segunda-feira, 17 de agosto de 2015

BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
178: (10.08.2015) Boa Tarde para Você, Paulo de Souza.
Das melhores lembranças que guardo dos meus tempos de ginasiano nesta cidade, entre os idos de 1961 e 1964, uma delas inevitavelmente se refere à grande convivência com inúmeros colegas de bancos escolares, muitos dos quais contribuíram enormemente para a minha própria formação. É nesse contexto que lhes falo hoje de Paulo de Souza, cumprimentando-o nesta véspera de seu aniversário natalício, lembrando a mim mesmo a frustração de que, efetivamente, tivemos pouco relacionamento, tanto na passagem pelo Salesiano, como pelo distanciamento pessoal e profissional.
Nunca deixei de lembrar-lhe porque nós, os colegas, frequentemente fazíamos uma espécie de chamada geral onde localizávamos residência, vida e ocupação para não perdê-los de vista, tendo com alguma frequência a tristeza de más notícias por alguns falecimentos prematuros. Por um tempo, imaginávamos que Paulo de Souza seria uma destas necessárias vocações do ministério sacerdotal, pois o sabíamos matriculado no Seminário São José, em Crato ou no velho Seminário da Prainha em Fortaleza, até que voltou ao Juazeiro para terminar o segundo grau. Fomos sabendo à distância o itinerário bem sucedido de sua formação universitária, na Engenharia Civil, exemplarmente cumprido na Escola Politécnica de Campina Grande, que resultou tanto no seu exercício profissional, como hoje se realiza, como também contemplou o magistério superior. Mas, Paulo de Souza era exatamente uma dessas pessoas que nos surpreendia, pois vivendo em Campina Grande, entre 1970 e 1974, ele ainda arranjava tempo e esbanjava competência para ser repórter, redator e chefe de reportagem dos Diários Associados, no rádio, no jornal e na televisão. De volta ao Cariri, Paulo se dedicou completamente à sua vocação e profissão, em empresas da construção civil e aí começou a construir esta legenda que hoje se encerra numa menção obrigatória que o elege engenheiro civil de grande competência para cálculos e estrutura, e docente da URCA nas disciplinas de Pratica das Construções, Patologia das Edificações e Fundações de Edifícios. Bem recentemente, uns seis anos atrás, eu me surpreendi em saber que Paulo de Souza também cuidava e muito bem, de uma faceta notável de sua sensibilidade com a música, com ótima formação em teclados, escolarizada em academia e de composição musical bem elaborada. Foi quando tomei conhecimento de peças de sua autoria como os Hinos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do Menino Jesus de Praga, do Jubileu de Ouro Sacerdotal de Dom Newton Holanda Gurgel e os do Congresso Eucarístico e do Centenário da Diocese de Crato, bem recente. Na passagem para o terceiro milênio, Paulo de Souza se fez peregrino à Terra Santa e ali, diante de tantos e magníficos ambientes e ritos, ele começou a produzir canções que constituíram um rico CD, com todas as peças executadas na interpretação exuberante do nosso Francisquinho das Igrejas. Ainda na ocasião do Centenário de Juazeiro do Norte, em 2011, felizmente, e antecipando-se à nossa indecisão, na Comissão do Centenário, Paulo de Souza sentiu que era a oportunidade de presentear sua terra com um hino que falasse deste grande momento. Assim, ele foi aos livros, fez exaustivas leituras para conhecer minuciosamente a história deste velho Tabuleiro e numa síntese admirável pôs em versos e canção o que aquele momento ensejava: “Sob o manto de Maria tu nasceste / E o amor do Padre Cícero Romão. / Haverá lugar bendito como este? / Quanta honra, luz e glória neste chão! Teu passado, Juazeiro, é glorioso. / Teu presente um pujante florescer. / Teu futuro é grandioso. / Construído com trabalho e com fé. Dos pequenos e dos grandes és guarida. / Acolher é tua nobre vocação. / És refúgio para os náufragos da vida, / Que da Virgem buscam amparo e proteção. Nesta terra, cada lar é uma oficina, / Oratório de labor e devoção. / A semente que se lança aqui germina, / Multiplica, gera fruto em profusão. Maravilha! Celebrar teu Centenário / Grande festa de beleza singular. / Te saudamos, ó cidade-relicário, / Hoje e sempre haveremos de te amar.” Este é, principalmente, o sentimento elevado e eloquente do Dr. Paulo de Souza, honra e glória deste chão amado do Juazeiro que o reconhece como filho dileto e valioso. Parabéns, Paulo! E que todas estas graças que sua obra expressa e invoca iluminem sua vida longa. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 10.08.2015)

BOA TARDE (II)
179: (12.08.2015) Boa Tarde para Você, Sílvio Grangeiro
Ainda muito jovem eu comecei a participar do ambiente festivo que era a feira semanal, aos sábados nesta cidade, atraído pela cena invulgar da presença de violeiros, cantadores e poetas da literatura de cordel, num espetáculo à parte entre a Praça e o estirão da Rua São Pedro. Nascia ali em mim um sentimento profundo de acolhimento, de gosto, de admiração e de grande interesse por estas manifestações que já se faziam entre nós como uma das expressões mais legítimas da nossa própria evolução social e cultural, através de grandes poetas e repentistas. Como para tantos que me precederam ou me sucederam, na mesma e providencial inspiração, esta cidade se tornou o grande palco, vistoso e preferencial, de toda esta produção poética, que saiu das ruas, das praças e das feiras para chegar exuberante em eventos de todas as mídias na atualidade. Logo mais, quando a noite cair sobre esta cidade, muitos estarão no Memorial Padre Cícero, em meio à realização do XI Festival Nacional de Viola e Poesia, ocasião em que estará sendo prestada ao poeta Sílvio Grangeiro uma expressiva homenagem pelo conjunto de sua vida e obra. Vem gente de vários Estados brasileiros, como Francinaldo Oliveira, Hipólito Moura, Zé Viola, Zé Cardoso, Gilmar de Oliveira, Jonas Bezerra, Moacir Laurentino, Valdir Teles, Gilvan Grangeiro, Cícero André, Cícero Dias, Marcos Ferreira, B. Caboclo, Damião Enésio, Augustinho de Oliveira, José Alves, Zé Fernandes, Cícero Cosmo, João Bandeira, Pedro Bandeira, Nascimento Araújo, Sirlan Grangeiro e Azarias, todos apresentados por Vandinho Pereira e Totó Dudé. E, certamente, por toda esta motivação que envolve poesia, viola e Sílvio Grangeiro, os poetas, cantadores e cordelistas comparecerão em peso, tributando-lhe merecida reverência, na recitação, nos desafios e quanto mais não for, pelo afeto que se derrama por homem tão generoso. No pano de fundo deste acontecimento e nesta data de hoje estará a celebração dos 72 anos de vida deste bravo sertanejo, Expedito Alves Grangeiro, homem nascido em Abaiara, degredado filho da seca de 1958, refugiado temporário em outras plagas, mas que vive conosco há mais de 45 anos. No ano próximo, em 18 de março, deveremos nos lembrar também que serão cinquenta anos de dedicação à cultura popular, desde aquela sua primeira cantoria, através da Rádio Clube de Deodápoles, no Mato Grosso, no início de carreira, vivendo canto e poesia, entre ruas e sertões. No ano passado, mercê desta sua longa cruzada de exercício, prestígio e tanta animação, Sílvio Grangeiro foi distinguido pela Unesco, através do Governo do Estado de Minas Gerais, com a outorga do título de Embaixador da Cultura no Cariri, por tudo aquilo que tem realizado neste pais. Com uma biografia vastíssima, Sílvio Grangeiro fez pelo rádio, como desde o início na antiga Rádio Iracema de Juazeiro do Norte, e a ele se mantem fiel até hoje pela Verde Vale, como um eterno aprendiz, sempre muito focado na sua produção poética bem esmerada. Homem de intensa agenda cultural, não é fácil contabilizar tudo aquilo que traduz a sua mais ampla dedicação à poesia popular, entre folhetos de literatura de cordel – mais de uma centena de edições; poemas - muitos declamados frequentemente por outros poetas de nosso país. Na sua versatilidade, compôs diversas canções e tem inúmeras participações em CDs e DVDs por todo Brasil, e em muitos destes eventos e produções ele figura como parceiro de muitos outros poetas e repentistas, alguns dos quais estarão hoje reunidos no Memorial. Neste cumprimento que lhe faço nesta tarde, meu caro Sílvio Grangeiro, louvo a sua existência, a sua intensa batalha pela cultura e pela vida, ao lado dos seus amados em família, Marismar, dos seus filhos Gilvaneide, Siliomar, Simone, Sirlan, Silmara, Siele, e dos seus seis netos. Sua luta, no melhor que a vida lhe permitiu, é como parte de cada um de nós, seus admiradores, conquistas e troféus que mencionamos e juntamos neste dia festivo para a mais justa homenagem. Por isso mesmo, meu caro poeta, me permita que aqui lhe homenageie, tão simplesmente, lembrando versos primorosos do poeta Pedro Ernesto Filho: “O Cariri tem razão / de mantê-lo em sua história, / sabe receber vitória / e evitar decepção, / exemplo de cidadão / por ser bom e verdadeiro, / ah! se todo brasileiro / fosse igual a esse cara! / - Um filho de Abaiara / Radicado em Juazeiro.”
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 12.08.2015)

