quarta-feira, 18 de junho de 2014

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
041: (18.06.2014) Boa Tarde para Você, José Leite Lopes
Um amigo me felicitou por estes escritos, citando os tons de resgate e gratidão aos homenageados. Sugeriu-me que dedicasse uma página a ilustre falecido. Desculpei-me dizendo-lhe que o propósito era dirigir-me a pessoas vivas, com as quais ainda poderia dizer o que escrevo, até de viva voz. Mas, ele reagiu: - Não me diga que não guarda alguma frustração por não ter sido possível fazer isto que me diz? Fui para casa ruminando o que ouvira, e rebuscando a memória terminei por me encontrar em um destes momentos. Por isso, excepcionalmente, hoje relembro José Leite Lopes. Poucas pessoas tiveram a oportunidade de conhecê-lo. José Leite Lopes era um pernambucano que nasceu no Recife, em 28 de outubro de 1918. Foi um dos mais importantes cientistas do século XX. Tornou-se famoso porque criou, ou esteve junto aos que criaram algumas das mais importantes instituições brasileiras como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), a Escola Latino-Americana de Física (ELAF) e a Sociedade Brasileira de Física (SBF). Era PhD em Física, pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Nela, em 1944, aluno do prof. Albert Einstein, ele foi orientado pelo prof. Wolfgang Pauli, fundador da Mecânica Quântica, que no ano seguinte foi o Prêmio Nobel de Física. Por pouco, Leite Lopes não foi também um premiado, mas seus estudos serviram para que três outros pesquisadores chegassem lá, em 1979. Foi catedrático de Física na antiga Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil, integrando a geração de César Lattes e Mario Schoenberg. Na época da ditadura militar, foi acusado de comunista. Exilado, foi trabalhar na Universidade Louis Pasteur. Em 1970, transferiu-se para a Universidade de Strasbourg, também na França. Com a Anistia concedida, Leite Lopes foi tentado a voltar ao Brasil. Mas, somente em 1985 ele retornou para dirigir o CBPF, até 1989. Em 1978 eu era estudante num doutorado da USP. Tinha dificuldade em obter um produto químico para realizar o trabalho experimental para a minha Tese de Doutoramento. Recorri a amigos no Rio de Janeiro e o problema foi resolvido, o que me garantiu concluir no prazo, o mais importante projeto de minha vida acadêmica. Uns dez anos mais tarde eu soube que aquelas preciosas 25 gramas do produto tinham sido compradas, na França, por José Leite Lopes, com dinheiro de seu próprio bolso. Em 2005, na UFC, eu e centenas de professores o recebemos festivamente. No final da conferência, por um instante, eu comecei a dizer o quanto tinha a lhe agradecer. Um tumulto no auditório me impediu de completar a curta história. Nunca mais tive outra chance, pois foi a única vez que nos vimos e José Leite Lopes faleceu no ano seguinte, no Rio de Janeiro, em 12 de junho de 2006. Numa quase antevisão do que aí se frustraria, na primeira página de minha tese doutoral eu reproduzi a frase do prof. Albert Einstein: “Cem vezes ao dia eu lembro a mim mesmo que minha vida interior e exterior, depende do trabalho de outros homens, vivos ou mortos, e que devo esforçar-me a fim de devolver na mesma medida que recebi.”

 REABILITAÇÃO, JÁ
Da última viagem de José Leite de Sousa, nosso embaixador em Ilhéus (BA), quando esteve conosco, em animada reunião entre amigos, na praça Padre Cícero, na manhã do dia 7, recebemos este adesivo para propagar a campanha idealizada pelo www.portaldejuazeiro.com Zé Leite é um destes impacientes devotos que esperam, não mais pacientemente, que Roma tenha todo o tempo do Universo para rever a questão de nosso santo padrinho. Assim, ele propaga entre amigos e simpatizantes, custeando aos milhares estes adesivos para promover a conscientização pública de que estamos com pressa e queremos a reabilitação já. Por vezes ficamos pensativos para entender, se assim for possível, o que é esta misericórdia divina, no papel dos seus ministros terrenos. E até quando, não obstante tantos vivas e orações, será ou não será o filho obediente e servo de Deus. E é que a “turma” já foi bem avisada: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.” (Mateus 18:18)

CINE ELDORADO
O Eldorado (Rua Padre Cícero) exibe hoje a comédia Febre de Juventude.  A ficha técnica, sumariamente, é: Título original: I wanna hold your hand; Estados Unidos, 1978; Direção:Robert Zemeckis; Elenco: Nancy Allen (Pam Mitchell); Bobby Di Cicco (Tony Smerko); Marc McClure (Larry Dubois); Susan Kendall Newman (Janis Goldman); Theresa Saldana (Grace Corrigan); Wendie Jo Sperber (Rosie Petrofsky); Eddie Deezen (Richard "Ringo" Klaus); Christian Juttner (Peter Plimpton); Will Jordan (Ed Sullivan); Boyd "Red" Morgan (Peter's Father); Claude Earl Jones (Al); James Houghton (Eddie); Michael Hewitson (Neil); Dick Miller (Sgt. Bresner); Vito Carenzo (CBS Security Guard); Luke Andreas (Police Officer in Alley); Roberta Lee Carroll (Cafeteria Girl); Sherry Lynn (Cafeteria Girl). Sinopse: Nos anos 60 houve a revolução da música com os 4 garotos de Liverpool (Inglaterra) para o mundo. Especificamente no dia 8 de Fevereiro de 1964 os Beatles foram pela primeira vez aos Estados Unidos para fazer a turnê Americana. Eles começariam indo para Nova Iorque, seria uma apresentação para o programa do “Ed Sullivan”, onde causou muita histeria por partes dos fãs. Mas falando de “Febre de Juventude”, um dos filmes que mais demonstra a “Beatlemania”, ele nos mostra nada mais nada menos do que a história de 6 fãs dos Beatles (4 garotas e 2 garotos) que foram à Nova Iorque e onde eles farão de tudo pra conseguir as entradas para vê-los no programa do Ed Sullivan. Isso tudo logo após eles lançarem a música “I Wanna Hold Your Hand”. Sobre os personagens, começamos por Grace que era uma garota que tinha a ambição de ser fotógrafa e tirando fotos exclusivas dos Beatles não seria nada mal pra ela, para isso ela convence Larry (filho de um agente funerário) para conseguir a limosine do seu pai, para irem até o Plaza Hotel. Muitos dizem que Grace queria somente se aproveitar de Larry. Larry e Grace tentam conseguir os ingressos vendendo pedaços de um lençol, dizendo que um dos Beatles havia dormido com ele, e são desmascarados, mas não irei contar o final deles. Pam era a única que estava lá pra ver os Beatles simplesmente por estar, ela era tímida e de todas era a que menos sabia sobre os Beatles (era noiva também!), mas de todos foi a que teve mais sorte pois ela conseguiu entrar no camarim dos Beatles. Eainda tem uma cena que é umas das mais legais do filme, que é quando ela vê a guitarra do John Lennon e a toca como se estivesse tocando no próprio John Lennon, sem falar na hora que ela está embaixo da cama de Lennon e ela vê os pés de alguém que era o próprio John Lennon! A expectativa de ver alguém da banda é grande e essa era a maior graça do filme pois ela, assim como os outros garotos, não passavam de mero fã da banda e logo depois ela é descoberta e ganha um ingresso para ver os Beatles, mas tinha o detalhe que era noiva, e chegou ao ponto de terminar o noivado pra poder ver os Beatles. Rosie era uma das pessoas do grupo que mais adoravam os Beatles, em especifico Ringo Star e umas das que mais gritavam e nesse meio tempo ela conheceu Richard “Ringo” Klaus que era um outro fã que conhecia muito dos Beatles. Tem uma parte do filme onde ela pergunta pra ele se gostaria de namorar com ela e ele responde: "Não acredito! É só você ver coisa melhor que já trai o Paul McCartney!!!!" Tem uma outra cena em que Klaus fica literalmente pendurado na hora do show do Ed Sullivan. Tem uma outra logo no começo do filme com a Rosie ouvindo no carro que uma rádio está sorteando convite pro programa do Ed Sullivan e ela fala: "Quer parar esse carro senão eu pulo!". Tony que era um tipo nervoso que não gostava dos Beatles e numa cena ele até tenta boicotar o show destruindo a antena de transmissão, mas não consegue. Janis tinha o objetivo de ver os Beatles para provar o inútil dinheiro e badalação que rolava em cima da musica pop dos Beatles. Uma cena que merece ser lembrada que demonstra bem o estado histérico que as fãs ficavam pelos Beatles: sem querer um guarda pisa no pé de uma fã que está na frente do Hotel, ela começa a gritar e acaba gerando uma reação em cadeia em absolutamente todas as fãs que estavam ali. Esse foi o filme de estréia de Robert Zemeckis, que depois de 7 anos faria o “De volta para o futuro” umas das trilogias mais bem sucedidas do cinema nos anos 80 e ainda tem o dedo de Steven Spilberg que fez a produção do filme. Zemeckis também foi o diretor de outros sucessos, como: De Volta para o Futuro (II e III), Uma Cilada para Roger Rabbit, Tudo por uma Esmeralda e Contos da Cripta (série de TV). (por Roger de Souza) (Fonte: http://www.autobahn.com.br/filmes/febre_juventude.html )
Observação: Esta exibição está inserida na programação do Projeto Beatles que revisa filmes sobre o famoso conjunto de juventude dos anos 60.  


NÃO VENDA SEU VOTO
A criatividade do amigo e editor, Daniel Walker, logo gerou esta peça publicitária para a nossa campanha sobre o voto nas próximas eleições. E é sempre assim, a motivação, com argumentos inteligentes proporciona a vitória dos ideais que alimentamos. Esperamos continuar dispondo desta criatividade para propagar campanha tão necessária. Quem sabe, isto fará crescer em cada um de nós o espírito cidadão de responsabilidade e zelo quanto a gestão pública. Certamente é o melhor caminho para que os recursos municipais sejam melhor aplicados na promoção do nosso povo, através de programas de saúde, educação, saneamento, infraestrutura, etc. Evidentemente, se bem antes de ser eleito o safado já começa gastando, fruto da corrupção plantada no sistema, como esperar que deste mandato desonesto possa vir alguma coisa importante para o nosso povo?

GRANDES NOMES DO CARIRI: RAIMUNDO ARAÚJO
Dando continuidade à publicação de sua série, Grandes Nomes do Cariri, Marcel Bezerra, através do Jornal do Cariri, desta semana (17-23.06.2014) editou a seguinte matéria sobre Raimundo Araújo.


