domingo, 2 de abril de 2017



BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que semanalmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de quartas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
JOSÉ ADAIL DE MENDONÇA, CENTENÁRIO!
Há nesse Estado do Ceará, de tantos contrastes, até mesmo em sua geografia, um lugar um tanto paradisíaco que ao conhecê-lo, cada um de nós, inevitavelmente, cai de amores, pelo conjunto da obra e a beleza de sua criação. Pode-se descrevê-la pela exuberância de sua vegetação, resquício de Mata Atlântica, ainda vastamente encontrada, desde a distância dos tempos do descobrimento. Aí, em comunidades da região que se denomina Maciço de Baturité, zona fisiográfica desse chão cearense, pontuam-se algumas pequenas cidades a indicar que uma de suas virtudes é a acentuada prevalência de zona rural, outrora tão dedicada a cultura do café, e hoje mais cativa de uma certa vocação hortifruticola, mais embelezada pela abundância de floração diversa, encantadora por formas e um colorido mágico de cores incomuns. Quem percorre suas cidades a partir de Baturité, passando por Mulungu, Aratuba, Palmácia, Pacoti, e chega a Guaramiranga, começa por ter a sensação de que nos aproximamos de um espaço celestial, a tirar por uma elevação que nos transporta até 1.115 metros, para nos trazer o conforto exponencial de clima e ambiência que se distancia em muito dos lugares tão comuns em nossa terra. Estando em Guaramiranga, por exemplo, é inevitável experimentar esse sentimento tão gratificante, a vivenciá-lo por sítios, vilas, fazendas, lugares e distritos de encantadora fisionomia. Num desses distritos, o Pernambuquinho, tem-se a visão de uma sucessão de sítios e árvores gigantescas, por um passeio que é parte obrigatória de seu roteiro turístico para se chegar ao Parque Ecológico de Guaramiranga, felizmente protegido por Decreto, desde 1979. Quem passa pela estrada do Pernambuquinho seguindo para o antigo Tramonto, bem ao lado do Pico Alto, na maior altitude desse Estado, vai encontrar no altiplano um belo monumento a Nossa Senhora de Fátima. O local além do belíssimo visual de todo o Maciço de Baturité, proporciona ainda um mirante onde os visitantes desfrutam de um prazeroso pôr-do-sol. O Pernambuquinho, por encantos como esse, é parte indissociável de Guaramiranga. Seu crescimento até ensejou em 1963 que ele fosse desmembrado para se constituir num novo município do Ceará. Mas, durou pouco, pois em 1965 o Pernambuquinho voltou a ser parte distrital da rainha da Serra de Baturité, e aí se conserva em grande harmonia administrativa. Foi nesse Pernambuquinho, pouco adiante de Forquilha, a caminho de Pacoti, cem anos atrás, que nasceu José Adail de Mendonça, nosso grande homenageado dessa data centenária, aqui presente, Graças a Deus, saudável, lúcido, altivo, ereto, digno e honrado pela sociedade a que tem servido, zelado ao carinho da família que constituiu, admirado pela coletividade à qual emprestou – e diga-se, a juros baixíssimos, os melhores anos de uma juventude e maturidade, sendo um dos construtores desse Cariri que tanto amamos. José Adail de Mendonça, nasceu no Distrito de Pernambuquinho, no município de Guaramiranga, Ceará, em 29 de Março de 1917. Seus pais foram José Brasiliano de Mendonça e Virginia Medina de Mendonça, casal que já nutria uma prole de sete filhos, sendo Adail o oitavo, sete anos depois do mais moço. A lembrança de seus anos de infância é marcada por uma tristeza que resultou da perda de sua mãe, dona Virginia, ainda não havia completado cinco anos de idade e pela saída dos seus irmãos mais velhos que foram deixando o Pernambuquinho para estudar em Fortaleza, em Recife e em Salvador. Em suas memórias a recordação de uma infância acalentada aos carinhos da casa paterna e a casa dos avós, nas proximidades, privando mais intimamente com a vida rural de produção de frutas, a moagem de cana de açúcar e o café da Serra de Baturité. No convívio com a família realizou os seus estudos fundamentais, depois se transferindo para Cajazeiras, na Paraíba, onde residiu com um irmão, até que completou os estudos primários. Para dar continuidade aos seus estudos secundários, Adail transferiu-se para Fortaleza e passou a estudar no tradicional Colégio Castelo Branco. Concluídos os estudos secundários, profissionalizou-se através de um curso de Classificação e Fiscalização de Produtos Agrícolas, na Escola de Classificação de Algodão, criada pelo Ministério da Agricultura no Ceará, em 1940, o que lhe permitiu ingressar muito jovem no serviço público, ainda no começo dos anos 40. Nesse serviço, entre 1946 e 1947, Adail vivenciou uma fase importante do desenvolvimento agrário do Ceará, especialmente nas regiões Centro e Jaguaribana, onde trabalhou, com a expansão das culturas de algodão, cera de carnaúba e oiticica, sob a coordenação do notável agrônomo Dr. Ramir Valente, então Diretor do Departamento de Fiscalização e Classificação Interna do Algodão, da Secretaria da Agricultura, que dividiu o Estado do Ceará em 5 regiões, para melhor atendimento das demandas agrícolas. Aos 34 anos, em 1951, Adail Mendonça passou a desempenhar as funções de Chefe do Serviço de Classificação de Algodão, da região do Cariri, com sede em Juazeiro do Norte, nos bons tempos do ouro branco na região e das usinas que tínhamos, como a da P. Machado, a de Antonio Gonçalves Pita e a da americana Anderson Clayton. Fixando residência em Crato, conheceu Maria Edenir Carvalho Bezerra, de quem se enamorou para todos os anos de sua vida, contraindo núpcias em 19 de novembro de 1952. Edenir era uma jovem aos 25 anos, nascida em Lavras da Mangabeira, em 16 de Março de 1927, filha de Francisco de Paula Bezerra e de Maria de Carvalho Bezerra. Ela havia feito os seus estudos básicos no Colégio Santa Tereza e se diplomado pela Escola Doméstica 19 de Maio, de tanto renome como a Escola Doméstica São Rafael, de Fortaleza. Após o casamento, o casal passou a residir na cidade de Juazeiro do Norte, integrando-se a sociedade local. É necessário que se relembre aqui e a essa hora, o papel de grande relevo que Edenir conferiu à família que gerou, pois foi exemplar na sua dedicação às atenções domésticas e educacionais aos filhos que foram chegando. Desde que Edenir chegou a Juazeiro foi grande sua participação em todo movimento sócio religioso da cidade. Participou ativamente do Movimento das Bandeirantes, juntamente com outras senhoras da sociedade. Seu concurso foi fundamental para a vida em sociedade a partir das atividades em clubes sociais e de serviço. No movimento de "Miss Juazeiro" promovido por este clube, teve destacada atuação, preparando as candidatas e acompanhando-as até Fortaleza ou onde houvesse desfile. Foi fundadora do 1º Clube de Mães existentes em Juazeiro do Norte, quando funcionava em precária situação no bairro Salgadinho, sob a orientação da Legião Brasileira de Assistência. Destacou-se também, com serviços de decorações, proprietária do Buffet Só Festas, responsável por grandes acontecimentos sociais, nesta cidade e nas cidades vizinhas. Empregou ainda, de maneira eficiente, suas atividades como coordenadora da Creche Municipal Alayde Andrade, instalada no Bairro Limoeiro, que mantinha aproximadamente 150 crianças dando assistência necessária. Em 1957, José Adail de Mendonça fundou a SOCIL, a Sociedade de Comércio e Imóveis Ltda., firma pioneira nos negócios imobiliários, empresa muito conceituada e conhecida na região, abrangendo grande parte do Cariri cearense, firma ainda hoje muito ativa com sua sede em Juazeiro do Norte, cujos produtos em destaque tem sido loteamentos e terrenos para moradias. A missão da empresa tem sido o de facilitar o acesso ao investimento imobiliário proporcionando realização pessoal com qualidade, mantendo um relacionamento de fidelidade, disponibilizando total apoio e assistência, e estabelecendo uma relação de confiança com seus clientes. Pensando na comodidade do cliente, a empresa desenvolveu planos de pagamento de acordo com a disponibilidade de cada comprador, tornando muito mais acessível o sonho da casa própria. No presente momento a empresa desenvolve suas atividades em dois escritórios, situados nos bairros Centro e Campo Alegre. A SOCIL foi a responsável pela ampliação dos limites desta cidade grande, posto que em todas as direções, o seu espírito empreendedor lançou uma semente fecunda para abrir loteamentos, ruas, praças, avenidas, equipamentos públicos e infraestrutura urbana, contribuindo decisivamente para que a expansão urbana atinja em nossos dias 95% da área territorial do município. Exatamente porque já não é mais novidade essa sua profunda identificação como um autêntico desbravador das terras do velho Tabuleiro Grande. Não podemos falar de um bairro, apenas, senão de largos espaços criados, destacando-se: Parque Tiradentes (primeiro loteamento, em duas etapas); Parque da Liberdade (em quatro Etapas); Parque Limoeiro (em três Etapas); Jardim Aldeota; Loteamento Bela Vista; Parque Triângulo (em três Etapas); Parque Presidente Vargas; Parque Cinquentenário; Parque Santa Clara; Parque União; Loteamento Solar dos Cajueiros; Loteamento Santos Dumont; Loteamento Cabo Verde; Loteamento Vila Valley View; Loteamento Francisco Dias Sobreira; Parque Dom Bosco; Parque 22 de Julho; Parque Cardoso; Parque Timbaúba; Parque São Vicente; Parque Dr. Juvêncio Santana; Av. Castelo Branco; Av. Virgílio Távora; Loteamento Lagoa Seca (em duas Etapas); Loteamento Campo Alegre; Loteamento Cicerópolis; e Loteamento Parque do Sol (em Barbalha). Ainda por sua iniciativa fomentou operações de crédito e financiamento para empreendimentos a partir de uma Cooperativa de Consumo, nascida de uma sociedade com Antonio Ribeiro de Melo e que posteriormente foi transformada numa Cooperativa de Consumo.  Edenir e Adail Mendonça constituíram uma família, onde se tornaram pais, avós e bisavós na seguinte descendência, sendo pais de: 1) Virginia Maria Bezerra Mendonça de Alencar, casada com Francisco Gledson Salatiel de Alencar, médico, pais de Dário Gledson Mendonça de Alencar, casado com Ana Clarice Ribeiro Macedo de Alencar; Tatiana Mendonça de Alencar Bringel, casada com Isaac Coelho Bringel, pais de: Ana Júlia Mendonça de Alencar Coelho Bringel e Isabela Mendonça de Alencar Coelho Bringel; e Ana Virginia Mendonça de Alencar, falecida precocemente; 2) Henrique Luiz Bezerra de Mendonça, em cujo relacionamento com Elizângela Rodrigues, são pais de: José Adail de Mendonça Neto e Eduardo Miguel Rodrigues de Mendonça; e 3) Roberta Bezerra de Mendonça Pinheiro, casada com Fernando Augusto Pinheiro Teles, pais de: Ana Carolina de Mendonça Pinheiro,  Juliana de Mendonça Pinheiro e Bruno de Mendonça Pinheiro. Infelizmente, e para nós é um lamento indisfarçável, Edenir Mendonça faleceu em 15 de Março de 1996, véspera dos seus 69 anos de idade, quando a família e a sociedade se viu frustrada pela perda física de um grande exemplo de mulher que nos deixou uma profunda saudade e lágrimas inconsoláveis pela grande ausência que se sentiu daí por diante, e ainda hoje nos assalta. No início de 2014, já residindo de volta ao meu amado Juazeiro, e iniciando essa atividade de escrevinhador modesto, eu dediquei um pobre texto de exatas dezesseis linhas para falar sobre Adail Mendonça, a respeitabilíssima criatura, amada por todos nós, então às vésperas de seus 97 anos. Noutro dia, revendo aquele texto com o propósito de me incluir nas alegrias deste fato mais recente, quando na intimidade da família foi aberto o seu ano centenário, na celebração dos seus 99 anos de idade, eu me envergonhei, de fato, por ter perpetrado aquilo que apenas denotava a minha indigente e franciscana pobreza literária, incapaz de um maior realce a vida tão brilhante. De tão poucas coisas ali referidas, lembrei o “Seu” Adail Mendonça, o grande desbravador dessa ocupação do solo juazeirense, desde 1954, semeando loteamentos, quase cinquenta empreendimentos de sua Socil, a principiar pelo hoje populoso Tiradentes, e sequenciado pelo Pio XII, o Pirajá, o Triângulo, a Lagoa Seca, a Timbaúba, o Dr. Juvêncio, o Campo Alegre, só para falar do Juazeiro. Tem sido gratificante para todos nós receber notícias de Adail Mendonça, agora que está mais restrito a sua vida doméstica, mais familiar, enquanto a Socil está a pleno vapor, administrada pelas mais novas gerações, tendo Roberta como Gerente Administrativa, Virginia como Gerente Financeira e Dário Gledson como Gerente de Planejamento e Vendas, bem como todos os demais do clã familiar, solidários à vontade de perpetuar essa obra tão fundamental para eles, quanto para a comunidade a que serve há tantos anos, com uma folha inestimável de serviços e bem estar. Por vezes, até parece ser comovente a nós ver ou saber de Adail pelas redes sociais, não abrindo mão do seu contato diário com o computador, plugado na internet, navegando curioso e com agilidade, como se a nos demonstrar a jovialidade que há em sua mente, conservada e dinamizada por um espírito elevado e desligado das mazelas da vida que, seguramente tanto mal lhe fariam. Realmente, desejava partilhar com vocês, Roberta e Fernando, Virginia e Gledson, e Henrique, e seus filhos e netos, dessa graça com a qual somos beneficiados, por ainda poder viver à sombra de tão generoso e frondoso exemplo de dignidade e trabalho, como assim tem sido, por todos esses anos, a existência fecunda de José Adail de Mendonça. Ainda é possível que eu recorde a mim mesmo, na memória de um garoto, relembrando o começo dos anos 60, quando Adail sucedeu à grande e exemplar figura de Antonio Fernandes Coimbra (Mascote) e assumiu a presidência do nosso mais destacado ambiente social, o Treze inesquecível Atlético Juazeirense, tendo sido meu pai um dos seus diretores sociais, em fase de grande entusiasmo pela vida em torno do querido clube. E a partir daí foi como vimos Edenir e Adail, em corpo e alma, reunindo a sociedade local naqueles momentos, festas inesquecíveis que enchiam os salões do velho clube, celebrando uma fase monumental, depois da eletrificação do Cariri e onde se plantava em doses alentadas os anseios de desenvolvimento, cheios de esperanças a nos projetar, vitoriosos, para os dias atuais. Adail era de manifestar essa sensibilidade para emprestar seu entusiasmo para a vida social da cidade, tendo também participado da fundação da agremiação Juazeiro Clube, da reorganização do Clube dos Doze, e de tantas promoções de benemerência, magnificamente realizadas. Como liderança de grande expressão, nos setores comerciais e de serviço, Adail Mendonça também participou da diretoria da Associação Comercial de Juazeiro do Norte, em tempo de grande representatividade na agremiação, como tesoureiro da instituição, e a sua presença era dos melhores sinais de dignidade e trabalho, para uma casa que sempre teve uma contribuição à altura dos desafios que a cidade experimentou e que dali recebeu a força maior da vitalidade de jovens empresários, interessados no progresso e no desenvolvimento de nossa terra. Nessa convivência que se estirou em muitos anos, uns trinta, pelo menos, foram bem recheados dessa recíproca benquerença de nossas famílias, mercê do afeto que se cultivou no entorno de Edenir, Adail e sua família, na sua vivenda sempre charmosa, como assim víamos a Lagoa Seca. Essa nossa cidade não pode deixar passar esse momento vivido por Adail Mendonça, sem uma manifestação de grande apreço e consideração, pois ele é parte da construção de nossa cidadania, a partir mesmo de como por seus empreendimentos, garantiu um futuro melhor para nosso povo. O fato relevante em sua personalidade, e disso sua família muito deve se orgulhar, como nós mesmos, caririenses, reside no nosso entendimento de que ele fez essa longa travessia de vida apoiado numa profunda identidade com princípios éticos e morais que não se negociam por ocasiões. Por isso mesmo, meu querido Senhor José Adail de Mendonça, nós – seus amigos e admiradores, nós nos reunimos aqui, nesse momento com sua família para trazer-lhe não apenas o cumprimento entusiástico que a data inspira, mas o testemunho de nossa afetuoso tributo a alguém que marcou esse século com um exemplo de vida digno dos maiores heróis da nossa história e com quem ainda desejamos privar mais intimamente no aprendizado dessas definitivas lições de vida. Seja muito feliz por muitos anos à frente, na saúde e na paz, e que da Providência Divina recaiam sobre si graças e fortaleza para que essa sua existência ainda seja motivo substantivo para os louvores que ainda deveremos propagar, reconhecendo as grandes virtudes que ornaram o seu inestimável caráter. Receba de todos nós, nesses votos e nessa mensagem por seu centenário, todo o nosso carinho e afeto, onde queremos demonstrar o amor que lhe dedicamos.


