGUEIRO CHACON
O PROFESSOR MARTINS FILHO, FUNDADOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, ESCREVEU NUM DOS SEUS LIVROS, QUE PARA O DESENVOLVIMENTO DO CEARÁ, DOIS FORAM OS FATOS FUNDANTES DESTA HISTÓRIA: A CRIAÇÃO DA UFC, EM 1954, E A ELETRIFICAÇÃO DO ESTADO, A PARTIR DE 1961. TUDO MAIS FOI CONSEQUÊNCIA. DESDE O INÍCIO, O CARIRI, E ESPECIALMENTE JUAZEIRO DO NORTE, ESTAVA INTIMAMENTE ENVOLVIDO. COUBE AO DR. ANTONIO XAVIER DE OLIVEIRA, MÉDICO PSIQUIATRA E DEPUTADO FEDERAL, O PRIMEIRO GRITO PELA CRIAÇÃO DA UFC. TAMBÉM, EM 1952, COUBE A HILDEGARDO BELÉM, FELIPE NERI, ANTONIO CORREIA CELESTINO E JOSÉ MARIA DE FIGUEIREDO, CONVENCER GETÚLIO VARGAS A ELETRIFICAR O CARIRI, INICIANDO O PROJETO DO CEARÁ. PERMITA-ME QUE ASSIM LHE DIGA, PROFESSORA SUELY, PORQUE ESTE ITINERÁRIO HISTÓRICO PARECE SE REPETIR NESTA NOVA ONDA DE DESENVOLVIMENTO DO CARIRI, 50 ANOS DEPOIS DAS LUZES DE PAULO AFONSO. COMPETE A SENHORA, NESTE INSTANTE, A IMPLANTAÇÃO DESTE NOSSO SEGUNDO ATO FUNDANTE, A UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI. EM SUAS MÃOS ESTÁ ESTE LEGADO DE LUTAS, COM O QUAL SE TEM FEITO O POSSÍVEL PARA QUE, COMO DIZ, TENHAMOS PLENAMENTE ESTE “DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL”. HÁ POUCOS DIAS FOI NOTICIADO QUE O GOVERNO DO ESTADO DEVE ABRIR-LHE GENEROSA PORTA DE UM COFRE POR ONDE SE LIBERARÃO RECURSOS PARA O CRESCIMENTO DO CAMPUS EM JUAZEIRO, PARA A NECESSIDADE DE 40 HECTARES, ALÉM DOS ATUAIS OCUPADOS. AMBICIOSA É ESTA PAUTA DO PROJETO QUE A SENHORA CONDUZ, DE MODO A IMPLANTAR A INSTITUIÇÃO, NOVOS CURSOS, NOVOS EQUIPAMENTOS, A INFRAESTRUTURA DOS CAMPI, A SELEÇÃO E CONTRATAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DE EXPRESSÃO E COMPETÊNCIA, DENTRE AS PRINCIPAIS DEMANDAS. A ACADEMIA LHE CONHECE MUITO BEM, PROFESSORA SUELY. E SABE QUEM ESCOLHEU POR SUA COMPETÊNCIA, ATESTADA HÁ QUASE VINTE E CINCO ANOS, QUANDO INICIOU SUA CARREIRA PROFISSIONAL, GRADUADA EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS, PELA UFC. DEPOIS VIERAM OS TRABALHOS E A DEDICAÇÃO QUE MERECERAM TODOS OS DEMAIS TÍTULOS QUE A SENHORA ACUMULA BRILHANTEMENTE. A NÓS, HOJE, NESTA SOCIEDADE APRESSADA E ANSIOSA, IMPORTA-NOS O CONHECIMENTO DAS SUAS EXPERIÊNCIAS NAS ÁREAS DE ECONOMIA, DE SOCIOECONOMIA, DE MEIO AMBIENTE E DE POLÍTICAS PÚBLICAS. SÃO ESTES OS CAMPOS DE SEU DOMÍNIO QUE NOS FAZEM ADMIRADORES DAS SUAS AÇÕES EM ÁREAS QUE RECLAMAM ORGANIZAÇÃO SOCIAL EM PEQUENAS COMUNIDADES, O USO RACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS, A BUSCA POR FONTES DE ENERGIAS ALTERNATIVAS E A GESTÃO SUSTENTÁVEL DO MEIO AMBIENTE. É INTERESSANTE PARA MIM, PROFESSORA SUELY, OBSERVAR QUE ESTA ONDA GLOBALIZANTE QUE NOS ASSOLA, NOS IMPÕE IGUALMENTE AS PREOCUPAÇÕES SOBRE ENERGIA, ÁGUA, RECURSOS HUMANOS E MEIO AMBIENTE. O CARIRI, EXATAMENTE POR SUAS ESPECIFICIDADES, NÃO DIFERE DESTE UNIVERSO. POR OPORTUNO, COMO NO CASO DA UFC, DE QUEM DERIVAMOS POR PROVIDENCIAL COSTELA, NOVAMENTE A INSPIRAÇÃO DE ANTONIO MARTINS FILHO SE FIRMA PARA QUE TAMBÉM AQUI A NOSSA OPÇÃO DE TRABALHO ESTEJA ENTRE O UNIVERSAL E O REGIONAL. HÁ MUITOS MESES, MAGNÍFICA REITORA, DESDE A SUA INVESTIDURA, EU LEMBRO A MIM MESMO O QUANTO ESTAMOS COMPROMETIDOS, ENQUANTO SOCIEDADE, PARA QUE NÃO LHE FALTEM O APOIO E A COMPREENSÃO PARA QUE, SE POSSÍVEL, O FARDO LHE SEJA LEVE E PRAZEROSO. NEM SABEMOS COMO LHE AGRADECER. MAS, DE QUALQUER MODO, DEUS LHE PAGUE POR TUDO. 

022: (05.05.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, PROFESSORA VALBA GONDIM DE SOUSA
UMA DAS TRADIÇÕES DO JUAZEIRO ANTIGO PERMANECE ATIVA EM NOSSOS DIAS COM AS RODAS DE CALÇADAS. AQUI, NA RUA SÃO JOSÉ, ALGUMAS OCORREM DIARIAMENTE, NUMA CENA COMUM, EXISTINDO HÁ DÉCADAS. É TRADIÇÃO QUE VEM DE AVÓS E PAIS, PELO GOSTO PARTICULAR DE SER UM ENCONTRO FRATERNO ENTRE PESSOAS QUE, DE CERTA FORMA, PREFEREM RENUNCIAR A CINEMA, TEATRO, PASSEIOS E OUTRAS DIVERSÕES. A SENHORA, DONA VALBA GONDIM, É UMA DAS FIGURAS CATIVAS DE UMA DELAS, AQUI NA RUA. E JÁ VIERAM ME DIZER DO SEU BOM HUMOR, DA ALEGRIA DIÁRIA DESTE ENCONTRO, DAS NOVIDADES QUE CORREM NESSAS CONVERSAS QUE TRAZEM AS NOTICIAS DO DIA, OS COMENTÁRIOS ASSUSTADOS PELOS COSTUMES TÃO AVILTADOS, E AS TRAGÉDIAS ENTRE A CIDADE E O MUNDO QUE TANTO NOS CHOCAM. QUALQUER DIA DESTES VOU AO SEU ENCONTRO E QUERO FICAR ENTRE VOCÊ, MARLENE MELO E OUTROS MAIS, ME DELICIANDO COM ESTE ITINERÁRIO QUE PERCORREM DIARIAMENTE, AO TOM LEVE E AGRADÁVEL DE UM REGISTRO PERMANENTE DAS RELAÇÕES HUMANAS. E NISTO, FELIZMENTE, JUAZEIRO NÃO É A ÚNICA. ESTE É UM HÁBITO MUITO PRESENTE EM OUTRAS CIDADES INTERIORANAS, MESMO EM CRESCIMENTO VERTIGINOSO. É UM DOS QUADROS MAIS PITORESCOS DO CARIRI. TRATA-SE DE UM DESTES COSTUMES BEM ANTIGOS, AQUELE QUE OUTRORA MAIS FOMENTAVA O CONVÍVIO SOCIAL E FAMILIAR. CAMINHAR POR CERTAS RUAS, AINDA HOJE NOS LEVA A ENCONTRAR CADEIRAS DISPOSTAS EM CIRCULO NA CALÇADA COM ALEGRES PESSOAS EM CONVERSA SOLTA DESDE O CAIR DA TARDE. ENCONTRO MUITAS DELAS TAMBÉM POR RUAS MAIS AFASTADAS E TRANQUILAS. BASTA TER UMA SOMBRA, UMA CALÇADA BEM LOCALIZADA E PRONTO. É O SUFICIENTE PARA QUE AS PESSOAS SE ACHEGUEM PARA AQUELA PROSA QUE SE COMBINA E SE AFINA PELA NOITE ADENTRO. ALGUMAS DELAS, GERALMENTE SÃO ENCERRADAS ASSIM QUE COMEÇA A NOVELA DAS 8, EM VERDADE, LÁ PELAS 9. PORÉM, CONTAM OS MAIS ANTIGOS QUE DURAVAM BEM MAIS TARDE, ANTES DA POPULARIZAÇÃO DA TV. NO MEU TEMPO DE MENINO, DONA VALBA, FASE EM QUE FUI SEU ALUNO NA VELHA E QUERIDA ESCOLA NORMAL, O LIMITE TAMBÉM JÁ ERA ESTE, ATÉ A HORA EM QUE O SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA DAVA O SINAL DE DESLIGAMENTO. MINHA AVÓ, DONA NENÉM, DA RODA JÁ GRITAVA: ACENDAM OS CANDEEIROS. E ERA ASSIM MESMO, PARA EM SEGUIDA ENCERRARMOS A CONVERSA E CADA UM IR PARA O SEU SONO, NA PAZ DE DEUS. POR ESTES DIAS, SOUBE QUE UM GRANDE VEXAME LHE OCORREU. PARA NOSSO CONSTRANGIMENTO, DURANTE UMA DELAS, UM ASSALTANTE LHE TOMOU A BOLSA E BENS PRECIOSOS. QUE COISA MAIS ANGUSTIANTE QUE ISTO TENHA ACONTECIDO EXATAMENTE EM MEIO A UMA RODA DE CALÇADA! A QUANTO CHEGA A AUDÁCIA E A VIOLÊNCIA URBANA QUE NÃO POUPA A CIDADÃ COMUM?  LAMENTO MUITO QUE ISTO TENHA LHE ACONTECIDO, DONA VALBA. EU SEI O QUE É ISTO. JÁ VIVI UM ASSALTO E SENTI NA PRÓPRIA PELE O QUE É ESTA INVASÃO À SUA PRIVACIDADE, A VIOLÊNCIA SOBRE A SUA CIDADANIA, E A ANGÚSTIA QUE SE SENTE POR SE PERDER, PRINCIPALMENTE, VALORES QUE SÃO MAIS AFETIVOS QUE MONETÁRIOS. E ISTO VAI CHEGANDO ÀS RAIAS DA OUSADIA QUE NEM POUPA A SIMPLES RODA DE CALÇADA. MAS, SOUBE TAMBÉM QUE VOCÊ SE RECUPEROU E, GRAÇAS A DEUS, ESTÁ NOVAMENTE, TODOS OS DIAS, FIEL À VELHA RODA, EMPRESTANDO A ESTE CONVÍVIO A ALEGRIA E O ENTUSIASMO COM OS QUAIS O SEU VIVER TANTO NOS EMOCIONA.  

023: (07.05.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, DR. PERBOYRE LACERDA SAMPAIO
NESTE 2014, E NÃO ME EQUIVOCO, VAI PARA TRINTA ANOS QUE NÃO NOS VEMOS. SOUBE QUE VOCÊ ESTÁ NA TERRINHA, MAS JÁ VOLTANDO PARA SÃO PAULO. QUE AZAR ESTE MEU! QUANDO NOS VIMOS EM 1984, NA CASA DE DOLORES E JOSÉ FIGUEIREDO, EM ENDEREÇO PAULISTANO, JÁ NOS DISTANCIÁVAMOS OUTROS 20 ANOS DE DESENCONTROS, DOS TEMPOS EM QUE ÉRAMOS MENINOS FELIZES NA ESCOLA NORMAL. DAÍ POR DIANTE, MEU CARO BAZIM, NÓS GANHAMOS O MUNDO E NOS PERDEMOS. SEMPRE TIVE UM OLHAR SOBRE OS SEUS CAMINHOS PARA NÃO PERDER DE VISTA O AMIGO BRILHANTE QUE TANTO ADMIRAVA. COM O TEMPO FUI SABENDO DE SUA FORMATURA NA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, EM 1973. DAÍ, VOOS MAIS ALTOS PARA CHEGAR À RESIDÊNCIA MÉDICA EM OTORRINOLARINGOLOGIA NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA, DA USP, ENTRE 1974 E 1975. PELAS NOTICIAS DAQUELA ÉPOCA, VOCÊ JÁ ESTAVA A UM PASSO DO DOUTORADO EM MEDICINA, FATO QUE REALMENTE SE CONSUMOU COM BRILHANTISMO, EM 1985. E A ISTO SE SUCEDERAM MOMENTOS VERDADEIRAMENTE CONSAGRADORES AO SEU ESFORÇO CRESCENTE PARA NÃO SER APENAS UM, OU MAIS UM NAQUELA SELVA DE PEDRA. ENTÃO, VOCÊ CONQUISTOU O TÍTULO DE ESPECIALISTA PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA, EM 1999, E O DE PRECEPTOR DA RESIDÊNCIA MÉDICA DA CLÍNICA DE OTORRINOLARINGOLOGIA, DA USP. REVEJO ANOTAÇÕES UM TANTO DESATUALIZADAS, AONDE JÁ IA CONTANDO OITO TESES DE DOUTORAMENTO SOB A SUA ORIENTAÇÃO. PERDI A CONTA ENTRE AS CENTENAS DE TRABALHOS TÉCNICOS COMO CONFERÊNCIAS, CURSOS, COMISSÕES, EXAMES, E TODO O TIPO DE ENVOLVIMENTO QUE AQUELA CÁTEDRA ENSEJAVA. RELACIONEI 10 LIVROS SOBRE A SUA ESPECIALIDADE, DR. PERBOYRE. E AINDA PUDE VER QUE LHE SOBRAVA ÂNIMO E TEMPO PARA SE DEDICAR À MÚSICA E À LITERATURA, COMPONDO E ORGANIZANDO OBRAS QUE FORAM EDITADAS POR SUA ENTIDADE, A SOCIEDADE BRASILEIRA DE MÉDICOS ESCRITORES, COMO AS DENSAS EDIÇÕES DE PIZZA LITERÁRIA, NAS SUAS DIVERSAS FORNADAS DESDE 1982, EM EDIÇÕES ANUAIS. SEMPRE QUE RECORRO À INTERNET PARA BISBILHOTAR SUA VIDA, EU ME SURPREENDO PELO SEM NÚMERO DE DEPOIMENTOS QUE ALI SE ENCONTRAM, FIRMANDO ELOGIOS GENEROSOS DE PACIENTES QUE PASSARAM POR SUAS MÃOS HÁBEIS DE CIRURGIÃO. SE MAIS DESEJAMOS, AINDA HÁ VÍDEOS SOBRE SUAS AÇÕES PROFISSIONAIS, NA CIRURGIA PLÁSTICA FACIAL. HÁ POUCO REVI UM DELES, INTERESSANTÍSSIMO, ONDE VOCÊ SE POSICIONA ACERCA DAS DUAS PRINCIPAIS RAZÕES QUE LEVAM OS BRASILEIROS A RECORREREM AOS PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS. VOCÊ, PERBOYRE, NOS CITA O MEDO DA MORTE E A COBRANÇA CRUEL DO MERCADO DE TRABALHO PELA JUVENTUDE. COMO CHEFE DO GRUPO DE CIRURGIA PLÁSTICA FUNCIONAL DA FACE, DA CLÍNICA DE OTORRINOLARINGOLOGIA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS, VOCÊ ACREDITA QUE OS MÉTODOS IMEDIATISTAS, COMO O BOTOX, TÉCNICA MAIS EMPREGADA NO MUNDO, QUE FICOU CONHECIDA COMO “CIRURGIA DE FIM DE SEMANA”, PODEM TER REDUZIDO A PROCURA PELAS CIRURGIAS PLÁSTICAS TRADICIONAIS. ENFIM, MEU CARO BAZIM, FIQUEI FELIZ EM TER-LHE FALADO AO TELEFONE, MESMO SABENDO QUE O TEMPO NOVAMENTE CONSPIROU CONTRA O NOSSO REENCONTRO. TEM NADA, NÃO! AGORA FICO MAIS SATISFEITO, POIS VOCÊ ME DISSE QUE ESTÁ DE VOLTA. DEIXA A PAULICÉIA DESVAIRADA E RETORNA AO SEU JUAZEIRO PARA RESIDIR EM DEFINITIVO. PARA MIM, FOI A MELHOR NOTÍCIA DO DIA. OU VOCÊ IMAGINA QUE EU AINDA VOU VIVER OUTROS TRINTA ANOS PARA REENCONTRÁ-LO?  SEJA BEMVINDO! VOCÊ É UM BOM FILHO QUE À SUA TERRA RETORNA.

