sábado, 7 de novembro de 2015

SAIU NO 
PRAVDA (MOSCOU)

Padre Cícero não fez gol com a mão de Deus, mas merece ser canonizado. (Fernando Soares Campos). Padre Cícero Romão Batista, importante líder religioso brasileiro, nasceu em 1844 na cidade do Crato, Estado do Ceará. Em 1889, 19 anos depois de sua ordenação, Padre Cícero foi reconhecido pelos fiéis de sua paróquia como "milagreiro", pelo suposto fato de uma hóstia por ele consagrada ter-se transformando em sangue na boca de uma beata. A notícia repercutiu em âmbito nacional, chegando ao conhecimento da cúpula da Igreja Católica. Eminentes autoridades eclesiásticas condenaram o alardeado "milagre", consideraram-no uma manifestação de exacerbado fanatismo religioso, com o qual Padre Cícero teria se tornado conivente. Assim, cassaram-lhe o direito de exercer o ministério sacerdotal. Entretanto ele viajou para Roma e conseguiu a absolvição com o Papa João XIII. Entrou para a política e foi, por 15 anos, prefeito da cidade de Juazeiro. Padre Cícero também foi responsável pela criação e desenvolvimento da comunidade Caldeirão de Santa Cruz do Desterro, no Sertão do Cariri (CE). Canudos é conhecida mundo afora, principalmente através de "Os Sertões", obra de Euclides da Cunha, que relata drama envolvendo essa comunidade em verdadeira guerra que a levou à destruição. Porém Caldeirão da Santa Cruz do Desterro, apesar de ter tido idêntico destino, sua história é desconhecida pela maioria das pessoas que conhecem os acontecimentos de Canudos. Em meados dos anos 20, José Lourenço, um beato que foi preso por pregar em praça pública, acabou sob a proteção do Padre Cícero do Juazeiro, que lhe concedeu o direito de habitar uma propriedade abandonada, num pé da serra. Não demorou muito, o beato atraiu cerca de 500 famílias para o local, onde fundaram um vilarejo, a comunidade Caldeirão, no Sertão do Cariri. O vilarejo prosperou, com suas casinhas simples, igrejinha, escola, trabalho, atividades culturais, religiosas e de lazer, tudo sob sistema de mutirão, sem qualquer ajuda externa. A comunidade era formada por retirantes de diversos estados nordestinos. Caldeirão tornou-se uma comunidade autossuficiente, até mesmo ferramentas de trabalho eram fabricadas no local, algumas foram desenvolvidas apropriadamente para o trabalho em condições peculiares. Sobre a agricultura, remanescentes daquela experiência relatam que tudo era tratado de forma ecologicamente correta, atentando-se para a preservação do solo, dos mananciais hídricos, da fauna e flora, cujas explorações atendiam às normas específicas da comunidade, as quais, provavelmente, devem ter sido elaboradas sob um conjunto de preceitos, hoje conhecidos como... Os 10 Mandamentos do Padre Cícero: 1 - Não derrube o mato. Nem mesmo um só pé de pau; 2 - Não toque fogo no roçado. Nem na caatinga; 3 - Não cace mais. Deixe os bichos viverem em paz; 4 - Não crie o boi nem o bode soltos. Faça cercados. Deixe o pasto descansar para se refazer; 5 - Não plante de serra acima. Nem faça roçado em ladeira muito em pé. Deixe o mato protegendo a terra, para que a água não arraste a sua riqueza; 6 - Faça uma cisterna no oitão de sua casa, para guardar a água da chuva; 7 - Represe os riachos, de 100 em 100 metros, ainda que seja com pedra solta; 8 - Plante cada dia pelo menos uma árvore. Um pé de caju, de sabiá, ou qualquer outra. Até que o sertão todo seja uma mata só; 9 - Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, tais como a maniçoba, a favela, a jurema, e tantas outras. Elas podem ajudar você a conviver com a seca; 10 - Se obedecer esses preceitos, a seca vai se acabando aos poucos. O gado vai melhorando e o povo terá sempre o que comer. Se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só. Criações de bovinos e caprinos garantiam o fornecimento de carne e leite, que por sua vez geravam a produção de charque, queijo e manteiga, enquanto as peles se transformavam em calçados, cintos, bolsas e artesanatos. A produção atendia ao consumo interno, e o excedente era vendido nas cidades vizinhas, principalmente nas prósperas Juazeiro e Crato, gerando receita para a aquisição de produtos necessários à sobrevivência naqueles confins. Em fevereiro de 2007, escrevi artigo sobre a comunidade do Caldeirão de Santa Cruz. Publicamos aqui na Pravda, alguns parágrafos acima foram extraídos desse artigo: "O caldeirão que o diabo abominou". Profecia: Contam que o Padre Cícero dizia que o rio São Francisco um dia iria passar por muitas outras cidades dos sertões nordestinos. "Muitos lugares por onde hoje ele não passa", afirmava. Antão, o povo ficava abismado. Muitos diziam: "O Padim Ciço tá caducando!". Outros pediam para que os romeiros tivessem fé e aguardassem os acontecimentos. Ainda existem algumas pessoas que, quando criança, ouviram o santo padre profetizar e agora testemunham o cumprimento da profecia através da transposição do rio São Francisco, um projeto de deslocamento de águas do rio São Francisco por canais de concreto construídos em dois grandes eixos, ao longo de aproximadamente 700 km, atravessando regiões do semiárido nordestino, passando por dezenas de municípios, beneficiando centenas deles, formando açudes, perenizando trechos de alguns rios temporários e alcançando cidades litorâneas. Padre Cícero morreu no ano de 1934, tornando-se uma das principais figuras religiosas da história do país. Hoje, a cidade de Juazeiro, onde repousam os seus restos mortais, é considerada "A Meca Nordestina", por ser um local de intensa peregrinação religiosa, um dos mais importantes do Brasil. Ele não é reconhecido como santo pela Igreja Católica, porém é assim considerado por muitas pessoas, principalmente pelos nordestinos. Para reconhecer e declarar como santo um indivíduo falecido, segundo as regras e rituais prescritos pela Igreja Católica, a Sé Apostólica exige que sejam realizadas investigações necessárias à comprovação de que tal indivíduo tenha-se revelado possuidor de virtudes que sirvam de exemplo aos fiéis, para que estes se edifiquem e se valham de suas intercessões. Se me fosse dada a oportunidade de argumentar em favor da canonização do Padre Cícero perante o Papa Francisco, eu diria que ele não fez o milagre do gol com "La Mano de Dios", mas merece ser canonizado, pois jogou um bolão de virtudes, enquanto atuou na equipe dos homens de boa vontade que, vez ou outra, passam uma temporada aqui na Terra. 

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

ARTE RETIRANTE (SESSÃO CURUMIM, JN)
O Centro Cultural BNB promove de forma itinerante (Arte Retirante) uma sessão de cinema para crianças, denominada Sessão Curumim, em diversas cidades do Cariri, com entrada gratuita, exibe no próximo dia 10, terça feira, às 14 horas, o filme DEU A LOUCA NA CHAPEUZINHO (Hoodwinked!, EUA, 2005, 80min), direção de Cory Edwards, Todd Edwards, Tony Leech. Elenco: Anne Hathaway, Glenn Close, James Belushi, Patrick Warburton. Sinopse: A tranquilidade da vida na floresta é alterada quando um livro de receitas é roubado. Os suspeitos do crime são Chapeuzinho Vermelho, o Lobo Mau, o Lenhador e a Vovó, mas cada um deles conta uma história diferente sobre o ocorrido. Cabe então ao inspetor Nick Pirueta investigar o caso e descobrir a verdade.


BIBLIOCINE (FAP, JN) 
A Faculdade Paraiso do Ceará (FAPCE), está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri, embora seja restrito aos alunos desta Faculdade. As sessões são programadas para as terças e quintas feiras, de 12:00 às 14:00h, na Sala de Vídeo da Biblioteca, na Rua da Conceição, 1228, Bairro São Miguel. Informações pelo telefone: 3512.3299. Neste mês de Novembro, está em cartaz, o filme CURVAS DA VIDA (Trouble With The Curve, USA, 2012, 111min), direção de Robert Lorenz. Elenco: Clint Eastwood (Gus Lobel); Amy Adams (Mickey Lobel); Justin Timberlake (Johnny Flanagan); John Goodman (Pete Klein); Matthew Lillard (Phillip Snyder); Robert Patrick (Vince Freeman); Scott Eastwood (Billy Clark); Matt Bush (Danny); Bob Gunton (Watson); Ed Lauter (Max); Chelcie Ross (Smitty); Darren Le Gallo (Enfermeira); Rus Blackwell (Rick); Joe Massingill (Bo Gentry); Jay Galloway (Rigo Sanchez); Terry Wilson (Desportista); Peter Hermann (Greg). Sinopse: Gus Lobel (Clint Eastwood) é um veterano olheiro de baseball, daqueles que se recusam a trabalhar usando o computador e apostam todas as fichas em seu feeling sobre os jogadores. Restando apenas três meses para o fim de seu contrato, ele começa a ter problemas de visão devido a um glaucoma. Escondendo a doença de todos, Gus é enviado para analisar Bo Gentry (Joe Massingill), um promissor rebatedor que pode ser a escolha de sua equipe no próximo draft. Entretanto, ao desconfiar que há algo errado com o velho amigo, Pete Klein (John Goodman) pede à filha dele, Mickey (Amy Adams), que o acompanhe na viagem. Mickey trabalha como advogada e está prestes a se tornar sócia na empresa em que trabalha, mas passa por cima dos compromissos profissionais para acompanhar o pai, apesar deles terem um relacionamento problemático. Juntos, eles avaliam o potencial de Gentry e encontram Johnny Flanagan (Justin Timberlake), um ex-jogador de baseball que é agora olheiro de outra equipe. 


CINEMATÓGRAPHO (SESC, JN)
O Cinematógrapho (Teatro Patativa do Assaré, SESC, Rua da Matriz, 227, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 11, quarta feira, às 19 horas, o filme AS BALEIAS DE AGOSTO (The Whales of August, EUA, 1987, 90 min), direção de Lindsay Anderson. Elenco: Bette Davis (Libby Strong), Lillian Gish (Sarah Webber), Vincent Price ()sr. Maranov), Ann Sothern (Tisha Doughty), Harry Carey Jr. (Joshua Brackett), Frank Grimes (sr. Beckwith), Margaret Ladd (Libby jovem), Tisha Sterling (Tisha jovem), Mary Steenburgen (Sarah jovem), Frank Pitkin (Randall velho), Mike Bush (Randall jovem). Sinopse: Duas irmãs idosas, Libby e Sarah, vivem em uma grande casa no litoral do Maine, onde costumavam passar as férias na infância, olhando as baleias que apareciam no mês de agosto. Elas vivem de recordações da família, dos maridos e dos amigos. Agora Libby está cega e Sarah precisa cuidar dela. Até que um velho nobre russo, fugido da Revolução de 1917, começa a vistá-las, levantando a desconfiança de Libby de que ele apenas está querendo se aproveitar delas.

CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 13, sexta feira, às 20 horas, o filme O CANGACEIRO (Brasil, 1953, 195 min) dirigido por Lima Barreto. Elenco: Alberto Ruschel (Teodoro), Marisa Prado (Olívia), Milton Ribeiro (Galdino), Vanja Orico (Maria Clódia), Adoniran Barbosa (Mané Mole) Jesuíno Alves Moreira (Tiburcio), Zé do Norte, Lima Barreto, Antonio V. Almeida, Hector Bernabó, Horácio Camargo, Ricardo Campos, Antônio Coelho, Cid Leite da Silva, Jesuíno G. dos Santos, Galileu Garcia, João Batista Giotti, José Herculano, Nieta Junqueira, Homero Marques, Victor Merinow, Maurício Morey, João Pilon, Leonel Pinto, Maria Luiza Sabino, Nicolau Sala, Neusa Veras, Pedro Visgo. Sinopse: O filme tem diálogos criados por Rachel de Queiroz. O Cangaceiro foi o primeiro filme brasileiro a conquistar as telas do mundo e considerado o melhor filme da Companhia Vera Cruz e sua história se inspirava na lendária figura de Lampião. O Cangaceiro ganhou o prêmio de melhor filme de aventura e de melhor trilha sonora no Festioval de Cannes. A música Mulher Rendeira é interpretada pela atriz Vanja Orico acompanhada pelo coro dos Demônios da Garoa. O sucesso em Cannes levou o filme para mais de 80 países e ele foi vendido para a Columbia Pictures. Só na França, ficou cinco anos em cartaz. Durante as gravações, os Demônios da Garoa conheceram o compositor Adoniran Barbosa. O filme foi rodado em Vargem Grande do Sul, no interior do estado de São Paulo. Segundo o diretor, a paisagem da cidade se parecia muito com a nordestina. Após o sucesso do filme, semelhante ao que acontecia com os atores de filmes de faroeste americanos, o ator Milton Ribeiro virou personagem de histórias em quadrinhos criadas por Gedeone Malagola para Editora Jupiter na década de 1950. A diferença do Milton Ribeiro dos quadrinhos para o Galdino do filme, era que nos quadrinhos Milton era um herói do Sertão. O cangaceiro "Capitão" Galdino aterroriza vilarejos pobres do Nordeste, saqueando e matando com frequência com seu bando armado. Num de seus ataques ele rapta a professora Olívia e pede 20 contos de resgate por ela. Mas ele e o seu braço direito, o valente Teodoro, ficam atraídos pela bonita cativa e a discórdia se instaura no bando.


CINE CAFÉ VOLANTE (BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório do Centro de Esportes e Artes Unificados Mestre Juca Mulato, Parque da Cidade, Parque da Cidade), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 13, sexta feira, às 19 horas, o filme SALVE O CINEMA (Salaam cinema, Irã, 1995, 75 min), direção de Mohsen Makmalbaf. 
Elenco: Shaghyeh Djodat (Ele mesmo), Behzad Dorani (Ele mesmo), Feizola Gashghai (Ele mesmo), Maryam Keyhan (Ela mesma), Mohsen Makhmalbaf (Ele mesmo), M.H. Mokhtarian (Ele mesmo), Mirhadi Tayebi (Ele mesmo), Azadeh Zanganesh (Ela mesma), Moharram Zaynalzadeh (Ele mesmo). O diretor coloca um anúncio no jornal a quem quisesse trabalhar no novo filme dele, em 1995, no centenário do cinema. Foram mais de mil pessoas para participar do elenco, Mohsen, querendo filmar a todos aproveita a ocasião e filma um documentário sobre pessoas que querem ser artistas. O diretor interroga 100 pessoas sobre o que fariam para entrar no cinema. Faz testes com essas pessoas com frases como: "Você prefere ser bondosa ou uma artista?". O diretor, Mohsen interroga cidadãos iranianos e estrangeiros sobre a busca pela fama e seus limites. No final todos as 100 pessoas entram para o cinema, no filme de Mohsen Makhmalbaff.

CINE CCBNB (JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), exibe nos próximos dia 14 (sábado), 15 (domingo), 16 (segunda), e 17 (terça) às 16:00 horas, a programação da MOSTRA SESC CARIRI DE CULTURAS, com uma série de curtas metragens. Veja a Programação, nos respectivos dias: 
Dia 14.11
NUVEM, 15 min, direção de Vanessa Sandre, Florianópolis, SC;
O curta metragem NUVEM, que tem no elenco a coordenadora do N.A.F.T. Fabiana Franzosi, foi premiado no Festival Primeira Janela em Porto Alegre/RS (2014) e recebeu o prêmio de Melhor Filme do Júri Popular. NUVEM conta a história da sonhadora Francielly, que vive em um sítio com sua amargurada mãe, Irene. Rose, a tia, conta para a menina que fará uma viagem de avião para o Rio de Janeiro e pergunta o que ela quer de presente. A resposta é surpreendente...
DOMUM, 13 min, direção de Júlia Delmondes, Aracaju, SE;
Domum foi selecionado dentro da categoria de videodança brasileira, mas foi exibido entre filmes de outras nacionalidades. O filme mostra uma performance de dança utilizando como cenário, uma casa abandonada e, parcialmente, destruída. 
DJACIR MENEZES – O HOMEM E SEUS LIVROS, 31 min, Gavulino Filmes, Fortaleza, CE;
Documentário sobre o cearense Djacir Lima de Menezes, 
filho de Paulo Elpídio de Menezes e Olga Freire Lima de Menezes, foi professor, sociólogo, jurista, economista e filosófico. Nasceu no município de Maranguape, em 16 de outubro de 1907. Fundou, em 1938, a Faculdade de Ciências Econômicas do Ceará, sendo também o seu primeiro diretor, e foi Inspetor Regional de Ensino e sócio efetivo do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará. Nos anos de 1940, depois de ser aprovado em um concurso na Faculdade de Filosofia e outro na Faculdade de Economia da então Universidade do Brasil, Djacir Menezes mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor catedrático da Faculdade de Economia, ensinando Historia e Doutrinas Econômicas. Também exerceu outros cargos administrativos, destacando-se particularmente como reitor da Universidade do Rio de Janeiro, no período de 1969 a 1973. Ao término de sua gestão, tornou-se professor emérito dessa Universidade. Publicou livros de Filosofia, de Critica Social e Estudos Brasileiros. Também produziu obras literárias e livros didáticos. 
ALGO MAIS SOBRE A FALA E O SILÊNCIO, 19 min, direção de Felipe Camilo, Fortaleza, CE. 
Uma jovem observa silenciosa em um píer a chegada de um homem desconhecido vindo de dentro do mar.
Dia 15.11 (Mostra de Filmes Goianos)
CHICO DOIDO, 15min; BABILÔNIA, 21min; RIBEIRINHO, 15min; ADVENA, 10min; ÁGUA, 3min; O SOM DO SILÊNCIO, 7min; SE O MUNDO FOSSE 1 FILME, 1min; O PREÇO DO MAL, 8min; CEGAMENTE SEU, 7min; LAGO DO SOL, 8min;

NOVA OPÇÃO DE VOO
Conforme o site Aviadores do Cariri, “A partir do dia 19.12.2015 a empresa aérea GOL, inicia um novo voo para Juazeiro do Norte, sendo que o mesmo será provisório, com o intuito de atender a alta demanda dos voos para Guarulhos-SP nesta alta estação. A empresa terá o novo voo com a mesma rota do atual, e com a mesma aeronave, Boeing 737-700. O novo voo GLO 9157 com a rota Guarulhos (GRU) – Juazeiro do Norte (JDO), e GLO 9158, Juazeiro do Norte (JDO) – Guarulhos (GRU), já está disponível para vendas no site da empresa. O horário é um pouco interessante, pois os dois voos se coincidirão em rota. O voo decolará às 22:20 de Guarulhos e pousará às 00:10 no Cariri, decolando novamente às 00:40 e pousando em São Paulo às 04:40. Sendo que a empresa tem um voo com o mesmo trecho cumprido os horários na seguinte ordem, GRU-JDO-GRU / 00:30-02:30 | 02:45-6:35. Sendo assim não faltará opção para São Paulo para quem sai do Cariri, com esta nova opção para São Paulo. Com este novo voo Juazeiro passa a ter nove voos diários.” Obs.: Na verdade, esta é o décimo voo no Aeroporto de Juazeiro do Norte que passará a ter 20 operações diárias de embarques e desembarques. Veja o quadro abaixo.
Obs.: Os horários acima estão pelo horário LOCAL, de Juazeiro do Norte, até o final do Horário de Verão.

REVISTA SÉTIMA DE CINEMA, EDIÇÃO 26

Já é do conhecimento público a vigésima sexta edição da Revista Sétima de Cinema, editada pelo Grupo de Estudos, sediado no SESC de Juazeiro do Norte. Nas suas 16 páginas estão as seguintes matérias: Editorial (Elvis Pinheiro); Relatório de muita atividade audiovisual; Boa sorte nos próximos filmes (Erick Linhares); Nenhum pecado será perdoado (Saulo Portela); Meus 10 melhores filmes de todos os tempos (Indicações com o texto, a respeito de minhas escolhas, por Elvis Pinheiro); e Programação de Cinema Alternativo. O lançamento da Revista aconteceu na última quinta feira, dia 5, no Teatro Patativa de Assaré, do SESC Juazeiro do Norte. A edição da Revista estará acontecendo mensalmente, com lançamentos nas primeiras terças-feiras do mês. Nossos cumprimentos a todo o Grupo pela maravilhosa edição deste periódico. 

JUAZEIRO EM NOVOS LIVROS

Eu tenho uma biblioteca que procurei especializar em assuntos juazeirenses. Daí porque fico sempre com as atenções voltadas para o que estão lançando, no tocante a uma bibliografia mais ampla possível sobre os nossos temas. Aí estão registrados por nós os seguintes títulos: 

MARLENE LOPES CIDRACK. Visitadoras de Alimentação – Legado da Escola Agnes June Leith, Fortaleza, Edições UFC, 2011, 202p. Resumo: Trata de uma pesquisa que questiona aspectos da emergência do campo de saber em alimentação no Brasil, com abordagem centrada na estratégia de formação de recursos humanos, no caso as visitadoras de alimentação. Pressupõe o processo de formação profissional como estratégia articulada a um conjunto de medidas voltadas para a busca de representação e legitimidade social e política desse saber que emergia e traçava caminhos para sua consolidação. E isto se verifica com a história desta escola de nutrição que foi dirigida nos anos 40 por uma juazeirense, a profa. Maria Gonçalves da Rocha Leal.

