sábado, 1 de março de 2014

COMENDA MEMÓRIAS DE JUAZEIRO


Na noite do dia 25, pp., a Diretoria da AFAJ – Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte, como faz todos os anos, se reuniu sob a presidência do Cel. Francisco José de Lima, recém-eleito, e escolheu estas três personalidades que neste ano centenário receberão, in memoriam, a homenagens com a concessão da Comenda Memórias de Juazeiro: Cel. FIRMINO ARAÚJO, BARTOLOMEU ALVES FEITOSA e ANTÔNIO ARAÚJO SILVA. O primeiro nome foi indicado por Ronald Brito, o segundo por Iane Neri e o terceiro por Francisco Neri. Não houve qualquer outra indicação. A cerimônia acontecerá em Fortaleza, no dia 27 de Março, na sede da AORECE-Associação dos Oficiais Militares da Reserva e Reformados PM/BM do Estado do Ceará.

CIDADANIA & MEDALHA
A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte concedeu as seguintes honrarias: Resolução N.º 683 de 11.02.2014: Concede Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Valdetário Andrade Monteiro, pelos relevantes serviços prestados à nossa comunidade. (Autoria: João Alberto Morais Borges; Coautores: Danty Bezerra Silva, José Duarte Pereira Júnior e José Tarso Magno Teixeira da Silva; Subscritores: Cícero Claudionor Lima Mota – José Ivan Beijamim de Moura – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Rubens Darlan de Morais Lobo – José Adauto Araújo Ramos – Antônio Vieira Neto – José Nivaldo Cabral de Moura e Rita de Cássia Monteiro Gomes.) Resolução N.º 684 de 11.02.2014: Concede a Medalha Cidade de Juazeiro,  Comenda do Mérito Legislativo ao Excelentíssimo Senhor Desembargador Francisco Suenon Bastos Mota, pelos inestimáveis serviços prestados à comunidade juazeirense. (Autoria: José Duarte Pereira Júnior; Coautores: Danty Bezerra Silva e Glêdson Lima Bezerra; Subscritores: Cícero Claudionor Lima Mota – José Ivan Beijamim de Moura – Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro - Rubens Darlan de Morais Lobo - José Adauto Araújo Ramos – José Nivaldo Cabral de Moura - Firmino Neto Calú - João Alberto Morais Borges – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Cláudio Sergei Luz e Silva - Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – Francisco Alberto da Costa – Rita de Cássia Monteiro Gomes e Maria Calisto de Brito Pequeno.) Também foi concedida a cidadania juazeirense mediante a Resolução N.º 685 de 11.02.2014: Concede Título Honorífico de Cidadão Juazeirense Senhora Patrícia Vieira Pereira, pelos relevantes serviços prestados à nossa comunidade.(Autoria: José Nivaldo Cabral de Moura; Coautores: Danty Bezerra da Silva; Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro - Cícero Claudionor Lima Mota – Cláudio Sergei Luz e Silva – José Adauto Araújo Ramos - José Tarso Magno Teixeira da Silva – Francisco Alberto da Costa – Firmino Neto Calú - José Ivan Benjamim de Moura – Paulo José de Macêdo - Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – Rubens Darlan de Morais Lobo– Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Maria Calisto de Brito Pequeno – Rita de Cássia Monteiro Gomes.)

MEMÓRIA: UM FACTO HISTÓRICO
Ainda sobre Maria de Araújo, cujo centenário de falecimento ainda estamos rememorando, ocorreu-me a publicação do esboço do protesto que o Pe. Cícero Romão Baptista fez registrar no Cartório do Segundo Ofício (Cartório Machado) que, como já referimos, está inserido numa das obras de Paulo Machado. Como se pode ver, são três datas: O “facto” aconteceu em 22.10.1930. O esboço do protesto (documento anexo) é de 10.11.1930, e só foi registrado em Cartório no dia 03.12.1930. Este documento me foi cedido, em definitivo, por Fátima Menezes. Anteriormente ele certamente fazia parte do acervo de seu avô, o advogado José Ferreira de Menezes (JFM), que elaborou a “minuta”. Por que esta demora em efetivar o registro? Será que eles esperavam, antes, encontrar o paradeiro do corpo? Outro fato que me chamou atenção foi que no interior do documento encontrei este pequeno fragmento de um detalhe de roupa feminina. Seria da beata? Pode ser que José Ferreira de Menezes tenha recolhido isto dentre os resíduos dos despojos, como ele mesmo registra. Fica apenas como curiosidade. 

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA
Foto de João Alencar Figueiredo, integrante da antiga Guarda Nacional, ao tempo em que serviu no Acre. A imagem nos foi enviada por seu bisneto Gandhi Figueiredo Timóteo.







RECONHECIMENTO PÚBLICO & NOVA RUA
Através da LEI Nº 4280, de 19.02.2014 fica reconhecida de utilidade pública o INSTITUTO NOVO SOL – INSOL - de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, fundado em 10 de setembro de 2012, com sede e foro nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, de duração por tempo indeterminada, e reger-se-á por seus estatutos sociais, e bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Vereadora Rita de Cássia Monteiro Gomes
Também pela LEI Nº 4281, de 19.02.2014 fica reconhecida de utilidade pública o INSTITUTO CULTURAL E SOCIAL BEATO ROQUE PINTO DE MIRANDA fundado em 26 de abril de 2010, com sede e foro nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, que tem por finalidade apoiar e desenvolver ações e projetos nas áreas social, cultural e artística, promovendo a reinserção e tendo como público-alvo todo os segmentos (família, criança, adolescente, adulto e idoso) e em especial os que se encontram em situação de risco social, de duração por tempo indeterminado, e reger-se-á por seus estatutos sociais, e bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Vereador Paulo José de Macedo; Coautoria: Vereador Cícero Claudionor Lima Mota.
Igualmente, pela LEI Nº 4282, de 19.02.2014 fica reconhecida de utilidade pública a
ASSOCIAÇÃO CENTRO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DO BAIRRO TIMBAÚBAS – CDCT., fundada em 04 de setembro de 2010, é uma associação civil de direito privado, de caráter social, sem fins lucrativos, político partidário ou religiosos, que terá duração por tempo indeterminado, com sede e foro  nesta cidade de Juazeiro do Norte e reger-se-á por seus estatutos sociais, e bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Vereador Glêdson Lima Bezerra; Coautoria: Vereador Tarso Magno Teixeira da Silva.
Pela LEI Nº 4283, de 19.02.2014 denominada de RUA PEDRO ALEXANDRE DAMASCENO, a artéria que tem início na rua Domingos Rodrigues Barbosa e término na rua Engenheiro José Onofre Marques, no bairro São José, nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. Autoria: Vereador Danty Bezerra da Silva
(Na foto, de nosso arquivo, o Beato Roque Pinto de Miranda)

