sábado, 11 de novembro de 2017


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OS MÉDICOS DA TURMA DE FLORO (III)
O médico José Carneiro D’Albuquerque nascido em Recife no dia 22 de novembro de 1879, foi sob muitos aspectos o grande precursor da oftalmologia em Alagoas. Formado em Medicina pela faculdade da Bahia no ano de 1904, casou-se com Donina de Vasconcelos Calheiros, alagoana de Marechal Deodoro, formada em Farmácia também na Bahia. Logo após a formatura José Carneiro veio para Maceió, onde abriu um consultório de oftalmologia na antiga Farmácia Brasil, situada à rua Senador Mendonça, nas proximidades da Igreja do Livramento, onde sua esposa também exercia a profissão de farmacêutica. Mercê de suas aptidões profissionais, dominou e exerceu diversas atividades médicas, da clínica geral à cirurgia, na Santa Casa de Misericórdia de Maceió e na casa de Saúde Dr. Neves Pinto, sendo considerado o introdutor da medicina científica no estado de Alagoas. Ao lado do saudoso Sampaio Marques (clínico geral e obstetra), formaram a dupla de maior expressão da medicina alagoana nas décadas de 1920 à 1950. Atuando como médico da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, José Carneiro construiu o Pavilhão Domingos Leite, que pode ser considerado como a Matriz da cirurgia alagoana, dentro do maior rigor científico e das limitações financeiras da época. Foi ele que adquiriu a primeira mesa cirúrgica que veio para Alagoas, de fabricação suíça e da marca “ Leusinger”, instalada no Pavilhão Domingos Leite e que hoje se encontra integrada ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. José Carneiro revolucionou a medicina alagoana, e em sua homenagem, o Hospital de Doenças Tropicais recebeu sua denominação. Exerceu o cargo de Prefeito interino de Maceió, administrando o município com visão voltada para o bem-estar social, sendo de sua responsabilidade a criação do primeiro ambulatório infantil descentralizado, edificado na praça do Rex, e que após a sua morte também recebeu seu nome. Do casamento com Donina, nasceu em 1945, Anna Carmelita Carneiro, que se casou anos depois com o médico José Motta Carnaúba. Obcecado pelo estudo, José Carneiro foi um dos médicos da sua geração que mais cientificamente progrediu, principalmente na época em que pontificada a cirurgia de motivação, sem muitos recursos técnicos a serem aplicados em favor do paciente e no desenvolvimento das pesquisas. E embora sendo clínico geral, foi quem mais atuou nos casos oftalmológicos ao longo da década de 1920, conforme relata seu contemporâneo Manoel Moura Rezende Filho. José Carneiro foi ainda orientador profissional de vários médicos que fizeram sucesso em suas carreiras, desde o seu genro José Carnaúba, ao Dr. Ib Gatto Falcão, testemunhas de uma vida dedicada à família, ao saber, à ciência e ao Bem-estar da sociedade.

LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XIV)
Agora sabemos que sobre esse ilustrado cidadão juazeirense, não seria difícil perfila-lo, traçando-lhe biografia substanciosa. Ignorante continuará sendo a sua “terra”, pelos poderes constituídos e pela omissão de tantos que ainda não insistiram publicamente para lhe tributar uma homenagem sincera, das mais merecidas. Esse é um propósito desses textos. Garimpando datas e fatos de sua valiosa existência, auxiliado pela eficiência da rede mundial de computadores, também é possível ir compondo essa história com um pouco de Lourival Marques, por exemplo, por ele mesmo, em declarações à imprensa do Rio de Janeiro, em setembro de 1954. Vejamos. “Nasci, Lourival Marques de Melo, em cinco de novembro de 1915; Na cerimônia do Crisma fui apadrinhado por Padre Cícero Romão Baptista. Em 1924, aos nove anos de idade, a conselho de meu pai, Sebastião Marques dos Santos, saí pelo mundo (“lugar de homem é lá fora”), vendendo e barganhando quinquilharias, para conhecer a vida; Em 1931 era compositor, linotipista, paginador, revisor, redator e vendedor do jornal “A Cidade do Pilar”, de Alagoas, onde aprendi a conhecer os mistérios do jornal; Em 1932, era secretário, “ponto” e ator de “mambembe”, excursionando pelo interior, interpretando um dos principais papéis da peça “Deus e a Natureza”, hoje “tiro” seguro de Vicente Celestino durante a Semana Santa; Em 1934 estava em Juazeiro quando da morte do Padre Cícero e escrevi uma carta a um amigo, tabelião que apostara ser o taumaturgo imortal. A carta foi transcrita de norte a sul do Brasil e ainda hoje é um dos melhores documentos sobre a exaltação do povo ao tomar conhecimento da morte do Padre famoso, o padrinho morto que ampara e protege o afilhado ateu – então – trazendo-lhe uma popularidade que hoje abomino, renegando a carta famosa; Em 1936, participei da campanha de Armando Salles de Oliveira, em Juazeiro, com um jornalzinho meu (Província), de tendência antifascista e antiintegralista. Os integralistas empastelaram o jornal. (Convém observar que esta campanha era relativa à candidatura de Armando Salles, então governador de SP, à presidência da República, cuja eleição estava prevista para janeiro de 1938, mas que foi abortada em face do golpe que levou Getúlio Vargas ao poder, instalado o Estado Novo); Em 1937, fui gerente de dois cinemas em Juazeiro (Roulien e Eldorado) e aprendi inglês, cinema, técnica de propaganda e noções de música; Em 1939, casei-me com Dona Luci, namoro de infância ainda. (Observo: Luci Landim, nascida em Juazeiro, filha de Bárbara e José Batista Landim, e falecida no Rio de Janeiro em novembro de 2016, aos 96 anos de idade); Em 1940, nasceu Vânia Maria, primeira filha. Fui bom locutor do serviço de alto-falante de Juazeiro (CRP); Em 1941, a convite de João Dummar, diretor artístico, ingressei na Ceará Rádio Clube como locutor, metendo o bedelho em tudo e aprendendo a técnica radiofônica; Em 1942, ainda em Fortaleza, nasceu Geraldo Igor, meu segundo filho; Em 1943, fui contratado para montar e dirigir a Rádio Baré, em Manaus; Ainda em 1943, sete meses depois, vim para o Rio de Janeiro e ingressei na Rádio Nacional, sendo nomeado diretor da Rádio Guanabara, então em cadeia com a Nacional. Na Rádio Guanabara, apenas “espanava discos e apanhei uma sinusite”. Pedi demissão que me foi concedida; Em 1944, estreei como locutor da Rádio Tupi; Sete meses depois, ainda em 1944, fui contratado pela Rádio Globo do Rio de Janeiro, com o salário mensal de Cr$1.200,00 (mil e duzentos cruzeiro, algo como três salários mínimos da época) como comentarista de esportes, locutor e outras coisas. Terminei diretor artístico, com salário mensal de R$5.000,00. Escrevi programas formidáveis. Pedi demissão quatro vezes. Na última, consegui que aceitassem; Em 1947, nasceu o meu terceiro filho, Eduardo José; Em 1948, fui para a Rádio Mayrink Veiga, com um salário mensal de Cr$5.000,00, como produtor e novelista. Cheguei a diretor artístico com salário mensal de Cr$10.000,00; Em 1949, estreei na Rádio Nacional como novelista, e depois fui diretor de programas, com salário de Cr$5.000,00, até 10 de abril de 1954, e produtor dos mais fecundos, com remuneração de Cr$60.000,00 por mês. Reúno a esse apanhado, um pouco do pensamento de Lourival Marques, em algumas frases de entrevistas: “Não viverei muito tempo. Por isso quero garantir o futuro dos três filhos que tenho.”; “O silêncio é de ouro. Inspira confiança”; “Não se pode confiar em ninguém. Por isso, nem nas enciclopédias confio. Tenho todas e confronto-as sempre que preciso consultar qualquer uma delas.”; “Não se pode confiar na amizade. Nem nos amigos. Por isso, tenho muito poucos.”; “Estou numa maré de sorte e quero aproveitar ao máximo.”; “Não poderei aguentar por muito tempo este ritmo de trabalho. Por enquanto, quanto mais trabalho, mais quero trabalhar.”; “Já posso prescindir do rádio, uma vez que estou apalavrado com uma importante agência de publicidade, “pra quando quiser.”; “Os filhos devem realizar o sonho dos pais. Por isso, Vânia Maria está no terceiro ano do Instituto de Educação, enquanto Eduardo e Igor serão o que quiserem.”; “Não queria casar por uma questão de temperamento. O amor não quis saber disso. E, já que casei, não penso em me modificar.”; “Ninguém tem nada a ver com o que eu penso. Por isso não comento, nem critico coisa nenhuma.” Em setembro de 1954, era a seguinte a pauta de trabalho de Lourival Marques, como produtor de programas que iam ao ar, semanalmente, alguns em várias edições, incluindo emissoras do Rio de Janeiro e São Paulo: 1. “Seu Criado, Obrigado”, 6 programas (3 no RJ e 3 em SP), 72 páginas; 2. “Rádio Almanaque Kolynos”, 2 programas (1 no RJ e 1 em SP), 24 páginas; 3. “Esso Agrícola”, 2 programas (1 no RJ e 1 em SP), 20 páginas; 4. “Carrossel Musical”, 2 programas, 24 páginas; 5. “Canção da Lembrança”, 1 programa, 5 páginas; 6. “Um Milhão de Melodias”, 1 programa, 5 páginas; 7. “Divertimentos Ducal”, 1 programa, 2 páginas; 8. “Em Primeira Audição”, 1 programa, 10 páginas. No total, ele escrevia semanalmente 16 programas “datilografando" 142 páginas em duas máquinas elétricas, uma no seu escritório da Radio Nacional e outra em sua residência. Além dessa média de umas 18 páginas diariamente que tinha de escrever, seu tempo era bem utilizado com pesquisa, estudo, ensaios, conversas com anunciantes, artistas, outros produtores, a administração da emissora e outras relações com imprensa, sem falar no Dicionário da Gente do Rádio que ele continuava elaborando para as edições semanais da revista Radiolândia que ele ajudara a fundar e da qual se tornara seu primeiro e mais produtivo colaborador. De tudo isso, apenas como um flagrante desse ano de 1954, era como já referia um colunista da época: um “Titã”. (Faz sentido, pois se olharmos o significado da palavra, do latim, mas de origem grega, um rei, um soberano, “um gigante”).

LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XV)
O que é um jingle? As enciclopédias, tão ao gosto de Lourival Marques, que as tinha às dezenas, em sua biblioteca, registram que a palavra versada para o português significa tinido, tipo um som metálico. A origem é inglesa e foi aplicada a uma mensagem musical feita com um refrão simples e curto para ser lembrado facilmente. Habitualmente é musical, realizado para a divulgação de produto comercial, mas é muito empregado também como peça de marketing político. Quem não lembra o jingle da campanha de Jânio Quadros à presidência da república nos anos 50? Então veja aqui:https://www.youtube.com/watch?v=ucrG-sOxgXE. Nasceu em 1926 nos Estados Unidos como técnica radiofônica, depois levada para a tv. No Brasil foi introduzida em 1935, numa peça para promover produtos de higiene das marcas Colgate-Palmolive. Apareceu também como mensagem apenas falada e musical, denominada ainda hoje de vinheta. Os anos 40 foram pródigos para destacar o jingle como forte ferramenta da propaganda e da publicidade, sendo a fase de ouro dessa estratégia, daí tendo revelado uma plêiade de “jinglistas”, profissionais de altíssima qualificação que elaboraram peças inesquecíveis. Destes podemos lembrar Haroldo Barbosa, Geraldo Mendonça, Hervê Cordovil, Ivo Picinini, José Mauro, José Scatena. Miguel Gustavo, Evaldo Rui, Gilberto Martins e Lourival Marques. Não bastassem as suas imensas ocupações à frente da direção artística da Rádio Nacional, às quais se somavam a produção de mais de uma dezena de programas semanais, ele ainda encontrava tempo para ser um dos mais brilhantes e festejados produtores de jingles para o rádio e a televisão. São dele alguns dos trabalhos mais interessantes e criativos desta fase, como as peças publicitárias dos produtos: Phymatosan (remédio à base de produtos naturais), Nescafé (café solúvel da Nestlé), Mate Ildefonso (Erva Mate), Rum Merino (bebida), Coca Cola, Ducal (famosa rede de lojas de moda masculina), etc. É bem verdade que Lourival Marques era bem remunerado em reconhecimento ao seu grande valor. Por exemplo, cada jingle que ele fazia se pagava Cr$10.000,00 (dez mil cruzeiros), que na época correspondia a cerca de 26 salários mínimos. Um caso emblemático na produção de Lourival Marques foi a sua vinculação com o produto Phymatosan, que inclusive patrocinava um dos seus programas, o Canção da Lembrança. Os mais antigos lembrarão com certo saudosismo o gosto de vez por outra até repetir cantarolando a musica do jingle que Lourival concebeu: “Phymatosan. / Quando você tossir…/ Phymatosan. / Se a tosse resistir…/ Renova seu apetite. / Afastando a bronquite. / Phymatosan, melhor não tem, / É o amigo que lhe convém! / Phymatosan!” . Essa peça ficou conhecida no rádio como a “Valsa do Phimatosan”. Para produzí-la, Lourival Marques, foi buscar a melodia de uma música europeia do século XIX. A sonora desse jingle está disponível na internet no link:http://radioboanova.com.br/e…/quando-voce-tossir-phymatosan/ Durava uns 34 segundos. Phymatosan era uma fitoterápico, à base de Extrato de jucá (Caesalpinea ferrea), Extrato de agrião (Roripa Nasturtium), Xarope de guaco (Mikania glomerata), Extrato de cambará (Lantana câmara), Extrato de maracujá (Passiflora alata), Extrato de erva-silvina (Polypodium vaccinifolium) e Extrato de Óleo Vermelho (Myrospermum Erytroxilon). A publicidade recomendava para o tratamento da gripe, tosse e bronquite, prevenindo a tuberculose. Segundo a imprensa da época, esse programa patrocinado pelo Phymatosan era um bate papo glamoroso entre um casal que ficava recordando músicas de filmes antigos. O casal lembrava o filme e daí se faziam alguns comentários a respeito, inclusive citando a canção da trilha sonora. O programa reproduzia a canção, quase sempre vertida para o português, executada por um cantor famoso e com o acompanhamento de uma orquestra ao vivo. Dentre essas orquestras famosas, Lourival especificava as de Leo Perachi, Ercole Vareto, Lirio Panicali, Radamés Gnatali, e Alberto Lazzolli, dentre outras. Na história do Rádio brasileiro, o programa Canção da Lembrança figura como tendo sido um dos mais lindos programas noturnos da Rádio Nacional, em cujo auditório se reunia o fino da sociedade carioca de sua época, que se enternecia com o bom gosto, a sensibilidade e a categoria de Lourival Marques. Ele tinha um amplo relacionamento com a Embaixada Americana no Rio de Janeiro e através dela essa relação se estendia a Voz da América, de onde Lourival recebia muitas fitas, livros e publicações sobre filmes de Hollywood e suas canções inesquecíveis. Além do mais, temos que lembrar que Lourival teve parte da sua vida como gerente de cinema, nos Cines Roulien e Eldorado, em Juazeiro do Norte. No caso do jingle da Ducal, podemos encontrar num velho long playing, acetato, em 33rpm denominado Samba de Jingles, com interpretações de João Leal de Brito (Britinho), pelo selo da Columbia, uma coletânea de trinta músicas compostas para jingles, e na décima quinta faixa está o samba Nova Roupa Ducal. De tão populares foram gravados em ritmo de samba. Sobre o produto Coca Cola, Lourival usou nesse comercial, um dos primeiros no Brasil, o slogan “Isso faz um bem”, que por sinal seria o título de um dos seus programa famosos na Radio Nacional. Depois, com o advento da televisão, já em 1959, o comercial teve outras versões, como a de desenho animado. Era considerado moderno e ousado para a publicidade brasileira. Vejamos nesse link essa produção: https://www.youtube.com/watch?v=9F7TRVd9goU . Não menos famoso foi o jingle do Rum Merino que usava o seguinte refrão: Rum Merino: / Um brinde assim tão raro, / gostoso e fino, / só pode na verdade, / ser Rum Merino, Rum Merino, Rum Merino”. Duas notícias veiculadas pela imprensa especializada em radiodifusão, através de revistas semanais falam em meados dos anos 50 que Lourival poderia deixar o rádio para aceitar convite de uma grande empresa de propaganda e publicidade, aliás, existente até hoje no Brasil. Convite não faltava. A outra noticia, de 1954, era a que dava conta de tratativas do próprio Lourival para a montagem de uma empresa de sua propriedade para a produção de jingles e discos, a ser viabilizada em associação com uma reconhecida gravadora americana. Não foi possível na pesquisa, até o momento, constatar a execução desse projeto ambicioso que se dizia na época, 1954, que já estava para acontecer em menos de um ano após. Para uma rápida visita ao estilo e a alguns dos jingles que o Lourival Marques elaborou, acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=85hY-gOeyaw
O radialista José Mauricio Xavier de Oliveira, na então Rádio Iracema de Juazeiro do Norte, tinha um desses requintes, da produção de Lourival Marques. Pena que já não me lembre como era a sua vinheta, no programa semanal, para um dos quais fui convidado, talvez nos anos 70. Ele pode me lembrar e eu agradeceria muito.

LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XVI)
Ainda sobre jingles desejo acrescentar a esse tema na vida profissional de Lourival Marques dando outras informações. No final da década de 40 já eram bem conhecidos os “jingles” na publicidade brasileira, e eles eram mais frequentemente referidos como Anúncios Cantados. Já nos anos 50 a comunidade radiofônica carioca achava interessante premiar os chamados anúncios cantados. Não se tratava de oferecer prêmio em dinheiro, mas o de conferir um pergaminho, um diploma ao qual se referendava a qualidade da produção. Seguramente, a maior parcela desse reconhecimento não ia de fato para o criador, mas para a agência de publicidade, pois isso estava atrelado a uma conta com o anunciante. Lourival falará claramente sobre esse quase anonimato que havia na elaboração dessas peças. A Associação Brasileira de Rádio havia criado em 1953, juntamente com a Revista do Rádio, o I Concurso de Anúncios Cantados e no ano seguinte dava continuidade com a segunda versão. Vejamos uma nota que saiu na imprensa, na Revista do Rádio, edição de 01.10.1955, a respeito do concurso de 1954. “Promovido por esta revista, a exemplo do que se fez no ano anterior, realizou-se recentemente o II Concurso de Anúncios Cantados, com o objetivo de apontar o melhor “jingle” de 1954. A Comissão Julgadora encarregada de escolher a melhor produção no gênero foi presidida pelo sr. Manoel Barcelos (presidente da ABR), e constituída dos seguintes membros: Manoel Vasconcelos (presidente da Associação Brasileira de Publicidade), Alziro Zarur (presidente da Associação Brasileira dos Cronistas Radiofônicos), Oliveira Filho (representante da Revista do Rádio), Genival Rabelo (diretor da Revista Política e Negócios), Almirante (Henrique Foréis Domingues, cantor, compositor e radialista) e o maestro Lindolpho Gomes Gaia. Como da vez anterior, a Comissão Julgadora do certame levou em conta, para a atribuição dos pontos, a redação, a música e a objetividade dos anúncios cantados. O Resultado final foi o seguinte: 1º lugar – Nescafé, com 90 pontos; 2º lugar – Creme Dental Gessi, com 88 pontos; 3º lugar – Bom Bril, com 86 pontos; 4º lugar – Organdi Paramount, com 81 pontos; 5º lugar – Leite Môça, com 80 pontos; 6º lugar – Coca – Cola (miniatura), com 79 pontos; 7º lugar – Emulsão de Scott, com 75 pontos; 8º lugar – Coca – Cola (“quando estiver”) e Coca – Cola (“no trabalho”), com 74 pontos; 9º lugar – Coca – Cola (“bom apetite”), Nescau e Mate Ildefonso, com 73 pontos; 10º lugar – Kolynos, com 70 pontos. O “jingle” vencedor – distribuído pela Agência Mc Cann Erickson – foi produzido por Lourival Marques (que foi laureado o Melhor Produtor de Programas de 54, no tradicional concurso desta revista) e gravado em duas versões, com o concurso de Nelson Gonçalves (o Melhor Cantor de 54), Caubi Peixoto e Dolores Duran. O locutor foi Reinaldo Costa e a orquestração esteve a cargo do maestro Léo Peracchi. Para a confecção desse anuncio cantado foram necessários mais de três horas de trabalho e a colaboração de 15 pessoas, entre cantores, locutor, músicos, orquestrador, produtor e técnicos. A solenidade de entrega do artístico diploma conferido por esta revista ao vencedor realizou-se no auditório da Rádio Nacional, cuja direção gentilmente cedeu a essa revista 25 minutos de sua programação normal para a realização da cerimônia. Durante o programa. Foram transmitidos os “jingles” que obtiveram melhor colocação, ocorrendo na ocasião a entrega do pergaminho ao sr. Fábio de Almeida, representante da Companhia Industrial e Comercial Brasileira de Produtos Alimentares (Nestlé), fabricante de Nescafé. Ao ato, além das principais figuras da diretoria da Rádio Nacional, estiveram presentes destacadas figuras da Mc Cann Erickson. No final, foi servido um coquetel pela Revista do Rádio aos presentes.” Completo essa matéria, transcrevendo um depoimento de Lourival Marques, na forma de uma carta remetida ao caderno B, na página de Televisão e Rádio, da edição do Jornal do Brasil, de 31.08.1980: “História dos “jingles”: Dia 24 último li no Caderno B um trabalho de Susana Schild sobre o próximo lançamento da história do jingle no Brasil, condensada em dois discos. Temo pelo que ali está, e pelo que se vai ouvir no referido trabalho, que a narrativa peque pela omissão e pela desinformação, menos por culpa dos autores e mais porque o jinglista não assina seu trabalho e a agência de propaganda ou o anunciante já nem existem para melhor testemunho. O jingle foi sempre um acidente no trabalho do produtor de programa e não uma criação específica ou obrigatória. Não se pode fazer história sobre a publicidade cantada esquecendo nomes extraordinários como o de Gilberto Martins (“Ba-ba, be-ebê, be-i-bi, o tônico Fontoura...), ou de Paulo Roberto (Magnésia leitosa, gostosa, fiel...) ou de um Ghiaroni (“Passa, passa o talco Ross, quero ver passar!”. Quem vai contar a história do jingle “Segunda, terça, quarta. Sabonete Palmolive.”? De mim posso dizer que criei, na década dos 50, mais de 30 jingles, inclusive um que tem sido citado, ultimamente, entre os melhores de todos os tempos. “Só Esso dá ao seu Carro o Máximo”, música americana que pedia tradução e sincronização para os bonecos que cantavam em big close, a frase “The Esso sign meens happy motoring” que criei também o primeiro jingle para a Ducal com o final usado até hoje, cuja autoria é até reclamada por outro “pai”! E que dizer dos anúncios cantados que criei para Phymatosan, Pastilhas Valda, Alka-Seltzer e dezenas de outros? Jinglistas foram Miguel Gustavo, Haroldo Barbosa, Geraldo Mendonça e quase todos os que escreveram programas para o rádio. Em minha opinião, a história deve ser escrita com critério – ou não ser escrita. E a propósito: o primeiro jingle foi de Nássara, no Rio, (Pão Bragança) ou o de Geraldo Mendonça, em São Paulo (Calçados Quá-Qua-Quá?). Lourival Marques, Copacabana, Rio." Aliás, nessa mesma edição do JB, o Antonio Nássara, por ter sido citado por Lourival Marques faz algumas correções ao seu pronunciamento nos seguintes termos: “O primeiro jingle brasileiro foi cantado por Luis Barbosa, no programa Ademar Casé, em 1932, e não por ele próprio, Nássara, no Programa Geraldo Casé, em 1934, como foi dito, não por Lourival, mas no artigo da Susana Schild. A Nássara, diz o próprio, coube a autoria da mensagem comercial, aliás um fado: “Oh padeiro desta rua tenha sempre na lembrança não me traga outro pão que não o pão Bragança...” A propósito do artigo de Susan Schild é perfeitamente compreensível a sua indignação porque simplesmente, a história do jingle no Brasil não pode deixar de falar de Lourival Marques. Quem lê o referido artigo (pode-se consulta-lo emhttp://memoria.bn.br/pdf/030015/per030015_1980_00138.pdf) vai perceber isso facilmente. Não foi possível uma confirmação sobre o trabalho de Luís Antônio Vieira e Henrique Meyer, que resultaria na história do jingle. Conforme uma resenha na internet, Susana Schild é jornalista, crítica de cinema, roteirista. Formada pela Escola de Comunicação da UFRJ. Começou a trabalhar como jornalista na “Revista Ele&Ela”, e depois no “Segundo Caderno” do jornal “O Globo”. De 1974 a 1993 trabalhou no “Jornal do Brasil”, primeiro no Departamento de Pesquisa, e a partir de 1975 no “Caderno B”, onde cobriu a área cultural com especialização em cinema. De 1993 a 1997 dirigiu a Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Foi colaboradora do jornal “Estado de São Paulo” e correspondente no Brasil para a publicação internacional Moving Pictures. Autora do livro “Coração Iluminado: A História de um filme de Hector Babenco”. Roteirista do filme “Depois Daquele Baile”, dirigido por Roberto Bomtempo e “Mão na Luva” (adaptação da peça de Oduvaldo Vianna Filho, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2011. Para o teatro, escreveu “Um Sopro de Vida”, adaptação de livro de Clarice Lispector.
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XVII)