O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI


CINE CAFÉ VOLANTE (FAMED, BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 6, quinta feira, às 19 horas, o filme O ÓLEO DE LORENZO (Lorenjos´s Oil, EUA, 1992, 129min). Direção de Georege Miller. Sinopse: Um garoto levava uma vida normal até que, quando tinha seis anos, estranhas coisas aconteceram, pois ele passou a ter diversos problemas de ordem mental que foram diagnosticados como ALD, uma doença extremamente rara que provoca uma incurável degeneração no cérebro, levando o paciente à morte em no máximo dois anos. Os pais do menino ficam frustrados com o fracasso dos médicos e a falta de medicamento para uma doença desta natureza. Assim, começam a estudar e a pesquisar sozinhos, na esperança de descobrir algo que possa deter o avanço da doença.
  
CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 7, sexta feira, às 19 horas, o filme SAI DE BAIXO (Brasil, 1956, 100min). Direção de J. B. Tanko. Sinopse: Desafiado por um sargento do corpo de paraquedistas, que está interessado em sua namorada e quer ridicularizá-lo publicamente, o palhaço Carequinha decide se alistar ao serviço militar, como paraquedista. levando com ele seus amigos Raul e Fred. Sem querer perder a aposta, o sargento - que treina o grupo - faz de tudo para dificultar a vida dos rapazes.


CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 8, sábado, às 17:30 horas, o filme O FEITIÇO DE AQUILA (Ladyhauke, EUA, 1985124min). Direção de Richard Donner. Sinopse: Europa, século XII. O Bispo de Áquila (John Wood) toma consciência que sua amada, a bela Isabeau (Michelle Pfeiffer), está apaixonada por Etienne Navarre (Rutger Hauer), um cavaleiro. Áquila fica possuído de raiva e ciúme e lança uma maldição sobre o casal: de dia ela sempre será um falcão e de noite Navarre toma a forma de um lobo, sendo que desta forma fica o casal impedido de se entregar um ao outro. Eles têm como único aliado Phillipe Gaston (Matthew Broderick), mais conhecido como Rato, que é o único prisioneiro que escapou das muralhas de Áquila.


CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 7, sexta feira, às 20 horas, dentro do Festival Oscar, o filme UM ESTRANO NO NINHO (One Flew Over the Cuckoo´s Nest, EUA, 1975, 129min). Direção de  Milos Forman. Sinopse: Randle Patrick McMurphy (Jack Nicholson), um prisioneiro, simula estar insano para não trabalhar e vai para uma instituição para doentes mentais. Lá estimula os internos a se revoltarem contra as rígidas normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Louise Fletcher), mas não tem idéia do preço que irá pagar por desafiar uma clínica "especializada".
DES. TEODORO SILVA SANTOS: NOVO LIVRO
O livro “O Tribunal do Júri no Contexto dos Direitos Humanos”, de autoria do desembargador Teodoro Silva Santos e do promotor de Justiça Ionilton Pereira do Vale, será lançado às 19h desta terça-feira (21/03), no auditório da Biblioteca da Universidade de Fortaleza (Unifor). A obra faz análise da instituição do Júri à luz das Convenções Internacionais dos Direitos Humanos. Durante o lançamento, serão proferidas duas palestras sobre o júri, sendo uma proferida pelo procurador-geral de Justiça do Ceará, Plácido Rios, e a outra pelo professor de Direto Penal, Francisco Marques. Teodoro Silva Santos ingressou do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), em 29 de abril de 2011, tornando-se membro da 5ª Câmara Cível, que foi transformada na 2ª Câmara de Direito Privado. Também é professor das disciplinas de Processo Penal (graduação) e Processo Penal e Direito Penal (pós-graduação) da Unifor. Antes de ingressar na magistratura, foi promotor e procurador de Justiça do Estado. Além dessa obra, o magistrado também é autor do livro “A transação penal nos crimes de ação privada à luz da hermenêutica e dos princípios constitucionais”, lançado em 2008.


PADRE CÍCERO & JUAZEIRO: DISSERTAÇÃO (1)
MULHER SOKA EM TERRAS SANTAS: A PROPAGAÇÃO DO BUDISMO EM APARECIDA DO NORTE E JUAZEIRO DO NORTE. MARIA DE LOURDES DOS SANTOS. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014. RESUMO: Essa pesquisa foi realizada com mulheres budistas de Juazeiro do Norte, CE, e Aparecida do Norte, SP, para conhecê-las e saber como as integrantes da Divisão Feminina da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional desenvolvem a prática budista nesses locais marcadamente cristãos. Em Juazeiro, o culto ao Padre Cícero move a cidade. Em Aparecida, o culto a Nossa Senhora Aparecida também mobiliza milhares de pessoas. Duas cidades tão parecidas, mas ao mesmo tempo tão diferentes na forma de manifestar a religiosidade uma popular, outra institucionaliza. Sendo assim, a BSGI em cada localidade também difere na forma de desenvolver suas atividades de proselitismo, o que resulta em uma forma singular da participação das mulheres, principalmente em Juazeiro, e no discurso de seus líderes. A distância geográfica de Juazeiro em relação a São Paulo, onde a sede da BSGI está instalada, e a pouca experiência de sua liderança, pareceu-nos ser o motivo de se desenvolver no distrito uma forma diferenciada de atender aos membros locais, muito diferente das demais localidades onde a BSGI está instalada. Ao mesmo tempo, essa forma poder ser um dos motivos da redução de adeptos apresentada pelo distrito nos últimos anos, associada à questão de relacionamento e afastamento de líderes centrais da Divisão Feminina da organização. Em Aparecida, o apoio de São José dos Campos e a maior experiência de prática das líderes da Divisão Feminina favorecem a existência de uma organização com maior identidade Soka. O sincretismo cristianismo-budismo nasceu no Japão, país em que a fidelidade religiosa não é fundamental. O budismo praticado no Brasil assume elementos do cristianismo. Mesmo sendo japonesa, a BSGI não permite o duplo pertencimento por questões doutrinárias. Apesar da exigência de fidelidade religiosa, nem sempre ela é possível, e o discurso difere muitas vezes da ação de muitas mulheres que se converteram ao budismo. Que tipo de conversão foi realizada, em que plano de consciência é um dos pontos que apresentamos. Como é muito difícil surgir no Brasil um budismo brasileiro , trazemos a proposta de um budismo de fronteira , espaço onde tudo pode acontecer. O espaço entre duas fronteiras fluidas, budismo e cristianismo, favorece o transitar por seus territórios delimitados por culturas e identidades. Por isso, quando uma fronteira se retrai, como está acontecendo com o catolicismo, outras se ampliam, como o pentecostalismo, e, nessa onda, muitas escolas budistas. Dentre elas, a BSGI está se desenvolvendo, mas os espaços religiosos sempre serão delimitados. Nesse universo vive a Divisão Feminina da BSGI. Para conseguir transitar, mesmo que indiretamente por essas fronteiras afinal, estão em um país com mais de 80% da população cristã , necessitam de estrutura social (dos companheiros budistas) e religiosa (dos líderes budistas). Faltando uma delas, não conseguem seguir praticando o budismo.
PADRE CÍCERO & JUAZEIRO: DISSERTAÇÃO (2)
SÍTIO CALDEIRÃO: A VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL CONTRA UMA COMUNIDADE FRATERNA (1889 1937) REGIÃO DO CARIRI / CEARÁ. BENEDITO TADEU DOS SANTOS.  Dissertação (Mestrado em História) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014. RESUMO: A irmandade de Santa Cruz do deserto foi uma comunidade liderada pelo Beato José Lourenço, que surgiu em 1926, formada inicialmente por sertanejos nordestinos, devotos do Padre Cícero Romão Batista que, desde 1889, haviam seguido para Juazeiro do Norte em romaria, após o Milagre Eucarístico, protagonizado pela Beata Maria de Araújo. Ao longo desses 37 anos, retirantes de diversas regiões do Nordeste foram aglutinando-se na região do Cariri, mas esse contingente aumentou significativamente com a chegada gradativa de vitimados pela seca de 1932, a qual maximizou a atávica exploração dos oligarcas rurais, denominados coronéis. No Sítio Caldeirão, situado no munícipio do Crato, no Estado do Ceará, terras do Padre Cícero, José Lourenço e os membros de sua comunidade, calcados em experiências fraternas herdadas do Padre Ibiapina e práticas religiosas comuns aos sertanejos, organizaram-se a partir dos pilares que lhes garantiam a sobrevivência material e preenchiam suas necessidades espirituais: trabalho, oração e partilha dos bens produzidos. Tal estrutura comunitária foi considerada pelos segmentos dominantes cearenses uma ameaça à ordem social estabelecida. A Igreja Católica Romana, por meio de sua hierarquia, comprometida com o projeto de romanização e com as oligarquias agrárias, desprezou suas práticas religiosas, considerando-as expressão de fanatismo. A isso se somou uma intensa disseminação de acusações de práticas comunistas e agrupamento periculoso, o que ajudou a formar uma opinião pública favorável à sua repressão. A campanha militar, formada por policiais civis e militares, do município, do Estado e com a ajuda de forças federais, desencadeada em 11 de setembro de 1936, resultou na dispersão dos membros da comunidade e na desocupação das terras do Caldeirão, tendo como desfecho a campanha ocorrida em maio de 1937, com ataque dessas forças aos remanescentes, que se haviam refugiado na Mata dos Cavalos, na Serra do Araripe. O Sítio do Caldeirão, juntamente com o movimento de Canudos e Pau de Colher, expressa a violência do Estado para com essas formas organizacionais que emergem naquela sociedade, cujo único pecado foi o de lutar contra a miséria, respeitando, conforme sua cultura, as normas e regras estabelecidas pelo próprio Estado e pela Igreja Católica. A análise dessa temática pautou-se em documentos diversos, tais como: periódicos, cartas, relatório da invasão policial, testamento do Padre Cícero, discurso do deputado Dr. Floro Bartholomeu na Câmara Federal, em 1923, e depoimentos (de remanescentes e contemporâneos do Beato José Lourenço).
PADRE CÍCERO & JUAZEIRO: DISSERTAÇÃO (3)
A AÇÃO PASTORAL DE PADRE CÍCERO A PARTIR DOS SERTANEJOS: FÉ COMPROMISSO E LIBERTAÇÃO. ULISSES ABRUZIO.  Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008. RESUMO: O presente estudo analisa, diante da realidade nordestina, a trajetória e a ação pastoral do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Diante de sua perspectiva de evangelização, Padre Cícero foi o mensageiro da libertação do povo oprimido, povo esse, que diante das dificuldades do dia-a-dia era constantemente espoliado e explorado por um sistema político e uma classe dominante que o exclui. O contexto do final do século XIX retrata a dicotomia entre a religiosidade da Igreja Oficial e a religiosidade popular. Diante dessa realidade, Padre Cícero desponta com sua ação pastoral em busca da liberdade do povo simples, respeitando suas tradições e sua religiosidade, comprometendo-se com uma transformação através da fé. Associando fé e vida, e inserindo o povo como agente de sua própria história, não é exagero falarmos de que Padre Cícero inaugurou, mesmo que de maneira embrionária, uma proto-teologia, teologia, essa, que mais tarde foi chamada de Teologia da Libertação.

