sábado, 17 de março de 2018

UM EPISÓDIO ÉPICO:
AS AVENTURAS DO BÁRBARO
CANGACEIRO ZÉ PINHEIRO
Francisco Fernandes do Nascimento

A história que eu vou contar, ouvi-a em menino, depois adolescente e agora já a caminho da maturidade. Ouvi-a dezenas, talvez centenas de vezes, e jamais perdeu o sabor de novidade, e os heróis que a viveram continuaram na admiração do menino, do rapaz e do homem feito. Ouvi-a de meu pai, aquele que nela foi, sem dúvida, uma das figuras mais salientes. É um capítulo à parte da história sangrenta que convulsionou o Ceará em 1914, quando o caudilhismo imperava no interior do Brasil com o beneplácito do próprio Governo central – uma revolução de sangue que custou muitas vidas, inclusive a de um oficial dos mais brilhantes e que tem hoje o seu nome numa das ruas de Fortaleza: J. da Penha. Não irei analisar as causas que determinaram a Rebelião de Juazeiro contra o General Franco Rabelo, então à frente do Governo do Ceará, após aquele oficial haver derrubado uma oligarquia de vários anos. Direi apenas, baseado nos fatos históricos, que o Padre Cícero, o levita cearense, para enfrentar o Governo que o hostilizava e contra o qual afinal se revoltou, viu-se obrigado a utilizar, para a formação do seu exército de jagunços, não só aqueles que lhe devotavam respeito e obediência cega, mas também os celerados que àquela época infestavam os sertões nordestinos. Vitoriosa a revolução, com a deposição do Presidente do Estado pelas forças dos jagunços dirigidas pelo médico Floro Bartolomeu da Costa, Secretário e homem de confiança do Padre Cícero, de cujo prestígio se valeu mais tarde para se eleger deputado federal pelo Ceará, e bem assim pelo Dr. José de Borba, constituinte de 1946, as hordas heterogêneas regressaram a Juazeiro. Os bem-intencionados ensarilhavam seus trabucos, guardaram os seus punhais e os substituíram pelo rosário. Os outros, os que saquearam durante a arrancada do fundo do sertão para o litoral, não fizeram o mesmo. Pretendiam continuar roubando, matando, transformando a cidadezinha pacata e ordeira no “far west” do tempo da corrida do ouro californiano.

UM HOMEM DE CORAGEM
Habituado à obediência absoluta do rebanho que dirigia com mansuetude e carinho paternal há quase meio século, o Padre Cícero viu periclitar sua autoridade no seio dos celerados desenfreados, que tinham como chefe Zé Pinheiro, o mais temível e desalmado bandoleiro alagoano, o qual, pela sua valentia, tivera parte saliente nos combates dos revoltosos contra as forças legais. Decidido, porém, a fazer com que voltasse o império da lei e da ordem à terra que fundara, o velho sacerdote escolheu para isto um homem da sua confiança, honesto e não menos corajoso, a quem nomeou Delegado de Polícia e de quem exigiu mão de ferro para a realização da obra de expurgo dos elementos indesejáveis. Quintino Feitosa aceitou o mandato que lhe outorgava o amigo e guia espiritual, muito embora soubesse das dificuldades que teria de arrostar, pondo em risco a própria vida. Não podia contar com a Polícia, necessitando, assim, recrutar homens de boa-vontade e valentia, entre uma minoria de honestos. Conseguiu menos de uma vintena (sua valente e fiel esposa, inclusive) para enfrentar uma horda de mais de mil. Meu pai figurava entre os nomes desses heróis, dos quais restam uns poucos, perdidos nesse mundo de Deus. Não contava mais de 17 anos e já possuía quase 3 anos da experiência amarga do uso do bacamarte e do rifle na luta contra os poderosos. Com 14 anos, apenas, com o pai e os irmãos, defendera o seu clã na Alagoa do Monteiro, Paraiba, ameaçada e, por fim, invadida pelos cangaceiros do Dr. Santa Cruz, poderoso caudilho dos sertões do Nordeste do começo do século. Perseguira Antônio Silvino, bandoleiro tão famoso quanto Lampião, e fora por fim parar em Juazeiro, atraído talvez pelo seu espírito de aventura e por saber também estar ali um parente precisando da sua coragem e da sua lealdade. A investidura de Quintino Feitosa foi assinalada por hostilidades e desacatos de Zé Pinheiro e seus apaniguados, que numa atitude acintosa à autoridade e ao Padre Cícero se tornaram mais ousados. Quintino, porém, não era homem para ser desmoralizado. Possuía uma tradição de valentia, herdada dos seus antepassados dos Cariris Velhos, Paraíba. Aos atos de desrespeito e provocação dos celerados, respondeu com medidas saneadoras e drásticas, recolhendo ao xadrez, aqueles em que podia deitar a mão.

DEZOITO CONTRA MAIS DE MIL
Animados pela vantagem numérica que possuíam sobre aqueles pouquíssimos mantenedores da lei, sabendo, por outro lado, que a própria Polícia estava do seu lado, Zé Pinheiro e seu bando resolveram levar a cabo uma façanha mais ousada. Atacaram a Coletoria Estadual, que tinha como Coletor o Coronel Francisco Neri da Costa Morato, cunhado de Quintino e do engenheiro Teógenes Rocha, que iria, mais tarde, dirigir a Rede Viação Cearense e, por fim, a Central do Brasil. A coragem do delegado e dos seus companheiros transformou, todavia, o ataque dos bandoleiros num enorme conflito, com ação em toda a cidade e a duração de nada menos de 23 horas. Durante um dia e uma noite o punhado de corajosos, que não chegava a uma vintena, enfrentou mais de mil inimigos. Os ataques se sucediam em cargas de bacamarte e rifle, primeiro contra o baluarte que foi a Coletoria, depois contra a casa de Quintino. Era uma luta desigual, que só o milagre da valentia mantinha acesa por tanto tempo.

OS NOMES DOS HEROIS
Eram sete, apenas, os defensores da Coletoria: Cícero Jose do Nascimento (meu pai), José Joaquim Grande (hoje oficial da Polícia Alagoana), seu irmão João Joaquim Grande (assassinado em 1915 na cidade de Missão Velha, Ceará, por mariano Delfino), Manuel Belarmino (falecido), Santo Catingueira (assassinado anos depois), João Germano, Mário I (assassinado em Pesqueira, Pernambuco). Defendiam a casa de Quintino nove homens e duas mulheres. Eis os nomes desses valentes, que escreveram a mais bela e eloquente página de coragem de que há exemplo: João Batista, Antônio Romeiro I, Miguel Marinho, Antônio Romeiro II, Velho Martins, Leobardo de tal, Mário II (que doente de varíola lutou como um bravo), Luís Batista, Quintino Feitosa, sua esposa Agostinha da Costa Morato Feitosa e Petronília, filha adotiva do casal.

O ATAQUE
O ataque começou na Coletoria, às últimas horas de um dia de feira. Eram ondas sucessivas, os bandoleiros investiram com fúria sobre o reduto; recuavam ante a reação tremenda dos seus defensores, para depois avançarem novamente, num vaivém infernal, ajudados, também, pelo Polícia, que veio engrossar o seu contingente. Tomando conhecimento de que a Coletoria estava na iminência de cair em poder de Zé Pinheiro e do seu grupo, levados sem dúvida pela possibilidade de saques, Quintino enviou para ali alguns dos seus homens, desfalcando, assim, o seu já minguado elemento humano. Compreendendo o que se passava, os atacantes ampliaram o campo de luta, com uma investida furiosa de um grupo numerosíssimo contra a residência do delegado Quintino, as duas mulheres e os sete companheiros lutavam como feras. Os atiradores corriam de um canto para outro, fazendo fogo contra os inimigos, para dar-lhes, assim, a ilusão de que muitos eram os que lhes ofereciam combate.

CAI O PRIMEIRO BALUARTE
A fuzilaria de prolongou pelo resto da tarde, durou toda a noite e grande parte do dia seguinte. As primeiras horas da noite do primeiro dia, caiu a Coletoria Estadual. Os sete homens que defendiam há várias horas compreenderam que seria suicídio continuar lutando. Mas, não queriam, por outro lado, entregar-se inermes aos seus inimigos. Concentraram, então, seus fogos contra os sitiantes que já ameaçavam invadir o prédio, saltaram, no meio da rua, os rifles, matraqueando. Foi um golpe que pegou de surpresa os bandoleiros. A indecisão destes, que durou apenas alguns segundos, valeu-lhes, porém, a vida. A casa do Padre Cícero estava localizada perto. Puderam alcançá-la e foram recolhidos, com exceção do meu pai, que ao chegar ali já encontrou as portas cerradas. Revoltados com o logro em que caíram, Zé Pinheiro e seus asseclas concentraram todo o seu ódio contra aquele que não pudera penetrar no abrigo seguro do padre e o cobriram com uma chuva de balas. Meu pai sobreviveu, porém, ao ódio dos cangaceiros. Logrou, felizmente, atingir a Boca das Cobras, escondendo-se no meio do mato. Morto de fome, sede e cansaço, rumou dali, protegido pela escuridão da noite, para a casa de Quintino, nas Malvas, orientado pelo ruído da fuzilaria. Na manhã seguinte também ali chegavam os seus bravos companheiros que haviam passado a noite na residência do Padre Cícero. 

A MORTE DE QUINTINO
18 eram agora os defensores da casa de Quintino, para lutarem contra mais de mil. Por volta das 15 horas recrudesceu o ataque. Sitiados por um bando cada vez mais impetuoso e feroz, permanecia, no entanto, o punhado de bravos com o moral alevantado, até que tombou o seu querido e valoroso chefe, atingido por uma bala inimiga. Morto Quintino, acabrunhados e sem ânimo, os seus companheiros se reuniram numa assembleia de alguns segundos em torno do cadáver e sob o fogo da artilharia dos atacantes. Decidiram fazer a retirada. D. Agostinha tomou o rifle do companheiro leal, arrastou pelo braço o filho moribundo e deu início à retirada heroica. A arma, que momentos antes vomitara fogo nas mãos de Quintino, não silenciou em poder de sua esposa. À proporção que se afastava da casa onde deixara o marido, a nobre senhora, juntamente com os companheiros do corajoso e malogrado delegado, atirava incessantemente contra os bandoleiros. Pouco adiante, completada a retirada, na qual não se verificou uma única baixa, os heróis se dispersaram. D. Agostinha escondeu-se no mato durante o resto da tarde e à noite estava de volta à casa do padre Cícero, levando nos braços o filho morto. Os demais foram homiziar-se na residência de Senhor Dantas, rico proprietário do município de Missão Velha.