Para mim, uma grande surpresa, encontrar referido em banco de dados da internet a vinculação de Lourival Marques com versões para o português de canções estrangeiras. Na verdade, há nessa constatação algumas premissas que justificam o achado. Em primeiro, a longa vivência dele com a música, desde os anos 30 através do Centro Regional de Publicidade, como diretor artístico, e do seu ingresso na radiofonia, diversas emissoras, inclusive na mesma função; em segundo lugar a própria formação de Lourival, intelectual de grande expressão, com traquejo em redação e produção, leitura e expressão em língua inglesa, etc. A primeira surpresa foi encontrar a versão que Lourival escreveu para a belíssima Charmaine, canção originalmente composta para o filme mudo "O Preço da Glória", de 1926. Charmaine é uma valsa, composta na França, pelo maestro, músico e pianista Erno Rappé, nascido na Estonia, naturalizado nos Estados Unidos, e musicada por Lew Pollack. A letra original, em inglês, aparece numa gravação de Frank Sinatra, em 1972, no álbum All Alone. Ouçamos Charmaine, por Frank Sinatra neste link: https://www.youtube.com/watch?v=eDB06I73giQ “I wonder why you keep me waiting, Charmaine, my Charmaine / I wonder when bluebirds are mating, will you come back again / I wonder if I keep on praying, will our dreams be the same / I wonder if you ever think of me too.../ I am waiting my Charmaine for you... I wonder if I keep on praying, will our dreams be the same / I wonder if you ever think of me too... / I am waiting my Charmaine for you....”
No Brasil a canção até foi adaptada para ranchos carnavalescos nos anos 30. Haroldo Barbosa chegou a fazer uma versão que foi interpretada por Francisco Alves (Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=hjnXHOlaLFM). Outra versão foi realizada em 1952 por Augusto Mesquita e gravada por Gilberto Alves. A última versão foi a de Lourival Marques, em 1953, para a interpretação de Carlos Galhardo. A letra de Charmaine, segundo a versão de Lourival Marques é a seguinte: “Não sei por que não és meu amor / Não sei por que, não sei / Ninguém talvez com mesmo ardor / Sonhasse o que eu sonhei / Nós dois, o céu, e o mar / E eu louco a te beijar / Nos braços de outro, querida / Pensei que estavas / Talvez a dançar comovida / De mim, nem lembrarás. De ti só guardei um perfume / Um olhar, talvez, um olhar / Jamais saberás que ciúmes, senti / Que vivo penando por ti.” Infelizmente ainda não foi possível encontrar alguma interpretação dessa versão. Essa canção também teve muitas interpretações por orquestras famosas, como a de Mantovani, em 1951, que pode ser relembrada no link (https://www.youtube.com/watch?v=k_DTx8L0l0c), além de ter sido incluída na trilha sonora do filme “Um Estranho no Ninho”, segundo longa metragem filmado nos EUA por Milos Forman, adaptado do romance homônimo de Ken Kesey. Ambientado em uma clínica psiquiátrica, o filme conta a história de Randall McMurphy (Jack Nicholson), um indivíduo de espírito livre que termina lá fugindo da prisão e lidera os pacientes em uma rebelião contra a equipe opressiva, chefiada pela enfermeira Ratched. A segunda surpresa foi sobre a composição argentina intitulada de Garúa, realizada em 1943. Os autores desse tango são Enrique Cadícamo (letra) e Aníbal Troilo (música). Consta que eles fizeram esta música, nos fundos de um cabaré, localizado na rua Corrientes, em Buenos Aires. A cena descrita por elas é que era uma noite de inverno, com neblina, garoa e um vento gelado. As ruas estavam desertas e a fina garoa que caia parecia à procura de um coração solitário! No original, sua letra diz: “Qué noche llena de hastío y de frío! / El viento trae un extraño lamento / Parece un trozo de sombra, la noche; / y yo en las sombras camino muy lento. / Mientras tanto la garúa / se acentúa con sus púas / en mi corazón... / En esta noche tan fría y tan mía / pensando siempre en lo mismo me abismo; / y aunque quiera yo arrancarla / desecharla / y olvidarla, / la recuerdo más.... Garúa... / Solo y triste por la acera / va este corazón transido / con tristeza de tapera... / Sintiendo tu hielo / porque aquella con su olvido / hoy le ha abierto una gotera... / Perdido solo / como un duende que en la sombra / mas la busca y mas la nombra / Garúa... / Tristeza... / ¡Hasta el cielo se ha puesto a llorar! Qué noche tan llena de frío y hastío. / No se ve a nadie cruzar por la esquina. / Sobre la calle, la hilera de focos / lustra el asfalto con luz mortecina. / Y yo voy como un descarte, / siempre solo, / siempre aparte, / recordantote... / Las gotas caen en el charco de mi alma; / hasta los huesos, calado y helado. / Y humillando este tormento / todavía pasa el viento / empujándome...” A gravação original, argentina, é de Francisco Fiorentino. Mas, vamos ilustrar aqui com a interpretação de Garúa, por Roberto Gyeneche, acompanhado, pelo grande Astor Piazzollahttps://www.youtube.com/watch?v=DmhFzRJOcZA
No Brasil, a primeira gravação da versão que Lourival Marques fez para essa canção aparece em disco de vinil, 78rpm, por Roberto Vilar. A segunda, em LP 33rpm, Tangos Inesquecíveis, de Albertinho Fortuna, em 1957. A terceira, em disco de vinil, 78rpm, por Albertinho Fortuna, em disco de vinil, 78rpm. A quarta, uma tiragem em disco LP, 33rpm, Tangos Inesquecíveis, vol. 2, sem data, também interpretada por Albertinho Fortuna. A quinta, novo disco LP, 33rpm, Tangos Inesquecíveis, de 1959, também interpretada por Albertinho Fortuna. E, por ultimo, um CD, de 2001, Albertinho Fortuna, Tangos, vol. 2. Ei-la: https://www.youtube.com/watch?v=oB5Sz6ipW_I
A terceira surpresa foi com a canção argentina Trenzas, de Armando Pontier e Homero Expósito, de 1944, cuja letra é: “Trenzas, / seda dulce de tus trenzas, / luna en sombra de tu piel / y de tu ausencia. / Trenzas que me ataron en el yugo de tu amor, / yugo casi de blando de tu risa y de tu voz.../ Fina / caridad de mi rutina, / me encontré tu corazón / en una esquina... / Trenzas de color de mate amargo / que endulzaron mi letargo gris. ¿Adónde fue tu amor de flor silvestre? / ¿Adónde, adónde fue después de amarte? / Tal vez mi corazón tenía que perderte / y así mi soledad se agranda por buscarte. / ¡Y estoy llorando así / cansado de llorar, / trenzado a tu vivir / con trenzas de ansiedad... sin ti! / ¡Por qué tendré que amar / y al fin partir! Pena, / vieja angustia de mi pena, / frase trunca de tu voz / que me encadena... / Pena que me llena de palabras sin rencor, / llama que te llama con la llama del amor. / Trenzas, / seda dulce de tus trenzas, / luna en sombra de tu piel / y de tu ausencia, / trenzas, / nudo atroz de cuero crudo / que me ataron a tu mudo adiós... (Podemos ouvir Trenzas na interpretação de Luis Filipeli, no link: https://www.youtube.com/watch?v=FpOxJxJ7nRA. A mais conhecida interpretação da versão de Trenzas, feita por Lourival Marques é a de Albertinho Fortuna, nomeada de “Tranças”, no álbum Tangos na Voz de Albertinho Fortuna, vol. 1, e que se pode ouvir através do link: https://www.youtube.com/watch?v=jgnJxb_p77M. Por que nos surpreendemos com coisas como essas, algo que em língua hispânica tem fonema tão específico – olvido? Com essas belas canções versadas por Lourival Marques, experimentamos, mesmo, o esquecimento, levado a efeito com os discos que ficaram esquecidos, “olvidados”, nas prateleiras das rádios para que nada acontecesse. Felizmente, ao rebuscar tantos arquivos, me ocorreu a veleidade de trazer essas canções de volta, para expor à visitação, uma pontinha que seja, da alma do letrista.
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XVIII)
Quem de nós, curioso por uma data, por um fato, por um personagem, por uma circunstância, escreveria uma carta de próprio punho a ser postada no Correio, com destino a uma emissora de rádio, onde alguém estaria apto a desvendar o mistério? Já houve isso, aqui, na Europa, na França, na Bahia, enfim - pelo mundo afora. Desde que a radiodifusão passou a ser ferramenta importante da comunicação entre os povos, entregar-lhe a solução de pequenas ou grandes dúvidas passou a ser objeto direto das pautas das emissoras, através dos programas que tratavam de satisfazer os seus ouvintes. Na verdade, ainda hoje, mais esporadicamente, vemos essa preocupação persistente, mas minimizada pela imensa utilidade da rede mundial de computadores, seja pelos sites de buscas, seja pela disponibilidade de imensos bancos de dados. Concretamente, ao acessar recentemente o site da Biblioteca Nacional, com respeito a sua hemeroteca digital (http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx), utilizando as palavras Lourival Marques em datas que iam de 1940 a 2009, recebi em poucos segundos o relato de que a busca havia sido feita em exatas 12.728.913 páginas de jornais e revistas, para delas me serem recomendadas 3.657 páginas sobre o que me interessava. Impossível hoje trocar a eficiência desse resultado com qualquer outra possibilidade de remoto desempenho, por exemplo, em buscas manuais. No tempo do rádio de Lourival Marques houve uma dessas possibilidades, através do programa que ele criou para essa satisfação da curiosidade do ouvinte. Em primeiro lugar porque ele era um homem de pesquisa e desde longa data se afeiçoara pela produção sistemática de programas, desde a velha PRE-9, em Fortaleza, que já era uma continuidade bem melhorada para superar as dificuldades de sua atividade no Juazeiro, à frente da direção artística no Centro Regional de Publicidade (CRP). De outra sorte, lhe agradava muito essa convivência estreita do rádio com seus ouvintes, para que essa clientela ditasse, em parte, os rumos do veículo. Depois de conceber o programa, Lourival apresentou o projeto à direção da Rádio Nacional que concordou com a proposta, fazendo imediatamente a publicidade sobre seu lançamento. Seu Criado, Obrigado foi lançado em 9 de abril de 1951. A produção tinha convicção que a nova atração seria a coqueluche do rádio. E eles não se equivocaram. O programa se destinava a esclarecer os ouvintes que tinham dúvidas sobre as mais distintas questões, como cotidiano, arte, cinema,.literatura, esportes, moda, costumes, teatro, etc., e usava a chamada: “um amigo que responde a sua carta, desfaz a sua dúvida e informa o que você quer saber. O que seria uma experiência, para os mais descrentes, logo se tornou uma empreitada vitoriosa. A correspondência foi se avolumando, chegando a 2 mil por mês. Como não se tinha outra alternativa, tudo funcionava através dos Correios. A emissora teve que reservar um espaço no 20º andar do edifício da Praça Mauá, onde Lourival coordenava uma equipe de pessoas que tinham de dar vazão a todas as solicitações, com leitura, organização e suporte ao produtor. Logo a atenção do programa se destinava a quase setecentas cidades brasileiras e mais de 5.000 cartas por mês. Inicialmente o programa só tinha 25 minutos de duração, numa única frequência semanal, e tinha que comportar as respostas, músicas a pedido dos ouvintes, com cantores e orquestra ao vivo, textos humorísticos, utilidade pública, etc. Para atender a essa demanda crescente, Lourival foi incrementando sua biblioteca que alcançou nos primeiros anos do programa a cifra de 8 mil volumes, dentre livros, revistas, enciclopédias, pastas e mais pastas com textos e clipping, pois ele adorava colecionar recortes de jornais e tudo mais com que ele realizava pesquisas, cerca de 4 mil partituras de músicas nacionais e estrangeiras, etc. Aliás essa biblioteca pessoal de Lourival Marques era vez por outra especulada, muito badalada, inclusive no seu valor venal, estimado em 5 milhões de cruzeiros, em 1956, mas que seu proprietário nem pensava em se desfazer. O programa se tornou, ao que se dizia, único no rádio brasileiro. A estrutura e andamento do programa comportava duas pessoas em estúdio: aquele que encarnava o Seu Criado, que se alternou entre César Ladeira e Milton Rangel, e uma secretária, que inicialmente era Nilza Magrassi, substituída depois por Daisy Lúcidi. A voz feminina fazia a leitura das cartas e o Seu Criado respondia. Aliás, num depoimento para o projeto Vozes do Rádio (PUC/RS), Daisy Lúcidi assim rememora: “(...) Eu fiz um programa durante 15 anos que foi um sucesso no rádio brasileiro chamado Seu Criado, Obrigado, não sei se vocês já ouviram falar desse programa que eu fazia com César Ladeira, um grande homem do rádio, uma das vozes mais bonitas. (...) Era interessante pois quem fez era um homem que tinha um biblioteca extraordinária, chamado Lourival Marques, e ele respondia tudo o que você perguntasse, tinha uma sala maior que essa só de cartas. Como não existia televisão todo mundo perguntava no rádio por cartas, umas muito estranhas, como qual o prédio mais alto do mundo, de Capitais, e ele respondia tudo. Depois a Rádio Jornal do Brasil até imitou, fazendo um programa chamado “Pergunte ao João”. E fizemos juntos muitos programas montados na Rádio Nacional, programas musicais lindos, tudo na Rádio Nacional tinha participação do radio teatro. O radio teatro, na Rádio Nacional, era a base, a sustentação de uma emissora de rádio. Você fazia humorismo com radio teatro, inclusive no Seu Criado, Obrigado era com grande orquestra, uma grande orquestra mesmo. Tinha cantores ao vivo e tinha um grupo de radio atores que faziam comicidade. Ele contava uma história e contava uma piada interpretada por esses atores. Tinha tudo dentro desse programa, tinha música ao vivo. O programa era muito bonito.” O crescimento vertiginoso do programa terminou por alterar o seu horário e frequência, passando a três programas por semana (2as., 4as., e 6as.), no início das tardes, embora se mantendo com duração de 30 minutos, aproximadamente. O principal motivo, inclusive, era o grande acúmulo de cartas por falta de espaço para responder. Face essa limitação, Lourival adotou a solução para que muitas cartas fossem respondidas, não no ar, mas pelo correio. Bastava mandar um envelope selado e sobrescrito para a resposta. Os ouvintes perguntavam de tudo e havia os que pediam receitas de pratos típicos, poesias específicas, indicações de livros e letras de músicas em português ou outros idiomas. Outros enviavam piadas que eram transformadas em quadros rápidos interpretados pelos humoristas da emissora. Quando a revista Radiolândia foi lançada, inclusive com a colaboração importante de Lourival, ela convidou o produtor para assinar uma coluna quinzenal, depois semanal, denominada exatamente Seu Criado, Obrigado!, onde algumas das questões mais interessantes eram respondidas, inclusive no estilo do diálogo que se estabelecia no estúdio entre Seu Criado e a secretária. Mais que isso, o programa passou a ser apresentado com a mesma produção de Lourival Marques na Rádio Nacional de São Paulo, com Walter Forster e Iara Lins (depois Lourdes Rocha), também com a mesma duração e em três frequências semanais. E eram programas com conteúdos diferentes dos que eram apresentados no Rio de Janeiro. A viabilidade financeira do empreendimento era devida ao patrocínio comercial, inicialmente da Companhia Gessy, e depois da Esso, através do seu produto, um inseticida doméstico chamado Super Flit. Outro desdobramento mais público e até contemporâneo dessa grande idéia de Lourival Marques é a existência de uma boa amostra desse programa, tanto pelo acervo da Biblioteca Nacional, como pelo único livro que Lourival editou, denominado exatamente Seu Criado, Obrigado!, com uma boa coletânea da diversidade de questões submetidas pelos ouvintes ao produtor, com as respectivas respostas. O livro foi editado em 1963, pela editora Letras e Artes, embora esgotado, facilmente pode ser encontrado para compra através de https://www.estantevirtual.com.br/ O Programa Seu Criado, Obrigado! Existiu na Rádio Nacional até 1966, percorrendo portanto 15 anos ininterruptos no ar. Nessa resenha sobre esta iniciativa de Lourival Marques, alguém que se ocupou de comentar alguns aspectos do programa teve a enorme felicidade de fechar o seu relato com essa expressão da poetisa Cora Coralina. É o que também faço, sem originalidade, mas entendendo a grande pertinência de suas palavras para com essa obra de Lourival Marques. "Escrever é uma recriação da vida e, recriando a vida, eu me comunico. Não invento, não sou uma criadora, sou uma recriadora da vida. Esta é a marca mais viva de meu espírito junto à minha capacidade de dizer uma mentira."
BOM DIA! 
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XIX)
Por Renato Casimiro
CASAMENTO RELIGIOSO
Maria Luci Landim e Lourival Marques
Pais: 
Bárbara Maciel Landim e José Batista Landim 
Maria da Conceição Esmeraldo e Sebastião Marques
Igreja de Nossa Senhora das Dores, Juazeiro do Norte 
Data: 18.07.1939
Oficiante: Mons. Joviniano da Costa Barreto
(Livro de Matrimônios, de jan.1936 a set.1941, pag. 128v)