FÁTIMA MARIA LEITÃO ARAÚJO. Mulheres letradas e missionárias da luz – Ideal de Formação nas Escolas Normais Rurais do Ceará (1930-1960). Fortaleza, Edições UFC, 2014, 235p. Resumo: A presente tese tem por objeto o estudo da proposta de formação docente das escolas normais rurais do Ceará em idos de 1930 a 1960. Propõe responder aos questionamentos acerca da compatibilização entre o ideal preconizado pelos discursos e documentos oficiais e o perfil de professora produzido na prática cotidiana da sala de aula. Os caminhos percorridos a partir da pesquisa, leva a que se entenda a proposta de formação docente das escolas normais rurais do Ceará, analisando a sua inserção no contexto sociopolítico e ideológico do Ceará/Brasil pós-1930 (Era Vargas), além de compreender o significado do projeto escola normal rural na definição de um perfil ideal de educadora para o meio rural. Dessa forma, analisam-se as idéias, experiências, práticas, representações e o lugar reservado às professoras ruralistas naqueles efervescentes anos das primeiras décadas do século XX. A escrita ora apresentada é fruto da persistente busca dos vestígios deixados e dos relatos expressos pelas personagens que fizeram parte da trama cotidiana de histórias que se cruzam, na consecução de idéias e práticas vividas no âmbito da educação escolar daqueles idos. As fontes utilizadas foram de várias naturezas, tais quais: oral, relatórios, arquivos escolares e particulares, documentos oficiais, discursos de autoridades políticas e intelectuais, diretores, professores e ex-alunas, monografias de conclusão de curso, fotografias e fonte hemerográfica. Em tal percurso teórico-metodológico, destaquei a oralidade como importante fonte da pesquisa., haja vista a tentativa de efetivar a (re)construção histórica numa perspectiva da “história vista de baixo”, dando voz às pessoas que tiveram papel central no projeto escolar encetado pelas escolas normais rurais do Ceará. Assim, coloca-se no cerne da história educacional cearense de meados do século XX, a mulher, ou seja, a professora rural, a educadora e missionária que assumiria a árdua tarefa de iluminar o sertão via luz da instrução primária. O trabalho revisa as experiências educacionais de várias escolas, dentre as quais a de Juazeiro do Norte e a de Limoeiro do Norte, ambas dirigidas por juazeirenses, respectivamente Amália Xavier de Oliveira e Maria Gonçalves da Rocha Leal.

MARIA JURACI MAIA CAVALCANTE, PATRICIA HELENA CARVALHO HOLANDA E ZULEIDE FERNANDES QUEIROZ (Orgs.). HISTÓRIAS DE MULHERES – Amor, violência e educação. Fortaleza, Ed. UFC, 2015, 578p. Trata-se de uma coletânea de artigos que abrange um amplo espectro de questões feministas, especialmente no Cariri. Ao abrir esta coletânea, os leitores se deparam logo no começo com a lente visionária do cineasta e a memória fotográfica do historiador, Rosemberg Cariry, que relata e eterniza a vida de uma grande e sofrida mulher caririense - vinda de uma classe social subjugada pela injustiça social - que modelou criaturas de barro e, numa imitação de Deus, transformou o barro em vida. Vida a que ela mesma deu a sua criação, emprestando–lhe voz, sentimento e história. Dona Ciça do Barro Cru modelou a partir do seu chão, histórias de personagens tão vivas e tão reais, quanto a sua fé na vida, no trabalho e na proteção do seu Padim Ciço. Mas há muito mais neste livro extraordinário.

MARIA JOSÉ RONDON RÉGIS BOTELHO. Trilha de uma Rondon do Pantanal ao Litoral Cearense. Fortaleza, Exp. Gráfica Ed., 2011, 343p. O livro trata do itinerário de vida da sua autora, sra. Caio Lóssio Botelho, ilustrado juazeirense residentes em Fortaleza. A obra tem cunho biográfico e como não poderia deixar de ser, narra a vida de trabalho e a relação conjugal, entremeadas por narrativas familiares e experiências de vida.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015


BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
199: (26.10.2015) Boa Tarde para Você, Manoel Teixeira Barros Filho

Exatamente porque tenho algumas obras raras datadas da aquisição, quando mal começara a residir em Fortaleza, nos idos de um colégio interno, em 1965, é que carrego a lembrança agradável que iniciara, como ainda hoje me conservo, frequentando e comprando livros nos antiquarios. Isso, seguramente isso, que chamamos de livrarias de sebo, fez a minha rotina intransferível, por onde estivesse, em tantos anos, literalmente por Europa, França e Bahia, e nem se arrefece, mesmo com as tentações e as facilidades dos negócios pela internet, em estantes virtuais tão em voga. É assim que manifesto a pessoas como você, “Manel”, gente que assume esta vocação específica de livreiro para preservar livros à mancheia, obras de dificil acesso, coisas fora de catálogos, raridades imprescindíveis para as nossas mais diletantes elocubrações e devaneios intelectuais. Não é o mais barato, convenhamos, mas estas casas exercem uma sedução, algo que congrega e se faz de sala de reuniões, de memórias e grande entretenimento, simplesmente porque nem sempre encontramos o que se procura e a elas voltamos, na ânsia destes achados. Reconheço-me, Manoel, como alguém, caçador destas raridades, especialmente sobre esta produção livresca e ainda desaparecida do Cariri, apresentada em edições de pouca tiragem, livrinhos e por vezes opúsculos miúdos de grande valia, para que não nos falte nenhuma dessas boas referências. Encontro na sua Solaris da Rua Padre Cícero, essa mesma identidade de milhares, espalhadas pelo país, visitadas impenitentemente por gente estranha, ávida por “novidades antigas”, de onde se pode garimpar, lá metidos, um autografo, uma carta, um recorte, uma anotação, uma dedicatória, apontamentos, revelações, fotografias, postais, e o mais que seja. Habituei-me a ouvir nesses sebos, como o seu, histórias surpreendentes, como a que me contou Cid Carvalho noutro dia, daquele bibliófilo famoso em Fortaleza, que adoeceu e sendo desenganado pelos médicos, levou a quase viuva a se desfazer do acervo monumental para custear o tratamento. E não é que o inditoso, contrariando todas as expectativas de juntas médicas, ressuscitou lépido e fagueiro para em seguida quase sucumbir diante da descoberta chocante de que sua imensa biblioteca, uma das maiores do Ceará, havia sumido quase por encanto? 

A realidade é que há um fascínio pelo objeto direto destas livrarias, alimentado outrora por maior visitação daqueles que buscavam estas coisas raras, e eu mesmo, por uns 30 anos, até parece estranho, andei atarantado à procura de Beatos e Cangaceiros, livro raríssimo de Xavier de Oliveira.

Aliás, a produção em livro deste extraordinário autor juazeirense, Antonio Xavier de Oliveira, habitualmente impõe no seu garimpo duras penas, e a mim, particularmente, novo vexame aconteceu por mais anos quando procurava o seu famoso Album dos Doutorandos, de 1918. Antonio Xavier de Oliveira nasceu em 09.10.1892 e viveu aqui até os 18 anos, na vida familiar, e faleceu no Rio de Janeiro em 06.02.1953, sendo irmão de Amália Xavier de Oliveira e tendo colado grau na Faculdade de Medicina da antiga Universidade do Brasil, em 1918. Gradativamente os sebos vêm migrando da condição de livreiro de portas abertas, como ainda encontramos aos montes pelo sudeste, e particularmente na grande São Paulo, para ir se filiando a alguns portais como o estante virtual, o livronauta, o mercado livre, o sebosonline, e outros. Felizmente, nestes novos tempos de tantas facilidades pela rede mundial de computadores, também o mercado livresco de antiquários se agigantou no Brasil e a ele se filiou uma enormidade de pequenos estabelecimentos que faziam as vezes deste garimpo pelo interior do pais. Desejo parabenizá-lo porque agora sei que você, Manoel, faz parte dessa imensa rede, levando para o mercado de absoluta amplitude a listagem dos interesses regionais, principalmente, vitrine autêntica da produção regional, tão pouco percebida por suas edições de tiragens modestas. Destaco particularmente que ao lado do maior interesse por livros didáticos de segunda mão, sebos como este seu, Manoel, tem grande espaço para especializar-se em literatura regional, não apenas no universo mais limitado deste Cariri, mas da literatura nordestina. Além de felicitar lhe, desejo-lhe boa sorte, pois você já deve ter percebido a grande felicidade que se experimenta quando um livro que se lê nos ensina a encontrar a felicidade no cotidiano. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 26.10.2015)

BOA TARDE (II)
200: (04.11.2015) Boa Tarde para Você, Antonio Gonçalves da Silva
Nestes últimos e quase dois anos de um retorno prazeroso ao convívio de minha gente juazeirense, reaprendi o velho caminho da frequência à Praça Padre Cícero, não só na rotina diária através deste autêntico coração da cidade, mas principalmente nas manhãs de domingos em clima ameno. O mais encantador destas oportunidades é o reencontro com queridos amigos para uma conversa a mais descontraída possível, onde falamos de nós mesmos, desta cidade que nos alegra, mas que também inspira sérios cuidados e apreensões, porque, em suma ainda não é o que queremos. Das figuras emblemáticas da Praça em muitos tempos, e graças a Deus ainda hoje lá está na nossa companhia, é o Dr. Antonio Gonçalves da Silva veterano testemunha das muitas mutações desta cidade, velho conhecedor de tipos, de fatos, de datas e de histórias pitorescas que nos fazem felizes. Felicidade é, portanto, a nossa de ter no centro desta convivência a figura de Dr. Balbino, sempre muito discreto e bem humorado, a nos elucidar curiosidades manifestas sobre aquilo que habitualmente nem presenciamos e que retroagem à sua juventude, até no entorno da velha Praça. Ele faz parte deste acervo memorial de uma história que agora queremos repassar, por nós, por mim e por Daniel Walker, os que resolvemos recontar em livro a vida da Praça, desde quando nem sinal de sua geografia havia e era, por assim dizer, o lugar ermo e afastado do bulício da vila, o denominado Quadro Grande, um norme e aprazível lugar onde se desenhava o futuro desta cidade. Por isso mesmo, servimo-nos destes momentos gostosos e também das presenças acolitas de tantos outros, como o Ednaldo Dantas, o Expedito Costa, o Gilberto Sobreira, o Carlos Neri, o Manuel Sales, e tantos outros, para estarmos juntos de Balbino, bebendo com sofreguidão, aqueles momentos de uma narrativa descontraída, fiel e cheia de curiosidades na graça do seu contador. A verdade é que sentimos também, até por seu semblante, que a vida da cidade, transitada e julgada pelas rodas da Praça, também é plena de fatos que intranquilizam homens como Dr. Balbino, exatamente porque não se escondem os motivos de angústias que estes novos tempos registram. Como para Balbino, todos nós padecemos durante estas histórias contadas, principalmente, os lamentáveis descaminhos da atualidade, onde políticos dos piores perfis não têm honrado os compromissos que nos animaram a dar-lhes os votos desejados, convertidos sem escrúpulos no passe de mágica para o exercício desavergonhado da corrupção, do desrespeito e do roubo. Ao seu lado, Dr. Balbino, experimentamos solidários estas emoções, num sentimento quase único de que devemos continuar vigilantes, bem ativos, porque ainda não é o tempo de nos considerarmos os novos velhos da Praça, mas a gente sobre a qual ainda repousa parte desta responsabilidade que nos impõe uma atitude civil e amadurecida para reformar o que está na véspera de nossa felicidade. Cada manhã de domingo, quando nos encontramos ali, e por vezes nos visitam nomes destas agremiações políticas da região, como o sonhador Carlinhos Macedo, ou como o maluco do Geovani Sampaio, sentimos de perto a maior propriedade destes encontros e suas conversas. Às vezes enveredamos por trilhas e conversas tensas, áridas e bem acaloradas e por isso mesmo é pertinente a sua ponderada e amadurecida visão e sentimento, como daqueles que aconselham com propriedade, exatamente pela experiência de vida, a provação que nos serve de testemunho. Nosso Juazeirinho tão amado, como na sua expectativa, ainda sobreviverá às graves investidas desta apropriação indevida, pelo descalabro, pelo populismo desenfreado, pela ineficiência dos nossos homens públicos, e estará sempre altaneiro na grandeza de seu povo trabalhador. Por isso mesmo, meu caro amigo, não nos surpreenda morrendo tão cedo, pois nem saberíamos conciliar a desventura de uma notícia tão trágica, e sirvo-me daqui da chance de formular lhe votos por uma vida longa em nossa companhia, nas esperanças desta nossa querida cidade. A Praça, por gente como você, Balbino, vai continuar sendo este fórum circunstancial para que nosso entusiasmo nunca se perca, para que nosso bom humor sempre se manifeste, para que nossa responsabilidade e autocrítica sempre se exercitem na direção do bem comum. Neste sentido, lamentável é constatar que pelo menos para nós, nas ensolaradas manhãs dos domingos, a Praça, outrora a da Liberdade, a da Independência, a Almirante Alexandrino, mas sempre do Padre Cícero, continua sendo o mais autêntico cemitério das ilusões perdidas. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 04.11.2015)