A MÍSTICA NORDESTINA FEITA COM SANGUE E SUOR’
A reabilitação do Padre Cícero pelo Vaticano gera expectativa e renova a fé dos nordestinos em seus beatos e cangaceiros (Entrevista com o teólogo Paulo Suess) (Recebi a indicação de leitura e repasso aos interessados) Porto Alegre - Em janeiro deste ano a cidade de Juazeiro do Norte (CE), terra de Padre Cícero, abriu as portas para fiéis de vários outros padrinhos. As fileiras dos romeiros engrandeceram com a presença dos mais de 5 mil participantes do 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs, cujo tema foi Justiça e Profecia a Serviço da Vida. Além das delegações, estiveram presentes bispos, padres, lideranças indígenas e membros de várias outras religiões (mesmo as não-cristãs). De acordo com o Paulo Suess, alemão radicado no Brasil, o que mais marcou o encontro foi a força da mística nordestina. Em uma região onde a religiosidade se mistura ao imaginário dos beatos e beatas, dos padres messiânicos e cangaceiros, a força da religiosidade popular se manifesta de maneiras únicas, ainda que em diálogo com inquietações de todo o Brasil. Assemelham-se nas lutas por justiça e lutas justiceiras, nos messianismos políticos e mesmo nas loucuras messiânicas (como no emblemático caso da Pedra do Reino). “Em cada um de nós, a religião pode alimentar desespero e esperança. Saber para que lado do muro se deve pular é decisão da fé. Mas a fé não é necessidade, é opção.” Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Suess destaca as mudanças na visão da religiosidade popular a partir do Concílio Vaticano II, o papel da espiritualidade na vida contemporânea, os desafios da igreja e da sociedade e a busca pelo Bem Viver (Sumak Kawday), baseado na simplicidade, na vida em comunidade, na comunicação e no equilíbrio. “O equilíbrio vivencial encontra-se nas relações que aparentemente são caracterizadas por oposições ou contradições: o indivíduo se desenvolve na comunidade, o trabalho integra o lazer (dança, música, arte), o jejum faz parte do comer. O equilíbrio entre essas oposições garante a vida em sua plenitude”, defende o religioso.
Uma das grandes dificuldades das confissões religiosas nos dias de hoje é vincular a espiritualidade às práticas do cotidiano. Como as CEBs colaboram para a construção de pontes entre os “dois mundos”?
Na passagem pelos documentos do Concílio Vaticano II (1962-65) aprendemos que a “autonomia das realidades terrestres” está vinculada à responsabilidade da humanidade “perante os seus irmãos e a história”. Ao mesmo tempo, ela não está desvinculada da ordem da criação. A autonomia se desdobra na liberdade da autodeterminação e da criatividade, e como tal é constitutiva para a dignidade humana. A criação do mundo continua nas “práticas do cotidiano” em todas as suas dimensões. Por isso não faz sentido falar em “fratura entre o reino de Deus e a vida material”, porque nem o reino de Deus está desprovido da vida material, nem “a vida material” está desprovida do espírito. A física quântica nos esclareceu sobre o fato de que no fundo da “vida material” encontra-se energia, luz, vida, espírito, processos em mutação permanente. As CEBs vivem esses processos de encarnação na vida. Suas raízes têm asas! Aprenderam no seguimento de Jesus que a vida material nunca é o fim último nem realidade definitiva, e que a vida espiritual está embutida na terra e na água, na dor cotidiana e na morte que é passagem.
Como evangelizar sem alienar? Ou seja, é possível viver em espiritualidade mantendo um pensamento crítico?
O que é “alheio” e produz alienação, e o que é “próprio” e fortalece a identidade? A relação entre ambos é resultado de acordos, consensos e negociações históricas. Tanto “alienar” como “pensamento crítico” pressupõem um fundo de valores e normas constitutivos e assumidos em liberdade por uma determinada comunidade. Quem se “aliena”, se afasta desses valores que compõem uma visão do mundo compartilhada. O pensamento crítico aponta para esse distanciamento da visão do mundo compartilhada e reivindica a volta ao “ideal” abandonado.
A proposta comum das CEBs, seu ideal, é sua articulação entre fé e vida. Nas CEBs, a relevância da fé é permanentemente aferida a uma vida na qual o fruto do trabalho de todos é repartido igualmente entre todos e apropriado em harmonia com a natureza, tendo particularmente em vista as futuras gerações. O “pensamento” crítico, inerente ao Evangelho, fortalece a “espiritualidade”.
A vida espiritual, como as CEBs a compreendem, faz um esforço permanente para resistir contra certo “essencialismo nas nuvens” e fora dos contextos e da história. Vida espiritual significa vigilância sobre um projeto civilizatório, capaz de alienar-nos de nós mesmos, do outro e do mundo. O tema do 13º Intereclesial de CEBs “Justiça e Profecia a Serviço da Vida” é expressão dessa vigilância em defesa do bem viver para todos e do discernimento crítico.
De que forma o trabalho promovido pelas CEBs dialoga com a lógica do bem viver (sumak kawsai)?
O bem viver, como está inscrito nas Constituições da Bolívia e do Equador, é um processo de conquistas e esforços históricos permanentes contra tudo que estorva a vida de pessoas, comunidades e sociedades. No horizonte dessa luta está a transformação do Estado do Bem-Estar para poucos em um Estado do Bem Viver para todos (fim da sociedade de classes e dos privilégios) e para sempre (memória dos antepassados, projeto para hoje e para as futuras gerações). As comunidades construídas por beatos e beatas nordestinos do século XIX foram herdeiras e construtoras do bem viver rural e precursoras das CEBs de hoje. Da afinidade entre o projeto do bem viver e o projeto das CEBs, emergem eixos comuns. Primeiramente, a simplicidade garante a dignidade da vida para todos. Essa simplicidade nos faz gastar o necessário para todos. Ela não é uma extensão da miséria ou da pobreza; pelo contrário, ela faz todos viverem melhor com menos e em equilíbrio com a vida em sua totalidade.A simplicidade é vivida em comunidade que protege contra as tendências de apropriação privada dos bens do planeta Terra através de indivíduos isolados. As comunidades incentivadas pelo padre Cícero viviam segundo um código ecológico ainda hoje válido. O comunitarismo protege contra a emergência permanente de uma sociedade de classe. Tanto nas comunidades nordestinas do século XIX que os beatos animaram, como no paradigma do bem viver almejado pelo mundo andino e nas CEBs de hoje, a vida é marcada pelo trabalho, pela mística e pela redistribuição dos bens. O fracasso dessa redistribuição dos frutos do trabalho seria o fracasso do projeto comunitário como tal. Todos esses projetos (comunidades dos beatos, comunidades do bem viver e CEBs) desencadearam lutas contra a modernização na qual está embutida a promoção individual e concorrencial. Na base do bem viver das comunidades está o equilíbrio entre os saberes ancestrais e os científicos. O sumak kawsay faz parte daquela sabedoria que a humanidade adquiriu ancestralmente nas relações vividas e transmitidas entre gerações. A ciência é parte complementar desse saber adquirido. O equilíbrio vivencial encontra-se nas relações que aparentemente são caracterizadas por oposições ou contradições: o indivíduo se desenvolve na comunidade, o trabalho integra o lazer (dança, música, arte), o jejum faz parte do comer. O equilíbrio entre essas oposições garante a vida em sua plenitude. Nos três tipos de comunidades (comunidades dos beatos, comunidades do bem viver e CEBs) prevalece a comunicação oral. O bem viver comunitário exige a superação dos conflitos pelo diálogo e a participação de todos e todas. Essas práticas de oralidade apontam para uma espécie de “democracia participativa” que questiona a escrita e a delegação representativa da ação. Vai fazer 60 anos que Lévi-Strauss, em seu Tristes Trópicos, nos lembrou: a escrita “parece favorecer a exploração dos homens, antes de sua iluminação. Essa exploração, que permitia reunir milhares de trabalhadores para obrigá-los a tarefas extenuantes [...]. Se a minha hipótese for exata, é necessário admitir que a função primária da publicação escrita foi a de facilitar a servidão”. Por fim, ao não se realizar historicamente em sua plenitude, o bem viver das comunidades tem no seu horizonte rupturas sistêmicas e conversão pessoal. Ruptura e conversão têm dimensões religiosas, sociais, políticas, éticas, econômicas e escatológicas.
Este ano o Intereclesial ocorreu em Juazeiro do Norte, terra de Padre Cícero, um religioso que por muitos anos foi recusado pela Igreja. Atualmente, o Vaticano prepara a reabilitação e a possível canonização do padre. Qual a importância deste reconhecimento oficial?
A canonização do padre Cícero não acrescenta nada às curas, graças e consolos que o povo recebe de seu Padim. Mas o povo quer partilhar as suas graças recebidas com toda a Igreja em busca de sua conversão pastoral. O primeiro milagre de Juazeiro do Norte aconteceu na hora da comunhão, da eucaristia, da ação de graças. Entre as três forças (o Estado, a Igreja e o Povo), os beatos, via de regra, foram questionados pelos seus poderes políticos e eclesiásticos. Não foi diferente com Padre Cícero, que nasceu em 1844, em Crato, no Ceará. Juazeiro do Norte, onde morreu, em 1934, originalmente pertenceu a Crato, de onde só em 1911 foi emancipado. Por 11 anos e a pedido do povo, o Padre Cícero, que desde 1872 era morador de Juazeiro, foi seu primeiro prefeito. A partir de 1872, Cícero desenvolveu intenso trabalho pastoral, com pregações, visitas domiciliares e confissões. Os peregrinos e retirantes foram recebidos em Juazeiro com dignidade. Nunca o padre Cícero mandou alguém de volta para os territórios da fome. Todos foram assentados em comunidades de oração e trabalho. A grande mudança na abordagem do “caso Cícero” veio com a sedimentação do Vaticano II e com a atitude do atual bispo de Crato, Dom Fernando Panico, em 2001. No Concílio, a Igreja católica procurou fortalecer as Igrejas locais e superar a fase da romanização anterior; fortaleceu a voz do povo de Deus, sobretudo a dos leigos. Os romeiros de Juazeiro do Norte tiveram confirmadas a sua voz teológica, a sua infalibilidade no ato da fé (in credendo): “O conjunto dos fiéis, ungidos que são pela unção do Santo, não pode enganar-se no ato de fé”. O povo de Deus recebeu do Espírito o “senso da fé”. O Papa Francisco, que enviou aos participantes do 13º Encontro Intereclesial das CEBs uma mensagem animadora, diria: “faro da fé”. Tudo isso foi confirmado pelo bispo de Crato, Dom Fernando, que atribuiu sua cura de um câncer, que parecia incurável, à intercessão do Padre Cícero. A fidelidade do povo simples, que sempre se soube amparado por seu Padim, e a humildade e gratidão de Dom Fernando conseguiram abrir as portas para a reabilitação e, quem sabe, para a beatificação oficial do Padre Cícero. O “faro da fé” do povo de Deus é como um GPS que indica ruas e veredas da fé. A canonização poderá confirmar esses caminhos e veredas.
A experiência mística nordestina é marcada por beatos, padres e outros personagens emblemáticos que se envolveram em diversas lutas sociais. Como esta mística se caracteriza? 
A “mística nordestina” precisa ser analisada em sua grande diversidade. Comum à maioria dessas experiências é o “comunitarismo interno” e o “ceticismo externo” dispensado pela Igreja oficial, romanizada e distante do povo simples. Ao desenhar uma tipologia dessas místicas podemos elencar cinco grupos diferentes. Primeiramente, o grupo “fome-fé”, cuja organização comunitária, originalmente, acolheu os retirantes das secas e migrantes em busca de condições de uma vida digna. O Padre Ibiapina foi um dos primeiros a se dar conta de que a fome não pode ser combatida somente com fé. Ele acrescentou o que aprendeu na casa dos beneditinos, cujo lema fundacional é “reze e trabalhe” (ora et labora). Nessa casa funcionava a Faculdade de Direito, e Ibiapina ampliou o binômio “fome-fé” por dois componentes essenciais: “trabalho” e “vida em comunidade”. Seu espírito de uma mística articulada com necessidades históricas concretas percorreu todo o sertão. O resultado de todas essas comunidades guiadas por fé, fome, trabalho e vida comunitária era a possibilidade de a festa fazer um eixo estruturante da vida. Geralmente, quando se fala da mística nordestina, pensa-se nesse grupo “fome-fé-trabalho-vida comunitária-festa”, composta pelos padres Ibiapina e Cícero, pela beata Maria de Araújo como pars pro toto para tantas outras beatas que sustentaram o trabalho comunitário e social, e pelo beato Zé Lourenço. No sertão pernambucano, o jovem João Antônio foi o primeiro a pregar a volta do rei Sebastião para consertar a precariedade da vida social. Seu sucessor, que rachou radicalmente com a Igreja Católica institucional, foi o cunhado João Ferreira. O fanático João Ferreira reunia seus seguidores em torno de um grande rochedo (a “Pedra do Reino”) e dizia que, para que o rei Sebastião revivesse e pudesse realizar o milagre da riqueza, era preciso que a grande pedra ficasse totalmente tingida com sangue humano. Quem doasse o sangue para a volta do rei seria recompensado: velhos ressuscitariam jovens; pretos voltariam brancos; e todos, além de ricos, seriam imortais na nova vida. Famílias empobrecidas de agricultores, com a última camisa da esperança, acamparam em volta da rocha e passaram a aguardar o milagre. A espera terminou com o massacre da Pedra do Reino, promovido por João Ferreira. Entre os dias 14 e 16 de maio de 1838, 53 pessoas foram sacrificadas. (Publicado em 23 de Fevereiro de 2014, na Tribuna do Norte, Natal-RN)

