quarta-feira, 13 de maio de 2015

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BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
152: (11.05.2015) Boa Tarde para Você, Adalberto Soares da Silva
Há décadas eu me imponho com alguma regularidade retornar ao Centro de Cultura Mestre Noza, no antigo quartel da Polícia Militar em Juazeiro do Norte, na Rua São Luiz, para acompanhar-lhe, mesmo que superficialmente, o que vem sendo feito por sua sobrevivência. Como um grande espaço dedicado a arte e a cultura nesta região, Beto, quem o visita logo percebe que o Mestre Noza padece cronicamente da indiferença do poder público que parece ter lavado as mãos quando concedeu aquele lugar privilegiado para a ocupação pelos astistas e artesãos. É sempre assim que somos levados a entender, pois este apoio devido pela municipalidade em desenvolvimento destas ações por algo que nos é tão caro e tanto representa para os nossos brios de cidadania, vai se tornando gesto raro pelo reconhecimento destes valores culturais. Na semana passada eu voltei ali anonimamente e foi quando mais uma vez dali sai com as mãos cheias de alguma coisa que sempre encontro para o meu gosto sempre insatisfeito de consumidor da arte dos artesãos juazeirenses. Como sempre, não vi nada que me dissesse do que de novo se estava ali fazendo para garantir um melhor funcionamento da casa, sempre carente de atenções para com seu espaço, aquilo que poderá ensejar melhores cuidados pela sobrevivência de mais de uma dezena de artistas, dos mais de uma centena de associados. Em verdade, permita-me a consideração, Beto, o Mestre Noza até sofre muito por seu espaço limitado e em nada acrescido nestes anos de seu funcionamento, parecendo muito mal utilizado, com o pouco que tem sido feito por sua melhor funcionalidade. Mas, animei-me em saber que o Mestre Noza vai estar no foco um projeto do Ministério da Cultura que vem sendo desenvolvido, por meio da parceria das Universidades (Federal Fluminense,  Federal do Cariri, e Regional do Cariri), para promover a recuperação do espaço e dar maior visibilidade ao trabalho dos artesãos, além de possibilitar que novos artistas sejam formados. Conforme li em matéria na imprensa, o projeto inclui atenções no Cariri, com o Centro de Cultura Popular Mestre Noza, a gráfica da Lira Nordestina, o sítio histórico do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, além da construção de um portal na internet para divulgar a história e o trabalho dos mestres de cultura da região. E alegrei-me, Beto, particularmente em saber que este trabalho terá a coordenação local do meu querido amigo Francisco Renato Sousa Dantas que está realizando o trabalho preliminar junto com os pesquisadores e corpo técnico das universidades envolvidas, cujos objetivos deverão contemplar a revitalização dos espaços e a recuperação de milhares de peças que se espalham pelo pátio, a céu aberto. É surpreendente saber que o Mestre Noza abriga hoje um acervo de mais de 40 mil peças, infelizmente na maior parte mantida em precárias condições de conservação, a exigir um pronto e eficiente trabalho de restauração. O Centro de Cultura Popular Mestre Noza é um equipamento que representa com grande propriedade parte do nosso próprio orgulho e eu gostaria de dizer-lhe, Beto, que me alegra muito saber que pelo menos dezesseis ações serão ali implementadas com o objetivo de melhorar suas instalações com sala de exposição, oficinas para os artesãos, museu de arte popular e espaço para apresentações artísticas. Aliás, um museu naquele espaço é algo que podemos ver como uma grande necessidade para fomentar ainda mais o interesse pela arte dos grandes mestres do Cariri, especialmente na xilogravura, na escultura e na literatura de cordel. Mestre Noza foi extraordinário na sua arte e na atualidade continua sendo um grande exemplo para todos os artistas populares, entre este Cariri e o resto do mundo. Mas, é tempo de recuperar este elo perdido, para continuar homenageando este grande homem que existiu por aqui e cuja genialidade se fez reconhecida, mundialmente, por sua grande habilidade em cortar tacos de imburana com simples canivete, para transformá-los em obras admiráveis.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 11.05.2015)

DIÁRIO OFICIAL DO MUNICÍPIO (Ed. Nº 4.000)
O Diário Oficial do Município de Juazeiro do Norte é o veículo de comunicação da Prefeitura Municipal, pelo qual torna-se público todo e qualquer assunto acerca do âmbito municipal: leis, decretos, resoluções, instruções normativas, portarias e outros atos de interesse geral. Foi instituído em 19 de agosto de 1993, através da lei municipal 1.861/93. Contudo, somente iniciou a sua circulação em 13 de Outubro de 1998. Desde o seu primeiro número, passou a ser distribuído diariamente em todas as secretarias, órgãos municipais, Câmara Municipal e entre assinantes. A partir do Ano XI está disponível on-line no portal da Prefeitura (www.juazeiro.ce.gov.br). Ultimamente é remetido por e-mail e impresso apenas para assinantes; Dimensões (para a forma impressa): 21,0cm x 29,7cm; Periodicidade: diária (dias úteis);  O Diário Oficial do Município de Juazeiro do Norte tem sido publicado ao longo dos seguintes períodos administrativos dos respectivos prefeitos eleitos, constitucionalmente: Adm. José Mauro Castelo Branco Sampaio: I(1):13.10.1998 até III(549):31.12.2000; Adm. Carlos Alberto da Cruz: III(550):02.01.2001 até VII(1525):31.12.2004; Adm. Raimundo Antonio de Macedo: VII(1526):03.01.2005 até XI(2454):31.12.2008; Adm. Manoel Raimundo de Santana Neto: XI(2455):05.01.2009 até XV(3423):28.12.2012; e presentemente, Adm. Raimundo Antonio de Macedo:  XV(3424):02.01.2012 até XVII(4000):06.05.2015.


NOVAS RUAS
O Diário Oficial do Município divulgou as novas nomenclaturas de artérias com novas homenagens, de acordo com o ato abaixo: LEI Nº 4461, DE 05 DE MAIO DE 2015: Ficam denominadas as artérias públicas no bairro Salesianos, na forma abaixo: I – RUA COMERCIANTE JOÃO DANTAS SILVA, a artéria pública que tem início uma quadra antes da rua Monsenhor Lima, sentido NORTE/SUL, e término na quadra depois da rua projetada, que será denominada de Travessa Dona Helena, no Desmembramento Parque Antônio Vieira, no bairro Salesianos, na sede do Município de Juazeiro do Norte; II – TRAVESSA DONA HELENA, a artéria pública que tem início na rua Comerciante João Dantas Silva, e término nas terras não loteadas e a escola municipal, sentido OESTE/LESTE, no Desmembramento Parque Antônio Vieira, no bairro Salesianos, nesta cidade. AUTORIA: Vereador Danty Bezerra Silva; COAUTORIA: Vereadoras Maria de Fátima Ferreira Torres e Rita de Cássia Monteiro Gomes.

TAM, TAM, TAM...
A empresa TAM Linhas Aéreas, através do canal de vendas das Agências de Viagens, abriu a comercialização de passagens para vôos na direção de Juazeiro do Norte a partir do dia 13 de julho. A informação em tom de comemoração foi dada pelo Coordenador de Turismo do município, José Roberto Celestino, observando que a iniciativa se constitui na confirmação do início das operações desta empresa no Cariri. Para ele, vai incrementar o turismo na região e a movimentação de passageiros no aeroporto de Juazeiro. São vôos diários e diretos para Brasília e Recife, mas a TAM comercializa trechos com conexões, por exemplo, Juazeiro/São Paulo R$ 578,00 (ida e volta) ou Juazeiro/Fortaleza no valor de R$ 400,00. Segundo Roberto Celestino foi uma longa espera por essa empresa que se junta a GOL, Avianca e Azul as quais já operam no Aeroporto Orlando Bezerra. Mais recentemente, como disse, o prefeito Raimundo Macedo, dirigiu apelo neste sentido por meio de ofício enviado à Presidente da TAM, Cláudia Sender, no dia 24 de outubro. Na época, a GOL tinha anunciado que deixaria de operar na linha Juazeiro/Recife e o prefeito argumentou sobre a estreita ligação do Cariri com a capital pernambucana explicando que empresas industriais e comerciais, advogados, professores e estudantes universitários dependem desta ligação rápida, barata e pontual com Recife. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) autorizou o início das operações para a partir do dia 1º de julho, mas a TAM só começa a operar 12 dias após. Veja abaixo os horários que serão cumpridos nas rotas Brasilia-Juazeiro do Norte-Recife-Juazeiro do Norte-Brasilia.



quinta-feira, 7 de maio de 2015

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
151: (07.05.2015) Boa Tarde para Você, Francisco Gilmar Cavalcante de Carvalho
O carteiro passou aqui por casa há uns dias atrás e me deixou um pacote contendo o seu mais novo livro, denominado A Xilogravura de Juazeiro do Norte, obra que concorreu, e foi vitoriosa, na 26ª. Edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovida pelo IPHAN, ainda em 2014. Demorei um pouco a registrar isso a você, Gilmar de Carvalho, e até fazer menção pública deste meu agradecimento por tão generosa atenção, porque eu queria não só fazer a leitura, como a beleza deste trabalho impõe, como queria também sorver deliciosamente cada um dos numerosíssimos dados do longo inventário apresentado. Você nos diz logo na abertura do texto que esta obra fecha um ciclo de sua vida que se iniciou ainda em 1976, na sua primeira visita a Juazeiro, pelas mãos de Stênio Diniz, quando você conheceu a Lira Nordestina e onde se iniciou a sua longa e produtiva interação com a arte de Juazeiro do Norte. Seu texto é primoroso, um misto de confissão amorosa pela arte e seus mestres, pleno das relações pessoais e da precisão da pesquisa remissiva a dados muito remotos, profundamente enriquecidos com este testemunho pessoal que já vai para uns quarenta anos, que é a grandeza do seu conhecimento por esta nossa causa. Não sei mesmo, Gilmar, o que este Juazeiro lhe deve por esta projeção insistente que você sempre conferiu a partir do seu próprio aprendizado, tão continuada ao longo de sua vasta produção livresca e do pesquisador esmerado que formou várias gerações de quadros na comunicação e na arte e que fez tudo isto chegar a nós em numerosos livros que assaltam nossas estantes. Muito didático no que pretendeu, sua linguagem não se rebuscou ao caminhar das efemérides minuciosamente reunidas ao tom cronológico que tanto nos ajuda a compreender ainda mais o conjunto da obra que nos aponta para esta realidade que nos permite enxergar, de fato, “Engenho e arte marcados pela crença em um mundo melhor, que construimos desde sempre”. Adorei o seu livro Gilmar, a partir do que você considera o marco zero, na existência desde as primeiras edições de O Rebate, a começar em 18.07.1909, e que já trazia as primeiras xilogravuras de Juazeiro, já em associação com as primeiras edições de literatura de cordel em folhetim. Dos gravadores, não resta nenhuma dúvida que isto, a instalação da gráfica do primeiro jornal já era o sinal de que nem demoraria muito íamos vendo esta construção da cena típica de grandes mestres onde pontificariam os pioneiros Mestre Noza, João Pereira, Manoel Lopes, Antonio Vicente, Manoel Santino, José Domingos, Damásio Paulo, Antonio Batista e Walderedo Gonçalves. No roteiro, louvores maiores sejam sempre proferidos a José Bernardo da Silva que já estava entre nós no início dos anos 20, usando outras gráficas, mas que definitivamente teria a sua em 1949, comprando acervo de João Martins de Athayde. Indiscutivelmente é necessário lembrar a sensibilidade de Antônio Martins Filho, o primeiro reitor no Ceará, esse cratense ilustrado que criou o Museu de Arte da Universidade e que atribuiu responsabilidades a Lívio Xavier, Floriano Teixeira e Sérvulo Esmeraldo para inserir a arte de Juazeiro no grande acervo do MAUC. Também quero mencionar preciosidades de sua coletânea mesmo nas simples menções de pequenos e desconhecidíssimos jornais desta cidade, como O Lápis (1910), O Estímulo (1912), O Almofadinha (1927), O Juaseiro do Cariry (1928) e O Juaseiro (1932). Enfim, me emocionei por suas lembranças afetivas, na casa do Pe. Murilo, os cafés nas tardes de sábado, a conversa solta regada à simplicidade da mesa posta por Alzirinha e dona Olindina, parta disso ir lhe ouvindo sobre estas incursões que desembocaram em todas estas revelações.  Pelo resto de nossas vidas, e isto não tem preço, aquelas cenas se repetirão como relicário pessoal de todos estes momentos vividos, agregando lembranças intermináveis, percorrendo a memória de gente querida, visitas de fins de tardes, conversas que não pareciam ter fim. Deus permita, Gilmar, que ao fecho de tudo isto, eu e os seus amigos, juazeirenses como você, de tão honorário, queremos ainda ter a oportunidade de aqui continuar recebendo você e suas missões, como a que se anuncia para 21 de agosto, com o lançamento do novo livro sobre Mestre Noza. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 07.05.2015)