024: (09.05.2014) BOA TARDE PARA VOCÊS, JOSÉ E CÍCERO LOURENÇO GONZAGA
NO INÍCIO DESTA SEMANA TOMEI MAIS UM DAQUELES SUSTOS, OUVINDO FALAR DA LIRA NORDESTINA. PELA IMPRENSA, SOUBE DE MAIS UMA DAQUELAS TRISTES NOTÍCIAS SOBRE A MORTE DA GRÁFICA DE LITERATURA DE CORDEL. A PERSISTIR RECOMENDAÇÃO DE VELHOS AMIGOS, EU JÁ DEVERIA TER ME ACOSTUMADO COM ISTO. CONTUDO, JOSÉ E CÍCERO, EU NÃO CONSIGO ESCONDER ESTA PROFUNDA TRISTEZA QUE ME INVADE E ME ANGUSTIA ENQUANTO VOU SABENDO DESTAS COISAS. TEM SIDO UM PENOSO E RENITENTE SOFRIMENTO VIVER ESTES MOMENTOS QUE SÓ TRATAM DE ACABAR DE VEZ COM ESTA IMENSA E FABULOSA HERANÇA DA FAMÍLIA DE JOSÉ BERNARDO DA SILVA. AGORA, PARECE SER A VELHA PÁ DE CAL. UMA MORTE ANUNCIADA FOI VIVIDA LONGAMENTE, DESDE QUE ELA FOI TRANSFERIDA PARA A GESTÃO DA URCA. NESTA INSTÂNCIA, COMO AGORA ESTÁ, TEM SIDO UM GRANDE DESCALABRO. QUERO CRER QUE POR TUDO QUE JÁ ME DISSERAM, E PELO QUE VEIO RECENTEMENTE AO CONHECIMENTO DOS JORNAIS, VOCÊS NÃO ESTEJAM NOS MENTINDO. RECORDO A VOCÊS, JOSÉ E CÍCERO LOURENÇO, UM POUCO DAS RAZÕES QUE SEMPRE ME PROVOCARAM INDIGNAÇÃO COM RESPEITO A ESTE ESTADO DE COISAS QUE FOI CRONICAMENTE PERPETRADO DESDE A SEGUNDA ADMINISTRAÇÃO DA URCA, ATÉ HOJE. QUANDO AINDA DA CRIAÇÃO DA URCA, O CARIRI COMEÇOU A DISCUTIR O QUE SERIA SEU PROJETO, PARA QUE ELA NÃO FOSSE, DA FORMA MAIS MEDÍOCRE, UM COLEGIÃO DE TERCEIRO GRAU SERVINDO A INTERESSES POUCO CONFESSÁVEIS, NÓS NOS POSICIONAMOS PARA DIZER-LHES QUE NÃO ESTÁVAMOS ALI PARA IMPOR CRITÉRIOS DE DISTRIBUIÇÃO DE PODER, DE FACULDADES E MUITO MENOS DE EQUIPAMENTOS ADMINISTRATIVOS, OU O QUE FOSSE. DAÍ PORQUE EVOLUIU BEM A PROPOSTA DE QUE FARÍAMOS O POSSÍVEL PARA SE TER, DENTRE OUTRAS COISAS, A LIRA NORDESTINA ATIVA. NÃO FOI FÁCIL TENTAR VENCER BATALHAS CONTRA TODA SORTE DE DIFICULDADES IMPOSTAS POR RANÇOS QUE ATÉ IMAGINÁVAMOS NÃO COUBESSEM NA NOVA ACADEMIA. MAS, VIMOS GRADATIVAMENTE QUE A MÁ VONTADE, A MÁ FÉ, O DESRESPEITO FORAM SE AVOLUMANDO E DETERMINANDO O GRADUAL ENCERRAMENTO DE SUAS ATIVIDADES. NÃO VAMOS ENTRAR EM DETALHES SOBRE ESTE FRUSTRADO PROJETO. IMPORTA DIZER QUE NO DISCURSO FALACIOSO DE SUAS GESTÕES LÁ ESTAVA O FRASEADO QUE APONTAVA PARA (ABRO ASPAS) “A REVITALIZAÇÃO DA LIRA PASSA POR SUA INTEGRAÇÃO COM A ACADEMIA, COM OS DEPARTAMENTOS E CURSOS ACADÊMICOS QUE TEMATIZAM A LITERATURA POPULAR”. POR ÚLTIMO, JOSÉ E CÍCERO, VOCÊS ESTÃO NOS DIZENDO QUE A VELHA GRÁFICA DE CORDEL, POR FALTA ABSOLUTA DE CONDIÇÕES, NÃO MAIS IMPRIME FOLHETOS. ISSO É O FIM. TERÁ SIDO ISTO A VINGANÇA MALIGNA DA ADMINISTRAÇÃO POR ENTENDER QUE, COMO JÁ DISSERAM, (ABRO ASPAS, NOVAMENTE) “A LIRA NÃO HÁ DE SER UM ESPAÇO PRIVADO DE MEIA DÚZIA DE XILÓGRAFOS”? FOI ISTO O QUE VOCÊS FIZERAM? PREFIRO ACREDITAR QUE NÃO. E FIQUEI PENSANDO COMIGO MESMO, POR QUE SERÁ QUE É ADMISSÍVEL QUE A URCA SEJA O ESPAÇO DE MEIA DÚZIA DE INCOMPETENTES QUE PASSARAM TANTOS ANOS PARA DEIXAR QUE ESTES XILÓGRAFOS DO JUAZEIRO, NÃO OBSTANTE O GRANDE VALOR DE SEU TRABALHO, FICASSEM AÍ, USUFRUINDO DE UM CERTO PACTO DE MEDIOCRIDADE, ONDE UMA DAS PARTES SE APODERA DO QUE NÃO LHE PERTENCE E A OUTRA NÃO ESTÁ NEM AÍ PARA O QUE ACONTECE? COMO SOBREVIVE, ME DIGAM VOCÊS, JOSÉ E CÍCERO LOURENÇO GONZAGA, COMO PODE SOBREVIVER A LIRA NORDESTINA, DAQUI POR DIANTE, SEM GRÁFICA, SEM POETAS E SEM XILÓGRAFOS? 

025: (12.05.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, PAULO ROBERTO BULHÕES
MEU PAI, LUIZ CASIMIRO, FOI UM DOS PIONEIROS DA TV EM JUAZEIRO DO NORTE, QUANDO AINDA EM MEADOS DOS ANOS 60 FEZ O POSSÍVEL PARA QUE NAS NOITES DO CARIRI JÁ HOUVESSE UMA IMAGEM TELEVISIVA PARA NOS DIVERTIR. FOI UMA FASE MUITO ARTESANAL CAPTAR AQUELA PRIMEIRA IMAGEM DA TV JORNAL DO COMMÉRCIO, DE RECIFE, ENTRE O HORTO E A SERRA DE SÃO PEDRO. ASSISTI-LHE EM DIVERSOS DESTES MOMENTOS E PUDE PARTICIPAR DESTES INSTANTES MÁGICOS. DANDO UM SALTO NESTA MEMÓRIA, NO PRÓXIMO DIA 20, BULHÕES, EU VOU ESTAR ASSISTINDO A TRANSMISSÃO DA MISSA, EM SUFRÁGIO DA ALMA DE PADRE CÍCERO. VOU PROCURAR ENXERGAR UM POUCO MAIS POR DENTRO O QUE ESTÁ SENDO ESTE ALTÍSSIMO DESEMPENHO DE SUA PRODUTORA PARA GERAR ESTAS IMAGENS QUE VÃO PARA O MUNDO. HÁ POUCO, FIQUEI IMENSAMENTE FELIZ AO SABER QUE NO MÊS PASSADO FOI RENOVADO O CONTRATO ENTRE O MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE E A BULHÕES PRODUÇÕES PARA VIABILIZAR, POR MAIS UM ANO, AS TRANSMISSÕES DAS MISSAS DE CADA DIA 20. NÃO É DE HOJE, BULHÕES, QUE SABEMOS DESTE SEU EMPENHO PARA GERAR UM POOL DE EMISSORAS DE TV, GARANTINDO AS IMAGENS PARA TODO O BRASIL E ALGUNS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA. FELIZMENTE, A ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL FOI SENSÍVEL E ATENDEU AO APELO DA IGREJA E DA GRANDE NAÇÃO ROMEIRA. HÁ MUITO TEMPO, MEU CARO BULHÕES, EU VENHO ACOMPANHANDO A SUA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL. RECUO A 1998 QUANDO VOCÊ E SUA FAMÍLIA DERAM PARTIDA NA BULHÕES PRODUÇÕES, CUJO DESEMPENHO SE FOI FAZENDO PRESENTE E COMPETENTE PARA SER UMA PRODUTORA DE VÍDEO, UM ESTÚDIO DE FOTOGRAFIA E UMA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS. LAMENTEI PROFUNDAMENTE QUE TENHA LHE FUGIDO PELOS DEDOS DAS MÃOS A CHANCE ÚNICA DE SER DETENTOR DE UMA CONCESSÃO DE CANAL ABERTO DE TV. O CAPÍTULO FINAL DESTA NOVELA NOS SURPREENDEU, RETIRANDO DO SEU ESFORÇO O PRÊMIO QUE LHE CABIA POR TANTOS MÉRITOS E PIONEIRISMO. O QUE O CARIRI, BULHÕES, NÃO TERIA GANHO E O QUE A REGIÃO DEIXOU DE GANHAR POR DECISÃO TÃO EQUIVOCADA? FELIZMENTE, POR TODOS OS CANAIS, COMO SE PODE VER TAMBÉM PELA INTERNET, A BULHÕES É MUITO ATUANTE NO MERCADO DE EVENTOS SOCIAIS, POLÍTICOS, COMERCIAIS, ESPORTIVOS, EMPRESARIAIS, JORNALÍSTICOS E TELEVISIVOS, OPERANDO O QUE HÁ DE MELHOR EM TECNOLOGIA NOS EQUIPAMENTOS DE PONTA, NA EDIÇÃO AUDIOVISUAL E NA CAPTURA E ENTREGA DE IMAGENS POR SATÉLITE. COMO AOS SEUS CLIENTES E PARCEIROS, BULHÕES, SOBRAM-NOS TAMBÉM MOTIVOS DE PLENA SATISFAÇÃO E REGOZIJO, PELO QUE ISTO REPRESENTA PARA NOSSO DESENVOLVIMENTO. É IMPORTANTE SABER QUE ESTA RETAGUARDA, A QUEM O CARIRI TANTO DEVE, NÃO ESTÁ ATRÁS DA MELHOR COMPETÊNCIA TÉCNICA EM HD E OUTROS REFINAMENTOS DA ATUALIDADE.  AO MOSTRAR MENSALMENTE ESTE JUAZEIRO DE FÉ E TRABALHO, COMO SEMPRE ACONTECE TODO DIA 20, SEJA PELA INTERNET NA SUA WEB TV PADRE CICERO, SEJA PELO POOL DE EMISSORAS - TV SÉCULO 21, TV APARECIDA, TV CEARÁ E TV VERDE VALE, VOCÊ NOS DEMONSTRA COM COMPETÊNCIA ESTE LADO DA SUA RESPONSABILIDADE SOCIAL PARA COM UMA REGIÃO QUE LHE VIU CRESCER E QUE É HOJE ALVO DAS SUAS PAIXÕES E AFETO. QUANDO ALGUM DIA, NO FUTURO, UM MALUCO VIER A ESCREVER SOBRE A HISTÓRIA DAS COMUNICAÇÕES, FAZENDO DE FATO UM MERGULHO SOBRE AS AÇÕES QUE TRANSITARAM ENTRE O IMPRESSO, O FALADO E O TELEVISIVO, MEU CARO PAULO ROBERTO BULHÕES, SEU NOME E DE SUA FAMÍLIA ESTARÃO SENDO LEMBRADOS E RESGATADOS COMO UMA GENTE QUE TRABALHOU PELO CARIRI DOS NOSSOS SONHOS.  

026: (14.05.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, JOÃO LINDEMBERG DE AQUINO
POR UM ATO FALHO, EU NÃO ME REUNI, NO ANO PASSADO, A ALGUMAS VOZES QUE LEMBRARAM OS OITENTA ANOS DE JOÃO LINDEMBERG DE AQUINO. DENTRO DE PRÓXIMOS DIAS, JÁ SERÃO OITENTA E UM ANOS DE UMA GRANDE EXISTÊNCIA. E JÁ NESTA SEMANA PROCURANDO SABER DE NOTÍCIAS SUAS EU NÃO MAIS CONSEGUI, SENÃO, OUVIR QUE ESTÁ ADOENTADO E PRATICAMENTE NÃO MAIS SAI DE SUA CASA, EM CRATO. PARA MIM, MESMO SENDO APENAS SEU ADMIRADOR, OUTRORA UM OBSERVADOR ATENTO E SEMPRE À DISTÂNCIA, O FATO DE REVESTE DE GRANDE TRISTEZA. COM IMENSO ATRASO, GOSTARIA DE FAZER CORO COM OS SENTIMENTOS DE NAPOLEÃO TAVARES NEVES, DE ANTONIO VICELMO DO NASCIMENTO, DE JOSÉ FLÁVIO VIEIRA, DE EMERSON MONTEIRO LACERDA, DE OSWALDO ALVES DE SOUSA, DE HUBERTO CABRAL E DE OUTROS QUE JÁ TRATARAM DE RELEMBRAR ESTA QUE FOI UMA DAS COLUNAS MESTRAS DE IMPRENSA CARIRIENSE, ENTRE OS ANOS 50 E 70. QUERO CRER, NÃO HÁ MEIAS PALAVRAS PARA DEFINIR LINDEMBERG DE AQUINO. SUA PESSOA, SEU ESTILO E TANTOS PREDICADOS QUE ORNAM ESSA PERSONALIDADE, DE INTELIGÊNCIA E TALENTO, JÁ ME DIZIAM QUE SEU EXERCÍCIO PROFISSIONAL ABEIRAVA A FIGURA ÍMPAR E MEMORIAL DE UM GRANDE BENEMÉRITO. QUANTO DEVEMOS, NÓS DO CARIRI, A LINDEMBERG DE AQUINO POR TANTAS BENFAZEJAS ATITUDES, ESPECIALMENTE NOS TEXTOS LIMPOS E ELEGANTES QUE PERCORRIAM AS PÁGINAS DOS JORNAIS POR ONDE ANDOU? ENQUANTO ERA PRESENTE NO DIA A DIA DAS REDAÇÕES, LINDEMBERG ERA O MENSAGEIRO INFATIGÁVEL DE UMA REGIÃO QUE SE DESCOBRIA, IMPORTANTÍSSIMA, NESTE CONCERTO DE NORDESTINIDADE. UMA DAS MELHORES EXPRESSÕES QUE COLHO SOBRE LINDEMBERG, VEM DE EMERSON MONTEIRO QUANDO AFIRMA QUE ELE (ABRO ASPAS) “CHAMOU A SI A PRESERVAÇÃO DA AUTOESTIMA DESTE POVO CARIRIENSE, ANOTANDO PARA AS GERAÇÕES FUTURAS, EFEMÉRIDES E VALORES QUE ETERNIZOU COM A SUA PENA.” MUITO PROVAVELMENTE, NÃO EXISTIU OUTRO QUE TENHA, COMO ELE, PARTICIPADO DE UMA DAS MAIS GLAMOUROSAS FASES DA SOCIEDADE CARIRIENSE. E POR ISSO SE FEZ O CRONISTA SOCIAL DE ENTÃO, POR EXCELÊNCIA, REALIZANDO UMA FUNÇÃO QUE NÃO EXCLUIU A MANIFESTAÇÃO INEQUÍVOCA DE UM CARÁTER QUE SE DESENHAVA COM FORTES PREMISSAS DE DIGNIDADE, DE HONESTIDADE E DE ÉTICA PROFISSIONAL. POR SEIS ANOS EU DIRIGI O INSTITUTO CULTURAL DO VALE CARIRIENSE, JÁ NO FIM DOS ANOS 80, E ERA EXATAMENTE DE LINDEMBERG DE AQUINO DE QUEM RECEBIA UMA DAS MELHORES ATENÇÕES PARA DAÍ, COM ENTUSIASMO, CONDUZIR A INSTITUIÇÃO, ATÉ QUANDO FOI POSSÍVEL. ACHAVA ADMIRÁVEL QUE ELE, NA MATURIDADE DE SUA FOLHA DE SERVIÇOS, NOS DISSESSE COM TRANQUILIDADE COMO REALIZAR CERTAS TRATATIVAS EM NOME DESTE CARIRI QUE GOSTARÍAMOS QUE SUPERASSE PÁGINAS DE BAIRRISMO E INTOLERÂNCIA. ELE SABIA O PORQUÊ. FOI UM DOS FUNDADORES DO INSTITUTO CULTURAL DO CARIRI, EM TEMPOS QUE PRIVOU INTIMAMENTE COM OS MELHORES QUADROS DA INTELECTUALIDADE DA REGIÃO. FOI HOMEM DE RÁDIO E JORNAIS, E NISTO FEZ O REGISTRO HONESTO E SISTEMÁTICO DOS ACONTECIMENTOS, DOS QUAIS EMERGIRAM DIVERSAS GERAÇÕES DE HOMENS PÚBLICOS E LIDERANÇAS DE NOMEADAS JORNADAS PELO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO. LINDEMBERG FOI A TESTEMUNHA OCULAR DE TUDO AQUILO QUE DE MELHOR SE EMPREENDEU POR AQUI. AO VÊ-LO AFASTADO DE NOSSO CONVÍVIO, TRISTE É SENTIR QUE SUA EXISTÊNCIA JÁ É UMA GRANDE SAUDADE PARA TODOS NÓS. 

