segunda-feira, 9 de junho de 2014

  BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
037: (09.06.2014) Boa Tarde para Você, Alaide Alves Bezerra
No dia 23 de julho de 2011, no centenário de nossa cidade, aconteceu a cerimônia de inauguração do monumento a Floro Bartholomeu da Costa, na antiga Rua Nova. Naquele dia, dona Alaíde Bezerra, eu a encontrei e nos abraçamos, fazia tempo. A senhora estava sendo apresentada como a moradora mais antiga da rua. E fez questão de discursar, dizendo do seu orgulho em ser juazeirense, trazendo a lembrança do tempo em que seus pais costumavam participar de festas na casa de Floro. Fiquei impressionado com sua lucidez e desenvoltura. Afinal, falava uma respeitável senhora de 90 anos, nascida nesta vila do Joaseiro, em 27 de fevereiro de 1921. Recomecei a prestar atenção sobre sua pessoa e os amigos me foram dizendo coisas que me relembravam um roteiro sentimental de bela biografia. Contaram-me, por exemplo, que a senhora foi diplomada professora pela Escola Normal Rural, integrando a quinta turma do estabelecimento, em dezembro de 1941. Do arquivo retirei os nomes de todas as suas 20 colegas: Adaltiva Grangeiro, Ana Barreto, Balbina Garcia, Beatriz Sobreira, Cleude Barreto, Ditosa Almeida, Djalma Ancilon, Doracir Costa, Estelita Magalhães, Joelina Sá, Lourdes Vital, Lúcia Vanda Veloso, Maria Garcês, Maria Zuli Morais, Neném Bezerra, Neném Pereira, Noemísia Portela, Renata Sabiá, Rocilda Pimentel e Rosa Martins. Professora, mesmo, a senhora já era desde 1935, numa escolinha improvisada nas Malvas, indo depois para o Círculo Operário, ficando ao lado de minha mãe, a também professora Doralice Casimiro. Foram me dizendo e eu fui anotando: seu casamento em 31 de dezembro de 1959, com o jovem comerciante Francisco Maciel Bezerra. E nessa lembrança, não obstante a família ampliada com o nascimento de Verônica, até hoje com 4 netos, entre futuros médicos e engenheiro, é para se lamentar profundamente, o seu sofrimento com o assassinato brutal de Maciel, na tragédia da Furna da Onça, em 5 de novembro de 1964, há quase cinquenta anos. Mas, dona Alaíde, não foi necessário que me lembrassem de como a vi, fiel servidora do então Posto de Tracoma, no bairro do Socorro, e no socorro de tantos. Como eu mesmo, que sofri tanto de infecções nos olhos, nas danações de inverno com as primeiras águas sujas lavando as telhas e saindo das bicas nas calçadas das casas e dos banhos do Salgadinho. Por isso mesmo, são inesquecíveis aquelas dores horrorosas que tinha de suportar quando ali me socorria, com colírio de nitrato de prata, fosse com a senhora, fosse com minha tia Dosanjos Soares, ou com Vanda Almeida, Alice Celestino, Marta Grangeiro, Edite Cabral ou Neusa Landim Almeida. Vocês eram enfermeiras dedicadas, agentes de saúde, visitadoras sanitárias... os anjos da guarda daqueles moleques das ruas do Juazeiro. Aliás, me disseram que, num prêmio à sua excepcional resistência, nestes seus 94 anos de vida, até diploma de Honra ao Mérito, a FUNASA, do Ministério da Saúde já veio lhe conferir, pois é a servidora aposentada mais antiga do Brasil. Quero lhe dizer que qualquer dia destes vou lhe visitar. Vou levar comigo um caderno que comprei numa livraria de livros velhos, em Fortaleza. Não sei porque aquilo estava lá. Sei apenas que é um caderno de anotações, com uma letra linda, de uma antiga agente de saúde que visitava famílias nas ruas de Juazeiro do Norte. Quando abri e comecei a ler, logo descobri que o caderno pertencera a Alaíde Alves Bezerra, nos anos 60. Vou lhe devolver e vamos nos emocionar juntos. Quando pensei em lhe fazer esta saudação, imaginei que falaria de duas ou três coisas que sei a seu respeito. Já fui longe, e o João tem que terminar o Jornal. Por último lhe digo, dona Alaíde, que vez por outra escuto uma linda canção de Nelson Antônio da Silva, o Nelson Cavaquinho, da velha guarda da Mangueira, de onde se ouve, entre belos acordes, os versos: “Mas depois que o tempo passar / Sei que ninguém vai se lembrar / Que eu fui embora. 
Por isso é que eu penso assim / Se alguém quiser fazer por mim / Que faça agora.” 
Receba a senhora, dona Alaíde Bezerra, estas mal traçadas linhas como uma homenagem. Quero me dirigir à senhora, por este seu exemplo de criatura atualizada. Que faz a leitura das últimas revistas. Que vê TV e escuta noticiários de rádio. Que está conosco todos os dias. Que tem uma mente privilegiadíssima e é uma memória viva e até pode, e deve, escrever livro. E que ainda é ativa como aquela jovem que adorava dançar nas festas do Clube dos Doze. E se duvidar, talvez ainda seja a mesma confeiteira de outros tempos, a artista maravilhosa que fazia biscuits e flores em tecidos. Por isso, a minha homenagem. Hoje! Agora! Ou, como diz o poeta, “antes que eu me chamar saudade”.
CINE CAFÉ NO CCBNB
Cães de Aluguel (Reservoir Dogs) é um filme americano de 1992 escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Estrelado por Harvey Keitel, Steve Buscemi, Michael Madsen, Tim Roth e Chris Penn, o filme retrata os eventos anteriores e posteriores a um mal sucedido roubo de diamantes (embora não mostre o roubo propriamente dito), praticado por cinco homens que não se conhecem e que se referem uns aos outros através de nomes de cores. É o primeiro filme da carreira de Quentin Tarantino e incorpora elementos que viriam a se tornar marcas registradas do diretor, como crimes violentos, referências à cultura pop, narrativa não-linear, trilha sonora eclética e constante uso de palavrões em seus diálogos. Tarantino conseguiu financiar a sua produção através da venda do roteiro de True Romance, bem como pela adesão de Harvey Keitel ao projeto; com a entrada do ator, o diretor foi capaz de captar $1.5 milhões para o desenvolvimento do filme. Apesar de não ter recebido muita divulgação à época de sua estreia e ter emplacado uma bilheteria modesta nos Estados Unidos, Reservoir Dogs ganhou destaque após o lançamento de Pulp Fiction, obra subsequente de Tarantino, tornando-se um filme cult e sendo enaltecido como um clássico do cinema independente, tendo sido eleito "o maior filme independente de todos os tempos" pela revista Empire. Elenco:Harvey Keitel como Larry Dimmick, (Mr. White), Tim Roth como Freddy Newandyke (Mr. Orange), Michael Madsen como Vic Vega (Mr. Blonde), Steve Buscemi como Mr. Pink, Edward Bunker como Mr. Blue, Quentin Tarantino como Mr. Brown, Chris Penn como "Nice Guy" Eddie Lawrence Tierney como Joe Cabot. Sinópse: O filme se inicia com oito homens tomando café em um restaurante. Seis deles vestem ternos combinando e usam apelidos: Mr. Blonde (Michael Madsen), Mr. Blue (Edward Bunker), Mr. Brown (Quentin Tarantino), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Pink (Steve Buscemi) e Mr. White (Harvey Keitel). Com eles está Joe Cabot (Lawrence Tierney), um gângster de Los Angeles, e seu filho "Cara Legal" Eddie Cabot (Chris Penn). Mr. Brown discorre sobre a sua análise de "Like a Virgin", da cantora Madonna, enquanto Joe se irrita com Mr. White após discutirem sobre sua agenda de endereços e Mr. Pink defende a sua política anti-gorjeta — até Joe forçá-lo a deixar uma gorjeta para a garçonete. A cena corta para o interior de um carro em alta velocidade. Mr. White, dirigindo com uma mão, tenta consolar Mr. Orange, que levou um tiro no abdômen e sangra enquanto, delirando, grita. Eles chegam a um depósito abandonado, o ponto de encontro dos ladrões. Mr. White segura um visivelmente amedontrado Mr. Orange em seus braços até Mr. Pink aparecer. Ele raivosamente sugere que o assalto a uma joalheria, orquestrado por Joe Cabot, foi uma armação da polícia, dada a rápida resposta dos policiais ao alarme. Mr. White concorda e eles contrastam as suas histórias do ocorrido. A cena corta para o Mr. Pink escapando com os diamantes. Mr. White revela à Mr. Pink que Mr. Brown foi baleado e assassinado pela polícia, e os paradeiros de Mr. Blonde e Mr. Blue são desconhecidos para ambos. O filme, então, retrocede para uma cena indicando que Mr. White é um amigo de longa data de Joe Cabot. Após cuidarem de um Mr. Orange inconsciente, os dois homens discutem as ações do psicopata Mr. Blonde, que assassinou diversos civis depois que o alarme fora disparado. Mr. White está furioso pela decisão de Joe de empregar um psicopata e concorda com a possibilidade de uma armação. Mr. Pink revela que ele escondera os diamantes em um local seguro. Eles discutem violentamente sobre levar ou não Mr. Orange a um hospital, quando Mr. White revela que havia revelado ao idealizador o seu verdadeiro primeiro nome. Mr. Blonde, que assistia tudo à distância, se adianta e encerra a disputa. White, raivosamente, repreende Blonde pela violência empregada na joalheria, enquanto Blonde, calmamente, rejeita a sua crítica. Ele diz à White e Pink para não abandonarem o ponto de encontro, uma vez que "Cara Legal" Eddie está a caminho. Mr. Blonde os convida a verem algo que está no porta-malas do carro, estacionado do lado de fora do depósito. Quando eles chegam ao carro, Mr. Blonde