BOA TARDE (III)
180: (14.08.2015) Boa Tarde para Você, Irmã Maria Neli Sobreira da Silveira
De acordo com dados oficiais do IBGE, a expectativa de vida do brasileiro está hoje na marca dos 75 anos, e isto para mim é no mínimo surpreendente, pois no país em que nasci, nesta cidade de meus amores, em meados do século passado, não enxergávamos muita coisa além dos 46 anos. As pequenas e médias cidades brasileiras continuam ainda hoje convivendo com imensas diferenças, em cenas diversas que efetivamente não se alteraram tanto, tal a agressividade e a perversidade com que fatores sociais se acumulam sobre as populações menos favorecidas. Felizmente, cresce aos nossos olhos a celebração prazerosa sobre a vida de muita gente longeva, pessoas que até ultrapassam a marca de um século e que nos falam por atingi-la ainda saudável, com grande lucidez e com tantas vontades para continuar vivendo na esperança a graça destes anos. Esta sexta feira, 14 de agosto, assinala a passagem festiva dos noventa anos de existência de uma das mais extraordinárias mulheres de que tenho notícia, a Irmã Maria Nely Sobreira da Silveira, uma destas criaturas tocadas e iluminadas pela graça de Deus. Em sua família se desejou que ela seguisse o itinerário político e assim foi convencida e estimulada a ser uma das nossas primeiras vereadoras, tendo sido eleita muito jovem para um único mandato, fato que seguramente a inspirou a sua inexcedível dedicação para a promoção humana. Mas, como dizemos, Deus escreve certo por linhas tortas e em seus desígnios, Neli Sobreira optou pelo serviço religioso, ingressando em 10 de janeiro de 1949 na Congregação das Irmãs de Jesus Crucificado, ordem religiosa que havia sido criada e aqui estabelecida pelo Monsenhor Macedo. É desta época, junto a Congregação, a fundação de uma das mais meritórias instituições juazeirenses, o Dispensário Nossa Senhora das Dores, obra que prestou um imenso serviço às famílias carentes desta cidade e que funcionou na Rua São José até o início de 1972. A partir daquela data, o Dispensário se transferiu para o bairro do Limoeiro, que não era ainda senão um sítio, herança da família Correia de Macedo, antiga paragem do padre Climério, uma propriedade muito aprazível que passou a abrigar inúmeras ações filantrópicas. O Dispensário foi o grande esteio desta sua obra, e dela a Irmã Neli e todas as religiosas e voluntárias que se somaram a esta cruzada dali irradiaram ações as mais diversas para privilegiar, especialmente, as maiores demandas de incontáveis famílias carentes desta cidade. No caminho destas realizações, Madre Neli – como assim sempre nos referimos em respeitoso tratamento, realizou uma benemérita ação assistencial, protegida em parte por convênios e associações com os poderes públicos e a iniciativa privada. Entre 23 de setembro de 1976 e o final de 1994 os seus esforços foram assistidos com o apoio da Legião Brasileira de Assistência, com o qual a comunidade construiu um Centro Social e uma Escola, mas que também foi dotada de creche para atendimento da infância pobre. Por longos anos a Irmã Neli foi e continua sendo a alma grandiosa de toda esta inspiração que motiva e realiza obras sociais no Limoeiro e em outros bairros do seu entorno, uma criatura quase divina, para quem olhamos com ternura e carinho, procurando compreender tanto desprendimento. Juazeiro continua sendo uma terra de imensas desigualdades sociais e hoje cresce assustadoramente desafiando cada um de nós a assumir parte desta ação civilizadora que gente como Ir. Neli Sobreira foi capaz de se dedicar para resgatar a nossa própria cidadania. Essa responsabilidade social ela assumiu exemplarmente e sua vida é um atestado eloquente desta sua opção preferencial pelos pobres e desassistidos, como se ainda hoje sua missão se orientasse pela herança de velho tronco familiar que aqui estava, antes que todos nós aqui chegássemos. É humanamente impossível quantificar o que a Congregação das Filhas de Jesus Crucificado realizou em Juazeiro do Norte, a partir daquela pequena célula do Dispensário, depois agigantada pela missão do Ginásio Monsenhor Macedo, hoje resistente pelo serviço social no Limoeiro, para nos demonstrar a grande dimensão do serviço ao próximo. Saúdo você, querida irmã Neli Sobreira, nos seus noventa anos, para lhe agradecer e para lhe desejar uma vida muito mais longa, plena das graças de Deus.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 14.08.2014)

FLOR DOS TRÓPICOS
Recebi e agradeço ao poeta Ivan Fernandes Magalhães este ótimo CD que contém algumas de suas poesias mais recentes. Ivan Magalhães já publicou diversos livros. Ao apresentar um deles em lançamento em Fortaleza, eu assim me expressei: “ Ivan Magalhães é um dos lídimos poetas do Cariri, plantado por entre serras e vales, às margens de, outrora, saudáveis regatos. Assim, em Ivan Magalhães, poeta da margem direita do Salgadinho, vamos encontrar a evocação ao nosso rio de aldeia, numa rememoração continuada das experiências da juventude, quando as águas corriam fortes e menos poluídas pelo progresso.” Ele continua realizando uma grande poesia, e neste CD ele volta a eleger sua mulher, Francisca Mirtes Josino, a quem dedica sua poesia título Flor dos Trópicos, em um poema acróstico, interpretado por João Kyor, com acompanhamento de grande musicalidade.


FILMES
Em vários pontos da cidade podemos encontrar a preço muito barato diversos filmes que já foram realizados sobre o Padre Cícero, como os de Helder Martins, Wolney Oliveira e Jonas da Silva, dentre outros, documentários e reportagens. O de Wolnei Oliveira, por exemplo, vez por outra volta ao cartaz, como agora na reabertura do Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, na última quinta feira, dia 13. O filme, ambientado em Juazeiro do Norte, em 1889, reconstitui o fenômeno em que durante a missa, Padre Cícero preside a cerimônia de comunhão. Ao dar a comunhão a Maria de Araújo, a hóstia se transforma em sangue na boca da beata. Mas quem explora este mercado pirata das produções faz outras trapalhadas, como usar ilustrações de capas de livros, ou mesmo trocar os discos. 

IRMÃ NELI SOBREIRA
E não era para menos: a festa de 90 anos da Irmã Maria Neli Sobreira da Silveira, na EMEI Monsenhor Macedo, no Limoeiro foi uma grande demonstração do afeto que a sua comunidade lhe tributa. Assim ela continua a realizar ali uma grande obra. Na ocasião, de presente, ela recebeu um projeto da arquiteta Gizelle Menezes, com o qual deverá dotar a creche com uma belíssima casa de bonecas, um dos seus mais ardentes desejos de complementação da área física daquele estabelecimento, com o qual as professoras e técnicas terão maiores recursos para desenvolver o aspecto lúdico da educação infantil.  




EXCOMUNHÃO
Em breve será lançado mais um livro do Pe. João Carlos Perini, desta vez enfocando a questão sempre suscitada na biografia do Pe. Cícero e que nos remete ao conhecimento de uma excomunhão que teria sido aplicada ao sacerdote. O Pe. João Carlos fez exaustiva pesquisa para esclarecer o fato. Ele inicia seu trabalho revisando todas as sanções punitivas ao Pe. Cícero, pela sequência cronológica, como foram aplicadas pela hierarquia da Igreja, e finaliza provocando o leitor para reconhecer que o processo de Roma tem erros que precisam ser reconhecidos e reparados. 









FESTA DA PADROEIRA
Estamos na contagem regressiva para mais uma tradicional festa da Padroeira de Juazeiro do Norte, Nossa Senhora das Dores. Esta devoção, como se sabe, vem de 15 de setembro de 1827. Portanto, esta data presente é a do ano 188 a partir da pedra fundamental da pequena capelinha na propriedade do brigadeiro Leandro Bezerra Monteira. Outrora, não faz muito tempo, esta romaria, com a vinda de peregrinos de todas as partes do Brasil, especialmente de gente nordestina, era a mais importante do ciclo de romarias, hoje suplantada pela romaria da Esperança, em 2 de novembro. Mas, continua sendo um grande momento de encontro do romeiro com seus santos, como aqui invocados, entre o Patriarca, Nossa Senhora das Dores, Maria de Araújo, José Lourenço, Frei Damião, etc. A Basílica Santuário está ultimando atenções para apresentar o templo com nova pintura e instalações bem cuidadas para atender a todos que virão.

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINEMARANA (SESC, CRATO)
O Cinemarana (SESC, Rua Cel. Francisco José de Brito, Crato), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 17, segunda feira, às 19 horas, o filme QUE BOM TE VER VIVA (Brasil, 1989, 95 min), dirigida por Lúcia Murat. Elenco: Irene Ravache. Sinopse: O filme Que bom te ver viva! retrata as histórias de mulheres sobreviventes da Ditadura (1964-1985) no Brasil. Contextualizando a obra historicamente, esse artigo pretende analisar as críticas do filme em relação ao que era dito e silenciado sobre as violências da Ditadura e tecer relações entre as transformações nessa memória e o processo de construção social e atuação política dos sobreviventes. 

CINEMATÓGRAPHO (SESC, JN)
O Cinematógrapho (SESC, Rua da Matriz, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 19, quarta feira, às 19 horas, o filme AS VINHAS DA IRA (The grapes of wrath, EUA, 1940, drama dirigido por John Ford, baseado do livro de mesmo título, de John Steinbeck). Elenco: Henry Fonda (Tom Joad), Jane Darwell (Ma Joad), John Carradine (Casy), Charley Grapewin (avô Joad), Dorris Bowdon (Rose-of-Sharon Rivers), Russell Simpson (Pa Joad), O.Z. Whitehead (Al Joad), John Qualen (Muley Graves), Eddie Quillan (Connie Rivers), Zeffie Tilbury (avó Joad), Tom Tyler (Deputado Casy), Rex Lease (Policial), Walter Miller (Guarda do Novo México), Bob Reeves (Deputado), Walter McGrail (Líder da gangue), George O'Hara (Caixeiro). Sinopse: Oklahoma, Grande Depressão. Tom (Henry Fonda), filho mais velho de uma pobre família de trabalhadores rurais, retorna para casa após cumprir pena por homicídio involuntário. Ele planeja levar os parentes até a Califórnia, onde dizem que trabalho não falta. Durante a viagem eles passam por diversos tipos de provações e quando finalmente chegam na "Terra Prometida" descobrem que é um lugar bem pior do que aquele que deixaram. Uma ótima análise do filme pode ser lido em http://www.telacritica.org/VinhasDaIra.htm, escrita por Giovanni Alves (2006).

CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande) (alternando), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 21, sexta feira, às 19 horas, o filme SONATA DE OUTONO (Hostsonaten, Alemanha/França/Suécia, 1978, 99 min), direção de Ingmar Bergman. Elenco: Ingrid Bergman (Charlotte), Liv Ullmann (Eva), Gunnar Björnstrand (Paul), Erland Josephson (Josef), Mimi Pollak (instrutor de piano). Sinopse: Após ter sido uma mãe ausente por anos, Charlotte (Ingrid Bergman), uma renomada pianista, vai até a casa de sua filha Eva (Liv Ullmann) para lhe fazer uma visita. Ela se surpreende ao encontrar sua outra filha, Helena (Lena Nyman), que tem problemas mentais. Eva tirou Helena da instituição que Charlotte a havia internado para cuidar dela em casa. A tensão entre mãe e filha começa a crescer devagar até elas colocarem tudo em panos limpos, dizendo tudo que sempre gostariam de dizer.
o/mr15-cristina-marcos.pdf

CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 21, sexta feira, às 20 horas, o filme FÉRIAS DE AMOR (Picnic, EUA, 1955, 115 min), dirigido por Jushua Logan. Elenco: Kim Novak, William Holden, Susan Strasberg, Rosalind Russell, Betty Field, Cliff Robertson, Arthur O'Connell, Verna Felton. Sinopse: Hal Carter (William Holden) é um viajante errante, que chega em uma pequena cidade do Kansas para visitar e tentar conseguir emprego com um rico colega de faculdade, Alan (Cliff Robertson). Porém ele conhece e se apaixona por Madge Owens (Kim Novak), a linda namorada de Alan. Quando a mãe da jovem sente que esta paixão é correspondida entra em desespero, pois sonha ter a sua filha casada com o melhor partido da região.

CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 22, sábado, às 17:30 horas, o filme KATYN (Polônia, 2007, 118 min). Direção de Andrzej Wajda. Elenco: Andrzej Chyra (Jerzy), Maja Ostaszewska (Anna), Artur Zmijewski (Andrzej), Wladyslaw Kowalski (Professor Jan), Sergei Garmash (Major Popov), Antoni Pawlicki (Tadeusz), Krzysztof Globisz (Professor de química). Sinopse: Em setembro de 1939, após a invasão da Polônia pelos nazistas, tropas soviéticas ocupam o leste do país. Milhares de oficiais poloneses são mantidos prisioneiros e enviados a campos de concentração. Anna (Maja Ostaszewska) aguarda na companhia da filha o retorno do marido, Andrej (Artur Zmijewski). Quando várias covas coletivas são encontradas os soviéticos informam que os poloneses foram assassinados pelos nazistas na floresta de Katyn. Anna, no entanto, encontra o diário do marido e descobre que a verdade é outra.  

CIDADÃOS JUAZEIRENSES
A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte concedeu novos títulos de cidadania a diversas pessoas. Vejamos os atos já publicados no Diário Oficial do Município.
RESOLUÇÃO N.º 775 DE 04.08.2015: Art. 1.º - Fica concedido nos termo do artigo 198 e seguintes da resolução n.º 297/2001 – (regimento interno), o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor LUIZ GOMES DE MOURA. Autoria: João Alberto Morais Borges Coautoria: Cláudio Sergei Luz e Silva. Subscrição: Normando Sóracles Gonçalves Damascena, José Nivaldo Cabral de Moura, Danty Bezerra Silva, José Ivan Beijamim de Moura, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Glêdson Lima Bezerra, José Adauto Araújo Ramos, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, Cícero Claudionor Lima Mota, Maria de Fátima Ferreira Torres, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Auricélia Bezerra. 
RESOLUÇÃO N.º 777 DE 06.08.2015: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor LUIZ ANTÔNIO JUVÊNCIO DE ALMEIDA, pelos relevantes serviços prestados a esta cidade e ao seu povo. Autoria: José Adauto Araújo Ramos. Coautoria: Cláudio Sergei Luz e Silva e Danty Bezerra Silva. Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, José Ivan Beijamim de Moura, Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, Paulo José de Macêdo, José Nivaldo Cabral de Moura, João Alberto Morais Borges, Glêdson Lima Bezerra, Rubens Darlan de Morais Lobo, Maria de Fátima Ferreira Torres, Auricélia Bezerra e Rita de Cássia Monteiro Gomes. 
RESOLUÇÃO N.º 778 DE 06.08.2015: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor GLAUCO ROBERTO FURLAN, pelos relevantes serviços prestados à comunidade. Autoria: Maria Calisto de Brito Pequeno Coautoria: Cláudio Sergei Luz e Silva. Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, José Ivan Beijamim de Moura, Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, José Nivaldo Cabral de Moura, João Alberto Morais Borges, Glêdson Lima Bezerra, Normando Sóracles Gonçalves Damascena, José Adauto Araújo Ramos, Cícero Claudionor Lima Mota, Francisco Alberto da Costa, Paulo José de Macêdo, Maria de Fátima Ferreira Torres e Auricélia Bezerra. 
RESOLUÇÃO N.º 779 DE 06.08.2015: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor FRANCISCO LEITE DE OLIVEIRA FILHO, pelos relevantes serviços prestados à comunidade juazeirense. Autoria: Auricélia Bezerra Coautoria: Glêdson Lima Bezerra, Paulo José de Macêdo e João Alberto Morais Borges. Subscrição: Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, Normando Sóracles Gonçalves Damascena, José Adauto Araújo Ramos, Cícero Claudionor Lima Mota, Francisco Alberto da Costa, Antônio Vieira Neto, Rubens Darlan de Morais Lobo, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, Danty Bezerra Silva, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Maria de Fátima Ferreira Torres e Rita de Cássia Monteiro Gomes. 
RESOLUÇÃO N.º 780 DE 06.08.2015: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor MARCOS AURÉLIO MACHADO, pelos relevantes serviços prestados à comunidade juazeirense. Autoria: Maria Calisto de Brito Pequeno. Coautoria: Cláudio Sergei Luz e Silva. Subscrição: Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, Normando Sóracles Gonçalves Damascena, José Adauto Araújo Ramos, Cícero Claudionor Lima Mota, Francisco Alberto da Costa, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, João Alberto Morais Borges, Glêdson Lima Bezerra, José Nivaldo Cabral de Moura, Paulo José de Macêdo, José Ivan Beijamim de Moura, Maria de Fátima Ferreira Torres e Auricélia Bezerra. 

XYCO SÁ
Estive na Mostra Casa Cariri, no último sábado, dia 15, para ouvir Xyco Sá, este caririense de Santana do Cariri e que residiu entre nós nos anos 80, jornalista muito apreciado por redações e oficinas de grandes jornais do pais, escritor muito lido e figura muito presente na televisão brasileira. Ao conhecê-lo de perto, não deixei de contar-lhe uma pequena história que aconteceu comigo, há uns 15 anos atrás, durante uma das primeiras Bienais do Livro do Ceará. Naquela ocasião eu recebi um convite do jornalista Lira Neto, então coordenador da coleção Terra Bárbara, da responsabilidade da Fundação Demócrito Rocha (Jornal O Povo). Tratava-se do lançamento na abertura da bienal de um pequeno livro de autoria do Xyco Sá, sobre o beato José Lourenço. E fui lá, na expectativa, inclusive, de conhecê-lo. Mas chegando lá, encontrei o livrinho exposto e com surpresa, a capa era a do beato Francelino, e não do beato José Lourenço. Imediatamente fiz com que isto fosse comunicado ao Lira, que ainda não havia chegado ao recinto e apresentei justificativa. A secretária entrou rapidamente em contato com o Lira e este orientou o procedimento, conforme minha recomendação, para que todo o estoque fosse recolhido para se consertar o erro. De fato, toda a tiragem retornou para a gráfica no dia seguinte e uma nova capa foi feita. Dias depois, ainda no ambiente da mesma bienal, o livro foi lançado, agora com a capa correta. Contei isto para ele que me disse que tinha sido notificado, daquele modo, pelo Lira e isto agora era dessas histórias pitorescas de editoria de livros. Ele mesmo tem um exemplar da capa antiga (veja acima), como eu também guardo, mas o exemplar dele foi mais difícil de encontrar, pois quase tudo tinha sido consertado. Terminamos a noite com boas gargalhadas decorrente de histórias como esta. Xyco voltará ao Cariri proximamente e vamos nos encontrar para muita conversa. 

POSSIDÔNIO BEM, POR MÁRIO BEM
Já estão sendo distribuídos os convites para a sessão pública de lançamento do mais novo livro do escritor Mário Bem Filho, POSSIDÔNIO DA SILVA BEM – o legado. O evento será realizado no Memorial Padre Cícero, na noite do dia 29 próximo, às 20 horas. Desejo agradecer ao Mário a oportunidade de ter redigido o Prefácio da obra, excelente trabalho de pesquisa que ele realizou usando um farto documentário e ilustrações muito ricas sobre a vida e a obra deste grande médico que existiu entre nós. Encarecemos a todos para que reservem esta noite para uma grande sessão em homenagem ao Dr. Possidônio, merecedor de todas as nossas reverências. 

AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE
Mais uma vez estamos voltando com o movimento do Aeroporto de Juazeiro do Norte, com dados coletados na página oficial da Infraero na internet, com respeito a números de passageiros embarcados e desembarcados, aeronaves em pousos e decolagens, e o volume de carga que transitou no aeródromo. Em primeiro lugar, realçamos que este mês de julho a que se referem os dados apresentados, foi o primeiro mês da regularidade do mais novo voo na rota Brasília-Juazeiro do Norte-Recife-Juazeiro do Norte-Brasília, operado pela TAM. Conforme se pode ver na última tabela apresentada nesta sequência, após situar o desempenho do Aeroporto, tanto no mês divulgado (julho), quanto no período considerado (janeiro-julho, 2015), como vimos fazendo, também apresentamos alguns dados que nos permite estimar as variações deste desempenho. E dois números estão salientes: 1. O movimento entre Junho e Julho deste ano cresceu cerca de 36,48% quanto ao número de usuários em embarques e desembarques; 2. O movimento de Janeiro e Julho, entre 2014 e 2015, com relação ao mesmo indicador - usuários em embarques e desembarques, elevou-se em 54,30%. São ótimos sinais que confirmam, como um todo, o desenvolvimento regional e que se refere também em carga transportada. Este último indicativo certamente tem alguns condicionantes remanescentes, mas o início das operações da TAM tem um impacto maior. Na semana passada, entre nós em visita e contatos, o Ministro Mangabeira Unger, instado a falar sobre a questão de pendências do nosso Aeroporto, não deixou de referir-se a sua convicção de que o governo tem que prestigiar com boas e prontas ações para o setor de transporte aéreo regional, onde neste caso Juazeiro do Norte, por todos estes indicativos tem um papel muito relevante. Enfim, de posse destes dados, cada um poderá fazer a sua leitura, inclusive para constar algumas alterações significativas das operações do nosso Aeroporto, como no contexto regional (Norte-Nordeste, e congêneres do interior),  

