EMBAIXADOR DA CULTURA DO CARIRI
Aceitei com muito gosto estar presente no próximo dia 6, no Centro Cultural BNB quando o poeta e repentista Silvio Grangeiro irá receber o título de Embaixador da Cultura do Cariri, comenda ofertada pelo Governo do Estado de Minas Gerais e pela UNESCO. O evento será no seu auditório, às 19:00 horas. De apontamentos biográficos realizados por Rosário Lustosa, anotei: “Expedito Alves Grangeiro, conhecido como Silvio Grangeiro,  nasceu no então distrito de Abaiara, pertencente a  Milagres, (hoje cidade de Abaiara), em 12/08/1943. Com a seca de 1958, aos 15 anos de idade, foi juntamente com toda a sua família para  São Paulo, em busca de dias melhores. Em 1964 mudou-se para Dourados, Mato Grosso do Sul, onde iniciou sua carreira como poeta repentista, estreando com um programa na Rádio Clube daquela cidade onde permaneceu por cinco anos, retornando  para Juazeiro do Norte no ano de 1969. Casou-se com a Senhora Marismar Barros Grangeiro, e permanece no Juazeiro até os dias de hoje. Durante estes cinquenta anos dedicados a poesia, publicou livros e cordeis, e gravou CD e DVD. Tem participado de festivais por todo o Brasil de onde  colecionou  mais de 300 troféus. Ao chegar em Juazeiro do Norte, recebeu de Coelho Alves um horário para fazer um programa de radio, na Radio Iracema, a convite de Padre Germano, transferiu-se para a Radio Vale AM, onde permanece até agora. Silvio Grangeiro é produtor de festivais, com destaque para os de Juazeiro do Norte, Farias Brito e Caririaçu. Entre seus filhos está o cantor Sirlan Grangeiro e a sua empresária Simone Grangeiro. Entre seus parceiros mais frequente estão: Agostinho de Oliveira (Juazeiro do Norte/CE), Francinaldo Oliveira (São José de Belmonte/PE), Gilmar de Oliveira (Cajazeiras/PB), Gilvan Grangeiro (Abaiara/CE), Geraldo Amâncio (Fortaleza/CE), Hipólito Moura (Caruarú/PE), Ismael Pereira (Lavras da Mangabeira/CE), Pedro Bandeira (Juazeiro do Norte/CE), Valdir Teles (Tuparetama/PE), Zé Cardoso (Limoeiro do Norte/CE) e Zé Viola (Terezina/PI). No dia 17 de Julho de 2013 foi comunicado que receberá o titulo de  EMBAIXADOR DA CULTURA NO CARIRI outorgado  pela UNESCO através do Governo do Estado de Minas Gerais.

NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
Por atos da Câmara Municipal, a cidade passa a contar com dois novos “conterrâneos”: RESOLUÇÃO N.º 686, DE 20.02.2014, concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Pedro Carlos de Morais Borges. Autoria: João Alberto Morais Borges; Coautoria: José Duarte Pereira Júnior e Danty Bezerra da Silva; Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – José Tarso Magno Teixeira da Silva – Firmino Neto Calú – José Adauto Araújo Ramos – José Ivan Beijamim de Moura – Cícero Claudionor Lima Mota – José Nivaldo Cabral de Moura – Glêdson Lima Bezerra – Maria Calisto de Brito Pequeno e Rita de Cássia Monteiro Gomes. RESOLUÇÃO N.º 687, de 20.02.2014, concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Geraldo Cirilo de Sousa, pelos inestimáveis serviços prestados a esta cidade e ao seu povo. Autoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva; Coautoria: Danty Bezerra da Silva; Subscrição: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Firmino Neto Calú – José Adauto Araújo Ramos – José Ivan Beijamim de Moura – Cícero Claudionor Lima Mota – José Nivaldo Cabral de Moura – Glêdson Lima Bezerra – Francisco Alberto da Silva – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha - José Duarte Pereira Júnior - João Alberto Morais Borges – Paulo José de Macêdo – Antônio Vieira Neto – Normando Soracles Gonçalves Damascena - Maria Calisto de Brito Pequeno – Maria de Fátima Ferreira Torres e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
Obs.: Pedro Carlos Morais Borges nasceu em Caririaçu, em 05.07.1951, casado, foi vereador em Juazeiro do Norte pelo PSDB, eleito pela coligação Pra Juazeiro Crescer (PSL / PRTB / PSDB), em 2008. Infelizmente não temos nenhum dado sobre o “juazeirense” Geraldo Cirilo de Sousa.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Maria de Araújo, túmulo e busto








































Na semana que passou a figura histórica de Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo voltou a ser o foco de dois eventos: o primeiro foi a inauguração do busto em sua homenagem na praça que agora leva o seu nome, anteriormente designada como Praça do Marco Zero, por ser a posição geográfica onde a cidade se iniciou, no início da Rua Grande, Rua do Arame, depois Rua Pe. Cícero. Foi uma bonita festa promovida pela municipalidade e que contou com a presença do escritor Ralph Della Cava. O busto foi um presente do prof. Geová Sobreira à cidade de Juazeiro do Norte. Ele agora está instalado em pedestal de alvenaria, decorado com cerâmica, e com placa comemorativa. Outro fato importante foi o esclarecimento de que o túmulo que havia sido descoberto numa propriedade do município de Aurora (CE) efetivamente não é da beata maria de Araújo, mas de uma pessoa bem identificada, cuja revelação ficou esclarecida por conta de um antigo jornal da cidadee. Assim, continuamos com a questão antiga, em busca do verdadeiro jazigo da beata.    