abre o porta-malas e revela um policial capturado, chamado Marvin Nash (Kirk Baltz). A ação do filme retrocede, revelando que Mr. Blonde se envolveu com o roubo devido à sua amizade com "Cara Legal" Eddie. Os três homens nocauteiam o policial e mandam que ele os conte quem é o informante. Ele protesta e diz não saber. Isso continua até que um furioso Eddie chega ao depósito. Após repreender os homens pela carnificina e incompetência mostradas no roubo, ele ordena que Mr. Pink e Mr. White o ajudem a recuperar os diamantes roubados e a se livrarem dos veículos sequestrados. Ele manda o Mr. Blonde ficar com Marvin e com Mr. Orange, o qual está lentamente morrendo. Quando ele está sozinho com Mr. Blonde, Marvin conta a ele que só é policial há oito meses, o que lhe impede de saber sobre as armações policiais. Mr. Blonde responde que não está interessado no que o policial faz, tampouco no que ele não sabe, e admite que deseja torurar Marvin por nenhuma outra razão senão o seu próprio prazer. Blonde liga o rádio e faz uma dança ameaçadora ao som de "Stuck in the Middle With You", do grupo Stealers Wheel, antes de cortar o rosto de Marvin com uma navalha, decepando sua orelha direita. Ele então provoca Marvin ao levantar a orelha decepada e dizer "Hey, o que está acontecendo?", perguntando ao policial se ele consegue ouvi-lo, rindo sarcasticamente. Blonde volta ao carro e pega um recipiente de combustível. Quando retorna, joga gasolina em Marvin, fazendo um pequeno rastro do combustível restante na frente do policial. Assim que está prestes a soltar o isqueiro sobre o rastro de gasolina, Mr. Orange dispara diversas vezes contra Blonde, matando-o, e salvando Marvin de morrer queimado, deixando-os sozinhos no depósito. Mr. Orange revela à Marvin que ele é um policial chamado Freddy Newandyke, e Marvin diz que está preocupado com isso, pelo fato de o ter conhecido alguns meses antes. Mr. Orange tranquiliza Marvin ao dizer que uma grande força policial está em posição a algumas quadras dali, esperando apenas pelo momento da chegada de Joe Cabot. Uma série de flashbacks mostra o envolvimento de Mr. Orange em operações policial para capturar Joe, além do desenvolvimento de sua amizade com Mr. White. A cena corta para Mr. Brown sendo assassinado com um tiro na cabeça enquanto tenta escapar com Orange e White; Mr. Orange sendo baleado no estômago pela motorista do carro que ele roubou junto do Mr. White; e Mr. Orange atirando e matando a mulher, após ela atirar nele. Os restantes do grupo do assalto retornam para o depósito e encontram Mr. Blonde morto. Mr. Orange diz que Mr. Blonde ia matar Marvin, ele, e o resto da gangue, assim que eles chegassem, para que pudesse ficar com os diamantes para si. Devido às ações durante o roubo, Mr. White e Mr. Pink acreditam em Mr. Orange. Todavia, Eddie, enfurecido, não acredita; ele saca sua arma e atira três vezes em Marvin. Eddie, então, conta à Orange que Blonde era um amigo muito próximo e pessoal seu, que sempre fora leal a ele e seu pai, mesmo quando esteve preso por quatro anos. Eddie raivosamente ordena que contem a verdade sobre o que aconteceu com Mr. Blonde, enquanto Orange se enrola para justificar suas ações. Joe chega e, após informar o grupo de que Mr. Blue fora morto, acusa Mr. Orange de ser um informante, forçando Mr. White a defender o seu amigo. Joe está prestes a executar Orange quando White reage sacando sua arma e apontando-a para Joe, ameaçando matá-lo caso ele atire; Eddie reage apontando sua arma para Mr. White, ordenando que ele a abaixe. Estabelece-se um impasse mexicano. Subitamente, Joe atira em Mr. Orange, ferindo-o novamente; em resposta, Mr. White atira em Joe, matando-o; e, em retaliação, "Cara Legal" Eddie" atira em Mr. White, ferindo-o; finalmente, Mr. White atira em Eddie, matando-o. Mr. Pink, que se escondera sob as escadas para escapar do tiroteio, pega os diamantes e foge do depósito. Logo, sirenes policiais e gritos são ouvidos do lado de fora, seguidos de diversos tiros e gritos indistintos de Mr. Pink, dizendo para não atirarem. Enquanto Mr. White pega Mr. Orange nos braços, Orange revela que ele é, de fato, um policial disfarçado. Isso acaba com Mr. White, que começa a soluçar de frustração, apontando sua arma para a cabeça de Mr. Orange. A polícia entra no depósito (com a câmera focando a face de Mr. White), ordenando que ele largue sua arma; o filme termina com o som de um tiro, nao dando a entender se white atirou em orange, ou se a policia atirou em white, ou se ambos aconteceram. (Fonte: Wikipedia)
O PRIMEIRO CRIME
Divulgamos a excelente matéria que o jornalista Demontier Tenório postou hoje no site Miséria sobre o transcurso dos cem anos do primeiro crime de pistolagem no município que foi pago com uma burra. Eis a sua íntegra.
“O Site Miséria lembra nesta segunda-feira, dia 9 de junho, a passagem de exatos 100 anos da ocorrência do primeiro crime de pistolagem registrado no município de Juazeiro do Norte. A vítima foi Paulo Maia Ferreira de Menezes, então com 35 anos, cuja vida custou cem mil réis e uma burra pagos por Nazário Landim ao pistoleiro apelidado por “Mané Chiquinha”. Ele nasceu em Crato, era primo de Padre Cícero e filho do ex-deputado estadual, Aristides Ferreira de Menezes e Ana Leopoldina Maia. Em setembro de 1979, Paulo Maia foi homenageado com o seu nome na avenida que nasce ao lado do Teatro Marquise Branca e segue na direção do Parque Antonio Vieira. Ele era ourives e comerciante tendo sido um dos entusiastas pela liberdade de Juazeiro a quem coube a primazia do grito de Independência na tarde do dia 7 de setembro de 1910. Segundo relatos históricos, Paulo Maia arregimentou amigos onde hoje é a Praça Padre Cícero e empunhou a bandeira brasileira após saírem pelas ruas. Ele era casado com a juazeirense Aurora Inácio de Figueiredo Maia, parente de José André de Figueiredo, um dos líderes políticos do vilarejo. O casal teve os filhos Odilon, Zezé, Almerinda, Doralice e Argemira, sendo esta a única viva. O responsável pela execução do crime mediante paga era um “cabra” oriundo do sertão pernambucano no caso “Mané Chiquinha” o qual foi assassinado numa caça determinada pelo estado aos perigosos matadores de aluguel da época. 
HISTÓRIA - O motivo para o primeiro crime de pistolagem em Juazeiro remanesce ao ano de 1856 em Crato e antecede, portanto, ao nascimento de Paulo Maia o que se desdobrou ao longo de sete décadas. Naquele ano, as eleições para vereadores e juiz de paz que ocorriam no interior da Igreja Matriz de Crato estavam “pegando fogo” e a polícia comandada por José Ferreira de Menezes foi acionada. Em meio ao conflito e troca de tiros tombou morto o Coronel José Gonçalves Landim. Anos depois, o filho de José Ferreira se tornava influente líder político do Cariri. Era Aristides Ferreira - pai de Paulo Maia – o qual sofreu um revés político em 1904 e ainda passou a ser perseguido pela Guarda Municipal de Crato sob o comando de Nazário Landim reascendendo discórdias entre as famílias em virtude da morte do seu avô José Gonçalves. Num encontro com o Coronel Aristides, o agrediu a socos e pontapés como se fora uma vingança. A resposta partiu do seu filho Paulo Maia que deu uma surra em Nazário. Quando conquistou liberdade da cadeia um ano após, Paulo Maia decidiu morar na Vila Juazeiro, onde cuidaria das terras do pai no Sítio Muquém passando a se inserir na vida político-social do vilarejo. Com a deflagração da Guerra de 1914, Floro Bartolomeu começou a atrair jagunços e um destes foi “Mané Chiquinha” que se tornou amigo do Major Nazário Landim. Ao saber da surra que este tinha levado de Paulo Maia e que o mesmo já estava solto, se ofereceu para matá-lo em troca de vantagens. Nazário consultou e obteve a concordância de Floro que não via com bons olhos o crescimento da popularidade de Paulo Maia. Na época em que foi morto, residia numa casa na chamada Rua do Brejo, em frente à Igreja Matriz, que foi demolida no final da década de 80 para a construção do Centro de Apoio ao Romeiro. Ele conversava com o seu vizinho, Doroteu Sobreira, que viu alguém escondido em meio à escuridão do matagal em frente, mas Paulo Maia não acreditou e continuou no bate-papo quando foi surpreendido por um tiro de carabina modelo 1908 bem certeiro no peito esquerdo. A família descobriu ter sido pistolagem e Nazário fugiu, provavelmente, para Antenor Navarro (PB), onde seu primo Quinco Vasques se refugiava de uma briga em Lavras da Mangabeira. Muito tempo depois, veio ao Crato apenas apanhar um trem e viajar quando Pedro Maia soube e foi lá. Ao encontrar com o mesmo na estação disse-lhe: “Eu sou o irmão de Paulo Maia. Levante-se para morrer e nunca mais você mata um irmão de um homem”. Depois, atirou e este tombou morto no bar da estação de Crato na presença de Odilon e Zezé, filhos de Paulo Maia, que o tio levou ao local. 
(Nas nossas ilustrações, o mandante do crime, delegado Nazário Furtado Landim, e o pistoleiro, Mané Chiquinha.)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Dr. Geraldo Barbosa: 90 anos

 BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
036: (06.06.2014) Boa Tarde para Você, Dr. Geraldo Menezes Barbosa
Há não muitos dias passados, disse aqui uma frase do cronista João Brígido dos Santos: “Hoje faço 90 anos. Se é feio dizê-lo, muito mais feio será negá-lo.” Mas, esta expressão é tão apropriada para o dia de hoje, que não me furto em repeti-la. Assim, saúdo você, Geraldo Menezes Barbosa, por seus 90 anos. A traduzir melhor isto que nos diz este seu conterrâneo do Crato, nada é feio em torno desta data. Particularmente a você que chega hoje a esta marca, dando prova soberba do quanto valeu a pena e, principalmente, do que não pode ser feio em dizê-lo, porquanto pleno de lembranças ao longo de toda esta caminhada, o meu abraço cordial de parabéns. Quero igualmente felicitar a dona Maria José Ratts que tanto lhe iluminou, acompanhou e protegeu nessa travessia. Não repare a franciscana pobreza do meu presentinho. E duas coisinhas eu gostaria de lhe dizer, Dr. Geraldo. A primeira, precisa ser um agradecimento porque você é destas pessoas que por seus predicados e trabalho construiu uma biografia invejável, ao longo do que foi possível viver, trabalhar arduamente constituir família, ter filhos e escrever livros. Vamos estar juntos, hoje, para abraçá-lo efusivamente, neste dia do seu nascimento. Por último, Dr. Geraldo, e a propósito de nascimento, eu lhe conto uma pequena história. Ao me dedicar a escrever uma abreviada resenha de nossa imprensa escrita, eu me deparei com a existência do jornal Correio de Juazeiro. Sua primeira edição veio para as ruas no dia 16 de janeiro de 1949. Foi o nosso vigésimo sétimo jornal, de uma lista que hoje tem mais de 600 títulos. Era um semanário independente e noticioso. Por mais de um ano, você, Geraldo Barbosa, o editou com as colaborações de Dr. Mário Malzone, Espedito Cornélio, Francisco Barbosa, Elvídio Landim, Odílio Figueiredo, Taumaturgo Nogueira, seu irmão João Barbosa, Aderson Borges de Carvalho, Othon Mendonça de Matos, J. de Figueiredo Filho, Coelho Alves, Vital Souza Freitas e outros. Era um tabloide bem cuidado graficamente, tinha ilustrações com xilogravuras de Damásio Paulo de Oliveira e era impresso na Tipografia São Francisco, de Zé Bernardo da Silva. Bem recentemente, um amigo me presenteou com uma cópia da edição 38 do Correio de Juazeiro, de 2 de outubro de 1949. Numa de suas páginas está estampada uma pequena matéria que diz o seguinte: No dia 26 de setembro passado o lar do casal Doralice e Luiz Casimiro foi enriquecido com o nascimento de um garoto que na pia batismal receberá o nome de Antonio Renato. Quando li isso, quase não aguentei de tanta emoção. Hoje, passados 64 anos destes seus 90 bem vividos, felizmente a vida vai me ensejar a oportunidade de, em lhe cumprimentando, também agradecer a você por tantas coisas, mas principalmente por aquela sua iniciativa de dizer pelo Correio de Juazeiro que eu estava chegando. E não era quase nada, senão a alegria mais recente da família de Doralice e Luiz Casimiro. Quanto a você, Geraldo Barbosa, você já era o grande cronista do Cariri. O cronista que ainda continua a nos dizer, diariamente, dos encantos que a vida lhe proporcionou. E no dia de hoje, nós fazemos votos para que isto ainda continue por muitos anos. Parabéns.
CORDEL RARO
Padre Cícero é um ciclo dentro das temáticas da Literatura de Cordel. Há incontáveis folhetos sobre o personagem, e particularmente sobre sua morte. Temos uma coleção muito vasta sobre o assunto. Mas, vez por outra nos surpreendemos com um novo título, especialmente de edição muito antiga. É o caso deste A Morte do Padre Cícero e seu último Pedido, de João Severiano de Lima. Já tinha procurado bastante por ele e não encontrava uma menção. Mas, recentemente o Tiago Portella Otto, meu genro, obteve uma primeira edição deste folheto. O que há, inicalmente, mais valioso na peça é a sua data: Joazeiro, 28.07.1934. Ou seja, o folheto foi impresso aqui mesmo, pouco depois da morte do padrinho. A impressão, provavelmente, se deu aqui também, embora não haja uma citação explicita. Em face da raridade, eis aí o folheto com todo o seu texto.