027: (16.05.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, IRMÃ ANNE DUMOULIN
ONTEM À NOITE, EM UM DEBATE NESTA EMISSORA, DANIEL WALKER E EU MENCIONAMOS PARA O PÚBLICO, EMBORA TÍMIDA E SUPERFICIALMENTE, UM ENCONTRO QUE MANTÍNHAMOS SOB SUA COORDENAÇÃO, IRMÃ ANNETTE, E QUE RESPONDIA PELA SIGLA GES. ERA O GRUPO DE ESTUDOS DO SEMEADOR QUE REPRESENTOU POR UM POUCO DE TEMPO A INICIATIVA CUJO OBJETIVO ERA O DE REUNIR PESSOAS QUE REFLETISSEM SOBRE JUAZEIRO E SEUS PROBLEMAS. ÉRAMOS, BASICAMENTE, PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS QUE SE ENCONTRAVAM COM CERTA PERIODICIDADE EM FRATERNAS MESAS DE DEBATES PARA ENCARAR DISCUSSÕES SOBRE OS CAMINHOS E DESCAMINHOS DESTA TERRA DE MILAGRES. AGORA, RESIDINDO AQUI, ME DEU SAUDADE DAQUELES MOMENTOS EM QUE ESTÁVAMOS ALI SOB AS ATENÇÕES DAS SENHORAS CÔNEGAS DE SANTO AGOSTINHO PARA PENSAR SITUAÇÕES E ATITUDES QUE NOS PROMOVÊSSEMOS E, BEM ASSIM, O MEIO EM QUE VIVEMOS. NO DURO, ERA UM GESTO CONCRETO DESTE ENTENDIMENTO DE QUE NOSSO JUAZEIRINHO VIVIA, VIVE E TALVEZ NÃO ESTEJAMOS ERRANDO EM DIZER-LHES QUE AINDA VIVERÁ DE UMA CERTA ORFANDADE DE LIDERANÇAS QUE O CONDUZA A MELHORES DIAS. POR SUAS PALAVRAS, IRMÃ ANNETTE, NÃO HÁ COMO ADIAR A PROCLAMAÇÃO PÚBLICA DESTA INDIGNAÇÃO QUE NÃO APENAS RECLAMA ATENÇÕES, MAS ATITUDES QUE RESPONDAM PELO SERVIÇO À COMUNIDADE. COMO MENTORA DESTA REUNIÃO DE TÃO PRODUTIVAS PAUTAS, NÃO POSSO DEIXAR DE LOUVAR ESTA SUA CONTINUADA ENTREGA DE SI MESMA AOS PROPÓSITOS QUE A ENTUSIASMAM. EXEMPLARMENTE, MAIS QUE A NÓS. EXATAMENTE PORQUE VOCÊ, ANNE DUMOULIN, DEU ESTE TOM MAIOR QUE É O TESTEMUNHO DE SUA PRÓPRIA VIDA. DEIXOU PARA TRÁS, FAMÍLIA, GENTE, POVO, NAÇÃO E A MULTISECULAR LOUVAIN E SUA CÁTEDRA, E VEIO SE EMBRENHAR CONOSCO EM MEIO A TANTOS MILHÕES DE DEGREDADOS FILHOS DAS SECAS. ISSO PORQUE VOCÊ, ANNETTE, JÁ VIRA QUE NEM SEMPRE ERAM AS SECAS DAS ÁGUAS, MAS SEMPRE AS SECAS DOS ABANDONOS, DAS INDIFERENÇAS PELAS CAUSAS SOCIAIS, E ATÉ DA FÉ QUE – FELIZMENTE, NÃO DESANIMA A NOSSA IGREJA. E ASSIM VOCÊ VEIO PARA ESTA MESMA IGREJA QUE A CONQUISTOU PARA O SERVIÇO AO PRÓXIMO, AO SABOR DE UMA PRÉDICA QUE, ALGUÉM LÁ ATRÁS JÁ LHE DISSERA E TOCARA: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO EU VOS AMEI.  VEIO PARA AUXILIAR FRANCISCO MURILO – DE TÃO SAUDOSA E MERITÓRIA LEMBRANÇA, SENDO PARTE HOJE DESTA HONORÁRIA NAÇÃO ROMEIRA, HÁ MAIS DE QUARENTA ANOS. AO SAUDÁ-LA NESTE INÍCIO DE TARDE, IRMÃ ANNETTE, É INEVITÁVEL CONTER A EMOÇÃO QUE ME INVADE E ME LEVA ÀS LÁGRIMAS. QUERO CRER QUE ESTE É UM SENTIMENTO PROFUNDO QUE ME FAZ PERCORRER O POUCO QUE SEI DE SUA VIDA E OBRA ENTRE NÓS, E POR SUA GENEROSA E DESPRENDIDA ATIVIDADE MISSIONÁRIA. PRINCIPALMENTE PORQUE, DIANTE DISTO, É ESTA UMA DAQUELAS HORAS EM QUE TEMOS DE REVERENCIÁ-LA PARA, ESPECIALMENTE, AGRADECER TANTA DEDICAÇÃO AO NOSSO POVO NORDESTINO. POR LONGOS ANOS, SUAS OBRAS FORAM SEMPRE TÃO EVIDENTES QUE ELAS, EM SI, FALAM E NOS CONFORTAM DIANTE DAS AGRURAS DO COTIDIANO. QUALQUER DIA DESTES, PROMETO, VOU VISITÁ-LA.  QUERO TER BASTANTE TEMPO PARA, SEM PRESSA, FALARMOS DESTE NOSSO JUAZEIRO E DA NOSSA GENTE QUERIDA E BEM AVENTURA, COMO MURILO, ASSUNÇÃO E ANA TERESA. BEM AVENTURADA SEJA VOCÊ TAMBÉM, IRMÃ ANNETTE, QUE RECEBEU ANTES, RECEBE HOJE E DEVERÁ RECEBER SEMPRE, NA GRAÇA DE DEUS, O CONFORTO, O CARINHO, O AGRADECIMENTO, A ESTIMA E O AMOR DESTE SEU POVO ROMEIRO, AFILHADO DO SANTO PADRINHO DO JUAZEIRO. 

NOVA TESE DE DOUTORAMENTO
Vale a pena reproduzir aqui uma matéria sobre a tese de doutoramento de Edianne Nobre, recentemente defendida.; A matéria foi estampada no Diário do Nordeste de 27.04, pp.
“Vista pela Santa Sé como fabricante de milagres e inventora de imposturas, a beata Maria de Araújo voltou a ser alvo de estudos e questionamentos pela comunidade científica brasileira.
No final do mês de março, a trajetória da mulher cujo a participação, segundo estudiosos, foi decisiva para tomada de posicionamentos adotados por Padre Cícero Romão Batista no campo político e, principalmente, para a construção do município de Juazeiro do Norte, voltou a ser lembrada durante defesa da tese de doutorado "Incêndios da Alma", de Edianne Nobre, no curso de História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ). Conforme relatos históricos, no ano de 1889, durante uma missa celebrada por Padre Cícero, uma hóstia entregue pelo religioso teria sangrado na boca da beata. O suposto "milagre" foi repetido em diversas outras ocasiões, tendo sido atestado por médicos que atuavam na cidade. Um deles, o médico Marcos Rodrigues Madeira, chegou a publicar um atestado de sobrenaturalidade sobre o caso no jornal "O Cearense", o mais respeitado noticioso da época. Os efeitos produzidos pelo chamado "Sangue Precioso" culminaram em um enorme afluxo de peregrinos ao pequeno povoado. Além da transformação da hóstia em sangue, também existiram boatos de que a beata produzia o líquido vital através de estigmas que se reproduziam em suas mãos, pés e testa, durante as incessantes comunhões das quais participava.
Diante da crescente crença na produção do "milagre" e no aumento no número de pessoas que passaram a cultuar o povoado como local de santidade, o bispo Dom Joaquim José Vieira, responsável pela Diocese do Ceará, instaurou um Processo Episcopal com a finalidade de investigar a veracidade no sangramento das hóstias. "O processo, na verdade, foi instaurado porque a Igreja vivenciava, naquela época, uma fase que acabou sendo conhecida como romanização. A grande finalidade daquele período era impedir que houvesse o surgimento de novos centros de peregrinação que viessem a diminuir a presença de fiéis católicos em locais já tradicionais, como no caso das visitas à Fátima e ao próprio Vaticano. Também eram proibidos os cultos populares e estimulados os cultos já consagrados", explicou a historiadora Edianne Nobre. A pesquisadora ressaltou que os documentos ao qual teve acesso para realização da pesquisa que subsidiou a elaboração da tese, encontrados no arquivo secreto do Vaticano e, ainda, nos arquivos da Congregação da Doutrina da Fé, antigo Santo Ofício, comprovam que desde o início das investigações houve interesse da Igreja em obscurecer os "milagres" através da imposição de certo ostracismo à figura da beata Maria de Araújo. No relatório publicado pela Santa Sé no ano de 1898, inclusive, a besta é chamada de pseudomística, fabricante de milagres e inventora de imposturas. "Maria Araújo sofreu uma série de condenações. Até mesmo a pronuncia de seu nome foi proibida à população. O processo de esquecimento da figura de Maria Araújo teve início, portanto, na época de seus contemporâneos", avalia a pesquisadora observando, ainda, que, aos poucos, a personagem passou a desaparecer do próprio contexto histórico relativo ao surgimento do município de Juazeiro do Norte. "O desaparecimento da figura de Maria de Araújo acontece paulatinamente. Quase que ininterruptamente ela vai deixando de estar presente em documentos que narram à história de Juazeiro", observou. Autora de inúmeros trabalhos em torno da figura da beata Maria de Araújo, a psicóloga Maria do Carmo Pagan Forti também defende a existência de uma ação deflagrada pela Igreja com objetivo claro de minimizar a importância da personagem diante não apenas da veracidade ou não do "milagre, mas, ainda, nos acontecimentos religiosos, políticos e culturais que sucederam as manifestações de transformação da hóstia em sangue. "Nós ainda vivemos em uma sociedade em que o poder, seja ele civil ou eclesiástico, é exercido pela influência masculina. A nossa sociedade, portanto, é e sempre foi machista. Imagine, então, o tratamento que era dado às mulheres, negras, pobres e analfabetas, àquela época. Era um tratamento altamente discriminatório. Reconhecer não apenas o milagre da hóstia, mas, sobretudo, a figura da beata Maria de Araújo, nunca esteve nos planos da Igreja naquele período", avalia. Violação: A psicóloga e pesquisadora aponta como comprovação de sua tese a violação ao túmulo da beata em outubro de 1930. Naquela ocasião, por ordem do monsenhor José Alves de Lima, então vigário de Juazeiro do Norte, o túmulo da beata foi completamente destruído. Os restos mortais de Maria Araújo também desapareceram restando, apenas, um pedaço de crânio com cabelos, um pedaço do cordão de São Francisco e um escapulário. "A destruição do túmulo de Maria de Araújo consolidou o esquecimento que se impôs sobre ela", salienta a pesquisadora. A destruição do local onde repousavam os despojos mortais de Maria de Araújo chegou a ser registrada em cartório pelo padre Cícero Romão Batista, mais tarde chamado pelos fiéis de "padim", que também acabou sendo vitimado pelas decisões da Igreja, que decidiu proibi-lo de realizar quaisquer ações sacerdotais. Atualmente, tramita no Vaticano um processo de reabilitação do "padim" dos milhares de romeiros que, anualmente, se deslocam a Juazeiro do Norte para acompanhar as romarias realizadas na cidade. Em relação à beata Maria de Araújo, a pesquisadora Maria do Carmo Pagan Forti diz observar certa tentativa de setores da Igreja em resgatar, de maneira discreta, a importância da personagem. "Durante a celebração da missa pelo centenário da morte da beata Maria de Araújo, o bispo diocesano Dom Fernando Panico, em sua homília, fez menções à importância da mulher ao qual chamou de mártir do silêncio", relembrou a psicóloga. A reportagem teve acesso à pregação realizada por Dom Fernando, naquela ocasião. A beata é citada em diversos trechos da fala do bispo. Em um deles, Dom Fernando chega a afirmar que " é preciso recordar uma figura que nos fala, uma mensagem que ainda merece ser escutada". O bispo prossegue afirmando que Maria Araújo teria passado por muitas provações, por sérias dificuldades, tendo sido "injustiçada e ofendida na sua dignidade de mulher". "A mim, pelo menos, nas palavras que foram ditas pelo bispo diocesano, parece existir uma intenção de resgatar a imagem de Maria e, certamente, consertar um erro muito grande imposto pela Igreja à beata", observou a psicóloga. A reportagem tentou ouvir o bispo diocesano de Crato, Dom Fernando Panico, sobre o teor da homília realizada por ele durante a missa comemorativa ao centenário de morte da beata Maria de Araujo. O contato, no entanto, não foi possível, devido Dom Fernando encontrar-se em missão pastoral em Santana do Cariri, até o fechamento desta edição.
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/suplementos/cariri-regional/pesquisadora-resgata-mistica-sobre-a-beata-maria-de-araujo-1.1002839
(Foto de Roberto Crispim, DN)

O AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE 
Por notícias recentes da Justiça Federal do Ceará, acordos entre a Infraero a e Prefeitura de Juazeiro serão homologados. A nota diz: “A 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte intermediará nas negociações das indenizações de área desapropriada, para ampliação do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, naquele Município. Em Audiência pública realizada na sede do antigo aeroclube, nessa segunda, 12, reuniram-se representantes da Infraero, da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, da Defensoria Pública da União (DPU), da Caixa Econômica Federal (CEF) e Titulares e Posseiros da área desapropriada. O Juiz Federal, Leonardo Coutinho, titular da 16ª Vara Federal, participou da audiência para prestar esclarecimentos aos presentes. Na ocasião, a Infraero e a Prefeitura foram autorizadas a celebrar acordos, que serão homologados pela Justiça Federal. O valor da indenização será levantado pelos interessados, após a homologação dos acordos, por meio de alvará expedido pela Justiça Federal. Os interessados que não aceitarem o acordo poderão contestar as ações, por intermédio de advogado, e levantar 80% do valor depositado. O Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte, atende as regiões Centro Sul do Ceará, Noroeste de Pernambuco, Alto Sertão da Paraíba e Sudeste do Piauí. De acordo com informações da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), nos últimos anos, foi registrado um aumento do movimento anual de passageiros. Em 2012, embarcaram e desembarcaram cerca de 450 mil passageiros. Em 2013, até o mês de setembro, foram pouco mais de 280 mil. Por causa disso, uma área de 486 mil metros quadrados contíguos à pista de pouso e decolagem do aeroporto foi declarada de utilidade pública, para fins de desapropriação, pelo Decreto Municipal nº 58 de 18 de novembro de 2011. Em razão disso, o município de Juazeiro do Norte e a Infraero celebraram em outubro de 2013 um acordo de cooperação para promover, em parceria, as desapropriações das áreas necessárias à ampliação do Aeroporto. A área foi avaliada pela CEF, conforme laudo de avaliação juntado às ações judiciais de desapropriação que tramitam na 16ª Vara Federal de Juazeiro do Norte, pelo valor total de 15.822.665 mil reais. A Justiça Federal autorizou a Infraero a fazer o depósito do valor das indenizações na Caixa Econômica Federal, realizado em 15 de abril de 2014. A Infraero pode ser imitida na posse do imóvel, desde logo, ainda que haja contestação por parte dos interessados. Para o Juiz Federal Leonardo Coutinho: “a iniciativa da audiência pública, com a participação da Justiça Federal, órgão imparcial e independente, possibilitou o esclarecimento dos expropriados acerca dos detalhes do procedimento que envolve a desapropriação, sobretudo no que se refere às consequências da aceitação ou não das propostas de acordo”.  
Saíram as estatísticas da Infraero sobre o desempenho dos 63 aeroportos sob a sua jurisdição. Como vimos apurando, nesta edição estão os quadros que posicionam o aeroporto de Juazeiro do Norte neste contexto de Brasil e Regiões Norte e Nordeste. Nesta edição estamos transcrevendo os dados da companhia, e observando a mudança da categoria do aeroporto de Petrolina, cuja internacionalização não vinha sendo considerada por nós, e era sempre inserido como doméstico da região Nordeste. Deste modo, o nosso aeroporto aparece agora, dentre os doméstico da região, em terceira posição.  Como vínhamos também fazendo um  pequeno quadro (Tabela 7) para siktuar esta performance, frente a diversas situação, isto também mudo e assim  podemos nos referir, reproduzindo aqui as tabelas dos meses de março e abril. Conclusão: Em todo o Brasil: era em março o trigésimo sétimo em 63 (todos aeroportos) e assim continua (no nosso ranking era o quinto melhor desempenho e assim continua); Dentre todos os domésticos do país: era em março o décimo quarto em 29 e assim continua (no nosso ranking era o terceiro melhor desempenho e agora caiu para quarto); Dentre todos os domésticos do interior do pais: era o sétimo em 16 e assim continua (no nosso ranking era o seu melhor desempenho e agora caiu para terceiro); Na região Norte-Nordeste: era em março o décimo oitavo em 30 (todos aeroportos) e assim continua (no nosso ranking era o sexto melhor desempenho e assim continua); Dentre todos os domésticos da região: era em março o quinto em 13 e assim continua (no nosso ranking era o quarto melhor desempenho e agora subiu para segundo); Dentre todos os domésticos do interior da região: era o terceiro em 11 e assim continua (no nosso ranking era o segundo melhor desempenho e agora melhorou mais, passando à sua melhor performance.)
(Na foto: reunião na Justiça Federal do Ceará, em Juazeiro do Norte, em 12.05.2014)
















segunda-feira, 21 de abril de 2014

NOVOS CINEMAS

Com a reforma do Cariri Shopping (hoje, Cariri Garden Shopping) as então duas salas de cinema foram encerradas. Desde a sua reabertura temos cobrado insistentemente a reabertura das novas salas. Agora são seis novas salas, três delas com 3D, com 500 lugares. As fotos mostram o interior de uma das salas e uma visita realizada nesta semana ao local pelo cinéfilo Dr. Sávio Leite Pereira, ciceroneado pelo Sr. Franklin, um dos empresários da Multiplex Orient Filmes. Agora parece definitivo: os cinemas serão inaugurados no dia 25 de abril, uma sexta feira. Mas ainda não foi divulgada a programação. Com certeza ela está inserida na atualidade da programação dos grandes centros do país. Na página da empresa encontramos o seguinte release: “A Orient Cinemas está crescendo e espalhando cultura, entretenimento e lazer por todo o país, com mais dois cinemas a serem inaugurados pelo grupo: o Orient Cinemas Cariri Shopping e o Orient Cinemas Amapá Garden Shopping. Os amantes da sétima arte têm muitos motivos para comemorar, pois os novos complexos estarão entre os cinemas mais modernos do país. Buscando surpreender o público, a rede Orient Cinemas irá investir em alta tecnologia, projetores de última geração, salas com conceito premier e uma decoração sofisticada tornando o ambiente confortável com um toque de requinte.
O Orient Cinemas Cariri Shopping, que será instalado em Juazeiro do Norte, no Ceará, possuirá 6 salas com capacidade total para 1400 lugares, sendo que 3 salas serão 3D. Já o Orient Cinemas Amapá Garden Shopping, que será instalado na capital Macapá, terá 08 salas, sendo todas montadas com projetores 3D e, além disso, terá 2 salas vips. O objetivo da Orient Cinemas é oferecer o que há de melhor no mercado exibidor como as salas vips, salão para festas de aniversários, ambiente de luxo com poltronas altamente confortáveis, serviços corporate, programação de alto nível e mais algumas surpresas que em breve serão anunciadas. Por curiosidade, eis os filmes que estão em cartaz pelos cinemas desta mesma organização:
Capitão América 2: O Soldado Invernal (EUA, 2013 - 136 min. - Ação, Aventura - 12 anos); 
Confia em Mim (Brasil, 2013 - 85 min. - Suspense - 12 anos);
Hoje eu Quero Voltar Sozinho (Brasil, 2014 - 96 min. - Drama - 12 anos);
A Ascenção do Império (EUA, 2014 - 103 min. - Ação, Aventura, Guerra - 16 anos); 
Alemão (Brasil, 2013 - 109 min. - Policial - 16 anos);
As Aventuras de Peabody e Sherman (3D, EUA, 2013 - 93 min. – Animação, Comédia – Livre);
Noé (EUA, 2014 - 138 min. - Drama, Épico - 14 anos);
Rio 2(EUA, 2013 - 101 min. - Animação, Aventura, Comédia – Livre);
SOS Mulheres ao Mar (Brasil, 2014 - 90 min. - Comédia - 12 anos);
Tinker Bell: Fadas e Piratas (EUA, 2014 - 78 min. - Animação, Fantasia – Livre). 