FESTA DE BARBAROS
À dor de D. Agostinha, ao perder o esposo e o filho, veio juntar-se outra: a de saber que fora violado o cadáver de Quintino. Foi um ato de selvageria inominável, que encheu da mais justa revolta o Padre Cícero, fazendo-o sair de sua casa para recriminar o seu autor. O atentado verificou-se minutos após os 17 combatentes abandonarem a residência de Quintino, no interior da qual deixaram o seu corpo inerte. À frente dos seus asseclas, Zé Pinheiro invadiu a casa guardada apenas pelo cadáver ainda quente, e, em meio a esgares de ódio e de triunfo da turba desenfreada e assassina, Zé Pinheiro sacou uma enorme e afiada faca e de um golpe certeiro arrancou o lábio superior do seu inimigo morto, carregando em triunfo o troféu macabro e sangrento. Na primeira venda que encontrou no seu caminho, mandou que lhe servissem cachaça. Posta a bebida sobre o balcão sujo, Zé Pinheiro introduziu no copo o lábio ensanguentado que ele arrancara ao cadáver e, em seguida, sorveu, de um trago, a aguardente de mistura com o sangue de sua vítima. Risos alvares e selvagens acompanharam a cena que iria se repetir por várias vezes, num festim macabro. Minutos depois, o Padre Cícero vinha a ter conhecimento do que se passava. Tomado de incontida revolta, o velhinho alquebrado e manso pediu que o levassem a ter com Zé Pinheiro. Sua presença foi o bastante para pôr fim à bacanal de sangue e de álcool. Embora bêbados, os bandidos estacaram. O sacerdote marchou em direção a Zé Pinheiro e exprobou o seu crime, dizendo-lhe, de maneira que não deixava dúvidas, que para ele não havia mais lugar em Juazeiro. Acovardados, os celerados se retiraram cabisbaixos, batidos pela força que, de repente, transfigurara num gigante e mirrado e doce asceta. Zé Pinheiro não ousou desobedecer à ordem do Padre Cícero. Viajou para Alagoas, onde veio a ter um fim perverso e trágico. Eis como Xavier de Oliveira, no livro “Beatos e Cangaceiros” se refere à morte do desalmado bandido: “Nas Alagoas, alguns meses depois, uma mulher terrível mandou Zé Pinheiro buscar a orelha de uma amante de seu marido. Mas, ao invés de uma, dentro em pouco ele entregou-lhe duas!... Num engenho de açúcar, em Água branca, naquele Estado, ele estava depois do crime. Uns cabras, seus patrícios, o cercaram e, pegando-o de jeito, prostraram-no por terra, ferido mortalmente. E cumprindo ordens... começaram logo a tirar-lhe o couro. Depois de esfolado, esquartejaram-no e, como de praxe, ali, meteram-no, a seguir, numa fornalha... Quintino, cuja língua quis ele comer com aguardente, estava vingado... Findou assim esfolado, esquartejado e queimado o maior bandido dos sertões do Nordeste.”

(Fonte:

GUERRA AO PADRE CÍCERO
Vasculhando em antigos jornais, eis o que encontro no velho A LANTERNA, Rio de Janeiro, 30.10.1916, no seu serviço noticioso do Estado da Paraíba: uma circular de Dom Moysés Coelho, bispo de Cajazeiras, a seu clero, recomendando-lhe coisas verdadeira e sensatamente truculentas contra o famoso padre Cícero Romão Baptista, de Joazeiro, no Ceará. O caso é interessante. A quantidade de afilhados (sim, senhores, afilhados, simplesmente) que o velho padre Cícero tem pelos sertões é alarmante. Sucede que o padre não pode ir servir de padrinho por toda a parte. Esse inconveniente é obviado por um expediente muito simples: o futuro padrinho distribui por aqueles sertões procurações a granel para que outros sirvam de padrinho em nome deles. O bispo de Cajazeiras então avisou ao clero de que, de acordo lá com umas tantas leis canônicas, o padre Cícero não podia ser padrinho de criança nenhuma naquele bispado. Por que? Por isso, como diz o prelado: “Cumpre dar combate ao funesto fanatismo de Joazeiro, que será naturalmente fomentado, se tolerada for a praxe de admitir como padrinho o padre Cícero, que se faz representar nessas abusivas procurações.” Mais abaixo recomenda o mesmo bispo a seus padres que “por ocasião de batizar, se recusem, quanto possível for, a aceitar o nome de Cícero se, após minuciosas informações perceberem que a única razão de porém às crianças esse nome, seja a fanática devoção ou a supersticiosa simpatia à pessoa do padre Cícero.” Está bem visto que, se os padres de Cajazeiras tomarem a peito cumprir rigorosamente este último dispositivo do mandamento episcopal, não haverá d'agora em diante nem mais um Cícero; porque o caboclo do sertão quando deseja que seu filho se chame Cícero, com certeza não é em homenagem ao inimigo de Catilina, mas pura e simplesmente por “devoção supersticiosa” ao padre cearense, o único Cícero de que eles tem notícia... Meu velho Renan, como eu lamento que não existas hoje, para vires ao Brasil, como Anatole France, Ferri e tantos outros. Disseste uma vez que, se pudesses, se fosses rico, quisera fazer uma experiência de “origem de uma religião” no Oriente. Ora, aqui no Brasil podias ver essa “experiência” sem grande despesas. Bastava ir ao norte do país. O padre Cícero é desses tipos que outrora subiam aos altares; e o povo que o cerca tem a espessura de superstição e ignorância suficiente para ser um “núcleo de religião” que vingaria, se os nossos tempos não fossem tão desgraçadamente pragmáticos... (Fonte: Jornal)
IMAGENS ESQUECIDAS (IV)
José Américo de Almeida nasceu no engenho Olho d'Água, município de Areias, Paraíba, no dia 10 de janeiro de 1887. Filho de Inácio Augusto de Almeida e de Josefa Leopoldina Leal de Almeida. Estudou no Seminário de João Pessoa e no Liceu Paraibano. Mudou-se para o Recife, onde ingressou na Faculdade de Direito, concluindo o curso em 1908. Exerceu a magistratura, foi promotor da comarca do Recife e da comarca de Sousa, na Paraíba. Em 1911 foi nomeado Procurador do Estado. Em 1928 publicou "A Bagaceira", romance que provocou entusiasmo na crítica e o tornou nacionalmente conhecido, dando início à “Geração Regionalista do Nordeste”. José Américo de Almeida dedicou-se à política, foi governador da Paraíba. Durante seu mandato fundou a Universidade Federal da Paraíba, sendo nomeado seu primeiro reitor. Entre 1930 e 1934, no governo de Getúlio Vargas, foi nomeado Ministro da Viação e Obras Públicas. Foi nessa condição que visitou Padre Cícero Romão Baptista em sua residência em Juazeiro do Norte, em março de 1933.

IMAGENS ESQUECIDAS (V)
Laurindo de Azevedo Ramos formou-se como escultor na Escola Nacional de Belas Artes. Foi autor de muitos monumentos e estátuas pelo Brasil, como no Rio de Janeiro, Niterói e nos Estados de Alagoas e Ceará. No Rio de Janeiro, referimo-nos na coluna passada, mostrando o túmulo de Floro Bartholomeu da Costa (1926). Em Juazeiro do Norte está a estátua em bronze, na Praça Pe. Cícero (1923). Também era arquiteto, formado pela antiga Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Exerceu também atividade de magistério como professor de moldagem da Escola Normal do Estado do Rio de Janeiro e professor de desenho numa escola de ensino técnico no Rio de Janeiro. Também bacharelou-se em Direito e era membro da Academia Fluminense de Letras. Participou de muitas exposições, destacando-se nas denominadas Exposição Geral de Belas Artes no Rio de Janeiro, nos anos, 1913, 1914, 1916, 1918, 1919, 1920, 192’1, 1922, 1924 (Medalha de Bronze), 1925 (Medalha de Prata), 1926, 1928 e 1931 e 1933 (Medalha de Ouro), premiações essas conferidas pelo Conselho Superior de Belas Artes. faleceu no Rio de Janeiro em 12.08.1959. Na foto acima, o escultor está com a estátua do Pe. Cícero, em seu atelier, dando retoques, antes de a mesma ser remetida para Juazeiro.
IMAGENS ESQUECIDAS (VI)
Na passagem de Lampião por Juazeiro do Norte, em 1926, foram tiradas várias fotografias da família. Na célebre foto da família reunida (que é vista acima), vemos na extrema esquerda sentado, Antônio Ferreira e na extrema direita, Lampião; a segunda sentada da direita para a esquerda é Dona Mocinha (tendo seu marido, Pedro Queiroz, atrás de si); ao lado direito de Pedro está João Ferreira; do lado esquerdo de João está Ezequiel (que depois entraria para o cangaço com o vulgo de Pente Fino); e, finalmente, o segundo da direita para a esquerda, em pé, é Virgínio (seria o futuro cangaceiro Moderno, chefe de grupo), casado com uma irmã de Lampião, que logo morreria de parto em Juazeiro. Na ocasião da foto, Dona Mocinha (Maria Ferreira de Queiroz) estava recém-casada com Pedro e, em entrevistas, ela sempre externou a enorme benevolência do Padre Cícero, e que todos da família se sentiam seguros em Juazeiro. . Foto em Juazeiro, em março de 1926, realizada por Lauro Cabral de Oliveira. (Publicada na Revista O Cruzeiro, 03.10.1953)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI
CINE GOURMET (FJN, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) agora também está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri. As sessões são programadas para as terças feiras, de 13:30 às 15:30h, no Laboratório de Informática do Bloco I, na Rua São Francisco, 1224, Bairro São Miguel, dentro do seu Projeto de Extensão denominado Cine Gourmet, sob a curadoria de Renato Casimiro. Informações pelo telefone: 99794.1113. No próximo dia 20, terça feira, estará em cartaz, o filme RATATOUILLE (Ratatouille, EUA, 2007, 110 min). Direção de Brad Bird. Sinopse:Paris. Remy (Patton Oswalt) é um rato que sonha se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a idéia, além do fato de que, por ser um rato, ele sempre é expulso das cozinhas que visita. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau (Brad Garrett). Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Remy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar.

CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na quintas feira, dia 22, às 19:30 horas, dentro da Mostra CINEMA DE ARTE, o filme A CANÇÃO DA ESTRADA (Pather panchali, Índia, 1955, 125 min). Direção de . Sinopse: Em um pequeno vilarejo em Bengala, Apu (Subir Bannerjee) é um menino que vive em uma família bem pobre, junto com a irmã Durga, os pais, e a velha tia. A vida da família é permeada de sofrimentos, eles mal têm dinheiro para comer e Durga (Uma Das Gupta) costuma roubar algumas coisas do vizinho rico. O pai viaja para um novo emprego, o que traz esperança à família, mas quando ele volta cheio de presentes Durga morreu de pneumonia, pouco depois da tia também ter morrido.

CINE CAFÉ VOLANTE (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café Volante, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 23, sexta feira, às 15:20 horas, o filme OS PÁSSAROS (Birds, EUA, 1963, 120 min.). Direção de Alfred Hitchcock. Sinopse: Melanie Daniels (Tippi Hedren) é uma bela e rica socialite que sempre vai atrás do que quer. Um dia ela conhece o advogado Mitch - Brenner (Rod Taylor) em um pet shop e fica interessada nele. Após o encontro, ela decide procurá-lo em sua cidade. Ela dirige por uma hora até a pacata cidade de Bodega Bay, na Califórnia, onde Mitch - costuma passar os finais de semana. Entretanto, Melaine só não sabia que iria vivenciar algo assustador: milhares de pássaros se instalaram na localidade e começam a atacar as pessoas.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na sexta feira, dia 23, às 19:30 horas, dentro da Mostra LANÇAMENTOS, o filme LIGA DA JUSTIÇA (Justice league, EUA, 2017, 120min). Direção de Zack Snyder. Sinopse: Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot) para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes: Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) - poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 24, sábado, às 17:30 horas, o filme UM SONHO SEM LIMITES (To die for, EUA, 1995, 106 min.). Direção de Gus van Sant. Sinopse: Suzanne Stone é uma jovem do interior que tenta a sorte na cidade grande. Ela trabalha como repórter na TV, onde compensa seu limitado talento com muita sujeira, sexo e até mesmo mortes para se manter lá em cima.
COMENDA MEMÓRIAS DE JUAZEIRO
SEMANA DO PADRE CÍCERO, 2018
A direção da Fundação Memorial Padre Cícero nos remeteu a programação definitiva da Semana do Padre Cícero, 2018. Na coluna passada havíamos publicado apenas o evento ali inserido, SEMINÁRIO LIRA NORDESTINA: DIAGNÓSTICOS E ATUALIZAÇÕES. Houve pequena alteração nessa programação e resolvemos republicar a matéria com os reparos informados, como abaixo.

PROGRAMAÇÃO SEMANA PADRE CÍCERO 2018
SECULT / Fundação Memorial Padre Cícero
FEIRA DE ARTESANATO (20 a 23 de março)
Os artistas do Centro de Artesanato Mestre Noza e da Lira Nordestina estarão expondo e vendendo seus produtos na Fundação Memorial Padre Cícero, no horário de funcionamento da instituição, de 7h30 às 17h30. 
VISITA MEDIADA À EXPOSIÇÃO “PADRE AZARIAS SOBREIRA: O PADIM DE MEU PADIM” (20 a 23 de março)
Às 11h, para os interessados em conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra de um dos grandes defensores do Padre Cícero Romão Batista.
II MOSTRA LUZ DAS ARTES (20 e 21 de março)
Mostra de filmes e documentários com o objetivo de suscitar a reflexão sobre temas relacionados à história do Cariri e divulgar as produções audiovisuais nacionais e do próprio Ceará. Nessa segunda edição, o público alvo são estudantes do ensino médio, da rede pública e particular de Fortaleza, embora as sessões estejam abertas a todos os interessados. Serão sessões gratuitas, mediadas por professores e cineastas de algumas das produções que serão exibidas.
Dia 20/3 (manhã)
8h30. Mesa de abertura oficial da Semana Padre Cícero. Participantes: Prefeito José Arnon, Secretários (Cultura; Turismo e Romaria; Esportes etc), Parceiros (Padre Cícero, SESC etc).
9h. Apresentação da Campanha de Registro dos Lugares Sagrados de Juazeiro do Norte. Parceria Prefeitura Municipal e IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
9h30. Banda Cabaçal São João Batista
10h. Exibição dos documentários: Candeias; O Pau da Bandeira (Augusto Pessoa). Debatedor: Augusto Pessoa
Dia 20/3 (tarde)
14h. Documentários: Natal Popular – Cariri: mito, história e profecia (I, II e III). Rosemberg Cariri e Oswald Barroso.
Debatedor: Renato Dantas
Dia 21/3 (manhã)
8h30. Filme: O milagre em Juazeiro. Debatedora: Fátima Pinho
Dia 21/3 (tarde)
14h. Documentários: Lampião (Ythallo Rodrigues); Cerca (Glauco Vieira); Catadores de piqui (Nívea Uchôa).
Debatedores: Ythallo Rodrigues, Glauco Vieira e Nívea Uchoa.
SEMINÁRIO LIRA NORDESTINA: DIAGNÓSTICOS E ATUALIZAÇÕES (22 DE MARÇO).
A Lira Nordestina, assim batizada pelo poeta Patativa do Assaré, era a antiga Tipografia São Francisco, criada na década de 1930, em Juazeiro do Norte, por José Bernardo da Silva. Alcançou, nos anos 1950, a posição de maior folheteria do país, com títulos considerados clássicos da literatura de cordel. Com o desenvolvimento das tecnologias de impressão e a morte de José Bernardo, a Tipografia entrou em decadência. Em 1982, seu acervo e equipamentos foram adquiridos pelo Governo do Ceará. Hoje, a Universidade Regional do Cariri – URCA, responde por sua administração, que atualmente está no prédio do Vapt Vupt. Não funciona mais como editora, mas tornou-se ponto de encontro e divulgação dos artistas do Cariri, em especial os xilógrafos. No entanto, durante os últimos anos de sua trajetória, a Lira Nordestina tem enfrentado várias dificuldades, sobretudo no que diz respeito a sua sustentabilidade e as condições do mercado de trabalho para os envolvidos nas artes do cordel e da xilogravura. Por essa razão, a URCA, em parceria com a Secretaria de Cultura do Juazeiro do Norte, vem propor o Seminário “Lira Nordestina, diagnósticos e atualizações”, a fim de enfrentar essa atual situação a partir das reflexões de pesquisadores, artistas locais, representantes do poder público (municipal e estadual) e do Sebrae, para encaminhar ações que tragam resultados positivos para a reestruturação desse representativo patrimônio cultural do Cariri. 
Dia 22/3 (manhã)
8h30 - Mesa de abertura: Prof. Patrício Melo (Reitor da URCA); Fabiano dos Santos (Secretário da Cultura do Estado); Arnon Bezerra (Prefeito de Juazeiro do Norte); Renato Fernandes (Secretário da Cultura de Juazeiro do Norte); Júnior Feitosa (Secretaria de Turismo e Romaria de Juazeiro do Norte), Joaquim Cartaxo Filho (SEBRAE); José Lourenço (AXARCA - Associação dos Xilógrafos e Artesãos do Cariri).
9h. Grupo de Incelenças de Juazeiro do Norte
9h30 – Palestra. Os caminhos do cordel em Juazeiro do Norte numa perspectiva histórica. Palestrante: Rosilene Melo.
10h30 - Intervalo
11h - Lira Nordestina hoje: diagnósticos e atualizações. Palestrante: Renato Dantas; Abraão Batista. Mediadora: Rosário Lustosa.
Dia 22/3 (tarde)
14h - Mesa redonda. Percursos da xilogravura de Juazeiro do Norte: de arte utilitária à “relíquia” de museu. Palestrantes: Geová Sobreira; Sandra Nancy Freire; Stênio Diniz. Mediador: Renato Casimiro.
15h30 - Reisado Menino Deus João Cabral
16h - Intervalo
16h30. Lira Nordestina: rumos e perspectivas. Palestrantes: Prof. Patrício Melo (Reitor da URCA); Fabiano dos Santos (Secretário da Cultura do Estado); Arnon Bezerra (Prefeito de Juazeiro do Norte) e Joaquim Cartaxo Filho (SEBRAE); José Lourenço (AXARCA). Mediadora: Arlene Pessoa (Pró-Reitora de Extensão URCA).
17h30 - Leitura do Documento: Carta de Pactuação em prol da Lira Nordestina.