MEMORIAL É O SEGUNDO
Recebo com muito prazer o comunicado da diretora do Memorial Padre Cícero, Cristina Holanda, com respeito ao registro de visitantes dos principais museus do Estado do Ceará, como aima está ilustrado. É com grande alegria que agora figura oficialmente a visitação do nosso principal museu, que em outubro passado recebeu 59.488 visitantes. A primeira colocação ficou por conta da Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri. Interessante observar que esses dois museus estão sob a coordenação da mesma pessoa, Alemberg Quindins, atual secretário de cultura de Juazeiro do Norte.
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

MOSTRA ITINERANTE CINE CEARÁ
(CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Ceará Itinerante foi criado em 1999. Neste ano, exibirá 37 filmes em três cidades: Fortaleza e Juazeiro do Norte (CE) e Sousa (PB). As exibições, que são completamente gratuitas, contarão com os filmes da Mostra Nacional de Curtas e da Mostra Olhar do Ceará. A curadoria da Mostra Olhar do Ceará nesta edição teve por motivação fundamental expressar uma heterogeneidade de formas e desejos na relação com o cinema. Para Wolney Oliveira, diretor do Cine Ceará, o projeto é importante para democratizar a sétima arte, nas suas palavras: “Precisamos disseminar o cinema em nossa cidade, mostrar que não há barreiras sociais, nem culturais, tampouco geográficas para apreciar um bom filme”.
Dia 14, terça-feira, a partir das 14h
• Ao mar (Esaú Pereira Barbosa. Ficção. HD. 9’. Cor. CE. 2017. Livre)
• Atalanta (Fernanda Brasileiro e Hylnara Vidal. Experimental. HD. 12’. Cor. CE. 2017. Livre)
• Manual (Letícia Simões. Documentário. DCP. 7. PB. RJ. 2016. Livre)
• Simbiose (Júlia Morim. Documentário. HD. 20’. PE. Cor. 2017. Livre)
• Valentina (Estevão Meneguzzo e André Félix. Ficção. HD. 17’. Cor. RJ. 2017. Livre)
• Projeto Raízes (Jamylle Cavalcante e Rafaela Batista. Documentário. HD. 21’. Cor. CE. 2016. 12anos)
• Maria Auxiliadora (Natália Maia. Ficção. HD. 11’26. Cor. CE. 2016. Livre)
Dia 16, quinta-feira, a partir das 14h
• Algo do que fica (Benedito Ferreira. Ficção. DCP. 23’. Cor. 23’. GO. 2017. Livre)
• O dia do silêncio (Clébson Oscar. Documentário. HD. 12’. Cor. CE. 2017. Livre)
• Iracema (Francisco Carneiro. Ficção. HD. 17’. Cor. CE. 2016. Livre)
• Festejo muito pessoal (Carlos Adriano. Experimental. HD. 9’. PB. SP. 2017. Livre)
• A balada do Sr. Watson (Firmino Holanda. Documentário. DCP. 21’. Cor. CE. 2017. Livre)
• Memórias do subsolo ou o homem que cavou até encontrar uma redoma (Felipe Camilo. Documentário. DCP. 11’. Cor. CE.2017. Livre)
• O estacionamento (William Biagioli. Ficção. DCP. 16’. Cor. PR.
2016. 12 anos)
Dia 17, sexta-feira
Primeira Sessão às 14h:
• Superdance (Pedro Henrique. Ficção. HD. 20’. Cor. CE. 2016. Livre)
• Estudos de vertigem (Indira Brígido. Experimental. HD. 7’. Cor. CE. 2016. Livre)
• A lenda cotidiana (Bárbara Moura e S. de Sousa. Documentário. HD. 12’. Cor. CE. 2016. Livre)
• O céu desaba (Mariana Gomes. Documentário. HD. 9’. Cor. CE. 2016. Livre)
• Candeias (Reginaldo Farias e Ythallo Rodrigues. Documentário. HD. 19’. Cor. CE. 2017. Livre)
• Caleidoscópio (Natal Portela e Roney Souza. Ficção. HD. 18’. Cor. CE. 2017. Livre)
• Mehr Licht! (Mariana Kaufman. Experimental. Dcp. 11’. Cor. RJ. 2017. Livre)
• Sítio Veiga (Carla Moreira. Documentário. HD. 11’. Cor. CE. 2016. Livre)
Segunda Sessão às 16h:
• Do que se faz de conta (Amanda Pontes e Michelline Helena. Ficção. DCP. 17’. Cor. CE. 2016. Livre)
• Sintera (Fellipe Farias. Documentário. HD. 12’. Cor. CE. 2017. Livre)
• Ossuário (Diogo Braga e Thales Luz. Experimental. HD. 11’. Cor. CE. 2016. Livre)
• Rastros (Sabina Colares e Samarkandra Pimentel.
Documentário. RJ. Livre) Cor. Documentário. HD.20’. Cor. CE. 2016.Livre)
• Soturna (Léia Ávila. Ficção. HD. 12’. Cor. CE. 2017. Livre)
• Close (Rosane Gurgel. Documentário. HD. 19’. Cor. CE. 2017. Livre)
Dia 18, sábado, a partir das 14h
• Guiana Francesa (Edmilson Filho e Olavo Júnior. Ficção. HD. 19’. Cor. CE. 2017. 14 anos)
• Lugar nenhum (Wesley Guerreiro. Experimental. HD. 13’. Cor. CE. 2016. 14 anos)
• Voar (Cesar Teixeira. Ficção. HD. 14’. Cor. CE. 2017. 14 anos.)
• Fôlego (Kamille Costa. Ficção. HD. 19’. Cor. CE. 2017. 16 anos)
• O vigia (Priscila Smiths e P. H. Diaz. Ficção. HD. 20’. Cor. CE.2016. 16 anos)
• Jonas banhado em sangue (Mateus Bandeira. Ficção. HD. 17’. Cor. CE. 2016. 16 anos)
• Vênus - Filó, a fadinha lésbica (Sávio Leite. Animação. DCP. 6’. Cor. MG. 2017. 16 anos)
• Fogo selvagem (Diogo Hayashi. Ficção. HD. 19’. SP’. 2017. 16 anos)
CINE GOURMET (FJN, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) agora também está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri. As sessões são programadas para as terças feiras, duas vezes ao mês, de 15:00 às 17:00h, no Auditório do Bloco I, na Rua São Francisco, 1224, Bairro São Miguel, dentro do seu Projeto de Extensão denominado Cine Gourmet, sob a curadoria de Renato Casimiro. Informações pelo telefone: 99794.1113. No próximo dia 12, estará em cartaz, o filme CHOCOLATE (Chocolat, Reino Unido/EUA, 2000, 121min). Direção de Lasse Hallstrom. Sinopse: Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decidem abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vá durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.

CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 17, sexta feira, às 19 horas, o filme HEADHUNTERS (Headhunters, Noruega/Alemanha, 2012, 100min). Direção de MortenTyldum. Sinopse: Um caçador de talentos arrisca tudo para garantir a propriedade de uma valiosa pintura. O problema é que o atual proprietário é um ex-mercenário.
 

CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 18, sábado, às 17:30 horas, o filme PROFISSÃO: REPÓRTER (Professione: Reporter, EUA/França/Itália, 1975, 119min). Direção de Michelangelo Antonioni. Sinopse: David Locke (Jack Nicholson) é um repórter famoso que é enviado à África para fazer algumas imagens e entrevistas para um documentário. Ao voltar para o hotel, descobre que um homem que estava hospedado próximo a ele está morto. Locke decide trocar de identidade com ele, descobrindo que era um rico empresário, e acaba arrumando um problema ainda maior.
NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
Duas personalidades acabam de ser agraciadas com o título honorífico de cidadania juazeirense. Vejamos os atos.

RESOLUÇÃO N.º 866, de 17.10.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor JOSÉ MATIAS DA SILVA, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade, principalmente na área esportiva. Autoria: José Nivaldo Cabral de Moura Coautoria: Paulo José de Macêdo Subscrição: José David Araújo da Silva, Domingos Sávio Morais Borges, Diogo dos Santos Machado, Herbert de Morais Bezerra, Cícero José da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calú, Antônio Vieira Neto, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Glêdson Lima Bezerra, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Jacqueline Ferreira Gouveia, Rosane Matos Macêdo e Auricélia Bezerra. 

RESOLUÇÃO N.º 867, de 17.10.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito GIACUMUZACCARA LEITE CAMPOS pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: José Adauto Araújo Ramos Coautoria: Paulo José de Macêdo, José Tarso Magno Teixeira da Silva e Glêdson Lima Bezerra. Subscrição: José David Araújo da Silva, Domingos Sávio Morais Borges, Diogo dos Santos Machado, Herbert de Morais Bezerra, Cícero José da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calú, Antônio Vieira Neto, José Tarso Magno Teixeira da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, José Barreto Couto Filho, Cícero Claudionor Lima Mota, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Jacqueline Ferreira Gouveia, Rosane Matos Macêdo e Auricélia Bezerra.

RECONHECIMENTO PÚBLICO
A municipalidade reconhece como relevante os serviços prestados pela Igreja Nova Vereda e Associação Esportiva Campo Grande Futebol Clube, pelos seguintes atos: LEI Nº 4.768, de 25.09.2017: Art. 1º – Fica reconhecida de Utilidade Pública a IGREJA NOVA VEREDA, fundada em 14 de julho de 2017, constituída de direito privado, doravante denominada Igreja como entidade civil religiosa, autônoma e parte da Igreja que o Senhor Jesus estabeleceu na terra, sem fins lucrativos, que terá duração por tempo indeterminado, com sede e foro jurídico na cidade de Juazeiro do Norte/CE, e reger-se-á por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Vereador Glêdson Lima Bezerra 

LEI Nº 4.769, de 25.09.2017: Art. 1º – Fica reconhecida de Utilidade Pública a ASSOCIAÇÃO ESPORTIVA CAMPO GRANDE FUTEBOL CLUBE, fundada em 23.02.1985, nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, com personalidade jurídica distinta de seus associados, sem fins lucrativos, que tem por finalidade difundir a prática do futebol, promover reuniões de caráter esportivo, cívico, educacional, cultural, social, bem como Workshop e minicursos, de duração por tempo indeterminado, e reger-se-á por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Vereadora Auricélia Bezerra; Coautoria: Vereador Antônio Vieira Neto