PADRE CÍCERO & JUAZEIRO: DISSERTAÇÃO (4)
THE CONTRADICTORY IMAGES OF THE POPULAR FIGURE OF PADRE CÍCERO: MITHOLOGIZED AND DEMYTHOLOGIZED. Dissertação (Mestrado em Literatura) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012. RESUMO: Este trabalho propõe um estudo sobre imagens contraditórias da figura popular de Padre Cícero Romão Batista como matéria mítica. Assumimos, com o auxílio das teorizações do mitólogo romeno Mircea Eliade e do antropólogo francês Gilbert Durand, a perspectiva de que o mito permanece e se atualiza infinitamente por meio de imagens e simbolismos arquetípicos. Dividida em três partes, sendo na primeira analisado o sertão mítico, desde suas primeiras tentativas de caracterizá-lo, passando pelo estudo de autores que atribuem uma multiplicidade de significados expressa no discurso de seus personagens; na segunda parte, analisa-se a cidade de Juazeiro do Norte como a cidade mítica, a começar pelos mitos iniciáticos desde o seu tempo inaugural até surgir o mito o qual envolveu a figura popular de Padre Cícero na região do Cariri, onde se situa a cidade de Juazeiro; na terceira parte, analisa-se a imagem contraditória da figura de Padre Cícero, em autores que o mitificam e o desmitificam, reconhecendo na sua figura um messiânico seguidor de Padre Ibiapina e Antônio Conselheiro. Em relação aos protestos sociais, com a diferença de como se deu cada movimento, em Canudos, seu líder morreu tragicamente com seus seguidores e, em Juazeiro do Norte, a violência foi simbólica, transcorrendo exclusivamente dentro dos quadros eclesiais e religiosos: a suspensão das ordens sacerdotais de Padre Cícero.


PADRE CÍCERO & JUAZEIRO: TESE (5)
ROMEIROS E DEVOTOS DO PADRE CÍCERO: INVESTIGAÇÃO PSICANALÍTICA DE PROCESSOS PSICOLÓGICOS DA VIDA RELIGIOSA. KARLA DANIELE DE SÁ MACIEL LUZ. Tese (Doutorado em Psicologia) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012. RESUMO: Ao longo da história, a religião, com sua gama de significados, despertou e vem despertando, cada vez mais, o interesse de pesquisadores das mais variadas áreas, incluindo a psicanálise, começando mesmo com o próprio Freud. Sua obra nos oferece inúmeras contribuições para a compreensão de tal fenômeno. Tais contribuições vão desde um discurso mais científico, passando por um discurso de ordem analítica, até novas maneiras de teorizar acerca da experiência religiosa. Alguns aspectos da religiosidade popular, por exemplo, vêm se destacando enquanto objetos de investigação, seja da psicologia seja da psicanálise. Dentre as mais variadas manifestações da religiosidade popular, temos, aqui no Brasil, os romeiros de Padre Cícero. Essa manifestação caracteriza-se pela peregrinação e culto à imagem do Padre Cícero Romão Batista, pelo povo oriundo do sertão nordestino. Todos os anos, em períodos específicos, a multidão ruma para a cidade de Juazeiro do Norte em busca das bênçãos do Padim Ciço, assim por eles denominado. Desse modo, este trabalho objetivou investigar os processos psíquicos subjacentes à crença religiosa dos romeiros e devotos de Padre Cícero, na medida em que esses se faziam conhecidos. Tal estudo foi realizado por meio da observação participante e da coleta de depoimentos, os quais foram postos em diálogo com os aportes teóricos da metapsicologia freudiana. Essa investigação possibilitou a construção de reflexões sobre a transferência no processo de pesquisa em psicanálise, como também a compreensão da representação das figuras familiares nas insígnias religiosas, passando pelo processo sublimatório das pulsões frente à experiência de fé. Com isso, pretendeu-se conhecer melhor a organização psíquica quando marcada pela experiência religiosa, como também refletir sobre investigação em psicanálise e fenômenos da cultura brasileira.
HOMENS, LETRAS, RISOS E VOZES EM TRINCHEIRAS: MATRIZES NARRATIVAS DOS MOVIMENTOS ARMADOS NO CEARÁ (1912-1914). ANTONIO ZILMAR DA SILVA. Tese (Doutorado em História) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009. RESUMO: Nossa pesquisa perscrutou a participação popular no período da Primeira República no Ceará, quando o Brasil passou pela reformulação da política dos governadores: as chamadas Salvações do Norte, que destituíram elites viciadas no poder desde o tempo do Império. Como pontos de reflexão escolhemos os movimentos armados em Fortaleza e Juazeiro do Norte, em 1912 e 1914, que resultaram na deposição do governo Nogueira Acioli, há 16 anos no poder, e na reorganização das forças do Partido Republicano Conservador (PRC). Em Fortaleza de 1912, as movimentações populares em apoio ao candidato Franco Rabelo ganharam as ruas através de passeatas, palestras, homenagens promovidas por ligas de diversas categorias profissionais. Os enfrentamentos com a polícia aciolina foram inevitáveis, culminando com a morte de crianças numa passeata infantil. Essa ação gerou a deposição de Acioli e a eleição de Rabelo, em meio à grande participação popular. Em Juazeiro do Norte, políticos ligados ao presidente deposto se articularam com Pinheiro Machado e programaram movimento armado para tomada do poder, alegando ilegalidades na eleição de Franco Rabelo. Nesse processo, Padre Cícero e seus fiéis foram integrantes preponderantes, levando ao êxito aquela empreitada. Percebemos as alianças tácitas e sutis entre intelectuais e políticos letrados, entre estes e populares, como suas mobilizações políticas onde emergiram usos de letras, vozes, imagens e desdobramentos de performances. Analisamos suas produções textuais e orais em poesias, crônicas, memórias, caricaturas, como suportes de circulação de seus humores e disputas em livros, jornais, panfletos, folhetos, discursos, canções e paródias, procurando intersecções e mediações possíveis dessas práticas culturais e de suas formas de leitura. Neste processo, encontramos lembranças e esquecimentos em diferentes matrizes narrativas, configurando modos como àqueles episódios foram narrados para a população cearense e o restante do país.