  


sábado, 8 de agosto de 2015

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
177: (07.08.2015) Boa Tarde para Você, Fábio Carneirinho
Há muitos anos já passados, a convite de Demontieux Fernandes, como ainda hoje editando o herOico Folha da Manhã, de tal resistência, me foi permitido ali publicar uma crônica quase diária, porque naquela época eu estava eufórico por descobrir enormes valores juazeirenses, por aí. Artistas, gente da imprensa, empresários, professores, intelectuais de boa envergadura, tudo, enfim, convergia para um escrito alegre, com o qual eu me regalava diante deste brilho que se iniciara aqui, por vezes, tão anônimo, e que agora era motivo de grande orgulho, por aí, pelo mundo. Nestes anos já vividos desde então, este sentimeNto não parou no ar, pois esta nossa terrinha nunca deixou de produzir boas cepas e de continuar atraindo fartas e bem reconhecidas vocações, gente que se abeirou desta província e aqui se tem justificado com competência, afeto e admiração. De uns anos para cá eu tenho colado o ouvido no rádio para ouvir a boa música de um destes grandes valores que adotou nossa cidadania, tratando-se do Vicente Fábio Carneiro da Silva, o nosso tão festejado Fábio Carneirinho. Como se sabe, Carneirinho nasceu em São Caetano do Sul, São Paulo e veio para Juazeiro aos quatro anos de idade, e com doze, já cantando e tocando sanfona, iniciava uma carreira fortemente influenciada por grandes valores como Gonzagão, Fagner e Dominguinhos. Dele, realmente, se pode dizer que sendo cantor, compositor e instrumentista, é um homem culto, estudioso da cultura do Nordeste, considerado no meio artístico como uma das maiores revelações da música nordestina na atualidade, compondo admiravelmente, e falando de suas raízes e de amor. 
Aos 15 anos de carreira, iniciado fazendo barulho na feira do Juazeiro, ajudando a mãe que o compreendeu e lhe deu o primeiro teclado com o compromisso de ir tocar na igreja, Carneirinho está hoje na Europa, demorando-se ali 55 dias, entre Suécia, Inglaterra, Portugal, França e Itália. Amanhã ao meio dia, hora de Estocolmo, sete horas da manhã conosco aqui acordando no Brasil, Carneirinho sobe o palco do Brazilian Day, em evento de 9 horas, ao lado de grandes nomes da cena artística do Brasil para esta tradicional festa de congraçamento entre europeus e brasileiros. Antes de chegar a Suécia, onde fica de amanhã até domingo, Carneirinho fez Esposende, em Portugal e Hamburgo, na Alemanha, para depois seguir rumo a Londres, entre os dias 13 e 17, continuando na Noruega, de 18 a 23, voltando a Portugal, entre 26 e 30, para depois ir até a Itália, passando pela França e Suiça. Fico aqui imaginando como será a sua presença abrindo o fole, mandando ver com sua banda e cantando com aquele vozeirão para dizer, sem que até seja preciso traduzir os versos que nos dizem: “Pra onde você for / Me leve com você / Não deixe de querer / Nem de gostar de mim. Pra onde você for / Eu quero ir com você / Não quero te perder / Te ver longe assim. Me leve na cabeça / Ou antes que esqueça / Você pode me levar na fotografia / Você escutar no rádio uma canção. Se lembra, coração! / Se lembra, coração!” O ritmo de Carneirinho é, sem dúvida alguma, aquilo que preserva a raiz mais funda de nossa música regional, infensa aos modos de ocasião, o que adultera e inverte valores, para esquecer este grito preso na garganta e para nos lembrar dos grandes mestres, como aqueles que o influenciaram. Penso que dedicar-lhe atenção, reconhecendo o grande valor de sua música, como agente e agitador cultural, nos faz um bem enorme, especialmente porque sua música até encara, de maneira tão bem humorada esta reverência por sua terra adotiva, numa compreensão atualizada e sem ranços, quando nos canta: “Tudo ao redor é só beleza / Vejo a grandeza dessa capital / Aprendi muito eu lhe sou muito grato
Mas o melhor lugar do mundo / É encostado ao Crato. Naquele tempo muito distante / Era fazenda Tabuleiro Grande / O padre Ciço te levou nos braços. E hoje só és um gigante / Porque é encostado ao Crato”. Parabéns, Carneirinho, isso nos enriquece, e já não mais nos separa, mas ajuda a resgatar o que reclamamos para a nossa própria autoestima, e que passa necessariamente, não apenas por esta beleza que contemplamos, mas por este sentimento humanista que se irradia de sua música. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 07.08.2015)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINEMARANA (SESC, CRATO)
O Cinemarana (SESC, Rua Cel. Francisco José de Brito, Crato), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 10, segunda feira, às 19 horas, o filme MARIGHELA (Direção de Isa Grispum Ferraz, Brasil, 2011, 100 min). Documentário tendo no elenco Lázaro Ramos, como narrador. Sinopse: Carlos Marighella foi o maior inimigo da ditadura militar no Brasil. Este líder comunista e parlamentar foi preso e torturado, e tornou-se famoso por ter redigido o Manual do Guerrilheiro Urbano. Devido à ditadura militar, muito sobre os bastidores da época foi mantido em sigilo ou, no máximo, pouco divulgado. Natural, afinal de contas o país vivia um período onde a censura atuava com rigor, impedindo a publicação livre de notícias e opiniões. Nos últimos anos, o cinema brasileiro tem recuperado um pouco desta história, seja devido à vivência dos diretores mais antigos ou pelo próprio interesse da nova geração. Não há, por enquanto, um único filme que aborde a ditadura militar como um todo, ao menos não com a abrangência do ainda impactante Pra Frente, Brasil (1981). Mas há vários filmes que revelam trechos da época, como se pouco a pouco o cinema brasileiro fosse montando um quebra-cabeças sobre o assunto. Marighella é uma destas peças. Crítica: Muitos confundem documentário com trabalho jornalístico e acham que documentarista não pode tomar partido e está obrigado a ouvir todas as partes. Sem for da intenção do diretor, sim, o filme documental pode ser uma das formas possíveis - dentre muitas - de se fazer reportagem, com a vantagem de explorar com maior liberdade as possibilidades técnicas e narrativas. Se o propósito do autor for outro, não se deve condenar a parcialidade, apenas cobrar verdade no que é retratado. É assim com Marighella, filme dirigido por sua sobrinha, Isa Ferraz. O longa humaniza a figura do militante mostrando detalhes da intimidade familiar e do círculo de amigos de luta deste ícone da ícone da esquerda brasileira, baleado e morto dentro de um Fusca em 1969, em São Paulo. Um olhar singular e interessante que só quem era de dentro da família seria capaz de documentar, com a vantagem de não mitificar ainda mais a figura de Marighella, levando às telas o ser humano por atrás do revolucionário ilustre dos quadros da Ação Libertadora Nacional. A diretora reúne entrevistas com militantes que combateram ao lado do guerrilheiro, de Clara Charf, sua viúva, de seu filho Carlos Augusto Marighella e de figuras notáveis na resistência à ditadura, como o professor Antonio Candido. O filme conta também com a narrativa em off de poemas e escritos de Marighella, interpretados pelo ator Lázaro Ramos. A ausência de registros filmados de Marighella - não existem imagens dele em movimento - é compensada por imagens da época retratada e fotografias familiares. O documentário revela ainda algumas pepitas garimpadas por Isa, como documentos secretos da CIA sobre Carlos Marighella e uma entrevista inédita dada por ele à Radio Havana, em 1967, e encontrada em perfeito estado de conservação. Marighella não é um documento jornalístico sobre a figura controversa do guerrilheiro que pegou em armas contra a ditadura. Isa não ouviu o outro lado. Seu filme não é imparcial, mas uma homenagem ao tio, o baiano poeta, misterioso aos olhos da menina Isa, que sempre desaparecia, por força da militância política, e, sem prévio aviso, retornava. Até o dia em que não mais voltou. Um trabalho pessoal e afetivo, mas que com suas imagens ajuda a reaver a memória política do país. (Por Roberto Guerra, http://www.cineclick.com.br/criticas/marighella-2011)