CORDEL JUAZEIRENSE: Hamurabi Bezerra Batista 
Há muitos anos atrás eu iniciei um levantamento sobre o cordel juazeirense, cujo objetivo era, simplesmente, fazer o inventário da produção de folhetos de cordel nesta cidade, por autores locais, ou aqui residentes, e editados em gráficas locais. Comecei relacionando o poeta Abraão Bezerra Batista. Por motivos vários, deixei esta questão de lado, embora tenha me mantido sempre com aquisições, leitura e a coleção bem ativa. Hoje retorno com Hamurabi Bezerra Batista, filho de Abraão, cuja produção já vai se avolumando em muitos títulos e edições. Hamurabi Bezerra Batista nasceu em Juazeiro do Norte em 21 de março de 1971 e com seu pai aprendeu sobre a Literatura de Cordel e Xilogravura. Começou a escrever e publicar em 1991 abordando temas políticos. Em 1995 passou a se identificar mais com os temas folclóricos. Hoje possui várias dezenas de folhetos escritos, abordando principalmente o anedotário popular, a pesquisa histórica e cordéis de encomenda onde o cliente escolhe o assunto e paga para o poeta escrever. Controvertido e provocador, penetra o sacro e o profano usando a medida da arte e se permite ousar, fluir. 
Abaixo uma relação incompleta da sua produção.
01.A História da Beata Maria de Araújo e o Milagre de Juazeiro. 1ª. Ed., Juazeiro do Norte: 09.05.2013, 32p.
02.A História da Beata Maria de Araújo e o Milagre de Juazeiro. 2ª. Ed., Juazeiro do Norte: Projeto SESC Cordel, 20.03.2014, 32p.
03.A História da Guerra de 1914. Juazeiro do Norte: Projeto SESC Cordel, sem data, 32p.
04.A História da Pedra do Reino. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
05.A História de Bakunin. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 24p.
06.A História de Carlos Marighella. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 12p.
07.A História de Che Guevara. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 16p.
08.A História de Dragão do Mar e a Abolição no Ceará. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
09.A História de Getúlio Vargas. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 32p.
10.A História de Lamarca (No tempo da Ditadura). Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 16p.
11.A História de Luiz Gonzaga. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
12.A História de Paulo Freire. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
13.A História de Rubens Paiva. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
14.A História de Tiradentes. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
15.A História do Anarquismo. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 20p.
16.A História do Cangaço. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 16p.
17.A História do Capitalismo. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
18.A História do Ceará (Volume 1). Juazeiro do Norte: Projeto SESC Cordel, 09.11.2014, 32p.
19.A História do Comunismo. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 24p.
20.A História do Conflito Israel x Palestina. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 24p.
21.A História do Cordel e da Xilogravura. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
22.A História do Islamismo. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 12p.
23.A História do Rio São Francisco e o Fenômeno das Carrancas. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 12p.
24.A Loira do Banheiro. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
25.A Oração do Fechamento de Corpo que Padre Cícero deu a Lampião. 1ª. Ed., Juazeiro do Norte: Edição Projeto Cordel Vivo, sem data, 8p.
26.A Oração do Fechamento de Corpo que Padre Cícero deu a Lampião. 1ª. Ed., Juazeiro do Norte: Edição Projeto Cordel Vivo, sem data, 8p.
27.A Oração do Fechamento de Corpo que Padre Cícero deu a Lampião. 1ª. Ed., Juazeiro do Norte: Edição Projeto Cordel Vivo, sem data, 8p.
28.A Oração do Fechamento de Corpo que Padre Cícero deu a Lampião. 1ª. Ed., Juazeiro do Norte: Edição Projeto Cordel Vivo, sem data, 8p.
29.A Oração do Fechamento de Corpo que Padre Cícero deu a Lampião. 1ª. Ed., Juazeiro do Norte: Edição Projeto Cordel Vivo, Agosto, 2012, 8p.
30.A Papisa. A Mulher que virou Papa. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
31.A Peleja de Cão Danado e Capitão Gato Preto. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 12p.
32.A Primeira Guerra Mundial. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 16p.
33.A Real História de Drácula. Príncipe Vlad III, o Empalador. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 12p.
34.A Segunda Guerra Mundial. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 32p.
35.A Sogra. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
36.ABC do Chifre. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
37.Antonio Conselheiro e o Massacre de Canudos. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
38.As Façanhas de Sebasto. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 20p.
39.As Histórias de Bondim. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
40.As Mentiras de Benésio. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 16p.
41.As Piadas de Seu Boga. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 16p.
42.Assombrações do Recife – A Casa da Esquina do Beco do Marisco. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
43.Assombrações do Recife – Cabra Cabriola. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
44.Assombrações do Recife – O Sobrado da Estrela. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
45.Briga de dois Matutos numa Feira de Sulanca. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 16p.
46.Espiritismo na Bíblia. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
47.Galinha Caipira. Receitas: Galinhada e Galinha Atolada. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
48.Jesus Espírita. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 14p.
49.Massacre dos Índios na Ditadura Militar. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
50.Medo de Dentista. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
51.O Assassinato do Ex-presidente Juscelino Kubitscheck. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 14p.
52.O Cordel de Palavrão. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
53.O Cordel do Peido. 1ª. Ed. Juazeiro do Norte: Edição Projeto Cordel Vivo, 12.2011, 8p.
54.O Corno Abelha. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
55.O Extermínio dos Índios no Brasil. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
56.O Fantasma de Seu Noel do Horto- O homem que matou a mulher com 60 facadas e depois morreu. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
57.O Homem que Levou Chifre e se Casou com o Ricardão. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
58.O Massacre dos Sem Terra. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 12p.
59.Os Tipos de Peido. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
60.Padre Cícero. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
61.Politicagem. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
62.Reforma Agrária. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
63.Romance de Tõe Fulô e Rubra Rosa. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 18p.
64.Sonho para Jogar no Bicho. uazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
65.Tem político no Brasil que só peida e choca os ovos. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
66.Tipos de Corno. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
67.Tortura e Assassinato de Stuart Angel (No tempo da Ditadura). Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
68.Zumbi dos Palmares. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
69.Zumbi dos Palmares. Juazeiro do Norte: Editora Cordel Expresso, sem data, 8p.
70.Libertação pela Arte (com o pseudônimo de Mura Batista). Juazeiro do Norte: Ed. Cordel Engajado, sem data, 8p.



CIDADANIA JUAZEIRENSE 
Novos filhos adotivos desta cidade foram proclamados pelos respectivos atos formais tramitados na Câmara Municipal. Vejamos as Resoluções:
RESOLUÇÃO N.º 753 DE 28 DE ABRIL DE 2015, pela qual fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor ROSEMBERG PEREIRA DE FREITAS, pelos inestimáveis serviços prestados à comunidade. Autoria: Auricélia Bezerra; Coautoria: Danty Bezerra Silva, Normando Sóracles Gonçalves Damascena e Rita de Cássia Monteiro Gomes; Subscrição: Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, Cícero Claudionor Lima Mota, Rubens Darlan de Morais Lobo, José Tarso Magno Teixeira da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, José Adauto Araújo Ramos, Francisco Alberto da Costa, Paulo José de Macêdo, Maria Calisto de Brito Pequeno.
RESOLUÇÃO N.º 754 DE 28 DE ABRIL DE 2015, pela qual fica concedido, nos termos do artigo 198 e seguintes da Resolução n.º 297/2001 (Regimento Interno), o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor VANDERLÚCIO LOPES PEREIRA (Vandinho Pereira).  Autoria: João Alberto Morais Borges; Coautoria:, Normando Sóracles Gonçalves Damascena, José Tarso
Magno Teixeira da Silva, Firmino Neto Calú, José Ivan Beijamim de Moura, Cláudio Sergei Luz e Silva; Subscrição: Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, Danty Bezerra Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, José Adauto Araújo Ramos, Glêdson Lima Bezerra, Antônio Vieira Neto, Paulo José de Macêdo, Maria Calisto de Brito Pequeno, Maria de Fátima Ferreira Torres e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
RESOLUÇÃO N.º 755 DE 28 DE ABRIL DE 2015, pela qual fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor PAULO HERMANN FERNANDES MACÊDO, pelos inestimáveis serviços prestados à comunidade. Autoria: Antônio Vieira Neto; Coautoria: Normando Sóracles Gonçalves Damascena, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Firmino Neto Calú; Subscrição: Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, José Nivaldo Cabral de Moura, José Adauto Araújo Ramos, Glêdson Lima Bezerra, José Ivan Beijamim de Moura, Danty Bezerra Silva, João Alberto Morais Borges, Paulo José de Macêdo, Rubens Darlan de Morais Lobo, Maria Calisto de Brito Pequeno e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
RESOLUÇÃO N.º 756 DE 28 DE ABRIL DE 2015, pela qual fica concedido Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Senhora MARIA ROMANA DA CRUZ HOMEM, pelos relevantes serviços prestados à nossa comunidade. Autoria: Rita de Cássia Monteiro Gomes; Coautoria: Cláudio Sergei Luz e Silva; Subscrição: Firmino Neto Calú, Normando Sóracles Gonçalves Damascena, Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, José Nivaldo Cabral de Moura, Danty Bezerra Silva, Paulo José de Macêdo, José Ivan Beijamim de Moura, João Alberto Morais Borges, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Glêdson Lima Bezerra, José Adauto Araújo Ramos, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, Maria Calisto de Brito Pequeno, Maria de Fátima Ferreira Torres e Rita de Cássia Monteiro Gomes.