PADRE CÍCERO & JUAZEIRO: TESE (7)
The dynamics of backcountry devotional space: devotion to Padre Cicero and his contribution to the establishment of the identity of the backcountry. Wagner Lima Amaral. Tese (Doutorado em Ciências da Religião) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014.
RESUMO: A dinâmica do espaço devocional sertanejo - A devoção a Padre Cícero e sua contribuição na constituição da identidade do sertanejo tem como objeto de estudo a devoção sertaneja a Padre Cícero, sendo realizada através de ampla análise bibliográfica por meio de trabalhos historiográficos, analíticos e poéticos. Parte da análise do lugar do sertanejo o sertão, entendendo ser a difícil vivência em seu lugar a motivação para a invenção de um espaço particular, por meio de sua devoção, estabelecendo esperança de vida. Neste espaço cria uma dinâmica de transcendência x imanência em que ele transcende ao seu lugar, através de sua ligação com a referência de sua devoção Padre Cícero, somando-se à sua ligação de convívio com seus iguais os devotos romeiros; e, desta forma, percebe a imanência do divino em seu lugar pela prática de sua fé, através de suas dimensões: coletiva, pela oralidade; performática, pelas romarias; e literária, pelos cordéis. A preservação desse espaço por meio da devoção, não somente estabelece novas dinâmicas para o sofrido sertanejo como influencia determinantemente em sua própria identidade, acrescentando ou acentuando características como uma visão poética da realidade, uma apropriação dos símbolos, uma resistência à desesperança, uma compreensão mística da vida. Tais características influenciam na formação de sua identidade, tornando-o autor e ator de sua própria realidade, inventor de uma dinâmica bela e esperança para a vida; na qual ressignifica antigos conhecimentos, tornando-os aplicáveis em seu novo contexto, criando uma resistente esperança na qual toda a realidade é entendida, interpretada e vivida em forte tonalidade mística cristã, trazendo significado para esta vida e a por vir, numa perspectiva escatológica triunfal. Assim, é o devoto que determina a preservação da vida ao sertanejo por meio de seu espaço
PADRE CÍCERO & JUAZEIRO: TESE (8)
Padre Cícero do Juazeiro do Norte: a construção do mito e seu alcance social e religioso. Carlos Alberto Tolovi. Tese (Doutorado em Ciências da Religião) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2016. RESUMO: Tomando a figura de Padre Cícero como referência é possível perceber um processo de santificação que coincide com a construção de um mito. Porém, este santo mitificado tem algo de específico: ele foi construído pela religiosidade popular e ainda hoje pertence a ela. Afinal, o patriarca do Juazeiro do Norte, carinhosamente chamado como meu padim é um santo que vive no sol pelo fato de ter morrido afastado das Ordens Sacerdotais. Decisão eclesial que permanece até os dias de hoje. Padre Cícero ainda não foi reabilitado pela hierarquia da Igreja Católica. Portanto, é proclamado santo pelos seus romeiros e romeiras, mas ainda não pode entrar na Igreja e ocupar um espaço ao lado de outros santos em sua grande maioria, europeus. Reflexo de uma ideologia colonialista que, por meio do controle do sagrado estabelece uma relação de poder caracterizado como clerical, centralizador e hierárquico. Uma realidade histórica que só pode ser compreendida a partir de um cenário mais amplo, onde também estão inseridos Padre Ibiapina, Conselheiro e Zé Lourenço. Cenário de grandes e marcantes conflitos entre a hierarquia da Igreja católica, a religiosidade popular e o Estado brasileiro. É dentro deste contexto que procuramos compreender a estrutura do mito em torno da figura de Padre Cícero. Uma figura aparentemente enigmática e contraditória. Porém, do ponto de vista da religiosidade popular ele estará inserido num universo coerente e pleno de sentido, na luta pela sobrevivência, abrindo brechas nas estruturas de poder constituídas. É nesta perspectiva que podemos compreender um processo de mitificação envolvendo a figura de Padre Cícero, com impactos direto na realidade política, social e econômica que envolve Juazeiro do Norte, a Região do Cariri, o Estado do Ceará, com reflexos imediatos no cenário das disputas pelo poder a nível nacional. Enfim, a partir de Padre Cícero e Juazeiro do Norte podemos perceber que o mito possui uma íntima relação com a religião, influenciando diretamente as relações sociais.
COMENDA MEMÓRIAS DE JUAZEIRO, 2017
No próximo dia 13 de abril (quinta feira da semana santa) às 20 horas no Memorial Padre Cícero, acontecerá a Décima Sétima Edição da Concessão da Comenda Memórias de Juazeiro, promovida pela Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte, AFAJ, com sede em Fortaleza. Este ano, os agraciados escolhidos por todos os membros da diretoria em votação secreta recaiu sobre as seguintes personalidades (na foto, vistos da esquerda para a direita): José da Cruz Neves (Zeca da Cruz), Dr. Juvêncio Joaquim  de Santana e Maria Assunção Gonçalves. Assim, anualmente, a Associação tem realizado a escolha dos seus homenageados, seguindo um ritual previsto pela indicação circunstanciada, patrocinada pelos associados, e justificada pela proposta subsidiada em dados biográficos que informam os valores de vida e obra dos candidatos apresentados. Em anos anteriores foram agraciados com a Comenda Memórias de Juazeiro, as seguintes personalidades: Em 2001: José Geraldo da Cruz, Manoel Francisco Germano e Odílio Figueiredo; Em 2002: Antonio Fernandes Coimbra (Mascote), Dário Maia Coimbra e José Monteiro de Macedo; Em 2003: Expedito Pereira, Francisco Erivano Cruz e Felipe Néri da Silva; Em 2004: Francisco Néri da Costa Morato, José Bezerra de Menezes e Mozart Cardoso de Alencar; Em 2005: Antonio Corrêa Celestino, Expedito Guedes e José Teófilo Machado; Em 2006: Mons. Francisco Murilo de Sá Barreto, Samuel Wagner Marques de Almeida e Walter de Menezes Barbosa; Em 2007: Amadeu de Carvalho Brito, Aureliano Pereira da Silva e Edgar Coelho de Alencar; Em 2008:  Durval Aires de Menezes, Getúlio Grangeiro Pereira e Tarcila Cruz Alencar; Em 2009: Antonio Conserva Feitosa, Francisca Pereira de Matos  e Gumercindo Ferreira Lima; Em 2010: José Perboyre Sampaio Sabiá, José Pereira Nobre e Tereza de Sousa Pereira; Em 2011: Luiz Gonçalves Casimiro, Orlando Bezerra de Menezes e Valdetário Pinheiro Mota; Em 2012: José Feijó de Sá, Manuel Rodrigues Veloso e Ten. Raimundo Saraiva Coelho; Em 2013: Expedito Ferreira Lima, João Maurício e Silva e Teodoro de Jesus Germano; Em 2014: Antônio Araújo Silva, Bartolomeu Alves Feitosa e Cel. Firmino Araújo; Em 2015: Francisco Edmilson Brito, Maria Alacoque Bezerra de Menezes e Milton Sobreira da Cruz; e Em 2016, pela primeira vez realizada em Juazeiro do Norte, a AFAJ decidiu homenagear os senhores José Mauro Castello Branco Sampaio, Leandro Bezerra de Menezes e Odílio Camilo da Silva. Na cerimônia do dia 13.04 próximo, estará também sendo lançado um livro, de quase 400 páginas, alusivo à essa Comenda, contendo as 51 biografias dos homenageados em todas essas solenidades, incluindo os homenageados de 2017. A AFAJ já está endereçando convites às famílias desses agraciados, desde 2001, para que mais uma vez recebam as homenagens da Associação. Para participar desse evento uma grande caravana de associados está sendo aguardada em nossa cidade, oportunidade em que passarão aqui as celebrações da semana santa, fato sempre tão agradável aos juazeirenses que há muitos anos residem em Fortaleza e outras cidades. A AFAJ e essa Coluna convocamos amigos e parentes de todos esses distinguidos pela Comenda Memórias de Juazeiro para prestigiar esse acontecimento. No ato, portanto, haverá uma sessão solene para a Concessão, seguida do lançamento do livro Comenda Memórias de Juazeiro e um coquetel, no encerramento.


NOVAS LEITURAS
O V Simpósio sobre Padre Cícero deu espaço para que livros novos fossem lançado e alguns antigos voltassem à cena. Foi o caso da obra da profa. Loureto de Lima, José Lourenço – o beato perseguido. Dos novos foi vendido na lojinha improvisada Incêncios da Alma, de Edianne Nobre. E reencontrei, depois de longo tempo o meu amigo Abraão Batista, sempre trazendo parte de sua coleção de folhetos de cordel. Mas sempre com uma oportunidade para mostrar coisas novas, como esse “Deu Xixi nas Cabeças de Deputados e Vereadores da Princesa da Menopausa. Pra gente ler e morrer de rir.


DOCUMENTO: FLORO, PRESIDENTE
Que lê a crônica da Sedição de Joazeiro (1913-1914) sabe que houve uma divisão inevitável da Assembléia Legislativa do Ceará em dois grupos, um comandado pelo Deputado Floro Bartholomeu da Costa  que veio para o Cariri e um outro que permaneceu resistindo na Capital. Franco Rabelo somente se afasta do Governo do Ceará em 14.03.1914. Mas pelo documento acima mostrado, Floro Bartholomeu antecipou-se ao desfecho e se proclamou Presidente do Estado. Nesse documento, ele toma uma atitude de rotina, e pelo instrumento, onde ele decide e assina como Doutor Floro Bartholomeu da Costa, Presidente do Estado do Ceará, em Joazeiro do Cariry, etc, nomeou o senhor Manoel Honorato Cavalcante Filho coletor estadual na cidade de Morada Nova, datando o documento de 10.03.1914, assinando-o também, solidário Theodomiro Ramalho. A anotação embaixo se refere ao fato do nomeado ter feito o compromisso legal quando assumiu em 16.03.1914, perante o intendente municipal da vila de Morada Nova e o termo foi assinado pelo secretário interino Pedro Barreto. Interessou-me saber quem era Theodomiro Ramalho. E descobri que esse cidadão tinha uma empresa em Joazeiro, em 1914, com o nome de Theodomiro Ramalho & Cia. Para descaroçar algodão. Como é que ele foi parar sendo chefe de gabinete de Floro, ou seu secretário, eu não sei.


ANTOLOGIA CORDEL E MEIO AMBIENTE
Será lançada no dia 28.04, pp, a ANTOLOGIA CORDEL E MEIO AMBIENTE, de ZÉLIA MONTEIRO BORA (Universidade Federal da Paraíba - UFPB), ANNA CHRISTINA FARIAS DE CARVALHO (Universidade Regional do Cariri – URCA) e ADAYLSON WAGNER SOUSA DE VASCONCELOS (Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “Nesta seleção, muitos outros poetas do cordel clássico, além de Leandro Gomes de Barros e Manoel Monteiro, poderiam ter sido escolhidos, entretanto, sabemos que essa lista se estabeleceria para além dos limites de páginas propostas para a organização desta antologia. Por essa razão, os autores optaram por esta pequena amostragem e privilegiaram a possível gênesis de uma literatura de cordel mais ecocrítica, centrada na ideia de devastação do meio ambiente que vem atravessando o milênio como um dos temas mais importantes do cordel contemporâneo, como tentamos evocar em nosso trabalho. Além desses dois clássicos, o cordel contemporâneo demonstra que, nas fronteiras do ecológico, expressas nos textos aqui presentes, é prioridade um tema quase existencial do ser nordestino, tanto da perspectiva masculina, quanto da feminina, como são os casos das poetisas Rosário Lustosa, Anilda Figueiredo, Semira Adler, Sebastiana Gomes (Bastinha), Nezite Alencar, e dos poetas Nelson Barbosa, Marcelo Soares, Marco di Aurélio, Stélio Torquato, Medeiros Braga e Luar do Conselheiro.” Agradeço a Anna Christina Farias de Carvalho o gesto atencioso pela remessa do convite. O ato acontecerá às 18:30h no Salão da Terra, na Universidade Regional do Cariri e conta com o apoio da Pro Reitoria de Extensão.


V SIMPÓSIO: REPERCUSSÃO (1)
Sempre que possível, estaremos reproduzindo aqui algumas impressões sobre o mais recente Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero, há pouco realizado. É o caso desse artigo, divulgado através da REVISTA IHU ON-LINE (28.03.2017), com o título de "A IGREJA RECONHECERÁ A SANTIDADE DO PADRE CÍCERO".
“Existem figuras que estão intimamente ligadas a certos lugares. O Padre Cícero Romão Batista e Juazeiro do Norte são um exemplo desta afirmação, ao ponto de poder dizer que não é possível entender um sem o outro, pois a história do personagem e da cidade são marcadas reciprocamente.
A reportagem é de Luis Miguel Modino, publicada por Religión Digital, 26.03.2017. Traduzido por Henrique Denis Lucas. De 20 a 24 de março, dias em que foram celebrados os 173 anos do nascimento do "Santo Nordeste" brasileiro, ocorreu no Memorial Padre Cícero o V Simpósio Internacional Padre Cícero, organizado pela Universidade Regional do Cariri (URCA) e pela prefeitura da cidade de Juazeiro do Norte, evento que coincidiu com a 35ª semana Padre Cícero. Diversos oradores conhecidos, provenientes do Brasil e do exterior, entre os quais cabe destacar a figura notável de Leonardo Boff, conversaram com mais de 650 participantes, ajudando-os no aprofundamento da vida e da obra do sacerdote. O tema escolhido foi: "Reconciliação, e agora?", ideia que surge após o processo desencadeado pela Igreja Católica e que teve como consequência a reconciliação da Igreja com o Padre Cícero, através do Papa Francisco, cumprindo assim as palavras que o próprio sacerdote dizia aos que se preocupavam com a sua situação canônica: "Não se preocupem, meus filhos, quando chegar a hora, a própria Igreja Católica me defenderá". Leonardo Boff, na conferência de encerramento, ansiosamente aguardada pelos participantes do simpósio, abordou a figura do Padre Cícero a partir do Pontificado do Papa Francisco, estabelecendo pontes de união entre os dois personagens de grande importância para a história da Igreja. O teólogo brasileiro declarou que é importante que a Igreja reconheça a santidade de alguém que já é santo para o povo, como testemunhou mais uma vez no Simpósio a dona Rosinha do Horto, uma das poucas pessoas ainda vivas que conviveram com o padre Cícero, para quem ele nasceu, viveu, morreu e continua santo. Boff salientou que chegará o dia em que o Padre Cícero será beatificado e canonizado, processo ao qual Maria de Araujo também deveria passar, reconhecendo assim o papel e o valor das mulheres, pois em sua boca teve lugar o milagre da hóstia que se converteu em sangue, e que em consequência disso, ela tenha se mantido reclusa até a sua morte.
O Papa Francisco é considerado por muitos como uma das grandes vozes da teologia da libertação e como alguém que vem desse mundo, de uma Igreja que pensa sobre a justiça social, que fez a escolha pessoal de viver na pobreza, estando perto dos pobres, visitando uma vez por semana as vilas miseráveis da capital Buenos Aires, sempre através de transportes públicos, sozinho, entrando nas casas, tomando café com as pessoas. Boff qualifica o Bispo de Roma como uma das grandes bênçãos que Deus deu aos cristãos e à humanidade, o que tem feito que muitos se sintam orgulhosos de serem católicos. Ele é atualmente o único líder mundial a quem todos escutam, alguém que promove a reconciliação e o diálogo entre países e religiões, em uma clara opção pela vida, alguém que diz a verdade com ternura e determinação. Neste sentido, Francisco é definido como aquele que trouxe uma primavera para a Igreja, depois de um longo inverno, uma Igreja de abertura, de diálogo com a cultura e com o mundo, com os movimentos sociais, para escutar das próprias bocas das pessoas que sofrem com os tormentos, os gritos das vítimas. Francisco estabelece uma Igreja de portas e janelas abertas, não encerrada em um castelo cercado de inimigos por todos os lados. Ele é alguém que se despoja dos símbolos de poder, o que irá criar uma genealogia de Papas advindos do terceiro e do quarto mundo, iniciando uma nova forma de exercer o papado como serviço colegial, dirigindo a Igreja não a partir do direito canônico, mas a partir da caridade, sem condenar ninguém e reconciliando-se com quem foi condenado em outros tempos, tal qual os teólogos da libertação.