CONSELHO MUNICIPAL DE DEFESA ANIMAL
Foi criado o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais – CMPDA, nos seguintes termos: LEI Nº 4.773, de 11.10.2017 Art. 1º - Fica criado o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais - CMPDA, órgão consultivo e deliberativo, instrumento de Política Pública Municipal de destinação e gerenciamento de receitas e meios para o desenvolvimento e a execução de ações voltadas à saúde, à proteção, à defesa e ao bem-estar animal no Município de Juazeiro do Norte, visando à saúde humana e a proteção ambiental. Art. 2º - O CMPDA tem como objetivos: I - Incentivar a guarda responsável dos animais, conforme a legislação vigente; II - Acompanhar, discutir, sugerir, propor e fiscalizar as ações do poder público e o fiel cumprimento da legislação de proteção animal. Art. 3º - São atribuições do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais: I - Emitir parecer e deliberar em situações definidas nos termos do Art. 2º desta Lei; II - Avaliar projetos no âmbito do poder público relacionado com a proteção animal e o controle de zoonoses; III - Propor alterações na legislação vigente para garantir o cumprimento do direito legítimo e legal dos animais; IV - Propor e auxiliar a realização de parcerias com empresas públicas e privadas que possam apoiar, com auxílio financeiro ou força de trabalho, o cumprimento dos objetivos deste Conselho; V - Propor prioridades e linhas de ação na alocação de recursos em programas e projetos relacionados à guarda responsável; VI - Solicitar e acompanhar as ações dos órgãos da Administração Pública, Direta ou Indireta, que têm incidência do desenvolvimento dos programas de proteção e defesa dos animais; JUAZEIRO DO NORTE-CE, 24 DE OUTUBRO DE 2017 DIÁRIO OFICIAL DO MUNICÍPIO 03 VII - Acionar os órgãos públicos competentes em situações relativas ao bem estar animal; VIII - Requisitar e acompanhar diligências e adotar providências contra situações de maus-tratos aos animais; IX - Requerer na Justiça a proibição da tutela de animais e outras ações que visem à proteção animal, em situações previstas na legislação vigente; X - Propor e auxiliar o poder público na realização de campanhas de esclarecimento à população quanto a guarda responsável, educação ambiental e saúde pública, conforme definido na legislação; XI - Contribuir com a organização, orientação e difusão de práticas de guarda responsável no município; XII - Discutir medidas de conservação da fauna silvestre, bem como a manutenção dos seus ecossistemas; XIII - Incentivar a realização de estudos e trabalhos relacionados com a proteção animal. Art. 4º - O CMPDA será constituído por 10 (dez) membros, com mandato de 2 (dois) anos, permitida 1 (uma) recondução: I - 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviços Públicos; II - 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Saúde; III - 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Educação; IV - 1(um) representante da Secretaria Estadual de Meio Ambiente ou do Ministério do Meio Ambiente; V - 2 (dois) representantes de entidade voltada à proteção animal; VI - 1 (um) representante de entidade voltada à conservação e proteção da fauna silvestre; VII - 2 (dois) representantes da comunidade acadêmicocientífica, das áreas de ciência animal e/ou direito ambiental; VIII - 1 (um) médico veterinário da iniciativa privada. § 1º - Para cada membro do Conselho será indicado um suplente da mesma área de atuação. § 2º - Cada membro tem direito a um voto. § 3º - A função de membro do CMPDA é gratuita e considerada serviço público relevante, ficando expressamente vedada a concessão de quaisquer tipos de remuneração, vantagens ou benefícios de natureza pecuniária. § 4º - O CMPDA será presidido por um de seus membros, eleito por maioria simples, na primeira reunião ordinária, ficando os dois segundos mais votados eleitos para os cargos de Vice Presidente e Secretário. § 5º - Os representantes, titular e suplente, dos órgãos e entidades, serão indicados pelas respectivas instituições e nomeados pelo Prefeito. § 6º - A substituição de representantes será efetivada mediante justificativa aprovada pela maioria, mantendo-se inalterada a sua constituição. § 7º - A inclusão de novos representantes ou entidades se dará mediante lei. § 8º - Os membros do CMPDA que não comparecerem a três reuniões num prazo de 12 (doze) meses perderão o mandato, devendo ser informado, de imediato, o órgão ou entidade que os indicou, para, num prazo de 15 (quinze) dias, providenciar a substituição. Art. 5º - O CMPDA reunir-se-á ordinariamente, no mínimo, 1 (uma) vez a cada dois meses e, extraordinariamente, na forma que dispuser seu Regimento Interno. § 1º - A convocação será feita por escrito, enviadas por correios ou correio eletrônico, com antecedência mínima de7 (sete) dias para as sessões ordinárias e de 24 (vinte e quatro) horas para as sessões extraordinárias. § 2º - As decisões do CMPDA serão tomadas com aprovação da maioria simples de seus membros, com presença de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) dos membros, contando com o Presidente, que terá o voto de qualidade. § 3º - As sessões plenárias do CMPDA serão abertas à participação de todos os cidadãos, entidades da sociedade civil e movimentos populares, com o objetivo de analisar os trabalhos realizados, orientar sua atuação e propor projetos, programas ou ações específicas afeitas ao tema. Art. 6º - O CMPDA deverá elaborar seu Regimento Interno no prazo de 90 (noventa) dias, a contar da data de publicação desta Lei. Art. 7º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Palácio Municipal José Geraldo da Cruz, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, aos 11 (onze) dias do mês de outubro do ano dois mil e dezessete (2017). JOSÉ ARNON CRUZ BEZERRA DE MENEZES PREFEITO MUNICIPAL DE JUAZEIRO DO NORTE Autoria: Vereadora Jacqueline Ferreira Gouveia Coautoria: Vereadores Damian Lima Calú e Rita de Cássia Monteiro Gomes

INSTITUIDO O “DIA DO CAPELÃO”
Pela LEI Nº 4.774, de 11.10.2017, será prestado anualmente uma homenagem ao Capelão. E a propósito, quantos são os capelães de Juazeiro do Norte? Vejamos o ato: Art. 1º - Fica instituído o “Dia do Capelão” no âmbito do Município de Juazeiro do Norte, a ser comemorado, anualmente no dia 30 de novembro. Art. 2º - O evento ora instituído passará a constar no Calendário Oficial de Eventos do Município de Juazeiro do Norte. Art. 3º - As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotação orçamentária próprias, suplementadas se necessário. Autoria: Vereador Francisco Demontier Araújo Granjeiro. Coautoria: Vereador Damian Lima Calú.
URCA LANÇARÁ CATÁLOGO DE CLICHêS DA LIRA

sexta-feira, 3 de novembro de 2017


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OS MÉDICOS DA TURMA DE FLORO (III)
Por Renato Casimiro
Nascido e criado no ambiente restrito dos engenhos interioranos do século passado, o menino João Carlos de Albuquerque, logo cedo, demonstrou sua acentuada inteligência, mercê de uma educação primorosa onde a rigidez daquela de cunho doméstico se antepunha às de caráter pedagógico, aliada aos ensinamentos cristãos da época. Filho do Barão José Miguel de Vasconcelos e Dona Joana Saraiva de Albuquerque, o menino João Carlos, precocemente, começou a se interessar pelas coisas da medicina, carreira em que se formaria ano depois, numa demonstração elogiável de dedicação à controvertida curas dos males do corpo. 1879 foi o ano de seu nascimento (dia 3 de junho), marcado pela próxima mudança do século XX, onde as invenções, o engenho do homem, transformariam o pacato ambiente provinciano em que vivia o garoto João Carlos. A coroação das inclinações do jovem estudante, teve lugar em 1904, na Faculdade de Medicina da Bahia onde, depois de brilhante curso, colou grau na fascinante carreira que sempre o atraia. Voltando a sua querida Atalaia, onde os festejos da chegada do “meu filho doutor”, bem depressa transformam o seu aprendizado em sacerdócio e em que, mais uma vez, foram realçadas sua inteligência e capacidade de trabalho. Casamento seria o passo seguinte, para a consolidação dos laços familiares que o prendiam à terra amada. Em 1909, sem fraseado comum das crônicas sociais, contraria núpcias com a prendada jovem da sociedade atalaiense, Dona Maria Amélia Cerqueira de Albuquerque, advindo desta união, abençoada por Deus, 17 filhos, entre homens e mulheres. Destes 17 filhos que continuaram as tradições de sua importante famílias, podemos citar: Dr. João Carlos de Albuquerque Filho, herdeiro natural das responsabilidades de tão importante descendência e nome de real prestígio em nossos círculos industriais, agrícolas e sócias; Sra. Maria Hilda de Albuquerque Cotrim; Sra. Nair de Albuquerque Silva; Sra. Celina de Albuquerque Cotrim; Sr. José Cerqueira de Albuquerque; Sra. Maria Albuquerque de Melo; Sra. Armênia Cerqueira de Albuquerque; Sra. Aline de Albuquerque Tenório; Sra. Lenira Cerqueira de Albuquerque; Sr. Stelio Darci Cerqueira de Albuquerque e Sra. Maria do Perpétuo Socorro de Albuquerque Lopes. Entre as inúmeras atividades do homenageado, verdadeiro patriarca alagoano, destaca-se: Prefeito de Atalaia, Senador e Deputado Estadual em várias legislaturas, professor de Matemática do antigo Liceu Alagoano, além de agricultor, senhor de engenho, plantador de cana, tendo possuído os seguintes engenhos: Urupema, Jardim, Riacho Preto e Jardim das Lages, este último, transformados numa das mais bela e produtiva fazenda do Estado, na época. Dr. João Carlos de Albuquerque foi dedicado médico de quase três gerações, caráter integro de exemplar pai de família, político atuante, fazendeiro, homem integrado a sua terra, exemplar chefe de família, cuja tradição estende-se aos tempos atuais, através de seus descendentes. (Fonte: Comemoração ao Centenário de Nascimento do Dr. João Carlos de Albuquerque, Atalaia (AL), 03 de Junho de 1979.
BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XIII)
Por Renato Casimiro
No início de 1970 estávamos planejando a realização da I Exposição Fotográfica do Juazeiro Antigo. Três anos antes eu comunicara a Daniel Walker que começara a colecionar fotos antigas de Juazeiro, mandando reproduzi-las de velhos livros e outras publicações como jornais e revistas, ao mesmo tempo que iniciara a captação dessas imagens a partir de empréstimos de amigos que prontamente disponibilizavam essas fotos. Cito particularmente Luciano Teófilo de Melo, Raymundo Gomes de Figueiredo, Amália Xavier de Oliveira, Maria Assunção Gonçalves, Hugo Catunda Fontenele, José Oswaldo Araújo, etc. Então, na decisão de realizar no Edifício Dom Pires, com o apoio inestimável de Pe. Murilo de Sá Barreto, e com o apoio financeiro da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte - na época o prefeito era José Teófilo Machado, e as adesões de José Carlos Pimentel e Silva, Antonio Calábria, José Onofre Marques e outros, nos lançamos a organizar o que, afinal, uma vez realizado, impactou favoravelmente e nos animou a continuar fazendo o que temos feito há mais de 50 anos. Das providências, Daniel encarregou-se de toda a parte de relações públicas, pois como jornalista atuante em radiofonia e mídia impressa, tinha conhecimento e jogo de cintura para realizar, como de fato fez, uma ampla divulgação do evento. De comunicados, jornais, entrevistas e reportagens que foram realizadas, destaco nesta revisão a carta que Daniel escreveu a Lourival Marques, então diretor artístico da Rádio Nacional (Rio de Janeiro) e a sua respectiva resposta. Assim, sem maiores comentários, vou transcrevê-las agora. Carta de Daniel Walker a Lourival Marques, em 30.05.1970: “Prezado Senhor, Temos o prazer de comunicar ao nobre conterrâneo que será realizada nesta cidade, de 21 a 31 de Julho, a 1ª. Exposição Fotográfica de Juazeiro Antigo. A promoção conta com o apoio do comércio, indústria e Prefeito locais; fazendo parte da Comissão Organizadora pessoas como a professora Amália Xavier de Oliveira, Padre Murilo de Sá Barreto e uns rapazes ligados à imprensa da terra. Serão apresentadas duzentas fotografias de Juazeiro, todas antigas e históricas, em tamanho 18x24cm, fixadas em “stands” e com cercaduras de papel duplex em cores. Cada “stand” contendo vinte fotos, representará um assunto, como “Movimento Revolucionário de 1914”, “Questão Religiosa de 1889”, etc. As fotografias serão acompanhadas de suas respectivas legendas explicativas, trabalho que recebe a supervisão da profa. Amália Xavier de Oliveira. Do arquivo de dona Amália nós conseguimos um flagrante fotográfico, cuja cópia mandamos anexo, mostrando os participantes de um piquenique realizado no Sítio das Malvas e coincidindo com o lançamento do jornal “O Pharol”, editorado pelo sr. Sebastião Marques, seu pai. O senhor, segundo conseguimos colher, é o garotinho que aparece entre as duas senhoras de cabelos curtos, uma das quais é sua mãe, dona Conceição. Nós pretendemos mostrar o máximo em fotografias históricas. Mas também nos fascina a ideia de apresenta-las com o máximo de detalhes. Então, nós queríamos que o prezado conterrâneo nos mandasse alguma informação sobre “O Pharol”, principalmente a data do seu lançamento para constar na legenda que acompanhará a foto, cuja cópia, como dissemos antes, segue anexo, podendo o senhor ficar com ela como lembrança. Igualmente desejaríamos que o senhor nos mandasse, caso não seja pedir demais, uma cópia daquela bonita crônica que o conterrâneo escreveu no dia do falecimento do Padre Cícero, autografada. Nós soubemos do conteúdo de referida crônica por intermédio de um livro (Edmar Morel). Mas para a Exposição será interessante uma coisa escrita (pode ser em máquina) pelo seu próprio punho e assinada, para assim imprimir autenticidade. Nós já temos mais de cem fotografias ampliadas. Estamos esperando outras e as pessoas que quiserem colaborar é só nos enviar qualquer retrato antigo para a devida reprodução. Depois a pessoa receberá a foto de volta sem qualquer prejuízo. Recebemos convite para que a Exposição fosse aberta também em Fortaleza e aceitamos. Uma vez terminada aqui em Fortaleza nós tencionamos leva-la para outros lugares, de onde vieram convites. Esperando receber qualquer correspondência esse respeito, nós aproveitamos o ensejo para apresentar os nossos agradecimentos pela ajuda que nos for prestada. Atenciosamente, Daniel Walker (p/comissão de propaganda).” (Segue uma nota de rodapé sobre endereço, ocupação e filiação). Lourival Marques respondeu a essa carta em 08.07.1970 nos seguintes termos: “Começo por lhe pedir desculpas pela demora. Só hoje posso responder a sua carta de 30 de maio último, na qual me comunicou a realização da I Exposição Fotográfica do Juazeiro antigo. Estou muito agradecido pela sua gentileza e informo que tomei boa nota de todos os detalhes relativos à mesma. Não fora compromissos de trabalho com a Assessoria Especial de Relações Públicas da Presidência da República, para a qual venho produzindo programas desde julho do ano passado, e poder-lhe-ia garantir a minha presença. Estou curioso por rever o Juazeiro do meu tempo, eu que, quando criança, tinha em mãos centenas de fotografias batidas por meu pai. Acredito que muitas delas figurarão na mostra que, na minha opinião, é oportuníssima e deveria ser imitada por outros, em outros campos, que possam contribuir para a reconstituição histórica da nossa cidade. De qualquer modo, empregarei o melhor esforço com o intuito de estar em Juazeiro entre 21 e 31 deste mês. A propósito da Exposição, li um pequeno tópico a respeito no jornal “O Estado de São Paulo”. A respeito de “O Pharol”, lamento dizer que não tive participação em seu corpo editorial. Eu era guri (como aliás pode ver na fotografia da qual me enviou cópia) e apenas sei que de sua redação participavam José Santino e meu pai. Não tenho exemplares comigo e nada conheço de sua história. Sugeria que pedisse a meu pai, ora residindo em Fortaleza, os esclarecimentos que deseja. Para encontra-lo, basta comunicar-se com minha irmã, aí em Juazeiro: Maria Alice Cruz, Rua Padre Cícero, 123. Em sua carta, o amigo também me solicita cópia daquela “bonita” crônica que o conterrâneo escreveu no dia do falecimento do Padre Cícero”, autografada. Meu caro, eu não lhe envio a crônica, mas lhe faço uma confissão que talvez o surpreenda. Para começar, não se trata de uma crônica, e sim de uma reles carta particular, a um amigo particular, que não tinha o direito de dar publicidade à mesma. Tudo se passou assim: Em 1932, sem nenhum motivo, fugi de casa pelo prazer de viver uma aventura. Andei a pé, de Juazeiro a Pilar, em Alagoas (via Salgueiro, Pedra, Pão de Açúcar, Penedo e Maceió). E em Pilar morei dois anos. Como era garoto ainda, e todo o meu conhecimento de trabalho se resumisse a leves serviços tipográficos, fui trabalhar no jornal “A Cidade”, travando relações com os meios literários (muito bons) de Pilar e com os seus políticos. Um deles, de quem me tornei amigo, foi o velho tabelião Augusto Nicodemos, homem inteligentíssimo mas dono de curiosas superstições. Uma delas era a respeito do Padre Cícero. O sr. Augusto Nicodemos achava que o Padre Cícero era imortal. Jamais morreria. Eu, em resposta, dizia a ele do meu respeito e do meu amor pelo grande sacerdote, mas afirmava que nesse particular, o fundador de Juazeiro era um homem como outro qualquer e que, um dia, fecharia os olhos como qualquer mortal. As discussões a respeito eram longas e um dia (em 1932) fizemos uma aposta. Não me lembro mais como foi. Lembro-me sim, que eu disse a ele que no dia em que o Padre Cícero morresse, eu lhe faria uma carta a respeito. Na data em que o venerando padre faleceu: 20 de julho de 1934, eu, com outros rapazes de minha idade, levantei-me cedo e fui à Timbaúba, ao Engenho de João de Amélia (será que ainda existe?) para chupar cana, como fazia constantemente. Já quase alcançava os lados de São Miguel quando a notícia correu. E, aos olhos do rapazinho de 19 anos, ocorreram todas aquelas coisas que eu descrevi na carta que, de manhã mesmo, faria o sr. Augusto Nicodemos. Escrevi sob o impacto do infausto acontecimento. Vi a gente fanática enlouquecida. Estava emocionadíssimo. E assim, sem o menor cuidado quanto a linguagem, quanto aos adjetivos (exagerados) pensando apenas que estava fazendo uma carta particular a um amigo particular, fiz um relato romanceado do que via. Dando a minha carta ao jornal de Maceió “O Semeador”, o destinatário teve a boa intenção de divulgar o que lhe parecia digno de ser conhecido. Mas, nem me pediu permissão nem – ao menos – corrigiu o meu português de 1º ano primário. Mário de Andrade também manteve longa e descuidada correspondência com Manuel Bandeira, sem imaginar que o poeta pernambucano iria divulgar suas cartas, após a sua morte. Mas Mário de Andrade era um gênio e eu sou apenas um jornalista medíocre. Não posso errar. E, meu caro Daniel, por mal dos meus pecados, cada vez que se conta a vida do Padre Cícero, lá vem a malfadada carta e lá vem o meu nome. Edmar Morel – que prefiro não julgar aqui – incluiu-a no seu livro (que nada acrescentou em favor de nossa cidade), afirmando que “nem John Gunther (!!!!!!!) com a sua fabulosa capacidade seria mais brilhante do que o humilde caixeirinho Lourival Marques” na descrição da cena, o que me leva a pensar que ele nunca leu John Gunther. Há pouco tempo foi um jornal associado aqui no Rio que publicou a vida do Padre em capítulos e, como fecho, incluiu minha carta. Por tudo isso, já que desta carta você pode fazer o uso que quiser, eu deixo aqui, por seu intermédio, um conselho aos jovens da minha cidade: nunca escrevam cartas descuidadas. Mesmo que sejam para pessoas da mais absoluta intimidade, cuidem de escrever corretamente o português. Nunca se sabe o que acontecerá amanhã. É só, meu caro amigo. Desejo a você e a todos os promotores da I Exposição Fotográfica de Juazeiro Antigo, o maior sucesso. Aqui, o que eu podia fazer, já o fiz: a Nacional já deu uma nota e dará outras no seu noticiário, até o dia 31. Disponha sempre do amigo, Lourival Marques. Não há necessidade de acrescentar mais nada, a não ser lembrar que o texto que Lourival se refere foi publicado no primeiro capítulo dessa série.
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 4, sábado, às 17:30 horas, o filme O SHOW DEVE CONTINUAR (All that jazz, EUA, 1979, 117 min). Direção de Bob Fosse. Sinopse: Joe Gideon (Roy Scheider) é um diretor de cinema e coreógrafo mulherengo, que trabalha simultaneamente na edição de seu filme e nos ensaios de um musical. Ele sofre um enfarte e, com a vida por um fio, revê momentos da sua vida, transformando-os em números musicais. Sua atenção é disputada por 4 mulheres: sua namorada, a ex-esposa, a filha e a Morte, representada por uma bela loira vestida de branco, que conversa com ele de forma bem instigante.