WILKER: HISTÓRIA DE UM CASAMENTO 
A colunista carioca Hildegar Angel publicou em sua página no dia 13, pp., na internet a seguinte matéria: o casamento de José Wilker que a imprensa não contou e você não soube, aqui com foto e tudo. Eis a matéria transcrita: “O dia da morte de José Wilker, meu antigo companheiro de elenco na peça A mãe, em 1971, escrevi sobre ele aqui: O JOSÉ WILKER QUE EU CONHECI DE PERTO. Falei sobre a noiva psicanalista, noivado à moda antiga, aliança no dedo direito, almoço nos finais de semana com a família dela, num cenário totalmente burguesia Zona Sul, a antítese do Wilker transgressor daqueles anos, na vida e nos palcos. A noiva era a mítica “Elzinha”, nome cochichado discretamente, pois poucos no meio teatral a conheciam e sequer a haviam visto. Até que um dia, no auspicioso ano de 1974, depois de um longo noivado, eles enfim se casaram. Foi tudo dentro dos padrões burgueses da época, conforme vocês podem constatar na foto histórica abaixo. Os pais convidando, da noiva e do noivo, ambos vestidos de branco no altar da Igreja Nossa Senhora da Conceição, transpirando felicidade. A mãe de Wilker chamava-se Santinha, mas santa de fato aparentava ser a noiva, a jovem Elza Rocha Pinto, linda e angelical, como eram as noivas daqueles anos. O único toque inusitado foi o lay out do convite, evocando o de um programa de teatro (o formato era bem o dos programas teatrais daqueles anos) como se “O Casamento” fosse o título de um espetáculo e se, além dos noivos, houvesse um “grande elenco”. Ah, e a entrada era “franca”. Wilker e Elzinha não chegaram a ser “felizes para sempre”, uma pena, porém o matrimônio durou uns bons e longos 12 anos, até se separarem e ele contrair novos laços de casamento com a atriz Renée de Vielmond, posteriormente com Mônica Torres e por fim com Guilhermina Guinle, de quem também se separou. Por mais que desejasse se enquadrar em parâmetros convencionais, a inquietude estava impregnada em sua alma. Volto ao tema porque não li em qualquer dos muitos obituários publicados referência a este que talvez tenha sido o mais longo e planejado dos casamentos de José Wilker, e aquele que, seguramente, foi o único precedido de noivado, iniciado com ele jovenzinho, na flor de seus 20 e poucos anos.
 NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES

A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte concedeu os seguintes Títulos Honoríficos de Cidadão Juazeirense:
RESOLUÇÃO N.º 690 DE 20 DE MARÇO DE 2014 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor PAULO JOSÉ DE MACÊDO. Autoria: Glêdson Lima Bezerra Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Francisco Alberto da Costa – José Adauto Araújo Ramos – José Tarso Magno Teixeira da Silva – Firmino Neto Calú – José Ivan Beijamim de Moura – José Nivaldo Cabral de Moura – Rubens Darlan de Morais Lobo – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Cláudio Sergei Luz e Silva – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – Danty Bezerra Silva – João Alberto Morais Borges – Cícero Claudionor Lima Mota – Maria Calisto de Brito Pequeno - Rita de Cássia Monteiro Gomes.
RESOLUÇÃO N.º 691 DE 20 DE MARÇO DE 2014 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor JOÃO ALBERTO MORAIS BORGES. Autoria: Glêdson Lima Bezerra e José Tarso Magno Teixeira da Silva Subscrição: José Adauto Araújo Ramos – José Ivan Beijamim de Moura – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – Danty Bezerra Silva – Maria Calisto de Brito Pequeno - Rita de Cássia Monteiro Gomes.
RESOLUÇÃO N.º 692 DE 03 DE ABRIL DE 2014 Concede o Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Senhora Rejane Maria Maciel Sales. Autoria: José Nivaldo Cabral de Moura
Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Firmino Neto Calú – José Adauto Araújo Ramos – Glêdson Lima Bezerra – Francisco Alberto da Silva – Paulo José de Macêdo – Antônio Vieira Neto – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Cláudio Sergei Luz e Silva – Rubens Darlan de Morais Lobo – Francisco Alberto da Costa – Danty Bezerra Silva – José Tarso Magno Teixeira da Silva - Rita de Cássia Monteiro Gomes.
RESOLUÇÃO N.º 693 DE 03 DE ABRIL DE 2014 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Luiz Carlos Simão de Macêdo. Autoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva Coautoria: Danty Bezerra Silva Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Firmino Neto Calú – José Adauto Araújo Ramos – Glêdson Lima Bezerra – Paulo José de Macêdo – Antônio Vieira Neto – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Rubens Darlan de Morais Lobo  – José Ivan Beijamim de Moura – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – Cícero Claudionor Lima Mota – João Alberto Morais Borges – José Nivaldo Cabral de Moura – Rita de Cássia  Monteiro Gomes e Maria de Fátima Ferreira Torres.
RESOLUÇÃO N.º 694 DE 03 DE ABRIL DE 2014 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense  ao Senhor Luiz Wagner Mota Sales. Autoria: José Nivaldo Cabral de Moura Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Firmino Neto Calú – José Adauto Araújo Ramos – Glêdson Lima Bezerra – Paulo José de Macêdo – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Rubens Darlan de Morais Lobo – Cícero Claudionor Lima Mota - José Tarso Magno Teixeira da Silva – Antonio Vieira Neto – Francisco Alberto da Costa – Cláudio Sergei Luz e Silva - Danty Bezerra Silva – Rita de Cássia Monteiro Gomes.
RESOLUÇÃO N.º 695 DE 03 DE ABRIL DE 2014 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Moacyr Mondardo Júnior. Autoria: Cláudio Sergei Luz e Silva Coautoria: Danty Bezerra Silva Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Firmino Neto Calú – José Adauto Araújo Ramos – Glêdson Lima Bezerra – Paulo José de Macêdo – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Rubens Darlan de Morais Lobo – José Ivan Beijamim de Moura – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – Cícero Claudionor Lima Mota – João Alberto Morais Borges - José Nivaldo Cabral de Moura – José Tarso Magno Teixeira da Silva - Rita de Cássia Monteiro Gomes – Maria Calisto de Brito Pequeno e Maria de Fátima Ferreira Torres.
RESOLUÇÃO N.º 696 DE 03 DE ABRIL DE 2014 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Reverendíssimo Padre César Casetta. Autoria: Maria de Fátima Ferreira Torres Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Firmino Neto Calú – José Adauto Araújo Ramos – Glêdson Lima Bezerra – Paulo José de Macêdo – Antônio Vieira Neto – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Rubens Darlan de Morais Lobo – Cícero Claudionor Lima Mota – José Tarso Magno Teixeira da Silva – Antônio Vieira Neto – Francisco Alberto da Costa - José Nivaldo Cabral de Moura - João Alberto Morais Borges – José Ivan Beijamim de Moura - Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
(Na foto: João Alberto Morais Borges, Rejane Maria Maciel Sales e Moacyr Mondardo Júnior, Padre César Casetta). 

DETETIVES DA HISTÓRIA 
Com direção geral de Belisario Franca e direção de Sylvestre Campe, o The History Channel contratou a GIROS para pesquisar mistérios da história e produzir a primeira série com conteúdo brasileiro: DETETIVES DA HISTÓRIA. A série é apresentada pelos atores André Guerreiro Lopes e Renata Imbriani, uma dupla de “historiadores-investigadores”. Os episódios desvendam os mistérios escondidos por trás de pequenos tesouros familiares e construções enigmáticas, que por muito tempo estiveram esquecidos nas estantes, porões e paisagens de cidades brasileiras. Detetives da História é uma série original para TV que usa mistérios locais e objetos achados pelos telespectadores como ponto de partida para um processo de investigação. Apresentada por uma dupla de “historiadores-investigadores”, a série irá desvendar os mistérios escondidos por trás de pequenos tesouros familiares e construções enigmáticas que por muito tempo estiveram esquecidos nas estantes, porões e paisagem de cidades brasileiras. Cada episódio começa com nossa dupla de apresentadores visitando a casa do telespectador e discutindo sua conexão pessoal com o objeto ou fato misterioso. Nossas lentes irão acompanhar todo o processo de investigação enquanto os investigadores visitam historiadores, arqueólogos, genealogistas, arquitetos, restauradores, estudiosos de cultura popular e detetives profissionais para revelar a origem secreta destes enigmas da vida privada. Ao longo do programa, teremos a chance de investigar e desvendar fatos surpreendentes sobre alguns capítulos da história do Brasil, seus mitos e costumes. A série é uma oportunidade para conhecer fatos, por vezes surpreendentes, sobre acontecimentos da história do país. O processo se inicia com o contato de telespectadores que desconfiam da importância histórica de determinado objeto, construção ou local. Os episódios acompanham todo o processo de investigação em entrevistas a historiadores, arqueólogos, genealogistas, arquitetos, restauradores, estudiosos de cultura popular e detetives profissionais. O History Channel pode ser assistido através das seguintes operadoras de Tv a cabo: SKY (54); NET (83) ou HD (583); CLARO TV (108) ou HD (608); OI TV (83); GVT (61); VIVO CABO (33); VIVO FIBRA (33); VIVO DTH (347) ou HD (835). Este colunista está tomando a iniciativa para provocar na equipe produtora uma revisão sobre o desaparecimento do corpo da beata Maria de Araújo. Para tanto, estamos remetendo material bibliográfico para a equipe, solicitando deles um estudo sobre esta possibilidade. 
  
ORAÇÃO PARA DONA HELOÍSA
Por ocasião do velório de Dona Heloísa Assunção Feitosa, (ex-primeira dama do município de Juazeiro do Norte, ao tempo dos mandatos prefeiturais de seu esposo, Dr. Antonio Conserva Feitosa), o advogado José Guedes de Campos Barros pronunciou o seguinte discurso: 
Quando, pelo primo Frederico, o nosso querido Fred, fui informado de sua partida, depois de dezesseis dias de muito esforço, de muita luta e de muita esperança, buscando adiar o seu atendimento ao chamado de Deus, que a nós, cá neste plano finito, não é dado imaginar os seus divinos desígnios, passei a assistir, em reprise, a um filme que marcou profunda e indelevelmente a vida das nossas famílias. Ele começou com a chegada de vocês à minha querida Fortaleza, nos idos de cinquenta, quando seu muito amado Feitosinha, o então deputado Antônio Conserva Feitosa, para lá foi mandado como deputado estadual, representando a vontade deste nobre povo do Juazeiro e do Cariri, a quem ele serviu, com amor, com competência e com valentia, por tanto tempo, como médico e como homem público, do mais alto nível. A chegarem: Feitosinha, a senhora, a Neneca, o Fernando, a Lígia (com seus belos cabelos que chegavam à cintura), a Mirtes, o Eduardo (o Dudu dos “dois pão e um bolo”), a Miriam (sua herdeira nas artes culinárias), o Marcos (marquinho pintor, poeta, musicista, explorador de tantas minas, sertões e amazônicas florestas) e o Fred, o afilhado do papai e da mamãe (Góes e Neuza), esse sempre manso, sempre cordato, sempre meigo e fazedor de amizades. A receberem: o primo-irmão-amigo major Góes – o colega do primário no colégio marista, lá da serra de Triunfo, das famosas rapaduras, Neuza, aquela que nasceu no dia 29 de agosto, como a senhora, faz noventa anos, a Neuza a quem a senhora adotou por irmã única e que findou , também, sua comadre, o João, o Helinho, este José que, em nome deles todos, busca falar-lhe, em tom de oração, trazendo amor, carinho e saudade, a Neusinha, a Celinha, o Chico e o Marcelo, o nosso compositor e cantor de além mar.  E, dentre tantos momentos alegres e felizes dessas que são uma só família, lembro do bolo, bolo obra de arte, como todos os que a senhora fazia, presente que me foi dado quando da minha primeira comunhão, que comemoramos juntos, lá no km 8, perto de Parangaba, com as presenças dos meus padrinhos Clóvis e Edméa  Mendes, vovô Álvaro Wayne e vovó Maria José, doutor Josa Magalhães e dona Aurinha, doutor Leite Maranhão e dona Ercília, dentre tantos outros amigos. E também vieram-me à mente as brincadeiras, os jogos de futebol e voleibol, os festejos juninos, os natais e aniversários, os fins de semana, quando nós, meninos e meninas, absolutamente despreocupados e felizes, sob a batuta de duas grandes, belas, despojadas e corajosas mulheres, a senhora e mamãe, fiéis e leais companheiras de dois guerreiros, Feitosinha e papai, cujos maiores “defeitos” foram em verdade virtudes: a coragem invulgar, a decência, a lealdade, a firmeza, em suma, a integridade, coisa hoje em dia tão em falta. E não vou falar de fatos da vida política do papai e do Feitosinha, alguns pitorescos, outros graves, em face do temperamento e do caráter dos patriarcas, mas faço questão de proclamar, porque de justiça, que, naquelas horas mais difíceis, prevaleciam e prevaleceram a sensatez, o equilíbrio, o bom senso e a coragem com mansidão, tanto da senhora como da mamãe, as belas matriarcas, como ponto de equilíbrio. E os anos foram passando...e nós, seus meninos e meninas, constituímos novas famílias, trazendo-lhes, também como bênçãos de deus, novas meninas e novos meninos, que já lhes deram bisnetos...e por aí vai a continuidade da vida. Depois vieram os dissabores inesperados, aquilo que nos maltrata muito, porque subverte o que deveria ser, para nós, a ordem natural da vida: a perda da doce e boa neneca, sempre aquele ser angelical, os genros e netos queridos, as amigas, os amigos e os parentes, tão bem lembrados pelo chico buarque, no seu inesquecível “oh! Pedaço de mim; oh! Pedaço arrancado de mim...” Porém, dona Heloísa querida de todos nós, muito querida mesmo, graças a deus, clemente e misericordioso, também houve reencontros agradabilíssimos, momentos deliciosos que eu lhe peço licença para lembrar, de um deles, pelo menos: Foi quando, solidários com a Mirian que há pouco ficara viúva, Feitosinha, a senhora e a Mirian, vieram passar uns dias lá em Paracuru, no sítio-casa de praia, que nós tínhamos (papai, mamãe, tio Hélio e Celinha, os proprietários), faz menos de vinte anos. Conhecedor dos gostos da senhora, do velho Conserva Feitosa e da prima, combinado com a minha mulher Fátima, com papai e mamãe, que estavam morando em Brasília, simplesmente larguei todos os meus afazeres, tirei férias por uns dias, pedi emprestado um bugre do meu vizinho e amigo Nilson, então primeiro prefeito da sua Ipaporanga, lá pras bandas do norte, na parte setentrional do maciço da Ibiapaba, abastecí-o com camarões e lagostas, sem esquecer-me das garrafas de uísque old eight e teatcher’s, e fui ter com os tios e a prima. E..., como foi bom aquele reencontro, por menos de uma semana, posando de motorista-bugrista da família; levando-os a conhecerem, nas alvoradas e ao por do sol, as belezas daquelas praias,  seus coqueiros açoitados pelos alíseos, suas dunas e sua paz. E, querida dona Heloísa, tendo ainda o direito de degustar daqueles manjares, frutos do mar, transformados delícias dos deuses do olimpo, por suas mãos de maestrina, bem acolitada, é claro, pelo prima Mirian. Foi uma das semanas mais gratificantes da minha vida, Fátima e meus filhos o sabem, dito por mim, à época, porque vi alegria e felicidade nos olhos da senhora, nos olhos do Feitosinha e da Miriam, e por isso senti-me feliz e recompensado. Tudo porque, dona Heloísa, mais que tia Heloísa, naqueles breves dias eu senti que a senhora estava sabendo o quanto fora importante para mim aquele bolo da primeira comunhão; o quão importante fora para papai, mamãe e meus irmãos, ter tido a felicidade de compartilhar da sua generosidade, por tantos anos. Agora, que o filme é por demais longo e só poderá ser de todo assistido no plano maior, onde não há limite de tempo, permito-me dizer-lhe algo que disse ao papai, seu compadre Góes, no dia 22 de dezembro último, em sua missa da ressurreição: Sua partida, que foi triste para nós, não foi uma “triste partida”, como aquela do sempre saudoso Patativa do Assaré. “Porque a senhora nem partiu triste, nem partiu sem rumo definido.” “A senhora apenas voltou para o seio da mãe terra, que é parte do todo, que é deus, clemente e misericordioso.” Por derradeiro, dona Heloísa, peço-lhe permissão  para dizer, para a senhora e para o patriarca Feitosinha, que fará cem anos conosco daqui a sete dias, um soneto do Júlio Salusse, que eu dizia no jantar de confraternização da minha turma de direito, a turma de 1966, da UFC, no Marinas, na minha Fortaleza, em homenagem ao papai e à mamãe, sem saber que, àquela hora, perto de uma da manhã do dia 17 de dezembro, papai, o seu compadre Góes, estava, em sua casa, bem pertinho dali, entregando sua alma ao criador: 

“OS CISNES”  
A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!