SEMANA DO PADRE CÍCERO: II LUZ DAS ARTES
Pela segunda vez, a Fundação Memorial Padre Cícero estará realizando dentro da Semana do Padre Cícero, nos dias 20 e 21 de Março, nos horários de 8:30h e 14:00, seguido de debates, a II Mostra de Cinema “LUZ DAS ARTES”. Serão exibidos os seguintes filmes:

CANDEIAS (2016): Curta metragem. Direção de Reginaldo Farias e Ythallo Rodrigues, Produção de O Berro Filmes. “Realizado durante a Romaria de Nossa Senhora das Candeias, em fevereiro de 2016, e apresenta um olhar voltado para uma das mais belas expressões da religiosidade popular do Cariri, a “Procissão das Velas”, que ocorre em Juazeiro do Norte, sempre no dia 2 de fevereiro. O filme foi produzido com recursos do Fundo Estadual de Cultura, através do XI Edital de Cinema e Vídeo (2014) da SECULT-CE.”
PAU DA BANDEIRA (2012): Curta metragem. Realizado pelo fotógrafo Augusto Pessoa e Felipe Wenceslau, para o registro documental de um dos maiores eventos culturais do Cariri, envolvendo manifestações de grupos folclóricos e sua diversidade cultural. Filme participante e premiado em diversos festivais no Brasil e França.
MILAGRE EM JUAZEIRO (1999): Realização e Direção de Wolney Oliveira. A fervorosa religião do Nordeste e o culto à figura do célebre padre Cícero, na cidade Juazeiro do Norte, um filme parte documentário e parte ficção, alternando depoimentos de fiéis, padres e célebres figuras do Brasil e cenas que reconstituem a vida e a obra religiosa do padre Cícero, principalmente em relação a um famoso milagre atribuído ao padre, datado do ano de 1889.
CATADORES DE PEQUI (2008): Documentário de curta metragem produzido por Nívea Uchôa na cidade de jardim, CE, na Chapada do Araripe, focando o cotidiano dos catadores no período da colheita, durante seis meses.
Além dos mencionados também estarão sendo mostrados os filmes LAMPIÃO, CERCA e NATAL POPULAR.

sábado, 10 de março de 2018

LOURIVAL MARQUES
Por Dário Maia Coimbra
É grande o número de juazeirenses que deixam o torrão natal e se desligam da terra que lhes serviu de berço. Pretendemos inclusive escrever um opúsculo a respeito. Enquanto não chega esse novo trabalho, vamos colocando nosso conterrâneo ao alcance do nosso povo. O 1º, escolhemos Lourival Marques. Homem esquisitão. Conhecemo-lo bastante através do mano Mascote, com quem Lourival teve ligação. Era de uma criatividade incomparável. Sempre teve tendências para a radiofonia. Representante comercial, levou o nome de Juazeiro ao sul do País através das vendas que aqui realizava. Fã da 7ª. Arte, criou um concurso por intermédio de figurinhas de artistas de cinema. Um concurso que alcançou sucesso. À proporção que ia logrando êxito em suas representações, divulgava os produtos no velho e querido C.R.P. E nasceu-lhe a idéia de arrendar um horário só para os seus representados. Alcançou sucesso na empreitada. Um predestinado para a radiofonia, terminou obtendo a direção do respeitado serviço de alto-falantes. Aí foi aquele sucesso! Criou diversos programas entre as eles Teatro pelo Microfone, com a participação de pessoas da elite, dentre as quais Neli Sobreira, Valdeci Brás, Neli Pereira, sua futura esposa Luci Landim e outras; Galo Duro era um programa instrutivo de perguntas e respostas. Recordamos que um deles foi abiscoitado pelo saudoso irmão José (um Coimbra que foi pouco conhecido em Juazeiro); Carta Enigmática Sonora. Neste programa era escrita uma carta com espaços para serem preenchidos com músicas; Hora Infantil, levado ao ar nas tardes-noites dos domingos (levei inclusive um gongo em um deles); Música do Ouvinte com as pessoas participando, historiando um pouco sobre a melodia, o cantor e os compositores. Outros programas de real valor foram criados por este homem que fez do radiojornalismo sua maior paixão. Não fez mais no C.R.P., porque foi “avistado” pelos homens da capital. E lá se foi esse titã da radiofonia brasileira. A Ceará Rádio Clube, foi a 1ª. Emissora. Pertencia aos Diários e Rádios Associados, sendo a “dona da bola” no setor radiofônico cearense. Dali, Lourival rumou para São Luiz a serviço da empresa, para soerguer a Rádio Timbira. E o fez. De São Luiz, o “monstro-sagrado” do rádio nordestino foi levado para o Rio de Janeiro, então capital brasileira. Sua 1ª. emissora em terras Cariocas foi a Mayrink Veiga onde passou pouco tempo porque ingressou na Rádio Nacional, a emissora de maior acatamento no território brasileiro. Não ficou como simples locutor. Cresceu rapidamente. Passou a produzir novelas, trabalhos educativos e uma série de criações que revolucionaram o sem fio do país. Quem tiver boa memória deve lembrar-se de Três Homens Sem Medo, Os Irmãos Coragem e outras novelas, tendo sido aplaudido pelas mais destacadas autoridades radiofônicas. Seu programa A Canção da Lembrança foi outro sucesso. Mas, ao nosso entender, a maior produção desse juazeirense foi Seu Criado, Obrigado. Este programa se constituia em responder a tudo e a todos sobre todo e qualquer assunto. Valeu-lhe inclusive uma reportagem da então Revista do Rádio, que filmou seu local de trabalho, publicando com rasgados elogios. Na reportagem estavam suas máquinas de escrever, (5 eletricas) e uma biblioteca de fazer inveja a similares existentes no mundo afora. Recordamos que a revista entre outras citações, disse Lourival Marques, é um Cabeça Chata, que dá lição de tudo a todo mundo. Esteve nos Estados Unidos a serviço e não a passeio. Ali, aprendeu e ensinou. E no fecho culminante de sua brilhante carreira, chegou a Diretor Artístico da Rádio Nacional. Tive oportunidade de visitá-lo na emissora quando me apresentou a alguns astros, entre os quais Ataulfo Alves (nunca vi tanta elegância num trajar de um homem como o grande compositor e intérprete). Lourival veio a Juazeiro poucas vezes visitar seus familiares: a mãe Conceição e as irmãs Maria Alice e Iraci, bem como alguns amigos. Não aceitou em nenhuma das suas estadas em sua cidade natal qualquer homenagem. Não era pose, era o seu modo de viver. Há muito o que dizer sobre Lourival Marques. Vamos pesquisar para trazer à lume outras atividades deste conterrâneo que se não promoveu Juazeiro, nunca porém negou suas origens, como já fizeram alguns dos nossos artistas que já foram expressivos (ou não são) como o nosso focalizado. Um fato que merece citação. Em 1944 ajudou um pouco ao mano Mascote na edição do jornal O Centenário, do qual guardo com muito carinho um exemplar. Devemos também lembrar que Lourival levou o saudoso Coelho Alves para estagiar na Rádio Nacional. Como era de esperar, Coelho aprovou, mas a saudade dos familiares e amigos o fez retornar. É bom a gente abrir um parênteses, para dizer que o mesmo não foi o 1º locutor da heróica amplificadora. O 1º foi Anísio Gabriel Fares (que faleceu muito novo). Era casado com essa criatura que todo Juazeiro do passado conhece por ser senhora de raros predicados, inclusive pertencente a família Almeida e Menezes. Falamos de Cilinha Almeida. Feita esta explicação, voltamos a Lourival radiofônico, onde seu diapasão de voz, sua versatilidade na elaboração de programas e sua organização, fizeram-no o mais laureado homem do rádio de Juazeiro, e uma das maiores estrelas em âmbito nacional. Devemos também fazer menção honrosa ao seu pai, Sebastião Marques, que deixou seu nome ligado à imprensa local, inclusive já passou o tempo de os dois serem homenageados pelos poderes públicos. Nasceu em 05.11.1915. Morreu no Rio de Janeiro em 30.04.1990. (Foto: Revista do Rádio, Rio de Janeiro)

NOVO CENTRO CULTURAL

O Secretário interino de Cultura de Juazeiro do Norte, Renato Fernandes, participou de reunião com representantes da extinta Rede Ferroviária Federal (Rffsa) para tratar sobre a implantação de um Centro Cultural na antiga estação de Juazeiro do Norte, localizada no Bairro Franciscanos. Participaram da reunião Marcos Cabeleira, presidente do Sindicato da Rffsa e Hamilton Pereira, engenheiro aposentado da antiga estatal e memorialista dos tempos áureos em que o trem de cargas e passageiros ligava a Região do Cariri até a cidade de Fortaleza. No encontro, ocorrido em Fortaleza nos dias 27 e 28 de fevereiro, Renato Fernandes apresentou o projeto da criação do espaço onde funcionarão galerias e oficinas de artes. Ainda faz parte do plano, a criação do Museu do Trem, que será um espaço de exposição permanente que contará a história da estação ferroviária, inaugurada pelo Padre Cícero em 1926. O Secretário destaca que tanto Hamilton Pereira, como Marcos Cabelera tem contribuído substancialmente para o desenvolvimento desse projeto, pois conhecem bem a trajetória da antiga rede ferroviária, principalmente no Ceará. “Eles têm nos auxiliado bastante, apresentando histórias, e trazendo orientações pertinentes”. Prédio passará por restauração arquitetônica O prédio, que pertence à Prefeitura de Juazeiro do Norte, desde o ano passado vem passando por avaliações da equipe técnica da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), com acompanhamento da Secult. A ideia é realizar uma restauração arquitetônica da edificação, resgatando e preservando aspectos originais desde a sua inauguração. O próximo passo a ser dado pela Secult para a implantação do Centro Cultural é pleitear junto ao Metrô de Fortaleza (Metrofor) e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a doação de vagões e locomotivas antigas. Os equipamentos farão parte do projeto arquitetônico e neles serão instalados bares, cafés e espaço para a realização de atividades artísticas e culturais como oficinas e exposições. (Foto: Diário do Nordeste, Fortaleza-CE, )



LIRA NORDESTINA
Em um único dia de trabalho, a Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte e a Fundação Memorial Padre Cícero está programando o evento LIRA NORDESTINA: DIAGNÓSTICOS E ATUALIZAÇÕES, que deve cumprir a seguinte pauta:
DIA 22/3 (MANHÃ)
9H - MESA DE ABERTURA:
Prof. Patrício Melo (Reitor da URCA); Fabiano dos Santos (Secretário da Cultura do Estado); Arnon Bezerra (Prefeito de Juazeiro do Norte); Renato Fernandes (Secretário da Cultura de Juazeiro do Norte); Júnior Feitosa (Secretaria de Turismo e Romaria
de Juazeiro do Norte), Joaquim Cartaxo Filho (SEBRAE), José Lourenço (AXARCA - Associação dos Xilógrafos e Artesãos do Cariri).
9H30 – PALESTRA:
Os caminhos do cordel em Juazeiro do Norte numa perspectiva histórica.
Palestrante: Rosilene Melo.
10H30 - INTERVALO
11H - LIRA NORDESTINA HOJE: DIAGNÓSTICOS E ATUALIZAÇÕES.
Palestrante: Renato Dantas.
DIA 22/03 (TARDE)
14H - MESA REDONDA:
Percursos da xilogravura de Juazeiro do Norte: de arte utilitária à “relíquia” de museu.
Palestrantes: Geová Sobreira; Sandra Nancy Freire; José Lourenço.
Mediador: Renato Casimiro.
15H30 - INTERVALO
16H - LIRA NORDESTINA: RUMOS E PERSPECTIVAS.
Palestrantes: Prof. Patrício Melo (Reitor da URCA); Fabiano dos Santos (Secretário da Cultura do Estado); Arnon Bezerra (Prefeito de Juazeiro do Norte) e Joaquim Cartaxo Filho (SEBRAE); José Lourenço (AXARCA).
Mediadora: Arlene Pessoa (Pró-Reitora de Extensão URCA).
17H - LEITURA DO DOCUMENTO:
CARTA DE PACTUAÇÃO EM PROL DA LIRA NORDESTINA.
(Foto: Diário do Nordeste, Fortaleza-CE, )