REVISTA GOURMET 
De olho nas edições de novos periódicos da imprensa juazeirense, damos conta da circulação da Revista Gourmet: Guia de gastronomia para a Região do Cariri, organizado por cozinha e por atividade. Data: 04.2015; Expediente: Realização – BR2 Comunicação & Marketing; Diretor de Marketing – Uca Barreiro; Diretor Comercial – Júnior Telles; Atendimento –Katia Lopes; Financeiro – Noeme Cardoso; Diagramação e Editoração – Tony Salgueiro; Impressão – Gráfica Rotativa; Distribuição – TK Distribuidora; Tiragem – 25.000 exemplares (distribuição direta em residência de consumidores nas áreas Lagoa Seca, Salesianos, Novo Juazeiro, Tiradentes, Aeroporto, Centro, Triângulo, Crato, Grangeiro, Centro, Pimenta, Barbalha, Centro; Periodicidade: Trimestral; Auditoria de Circulação: Editora: Derineide Barboza Advocacia & Consultoria; Rua Arnóbio Barcelar Caneca, 696, sala 103, Lagoa Seca; Dimensões: 13,5cm x 22,5cm; Circulando no seu número 001, a previsão é que ainda nesta anos saiam mais duas edições, em julho e em outubro. Indexação do exemplar: I (001): 04.2015, 36p.IA


segunda-feira, 4 de maio de 2015

 BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
149: (01.05.2015) Boa Tarde para Você, José Vasques Landim
Nos últimos dias eu tenho lido na página do Dr. Vasques Landim, no Facebook, expressões contundentes que nos dizem da sua revolta diante dos manifestos casuísmos do judiciário, tendo a frente a Suprema Corte, e que estranhamente, contribuem para perpetuar a corrupção em nosso pais.
Refere-se ele a esta interminável farra de decisões aparentemente bem concebidas e juridicamente bem suportadas que nos colocam perplexos diante destas decisões que nos mostram que em nosso pobre país a cadeia não foi feita para ricos e quanto mais dinheiro envolvido mais facilmente se põe essa raça desgraçada de contraventores em liberdade. Quem consultar seus textos, vai encontrar ali expressões fortes que indicam que os homens de bem desta nação estão chegando no limite de suas tolerâncias para não continuar passivamente assistindo a este desfile interminável de como partidos políticos continuam a sua ginástica irresponsável para se manter no poder. Essas agremiações, em associações com o banditismo, praticando uma roubalheira desenfreada e insaciável, terminaram por implantar o terror que tanto pareciam combater, montando uma poderosa máquina que tem destruído as bases sólidas das nossas maiores riquezas institucionais. Não há como não aplaudi-lo, deputado, quando nos diz que o país vive o seu pior momento nesses últimos 50 anos, diante do quadro negro da corrupção, da crise econômica, e da crise ética, onde instituições são desmoralizadas, e o Parlamento continua dirigido por indiciados em crimes, ao lado de um Executivo sob suspeita. Gostaria de dizer-lhe, deputado Vasques Landim, como somos solidários a esta sua angústia, e o quanto lamentamos ainda que sejamos este povo passivo, de sangue mais frio, absolutamente esperançoso e tolerante que acredita na ações isoladas de algumas e surpreendentes revelações de homens públicos para nos dizer que nem tudo está perdido. Recorro a uma destas suas palavras, Dr. Vasques, para reafirmar o que mencionei aqui noutro dia, e para fazer coro ao clamor de tantos quantos são os que reconhecem a crise ética e moral que se abate sobre nossos quadros políticos e na magistratura, desanimando o cidadão comum, eleitor e contribuinte, a quem cabe o custo maior de todos estes estragos que vivenciamos. Tem sido doloroso demais para todos nós, diante destas parcas prerrogativas que nos restam, interromper trabalho, sonhos e ambições, para aderir de fato a toda a sorte de manifestações que nos cabem para tentar dizer de modo definitivo o quanto estamos de saco cheio e que a nossa hora chegou para exemplar aquilo que nos impuseram como roubo e manobras desonestas. Agora, este clima de terror posto no caso da Petrobrás, como ponta de um enorme iceberg, e dizem alguns dos melhores observadores que ainda podemos ler e ouvir, militantes encontrados no que estas quadrilhas denominam de imprensa golpista, nos preparam para a derradeira pá de cal que se poderá sentir nas revelações no novo e tenebroso caso envolvendo o BNDES. Será que vamos ser capazes de resistir a tudo isto, Dr. Vasques? O que será sentir em nossas almas despedaçadas a anunciação das cifras do roubo continuado que ascende a escalada tétrica dos bilhões desta pobre moeda, a lista longa de criminosos, em cada caso como se fosse a fichinha do caso subsequente? Nesta quase orfandade como nos reconhecemos, completamente desprotegidos deste conforto que o pais reclama para continuar sendo o sonho que alimentamos para nossos filhos e netos, triste Dr. Vasques é reconhecer que chegaremos logo mais ao novo embate político para renovar os mandatários desta aldeia, sem nenhum horizonte que nos anime. Verdade é que quando as decepções locais se acentuam, porque tudo parece velha e podre farinha do mesmo saco, este nosso desânimo parece alimentar mais ainda a sanha indomável desta bandidagem que nos cerca para nos fazer presa fácil e reféns incautos de seus golpes. Ah, se isso fosse, Dr. Vasques, pelo menos o começo do fim anunciado para nos trazer de volta um sentimento mais leve de que ainda será possível acreditar em nossa representação política para que ela saiba e creia o quanto tão pouco estamos pedindo por nossa felicidade. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 01.05.2015)

BOA TARDE (II)
150: (04.05.2015) Boa Tarde para Você, Maria Ana Silva Barbosa 
Que imensa alegria para mim, no dia de hoje, nesse início de tarde ao cumprimenta-la, Zuzinha, neste exato dia que em que você celebra os seus oitenta anos de vida, protegida por todo este afeto de seus filhos, com os cuidados à distância dos sobrinhos que daqui se foram e do carinho da mana Maria Arruda. Quando lhe conheci, e isso já vai para uns cinquenta e dois anos, éramos vizinhos de poucos dias na Rua Santa Luzia, naquele quarteirão ainda tão tranquilo embora já fosse área de comércio buliçoso do centro e se contavam umas poucas famílias ali residentes como os seus, de Vicência e José Bernardo da Silva, os de Giuseppe Rota, os de Terezinha e Vicente Farias, os de Maria e José Catão, e os de Sebastiana Monteiro. Guardo gratas recordações da convivência fraterna com esta gente tão simples, tão amável, sempre tão disponível, que ainda tinha tempo para se reunir nas calçadas para falar dos seus lindos e dos seus graves momentos, para conversas bem estiradas em noites mais tranquilas e para se frequentar em datas festivas, especialmente nos momentos das orações na renovação do santo. Foi destes momentos desavexados que aprendi a admirá-los, sempre me deixando à vontade para ir participando desta intimidade que me levava a frequentar quase diariamente os ambientes da Folheteria Silva e a velha Tipografia São Francisco, conjunto que mereceu o batismo eterno de Patativa do Assaré, denominando-o de Lira Nordestina.
Foi a partir dali, pelo trabalho magnífico de seu pai, o poeta José Bernardo da Silva, e igualmente todo o apoio da família que se envolvia na produção, cada um dedicado, como o Lino que até fez xilogravuras, e que foi sucedido magistralmente pelo sobrinho Stênio Diniz, como a Maria de Jesus que era uma comerciante fina, de tradição bem herdada, e os demais, desde os pequenos que ajudavam a dobrar, encadernar e finalizar os folhetos. Muitos anos atrás, Zuzinha, quando vocês, os filhos de Zé Bernardo entenderam que era hora de passar adiante a Lira Nordestina, sua irmã, Maria de Jesus, me chamou e me disse que eu era o preferente para assumir a editora e seu acervo, comprando-a por preço facilitado e tão generoso. Mas, eu me acovardei, e me refugiei em tantas desculpas para hoje lhes dizer o quanto me arrependi, me reservando nestes anos para a defesa intransigente de um melhor futuro para a velha gráfica e seu acervo, protegendo os artistas que em torno dela continuam gravitando, e vez por outra recitando impropérios pela imprensa, dirigidos a prefeitos, gestores e reitores que não tem honrado este legado cultural de tantos méritos. Foi também dali que vimos sair tantos livros e tantos jornais desta cidade, principalmente como o Folha de Juazeiro, a mais longeva página da imprensa centenária desta cidade, o sexagésimo primeiro dos nossos periódicos, nascido em 17 de agosto de 1969, denominado “Órgão Independente a serviço da Região” e que ainda hoje existe em suas mãos e do Bernardo Neto. Este que é um dos mais duradouros jornais de Juazeiro do Norte, fundado por Francisco de Assis Sobreira Quintino, por seu marido, a inesquecível criatura de Jackson Pires Barbosa, por Abraão Bezerra Batista, resiste heroicamente, como herança desta tradição e parte do entusiasmo de vida de Jackson Barbosa. Queria também lembrar, agora que trato de homenageá-la nesta data, por sua missão de educadora, professorinha que se dedicou ao ensino fundamental de adolescentes desta cidade, junto ao velho e querido Grupo Escolar Padre Cícero, como me lembrava noutro dia, com tanto carinho, a nossa Cila Braz, que foi sua aluna, tantos anos passados e que não esqueceu a Zuzinha de Zé Bernardo. Passados estes anos, estou de volta, Zuzinha, trabalhando e transitando por esta cidade amada, reencontrando vocês alimentados e fortalecidos por todas as esperanças saídas daquele recanto amoroso de dona Vicência e de seu Zé Bernardo para continuar vivendo hoje a felicidade possível.
Desejo a você, Zuzinha, anos mais longos e muitos mais saudáveis para conservá-la na vivência querida de sua família, na estima tão grande de seus amigos, e na nossa reverência respeitosa, para exalta-la em tudo aquilo que vem sendo a sua existência de tantos e dignos exemplos. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 04.05.2015)

A XILOGRAVURA DE JUAZEIRO DO NORTE
Este é o mais novo livro do professor Gilmar de Carvalho, fruto de uma longa pesquisa que o autor realizou sobre a xilogravura de Juazeiro do Norte em quase quarenta anos de estudos. Em belíssima edição patrocinada, aliás, antes mesmo, premiada pelo IPHAN, o livro em suas 392 páginas contem extenso inventário e análises sobre o trabalho artístico dos gravadores, especialmente a partir do aparecimento da primeira gráfica de Juazeiro, que editada o jornal O Rebate. O autor revela que este último trabalho é o grande fecho de todo quanto realizou em prospecção à arte de dezenas de mestres da xilogravura juazeirense. Estamos todos de parabéns por este maravilhoso trabalho e cumprimentamos o prof. Gilmar de Carvalho por tanta dedicação em todos estes anos, sempre promovendo a divulgação dos nossos artistas.