“Raimundo Rodrigues Araújo nasceu em Várzea Alegre no dia 2 de setembro de 1935, fruto de um relacionamento entre o fiscal fazendário Francisco Alves Ribeiro e a dona de casa Maria dos Anjos Rodrigues Araújo. Aos três anos, mudou-se para Juazeiro do Norte, onde morava a família da mãe. Lembra de ter conhecido apenas o avô paterno, cuja família residia em Várzea Alegre, e a avó materna. Ainda criança, já demonstrava dedicação por aquilo que lhe interessava. “Minha infância foi praticamente toda em torno de futebol. Nunca aprendi a nadar, mal andava de bicicleta. Era só futebol”, conta, ao reconhecer a falta de talento para o a prática do esporte. Medíocre como jogador, lançou-se à leitura de tudo que falasse do assunto, ao mesmo tempo em que tinha no rádio outra fonte de informação. “Quando aprendi a ler, passei a comprar tudo o que era de revista. Admirava craques como Zizinho e Ademir”, afirma ele, que costumava jogar pelada com os amigos na época em que morou na rua Nova, hoje rua Dr. Floro, no Centro de Juazeiro. Dos amigos da infância, cita Gilberto Sobreira, funcionário aposentado do Banco do Brasil e atualmente empresário bem sucedido no ramo da indústria, “um dos poucos ainda vivos”. As primeiras letras para a obtenção da “Carta do ABC” por Raimundo Araújo foram aprendidas na Escola Nossa Senhora da Sallete, com a professora Adelaide Mello, em Juazeiro do Norte. O curso primário se deu no Grupo Escolar Padre Cícero, até a admissão no ginásio do Colégio Salesiano São João Bosco, 1957, concluído no ano seguinte. As séries do “científico” foram cursadas no Colégio Diocesano do Crato, em 1961. Findos os estudos regulares, Raimundo Araújo ingressou no curso de Contabilidade da Escola Técnica de Comércio de Juazeiro do Norte, no ano de 1964, instituição onde atuou como professor posteriormente. Vinte anos depois, em 1984, ingressaria no Curso de Letras na antiga Faculdade de Filosofia do Crato. O interesse de Raimundo Araújo pela leitura e pela história de Juazeiro começou ainda na adolescência, depois que o futebol foi deixado de lado e proliferou mais adiante, com a influência da amizade de pessoas como o professor e jornalista Daniel Walker. “Indiretamente, Daniel me incentivou muito a conhecer ainda mais a história de Juazeiro. Somos amigos há quarenta anos. Ele é um homem muito bom, e nossa amizade nunca teve sequer um arranhão em todo esse tempo”, comemora. Embora sem precisar datas de forma exata, antes de se dedicar às pesquisas e à escrita em definitivo anos mais tarde, a trajetória de Raimundo Araújo incluiu dois anos como contador e trabalhos como revisor dos jornais O POVO, de Fortaleza (onde residiu por cerca de cinco anos), do Jornal do Commercio de Recife (PE), do Jornal A Tarde, de Salvador (BA), da Editora Jurídica Ltda. de Fortaleza (CE). Na capital cearense, Araújo afirma ter passado por dificuldades. “Nessa época eu trabalhava no jornal e ganhava muito pouco. Morei numa espécie de pensão na rua Conde D’ Eu. Era um lugar onde as condições não eram boas, eu vivia num tipo de sótão, já que não tinha como pagar por um lugar melhor. Um dia, sonhei com o Padre Cícero, que me disse: ‘vá embora, volte para Juazeiro, se possível hoje’. Quando acordei, um amigo chamado Francílio Dourado vinha num carro e começou a gritar insistentemente: ‘Raimundo vamos para Juazeiro?! Eu fiquei espantado. Como era possível, logo depois que eu acordei, sem ele saber do meu sonho, e acontecer uma coincidência dessas? Imediatamente arrumei minhas coisas, paguei a conta e voltei a Juazeiro”, questiona ele, que em Fortaleza diz ter trabalhado também na Secretaria Municipal de Educação. No final dos anos 70,  Raimundo Araújo havia sido acometido de uma doença quando morava em Salvador (BA), e mais uma vez retornara a Juazeiro. Foi então que passou a estudar no Centro de Formação Profissional Wanderillo Castro Câmara (Senai), onde também trabalhou. “Fazia esse cursinho, onde conheci minha mulher, que também  estudava lá”. A mulher com quem viria a se casar em 1979 chama-se Elza Bernardo Araújo, com quem Raimundo Araújo teve três filhos: Jânio, Maria Suêrda e Homero Wellington. A decisão de casar veio a bom tempo. “Casei com mais de 40 anos. Era boêmio, mas no bom sentido. Gostava muito de brincar, de dançar, de namorar. Quando casei, conciliava os trabalhos no Senai e na Câmara Municipal de Juazeiro”, explica. Raimundo Araújo foi professor de Português em diversas instituições como a Escola Técnica de Comércio de Juazeiro do Norte, a Escola de Comércio Dr. Diniz, o curso Pré-Vestibular Supreve, e o próprio Centro de Formação Profissional Wanderillo de Castro Câmara (Senai). Neste último, trabalhou antes na secretaria e como bibliotecário, em períodos que somaram cerca de 15 de dedicação. Consta também no currículo de Raimundo Araújo as atividades de consultor do Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Sócio-culturais (Ipesc), de redator da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, onde também editou o jornal A Voz do Legislativo de Juazeiro do Norte. Exerceu ainda os cargos de vice-diretor da Escola de 2º Grau Padre Francisco Murilo de Sá Barreto (1986), de assessor especial e de secretário de gabinete do Prefeito Manoel  Salviano Sobrinho (1987), além de ter integrado, em 2009, a Comissão Municipal Organizadora das Comemorações do Centenário de Emancipação Política do Município de Juazeiro do Norte. Alvo de diversas homenagens, classifica uma delas, a Cidadania Juazeirense, como uma das que mais se orgulha. A partir dos anos 1980, com a publicação dos primeiros dois livros – “Juazeiro Anedótico (1984) e Juazeiro Poético (1988) –, Raimundo Araújo passou a se dedicar às suas verdadeiras paixões. “Meu mundo hoje é escrever e ler”, coloca. De lá para cá, já são 16 livros e dois textos para publicações. Em 1994, lançou “Padre Cícero do Juazeiro” e “Centenário do Nascimento do Padre Azarias Sobreira – 1984- 1994”. No ano seguinte, viriam “Recordar é Viver” e “Juazeiro do Padre Cícero”. Em 1996, numa parceria com José Boaventura de Sousa e Daniel Walker, Raimundo Araújo assinou a autoria de “A Câmara Municipal em Ação – Memória do Legislativo Juazeirense”. Depois viriam “Administração José Firmino da Silva” (1998), “Dados Biográficos dos Homenageados em Logradouros Públicos de Juazeiro do Norte”, em parceria com Mário Bem Filho (2000), “Suco de Jiló” (2001), “Praxedes e sua época” (2002), “Resgatar é preciso” (2002), “Juazeiro Anedótico – 2ª Edição” (2002), “Mulheres de Juazeiro” (2004), “Vidas Paralelas (texto)” (2009), “Replicar é preciso (texto)” (2009), “Rostos de Juazeiro” (2011) e “Questionário Histórico (tomo I)” (2012). Em agosto de 2013, Raimundo Araújo lançou a antologia “Maria de Araújo, a Mártir de Juazeiro”. Prima em terceiro grau do escritor, a beata, que protagonizou o milagre das hóstias que viravam sangue, é considerada por ele uma das figuras mais importantes para a história de Juazeiro e do Padre Cícero. De acordo com Raimundo Araújo, a figura da beata, que se chamava Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo, tem sido historicamente relegada a um segundo plano, e somente recentemente seu papel vem sendo reposicionado e reconhecido por estudiosos e religiosos. Sobre Juazeiro, embora considere positivo desenvolvimento da cidade, Araújo se revela emotivo e saudosista. “Gosto mais do Juazeiro do passado. Nunca pensei que a cidade fosse crescer tanto. Eu tinha fé que isso ia acontecer, mas Juazeiro é uma cidade misteriosa, tem os dedos de Deus e do Padre Cícero”. Para ele, escrever é uma missão de vida, assim como defender a cidade e o Padre Cícero. “O meu foco é Juazeiro do Norte”, declara. Aposentado há cerca de 17 anos, Raimundo Araújo mora na rua São José, entre as ruas Santa Luzia e Conceição. Sua rotina de leitura e escrita também inclui a visita de amigos e pesquisadores, a quem recebe com satisfação. “A gente não tem sossego. Mas estou sempre em contato com meus amigos”, diz ele, ao citar Daniel Walker, Napoleão Tavares, Renato Casimiro e Renato Dantas, entre outros. Para o escritor Emerson Monteiro, Raimundo Araújo é “escritor vocacionado àquilo que se propõe, isto é, inventariar nas letras o testemunho do tempo que presencia, com ânimo e correção, próprio dos cronistas de época nas comunas interioranas”.
BRINCANDO COM O FLIGHTRADAR24




































Já tinha mencionado em edição bem anterior sobre este aplicativo do Google que serve para acompanhar voos de curso regional, nacional ou internacional. Trata-se de http://www.flightradar24.com/. Tinha uma suspeita de que os voos que se destinavam a Juazeiro do Norte não eram monitorados pelo aplicativo em todo o seu curso. Nesta última segunda feira, dia 16, acompanhei o voo da Avianca ONE 6378, proveniente de São Paulo e com escala em Fortaleza. Pelas imagens acima, ele saiu com atraso de Fortaleza (30 minutos) e daí o seguimos ao longo dos seus 390 km, passando por diversos pontos de referência no território cearense, até que ele pousasse no aeroporto de Juazeiro do Norte. E fomos tomando as imagens que estão anexadas acima, até o momento em que a aeronave toca a pista. No mínimo, uma boa brincadeira.  









segunda-feira, 16 de junho de 2014

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
040: (16.06.2014) Boa Tarde para Você, Normando Sóracles Gonçalves Damascena
Juazeiro do Norte é um território aberto. Para cá converge gente de toda uma nação. Nosso santo padrinho, padre Cícero, nos legou esta missão de não recusar abrigo a quem nos bate à porta. Assim foi, ainda no começo do século passado, com minha gente de familia. Assim foi com tantos outros que já passaram da casa dos milhões. Assim foi também consigo, Normando, de quem se sabe sumariamente que nasceu em Cajazeiras, há 54 anos, é filho do taxista Daniel Damascena e da professora Naldir Gonçalves, de familia de três irmãos, dois filhos e, por isso mesmo, um premiado pelo dom da vida. Você já mostrou parte daquilo a que veio, sendo um bem sucedido industrial, locutor de rádio, repórter fotográfico e diretor do site Miséria. Mais recentemente, esta sociedade a que você serve, lhe conferiu um, mandato de vereança, como se desejasse, ainda mais, pô-lo à prova de uma enorme responsabilidade social. No conflito atual do Estado brasileiro, ser vereador é uma coisa muito difícil e complexa. E em Juazeiro do Norte, particularmente, nem se pode duvidar. Na atualidade, nós os eleitores, estamos simplificando muito o nosso juizo. Mas, o que há de se fazer se, ao calor dos fatos, a figura de um vereador só nos lembra o perfil de gente insignificante? Esta nossa crença transita perplexa por entre esta Câmara, que tinha tudo para ser egrégia e que não ultrapassa a linha da manchete escandalosa da folha policial. Isto é parte da descrença com que a mídia a vê, não revelando nenhum escrúpulo de noticiar suas acontecências em meio ao vandalismo do dia-a-dia. Mudaram-se os tempos, mas neste ponto não mudamos nós, ainda, que temos a esperança de nos encontrarmos um dia com o horizonte necessário para ver um dos seus poderes em mãos hábeis, honradas e dedicadas. Como você bem sabe, Normando, não há um perfil particular para as exigências desta cidade, se você e os outros vinte cuidassem objetivamente destas três coisinhas. Pouquíssimos vereadores se dão conta de que as demandas deste exercicio exigem deles habilidades específicas no trato com a coisa pública. Não aceita deles a promiscuidade das negociatas, a omissão sobre melhores aparatos legislativos que os façam se afastar da legislação em causa própria, para atender o que o povo reclama. Ser vereador, para mim, Normando, e isto é antigo, é um privilégio, uma honra por dignidade conferida através de um voto consciente. Neste ponto, só podemos nos referir que, em particular, e não é exagero, vivemos os tempos da pedra lascada. Comprar e vender votos são dois lados da mesma moeda falsa. Tão indigno para quem compra, tão indigno para quem vende. Cada um de nós, de qualquer que seja a maneira, deve pensar antes numa atitude melhor para conscientizar o eleitorado nesta hora do voto: “Não venda seu voto. Você vale muito mais.” Por isso, meu caro Normando, conscito-o a aderir ao nosso sentimento de contribuir para um novo quadro social neste nosso amado Juazeiro do Norte, que consiste basicamente em estabelecer uma campanha permanente que trate da moralidade sobre tudo o que importa a existência desta nossa Câmara Municipal. Sem concessões, sem corporativismos, e, principalmente, sem medo de ser feliz.

CAMPANHA PELA DIGNIDADE NO VOTO

Nossa coluna de hoje aborda a necessidade de algumas reflexões sobre a atualidade política e social do país. Com um olho na conjuntura nacional e as nossas atenções sobre a vida juazeirense, peço a sua leitura nos textos que se seguem, a começar pelo meu Boa Tarde ao vereador Normando Sóracles Gonçalves Damascena (PSL). Como aperitivo, a transcrição de alguns dos últimos atos aprovados pela Câmara e sancionadas pela Prefeitura. Importantíssimo é o texto que transcrevemos, no qual o economista João Manuel Cardoso de Melo dá entrevista à equipe do jornal Valor Econômico. “Perca um tempinho”. Vale a pena. Na imagem deste tópico, um mote para fazer crescer a nossa responsabilidade no ato do voto. Você é a favor? Ou contra? Se é contra, lamentamos. Se é a favor, propague. O resultado só pode ser muito bom. 
ATOS DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL
Foram publicados no Diário Oficial do Município os seguintes atos: 
LEI Nº 4334, de 06.06.2014, que redefine o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, cria os componentes do Município de Juazeiro do Norte – Ceará do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, dispõe sobre o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, sobre a Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional – CAISAN, define os parâmetros para elaboração e implementação do Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional e adota outras providências. 

LEI Nº 4335, de 06.06.2014 que institui o “Dia Municipal da Ordem DeMolay no dia 18 de março de cada ano”. O Prefeito Municipal de Juazeiro do Norte sancionou e promulgou o que a Câmara Municipal havia decretado: Art. 1º – Fica instituído o “Dia da Ordem DeMolay”, no Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. Art. 2º – Inclui no Calendário Oficial do Município, o “Dia Municipal da Ordem DeMolay no dia 18 de março”. Autoria: Vereador Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro.