AS DOENÇAS DO “PADIM”
Foi publicado no Diário do Nordeste (Fortaleza), no último dia 01.11 uma interessante reportagem que trata de uma questão ligada à saúde do Padre Cícero. Por isso vamos transcrevê-la, integralmente. Eis o texto: “Seria ele portador de uma doença reumática? Por meio da bio-história, médico cearense estuda os múltiplos aspectos da saúde do religioso. A história de vida de Padre Cícero Romão Batista (1844-1934), sobretudo a relacionada à saúde, suscitou um estudo aprofundado sobre a plausibilidade de essa figura mitológica do sertão nordestino ser portadora de espondilite anquilosante, doença inflamatória crônica que afeta as articulações do esqueleto axial (coluna, quadris, joelhos e ombros). O achado foi apresentado pelo reumatologista cearense Francisco Airton Castro da Rocha, professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC), durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, realizado em outubro, em Curitiba, com o título "Padre Cícero teria uma doença reumática?"

Questionamentos
O interesse pelo tema, segundo o médico, ocorreu de forma fortuita, após ler a biografia "Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão" (Companhia das Letras), do escritor cearense Lira Neto. Mais que enxergar a figura do homem religioso por trás do líder popular, o médico se deteve a analisar e questionar a série de doenças e diagnósticos atribuídos ao Padim Cícero, nome pelo qual é reverenciado pelos milhares de romeiros que visitam Juazeiro do Norte. A curiosidade pelos achados o levou a levou a ler, ao todo, 12 obras sobre a vida do religioso, cujas imagens o retratam sempre com a cabeça inclinada para o lado direito, portando batina, chapéu e seu cajado. Em sua pesquisa, Dr. Airton Rocha também destaca as obras "Milagre de Juazeiro" (Ralph Della Cava), e "Padre Cícero que Conheci" (Amália de Oliveira), essenciais para elucidar a bio-história de seu objeto de estudo. Para o presidente da Sociedade Cearense de Reumatologia, Dr. José Eyorand Castelo Branco de Andrade, "a entidade vê com bons olhos, pois busca identificar uma doença para a qual não se tinha ainda chamado atenção. São propostas, indícios e tudo leva a crer que o religioso poderia ser portador de espondilite". Destaca que, ainda hoje, muitas pessoas acometidas dessa doença sequer o sabem e, em média, leva-se oito anos para o diagnóstico, após o início dos sintomas.

Histórico dos sintomas

No artigo "Padre Cícero Romão Cícero - Aspectos sobre a saúde do Patriarca de Juazeiro", o reumatologista enumera uma série de indícios, que, aos olhos de um leigo, podem passar despercebidos. A começar pelo fato de, apesar de sua vida longeva, Padre Cícero apresentar o pescoço inclinado, fato particularmente visível quando tinha 44 anos (como mostra uma foto ao lado de sua irmã), e em várias outras posteriores revelando a existência de um desvio cervical lateral. Outro ponto que chamou atenção foi o histórico de o religioso ter sofrido de dores lombares ao longo da vida, assim como de distúrbios do tubo digestivo (intestinos) e infecções de pele recorrentes (nos últimos anos de vida) e de manter uma posição anteriorizada (para frente) do tronco em relação à região lombar. "Em um vídeo da época, é claro observar que ele tem uma postura rígida e que se desloca em bloco, movendo toda a coluna", diz o reumatologista.

Justificativa do “achado”
A probabilidade de o quadro indicar que o religioso era portador de espondilite anquilosante, à luz da realidade diagnóstica de hoje, é justificada por Dr. Airton Rocha por uma série de fatores, sendo o genético uma delas. O componente hereditário - olhos azuis e cabelos louros de Padre Cícero (filho de pai português e mãe índia) - é um elemento a ser considerado, uma vez que a ocorrência de espondilite anquilosante está mais presente em indivíduos brancos caucasóides (do norte europeu). Em relação às fortes dores na coluna, Dr. Airton Rocha descarta a possibilidade de o padre ter escoliose (como é aventado em suas biografias), uma vez que, ao contrário do imaginário popular, a escoliose não é uma doença que provoca dor e raramente acomete a coluna cervical. Sobre Padre Cícero é relatado que ele sofria dores frequentes, em plena maturidade, que chegaram a prostrá-lo e indicavam não depender da realização de algum tipo de esforço físico. Isso sugere ter sido tratado de dor de caráter inflamatório, como é próprio desse grupo de doenças inflamatórias da coluna (como as espondiloartrites).

Patologia de base
O reumatologista cita outra passagem do histórico de saúde do religioso na qual, aos 60 anos, ele ter sido diagnosticado por seu médico, Dr. Antonio Mariz, como portador de gota. "Possivelmente, seria consequência da doença de base (espondilite), uma vez que Padre Cícero tinha dieta frugal e fazia jejuns prolongados, abstêmio de bebida alcoólica, um perfil muito diferente de quem tem gota (artrite associada à deposição de cristais de ácido úrico). Devido aos problemas intestinais, o religioso, por volta dos 70 anos - teve a dieta líquida restrita a chás e água de coco", relata o pesquisador. Esse recorte de evidência sugere que problemas digestivos, que estariam relacionados às espondiloartrites, lhe levaram a pensar que a "água-do-Juazeiro", por não estar adequadamente tratada, lhe prejudicasse. Na verdade, poderia se tratar de distúrbios intestinais que acometem pessoas com espondiloartrites, como a espondilite anquilosante. Sugere que o uso do cajado, além de sua função pastoral, tenha sido a forma encontrada pelo religioso para facilitar o apoio e permitir-lhe grandes marchas e trabalho incessante, para compensar a fragilidade de sua postura. Além de submeter seus achados à crítica de seus pares, junto à Sociedade Brasileira de Reumatologia, Dr. Airton Rocha finaliza artigo que será publicado, em breve, em revista científica da área de reumatologia.

Outro olhar
Para examinar a legitimidade desse achado, o reumatologista José Tupinambá Sousa Vasconcelos realizou análise sob o título "Padre Cícero teria reumatismo". Segundo ele, a pesquisa faz parte do campo da bio-história, que envolve diferentes áreas, desde a médica, passando pela genética, antropologia, química, psicologia e a própria história. "Não é uma questão de diagnóstico". "É possível admitir a plausibilidade nosológica para a fenotipia de espondiloartrite", afirma o reumatologista, para quem considera muito difícil o fato de o religioso - a quem são atribuídos vários milagres - ter sido acometido de escoliose. Outras possibilidades diagnósticas foram excluídas pelo Dr. Tupinambá, incluindo poliomielite, osteoartrite e osteoporose, além da gota, embora considere "ser razoável admitir que Padre Cícero teria sido portador de uma espondiloartrite".

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

BIBLIOCINE (FAP, JN) 
A Faculdade Paraiso do Ceará (FAPCE), está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri, embora seja restrito aos alunos desta Faculdade. As sessões são programadas para as terças e quintas feiras, de 12:00 às 14:00h, na Sala de Vídeo da Biblioteca, na Rua da Conceição, 1228, Bairro São Miguel. Informações pelo telefone: 3512.3299. Neste mês de Novembro, está em cartaz, o filme CURVAS DA VIDA (Trouble With The Curve, USA, 2012, 111min), direção de Robert Lorenz. Elenco: Clint Eastwood (Gus Lobel); Amy Adams (Mickey Lobel); Justin Timberlake (Johnny Flanagan); John Goodman (Pete Klein); Matthew Lillard (Phillip Snyder); Robert Patrick (Vince Freeman); Scott Eastwood (Billy Clark); Matt Bush (Danny); Bob Gunton (Watson); Ed Lauter (Max); Chelcie Ross (Smitty); Darren Le Gallo (Enfermeira); Rus Blackwell (Rick); Joe Massingill (Bo Gentry); Jay Galloway (Rigo Sanchez); Terry Wilson (Desportista); Peter Hermann (Greg). Sinopse: Gus Lobel (Clint Eastwood) é um veterano olheiro de baseball, daqueles que se recusam a trabalhar usando o computador e apostam todas as fichas em seu feeling sobre os jogadores. Restando apenas três meses para o fim de seu contrato, ele começa a ter problemas de visão devido a um glaucoma. Escondendo a doença de todos, Gus é enviado para analisar Bo Gentry (Joe Massingill), um promissor rebatedor que pode ser a escolha de sua equipe no próximo draft. Entretanto, ao desconfiar que há algo errado com o velho amigo, Pete Klein (John Goodman) pede à filha dele, Mickey (Amy Adams), que o acompanhe na viagem. Mickey trabalha como advogada e está prestes a se tornar sócia na empresa em que trabalha, mas passa por cima dos compromissos profissionais para acompanhar o pai, apesar deles terem um relacionamento problemático. Juntos, eles avaliam o potencial de Gentry e encontram Johnny Flanagan (Justin Timberlake), um ex-jogador de baseball que é agora olheiro de outra equipe. 


CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 06, sexta feira, às 20 horas, o filme GIGI (Gigi, EUA, 1958, 119min), direção de Vincent Minelli. Elenco: Leslie Caron (Gigi), Maurice Chevalier (Honore Lachaille), Louis Jourdan (Gaston Lachaille), Hermione Gingold (Madame Alvarez), Eva Gabor (Liane d'Exelmans), Jacques Bergerac (Sandomir), Isabel Jeans (tia Alicia), John Abbott (Manuel), Betty Wand (Gigi, voz nas canções). Sinopse: Na Paris da virada do século, uma garota chamada Gigi (Leslie Caron) é treinada por sua tia e avó para se tornar uma cortesã, o que a menina acha desnecessário. Enquanto isso, o mimado Gaston (Louis Jourdan) vive à caça de emoção. Ao se envolverem romanticamente, Gaston revela à Gigi o plano de torná-la sua amante, o que a menina se opõem, para desgosto de suas treinadoras. Com Maurice Chevalier como o tio de Gaston. Dirigido por Vicent Minelli, Gigi foi a maior bilheteria do cineasta. Produzido no auge dos musicais, Gigi é um filme puramente escapista, por isso muitas vezes criticado. Além disso, o longa causa "raiva" nos cinéfilos por ter ganho nove Oscars, todos aos quais concorreu, um recorde até então, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. O filme, na premiação, concorria com Gata em Teto de Zinco Quente. Merecendo ou não, Gigi hoje já é considerado um pequeno clássico tendo sido selecionado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos como sendo "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo". O filme também é considerado o último grande musical da MGM, que após o recebimento dos prêmios, instruíram seus telefonistas a atenderem as ligações respondendo "Hello, M-Gigi-M". Baseado na novela de mesmo nome de Colette, Gigi também foi adaptado para a Brodway, tendo sido estrelado por Audrey Hepburn, primeira escolha para o elenco. As músicas que compõe a trilha sonora são de autoria de Lerner e Loewe, arranjadas por André Previn. Para poder adaptar a história para a tela, o produtor Arthur Fredd teve que lutar contra o Código Hays de que a história era condenando os amantes ao invés de glorificar a relação. Através da história de Gigi, nota-se o tratamento dos cavalheiros franceses destinado às damas de classe inferior e o que era esperado destas socialmente. Enquanto que para as classes altas, a dama deveria preocupar-se em ser culta e distinta a fim de casar-se bem, a de classe menos favorecida devia fazer o mesmo, mas para se tornar amante e ser cuidada pelos ricos cavalheiros. A situação da mulher no filme é retratada de modo divertido, porém sutil. O descaso dado ao suicídio da amante, o tratamento que as mulheres dão umas às outras, a ambição de conseguir a graça de um rico e o medo de perdê-lo para outra. A preocupação com idade e beleza, roupas e luxo. A moça Gigi porém demonstra uma independência e feminismo que já estava nascendo naquele começo de século. Ao recusar a proposta de Gaston, a garota manifesta não se contentar apenas em ser amante, tem ambição e dignidade diferente e à frente daquelas de seu círculo social.


CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande) (alternando), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 6, sexta feira, às 19 horas, o filme O ESPELHO (Ayeh, Irã, 1997, 95min), direção de Jafar Panahi. Sinopse: Jafar Panahi faz grande evolução com O Espelho. O tema, a responsabilidade da criança, não difere muito da proposta de seu primeiro filme, O Balão Branco, mas toda a construção do filme, incluindo aí todos os riscos estéticos – o autorismo, o maneirismo que afeta um bocado o cinema de um, digamos, Makhmalbaf – procura fazer o espectador prestar atenção no caráter construtivo da imagem, para um fora – da imagem, do discurso – que constrói a compreensão do filme tanto quanto o seu dentro (o que realmente é mostrado). Proposta que é quase oposta à de seu primeiro filme: se em O Balão Branco o encanto do filme devia-se à adequação naturalista das situações – um acontecimento banal, atuação límpida como se estivéssemos na vida real, pouca ou nenhuma trilha de som –, o estatuto da imagem nesse segundo filme é absolutamente diferente. Em O Espelho, trata-se de realizar uma pedagogia do olhar, um ensinar a ver. A câmara passa a sustentar uma outra relação com aquilo que ela filma, não mais de submissão ou naturalismo; agora, a relação é de construção: eu, cineasta, passo a me relacionar com você, realidade, para construir o meudiscurso, para fazer a minha história. 


CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 7, sábado, às 17:30 horas, o filme APOCALYPSE NOW (Apocalypse Now, EUA, 1979, 153min), direção de Francis Ford Coppola. Elenco: Martin Sheen (Captain Benjamin L. Willard), Marlon Brando (Walter E Kurtz), Frederic Forrest (Jay 'Chef' Hicks), Robert Duvall (Lieutenant Colonel Bill Kilgore), Sam Bottoms (Lance), Albert Hall (Captain Phillips), Laurence Fishburne (Mr Clean), Dennis Hopper (Jornalista), Harrison Ford (Lucas). Crítica: Apocalypse Now" de Francis Ford Coppola (baseado no livro de Joseph Conrad) é desses filmes que surgem a cada 20, 30 anos tamanha é sua genialidade, portanto, se você ainda não viu o filme (você é um dos poucos!!) não perca essa oportunidade (o DVD da versão "Redux" está nas locadoras - alugue, adiante a seqüência dos franceses que foi incluída e assista ao resto com a maior atenção do mundo). Tudo neste filme é espetacular a começar pelo nome que é excelente. Existem lá certas pessoas que dizem que o final é fraco (eu li algum crítico dizendo isso) e a esse respeito só posso dizer que a insanidade foi além do filme e atingiu certos críticos. Também existem umas poucas pessoas que consideram "Nascido Para Matar" (de Stanley Kubrick) como um filme superior, mais uma vez, a insanidade paira no ar. Ok, isso dito, vamos a obra prima. "Apocalypse Now" (totalmente injustiçado pelo Oscar - levou apenas dois prêmios - fotografia e som) é muito mais do que um filme de guerra, é um filme sobre a influência que uma guerra gera nas pessoas, sobre o quão despropositados são os atos cometidos em uma guerra, é um filme surreal e - por mais contraditório que seja - ao mesmo tempo cruelmente real... O filme de Coppola se passa no Vietnã - mas poderia se passar em qualquer outra guerra - e é lá que o Capitão Willard (Martin Sheen - que teve um famoso ataque cardíaco durante as filmagens nas Filipinas - os bastidores da complicada filmagem são um filme a parte - atrasando assim, a produção de um filme que era visto por todos como uma loucura de Coppola) é encarregado de encontrar (e exterminar) o renegado Coronel Kurtz (Marlon Brando) que enlouqueceu e fundou uma seita no meio da selva. Desde a primeira seqüência do filme dá pra perceber a genialidade (estou voltando a essa palavra por não conseguir pensar em outra melhor...) pela qual Coppola e todo elenco estavam tomados durante as filmagens. A cena, com Martin Sheen bêbado no quarto, a música do Doors, o som dos helicópteros se confundindo com o som do ventilador de teto é simplesmente espetacular, e daí em diante não há um só momento de "Apocalypse Now" que não seja sensacional (não custa repetir que na versão "Redux" a maior seqüência incluída - a dos franceses - não condiz com o resto do filme, portanto se você assistir a essa versão, esqueça a seqüência citada). Um dos pontos altíssimos do filme é o personagem de Robert Duvall, o coronel surfista Bill Kilgore, que é (mais uma vez) genial (na versão "Redux" o personagem de Duvall ganha mais espaço para mostrar as suas maluquices). É dele a mais famosa frase do filme "adoro o cheiro de napalm pela manhã" e também se deve a ele uma das mais surreais seqüências de "Apocalypse Now", aquela em que ao som de "A Cavalgada das Valquírias", de Wagner, helicópteros americanos atacam uma vila vietcongue. Outro ótimo personagem é o seguidor alucinado do Coronel Kurtz feito por Dennis Hopper (que à época das filmagens vivia envolvido com drogas e eu arrisco dizer que a loucura vista na tela vai além de uma grande interpretação). Além das ótimas atuações de Duvall e Hopper o filme ainda tem Marlon Brando - sempre envolto por sombras na versão original (foi uma exigência do ator que começava em 79 a ganhar as formas arredondadas de hoje) e aparecendo no claro na versão "Redux" - que compõe o insano Coronel Kurtz magistralmente. Sem esquecer de Martin Sheen excelente - inesquecível a cena em que ele levanta da água. (ainda temos no filme Laurence Fishburne - adolescente - como um dos soldados que parte em missão com o Capitão Willard e uma rápida aparição de Harrison Ford). Contando com excelentes interpretações, direção excepcional e uma fotografia de chorar de tão boa (de Vittorio Storaro), "Apocalypse Now" é um filme estarrecedor e extremamente complexo, absolutamente obrigatório a todo fã de cinema. É sem dúvida um marco da sétima arte e dificilmente será superado algum dia. (Crítica por: Juliana de Paula, http://www.cinepop.com.br/criticas/apocalypse.htm)

sábado, 24 de outubro de 2015



BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
198: (19.10.2015) Boa Tarde para Você, Vanda Lúcia Pereira da Silva Barbosa
Recebi com muito prazer o seu pedido, Vanda, para um breve depoimento sobre a importância de algumas mulheres, figuras proeminentes na educação, professoras notáveis no desenvolvimento de Juazeiro do Norte, de modo a subsidiar seu texto com os nomes que mais se destacaram. Já lhe advirto que embora tenha uma lista longa, ela naturalmente encerra omissões injustificáveis e por vezes perversas por não contemplar o grande mérito de inúmeras e valiosas contribuições anônimas que foram vivenciadas em modestas, mas importantíssimas salas de aulas desta cidade. Veja só a listinha: Izabel da Luz, Carolina Sobreira, Generosa Landim, Maria Cristina Castro, Rosinha Esmeraldo, Leonina Milfont, Maria Gonçalves, Donata Bezerra, Elvira Medeiros, Amália Xavier de Oliveira, Maria Pedrina, Adelaide Melo, Tarcila Cruz, Generosa Alencar, Maria Menezes, Zuila Morais, Assunção Gonçalves, Nair Silva, Quininha Gonçalves, Isaura Amorim, Maura Almeida, Geli de Sá Barreto, e por aí eu estaria apenas iniciando um roteiro quase sincero. Entendo perfeitamente, Vanda, em se tratando de sua preocupação com seu curso de Mestrado em Educação, ora em andamento, uma vez graduada em Pedagogia, você deseje revisar essa dedicação do magistério à educação de Juazeiro do Norte, pela contribuição de grandes e exponenciais figuras. A primeira constatação que fazemos é a de que, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século passado, essas bases fundantes vieram em parte de professoras leigas e algumas privilegiadas, oriundas de grandes núcleos de formação pedagógica, especialmente em Fortaleza. Isto se constituiu no primeiro grande acervo de profissionais que implantaram a Escola Normal Rural, a primeira do país, em junho de 1934, e que representou o maior esforço concentrado para disparar uma nova visão, para a renovação dos quadros docentes no interior nordestino. Com respeito ao seu interesse, Vanda, em um grande nome nessa cena educacional, eu não destacaria apenas Amália Xavier, Assunção Gonçalves ou Generosa Alencar, porque essas já foram e continuam sendo estudadas, através de pesquisas e publicações em vários livros sobre elas. Recomendo-lhe a figura incrível de Maria Gonçalves da Rocha Leal, uma juazeirense nascida em 1899, de velhos troncos do Cariri, uma mulher cuja formação, competência e trabalho marcaram profundamente a educação de Juazeiro do Norte e de larga extensão sobre o Cariri e o Ceará. Encontrei-me com dona Gonçalves em janeiro de 1972 e me tornei seu admirador ao conhecer o grande valor do seu serviço à educação do nosso Estado, sendo fundadora e dirigente da primeira escola pública de Juazeiro do Norte, tendo fundado e dirigido a Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte e fundado o curso de graduação em Economia Doméstica da Universidade do Ceará. Gonçalves era uma criatura de um silêncio e de uma humildade surpreendentes, a ponto que poucos, de fato, a conheceram na inteireza de sua dimensão como mulher de grandes predicados na educação e méritos inomináveis como pessoa habilidosa na administração pública. Foi necessário que Ildeburque Leal escrevesse uma súmula biográfica, um pequeno livro para que até mesmo sua terra, este Juazeiro de tão curta memória, a conhecesse com maior precisão, para ainda assim, não se ter a louvação imprescindível às suas qualidades profissionais e cidadãs. A própria Universidade que a tivera como mentora de um dos seus cursos não a reconhecia bem e até mesmo a modesta homenagem dos alunos no Centro Acadêmico da Economia Doméstica desconhecia seu perfil e ali não havia nem uma simples fotografia para ter sua face reverenciada. E olha, Vanda, Gonçalves como educadora, ainda nos anos 30, participou da reforma do ensino do Ceará, liderada pelo grande pedagogo Lourenço Filho, sem que esqueçamos também que era ensaísta, poetisa, e foi uma das fundadoras e dirigentes da extensão rural no Brasil. Os seus contemporâneos a chamavam a “Estrela do Ceará” e não era pouco para este Estado e para esta mulher que em escolas como o Santa Tereza e o Diocesano, em Crato, lecionava com grande brilho Pedagogia, Didática, Inglês e Francês, línguas que falava fluentemente. Como você, Vanda, que de tão jovem está preocupada com a base, com o ensino fundamental, ocorre-me a lembrança de que Gonçalves, por exemplo, também tinha essa preocupação criando escolas segundo teorias, práticas e materiais didáticos idealizados por Maria Montessori. Desejo lhe boa sorte porque daqui suspeito que seus caminhos se encherão de grandes surpresas. 