INTERVENÇÃO NA SAÚDE
A decisão de uma auditoria excepcional na Secretaria de Saúde do município de Juazeiro do Norte está sendo objeto de questionamento através de periódico jurídico nacional. Assim, reproduzimos abaixo dois destes posicionamentos.

A (IR)RESPONSABILIDADE CONSTITUCIONAL QUE (NÃO) CONHECE LIMITES NO JUDICIÁRIO.(27.04.2015)
Por Lenio Luiz Streck e Martonio Mont'Alverne Barreto Lima
Recentemente tomamos conhecimento de algumas decisões de magistrados da justiça federal a chamarem nossa atenção por distintas razões. E opostas! A primeira delas vem da 2ª Vara Federal de Divinópolis, em Minas Gerais [clique aqui para ler]. Num feito a requerer determinado medicamento, o juiz Fabiano Verli, em 4 de fevereiro de 2015, não poderia ser mais objetivo (e mais feliz!): “Analisarei o caso com muita parcimônia, pois sou do Poder Judiciário e não faço política pública. Isto é do Poder Executivo e do Legislador”. Bingo! A antecipação de tutela não foi concedida num primeiro momento. A decisão em sua brevidade possui toda a consistência do respeito à Constituição e à vontade do povo que deverá arcar com as consequências de suas escolhas políticas, devendo atentar que o exercício do poder político conferido democraticamente pelas urnas é uma atribuição cotidiana de civismo a ser realizada pelo povo que elege seus representantes. Ao Poder Judiciário as atribuições, numa democracia, são outras e estão todas na Constituição da República. Entre tais atribuições não se encontra a de formulador de política pública. Não se pode infelizmente dizer o mesmo de decisão de 7 de abril de 2015 da Vara Federal de Juazeiro do Norte, no Ceará, de autoria do juiz Leonardo Augusto Nunes Coutinho [clique aqui para ler]. Em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal o magistrado decidiu pelo afastamento do Secretário Municipal de Saúde de Juazeiro do Norte, determinando “auditoria excepcional” para a Pasta, a cargo de docente, com vasto currículo de atuação docente em saúde pública. O juiz Leonardo Coutinho descreve o que seria verdadeiro descalabro na prestação do serviço de saúde pública daquele município, com suspeitas de corrupção, licitações dirigidas, e má prestação dos serviços de saúde. Noutro artigo, escrevemos sobre a falta que Paulo Brossard faz no Supremo Tribunal federal (clique aqui para ler). Agora, após sua morte, lamentamos novamente a falta que a leitura da obra de Brossard faz. Em seus votos sobre impeachment, dizia o jurista gaúcho — metaforicamente — que o presidente da República poderia vender a Nação, transformar a Presidência numa feira de negócio, trair os ideais do povo. Contra isso, nada poderia o Judiciário fazer. A atribuição é da política democrática. Não se está diante de um problema de juízes; porém de um desafio da democracia que se constrói todos os dias.
A atitude ativista (behaviorista) do juiz Leonardo Coutinho salta aos olhos. Atribuindo-se a tarefa de administrar um Ente da Federação, afasta ele o titular da Secretaria da Saúde, e sem o menor pudor, nomeia outro titular. Parece convicto de que fez o bem, de que só ele será capaz de realizar aos ignorantes munícipes — incapazes de escolhas políticas adequadas para a gerência de sua vita civita — a boa administração. Ou pelo menos está certo o juiz de que o virtuoso modelo federativo sairá de sua mente! O que fundamenta nossa divergência com tão profundos desrespeitos à Constituição e às leis praticados pelo juiz Leonardo Coutinho? Simples: o que ele mesmo diz, porém em sentido contrário: a inobservância, da parte da sentença do juiz, dos artigos 35 e 36 da Constituição. O artigo 35 não deixa qualquer dúvida: a União não pode intervir em município, a não ser que o município esteja em Território Federal, o que, claro, não é o caso.  Como pode uma autoridade de um dos Poderes da União Federal (o Judiciário Federal) nomear alguém para o exercício do cargo de secretário municipal de Saúde? Como não qualificar tal ato em esdrúxula intervenção federal em município? A tautologia da decisão é reveladora não somente do descompromisso do juiz Leonardo Coutinho com a Constituição: para ele, sua decisão não se caracteriza como intervenção em Município devido ao fato de se dar a mesma decisão no âmbito de uma ação civil pública. Em outras palavras: não é intervenção federal porque não é intervenção federal, e estamos resolvidos! Não surpreende que o juiz sequer tenha enfrentado o obstáculo ao seu entendimento baseado na qualidade do pacto federativo ou da separação de poderes que temos. Quer o juiz, ou qualquer de nós, goste ou não, a Federação brasileira será aquela que está na Constituição. Não cabe discussão sobre isso pelo prosaico aspecto de que nossos constituintes assim decidiram e vincularam todos os Poderes do Estado ao que está na Constituição, com a afirmativa: é daqui pra frente; não daqui para trás. Ou seja, a União jamais intervirá em município; o Estado deverá fazê-lo e tal processo está sujeito às exigências do artigo 36 da mesma Constituição. Simples assim. Neste processo não consta a competência da justiça federal para substituição de autoridade municipal decorrente de pedido judicial. Não concorda? Dirija-se à disputa democrática da política e convença-se o povo de que, noutra Constituição, o Juiz poderá desfazer o pacto federativo, poderá implementar política pública, poderá fazer o que lhe convier. Não com esta ordem constitucional; com outra. Se se detivesse alguns cuidadosos instantes nestes pontos, encontraria o juiz enormes dificuldades em sustentar sua tese de que ele pode ordenar a assunção do cargo de secretário municipal de Saúde. Por outro lado, se o juiz Fabiano Verli compreendeu perfeitamente a dimensão do significado da separação de poderes num sistema presidencialista, o juiz federal de Juazeiro do Norte sequer se deu ao trabalho de explicar as razões em seu entendimento que autorizariam o Poder Judiciário a executar política de saúde municipal. Não há uma linha sobre este assunto em sua decisão! Na condição de cláusulas pétreas de Nossa Constituição, o sério enfrentamento teórico sobre a natureza e os limites do pacto federativo e da separação de poderes, pela decisão judicial, não somente deveriam estar presente: seriam o fundamento da decisão a enfrentar tão importantes assuntos. Criticar a decisão enviesada aqui tratada não significa ignorar a gravidade do caso concreto ou deixá-lo sem solução, com o sofrimento da população de Juazeiro do Norte. É o próprio juiz Leonardo Coutinho quem aponta um sem número de inquéritos civis, além de outro inquérito criminal e de ação judicial para fazer funcionar hospital. O papel do magistrado é neste âmbito, qual seja: punir abusos e irregularidades, condenar criminosos, comunicar autoridades gestoras do Sistema Único de Saúde da existência de fatos comprovados e aplicar a lei. Mais longe não pode ele ir. Diante de um verdadeiro caos no sistema municipal de saúde,  o Poder Judiciário — estadual ou federal — poderia impor determinações cautelares, que se acham à disposição do processo civil para serem utilizadas e julgarem os feitos com prioridade. Em boa tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Carlos Marden Cabral Coutinho estudou o tempo kairológico sob o ponto de vista da duração dos processos judiciais. O trabalho acaba de ser publicado e recomendamos a leitura. O estudo calha para o caso que comentamos. Alguns processos necessitam de maturidade para serem decididos e seu tempo pode não corresponder ao que desejam suas partes, sendo importante a certeza da decisão. Noutros, as circunstâncias concretas, o Direito, a teoria etc. autorizam soluções mais rápidas e necessárias. Não falta arcabouço legal ou teórico que pudesse favorecer a ação do juiz federal de Juazeiro do Norte para agir no limite de sua constitucional competência. O que lhe faltou foi obedecer a Constituição e as leis. Parece-nos razoável imaginar que o município de Juazeiro do Norte, na defesa de suas prerrogativas, ajuizará remédios processuais para o restabelecimento da ordem constitucional.  E parece-nos mais acertado que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região reveja esta decisão. Esperamos que o caso não pare por aqui. Ainda, numa palavra: O Conselho Nacional de Justiça, diante de tão grave ameaça à Constituição Federal e às leis, merece ser provocado e mostrar para toda a magistratura os limites de atuação dos juízes, que é o limite da Constituição da República.
(Lenio Luiz Streck é jurista, professor, doutor e pós-Doutor em Direito. Martonio Mont'Alverne Barreto Lima é professor titular da Universidade de Fortaleza, Unifor), doutor em Direito pela Universidade de Frankfurt.)