LEI Nº 4336, de 06.06.2014 que reconhece de utilidade pública a ABRASP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA SOBRIEDADE E PAZ, fundada em 01 de março de 2013, com sede e foro no município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, é uma sociedade civil de direito privado, de caráter social, sem fins lucrativos, tendo por objetivo as ações de prevenção, tratamento, intervenção, recuperação, reinserção social, ocupacional e atuação política relacionada com dependência química, de duração por prazo indeterminado e reger-se-á por seu estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Vereador Cícero Claudionor Lima Mota
Subscrição: Vereador Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro.

LEI Nº 4337, de 06.06.2014 nos seguintes termos: Art. 1º – Cria o Programa “Empresa Amiga da Educação”, no âmbito do Município de Juazeiro do Norte, com o propósito de estimular as pessoas jurídicas a contribuírem para melhoria da qualidade do ensino na Rede Pública Municipal. Parágrafo único – A participação das pessoas jurídicas no Programa dar-se-á sob a forma de doações de materiais, realização de obras de manutenção, conservação, reforma e ampliação dos prédios escolares ou de outras ações que visem beneficiar o ensino nas escolas municipais.  Art. 2º – As pessoas jurídicas cooperantes poderão divulgar, com fins promocionais e publicitários, as ações praticadas em benefício da escola adotada. Art. 3º – O Poder Público não terá ônus de nenhuma natureza e não concederá quaisquer prerrogativas aos cooperados, além das previstas no art. 2º desta Lei. Autoria: Vereadora Rita de Cássia Monteiro Gomes; Coautoria: Vereadores Danty Bezerra Silva – Maria de Fátima Ferreira Torres.

DECRETO Nº 104, de 10.06.2014, que regulamenta o § 4º do art. 6º da Lei Complementar Municipal nº 94, de 10.03.2014, para dispor sobre o Conselho Gestor do Município de Juazeiro do Norte e adota outras providências, nos seguintes termos: Art. 1º - O Conselho Gestor do Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, criado pela Lei Complementar Municipal nº 94, de 10.03.2014, Órgão consultivo e deliberativo, tendo como objetivo acompanhar as ações de qualquer natureza, do Poder Executivo Municipal e de emitir pareceres, opiniões, sugestões e aconselhamentos sobre elas, sempre no intuito exclusivo de colaborar para a sua eficácia no sentido do processo de desenvolvimento sustentável e includente deste Município. Art. 2º - O Conselho Gestor do Município compor-se-á, pelos Secretários Municipais de Gestão, Controladoria e Ouvidoria Geral que o presidirá, pelo Chefe de Gabinete, pela Procurador do Município e pelo Contador Público, sob o livre arbítrio do Prefeito Municipal, para efeito de expansão ou de restrição na sua composição. Art. 3º - O mandato dos Conselheiros será coincidente com o mandato do Prefeito Municipal. Art. 4º - Compete ao Conselho Gestor do Município de Juazeiro do Norte:
I – emitir, de modo informal ou formalizadamente, pareceres, opiniões, deliberações, sugestões, análises, diagnósticos, relatórios a respeito de obras, projetos, eventos, decisões, contratos, convênios, ou quaisquer outras ações administrativas, no âmbito da gestão municipal;
II – reunir-se, ordinariamente, uma vez por mês, preferencialmente às quartas-feiras, lavrando-se ata sumariada da sessão; 
III – denunciar irregularidades detectadas nas atividades administrativas de qualquer nível ou natureza, e solicitar providências ao Chefe do Poder Executivo;
IV – convocar, eventualmente, pessoas qualificadas, integrantes ou não da administração pública municipal, a participarem das sessões do Conselho Gestor do Município para
abordagem de assuntos relevantes específicos, de interesse da
coletividade; 
V – elaborar o seu Regimento Interno; Art. 5º - A Presidência do Conselho Gestor do Município de Juazeiro do Norte será exercida pelo Controlador e Ouvidor Geral do Município, e, em sua eventual ausência ou impedimento, pelo Chefe de Gabinete.