ARTE RETIRANTE (ORFANATO,JUAZEIRO DO NORTE)
A Sessão Curumim, do projeto Arte Retirante também ocorre no próximo dia 7, terça feira, às 14 horas, no Orfanato Jesus Maria José (Rua Cel. Antonio Pereira, 64, Santa Tereza, em Juazeiro do Norte, o filme VALENTE (Brave, EUA, 2012, 93min.). Direção de Pixar Studios. Sinópse: A jovem princesa Merida foi criada pela mãe para ser a sucessora perfeita ao cargo de rainha, seguindo a etiqueta e os costumes do reino. Mas a garota dos cabelos rebeldes não tem a menor vocação para esta vida traçada, preferindo cavalgar pelas planícies selvagens da Escócia e praticar o seu esporte favorito, o tiro ao arco. Quando uma competição é organizada contra a sua vontade, para escolher seu futuro marido, Merida decide recorrer à ajuda de uma bruxa, a quem pede que sua mãe mude. Mas quando o feitiço surte efeito, a transformação da rainha não é exatamente o que Merida imaginava... Agora caberá à jovem ajudar a sua mãe e impedir que o reino entre em guerra com os povos vizinhos.


CINE CAFÉ VOLANTE (URCA, MISSÃO VELHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Missão Velha (URCA, Campus Missão Velha, Rua Cel. José Dantas, 932 – Centro), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 8, quinta feira, às 19 horas, o filme ADAPTAÇÃO (Adaptation. EUA, 2002, 114 min). Direção de Spike Jonze. Sinopse: Charlie Kaufman (Nicolas Cage) precisa de qualquer maneira adaptar para o cinema o romance "The Orchid Thief", de Susan Orlean (Meryl Streep). O livro conta a história de John Laroche (Chris Cooper), um fornecedor de plantas que clona orquídeas raras para vendê-las a colecionadores. Porém, além das dificuldades naturais da adaptação de um livro em roteiro de cinema, Charlie precisa lidar também com sua baixa auto-estima, sua frustração sexual e ainda Donald, seu irmão gêmeo que vive como um parasita em sua vida e sonha em também se tornar um roteirista.
CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 10, sexta feira, às 19 horas, o filme A QUALQUER CUSTO (Hell or high water, EUA, 2017, 102 min). Direção de David Mackenzie. Sinopse: Interior do Texas, Estados Unidos. Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) são irmãos que, pressionados pela proximidade da hipoteca da fazenda da família, resolvem assaltar bancos para obter a quantia necessária ao pagamento. Com um detalhe: eles apenas roubam agências do próprio banco que está cobrando a hipoteca. Só que, no caminho, eles precisam lidar com um delegado veterano (Jeff Bridges), que está prestes a se aposentar. 

CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no dia 10 sexta feira, às 19 horas, dentro do Festival Mazzaropi, o filme UM CAIPIRA EM BARILOCHE (Brasil, 1973, 100min). Direção de macio Mazzaropi. Sinopse: Polidoro (Mazzaropi), um fazendeiro ingênuo e dono de muitas terras, é persuadido por seu genro e pela filha para vender a fazenda e mudar-se para a cidade. Acaba vendendo-a para um amigo do genro, Agenor, pessoa sem escrúpulos e vigarista, cuja esposa também é vítima de suas negociatas. Por meio de um ardil, Polidoro é levado a viajar para Bariloche em companhia de Nora, enquanto sua fazenda é vendida a terceiros através de um negócio ilícito. Avisado a tempo, Polidoro regressa para desmascarar o genro.
CINE JURIS (FAP, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade Paraiso do Ceará (FAPCE) está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri, embora seja restrito aos alunos desta Faculdade. As sessões são programadas pela Coordenação do Curso de Direito, para um sábado por mês, de 8:30 às 11:30h, na Sala de Vídeo da Biblioteca, na Rua da Conceição, 1228, Bairro São Miguel. Informações pelo telefone: 3512.3299. Neste mês de novembro, dia 11, estará em cartaz, o filme PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of spies, EUA, 2015,132min). Direção de Steven Spielberg. Sinopse: Em plena Guerra Fria, o advogado especializado em seguros James Donovan (Tom Hanks) aceita uma tarefa muito diferente do seu trabalho habitual: defender Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião soviético capturado pelos americanos. Mesmo sem ter experiência nesta área legal, Donovan torna-se uma peça central das negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética ao ser enviado a Berlim para negociar a troca de Abel por um prisioneiro americano, capturado pelos inimigos.









GENEFLIDES, POR ROSÁRIO LUSTOSA

Dentro de breves dias será inaugurada uma bela praça nas Timbaúbas, em homenagem a um dos mais beneméritos juazeirenses já havido, o médico ginecologista e obstetra Geneflides Matos. Para também marcar esse momento, decorrente da celebração da passagem do seu centenário de nascimento, a poetisa de cordel Rosário Lustosa compôs esse cordel que será lançado na ocasião. Também aqui a nossa homenagem a ela, que ontem aniversariou.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

OS MÉDICOS DA TURMA DE FLORO (II)
Por Renato Casimiro
O médico Celestino Bourroul era um dos colegas de Floro Bartholomeu da Costa, quando da sua graduação em Medicina na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1904. Nessa série, continuaremos trataremos de diversos outros, transcrevendo biografias encontradas na internet. Celestino Bourroul nasceu em 13 de novembro de 1880. Era filho único dos primos Paulo Bourroul e Sebastiana Bourroul, de ascendência francesa, especificamente de Antibes, na região da Provence. Celestino Bourroul inicialmente estudou na Escola do Padre Hipólito (SP) e, aos 13 anos, foi matriculado no Colégio São Luís de Itú (SP) que, desde 1867, recebia famílias de nível socioeconômico elevado. Sua inteligência e assiduidade nos estudos diferenciavam-no dos demais alunos, qualidades essas logo notadas pelos seus professores. Concluiu o curso de humanidades de forma exemplar e voltou a São Paulo, onde, inspirado no exemplo de seu pai, Paulo Bourroul, decidiu cursar medicina. A fim de seguir sua vocação, matriculou-se (nº 2447) na centenária Faculdade de Medicina de Salvador (BA), no início de 1899, preterindo a Faculdade Nacional de Medicina na cidade do Rio de Janeiro, em virtude do município albergar surtos periódicos de varíola e febre amarela. Novamente, sobressaiu-se dentre seus colegas de turma devido à sua inteligência e excepcional aproveitamento escolar, graduando-se, com distinção, em 1904. Era o começo da trajetória de um dos mais conceituados médicos do Brasil. Sua tese de formatura – praxe obrigatória à época – intitulou-se Mosquitos do Brasil, considerada inusitada. Esse trabalho foi fruto de uma pesquisa na ilha de Itaparica, onde criou um mosquito a partir da água das bromeliáceas. Descreveu sete novas espécies, sendo uma delas por ele descoberta, contribuindo assim, ainda como estudante, ao estudo da parasitologia. Recebeu a nota máxima, lamentando a banca Titular e emérito da cadeira no 21 da Academia de Medicina de São Paulo sob o patrono de Benedicto Augusto de Freitas Montenegro. examinadora não existir louvor superior para distingui-lo. Como prêmio, foi contemplado com uma viagem à Europa. Celestino Bourroul era católico fervoroso e, no preâmbulo de sua tese, fez uma bela homenagem à Virgem Santíssima. Retornou a São Paulo em 1904 e seguiu para a França, onde aperfeiçoou seus estudos com o professor Grasset, de renome internacional. Complementou seus conhecimentos no Instituto Pasteur de Montpellier, onde foi estimulado pelo professor Rolart, famoso bacteriologista, para que organizasse um curso de microbiologia. Transferiu-se para Berlim e estagiou no laboratório de anatomia patológica do professor Orth. Na sequência, partiu para Viena, onde fez estudos em clínica médica, radiologia e anatomia patológica. Ao retornar ao Brasil, abriu consultório na cidade de São Paulo e começou sua aproximação dos intelectuais, cientistas e religiosos. Em consequência de sua educação e da fidalguia com que atendia as pessoas, recebeu, com o passar do tempo, dos propagandistas farmacêuticos, o epônimo de professor emérito. A admiração era recíproca entre ele e Adolfo Lutz, cientista que o orientou no seu trabalho de formatura. Essa dupla serviria de modelo durante vários anos a pesquisadores do jaez de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Artur Neiva. Os artigos que escreveu nos afamados centros médicos europeus da França, Alemanha e Áustria, contribuiriam para torná-lo conhecido e respeitado. Aos trinta anos, Celestino Bourroul já era um médico afamado. Esposou, em 1912, Maria da Conceição Monteiro de Barros, que contava com 19 anos e era aluna da Escola Normal Caetano de Campos. Esse conúbio foi sólido por mais de 30 anos e gerou oito filhos. A atração de Celestino pela sua esposa era tal que, após o falecimento dela, jamais deixou de expressar seu luto. Celestino Bourroul tornou-se catedrático da Faculdade de Medicina de São Paulo 5 de agosto de 1914, onde regeu a disciplina de história natural médica, posteriormente denominada de parasitologia. Nessa casa de ensino também foi diretor (1922), catedrático da disciplina de doenças tropicais e infecciosas em 1925, e, anos mais tarde, diretor do Departamento de Higiene. Tornou-se representante da Fundação Rockfeller dos Estados Unidos da América após estabelecimento de convênio técnico-financeiro firmado em 1921. Essa fundação, juntamente com o auxílio de Júlio Prestes, então presidente do Estado de São Paulo, patrocinou a construção a partir de 1928 do prédio da Faculdade de Medicina de São Paulo, obra acompanhada com grande zelo por Celestino Bourroul. Sua inauguração se deu em 1930 e tornou essa instituição de ensino do mesmo nível dos padrões federais. Em 1934 foi integrada à Universidade de São Paulo e, em 1950, quando Bourroul era seu vice-diretor pelo terceiro mandato, foi considerada pelo Council on Medical Educations and Hospitals of the American Medical Association and Executive Council of the Association of Medical College dentre as escolas médicas de elevado nível de ensino. Celestino Bourroul tornou-se chefe do Serviço de Clínica Médica do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia em 7 de outubro de 1921. Ao lado de suas atividades administrativas, expressava seu humanismo entre seus pacientes, tratando-os carinhosamente. Comemorava com seus enfermos as efemérides cristãs. A 6a Enfermaria de Homens que chefiava, organizou no Natal de 1937 uma comemoração, ocasião em que ele cumprimentou e confortou todos os pacientes em seus leitos. Dentre as entidades a que pertenceu salientam-se: Associação Paulista de Medicina, Sociedade Francesa de Cardiologia, Academia de Medicina da Argentina, Academia Nacional de Medicina (honorário, 30/11/1922) e Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, hoje, Academia de Medicina de São Paulo, entidade que teve a honra de presidi-la em dois mandatos anuais entre 1917-1918 e 1938-1939. Antônio Cândido Camargo, Antônio Prudente e Celestino Bourroul, motivados pelo aumento do número de óbitos por tumores malignos e lutando contra o preconceito e o medo à época de enfrentar essa doença, tiveram a ideia de fundar a Associação Paulista de Combate ao Câncer (APCC) em 1934. Esclareceram e divulgaram a ideia à população durante três anos, vindo a lume se primeiro estatuto em 1936. Entretanto, apenas em 1943 obtiveram os primeiros donativos – 100 contos de Réis – e, em 23 de abril de 1953, a entidade começou a atender pacientes no Instituto Central – Hospital A. C. Camargo. Indicado para presidi-la, Celestino Bourroul só o faria em 1957, respondendo humildemente na ocasião: “Precisam de alguém com real prestígio. Eu não serei de grande utilidade”. A APCC transformou-se na Fundação Antônio Prudente em 1974 e, em homenagem à dedicação prestada por Celestino Bourroul, seu nome foi dado à Escola de Cancerologia, entidade que abrange o ensino ministrado no Hospital do Câncer A. C. Camargo. Assim, os três visionários e protagonistas da Associação Paulista de Combate ao Câncer foram honrosamente imortalizados. Celestino Bourroul foi professor por 36 anos (!) e afastou-se da cátedra de doenças tropicais e infecciosas em novembro de 1950, por indicação médica em decorrência de distúrbios cardiovasculares. Mesmo assim, manteve atendimento à tarde em seu consultório até 1955, e comparecia na enfermaria da Santa Casa de Misericórdia pela manhã, não deixando sua rotina de examinar os pacientes com o seguinte argumento: “Quem cuidará dos que não podem pagar?”. Entretanto, poucos anos após, foi forçado a deixar essa prática com imensa tristeza e, com ela, o exercício da medicina que tanto amou e honrou. Segundo sua biógrafa, a acadêmica Yvonne Capuano, “ele tinha como princípio a ética no amor ao doente. Baseava seu trabalho na bondade, na paciência, competência e amor a Deus. Nunca deixou que a fama afetasse sua personalidade simples e humana. Exigente no ensino, tinha um caderno de assiduidade, aproveitamento, nome e fotografia dos alunos, onde assinalava o curriculum anual de cada um. Embora enérgico, os alunos consideravam-no um mestre perfeito, orientando-os não só nos problemas médicos como pessoais”. Dentre as homenagens que se lhe fizeram, salientam-se a condecoração pelo imperador do Japão por ter atendido graciosamente a comunidade nipônica de São Paulo, e o título de professor honoris causa da Faculdade de Medicina de Montevidéu. Celestino Bourroul, um dos mais notórios médicos brasileiros, baseou sua vida no estudo, trabalho, fé e humanismo caridoso. Ao final de sua existência escreveu: “A todos um ‘Deus lhes pague’ e um Adeus – até no céu onde nos encontraremos um dia, sem mais separação, para sempre”. Entregou sua alma a Deus em 9 de outubro de 1958, um mês antes de completar 78 anos. Ele é também honrado como patrono da cadeira no 38 da augusta Academia de Medicina de São Paulo; numa avenida na cidade de São Paulo e numa escola estadual no município de Santo André que levam o seu nome.