DELLA CAVA: JOASEIRO
 
Foi lançado no dia 17 passado a terceira edição do livro Milagre em Joaseiro, do prof. Ralph Della Cava. Anteriormente anunciado para acontecer no Memorial Padre Cícero, às pressas, decorrente de fortes chuvas na madrugada, o evento foi transferido para o Teatro Patativa de Assaré, no SESC-Juazeiro do Norte. Casa cheia e um grande evento ali aconteceu. No início a assistência foi brindada com um show musical conduzido por Afonso Gadelha, Daniel Sobreira e banda. A seguir, organizado por Geová Sobreira, aconteceu a sessão de lançamento, que contou com a participação do prefeito municipal, dr. Raimundo Macedo, a secretária de cultura, Marli Bezerra, a reitora da UFCA, profa. Suely Salgueiro Chacon, o prof. Ralph Della Cava e o prof. Renato Casimiro. Professores, intelectuais, estudantes e expressiva representação da sociedade caririense se fizeram presentes, em noitada que se estendeu por mais de 4 horas de duração. O prof. Della Cava, muito emocionado, se deteve em quase três horas pondo autógrafo em cerca de 240 exemplares adquiridos pelos presentes. Some-se a isto o gesto digno do prefeito municipal que adquiriu mais 280 exemplares para endereçar aos colégios da rede pública municipal de Juazeiro do Norte. Assim, foram cerca de 520 exemplares os que inicialmente ficaram na cidade. Nos próximos meses, algumas livrarias da cidade terão a obra para aquisição dos interessados. Gostaria de me congratular com Geová Sobreira por toda a sua iniciativa de ter coordenado a reedição desta obra e mais por tudo que foi feito para que ela fosse lançada em grandes momentos, tanto em Juazeiro do Norte (lançamento nacional), como em Fortaleza (veja comentários a seguir). Nós, indubitavelmente, fomos agraciados com um dos maiores acontecimentos culturais já acontecido em Juazeiro do Norte, em toda a sua história. A seguir, transcrevo o texto do meu discurso, com o qual fiz a saudação ao prof. Ralph Della Cava, e sua magnífica obra. 
RALPH DELLA CAVA E A NOVA HISTÓRIA DE JUAZEIRO DO NORTE
Excelentíssimo Senhor Dr. Raimundo Macedo, 
Excelentíssima Senhora Marli Bezerra,
Excelentíssima Senhora Dra. Suely Salgueiro Chacon,
Excelentíssimo Senhor Geová Magalhães Sobreira,
Excelentíssima Senhora Olga Della Cava,
Caríssimo Professor Ralph Della Cava,
Meus senhores e minhas senhoras:
Acreditem que é impossível iniciar breves palavras que, eventualmente, tenham alguma serventia à apresentação da obra que se lança, neste local e nesta abençoada terra, revista e ampliada, da forma em que esta terceira edição de sua tese doutoral se apresenta hoje, sem que não me seja ensejado a relembrança de fatos presenciados no recuado segundo semestre de 1964. 
Naquela época, aluno do quarto ano, do então Ginásio Salesiano São João Bosco, eu e tantos outros, dentre os quais, também aqui nesta noite, meu irmão e amigo dileto, Daniel Walker, fomos convidados pelo padre Mário Balbi, prefeito da disciplina do estabelecimento, a permanecermos todos no pátio, após as orações matinais. A seguir, ouvíamos do Pe. Gino Moratelli, diretor do colégio, a palavra de apresentação do jovem doutorando, um americano que estava entre nós para escrever um livro sobre a história de Juazeiro e de seu patriarca. 
Eu lhe confesso, professor Della Cava, que aqueles jovens, na maioria, curiosos por aquela presença, quase inusitada, de um “gringo”, em tempos de Aliança para o Progresso, que já se fizera notar pelo trânsito circunstancial, a passos rápidos, entre o pavimento superior, especialmente entre a biblioteca e o refeitório, ainda não sabiam que história era aquela que se contaria, que padre era aquele que despertava a atenção do historiador, que terra era aquela que inspirava tanta curiosidade. Era como se, de nada disso ainda tivéssemos notícia, senão uma leve desconfiança de que, dentre as cenas da cidade, frequentemente um bulício prenunciava sinais evidentes de um milagre que pouco de anunciava. Se bem me lembro, notória era a alegação de minha avó, dona Neném Soares, de que “seu” Padre, seu compadre, já não queria que falássemos dessas coisas.
Relembraria, por exemplo, que não demorou muito, por além daquele primeiro encontro ainda no pátio do colégio, para sentir que o meu interesse pessoal mudaria substancialmente as minhas atenções para com minha cidade. No ano anterior, 1963, exatamente na noite de 22 de novembro, um fato muito importante já havia determinado uma breve interação com a história do Juazeiro. No dia da tragédia de Dallas, ao lado do meu pai, Luiz Casimiro, tristes por aquele acontecido, também em parte frustrado porque, de tão ansiosos, não teríamos naquela noite a transmissão normal da Voz da América, com os programas esperados sobre filatelia e cinema. Desistimos, eu e ele. Melhor, seria ir fazer outra coisa, diante de notícias tão dramáticas. Meu pai me apontou para uma velha estante para que dali escolhesse alguma coisa, como um daqueles volumes das obras de Alexandre Dumas, tão do seu agrado. Mas eu fui casualmente para outro, até então não percebido, nos meus catorze anos de vida. Era o conhecido discurso de Floro Bartholomeu da Costa, na Câmara Federal, em defesa do Juazeiro e do Padre Cícero, autografado pelo doutor-coronel do sertão, para meu avô, Antonio Alves Casimiro, seu colaborador durante as ações militares com respeito à Coluna Prestes. 
Quando lhe conheci, lembrei-me imediatamente daquilo que me despertara meses antes. O que não percebi de imediato foi que o trabalho que jovem doutorando terminaria por me atirar, também em leituras compulsivas a um sem número de publicações que já estavam entronizadas ao elenco vário desta missão. Estas leituras ainda não terminaram. Não tenho a menor ideia quando isto vai acontecer. Sei apenas que ao tempo, lugar e circunstâncias, isso de fato, me rendeu uma melhor compreensão sobre aquelas primeiras indagações inquietantes, em um dia qualquer, daquele tempo de uns cinquenta anos, onde muitos de nós ainda teríamos tempo para amar os Beatles e os Rolling Stones, mas que, felizmente, ao lado disto, ainda nos coube a tarefa gratificante de contribuir para que tudo isto fizesse parte de uma nova atenção sobre o nosso passado. Dois destes, pelos menos, estão hoje aqui e podem e devem lhe falar sobre isto.
Em 1970, com a edição americana de Miracle at Joaseiro, tivemos a revelação, o deslumbramento inevitável do que fora aquela jornada, especialmente pelo resgate de farta base documental, pela investigação empreendida e que nos mostrava com grande extensão a riqueza de nosso passado. Ali se iniciava a cruzada na qual nos lançávamos à longa jornada para recompor o grande arquivo da casa do Patriarca. 
Falo-lhes de mim, especialmente, pela notável experiência de vida que aquele fato determinou. Vários anos depois, já em 1974, por nosso primeiro encontro, o seu apontamento, generoso e afetuoso, posto em dedicatória no meu exemplar da primeira edição americana de Miracle at Joaseiro, me revelaria a atenção e certo reconhecimento de uma lida, tão incipiente, na expressão gentil de “...por cujas mãos seguras, repousa a herança histórica do Joaseiro”. E é hora, então, me permita, de firmar um testemunho e o meu agradecimento público diante do que a vida nos ensejou. 
Devo-lhe isto prof. Rafael Della Cava. Devemos todos nós um pouco de nós mesmos diante deste monumento edificado. É o nosso sentimento pela existência de Milagre em Joaseiro. Devemos-lhe isto, os filhos da terra e os adventícios, todos, sem exceção, romeiros da Mãe de Deus e do Padre Cícero. O seu trabalho, Rafael, como a gentileza e o afeto de tantos juazeirenses assim se deram na colaboração espontânea, também nos trás à lembrança de uma turma que se representa ainda hoje na presença Madre Maria Neli Sobreira da Silveira, mas também nas ausências de José Ferreira de Menezes, de José Geraldo da Cruz, de Odílio Figueiredo, de Otávio Aires de Menezes, de Murilo de Sá Barreto, de Cícero Fernandes Coutinho, de Amália Xavier de Oliveira, de Generosa Ferreira Alencar, de Beatriz Santana, de Maria Gonçalves da Rocha Leal, de Azarias Sobreira Lobo, de Maria Assunção Gonçalves, e de tantos mais. 
Quando esta obra chegou a meu conhecimento, pelas mãos carinhosas do amigo comum José Oswaldo de Araújo, eu me espantei pela riqueza que aquelas páginas guardavam. Num primeiro momento, aquilo que mais me fascinaria, por estes anos, através de densos acervos documentais, especialmente próximos e tão distantes aos nossos olhos, até então. E que se anunciavam reunidos em ABC - Arquivo do Bispado do Crato e ACS - Arquivo do Colégio Salesiano, especialmente, além de outras fontes. Até hoje, professor Della Cava, não obstante o farto aparato tecnológico em torno da digitalização, em contraposição às suas imensas dificuldades para fotografar, página a página, tudo o que lhe era apresentado, continuamos nós, essas outras gerações mais recentes, a garimpar novas achegas, complementares à sua diligente, profícua e meritória jornada entre nós. Tratamos ainda hoje, de certo modo, de realizar esforços para recompor a imensa fragmentação do original arquivo da casa do patriarca, disperso em mais de uma centena de novos endereços e destinos. Felizmente, ainda sob sua permanente inspiração.          
Particularmente, no que tocava a esta nova e grande contribuição para a história do Juazeiro, necessário se faz dizer da impressão muito vistosa de que até então o que tínhamos para ler sobre nossas questões políticas e religiosas, estava de há muito polarizado em duas tendências sectárias, entre a louvação e o escárnio. Era por assim dizer, como mencionavam resenhas anteriores, uma literatura do pró e uma outra literatura do contra. Especialmente sobre os interesses do Juazeiro. Milagre em Joaseiro passou a formar e a fortificar a tendência de novos olhares sobre este universo, pontificando pela atualidade e densidade documental, ajuntando novos estudos multidisciplinares e interdisciplinares ao gosto e eleição de parcela expressiva da academia brasileira e pelo mundo. Lembro particularmente, uma primeira impressão deste lócus quando ainda estudante na USP, em 1978, presenciei sessão pública de defesa de doutoramento de candidato que se propunha analisar fatos atinentes ao fenômeno do coronelismo na velha república. A examinadora, professora Maria Isaura Pereira de Queiroz, tão conhecida desta seara, num dado momento da sua arguição, se diz surpresa que o candidato não havia lido Ralph Della Cava, e como tal, nem mencionara em seu suporte bibliográfico, a que sua leitura e análise tinham recorrido por primeiro. E para concluir: como pode alguém pretender reescrever página tão expressiva desta nossa nacionalidade sem a atualidade, brilhante, de Milagre em Joaseiro? Foi um mau pedaço arranjar uma desculpa, todos reconheceram. 
Para mim foi um dos sinais evidentes de como a obra viria a entranhar-se na necessidade imperiosa desta missão: reescrever e estabelecer novos marcos basilares para a continuidade das discussões sobre Juazeiro e suas questões. Não obstante críticas destoantes e de pequena repercussão, a obra chega a esta sua necessária reedição intacta na sua proposta de nos mostrar que num certo foco, por exemplo, Pe. Cícero nem é santo, nem impostor. O personagem “...aparece no livro como tantos outros sacerdotes do Sertão do século XIX, erigido antes pelas circunstâncias que por qualquer característica pessoal notável a uma das figuras mais polêmicas da história do Brasil. Defensor involuntário de um “milagre”, foi denunciado pela Igreja como impostor, por temerosos coronéis e chefes políticos como perigoso agitador e aclamado pelas massas de sertanejos como santo injustiçado, capaz de livrar os pobres e enfermos de suas aflições. Por um complexo jogo de fatores, coube ao obscuro sacerdote desempenhar um papel dos mais relevantes na vida política do Ceará, canalizando os descontentamentos das populações miseráveis e contendo-os, numa região onde já dominavam tendências milenaristas e onde era comum a prática religiosa marcada pela fé ingênua e exaltada e, por outro lado, comandando, em virtude das forças sociais e políticas que despertou, um movimento religioso e popular de grande amplitude.”
Neste contexto, saudamos e aplaudimos esta terceira edição com o cuidado e zelo do seu coordenador editorial, Geová Sobreira. Vinte e cinco anos depois da segunda edição, a obra reaparece íntegra na proposta de revisão histórica sobre como se houve, por exemplo, a romanização na igreja do Ceará, e como isto afetou a trama que resistiu aceitar, ente nós, um milagre eucarístico. Milagre em Joaseiro é rico na narrativa de fenômenos sociais e políticos que tangenciaram ou marcaram indelevelmente a vida no Cariri cearense, só para citar fatos como páginas do coronelismo no inicio do século passado, o poder oligárquico de algumas famílias, as marcas do cangaceirismo, a revolução de 1913-14 e a construção de nossa autonomia política. E por tais predicados, está hoje aqui ereta e digna, como se sustentam as grandes obras, em pé nas prateleiras, à espera de nossa leitura e reflexão. 
Foi o que me ocorreu lhes dizer, meus senhores e minhas senhoras, meus queridos amigos Ralph e Olga Della Cava. Por esta minha inequívoca e franciscana indigência literária talvez ainda não tenha lhes expressado aquilo que de tão forte seu trabalho e esta obra nos impressionaram e nos marcaram nos últimos 50 anos. E não sem razão. Mas, felizmente, é tudo verdade. 
Ralph e Olga, nestes anos, depois que vocês partiram, e nos mandaram tantas notícias, continuamos aqui construindo e reconstruindo estes itinerários. Vocês sabem com quanto de Milagre em Joaseiro foi possível construir uma nova história. Sem dúvida alguma, o Joaseiro afetou-lhes profundamente em suas vidas. Mas, efetivamente, foi muito mais profundamente afetado por sua obra. Só assim foi possível entender que à sombra dos velhos patriarcas, à sombra dos grandes marcos de nossas lutas em torno das nossas mais flagrantes questões sociais, Juazeiro é, Juazeiro continua sendo o milagre.
Muito obrigado
(Discurso de Renato Casimiro, na apresentação da 3ª. Edição do livro Milagre em Joaseiro, do prof. Ralph Della Cava, em Juazeiro do Norte, no Teatro Patativa de Assaré, na noite do dia 17.02.2014)