Dona Heloísa, muito querida. Em nome de mamãe, sua comadre e irmã Neuza, da Fátima, dos meus filhos e netos, dos meus irmãos, irmãs, cunhadas e cunhados, sobrinhos e sobrinhas, por ter sido a senhora, durante toda sua loga vida, uma mulher portadora de todas as virtudes humanas, como filha, irmã, esposa, mãe, amiga e matriarca, primando pela caridade e submissão a deus, peço que interceda junto a Deus, único e verdadeiro, clemente e misericordioso, em cuja visão encontra-se, no paraíso celestial, para que nos dê forças para bem aceitar a momentânea separação, tanto quanto para lembrá-la sempre com alegre saudade. Por derradeiro, peço que interceda junto a Deus, justo e bondoso, para que dê muita força ao patriarca Feitosinha, o “cisne vivo, cheio de saudade”, para que, doído mas compensado pelo amor e pela fé, comemore conosco, no dia 14 que vem, o seu centenário, dando-nos ainda muitos e muitos anos de felicidade, por tê-lo em nosso meio.  Amém! De Fortaleza para Juazeiro do Norte, 06 de janeiro de 2007. Jose Guedes de Campos Barros, pela família.

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
014: (14.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, ODILON BEZERRA MORAIS.
AMANHÃ, DIA 15, ESTAREI COM SUA FAMILIA E AMIGOS, NA IGREJA DO NOVO JUAZEIRO, PARA ABRAÇÁ-LO PELA PASSAGEM DA SUA DATA NATALÍCIA. EM ASSIM SENDO, ESTAREMOS JUNTOS, AGRADECENDO A DEUS POR ESTE DOM DE SUA VIDA. BEM SABEMOS, ODILON, QUE ESTE NÃO É UM FATO QUALQUER, CORRIQUEIRO. AFINAL, VOCÊ ESTÁ COMPLETANDO CENTO E DOIS ANOS DE VIDA. DE ALGUM TEMPO PARA CÁ, VOCÊ JÁ FAZ PARTE DESTE SELETO CLUBE PATRIARCAL, DE LONGEVOS E FELIZES QUE, DENTRE OUTRAS COISAS, PODEM OLHAR PARA TRÁS E DIZER: - MINHA NETA, ME DÊ CÁ A SUA NETA. DIZEM AS ESTATISTICAS QUE SUPERAMOS A VIDA MÉDIA DE 73 ANOS. MAS, PARA VOCÊ, ODILON, ISTO JÁ É COISA MIÚDA. O QUE NÃO É POUCO, ISSO SIM, É REUNIR CINCO GERAÇÕES DE UMA MESMA FAMILIA, FESTIVA E ANIMADA, EM DATAS COMO A DE AMANHÃ. SÓ VOCÊ MESMO, ODILON, UM CABRA DESTEMIDO E DETERMINADO, QUE DEIXOU SUA PACATA SERRA DE SÃO PEDRO PARA VIR TRABALHAR PELA GRANDEZA DESTA SUA TERRA ADOTIVA. QUANDO ALGUÉM FAZ ISTO, E COMO VOCÊ, DEIXANDO A CASA PATERNA, DE TÃO BOA PROTEÇÃO, SOB OS CUIDADOS E ZELO DE CARRIM E MIGUELINA, E TRAZENDO PARA CÁ A RESOLUÇÃO PARA EMPREENDER PROFISSIONALMENTE, CERTAMENTE NÃO DEVE TER ENCONTRADO OBSTÁCULOS, SENÃO DESAFIOS QUE VOCÊ FOI, UM A UM, VENCENDO COM GALHARDIA. E A NÓS, PARECE, EXCEDEU A TODOS OS LIMITES, NÃO SÓ OS DA EXISTÊNCIA, PARA SER HOJE ESTA FIGURA QUERIDA DE UM HOMEM VENCEDOR. QUANDO VOCÊ COMPLETOU CEM ANOS, VI PELA INTERNET ALGUMAS IMAGENS SUAS, JUNTO AOS FILHOS, ALGUNS DOS QUAIS MEUS CONTEMPORÂNEOS DE JUVENTUDE. AO VÊ-LOS, NÃO ME FURTEI DA EXPRESSÃO: - MEU DEUS, COMO ESTA GENTE ESTÁ ENVELHECIDA! COMO EU, MESMO, RECONHEÇO. MAS VOCÊ, NÃO. ODILON, VOCÊ NÃO ENVELHECEU. VOCÊ DEVE ESTAR ESCONDENDO EM ALGUM LUGAR DAS MALVAS A TAL FONTE DA JUVENTUDE, ONDE SE BANHOU DIARIAMENTE, POR TANTOS ANOS. COM CERTEZA FOI ENTRE A VELHA RUA NOVA, AS MALVAS E A RUA SÃO SEBASTIÃO QUE OUVI FALAR, E PASSEI A ADMIRAR, ESTE HOMEM SIMPLES QUE VIVIA PARA O TRABALHO E PARA A FAMILIA. DOS SEUS EMPREENDIMENTOS, LEMBRO BEM DA VELHA SERRARIA SÃO SEBASTIÃO, AQUI NO COMEÇO DA HOJE DELMIRO GOUVEIA, QUE BENEFICIAVA MADEIRAS PARA CONSTRUÇÃO E FAZIA ESQUADRIAS. E A CONFIAR NA EXPRESSÃO SINCERA DE SEU LUIZ CASIMIRO, ERA PARA SE DESFRUTAR DE SUA ATENÇÃO, SER BEM SERVIDO, E AINDA, COMO SE DIZIA, PARA SE TER OS MELHORES PREÇOS DA PRAÇA. NA CAMINHADA, DE TAL EXEMPLAR LEGADO, VOCÊ – ODILON E DONA JUNILIA PRODUZIRAM FRUTOS BEM CONCEBIDOS DE UMA FAMILIA, QUE DE TÃO NUMEROSA, MAIS PARECE UMA DAQUELAS 12 TRIBOS DE ISRAEL. É INEVITÁVEL QUE LEMBREMOS AQUI A SUA COMPANHEIRA, DONA JUNILIA, SOLIDÁRIA EM TODAS AS LUTAS E ATÉ NO PERCURSO CENTENÁRIO DO CASAL. ESTAS LEMBRANÇAS, INADIÁVEIS, MAIS NOS ENCHEM DE SAUDADES, ESPECIALMENTE, NESTAS HORAS DE CELEBRAÇÃO À VIDA. ASSIM, RECEBA DE TODOS NÓS OS VOTOS DE UMA VIDA AINDA MAIS LONGA E TODO O NOSSO AFETO QUE ESTAS ALEGRIAS ENCERRAM.

015: (16.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, JOSÉ BERNARDO DA SILVA NETO.
EM JULHO PRÓXIMO, NOSSA CIDADE CELEBRARÁ O CENTENÁRIO DE SUA ELEVAÇÃO. ALGUNS DIAS ANTES, O JORNAL FOLHA DE JUAZEIRO TERÁ CHEGADO AO MÁXIMO DA LONGEVIDADE DE NOSSA IMPRENSA ESCRITA. SOB A SUA DIREÇÃO, E BEM ASSIM, DE SUA MÃE, MARIA ANA SILVA BARBOSA, NOSSA QUERIDA ZUZINHA, HÁ 45 ANOS O FOLHA RESISTE BRAVAMENTE ÀS INTEMPÉRIES DESTE NOSSO, SEMPRE LEMBRADO, CEMITÉRIO DE JORNAIS. É BEM VERDADE QUE SEU FUNDADOR, SEU PAI, JACKSON PIRES BARBOSA, TRATOU DE INSERIR NA SUA PRIMEIRA PÁGINA O SLOGAN DE QUE SE TRATA: “A FOLHA QUE NÃO CAI”.  REALMENTE, BERNARDO, SOU TESTEMUNHA DE QUE VIERAM MUITOS VENTOS, GRANDES TEMPESTADES COM CHUVAS INTENSAS, MAS O FOLHA NÃO CAIU. PROVAVELMENTE, QUANDO PLANTARAM ESTA SEMENTE, JACKSON E ASSIS SOBREIRA, ELES O FIZERAM EM BOM TERRENO E BOA REGA, PARA GARANTIR-LHE RAIZES MAIS FUNDAS PARA SUA SUSTENTAÇÃO. MESMO ESPAÇANDO MESES, DOIS, TRÊS MESES E ATÉ LAPSO MAIOR, O FOLHA DE JUAZEIRO RETORNOU PARA NOSSA LEITURA, NA SIMPLICIDADE DE SUA PROPOSTA. NÃO A DE SER UM PERIÓDICO QUE NOS SURPREENDA COM A INSTANTANEIDADE DA MÍDIA ELETRÔNICA, MAS PELA FIDELIDADE AO REGISTRO DE UMA CRÔNICA QUE SE FAZ HISTÓRICA A CADA EDIÇÃO. O JORNAL, PRINCIPALMENTE ESTES NOSSOS INTERIORANOS, NÃO PODE FAZER APENAS A RESENHA DE UMA VULGARIDADE CONTEMPORÂNEA. DE TÃO EFÊMERA, ESTA É A VIA LIGEIRA PARA ENCERRAR E SEPULTAR BONS PROPÓSITOS. O OUTRO GUME DESTA FACA É A VINCULAÇÃO PARTIDÁRIA, POR VEZES TÃO SECTÁRIA E INFLAMANTE, FINANCIADOR BARATO DE UMA IMPRENSA DE OPORTUNIDADE. FELIZMENTE, BERNARDO, ENXERGO NA EXISTÊNCIA DO FOLHA DE JUAZEIRO A DISTÂNCIA MAIS QUE REGULAMENTAR DESTAS TENTAÇÕES, TÃO BEM IDENTIFICADAS NESTE JORNALISMO INTERIORANO PROVISIONADO, QUASE SEMPRE EGRESSO DA RADIODIFUSÃO. QUERO LOUVAR NESTA SAUDAÇÃO, O PAI, O FILHO E O SANTO ESPÍRITO, TODOS DE PLANTÃO NA REDAÇÃO DE FOLHA DE JUAZEIRO, POR TODOS ESTES ANOS. NA SIMPLICIDADE DE SEU ESCRITÓRIO, EM ENDEREÇO TÃO FAMILIAR, O FOLHA SE DESPOJOU DO ESTÚDIO REQUINTADO A QUE TINHA DIREITO, PARA SE FIRMAR NA OFICINA RÚSTICA QUE TANTO CARACTERIZOU OS JORNAIS DESTA FASE. A OFICINA DE ENTÃO JÁ ERA UMA BOA ESCOLA DE JORNALISMO, CENTRADA NA GRÁFICA DE JOSÉ BERNARDO DA SILVA, SEU AVÔ. ALI, NA RUA SANTA LUZIA, À ESPREITA DE MINHA JANELA, VI DE LÁ SAIREM MUITAS EDIÇÕES DESTE E DE OUTROS JORNAIS. TODOS, CARREGADOS DAQUELA ESPERANÇA POR UMA IMPRENSA ATUANTE, CONTUNDENTE E INOVADORA. NEM TUDO FOI EXATAMENTE ASSIM. MAS, SE HOJE, CONTABILIZAMOS CERCA DE 310 EDIÇÕES PARA O FOLHA, DISSO DAMOS GRAÇAS PELA VIGILANTE ATIVIDADE QUE NOS INFLUENCIA E NOS PROMOVE. PARA O JUAZEIRO DE HOJE, NESTE CARIRI CONTEMPORÂNEO, ESTAMOS EXIGINDO UMA IMPRENSA DIÁRIA, E NOS CONFORMANDO COM OS QUE CONTINUAM E NOS CHEGAM SEMANAIS, MENSAIS, OU COM UMA PERIODICIDADE INCERTA, OCASIONAL, COMO JÁ LEMBRAVA SEU PAI, JACKSON, EM TIRADAS BEM HUMORADAS, DAS RODAS ENTRE AMIGOS. TUDO ISTO, BERNARDO, EU LHE DIGO PARA LHES AGRADECER POR TANTO SERVIÇO, PARA LHES MANDAR UM ABRAÇO E DIZER QUE ANDO COM SAUDADE ENORME DO FOLHA DE JUAZEIRO. NÃO DEMORE PARA NOS TRAZÊ-LO. 

016: (18.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, EXPEDITO VIEIRA COSTA.
MUITO PROVAVELMENTE VOCÊ JÁ DEVE TER VISTO O FILME CINEMA PARADISO. É UM FILME EXTRAORDINÁRIO, PELO MENOS PARA MIM, EXPEDITO. IMAGINO QUE PARA VOCÊ, TAMBÉM, PELA RAZÃO MAIS SIMPLES DE COMO O ENXERGAMOS: UM CINÉFILO BEM QUALIFICADO. AFINAL, EM SUA VIDA VOCÊ JÁ POSSUIU 17 SALAS DE CINEMA ENTRE A PARAÍBA E ESTE CEARÁ, ATIVIDADE QUE LHE ANIMOU, PESSOAL E PROFISSIONALMENTE, POR MAIS DE 50 ANOS. CINEMA PARADISO NA SUA ESSÊNCIA, E COMO DISSO VOCÊ SABE, EXPEDITO, FALA DO CINEMA E COMO ESTA ARTE ENCANTOU E CONTINUA DESLUMBRANDO TANTA GENTE. PARTICULARMENTE, ACHO QUE O FILME TAMBÉM CONTERIA CENAS ANTOLÓGICAS DE COMO, TAMBÉM ENTRE NÓS, VIVEMOS UM DIA ESTA ÍNTIMA INTERAÇÃO COM A ARTE CINEMATOGRÁFICA. NÃO ENTRO NO MÉRITO PARA DISCUTIR O QUANTO VIMOS DE PÉSSIMOS FILMES. CHANCHADAS BRASILEIRAS, DRAMALHÕES MEXICANOS, FAROESTES ITALIANOS, E ATÉ MUITA PORNOGRAFIA. O PARADISO, PARA NÓS, JÁ PODERIA TER SIDO AS SALAS DA MINHA INFÂNCIA, COMO O AVENIDA, O GURI, O LUZ E O ROULIEN. OU MESMO OS DA JUVENTUDE MARCADOS POR SESSÕES INESQUECÍVEIS ENTRE CAPITÓLIO, ELDORADO E PLAZA. NAS ÚLTIMAS CENAS, COMO NO PARADISO, VÊ-SE O INEVITÁVEL DILEMA DAS TRANSFERÊNCIAS DOS TRADICIONAIS CINEMAS DE RUA, PARA AS SALAS LOCALIZADAS EM CENTROS COMERCIAIS. AQUI TAMBÉM NÃO FOI DIFERENTE. PRECISAMOS FALAR DESTE SOFRIMENTO VIVIDO POR PESSOAS COMO VOCÊ, EXPEDITO, QUE VIVERAM POR DENTRO ESTA TRANSIÇÃO, COM O FECHAMENTO DE TRADICIONAIS SALAS PARA CONVERTÊ-LAS EM LOJAS COMERCIAIS, CLUBES, IGREJAS, ESTACIONAMENTOS E CASAS NOTURNAS DE PÉSSIMA FAMA. FINALMENTE, ANUNCIA-SE PARA BREVE A REABERTURA DOS CINEMAS DO SHOPPING. ALEGRIA, ALEGRIA!! VOLTAMOS AOS CINEMAS PARA O NOSSO DELEITE, COMO DOS NOSSOS MELHORES HÁBITOS. ESTE MOMENTO PRESENTE ME PERMITE REVERENCIÁ-LO, EXPEDITO, COMO TAMBÉM NUNCA DEIXAREI DE FAZÊ-LO A OUTROS PIONEIROS, COMO PELÚSIO CORREIA DE MACEDO – COM O SEU PIONEIRO CINE IRACEMA, NA RUA PE. CÍCERO; UM PIMPIM ALMEIDA – PELO VELHO CINE-TEATRO ROULIEN, NA RUA SÃO PEDRO; OS IRMÃOS JOSÉ E OTACÍLIO ALMEIDA – COM A EMPRESA GURI E, ESPECIALMENTE, COM CAPITÓLIO E ELDORADO, NASCIDOS NA RUA SANTA LUZIA; E UM LUIZ DANTAS DE MACEDO – COM SEU MODESTO CINE LUZ, NOS FRANCISCANOS. QUANDO VOCÊ HERDOU TUDO ISTO, TODA ESTA TRADIÇÃO PARECIA SE INSTALAR NO CINE PLAZA PARA CONTINUAR REALIZANDO SESSÕES PARA O NOSSO ENCANTO POR ATORES E ATRIZES MEMORÁVEIS, EM FILMES INESQUECÍVEIS. AGORA EM 2014 VOCÊ ESTÁ CHEGANDO AOS 70 ANOS. QUE SEJAM ESTAS NOVAS SALAS DE CINEMA QUE VAMOS GANHAR NOS PRÓXIMOS DIAS, COM REQUINTES DE INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS, UM BRINDE À SUA FELICIDADE, UM PRESENTE AO MERITÓRIO ESFORÇO QUE VOCÊ FEZ PARA QUE NESTA TERRA NUNCA MAIS SE TENHA UMA ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA, SENÃO DAQUELAS NOS FINAIS DE NOITES, QUANDO TANTOS SONHOS SE EMBALARAM.