CINEMATÓGRAPHO (SESC, JN)
O Cinematógrapho (SESC, Rua da Matriz, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 12, quarta feira, às 19 horas, o filme GERMINAL (Germinal, Direção de Claude Berri, Bélgica/França/Itália, 1993, 160 min). Elenco: Miou-Miou (Maheude), Renaud (Étienne Lantier), Gérard Depardieu (Toussaint Maheu), Jean Carmet (Vincent Maheu dit Bonnemort), Judith Henry (Catherine Maheu), Jean-Roger Milo (Chaval), Laurent Terzieff (Souvarine), Bernard Fresson (Victor Deneulin), Jean-Pierre Bisson (Rasseneur), Jacques Dacqmine (Philippe Hennebeau), Anny Duperey (Madame Hennebeau), Gérard Croce (Maigrat), Frédéric van den Driessche (Paul Négrel), Annick Alane (Madame Grégoire), Pierre Lafont (Léon Grégoire). Sinopse e Crítica (Bianca Wild): O filme germinal caracteriza perfeitamente o processo de produção do trabalho do modelo capitalista, a expansão do chamado capital, mostrando assim de uma forma bem clara os opostos entre as necessidades humanas e as materiais. O filme se passa na França do século XIX e transmite muito bem aquele determinado momento histórico e seu contexto social, econômico e político e é claro cultural e para obtermos uma análise satisfatória se torna necessário o conhecimento dos antecedentes da revolução industrial presentes nele. O filme é baseado no romance de Émile Édouard Charles Antoine Zola. No inicio do filme um dos personagens não me lembro o nome ao certo, talvez o personagem de maior expressão devido ao seu espírito contestador e revolucionário, esta desempregado e chega até a companhia de mineração a fim de conseguir empregar-se, se depara com um outro senhor o qual é pai do personagem de Gerard Depardieu, que na verdade não é tão senhor assim, mais devido as condições de vida as quais foi exposto desde os 8 anos de idade trabalhando na mina possui uma saúde bastante debilitada, pode-se observar isso pela sua tosse constante e pela visível intoxicação, toda a sua família trabalha também na mesma mina; o personagem recém-chegado a procura de emprego se choca com as dificuldades das condições de trabalho, constituída de pura exploração e pobreza, o personagem de Gerard Depardieu por ser um funcionário mais antigo e respeitado consegue arranjar-lhe uma vaga devido a morte de uma outra companheira de trabalho. Todos os membros das famílias trabalham, desde crianças até os mais idosos, porque precisam dos míseros salários para assim juntos conseguirem a subsistência de todos, sendo assim necessário quando acontece uma morte substituírem rapidamente o membro perdido no trabalho, pois, mesmo sendo uma só renda perdida reflete-se no sustento de todos os outros. Só os bem pequeninos não trabalham a pobreza dos personagens é evidente, a situação que vivem é quase calamitosa, a cozinha não tem nada de comer, as crianças pedem comida, pão, a água causava-lhes cólicas devido às condições precárias as quais era armazenada. A mina aparenta ser bem profunda, tipo mais de quatrocentos metros, os carros dela descem com cinco operários, as condições de trabalho são de enojar, vivem em regime de exploração constante, as mulheres ficam desesperadas por não terem o que dar de comer as crianças, e se endividam com um comerciante inescrupuloso e espertalhão, este nem sempre esta disposto a permitir crédito, devido o pagamento frequentemente estar atrasado, mas costuma aceitar favores sexuais em troca de comida, as mães desesperadas com a fome aceitam tal aproveitamento cedendo suas filhas ou a elas mesmas ao promíscuo e depravado comerciante. Aparentemente, a região possui 13 minas, as quais não se conhecia os seus donos, estes não estavam preocupados com o que acontecia aos operários, e sim com a economia, com a política afetando seus lucros, e com as eclosão de greves demonstrando a lógica capitalista da acumulação. O personagem de Depardieu foi multado por não ter escorado perfeitamente um possível desabamento, mesmo não tendo sido proporcionado a ele condições satisfatórias para um trabalho bem feito. Além de terem sido multados devido ao escoramento mal feito, os salários haviam sido diminuídos devido à suspensão dos pedidos de ferro para exportação e essa situação é repassada injustamente aos trabalhadores. O trabalhador recém chegado estimula os outros a começarem um fundo de reserva a fim de iniciarem uma greve reivindicando aumento de salários e melhores condições, cada um dando uma determinada contribuição para isso, e encorajam-se a iniciar a greve. Eles tentam falar sobre as suas reivindicações com o diretor geral da mina, não obtendo sucesso, pois este arruma várias desculpas para justiçar a permanência do funcionamento delas (as minas) pondo as companhias como se estivessem na mesma situação de precariedade dos seus trabalhadores a partir da exposição das situações de “quebra” delas, desejando que eles culpem os fatos e a conjuntura econômica pelas suas situações. Pode-se observar o contraste de situações, entre patrões (donos dos meios de produção) e empregados (trabalhadores-mercadoria) a partir de um jantar de noivado que acontece no decorrer do filme na família de um dos donos, comida farta, alegria e tranquilidade, nota-se também que o noivado é quase como um negócio, pois é baseado no interesse de fusão de capitais, além das relações de interesse mantidas entre os “burgueses” até entre seus familiares, pois a esposa do dono da mina mantêm um caso extraconjugal com o sobrinho de seu marido. A situação se agrava, pois a companhia contrata trabalhadores da Bélgica e ameaça despedi-los caso a greve permaneça, alguns trabalhadores temerosos e famintos querem retornar ao trabalho outros tão engajados preferem morrer a abandonar a causa. Daí os grevistas vão até as minas em funcionamento, as destroem, as inutilizam temporariamente com a paralisação de elevadores, bombas etc., além de agredirem os que permaneceram trabalhando, gerando conflitos seguidos, o que causa a necessidade para os proprietários das minas de segurança, acabam ocorrendo mortes, as mulheres também se revoltam com a situação e a mais estimulada com a causa é a esposa do personagem de Gerard Depardieu, vão até a mercearia do aproveitador e a saqueiam, este desesperado foge para o telhado e acaba caindo, não satisfeita, uma das mulheres que havia sido humilhada por ele e tomado de fúria e desespero, o mutila demonstrando muito bem a revolta contida no interior dessas pessoas, estes conflitos também causam a morte do personagem de Gerard, pela escolta da mina a qual eles desejavam paralisar também. A partir destas passagens do filme posso concluir, que para a compreensão do filme é necessária uma analise das relações de trabalho, isto é, a miséria a que eram expostos, a relação deles com as máquinas, a relação entre capitalistas e operários, o surgimento de greves e do sindicalismo, anarquismo e socialismo. Essas questões sociais são etapas históricas, na França nessa época, no inicio da revolução industrial, muitas pessoas viviam do trabalho manual, como nos demais países europeus, estavam ainda ligadas as formas de produção anteriores, e foram obrigadas a habituar-se com as novas condições, estando também assim presos aos donos dos meios de produção, tendo assim que vender a sua força de trabalho, para conseguirem sobreviver, isto é, o trabalho vira mercadoria; devido aos chamados acercamentos e de outros fatores os trabalhadores migraram para os centros onde se expandiam as industrias afim de conseguirem se empregar, sendo que, com o decorrer desta situação o que era escasso, a mão-de-obra, se tornou excedente daí a desvalorização do trabalho que expunha os trabalhadores as condições mostradas no filme de precariedade e salários inaceitáveis com cargas horárias desgastantes de 16 horas ou mais diárias, causando a necessidade do trabalho do trabalho infantil para as famílias conseguirem sobreviver, vale a pena lembrar que mesmo estando expostos a possíveis acidentes de trabalho, os trabalhadores não recebiam seguro e não recebiam se ficassem sem trabalhar devido a estes, além de também não receberem quaisquer tipo de benefícios, este sistema fabril apareceu para “organizar” o processo de trabalho, isto é organizar em partes, apenas para garantir a dominação do capital sobre o trabalho, organizando um controle social. O novo processo de produção utilizando as maquinas, foi em cheio na organização familiar operária em respeito econômico, a necessidade de manter operários ao redor das maquinas criou a situação de ter que “sair para o trabalho”, homens mulheres e crianças inclusive e ainda se tornavam mais presos ainda a seus patrões pelo fato de suas casas pertencerem a eles, como no caso do filme. A revolução industrial foi um processo construído com o tempo, ainda no século XVI já haviam empresas capitalistas promovendo o comercio europeu mundialmente, ocasionando a revolução comercial, que se segue da primeira fase da revolução industrial em meados do século XVIII segue até o século XX, pode-se ver de forma explicita no filme o inicio das revoltas populares, pois desde o início do capitalismo, da sua implantação lá no século das grandes navegações, do capitalismo comercial, ele dá origem a profundas contradições e injustiças, marcadas pela forma de como era explorada brutalmente a mão de obra operaria inclusive infantil sem oferecer direitos, o que com certeza fez eclodir a partir dos mais conscientizados as tensões sociais, sistemas sócio-economico-politicos alternativos, a organização de sindicatos e etc, esses foram acontecimentos mostrados no filme, muito bem expressos em questões cronográficas pois mostra muito bem o inicio das revoltas na França que estavam se expandindo pela Europa durante o mesmo período, e a disseminação dessas ideias comunistas, sindicalistas, socialistas pelo mundo, nem sempre bem aceitas pelo próprio proletariado temeroso com as suas consequências, como no caso do marido da filha do personagem de Gerard que quando consegue uma melhor colocação na companhia abandona a causa, bom como Marx disse: “era necessário uma consciência de classe para o início de uma real revolução por parte do proletariado.” (Fonte: http://meuartigo.brasilescola.com/sociologia/resenha-filme-germinal-1.htm)

CINE CAFÉ VOLANTE (BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Parque da Cidade), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 14, sexta feira, às 19 horas, o filme AS VIRGENS SUICIDAS (The virgin suicides, Direção de Sophia Coppola, EUA, 1999, 97 min). Elenco: Kirsten Dunst (Lux Lisbon), James Woods (Mr. Lisbon), Kathleen Turner (Mrs. Lisbon), Josh Hartnett (Trip Fontaine), Michael Paré (Trip Fontaine '97), Scott Glenn (Father Moody), Danny DeVito (Dr. Hornicker), Giovanni Ribisi (Narrador), Mary Lisbon (A. J. Cook), Jake Hill Conley (Hayden Christensen), Paul Baldino (Robert Schwartzman), Tim Weiner (Jonathan Tucker), Dominic Palazzolo (Joe Dinicol), Mrs. Buell (Sherry Miller), Principal Woodhouse (Andrew Gillies). Sinopse: Durante a década de 70, o filme enfoca os Lisbon, uma família saudável e próspera que vive num bairro de classe média de Michigan. O sr. Lisbon (James Woods) um professor de matemática e sua esposa uma rigorosa religiosa, mãe de cinco atraentes adolescentes, que atraem a atenção dos rapazes da região. Porém, quando Cecília (Hanna R. Hall), de apenas 13 anos, comete suicídio, as relações familiares se decompõem rumo a um crescente isolamento e superproteção das demais filhas, que não podem mais ter qualquer tipo de interação social com rapazes. Mas a proibição apenas atiça ainda mais as garotas a arranjarem meios de burlar as rígidas regras de sua mãe. Crítica: O olhar feminino é um olhar raro no cinema. Mais raro ainda é encontrar nesse olhar um carinho autêntico pela condição humana, que valoriza as questões do segundo sexo sem os excessos do feminismo raivoso, colocando a mulher no centro do universo sem atirar o homem num subúrbio mal-cheiroso. Sophia Coppola, em seu primeiro filme, dá sinais evidentes de talento (principalmente na direção de atrizes e atores) e de sensibilidade, usando a bela trilha – onde se destaca a banda francesa "Air") e a fotografia delicada para criar uma obra original, climática e agradável aos sentidos. Faltou, quem sabe, uma narrativa um pouco mais incisiva (sem ser demasiadamente "masculina", claro) para retirar da bela história um impacto psicológico mais denso. Cinco - logo depois, com a morte da caçula, quatro - meninas maravilhosas, na idade de descobrir o sexo e a vida, recebem uma educação ultra-conservadora e praticamente não têm chances de sair com rapazes. Seus pais, contudo, não são monstros. São parecidos com milhares de pais do mundo todo, cuja religiosidade extremada e convicções morais que beiram o fundamentalismo reprimem a explosão da adolescência, criando conflitos dificílimos de administrar. E agem dessa maneira não por maldade, e sim por amor às filhas. As tentativas de suicídio da mais jovem, Cecilia - a primeira, frustrada, e a segunda, mortal – fazem os pais flexibilizar e depois, assustados, radicalizar sua vigilância sobre as filhas restantes, construindo um caminho sem volta para a inevitável tragédia familiar. Num primeiro olhar, o enredo e os cenários (cidade pequena, colégio, bailes de adolescentes) lembram Carrie, a estranha, mas esse vínculo é superado rapidamente pela delicadeza da narrativa, muito distante dos maneirismos de Brian de Palma. Por outro lado, Sophia Coppola não quer (ou não consegue) estabelecer uma identificação mais profunda do espectador com o cotidiano das meninas, porque seu drama é observado à distância, por quatro rapazes da vizinhança, que funcionam como narradores desde o início do filme. Este artifício tem conseqüências positivas - permitindo uma reflexão poética, tranqüila, quase nostálgica (eles contam a história conscientes da tragédia final) sobre os fatos – e negativas, "esfriando" a trama e esvaziando a dor das meninas. Provavelmente foi uma escolha consciente da diretora, que assim fugia, sem dúvida, de um enfoque demasiadamente feminista. O roteiro privilegia uma das garotas - Lux Lisbon, a mais bela, a mais provocante, interpretada pela diabólicamente angelical Kirsten Dunst - e conta a história da perda da sua virgindade. Um novo personagem, colega de escola e desejado por todas as meninas da cidade, é introduzido para fazer o serviço. O ator, Josh Hartnett, é competente, vem acompanhado de três amigos igualmente verossímeis, e toda a cena do baile e da transa é bacana; contudo, de repente, os quatro rapazes narradores ficam muito distantes dos acontecimentos, só conseguindo retomar sua força dramática nas últimas cenas. Talvez uma maior condensação de personagens tornasse As virgens suicidas um filme mais poderoso, mais emocional, mais intenso, sem perder o clima poético que a diretora claramente persegue e obtém. Uma última palavra sobre Kathleen Turner, a maravilhosa atriz que fazia a temperatura subir até o ponto de ebulição naquela banheira de Corpos Ardentes(1981). Ela está magnífica como a mãe das virgens, e seu desempenho é tão desglamurizado que chega a ser assustador. "Ela está velha...", provavelmente vocês estão pensando, mas o cinema tem ferramentas muito eficientes para vencer, ou atenuar, vinte anos de deterioração física. Nesse mundinho de aparências fúteis, de plásticas, silicones e rostos que parecem estar conservados num balde de formol, ver Kathleen Turner, em Virgens Suicidas, com todas as rugas a que tem direito, é uma lição de vida. Da fragilidade da vida. E de como um filme, dirigido por uma mulher, pode desmontar, sem alarde, a equivocada visão masculina da eternidade das musas do cinema. 
(Carlos Gerbase Fonte: http://www.terra.com.br/cinema/opiniao/virgens1.htm) 

CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 14, sexta feira, às 20 horas, o filme MARIDO DE MULHER BOA (Direção de J.B. Tanko, Brasil, 1960, 93 min). Elenco: Zé Trindade (Anacleto), Renata Fronzi (Arminda), Otelo Zeloni (Frederico (creditado como Zeloni), Renato Restier (Leal), Lilian Fernandes (Sofia), Luely Figueiró (Sueli), Celso Faria (Sérgio), Wilson Grey (Tenório, o atirador de facas), Isa Rodrigues (Virgínia),  Paulette Silva (Marlene), Darcy de Souza (Augusta), César Viola (Giovani), Billy Davis, Lys Marques (Mário), Geraldo Alves (Técnico de TV). Sinopse: Anacleto e Frederico são sócios da Alta Costura Pardal & Pardal. Os dois se desentendem frequentemente por Anacleto ter se casado com Arminda, de quem Frederico era noivo. Além disso, Anacleto é um mulherengo incorrigível e, por causa de ambos usarem o nome Pardal, Frederico vive apanhando, confundido pelo homens irritados com o assédio do sócio às mulheres deles. Anacleto compra um bilhete de loteria e distribui frações a suas "conquistas": dá uma a humilde empregada Sueli, dois a cantora Sofia, outras a cliente vedete Marlene e a manicure Virgínia. Quando o bilhete é sorteado para um grande prêmio, Arminda fica sabendo de tudo e para dar uma lição nele, exige de Anacleto que lhe mostre os papeis. Anacleto vai atrás das mulheres para recuperar as frações e não sabe que Arminda o segue para evitar que ele as consiga de volta. Crítica: Vendo trechos de 'Marido de mulher boa' se nota como a narrativa é dinâmica e não deixa nada a desejar ao passo corrido comum aos filmes feitos em Hollywood, California. O que os críticos da comédia musical brasileira não atinavam em suas pretenciosas colunas em jornalões culturamente colonizados, é que o produto nacional tinha adquirido um estilo eficaz que prendia a atenção das multidões que acorriam às salas de cinemas espalhadas pelo continente brasileiro. A comédia-musical nacional, chamada errôneamente de 'chanchada' pela 'inteligentsia' local [chamaria de 'burritze'], era consumida pelas massas, algo impensável nos dias de hoje. Zé Trindade é brilhante em seu tipo marôto-cafageste, que foi minuciosamente desenvolvido através dos anos em programas radiofônicos, em que Zé era imensamente popular. Zé tinha uma impostação toda própria e consciente de que o discurso é para ser entendido pelo público cinéfilo e ao mesmo tempo não pode deixar a ação diminuir de intensidade.  Trindade tinha a manha do político populista que sabe que tem que agradar ao maior número de eleitores possível, sempre tendo uma tirada filosófica do tipo, 'estou mais por fora que olho de sirí' ou 'estou mais por fora que umbigo de vedette'. A parte final parece que foi feita sob medida para o talento especial de Luely Figueiró. Nos minutos finais, a 'mocinha' chega bem-vestida à casa-de-modas. Dona Augusta, já pronta para lhe esculhambar, tem que engolir seco quando Suely diz: 'Hoje estou aqui como cliente! E quero ser atendida pela gerente!' Na cena seguinte Suely aparece vestida de noiva, mas muito triste, vai subindo as escadarias, pensando no amor que perdeu... De-repente aparece Sergio [Celso Faria], segura-a em seus braços e o 'happy ending' já se configura no horizonte. Suely agradece a Anacleto a chance de poder ter ganhado uma grana com o gasparino. Anacleto quer apenas uma beijoca do brôto, mas nesse momento aparecem Arminda e Sofia, já donas da situação e fazem todas as moças se enfileirarem para beijar [na face] o baixinho arretado. Dona Augusta fica no fim da fila, Zé Trindade olha p'ra câmera e diz p'ra platéia: 'A dona Augusta eu deixo p'ra vocês, tá?' Cafajeste até o último instante...  FIM. (Fonte: http://sambaembrasilia.blogspot.com.br/2012/02/marido-de-mulher-boa-1960.html)

CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 15, sábado, às 17:30 horas, o filme PODER VAI DANÇAR (Cradle will rock, USA, 1999, 129 min, Direção de Tim Robbins). Elenco: Hank Azaria (Marc Blitzstein), Bob Balaban (Harry Hopkins), Jack Black (Sid), Ruben Blades (Diego Rivera), Corina Katt Ayala (Frida Kahlo), Victoria Clark (Dulce Fox), Joan Cusack (Hazel Huffman), John Cusack (Nelson Rockefeller), Cary Elwes (John Houseman), Kyle Gass (Larry), Paul Giamatti (Carlo), Philip Baker Hall (Gray Mathers), Erin Hill (Sandra Mescal), Barnard Hughes (Frank Marvel), Cherry Jones (Hallie Flanagan), Angus Macfadyen (Orson Welles), Bill Murray (Tommy Crickshaw), Allan F. Nicholls (George Zorn), Vanessa Redgrave (Constance LaGrange), Gil Robbins (CJoe Starnes), Susan Sarandon (Margherita Sarfatti), Jamey Sheridan (John Adair), Barbara Sukowa (Sophie Silvano), John Turturro (Aldo Silvano), Emily Watson (Olive Stanton), Harris Yulin (Martin Dies). Sinopse: Nova York, 1936, uma época de tumulto social. Os sindicatos de trabalhadores lutam pelas ruas, os grandes industriais aproximam-se do Fascismo Europeu e os programas de trabalho do Governo são acusados de promover o comunismo. Contra este cenário geral, o jovem Orson Welles encena sua mais controversa peça, um violento musical sobrea opressão numa pequena cidade. Sua trupe de miseráveis e ecêntricos atores estão comprometidos com o show, mas as forças que agem contra eles são terríveis. Enquanto William Randolph Hearst e Nelson Rockefeller lutam para controlar o poder de idéias criativas com seus livros de bolso, o comitê de atividades não-americanas perde o apoio financeiro de Welles e tem seu teatro sitiado por soldados. A batalha pela apresentação do show e os sacrifícios pessoais de cada artista pela liberdade de expressão, espelham os pequenos e grandes conflitos da época. Contra tudo e todos, um breve porém triunfante momento de esperança aparece. Crítica: A ebulição política e cultural na Nova York de 1930 é o tema do filme O Poder vai dançar, terceiro longa-metragem de Tim Robbins. O filme entra no grande circuito depois de ter passado e pela Seleção Oficial de Cannes de 1999 e pelo Festival do Rio Br de 2000. Nas ruas da cidade, os sindicatos de trabalhadores lutam por melhores salários. Os grandes industriais fazem de tudo para se manter no poder e se aproximam do Fascismo Europeu. E os programas de trabalho do Governo são acusados de promover o comunismo. Neste conturbado cenário, um então desconhecido diretor de teatro, Orson Welles, de apenas 22 anos, dirige sua equipe de atores numa produção intitulada "The Cradle Will Rock" (O Poder vai dançar). O musical fala sobre a opressão em uma pequena cidade e da luta de seus cidadãos para derrubar os corruptos do poder. Enquanto isso, o magnata Nelson Rockefeller traz para a cidade o artista mexicano Diego Rivera para pintar o salão de entrada do Rockefeller Center. Mesmo fazendo algumas objeções ao trabalho "obceno" de Rivera, ele está pagando muito bem para que ele siga suas ordens. Ao mesmo tempo, um paranóico ventriloquista tenta tirar os ideais comunistas da cabeça dos integrantes de sua trupe e a propagandista italiana Margherita Sarfatti vende telas de Da Vinci a milionários, para arrecadar fundos para financiar as forças de guerra de Mussolini. Na véspera da estréia, o musical de Welles acaba sendo ameaçado de não acontecer, já que o teatro é fechado por soldados do exército americano. Os artistas, ao lutarem por sua liberdade de expressão, acabam por espelhar os conflitos da época. E contrariando tudo e todos, surge um breve, porém triunfante momento de esperança. Com Susan Sarandon, Bill Murray, Joan Cusack, Vanessa Redgrave, Emily Watson e John Cusack no elenco, o filme faz, a partir de várias histórias entrelaçadas, uma crítica feroz à censura americana na época e uma homenagem a este importante período. (Fonte: http://movies.go.com/cradlewillrock)


REVISTA SÉTIMA DE CINEMA
Já está sendo distribuída, especialmente no circuito alternativo de cinema do Cariri, a edição número 23 da Revista Sétima de Cinema, com interessantíssimos artigos de Emerson Cardoso (sobre Sofia Coppola), Elvis Pinheiro (sobre filmes de vampiros), Raquel Morais (sobre o filme Ela, de Spike Jonze), e de Camila Prado (sobre o filme Sniper americano), além de completa programação do cinema alternativo para este mês de agosto. No dia 1º de setembro sairá um número especial, o 24ª. Edição, em coquetel no SESC, Juazeiro do Norte. Aliás, os editores estão programando que estes lançamentos se darão na primeira terça feira de cada mês. 






CANGAÇO

Foi lançado em Fortaleza este interessante trabalho da professora Vera Figueiredo Rocha, com o título Cangaço, Ecos na Literatuira e Cinema Nordestinos. A autora é professora de literatura da UECE e anteriormente já enveredara pela temática do cangaço e publicou o seu primeiro livro com o título de Cangaço, um certo modo de ver. Este segundo trabalho é resultante de longa pesquisa bibliográfica sobre autores nordestinos como José Lins do Rego, José Américo de Almeida, e outros, os quais analisaram em suas obras os personagens que marcaram a história do fenômeno do cangaço. Igualmente, a pesquisa se estendeu à obra de diversos cineastas, como Rosemberg Cariri e Lúcia Rocha, com a análise das obras cinematográficas que empreenderam. 