DELA CAVA EM FORTALEZA

Também se revestiu de grande sucesso o relançamento de Milagre em Joaseiro, 3ª. Edição, em Fortaleza. O evento aconteceu no último 20, na Livraria Cultura, a melhor e mais importante livraria da capital cearense. A propósito deste evento, transcrevo aqui o que escreveu o ex-reitor da URCA, prof. André Herzog, que foi postado na sua página no Facebook: “O público era menor do que o que acorreu ao relançamento em Juazeiro, na segunda-feira passada no Teatro Patativa do Assaré totalmente lotado, de uma obra que veio a lume há 44 anos. Todavia, poucas apresentações na Livraria Cultura reúnem público semelhante. Um Governador e um Presidente do Tribunal de Justiça, seis ex-Reitores, de três Universidades do Ceará, um Deputado, Secretários de Estado, dois presidentes da OAB, Professores de diversas formações e filiações acadêmicas, com larga trajetória, estudantes, artistas, profissionais liberais, livres pensadores, interessados em geral, gente da melhor qualidade. Uma apresentação musical formidável, a que se seguiu a palavra do ex-Reitor da UFC, Prof. Paulo Elpídio, improvisado como chefe de cerimonial. O Prof. Eduardo Diatahy, que escreveu um rico ensaio crítico à nova edição, encarregou a apresentação do livro a um emocionado Prof. Josênio Parente, aluno de Mestrado do autor da obra.Na sequência uma fala modesta e de agradecimentos do autor, entrecortada por recordações pessoais, e uma dificilmente contida emoção, que se dissipou com o chamamento à sessão de autógrafos. Uma noite para reunir amigos e celebrar o curso da vida, apesar das muitas ausências inevitáveis e outras contornáveis. Uma noite para recordar e apreciar com atenção. O ciclo de uma vida e de uma obra fechando-se sobre si mesmo, porém longe de se esgotar no autoelogio, irradiando inspirações humanas, espirituais e intelectuais, lançando luzes, e provocando novos desafios à diferentes compreensões. Assim foi o renascer de Milagre em Joaseiro, a obra fruto da Tese de Doutoramento do ítalo-americano brasilianista Ralph Della Cava, que intencionalmente cambiaria o curso de sua vida e da historiografia do Ceará, da virada do século XIX para o século XX. Diatahy encerra seu ensaio invocando o Eclesiastes e a sabedoria de seus autores. Eu lembro que no antigo testamento Os Profetas, ao contrário de um senso comum, não eram aqueles que previam o futuro, senão aqueles que melhor compreendiam o presente. Viva o Pe. Cícero do Juazeiro. Viva o Cariri.”
Também recebi um comunicado do organizador destes eventos, prof. Geová Sobreira, nos seguintes termos: Renato, Recebi o texto de sua apresentação do livro de Ralph. Irei guardá-la e, quem sabe, será um dia publicada. Quero, antes de tudo, agradecer sua valiosa contribuição, fundamental, para o brilhantismo daquela noite maravilhosa. Pelos meus registros foi uma das mais belas noites da história cultural moderna de Juazeiro e você foi um dos responsáveis daquela majestosa noite. Em Fortaleza, o Ralph não se cansava de repetir que o evento em Juazeiro foi uma das maiores da vida dele. Peço-lhe que transmita aos amigos de Juazeiro o meu especial agradecimentos a todos. Repito: muito obrigado por tudo! Abraços fraternos, Geová Sobreira.

NOVO LIVRO
Uma síntese histórico-documental de Ibicuã, pela professora Maria Delânia da Silva. Como recolho no Facebook, "uma viagem pelas trilhas da História de Ibicuã: uma terra fértil em matéria de episódios históricos célebres; deles, de repercussão nacional até, como "A Sedição de Juazeiro" ou "A Guerra do Coronelismo", cujo clímax deu-se com o desaparecimento do notável Capitão J. da Penha, ferido mortalmente às margens da então Estrada de Ferro de Baturité - EFB, nas cercanias do antigo Miguel Calmon, em 22 de fevereiro de 1914."







MEMÓRIA FOTOGRÁFICA
Imagem do Palestra Esporte Clube, o segundo time de futebol de Juazeiro do Norte, fundado pelo desportista João Araújo, (sem data, provavelmente anos 40). Formado para jogo, no antigo campo existente na atual praça Leandro Bezerra (antigo Quadro da Clayton, e Praça dos Ourives – Franciscanos). Alguns são identificados: (Na fila do meio, da esq. para a dir.: Ananias Araújo, Mascote e José Gonçalves Magalhães; Outros craques a serem reconhecidos: Chico de Adones, Mário de Telvina, Parali, Raimundo Amazonas, Raimundo Galinha dágua, Moacir de Gino. (Foto do Arquivo de Raimundo Araújo, cedido gentilmente.)

CINE ELDORADO & CINE CAPITÓLIO
No recesso, recebemos o seguinte e-mail: Olá, Renato! Estava acompanhando a programação dos cinemas no ano de 1949, esperando a hora que você pudesse postar informações sobre os filmes exibidos nos cinemas de Juazeiro durante o ano de 1953, pois só assim teria algo mais desse tempo que não vivi, mas que tenho interesse de conhecer e assim poder completar uma história de amor que ouvi de alguém que falecera sem ter tempo para concluí-la. Parabéns a esse trio maravilhoso (Daniel Walker, Tereza Neuma e Renato Casimiro) por nos fazer reviver o passado e nos atualizar no presente. Abraço, Simone (Fortaleza-CE). Agradecemos a Simone a gentileza do contato e suas observações. Infelizmente não temos à mão jornais dsta época e estamos envidando esforços para tentar obter. Sabemos que o jornalista Aldemir Sobreira tem uma coleção completa do jornal O Pioneiro (“Semanário independente e noticioso.” Data de Circulação (Primeiro Número): 15.02.1953; Data de Encerramento (Última Edição): 22.02.1954; Diretores: Othon Mendonça de Matos/Edvan Coelho; Vice-Diretor Rômulo Xavier Barbosa; Secretário Espedito Cornélio de Miranda (com o pseudônimo de Hélio Caldas); Redator: Francisco Campos Aires; Coluna Desportiva, assinada por Dário Maia Coimbra (com o pseudônimo de Carlos Baraúna); Diretor Comercial: Aldemir Sobreira; Repórteres: João Tavares e Alcely Sobreira; Ilustrações com xilogravuras: Damásio Paulo de Oliveira; Redação: Rua da Conceição, 782. Oficinas: Tipografia São Francisco, Juazeiro do Norte e Tip.Imperial, Crato.; Dimensões: 24,5cm x 33,0cm; Periodicidade: semanal, circulando aos domingos). Vamos ver se conseguimos e poderemos atender. Enquanto isto, lançarei mão do jornal Folha de Juazeiro, e outros, para retomar esta lembrança dos filmes antigos em nossos cinemas. Muito grato. 

JORNAIS
Vez por outra somos surpreendidos com títulos de jornais de Juazeiro do Norte, ou que existiram ou que ainda continuam circulando. No nosso inventário, incluímos nesta semana o Informativo Além da Vida que é editado mensalmente pela Cariri Espírita. Renovamos o nosso pedido para que os nossos leitores façam contato conosco para indicar desde os mais simples informativos a todo e qualquer jornal que seja do seu conhecimento, para que tomemos alguma providência no sentido de catalogá-lo incluindo na História da Imprensa de Juazeiro do Norte. Foi o caso deste Informativo Além da Vida, cuja edição mais recente (primeira página) é este aí, referente a janeiro de 2014, no seu Ano 5 (portanto, nascido em 2010), edição 46. 

AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE
A região do Cariri foi assaltada, literalmente, com a notícia do sumiço de verba para as obras do Aeroporto. Na última terça-feira, dia 18, aconteceu uma reunião em Brasília, envolvendo o presidente da Infraero, Gustavo Vale, o prefeito de Juazeiro do Norte, Raimundo Macedo, e o José Roberto Celestino. Nesta oportunidade, a Infraero anunciou que por necessidades de destinar recursos para outros setores com demandas maiores, transferiu para outros destinos a disponibilidade que havia para obras no Aeroporto de Juazeiro do Norte. A verba de R$ 15,8 milhões de reais estava destinada para custear a desapropriação dos 486 mil m2 de área, para serem utilizados em obras de ampliação do terminal de passageiros e novos espaços de pousos e decolagem. Agora será necessário apelar para instâncias superiores, dentre as quais o ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e a própria presidente Dilma. Lamentável. Enquanto isso, o nosso aeroporto continua exibindo um desempenho fantástico para sua categoria. Temos nos ocupado, mensalmente, para apresentá-lo, com os dados oficiais da própria Infraero. Como agora, em que os resultados de Janeiro novamente expressam a força deste equipamento. Temos sempre comparado a posição relativa do nosso aeroporto, frente aos demais pelo pais. Assim, por exemplo, comparando a situação de 2013 para este primeiro mês de 2014, encontramos: Dentre todos os aeroportos do pais, era em 2013 36º de 63, em janeiro de 2014 é agora o 34º de 63; dentre os domésticos, em todo o país, em 2013 era o 16º de 34, agora é o 14º de 35; dentre os domésticos do interior, em todo o país, em 2013 era o 8º de 21, agora é o 6º de 22. Na região Norte/Nordeste, de todos os aeroportos (domésticos e internacionais), em 2013, era o 18º de 30, agora é o 17º de 30; dentre os domésticos, era o 7º de 14 e agora é o 6º de 14; no interior desta região, era o 5º de 11 e agora é 4º de 11. Como se vê, no foco desta crise, o aeroporto de Juazeiro do Norte, sem instalações condignas, se mantém apresentando ótimo desempenho. E até melhorando, com menor opção de voos. Isto é que é incrível. Compete a esta gente da Infraero um mínimo de discernimento para ver com bons olhos estas necessidades crônicas diante de tal performance. Mas, como tudo é esta miserável Copa do Mundo de 2014, até bem depois dela ainda amargaremos os vexames de não vê-lo com esta situação bem resolvida. E continuam as obras de alargamento da Av. Virgilio Távora. É o mínimo que compete à PMJN ir tocando para que pelo menos o acesso ao aeroporto seja mais adequado. (Foto: PMJN, Seinfra)






domingo, 26 de janeiro de 2014

EU NÃO ESTOU AQUI...