PORTARIA N.º 1419/2014, nos seguintes termos: Art. 1.º - Nomeia os membros do CONSELHO GESTOR do Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, criado nos termos da Lei Complementar n.º 94, de 10.05.2014, devidamente regulamentado pelo Decreto Municipal n.º 104, de 10 de junho de 2014, na forma seguinte:
I – RAIMUNDA ZARELE CATONHO ALMEIDA, Secretária Municipal de Gestão, portadora do RG n.º 495.979 SSPCE., inscrita no CPF/MF n.º 054.391.753-34, domiciliada e residente nesta cidade, à rua Genário Oliveira, n.º 255, bairro Lagoa Seca; 
II – JOSÉ IVAN SILVA ALVES, Controlador e Ouvidor-Geral do Município, portador do RG n.º 6.410.136, inscrito no CPF/MF n.º 615.148.538-68, domiciliado e residente nesta cidade, à Rua
Beato José Lourenço, n.º 378, bairro Tiradentes;
III – JOSÉ CARNEIRO NETO, Chefe de Gabinete, portador do RG n.º 1.003.265 SSP/CE., inscrito no CPF/MF n.º 190.021.653- 15, domiciliado e residente nesta cidade, à rua São Paulo, 1033,
Centro;
IV – JOÃO VICTOR DE ALENCAR GRANJEIRO, Procurador Geral do Município, portador do RG n.º 99029138042 SSP/CE, inscrito no CPF sob o n.º 972.903.943-72, domiciliado e residente nesta cidade, à rua Vereador José Rodrigues, n.º 339, bairro Pirajá; e 
V – FRANCISCO ÍTALO GONÇALVES TAVARES, Contador Público Municipal, inscrito no CRC/CE sob o n.º 016.089, CPF/MF n.º 767.429.973-20, domiciliado e residente nesta urbe, à
rua Arnóbio Bacelar Caneca, s/n.º., bairro Lagoa Seca;
Art. 2.º - O mandato dos membros do CONSELHO GESTOR do Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, coincide com o do Prefeito Municipal. Art. 3.º - A Presidência do CONSELHO GESTOR do Município de Juazeiro do Norte, será exercida pelo segundo nomeado, Secretário Municipal de Planejamento, Orçamento e Controle. Art. 4.º - O exercício dos trabalhos dos membros do Conselho Gestor do Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, não será remunerado, porém será considerado de relevante serviço público.
CONSTITUINTE VERSUS DESORDEM
Por Célia de Gouvêa Franco e Vanessa Jurgenfeld  (De Campinas)
"Os códigos de processo não são atualizados. O lobby dos advogados não deixa passar. Porque quanto mais demora o processo, mais eles ganham" (João Manuel Cardoso de Mello, economista).
É extremamente duro o diagnóstico sobre o Brasil do economista João Manuel Cardoso de Mello, que ganhou proeminência nacional ao participar, na década de 1980, da elaboração do Plano Cruzado, a primeira de uma série de tentativas de derrubar a inflação. Para ele, o país vive uma fase de desordem político-institucional e a única saída para resolver a situação é a convocação de uma Constituinte com critérios muito rígidos - ninguém que ocupa um cargo público poderia, por exemplo, ser eleito. Além disso, já se partiria do princípio de acabar com a possibilidade de releição para o Executivo. E vereadores, deputados e senadores só poderiam tentar ser reeleitos uma única vez. Professor da presidente Dilma Rousseff quando ela iniciou sua pós-graduação em economia na Unicamp, João Manuel - ninguém o trata pelo sobrenome - não culpou, em uma rara entrevista à imprensa, o atual governo pela situação de desordem. Disse que, depois de décadas em que os principais problemas do Brasil não foram atacados seriamente, acabou se criando um clima de insatisfação, de mau humor com o Brasil que pode ser até uma ameaça à democracia, na medida em que abre espaço tanto para políticos "salvadores da pátria" quanto para os saudosistas dos tempos da ditadura. "As pessoas estão enojadas. Você conversa aqui com meus funcionários [da Facamp], desde o jardineiro até o professor, eles têm nojo", especificou. João Manuel apresentou ao Valor, no seu escritório na Facamp, a universidade que criou há 15 anos, uma lista detalhada de indícios da desordem institucional - e de consequências dessas circunstâncias. Ele fumou dez cigarros ao longo da conversa e de um almoço, que contou também com a presença do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, amigo desde os 10 anos e sócio de João Manuel na Facamp, hoje reconhecida como uma das melhores instituições de ensino superior privada do país. De certa forma, sua fonte de inspiração para o lançamento da proposta da Constituinte são as palavras ditas por Ulysses Guimarães, ex-presidente da Câmara dos Deputados e da Assembleia Constituinte de 1988. Segundo João Manuel, antes de iniciar a campanha das Diretas Já, de 1984, que tentaria pressionar o governo militar a permitir a escolha dos governantes pela escolha das urnas, o "dr. Ulysses" fez uma consulta a um grupo de amigos, reunidos na casa dele. Pelo que João Manuel se lembra, apenas ele apoiou a proposta do amigo. Os outros disseram que não haveria apoio popular. "Dr. Ulysses" ouviu todas as opiniões, mas depois afirmou: "Eu não quero saber se vai dar certo ou errado. O meu dever é fazer" a campanha, que acabou mobilizando centenas de milhares de brasileiros em manifestações nas grandes cidades. Além de Ulysses Guimarães, que morreu em 1992, João Manuel foi próximo de outras figuras marcantes da vida nacional, como Zeferino Vaz, que esteve à frente da criação e da organização da Unicamp - sendo depois o seu primeiro reitor - e de Dilson Funaro, o Ministro da Fazenda do governo Sarney que abriu caminho para um grupo de economistas que formulou o Plano Cruzado. Muito discreto sobre seu relacionamento com a presidente, ele disse que "ela é minha amiga, foi minha aluna e eu gosto dela". Na sua avaliação sobre a situação da educação no Brasil, foi muito crítico sobre as universidades de forma geral e particularmente ácido sobre as instituições de ensino privadas. 
A seguir, os principais trechos da sua entrevista:
Valor: Viemos aqui fazer uma entrevista sobre economia...
João Manuel Cardoso de Mello: Não vou falar de economia. Não quero falar de economia propriamente dita e nem de eleição.
Valor: Vamos falar sobre a Copa?
João Manuel: Também não. Quero falar que o debate atual no país é uma vergonha. De péssimo nível. E que o grande problema brasileiro, ao contrário do que as pessoas pensam, é uma desordem político-institucional.
Valor: Em que sentido?
João Manuel: No sentido de que isso aqui é uma desordem. Uma desordem. Desordem político-institucional. Nosso sistema tem 30 partidos. A política se transformou num negócio. O partido da presidente tem 20% do Legislativo, logo a presidente é refém de partidos de aluguel. Esse é o problema. São 39 ministérios necessários para acomodar os anões, para não dizer os ladrões. Uma campanha para presidente da República custa R$ 700 milhões. Portanto, se estabelecem aqui relações espúrias e incestuosas entre os financiadores da campanha e o Executivo. E aí vem o problema do financiamento público das campanhas.
Valor: Qual outro sintoma dessa desordem?
João Manuel: O Supremo Tribunal legisla. E não pode! Sei disso porque nasci numa família de professores de direito. Meu pai, meu avô, meu bisavô. Isso é uma verdadeira barbaridade! E o Tribunal de Contas... Meu pai foi presidente do Tribunal de Contas.
Valor: De qual?
João Manuel: Do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Meu pai [João de Deus Cardoso de Mello], quando era moço, deu trombada numa árvore e ficou míope, tinha medo de guiar. Não gostava muito de motorista e nem nós tínhamos muito dinheiro. Ele tomava o ônibus no Jardim Paulistano, descia na praça da República, atravessava o viaduto do Chá e ia até a rua do Ouvidor, onde era o Tribunal de Contas. Tudo a pé. O presidente do Tribunal de Contas não tinha carro. Mas hoje o Tribunal de Contas interrompe obra. Para quê? Pode funcionar isso? Eles interromperam várias obras do governo federal. Não estou dizendo que o governo federal funciona, que é uma maravilha. Longe disso. Mas não pode. Isso aqui está tudo errado. O próprio Ministério Público tem poderes exorbitantes. Como é que um país pode funcionar assim? Além disso, os códigos de processo não são atualizados.
Valor: Por que não?
João Manuel: Porque o lobby dos advogados não deixa passar. Porque quanto mais demora o processo, mais eles ganham. Então, o Código do Processo Civil e o do Processo Penal especialmente são absurdos, são muito velhos. A lei de execuções penais é um absurdo, certo? Então, como é que o país vai funcionar? E ainda anotei na minha lista que a Receita Federal quer estabelecer a política fiscal no Brasil. A Receita Federal tem poder... Alguém manda na Polícia Federal? Não manda nada. Então, você tem setores autônomos. Isso é o que estou chamando de desordem completa.
"O debate atual no país é uma vergonha. De péssimo nível. O grande problema brasileiro é uma desordem político-institucional"
Valor: O senhor anotou outra questões?
João Manuel: Existem 19 mil cargos de confiança no governo. Isso é um absurdo completo porque, para funcionar, um Estado tem que ter uma burocracia no sentido weberiano, com gente que ganha bem, que tem prestígio, guiada pela honra, pelo interesse público, com boa formação, a meritocracia. Tem 19 mil cargos para botar quem? O parente, o amigo, o "zebedeu".
Valor: São problemas do atual governo?
João Manuel: Estamos falando de problemas estruturais que vêm se arrastando desde o governo Collor. Não tem a ver com Lula, com Dilma ou com FHC. Eu estou propondo aqui uma Constituinte, para reformar a coisa político-institucional.
Valor: Uma Constituinte em que bases?
João Manuel: Com os seguintes critérios: acabar com a reeleição [nos cargos executivos], deixar deputados com mandatos de cinco anos, uma reeleição só e acabou.
Valor: Cargos executivos sem reeleição?
João Manuel: É claro. [José] Sarney está aqui há 30 anos! Não é possível!
Valor: E uma boa parte do Parlamento está lá há muito tempo...
João Manuel: É isso, claro, e eles não vão mudar nada. Porque vivem disso. Você acha que tem cabimento? Eu me lembro que estava na casa do dr. Ulysses [Guimarães] quando apareceu a história dos anões do orçamento. Ele estava acabrunhado. Baixava a cabeça. E eu perguntava: "Você está aborrecido?" "João Manuel, [imita a voz de Ulysses] aconteceu uma coisa horrível. "O que foi?" "A corrupção chegou ao Legislativo." Ele não me contou mais nada.
Valor: Quais as consequências dessa desordem no dia a dia do país?
João Manuel: Você acha que o Estado é capaz de organizar estratégias de longo prazo? Com essa desordem político-institucional, não é possível fazer nada. Neste clima que a gente está vivendo, em que aumentaram as manifestações.... As pessoas estão enojadas. Você conversa aqui com meus funcionários, desde o jardineiro até o professor, eles têm nojo. O mal-estar que existe no país é imenso. Porque as pessoas estão cheias desse negócio. Essa é que é a verdade.
Valor: O senhor acha que uma proposta de Constituinte teria apoio da sociedade?
João Manuel: Eu acho que isso é o pré-requisito de qualquer discussão. Você quer fazer política econômica num país desses? Quer ter uma estratégia de longo prazo? Como se faz? E fica essa discussão "gué-gué-gué-gué-gué-gué". Uma discussão completamente idiota.
Valor: Falta um projeto para o país?
João Manuel: Qualquer país tem. Qualquer país que se preze tem um projeto. Agora, para isso, é preciso a centralidade da política. Se o país não tem um mínimo de organização política, a coisa não vai. Você vê a Dilma - ela é minha amiga, foi minha aluna e eu gosto dela -, tem todos os defeitos que todo mundo sabe, certo? Muito bem. Mas fica de mãos amarradas. Cercada. Inclusive pelo PT. As pessoas estão enojadas e isso a longo prazo é um perigo para as instituições democráticas. Porque aparece um aventureiro aí...
Valor: E há pessoas que falam que no tempo da ditadura era melhor porque roubavam, mas roubavam pouco.
João Manuel: O que é verdade. Pior é isso.
Valor: Essa situação é um risco?
João Manuel: É, porque ninguém vai imaginar que a democracia está enraizada na alma brasileira. Não está.
Valor: O que os seus estudantes falam sobre essa situação?
João Manuel: Alunos e professores. Tem um bom professor que me falou nesta mesma sala: "Professor, eu não quero falar de política porque fico com vontade de vomitar".
Valor: Mas esse sentimento de mal-estar abre um potencial para a mudança, não abre?
João Manuel: Sim, desde que haja coisas articuladas e que alguém faça alguma coisa.
Valor: Mas como se articularão essas mudanças que o senhor propõe? Via partidos políticos?
João Manuel: Não, fora dos partidos.
Valor: Pelos movimentos sociais?
João Manuel: Não sei como é que faz. Ninguém sabe. Agora, temos que colocar pelo menos o problema. Porque as pessoas começam a falar loucuras.
Valor: Quais loucuras?
João Manuel: As pessoas dizem banalidades: o problema é a produtividade... Mas quem defende a improdutividade? Ninguém. Ah, o problema é a saúde. Ninguém vai defender a doença. O problema do Brasil é a educação...
Valor: Algumas pessoas dizem que o problema nosso é a falta de política industrial.
João Manuel: Essas coisas são de uma complexidade enorme. Vou dar dois exemplos, mas podia dar dez. Como é que você não usa o pré-sal para alavancar a indústria metal-mecânica, o serviço técnico especializado nesse setor? Estão fazendo isso?
Valor: Não.
João Manuel: Não, você tem uma agricultura pujante, não tem? Uma agroindústria que vai crescer barbaramente. Tem problemas de produtividade, especialmente a pecuária. Mas que são resolvíveis com algum investimento vagabundo. Os chineses passaram a comer carne. Bom, isso é uma Fronteira de expansão enorme. Você tem que colar a agricultura com a indústria de equipamentos e implementos agrícolas. Foi feito? Não. Você montou uma indústria farmacêutica brasileira que bem ou mal está aí. É óbvio que você tem que montar institutos de pesquisas. Os chineses hoje têm os maiores institutos de pesquisa do mundo. A China já é o segundo país onde mais se gasta em pesquisa e desenvolvimento. Os chineses formam 600 mil engenheiros por ano. O que é isso? É um país organizado! Nós somos incapazes, não fazemos nada. Na verdade, o país está paralisado. Esse mal-estar é isso.
Valor: Isso é uma fase do processo democrático? Faz parte do amadurecimento?
João Manuel: Isso é amadurecimento? Isso é uma degeneração.
"A política se transformou num negócio. O partido da presidente tem 20% do Legislativo, logo a presidente é refém de partidos de aluguel"
Valor: O país não precisaria passar por isso?
João Manuel: As pessoas perguntam por que eu não entrei em política. Eu tive vários convites para ser ministro, nunca aceitei. Porque não tenho estômago. Quando eu voltei do Ministério [Fazenda] e fui fazer uma palestra no Instituto de Economia [na Unicamp] e aí levantou um menino e disse: "Professor, vou fazer uma pergunta desagradável. O senhor parece que não roubou. Explique por quê". Não roubei, é fato. E ainda tive que vender uma Belina verde para pagar as dívidas porque o que eu ganhava não pagava. Eu não roubei porque meu pai falou que não era para roubar. A explicação é simples.
Valor: Haveria um momento - político, econômico e social - mais apropriado para propor as mudanças?
João Manuel: Eu não sei. Eu resolvi propor.
Valor: Perdeu-se a oportunidade de uma proposta dessas em algum momento?
João Manuel: Não creio. Mas daqui a pouco passa o momento. A situação vai se agravando, se agravando... O único sujeito, a bem da verdade - eu nunca fui do PT, muito menos desse PSDB -, a única pessoa que falou disso foi o Lula. Ligeiramente. O que acontece é que alguém precisa falar alguma coisa.
Valor: Além disso, os países desenvolvidos continuam em crise, com crescimento baixo.
João Manuel: Temos o mundo central em crise... Crise terrível. E nós não podemos colar nosso destino em um sujeito que está capenga. Isso a presidente está fazendo direito, aliás contra a corrente do Itamaraty.
Valor: Uma crise nos países centrais não é oportunidade para avanços do Brasil?
João Manuel: Nosso caminho na verdade é dos Brics, é fazer um acerto com a China, que é economia dinâmica.
Valor: E a proposta de integração latino-americana?
João Manuel: Vai fazer integração com quem?
Valor: A melhora da economia do país passaria por uma solução via indústria mais forte?
João Manuel: Claro. Política industrial é uma coisa de altíssima complexidade. Alguém que nunca entrou numa empresa, numa fábrica, não pode ser ministro da indústria, não sabe nem como é que produz um parafuso. Você vê: fecharam 120 empresas têxteis. Como é que você deixa fechar 120 empresas grandes?
Valor: Esse processo não está associado a um movimento de financeirização das empresas?
João Manuel: Mas aí você aceita isso? E então deixa quebrar o setor têxtil?
Valor: Tem que ser feito um contramovimento interno a essa tendência global?
João Manuel: Claro, você precisa articular o país. Esse é o problema. Bom, não podemos fazer tudo, mas então vamos fazer isso, fazer aquilo, vamos entrar nas cadeias de Valor globais assim. Certo? Mas ninguém toma nenhuma providência.
Valor: Mas o BNDES tentou fazer uma articulação de cadeias, de grandes grupos, minimamente...
João Manuel: Não tentou porque não é da natureza do BNDES fazer isso.
Valor: E os financiamentos para os frigoríficos?
João Manuel: Há uma alguma lógica, porque nós somos o maior exportador de carnes do mundo.
Valor: A inserção internacional promoveria grandes grupos no Brasil, ajudaria a indústria?
João Manuel: Não é um problema de grandes grupos, você tem que escolher o que financiar.
Valor: Tem que escolher setores na política industrial?
João Manuel: Claro, tem que escolher. Isso tudo é muito complicado.
Valor: Tem que escolher grupos campeões?
João Manuel: Esse negócio de campeão... isso não é o problema central. O problema central é o que nós vamos fazer. Agricultura, na verdade, não cria emprego. Desde que o [Raul] Prebisch fez a crítica do modelo primário exportador era isso. Você vai lá em Sinop (MT) e você vê o quê? Soja, um sujeito no trator e favela na cidade. Agricultura não cria emprego, não cria arrecadação fiscal. O Brasil não pode abrir mão da indústria.
Valor: Mas o país já não abriu mão da indústria?
João Manuel: Não, ainda temos uma indústria importante.
Valor: Como criar uma política industrial se não mexe na política econômica?
João Manuel: Câmbio e juros. Com esse câmbio aí não vai. Você Valorizou o câmbio por quanto tempo? Vinte anos? São 20 anos de Valorização. Ninguém aguenta. E foram todos: o seu Gustavo Franco, o seu Fernando Henrique, seu Lula, que surfou no câmbio.
Valor: Crescer agora passa por uma desValorização cambial?
João Manuel: E com cuidado, porque haveria impacto sobre a inflação. Parte da economia está indexada. Mensalidades escolares estão indexadas, há falsos dissídios porque o sindicato não representa ninguém, o sindicato patronal muito menos. E o juiz pega e dá uma canetada. Salários de professores sobem 7%. E eu tenho que subir a mensalidade 7%, certo? Se eu não fizer isso, eu quebro. Na minha lista incluí também a questão de como se justifica a existência da Justiça do Trabalho. Essa pergunta tem que ser feita. Quando Getúlio Vargas fez a Justiça do Trabalho, na década de 30, por que ele fez? As justiças estaduais eram todas manejadas pelas oligarquias, inclusive em São Paulo. Mas hoje a Justiça do Trabalho se justifica? O Brasil é o único país que tem Justiça do Trabalho.
"O STF legisla. E não pode! Isso é uma verdadeira barbaridade! (...) O Tribunal de Contas interrompe obra. (...) Está tudo errado"
Valor: A melhora da indústria passa por um governo desenvolvimentista?
João Manuel: Não há mais desenvolvimentismo. Nós nunca fomos desenvolvimentistas no Instituto de Economia [da Unicamp]. Isso aí é um equívoco. Isso aí é saudosismo. Hoje, você tem liberais idiotas e saudosistas. Nós não somos nem uma coisa nem outra. Você tem que lidar com os problemas que o mundo está pondo para você, que não são os de 50 anos atrás. Falta planejamento. Há um livro que se chama "China em Uma Hora", que mostra uma cidade na China que foi feita inteirinha sem ninguém, planejada para 10 milhões de habitantes. Primeiro fizeram a cidade e depois chegaram os 10 milhões de habitantes. Isso é outra coisa que nós não fizemos. Você acha que é possível uma cidade ter 20 milhões de habitantes? Tem água, lixo, tudo que está escondido e você não vê... É imanejável.
Valor: O centro do debate econômico deveria ser como se planeja o futuro do país?
João Manuel: O debate é o seguinte: como é que nós vamos organizar o país? Como se organiza a indústria, como organizar a agricultura, como é que se faz o entrosamento entre o setor público e o setor privado. Não se faz isso há 30 anos. Vamos olhar para a China, que tinha uma renda per capita em 1980 de US$ 160. Sabe quantas pessoas saíram do campo para cidade em 30 anos? 460 milhões... Veja o planejamento do espaço que eles fizeram. Isso é outra coisa que nós perdemos. Nós perdemos a coisa do planejamento regional.
Valor: E na sua área, a educação?
João Manuel: Bom, vamos primeiro, então, aos fatos, depois à teoria e à reflexão. São Paulo tem 365 mil professores. O salário médio é de R$ 2,4 mil. A jornada média de trabalho é 46 horas semanais. Um professor, para dar uma boa aula, pode no máximo dar 20 horas por semana. Para dar tempo de ele preparar a aula, corrigir prova. Ou seja, sem aumentar o salário, seria preciso contratar tanta gente que dobraria o gasto com professores. O que se pode fazer então? Tem que se começar a resolver o problema por etapas. Criar uma carreira paralela, ir montando devagar, criando escolas de tempo integral, pagando melhor. Isso leva 20 anos, mas alguém precisa começar. Se não, daqui a 20 anos nós estamos aqui falando a mesma coisa. Alguém faz? O grande problema está no ensino médio e fundamental. Não nos enganemos: é preciso professores competentes com uma carga horária razoável e escolas em tempo integral. É tarefa para uma geração. Para isso, precisamos enfrentar o corporativismo dos professores, o gigantismo das máquinas educacionais e fazer um grande esforço fiscal.
Valor: A regulamentação do ensino também precisa ser mudada, não?
João Manuel: Você vai ler na Constituição que as competências da educação são concorrentes, há municípios com universidade. Mas o que é isso? O currículo das escolas brasileiras é absurdo. Não tem nenhum país do mundo que tem física, química e biologia no ensino fundamental. Tem ciências. Foi para tirar os pobres da universidade que foi feito um currículo desses. Você faz um currículo desse tamanho, tem que saber quais são os 53 elementos químicos... Na Alemanha, você abre o livro, tem coisas elementares: por que eu aperto aquele botão e acende a luz, por que eu ligo carro e o carro anda, por que o avião voa. E assim por diante.
Valor: A escola privada é melhor?
João Manuel: O problema não é só no ensino público.
Valor: E as universidades brasileiras?
João Manuel: Hoje, a universidade pública brasileira está completamente obsoleta. Porque o modelo de universidade está obsoleto, não existe mais isso. Universidade com 90 mil alunos não é possível, não há como administrar isso. Na época da criação da Unicamp, O Zeferino Vaz me mandou calcular os custos. Eu sou um dos poucos sujeitos no Brasil que entendem de custos universitários. Ele dizia: "Você vai estudar custos aqui, ninguém sabe nada desse negócio". Eu não sabia nada também. A Unicamp foi projetada para ter 5 mil alunos de graduação e 5 mil de pós-graduação. Fiz todas as contas. Inclusive, depois de 10 mil alunos é mais barato fazer outra universidade. Em termos de economias de escala... para não dizer os custos pedagógicos. Eles quebraram as universidades. E fomos nós que inventamos esse negócio.
Valor: O que poderia ser feito?
João Manuel: As universidades públicas brasileiras são uma piada. Precisava haver uma reforma universitária. Hoje, existem dois modelos de universidade sendo discutidos. É uma discussão enorme no mundo e evidentemente não chegou aqui, por supuesto. No modelo francês, há a Sorbonne, que é uma universidade de massas. Da última vez em que estive lá com amigos, tinha um galpão. E perguntei que galpão era esse? "Aqui são as aulas de geografia." Quantos alunos têm? "Trinta mil." Aí tem as grandes écoles. Esse é um modelo. O outro é o americano, no qual dentro das universidades você tem ilhas de excelência, o resto é ensino de massa. Teve uma grande discussão na década de 30 nos Estados Unidos sobre isso. Foi quando eles massificaram a universidade. Faculdade de direito nos Estados Unidos não é graduação, é pós-graduação. Então, faculdade de direito de Harvard... [faz com a mão, mostrando que ela está lá em cima]. Agora, se você vai para outra faculdade... [faz com a mão, mostrando lá para baixo]. Aí tem 200 alunos na classe, um cara com microfone. Então, é uma catástrofe.
Valor: E as universidades privadas?
João Manuel: Instalou-se um segmento privado no país de compra e venda de diplomas!
"O STF legisla. E não pode! Isso é uma verdadeira barbaridade! (...) O Tribunal de Contas interrompe obra. (...) Está tudo errado"