Quando o Papa Francisco, de acordo com Leonardo Boff, fala aos cardeais, bispos, sacerdotes ou seminaristas, mostra-lhes muitas das coisas que foram vividas pelo Padre Cícero, alguém que era um conselheiro, que caminhou com o povo, que abençoou, que esteve no meio das pessoas, com cheiro de ovelha, um exemplo de uma Igreja em saída, em direção ao povo, aos pobres. Entre os reconhecimentos que o Papa fez ao Padre Cicero estão os seus dez mandamentos ecológicos, cujo espírito está presente na Encíclica Laudato Si. O Padre Cícero compreendeu o seu ministério não como burocracia, mas como um serviço aos outros, a partir da simplicidade, realizando um movimento de convivência direta com as pessoas, as quais eram o centro de sua vida, falando com todos que encontrava, visitando todas as casas, abraçando as crianças, dando orientação e bons conselhos para todos os que reuniam-se à tarde em frente de sua casa, especialmente os mais humildes, as pessoas mais pobres, sendo sempre um exemplo de paciência, conforto, atenção, carinho e disponibilidade, com um coração compassivo e misericordioso que se comovia diante da necessidade das pessoas, sem nunca cobrar nada pelo seu trabalho pastoral. Foi alguém que obedeceu o que Roma determinou sobre a sua vida e nunca fez qualquer crítica à Igreja. A importância do Padre Cícero vai mais além do âmbito eclesial, sua figura é destacada por representantes da sociedade civil. Nas palavras do prefeito da cidade, José Arnon Bezerra, ele "só ganhou a importância que tem hoje para milhares de pessoas, por causa das mudanças que promoveu na sociedade. Por isso a sua palavra ainda é ouvida e repassada até hoje", aspecto que também foi ressaltado pelo Reitor da Universidade, Patricio Pereira Melo, que organizou o simpósio, que não hesitou em dizer que a "história do Padre Cícero se entrelaça com a história da região do Cariri", porque, em sua opinião, "a história de Padre Cícero é um entrelaçamento de política e misticismo". Um dos principais fatores de reconciliação entre a Igreja Católica e Padre Cícero foi o atual bispo emérito da Diocese de Crato e Presidente de Honra do Simpósio, Dom Fernando Panico, em um processo que ele mesmo promoveu desde 2002, que se prolongou quase 15 anos e que, finalmente, tornou-se uma realidade com o Papa Francisco. Em sua apresentação, o prelado destacava a realidade sócio-religiosa cada vez mais rica de Juazeiro do Norte, um fato que se deve à figura do Padre Cícero e que tanto influencia a vida pastoral da capital do Cariri, não hesitando em afirmar ao longo dos dias de hoje que ele é uma maravilha em nossas vidas. Esta ideia foi corroborada por Dom Gilberto Pastana, bispo diocesano de Crato, para quem o evento realizado ajuda a fazer uma leitura da vida, memória e herança espiritual do sacerdote cearense. Mas o Padre Cícero não é uma figura isolada, mas uma parte de uma corrente que teve seus antecessores e sucessores. Neste sentido, o arcebispo Antonio Muniz Fernandes, Arcebispo de Maceió, insistiu em uma palestra com temática orientada para a unidade de vida e ação compartilhada entre o Padre Cícero e o Padre Ibiapina, que realizou grande trabalho social na pobre realidade do Nordeste brasileiro, sobretudo através das casas de caridade. Enquanto o segundo foi esquecido, os romeiros nunca deixaram cair no esquecimento aquele que sempre teve reputação de santidade, inclusive sendo excluído da Igreja Católica. Entre os seguidores desta corrente iniciada por Ibiapina e seguida por Padre Cícero, cabe destacar, na opinião do Padre Vilecí Basilio Vidal, a figura do beato Zé Lourenço que constituiu uma comunidade de cerca de duas mil pessoas no lugar conhecido como Caldeirão e que tornou-se um exemplo de desenvolvimento sustentável e ecológico, com uma forte influência religiosa, o que levou seus habitantes a viver com alegria e abundância, em uma época em que a maioria dos pobres passava por grandes necessidades, provocando a ira dos governantes e sua posterior destruição. O Simpósio não quis esquecer os romeiros, figuras profundamente ligadas àquele que consideram santo, para quem, nas palavras de Edin Sued Abumanssur, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o importante não é como chegar, mas chegar, pois não podemos esquecer que a maioria dos romeiros são pobres. Esta forma de catolicismo popular se expressa de muitas maneiras, pois ainda hoje há muitas pessoas que escrevem cartas para o padre Cícero, contando seus problemas e preocupações, pedindo sua intercessão ou agradecendo favores alcançados através dele, como constatava em sua apresentação a professora Maria das Graças Ribeiro de Oliveira Costa. Um dos grandes estudiosos do padre Cícero é a professora da Universidade de Berkeley (EUA), Candace Slater, que após a nova situação canônica do Padre Cícero, empenhou-se em perguntar aos romeiros a sua opinião a respeito, ressaltando que isto não tenha mudado muito a relação do romeiro com o seu "Padim", próximos de quem eles se sentem bem, pois como também ressaltou o historiador Renato Casimiro, a crença de que Padre Cícero seja um santo se estende entre os romeiros. Uma das preocupações entre os romeiros é o fato de que agora a Igreja Católica queira se apropriar da figura de seu santo popular, constatava a irmã Annette Dumoulin. O caminho de reconciliação é um primeiro passo que certamente vai acabar no reconhecimento de alguém que nunca se preocupou com o que os outros pudessem pensar, tendo como prioridade tornar presente entre os mais pobres o Deus da misericórdia. Santo ou não, para a Igreja, os pobres sempre o tiveram como uma mão de Deus em sua vida, como um santo dos pés à cabeça.

sábado, 25 de março de 2017


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que semanalmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de quartas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
252: (22.03.2017) Boa Tarde para Você, Candace Slater.
Pela quinta vez consecutiva, desde aquela data memorável de abril de 1988 quando foi aberto o Primeiro Simpósio Internacional Sobre Padre Cícero e os Romeiros do Juazeiro, temos a grata satisfação de recebê-la, Candace, para ouvi-la sobre a atualidade candente de seus estudos. Para nós, é muito expressivo que a sua instituição de origem, a Universidade da Califórnia, no campus de Berkeley, continue a fomentar por seu intermédio o interesse pela história e a cultura desse nosso recanto de vida e personagens, você que iniciou aqui, em tão recuado ano da década de 70. Refiro-me, particularmente quando em verdes anos de sua juventude abeirou-se de Juazeiro do Norte e do Cariri para elaborar tão significativa pesquisa patrocinada pelo Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Stanford, sobre a literatura de cordel em nosso pais. Por tal motivo é que iniciamos a tê-la aqui por perto numa sucessão de incontáveis idas e vindas ao Juazeiro do Norte, ao sabor gratificante de uma convivência que foi se amiudando entre você, estudiosos e gente de famílias, amigos que se eternizaram, já com várias perdas para a eternidade. Assim, vimos surgir o original Stories on a string – The Brazilian Literatura de Cordel, em sua primeira edição americana, de 1982, pelo selo da University of California Press, para que em breves dois anos, a seguir, tivéssemos a tradução para o português, como A vida no Barbante, de 1984. Prosseguindo com sua investigação, também foi assim que vimos sair da prensa, Trail of Miracles – Stories from a Pilgrimage in Northeast Brazil, também pelo selo da UC Press, de 1986, ainda inédito para nós, no Brasil, a reclamar tradução para o nosso acesso, que provavelmente ainda poderá ser denominada de Trilha de Milagres – “Estórias” de peregrinação ao Nordeste do Brasil. É o caso de se dizer, que vexame!, pois não é a leitura da Academia que importa apenas, senão a vulgata tradução para o nosso vernáculo, em edição que nos interessa tanto e que vem tardando da parte dos negócios editoriais, lamentavelmente em terra de pouca leitura – lamentavelmente. Mas nós, aqui em Juazeiro do Norte, sediados em seu meio universitário, reclamamos apoio e a oportunidade que tarda para mais de trinta anos, um pouco dessa pretensa cabeça pensante para retirar desse aparente ostracismo um texto bonito e inteligente que, felizmente, não caducou. Nesses anos sentimos de você, Cândida, a partir dessa maneira como a tratamos, uma amorosa dedicação aos estudos de nossa cultura, uma inexcedível e, diria, até compulsiva participação de suas inquietas e provocativas participações para continuar contribuindo positivamente aos estudos. Como temos a lhe agradecer, apenas para relembrar esse passivo de duas riquíssimas contribuições já saídas e tantas outras coisas esparsas em sua relação bibliográfica de inúmeros artigos em revistas, além da participação de eventos, onde você se fez nossa representação fiel e competente. Nessa jornada de hoje, aqui entre nós, e logo mais no Memorial, teremos todos os ouvidos disponíveis para receber sua mensagem acerca de “Algumas respostas dos romeiros à reconciliação” dentro da temática proposta para essa quinta edição do Simpósio. Tiro por mim, que lhe apresentei tantas indagações sobre o modo como isso nos veio a ser apresentado, tanto pela correspondência do Cardeal Gerhard Ludwig Muller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício, quanto por aquela tida como a mais impactante, assinada como termo de Reconciliação da Igreja com o Padre Cícero, “jamegada” pelo cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé e das Relações com os Estados, como se fora efetivamente assinada por sua santidade o Papa Francisco. Vamos ouvi-la, Cândida, vamos lhe escutar atentamente para captar mais uma vez e com a sua atualizada ausculta essas certezas x incertezas que emanam de corações tão puros como são os dessas nobilíssimas, anônimas e valiosas expressões de tantas almas devotas do Pe. Cícero. Ainda ontem, por ocasião da conferência de John Eade, vimos emergir de sua exposição e da consideração de alguns presentes, a precipitação de um esboço de pauta para que daqui a dois anos novamente “as coisas do Joaseiro” e seus debates novamente animem outra edição desse Simpósio. Realmente inesgotável é essa pauta, face ao curioso e o intempestivo das provocações acadêmicas. Quanto a mim, esse seu amigo menor, tão admirador dessa sua força interior que nos traz tanto, só lhe digo que vá se preparando para que não deixemos de contar com você por perto, sempre que essas histórias nos permitam reunir festivamente e celebrar a graça de nos reencontrarmos.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 22.03.2017)

BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! (75) Por Renato Casimiro
MINHA MÃE, DORALICE SOARES CASIMIRO, CENTENÁRIA... Certa vez eu li um texto que comentava o resultado de uma pesquisa no Canadá com respeito à memória na primeira infância. A pesquisa havia detectado que efetivamente a memória da criança vai se consolidando após o quarto ano de vida, em decorrência de uma questão óbvia: esquecemo-nos de acontecimentos enquanto ainda somos crianças. E daí outra questão que emerge é o conhecimento de que o nosso cérebro vai se aprontando aos poucos para guardar, para arquivar memórias para o resto dos nossos anos. Ao saber disso que até parece tão elementar, eu fui conscientizando porque eu tenho tido uma relativa facilidade para conduzir essas Memórias da Rua São José, pelo fato relevante que eu estou retornando a acontecimentos da fase em que eu estava ultrapassando os 4 anos de idade, ao tempo em que aí cheguei para residir. Parte significativa dessas lembranças vai para o lado afetivo da minha relação com minha mãe, em quem pude enxergar uma figura doce, amorosa, absolutamente disponível, extremamente protetora e que marcaria a minha existência definitivamente, especialmente quando ingressei da fase de escolaridade. O acervo dessas lembranças realmente esconde parte de minha existência, anterior aos quatro primeiros anos. Mas na Rua São José, exatamente porque coincide com essa transição, eu percebo que a memória como que explodiu para revelar, se assim não exagero, uma enciclopédia de informações que me permitem hoje celebrar com riqueza de detalhes quem foi e a importância da minha mãe em toda a minha formação. Por isso, ao celebrar hoje, 19 de março de 2017, o seu centenário, eu gostaria de revisitar um pouco da sua vida e sua obra para trazer esse conforto que me invade o ser, pela felicidade única e o privilégio incomensurável da sua tutela física, moral e espiritual, em quase todos os maiores momentos de minha existência. Por isso, começo dizendo que Doralice Soares da Silva, depois Doralice Soares Casimiro, nasceu no dia 19 de março de 1917, no município de Juazeiro do Norte, Ceará. Filha de Antonio Soares da Silva e Eudócia Soares da Silva, ambos nascidos em Alagoas. Iniciou seus estudos no colégio do prof. Anchieta Gondim, aí por volta de 1926, e temos até uma fotografia de toda a sua turma naquela ocasião. Interessante observar que nesta foto também está Luiz Casimiro, com quem, 26 anos depois, se casaria. Em seguida no Grupo Escolar Pe. Cícero, onde concluiu o primário. Continuou estudos na recém-fundada Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte, então dirigida pelo Dr. Plácido Aderaldo Castelo, juiz da Comarca. Ela colou grau como professora rural na segunda turma daquele estabelecimento, em 22.11.1938. Naquela noite uma das mais festivas daquele ano na cidade, no Cine Teatro Roulien, com a presença do então governador do Estado, Dr. Menezes Pimentel, as professores Ruralistas, cujo paraninfo foi o Dr. Plácido Aderaldo Castelo, na época já residindo em Fortaleza, e exercendo a função de Secretário da Fazenda, receberam seus diplomas, assistidas por uma grande comitiva de autoridades onde estavam também: Capitão Cordeiro Neto, Secretário da Segurança Pública; Dr. Brasil Pinheiro; Secretário da Interventoria; Dr. Torcápio Ferreira, Diretor do Departamento de Terras e Colonização; Dr. Aristóbulo de Castro, Diretor Geral da Agricultura; Dr. Ramir Valente, Diretor do Departamento Fiscal e Classificação do Algodão; Dr. Fran Martins, Secretário da Imprensa Oficial; Dr. Adonai de Medeiros, da Associação Cearense de Imprensa; Capitão Ponce de Leão, Ajudante de Ordens; Dr. Joaquim Guedes, da Rede de Viação Cearense; Dr. Vicente Augusto, Prefeito de Lavras da Mangabeira; Prof. Stenio de Lucena Lopes, Delegado do Ensino; Cel. Antonio Gonçalves Pita, Prefeito Municipal de Juazeiro do Norte; Mons. Joviniano da Costa Barreto, Vigário da Paróquia; Dr. Fernando Barros, Inspetor da Rede Viação Cearense; Dr. Luiz Montenegro, Industrial; Dr. Edilberto Ferreira, Agrônomo Inspetor. Sua turma era composta por dezessete formandas: José Sebastião da Paixão, Maria Menezes Pereira, Maria Assunção Gonçalves, Cenobilina Cruz Luna, Maria Nelse Silva, Doralice Soares da Silva, Maria das Dores Germano, Zilda Figueiredo, Nerci Matos Pereira, Isa de Sousa Figueiredo, Maria Venúsia Cabral, Marcionília Jácome de Carvalho, Rici Acioli Maia, Maria Zuila Belém de Figueiredo, Ana Aderaldo Castelo, Emir Landim e Maria Nazaré Pereira. Diplomadas, Doralice Soares, Nazaré Pereira, Zuila Belém e Maria Meneses fundaram uma escola particular, o Instituto Dom Vital, que funcionou na Rua São José, num casarão vizinho ao casarão construído pelo Pe. Cícero para abrigar a pretendida Diocese do Cariri, ao lado da sua residência. Foi professora estadual, tendo exercido seu magistério no Círculo Operário São José, até a data de sua aposentadoria, nos anos 60. No Círculo Operário, quando ainda estava dedicada no período matinal alfabetizou seus filhos, Ana Célia e Antonio Renato. Este emprego de professora foi obtido graças à renúncia de sua irmã, Maria dos Anjos que transferiu a cadeira de sua responsabilidade para Doralice e da mediação do então vigário da paróquia, Mons. Joviniano da Costa Barreto, com o propósito de oferecer escolaridade aos filhos dos associados do Círculo, então sob a presidência de Luiz Coimbra. Colaborou também, ao lado de Maria Menezes e Maria Germano, com o ensino na Escola Técnica de Comércio, pouco depois de sua fundação. Casou com Luiz Gonçalves Casimiro, paraibano de Sousa, bancário do então Banco do Juazeiro, e a partir de 1953 viajaram pelo interior do Nordeste, particularmente no sul da Bahia, onde negociavam joias do artesanato de Juazeiro, labirinto, rendas e bordados do Aracati. Em 1954 se estabeleceram no comércio de Juazeiro com uma loja de material elétrico, o Centro Elétrico. Nesse empreendimento, Doralice e Luiz se dedicaram completamente até praticamente quando faleceram ambos, em 1989. Especialmente na fase da chegada da Energia Elétrica de Paulo Afonso ao Cariri, época de intensa atividade comercial, Doralice continuou a lecionar no Círculo Operário São José, no período noturno, dedicada à alfabetização de adultos, com alunado do serviço militar do Tiro de Guerra, ou dentre os empregados no comércio da cidade. Mãe e esposa exemplar, sua crença na família como a célula da sociedade pode ser avaliada por um texto que escreveu em 1970: “A família constitui, para o homem, o centro do universo, onde se delineiam os traços decisivos de sua personalidade, onde se vivencia as experiências mais significativas, onde se reúne energias e esperanças para sonhar os grandes sonhos do porvir. O mundo da família estrutura, ou desmantela a personalidade. Forma, ou deforma o ser humano. Educa para a coragem e o sucesso, ou mergulha o homem na timidez e no fracasso. Do lar partem os homens fortes para a conquista do mundo, e os fracos para os seus revezes. A família encaminha para o amor ou desencaminha para o ódio. A família pode constituir um ninho quente de amor, ou um universo gelado de solidão. A família constrói para o homem um oásis sereno de paz, ou uma agitada atmosfera que marca para sempre a alma de inquietação. A felicidade se encontra no seio do lar, ou não se encontra em parte alguma”. Trabalhou sempre para legar aos seus filhos o melhor exemplo, levando-os até o ensino superior, quando a tudo assistiu nos mínimos detalhes. Em 20 de Janeiro de 1972 foi acometida de trombose cerebral que a vitimou por mais de 17 anos. Desse acidente, teve boa recuperação e muito lúcida e disposta voltou a trabalhar no comércio por pelo menos 10 desses anos de doença, sempre muito solidária aos esforços do marido. O agravamento das sequelas do acidente vascular cerebral, especialmente nos últimos 3 anos, veio a determinar o seu falecimento na noite do dia 22 de julho de 1989, em Juazeiro do Norte, aos 72 anos de idade. Todos nós e, particularmente Luiz Casimiro, sofremos muito com essa morte que de há muito se anunciava. Tanto que, decorridos apenas 36 dias após o sepultamento de Doralice, Luiz Casimiro faleceu em decorrência de complicações em sua saúde, com uma gripe, e por uma embolia pulmonar no derradeiro instante. Se tivéssemos, nós da família, que estabelecer sua causa mortis, não teríamos nada mais a acrescentar, senão, de que o motivo teria sido saudade... Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 19.03.2017)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 31, sexta feira, às 19 horas, o filme MINHA VIDA NA OUTRA VIDA (Yesterday´s children, EUA, 2006, 93min). Direção de Marcus Cole. Sinopse: Jenny Cole (Jane Seymour) mora com o marido e filho na América. Ela está grávida e começa a ter sonhos fortes sobre uma pequena cidade que tem uma grande igreja. Jenny fala para a mãe sobre os sonhos e ela mostra alguns desenhos que Jenny fez na infância que são idênticos aos sonhos. Elas descobrem que a cidade ficava na Irlanda na década de 30 e Jenny vai até lá para tentar entender seus sonhos e saber se já viveu lá no passado.

CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 11, sábado, às 17:30 horas, o filme SUSPEITA (Suspicion, EUA, 1941, 99min) Direção Alfred Hitchcock. Sinopse: Lina McLaidlaw (Joan Fontaine), uma moça rica e tímida, se apaixona pelo malandro Johnnie Aysgarth (Cary Grant), um playboy que vive apostando com o dinheiro dos amigos. Os dois se casam, mas logo após a lua de mel Lina começa a conhecer a verdadeira personalidade de Johnnie e passa a desconfiar que o marido é um assassino que fará dela sua próxima vítima.
CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 31, sexta feira, às 20 horas, dentro do Festival de Filmes Inesquecíveis, o filme SISSI (Sissi, Austria, 1955, 105min). Direção de Ernst Marischka. Sinopse: É o ano de 1853. A então princesa Isabel da Baviera, de 15 anos, acompanha sua mãe e irmã mais velha Helena para a corte austríaca em Bad Ischl, onde o noivado entre Helena e o jovem imperador Francisco José I, seu primo-irmão, será anunciado. Este, contudo, apaixona-se pela outra prima, Isabel (mais conhecida como Sissi), enquanto ela está pescando. Sissi também ama Francisco José, mas o casamento encontrará a oposição da exigente mãe do imperador.

Livro faz críticas a Igreja Católica (Foto: Mário Flávio/G1 Caruaru)
PADRE CÍCERO: NOVO LIVRO
Foi lançado sábado passado, 18.03,  em Caruaru,  no Agreste de Pernambuco, o livro 'Cícero Romão Batista – Meu Padim: Quando a Igreja vai (re)ordená-lo Padre?'. O evento aconteceu em uma livraria do Shopping Difusora, a partir das 18h. A autoria da obra é do juazeirense José Pereira Godim, de 71 anos.
Segundo um release da imprensa pernambucana, “O livro fala sobre a trajetória de padre Cícero como sacerdorte, depois membro excomugado da Igreja Católica em 1916 e também prefeito de Juazeiro do Norte-CE, até sua morte em 20 de julho de 1934. A imagem de padre Cícero é ligada ao possível milagre da hóstia ensaguentada, causa de perseguições ao religioso. Ele é o considerado o "santo popular" por muitos fiéis mesmo tendo sido afastado da Igreja. Em 2015, o Vaticano atendeu ao pedido do bispo Dom Fernando Panico e reconciliou o padre Cícero Romão Batista com a Igreja Católica. Esse é o primeiro livro de um trilogia que será complementada nos próximos anos.”

NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
A noite Da última quarta-feira (22.;03) foi marcada por uma cerimônia solene no Memorial do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, para a condecoração do bispo Dom Gilberto Pastana e oito padres da Diocese de Crato como “cidadãos juazeirenses”. A ocasião representou o ápice da Semana do Padre Cícero, que este ano chega a sua 35ª edição. A concessão simbolizou um reconhecimento do poder legislativo municipal aos trabalhos de evangelização prestados ao povo e é a maior honraria que pode ser concedida pelo parlamento, tendo sido já agraciada a religiosos como Dom Fernando Panico, hoje bispo emérito. Os oito padres homenageados foram Vileci Basílio Vidal (coordenador diocesano de Pastoral e pároco de Araripe), Paulo Costa (administrador paroquial de Tarrafas), Cícero José da Silva (pároco da Basílica Santuário de Juazeiro do Norte), Sebastião Monteiro (da Comunidade Filhos Amados do Céu), João Carlos Perini e César Casetta (ambos salesianos do Sagrado Coração de Jesus de Juazeiro do Norte), Francisco das Chagas Alves (pároco da Paróquia São Cristóvão de Juazeiro) e José Gonçalves da Silva (pároco de Palmeirinha, distrito de Juazeiro). “Gostaria que essa certificação, que é muito importante para mim, fosse compartilhado com outras pessoas: primeiramente, os padres, religiosas, leigos e leigos, que me ajudam no pastoreio desta grande cidade. Também reparto este reconhecimento com os amigos que já fiz deste que aqui cheguei”, disse Dom Gilberto, ao iniciar seu discurso de agradecimento. Para o bispo, a ocasião simboliza “a manifestação de hospitalidade e respeito por um bispo da Igreja Católica”, advinda do poder legislativo, confirmando, desse modo, um “estado de alma” que o vem nutrindo desde que passou a fazer morada na diocese. “Sinto-me muito alegre de ver, oficializada, a minha condição de cidadão honorário de Juazeiro do Norte. Digo, oficializada, porque, espiritualmente, desde que cheguei ao Cariri, em julho do ano passado, já comecei a me considerar um cidadão de cada município de nossa diocese”, considerou. A comenda, um quadro com certificação, foi entregue ao pastor pelo bispo Dom Fernando e aos padres, por vereadores. Centenas de pessoas, entre personalidades, representantes de movimentos e pastorais da Igreja participaram da cerimônia. Fonte: Diocese de Crato. (Na foto: da esquerda para a direita: Padres Vileci Vidal, José Gonçalves, Francisco das Chagas, Cícero José da Silva, Dom Gilberto Pastana, João Carlos Perini, Sebastião Monteiro e Paulo Costa.  Foto: Rozelia Costa)