A recente celebração do centenário de morte da beata Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo (Joazeiro: *24.05.1862; +17.01.1914) teve como um dos momentos mais simbólicos a cerimônia na qual a beata teria nova sepultura. Consultado sobre a placa que encima o local, sugeri uma paráfrase ao epitáfio do grande poeta Mário Quintana: “Eu não estou aqui!” A isto, acrescentaríamos: “Aliás, eu estou aqui!” Tal aconteceu, e assim está lá. Moveu-me o intento, felizmente aceito, de que com isto ainda mais nos lembraremos com frase tão emblemática, não só a memória poética, mas a certeza da ressureição e da imortalidade da alma. De outra sorte, ao agregar o “eu estou aqui”, queremos firmar o nosso entendimento de que Maria de Araújo, por exemplo e vida, especialmente ao longo de amplo período de esquecimento, e da violência cometida, está ali, sim, pois não é admissível a negação de um derradeiro palmo de terra para o seu “repouso eterno”. O caso de Maria de Araújo, visto pela intolerância clerical de sua época, levou a infeliz a se tornar este ser histórico que se arrasta pelos séculos, como uma mulher sem túmulo. Até 22.10.1930, sabia-se que seus restos mortais estavam ali, na entrada da Capela do Socorro, ao lado direito, ao pé da parede, em modesto túmulo registrado em foto da época. Naquela data o ato violento, autorizado pelo Diocesano de então, converteu-se em crime hediondo perante os olhares do Patriarca e, ao tempo, pela indignação de cidadãos honrados, de povo e estudiosos que se deixaram ficar reflexivos sobre a triste sina deste infortúnio. Estranho é que, passados tantos anos, a homenagem aceita pela própria Igreja do Cariri se faz sob o mesmo clima marginal de então, ao pé do muro da Capela, mas agora externamente. Cabe a esta mesma Igreja esclarecer a este povo o que foi determinado há 83 anos. Se o vigário José de Lima o fez mediante imposição do diocesano, pode ser que haja correspondência ou algum relatório. Contudo, o único documento competente, firmado em cartório (03.12.1930) pelo protesto de cidadãos juazeirenses, assegura que ali já não encontrava quase nada, a não ser uns poucos resíduos do caixão, do crânio da beata, de sua vestimenta e adornos, postos em um vaso de vidro, mas também sem indicação de destino. Quanto ao procedimento instruido pelo vigário, é pouco provável que tenham posto em algum outro túmulo, mas aberto uma outra vala, sem qualquer identificação para o futuro. Sabe-se que até fotógrafo integrava o grupo que inspecionou o local após a violação. Mas, caprichosamente não há uma só imagem a propósito do interesse dos protestantes. Na comemoração do centenário, a própria Igreja do Cariri, reconheceu a mártir, lhe deu vivas e proclamou suas virtudes e heroismo. Mais que isto, é dever desta mesma Igreja, já que recentemente se preocupou com isto, proceder a uma “busca arqueológica”, não em jazigos autorizados do campo santo, mas no ambiente da Capela, exatamente no local tão reconhecido, o da sepultura original. Qual é a angústia e o escrúpulo prevalentes? Sem dúvida, a pauta existente na Sagrada Congregação e que nos remete à expectativa de uma revisão de todo o processo, com a ansiosa espera por uma reabilitação, também deverá ensejar, obrigatoriamente, um novo olhar de piedade cristã sobre a serva tão fiel.     

AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE
A imprensa desta semana, especialmente a Folha da Manhã (23.01.2014) deu manchete principal para a redução do movimento no Aeroporto de Juazeiro do Norte. Ou seja, comparando-se os anos 2012 e 2013, o transito de passageiros caiu cerca de 14%. Seguindo-se a evolução deste movimento, como se tem observado desde 2003 até 2012 (dados e gráfico, abaixo, oficiais do Infraero), a expectativa para 2013 seria 560.000 passageiros/ano (ponto 11 no gráfico). Portanto, a frustração não é apenas de 14%, mas de 44%. Se houver uma boa recuperação, a ponto de alterarem-se certos condicionantes como novos vôos, destinos, operadoras e a solução das questões de obras em andamento, a expectativa para 2014 pode girar em torno de 700.000 passageiros/ano (ponto 12 no gráfico). Não obstante este mau resultado, o Aeroporto de Juazeiro do Norte se mantém, comparativamente aos demais 62 aeródromos brasileiros geridos pelo Infraero, guardando a mesma posição relativa. Para verificar esta questão, entre as conjunturas Brasil e Norte/Nordeste, Internacionais/Domésticos, voltamos a apresentar com os dados oficiais, as tabelas mostradas a seguir, como vimos fazendo anteriormente. Isto significa que, efetivamente, embora alguns aeroportos não tenham experimentado o problema do nosso, esta posição relativa comportava alguma variação momentânea, sem afetar este desempenho como temos concebido. Menos mal, especialmente diante do que ainda compete ser realizado pela Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte/Governo do Estado do Ceará/Infraero no tocante a infraestrutura e instalações do aeroporto. O mercado do Cariri e área de influência, certamente, ainda continuará a exercer uma forte pressão sobre estas ações, de modo a que não reste nenhuma dúvida sobre o que precisa ser implementado nas melhorias do aeroporto. Somos otimistas.









domingo, 29 de dezembro de 2013

NATAL E NOVO ANO

Na noite da celebração da natalidade do Senhor, muitos lares desta cidade estiveram festivamente comemorando a data. Em muitos outros mais, o Natal talvez não foi lembrado. Em muitos, pobreza e miséria fazem parte do seu cotidiano. Ao tempo em que lhes faltam alimento, acolhimento, atenção e carinho. São os apartados desta sociedade perversa que não os incluem para fazer mais fraterna esta grande data. Juazeiro do Norte e todo o Cariri se desenvolvem, mas os sinais destes tempos encerram a visão de um mundo profundamente marcado pelas diferenças sociais, onde uns tem tanto e outros quase nada. Este o fosso que se abre perante nossas vistas, contendo um grande passivo de responsabilidade social. Desejo expressar aos leitores desta coluna, tantos amigos que me deram o privilégio de sua atenção para com estas notas semanais, os meus votos sinceros para que vivam um santo e muito feliz Natal. Não esqueçamos a lembrança de que Natal ocorre por todo o ano. Sempre é Natal e sempre devemos festejar o Emanuel, o Deus conosco. Ele, aquele que nos fortalece. Pois tudo podemos naquele que nos fortalece. Sejam também essas as nossas esperanças por um novo mundo, por um novo ano. Exatamente o 2014, outro ano centenário na história desta cidade para que sejam lembrados os compromissos que cada um de nós tem para que esta seja uma civilização fraterna a partilhar os ganhos sociais de se engrandecimento. Tenham todos um Natal festivo, na paz do Senhor. E um ano novo próspero de realizações. Obrigado a todos pela a atenção a este colunista.  

AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE
Como temos feito, mensalmente, estamos novamente vendo os números oficiais da Infraero, não só com respeito a Juazeiro do norte, mas também no contexto dos demais 62 aeroportos brasileiros sob as atenções da Infraestrutura Aeroportuária. Pelos dados, verifica-se que permanece inalterada a posição do Regional do Cariri, frente às mesmas comparações que sempre fazemos, tanto no Brasil, como na região Norte-Nordeste.  Por estes dias o Aeroporto voltou a ser objeto de noticias auspiciosas, com respeito a novos voos. Na verdade, face ao período de maior demanda, as companhias estão disponibilizando voos extras. Não devemos ter maior preocupação com este fato. Realmente não cabe na cabeça de um vivente que as companhias que operam no Cariri esnobem este mercado. Isto deve durar pouco. A demanda crescente os fará pensar melhor. Por exemplo, estima-se que 3.600 usuários devem circular diariamente no Aeroporto, tal e a utilidade dos voos em pousos e decolagens. Com respeito a voos extras, dois casos – A Azul vem disponibilizando voos vindos de Campinas, em São Paulo, com destino à Juazeiro do Norte, com previsão de pouso diário por volta das 9 horas da manhã e decolagem para o destino de origem a partir das 9h40. A Gol, por sua vez, oferece voo extra, somente aos domingos, a partir do próximo dia 29, com previsão de encerramento no dia 26 de janeiro de 2014. O voo sairá de Guarulhos com destino a Juazeiro do Norte com pouso previsto às 7h15. A decolagem com destino a São Paulo, com escala em Petrolina, Pernambuco, está marcada para as 7h45. Segundo a superintendência local do Aeroporto, a Avianca não manifestou nenhum interesse nesta direção de novos voos. Na situação atual, o Aeroporto pode abrigar operações de mais duas empresas, mas não tem havido nenhuma procura. Da parte da Prefeitura Municipal, continuam as obras do alargamento do primeiro trecho da Av. Virgilio Távora, com previsão para entrega em Março próximo. Outras obras devem ser conduzidas pela PMJN de modo a permitir maior fluidez ao trafego entre as Avenidas Humberto Bezerra e Manoel Coelho Alencar.