sexta-feira, 13 de junho de 2014

 BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
039: (13.06.2014) Boa Tarde para Você, dona Líbia Moreira de Assis
Dizem ter sido Groucho Marx, em 1946, o que tornou célebre a frase: "Por trás de todo grande homem existe uma grande mulher.” A expressão completa diz mais: “Por trás desta mulher está a esposa do homem". Isto se aplica direitinho a um casal que conheço por tantas histórias, há uns cinquenta anos. Em janeiro de 1963, a senhora, dona Líbia, seu marido Fabião e os filhos chegaram para morar em Juazeiro do Norte, vindo residir na nossa vizinhança da Rua São José. Disse-me a senhora, um dia, que eu – um garoto de 13 anos, fui a primeira e agradável impressão de boas vindas à nossa rua, onde ainda hoje residem. Teria sido eu, alto, magro, esbelto e elegante, prestativo para ajudar na bagagem da mudança. Ah!, dona Bibi, como o tempo me mudou! Hoje, estamos celebrando os seus 94 anos e vendo-a cercada pela quase completa lista afetiva deste seu viver. Permita-me que faça destes instantes um momento de memórias, de conversas que já tivemos. A senhora se chamava Líbia Moreira Lima, quando solteira. Nasceu em Guarabira (PB) em 15.06.1920, filha de Firmino Moreira Lima e de Tereza de Jesus Moreira Lima. Seu marido, o inesquecível Alberto Fabião de Assis, nasceu um pouco depois, também em Guarabira, em 21.01.1921, filho do casal Emílio Fabião de Araújo Lima e de Dina Maria de Assis Fabião. Vocês foram vizinhos na juventude. Desde muito cedo, aos dezesseis anos de idade, em 1936, você cortejava Fabião que já era um exemplo digno de operário de grande envergadura, pois trabalhava na antiga Rede Ferroviária do Brasil. Com três anos de namoro e noivado, vocês se casaram em cerimônia religiosa no dia 17.09.1939. No ano seguinte, em Recife, a senhora começou a viver o itinerário do trabalho do marido, na firma Cunha Rego S.A., de estivas e tecidos. Depois, acompanhou Fabião na gerencia da nova loja, em Campina Grande. Nascia uma das mais tradicionais organizações comerciais de tecidos do Nordeste, as Casas Pessoa & Filho. Da Borborema, a senhora seguiu o caminho, já levando seis filhos, para Arcoverde: a Zita, o Bertinho, o Raminho, o Zezo, a Dina e a Tereza. Por último, nasceu a Irma, que já veio para cá com 20 meses. Em 1963, na estrada lhe trouxe até nós, porque a diretoria das Casas Pessoa & Filho, abria a loja de Juazeiro do Norte. E Fabião era o homem talhado para esta nova empreitada. Era aquele a quem se confiava uma grande missão. Aquele a quem se entregava ouro em pó. Aquele que não media esforços para servir. Sorte dele que por 63 dos 84 anos que viveu, teve o seu apoio decisivo, dona Bibi, o amor incondicional, a compreensão em todos os momentos. Fabião era um vitorioso, e a senhora, a parte maior destas vitórias. Para completar hoje esta festa que tanto nos faz felizes por tê-la conhecido e ainda privar da sua companhia, damos graças a Deus porque vamos estar juntos a este fermento vivo de 25 netos, pois Zita gerou Isaac; Bertinho gerou Rosana, Roberta, Carlos Alberto, Cícero Antonio e Valério; Raminho gerou Douglas, Keops e Aítala; Zezo gerou Emílio Fabião, Jéferson, Cecília e Camila; Dina gerou Júlio, Juliana e Jordana; Tereza gerou Emanuel, Eliete, Eduardo e Elíbia; e Irma gerou Raicícero, Raíla e Raimundo Alberto. E a festa também será maior porque dos seus bisnetos, pelo menos 14 vão estar presentes: Henrique, Melissa Ellen, Guilherme, Ana Beatriz, Alberto Leonardo, Anna Júlia, Letícia, Maria Letícia, Arthur, Gabriel, Anna Líbia, Tereza Neuma, Melissa e Yan.  Nem o Fabião vai deixar de vir. Tenho destas certezas que ele estará por ali, na memória de cada um de nós. Em verdade, quando seu amado cerrou os olhos em 4 de outubro de 2004, ele partiu para mais uma daquelas caminhadas em busca da eternidade. Mas eu penso que vez por outra ele está de volta e lhe pergunta, como nos velhos tempos: - Você já me perfumou hoje?

URBANIZAÇÃO EM JUAZEIRO DO NORTE
O Governo do Estado, por meio da Secretaria das Cidades, investirá cerca de R$ 7,5 milhões no município de Juazeiro do Norte, no Cariri. A cidade receberá ações de pavimentação, requalificação de vias, bem como reformas de passeios, drenagem, iluminação pública e obras de paisagismo. O montante é oriundo de convênio firmado entre os governos Estadual e Municipal. As ações contemplarão as avenidas Castelo Branco e Manoel Coelho. As obras integram uma lista de intervenções demandadas há anos pela população local. Os projetos desenvolvidos para o município são executados pelos técnicos da Coordenadoria de Desenvolvimento Urbano e Territorial (Codut), área da Pasta responsável pelo desempenho das ações. Segundo o secretário das Cidades, Carlo Ferrentini, os investimentos nos municípios cearenses demonstram o interesse do Governo Estadual em proporcionar avanços e qualidade de vida à população do Interior. “A nossa responsabilidade é garantir sustentabilidade e desenvolvimento a todas as cidades. Ao todo, mais de R$ 115 milhões estão sendo investidos nos municípios, seja por meio de PCFs ou convênios”, afirma Ferrentini. Ainda de acordo com o titular da Pasta, somente em 2013, mais de 170 obras foram concluídas em 70 municípios cearenses, por meio de convênios ou PCFs, totalizando um investimento de mais de R$ 41 milhões no interior do Estado. “O nosso objetivo é trabalhar mais e melhor, para que, com compromisso e responsabilidade, possamos atingir as cidades do Ceará”, observa.
Fonte: Assess. de Imprensa da Secretaria das Cidades (Priscila Teixeira / Henrique Silvestre)

DUAS EFEMÉRIDES: 80 ANOS
Nestes 13 e 14 de junho devemos nos lembrar de dois eventos ligados à primeira Escola Normal Rural fundada no Brasil, em Juazeiro do Norte: Das memórias de Amália Xavier de Oliveira, destacamos, sumariamente:
13 de junho – Inaugura-se oficialmente em Juazeiro, a primeira Escola Normal Rural do Brasil pelo Diretor Geral da Instituição do Estado, Dr. Joaquim Moreira de Sousa, que se fez acompanhar de uma comissão da Cruzada Nacional de Educacional e Assessores da Diretoria: Dr. Filgueiras Lima, Hugo Catunda, Joaquim Alves e Pio Saraiva.
14 de junho – Circula o 1° número do “O Lavrador” órgão do Clube Agrícola da Escola Normal Rural. Após a 2° Reunião do Clube Agrícola que se realizou no Campo da Escola, foi empossada a 1° Diretoria do Clube que ficou assim constituída: Presidente – Maria Moreira (professora do 2° complementar); Secretário – José Sebastião da Paixão – (Professor do 1° complementar); Tesoureira – Maria Assunção Gonçalves e Diretora – Amália Xavier de Oliveira.
Obs.: Apenas parte da arquitetura da velha escola resiste ao tempo, hoje denominada Centro Educacional Moreira de Sousa. Não é a mesma coisa. Gente perversa que se homiziou no Governo do Estado do Ceará perpetrou o crime de destruí-la, a propósito de uma modernidade. A de Limoeiro do Norte, fundada por outra juazeirense, Maria Gonçalves da Rocha Leal, está lá, resistindo bravamente a estas investidas desta gente insignificante.