sábado, 18 de março de 2017


BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! (72) Por Renato Casimiro
MONS. JOVINIANO (III)... Segundo o jornal Correio do Juazeiro, “Nossa terra esteve em reboliço desde domingo passado, dia 12.06.1949, quando apareceu pela cidade um boletim sem nome com o seguinte titulo: "Monsenhor Juviniano Barreto, o maior inimigo do Padre Cicero, do Juazeiro dos padres Salesianos", em que o autor culpava seriamente o vigário local através de uma quantidade grande de fatos por ele discriminados. Diante disto, as Associações Religiosas de Juazeiro resolveram promover uma concentração de desagravo ao Monsenhor, convidando o povo em geral para a tarde de quinta-feira reunir-se em praça publica. Logo na manhã do dia escolhido para a concentração de desagravo, surge novamente mais outro boletim anônimo com o titulo: "OUTRAS FAÇANHAS - Monsenhor Juviniano o maior inimigo do padre Cicero, do Juazeiro e dos Padres Salesianos". E continua o Correio do Juazeiro, na sua edição de 19.06.1949: “Esse segundo boletim, sem assinatura, trazia novas acusações ao vigário local. Então, as associações religiosas haviam marcado para a quinta feira, dia 16.06, à tarde, para em praça pública manifestar a sua solidariedade ao vigário da paróquia. Segundo o mesmo jornal, “... praça estava com nada menos de 3.000 pessoas, enquanto que o Centro Regional de Publicidade (CRP) iniciava a irradiação da Concentração, tendo sido o primeiro orador o sr. Odilio Figueiredo, do Apostolado da Oração, o qual salientava o desagravo na pessoa do vigário. Nesse instante ladeado por vários padres, o prefeito Municipal e outras figuras, dava entrada na Concentração o Mons. Joviniano, sob uma chuva de vivas e palmas. Em seguida, toma o microfone o Pe. Orlando Tavares o qual, com um toque de ironia e de fé explicou ao povo que o anônimo do boletim desejava levantar um CISMA em torno das mentalidades dos romeiros, finalizando com uma oração de Deus, pedindo perdão para o anônimo do "pasquim". Falou ainda o sr. Valdo Figueiredo, congregado Mariano, seguindo-se o Dr. Conserva Feitosa, Prefeito Municipal que, entre outras palavras, classificou de "canalha" o autor dos boletins, salientando a igualdade entre o Pe. Cicero e o clero. Disse estar ao lado de todos, indo até o próprio sacrifício de vida e pedindo no final, uma salva de palmas para Mons. Juviniano. Tomou a palavra depois o sr. José Pedralino, sacristão, salientando que apenas duas pessoas poderiam saber a quantidade do dinheiro existente no cofre de Nossa Senhora: uma era o vigário e a outra era o ladrão que costumava roubar todos os anos aquele deposito das esmolas. Finalmente, assoma ao microfone o Mons. Joviniano, calmo, agradecendo a todos aqueles que compartilharam da concentração em seu desagravo, revelando o progresso moral, intelectual, social e espiritual de Juazeiro, por seu intermédio, durante os seus 14 anos de vigário nesta cidade. Considerou o pasquim como a "maior chaga social" e como "veneno de desarmonia". Explicou que, embora a sua fisionomia transparecesse uma "cara de cimento armado", seu coração era brando e amigo de todos. Encerrada a concentração, Mons. Joviniano foi aclamado pelo povo sendo levado em passeata até sua residência, sob foguetes e vivas, sendo saudado à sua porta pela profa. Amália Xavier que o chamou de "o santo Monsenhor. Logo depois chegava de caminhão a Banda de Musica de Barbalha acompanhada do vigário dali, ouvindo-se em Juazeiro, depois de 8 mezes, o som de um saudoso dobrado tocado pelo "zinabro". Encerrou-se assim o movimento de desagravo ao vigário de Juazeiro, em meio de vivas, foguetes, palmas e musica.  Vejamos, portanto o segundo boletim que foi dado a conhecer ao público de Juazeiro do Norte na manhã daquele dia. Segundo Boletim: “OUTRAS FAÇANHAS – Monsenhor o maior inimigo do Padre Cícero, do Juazeiro e dos Padres Salesianos. O Monsenhor Joviniano vai fazer hoje a sua defesa na praça, numa concentração política organizada por Odílio Figueiredo. Os romeiros ofendidos por esses inimigos do Juazeiro e do Padre Cícero, não devem ir assistir esses discursos tolos, mentirosos e hipócritas. Aquele boletim não ofendeu aos padres nem a  igreja. Dizer as verdades de um padre grosseirão e pretensioso não é atacar a Igreja. O povo bem sabe disso. O boletim disse somente uma verdade que o povo vê, sente e não diz. Porque se um padre é ruim a culpa não cai nos outros nem na Igreja. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo não pode ser atacada se todos os outros Padres daqui são bons. Só o Monsenhor Joviniano orgulhoso não gosta do Juazeiro nem do Padre Cícero nem dos Padres Salesianos. O Monsenhor Joviniano diz que a sua maior satisfação na vida foi quando a sua mão assinou a suspensão do Reverendíssimo Padre Cícero Romão Batista, por isso o Padre Cícero ficou sem celebrar e batizar. Diz mais ainda que as crianças, meninos e meninas batizados pelo Padre Cícero não estão batizados e só podem ser chamados “Tubarão” e “Faísca”. Milhões de coisas ele diz com o Padre Cícero. Isso assim já é demais. O Monsenhor e esse Odílio Figueiredo que quer ser prefeito, já mudaram até a data do nascimento do Padre Cícero que só não ficou errada, porque os amigos mandaram consertar. Isso não é um horror !!! Os romeiros devem é se afastar desse Monsenhor Joviniano que quer apagar do coração do povo a memória do nosso saudoso PADRINHO. Vamos de agora em diante viver para Nossa Senhora das Dores, Padrinho Cícero, Nossa Senhora Auxiliadora e para os Padres Salesianos. Vamos dar as nossas esmolas para a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora. Romeiros! Romeiros! Romeiros! Não venham a praça assistir as desculpas amarelas do maior inimigo do Padre Cícero, do Juazeiro e dos Padres Salesianos. Prestem a atenção também as caras que vão defender o Monsenhor Joviniano que fala mal do Reverendíssimo Padre Cícero. Esses são os falsos amigos do Padre Cícero e que vivem explorando os romeiros atrás de votos nas eleições. Fujam desse Monsenhor Joviniano que não gosta da Capela do Socorro, porque tem na sua frente a estátua do Padre Cícero. Procurem os Salesianos que são os amigos do Padre Cícero. Não se esqueçam que foi também o Monsenhor Joviniano quem mudou o dia da festa de Nossa Senhora das Dores, só para os romeiros não virem aqui fazer as suas romaria e pagar as suas promessas” Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 12.03.2017)
BOM DIA! (73) Por Renato Casimiro
MONS. JOVINIANO (IV)... Novamente, o Correio do Juazeiro, na sua edição de 03.07.1949 traz em sua matéria principal a denúncia de novos boletins anônimos. “Como jornal independente vemos que Juazeiro retorna as agitações de ha poucos dias, dessa vez com outro boletim anônimo correndo de mão em mão, como documento sem origem de choques morais, durante a semana. Não satisfeito com o movimento de agravos e desagravos à pessoa do Mons. Juviniano Barreto, vigário local, o anônimo volta a revolucionar a cidade com outros ataques fortes, insuflando o nosso povo a criar ambiente de ódios, apagando assim a paz comum em que vivíamos até pouco tempo.”  Ainda segundo o periódico semanal, “O povo sente profundamente este choque em que se vê intoxicações partidárias com o veneno social da politica, resultando agravos a personalidade austera do representante da igreja local. Temos certeza que lá fora 3 acontecimentos repercutem em desmerecimento da nossa terra tradicional, aonde Juazeiro passa a ser imaginada uma aldeia sem a segurança social que na verdade possui. Somos pela paz e pela verdade, para serenidade da terra. Que as partes em choque, vasculhando as suas consciências, sobretudo lembrando-se de que 48 mil habitantes estão em  desassossego e em confusões, ergam-se decididos e mostrem a verdade dos fatos, ponto por ponto, para que volte a paz em Juazeiro, essa paz que nos garante novos anos de vida. novos rumos para os amplexos de cordialidade e felicidade da nossa gente. O clero com a igreja; o político na política.” Vamos ver o conteúdo do Terceiro Boletim. “TERCEIRA DENUNCIAÇÃO – Monsenhor Joviniano Barreto, o maior inimigo do Padre Cícero, do Juazeiro, dos Romeiros e dos Padres Salesianos. Vocês viram o fracasso da concentração que fizeram para defender o Monsenhor Joviniano ? No máximo compareceram mil pessoas. Na sua maioria curiosos. O resto eram as irmandades religiosas, obrigadas ao Monsenhor. Os que falaram procurando defender o Monsenhor Joviniano nada disseram desfazendo as verdades dos dois primeiros boletins. Pelo contrário, foi uma verdadeira decepção, confirmaram tudo. O primeiro orador falando sobre o dinheiro que os romeiros dão a Nossa Senhora das Dores, confessou que o Monsenhor realmente levava para o Banco do Cariri. O segundo orador, disse que há 14 anos convive com o Monsenhor Joviniano mas nunca viu o dinheiro nem a chave do cofre das esmolas, só o Monsenhor sabe quanto rende e não diz ao povo porque não quer e não tem satisfação a dar a ninguém. O terceiro orador fez uma xaropada e nada disse sobre as duas verdades dos boletins. O quarto orador, que até aquele dia vivia  fingindo ser amigo dos Padres Salesianos, dos Romeiros e do Padre Cícero, virou-se todo para o lado do Monsenhor Joviniano, e como de costume só fez chamar o povo para brigar. (Sossega leão...). O quinto orador, e que é o nosso sacristão, que assinou seu nome num artigo feito pelo Monsenhor Joviniano, defendendo-se, publicado no jornalzinho daqui, no seu discurso também feito pelo Monsenhor Joviniano, disse que só duas pessoas podem dar notícia do dinheiro: um era o Monsenhor Joviniano, o outro era o ladrão que roubou o cofre da igreja. Em torno desse personagem o Monsenhor não quis que o Capitão Araújo abrisse inquérito. Quem seria o ladrão ?!... O último orador foi Monsenhor Joviniano. O povo curioso estava inquieto para saber como ele ia se sair dessa embrulhada, como ia se defender ! Mas foi mais infeliz do que os seus fracos defensores. Não disse nada sobre o dinheiro da Igreja. Não desmentiu que foi ele que assinou a suspensão do Padre Cícero. Não desmentiu que faz campanha contra o amor que os romeiros têm ao Padre Cícero. Não desmentiu que tem vontade de acabar com a estátua do Padre Cícero, no Socorro. Não desmentiu que mandou fechar a Capela do Socorro para não ser celebrada uma missa em homenagem ao Padre Cícero. Não desmentiu que botou o Padre Davino para fora daqui. Não desmentiu que chamava de Faísca e Tubarão as crianças batizadas pelo Padre Cícero. Não desmentiu que o dinheiro de Nossa Senhora das Dores está indo para construções de casas das Obras das Vocações Sacerdotais, em Crato. Não desmentiu que a calçada da Igreja de nossa Mãe das Dores está sendo um secador de arroz. Pelo contrário, não desmentiu nada, confirmou tudo que os boletins disseram.E disse mais que no Juazeiro existia meia dúzia de homens que o ajudavam e o resto era um bando de galinha choca. Agüenta povo !!! Disse ainda que quando chegou aqui, Juazeiro não tinha nada. Ele é que fez a Escola Normal e o Grupo Escolar. Que coragem !!! A Escola Normal foi feita pelo povo de Juazeiro, orientado pelos Drs. Plácido Castelo e Moreira de Souza; o Grupo foi feito pelo Governador Felipe Moreira Lima e José Geraldo da Cruz. Diga que é mentira ? Veja agora o ódio desse Monsenhor Joviniano ao Padre Cícero Romão Batista. No seu discurso se defendendo nem de leve tocou no nome do saudoso Padre Cícero, só para não pronunciar o nome do Santo fundador do Juazeiro e protetor de romeiros. Todos nós sabemos que o nome do nosso Grupo Escolar é “Padre Cícero”. O Monsenhor Joviniano quando foi falar no nome do Grupo Escolar, chamou de Grupo Estadual só para não dizer o nome do patriarca Padre Cícero. Isso é ou não ser inimigo do padre Cícero ? Romeiros, vejam uma humilhação horrorosa que Monsenhor Joviniano fez com o Padre Cícero: Em 1917, o Monsenhor Joviniano chegou aqui com Dom Quintino e levou o Padre Cícero para a praça da igreja onde o Reverendo Padre Cícero foi obrigado a subir numa tribuna e desdizer publicamente os milagres do Juazeiro. Coitado do meu Padrinho. Estava tão pálido e trêmulo, como Jesus no Calvário. E o “Caifaz” obrigando que ele dissesse aquilo que não queria dizer. Quando o Padre Cícero foi chamado para junto do Pai Celeste o Monsenhor Joviniano disse: daqui a 10 anos não se fala mais no nome do Padre Cícero nem desses tais milagres.Romeiros, continuem adorando a Nossa Senhora das Dores, fujam, se afastem desse Monsenhor Joviniano inimigo do Padre Cícero, inimigo dos romeiros, inimigo ainda do progresso de Juazeiro. Procurem os outros Padres, sobretudo os Padres Salesianos a quem vocês devem dar muitas e muitas esmolas para a construção da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora. O dinheiro que vocês deixam na Matriz o Monsenhor leva para o Crato, para a construção de casas da diocese. Monsenhor, esse dinheiro devia estar no Banco do Juazeiro, e essas casas deviam ter sido feitas aqui no Juazeiro. Tanta rua, tanta praça nossa a serem construídas e quanto romeiro precisando alugar aqui no Juazeiro uma casinha daquelas que o dinheiro de Nossa Senhora das Dores fez no Crato ! O povo quer a prestação de contas do dinheiro de Nossa Senhora das Dores; que esse dinheiro seja posto no Banco do Juazeiro e essa casas das Obras das Vocações Sacerdotais sejam construídas em Juazeiro. Monsenhor Joviniano também é boletinista. Em dezembro de 1947 ele soltou um boletim amarelo com uma mão preta (a mão que não presta conta dos dinheiros da igreja) e não assinou o boletim. Portanto não pode censurar o anonimato. Até logo, Monsenhor.” Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 13.03.2017)
BOM DIA! (74) Por Renato Casimiro
MONS. JOVINIANO (V)... Era a primeira sexta feira do Ano Santo de 1950, Dia dos Santos Reis, ocasião em que os católicos juazeirenses estavam reunidos no amplo terreno em frente à Estação Ferroviária da Rede Viação Cearense (RVC), para assistir ao lançamento solene da Pedra Fundamental do Santuário de São Francisco das Chagas, da Congregação dos Frades Franciscanos (Capuchinhos). Estavam presentes à solenidade o Sr. Bispo Diocesano, D. Francisco de Assis Pires, Mons. Joviniano da Costa Barreto, vigário da Paróquia-Matriz de Nossa Senhora das Dores, Mons. Assis Feitosa, vigário da Sé Catedral, Pe. Raimundo Augusto, Pe. Silvino Moreira Dias, Padres Salesianos, dois frades franciscanos, além de figuras de destaque da cidade, aí incluindo o prefeito de Juazeiro do Norte, Dr. Antonio Conserva Feitosa. Em suas memórias, Amália Xavier assim descreve o acontecido: “Acabada a cerimônia do lançamento da Pedra Fundamental do Santuário de São Francisco, o Sr. Bispo e os padres que assistiram com ele a cerimônia, dirigiam-se para o automóvel, indo Mons. Joviniano à frente. Ali, por trás do carro, estava escondido à espera do momento, para executar seu plano sinistro, o fronteiriço, Manoel Pedro,  natural de Açu, Rio Grande do Norte. Dois passos à frente cravou no peito de sua vítima a arma assassina, prostrando-o por terra. O Sr. Bispo, quase a desmaiar, deu-lhe a absolvição enquanto o miserável assassino era preso em flagrante. A população inteira do Juazeiro chorou inconsolável a perda irreparável do seu Santo Vigário. Pela manhã do dia 7, incontável multidão levou para o Crato, onde está sepultado, o corpo do Santo Mártir, que pagou com a vida a retidão no cumprimento de seus deveres sacerdotais. O infeliz assassino, em sua mente doentia, mais perversa do que doente, arquitetou o plano de tirar a vida do vigário que não quis fazer o seu casamento com uma senhora casada que mal tinha conhecimento dos seus intentos miseráveis a seu respeito. Várias vezes o infeliz perverso procurou o vigário para falar-lhe sobre este assunto. Monsenhor o recebia sempre caridosamente, aconselhando, mostrando que era impossível realizar tal casamento. O louco ficava mais furioso e ameaçava: “Neste ano Santo eu resolvo esta parada.” E como em vez de ter sido recolhido a um manicômio, ficou pelas ruas, ameaçando e passando por louco inofensivo, chegou o dia de realizar o plano que sua mente mais perversa do que doentia, arquitetou: tirar a vida de quem lhe negara aquilo que ele queria: “casar com uma mulher que jamais o desejara para esposo.” Foi preso em flagrante, para expiar na cadeia o seu hediondo crime.” A Prefeitura Municipal de Juazeiro, por seu prefeito, Dr. Antonio Conserva Feitosa, assinou o Decreto 25, de 07.01.1950, através do qual estabelecia o luto oficial por três dias como homenagem à memória do Revmo. Monsenhor Joviniano da Costa Barreto. Como justificativa, o prefeito destacou que o fato causou consternação profunda ao povo deste Município, que há muitos anos vinha o inditoso sacerdote, era vigário e guia espiritual de todo o povo juazeirense; que ornavam lhe a personalidade as mais acrisoladas virtudes, sendo mesmo um padrão de honra e de dignidade; que o ilustre morto era uma das mais insignes figuras do clero cearense; que a estima que sempre gozou no seio da família católica desta terra; que a condição trágica do seu desaparecimento que fê-lo mártir no cumprimento do dever; que, finalmente, expressava o profundo pesar de todos os habitantes do Município e os altos méritos do inolvidável pároco. Mais de 15 mil pessoas participaram dos funerais de Mons. Joviniano da Costa Barreto, que, a pedido da família foi levado pelas mãos do povo e sepultado na cidade do Crato. O Cariri em peso se fez presente ao enterro, ocorrido às 17 horas de sábado, dia 7, inclusive todas as autoridades eclesiásticas. À beira do túmulo discursaram inúmeros oradores que fizeram brotar lagrimas de todos os presentes. O jornal Correio do Juazeiro, ainda na sua edição de 08.01.1950, qualifica o assassino como “Um negro de 30 anos, tarado mental que premeditou o crime porque desejava um casamento. Ele já era conhecido das autoridades, especialmente na policia, pelo seu estado de psicopatia. Há anos no torvelinho da sua doença mental, entendeu de querer casar com uma senhorita do nosso convívio social, professora, de boa família. Por sinal, sem dar importância às manifestações daquele negro, doente mental, a moça casa-se tempos depois, com um nobre cidadão Indo residir em outra localidade. Entretanto, julgando que a família da moça a retinha presa, em casa, o negro Manoel Pedro vinha, vez por outra à porta da residência daquela família, reclamar a presença da jovem, alegando ter sido uma determinação de Deus aquele casamento. Chamava-se então a policia, e o demente passava alguns dias no xadres. Por ultimo, segundo conta, Manoel Pedro, na ânsia de casar, passou a propalar que não se efetivava aquele matrimônio porque nem o vigário, nem o juiz queriam casá-los. E, quanto menos se espera, surge assim este louco transformado em monstro agressivo, como um selvagem, abate com uma peixeira no coração a pessoa do vigário de Juazeiro, Mons. Juviniano Barreto. Perseguido e preso no momento, levado a policia, responde com frases como esta: "Juazeiro é uma cidade Misteriosa... Isso ainda poderia ter sido peior...”. Sofre assim uma cidade em peso, a perda dolorosa pelas mãos de um psicopata, tarado mental que poderia ser capaz de outros hediondos crimes arrostado pela infelicidade de uma demência já tão percebida pelo nosso povo. Pelo flagrante, Manoel Pedro foi conduzido e se manteve preso na Delegacia de Polícia local (Rua São Luiz, esq. com Rua São Pedro) à espera da condução das investigações e a formalização do processo com o qual seria julgado na Comarca de Juazeiro do Norte. A menção que o assassino fez, sobre a “cidade misteriosa”, passou a ser encarada por muita gente como sendo um tom de advertência que de suas palavras brotavam, pelo fato de que Monsenhor Joviniano havia “mexido” em algo que não lhe competia. É sabido que do altar da igreja de Nossa Senhora das Dores, durante a celebração de uma santa missa, Monsenhor havia se pronunciado sobre os “pretensos milagres do Juazeiro”, pondo dúvida sobre os acontecidos, quando a hóstia dada em comunhão à beata Maria de Araújo se transformara em sangue. Esse era mais um ingrediente explosivo na motivação do crime. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 14.03.2017)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ VOLANTE (MISSÃO VELHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Missão Velha (Auditório do Centro Social Urbano, CSU), Rua Padre Cícero, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 23, quinta feira, às 19 horas, o filme GAROTOS INCRÍVEIS (Wonder Boys, 2000, EUA/JAP/ALE/UK, 107min). Direção de Curtis Hanson. Sinopse: Grady Tripp (Michael Douglas) um professor universitário que escreve em suas horas vagas. Atormentado por um bloqueio de escritor, ele descobre que sua amante, Sara Gaskell (Frances McDormand), que casada, está grávida de um filho dele. Além disto, tem que lidar com uma de suas alunas, Hannah (Katie Holmes), que está apaixonada por ele e ajudar um de seus alunos, James (Tobey Maguire), a encontrar uma rara jaqueta que teria sido usada por Marilyn Monroe.

CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 24, sexta feira, às 19 horas, o filme
A COR PÚRPURA (The Color Purple, EUA, 1985, 154min). Direção de Steven Spielberg. Sinopse: Georgia, 1909. Em uma pequena cidade Celie (Whoopi Goldberg), uma jovem com apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a "Mister" (Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provêm por alimentar uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual cantora de blues. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.

CINE CAFÉ VOLANTE (BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 24, sexta feira, às 19 horas, o filme GILDA (Gilda, Dir. Charles Vidor, EUA, 1946, 110min). Direção de Charles Vidor. Sinopse: Johnny Farrell (Glenn Ford) é promovido a gerente de um famoso clube noturno em Buenos Aires, de propriedade de um amigo seu. Quando Gilda (Rita Hayworth), a mulher de seu amigo, é apresentada a Johnny ele a reconhece, pois tiveram um caso no passado. É quando o antigo amor existente entre os dois é reacendido.

CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 24, sexta feira, às 20 horas, dentro do Festival de Lançamentos, o filme O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES (Miss Peregrine's Home For Peculiar Children, EUA, 2016, 128min). Direção de Tim Burton. Sinopse: Após a estranha morte de seu avô (Terence Stamp), o jovem Jake (Asa Butterfield) parte com seu pai para o País de Gales. Lá ele pretende encontrar a srta. Peregrine (Eva Green), atendendo ao último pedido do avô, que lhe disse que "ela contará tudo". Só que, ao chegar, descobre que o local onde ela viveria é uma mansão em ruínas, que foi atingida por um míssil durante a Segunda Guerra Mundial. Ao investigar a área, Jake descobre que lá há uma fenda temporal, onde a srta. Peregrine vive e protege várias crianças dotadas de poderes especiais.


CINE CAFÉ (CCBNB, JN)

O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 25, sábado, às 17:30 horas, o filme POR QUEM OS SINOS DOBRAM (For Whom the Bell Tolls, Dir. Sam Wood, EUA, 1944, 170min) Direção de Sam Wood. Sinopse: Espanha, 1937. Durante a Guerra Civil Robert Jordan (Gary Cooper), um idealista americano, se alia aos guerrilheiros e tem a missão de explodir uma ponte estratégica em um desfiladeiro bem defendido pelos franquistas. Chega ao local com Anselmo (Vladimir sokoloff), um guia, que lhe apresenta Pablo (Akim Tamiroff), o chefe dos guerrilheiros da região, Pilar (Katina Paxinou), a mulher de Pablo, e outros guerrilheiros. Neste contexto Jordan se apaixona por Maria (Ingrid Bergman), uma bela jovem cujos pais foram mortos pelos franquistas. A missão de Jordan é contestada por Pablo, pois explodirem a ponte atrairia para ali o exército e a aviação franquista. Pilar, uma mulher determinada, não concorda com as posições de Pablo, que age de um jeito no mínimo suspeito.