(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 19.10.2015)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI
CINEMARANA (SESC, CRATO)


O Cinemarana (Teatro Adalberto Vamozi, SESC, Rua André Cartaxo, 443, Crato), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 26, segunda feira, às 19 horas, o filme O HOMEM QUE MATOU O FASCÍNORA (The Man Who Shot Liberty Valance, EUA, 1962, 123min), direção de John Ford. Elenco: James Stewart (Ransom Stoddard), John Wayne (Tom Doniphon), Vera Miles (Hallie Stoddard), Lee Marvin (Liberty Valance), Edmond O´Brien (Dutton Peabody), Andy Devine (Delegado Link Appleyard), Ken Murray (Doc Willoughby), John Carradine (Maj. Cassius Starbuckle), Jeanette Nolan (Nora Ericson), John Qualen (Peter Ericson), Willis Bouchey (Jason Tully (condutor), Carleton Young (Maxwell Scott), Woody Strode (Pompey), Denver Pyle (Amos Carruthers), Strother Martin (Floyd), Lee Van Cleef (Reese), Robert F. Simon (Handy Strong), O.Z. Whitehead (Herbert Carruthers), Paul Birch (Prefeito Winder) Joseph Hoover (Charlie Hasbrouck, repórter do 'The Star'). Sinopse: A história começa quando as pessoas estão preparando um funeral. Um senador dos Estados Unidos da América e sua esposa estão de volta à pequena cidade de Shinbone, num território do Oeste não identificado (provavelmente o Colorado, com menções ao Rio Picketwire). O senador começa contar a um jornalista a razão de estar ali para o enterro. Na medida em que os fatos são relatados, aparecem as cenas em flashback. O senador é Ransom Stoddard, na sua juventude um advogado que acreditava na lei e na ordem, mas que se recusava a carregar um revólver. Ele era amigo de Tom Doniphon, um pistoleiro que via nas armas a melhor forma de fazer justiça. Doniphon e Stoddard mantiveram um tenso relacionamento, pois ambos se interessavam por Hallie. Hallie acabou preferindo Stoddard, para desilusão de Doniphon. (O personagem de John Wayne chamou de “Pilgrim" seu rival amoroso interpretado por James Stewart, cerca de 23 vezes no filme. O termo acabou se tornando característico de Wayne, sendo continuamente imitado, porém só voltou a usá-lo em McLintock. Quando o fora-da-lei Liberty Valance retornou faminto à cidade, causou desordem nos saloons e restaurantes. Valance temia apenas um homem: Tom Doniphon. O bandido roubara e espancara Stoddard quando este chegara à cidade, obrigando-o a trabalhar no restaurante para pagar pela comida e estadia. Quando viu Stoddard, Valance o provocou, mas Tom intercedeu. Valance continuou a aterrorizar a cidade. Stoddard decidiu fazer alguma coisa e acabou desafiando Valance para um duelo. Completamente desajeitado com uma arma, Stoddard era, porém, presa fácil para o bandoleiro. Depois que deixou o bar para duelar com Ransom Stoddard, curiosamente Liberty Valance vencera uma rodada de pôquer com um par de "ases" e um par de "oitos". (Esta é a famosa "Dead man's hand" (mão do homem morto), chamada assim porque eram essas cartas que estavam na mão de Wild Bill Hickok quando ele foi assassinado por Jack McCall em Deadwood, Dakota do Sul, em 2 de agosto de 1876). Mas, quando chegou o duelo, coisas misteriosas e surpreendentes aconteceram. Ao final da narrativa para o jornalista Maxwell Scott, Stoddard revelou quem realmente matara Valance, e perguntou: “Vai usar essa história, Mr. Scott?”. A resposta foi a famosa frase: "This is the West, sir. When the legend becomes fact, print the legend". (“Este é o Oeste, senhor. Quando a lenda antecede os fatos, publique-se a lenda”).

BIBLIOCINE (FAP, JN)
A Faculdade Paraiso do Ceará (FAPCE),está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri, embora seja restrito aos alunos desta Faculdade. As sessões são programadas para as terças e quintas feiras (dias: 27 e 29), de 12:00 às 14:00h, na Sala de Vídeo da Biblioteca, na Rua da Conceição, 1228, Bairro São Miguel. Informações pelo telefone: (88) 3512.3299. Para este mês de Outubro o filme que estará em cartaz é: O CONDE DE MONTE CRISTO (The Count of Monte Cristo, EUA, 2002, 131min), dirigido por Kevin Reynolds. Elenco: Jim Caviezel (Edmond Dantes), Guy Pearce (Fernand Mondego). Richard Harris (Padre Abade Farias), James Frain (J.F. Villefort), Dagmara Dominczyk (Mercedes), Henry Cavill (Albert Mondego), Luis Guzmán (Jacopo). Sinopse: O filme retrata bem a ilha de Elba, onde Napoleão Bonaparte estava exilado. Esta história tem uma mensagem de Edmond Dantes. Com um sentimento de vingança, o atual Conde de Monte Cristo mostra que não basta usar a espada para se vingar de alguém, porém o seu traidor prefere o duelo final a viver sem toda a fortuna que ele teria conseguido. O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo) é a clássica história de Alexandre Dumas sobre um jovem inocente que erroneamente, mas deliberadamente, é preso, e de sua brilhante estratégia para se vingar daqueles que o traíram. O jovem e destemido marinheiro Edmond Dantes é um rapaz honesto e sincero, cuja vida pacífica e planos de se casar com a linda Mercedes são abruptamente destruídos quando Fernand, seu melhor amigo, que deseja Mercedes para ele, o trai. Com uma sentença fraudulenta para cumprir na infame prisão da ilha do Castelo de If, Edmond se vê aprisionado em um pesadelo que dura 13 anos. Assombrado pelo curso que tomou sua vida, com o passar do tempo ele abandona tudo que sempre acreditou sobre o que é certo e errado, e se consome por pensamentos de vingança contra aqueles que o traíram. Com a ajuda de outro preso (Richard Harris), Dantes planeja e é bem-sucedido em sua missão de escapar da prisão e se transformar no misterioso e riquíssimo Conde de Monte Cristo. Com uma astúcia cruel, ele se envolve com a nobreza francesa e sistematicamente destrói os homens que o manipularam e o aprisionaram.

CINEMATÓGRAPHO (SESC, JN)
O Cinematógrapho (Teatro Patativa do Assaré, SESC, Rua da Matriz, 227, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 28, quarta feira, às 19 horas, o filme PAISAGEM NA NEBLINA (Topio Stin Omichti, Grécia, 1988, 133min), direção de Theo Angeloupus. Elenco: Tania Palaioulogou, Stratos Tzortzoglou, Michalis Zeke, Eva Kotamanidou, Aliki Georgouli. Sinopse: O cineasta grego Theo Angelopoulos despontou para o público do cinema de arte com este filme belíssimo sobre duas crianças que embarcam em uma viagem à procura do pai. Num ritmo lento, com clara influência de Andrei Tarkovski (que Angelopoulos nega), muitos planos-equências e atuações por vezes hipnóticas dos atores, ''Paisagem na Neblina'' (1988) constrói uma rede de alegorias sustentadas principalmente pelo branco (a neve, as estátuas, o vestido da noiva), nem sempre compreensíveis, mas sempre instigantes. É o terceiro filme centrado em personagens do diretor, após ''Viagem a Citera'' (1984) e ''O Apicultor'' (1986). O diretor era mais conhecido por seus dramas históricos, que passavam a limpo a História da Grécia, caso de ''A Viagem dos Comediantes'' (1975) e ''Megalexandros'' (1980), os dois melhores dessa fase inicial. Ainda que o segundo seja sobre Alexandre, o Grande, o tema é a Grécia, num longo painel memorialista e político. ''Paisagem na Neblina'', apesar de toda sua beleza, produziu um efeito colateral na carreira do diretor: a partir dele, Angelopoulos começou a acreditar que era o maior gênio do cinema, a ponto de espernear quando seu ''Um Olhar a Cada Dia'' (1995) não venceu a Palma de Ouro em Cannes. O fato é que nesse filme derrotado no mais artístico dos festivais, já ficava clara a limitação de seu estilo, incapaz de renovação ou mesmo de promover questionamentos sobre sua arte. Era um filme à prova de crítica, e isso não faz nada bem ao cinema. Mas voltemos a ''Paisagem na Neblina'', obra que ainda respira um frescor referencial de história do cinema e história da Grécia, e, por que não dizer?, da civilização ocidental. O que mais impressiona no filme, mais até do que a habilidade estética, é a delicadeza com que Angelopoulos lida com questões como pedofilia, estupro, homossexualidade, morte, violência e intolerância. Em uma cena emblemática, uma mão gigantesca, parte de uma estátua, é retirada das águas, mas tem o dedo indicador ausente, como se houvesse uma recusa em indicar o caminho. A partir daí, fica claro que os meninos estão ao léu, solitários perseguidores de uma verdade que não está ao alcance deles. Muitos consideram que a procura é o grande assunto das artes dramáticas. Se assim for, ''Paisagem na Neblina'' é mais um brilhante esforço para elucidar esse tema tão caro aos gregos e aos demiurgos.
CINE CAFÉ VOLANTE (BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório do Centro de Esportes e Artes Unificados Mestre Juca Mulato, Parque da Cidade, Parque da Cidade), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 30, sexta feira, às 19 horas, o filme INTRIGA INTERNACIONAL (North by Northst, EUA, 1959, 131min), direção de Alfred Hitchcock. Elenco: Cary Grant (Roger O. Thornhill), Eva Marie Saint (Eve Kendall), James Mason (Phillip Vandamm), Jessie Royce Landis (Clara Thornhill), Leo G. Carrol (Professor), Josephine Hutchinson (Mrs. Townsend), Philip Ober (Lester Townsend), Martin Landau (Leonard), Edward Platt (Victor Larrabee). Sinopse: Considerado pela maioria da crítica especializada como o melhor filme do diretor, eu penso de forma diferente. É difícil escolher um único filme do mestre do suspense, pois, na minha opinião, a maioria dos filmes dele estão no mesmo nível, ou seja, acima da média. Clássico indiscutível da MGM de Alfred Hitchcock (1899-1980), com grande elenco, destacando-se Cary Grant (1904-1986), Eva Marie Saint e James Mason (1909-1984), dentre outros... além de divertida trilha sonora de Bernard Herrmann. Típico filme de espionagem e suspense envolvente sobre um homem que tem na vida um verdadeiro inferno, não podendo confiar em quase ninguém. Cenas marcantes: o herói sequestrado é forçado a dirigir bêbado; também é acusado injustamente de cometer um crime na sede da ONU; fugindo num campo de feno de avião pulverizador em pleno deserto; a sequência no leilão; e descendo nos rostos esculpidos dos ex-presidentes americanos no Monte Rushmore. Obs: Hitchcock aparece no começo, como em vários dos seus filmes. 



CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 30, sexta feira, às 20 horas, o filme UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL (Notting Hill, Inglaterra, 1999, 129min), direção de Roger Mitchell. Elenco: Julia Roberts (Anna Scott), Hugh Grant (William Thacker), Richard McCabe (Tony), Rhys Ifans (Spike), James Dreyfuss (Martin), Dylan Moran (Rufus), Alec Baldwin (Jeff King), Tim McInnerny (Max), Gina McKee (Bella), Emma Chambers (Honey), Hugh Bonneville (Bernie), Roger Frost (Freguês), Lorelei King (Publicitária de Anna Scott), Matthew Modine (Ator). Sinopse: Um Lugar Chamado Notting Hill Dublado 1999 Um Lugar Chamado Notting Hill – Will (Hugh Grant), pacato dono de livraria especializada em guias de viagem, recebe a inesperada visita de uma cliente muito especial: a estrela de cinema americana Anna Scott (Julia Roberts). Dois ou três encontros fortuitos mais tarde, Will e Anna iniciam um relacionamento tenro, engraçado e cheio de idas e vindas. Anna Scott (Julia Roberts) é a atriz de cinema mais famosa do mundo. Suas fotos aparecem nas capas de todas as revistas e qualquer movimento que faça o mundo todo fica sabendo. William Thacker (Hugh Grant) possui um livraria no extravagante bairro de Notting Hill. Seu negócio está estagnado, ele divide o apartamento com um cara horroroso e sua vida amorosa é totalmente inexistente. Até que um dia seus caminhos se cruzam e eles ficam diante de uma questão crucial: duas pessoas podem se apaixonar com o mundo inteiro observando?



CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 31, sábado, às 17:30 horas, o filme DOUTOR JIVAGO (EUA/Itália/Reino Unido, 1965, 197min), direção de David Lean. Elenco: Omar Sharif (Yuri Jivago), Julie Christie (Lara Antipova) Geraldine Chaplin (Tonya), Rod Steiger (Victor Komarovsky), Alec Guiness (general Yevgraf Jivago) Tom Courtenay (Pasha Strelnikov), Siobhan McKenna (Anna), Ralph Richardson (Alexander Gromeko), Jeffrey Rockland (Sasha), Tarek Sharif (Yuri – jovem), Bernard Kay (bolchevique), Klaus Kinski (Kostoyed Amourski), Rita Tushingham (garota). Sinopse: A Revolução Russa de 1917 serve de cenário para a história de amor entre Yuri Jivago, um jovem médico aristocrata e Lara Antipova, uma enfermeira plebeia. Lara é filha de uma costureia russa que, viúva, apenas consegue sustentar a casa em que ambas moram graças ao dinheiro que lhe é dado periodicamente por Victor Komarovsky, um importante e inescrupuloso expoente da sociedade local. Apesar de Victor e a viúva manterem um relacionamento "secreto", o homem se encanta pela beleza da doce Lara, que contava com apenas 17 anos quando ambos se beijaram pela primeira vez na volta de uma festa. Apesar da relação vexatória mantida entre Lara e Victor, Pascha Strelnikoff, jovem romântico e revolucionário, apaixona-se pela menina e começa a namorá-la. Enquanto a relação de Lara e Victor mostra-se destrutiva (a mãe de Lara, ao descobrir o relacionamento, tenta se matar), o namoro de Pascha e a moça se mostra uma saída sensata para ela dessa confusão, pois o moço a pede em casamento e ela aceita. Ao saber do pedido, Victor discute com Lara e a violenta, chamando-a em seguida de "vagabunda". Lara descontrola-se e invade uma festa de Natal na alta sociedade russa para tentar matar, sem sucesso, o ex-amante. Jivago, que já havia visto Lara ao salvar sua mãe do suicídio, estava presente na festa com sua noiva, Tonya, e fica surpreso com a atitude e coragem da jovem. Apesar da impressão deixada, eles só se encontram anos mais tarde, ao serem voluntários (médico e enfermeira, respectivamente) na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A esta altura, Jivago está casado e tem um filho com Tonya, enquanto Lara procura seu marido Pascha, que sumiu durante uma missão na Guerra. Por passarem seis meses juntos em uma situação tão adversa, a aproximação dos dois é inevitável. Com o fim da Guerra, Jivago e Lara voltam para suas famílias e perdem o contato. Ao voltar para casa, Jivago se depara com a decadência da alta sociedade russa e decide fugir para o interior com sua esposa, filho e sogro.

RECONHECIMENTO PÚBLICO
A LEI Nº 4540, DE 13.10.2015 Reconhece de utilidade pública a LIGA DE ESPORTE JUAZEIRENSE – LIEJ, NOS SEGUINTES TERMOS: Art. 1º – Fica reconhecida de utilidade pública a LIGA DE ESPORTE JUAZEIRENSE – LIEJ, fundada em 05 de janeiro de 2015, constituída na forma de sociedade civil sem finalidades lucrativas, de personalidade jurídica e patrimônio próprio, tendo por finalidade aperfeiçoar neste município, o esporte em geral e o futebol em todas as modalidades, com sede e foro na cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, com prazo de duração indeterminado, regendo-se por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. AUTORIA: Vereador José Nivaldo Cabral de Moura 

LIVROS PARA DEFICIENTES
Pela LEI Nº 4541, de 13.10.2015 fica estabelecido: Art. 1º – Nas aquisições de livros pelo Poder Executivo para o abastecimento das bibliotecas públicas municipais, deverá ser garantida a compra de livros em formatos acessíveis às pessoas com deficiência visual. Parágrafo único – A garantia prevista abrangerá o maior número de obras e autores possíveis, dos mais variados gêneros literários, de modo a permitir a construção sistemática de um amplo catálogo de obras acessíveis disponíveis nas bibliotecas públicas. Art. 2.º - Para fins desta Lei, considera-se livro em formato acessível qualquer obra disponibilizada em meio digital, magnético e ótico, para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual, incluindo livros impressos no Sistema Braille. Art. 3.º - Os órgãos gestores das políticas municipais de Educação e de Cultura promoverão, de forma individual e/ou conjunta, campanhas permanentes de divulgação do acervo e ações de alfabetização no Sistema Braille dirigida as pessoas com deficiência visual. Art. 4.º - As despesas com a execução da presente Lei correrão por conta de verba orçamentária própria. AUTORIA: Vereador Cláudio Sergei Luz e Silva Subscrição: Vereadores Cícero Claudionor Lima Mota e Francisco Alberto Costa. 

NOVA ARTÉRIA
LEI Nº 4539, de 13.10.2015 Art. 1º – Fica oficializada a artéria denominada de RUA WILLIAM CARDOSO DO NASCIMENTO, a primeira rua paralela norte à rua Severino Cândido, com início na rua Joaquim Leandro de Souza, sentido oeste/leste, bairro Pedrinhas, zona urbana deste município. AUTORIA: Vereador Glêdson Lima Bezerra 
Obs. Em notícia encontrável na internet (http://www.mariomartins.blog.br/2013/05/juazeiro-do-norte-ce-policia-procura.html ), consta já em 2013 uma rua neste mesmo bairro com este nome. É uma segunda homenagem para a mesma pessoa ou o que é isto?

AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE
De acordo com os dados oficiais da Infraero, disponíveis no seu site na internet, desde o último dia 14.10, para todos os aeroportos sob sua administração no Brasil, no Aeroporto de Juazeiro do Norte, no mês de Setembro de 2015 embarcaram 18.674 passageiros e desembarcaram 18.199 passageiros, num total de 36.873 passageiros. No acumulado do ano 2015, entre Janeiro e Setembro, embarcaram 159.316 passageiros e desembarcaram 156.347 passageiros, num total de 315.663 passageiros; De todos os aeroportos, domésticos e internacionais, dos 60 administrados pela Infraero, Juazeiro do Norte se mantém na 33ª posição, quanto à movimentação de passageiros. De todos os aeroportos, apenas na categoria de domésticos, dos 29 administrados pela Infraero, Juazeiro do Norte se mantém na 13ª posição, quanto à movimentação de passageiros. De todos os aeroportos, apenas na categoria de domésticos localizados no interior do país, dos 16 administrados pela Infraero, Juazeiro do Norte se mantém na 6ª posição, quanto à movimentação de passageiros. Situando-se a performance do Aeroporto de Juazeiro do Norte nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, de todos os aeroportos, domésticos e internacionais, dos 29 administrados pela Infraero, Juazeiro do Norte se mantém na 16ª posição, quanto à movimentação de passageiros. De todos os aeroportos, apenas na categoria de domésticos, dos 13 administrados pela Infraero, Juazeiro do Norte se mantém na 4ª posição, quanto à movimentação de passageiros. De todos os aeroportos, apenas na categoria de domésticos localizados no interior do país, dos 9 administrados pela Infraero, Juazeiro do Norte CONQUISTA a 2ª posição, quanto à movimentação de passageiros, sendo superado apenas pelo Aeroporto de Ilhéus, na Bahia. Esta é a primeira vez que o Aeroporto Regional do Cariri ascende a esta posição, ficando em segundo lugar por um movimento inferior a Ilhéus em 12.147 passageiros embarcado e desembarcados ali, neste mês de setembro de 2015. Embora a movimentação de Setembro, com 36.873 passageiros embarcados e desembarcados, tenha sido inferior à movimentação do mês anterior, Agosto, com 38.629 passageiros embarcados e desembarcados, o que significa uma retração de 4,5%, as possibilidades de novos voos com novos horários e destinos, realizados pelas operadoras atuais no nosso aeroporto já nos permitem vislumbrar que dentro em breve o desempenho do aeroporto de Juazeiro do Norte será posicionado como o mais importante no interior das regiões Norte e Nordeste do país. CELEBREMOS!!!!!!! Em nosso levantamento, como em meses anteriores, continuamos a apresentar os dados do desempenho do aeroporto para o transporte de cargas. Neste particular, na mesma e privilegiada situação dos aeroportos do interior das regiões Norte e Nordeste, o que nos garantiu a segunda posição no ranking, em cargas, somos o quarto em performance, logo abaixo, pela ordem, dos aeroportos de Marabá (PA), Ilhéus (BA) e Imperatriz (MA). Vejam as tabelas, nas quais consta que transitam por nosso Aeroporto cerca de 60,1 toneladas por mês, acumulando em 2015, um total de 437,407 toneladas, entre Janeiro e Setembro de 2015.