UM PAÍS DE LEITORES
Recebi de Joaquim Crispiniano Neto este excelente texto que ele elabora para justificar a tramitação de um projeto na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, com respeito ao incentivo à leitura. Esta é uma atitude extremamente bem vinda para a nossa juventude. Vejamos:
“Tendo em vista o grande esforço nacional em busca do objetivo da transformação do Brasil, em um país de leitores, conforme se pode depreender da Lei Federal Nº 10.753, de 30 de outubro de 2003 e do Plano Nacional do Livro e da Leitura, bem como da Lei N° 13.549, de 23.12.04 (D. O. DE 29.12.04) e do Plano Estadual do Livro e da Leitura, apresentamos este Projeto de Lei do Livro de Juazeiro do Norte, com a finalidade de estimular a educação e a cultura, com especificidade da Leitura e a Literatura em nosso município. Segundo a ANL - Associação Nacional de Livrarias, o Brasil possui 3.481 livrarias em operação. Destas, 49% estão instaladas nas capitais dos 27 estados e no Distrito Federal, e as 51% restantes nas demais cidades. O que significa dizer que temos apenas 1776 livrarias nas 5.547 cidades restantes do País. Uma cidade de porte médio como Juazeiro do Norte ainda é muito mal servida de livrarias, de bibliotecas e editoras. O Brasil tem uma média 1,8 livrarias para cada 100 mil habitantes, sendo que nas cidades do interior, a média é bem mais baixa, ressaltando-se que a maioria absoluta das cidades do interior não possuem nenhuma livraria. As bibliotecas públicas que oferecem o acesso ao livro gratuitamente existem na maioria das cidades, mas na maioria dos casos, são desestruturadas e não dispõem de programas de Leitura que incentivem a formação do hábito da Leitura. Os dados do IDEB - Índice para o Desenvolvimento da Educação Básica) de 2012, divulgados pelo MEC, mostram que as 192.676 escolas de educação básica no país atendem 50.545.050 alunos. Mas, apenas perto de 64 mil delas possuem bibliotecas. O que comprova que não chega a ter uma biblioteca para cada mil alunos. Isso se reflete, é claro, no déficit de leitura do brasileiro. O Instituto Pró-Livro realizou em 2011, um estudo no qual foram entrevistadas mais de 5 mil pessoas em 384 municípios. O levantamento revelou que a média de leitura do brasileiro é de quatro livros por ano e que a maioria destes livros lidos são didáticos e técnicos, sendo muito baixo o índice de livros literários que realmente servem para melhorar o nível cultural dos leitores. A mesma pesquisa constatou que somente cerca de 50% da população brasileira cultiva o hábito de leitura. Para fazer uma comparação com outros países, na França a média é de 12 livros por ano, na Espanha, 11, nos Estados Unidos, 10, na Argentina, seis, no Chile, cinco e na Colômbia, dois. Na Noruega, maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, as pessoas lêem cerca de 16 livros por ano. Não é um número tão alto comparado a outros países, mas impressiona o percentual da população que cultiva o hábito da leitura, que é de 96%. O incentivo dado ao estudante para ler deveria começar na escola, mas quase 70% delas sequer têm uma biblioteca. Com esta realidade, o que se pode esperar a não ser grande número de analfabetos funcionais? Dados do Indicador de Analfabetismo Funcional, divulgados em julho de 2012, dão conta que 20% dos brasileiros, de 15 a 49 anos, são analfabetos funcionais, ou seja, aquela pessoa que, apesar de conseguir ler as palavras, não consegue entender e, consequentemente, interpretar a mensagem de um texto de até 10 linhas com até três parágrafos. Juazeiro do Norte, em virtude da presença do Padre Cícero Romão Batista nas cenas da sua história tornou-se uma das cidades mais registradas em livros. São cerca de 700 títulos que abordam diretamente assuntos ligados diretamente à vida deste município de grande valor histórico. Em função de episódios de mais destaque, temos mais de cinco mil livros e milhares de folhetos de Literatura de Cordel que falam sobre o Juazeiro do Norte ou mais especificamente sobre a figura do Padre Cícero. Para cultivar o hábito da leitura nas crianças e nos jovens é preciso que a família e a escola façam sua parte. Quanto às escolas, responsabilidade do poder público, temos a ressaltar que esta Câmara Municipal deverá respaldar do ponto de vista legislativo, as condições do poder executivo desenvolver uma política de Livro e Leitura capaz de garantir às escolas a estruturação de bibliotecas escolares e da aquisição de livros para doação aos alunos, dando-lhes a condição de iniciarem desde cedo o embrião da biblioteca domiciliar em cada lar, para que estes alunos, tendo o livro ao alcance da mão possam adquirir o hábito da leitura e assim sendo, frequentarem as bibliotecas e as livrarias, movimentando assim a economia do livro, viabilizando em Juazeiro do Norte que empreendedores possam implantar mais livrarias e editoras na cidade.”