016: (21.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, REVERENDO DR. AUGUSTUS NICODEMUS GOMES LEITE
QUANDO ESTA MENSAGEM CHEGAR AO SEU DESTINO, É PROVÁVEL QUE O SENHOR ESTRANHE ESSE CUMPRIMENTO QUE LHE FAÇO. AFINAL, NUNCA NOS VIMOS. NO ENTANTO, QUANDO LHE DESCOBRI, ACIDENTALMENTE, NÃO DEIXEI DE MANIFESTAR O PRAZER DESTE ACHADO, REGISTRANDO-O, TEMPOS ATRÁS, NUMA PÁGINA DA WEB. A SEU RESPEITO, DR. AUGUSTUS NICODEMUS, HOJE SEI, POR INFORMAÇÕES PÚBLICAS, QUE O SENHOR NASCEU NA PARAIBA, É CASADO COM MINKA LOPES E TÊM QUATRO FILHOS. É PASTOR DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. FEZ SEU CURSO DE BACHAREL EM TEOLOGIA NO SEMINÁRIO PRESBITERIANO, EM RECIFE. OBTEVE O TÍTULO DE MESTRE NA ÁFRICA DO SUL, NA UNIVERSIDADE CRISTÃ DE POTCHEFSTROOM. DEPOIS DE SERVIR COMO PROFESSOR E DIRETOR DESTE SEMINÁRIO PRESBITERIANO, BEM COMO O DE PASTOR DA PRIMEIRA IGREJA PRESBITERIANA DO RECIFE, OBTEVE O GRAU DE DOUTOR EM HERMENÊUTICA E ESTUDOS BÍBLICOS, PELO SEMINÁRIO TEOLÓGICO DE WESTMINSTER, NA FILADÉLFIA, ESTADOS UNIDOS. E FEZ  ESTUDOS ADICIONAIS NA UNIVERSIDADE REFORMADA DE KAMPEN, NA HOLANDA. O SENHOR FOI PASTOR DA IGREJA EVANGÉLICA SUIÇA DE SÃO PAULO, PROFESSOR E DIRETOR DO CENTRO PRESBITERIANO DE PÓS-GRADUAÇÃO ANDREW JUMPER, E É AUTOR DE DIVERSOS LIVROS SOBRE A BÍBLIA E ESPIRITUALIDADE. MAIS RECENTEMENTE, E POR 10 ANOS, O SENHOR FOI REITOR E CHANCELER DA FAMOSA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE, DE SÃO PAULO. DESDE QUE COLHI ESTAS PRIMEIRAS INFORMAÇÕES, NÃO DEIXEI DE ASSOCIAR SUA PESSOA À FIGURA INESQUECÍVEL DE NICODEMOS LOPES PEREIRA. O CARIRI DEVE UM GRANDE RECONHECIMENTO AO SEU PAI, AQUELE ENGENHEIRO DA CHESF QUE VEIO DO RECIFE PARA, DE JUAZEIRO DO NORTE – PRESIDINDO A CELCA – COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO CARIRI, CONDUZIR A MAIS IMPORTANTE OBRA DE QUE TEMOS NOTÍCIA, EM TODA A NOSSA EXISTÊNCIA: A ELETRIFICAÇÃO DO CARIRI. NAQUELA ÉPOCA, O SENHOR ERA UMA CRIANÇA E AQUI RESIDIU POR UNS SEIS ANOS, JUNTO À SUA FAMILIA, NA LAGOA SECA. RECENTEMENTE, SOUBE DE SUA PRESENÇA DISCRETA NESTA CIDADE, OPORTUNIDADE EM QUE PROCUROU REENCONTRAR ESPAÇOS DAQUELA MEMÓRIA DE INFÂNCIA. E SOUBE TAMBÉM QUE VISITOU A ANTIGA RESIDÊNCIA AÍ DEMORANDO UM POUCO, REVENDO SALAS, RECANTOS E APOSENTOS. QUEM LHE PERMITIU E O RECEBEU COM TÃO BOM ACOLHIMENTO, REVELOU-ME O QUE VIU. NAQUELA BREVE VISITA, O SENHOR ERA UM HOMEM EMOCIONADO, A PONTO DE TER LÁGRIMAS ROLANDO PELA FACE.  DURANTE VÁRIOS ANOS, PELA IMPRENSA, USANDO UM ESPAÇO DE JORNAL IMPRESSO, EU – VASCULHADOR DE ANTIGUIDADES, OUSEI REVELAR ASPECTOS DESTA ÍNTIMA E SENTIMENTAL VINCULAÇÃO DE MUITA GENTE COM O JUAZEIRO. EM TANTOS CASOS, EU ENCONTREI ESTE MESMO SENTIMENTO QUE ADAIL MENDONÇA ME DESCREVEU A SEU RESPEITO. ERAM, COMO AINDA HOJE POSSO FAZÊ-LOS, COMENTÁRIOS SOBRE ESTE JUAZEIRO, POR AI, SURPREENDENTE EM AFETOS E GRANDIOSO NAS RELAÇÕES QUE SE ESTABELECERAM ENTRE ESTA CIDADE E OS HOMENS QUE PARA CÁ VIERAM. DR. NICODEMOS E SUA FAMILIA NOS LEGARAM ESSE CARINHO, ESSE AFETUOSO TRATO HUMANÍSTICO COM O QUAL A CIVILIZAÇÃO SE ENRIQUECE E NOSSAS OBRAS SE ETERNIZAM. VOLTE QUALQUER DIA A ESTAR CONOSCO. CERTAMENTE SERÁ UM ENORME PRAZER PARA ESTA, TAMBÉM SUA CIDADE – TÃO DESMEMORIADA, DR. NICODEMUS, RENCONTRÁ-LO OUTRA VEZ.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

José Wilker

 JOSÉ WILKER (1)
Com a prematura morte de José Wilker, o Diário do Nordeste republicou uma entrevista exclusiva com o ator, publicada REVISTA GENTE, em março de 2013: Um cearense daqueles que tem orgulho da terra natal, sem, no entanto, deixar de ser cosmopolita no sentido mais amplo que a palavra permite. Ator e diretor de televisão, cinema e teatro, José Wilker recebeu a Revista Gente, em sua casa, no Rio de Janeiro, em março de 2013. Cidadão do mundo, José Wilker queria ser tudo quando criança, menos ator. Talvez a curiosidade que o acompanhou desde sempre, assim como o afã pela independência, levaram-no a se encantar com a vida artística. Aos poucos, o cearense construiu uma galeria de tipos e personagens que conquistaram admiradores no Brasil e em outros países. O sucesso é resultado da valorização de suas raízes, do trabalho árduo e vontade de dar sempre o melhor de si. São quase quatro décadas de carreira, muitas viagens, experiências no teatro, cinema e televisão, vivências que o tornam mais ciente dos propósitos da existência e disposto a dividir um pouco do que aprendeu. Segundo as próprias palavras, devemos viver com desprendimento e com a obrigação de acharmos, cada qual, a nossa fórmula da felicidade.  



São quase 40 anos dedicados à arte da atuação, sendo referência na teledramaturgia. Sempre que é escalado, o público já espera mais um personagem memorável. Você se sente satisfeito por ter conquistado o seu espaço na TV ou continua em processo de constante autoaprendizado?
José Wilker: Bom, a pior coisa que pode acontecer para um artista, seja lá o que ele faça, é ter uma espécie de funeral. Então, prefiro me sentir, sinceramente, uma pessoa sempre começando. Não sou alguém de planejar, é claro. A minha carreira foi uma sucessão de acasos. Jamais sonhei, na minha infância, e, digamos, começo de juventude, em ser ator. Eu queria ser tudo, menos ator. Queria ser piloto de avião, engenheiro, físico; minhas expectativas eram nesse sentido. Adoro matemática; queria fazer algo ligado a isso e, de repente, quando pensei em conseguir um emprego, tipo, uma coisa qualquer para ter uma certa independência, aconteceu que, em Recife, na televisão, ofereciam teste pra locutor. Resolvi fazer, mas fui reprovado. E o cara que me aplicou o teste ficou muito acabrunhado por ter me reprovado e falou assim: “tem vaga pra ator, quer?” E eu peguei a vaga. Claro, tinha feito alguma coisa ligada a teatro na escola, nos Salesianos de Juazeiro e nos Salesianos de Recife. Então, fui fazer teatro e lembro que a minha estreia foi na televisão, na TV Rádio Clube. Em seguida, tive outra chance de fazer teatro na Festa da Mocidade, que acontecia numa praça, onde eu tinha que atravessar o palco puxando uma lata de goiabada. Eu até hoje não sei pra quê. Acho que era uma experiência moderna porque, se alguém fizer isso hoje, vão achar ser alguma experiência pós-moderna. Eu sei que tinha que fazer isso e eu fiz isso durante duas semanas. Então, trabalhar como ator, é sempre uma espécie de recomeço, de reinvenção, de recriação. A cada trabalho, descubro que você pode olhar pro ato de representar de forma nova e diferente, ou se não nova, pelo menos diferente. Pra ser ator, pra representar, ou seja, pra você fazer alguma coisa que de alguma maneira toque o coração das pessoas, que de alguma maneira contribua para que você promova, do ponto de vista da emoção, algum crescimento, você tem de estar permanentemente antenado. Mas, resumindo, se eu for medir o que me falta, eu diria que falta tudo.

Você sente que assim, de certa forma, é bom estar nesse patamar de excelência, mas também se sente pressionado conforme um personagem tem de ir de acordo com essa expectativa das pessoas?
JW: Não me sinto pressionado porque eu não posso, de maneira alguma, não acho que deva, colocar esse peso nas costas dos outros. Recentemente, fui fazer ‘Gabriela’. Tinha participado da primeira versão. Quando a gente fez ‘Gabriela’ (1975), vivia no Brasil sob uma ditadura militar e, ‘Gabriela’, na versão do Walter George Durst e Walter Avancini, precisava privilegiar, de alguma maneira, um símbolo qualquer, um sinal qualquer de protesto com relação à repressão sob a qual a gente vivia. O trilho de ‘Gabriela’ era muito em cima do protesto e, como na época eu me sentia muito inclinado a protestar, mas sempre na segurança de ‘vou protestar e ninguém vai me encanar’, portanto ‘tô à vontade, protestando via televisão’, que era um lugar privilegiado, eu aproveitei o meu temperamento do momento e aproveitei tudo isso para fazer o meu personagem, o Mundinho Falcão, que digamos, era o novo, entre aspas, porque era o ‘novo’ que, no correr da história, ia se adaptando, às circunstâncias de velhice que ele queria combater. 

E na nova versão, quando viveu o coronel Jesuíno ....
JW: De repente, fazia o oposto. E fiquei pensando, ‘como é que eu vou transitar nisso?’. Fiquei olhando as elevações e vendo de que maneira estava sendo conduzida a adaptação, pela cenografia, pelo figurino, pela escolha do elenco, pela maneira que a gente estava sendo dirigido etc. Então, de repente escolhi um outro caminho. Tanto naquele quanto nesse, eu sou absolutamente responsável pelas minhas escolhas. Qualquer equívoco é um equívoco que eu atribuo plena e totalmente a mim. Qualquer acerto também. É muito importante que a gente tenha a adesão do público para o qual se dirige, que o respeite, que tenha, com relação ao seu trabalho, esse compromisso de respeito e reciprocidade porque, na medida em que te admiram, você tem uma dívida enorme a pagar por essa admiração.

Jesuíno teve ótima aceitação. Começou como o vilão que matou a esposa, em nome da honra,  mas foi se redimindo porque amava aquela mulher. Foi ganhando essa dimensão humana que o público compreendia, não que aceitava. Você esperava que ele conquistasse essa empatia toda, mesmo sendo tão árido?
JW: Eu queria que as pessoas se reconhecessem nele. Se reconheceram tanto que ele passou a ser usado em ‘n’ circunstâncias, muitas vezes aparentemente de brincadeira, muitas vezes de verdade. Antes de começar a trabalhar, eu fiquei olhando o noticiário e pra minha história familiar e descobri coisas tais como “Nós do Brasil temos hoje uma lei chamada Lei Maria da Penha”. Por que existe essa lei? Porque foi necessária pra coibir um crime. Crime esse que ocorria em 1920, no interior da Bahia, no interior do Ceará e ocorre, hoje, aqui no Rio de Janeiro e em São Paulo. E, pior que isso, muitas vezes ocorre e ninguém nem se dá conta, porque as pessoas têm vergonha de publicamente reconhecer que esse tipo de coisa acontece. De um lado, investiguei isso e, por outro, a enorme capacidade que um certo tipo de formação que existia, e ainda existe e dificulta para os homens, para os machos, o exercício da ternura, do carinho, a exibição da própria fragilidade, da própria carência e assim por diante. Ainda é, por exemplo, educativo por parte das famílias dizer que “homem não chora”. Quer dizer, fui juntando uma porção de informações e achei que, independentemente de concordar ou não com aquela pessoa, com o coronel Jesuíno, era preciso que tivesse, com relação a ela, uma certa compreensão, que passava pela compreensão da própria personalidade, do seu caráter, passa por você. Quer dizer, você se reconhece naquilo. 

Mas o coronel Jesuíno também teve sua veia cômica, fazendo muito sucesso... 
JW: Evidentemente, também quis que fosse engraçado porque, se aquilo fosse pura e simplesmente a pedra bruta quebrada, talvez não atraísse a atenção. Então, também fui brincar, tentar trabalhar o lado do humor da personagem. Agora, quando eu falo esse monte de coisa, tem que dar um desconto de que a gente faz muita teoria a respeito disso ou daquilo, de representar, de se relacionar com as pessoas, mas eu não sei como é que é a ponte dessa teoria para a prática, entende? Mas eu tenho ‘n’  informações de histórias familiares que me alimentam pra esse tipo de personagem e que eu costumo usar.

A cultura nordestina e a questão da tradição ajudam na construção desses personagens...
JW: É, pode ser que tenha a ver... Eu digo o seguinte. Não vivo no Ceará desde 1963. Desde 63 que eu moro no Rio. Mas é evidente que 90% daquilo que é o meu temperamento é porque nasci no Ceará. Eu seria outra pessoa sem o Ceará. Ou, como aquela brincadeira, “você pode sair do Ceará, mas o Ceará não sai de você”. Quando os americanos chegaram à Lua, tinha um cearense lá vendendo ouro (risos).

Como você analisa a teledramaturgia contemporânea? Ainda acompanha novela?
JW: Não. É muito tarde pra mim. Não, não é só isso não, quer dizer, quando a gente está gravando, antigamente era aqui do lado da minha casa, eu descia a pé, voltava pra almoçar em casa, acabava de gravar e voltava pra casa. Eram quatro quadras da Globo. Era aqui do lado. Agora, eu gasto duas horas e meia pra chegar lá. Eu acabo de gravar por volta das 9 horas da noite. Chego em casa às 10h30, 11 horas da noite. Já acabou a novela. Não tenho saco de gravar pra assistir depois. Quando descobri o VHS, descobri que eu tinha um canal de televisão na minha casa que podia programar. Sem intervalo comercial, com os programas que queria. Minha prática com a televisão era essa. Ver os filmes que queria. E, durante um tempo, quando eu era de esquerda, não via. Porque achava, ridiculamente, imbecilmente, que a TV era veículo da ditadura, era só janela pra divulgar e esconder, de um lado as qualidades e de outro, os crimes.

Mas você já trabalhava em televisão nessa época?
JW: Já. Mas não tinha vontade de ver. Mas acho que a gente, agora, está em um momento muito legal de dramaturgia em televisão. De conviver lá dentro, acaba vendo, claro. Eu não tenho hábito de acompanhar, mas vejo. Teve uma época de ouro, que durou até meados dos anos 1980. Depois, passou por um período de readaptação, de reinvenção, com a chegada da TV a cabo, das outras mídias, dos novos sistemas, a televisão foi precisando se rearrumar. Ela passou por várias fases. O que era quando ela foi implantada no Brasil? Era rádio com imagem. A gente transportou tudo o que se fazia no rádio para a televisão. A linha de show, as novelas, os noticiários. Aí, de repente, no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, ela começou a encontrar linguagem própria. Com o tempo, passou a fazer uma coisa que foi usar técnicas de cinema porque a gente passou a trabalhar com câmeras muito menores. Isso libertou a novela do confinamento em estúdio, do “caixotão de palco”, e a gente foi evoluindo.  

Wilker, se fosse para eleger um filme, um personagem, que estreou esse reconhecimento nacional, qual escolheria?
JW: ‘Dona Flor’ (filme baseado na obra de Jorge Amado, no qual interpretou o Vadinho). Preferia que fosse o Tiradentes, de ‘Os Inconfidentes’, de Joaquim Pedro de Andrade, mas foi ‘Dona Flor’, um filme que não acreditava que fosse fazer sucesso. Aliás, tinha certeza absoluta que iria ser um fracasso. Pensava que um filme erótico-espírita jamais poderia dar certo. E ‘Dona Flor’ não é um filme que projetou a gente apenas internamente; é um filme que teve repercussão no Taipei (capital de fato e maior cidade da República da China), Itália, Estados Unidos, Argentina, Japão. É um acontecimento até hoje.