HOMENAGENS
RESOLUÇÃO N.º 679 DE 03 DE DEZEMBRO DE 2013 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor Francisco João de Figueiredo, pelos inestimáveis serviços prestados à nossa comunidade. Autoria: Maria Calisto de Brito Pequeno; Coautoria: José Nivaldo Cabral de Moura; Subscrição: Antônio Vieira Neto - Firmino Neto Calú – Francisco Alberto da Costa – Cláudio Sergei Luz e Silva Antônio – Glêdson Lima Bezerra - Cícero Claudionor Lima Mota – José Ivan Beijamim de Moura – Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Paulo José de Macedo –José de Amélia Júnior – Rubens Darlan Morais Lobo – José Tarso Magno Teixeira da Silva - João Alberto Morais Borges – Maria de Fátima Ferreira Torres e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
RESOLUÇÃO N.º 680 DE 05 DE DEZEMBRO DE 2013 Concede Medalha Cidade de Juazeiro Comenda do Mérito Legislativo ao Senhor José Ronaldo Leite, pelos inestimáveis serviços prestados à nossa comunidade juazeirense. Autoria: Firmino Neto Calú; Coautoria: Danty Bezerra Silva; Subscrição: Francisco Alberto da Costa - Glêdson Lima Bezerra - Cícero Claudionor Lima Mota - José Ivan Beijamim de Moura - Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro - Paulo José de Macedo – Rubens Darlan Morais Lobo - José Tarso Magno Teixeira da Silva - José de Amélia Pereira Júnior – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – José Adauto Araújo Ramos – José Nivaldo  Cabral de Moura – João Alberto Morais Borges - Antônio Vieira Neto - Cláudio Sergei Luz e Silva e Maria Calisto de Brito Pequeno.
RESOLUÇÃO N.º 681 DE 05 DE DEZEMBRO DE 2013 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor Sidney Morais de Almeida Júnior, pelos relevantes serviços prestados à nossa comunidade e aos jovens desportistas. Autoria: José Duarte Pereira Júnior; Coautoria: Rubens Darlan Morais Lobo - Glêdson Lima Bezerra; Subscrição: Francisco Alberto da Costa – José Adauto Araújo Ramos - Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro - José Nivaldo Cabral de Moura –Normando Sóracles Gonçalves Damascena - José Ivan Beijamim de Moura - João Alberto Morais Borges - Cícero Claudionor Lima Mota - José Tarso Magno Teixeira da Silva - Firmino Neto Calú – Danty Bezerra Silva - Paulo José de Macedo – Rubens Darlan de Morais Lobo – Antônio Vieira Neto – Rita de Cássia Monteiro Gomes - Maria Calisto de Brito Pequeno.
RESOLUÇÃO N.º 682 DE 05 DE DEZEMBRO DE 2013 Concede o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Empresário Marcos Fernandes de Araújo, pelos relevantes serviços prestados à nossa comunidade. Autoria: Maria Calisto de Brito Pequeno; Coautoria: Danty Bezerra Silva e João Alberto Morais Borges; Subscrição: Firmino Neto Calú - Francisco Alberto da Costa – Glêdson Lima Bezerra - Cícero Claudionor Lima Mota - José Ivan Beijamim de Moura – Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Paulo José de Macêdo – José de Amélia Pereira Júnior – Rubens Darlan de Morais Lobo – José Tarso Magno Teixeira da Silva – Normando Soracles Gonçalves Damascena – José Adauto Araújo Ramos e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
Obs.: Francisco João de Figueiredo, é cirurgião dentista; Marcos Fernandes de Araújo, empresário do ramo farmacêutico; Sidney Morais de Almeida Júnior, nascido em Ituituba, MG, é treinador do Icasa; José Ronaldo Leite, é juazeirense de nascimento, em 15.02.1972. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

PE. GENÁRIO AUGUSTO DE MELO (SDB)


Esta Coluna deseja prestar uma homenagem ao Pe. Genário Augusto de Melo, salesiano de D. Bosco que integrou a comunidade em Juazeiro do Norte, tendo sido professor de Português no curso ginasial, entre os anos de 1962 e 1963. Não sabemos porque este dado foi omitido na sua resenha biográfica, aqui transcrita, abaixo. Em outra resenha a seu respeito, consta que entre os anos 1955 e 1957, portanto, antes de sua ordenação, teria sido aluno da Escola São José (Escola de Menores) que o então Ginásio Salesiano de Juazeiro do Norte mantinha nos arredores da cidade, dirigida pelo Pe. Celestino Capra, onde hoje funciona a Escola Estadual de Educação Profissional Raimundo Saraiva Coelho, localizada na Avenida Paulo Maia, no bairro São José. Usamos aqui dois textos: 1. Uma síntese biográfica escrita pelo Pe. Trajano Mascarenhas Horta, (http://cjcbasilica.blogspot.com.br/(25.11.2013); e 2. Um texto sobre a Comunidade de Jovens Cristãos, retirado de (index/cjchttp://www.inspetoriasalesiana.com.br/site//). As duas fotos acima foram capturadas na internet: 1. Pe. Genário, anos 80; 2. Pe. Genário durante a visita de João Paulo II a Salvador, em 1980. 

BIOGRAFIA
Pe. Genário Augusto de Melo nasceu em 10 de junho de 1933, em Bom Jardim cidade situada no estado de Pernambuco, filho de José Augusto de Melo e de Dona Maria da Conceição. Sua família era engajada na Paróquia de Sant’Ana, na mesma cidade, Diocese de Nazaré da Mata. Genário tinha família numerosa, sendo doze irmãos: Djalma, Maria Augusta, José Augusto, Ana Augusta, Genário Augusto, Jarbas Augusto, Edna Augusta, Zélia Augusta, Maria Helena, Maria Rejane e Ieda. Também Josefa de Jesus de Melo, tia dos irmãos, que foi criada como filha por Seu José e Dona Maria desde os oito anos de idade, quando seus pais faleceram. No seio dessa família numerosa e de profunda religiosidade, Deus semeou três vocações à vida consagrada: Genário se fez salesiano, José Augusto se fez beneditino assumindo o nome de Dom Ildebrando, sendo Prior do Monteiro de São Sebastião em Brasília e Josefa, sua tia, tornou-se também religiosa beneditina e assumiu o nome de Irmã Maria das Dores, falecendo poucos anos após Genário. Filho sempre dedicado, Pe. Genário manteve até o fim da vida os gestos de carinhosa atenção para com os pais e irmãos. Fazia-se sempre centro motivador da unidade, irmão e amigo de todas as horas.  Sua Mãe recordava e comentava sempre, em carinhosa saudade, como, desde pequeno, ele alimentava o sonho de fazer-se sacerdote. “Rodelinhas” de banana eram as hóstias que ele oferecia em comunhão nas suas “missas de criança”. Em Bom Jardim, iniciou sua primeira etapa de estudos no Colégio Santa’Ana, das Irmãs Beneditinas. Já nessa época, durante sua infância, era membro da Cruzada Eucarística e do Pequeno Clero. O contato com os salesianos iniciou-se muito cedo, quando começou a frequentar o Colégio Salesiano do Sagrado Coração em Recife (27.02.1946). Quatro anos depois, em 1950, inicia o Noviciado na cidade de Jaboatão, onde recebeu o hábito religioso aos 5 de março do mesmo ano. Em 31 de janeiro de 1951, ainda em Jaboatão, emitiu sua primeira profissão religiosa, como clérigo salesiano. Renovou sua profissão aos 22 de janeiro de 1954 após o curso de Filosofia em Natal – RN. Em dezembro de 1954 faleceu seu pai, José Augusto, deixando um vazio muito grande no coração da esposa e dos seus 12 filhos. Sua profissão perpétua se deu aos 31  de janeiro de 1957. Desde clérigo, Genário se caracterizou pela responsabilidade. Sempre levou muito a sério as tarefas que assumiu. Empenhado nos estudos, muito dedicado ao trabalho apostólico, persistente nas suas iniciativas, sempre voltadas  salesianamente para os jovens. Se, por um lado, o seu temperamento fechado, de poucas palavras, de sorriso difícil, não facilitava a primeira aproximação das pessoas, por outro lado a sua transparência, sua franqueza e, sobretudo, a sua dedicação constante e persistente à causa dos outros acabava destruindo as barreiras e criando sólidas e sinceras amizades. Aos 8 de dezembro de 1960, foi ordenado sacerdote em São Paulo, por Dom Camilo Faresin, bispo salesiano. Sua mãe, e alguns familiares, com muito sacrifício, viajaram três dias para estarem presentes à sua ordenação, o que causou imensa alegria do neo-sacerdote. Quase toda sua vida sacerdotal, ele a viveu no desempenho do serviço de pároco. Sempre imprimiu às paróquias onde trabalhou a característica salesiana da predileção pelos jovens. Foi vigário de Carpina de 1962 a 1967; Vigário de Fortaleza (Piedade) de 1967 a 1970; Vigário de Jaboatão de 1971 a 1975; Vigário de Salvador de 1976 a 1981. Sempre, em todas as paróquias onde foi pastor, sua apostólica preocupação com os jovens o levava a abrir espaços de participação, incentivando grupos, associações e movimentos. Um desses movimentos, CJC (Comunidade de Jovens Cristãos) espalhou-se por todo o Nordeste brasileiro, e o Pe, Genário se deslocava para acompanhar, prestar a necessária assistência como seu diretor espiritual. Sempre presente nas reuniões, às assembleias, aos congressos, encontros e missões Jovens, promovidas pelo Movimento, ele dava segurança aos jovens, fazia-se elo de união e garantia de fidelidade ao objetivo do Movimento: “Unir para Testemunhar”. Em 1991 o CJC celebrou 25 anos de segura caminhada. 32 grupos de Jovens já se espalhavam por todo o nordeste. Jovens Comunitários dedicara, ao Pe. Genário a alcunha de “Profeta dos Jovens”. Ao mesmo tempo, o Pe. Genário não descuidava as várias frentes de ação apostólica de sua paróquia. Organizador dinâmico da Catequese; animador constante dos trabalhos de Evangelização, de promoção humana. Sua preocupação com os pobres, sobretudo os trabalhadores rurais, o levava a organizar  cooperativas, padarias, pequenos armazéns, como fez em carpina, em Jaboatão e em Fortaleza. Sua morte foi repentina, inesperada. Na noite do dia 5 de junho de 1991, celebrou na Igreja do Coração de Jesus, na comunidade paroquial do Curado, imenso núcleo habitacional de mais de 10 mil moradias populares no município de Jaboatão, cuja assistência religiosa está confiada aos salesianos desta casa. Imediatamente após a celebração permaneceu até por volta das 21h30min à frente da igreja, rodeado de um grupo de jovens da comunidade. Dirigiu-se ainda até a casa de um dos líderes da comunidade, Ministro da Eucaristia, que naquele dia comemorava seu aniversário natalício. Voltando para casa, por volta das 23h, conversou com o vigia noturno da Escola Dom Bosco. Mostrava-se expansivo e alegre, como raramente acontecia. Deteve-se ainda algum tempo com um grupo de pré-noviços que se achava ainda em reunião, preparando a celebração litúrgica da manhã seguinte. Só então, por volta das 23h30min recolheu-se em seus aposentos. Era a ultima noite entre nós. Vitimado por um ataque cardíaco em consequência de edema pulmonar, faleceu por volta das 4h00min do dia 6. Era de se notar o seu amor à igreja e à congregação. Sua doutrina e suas normas ele as acatava e defendia com verdadeira radicalidade. Falava de Dom Bosco com inflamado entusiasmo, chegava a comover-se, na lembrança de Maria Auxiliadora. Quando estava cursando o último ano de teologia, ele fez, segundo nos contou sua irmã Maria Augusta, um “pacto” com Nossa Senhora Auxiliadora. “Ajude-me a ser um sacerdote bom e fiel, e pode encerrar minha vida aos 50 anos”. Quando ele completou 50 anos, não permitiu que lhe fizessem nenhuma festa, e recolheu-se em Retiro Espiritual. No ano de 1982 foi convocado para dirigir o Colégio Salesiano Sagrado Coração de Jesus de Recife. Prestou esse serviço até o ano de 1984, quando foi transferido para Fortaleza, no Ceará, bairro de Piedade. Aí desempenhou o Serviço de vice-diretor. Marcante para a vida sacerdotal e salesiana foi o ano de 1985, ano do Jubileu de Prata de seu Sacerdócio, quando lhe foi oferecida a oportunidade de participar do “Curso de espiritualidade” em Roma. Suas cartas e escritos daqueles meses retratam bem o que se passava em seu íntimo no contato com os ambientes onde, mais que em todos, palpita a vida da Igreja. A audiência particular com o Papa, durante a qual solicitou benção especial para o CJC e durante a qual ouviu de João Paulo II aquela expressão: “Gostaria que o seu trabalho com os jovens fosse além do território brasileiro e se estendesse por todo o mundo”, ele não esqueceria jamais. Não perdia ocasião para comentar e descrever suas emoções daquele dia, como também a emoção dos dias de contato com o Centro da Congregação, os lugares que marcaram a vida de Dom Bosco. Voltando de Roma, em junho de 1987, estabeleceu-se em Natal e, em 1988, na casa de Jaboatão – Colônia, sempre acompanhando de perto a Comunidade de Jovens Cristãos que já se estendera por todo Nordeste. Em 1989 foi destinado a trabalhar nesta casa do bairro do Bongi, em Recife. Viveu intensamente esses últimos dois anos e meio nesta casa. Preocupado sempre com a caminhada formativa dos Pré-Noviços que aqui têm a sua sede; preocupado salesianamente com a Escola Dom Bosco de Artes e Ofícios, cuja administração lhe foi confiada; preocupado sempre com a Cooperativa dos pequenos fabricantes e vendedores de picolé, que são a “menina dos olhos” desta comunidade salesiana; preocupado, sobretudo, com a comunidade do Curado, confiada aos salesianos do Bongi, ele se desdobrava em mil atividades. Seu maior prazer era servir á mesa dos salesianos, dos postulantes, nos dias de festa. Fazia-se o provedor em todas as necessidades da casa. Cercava a todos das melhores atenções, criando na comunidade um clima da mais agradável familiaridade. No bairro do Curado, Pe. Genário foi vigário zeloso e dedicado. Como sempre fez em todas as paróquias por onde passou, revitalizou as Associações, os Grupos já existentes e fez brotar também, com muito vigor, a Comunidade de Jovens Cristãos. Na Escola Dom Bosco, entre alunos e funcionários; no Postulantado entre os pré-Noviços e no Curado entre os paroquianos jovens e adultos deixou lembranças imorredoura. Tinha sido já convidado pelo Pe. Inspetor, Pe. Orsini Nuvens Linard, a assumir a paróquia de Jaboatão. Obediente, já se preparava para a sua nova missão. Mas, tinha chegado a sua hora. Soou mais forte o outro convite: “Vem, servo bom e fiel! Porque foste fiel nas pequenas coisas eu te confiarei grandes coisas. Entra no gozo do teu Senhor”. Seu sepultamento foi verdadeira apoteose: manifestação de carinho, de gratidão de milhares de pessoas de todas as regiões por onde ele passou ao longo dos 40 anos de vida salesiana. Recomendamos o nosso querido Pe. Genário às preces de todos os irmãos salesianos e pedimos, sobretudo, que a sua Páscoa, sua passagem, seja portadora de grande fecundidade para a vida religiosa e salesiana desta Inspetoria. Que o Testemunho de vida do Pe. Genário leve também muitos jovens, sobretudo do CJC, a se consagrarem a Deus e à igreja, a Dom Bosco e aos Jovens, com a mesma generosidade com que ele se consagrou. 