ESCLARECIMENTO DE JOSÉ ROBERTO CELESTINO
Prezado Antônio Renato: Obrigado por ter me chamado atenção do relatório, o qual me deu armas a escrever o texto abaixo:
Na extensa pesquisa divulgada sexta-feira pela Secretaria de Aviação Civil sobre os hábitos e comportamentos dos passageiros que utilizam os principais aeroportos brasileiros, o Aeroporto Orlando Bezerra, Aeroporto do Cariri, se saiu espetacularmente bem.:
)Mostrou que o Aeroporto do Cariri tem uma das maiores abrangência territoriais do Brasil atendendo a 127 municípios. Somente como termo de referência temos o Pinto Martins em Fortaleza atendendo a 173 municípios, Brasília 43, Ilhéus 41, Petrolina 57, Galeão e Santos Dumont 94, Belém 78, Foz do Iguaçu 49, Campo Grande 65. Somente esta vasta abrangência territorial enaltece a importância geo-política do Aeroporto do Cariri.
2)Mostra a tremenda importância do Aeroporto do Cariri para o Estado do Ceará: a nível de demanda reprimida somente duas (02 ) cidade do Ceará, que não são atendidas por voo comercial regular, apresentam potencial para viabilizar economicamente 1 (hum) voo diário de aeronave com 114 passageiros e 85% de ocupação: Sobral e Caucaia, sendo que Caucaia já é muito bem atendida pelo Pinto Martins. As cidades de Jijoca de Jericoacoara e Aracati têm potencial para prover somente 50% de ocupação de 1 (hum ) voo, o que hoje em dia é totalmente deficitário para as companhias aéreas. Ou seja, só serão colocados voos para esses aeroportos quando houver subsídio por parte da Secretaria de Aviação Civil, ou com aeronaves de pequeno porte, o que não ocorreu até agora. Ou seja, quando pensa em transporte aéreo, o Ceará teria de reconhecer o enorme potencial do Cariri, face às demais regiões do Estado. E no Cariri há demanda reprimida sim, imposta pelas limitações de sua PPD Pista de Pouso e Decolagens/Taxiways e Pátio de Estacionamento de Aeronaves. Aparelhado adequadamente o noswoaeroporto poderia transportar muito mais carga aérea e passageiros a um preço bem mais baixo.
3)Pessoalmente eu também estou engajado na luta para que o Hub da Tam se instale em Fortaleza, pois isto beneficia o Estado do Ceará, e por conseguinte a Região do Cariri. Mas nunca abandonei a luta junto à INFRAERO e à Secretaria de Aviação Civil para que estas duas entidades governamentais responsáveis pelo nosso aeroporto o aparelhem adequadamente. É uma luta que beneficia o Cariri e consequentemente o Estado do Ceará, da mesma maneira ! Acho que as autoridades maiores do Ceará e suas entidades de classe também deviam interceder junto à INFRAERO e a Secretaria de Aviação Civil pelo Aeroporto de Cariri. Não se adstringirem somente às démarches do Hub da TAM.
O Cariri é a nossa Pátria !
José Roberto Barreto Celestino


AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE: NOVIDADES
Já estava fechando esta Coluna quando recebi de Armando Lopes Rafael um e-mail que me apresentava o Relatório Executivo da Secretaria de Aviação Civil (SAC) apontando o Aeroporto de Fortaleza com uma influência sobre 173 municípios. Isto vem a propósito de um comparativo que se estabeleceu em pesquisa, com os equipamentos que disputam o “hub” da Latam. Veja a tabela acima. Conforme a matéria encaminhada, “O aeroporto de Fortaleza é o terceiro em influência no Nordeste e oitavo no Brasil. As informações do relatório executivo Brasil que Voa, da Secretaria de Aviação Civil (SAC), mostram que o equipamento é responsável por atender passageiros de 173 municípios. Para o levantamento foram analisados 65 aeroportos brasileiros no ano de 2014. No comparativo com os aeroportos que disputam o centro de conexão de voos (hub) da Latam, o aeroporto de Fortaleza fica em segundo lugar, atrás de Recife (196 municípios influenciados), que é o 7º no ranking nacional. O aeroporto de Natal está na 13ª posição no País, com 127 municípios influenciados, o mesmo que o aeroporto de Juazeiro do Norte. O relatório executivo também mostrou que o Ceará dispõe de dez municípios com potencial de voos regulares nos sete dias da semana. De acordo com o levantamento, Caucaia e Sobral são capazes de receber voos com uma taxa de ocupação média de até 85%. Jijoca de Jericoacoara, Aracati e Crato figuram com ocupação de 70%, enquanto Crateús, Iguatu, Ipu, Quixadá e São Benedito seguem com 50%. Para o estudo, considerou-se a oferta de voos regulares que possuem com dois movimentos (pousos e decolagens) de uma aeronave de 114 assentos. O comandante Ariston Pessoa Filho, coordenador do Grupo Aeroportos da Câmara de Logística do Ceará, avalia que o acréscimo de voos para outros municípios do Estado contribui para o desenvolvimento regional. “A aviação tem de fazer parte da mobilidade das cidades. Ela auxilia no comércio e potencializa a atração de indústrias”, considera. No entanto, questiona o uso de uma aeronave acima de 114 assentos para os eventuais destinos. “É melhor diminuir o tamanho do avião e aumentar a frequência do voo. A regularidade dá mais sustentabilidade ao serviço”. Na movimentação anual de passageiros entre estados, o maior fluxo de passageiros com o Ceará se dá com as rotas para São Paulo. O índice chegou a 2,1 milhões de passageiros. No País, a rota está em nono lugar. O ranking nacional é encabeçado pela rota São Paulo-Rio de Janeiro, com movimentação de 6,7 milhões de passageiros/ano. Nas rotas mais demandadas do País que não possuem ligação direta, o destino Curitiba-Fortaleza é o décimo no comparativo nacional, com movimentação de 80.983 passageiros/ano. A rota mais “acionada” e sem ligação direta é Rio de Janeiro-Vila Velha (ES), com uma demanda anual de 150mil passageiros.” 
O que impressiona neste Relatório e nos toca particularmente, através do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, é a riqueza destes dados coletados e a revelação de que na ordem das coisas, este equipamento é o décimo segundo aeroporto dos 65 escolhidos em todo o pais para a pesquisa. Isto mostra não só a importância atual, mas nos remete a considerações sobre o futuro deste aeródromo como um dos propulsores do desenvolvimento da Região do Cariri. 
(Acesse o relatório executivo da SAC, O BRASIL QUE VOA, em: http://bit.ly/1kxtGDg )


SERVIDOR PÚBLICO: COMEMORAÇÃO ADIADA

O ponto facultativo, decorrente da comemoração do dia do servidor público ficou adiada pelo DECRETO N.º 205, de 15.10.2015, nos seguintes termos: CONSIDERANDO que o dia 28 (vinte e oito) de outubro é dedicado ao servidor público do Município de Juazeiro do Norte (art. 178, da Lei Complementar n.º 12/2006); CONSIDERANDO que o dia do servidor público é facultativo o expediente nas repartições públicas, e, cuja data cairá numa quarta-feira, o que acarretará sensível diminuição nas demandas por serviços públicos, como frequentemente ocorre em datas entre feriados e descansos semanais; CONSIDERANDO, finalmente, que a medida não resultará em qualquer prejuízo para a Administração Pública Municipal ou para a sociedade, haja vista que os serviços públicos essenciais serão preservados; DECRETA Art. 1.º - Fica adiado o “Ponto Facultativo” alusivo ao Dia do Servidor Público, inclusive os do Quadro do Magistério Público do Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, de quarta-feira, dia 28 (vinte e oito), para sexta-feira, dia 30 (trinta) de outubro de 2015 (dois mil e quinze). Art. 2.º - Os Órgãos Públicos Municipais que prestam serviços essenciais funcionarão normalmente. 

RECADASTRAMENTO: SERVIDORES MUNICIPAIS
A Prefeitura Municipal está convocando todos os seus servidores para um recadastramento, no período de 3 a 30 de novembro, conforme expediente da SEGEST (Secretaria Municipal de Gestão), em atenção ao Decreto Municipal nº 206, de 19 de outubro de 2015. O recadastramento dos servidores, de que trata esta convocação será dividido por secretarias, ficando esclarecido que cada servidor deverá procurar perante a secretaria municipal ao qual se encontra lotado para efetuar o recadastramento ao qual está sendo convocado, estando ciente que não haverá dilação do prazo estabelecido para a realização do recadastramento. No ato do recadastramento o servidor deverá apresentar cópias dos documentos especificados no art. 3º, incisos I ao VII do Decreto nº 206, de 19 de outubro de 2015: I – Cédula de Identidade; II – Cartão de Inscrição no CPF/MF; III -Registro de Nascimento, se solteiro; IV -Certidão de Casamento, se casado; V – Certidão de Óbito do cônjuge, se viúvo; VI – Título de Eleitor; VII – Comprovante de Residência.
.

RECADASTRAMENTO: TAXISTAS

Através da Portaria N.º 005/2015, de 20.0.2015, o Poder Municipal deseja realizar um Recadastramento dos Taxistas do Município, e para tanto estabeleceu um novo prazo, considerando que o prazo anterior, prorrogado na Portaria 003/2015 não foi suficiente para o recadastro dos permissionários de vaga de TAXI. Assim o novo prazo passa a contar do dia 22, passado´, e por mais 20 dias úteis. A mesma Portaria estabelece em seu Art. 2.º - De acordo com o § 2.º do Art. 7.º que diz: A execução do serviço de taxi fica condicionada à vistoria anual dos veículos pela fiscalização da entidade gestora de transporte. Art. 3.º - Segundo o Art. 7.º § 4.º da Lei 3742 de 09 de setembro de 2010, a descontinuidade ou interrupção do serviço por mais de 90 (noventa) dias consecutivos, com a ausência do permissionário do seu posto de estacionamento, sem justificativa cabível, poderá acarretar declaração de caducidade, nos termos do art. 35, inciso III, e §§ seguintes da Lei 8.987/1995. Art. 4.º - Sendo assim ficam convocados os permissionários citados abaixo dentro do prazo de 20 (vinte) dias para comparecerem ao DEMUTRAN munidos de xerox do C.R.L.V (certificado de registro de licenciamento do veiculo); CNH (carteira nacional de habilitação); comprovante de residência; ISSQN e ALVARÁ (ambos 2015). O não comparecimento implicará em sansões impostas pela Lei 3.742/2010. Convém observar que a PMJN tem estabelecido atualmente exatos 61 POSTOS DE TAXIS pela cidade, e nestes estão vinculados exatos 105 TAXISTAS.