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE GOURMET (FJN, JUAZEIRO DO NORTE) A Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) agora também está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri. As sessões são programadas para as terças feiras, duas vezes ao mês, de 15:00 às 17:00h, no Auditório do Bloco I, na Rua São Francisco, 1224, Bairro São Miguel, dentro do seu Projeto de Extensão denominado Cine Gourmet, sob a curadoria de Renato Casimiro. Informações pelo telefone: 99794.1113. No próximo dia 13, terça feira, estará em cartaz, o filme A 100 PASSOS DE UM SONHO.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na quintas feira, dia 15, às 19:30 horas, dentro da Mostra GRANDES FAROESTES, o filme RIO DAS ALMAS PERDIDAS (River of No Return, EUA, 1954, 91 min). Direção de Otto Preminger. Sinopse: Em 1875, durante a corrida do ouro nos Estados Unidos, Matt Calder (Robert Mitchum), um ex-presidiário que recentemente saiu da cadeia, reencontra Mark Calder (Tommy Retting), seu jovem filho que nada sabe do seu passado. Com ele planeja se estabelecer como fazendeiro. Algum tempo depois os dois socorrem Kay Weston (Marilyn Monroe), uma cantora de saloon que conheciam, e Harry Westo (Rory Calhoun), seu namorado, quando tentavam atravessar um perigoso rio em uma balsa. Mas Harry está tão ansioso em registrar uma concessão de ouro que ele diz que ganhou em um jogo que fere Matt, que o salvou, pois quer um cavalo e uma arma a qualquer custo. Kay fica então no rancho cuidando de Matt e Mark, enquanto Harry vai embora sozinho, mas prometendo voltar. Entretanto, os índios chegam no local e os três são obrigados a fugir por um rio com perigosas corredeiras. Mas o rancheiro está determinado em chegar ao seu destino, para se vingar.
CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 16, sexta feira, às 19 horas, o filme PSICOSE ((Psycho. EUA, 1960, 109 min.). Direção de Alfred Hitchcock. Sinopse: Marion Crane é uma secretária (Janet Leigh) que rouba 40 mil dólares da imobiliária onde trabalha para se casar e começar uma nova vida. Durante a fuga a carro, ela enfrenta uma forte tempestade, erra o caminho e chega em um velho hotel. O estabelecimento é administrado por um sujeito atencioso chamado Norman Bates (Anthony Perkins), que nutre um forte respeito e temor por sua mãe. Marion decide passar a noite no local, sem saber o perigo que a cerca.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na sexta feira, dia 16, às 19:30 horas, dentro da Mostra FILMES INESQUECÍVEIS, o filme PAPILLON (Papillon, EUA, 1973, 150min). Direção de Franklin J. Schaffner. Sinopse: Na década de 30, Papillon (Steve McQueen) foi acusado de assassinato e mandado para cumprir prisão perpétua na Guiana Francesa. As regras da prisão são claras: Qualquer um que tentar fugir ganhará como punição dois anos de solitária. Isso não é o bastante para assustar Papillon, que vai tentar fugir de qualquer maneira com a ajuda de Louis Dega (Dustin Hoffman). Em uma das vezes ele quase consegue e vai parar inicialmente em uma colônia de hansenianos e depois em uma tribo de índios caribenhos, até chegar na Ilha do Diabo.
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 17, sábado, às 17:30 horas, o filme A COSTELA DE ADÃO (Adam’s Rib, EUA, 1945, 101 min.). Direção de George Cukor. Sinopse: Adam Bonner e Amanda Bonner formam um casal de advogados que terão que se enfrentar nos tribunais em lados opostos. Com Spencer Tracy e Katharine Hepburn em atuações magistrais.
À SOMBRA DO PÉ DE JUÁ
Ainda não foi possível um tempinho para rever o encontro de Ir. Annette e do prof. José Carlos, à sombra do Pe. de Juá, agora televisivo, através da web-tv Mãe das Dores, da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores. Quero crer, e a imagem de divulgação parece sugerir isso, os dois estão muito à vontade para continuar repetindo o êxito que tiveram pela Rádio Padre Cícero em temporada anterior. A proposta é a de continuar fazendo a ligação da Pastoral de Romaria com o Povo romeiro, não só nordestino, mas agora sem limites territoriais. E continuar abordando aqueles temas sempre muito atuais, tanto sobre o padre Cícero, quanto sobre o Juazeiro e a sua íntima relação com os romeiros. Quero logo vê-los para continuar aplaudindo a iniciativa e a criatividade do gesto. O programa tem uma hora de duração e está programado na grade de programação da web-tv para as 16:00h das quintas feiras. Felizmente, há vídeo disponível no arquivo do portal. Mas com eles me desculpo, pois nem assim ainda deu tempo de ver. Nosso abraço pela iniciativa, deles e ao abrigo da Basílica.

LIVRO NOVO & VELHA “PENDENGA”
Vasculhando na web (e quem vasculha acha), encontro matéria para divulgar esta nova “obra” em torno de velha querela envolvendo Pe. Cícero e Lampião. A divulgação diz e transcrevo: “Faces Ocultas - Lampião e Padre Cícero O outro lado da História! O livro faces ocultas traz uma nova versão sobre estes dois personagens polêmicos e históricos. Isto foi possível porque uma testemunha chave que esteve muito próximo tanto de Lampião como de Padre Cícero, era amigo achegado da família do escritor. Após a morte de Padre Cícero e de Lampião, esta testemunha fez muitas revelações, revelações estas que não poderiam ser esquecidas. Por exemplo: Porque Lampião odiava a polícia,mas gostava de ser chamado de capitão? E porque fazia tanta questão de ser tratado como tal? Quantas vezes Lampião e Padre Cícero se encontraram? Qual era a verdadeira relação deles? Quem fez o convite para Lampião combater a coluna Prestes? Qual o verdadeiro motivo do apelido "lampião"? Padre Cícero era realmente um homem de Deus? Por que ou por quem Lampião lutava? Lampião era homossexual e Maria Bonita adúltera? Lampião morreu mesmo em Angicos? Porque estes pontos nunca foram esclarecidos de forma convincentes? Portanto somos convidados a uma reflexão, reflexão esta que nos ajuda a entender porque muitas vezes a verdade é sufocada por motivos egoístas, dando lugar á outra versão que por ser conveniente, faz com que muitos sejam coniventes. Livro - Faces Ocultas - Lampião E Padre Cícero R$ 45,00.” Quem desejar, procure em https://www.clasf.com.br/livro-faces-ocultas-lampi%C3%A3o-e-padre-cicero-em-jarinu-8937603/


PE. CÍCERO EM QUADRINHOS
Esse é o título de publicação que também se encontra na internet, com um anúncio sobre a obra, de autoria de Francisco Airton (texto) e Izaac Brito (ilustrações). Ela, conforme a publicidade, conta a história do padrinho dos sertões, dirigido ao público infanto-juvenil, em 36 páginas, editadas no ano passado (2017) pelo selo da Patmos Editora (João Pessoa, PB). O livro faz parte de extensa relação de trabalhos já editados para para falar a esse público sobre grandes personagens como: Joaquim Nabuco, Luiz da Câmara Cascudo, Sivuca, Zé da Luz, Paulo Pontes, Celso Furtado, Luiz Gonzaga, Horácio de Almeida, Anayde Beiriz, Vidal de Negreiros, Jackson do Pandeiro, José Américo de Almeida, Napoleão Laureano, João Pessoa, Ariano Suassuna, Epitácio Pessoa, José Lins do Rego, Pedro Américo, Augusto dos Anjos, dentre outros. Os interessados procurem em: www. http://patmoseditora.com.br/home/
O SEMPRE LEMBRADO, SANTO
Outra surpresa para mim, nas buscas pela internet foi esse livro de Odacy de Brito Silva, sob o título de “Defendendo o meu padrinho Padre Cícero – O Santo do Povo Brasileiro, Editora Biblioteca 24 horas, 2013, 398 páginas. No seu conteúdo, a informação publicitária destaca: A atuação religiosa, social e política do maior líder espiritual brasileiro; Períodos de seca nos Sertões do Araripe; A implementação da escola do trabalho e da oração; A construção de Juazeiro do Norte, seu desenvolvimento e riqueza cultural; A Agronomia Social; Aspectos das oligarquias, do cangaço e do coronelismo, distorções e equívocos; Rui Barbosa, Euclides da Cunha, Luis Carlos Prestes e personagens da História, ofensas, conflitos e interesse políticos; Igreja perseguição e excomunhão; Procissões e Reconciliações; A inércia do Vaticano e a revisão de sua condenação; A santificação popular, milagres, procissões e devoção. 
Outras informações:
https://www.extra.com.br/livros/LivrodeHistoriaeGeografia/LivrodeHistoriadoBrasil/defendendo-o-meu-padrinho-padre-cicero-o-santo-11661464.html?rectype=p1_op_s3