JOÃO MARTINS, 90 ANOS
Recebi de João Martins, o consagrado músico que conhecemos há décadas, para a celebração dos seus 90 anos de existência. No ato, em 29 de agosto, próximo, haverá uma missa na Igreja do Menino Jesus de Praga (Novo Juazeiro) e a isto se seguirá uma recepção quando ocorrerá uma grande seresta comemorativa desta marca maravilhosa na vida deste grande artista. Nesta coluna, em 20.03, passado, eu publiquei uma crônica com dados biográficos de João Martins Gonçalves, nascido em Missão Velha, em 1925. Será uma alegria revê-lo, na vitalidade desta marca invejável. Antecipadamente, os meus parabéns a João Martins e toda a sua família. 
DR. POSSIDÔNIO DA SILVA BEM
Por deferência especial de seu autor, o escritor Mário Bem Filho, tive acesso ao texto integral do seu novo livro, O Legado do Médico Possidônio da Silva Bem. É provável que ainda este mês de Agosto tenhamos o lançamento deste belo livro, feito com imenso capricho por seu autor, contendo substanciosa biografia do médico, político e poeta, nascido em Caruaru, PE. O livro está sendo impresso em Fortaleza, é bastante volumoso em sua matéria e contém um conjunto valiosíssimo de ilustrações, como esta que aí se apresenta, quando o médico recebeu o seu diploma na Faculdade de Medicina da Baia (assim mesmo que se escrevia anteriormente), em 30 de Janeiro de 1929. Fiz o prefácio da obra, usando da grande emoção de ter conhecido este extraordinário homem que tanto se dedicou ao povo de Juazeiro e do Cariri. Ele foi meu padrinho de Crisma e uma pessoa da maior estima de toda a minha família. Parabenizo Mário Bem Filho pela bela produção deste livro, com o qual ele continua sua expressiva vida literária. 


SÍLVIO GRANGEIRO
No próximo dia 12, no Memorial Padre Cícero, a partir das 19 horas, estará sendo realizado o XI Festival Nacional de Viola e Poesia. Nesta ocasião estará sendo prestada ao poeta Sílvio Grangeiro uma expressiva homenagem pelo conjunto de sua obra, considerado o embaxador da Cultura do Cariri. Estarão presentes poetas e repentistas de vários estados brasileiros, como Francinaldo Oliveira, Hipólito Moura, Zé Viola, Zé Cardoso, Gilmar de Oliveira, Jonas Bezerra, Moacir laurentino, Valdir Teles, Gilvan Grangeiro, Cícero André, Cícero Dias, marcos Ferreira, B. Caboclo, Damião Enésio, Augustinho de Oliveira, José Alves, Zé Fernandes, Cícero Cosmo, João Bandeira, Pedro Bandeira, Nascimento Araújo, Sirlan Grangeiro e Azarias. Serão os apresentadores Vandinho Pereira e Totó Dudé. Também participarão como declamadores, os poetas Paulo Ernesto e Pedro Ernesto.

CIDADÃOS JUAZEIRENSES
A Câmara Municipal apreciou, votou e decidiu favoravelmente sobre a concessão do título de Cidadão Honorário de Juazeiro do Norte para os Drs. Gúcio Carvalho Coelho e Francisco Leite de Oliveira. Dr. Gúcio Carvalho Coelho é Juiz de Direito, titular da 2ª. Vara Cível da Comarca de Juazeiro do Norte; Dr. Francisco Leite de Oliveira é titular da empresa Leitte Contabilidade e é muito conhecido por seu programa de entrevistas na Tv Verde Vale, Café com Leitte.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
176: (05.08.2015) Boa Tarde para Você, Denise Carvalho de Santana
A última vez que nos vimos, felizmente, foi bem recente, neste nosso eterno Colégio Salesiano, que na minha época de estudante se enfatizava “Ginásio Salesiano São João Bosco”, embora tenha ele nascido com a razão social de Instituto Salesiano Padre Cícero, nos anos quarenta. Estávamos lá em manhã prazerosa, infelizmente, não muitos dos tantos que passaram por seus bancos, para também aplaudi-la por sua sensibilidade de ter montado e nos apresentado uma bela sessão de velhas fotografias, onde íamos nos encontrando e matando saudades. Relevo aqui, Denise, além de qualquer outro comentário, a felicidade destas reuniões de ex-alunos do estabelecimento, pelo menos anualmente, fato que deve se tornar absolutamente corriqueiro, e de grande valia para a existência do educandário, e de nós mesmos nesta maturidade da vida. O ex-aluno, prof. Jesualdo Pereira Farias, juazeirense de brilhante carreira na educação brasileira, está na mídia para realçar, segundo ele, aquilo que se constitui o mais importante patrimônio que a instituição pode contabilizar, exatamente no seu quadro discente de egressos. É fundamental, Denise, assim também me parece, que uma escola do histórico e do prestígio do Salesiano não minimize este sinal e o circunscreva a simples encontros de ex-alunos, desperdiçando a participação que se pode incluir na pauta da escola, de um sem número dos que por ali passaram. Pessoalmente, expresso com tristeza, este sentimento quase nostálgico, de que meu velho colégio na atualidade já não representa mais aquela imensa emoção que experimentávamos até em desfilar pela cidade, cumprindo o longo percurso dos dias simples, entre nossas casas e as salas de aula. Evidentemente, este esteriótipo era agregado pela essência desta casa de educação, por uma magnífico quadro docente, por um projeto pedagógico arrojado, por instalações físicas exuberantes, e pela vitalidade da missão salesiana, completamente impregnada pela opção de Dom Bosco. Não quero crer, não acredito mesmo, Denise, que isto tenha se esmaecido no tempo, ou que envelhecemos nós, vendo a grande mutação destes tempos de nossos filhos e netos, por novas e atraentes apelações que passaram a fazer o grande atrativo do negócio educação. Os encontros de ex-alunos salesianos precisam explorar a potencialidade das colaborações que devem emanar daqueles que viveram estes mesmos ideais, que não caducaram, enfim, e que são reconhecidos e muitos de nós que também optamos pela educação como caminho de realização. Em muitos países, Denise, daquele dito primeiro mundo, estas associações são de fundamental importância na gestão dos colégios e universidades, formando conselhos consultivos e com participação na gestão diária, agregando novas conquistas e implementando a modernidade. Leio no Boletim Salesiano mais recente que este ano, na particularidade riquíssima da celebração do bicentenário de Dom Bosco, toda a congregação se volta para refletir sobre a revitalização das razões do fundador, de maneira a encarar estes novos desafios, na perspectiva cristã da missão. O próprio Papa Francisco não deixou de comentar em audiência com professores, dirigentes, educadores e formadores o grande exemplo de grandes educadores, como Dom Bosco, homens iluminados que fazem a grandeza desta missão, coiea que não se vende nem se compra. Mais de oito décadas de realizações produziram no âmbito das ações deste Colégio um diferencial importante na civilização deste nosso Cariri, importando isto na formação de espantoso quadro de profissionais e competências e atenções preciosas sobre o nosso desenvolvimento social. O que nós, ex-alunos desta casa, Denise, ainda almejamos, e com maior firmeza e determinação, é que este trabalho nunca cesse na sua perenidade benfazeja, pois reconhecemos que aqui também a obra ajuda a construir um Brasil com esperança, a mesma que nos anima pela vida. Esta obra Salesiana que aqui se afirmou como um legado de nosso Patriarca é parte desta esperança que vai atravessando os séculos, reunindo famílias, formando cidadãos, a partir de uma juventude para a qual se asseguram direitos, especialmente ao respeito, liberdade e dignidade. Fiquei feliz ao retornar ao velho casarão de minha juventude, para ali reencontrar parte destes sonhos que pareciam também visíveis na alegria de velhos e queridos amigos, companheiros daquelas jornadas inesquecíveis.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 05.08.2015)

GESTORES DO SEMIÁRIDO NO G20, EM PETROLINA
Uma reunião prévia com secretários será realizada no dia 14 de agosto.
G20 vai acontecer nos dias 22 e 23 de outubro no Senai em Petrolina. Para discutir as cadeias produtivas, municípios do Semiárido nordestino estarão reunidos nos dias 22 e 23 de outubro no G20 em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. A ideia é que  secretários de planejamento, gestores e representantes de centros de pesquisa, universidades e órgãos e atores sociais do país definam políticas públicas para implementar instrumentos para potencializar as riquezas e atrativos de cada cidade. Além da anfitriã que é Petrolina, foram convocados os municípios pernambucanos: Caruaru, Garanhuns e Santa Cruz do Capibaribe; Da Bahia: Feira de Santana, Jequié, Juazeiro, Paulo Afonso e Vitória da Conquista. Do Estado do Ceará: Caucaia, Crato, Iguatu, Itapipoca, Juazeiro do Norte, Maranguape e Sobral; Da Paraíba: Patos e Campina Grande; Do Rio Grande do Norte: Mossoró; e de Alagoas, a cidade de Arapiraca. De acordo com o coordenador técnico do G20 e secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão de Petrolina, Geraldo Júnior, as cidades participantes são as vinte mais fortes do Semiárido. Os municípios somam um Produto Bruto Interno (PIB) de R$ 50 milhões e uma população com média de 400 mil habitantes. “Temos analisado ao longo desses 20 anos que existe uma maior concentração nos investimentos das cadeias produtivas e financiamentos federais para a faixa litorânea do Nordeste, principalmente no que se refere às grandes obras de infraestrutura. Isso tem ampliado as desigualdades entre as próprias cidades da região”, explica. Ainda segundo Geraldo, cada cidade tem uma dinâmica forte e estas áreas precisam ser potencializadas. “Petrolina tem a fruticultura e Mossoró, o petróleo e gás. Enquanto que Juazeiro do Norte, Caruaru e Toritama são ícones no segmento de confecções. Então o G20 quer que aconteça ampliação dessas cadeias produtivas e a diminuição da desigualdade dentro do Nordeste”, argumenta. No dia 14 de agosto será realizada uma reunião no Sest/Senat em Petrolina com os secretários de planejamento das cidades do G20. Este é um encontro preparatório, onde vão ser apresentados e definidos os objetivos e metas a curto, médio e longo prazo. Já nos dias 22 e 23 de outubro, vai acontecer o encontro do G20, no auditório do Senai. Será aberto ao público e participarão gestores, especialistas e representantes de instituições de todo o país. (Fonte: Juliane Peixinho, Do G1 Petrolina)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 8, sábado, às 17:30 horas, o filme TODAS AS COISAS SÃO BELAS (Lust och fägring stor, Suécia/Dinamarca, 1995, 130min). Direção de Bo Widerberg. Elenco: Johan Widerberg, Marika Lagercrantz, Tomas von Brömssen, Karin Huldt, Nina Gunke, Björn Kjellman, Kenneth Milldoff, Frida Lindholm, Sigge Cederlund, George Bisset, Gösta  Ekstrand, Hilda Suovanen, Per Olov Börjeson, Jörgen Svensson, Monica Stenbeck, Nynne Schwartz, Magnus Andersson, Paul Lindsjö, Mikael Bengtsson, Fredrik Berglind-Delin, Peter Nilsson, Zacharias Bjar, Martin Olsen, Christian Candia, Fredrik Persson, Gustav Eriksson, Toni Popovski, Linus Ericsson, Jonas Pålsson, Hampus Hedberg Hankell, Thomas Rosqvist, Linus Hedberg Lindqvist, Jossi Sabbah, Linus Juhlin, Björn Sjöblom, John Larsson, Mattias Varén, Daniel Lindblad, Pekka Öhrstedt,  Håkan Andersson,  Björn Bergström, Torbjörn Bergström,  Frida Farrell, Aina Hammarqvist eThomaz Ransmyr, Sinopse: O jovem Stig de 15 anos se envolve com sua professora de 37 anos, casada com um vendedor de roupas íntimas, que nunca foi um marido fiel. A amizade do garoto com o marido alcoólatra desperta o gosto pela música clássica e o valor de uma amizade. Lisbet, filha de um vizinho do rapaz, é apaixonada por ele, mas sente-se frustrada por não ser notada. Porém, chega o dia em que o jovem finalmente percebe que também pode amar alguém de sua geração.  