UMA IMAGEM E MUITAS HISTÓRIAS (I)
Durante muito anos, desde 1967, portanto há uns 50 anos, Daniel Walker e eu temos garimpado muitas imagens, milhares, dezenas de milhares, sobre a história do Juazeiro. Sempre nos interessou, desde aquela data o registro dos fatos pela imagem. Afinal, uma imagem, em se tratando especialmente da história de nossa cidade, sempre nos diz mais que muitos textos. Por isso, vou iniciando aqui uma nova série desses escritos semanais, quando vou me ocupar de relatar o que dizem algumas das mais expressivas imagens de nossa história. Sempre me angustiou que tendo encontrado tantas imagens nos guardados de famílias, particularmente, que isso sempre requeresse um relato da parte de alguém sobre as indagações mais fundamentais, em busca da perfeita identificação da imagem. O Que é?, Quem é (são)?, Onde foi?, Quando foi?, etc, são algumas das perguntas mais imediatas sobre qualquer delas. Lamentavelmente, em muitas dessas imagens, e sobre elas, ficou um grande vazio, pois ninguém tomou a iniciativa de registrar esses elementos. Mas, felizmente, essa nossa preocupação tem rendido muitos frutos para de fato esclarecer esses capítulos de nossa história. Vamos iniciar com esta imagem que postei nessa semana no Facebook, a título de esclarecer uma das imagens figurantes na exposição ora em andamento na Fundação Memorial Padre Cícero, com respeito à celebração do centenário de ordenação sacerdotal do Mons. Azarias Sobreira Lobo. Vamos com isso, estabelecer um breve, mas substancioso relato sobre o que a imagem guarda para a história. Esse é o propósito. 

O Texto: Dei a essa primeira imagem o seguinte título: ENTRE A VISITA PASTORAL E A CRIAÇÃO DA PRIMEIRA PARÓQUIA DE JOAZEIRO (1916-1917). E sobre ela informei: Essa foto foi feita entre a chegada da comitiva do bispo diocesano de Crato para a visita pastoral, em 17 de dezembro 1916, quando Amália Xavier, em suas memórias escreve: "Chega a Juazeiro em Visita Pastoral o 1° Bispo do Crato, D. Quintino, acompanhado do seu Secretário, Diácono Azarias Sobreira; os padres Joviniano Barreto e Horácio Teixeira; dois Seminaristas – Edmundo Milfont e Joaquim Pedroso. Fizeram sua entrada pela Rua da Matriz. Teve recepção soleníssima. O Pe. Cícero foi encontrá-los no início da rua; subiram caminhando entre as alas que constituíam a Comissão de Recepção, até a Igreja de Nossa Senhora das Dores onde foram iniciadas as cerimônias da Visita Pastoral. Ficaram hospedados em casa da Beata Soledade, atual Casa Paroquial. A Banda de Música acompanhou todo o cortejo." A criação da Paróquia foi alguns dias depois, já em Janeiro de 1917. Nessa foto estão, (da esq. para a dir.): Sentados: Pe. Joviniano da Costa Barreto; Pe. Cícero Romão Baptista, D. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva; Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves e Pe. Emilio Leite Alvares Cabral; De pé: Diácono Azarias Sobreira Lobo; Pe. José Gonçalves Ferreira; seminarista Emygdio Lemos; Pe. Horácio Teixeira; Pe. Antonio Jatahy de Souza; e os seminaristas Edmundo Milfont e Joaquim Pedroso.

O Contexto: Pouco tempo depois de sua ordenação por D. Joaquim, Pe. Quintino veio residir no Cariri, como coadjutor em Missão Velha. Nessa ocupação ele presenciou o milagre de Joaseiro e privou intimamente com o Pe. Cícero. Assistiu muito de perto a todo o desenrolar do rumoroso processo que levou à condenação dos fatos e a suspensão de ordens do Pe. Cícero. Sempre dosou de muito prestígio tendo dirigido o Seminário de Crato. Em seguida paroquiou no Crato por quinze anos, até quando foi nomeado primeiro bispo diocesano. 

O Pretexto: A circunstância da Visita Pastoral está ligada a todos esses fatos que já deviam ter considerado Joazeiro uma grande paróquia, de alguns anos. Contudo a persistência da visão da Igreja sobre Joazeiro e seu antigo capelão protelaram por muito tempo essa decisão, da qual emerge a criação da primeira paróquia, em 1917. 

Nas Entrelinhas: A escolha do primeiro vigário da nova Paróquia, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, como assim se consagrava, desde a primeira capela, em 15.09.1827, recaiu sobre o nome do Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves, que, como cura da Catedral de Nossa Senhora da Penha, já vinha dedicando parte de suas atenções para com a capela de Joazeiro. Ele é um membro da comitiva da Visita Pastoral, pelo fato de ultimamente ter sua residência dividida entre Crato e Juazeiro. A escolha foi bem recebida pois Pe. Pedro Esmeraldo era de grande dedicação, pondo em regularidade o funcionamento da capela, com grande atenção aos serviços religiosos na cidade. 

Os personagens da fotografia: Pe. Joviniano da Costa Barreto: Nascimento: 05.05.1889, em Tauá; Pais: Cristina Gonçalves de Amorim Barreto e Roberto da Costa Barreto; Ordenação: 21.12.1911, em Fortaleza; Falecimento: 06.01.1950, em Juazeiro do Norte; O que fazia na data da foto: Vigário Coadjutor em Lavras da Mangabeira. Pe. Cícero Romão Baptista: Nascimento: 24.03.1844, em Crato; Pais: Joaquina Vicência Romana e Joaquim Romão Baptista; Ordenação: 30.11.1870, em Fortaleza; Falecimento: 20.07.1934, em Juazeiro do Norte; O que fazia na data da foto: sacerdote suspenso de ordens eclesiais e prefeito municipal de Juazeiro do Norte. D. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva: Nascimento: 31.10.1863, em Quixeramobim; Pais: Maria Rodrigues Baptista Vaz e Antonio Rodrigues da Silva; Ordenação: 19.06.1887, em Fortaleza; Falecimento: 28.12.1929, em Crato; O que fazia na data da foto: Primeiro bispo da Diocese de Crato. Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves: Nascimento: 29.01.1876, em Crato; Pais: Maria de Sant´Ana Gonçalves e Antonio Esmeraldo da Silva; Ordenação: 30.11.1898, em Fortaleza; Falecimento: 01.10.1934, em Juazeiro do Norte; O que fazia na data da foto: Vigário do Crato (alguns dias depois seria o primeiro vigário de Juazeiro do Norte. Pe. Emilio Leite Alvares Cabral: Nascimento: 09.03.1881, em Milagres; Pais: Felismina Álvares de Oliveira Cabral e José Leite Rabelo da Cunha; Ordenação: 30.11.1903, em Fortaleza; Falecimento: 27.04.1933, em Crato; O que fazia na data da foto: Vigário de Assaré. Seminarista Azarias Sobreira Lobo: Nascimento: 24.01.1894, no povoado de Joazeiro (então pertencente ao Crato); Pais: Carolina Augusta Sobreira Lobo e José Lobo de Meneses; Ordenação: 22.06.1917; Falecimento: 14.06.1974; O que fazia na data da foto: Havia cursado o Seminário da Prainha (Fortaleza), entre 1908 e 1915, tendo se transferido para a Diocese de Crato em 1916, e no Colégio Diocesano foi aluno e professor. Nessa ocasião era diácono e seria ordenado no ano seguinte. Pe. José Gonçalves Ferreira: Nascimento: 25.03.1876, em Auirora; Pais: Cordulina Maria Leite e Joaquim Gonçalves Ferreira; Ordenação: 30.11.1902, em Fortaleza; Falecimento: 03.11.1917, em Várzea Alegre (suicídio); O que fazia na data da foto: Vigário de Várzea Alegre. Pe. Emygdio Lemos: Nascimento: 22.03.1892, em Crato; Pais: Senhorinha Maria de Lemos e Minembro Francisco de Lemos; Ordenação: 03.11.1924, em Crato; Falecimento: 26.02.1937, em Crato; O que fazia na data da foto: Era seminarista em Crato. Pe. Horácio Teixeira: Nascimento: 15.04.1880, em Icó; Pais: Maria das Mercês Teixeira e João Alexandre Teixeira; Ordenação: 30.11.1904, em São Luiz, MA; Falecimento: 22.11.1946, em Fortaleza; O que fazia na data da foto: Vigário de Missão Velha. Pe. Antonio Jatahy de Souza: Nascimento: 03.06.1861, em Tauá; Pais: Eufrásia Maria da Conceição e Clementino Alves de Sousa; Ordenação: 30.12.1890, em Fortaleza; Falecimento: 19.10.1927, em Barbalha; O que fazia na data da foto: Vigário de Barbalha. Seminarista Edmundo Milfont: Nascimento / Pais / Ordenação / Falecimento: sem dados; O que fazia na data da foto: Seminarista no Crato. Seminarista Joaquim Pedroso de Oliveira Lima: Nascimento / Pais: sem dados / Ordenação: 1920, em Crato; Falecimento: sem dados; O que fazia na data da foto: Seminarista no Crato.