“SANTOS FORTES”
No fim do ano passado as livrarias de todo o país receberam para vender o mais novo livro dos historiadores Leandro Karnal e Luiz Estevam de Oliveira Fernandes. Conforme a publicidade, “Santos fortes” fala sobre a crença religiosa no Brasil e cita Padre Cícero . A idéia que tiveram foi no sentido de “Pensar o Brasil a partir da crença nos santos. Esse foi o impulso inicial para o livro “Santos fortes – Raízes do sagrado no Brasil”. A publicação também aborda os “santos fora do altar”, como os autores chamam aqueles que são objeto de culto, apesar de não terem sido canonizados pela Igreja Católica, como Padre Cícero e João de Camargo, que viveu na região de Sorocaba. O livro de 216 páginas discorre sobre o culto, as vidas e as lendas em torno desses homens e mulheres a quem os brasileiros recorrem para reforçar os pedidos de interferência divina. “Procuramos abordar a faceta dos santos na vida do brasileiro, de onde surgem algumas relações curiosas como o gesto de colocar o santo de ponta cabeça ou tirar o Menino Jesus dos braços”, exemplifica Fernandes. O livro mapeia ainda dezenas de santos “não-oficiais”. Segundo ele, são recorrentes em cidades de todo o Brasil manifestações de devoção a crianças mortas tragicamente, como a jovem Benigna, em Santana do Cariri, assassinada enquanto buscava água em um poço, e cujo local de sua morte se transformou em ponto de peregrinação, recebendo cerca de 60 mil visitas por ano. Um dos casos curiosos é o de São Longuinho, invocado quando o devoto perde algum objeto e que, ao ser encontrado, é recompensado por três pulinhos. O santo, segundo os autores, seria um romano que teria perfurado o corpo de Cristo na cruz com uma lança e seu nome tem origem na corruptela de “Longinus”, a forma latinizada do grego “lonche” – que identifica cinco mártires. (Fonte: Jornal Cruzeiro)


TRILOGIA MISSIONÁRIA
Em princípio, um excelente título, interessantíssimo na sua verdade histórica. Esse é outro livros da relação, felizmente pequena, dos que estavam escondidos, embora o lançamento tenha sido relativamente recente, em junho de 2017. Eis o release da imprensa: “O jornalista, radialista e historiador Damião Lucena, da cidade de Patos, lança no sábado pela manhã, em João Pessoa, o seu mais novo livro intitulado “Trilogia Missionária”, com a história completa de Padre Ibiapina, Padre Cícero e Frei Damião, incluindo os referenciais do Horto de Juazeiro, Santuário de Santa Fé (Solânea – Arara), Convento dos Capuchinhos (Recife) e estrutura de Guarabira (Serra da Jurema), pontos de romaria em homenagem aos três personagens do catolicismo nordestino. Por conseguinte e, pela proximidade de outros vultos da história, constam dados de Antônio Conselheiro (Canudos) e o paraibano, beato Zé Lourenço, com seu Caldeirão de Santa Cruz. Desmistifica o que fora anunciado como proximidade de Padre Cícero à Lampião, Padre Ibiapina e a revolução de Quebra-Quilos e o combate de membros da Igreja Católica a ação benfeitora de Frei Damião de Bozzano, que originaria o projeto de construção da maior estátua em sua homenagem em todo o mundo. Também torna de conhecimento público os profissionais dos grandes memoriais, escultores e arquiteto: o saudoso Armando Lacerda (o construtor do Padre Cícero do Juazeiro e do memorial ao Cassaco de Piancó) e o seu filho Alexandre Azedo, este último radicado na capital do estado da Paraíba e autor de obras religiosas impactantes pela dimensão: Cristo Redentor de Itaporanga, Frei Damião de Guarabira, Jesus Misericordioso e os Tropeiros de Campina Grande, além da Santa Rita de Cássia em Santa Cruz, no Rio Grande do Norte. Em uma linguagem simples, com revisão da professora Fátima Paula e ilustração do designer gráfico Alex Souto, a publicação tem 120 páginas de pura história, traz detalhes dos processos de beatificação em andamento no Vaticano, desenvolvimento regional em decorrência das romarias e encerra com um diálogo entre Frei Leonardo Boff e Dalai Lama, respondendo a pergunta – Qual a melhor religião? Em João Pessoa, o material será lançado e poderá ser encontrado na Livraria do Luiz (Galeria Augusto dos Anjos – Praça João Pessoa, 88 – Centro) e em Patos na Distribuidora Nóbrega ou Banca Catedral. O escritor Damião Lucena é autor do Livro “Patos de Todos os Tempos”, com a história completa da Capital do Sertão, em 620 páginas, que teve sua primeira edição lançada em 2015. Também historiou várias cidades: Piancó, Itaporanga, São José do Bonfim, Catingueira e Uiraúna. É autor e produtor do filme “A Cruz da Menina”, lançado em 1993. Atualmente preside a ASTRAL – Associação do Trabalhador Cultural de Patos e Região.” Para adquiri-lo, acesse o seguinte endereço na web:
https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-950913329-trilogia-missionaria-pe-ibiapina-pe-cicero-frei-damio-_JM 


GRANDES LÍDERES

O livro Grandes Líderes da História do Brasil insere Pe. Cícero neste reduzido rol de celebridades, na sua cronologia de 1655 a 1934. Segundo a divulgação da Editora Discovery, a obra de Luzdalva S. Magi trata do seguinte: “Os cinco séculos de História do Brasil estão permeados por episódios de resistência, de revolta, de insurreição que levaram às transformações sociais e políticas que moldaram a nação que somos hoje. Já no início da colonização, a implantação de um sistema escravocrata incentivou os primeiros sinais revolucionários, com a formação de Quilombos, núcleos de resistência libertária formados por escravos, que geraram o nosso primeiro líder, o mitológico Zumbi dos Palmares. Nos séculos seguintes tivemos, a Inconfidência Mineira, liderada por Tiradentes; o imperador D. Pedro I, como líder do movimento que fez do país uma nação independente; a redentora Princesa Isabel; o messiânico Antônio Conselheiro no sertão do Nordeste, onde também se destacou Padre Cícero, o mais influente dos líderes religiosos brasileiros até nossos dias.”

ARTESÃOS DO PADRE CÍCERO
Perfil dos Artesãos do Padre Cícero no Século XXI (Condições Socioeconômicas, Processo Produtivo, Aspectos Ambientais e Capacidade de Organização dos Artesãos de Juazeiro do Norte/CE). A pesquisa e o livro foram realizados no governo Dilma Roussef, Ministro Aloizio Mercadante, Reitor da UFC Jesualdo Farias, Diretor do Campus UFC-Cariri Ricardo Ness. Os coordenadores da obra foram Rebeca da Rocha Grangeiro e Jeová Torres Silva Júnior. A data de edição é maio de 2013. Ela é resultado do Projeto Fomento à Arte e à Economia Solidária na Região do Cariri. Que na sua Fase 1 contemplou o Mapeamento dos Artesãos de Juazeiro do Norte, entre 2009 e 2010. Além dos autores dos textos, já citados, uma extensa equipe de bolsistas fez parte da sua execução, tanto nas pesquisas de campo quanto na tabulação dos Dados, todos integrantes dos corpos discentes da UFC, no Cariri. Foram eles: Ana Sara Leite, Diego Nascimento, Erick Coelho, Francisco Arrais, Ives Nascimento, João Paulo Nobre, Joel Pedraça, José Leonardo Luna, Luiz Santos, Linara Porto, Mossicléia Silva, Nathalia de Brito, Silvia Roberta Silva, Samuel Dias, Tiago Alencar, Valbert de Barros e Woneska Pinheiro. Eis um breve relato de como a pesquisa e o livro foram realizados: “Para realizar o Projeto Fomento à Arte e a Economia Solidária na Região do Cariri e publicar este livro foi necessário o apoio de pesquisadores, técnicos, bolsistas e parceiros, os quais agradecemos pelas suas distintas formas de contribuição. Não seria possível, portanto, executar o mapeamento que subsidia este livro sem: a disposição dos Artesãos de Juazeiro do Norte/CE para responder o questionário e nos apontar outros artesãos para também responderem; o compromisso dos nossos bolsistas; a ação gerencial do Laboratório Interdisciplinar de Estudos em Gestão Social (LIEGS/UFC Cariri); o reconhecimento científico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); o prestígio institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Direção do Campus da UFC no Cariri e da Coordenação do Curso de Administração; a parcerias com a Central de Artesanato do Ceará (CeArt)/Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS/Governo do Estado do Ceará) e com o Serviço Social do Comércio (SESC) – Unidade Juazeiro do Norte/CE; e o aporte de recursos financeiros do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e do Programa de Apoio a Extensão Universitária/Ministério da Educação (ProExt/MEC). Por fim, agradecemos a Profa. Dra. Tânia Fischer, do Centro Interdisciplinar de Desenvolvi- mento e Gestão Social (CIAGS)/Universidade Federal da Bahia (UFBA), por ter aceito o convite e redigido o prefácio desta obra, que nos deixa honrados e amplia o valor simbólico do livro, uma vez que se trata de uma pesquisadora referência acerca do campo da gestão social do desenvolvimento.” O livro não se encontra em livraria, embora tenha sido produzido graficamente na cidade, pela BSG, mas o texto porde ser encontrado em: https://issuu.com/carlosvilmar/docs/livro_artesoes_ebook , inclusive para download.


OBRAS RARAS

É o caso desse pequeno opúsculo de 11 páginas, contendo o TESTAMENTO DO Pe. CÍCERO, e editado na Tipografia O Joazeiro. O preço de capa era o antigo dois mil réis (antes da denominação cruzeiro). Num leilão em Niterói, em 2016, ele figurou entre as obras raras, embora não tenha sido divulgado o preço do arremate. O texto é bem conhecido, mas para bibliófilo, uma raridade e digna de bom preço.

NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES

A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte acaba de conceder novos títulos de cidadania juazeirense a diversas pessoas de nossa sociedade, abaixo nomeadas, em virtude das seguintes Resoluções: 

RESOLUÇÃO N.º 886 de 22.02.2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor RONDINELE PEREIRA DE FREITAS, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Márcio André Lima de Menezes; Coautoria: Francisco Demontier Araújo Granjeiro; Subscrição: José David Araújo da Silva, Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, José Adauto Araújo Ramos, José Tarso Magno Teixeira da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, Cícero José da Silva, José Barreto Couto Filho, Paulo José de Macêdo, Valmir Domingos da Silva, Domingos Sávio Morais Borges, Glêdson Lima Bezerra, Auricélia Bezerra, Rosane Matos Macêdo, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Jacqueline Ferreira Gouveia. 
RESOLUÇÃO N.º 887 de 22.02.2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Senhora CREMILDA SAMPAIO NEVES BRINGEL, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Paulo José de Macêdo; Coautoria: Francisco Demontier Araújo Granjeiro, José Barreto Couto Filho, José Adauto Araújo Ramos, Glêdson Lima Bezerra, Damian Lima Calú e José Nivaldo Cabral de Moura; Subscrição: Cícero Claudionor Lima Mota, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Cícero José da Silva, Diogo dos Santos Machado, Rubens Darlan de Morais Lobo, Rosane Matos Macêdo, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Jacqueline Ferreira Gouveia. 
RESOLUÇÃO N.º 888 de 22.02.2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor JOSÉ BEZERRA FEITOSA JÚNIOR, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Jacqueline Ferreira Gouveia; Subscrição: José Barreto Couto Filho, José Adauto Araújo Ramos, José Nivaldo Cabral de Moura, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Cícero José da Silva, Diogo dos Santos Machado, Rubens Darlan de Morais Lobo, Paulo José de Macêdo, Márcio André Lima de Menezes, Herbert de Morais Bezerra, Antônio Vieira Neto, Domingos Sávio Morais Borges, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Auricélia Bezerra. 
RESOLUÇÃO N.º 889 de 22.02.2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor FRANCISCO MORAIS DA COSTA JÚNIOR, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Diogo dos Santos Machado; Subscrição: José Barreto Couto Filho, José Adauto Araújo Ramos, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Paulo José de Macêdo, Márcio André Lima de Menezes, José David Araújo da Silva, Glêdson Lima Bezerra, Cícero Claudionor Lima Mota, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Domingos Sávio Morais Borges, Rita de Cássia Monteiro Gomes, Auricélia Bezerra e Jacqueline Ferreira Gouveia. 
RESOLUÇÃO N.º 890 de 22.02.2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor JOSÉ LOPES DE ARAÚJO, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: José Nivaldo Cabral de Moura, Subscrição: José Barreto Couto Filho, José Adauto Araújo Ramos, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Márcio André Lima de Menezes, José David Araújo da Silva, Glêdson Lima Bezerra, Cícero Claudionor Lima Mota, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Domingos Sávio Morais Borges, Cícero José da Silva, Damian Lima Calú, Valmir Domingos da Silva, Rita de Cássia Monteiro Gomes, Rosane Matos Macêdo, Auricélia Bezerra e Jacqueline Ferreira Gouveia.
RESOLUÇÃO N.º 891 de 22.02.2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor ANDRÉ LUIZ SOUZA DA FONSECA, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: José David Araújo Ramos; Coautoria: Francisco Demontier Araújo Granjeiro; Subscrição: José Barreto Couto Filho, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Márcio André Lima de Menezes, Glêdson Lima Bezerra, Cícero Claudionor Lima Mota, Domingos Sávio Morais Borges, Valmir Domingos da Silva, Cícero José da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, Rosane Matos Macêdo, Rita de Cássia Monteiro Gomes, Auricélia Bezerra e Jacqueline Ferreira Gouveia. 
RESOLUÇÃO N.º 892 de 22.02.2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor MÁRCIO CAMARGO, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Valmir Domingos da Silva; Subscrição: José Barreto Couto Filho, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Márcio André Lima de Menezes, Glêdson Lima Bezerra, Cícero Claudionor Lima Mota, Domingos Sávio Morais Borges, Cícero José da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, José David Araújo Ramos, José Adauto Araújo Ramos, Rosane Matos Macêdo, Rita de Cássia Monteiro Gomes, Auricélia Bezerra, e Jacqueline Ferreira Gouveia. 
(Na Foto: Cremilda Sampaio Neves Bringel)
O BRASIL QUE EU QUERO

Antes mesmo de saber qual o juazeirense que deixará a sua mensagem na Rede Globo, a despeito dessa campanha em que se expressa o que se deseja para o pais no futuro, já estamos vendo pelas chamadas, através da vinheta, que a cidade de Juazeiro do Norte está lá contemplada com o seu ícone, a estátua do seu Patriarca. Agora é esperar que o “suplicante” faça bom papel e deixe um recado que seja, efetivamente, de grande propriedade.
CHARGE DO MALHO
Nos anos 20, as eleições para presidentes (hoje governadores) dos estados brasileiros revelavam os enormes conchavos que aconteciam nas prévias. O Estado do Ceará não fugia à regra. Encontrei na Revista O Malho, do Rio de Janeiro, uma dessas charges comuns àquele tempo, onde estão os seguintes personagens: Belisário Távora, Floro Bartholomeu da Costa, Pe. Cícero Romão Baptista, Justiniano de Serpa e Epitácio Pessoa. Na legenda da imagem se escreveu: “A Eleição Presidencial no Ceará: Apesar de amparada a candidatura do dr. Belisário Távora pelo Pe. Cícero e Dr. Floro Bartholomeu, os dois turunas do sertão, venceu o Dr. Justiniano de Serpa candidato do governador e da União.” E completa ilustrando com o seguinte diálogo: Floro – Pobre Belisário, enrolado pelo monstro do Pará; Padre Cícero: Sae intruza! Sae bicho do Inferno!; Epitácio: É bem feito! Com teu amo não jogues as peras... Tanto chamaste o Serpa de serpente, que... virou o feitiço contra o feiticeiro! (O tempo não mudou nada desse particular, observo).


DEPUTADO FLORO BARTHOLOMEU DA COSTA

Uma verificação recente na imprensa carioca sobre os últimos dias, falecimento, sepultamento e sua sucessão na Câmara Federal, me permitiu pinçar alguns textos de jornal, que transcrevo como curiosidade, como se segue. 
ÚLTIMOS DIAS
Recém chegado do Ceará a esta capital, o Dr. José Paracampos, conhecido médico cearense, não podia deixar de ser procurado por nós para uma palestra. Aportando agora ao Rio, onde, aliás, clínica há bastante tempo, sua senhoria se nos apresenta com todos os característicos de um interlocutor à altura da curiosidade jornalística. Ao que sabíamos, o Dr. Paracampos acompanhara, como seu médico assistente o deputado Floro Bartholomeu, que daqui partira, há tempos, para movimentada atuação em prol da legalidade em seu longínquo torrão, ao Rio regressando, ultimamente, de certo combalido pelos grandes esforços despendidos. Acresce ainda a circunstância de já ter sido o Dr. Paracampos diretor de Higiene do Ceará, o que certamente o teria levado a observar o atual estado sanitário de sua terra, onde não raro se tem verificado o surto, mais ou menos aflitivo, de diversas endemias. E, mais ainda, contávamos com a boa vontade do distinto médico, mercê da qual s.s. nos transmitiria, à guisa de diagnóstico, a impressão colhida do Ceará, politicamente, pelo seu olho clínico... E foi, afinal, das mais gratas a palestra que entretivemos com o Dr. José Paracampos, já pela extrema afabilidade do nosso interlocutor, já pela significação particular de diversos episódios constitutivos da sua interessante conversa, e dos quais é bastante assinalar o que fixa o grande prestígio, tão alto quão recente, do Dr. Demósthenes Rockert, jovem engenheiro que dirige, há pouco mais de um ano, a Rede Viação Cearense. - É verdade – disse-nos o Dr. Paracampos – que regressei do Ceará há dias, pelo Itassucê, acompanhando o deputado Floro Bartholomeu. Eu fora a minha terra em visita à família, sendo chamado de Fortaleza para visitar, como médico, em Campos Sales, no sul do Estado, o deputado Floro Bartholomeu. Encontrei-o bastante combalido, na extenuação decorrente do esforço ingente que havia despendido. Porque é de notar que esse ilustre deputado cearense realizou um prodígio de ação e de energia, como soldado da ordem e da legalidade, livrando o Ceará da sanha de bandoleiros e rebeldes. A satisfação, a alegria da vitória mantinha-lhe o moral em excelente nível. Assim o encontrei em Campos Sales, verificando logo, por isso, que só se impunha a cura de repouso ao seu físico, este sim, bastante cruciado pelas duras provas que fora submetido. – De forma, interrompemos que a ordem no Ceará... – É absoluta – concluiu o Dr. Paracampos. E continuou: - É mesmo muito sensível, ali o sentimento ordeiro do povo. Dir-se-ia que o cearense já se tem por muito bem aquinhoado, em matéria de infelicidades, com os flagelos climatéricos... Não foi difícil, por isso, ao deputado Floro organizar e drenar para onde se fizeram precisos o patriotismo e a energia dos seus conterrâneos. Não houve turbulentos que resistíssemos ímpeto do civismo cearense. De resto, nunca a ordem a ordem ali foi realmente perturbada. Ameaçaram-na. Verificou-se a represália vitoriosa. E foi só. Comporta, entretanto, esse episódio, de aparência tão simples, um poema de bravura, só atentarmos bem no que seja qualquer luta sertão a dentro. Como sempre, há males que vêm para bem. (Continua Dr. José Paracampos a expor a situação política do Ceará e na continuidade ele fala de Joazeiro, falando em seguida sobre a Rede Viação Cearense). ... “E anuncia-se para muito breve, para o mês de abril, um melhoramento inestimável: o trem irá até Joazeiro! Para qualquer cearense esta notícia é agradabilíssima, por isso que ele logo vê ligada à rica zona do Cariri, ou seja, imensamente beneficiada, aquela extensão tão tristemente conhecida por “zona flagelada”. (O texto é ainda mais longo, sobre outros assuntos cearenses, contudo não há mais qualquer detalhe sobre o estado de saúde de Floro. Quando do seu falecimento, a imprensa publica sua biografia e relata sumariamente que a causa mortis teria sido “uma afecção no fígado”.)
(O PAIZ, Rio de Janeiro, 07.03.1926)
FALECIMENTO 
“Faleceu ontem, nesta capital, às 17 horas, o deputado Floro Bartholomeu, representante do Estado do Ceará na Câmara Federal. O parlamentar que ora desaparece era, sem dúvida, uma figura singular no cenário político brasileiro. Individualidade forte e combativa, homem afeito às mais extremadas lutas partidárias, dadas as circunstâncias que lhe envolveram sempre a carreira política, o Dr. Floro Bartholomeu era possuidor das energias viris e realizadoras, que tanto o caracterizavam nos momentos decisivos da sua vida pública. Pode-se mesmo atribuir ao seu temperamento dinâmico a conquista das grandes simpatias e prestígio de que dispunha no seio de nossos sertões, onde, desde muito moço, se entregou ao exercício da sua profissão de médico. Na firmeza de seus princípios e na sinceridade da sua palavra partidária encontraram sempre os poderes constituídos um dos mais sólidos elementos de ordem e segurança legal. Nasceu o Dr. Floro Bartholomeu em 17 de agosto de 1876. Formou-se em medicina pela Faculdade da Bahia, em 1904. Da capital baiana seguiu, quando diplomado, para o interior cearense, depois de ter tomado parte, como influente fator da ordem em 1907, no movimento repressivo ao banditismo tão existente em Joazeiro. No Estado do Ceará iniciou a sua carreira parlamentar, sendo eleito deputado estadual em 1913. Em 1921 veio para a Câmara Federal tendo renovado o seu mandato em 1924, em cujo exercício acaba de desaparecer. (O PAIZ, Rio de Janeiro, 08-09.03.1926)”
FUNERAIS
“Realizaram-se ontem os funerais do deputado Floro Bartholomeu, representante do Estado do Ceará na Câmara Federal. O cortejo fúnebre, composto de inúmeros automóveis, conduzindo pessoas da nossa mais alta representação, amigos e admiradores do extinto parlamentar, saiu da casa mortuária, à rua do Catete, número 83, às 16 horas, para a necrópole de S. João Baptista, em Botafogo, onde teve lugar o sepultamento. O Sr. Presidente da República, que se fez representar neste ato pelo coronel Vieira Cristo, seu oficial de gabinete, mandou fossem prestadas honras militares no enterro do Dr. Floro Bartholomeu, em virtude do decreto assinado a do corrente. Obedecendo a essa disposição, assim foi distribuída a força do exército: Uma companhia da 2ª. Brigada de infantaria, com banda de música e bandeira, no cemitério de S. João Baptista; uma companhia do 1º regimento de artilharia pesada, na praia de Botafogo, próximo ao Pavilhão Mourisco, e um pelotão do 1º regimento de cavalaria divisionário que escoltou o coche fúnebre durante o trajeto. Ao baixar o ataúde foram dadas as salvas regulares. (O PAIZ, Rio de Janeiro, 10.03.1926)” SUCESSÃO: Na próxima semana abordaremos esse assunto, à luz da imprensa da época. (Na foto: Floro Bartholomeu da Costa, em registro fotográfico da imprensa da época, 1926).


PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DE MORTE

A edição da Revista da Semana (RJ), de 19.03.1927 registra como foi a passagem do primeiro ano de falecimento do deputado federal Floro Bartholomeu da Costa. E diz o seguinte: 
“A família do malogrado deputado federal pelo Ceará, dr. Floro Bartholomeu, comemorou a passagem do primeiro aniversário do seu passamento fazendo celebrar ofícios religiosos no altar-mór da igreja da Candelária. Do templo, o seu irmão, sr. Octaviano Costa, parentes, amigos e admiradores do brilhante parlamentar foram florir o túmulo do representante do Ceará no cemitério de S. João Baptista. O monumento mandado erigir pelo sr. Octaviano Costa é obra do jovem estatutário sr. Laurindo Ramos e na severidade das suas linhas simboliza a vida do ilustre parlamentar, representada pela figura A Política. Destaca-se no monumento, num plano mais alto, o busto do saudoso tribuno. O túmulo é todo em granito e tem as seguintes inscripções; “A Floro Bartholomeu da Costa”. “Nasceu em 17.8.1876” – Faleceu em 8.3.1926”. Na face posterior tem esta inscrição: “Mandado erigir por seu irmão Octaviano”. As nossas gravuras (fotos acima) mostram: 1. O dr. Manoel (Francisco) Monteiro Autran, o esculptor Laurindo Ramos e o sr. Octaviano Costa, junto do monumento do deputado Floro Bartholomeu. 2. O perfil do monumento. 3. O monumento visto de frente, no cemitério de S. João Baptista.



JOAZEIRO, FLORO E PE. CÍCERO, 1914

Sempre em busca de novos registros fotográficos sobre a história de Juazeiro do Norte, encontramos no jornal A Notícia, de Salvador (BA), edição de 03.10.1914, essa imagem de um grupo de pessoas na casa do Pe. Cícero. O jornal assinala que são “outros chefes do último movimento dos romeiros”. Refere-se portanto, ao movimento sedicioso entre os anos 1913 e 1914. Na própria publicação há junto aos pés de alguns, uma identificação de quem se trata. Contudo, nenhum nos chamou atenção, parecendo desconhecidos. Os sentados, além de Pe. Cícero e Floro, são os únicos identificados (da esq. para a dir.) como Dr. Costa...?, Sr. Higino...?, e Dr. Raimundo...? 

IMAGENS ESQUECIDAS (I)

Adolphe Achille van den Brule, nasceu na localidade de Arras, França, em 14.03.1869. Em seu livro-depoimento, com o discurso pronunciado na Câmara Federal, em 23.09.1923, Floro Bartholomeu da Costa relata o que o próprio Conde Adolfo lhe afirmara. Em suma: era parisiense, engenheiro de minas formado em 1882, filho do conde Ildefonso Pilo Jevaule, que teria falecido em Paris em 1898, ex-diretor aposentado do Banque de France, cujo título de nobreza foi concedido pelo rei da Bélgica, Leopoldo II, em recompensa por serviços militares de seus antepassados. Adolphe veio para o Brasil em razão do falecimento de seu pai, e decidido a se “aventurar” em busca de recursos minerais, especialmente em cobre e ouro. Assim, chegou ao Recife e por informações de que havia uma grande mina de ouro no município de Princesa-PB, decidiu fixar residência em Triunfo-PE, próximo dali sete léguas. Estranhamente, consta que Adolfo veio sozinho, enquanto seu irmão Ferdinand ficara na organização da empresa em Paris. Os dois procuraram organizar a empresa exploradora e até fizeram vir uma equipe francesa de técnicos em mineração, sob a coordenação do engenheiro Paul Dupuy. Mas, a questão não foi concluída, pois a ambição de um pequeno proprietário de terra local criou obstáculos e a empreitada não surtiu efeito. Adolfo procurou uma outra alternativa e, por informações colhidas circulou pelo interior do Nordeste, em vários estados (PE,CE,BA), indo conhecer em Aurora a já falada ocorrência das minas do Coxá. Dali rumou para os sertões da Bahia, na região de Capim Grosso e Patamuté. Nesta última, conhece Floro Bartholomeu da Costa, médico recém formado e ali clinicando. Dali foram juntos para Morro do Chapéu e Ventura, onde havia extração de diamantes e carbonatos. Os dois se associaram e no final de 1907 vieram para o Cariri, passando antes por Triunfo, onde chegaram no fim de dezembro. Em Triunfo-PE, conforme dados de sua genealogia, na Internet, Adolfo casou-se pela segunda vez com Albertina Gonçalves Lima, religiosa e civilmente, em 28.11.1901 e teve duas filhas, Yvonne, nascida em Triunfo-PE, em 1903, que morreu com sete meses de idade, e Zaira, nascida em Ventura-BA, em 15.12.1907. No início de 1908, dona Albertina adoeceu e faleceu em fevereiro. Em maio, Adolfo e Floro seguem para Juazeiro e aí conhecem o Pe. Cícero e se estabelecem na cidade. A razão principal parece ter sido a propriedade do Pe. Cícero de alguma terra em Aurora, na área de mineração do Coxá. Com a vinda de Conde Adolfo para Juazeiro, Zaira van de Brule, com pouco mais de um ano de idade, tornou-se afilhada de Pe. Cícero e de Joana Tertulina de Jesus - a Beata Mocinha, a quem o conde tratava de comadre Mocinha. Zaira cursou a escola secundária no Colégio da Imaculada Conceição, em Fortaleza. Depois foi para Minas Gerais, tendo passado por escola de formação religiosa a cargo das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, em Barbacena, aí recebendo o hábito e adotando o nome de Irmã Apolline van den Brule. Depois se transferiu para São João Del Rey e, em 8 de setembro de 1935, fez os seus votos. Viúvo, e já residindo em Juazeiro, Adolfo casou pela terceira vez com Maria Custódia de Jesus, nascida em Maceió-AL, que pela morte de seus pais em Juazeiro, foi adotada pela irmã do Pe. Cícero que a criou. Maria Custódia e Adolfo van den Brule tiveram dois filhos: Cícero e Joana Yolanda. O conde Adolfo faleceu em Juazeiro do Norte em 30.07.1932. A foto acima, realizada pelo repórter Edmar Morel, foi publicada na Revista A Cigarra (Rio de Janeiro), numa edição de 1944. 
IMAGENS ESQUECIDAS (II)

Conforme registra Daniel Walker num dos seus escritos, Padre Cícero “...passou a residir no povoado de Juazeiro a partir de 11 de abril de 1872. Veio acompanhado da mãe, das duas irmãs solteiras e de uma escrava conhecida como Terezinha do Padre ou Tereza do Padre.” A imagem acima, também realizada pelo repórter Edmar Morel, em 1944, é de Tereza do Padre, que segundo ele, estaria com um pouco mais que 75 anos, e foi publicada na Revista A Cigarra (Rio de Janeiro), numa edição de 1944.

IMAGENS ESQUECIDAS (III)As imagens acima, também realizadas pelo repórter Edmar Morel, em 1944, e foi publicada na Revista A Cigarra (Rio de Janeiro), numa edição de 1944. À esquerda, a fachada da então coletoria estadual de Joazeiro; ao centro, o coletor Francisco Neri da Costa Morato, e à esquerda a fachada de uma das casas onde residiu o pe. Cícero, hoje parte integrante da Associação de Amparo aos Indigentes Walter Menezes Barbosa – AMPARI, à Rua São José 120/126.