quinta-feira, 30 de julho de 2015

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
175: (29.07.2015) Boa Tarde para Você, Pe. Adalmiran Silva de Vasconcelos
Diz-se, há muito tempo, e em tom profético se tem espalhado, atribuindo-se a expressão ao Padre Cícero, que “No dia que a pedra da Batateira rolar, e o Cariri virar mar, tal a invasão das águas, o Pontal de Farias Brito será um porto de navio, junto com a Serra do Horto de Juazeiro”. Este fato se liga a uma lenda que encerra uma maldição que teria sido deixada pelos índios Cariris, e que no início do século XX vem com outra conotação, pela visita do Padre Cícero ao povoado de Araticum, na Serra do Quincuncá, para escolher e benzer o terreno do futuro cemitério local. Leio pela imprensa que o Pontal é o mais novo complexo turístico religioso da região do Cariri, construído nestes três últimos anos, com praça, acessibilidade, monumento ao Padre Cícero, lanchonete, lojinhas, banheiros, recinto para orações e um mirante com uma vista fantástica. Quem esteve à frente deste investimento de R$4 milhões e hoje coordena a sua funcionalidade é o Pe. Adalmiran Silva de Vasconcelos, pároco da Matriz da Imaculada Conceição de Farias Brito, e que acaba de realizar no último dia 20 a primeira Romaria da cidade ao Pontal do Padre Cícero. Antes de ir lá conhecer pessoalmente este grande empreendimento, me apresso em cumprimentá-lo Pe. Adalmiran, pois vejo com que empenho o senhor tem se dedicado inteiramente por esta inserção de Farias Brito, e muito bem justificada, no concerto de tantos destinos de romarias em nosso pais. Chamou-me a atenção o fato de que isto está mobilizando expressivo número de lideranças locais, e isto tudo articulado com os poderes sob a orientação de técnico especializado em Marketing Católico, que faz prospecção em potenciais e diagnósticos sobre esta nova vocação da localidade. E soube que não obstante o que foi possível realizar inicialmente, as preocupações se voltam para a complementação do equipamento, procurando dotá-lo com um Centro de Acolhimento ao Romeiro, bem como a construção de um Luzeiro para maior embelezamento da área. É bastante sintomático e muito promissor que o Pontal de Farias Brito já venha recebendo cerca de dois mil visitantes por mês, especialmente a partir da tradição que se procura construir com as missas do dia 20 de cada mês, além de outras promoções semanais da paróquia.Não há dúvidas, Pe. Adalmiran, que este é um bom sinal da presença viva do Padre Cícero em diversas comunidades do Cariri, a partir do que aconteceu entre nós, aqui no Juazeiro do Norte, pelo grito pioneiro do Pe. Murilo de Sá Barreto e que ressoou fundo no coração dos romeiros. Em verdade, ainda vemos com timidez esta realidade vivida por muitas localidades, por diversas paróquias desta nossa Diocese e outras, por este Nordeste a dentro, como se ainda sinalizassem com o clima detestável de intolerância religiosa, que há muito deveria ter ficado para trás. A longa e demoradíssima atitude que esperamos da hierarquia católica no reconhecimento destes valores nos deixam ainda mais ansiosos sobre esta pauta que trata da reabilitação histórico-eclesial necessária para o reconhecimento do valor do Padre Cícero para nossa Igreja. Dizem-nos os documentos da garimpagem histórica que um verdadeiro clima de terror foi implantado e prosseguiu com a perseguição a tantos padres que se antecipavam neste reconhecimento, falando das maravilhas que aqueles acontecimentos demonstravam.Felizmente, Pe. Adalmiran, hoje podemos vislumbrar um novo tempo, onde se pode reconhecer virtudes, milagres, graças, liderança, intercessão, dar vivas e fazer exaltação, coisas tão profundamente vividas por estes sertões que nem nos aventuramos ignorar. De outra sorte, só vejo com entusiasmo iniciativas como esta de Farias Brito, o velho Quixará dos idos do Padre Cícero, como uma marca autêntica de suas preocupações com o desenvolvimento que não guarda ansiedades rançosas e que o procura, principalmente, com o auxílio do povo de Deus. Desejo sucesso, Pe. Adalmiran, a sua paróquia, ao seu povo reunido em torno desta empreitada, para que o Pontal do Padre Cícero na Serra do Quincuncá, seja ainda mais, na esperança do povo, isso como o senhor reconhece, “o local de uma das mais belas vistas do Cariri do nascer do sol”. Afinal, como o senhor bem lembra, a profecia sobre o Pontal não guarda nada de apocalíptico, nada que nos mostre a antevéspera da catástrofe, do dilúvio e do final dos tempos, mas a visão atualizada do que cada um de nós busca quando se vive à deriva da vida, mas na esperança do Ressuscitado.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 29.07.2015)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 31, sexta feira, às 20 horas, o filme UM CONTO DO DESTINO (Winter´s tale, EUA, 2014, Direção de Akiva Goldsman). Elenco: Colin Farrell (Peter Lake), Jessica Brown Findlay (como Jessica Brown-Findlay) (Beverly Penn), Russell Crowe (Pearly Soames), Jennifer Connelly (Virginia), William Hurt (Isaac Penn), Will Smith (Juiz), Matt Bomer (O jovem), Lucy Griffiths (II)(A jovem),  Romeo Tan (Kevin Corrigan), Cesar Tan (Kevin Durand), Willa (Adulta) (Eva Marie Saint), Humpstone John (Graham Greene (II), Gabriel (Finn Wittrock), Gravesman (Joshua Henry). Sinopse: Esta história fantástica, baseada em um romance literário, se desenvolve tanto na Manhattan dos dias atuais quanto no século XIX. Durante um inverno rigoroso, Peter Lake (Colin Farrell), um mecânico irlandês, decide roubar uma imensa mansão, fechada como uma fortaleza. Ele tem certeza que a casa está vazia, mas acaba encontrando uma garota (Jessica Brown Findlay) no interior. Quando ele descobre que ela está prestes a morrer, nasce uma história de amor entre os dois. Crítica: Magia por todos os lados (por Bruno Carmelo). “Antes de entrar na sala de cinema, deixe o cinismo do lado de fora”. Essas foram as palavras dos atores Colin Farrell e Jessica Brown Findlay em uma das entrevistas sobre Um Conto do Destino. Os dois provavelmente já previam alguma dificuldade para o público aceitar a história com um estranho cavalo alado, milagres às pencas, pessoas que não envelhecem e Will Smith no papel de Lúcifer, ou “Lu”, para os íntimos. De fato, apesar de o livro original ser popular e respeitado nos Estados Unidos, a versão cinematográfica adota tão cegamente o tom fantástico que só pode ser aceita por um espectador profunda e sinceramente romântico. Para todos os outros, o filme lembra uma dessas histórias doces, cheias de reviravoltas, que os pais contam aos filhos pequenos antes de dormir. O que importa é menos o sentido do que o brilho, o encantamento, os efeitos. A diferença, no caso, é que uma dessas historinhas foi ilustrada com um orçamento de US$60 milhões e, acima de tudo, contada aos adultos. Talvez esse seja o elemento mais perturbador desta produção: tentar vender ao público maduro um roteiro cujo maniqueísmo faria mais sentido nas histórias de princesas e dragões dos desenhos infantis. Não que o livro seja melhor, ou pior – o autor desta crítica não leu a obra de Mark Helprin -, mas incomoda a trama lisa, asséptica, em que a violência não tem sangue, o sexo não tem prazer, o amor não tem sedução. Tudo é entregue ao espectador como um fato: o mocinho se apaixona porque sim, o vilão quer matá-lo ao longo de um século inteiro porque sim, outra garotinha aparece em seu caminho porque sim. É o destino, com sugere o título nacional, ou então são milagres, como dizem os personagens. É preciso ter muita fé e credulidade para acatar tamanhas liberdades com a coerência narrativa. Os atores se esforçam, e neste sentido merecem respeito por conseguirem atribuir verossimilhança a frases como “Não me elogie mais, senão vou derreter toda a neve sob os meus pés” ou “Eu sou um ladrão, não posso roubar apenas uma vida?”. Para o bem ou para o mal, o demônio Russel Crowe torce o queixo, abaixa o olhar e transforma a voz de maneira exageradíssima, mostrando comprometimento com esta visão etérea e escapista do mundo. Já Jennifer Connelly e Eva Marie Saint, cujas personagens têm menor relação com a magia e os efeitos especiais, estão convincentes e emocionantes em seus papéis dramáticos. Por fim, Um Conto do Destino funciona como uma versão menos criativa visualmente de Amor Além da Vida, ou uma releitura menos romântica de Cidade dos Anjos. Certamente, ainda falta descobrir porque Colin Farrell usa esse corte de cabelo no começo dos anos 1910, e porque Will Smith interpreta Lúcifer com sua voz habitual e com trajes de hipster. Os conceitos elaborados pelo diretor Akiva Goldsman e sua equipe não ficam nada claros, mas se existe um verdadeiro mérito nesta história atípica, é nadar contra a norma de Hollywood e acreditar no sucesso de um tipo de magia e ilusionismo que a indústria abandonou há muito tempo.