CJC – COMUNIDADE DE JOVENS CRISTÃOS
A sigla CJC, significa Comunidade de Jovens Cristãos. É um Movimento formando por comunidades de jovens. Este movimento nasceu no ano de 1966, na cidade de Carpina-PE. O idealizador deste movimento de jovens foi o Padre Salesiano Genário Augusto de Melo. Naquele ano ele era Pároco da Paróquia São José, única existente na cidade. Dedica-se com zelo de pastor aos trabalhos paroquiais. Particularmente dedicou-se com especial carinho aos jovens. Contatou logo no início do seu pastoreio paroquial uma situação desafiadora: a dispersão e desagregação da juventude. Não se sentia uma presença significativa dos jovens na igreja. Começa, então, o P. Genário a pensar um projeto de pastoral para os jovens. Estabelece aquele ano como um ano dedicado aos jovens. Enquanto o tempo ia passando, ele ia arquitetando na sua mente fértil um sonho. Pensava no seu silêncio, o que e como fazer. Surge no caminho uma oportunidade. No dia 20 de janeiro de 1966, por ocasião da festa de São Sebastião, jovem destemido e corajoso, o P. Genário anuncia feliz, de público, alto e bom som, pela 1ª vez, o seu sonho: Fundar um Movimento de Jovens na cidade de Carpina-PE. O dia 17 de abril é considerado por todos que fazem o CJC o dia da fundação do Movimento. Foi nesse dia que o Padre Genário, depois da missa com a comunidade paroquial, convocou os jovens para iniciar esse novo caminho. Expõe a sua proposta. Vários jovens aderem. As reuniões dominicais se sucedem com regularidade. O número de integrantes cresce. O Movimento no seu caminhar, recebe um nome: “Comunidade de Jovens Cristãos do Nordeste”, sintetizado com a sigla “CJC”. Aos poucos, o Movimento vai se estruturando e se organizando. Os seus três encontros básicos de formação são: TIC – Treinamento de Integração Comunitária; TOA – Treinamento de Oração e Ação; TVC – Treinamento de Vivência Cristã. Esses treinamentos são oferecidos aos jovens em linha crescente. A preocupação é dar um embasamento cristão aos jovens.  Tem início a experiência alternativa dos chamados Encontros estaduais nos anos pares e dos Encontros Gerais ou Congressos nos anos ímpares. Até agora o CJC já realizou 20 encontros gerais. Está este ano se preparando para realizar em janeiro de 2011, o seu vigésimo primeiro congresso geral. As normas diretivas foram sendo escritas ao longo dos anos. Os seus objetivos são: 1º) Unir os jovens. Incentivar o espírito e o estilo comunitário visando uma maior presença juvenil na Igreja. 2°) Favorecer o processo de formação humana e cristã dos jovens; 3º) Assumir como ideal de vida a Espiritualidade Juvenil Salesiana; 4º) Engajar-se como jovens cristãos na pastoral da Igreja e na transformação da sociedade. O Movimento CJC se espalha pelos estados do Nordeste do Brasil. Ultimamente, chegou ao estado de Minas Gerais. Ao longo desta história, vários grupos nasceram e se filiaram ao CJC. Nomes como “Frente Juvenil”, “Jovem Guarda”, “Atuantes”, “Combatentes”, etc, não são desconhecidos na história de Carpina. O salão paroquial torna-se “ponto de encontro’ para os jovens. Era aberto aos jovens. Ali eles se reúnem, jogam, brincam, conversam, estudam, refletem, trocam idéias, cantam, tocam, programam, rezam. Ali reina uma espontânea alegria. Ali vive-se um clima de franca amizade. Não demorou muito a surgir um Jornal Mural dos Jovens. Tinha um nome expressivo: “O Vanguarda”. Notícias, brincadeiras, poesias, piadas, reflexões encontram ali o seu espaço tudo isso alimentava o ideal sonhado: unir os jovens, incutir neles o espírito de convivência amiga e de amizade sincera. Com este Movimento envolvendo os jovens, foi iniciada na Paróquia a “Missa da Juventude”. Atrás do salão paroquial foi construída uma quadra de futebol de salão. Era esse mais um espaço onde os jovens se encontravam e brincavam animadamente. O Movimento se espalhava pelo Nordeste. O Padre Genário, fundador do CJC, identificava-se com o Movimento por ele fundado. Caminha com ele dando-lhe vida, organização, sentido, durante 25 anos. Dedicou sua vida aos jovens comunitários cristãos com muita capacidade de doação... até o último suspiro. Morreu de repente, na madrugada do dia 06 de junho de 1991, quando se preparava para comemorar alegre os 25 anos do Movimento. Morre o “Profeta da Juventude”, como foi chamado pelos jovens: “É o Profeta da juventude no outro mundo acordou”, cantou um jovem poeta comunitário. Morre um sonhador. Tomba na história um idealizador. Mas, a idéia não morre. O sonho continua vivo. Atualmente, o Movimento CJC está presente nos seguintes estados da federação: Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Minas Gerais e conta com 55 comunidades de jovens. No Movimento contamos ainda com a presença de crianças, pré-adolescentes e adolescentes. Esses formam o chamado CJC-Mirim e são 16 comunidades. Um fruto atualmente positivo é a presença de sacerdotes saídos das fileiras do CJC. São aproximadamente vinte e seis sacerdotes atualmente existentes que participaram, quando adolescentes, do Movimento CJC. Deus seja louvado.