quarta-feira, 4 de junho de 2014

 BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
035: (04.06.2014) Boa Tarde para Você, Francisco Garcia
Por mais que eu tente, não consigo me acostumar com esta nossa Praça Padre Cícero sem você. De todos os personagens mais recentes, você – Garcia, já era figura obrigatória. E deveria ter sido tombado para o nosso patrimônio cultural. É bem verdade que ultimamente tem aparecido uns prefeitos que tombam e destombam, sem nem pedir desculpas pelo vexame. Pensando bem, dos males o menor: você foi saindo devagarzinho e nos deixou saudades. Por um tempo, foi providencial que você tivesse trazido para aquele recanto sudoeste da Praça, o seu sebo. Penso que já não era uma dessas livrarias de usados e coisas mais raras. Já era uma instituição, uma autarquia. Ali nos reuníamos ao sol brando das manhãs, para assinar o ponto, para falar de livros, de estudos, de leituras, de personagens ricos de nossas histórias e de muitas histórias que cada um contaria. Enfim, para sentar em poucas cadeiras ou mesmo se deixar ficar em pé por muito tempo, sem arrefecer a roda, sempre encorpada por alguém que já era esperado. Bem, me falaram de desconforto de doença, sem muita gravidade, felizmente. Mas foi melhor para você, certamente, guardar-se em casa, junto aos seus. Perdemos nós, Garcia, a sua companhia sempre alegre e desprendida a nos mostrar as últimas novidades do século XX, dos livros e dos discos. Sempre gostei muito de sebo. Você sabia disso, e como me tratava com tal estima. É uma mania que vem de longe, ainda dos anos 60. Tenho histórias maravilhosas de sebos paulistanos, do tempo em que estudava na USP e me reservava a obrigação para ir ao centro velho de São Paulo, aos sábados, para encontrar amigos e percorrer as mais fascinantes das livrarias de antiquários. Isto, mais recentemente mudou muito porque se acha pela internet o que se deseja, e se recebe em casa, confortavelmente. Eu nunca desisti de certos intentos, como este de obter obras raras. Posso lhe dizer, Garcia, da emoção que às vezes isto provoca. Há uns cinco anos eu consegui comprar um dos primeiros livros do juazeirense Antonio Xavier de Oliveira, coisa que acalentava, acredite, há mais de 40 anos. De outra sorte, ainda não foi possível conseguir o Ceará Conflagrado, sobre a Sedição de Juazeiro, do pouco conhecido Antonio Gusmão, obra raríssima até para as melhores bibliotecas públicas do país e do exterior. Mas não vou esquecer, e lembrarei sempre, Garcia, que de sua lojinha de livros velhos, tão apertadinha, eu já sai de lá com os braços cheios de coisas que procurava, desta nossa literatura regional que, bem ou mal, nos ajuda um pouco a esclarecer nossa própria ignorância. Tudo isto que vivi, especialmente com pessoas como você, incansável para nos servir da melhor maneira possível, hoje se corporifica num acervo de biblioteca pessoal que, modéstia a parte, é invejável. Felizmente, chega logo o dia em que terei o prazer de ceder isto à Universidade Federal do Cariri, para que este uso-fruto se estenda a muitos outros jovens, ansiosos e sequiosos para desenvolver estudos que mais contribuam para a nossa cultura. 

O CANDIDATO NA PRAÇA
Um grupo de pessoas estava, domingo passado na Praça Pe. Cícero, como de costume, e ai passou por lá o doutor Carlos Macedo e avisou que estava indo se encontrar com o candidato a presidência da república, Eduardo Campos (ex-governador de Pernambuco) e o traria para um encontro com a turma. Por incrível que pareça, não deu outra. Pois não é que o maluco trouxe mesmo toda a comitiva, com muitos políticos, de vereador a deputado, em muitos carros que estacionaram pelo lado da rua do Cruzeiro e desceram para nos cumprimentar. O mais prevenido foi mesmo o Aluízio Neri Filho que tinha mandado fazer uma pequena lembrança para o presidenciável. Constava de uma espécie de troféu com uma pequena imagem do Frei Damião, e uma placa com dizeres alusivos à visita do candidato. Eis aí a imagem do flagrante, quando o Eduardo Campos saia da praça Pe. Cícero carregando a lembrança do Aluízio. No mais foram muitas fotografias, tapinhas nas costas, estas coisas de candidato, que não muda nunca, em véspera de eleição.


CINE CAFÉ NO CCBNB
O Cine Café, dentro da programação do Centro Cultural do Banco do Nordeste exibirá no próximo dia 7, um grande filme que merece ser visto por todos: As Pontes de Madison. A ficha técnica, sumariamente, é: Título original: The Bridges of Madison County. É um filme de drama romântico americano, produzido e realizado em 1995, baseado no romance best-seller de mesmo nome de Robert James Waller. Foi produzido pela Amblin Entertainment e Malpaso Productions, e distribuído pela Warner Bros. Entertainment. O filme foi produzido e dirigido por Clint Eastwood, com Kathleen Kennedy como co-produtora e o roteiro foi adaptado por Richard LaGravenese. O filme é estrelado por Eastwood e Meryl Streep. Streep recebeu uma nomeação ao Oscar de Melhor Atriz, no Oscar 1996, por sua atuação no filme. Elenco: Clint Eastwood como Robert Kincaid, Meryl Streep como Francesca Johnson, Annie Corley como Carolyn Johnson, Victor Slezak como Michael Johnson, Jim Haynie como Richard Johnson, Sarah Kathryn Schmitt como jovem Carolyn, Christopher Kroon como jovem Michael, Phyllis Lyons como Betty, Debra Monk como Madge, Richard Lage como Lawyer Peterson, Michelle Benes como Lucy Redfield. Sinopse: Eastwood encarna o fotografo free-lancer Robert Kinkaid, enviado a Iowa pela National Geographic Magazine, no ano de 1965, para imortalizar com suas lentes, as pontes do interior americano. Streep, ganhou a decima indicação para o Oscar interpretando Francesca Johnson, uma italiana casada com um ex-soldado americano e mãe de um casal de crianças, que vive um grande romance com Kinkaid. Baseado no romance de Robert James Whaler, o filme, e repleto de momentos de rara emoção e romance, sempre no elegante estilo dos filmes dirigidos por Eastwood. Fotógrafo vive um romance de quatro dias com mulher casada, durante um trabalho no condado de Madison, em 1965. Eastwood prova mais uma vez que é um dos maiores cineastas modernos ao transformar o "best-seller" de Robert James Whaller num drama romântico sensível e de realização impecável. O roteiro passou pelas mãos de Steven Spielberg, Sydney Pollack e Bruce Beresford antes de ser reescrito a pedido de Eastwood para sua versão final, que tem momentos de delicada emoção. Streep foi indicada ao Oscar por sua excelente atuação, dessa vez com sotaque ítalo-americano. Na trilha de jazz escolhida cuidadosamente, uma das canções foi escrita por Eastwood.

REUNIÃO DA AFAJ
Na noite de hoje, em Fortaleza, a diretoria da Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte estará reunida mais uma vez, como faz mensalmente, para tratar de assuntos do seu interesse. Na pauta, os diretores analisarão a prestação de contas do seu eficiente tesoureiro João Reginaldo Tenório. O assunto mais importante é o que trata da realização de mais uma festa junina, que tradicionalmente ocorre na Chácara do Rei, aprazível vivenda do casal Graça e Odival Limeira Lima, no próximo dia 21. A festa acontece com o apoio d colônia juazeirense radicada em Fortaleza, e também com outras numerosas colônias de cidades caririenses, todas filiadas a União Cariri. Também na reunião desta noite será tratado do projeto de elaboração de um livro que contará a história da AFAJ, nos seus primeiros 20 anos. Novamente, a AFAJ voltará a se reunir no dia 3 de julho. A AFAJ é presidida pelo Cel. Francisco José de Lima e tem na sua vice presidência o Benedito (Beni) Rodrigues Veloso.