Você ganhou notoriedade como crítico de cinema e tem um diferencial dos outros especialistas, que são mais acadêmicos, por se comunicar de maneira mais objetiva com o público. O fato de ser ator ajuda?
JW: Há uns anos, no Telecine, tinha um programa chamado “Cineview”, e eu era amigo da diretora do programa na época, Nice Benedicts. Um dia, a gente conversando aqui em casa – eles exibiam o Oscar – nessa época a premiação não era exibida em TV aberta – isso faz uns 15, 20 anos – e ela disse que sentia um buraco na transmissão, que era o intervalo comercial. Não tinha anunciante nos canais a cabo ainda. Aí ela me perguntou se eu não queria, por gostar de cinema, falar da cerimônia. E eu disse: “acho que vale a pena falar se a gente puder falar como a gente fala aqui, como sendo uma conversa e não uma coisa técnica. Que deve ser chato pra cacete para o telespectador”. Então, durante cinco, seis anos, fazia isso. Era como se tivesse conversando aqui em casa, na mesa do bar, com as pessoas. Nessa época, pintou de eu escrever para jornal. Ao invés de escrever de forma acadêmica, fazia como se estivesse falando em voz alta. Isso foi ficando, ficando e hoje não me sinto confortável com a coisa técnica porque acho que ela afasta, mas também me expõe porque acabo dando a cara à tapa. Já ouvi barbaridades. Quando você pega e diz que não gosta, todo mundo se sente agredido. O que é uma bobagem, eu digo, porque já li coisas a respeito do meu trabalho de uma agressividade monumental. Acho a crítica essencial, devo a minha carreira à crítica. Me sinto mais confortável quando recebo uma crítica do que um elogio. A crítica que me afeita, me promove, me provoca, me desafia. O elogio me deixa tranquilo, o meu ego alimentado, é legal, eu sou “gostoso”. Mas tem o limite. 

Como você analisa o atual cenário do cinema brasileiro? 
JW: O primeiro grande prêmio que o Brasil precisa ganhar é a adesão do seu público. Esse é o melhor prêmio que a gente merece e deve ganhar. O Oscar...não sei se é tão importante. Não muda porra nenhuma. Nosso problema era de produção. Aí, até como forma de censura, o governo resolveu que ia estimular a produção. Ele estimulou, mas não equipou o País para consumir esse produto. Então, a gente tem, nesse momento exato, 200 filmes prontos, pelo menos. E 200 filmes na prateleira, invisíveis. Nossa produção, há 30 anos, ocupava 25% de market share. Hoje, nos anos bons, chega a 10%. Em 2011 foi bom, e tivemos entre 10 e 11%. Em 2012, perdemos 4% desses dez e produzimos mais filmes que o ano anterior. Então, a gente já resolveu a questão da produção, mas não a do consumo dessa produção. O Brasil tem menos salas que Manhattan, um bairro de Nova York,  menos que a Argentina, um país de 30 milhões de habitantes. Somos 190 milhões e temos 2.400 telas. Por outro lado, a gente fala português, faz filmes em português, então, o nosso mercado é aqui. Os filmes são feitos para serem consumidos no mercado nacional. Senão, as chances dele fora são muito pequenas. A gente tem grandes problemas a serem encarados. Viramos as costas para a América Latina, que é, potencialmente, o melhor mercado pra gente trocar. O que o Brasil sabe do cinema da América Latina? Só o da Argentina e porque somos inimigos da Argentina. Então, importa para não gostar e acaba se deparando com bons filmes. Agora, o que sabemos do cinema do Chile, Peru, Venezuela, Equador, México, Caribe, do cinema em si feito em língua espanhola? Nada. Eles não chegam aqui.

Como avalia a qualidade do cinema brasileiro?
JW: Muito boa. A gente está fazendo filmes muito bons. Do ponto de vista técnico, há filmes tão bons quanto de qualquer outro país. Até porque a técnica não é mais propriedade de nenhum país. O que usa no Brasil é o mesmo que os caras usam em Hollywood. Eles só têm mais dinheiro. 
Que diretores brasileiros têm feito um trabalho interessante?
JW: O Breno Silveira, o Wagner Assis, o Beto Brant, o Cacá Diegues, o Bruno Barreto, o pessoal de Recife, o Kleber Mendonça Filho, que fez um belíssimo filme, ‘O Som ao Redor’, não um filme para multidões, mas um belo de um filme que honra qualquer cinema do mundo. Tatá Werneck, Tatá Amaral, Sandra Werneck, pô não dá pra citar, teria que citar cem nomes. O Brasil, nos últimos anos, lançou mais de 150 novos diretores, e todos eles muito talentosos, formados em boas escolas de cinema. Tem uma gente muito boa, do ponto de vista técnico. De repente, a gente se dá o luxo de exportar fotógrafos. A gente não tem é dinheiro. Não tem dinheiro porque não tem mercado.  O Brasil tem filmes, não tem cinema ainda. 

Você tem a curiosidade de acompanhar o que está sendo criado no cinema nordestino?
JW: Sim, sim. O Karim Aïnouz (cearense) é um cara que eu acompanho desde o primeiro filme dele. Eu estava em Cannes quando ele o exibiu. É uma das minhas tristezas até hoje não ter feito um filme com ele. Lembro em parte o que foi o ‘Madame Satã’. Que maneira de filmar especial. Agora, estou querendo fazer um trabalho, já escrevi, mas é meio iconoclasta a minha leitura da história do Juazeiro. Não sei quando vou fazer. Quero fazer no cinema. É centrado no beato José Lourenço, que foi para o Caldeirão. Uma coisa terrível. Pouca gente sabe disso. Só há a referência em um livro, de Rui Facó, o ‘Cangaceiros e fanáticos’, no qual conta como liquidaram com o Caldeirão. Há a história do boi santo também. E a primeira peça que fiz aqui e abriu a minha carreira no Rio foi uma peça sobre Juazeiro do Norte, ‘O som dos penitentes’. Estava desempregado e li que ia ter uma peça sobre o Juazeiro. Me candidatei. Pensei: “ninguém conhece mais o assunto que eu”. Mentira. Fui aceito para fazer uma ponta como assistente de direção. Foi quando comecei a sobreviver de teatro aqui.

Apesar de ter saído há bastante tempo do Ceará, ainda tem algum costume regional? 
JW: Meu costume permanentemente está ligado à alimentação. Aqui em casa a gente tem, pelo menos, uma vez por mês, um baião de dois, que é uma coisa que a minha mãe fazia e da qual não abro mão. Baião de dois com queijo de coalho e uma carne de sol, não dá pra não ter. Por que eu leio? Porque aprendi a ler em Juazeiro, com o meu tio professor de Português. A minha curiosidade pelo mundo é uma curiosidade que é cearense. O melhor restaurante de comida vietnamita de Paris é dirigido por um cearense, que faz a melhor sopa de pequi do mundo. Na China,  depois de ficar uma semana comendo pato, fui a um catálogo telefônico e vi “brazilian cuisin”. Aí, liguei e falei: “alô”. Era um cearense que estava lá, na única churrascaria de Pequim. Sócio de um alemão. Uma mistura maluca. O alemão criava os bois, e o cearense administrava a churrascaria.  Era muito ruim a churrascaria, mas estava indo muito bem. 

E sua relação com Juazeiro?
JW: Quando morava lá, não tinha luz elétrica durante uma época, que eu me lembre. Depois, a luz funcionava por um período de duas horas por noite. Tinha um negócio chamado, Centro Regional de Publicidade. Havia uns alto-falantes pela cidade, uns quatro ou cinco. Um locutor anunciava o comércio local e tinha o momento em que tinha música “de mim para você”, “eu ofereço essa canção”, aquela coisa. E era um mundo que me fascinava. Isso era um lado. De outro lado, tinha a casa das minhas tias – a minha mãe, meu pai e meus irmãos já moravam em Recife – eu ia e voltava várias vezes. Hoje, vou muito pouco ao Ceará. Porque não dá tempo. Férias de ator é desemprego.  Meu apego à leitura, à música, à magia (em Juazeiro tem essa mística especial), vem do Ceará. Eu via aquelas pessoas que passavam na frente da minha casa, deixando um rastro de sangue, pois estavam vindo de joelhos desde de não sei onde, pagando promessa. Achava uma coisa absurda. Na Semana Santa, a gente era confinado à noite, porque havia uns penitentes que se flagelavam nas ruas, com capuz, tipo ‘Ku Klux Klan’.  Afora isso, eu, pra me vingar, de ter que ceder a minha cama, durante as romarias para os romeiros, vendia pedaços de roupas de luto das minhas tias como relíquia da batina do padre (Padre Cícero). Deve estar fazendo milagre até hoje por aí. Tem toda uma história que é fascinante. Meu gosto, meu olhar pra arte, aprendi lá.  

Você acha importante esse processo de viver em vários lugares ao mesmo tempo em que preserva suas raízes?
JW: Tem que ter uma base. Só a partir dela  se constrói o resto. Se eu não tivesse tido os bons professores que tive de Francês, de Português, de História, de Desenho, em Juazeiro, eu dificilmente teria evoluído para algum lugar. Não estou dizendo com isso que eu evoluí pra algo genial. Não. Eu só evoluí um pouquinho. Mas eu tive um professor de Francês, que me chamou a atenção, pra todo o Romantismo Francês de Voltaire, Diderot, Descartes, Chateaubriand. Quando fui morar em Paris, eu sabia falar, não o francês do cotidiano, que só vivendo lá que se aprende, mas eu me entendia. E foi lá, em Juazeiro, que minha curiosidade em relação à História me foi despertada por um professor de História bom que eu tinha. Da mesma forma que o Desenho. A Matemática. Eu tinha um professor que era um padre polonês, nos Salesianos, que me chamou a atenção pra Matemática de um jeito que não é aquele que faz as pessoas odiarem a Matemática. Eu passei a gostar de Equação do 2º grau, Números Complexos, com os caras. Coisa fascinante.

E neste ano, você está gravando um programa para o Canal Brasil?
JW: É um programa de entrevistas com atores. Estou de férias da TV, da Rede Globo, por enquanto. E comecei a  dirigir uma peça chamada ‘Rain Man’, adaptação para o teatro do filme com o Dustin Hoffman e o Tom Cruise. Depois, vou fazer, no segundo semestre, Virginia Woolf no teatro. Nesse meio-tempo, tenho que lançar o meu filme em abril, ‘Giovanni Improtta’ (o qual é diretor) e tem mais um monte de coisas aí. É aquela coisa de acasos. Como não tem aquela indústria, a gente nunca tem certeza do que a gente vai poder fazer. Tenho certeza dessas duas, três coisas porque isso já foi captado. A gente já tem teatro, elenco, já pagou tudo, então a gente vai fazer. Mas eu quero filmar esse filme sobre Juazeiro, não sei quando vou poder. Depois do ‘Improtta’, fiz três filmes. ‘Os Velhos Marinheiros’, ‘A Casa da Mãe Joana 2’, com o Hugo Carvana, ‘Isolados’ (de Tomás Portella). Esses não têm previsão de estreia. Ah, participei também de ‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’, em que fiz o papel de Joãozinho Bem-Bem. Ele foi premiado no Festival do Rio 2011.

Você já fez vários personagens que marcaram, mas, se você pudesse, riscaria da sua lista algum personagem que se arrependeu de ter feito?
JW: Não, não. Eu posso contar nos dedos de uma mão as coisas que eu fiz que são ruins. Mas eu nego que fiz. Eu tive muita sorte. Eu acho que tem umas três, quatro coisas que fiz muito mal, muito mesmo. Tem umas novelas que fiz mal, mas eu nego que fiz (risos).

Quem é o homem por trás do artista? Como você se definiria?
JW: Eu tenho um olhar pra vida muito irônico, muito debochado. Não me levo muito a sério. Não consigo brigar com ninguém. Dificilmente me irrito. Eu gosto de me divertir, ser feliz. É uma coisa que talvez tenha herdado da minha mãe. Ela  dizia assim: “eu tive seis filhos e apontava pra mim e falava: o único esquisito é esse”. E o meu pai, que nunca tinha me visto fazer nada,  foi me ver fazer uma peça de teatro no Centro de Convenções, em Olinda. Um troço enorme, cinco mil pessoas. Quando terminou o espetáculo, falei assim: “quero dedicar o espetáculo de hoje a uma figura muito importante que está aqui presente, o meu pai”. Pedi pra ele levantar, ele levantou. O pessoal aplaudiu muito. Aí, ele foi no camarim e me falou a seguinte frase: “tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas, me diga uma coisa: quando é que você vai tomar vergonha na cara e começar a trabalhar?”. Então, não tenho com o que me preocupar. Eu sei de onde eu vim, entendeu? Muitos colegas meus, de escola, dizem que Deus é injusto porque não deu pra eles a mesma coisa que deu pra mim. Mas Ele não me deu nada. Essas coisas a gente vai ganhando com o trabalho, com o empenho, a autocrítica ou com o teu desapego. Sem pretensão. Quando você, de repente, começa a se achar melhor  que os outros, não dá certo. Nós somos todos iguais.  Temos a obrigação de encontrar uma forma de ser feliz. Sendo que, com isso, a gente não deve abusar do espaço de ninguém. O teu espaço é sagrado e você vai ser feliz com ele assim. 
Créditos:Entrevista por Juliana Colares; Fotos Gustavo Pellizzon

JOSÉ WILKER (2)
A primeira e única vez que tive oportunidade de conversar com Wilker foi no início da noite do dia 28.07.2009, durante a inauguração da livraria saraiva no Shopping Center Iguatemi, Fortaleza. Muito antes eu conhecia Wilker como uma pessoa qualquer, residente na casa de suas tias, na rua Pe. Cícero, ao tempo em que ele cursava o antigo ginasial, no Instituto Salesiano São João Bosco. Nesse ano, 2009, eu participava da comissão que tratava do centenário de Juazeiro do Norte. Sugeri, foi julgado conveniente e neste dia eu tratei com Wilker da possibilidade de que ele viesse a Juazeiro para esta celebração. Na conversa objetivamente, tratamos de uma agenda da para sua participação numa programação para o 22.07.2011. Havia tempo de sobra para tudo. mas, como sabemos, a Administração Santana  tinha outros embrulhos a resolver e se tornou incompetente para brindar o povo de Juazeiro com uma grande festa centenária. e deu no que deu. Naquela noite, no Iguatemi, três coisas foram faladas: 1. Wilker estaria presente para um encontro com seus conterrâneos, no palco do Memorial, quando falaria de sua vida e de suas obras (teatral, literatura, cinema, tv e jornalismo); 2. No Memorial aconteceria uma mostra dos seus melhores filmes, como Bye, Bye Brasil, etc.; 3. Mais remotamente, ele se dispunha a trazer do Rio uma montagem de um espetáculo com um texto seu, ou sob sua direção. Voltei muito animado com estas possibilidades.O tempo me mostrou outra realidade e as comemorações do centenário de Juazeiro do Norte foram um fiasco. E isto só me entristeceu muito até este momento em que lembro do que planejávamos para rever Wilker entre nós. Agora transferido para outra ocasião, enquanto ele descansa em paz.

NOVAS EDIÇÕES
As duas novas publicações da Editora 309, Cariri Revista (número 15) e Casa Cariri (número 3), já estão sendo distribuídas. Como das vezes anteriores, trazendo matérias muito importantes e em acabamento gráfico primoroso. Não deixe de lê-las.


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
#11.(Dia 07.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, EDNALDO DANTAS RIBEIRO.
VOCÊ TALVEZ SE SURPREENDA, EDNALDO, QUE NESTE CUMPRIMENTO TAMBÉM DESEJE LHE FAZER UM AGRADECIMENTO PÚBLICO. PENA QUE ELE VENHA COM ENORME ATRASO. DEVO-LHE ISTO, ALIÁS, DEVEMOS ISTO A VOCÊ, MUITOS ESTUDANTES GINASIANOS, DO ENTÃO GINÁSIO SALESIANO DE 1964, OS QUE COMPLETAVAM SEUS ESTUDOS, HÁ EXATOS 50 ANOS. NAQUELE TEMPO QUERIAMOS GANHAR O MUNDO, SAIR POR AÍ, E IR AO RIO DE JANEIRO JÁ ERA UMA BOA REFERÊNCIA. VOCÊ NOS AJUDOU A CHEGAR LÁ. NAQUELA ÉPOCA PRECISÁVAMOS DE DINHEIRO PARA EMPREENDER A EXCURSÃO E ALI FICARMOS UNS 15 DIAS, CONHECENDO A CIDADE MARAVILHOSA. MEMÓRIAS ETERNAS, COISAS INESQUECÍVEIS. VOCÊ DIRIGIA A ENTÃO LDJ – LIGA DESPORTIVA JUAZEIRENSE E UMA COISA QUE PROMOVEMOS ENTRE 1963 E 1964 FOI REALIZAR, EM TARDES DOMINGUEIRAS NO VELHO CAMPO DA LDJ, ALGUMAS PARTIDAS DE FUTEBOL PARA ANGARIAR FUNDOS. LEMBRO, POR EXEMPLO, QUE ESTA ERA A FASE QUE MARCARA O NASCIMENTO DO ICASA. E LÁ ÍAMOS PARA O CAMPO VER ICASA E GUARANI, LEVANDO MAIS GENTE, VENDENDO INGRESSOS PARA O ENTÃO DESCONFORTO DA LDJ. MAS, O ENTUSIASMO ERA ENORME PARA ALI TAMBÉM CONVIVER COM ESSA GENTE QUE TANTO FEZ PELO NOSSO FUTEBOL, COMO VOCÊ EDNALDO, DARIM, MASCOTE, PATÚ, PRAXEDES, FEIJÓ, DORO GERMANO, LUIZ DE SOUSA, E TANTOS OUTROS. VOCÊ NOS EMPRESTOU ESTA CONFIANÇA MOTIVANDO AQUELES GAROTOS A SE ESFORÇAR PARA VENDER INGRESSOS ANTECIPADOS E CONTRIBUIR PARA O SUCESSO DO NOSSO ESPORTE. GANHAMOS NÓS QUE CONSEGUIMOS O QUE QUERIAMOS, A SONHADA EXCURSÃO À GUANABARA DE CARLOS LACERDA. TAMBÉM O ESPORTE JUAZEIRENSE DEVE TER GANHO, EM ALGUMA COISINHA, POIS ERA COMUM O QUE SEU EMPENHO JÁ ASSEGURAVA. QUERO ME CONGRATULAR COM VOCÊ POR ESTA FOLHA ENORME DOS SEUS SERVIÇOS AO ESPORTE, MAS TAMBÉM PELO EMPRESÁRIO QUE FOI COM SEU SEMPRE LEMBRADO ARMAZEM PRIMEIRO DE MAIO, EM ENDEREÇO TÃO TRADICIONAL, DESTINO CERTO E DIÁRIO DE UMA LEGIÃO DE AMIGOS QUE PARTILHAVAM DAS MESMAS PREOCUPAÇÕES COM O ESPORTE DA TERRA, DESDE OS TEMPOS EM QUE VOCÊ DIRIGIA A LDJ E O GUARANI. SEMANALMENTE PODEMOS ESTAR JUNTOS NA RODA ANIMADA DAS MANHÃS DE DOMINGO, NA PRAÇA PADRE CÍCERO. É UM ENCONTRO FRATERNO QUE SE RENOVA A CADA VEZ, EM PARTE POR SUA PRESENÇA ALEGRE, UM TANTO TÍMIDA, MAS SEMPRE BEM HUMORADA E FELIZ COM A VIDA. DEUS LHE CONSERVE ASSIM, EDNALDO DANTAS RIBEIRO. TENHO A DESCONFIANÇA DE QUE ELE NÃO LHE QUER POR LÁ, TÃO CEDO. E ASSIM FICAMOS NÓS MAIS FELIZES POR LHE TER, BEM CONSERVADO AQUI, ENTRE FAMÍLIA E AMIGOS, COM O NOSSO AFETO E BEM QUERER.