JUIZ QUE FOI CRITICADO EM ARTIGO PUBLICADO NA CONJUR AGIU CERTO. (30.04.2015)
Por Antonio César Bochenek
A Associação dos Juízes Federais do Brasil — Ajufe — vem a público se manifestar e prestar esclarecimentos sobre o artigo intitulado "A (ir)responsabilidade constitucional que (não) conhece limites no Judiciário", assinado pelos professores Lenio Luiz Streck e Martonio Mont'Alverne Barreto Lima, publicado pela ConJur em 27 de abril de 2015, em que dirigem duras críticas à decisão proferida pelo juiz Federal Leonardo Augusto Nunes Coutinho, da Subseção Judiciária de Juazeiro do Norte, na ação 00117-31.2015.4.05.8102, em trâmite na 16ª Vara Federal do Ceará.
O cerne da crítica consistiria em ter o juiz determinado o afastamento do secretário municipal de Saúde de Juazeiro do Norte e nomeado um outro titular de sua livre escolha. Na visão dos articulistas, tal medida, produzida "sem o menor pudor", configuraria uma "exdrúxula intervenção federal" e violaria os princípios federativo e da separação de poderes, a demonstrar o "descompromisso do juiz Leonardo Coutinho com a Constituição". Ao final, sugerem que o Conselho Nacional de Justiça, órgão de supervisão administrativa do Poder Judiciário, seja provocado para "mostrar para toda a magistratura os limites de atuação dos juízes". A leitura da decisão, cujo inteiro teor pode ser acessado em "link" disponibilizado no corpo do artigo, revela uma realidade bem diferente: em nenhum momento o juiz determinou o afastamento do secretário municipal e, por óbvio, tampouco indicou outro titular em substituição. As ácidas palavras dos articulistas partem, portanto, de uma premissa totalmente falsa. Ao deferir apenas em parte os pedidos formulados pelo Ministério Público Federal, a decisão foi clara ao determinar a realização de uma auditoria excepcional na área da saúde do município de Juazeiro do Norte/CE, a cargo da Controladoria Geral da União (CGU), do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) e de uma profissional especialista na área de Administração em Sistemas de Saúde, designada para esse específico fim, a quem caberá, em 30 dias, colher informações, supervisionar os atos gerenciais e produzir relatórios. Repetindo: não houve afastamento do secretário municipal de Saúde, nem de qualquer outro agende público, nem mesmo nomeação de substitutos. Aliás, um dos comandos contidos na decisão — qual seja, a obrigação de o município de Juazeiro do Norte/CE, durante o período da auditoria, manter em pleno funcionamento os serviços de saúde — é destinado justamente ao atual secretário municipal de Saúde, que continuará como gestor responsável pela pasta. A crítica a decisões judiciais é um legítimo exercício de uma liberdade fundamental e fator crucial ao fortalecimento da democracia. Com efeito, a doutrina, ao escrutinar a forma e os argumentos dos atos decisórios dos juízes, apontando-lhes virtudes e falhas, méritos e inconsistências, cumpre papel de extrema relevância para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário e do próprio Direito. Entretanto, ao acusarem um magistrado de violentar a Constituição e a lei, a partir de premissa falsa, os articulistas acabaram por promover desinformação aos seletos leitores da ConJur. A Ajufe manifesta apoio irrestrito e confiança no trabalho desenvolvido pelo juiz federal Leonardo Augusto Nunes Coutinho.
(Antonio César Bochenek é presidente da Ajufe. É juiz federal de Ponta Grossa (PR), ex-presidente da Associação Paranaense de Juízes Federais e diretor do Instituto Brasileiro de Administração do Sistema Judiciário (Ibrajus). Mestre e doutor em Direito pela Universidade de Coimbra.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
148: (27.04.2015) Boa Tarde para Você, Maria Gorete Couto Bem Mendonça
Bem imagino que também para você, caríssima, há dias em que bate uma saudade enorme de alguns daqueles que nos precederam, principalmente no sinal da fé, e que nos esforçamos para assimilar um grande conforto que nos vem pela crença no Ressuscitado e em todos aqueles que nele creem. Cada um de nós pode falar de entes queridos, amigos mais próximos, todos na graça da eternidade, cujas memórias procuramos honrar e propalar, às vezes pelo mínimo de quanto fomos agraciados com estas amizades, carinho e caminhos, zelo e preocupações, em grandes exemplos que ficaram. Já escrevi muito e certamente ainda não o bastante do que seria necessário para tentar dizer-lhes o quanto minha vida, certamente também a sua, Gorete, e igualmente de tantos por aqui, todos aqueles que foram muito bem marcados e impressionados com o trabalho pastoral de Pe. Murilo. Insisto na nomenclatura, Pe. Murilo, porque ele era destas pessoas que escapulia desta reverência, tão cabível, mas que de honorária, nesta hierarquia católica, parecia convicto de que isto era desnecessário para alguém que não queria deixar de viver a grande graça de ser um simples padre. Ele me disse um dia, e me perdoe a inconfidência, estranho já era conviver com esta honorabilidade decretada e que a homenagem que se queria lhe prestar terminou por contemplar outros e certos padres velhos, que sob sua censura eu tratei de bestas e ciumentos, que também reclamavam esta aparente dignidade. Triste, e você bem sabe e viveu, Gorete, foi assisti-lo na nossa completa impotência, o drama dos últimos dias abreviando uma vida grandiosa de cuidados a tantas causas, como a missão evangelizadora, a memória de nosso Patriarca, e o grande afeto pelas dores da Nação Romeira. Dois anos depois de seu sepultamento, exatamente em 04.12.2007, você viabilizou e assim se mantém com grande entusiasmo com a instituição do Terço, rezado às 18 horas do dia 4 de cada mês, junto ao seu túmulo, na Capela do Encontro, na Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores. Cada vez que participo destes momentos, a minha primeira invocação recai sobre a memória de tudo aquilo que me permitiu viver com grande privilégio a proximidade deste homem magnífico, o que me garantiu a certeza de alguns poucos acertos no caminho da minha própria humanidade. De fato, Gorete, Pe. Francisco Murilo Correia de Sá Barreto foi um paradigma de vida, um grande exemplo no seu ministério, um homem muito além do seu tempo, um cidadão sobre o qual seriam temerárias e absurdas as suspeições quaisquer sobre o seu perfil ético e moral. Ninguém pode ser um grande exemplo se não preenche corretamente este itinerário, reunindo em torno de si a grande adesão de um convívio que sempre foi marcado pelo serviço absolutamente desinteressado, voluntário e disponível intensamente entre as primeiras orações das madrugadas e as noites adiantadas onde o trabalho incansável escondia parte das canseiras dos dias. Eu o conheci em 1958, Gorete, logo que aqui chegou, e esta imagem eu pude resgatar concretamente ao assistir recentemente um pequeno documentário de um evento paroquial que já tinha à sua frente aquele jovem sacerdote cujo entusiasmo se media pela postura e agilidade. Chegou aqui, graças aos seminários que frequentou, aureolado por grandes predicados na sua formação eclesiástica, mas também vitima do que esta mesma Igreja lhe semeou de prevenção e desconfiança para com o Milagre Eucarístico de Juazeiro, em março de 1889. Quando visitávamos o museu do Milagre de Lanciano, na Itália, no ano 2000, ele me deixou esta indagação: O que há aqui de mais grandioso que também não tenha sido visto e vivido naquele miserável lugar do Joaseiro?  Foram mais de 47 anos de intensa dedicação neste ministério exemplar, com o qual ele realizou uma boa parte dos sonhos de tantos, dentre aqueles que o encontraram nas salas de aulas da Escola Normal, dentre os que receberam sua atenção nos sacramentos, dentre todos os que o viram servindo, digno e ereto, daqueles que hoje nos fazem falta. Esse homem, servo incondicional do Senhor, de Nossa Mãe das Dores, e do Padre Cícero Romão Baptista, passou a merecer por sua iniciativa e na recitação mensal do terço, mais esta dedicação, esta vigilância espiritual que nos permite uma sintonia fina com o seu exemplo de vida e aquilo que acreditamos media a nossa relação com Deus, Nosso Senhor. Desejo nesta tarde, Gorete Couto, elogiar e engrandecer o seu trabalho, sempre feito com tanto carinho, com tanto esmero, procurando reunir-nos durante a recitação deste terço, em torno da memória irretocável de Pe. Murilo de Sá Barreto.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 27.04.2015)