 CARIRI SEM SBT
Os sinal do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), prometido em junho do ano passado para retornar dentro de 60 dias, continua só na promessa. Conversa vai, conversa vem, mas nada de concreto aconteceu até ontem. Com a mudança da TV Jangadeiro de Fortaleza, que se filou a Rede Bandeirantes de Televisão (BAND), Crato, Juazeiro e Barbalha saíram perdendo. Esses municípios ficaram privados da programação do SBT, em sinal aberto, como era desde 1988. Quem não tem parabólica ou assina algum pacote de TV paga, não recebe o SBT. Segundo o prefeito de Juazeiro do Norte, Raimundo Macedo, (Raimundão), “o que depender da prefeitura, estamos pronto para atender e já colocamos a torre repetidora do município ao dispor do SBT”, afirmou o prefeito, salientando que “constantemente sou abordado pelas pessoas procurando saber quando é que o SBT vai voltar em sinal aberto para nossa cidade”. Em Juazeiro o SBT estava em sinal aberto desde ao ano de 1988, passou para a TV Jangadeiro e sumiu de vez. Por sinal, o canal usado pela Jangadeiro que ora transmite a Band, é destinado pela Anatel a prefeitura de Juazeiro do Norte.
ESPERANÇA
Nesta terça-feira, 10, a Nordestv, representada pelo seu presidente Jaime Machado, tendo ao lado o ex-senador Tasso Jereissati, estiveram na sede do SBT em São Paulo e assinaram um contrato com a emissora de Silvio Santos até 2020. A Nordestv tem uma geradora da TV do SBT em Sobral. Na capital cearense o SBT está sendo captado com imagens muito ruins através do Canal 27, UHF, sendo alvo de muitas reclamações. Com essa assinatura de contrato, talvez haja agora um pouco de esperança que a emissora possa estender o sinal até o Cariri. Para o vereador Tarso Magno que constantemente tem cobrando o retorno do SBT para Juazeiro do Norte, a assinatura desse contrato trás uma esperança para que s emissora volte a ser captada pelos caririenses. Tarso Magno afirmou que vai pedir o envio de ofícios a direção da Nordestv e ao vice-presidente do SBT em São Paulo, José Ribeiro Maciel, para que agilizem o mais rápido  possível o retorno do SBT para Juazeiro, Crato e Barbalha, como era antes. “Vamos pedir, inclusive, que o sinal já venha em HD”, afirmou o vereador. (Fonte: @folhadosertao/site miséria)

AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE
Mais uma vez, como mensalmente estamos fazendo, apresentamos, com base em dados oficiais da Infraero, o movimento dos aeroportos brasileiros para melhor situar o desempenho do nosso aeródromo. Os números de Maio não revelam nada de novo no quadro que vimos acompanhando. A não ser a figuração do Aeroporto de Juazeiro agora na terceira posição dentre os aeroportos domésticos do interior da região Norte e Nordeste (conforme está na Tabela 7b, em confronto com a mesma tabela do mês de Abril. Isto se deve à segregação dos internacionais que até então figuravam na lista, por equívoco nosso. Assim, os aeroportos de Petrolina (internacionalizado para carga desde 2000) e Santarém (denominado internacional em 2006), foram computados algumas vezes como Doméstico. Quanto ao nosso, as questões da cena anterior permanecem. Arrastam-se as obras do primeiro trecho de duplicação da Av. Virgilio Távora e não se tem novas informações sobre as desapropriações referentes aos 486 mil m² de uma área destinada à sua ampliação, através da verba de R$ 15,8 milhões do Orçamento Geral da União. Como súmula, o que mais expressa a sua performance, são os números de 35.657 passageiros embarcados/desembarcados, que no período de janeiro a maio somam 177.695, numa média mensal de 35.539. Nestes valores, a situação é estável, contudo, com ótimas perspectivas de aumento, à espera das melhores soluções da parte de prefeitura/Infraero/operadoras, sobre infraestrutura, obras no terminal e novas companhias e destinos.









quarta-feira, 11 de junho de 2014

 BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
038: (11.06.2014) Boa Tarde para Você, Marli Bezerra.
O noticiário desta semana me alertou para um possível desconforto que você, Marli, deve estar experimentando. Temos, os que lhe conhecem, mesmo superficialmente – como eu, um enorme respeito pelo seu trabalho à frente da Secretaria de Cultura e Romaria. Daí porque estas coisas tornadas públicas também nos afligem. Trata-se desta pressão que vem sendo verificada da parte de barraqueiros que querem a realização do Juá Forró. Se bem imagino, é provável que você esteja considerando que “desconforto” é um tratamento muito light para a questão. Eu lhe confesso, Marli, que tenho uma certa dificuldade de compreender questões como estas, a envolver gestores públicos. De uma municipalidade se espera que tendo regras, tratados, planejamento, gente e recursos, tudo mais flua satisfatoriamente. Tal não acontece. Lamentamos, profundamente – Marli, que não exista o menor respeito a estes pressupostos. Seria elementar dizer que o município se rege por uma lei orgânica onde quase tudo deve estar lá bem explicitado, antes mesmo que se constate que verdade verdadeira é a expressão: o prefeito é quem manda. Tudo seria melhor se esse mando prefeitural fosse substituído por uma delegação que se pode e se deve fazer à gente competente e responsável. Mas, vem outro grande impedimento que é a peça orçamentária, habitualmente, uma peça de ficção, engendrada pela matemágica, fruto de exercícios mirabolantes sobre o que fazer, em cima de péssimo planejamento e, frequentemente, por desejos até inconfessáveis. Lembro, com certa raiva de mim mesmo, que bem recentemente, administrando o Memorial Padre Cícero, eu não conseguia pagar mais que luz, telefone, água e folha de pessoal, com desembolso mensal que não superava vinte mil reais. Ao ordenar apenas estas coisas, ainda fui punido pelo Tribunal de Contas dos Municípios e tive que pagar multa. Por pouco não tive que devolver dinheiros que nem sabia que existiam, embora preconizados no tal do Orçamento. Parece que estas coisas são generalizadas. Por este espírito, a gestão é engessada de tal maneira que pôr esta máquina em funcionamento exige um ato de tal esforço que ninguém seria capaz de descrevê-lo. Impossível é, então, Marli, admitir que exista este super-homem capaz de tal façanha. Há muitos anos, neste Juazeiro dos nossos amores, nós estamos descompondo e maltratando os senhores prefeitos, vereadores, secretários e toda a gente da municipalidade por estes descaminhos que assentam suas bases por sobre as mínimas demonstrações de incompetência, mandonismo, truculência, desonestidade e absoluta falta de compromisso com os propósitos da comunidade. Esse Juá Forró, por exemplo, de tão malsinado, já deveria ter sido banido da programação de uma Secretaria de Cultura. Nós, cidadãos, contribuintes sofridos dos péssimos serviços desta gestão, exigimos que nos dediquem melhor atenção. Que Cultura é esta que agora tem que conciliar interesses de barraqueiros que querem vender cachaça? Quem assegurou a eles que podiam fazer estes investimentos que agora lamentam perder? Então, minha amiga, lamento que este desconforto venha tornando péssimos estes seus últimos dias. E pensar que a cultura do Juazeiro, vinda de tão recuados anos, ainda poderia viver, rica e valiosa, com esse famigerado Juá Forró. Quem diria?

FESTA DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO
O pároco Pe. Joaquim Cláudio de Freitas, os vigários paroquiais: Pe. Aureliano Gondim e Pe. Cícero José, e o Diácono Permanente, Francisco Francimar, estão convidando a comunidade para participar da Festa de Nossa Senhora de Perpétuo Socorro, que acontece a partir de hoje, na Capela. Esta programação está inserida nas celebrações do Centenário da Diocese de Crato. 

CIDADÃO JUAZEIRENSE
Através da Resolução N.º 703 de 3 de Junho de 2014, a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, aprovou e o prefeito municipal promulgo o ato que concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Fausto Batista Murici, pelos inestimáveis serviços prestados à nossa comunidade. A Autoria da proposição foi de Rita de Cássia Monteiro Gomes; A Coautoria: Danty Bezerra Silva; As Subscrições: Firmino Neto Calú – Francisco Alberto da Costa – Glêdson Lima Bezerra – Cícero Claudionor Lima Mota - José Ivan Beijamim de Moura - Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Paulo José de Macêdo - José Tarso Magno Teixeira da Silva - João Alberto Morais Borges - José Nivaldo Cabral de Moura – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – José Adauto Araújo Ramos – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Maria de Fátima Ferreira Torres - Maria Calisto de Brito Pequeno e Auricélia Bezerra.

COPA DO MUNDO & HORÁRIO CORRIDO
A Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte já se posicionou sobre o horário de funcionamento de todos os seus órgãos nos dias em que serão realizados os jogos da Seleção de Futebol da República Federativa do Brasil, nos seguintes termos: PORTARIA N.º 1405, de 09 de junho de 2014 Determina “HORÁRIO CORRIDO” para os servidores públicos municipais, os expedientes dos dias 12 (doze), 17 (dezessete) e 23 (vinte e três) de junho de 2014, em virtude dos jogos da Seleção Brasileira de Futebol, na Copa do Mundo FIFA 2014, adotando outras providências. O CHEFE DE GABINETE DO PREFEITO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE, Estado do Ceará, por determinação expressa do Chefe do Poder Executivo; CONSIDERANDO a realização da Copa do Mundo de Futebol edição 2014, com início no próximo dia 12 de junho no Brasil; CONSIDERANDO a necessidade de propiciar condições para que os servidores do Poder Executivo Municipal da administração direta, indireta, autárquica e fundacional possam assistir aos jogos da Seleção Brasileira; RESOLVE: Art. 1.º - Determina expediente corridos para os servidores do Poder Executivo Municipal nos dias 12 (doze) quinta-feira, 17 (dezessete) terça-feira e 23 (vinte e três) segunda-feira de junho de 2014, será das 08:00h às 14:00h., em virtude dos jogos da Seleção Brasileira de Futebol, na Copa do Mundo no Brasil. Art. 2.º - Nas oitavas, quartas, semi-final e final, caso a nossa Seleção seja classificada, o expediente será definido por portaria do Chefe de Gabinete do Prefeito. Art. 3.º - Excetuam-se das disposições dos artigos anteriores, os servidores dos Órgãos Públicos Municipais que prestam serviços essenciais, quais sejam, nas áreas da saúde, da segurança pública e da limpeza pública, os quais funcionarão normalmente. Art. 4.º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Palácio Municipal José Geraldo da Cruz, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, aos 09 (nove) dias de junho do ano de 2014 (dois mil e quatorze). DR. JOSÉ CARNEIRO NETO - CHEFE DE GABINETE DO PREFEITO.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

  BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
037: (09.06.2014) Boa Tarde para Você, Alaide Alves Bezerra
No dia 23 de julho de 2011, no centenário de nossa cidade, aconteceu a cerimônia de inauguração do monumento a Floro Bartholomeu da Costa, na antiga Rua Nova. Naquele dia, dona Alaíde Bezerra, eu a encontrei e nos abraçamos, fazia tempo. A senhora estava sendo apresentada como a moradora mais antiga da rua. E fez questão de discursar, dizendo do seu orgulho em ser juazeirense, trazendo a lembrança do tempo em que seus pais costumavam participar de festas na casa de Floro. Fiquei impressionado com sua lucidez e desenvoltura. Afinal, falava uma respeitável senhora de 90 anos, nascida nesta vila do Joaseiro, em 27 de fevereiro de 1921. Recomecei a prestar atenção sobre sua pessoa e os amigos me foram dizendo coisas que me relembravam um roteiro sentimental de bela biografia. Contaram-me, por exemplo, que a senhora foi diplomada professora pela Escola Normal Rural, integrando a quinta turma do estabelecimento, em dezembro de 1941. Do arquivo retirei os nomes de todas as suas 20 colegas: Adaltiva Grangeiro, Ana Barreto, Balbina Garcia, Beatriz Sobreira, Cleude Barreto, Ditosa Almeida, Djalma Ancilon, Doracir Costa, Estelita Magalhães, Joelina Sá, Lourdes Vital, Lúcia Vanda Veloso, Maria Garcês, Maria Zuli Morais, Neném Bezerra, Neném Pereira, Noemísia Portela, Renata Sabiá, Rocilda Pimentel e Rosa Martins. Professora, mesmo, a senhora já era desde 1935, numa escolinha improvisada nas Malvas, indo depois para o Círculo Operário, ficando ao lado de minha mãe, a também professora Doralice Casimiro. Foram me dizendo e eu fui anotando: seu casamento em 31 de dezembro de 1959, com o jovem comerciante Francisco Maciel Bezerra. E nessa lembrança, não obstante a família ampliada com o nascimento de Verônica, até hoje com 4 netos, entre futuros médicos e engenheiro, é para se lamentar profundamente, o seu sofrimento com o assassinato brutal de Maciel, na tragédia da Furna da Onça, em 5 de novembro de 1964, há quase cinquenta anos. Mas, dona Alaíde, não foi necessário que me lembrassem de como a vi, fiel servidora do então Posto de Tracoma, no bairro do Socorro, e no socorro de tantos. Como eu mesmo, que sofri tanto de infecções nos olhos, nas danações de inverno com as primeiras águas sujas lavando as telhas e saindo das bicas nas calçadas das casas e dos banhos do Salgadinho. Por isso mesmo, são inesquecíveis aquelas dores horrorosas que tinha de suportar quando ali me socorria, com colírio de nitrato de prata, fosse com a senhora, fosse com minha tia Dosanjos Soares, ou com Vanda Almeida, Alice Celestino, Marta Grangeiro, Edite Cabral ou Neusa Landim Almeida. Vocês eram enfermeiras dedicadas, agentes de saúde, visitadoras sanitárias... os anjos da guarda daqueles moleques das ruas do Juazeiro. Aliás, me disseram que, num prêmio à sua excepcional resistência, nestes seus 94 anos de vida, até diploma de Honra ao Mérito, a FUNASA, do Ministério da Saúde já veio lhe conferir, pois é a servidora aposentada mais antiga do Brasil. Quero lhe dizer que qualquer dia destes vou lhe visitar. Vou levar comigo um caderno que comprei numa livraria de livros velhos, em Fortaleza. Não sei porque aquilo estava lá. Sei apenas que é um caderno de anotações, com uma letra linda, de uma antiga agente de saúde que visitava famílias nas ruas de Juazeiro do Norte. Quando abri e comecei a ler, logo descobri que o caderno pertencera a Alaíde Alves Bezerra, nos anos 60. Vou lhe devolver e vamos nos emocionar juntos. Quando pensei em lhe fazer esta saudação, imaginei que falaria de duas ou três coisas que sei a seu respeito. Já fui longe, e o João tem que terminar o Jornal. Por último lhe digo, dona Alaíde, que vez por outra escuto uma linda canção de Nelson Antônio da Silva, o Nelson Cavaquinho, da velha guarda da Mangueira, de onde se ouve, entre belos acordes, os versos: “Mas depois que o tempo passar / Sei que ninguém vai se lembrar / Que eu fui embora. 
Por isso é que eu penso assim / Se alguém quiser fazer por mim / Que faça agora.” 
Receba a senhora, dona Alaíde Bezerra, estas mal traçadas linhas como uma homenagem. Quero me dirigir à senhora, por este seu exemplo de criatura atualizada. Que faz a leitura das últimas revistas. Que vê TV e escuta noticiários de rádio. Que está conosco todos os dias. Que tem uma mente privilegiadíssima e é uma memória viva e até pode, e deve, escrever livro. E que ainda é ativa como aquela jovem que adorava dançar nas festas do Clube dos Doze. E se duvidar, talvez ainda seja a mesma confeiteira de outros tempos, a artista maravilhosa que fazia biscuits e flores em tecidos. Por isso, a minha homenagem. Hoje! Agora! Ou, como diz o poeta, “antes que eu me chamar saudade”.
CINE CAFÉ NO CCBNB
Cães de Aluguel (Reservoir Dogs) é um filme americano de 1992 escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Estrelado por Harvey Keitel, Steve Buscemi, Michael Madsen, Tim Roth e Chris Penn, o filme retrata os eventos anteriores e posteriores a um mal sucedido roubo de diamantes (embora não mostre o roubo propriamente dito), praticado por cinco homens que não se conhecem e que se referem uns aos outros através de nomes de cores. É o primeiro filme da carreira de Quentin Tarantino e incorpora elementos que viriam a se tornar marcas registradas do diretor, como crimes violentos, referências à cultura pop, narrativa não-linear, trilha sonora eclética e constante uso de palavrões em seus diálogos. Tarantino conseguiu financiar a sua produção através da venda do roteiro de True Romance, bem como pela adesão de Harvey Keitel ao projeto; com a entrada do ator, o diretor foi capaz de captar $1.5 milhões para o desenvolvimento do filme. Apesar de não ter recebido muita divulgação à época de sua estreia e ter emplacado uma bilheteria modesta nos Estados Unidos, Reservoir Dogs ganhou destaque após o lançamento de Pulp Fiction, obra subsequente de Tarantino, tornando-se um filme cult e sendo enaltecido como um clássico do cinema independente, tendo sido eleito "o maior filme independente de todos os tempos" pela revista Empire. Elenco:Harvey Keitel como Larry Dimmick, (Mr. White), Tim Roth como Freddy Newandyke (Mr. Orange), Michael Madsen como Vic Vega (Mr. Blonde), Steve Buscemi como Mr. Pink, Edward Bunker como Mr. Blue, Quentin Tarantino como Mr. Brown, Chris Penn como "Nice Guy" Eddie Lawrence Tierney como Joe Cabot. Sinópse: O filme se inicia com oito homens tomando café em um restaurante. Seis deles vestem ternos combinando e usam apelidos: Mr. Blonde (Michael Madsen), Mr. Blue (Edward Bunker), Mr. Brown (Quentin Tarantino), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Pink (Steve Buscemi) e Mr. White (Harvey Keitel). Com eles está Joe Cabot (Lawrence Tierney), um gângster de Los Angeles, e seu filho "Cara Legal" Eddie Cabot (Chris Penn). Mr. Brown discorre sobre a sua análise de "Like a Virgin", da cantora Madonna, enquanto Joe se irrita com Mr. White após discutirem sobre sua agenda de endereços e Mr. Pink defende a sua política anti-gorjeta — até Joe forçá-lo a deixar uma gorjeta para a garçonete. A cena corta para o interior de um carro em alta velocidade. Mr. White, dirigindo com uma mão, tenta consolar Mr. Orange, que levou um tiro no abdômen e sangra enquanto, delirando, grita. Eles chegam a um depósito abandonado, o ponto de encontro dos ladrões. Mr. White segura um visivelmente amedontrado Mr. Orange em seus braços até Mr. Pink aparecer. Ele raivosamente sugere que o assalto a uma joalheria, orquestrado por Joe Cabot, foi uma armação da polícia, dada a rápida resposta dos policiais ao alarme. Mr. White concorda e eles contrastam as suas histórias do ocorrido. A cena corta para o Mr. Pink escapando com os diamantes. Mr. White revela à Mr. Pink que Mr. Brown foi baleado e assassinado pela polícia, e os paradeiros de Mr. Blonde e Mr. Blue são desconhecidos para ambos. O filme, então, retrocede para uma cena indicando que Mr. White é um amigo de longa data de Joe Cabot. Após cuidarem de um Mr. Orange inconsciente, os dois homens discutem as ações do psicopata Mr. Blonde, que assassinou diversos civis depois que o alarme fora disparado. Mr. White está furioso pela decisão de Joe de empregar um psicopata e concorda com a possibilidade de uma armação. Mr. Pink revela que ele escondera os diamantes em um local seguro. Eles discutem violentamente sobre levar ou não Mr. Orange a um hospital, quando Mr. White revela que havia revelado ao idealizador o seu verdadeiro primeiro nome. Mr. Blonde, que assistia tudo à distância, se adianta e encerra a disputa. White, raivosamente, repreende Blonde pela violência empregada na joalheria, enquanto Blonde, calmamente, rejeita a sua crítica. Ele diz à White e Pink para não abandonarem o ponto de encontro, uma vez que "Cara Legal" Eddie está a caminho. Mr. Blonde os convida a verem algo que está no porta-malas do carro, estacionado do lado de fora do depósito. Quando eles chegam ao carro, Mr. Blonde abre o porta-malas e revela um policial capturado, chamado Marvin Nash (Kirk Baltz). A ação do filme retrocede, revelando que Mr. Blonde se envolveu com o roubo devido à sua amizade com "Cara Legal" Eddie. Os três homens nocauteiam o policial e mandam que ele os conte quem é o informante. Ele protesta e diz não saber. Isso continua até que um furioso Eddie chega ao depósito. Após repreender os homens pela carnificina e incompetência mostradas no roubo, ele ordena que Mr. Pink e Mr. White o ajudem a recuperar os diamantes roubados e a se livrarem dos veículos sequestrados. Ele manda o Mr. Blonde ficar com Marvin e com Mr. Orange, o qual está lentamente morrendo. Quando ele está sozinho com Mr. Blonde, Marvin conta a ele que só é policial há oito meses, o que lhe impede de saber sobre as armações policiais. Mr. Blonde responde que não está interessado no que o policial faz, tampouco no que ele não sabe, e admite que deseja torurar Marvin por nenhuma outra razão senão o seu próprio prazer. Blonde liga o rádio e faz uma dança ameaçadora ao som de "Stuck in the Middle With You", do grupo Stealers Wheel, antes de cortar o rosto de Marvin com uma navalha, decepando sua orelha direita. Ele então provoca Marvin ao levantar a orelha decepada e dizer "Hey, o que está acontecendo?", perguntando ao policial se ele consegue ouvi-lo, rindo sarcasticamente. Blonde volta ao carro e pega um recipiente de combustível. Quando retorna, joga gasolina em Marvin, fazendo um pequeno rastro do combustível restante na frente do policial. Assim que está prestes a soltar o isqueiro sobre o rastro de gasolina, Mr. Orange dispara diversas vezes contra Blonde, matando-o, e salvando Marvin de morrer queimado, deixando-os sozinhos no depósito. Mr. Orange revela à Marvin que ele é um policial chamado Freddy Newandyke, e Marvin diz que está preocupado com isso, pelo fato de o ter conhecido alguns meses antes. Mr. Orange tranquiliza Marvin ao dizer que uma grande força policial está em posição a algumas quadras dali, esperando apenas pelo momento da chegada de Joe Cabot. Uma série de flashbacks mostra o envolvimento de Mr. Orange em operações policial para capturar Joe, além do desenvolvimento de sua amizade com Mr. White. A cena corta para Mr. Brown sendo assassinado com um tiro na cabeça enquanto tenta escapar com Orange e White; Mr. Orange sendo baleado no estômago pela motorista do carro que ele roubou junto do Mr. White; e Mr. Orange atirando e matando a mulher, após ela atirar nele. Os restantes do grupo do assalto retornam para o depósito e encontram Mr. Blonde morto. Mr. Orange diz que Mr. Blonde ia matar Marvin, ele, e o resto da gangue, assim que eles chegassem, para que pudesse ficar com os diamantes para si. Devido às ações durante o roubo, Mr. White e Mr. Pink acreditam em Mr. Orange. Todavia, Eddie, enfurecido, não acredita; ele saca sua arma e atira três vezes em Marvin. Eddie, então, conta à Orange que Blonde era um amigo muito próximo e pessoal seu, que sempre fora leal a ele e seu pai, mesmo quando esteve preso por quatro anos. Eddie raivosamente ordena que contem a verdade sobre o que aconteceu com Mr. Blonde, enquanto Orange se enrola para justificar suas ações. Joe chega e, após informar o grupo de que Mr. Blue fora morto, acusa Mr. Orange de ser um informante, forçando Mr. White a defender o seu amigo. Joe está prestes a executar Orange quando White reage sacando sua arma e apontando-a para Joe, ameaçando matá-lo caso ele atire; Eddie reage apontando sua arma para Mr. White, ordenando que ele a abaixe. Estabelece-se um impasse mexicano. Subitamente, Joe atira em Mr. Orange, ferindo-o novamente; em resposta, Mr. White atira em Joe, matando-o; e, em retaliação, "Cara Legal" Eddie" atira em Mr. White, ferindo-o; finalmente, Mr. White atira em Eddie, matando-o. Mr. Pink, que se escondera sob as escadas para escapar do tiroteio, pega os diamantes e foge do depósito. Logo, sirenes policiais e gritos são ouvidos do lado de fora, seguidos de diversos tiros e gritos indistintos de Mr. Pink, dizendo para não atirarem. Enquanto Mr. White pega Mr. Orange nos braços, Orange revela que ele é, de fato, um policial disfarçado. Isso acaba com Mr. White, que começa a soluçar de frustração, apontando sua arma para a cabeça de Mr. Orange. A polícia entra no depósito (com a câmera focando a face de Mr. White), ordenando que ele largue sua arma; o filme termina com o som de um tiro, nao dando a entender se white atirou em orange, ou se a policia atirou em white, ou se ambos aconteceram. (Fonte: Wikipedia)
O PRIMEIRO CRIME
Divulgamos a excelente matéria que o jornalista Demontier Tenório postou hoje no site Miséria sobre o transcurso dos cem anos do primeiro crime de pistolagem no município que foi pago com uma burra. Eis a sua íntegra.
“O Site Miséria lembra nesta segunda-feira, dia 9 de junho, a passagem de exatos 100 anos da ocorrência do primeiro crime de pistolagem registrado no município de Juazeiro do Norte. A vítima foi Paulo Maia Ferreira de Menezes, então com 35 anos, cuja vida custou cem mil réis e uma burra pagos por Nazário Landim ao pistoleiro apelidado por “Mané Chiquinha”. Ele nasceu em Crato, era primo de Padre Cícero e filho do ex-deputado estadual, Aristides Ferreira de Menezes e Ana Leopoldina Maia. Em setembro de 1979, Paulo Maia foi homenageado com o seu nome na avenida que nasce ao lado do Teatro Marquise Branca e segue na direção do Parque Antonio Vieira. Ele era ourives e comerciante tendo sido um dos entusiastas pela liberdade de Juazeiro a quem coube a primazia do grito de Independência na tarde do dia 7 de setembro de 1910. Segundo relatos históricos, Paulo Maia arregimentou amigos onde hoje é a Praça Padre Cícero e empunhou a bandeira brasileira após saírem pelas ruas. Ele era casado com a juazeirense Aurora Inácio de Figueiredo Maia, parente de José André de Figueiredo, um dos líderes políticos do vilarejo. O casal teve os filhos Odilon, Zezé, Almerinda, Doralice e Argemira, sendo esta a única viva. O responsável pela execução do crime mediante paga era um “cabra” oriundo do sertão pernambucano no caso “Mané Chiquinha” o qual foi assassinado numa caça determinada pelo estado aos perigosos matadores de aluguel da época. 
HISTÓRIA - O motivo para o primeiro crime de pistolagem em Juazeiro remanesce ao ano de 1856 em Crato e antecede, portanto, ao nascimento de Paulo Maia o que se desdobrou ao longo de sete décadas. Naquele ano, as eleições para vereadores e juiz de paz que ocorriam no interior da Igreja Matriz de Crato estavam “pegando fogo” e a polícia comandada por José Ferreira de Menezes foi acionada. Em meio ao conflito e troca de tiros tombou morto o Coronel José Gonçalves Landim. Anos depois, o filho de José Ferreira se tornava influente líder político do Cariri. Era Aristides Ferreira - pai de Paulo Maia – o qual sofreu um revés político em 1904 e ainda passou a ser perseguido pela Guarda Municipal de Crato sob o comando de Nazário Landim reascendendo discórdias entre as famílias em virtude da morte do seu avô José Gonçalves. Num encontro com o Coronel Aristides, o agrediu a socos e pontapés como se fora uma vingança. A resposta partiu do seu filho Paulo Maia que deu uma surra em Nazário. Quando conquistou liberdade da cadeia um ano após, Paulo Maia decidiu morar na Vila Juazeiro, onde cuidaria das terras do pai no Sítio Muquém passando a se inserir na vida político-social do vilarejo. Com a deflagração da Guerra de 1914, Floro Bartolomeu começou a atrair jagunços e um destes foi “Mané Chiquinha” que se tornou amigo do Major Nazário Landim. Ao saber da surra que este tinha levado de Paulo Maia e que o mesmo já estava solto, se ofereceu para matá-lo em troca de vantagens. Nazário consultou e obteve a concordância de Floro que não via com bons olhos o crescimento da popularidade de Paulo Maia. Na época em que foi morto, residia numa casa na chamada Rua do Brejo, em frente à Igreja Matriz, que foi demolida no final da década de 80 para a construção do Centro de Apoio ao Romeiro. Ele conversava com o seu vizinho, Doroteu Sobreira, que viu alguém escondido em meio à escuridão do matagal em frente, mas Paulo Maia não acreditou e continuou no bate-papo quando foi surpreendido por um tiro de carabina modelo 1908 bem certeiro no peito esquerdo. A família descobriu ter sido pistolagem e Nazário fugiu, provavelmente, para Antenor Navarro (PB), onde seu primo Quinco Vasques se refugiava de uma briga em Lavras da Mangabeira. Muito tempo depois, veio ao Crato apenas apanhar um trem e viajar quando Pedro Maia soube e foi lá. Ao encontrar com o mesmo na estação disse-lhe: “Eu sou o irmão de Paulo Maia. Levante-se para morrer e nunca mais você mata um irmão de um homem”. Depois, atirou e este tombou morto no bar da estação de Crato na presença de Odilon e Zezé, filhos de Paulo Maia, que o tio levou ao local. 
(Nas nossas ilustrações, o mandante do crime, delegado Nazário Furtado Landim, e o pistoleiro, Mané Chiquinha.)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Dr. Geraldo Barbosa: 90 anos

 BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
036: (06.06.2014) Boa Tarde para Você, Dr. Geraldo Menezes Barbosa
Há não muitos dias passados, disse aqui uma frase do cronista João Brígido dos Santos: “Hoje faço 90 anos. Se é feio dizê-lo, muito mais feio será negá-lo.” Mas, esta expressão é tão apropriada para o dia de hoje, que não me furto em repeti-la. Assim, saúdo você, Geraldo Menezes Barbosa, por seus 90 anos. A traduzir melhor isto que nos diz este seu conterrâneo do Crato, nada é feio em torno desta data. Particularmente a você que chega hoje a esta marca, dando prova soberba do quanto valeu a pena e, principalmente, do que não pode ser feio em dizê-lo, porquanto pleno de lembranças ao longo de toda esta caminhada, o meu abraço cordial de parabéns. Quero igualmente felicitar a dona Maria José Ratts que tanto lhe iluminou, acompanhou e protegeu nessa travessia. Não repare a franciscana pobreza do meu presentinho. E duas coisinhas eu gostaria de lhe dizer, Dr. Geraldo. A primeira, precisa ser um agradecimento porque você é destas pessoas que por seus predicados e trabalho construiu uma biografia invejável, ao longo do que foi possível viver, trabalhar arduamente constituir família, ter filhos e escrever livros. Vamos estar juntos, hoje, para abraçá-lo efusivamente, neste dia do seu nascimento. Por último, Dr. Geraldo, e a propósito de nascimento, eu lhe conto uma pequena história. Ao me dedicar a escrever uma abreviada resenha de nossa imprensa escrita, eu me deparei com a existência do jornal Correio de Juazeiro. Sua primeira edição veio para as ruas no dia 16 de janeiro de 1949. Foi o nosso vigésimo sétimo jornal, de uma lista que hoje tem mais de 600 títulos. Era um semanário independente e noticioso. Por mais de um ano, você, Geraldo Barbosa, o editou com as colaborações de Dr. Mário Malzone, Espedito Cornélio, Francisco Barbosa, Elvídio Landim, Odílio Figueiredo, Taumaturgo Nogueira, seu irmão João Barbosa, Aderson Borges de Carvalho, Othon Mendonça de Matos, J. de Figueiredo Filho, Coelho Alves, Vital Souza Freitas e outros. Era um tabloide bem cuidado graficamente, tinha ilustrações com xilogravuras de Damásio Paulo de Oliveira e era impresso na Tipografia São Francisco, de Zé Bernardo da Silva. Bem recentemente, um amigo me presenteou com uma cópia da edição 38 do Correio de Juazeiro, de 2 de outubro de 1949. Numa de suas páginas está estampada uma pequena matéria que diz o seguinte: No dia 26 de setembro passado o lar do casal Doralice e Luiz Casimiro foi enriquecido com o nascimento de um garoto que na pia batismal receberá o nome de Antonio Renato. Quando li isso, quase não aguentei de tanta emoção. Hoje, passados 64 anos destes seus 90 bem vividos, felizmente a vida vai me ensejar a oportunidade de, em lhe cumprimentando, também agradecer a você por tantas coisas, mas principalmente por aquela sua iniciativa de dizer pelo Correio de Juazeiro que eu estava chegando. E não era quase nada, senão a alegria mais recente da família de Doralice e Luiz Casimiro. Quanto a você, Geraldo Barbosa, você já era o grande cronista do Cariri. O cronista que ainda continua a nos dizer, diariamente, dos encantos que a vida lhe proporcionou. E no dia de hoje, nós fazemos votos para que isto ainda continue por muitos anos. Parabéns.
CORDEL RARO
Padre Cícero é um ciclo dentro das temáticas da Literatura de Cordel. Há incontáveis folhetos sobre o personagem, e particularmente sobre sua morte. Temos uma coleção muito vasta sobre o assunto. Mas, vez por outra nos surpreendemos com um novo título, especialmente de edição muito antiga. É o caso deste A Morte do Padre Cícero e seu último Pedido, de João Severiano de Lima. Já tinha procurado bastante por ele e não encontrava uma menção. Mas, recentemente o Tiago Portella Otto, meu genro, obteve uma primeira edição deste folheto. O que há, inicalmente, mais valioso na peça é a sua data: Joazeiro, 28.07.1934. Ou seja, o folheto foi impresso aqui mesmo, pouco depois da morte do padrinho. A impressão, provavelmente, se deu aqui também, embora não haja uma citação explicita. Em face da raridade, eis aí o folheto com todo o seu texto.





UM PAÍS DE LEITORES
Recebi de Joaquim Crispiniano Neto este excelente texto que ele elabora para justificar a tramitação de um projeto na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, com respeito ao incentivo à leitura. Esta é uma atitude extremamente bem vinda para a nossa juventude. Vejamos:
“Tendo em vista o grande esforço nacional em busca do objetivo da transformação do Brasil, em um país de leitores, conforme se pode depreender da Lei Federal Nº 10.753, de 30 de outubro de 2003 e do Plano Nacional do Livro e da Leitura, bem como da Lei N° 13.549, de 23.12.04 (D. O. DE 29.12.04) e do Plano Estadual do Livro e da Leitura, apresentamos este Projeto de Lei do Livro de Juazeiro do Norte, com a finalidade de estimular a educação e a cultura, com especificidade da Leitura e a Literatura em nosso município. Segundo a ANL - Associação Nacional de Livrarias, o Brasil possui 3.481 livrarias em operação. Destas, 49% estão instaladas nas capitais dos 27 estados e no Distrito Federal, e as 51% restantes nas demais cidades. O que significa dizer que temos apenas 1776 livrarias nas 5.547 cidades restantes do País. Uma cidade de porte médio como Juazeiro do Norte ainda é muito mal servida de livrarias, de bibliotecas e editoras. O Brasil tem uma média 1,8 livrarias para cada 100 mil habitantes, sendo que nas cidades do interior, a média é bem mais baixa, ressaltando-se que a maioria absoluta das cidades do interior não possuem nenhuma livraria. As bibliotecas públicas que oferecem o acesso ao livro gratuitamente existem na maioria das cidades, mas na maioria dos casos, são desestruturadas e não dispõem de programas de Leitura que incentivem a formação do hábito da Leitura. Os dados do IDEB - Índice para o Desenvolvimento da Educação Básica) de 2012, divulgados pelo MEC, mostram que as 192.676 escolas de educação básica no país atendem 50.545.050 alunos. Mas, apenas perto de 64 mil delas possuem bibliotecas. O que comprova que não chega a ter uma biblioteca para cada mil alunos. Isso se reflete, é claro, no déficit de leitura do brasileiro. O Instituto Pró-Livro realizou em 2011, um estudo no qual foram entrevistadas mais de 5 mil pessoas em 384 municípios. O levantamento revelou que a média de leitura do brasileiro é de quatro livros por ano e que a maioria destes livros lidos são didáticos e técnicos, sendo muito baixo o índice de livros literários que realmente servem para melhorar o nível cultural dos leitores. A mesma pesquisa constatou que somente cerca de 50% da população brasileira cultiva o hábito de leitura. Para fazer uma comparação com outros países, na França a média é de 12 livros por ano, na Espanha, 11, nos Estados Unidos, 10, na Argentina, seis, no Chile, cinco e na Colômbia, dois. Na Noruega, maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, as pessoas lêem cerca de 16 livros por ano. Não é um número tão alto comparado a outros países, mas impressiona o percentual da população que cultiva o hábito da leitura, que é de 96%. O incentivo dado ao estudante para ler deveria começar na escola, mas quase 70% delas sequer têm uma biblioteca. Com esta realidade, o que se pode esperar a não ser grande número de analfabetos funcionais? Dados do Indicador de Analfabetismo Funcional, divulgados em julho de 2012, dão conta que 20% dos brasileiros, de 15 a 49 anos, são analfabetos funcionais, ou seja, aquela pessoa que, apesar de conseguir ler as palavras, não consegue entender e, consequentemente, interpretar a mensagem de um texto de até 10 linhas com até três parágrafos. Juazeiro do Norte, em virtude da presença do Padre Cícero Romão Batista nas cenas da sua história tornou-se uma das cidades mais registradas em livros. São cerca de 700 títulos que abordam diretamente assuntos ligados diretamente à vida deste município de grande valor histórico. Em função de episódios de mais destaque, temos mais de cinco mil livros e milhares de folhetos de Literatura de Cordel que falam sobre o Juazeiro do Norte ou mais especificamente sobre a figura do Padre Cícero. Para cultivar o hábito da leitura nas crianças e nos jovens é preciso que a família e a escola façam sua parte. Quanto às escolas, responsabilidade do poder público, temos a ressaltar que esta Câmara Municipal deverá respaldar do ponto de vista legislativo, as condições do poder executivo desenvolver uma política de Livro e Leitura capaz de garantir às escolas a estruturação de bibliotecas escolares e da aquisição de livros para doação aos alunos, dando-lhes a condição de iniciarem desde cedo o embrião da biblioteca domiciliar em cada lar, para que estes alunos, tendo o livro ao alcance da mão possam adquirir o hábito da leitura e assim sendo, frequentarem as bibliotecas e as livrarias, movimentando assim a economia do livro, viabilizando em Juazeiro do Norte que empreendedores possam implantar mais livrarias e editoras na cidade.”