URBANISMO
O Prefeito do Município de Juazeiro do Norte, ouvindo a Câmara Municipal, por proposta de autoria do Vereador José Adauto Araújo Ramos, coautoria do Vereador Antônio Vieira Neto e subscrição da Vereadora Rita de Cássia Monteiro Gomes, sancionou e promulgou a Lei N.º 4327, de 2 de Junho de 2014, que dispõe sobre os prolongamentos das Ruas Monsenhor Lima, Domingos Braga Neto, Antônio Jeremias Pereira, Raimundo Elias Pereira e Manoel Duarte Pereira, no conjunto COHABECE, no bairro Salesianos. Referidas ruas foram prolongadas no sentido Leste/Oeste, numa extensão de 55,00m (cinquenta e cinco metros) em direção oeste, até o limite com as terras pertencentes a João Peixoto da Costa, no Conjunto COHABECE, no bairro Salesianos, do seguinte modo:
I – RUA MONSENHOR LIMA, prolongamento a partir da Rua Pedro Bispo dos Santos;
II – RUA DOMINGOS BRAGA NETO, (Lei n.º 2091, de 19.04.1996), prolongamento a partir da Rua Pedro Bispo dos Santos;
III – RUA ANTÔNIO JEREMIAS PEREIRA, (Lei n.º 2098, de 29.04.1996), prolongamento a partir da Rua Pedro Bispo dos Santos;
IV – RUA RAIMUNDO ELIAS PEREIRA, (Lei n.º 2097, de 29.04.1996), prolongamento a partir da Rua Pedro Bispo dos Santos;
V – RUA MANOEL DUARTE PEREIRA, (Lei n.º 2103, de 23.05.1996), prolongamento a partir da Rua Pedro Bispo dos Santos;
VI – RUA WALDES LOPES CRUZ, (Lei n.º 2466, de 21.12.1999), prolongamento a partir da Rua Pedro Bispo dos Santos;

UTILIDADE PÚBLICA
A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte decretou, tomada pela iniciativa do Vereador Antonio Vieira Neto, e o Prefeito Municipal sancionou e promulgou a Lei N.º 4328, de 2 de Junho de 2014 que reconhece de utilidade pública a PARÓQUIA SÃO PAULO APÓSTOLO, instituída em 15 de outubro de 2011, tem sede, foro e representação na cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, é uma organização religiosa de âmbito regional, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, tem por finalidade desenvolver os objetivos da Igreja Católica Apostólica Brasileira – ICAB, por prazo de duração indeterminado e reger-se-á por seu estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
034: (02.06.2014) Boa Tarde para Você, “capitão” Rildo Teles.
Já era o comecinho da noite de ontem quando tremulou, no alto da imensa rama branca de quase 24 metros, e mais de duas toneladas de peso, a bandeira da festa de Santo Antonio, em Barbalha. Rendo a você, Rildo Teles, e me apresso em estender às centenas de seus colaboradores, os meus cumprimentos pelo sucesso de toda esta jornada. Estávamos ansiosos pela repetição desta tradição de oitenta e seis anos, em longa história de trezentos anos de devoção, desde a fundação da cidade. Ano a ano, e especialmente nos últimos catorze, a você Rildo, esta expectativa se repete pela escolha da árvore, por sua derrubada e secagem, e no traslado em cortejo festivo, em estirada de seis quilômetros. No Cariri, esta festa de Barbalha é a abertura e a retomada dos grandes acontecimentos populares, enriquecida pela presença de milhares de pessoas enturmadas em dezenas de grupos folclóricos que enchem as ruas, durante as celebrações. Afinal, com tal valor, a festa de Barbalha é hoje catalogada como patrimônio imaterial brasileiro, assegurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), inserta no calendário dos grandes eventos da cultura nacional. E em agradecer a você, Rildo Teles, bem como aos seus colaboradores, os carregadores que enfrentaram mais de seis horas de grande esforço físico, não se pode deixar de mencionar a grandeza deste povo barbalhense que se empenhou em todos estes anos para sempre realizá-la com tanto requinte. Também não devo economizar numa menção obrigatória aos seus poderes públicos que tanto contribuíram para o seu maior brilho. Hoje já pude constatar pelas agências de notícias e redes sociais que, felizmente, nada houve a lamentar. Entre o corte da árvore e este último momento, bem sabemos como são preocupantes todos estes instantes com a segurança de todos. Pequenos acidentes são quase impossíveis de serem totalmente evitados e conhecemos o seu zelo e atenções. Finalmente, foi alegria só, o que também tive oportunidade de presenciar, depois de muitos anos sem vê-la. Vi de perto, Rildo, toda aquela comoção bem estampada nos rostos alegres de sua gente. Encontrei pessoas amigas que estendiam pelas calçadas e ruas a sua própria casa como se cada uma delas fosse a antessala da grande festa. Ao ver aqueles milhares de pessoas que se espremiam, com olhos fitos para não perder nenhum dos seus momentos solenes, do fincamento do mastro e do hasteamento da bandeira, não deixei de me lembrar, do então vice prefeito de Barbalha, o querido Edmundo Sá Sampaio. Era dele, na minha juventude, que ouvia relatos emocionados que me encantavam, sobre as festas de Barbalha. Voltei ontem à cidade, Rildo, me lembrando destas conversas, e principalmente do tempo em que me falava do desenvolvimento da cidade e dizia com tão bom humor: Meu filho, se você ainda quer ver Barbalha, pequenina, se apresse. Volte lá correndo para ver como ela está crescendo. E de fato, depois de tudo, tomei o carro e por alguma razão, como os impedimentos ao trânsito de veículos, eu fui circulando por muitas ruas de Barbalha até me encontrar saindo pela estrada de Arajara, para voltar a Juazeiro. Só assim eu pude ver que há muito tempo Edmundo Sá Sampaio já tinha razão em me dizer todas aquelas coisas.


sexta-feira, 30 de maio de 2014


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
033: (30.05.2014) Boa Tarde para Você, Renata Carleial de Casimiro Oto
Daqui a pouquinho nós vamos ter o imenso prazer de abraçá-la no aeroporto. Vamos poder dar um daqueles gritos de alegria que se guarda no peito e estava ainda preso na garganta há quase três anos, desde a última vez que nos vimos. Você vem ao Cariri, querida filha, para nos rever, seu pai, irmão, tios e primos. De um lado aqui vai estar este pequeno pedaço de uma quase nação romeira, os Soares de Viçosa, da nobre civilização das Alagoas, e dos Casimiros de tantos lugares de Sousa, na Paraiba. Gente romeira que aportou por aqui há quase um século, acreditando que, como lhes dizia o santo padrinho, era uma terra de promissão. Não deu outra: o fermento da família cresceu célere e habitou generoso, enchendo muitos lugares do Vale. De outro lado, certamente você também encontrará primos diletos das gentes Carleiais, dos Carvalho, Leite e Alves da heráldica descendência de seu bisavô José Bernardino, na Barbalha de Santo Antonio. E numa destas ramas longas, ai está o Gabriel, para quem você vem trazendo afeto e carinho por seus primeiros cinco anos, um trineto amado de toda esta descendência. É tanta gente que até parece uma daquelas doze tribos de Israel. É providencial esta sua estada em poucos dias conosco porque a cidade vai estar em festa. Você será um encanto entre os milhares que assistirão esta abertura festiva da festa que se dedica ao santo do lugar. Casada de pouco tempo, em requinte de cerimônia parisiense, estou certo de que você terá uma oração particular para agradecer a felicidade desta graça. Tudo é devido aos santos que nos protegem e guardam para o bem. Vamos nos esforçar para novamente fazer o seu reencontro com este recanto privilegiado do nosso Ceará. Esse Cariri cearense já lhe trouxe muitos momentos deliciosos na visão de suas tradições, convivência com seu povo, belezas naturais, festas e folguedos, a delícia de suas águas serranas, o dulçor do mel do engenho e os passeios e as brincadeiras desde os tempos da infância. Esse é um reencontro, maturado nas saudades deste povo e de tantos lugares inesquecíveis. Quero que sua permanência entre nós nos enseje todas as possibilidades de senti-la feliz por este momento que vive. Queremos também lhe mostrar um pouco do que nos anima pela cultura popular, pelo patrimônio histórico e artístico. Não queremos deixar ao largo a possibilidade de fazê-la participante deste nosso clamor para que a região ganhe muito mais com suas heranças. Exatamente porque recai sobre si uma parcela daquilo que o Ministério da Cultura, por seu Instituto Brasileiro de Museus, instituição a que você pertence, também ponha seus olhos e zelo pelo que aqui se deve preservar. Seja também nossa advogada para que a região possa merecer melhores investimentos e atenções com o seu patrimônio, trazendo, quem sabe, o gesto concreto de novos equipamentos museais. O país necessita de muitos mais museus para demonstrar a sua riqueza cultural, e o Cariri não fica atrás. Seja bem vinda, Renata, você é a linda menina que volta. De tudo vamos nos falar e sentir. Mas, será, sem dúvida, principalmente para este seu pai, um bálsamo acalentá-la nos braços e trazer de volta todos os encantos de uma relação e de um tempo que, finalmente, está de volta.    

NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
A Câmara Municipal da cidade de Juazeiro do Norte fez publicar no Diário Oficial do Municipio os seus atos que concedem novos títulos de Cidadão Juazeirense. São eles. RESOLUÇÃO N.º 704 DE 27 DE MAIO DE 2014, pelo qual fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustríssimo Senhor JOSÉ SILVA BRITO, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Antônio Vieira Neto, Presidente. Autoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva. Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura – Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Paulo José de Macêdo – José Ivan Beijamim de Moura - José Adauto Araújo Ramos – Danty Bezerra Silva – Firmino Neto Calú – Cláudio Sergei Luz e Silva - Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – João Alberto Morais Borges – Antonio Vieira Neto – Rubens Darlan de Morais Lobo - Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Maria Calisto de Brito Pequeno - Maria de Fátima Ferreira Torres – Auricélia Bezerra e Rita de Cássia Monteiro Gomes. RESOLUÇÃO N.º 705 DE 27 DE MAIO DE 2014, pelo qual fica concedido o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor ANTÔNIO JOSÉ FELIX VIANA, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Antônio Vieira Neto Presidente. Autoria: José Adauto Araújo Ramos. Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura – Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Paulo José de Macêdo – José Ivan Beijamim de Moura – Danty Bezerra Silva – Firmino Neto Calú – Cláudio Sergei Luz e Silva - Cícero Claudionor Lima Mota - João Alberto Morais Borges – Antonio Vieira Neto - Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Maria Calisto de Brito Pequeno – Auricélia Bezerra e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
Contudo, durante a semana, a maior discussão na Câmara aconteceu pela concessão de outros títulos aos senhores: Eduardo Campos (Governador do Estado de Pernambuco), Eunício Oliveira (senador da República) e Zezinho Albuquerque (Governador do Estado do Ceará.)

quarta-feira, 28 de maio de 2014

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
032: (28.05.2014) Boa Tarde para Você, Maria Stela Inácio de Sales
Em Agosto irei à Biblioteca Pública Municipal Dr. Possidônio da Silva Bem, a seu convite. Será mais uma etapa do Projeto Memória Viva, para preservar e promover o patrimônio histórico e cultural da cidade. Eu espero contribuir com um depoimento que lhes diga sobre as minhas experiências neste rumo. Não sei se vou lhes atender plenamente, porque terei, apenas, avexados 20 minutos para lhes falar de meio século de dedicação a este mister, com muito orgulho. Mas, deixe-me que lhe conte, Stela, uma história que me liga emocionalmente à Biblioteca Pública de Juazeiro. Eu a vi nascer, no Bosque Luiz de Queiroz, na lateral direita da Matriz. Ali, ela era miudinha, uma salinha de leitura, pequeno acervo, tudo pequenininho. Disso vai lembrar o Zé Carlos Pimentel que também a dirigiu. O padrinho da obra era o médico parteiro que me viu nascer. Foi meu padrinho na cerimônia dos santos óleos da Crisma e ainda me seguiu, dispensando atenções de um pediatra. Nasceu esta obra, para mim, em meio a um clima de muito afeto. Mas, naquele ano de 1964, eu estava concluindo o Ginásio, aqui nos Salesianos. Daniel Walker e eu editávamos um jornal mural no colégio. E tínhamos um rival, também no mural, dos colegas do terceiro ano. Numa destas edições semanais, eu me enfureci com algo e num gesto tresloucado, arranquei-o do flanelógrafo, amassei-o e joguei-o no chão. Foram logo denunciar-me ao prefeito da disciplina, o Pe. Mário Balbi que, incontinenti, lavrou a sentença condenatória, aplicando-me merecida suspensão com uma semana de afastamento das atividades do colégio. Teria, mais, que levar para casa, na velha caderneta, o apontamento da suspensão, para conhecimento dos pais. Este, para mim, seria o mais doloroso, exatamente por não saber qual seria a atitude dos meus velhos. Então, preferi não lhes dizer e me ocorreu fazer do seguinte modo. Todo dia eu saia para o colégio, como se nada tivesse acontecido. Mas, tomava o caminho do Bosque e me internava na Biblioteca Pública. De lá só saia pelo meio dia que era quando a Rua Padre Cícero se enchia dos colegas que desciam do colégio para suas casas. Na contramão, desconfiado, eu ia encontrando a turma, até pegar o beco da Santa Luzia e entrar em casa, como se tudo fosse normalidade. Semanas depois a família soube, mas só amarguei fortes repreensões, sem mais nenhuma consequência de castigos. Estes, Stela, foram o texto, o contexto e o pretexto. O que posso lhe dizer ainda é que nas entrelinhas, a Biblioteca Pública, ainda na sua fase inicial, de tal pobreza franciscana, operou um grande milagre de me fazer um leitor contumaz e compulsivo. O que isso significou para mim, a partir daquelas longas leituras das obras de Monteiro Lobato, o mundo não sabe e eu apenas desconfio. Amanhã, não vou contar esta história lá. Fica apenas entre mim, você e a torcida do Icasa. Afinal, que papelão faria este sessentão diante de um alunado tão jovem que enche o auditório da Biblioteca, na ansiedade de bons exemplos? Vou dizer apenas que na Biblioteca Pública de Juazeiro, há cinquenta anos passados, eu comecei lendo as Reinações de Narizinho, aprontei muitas pela vida e terminei fazendo alguma coisa para preservar a memória e o patrimônio histórico e cultural da cidade. Será que eles vão acreditar?

NOVA UPA-LIMOEIRO
A nova Unidade de Pronto Atendimento que a Prefeitura Municipal vai inaugurar no Bairro do Limoeiro será uma homenagem ao conhecidíssimo e benemérito médico juazeirense, Odílio Camilo da Silva. Veja o ato publicado no Diário Oficial do Município, em 26.05. LEI Nº 4316, DE 22 DE MAIO DE 2014. Denomina a Unidade de Pronto Atendimento – UPA – DR. ODÍLIO CAMILO DA SILVA e adota outras providências. O Prefeito do Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. Faço saber que a Câmara Municipal decretou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei: Art. 1º – Fica denominada de UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTOM - UPA – DR. ODÍLIO CAMILO DA SILVA, a UPA localizada à Rua Capitão Domingos com a Avenida José Bezerra, no bairro Limoeiro, nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. Art. 2º – A presente Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º – Revogam-se as disposições em contrário. Palácio Municipal José Geraldo da Cruz, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, quinta-feira, 22 (vinte e dois) de maio do ano dois mil e catorze (2014). Raimundo Antonio Macedo, Prefeito de Juazeiro do Norte. Autoria: Vereador Paulo José de Macedo.