#12.(Dia 09.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊS, SOCORRO E GERALDO MILITÃO.
O TEMPO CORRE E JÁ ESTAMOS A UNS SESSENTA DIAS DA COPA DO MUNDO. E CADA VEZ QUE ME VEJO TÃO PRÓXIMO DESTE EVENTO, MINHAS LEMBRANÇAS SE VOLTAM PARA A INESQUECÍVEL CONQUISTA DA PRIMEIRA TAÇA, A DE 1958. FOI A PRIMEIRA DA SÉRIE JULES RIMET, QUE ACABOU UM DIA, DESGRAÇADAMENTE, ROUBADA E DESTRUIDA. PARECE-ME INCRÍVEL, SOCORRO E GERALDO, QUE JÁ SE VÃO 56 ANOS QUE OS CONHEÇO. ÉRAMOS VIZINHOS NA RUA SÃO JOSÉ E EM MEIO A AQUELES JOGOS MEMORÁVEIS, ESCUTADOS EM RÁDIOS BARULHENTOS, E COM TANTOS CHIADOS, VOCÊS NOS ENSINAVAM, E DEPRESSA APRENDÍAMOS E RECITÁVAMOS SEM ERRO OS ONZE DO ESCRETE NACIONAL: GILMAR, DJALMA SANTOS, BELLINI, ORLANDO, NÍLTON SANTOS, ZITO, GARRINCHA, DIDI, VAVÁ, PELÉ E ZAGALLO. ISSO MESMO, JAMAIS ESQUECI. PRINCIPALMENTE ESSE QUINTETO INSUPERÁVEL: GARRINCHA, DIDI, VAVÁ, PELÉ E ZAGALLO. DE GÊNIO E DE ARTE, QUASE VIROU ESTROFE POÉTICA. E SEM ERRO E UFANISMO, JUSTO NAQUELE DIA DE SÃO PEDRO DE 1958, DOS 5X2 SOBRE A SUÉCIA. DESTE FATO, AINDA HOJE NÃO QUER CALAR AOS MEUS OUVIDOS A INTENSA ALGAZARRA NA CIDADE, OS FOGOS QUE ESPOCÁVAMOS E TANTAS CELEBRAÇÕES EM FOLGUEDOS DE RUA, COM A GAROTADA LIVRE, LEVE E SOLTA, SEM MEDO DE SER FELIZ. FOI NESTA OCASIÃO, CERTAMENTE, MEUS QUERIDOS AMIGOS, SOCORRO CANSANÇÃO E GERALDO MILITÃO, QUE MAIS ESTREITAMOS A NOSSA RELAÇÃO COMO VIZINHOS. E DAÍ A AMIZADE QUE PASSOU DE UM SÉCULO PARA OUTRO. EU, UM MOLEQUE QUE NEM CHEGARA AOS NOVE ANOS, ACOLHIDO POR VOCÊS, NAS GRAÇAS E AFETOS QUE JÁ SELAVAM GRANDE ADMIRAÇÃO E RESPEITO ENTRE NOSSAS FAMILIAS. ESTE ANO, COMO EM 58, ESPERO MUITO PODER CELEBRAR TODAS ESTAS LEMBRANÇAS PARA TAMBÉM LHES DESEJAR MUITAS FELICIDADES, AGRADECENDO-LHES PELO GESTO FRATERNO QUE ME CONQUISTOU PELO ESPORTE. SEGURAMENTE, ESTAREMOS TODOS COMO REFERIU TÃO BEM NELSON RODRIGUES – A PÁTRIA DE CHUTEIRAS – DISPOSTOS A SOLTAR O GRITO PRESO NA GARGANTA. E, NOVAMENTE, VOU ME LEMBRAR DE TANTOS FOGOS QUE ÍAMOS COMPRAR NAS BARRACAS DA RUA SÃO JOÃO, ENQUANTO A BOLA ROLAVA NOS CAMPOS DA SUÉCIA. SEM DÚVIDA ALGUMA, NA RELEMBRANÇA DESTAS CENAS, VAI ESTAR FALTANDO AQUELA MORENA LINDA, O CHARME IRRESISTÍVEL DA GENI, A AMIGUINHA QUE UM DIA, TÃO RECENTEMENTE, PARTIU PARA MAIS LONGE DE NÓS. PROVAVELMENTE, AO LEMBRÁ-LA, NOVAMENTE UMA LÁGRIMA PERDIDA ME ESCORRA PELA FACE. NÃO SERÁ DIFÍCIL, PELA SAUDADE IMENSA QUE SENTIMOS POR SUA AUSÊNCIA. POIS É NESSAS HORAS QUE SE SABE QUE LÁGRIMA É EXATAMENTE AQUILO QUE SAI PELOS OLHOS, QUANDO SE APERTA O CORAÇÃO. 

#13.(Dia 11.04.2014) BOA TARDE PARA VOCÊ, DONA MARIETA CRUZ ALENCAR.
DEPOIS DE AMANHÃ, DIA TREZE, A SENHORA CHEGA AOS NOVENTA ANOS. DO POUCO QUE SEI A SEU RESPEITO, E ATÉ LAMENTO, POSSO ME TRANQUILIZAR. SEI QUE POR SEU ESPÍRITO ALEGRE, E TÃO CORDIAL, ESTA DATA SE CELEBRA EM GRANDE ESTILO PELO AFETO FAMILIAR. E A PROPÓSITO, ME DESCULPE SE A DECLARO. MAS, TALVEZ A SENHORA SEJA DOS QUE REPETIRAM COM O GRANDE CONTERRÂNEO QUE TIVEMOS NO CARIRI, O ESCRITOR JOÃO BRÍGIDO DOS SANTOS, AO DIZER: “HOJE FAÇO 90 ANOS. SE É FEIO DIZÊ-LO, MUITO MAIS FEIO SERÁ NEGÁ-LO.” AO LADO DE MINHAS FRUSTRAÇÕES, COMO ESTA, DE NÃO TÊ-LA BEM POR PERTO, POIS RESIDE AÍ NA ILHA DE SÃO LUIZ DO MARANHÃO, NÃO QUERO QUE ESTA DATA SE ATRAVESSE SEM UMA MEMÓRIA PÚBLICA SOBRE SUA EXISTÊNCIA. QUE SEJAM, ENTÃO, ESTAS MAL TRAÇADAS, UM CERTO REPERTÓRIO ACANHADO DO MEU ENCANTO POR SUA PESSOA, DONA MARIETA, ESPECIALMENTE DESDE 1998, QUANDO VIAJAMOS JUNTOS PELA EUROPA. ME PERDOE, SE ASSIM VASCULHO UM POUCO DE SUA BIOGRAFIA. PRETENSO HISTORIADOR, EU ME FARTO COM ESTA INVASÃO DE PRIVACIDADE PARA ENCONTRAR, EXUBERANTES, OS ITINERÁRIOS DE VIDAS, DE PESSOAS COMO A SENHORA. COMEÇARIA POR RECORDAR SUAS ORIGENS, DENTRE ESTAS RAIZES FUNDAS DO CHÃO SAGRADO CARIRIENSE, DE FAMILIAS DESBRAVADORAS ENTRE OS SÉCULOS 18 E 19. FUI LENDO, AQUI E ACOLÁ, EM PARALELOS QUE FUI TRAÇANDO, QUE SEU PAI, JOSÉ GERALDO DA CRUZ – PERSONALIDADE DESTA TERRA, TÃO ENDIVIDADA, TEVE NAQUELE 1924, A NOVENT´ANOS DE SUAS LUZES, UM DOS ANOS MAIS EXPRESSIVOS DE SUA VIDA. RECEBÊ-LA NOS BRAÇOS, SEGURAMENTE, DEVE TER SIDO UM MOMENTO COMOVENTE PARA AQUELE HOMEM. VEIO A SENHORA, DO VENTRE E DA ALMA DE MARIA ESTÁCIO DA CRUZ, PARA SE JUNTAR À PRIMOGÊNITA TARCILA, EM ANTEVÉSPERA DE PROLE NUMEROSA. AQUELE 1924 DE SUA CHEGADA, DESDE LOGO, NO PRIMEIRO DIA DO ANO, JÁ FÔRA PARA ESTA FAMILIA A PROVA DE FOGO DA SUA COMBATIVIDADE E DO AMOR À TERRA. QUANDO DO SEU NASCIMENTO, A EBULIÇÃO POLÍTICA NO LUGAR ERA VIVIDA ÀS CUSTAS  DA TRUCULÊNCIA DE FLORO BARTHOLOMEU CONTRA OS MACEDISTAS, LIDERADOS POR ZÉ GERALDO. SUA VIDA SE INICIAVA COM ESTES EMBATES QUE DETERMINARAM, POR EXEMPLO, A CRIAÇÃO, POR SEU PAI, DA NOSSA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL. FOI TAMBÉM UM ANO DOLOROSO PARA O JORNAL O IDEAL, ATÉ O SEU EMPASTELAMENTO AQUI NA RUA SÃO JOSÉ, EM 30 DE AGOSTO, EM PROPRIEDADE DA FAMILIA. E QUANTAS OUTRAS ANGÚSTIAS NÃO VIVERAM, COMO O EXÍLIO DA FAMÍLIA, FORA DO JOASEIRO. SOMENTE ISTO JÁ SERIA SUFICIENTE PARA CARACTERIZAR A ADVERSIDADE QUE CONSPIRARIA CONTRA A SUA PRÓPRIA EXISTÊNCIA, AINDA TÃO FRÁGIL, NOS BRAÇOS DOS PAIS. CONTUDO, MERCÊ DESTA GARRA, TÃO CARACTERISTA DOS ELEVADOS IDEIAS DE CIDADANIA DESTA FAMILIA, VOCÊ CRESCEU DETERMINADA, ILUSTROU SUA FORMAÇÃO ACADÊMICA, CONSTITUIU FAMILIA, PRESTOU SERVIÇOS E SE CONSAGROU DENTRE AQUELES QUE FORMARAM A NOSSA RESERVA PROFISSIONAL, ÉTICA E MORALMENTE EXEMPLAR. POR ISTO MESMO, ME APRESSO EM SAUDÁ-LA, DONA MARIETINHA, ALMEJANDO QUE SUA VIDA AINDA SE ALONGUE POR MUITOS MAIS ANOS, PARA QUE NÃO NOS FALTE ESTE TESTEMUNHO DE FIDELIDADE QUE SUA VIDA SE DECLARA, POR SEUS IDEIAS DE CIDADANIA, PELA FAMILIA QUE NUTRE OS SEUS ALENTOS E PELA GRANDEZA DE SUA TERRA QUE SÓ PODE SE SENTIR MUITO AGRADECIDA.
(Obs.: Estes textos são lidos, originariamente, durante o Jornal da Tarde, da Rádio Pe. Cícero, FM 104,9, de Juazeiro do Norte, na voz do jornalista João Hilário Coelho Correia )

O INJUSTIÇADO PADRE CÍCERO
Com este título, o jornalista Barros Alves membro da Academia Cearense de Hagiologia e da Sociedade Cearense de Geografia e História, fez publicar o seguinte artigo no jornal O Povo, Fortaleza,edição de 06.04.2014, que abaixo se transcreve.
No dia 24 de março passado relembrou-se os 170 anos de nascimento do Padre Cícero Romão Batista, o profeta do povo sertanejo, que incompreendido, injustiçado, foi duramente maltratado a seu tempo, justamente por aqueles que deveriam assomar como paladinos da Caridade cristã. As maldades cometidas contra o Padre Cícero chegaram, em alguns momentos, ao vilipêndio. Nascido no Crato, depois de ordenado padre Cícero foi designado para cuidar das pouquíssimas almas na localidade de Juazeiro, encravada em lugar hostil da região caririense. Ali chegado, como que por predestinação divina, de logo entendeu – segundo ele por sonho – que daquela localidade não mais sairia e que os desejos de ser missionário em outras terras, antes aventados, sumiram totalmente de sua vontade por decisão de forças transcendentes. Em 1889 ocorreram fatos extraordinários envolvendo a Beata Maria de Araújo e o então jovem Padre Cícero. O chamado “Milagre da Hóstia”, não agradou à cúpula da Igreja no Ceará. Começou aí o calvário do vigário daquele lugarejo de gente pobre e sofrida. A hierarquia da Igreja, liderada em fins do século XVIII pelo Bispo Dom Joaquim José Vieira, não poupou o vigário da então pequenina Vila de Juazeiro, de grandes constrangimentos e muitas agruras. Ele sofreu as maiores agressões por parte de altos dignitários da própria Igreja, os quais, paradoxalmente, deram munição a posicionamentos de figuras interessadas na destruição do próprio rebanho do Cristo. Mas, “Meu Padim Ciço”, apesar de tudo, está consagrado como santo pela devoção do povo nordestino. Mesmo sem ter ascendido à glória dos altares por decreto canônico da Cúria Romana, é venerado pelas imensas multidões de sertanejos que a cada ano acorrem ao Juazeiro do Meu Padim Ciço em romarias em homenagem ao Taumaturgo do Nordeste. Por outro lado, foi escolhido o “Cearense do Século” em disputa com figurões da Política e da Economia em nosso Estado. Passados quase cem anos de sua morte, apesar dos de muitos “sábios e entendidos” da hierarquia da Igreja Católica ainda titubearem na aceitação da santidade do Padre Cícero em razão de uma burocracia atrasada, não poucos são aqueles que compreendem a importância do homem religioso que ele foi, sobretudo de sua postura de obediente servidor da Igreja, que soube comportar-se com dignidade eclesiástica, não obstante as muitas perseguições de que foi alvo. Mais do que isto, compreende-se hoje nos meios eclesiais e fora deles que a atuação política de Cícero, em vez de prejudicá-lo configura um dado que o beneficia em um processo de reabilitação junto ao Vaticano. Ele foi essencialmente um pacificador numa terra de conflitos sangrentos entre coronéis que se digladiavam por poder político e dominação econômica. A atuação política do padre fez parte da ação pastoral que lhe coube por vocação e determinação que vem do Alto. Padre Cícero foi profeta completo. Soube governar, soube admoestar, soube rezar, soube conduzir as levas de homens rudes dos adustos sertões nordestinos aos pés da Mãe de Deus das Dores. É importante, destarte, compreendermos essa mensagem de fé, de esperança e de decisão do Padre Cícero em servir ao seu povo não apenas por intermédio da oração, mas da ação concreta na sociedade de seu tempo. (Barros Alves)

AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE
Um novo barulho na praça envolve o sofrido Aeroporto de Juazeiro do Norte: agora se fala na sua privatização. Ou seja, a Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) já está divulgando a possibilidade de incluir nosso aeroporto na relação dos que passariam à iniciativa privada. E nisto aí, muitas incertezas, principalmente a questão da sua infraestrutura básica, inacabada. Enquanto isto, o aeroporto segue a sua trajetória vitoriosa, espelho de uma região emergente de grande expressão para o mercado de serviços, como a questão do transporte aéreo. Voltamos aos dados mensais que são divulgadas como estatísticas da Infraero em sua página na internet. A partir deste mês, mas retroativo aos primeiros 3 meses de 2014, a empresa passou a divulgar os dados de uma maneira diferente. Por isso, de algum modo, nossas referências passam a ser como são divulgadas em suas tabelas de passageiros e pousos/decolagens, tanto no mês em questão, quanto no ano. Como vínhamos divulgando a série nos últimos 12 meses, e não na acumulada dos meses do corrente ano, prosseguimos como já estávamos fazendo. Por estes resultados, na última tabela, onde apresentamos os dados consolidados para Brasil e Região Norte-Nordeste, o nosso aeroporto continua exibindo uma excelente performance. Desta, o mais expressivo é o fato que continua ocupando a oitava posição dentre os 21 aeroportos domésticos do interior do país. Não é pouca coisa.