CINE ELDORADO
O Cine Eldorado estará exibindo no próximo dia 01.05, sexta feira, no seu endereço da Rua Pe. Cícero, às 20:00 horas, o filme O Maior Espetáculo da Terra ( The Greatest Show on Earth, USA, 1952), do gênero drama épico, com produção, narração e direção de Cecil B. DeMille. Elenco: Charlton Heston (Brad Braden); Cornel Wilde (The Great Sebastian); James Stewart (Buttons A Clown); Gloria Grahame (Angel ); Lawrence Tierney (Mr. Henderson); William Boyd; Bing Crosby; Bob Hope; Lyle Bettger (Klaus); John Ridgely  (Assistant Manager); Frank Wilcox (Circus Doctor) Robert Carson  (Ringmaster); Lee Aaker (Little Boy Spectator); Cecil B. DeMille  (Ator);
Kathleen Freeman (Spectator); Jimmy Hawkins (Little Boy Spectator); Van Johnson (Spectator); Noel Neill (Noel); Edmond O'Brien (Midway Barker at End). Sinopse: O enérgico gerente Brad contrata o trapezista internacional Sebastian para garantir os lucros e evitar que seu circo deixe de fazer uma temporada completa (e que inclui espetáculos em pequenas cidades). Mas a entrada de Sebastian acaba criando um conflito com Holly, apaixonada por Brad e também uma trapezista, que começa a competir perigosamente com o astro recém-contratado durante os números de trapézio. Mas este não é o único problema de Brad: além dos caprichos dos outros artistas, tem que lidar ainda com assaltantes, trapaceiros e animais selvagens doentes. Dentre seus artistas, o bondoso palhaço Buttons, que nunca retira maquiagem em função de um terrível segredo em seu passado. Crítica: Os circos existem desde a antiguidade, tendo merecido destaque à época do império romano. O formato que nos conhecemos, caracterizado por uma grande lona e picadeiro, para apresentação dos artistas, data do século XVIII, numa iniciativa de um militar inglês. O Brasil conheceria as atividades circenses no século XIX, graças aos emigrantes europeus que para aqui vieram. Apesar de toda tecnologia, do cinema, da TV de alta definição oferecendo centenas de opções, da internet, da vida diversificada nas grandes cidades, o circo ainda sobrevive, mesmo sem a força do passado. Há poucos anos mesmo, tivemos o lançamento do romance “Água para Elefantes”, depois adaptado para o cinema, uma tentativa de resgatar e homenagear a história dos circos. Muitos outros diretores e atores se envolveram em filmes com essa temática: temos o ótimo  "O Homem Elefante" (David Lynch), "Carrossel de Emoções (com Elvis Presley) e o brasileiríssimo "Saltibanco Trapalhões", com Renato Aragão. Esse registro histórico do glamour e do trabalho artístico embaixo da lona foi realizado com talento e suntuosidade raros em 1952, com O Maior Espetáculo da Terra, do cineasta americano Cecil B. DeMille, um mestre das grandes produções em seu país. Esse diretor realizou quase uma centena de filmes, dentre eles os conhecidos Sansão e Dalila,  Os Dez Mandamentos, O Rei dos Reis e Cleópatra. O Maior Espetáculo da Terra traz uma curiosidade: é considerado pela crítica especializada americana como “o pior longa a ganhar o Oscar de Melhor Filme”. Logicamente isso é discutível, devem existir filmes piores de que o clássico de B. DeMille que levaram a famosa estatueta. E se você avaliar o trabalho cinematográfico em questão como espetáculo, levando em conta atores, fotografia, música, figurinos e o objetivo de homenagear os artistas de circo, concordará que o filme é de boa qualidade, com momentos deliciosos de se ver. Em alguma resenhas que li os articulistas desdenhavam O Maior Espetáculo da Terra por conta do roteiro, criticavam o drama envolvendo os personagens principais. Assisti o filme recentemente (não lembro se vi a produção americana quando criança ou adolescente) e percebi facilmente que o triângulo amoroso envolvendo Braden, Holy e Sebastian é na verdade secundário. O que Cecil B. DeMille pretende mesmo é mostrar a grandiosidade do circo, com seus trapezistas, malabaristas, equilibristas, palhaços, mulheres bonitas, cantoras, dançarinas e domadores de animais diversos, como cavalos, macacos, tigres, leões e elefantes. Na história, um grande circo americano está em dificuldades. É preciso ter criatividade e contratar artistas que atraiam o público para evitar o pior. Uma das alternativas encontradas é limitar as apresentações só às grandes cidades, cortando do roteiro de viagens os centros menores. 
Os artistas discordam, querem estar com seu público em todos os lugares, principalmente nas cidades médias e pequenas. Fica subentendido que nesses locais o carinho ou a empatia com as pessoas que amam o circo é maior. O gerente do grande circo, Brad Braden (Charlton Heston) fica ao lado dos seus empregados e contrata o trapezista Sebastian, um astro capaz de garantir o público nas apresentações, inclusive nas cidades de pequeno e médio porte. Braden é viciado no trabalho, só pensa no circo, negligenciado o amor que sente por Holly (Betty Hutton) e aparentemente sem notar que a garota também o ama. A mocinha do filme é bastante ingênua, de uma inocência difícil de encontrar no mundo real. Sebastian, que chega para reforçar o elenco do circo, é bonitão, extremamente vaidoso e mulherengo, com um comportamento pessoal e profissional que beira a irresponsabilidade. Esses três personagens dominam a trama central, numa história meio bobinha que serve na verdade para expor tudo que está envolvido na vida de um grande circo. São mostrados os arriscados números de trapézio, os malabaristas e equilibristas, coreografias de diferentes regiões do planeta com mulheres belíssimas à frente, além dos animais presentes em qualquer grande espetáculo de picadeiro. Muitas vezes o olhar da câmera do diretor passeia pela platéia: um velho que se comporta como uma criança assistindo o circo, se divertindo muito, enquanto um menino ao seu lado é estranhamente sisudo. Casais de namorados, pessoas de meia idade e a meninada em peso em êxtase: acompanhando cada lance com atenção total, alguns emocionados, quase todos felizes, livres, sem tirar os olhos do picadeiro, mesmo quando têm em mãos um gostoso sorvete ou um saco de pipocas. Além dos atores citados, sendo o mais conhecido deles Charlton Heston (Os Dez Mandamentos, O Planeta dos Macacos, Aeroporto, Terremoto), o filme tem ainda dois ícones do cinema americano: Dorothy Lamour e James Stewart. Este último, que estrelaria depois alguns do melhores trabalhos de Alfred Hitchcock, interpreta um personagem curioso em O Maior Espetáculo da Terra: ele se “esconde” por trás de um palhaço, sempre maquiado, quando na verdade é um famoso cirurgião que matou a mulher por amor. Em O Maior Espetáculo da Terra não vemos apenas um filme. Durante quase três horas é como se estivéssemos também dentro de um verdadeiro circo, acompanhando não só os números belos e variados que são exibidos no palco ou picadeiro, mas também tomando conhecimento do que está por trás da vida de cada artista famoso. Cecil B. DeMille era um mestre nesses espetáculos majestosos, épicos e prova isso numa das grandes cenas do filme, quando dois trens com os artistas do circo se chocam deixando por alguns momentos a sensação de que “tudo vai acabar”. É bom lembrar que isso foi feito em 1952, sem os efeitos especiais de hoje. O realismo que o diretor conseguiu, porém, é impressionante. O título dessa obra cinematográfica é bastante significativo. O responsável pelo longa quis realmente proporcionar um grande espetáculo e conseguiu. Com o filme e o circo, os dois juntos na tela grande, um se ancorando no outro e formando um produto único que oferece arte, graça e diversão de primeira. (Fonte: http://robertoalmeidacsc.blogspot.com.br/) Curiosidades: A premiação do Oscar gerou críticas por muitos especialistas que o consideraram um dos piores ganhadores da história do prêmio. Neste ano concorrem como melhor filme os clássicos Matar ou Morrer e Cantando na Chuva. Em meio a platéia aparecem Bob Hope e Bring Crosby, parceiros da atriz Dorothy Lamour (que interpreta Phyllis e canta a canção que eles estão ouvindo) em muitas comédias. Outras participações especiais foram a de Edmund O´Brian e do cowboy do cinema e Tv Hapolong Cassidy, que desfila em uma cena de Parada. Os principais prêmios e indicações foram: No Oscar de 1953, venceu nas categorias de melhor filme e melhor história, e foi Indicado nas categorias de melhor diretor, melhor figurino colorido e melhor edição. No Globo de Ouro, em 1953, Venceu nas categorias de melhor filme - drama, melhor diretor e melhor fotografia colorida

sábado, 25 de abril de 2015

BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
147: (24.04.2015) Boa Tarde para Você, Rozelia Costa 
Celebro neste abril de 2015 os quarenta e nove anos de uma das mais prazerosas e fascinantes atividades que já pude encarar como hobby, colecionando compulsivamente, em todos estes anos, velhas fotografias que nos mostram pessoas, fatos e lugares desta mui amada cidade. Jamais imaginaria naquela época que chegaria hoje juntando mais de trinta mil imagens, a partir daquele presente simpático de Raymundo Gomes de Figueiredo, uma criatura muito amiga de meu pai, que me deixou este grande estímulo para constituir esse autêntico museu da imagem. Faço esta pequena revelação a você, Rozelia, porque vem desta data a minha mais completa admiração por fotógrafos, profissionais ou amadores, que tanto tem contribuído e muitíssimo com o registro histórico da nossa evolução, produzindo e guardando imagens que se eternizam. Quando recorro ao arquivo, vou relembrando nomes como Campello Júnior, o primeiro que talvez tenha aportado por aqui como fotógrafo ambulante, ainda no final do século XIX, para se seguir mencionando Lauro Cabral de Oliveira, Floro Bartholomeu da Costa, Adolphe Achille van den Brule, Benjamim Abraão Botto, Antonio Xavier de Oliveira, Edward McLain, Raymundo Gomes de Figueiredo, Francisco Targino, Raimundo Gonçalves, Roberto Piancó, Rosalvo de Souza, Roberto Bulhões, Demontier Tenório, Sérgio Bade, Tiago Santana, Nívia Uchoa, Elizângela Santos, Daniel Walker, Angela Moraes, Normando Sóracles, Serena Moraes, até chegar em você, Rozelia Costa. Em citar, pretensamente, todos a partir dos mais notórios, cometi seguramente algumas injustificadas omissões, fruto desta tentativa natural de não esquecer qualquer um destes quase anônimos que nos legaram lindas imagens desta terra surpreendente, captadas por suas lentes. Lindas e surpreendentes imagens desta terra, como as suas que encontro na rede social ou no site da nossa Basílica, algumas já figurando até com sua assinatura, personalizando esta modernidade do seu olhar por sobre o ambiente desta terra de milagres. Gostaria de lhe dizer, Rozelia, e agradecer principalmente, pelo quanto tem sido isto importante na contínua formação deste acervo que eu espero atravesse séculos, não apenas pela reportagem cotidiana do noticiário, mas pela documentação de uma época que isto encerra. Alguém já se antecipou ao que poderíamos dizer sobre seu trabalho, do que temos percebido em suas imagens, para dizer com muita fidelidade que como profissional, você é “gente que fotografa com amor”. Permita-me que lhe diga que apenas na superficialidade do meu sentimento mais incontido, eu enxergo o valor de seu trabalho como a demonstração sincera de que a sua lente capta e nos revela o quanto você se aproxima do fato, abrindo nossa imaginação e provocando emoções. E isso é tão importante, como no caso do seu registro sobre romarias, pois grande parte do valor destas fotografias está no quanto elas parecem congelar aquela realidade do momento, do tempo e do espaço, para que sigam comunicando e provocando interpretações. A fotografia é esse testemunho de uma época, algo que parece nos confundir entre realidade e ficção, uma arte que não depende essencialmente da tecnologia do momento, pois através dos tempos teremos com certeza uma fonte de luz, uma lente e uma superfície para revelar imagens. Das coisas que desconfio, Rozelia, uma destas é enxergar no seu trabalho essa ultrapassagem necessária do registro temporal para além do fato, do objeto fotografado, para que a imagem construa novas molduras e guarde o tempo em que se fez, na instantaneidade daquele clic. Vários dos velhos fotógrafos do Juazeiro tiveram a sensibilidade de por o seu olhar sobre o fato histórico que se vivia e terminaram por eternizar, por exemplo, preciosas imagens do nosso Patriarca e dos momentos mais relevantes que importaram na construção de nossa história. O que vejo no seu trabalho, Rozelia e com ele me emociono, não difere desta linguagem visual que parece se munir de todos os nossos sentimentos, pelos sons, pelas cores, para compor em cada imagem uma pequena obra de arte, com a mesma força com que gostaríamos de parar o tempo. Quero parabeniza-la por tamanha dedicação e zelo profissional, fatos que revelam a grande natureza de sua visão de mundo.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 24.04.2015)