DO POETA ZÉ DE MATOS
Por e-mail (26.05), Luiz Afonso Cavalcante Gomes (Fortaleza) me conta que: “Zé de Matos foi um poeta cratense, analfabeto, alcoólatra inveterado, que segundo ouvi quando menino, de pessoas que o conheceram, vivia a dispensa dos cidadãos que o admiravam pelos seus repentes poéticos. Acredito que muita coisa deve estar guardado nos anais da história de Crato e, naturalmente, de alguns de seus historiadores. Ouvi muitas vezes, o Pe. Cícero Coutinho, que anotava todos os fatos de Juazeiro e das cidades circunvizinhas, desde política, vida social e vários outros, principalmente das figuras que se sobressaiam no dia a dia de cada uma delas. Guardei alguma coisa, pouca, é bem verdade, mais digna de ser relembrada. “Um padre saído de Crato, acompanhado de varias pessoas, ele montado num burro e os demais a pé, ia fazer a “desobriga”(missa) no  povoado “Taboleiro Grande” hoje, Juazeiro do Norte. Na metade do caminho, os caminhantes encontraram Zé de Matos deitado junto à umas  moitas à beira da estrada, completamente bêbado e dormindo. O padre, complacente, mandou algumas pessoas acordá-lo e pedir para que seguisse com os demais ao seu destino. Tentativa vã, resmungava, virava de um lado para outro até que, depois de vários safanões, conseguiu abrir os olhos, entender o pedido e respondeu com este verso:
“EU ME SINTO TÃO PESADO,
 QUE JÁ DEI UM PASSO PERRO,
EU PENSO QUE SOU DE FERRO,
OU NO CHÃO TÔ APREGADO...
SÓ SAIO DAQUI ARRASTADO
OU PARTIDO EM QUATRO TORA...
ISTO MESMO, COM DEMORA...
SÓ ASSIM ME ALUIRÃO...
D´OUTRO JEITO EU NÃO VOU NÃO,
QUANDO EU PUDER, VOU EMBORA...”

CINE ELDORADO
O Eldorado exibe nesta sexta, 30.05, O tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre), USA, 1948, do gênero aventura, dirigido por John Huston. A ficha técnica, sumariamente, é: O roteiro foi adaptado por Huston de uma obra homônima de 1927, escrita B. Traven. Foi um dos primeiros filmes de Hollywood a realizar locações fora dos Estados Unidos; foram feitas externas em Tampico, no México. Mas as cenas noturnas são de estúdio. O filme apareceu em 30º lugar em uma lista comemorativa do American Film Institute (AFI) quando da comemoração dos 100 anos do cinema. Elenco: Humphrey Bogart (Fred C. Dobbs), Walter Huston (Howard), Tim Holt (Bob Curtin), Bruce Bennett (James Cody), Barton MacLane (Pat McCormick), Alfonso Bedoya (Gold Hat), Arturo Soto Rangel (El Presidente), Manuel Dondé (El Jefe), José Torvay (Pablo), Margarito Luna (Pancho), Jack Holt (Mendigo). Sinopse: A história se passa nos anos 20, no México, quando a sangrenta revolução mexicana já havia terminado, mas inúmeros bandoleiros continuavam a aterrorizar o país. Três forasteiros (gringos) resolvem procurar ouro nas montanhas de Sierra Madre. Eles vão de trem (comboio) e depois penetram no deserto, guiados pelo idoso Howard, que os convencera que havia encontrado uma mina. A história se mostra verdadeira e os três conseguem uma grande quantidade de ouro. Mas logo um dos exploradores, Fred C. Dobbs, começa a sucumbir à ganância e entra em conflito com os companheiros, traindo os seus amigos, ao mesmo tempo que são atacados por numerosos bandoleiros. Principais prêmios e indicações: Oscar 1949 (EUA): Venceu na categoria de melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor ator coadjuvante (Walter Huston). BAFTA 1949 (Reino Unido): Indicado na categoria de melhor filme de qualquer origem. Globo de Ouro 1949 (EUA): Venceu nas categorias de melhor filme - drama, melhor diretor de cinema e melhor ator coadjuvante (Walter Huston). Festival de Veneza 1948 (Itália): Indicado ao Leão de Ouro.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
031: (26.05.2014) Boa Tarde para Você, Raimundo Rodrigues Araújo
Um compromisso importante e inadiável, me impediu que estivesse ao seu lado no lançamento do seu décimo sétimo livro. Lamentei porque não pude conciliar as duas coisas. Esse, particularmente, embora um tanto tímido para ser considerado Antologia, abre a possibilidade de que a literatura sobre sua prima em terceiro grau, a beata Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo, passe a encorpar mais ainda a extensa bibliografia dos estudos juazeirenses. Que ela se tornou um bom objeto de relevantes pesquisas, já não mais desconfiamos, pois são evidentes os interesses e, mais ainda, as edições se sucedem. Certamente, foi a duras penas que a academia foi aos poucos identificando predicados a serem vistos por diversos olhares e saberes. Realmente, a beatinha, como assim se referem tanto a esta sua parenta, caiu nas graças de um sem número de curiosos para conhecer um pouco mais sobre a figura central do milagre de março de 1889 e por mais de uma centena de repetições. A beata Maria de Araújo, meu caro Raimundo, passou a interessar mais quase simultaneamente às iniciativas de revisão do caso Padre Cícero perante Roma. E como emplacou a questão da reabilitação do sacerdote, até parece que isto eclipsou ou impossibilitou qualquer outra iniciativa para que a Igreja também dedique seus olhares sobre a Maria de Araújo. Como sabemos, ela foi conduzida a um ostracismo tão grande que os séculos já viraram e até parece que aos olhos da Igreja ela nem existiu. Puseram sobre ela uma carga social muito perversa, imposta por rótulos de discriminação e selvageria: negra, pobre, analfabeta, doente mental, feia, medíocre... Que mais, Raimundo, faltaria para reduzi-la a tanto? Contudo, parece não haver erro que, atriz de uma circunstância em descrédito, qual seja, aquela de que Nosso Senhor Jesus Cristo não deixaria a Europa para obrar milagres no miserável lugar do Joazeiro, a Maria não foi outra senão a Serva de Deus. Por iniciativas como esta que você tomou, Raimundo, penso que você é a pessoa ideal para conduzir algumas das preocupações remanescentes sobre a vida e o papel da beata no caso do milagre eucarístico de Juazeiro. O livrinho, ainda modesto para a grandeza da causa, tem que expandir suas atenções, registrando tanto as especulações já ocorridas, quanto a atualidade do debate.  Por exemplo, é necessário esclarecer a violência que o então vigário Zé de Lima cometeu, de moto próprio, já que é verdade que a Diocese de Crato era vacante. Ou será que a função de vigário da paróquia já era por si só suficiente para respaldar o ato de destruição do jazigo e a exumação do corpo? É necessário elaborar uma versão mais honesta sobre isto, para se saber o paradeiro dos restos mortais da beata. Onde foi que puseram? Onde está a nova sepultura? Pelo fato da beata ter morrido de morte natural, dezesseis anos depois, ocultar os seus restos mortais, não tem o agravante de ação criminosa? Ora, se a Santa Madre Igreja ainda vive procurando por paninhos ensanguentados das comunhões da beata, o que não faria para esclarecer o resto?  Assim, Raimundo, como diz o poeta, neste “Mundo, mundo, vasto mundo” assuma o que há para fazer. Quanto a mim, por especular estas coisas, só posso lhe dizer que “Se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução”.