A FARRA DO BOI: PARAÍSO DO TUIUTI, 2016
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti (foto) é uma escola de samba sediada no município do Rio de Janeiro. Teve origem no Morro do Tuiuti, situada no bairro de São Cristovão. 
A Paraíso do Tuiuti anunciou o enredo que levará para o Carnaval 2016. "A Farra do Boi" vai contar a história do Brasil pitoresco, uma passagem da história no interior do Ceará, conhecida por poucos, onde o Padre Cícero ganha de presente um boi zebu, que foi batizado pelo nome de mansinho e ficou conhecido por ser um boi milagreiro. Através de seu mugido forte, ele trouxe a chuva ao sertão. Posteriormente, foi sacrificado em praça pública por conta da inveja de autoridades locais. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos. Eis a sinopse do enredo de A FARRA DO BOI, segundo o carnavalesco Jack Vasconcelos (foto): “Tão certo como com certeza que fé demais não cheira bem (isso o povaréu dos antigamente já dizia, mas nunca fez muita questão de praticar) e como história, causo e disse-me-disse são cousas que toda gente aprecia, quase sempre, a vida severina ao Deus dará, nos sertões cearenses, unia o útil ao agradável. A fé, que não costuma faiá, muito semeou a imaginação fértil daquelas terras secas e era o cajado fiel de toda boa alma e das nem tão boas assim também... Rezam os cordéis que o Cariri e vizinhança eram aperreados por lobisomens em noites pretas de lua cheia, mulas-sem-cabeça que trotavam encandecidas pelo Crato afora, flamejantes caiporas que zoavam Juazeiro adentro e por almas penadas que assombravam por todo canto, que nem reza braba de rezadeira feia e benzedeira véia dava jeito. Vixemaria! Nessa terra de crendices até quem não acredita, não duvida. Só mesmo Deus lá em riba e o Padim Ciço aqui em baixo pra acudir. E como Padre Cícero estava mais pertinho, era com ele que toda a gente se apegava nas horas de carecitude. O Padim era a fé do povo em pessoa. Um santo líder idolatrado pelos seus. Era comum o santo padre receber alguns presentes pelos pedidos atendidos, pois o que o povo tem de pidão, tem de agradecido. Entonce, por causo disso, certa vez, um importante industrial chamado Delmiro Gouveia regalou Padre Cícero com um mimo que deu muito pano pra manga. Diabéisso? Era um garrote diferente de todos já avistados por aquelas bandas. Um filhote de boi zebu branco, calminho por demais que o chamaram de Mansinho. Dizem que foi Deus quem alumiou a moleira do Padim, quando ele mandou o beato José Lourenço levar o boi Mansinho para o seu sítio, o Baixa Dantas. Com a nobre missão de escoltar o boizinho do santinho de Juazeiro até o Crato, o beato rendeiro arribou, avexado, estrada afora. No caminho, já com o quengo frito e o miolo amolecido por conta da quentura seca daquela estiagem que judiava dos viventes, proseou com o pequeno zebu. Pediu para que o novilho do santo Ciço ajudasse naquela situação, a qual já se imaginava até a casa do tinhoso ser mais fresquinha e prometeu lhe pagar botando o boi na sombra. Prontamente, os chifres do boi balangaram e seu mugido ecoou tão alto que até os zovido de São José escuitaram. O beato abilolado se arrupiou dos bicho-de-pé ao cocuruto, quando avistou a chuva banhar o sertão. Acreditando estar diante de uma visagem milagrosa, José Lourenço tratou ligeiro de fazer até surdo ouvir e cego ver que o boi manso fazia milagre acontecer. Arriégua! Começou o quiproquó! Nas terras do sítio Baixa Dantas, tudo o que se plantou, deu. O pomar abundou e as plantações cresceram. A fama do boi milagreiro se espaiou num pinote pelo sertão. O estábulo do próspero sítio virou local de peregrinação. Um bando de gente precisada chagava de todo canto em busca da bênção bovina. Juravam de pé junto que a reza pro zebu era um tiro certo contra toda sorte de urucas, urucubacas, quebrantos, gasturas, agouros, paúras, dor-nos-quarto e até espinhela caída. Das raspas dos cascos e chifres faziam unguentos que saravam o corpo das ziquiziras, curubas, lombrigas, bexigueiras e catipopéias. Santinhos, medalhinhas e relíquias eram ofertados a preços módicos pra ninguém voltar pra casa de mãos abanando. Mansinho era pajeado como um rei, ou melhor, como um santo. No conforto das almofadas que acomodavam seu sacrum fiofó, os fiéis bajulavam o bichinho com salamaleques, enchiam seu bucho com papinhas e faziam da hora de sua merenda um momento litúrgico. Os chifres eram enfeitados com fitas, flores e badulaques. Até um rico manto bordado ele ganhou dos devotos. Romeiros vinham adorar o "Boi Ápis do sertão" e a comparação com o boi sagrado egípcio ganhou fama inté na capital. Boi Mansinho se tornou uma divindade sertaneja. Porém, fé cega é faca amolada. Tamanho furdunço incomodou as autoridades. Dizem que profetizaram o rabo de seta do Sete Peles serpenteando meliantemente ao redor do santo boi antes de suceder a trairagem. Para acabar com a alegria do povo, o boizinho inocente e o beato José Lourenço foram mandados a pulso para o xilindró. Mas, foi pior a emenda que o soneto, pois o sacrifício do boi em praça publica foi bala saída pela culatra, ricocheteada no avesso da intenção. Para os zóio e coração dos fiéis a vaca tinha ido pro brejo, mas o boizinho foi pro céu. Mansinho se transformou em um mártir, um santo de fato. Ganhou o reino das alturas para pedir por eles pessoalmente, nem carecia mais do Padim. Oh, glória! Só para contrariar os que até tentaram negar sua existência, o boi santo pasta inté hoje na cultura brasileira. Causou um forrobodó em A Revolução dos Beatos, de Dias Gomes. Virou boi de barro nas mãos de Mestre Vitalino e dos artesãos populares. Também ainda vévi versado, talhado e gravado nos livrinhos de cordel. E para quem quiser dar uma de São Tomé, certamente o Boi Mansinho é encontrado multiplicado em arte bumbando pelos corredores do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas do Rio de Janeiro, a famosa Feira de São Cristóvão, às portas do paraíso... Do Paraíso do Tuiuti. (Fonte: http://www.sidneyrezende.com)

MEDALHA MESTRE NOZA
A municipalidade juazeirense acaba de criar uma comenda com o nome do grande artista Mestre Noza. Veja o ato formal: LEI Nº 4455, DE 15 DE ABRIL DE 2015. Cria a Medalha de Hora ao Mérito “ARTESÃO MESTRE NOZA” e dá outras providências. O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE, Estado do Ceará. FAÇO SABER que a CÂMARA MUNICIPAL aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei: Art. 1º – Cria, a Medalha de Honra ao Mérito “ARTESÃO MESTRE NOZA”, pelo Município de Juazeiro do Norte, através da Secretaria Municipal de Cultura e Romaria do Município – SECROM, que será concedida anualmente, no dia 19 de março, às seguintes personalidades: I – 02 (dois) profissionais do artesanato juazeirense; II – 01 (uma) personalidade da sociedade civil; III – 01 (uma) instituição representante dos artesãos de Juazeiro do Norte. Parágrafo único – A medalha ora criada será confeccionada em bronze, com 8cm. (oito centímetros) de diâmetro, contendo numa face o brasão do Município de Juazeiro do Norte e na outra, a figura do Artesão Inocêncio Medeiros da Costa, o Mestre Noza. Art. 2º – O processo de escolha dos agraciados ficará a cargo uma Comissão a ser formada pelo Chefe do Poder Executivo, composta de cinco membros, a saber: I – 01 (um) representante da Secretaria Municipal de Cultura e Romaria; II – 01 (um) representante da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho – SEDEST; III – 01 (um) representante da Federação dos Artesãos; IV – 01 (um) representante da CEART CARIRI; V – 01 (um) representante do Poder Legislativo Municipal.                    Art. 3º – A despesa gerada por esta Lei será suportada através de recursos oriundos do Orçamento Público Municipal, suplementados, se necessário. Art. 4º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogam-se as disposições em contrário. Palácio Municipal José Geraldo da Cruz, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, aos 15 (quinze) de abril de dois mil e quinze (2015). DR. RAIMUNDO MACEDO. PREFEITO DE JUAZEIRO DO NORTE

NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte está atribuindo novos títulos de cidadania para o músico João Martins Gonçalves e para a senhora Maria Socorro Nunes Alcântara. Vejamos os atos:
RESOLUÇÃO N.º 751 DE 14 DE ABRIL. Concede Título Honorífico de Cidadão Juazeirense e adota outras providências. O Presidente do Poder Legislativo de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, faz saber que a Câmara Municipal aprovou, e eu promulgo, a seguinte Resolução: Art. 1.º - Fica concedido, nos termos do artigo 198 e seguintes, da Resolução n.º 297/2001 (Regimento Interno), o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor JOÃO MARTINS GONÇALVES (foto). Autoria: João Alberto Morais Borges. Coautoria: Cláudio Sergei Luz e Silva e Danty Bezerra Silva. Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, Cícero Claudionor Lima Mota, Antônio Vieira Neto, Rubens Darlan de Morais Lobo, José Nivaldo Cabral de Moura, José Adauto Araújo Ramos, Firmino Neto Calú, José Ivan Beijamim de Moura, Gledson Lima Bezerra, Normando Sóracles Gonçalves Damascena, Maria Calisto de Brito Pequeno, Maria de Fátima Ferreira Torres e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
Obs.: Este gesto generoso do vereador João Borges, com a adesão de todos os demais, é o resultado de sua sensibilidade para com o pedido que fiz em crônica dedicada ao músico João Martins, já divulgada nesta coluna e que foi lida na FM Pe. Cícero, durante o Jornal da Tarde, em 20.03 deste ano.
RESOLUÇÃO N.º 752 DE 14 DE ABRIL. Concede Título Honorífico de Cidadã Juazeirense e adota outras providências. O Presidente do Poder Legislativo de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, faz saber que a Câmara Municipal aprovou, e eu promulgo, a seguinte Resolução: Art. 1.º - Fica concedido o Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Senhora Maria Socorro Nunes de Alcântara, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Maria de Fátima Ferreira Torres. Coautoria: Cláudio Sergei Luz e Silva e Paulo José de Macêdo. Subscrição: Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, Cícero Claudionor Lima Mota, Antônio Alves de Almeida, Rubens Darlan de Morais Lobo, João Alberto Morais Borges, José Tarso Magno Teixeira da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, José Adauto Araújo Ramos, Firmino Neto Calú, José Ivan Beijamim de Moura, Maria Calisto de Brito Pequeno.

MOSTRA A DITADURA REVISITADA
O Cinematógrapho (SESC, Juazeiro do Norte), com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, dá prosseguimento a Mostra A Ditadura Militar Brasileira Revisitada, com a exibição de filmes sempre às 4as feiras, às 19 horas, no SESC Juazeiro do Norte-CE, com entrada gratuita. Já fizemos referência nesta Coluna sobre a excelente qualidade da seleção de títulos que integram a Mostra, e isto deverá ser acrescido com novas películas, como esta próxima, dia 29, sobre o ex-presidente João Goulart. Jango é um documentário brasileiro dirigido por Sílvio Tendler, que narra o governo de João Goulart enquanto presidente do Brasil (1961-1964). Lançado em março de 1984, o filme teve seu roteiro escrito por Maurício Dias e Sílvio Tendler, enquanto a trilha-sonora foi desenvolvida por Milton Nascimento e Wagner Tiso. A edição foi conduzida por Francisco Sérgio Moreira e os produtores associados foram Denise Goulart (filha do ex-presidente) e Hélio Paulo Ferraz. Jango levou mais de meio milhão de espectadores às salas de cinema, tornando-se o sexto documentário de maior bilheteria da história do cinema brasileiro. O primeiro e o quarto filmes da lista também foram dirigidos por Tendler: O Mundo Mágico dos Trapalhões, com um milhão e 800 mil espectadores, e Anos JK, com 800 mil espectadores. Sinopse:O filme refaz a trajetória política de João Goulart, o 24° presidente brasileiro, que foi deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964. Goulart era popularmente chamado de "Jango", daí o título do filme, lançado exatos vinte anos após o golpe. A reconstituição da trajetória de Goulart é feita através da utilização de imagens de arquivo e de entrevistas com importantes personalidades políticas como Afonso Arinos, Leonel Brizola, Celso Furtado, Frei Betto e Magalhães Pinto, entre outros. O sugestivo slogan do filme foi "Como, quando e por que se derruba um presidente". O documentário captura a efervescência da política brasileira durante a década de 1960 sob o contexto histórico da Guerra Fria. Jango narra exaustivamente os detalhes do golpe e se estende até os movimentos de resistências à ditadura, terminando com a morte do presidente no exílio e imagens de seu funeral, cuja divulgação foi censurada pelo regime militar. Foi premiado com o Troféu Margarida de Prata, da CNBB (1984), com o Prêmio especial do júri, prêmio do público e de melhor trilha-sonora do Festival de Gramado (1984) e com o Prêmio especial do júri no Festival de Havana (1984). 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
145: (21.04.2015) Boa Tarde para Você, professora Maria Rosimar de Araújo
Desejo agradecer-lhe mais uma vez a sua grande gentileza de ter-me presenteado noutra noite, em grande festa para a literatura de cordel, regida por Vandinho Pereira e seu Ceará Diverso, com volumoso pacote de folhetos, alguns de sua autoria e outros tantos de novos e ainda quase anônimos poetas, promessas na renovação desta nossa cena cultural. Ainda em 2010, coordenando o Projeto Editorial do Centenário de Juazeiro do Norte, eu fui por Rosário Lustosa apresentado ao seu trabalho, pois era necessário fazer justiça incluindo um dos seus títulos em tão bem concebida Coleção Centenária, dentre os 50 poetas contemporâneos que se ocuparam da louvação desta terra, como no seu caso, com o folheto Sonho e Realidade. Na época fiz pequena anotação de seu trajeto de vida, registrando que você é missãovelhense, do distrito de Jamacaru, residente aqui entre nós, e depois de formada em História, fez sua pós-graduação em Planejamento Educacional, estando dedicada à grande e meritória tarefa de ser facilitadora em oficinas de cordel em salas de aulas de Escolas Municipais, como a Mons. Joviniano Barreto, Expedito Pereira, José Monteiro de Macedo, Vicente Pereira, Edward Teixeira Férrer, Dr. Leão Sampaio, José Ferreira de Menezes, Demóstenes Ratts Barbosa, José Marrocos e outras. Ao relembrar isto, fiquei muito feliz, pois não poderia deixar de dizer a tantos poetas e poetisas de cordel ali reunidos naquela noite o quanto estimo que esta produção deva chegar mais e mais à Escola, como já se faz com o Projeto Cordel em Sala de Aula, para que as novas gerações reconheçam o valor da literatura de cordel como linguagem e instrumento valioso para o seu próprio desenvolvimento. Felizmente há grande sensibilidade institucional, não só dos gestores destas escolas participantes, mas também de agentes de financiamento e fomento à atividade, como o BNB, que através do seu Centro Cultural estimula e mantém o Projeto de Cordel no Cariri, e das unidades do SESC, com o SESCordel. Os folhetos que estou lendo, na grande maioria, são o resultado concreto desta iniciativa de formar novos valores na poesia de cordel, para revitalizá-lo como parte substancial de nossas manifestações culturais, associado inclusive, de um prestígio crescente na simbiose com a xilogravura, por grandes mestres como Stênio Diniz, José Lourenço, Francorli e Maércio Lopes. Estes novos valores vão sendo estimulados na convivência com os mais expressivos poetas, onde se salienta a presença constante do cordel feminino, inclusive representado por expoentes notáveis como Bastinha Job, Josenir Lacerda, Anilda Figueiredo, Salete Maria, Fanka Santos, Rosário Lustosa, Esmeralda Batista, Nizete Arrais, Wiliana Brito, Mana Oliveira e Mazé Sales, dentre outras. Evidentemente, não se pode minimizar o papel que a literatura de cordel tem como ferramenta pedagógica, pois o seu formato, a sua estética e a sua construção são ingredientes que refletem a sua versatilidade para ser empregada em salas de ciências, de história, de geografia, sem esquecer a completa adequação com a cultura nordestina nas atividades de literatura e língua portuguesa abordando a estrutura do poema ou os fatores linguísticos utilizados na narrativa. E nisto, Rosimar, o seu trabalho está demonstrando como você vem realizando este trabalho focando questões como a história regional, grandes vultos de nossa cidadania, questões sociais relevantes como trabalho infantil, saúde e higiene, ecologia, e a arte dos grandes mestres na literatura, na música e noutros campos. Em verdade, o poeta de cordel é uma pessoa com sensibilidade para perceber e encarar um papel social diante da nacionalidade, não sendo apenas o cronista do cotidiano, mas alguém que esclarece e reivindica sobre as grandes preocupações do povo, como a qualidade da saúde pública, investimentos na educação, saneamento básico, ampliação de programas habitacionais, segurança pública, etc. Quero, portanto, Rosimar, parabenizá-la e exaltar esta sua completa dedicação pedagógica em estimular, formar e fomentar atividades educativas junto a estas novas gerações, para que esta fantástica literatura oral dos poetas populares cumpre mais esta função social de grande relevo. 

BOA TARDE (II)
146: (22.04.2015) Boa Tarde para Você, José Murilo Sousa de Siqueira
Há muitos meses passados, acho que ainda estava me iniciando nestas crônicas, abri um arquivo no computador, escrevi Boa Tarde para Você, Murilo Siqueira, e lembrando o folclórico vereador Assis Machado, fui indagando de mim mesmo: “...e o que é que eu tenho para dizer a Murilo Siqueira?” Não demorou muito e aquela pagininha engravidou, e foi se enchendo de observações que eu ia anotando aos montes, de acordo com as audiências diárias deste Jornal da Tarde, por suas intervenções sempre tão personalíssimas, ao som quase sempre deste “é o Murilo Siqueira que conhecemos”. De tudo o quanto ali anotei, Murilo, gerei muitas indignações a maioria convergente para esta realidade dolorosa como eu e você, cidadãos viventes nesta província, temos o nosso dia-a-dia pleno por este bombardeio que nos chega, martelando bem junto ao coração, os repetitivos “corrupção, corruptos, corruptores”, numa sinfonia macabra, perversa e deprimente. Às vezes eu penso, Murilo, que alguém mais esperto traduziu com terrível requinte a expressão do Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, de saudosa memória, ao dizer “Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!”, exatamente porque reconhecemos que pouquíssimos estão preocupados em restaurar a moralidade e no salve-se quem puder, nos locupletemos todos. Não há nenhuma evidência de que a crise contemporânea, Murilo, a que vivemos com grande sufoco nesta atualidade, seja algo que se abrigue em parcos e mais e mal reclamados recursos financeiros, na burocracia do Estado, ou nos desvios que a barganha política encerra, assentada no jogo intransferível do toma-lá-dá-cá dos parlamentos. A crise é ética e moral, porque procurou-se inovar através de um grande e horroroso exercício com o qual temos embarcado, até pela mídia, e aceitando que, no jogo da dialética, e do confronto das ideias,  nem sempre estão errados quando propõem a relativização do absoluto e o absolutismo dos relativos. Ética e Moral, como você bem o sabe meu caro Murilo, são predicados que somente se vive e se experimenta no domínio das liberdades individuais, para inexistir num indivíduo e numa sociedade que pauta suas relações em valores falsos e completamente invertidos, como o enriquecimento fácil, a certeza da impunidade, o descompromisso social, a falta de solidariedade, para descambar na vala comum de que honestidade é coisa de otário. Na verdade, tudo isto assim se apresenta porque o indivíduo não se põe, eticamente, diante da circunstância de eleger valores que definem o que cada um quer, pode e deve, porque “nem tudo que eu quero eu posso, nem tudo que eu posso eu devo, e nem tudo que eu devo eu quero”. E nisto, Murilo, suas noticias e seus comentários sempre tão ansiosamente aguardados, nos provocam aquela imersão diária num submundo cheio de todas as transgressões e isto só não nos anestesia ainda mais, numa passividade impressionante, porque somos homens, não somos máquinas, e nos regemos por um mínimo de decência. O caso específico deste Juazeiro do Norte, cujo descalabro administrativo de sua municipalidade é o prato cheio de nossos noticiosos, e a causa prevalente de nossa indignação, jamais imaginaríamos, alguns anos atrás, que nossa ânsia por melhores dias encontraria na contra mão desta história a formação de tantas quadrilhas. Enquanto não vemos muito sucesso na contundência da folha policial, no cumprimento dos deveres da força pública e no diligente serviço do ministério, vai esta imprensa da qual tão legitima e competentemente você faz parte, cumprindo sua missão de informar, de investigar, de esclarecer para que a calada da noite seja mais barulhenta e nos revele cara a cara o inimigo público. Saúdo você, Murilo Siqueira, como esta reserva necessária ao nosso jornalismo, aquilo que representa diariamente esta certeza minimamente realista de um profissional cuidadoso e responsável que não está disponível ao negócio fácil de ser confundido com a teia envolvente dos desmandos, da violência e da falta de respeito aos direitos do cidadão. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 22.04.2015)

DOM SÉRGIO, PRESIDENTE DA CNBB
Desde o último dia 20, quando soube da eleição de D. Sérgio da Rocha para presidir a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, eu tenho experimentado uma agradável sensação de bem estar porque sinto que a Conferência vai continuar sendo dirigida por um grande homem a serviço da causa de nossa Igreja. Conheci D. Sérgio em Roma, em fevereiro de 1996, quando passei uma semana hospedado no mesmo colégio em que ele estava, o Pontifício Colégio Pio Brasileiro, então aluno da Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, onde obteria seu título de Doutor, no ano seguinte. Em 2001, ele foi ordenado bispo e logo depois por nomeação de João Paulo II, D. Sérgio veio para o Ceará, tornando-se bispo auxiliar na Arquidiocese de Fortaleza. Por diversas oportunidades tivemos juntos em encontros rápidos, sendo um homem bastante tímido mas de um carisma impressionante, especialmente quando participava como diretor espiritual de retiros com profissionais. Em 2007, o perdemos para o Piaui, porque o Papa Bento XVI o nomeou Arcebispo coadjutor da Arquidiocese de Teresina, para no ano seguinte tornar-se o titular desta Arquidiocese. Em 2011 o papa Bento XVI o nomeou Arcebispo Metropollitano de Brasilia, e no último dia 20 tornou-se o novo presidente da CNBB, com quase 80% dos votantes presentes na Assembléia em Aparecida. O primeiro contato que tive com ele foi por ocasião de uma conversa que mantive com os padres que ali residiam, após o almoço, a pedido do Mons. Manfredo Ramos, sobre os meus estudos sobre o Pe. Cícero. Falei a eles por uns 30 minutos e depois disto me fizeram perguntas e a conversa foi extremamente agradável. D. Sérgio estava ali, escutando atentamente (foto acima, à esquerda), e eu fui apresentado ao Pe. Sérgio da Rocha que me cumprimentou, agradeceu a iniciativa de ter tido aquela conversa que ele julgou muito interessante para o conhecimento de uns 50 padres ali presentes. Nos dias subsequentes, as conversas que tive com alguns padres fazia referência a alguns padres que ali se destacavam, como o Pe. Nei de Sousa e o Pe. Sérgio. Sobre ele, tanto o Mons. Manfredo quanto o Pe. Evaristo, me disseram a mesma coisa: “Este aí vai muito longe”. Hoje já não temos nenhuma dúvida de que D. Sérgio da Rocha será o próximo membvro brasileiro no Colégio Cardinalício.