SUCESSOR DE DOM BOSCO VISITOU JUAZEIRO
Esteve visitando as obras Salesianas em Juazeiro do Norte o décimo sucessor de D. Bosco Pe. Angel Fernndez Artime, de origem espanhola. Em março de 2014, o padre Ángel foi nomeado Reitor Mor da Ordem dos Salesianos. Ele é graduado em Teologia Pastoral e Licenciado em Filosofia e Pedagogia. Em 2009 foi nomeado Inspetor da Argentina Sul e, graças a este cargo, pôde conhecer e trabalhar pessoalmente com o Papa Francisco — que, à época, era arcebispo de Buenos Aires. O padre Ángel é nascido em Leão, cidade que fica a noroeste da Espanha, onde foi ordenado padre em outubro de 1987. Já foi delegado da Pastoral Juvenil, diretor do Colégio Salesiano de Ourense, membro do conselho provincial e vigário provincial da cidade de Leão. Essa é a segunda vez que um Reitor Mor da SDB visita o Cariri. A primeira vez foi há 60 anos atrás, quando o Reitor era o Pe. Renato Ziggiotti, em 17.06.1957. Ele veio a Juazeiro para visitar as obras, também fez o lançamento da pedra fundamental do Santuário do Coração de Jesus, pois os Salesianos comprometeram-se a construir a Igreja do Coração de Jesus cumprindo um voto que fizera o Pe. Cícero e mais dois sacerdotes, de construir a igreja, agradecendo o inverno copioso que caira após uma ameaça de seca no Ceará, em 1878. Na verdade, esse compromisso não era mais pela premissa do grande templo no Horto (que seria retomado e está em curso na Colina do Horto), mas pelo novo templo que se ergue majestoso em frente ao Colégio. Recentemente o Pe. Giancarlo Perini me enviou um texto, em italiano, que faz uma pequena resenha sobre aquela visita. Eu me aventurei a fazer uma tradução e é o que transcrevo a seguir: “Na manhã de 14 de junho (1957), o Reitor Mor (Pe. Renato Zigiotti) embarcou num avião bimotor militar concedido pelo governo de Pernambuco para Cajazeiras, uma cidade pequena e tranquila no Estado da Paraíba, a 400 quilômetros da costa atlântica, em uma área bastante árida devido à falta de vias navegáveis ​​e à falta de chuvas. Existe uma instituição com instalações internas e externas; tem um oratório diário e uma grande igreja pública. A boa vinda ao Reitor-Mor, sem as exigências das grandes cidades, é muito amigável e afetuosa. Cooperadores e pessoas o cercam no pátio do instituto, e todos tomam a palavra para o prefeito. No dia seguinte, no teatro, há uma ópera musical com poemas e músicas. O bispo da cidade também está presente. De Cajazeiras com meia hora de voo para Juazeiro do Norte. Esta cidade deve seu desenvolvimento prodigioso (de algumas centenas de habitantes agora contam-se 60 mil) ao prestígio e fama do padre Cícero, sacerdote do clero secular. Com sua vida austera e devotada, com zelo e grande generosidade e com talentos pessoais incomuns, ele sabia se burlar não apenas de simpatia, mas mesmo de uma admiração infinita para aqueles que o conheciam; admiração às vezes assume o aspecto do fanatismo. Muitos deixaram suas casas e bens para vir a Juazeiro, que agora se tornou um local de imponente peregrinação. Este sacerdote foi capaz de inculcar uma grande devoção à Virgem e ao Sagrado Coração. Extraordinário ainda é a afluência dos sacramentos sagrados e das várias funções sagradas. O rosário é rezado em todas as famílias, e muitos homens o levam no pescoço. O padre Cícero queria confiar a continuação de suas obras aos Filhos de Dom Bosco, pelo qual ele tinha grande estima e simpatia. Mas na vida, ele não conseguiu ver seu sonho se tornar realidade. Os salesianos vieram se instalar depois de sua morte e só se beneficiaram parcialmente dos bens que o Sacerdote deixou, com que uma instituição poderia ser erguida. À entrada da cidade, há um pequeno albergue que acolhe jovens abandonados e aspirantes ao sacerdócio (antigamente se chamava Escola de Menores, fundada e dirigida pelo Pe. Celestino Capra). Na recepção de Juazeiro ao Reitor-Maior foi entusiasmado, especialmente a devoção a Maria SS. Auxiliadora e S. João Bosco são generalizadas em todas as famílias. Mas o momento mais significativo de sua visita foi a solene cerimônia de colocação da primeira pedra do Santuário, em frente ao nosso Instituto (atual Ginásio Salesano). Esta pedra veio das Catacumbas de Santa Catarina, abençoada pelo Santo Padre, foi enviada por nossos Irmãos do "Instituto São Tarcisio", em Roma.” O Pe. Giancarlo Perini me lembra que naquela ocasião “o jovem que foi dar as boas vindas ao Pe Renato Ziggiotti foi o chamado hoje “ cronista do Cariri”, com mais de 90 anos, Geraldo Meneses Barbosa.” Outra coisa que me parece deve ser lembrada é esse detalhe da pedra fundamental que incluiu uma pedra trazida das Catacumbas de Santa Catarina, da cidade de Chiusi, Itália. Chiusi é uma cidade na divisa entre a Umbria e a Toscana, rica de história e mistério, onde há 2 catacumbas onde foram sepultos os primeiros cristãos. Em Chiusi há 2 catacumbas, a catacumba de Santa Mustiola e de Santa Catarina d’Alessandria. A catacumba leva o nome de uma capela dedicada à Santa Catarina de Alexandria.
NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
Duas personalidades acabam de ser agraciadas com o título de cidadania honorária da cidade de Juazeiro do Norte. Vejamos os atos:

RESOLUÇÃO N.º 866, de 17.10.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor JOSÉ MATIAS DA SILVA, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade, principalmente na área esportiva. Autoria: José Nivaldo Cabral de Moura; Coautoria: Paulo José de Macêdo Subscrição: José David Araújo da Silva, Domingos Sávio Morais Borges, Diogo dos Santos Machado, Herbert de Morais Bezerra, Cícero José da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calú, Antônio Vieira Neto, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Glêdson Lima Bezerra, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Jacqueline Ferreira Gouveia, Rosane Matos Macêdo e Auricélia Bezerra. 

RESOLUÇÃO N.º 867, de 17.10.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito GIACUMUZACCARA LEITE CAMPOS pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: José Adauto Araújo Ramos; Coautoria: Paulo José de Macêdo, José Tarso Magno Teixeira da Silva e Glêdson Lima Bezerra. Subscrição: José David Araújo da Silva, Domingos Sávio Morais Borges, Diogo dos Santos Machado, Herbert de Morais Bezerra, Cícero José da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calú, Antônio Vieira Neto, José Tarso Magno Teixeira da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, José Barreto Couto Filho, Cícero Claudionor Lima Mota, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Jacqueline Ferreira Gouveia, Rosane Matos Macêdo e Auricélia Bezerra.

(Na foto: Flagrante da visita do Pe. Renato Ziggiotti ao então Instituto Salesiano Pe. Cícero, depois Ginásio Salesiano São João Bosco e hoje, Colégio Salesiano São João Bosco, em 16.06.1957. Vêem-se dentre os presentes: o Pe. Renato Ziggiotti, membros da comitiva, padres salesianos e frades Franciscanos, o prefeito José Geraldo da Cruz, dr. Geraldo Menezes Barbosa e o radialista Coelho Alves.) 

NOVA ESCOLA


Construindo uma nova escola municipal a cidade prestará brevemente uma significativa homenagem a uma das mais expressivas educadoras que tivemos, a professora Lúcia Vanda Veloso Guimarães. Professora Ruralista formada pela Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte, ela integrou por toda a sua vida profissional o quadro docente daquele estabelecimento até à sua aposentadoria. Hoje é lembrada com muitos méritos. Vejamos o ato competente: LEI Nº 4.771, DE 25 DE SETEMBRO DE 2017 Dá nova denominação a Escola Municipal de Ensino Infantil – EMEI Professora Lúcia Vanda Veloso Guimarães, e adota outras providências. O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE, Estado do Ceará, no uso de suas atribuições legais que lhe confere o art. 72, inciso III, da Lei Orgânica do Município. FAÇO SABER que a CÂMARA MUNICIPAL aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei. Art. 1º – Fica denominada de Escola Municipal de Ensino Infantil – EMEI PROFESSORA LÚCIA VANDA VELOSO GUIMARÃES, a que está sendo construída no Residencial Minha Casa Minha Vida, São Sebastião I e II, no Bairro Betolândia, nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º – Ficam revogadas as disposições em contrário. Palácio Municipal José Geraldo da Cruz, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, aos 25 (vinte e cinco) dias do mês de setembro do ano dois mil e dezessete (2017). JOSÉ ARNON CRUZ BEZERRA DE MENEZES PREFEITO DE JUAZEIRO DO NORTE Autoria: Vereador José Adauto Araújo Ramos.

UTILIDADE PÚBLICA
Duas instituições, no âmbito do município foram declaradas como de Utilidade Pública pelos seguintes atos legislativos: LEI Nº 4.768, de 25.09.2017: Art. 1º – Fica reconhecida de Utilidade Pública a IGREJA NOVA VEREDA, fundada em 14 de julho de 2017, constituída de direito privado, doravante denominada Igreja como entidade civil religiosa, autônoma e parte da Igreja que o Senhor Jesus estabeleceu na terra, sem fins lucrativos, que terá duração por tempo indeterminado, com sede e foro jurídico na cidade de Juazeiro do Norte/CE, e reger-se-á por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Vereador Glêdson Lima Bezerra 

LEI Nº 4.769, de 25.09.2017: Art. 1º – Fica reconhecida de Utilidade Pública a ASSOCIAÇÃO ESPORTIVA CAMPO GRANDE FUTEBOL CLUBE, fundada em 23.02.1985, nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, com personalidade jurídica distinta de seus associados, sem fins lucrativos, que tem por finalidade difundir a prática do futebol, promover reuniões de caráter esportivo, cívico, educacional, cultural, social, bem como Workshop e minicursos, de duração por tempo indeterminado, e reger-se-á por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Vereadora Auricélia Bezerra; Coautoria: Vereador Antônio Vieira Neto

NOVA AVENIDA: LUIZ DE MATOS FRANCA
A Câmara Municipal propôs, aprovou e o prefeito sancionou uma homenagem há muito pendente, em nome de Luiz de Matos Franca. Assim foi dado seu nome a uma nova rua entre os bairros da Timbaúba e do Limoeiro. Vejamos a LEI Nº 4.742, de 24.07.2017: Art. 1º - Fica denominada de AVENIDA VEREADOR LUIZ DE MATOS FRANCA, a artéria projetada ao longo do Riacho das Timbaúbas, com início na Rua Francisca Paula Bezerra (Sul) e término na Avenida Governador Virgílio Távora (Norte). Ao Leste com a Rua João Paulo I, Rua Assis Dias Sobreira e Rua Madre Maria Villac. Ao Oeste com Avenida José Bezerra de Menezes e Rua Unias Filgueiras, estendendo-se ao longo dos Bairros Timbaúba e Limoeiro. Autoria: Vereador José Adauto Araújo Ramos.
CONSELHO DE DEFESA DOS ANIMAIS
Foi criado o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais – CMPDA, nos seguintes termos: LEI Nº 4.773, de 11.10.2017: Art. 1º - Fica criado o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais - CMPDA, órgão consultivo e deliberativo, instrumento de Política Pública Municipal de destinação e gerenciamento de receitas e meios para o desenvolvimento e a execução de ações voltadas à saúde, à proteção, à defesa e ao bem-estar animal no Município de Juazeiro do Norte, visando à saúde humana e a proteção ambiental. Art. 2º - O CMPDA tem como objetivos: I - Incentivar a guarda responsável dos animais, conforme a legislação vigente; II - Acompanhar, discutir, sugerir, propor e fiscalizar as ações do poder público e o fiel cumprimento da legislação de proteção animal. Art. 3º - São atribuições do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais: I - Emitir parecer e deliberar em situações definidas nos termos do Art. 2º desta Lei; II - Avaliar projetos no âmbito do poder público relacionado com a proteção animal e o controle de zoonoses; III - Propor alterações na legislação vigente para garantir o cumprimento do direito legítimo e legal dos animais; IV - Propor e auxiliar a realização de parcerias com empresas públicas e privadas que possam apoiar, com auxílio financeiro ou força de trabalho, o cumprimento dos objetivos deste Conselho; V - Propor prioridades e linhas de ação na alocação de recursos em programas e projetos relacionados à guarda responsável; VI - Solicitar e acompanhar as ações dos órgãos da Administração Pública, Direta ou Indireta, que têm incidência do desenvolvimento dos programas de proteção e defesa dos animais; VII - Acionar os órgãos públicos competentes em situações relativas ao bem estar animal; VIII - Requisitar e acompanhar diligências e adotar providências contra situações de maus-tratos aos animais; IX - Requerer na Justiça a proibição da tutela de animais e outras ações que visem à proteção animal, em situações previstas na legislação vigente; X - Propor e auxiliar o poder público na realização de campanhas de esclarecimento à população quanto a guarda responsável, educação ambiental e saúde pública, conforme definido na legislação; XI - Contribuir com a organização, orientação e difusão de práticas de guarda responsável no município; XII - Discutir medidas de conservação da fauna silvestre, bem como a manutenção dos seus ecossistemas; XIII - Incentivar a realização de estudos e trabalhos relacionados com a proteção animal. Art. 4º - O CMPDA será constituído por 10 (dez) membros, com mandato de 2 (dois) anos, permitida 1 (uma) recondução: I - 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviços Públicos; II - 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Saúde; III - 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Educação; IV - 1(um) representante da Secretaria Estadual de Meio Ambiente ou do Ministério do Meio Ambiente; V - 2 (dois) representantes de entidade voltada à proteção animal; VI - 1 (um) representante de entidade voltada à conservação e proteção da fauna silvestre; VII - 2 (dois) representantes da comunidade acadêmicocientífica, das áreas de ciência animal e/ou direito ambiental; VIII - 1 (um) médico veterinário da iniciativa privada. § 1º - Para cada membro do Conselho será indicado um suplente da mesma área de atuação. § 2º - Cada membro tem direito a um voto. § 3º - A função de membro do CMPDA é gratuita e considerada serviço público relevante, ficando expressamente vedada a concessão de quaisquer tipos de remuneração, vantagens ou benefícios de natureza pecuniária. § 4º - O CMPDA será presidido por um de seus membros, eleito por maioria simples, na primeira reunião ordinária, ficando os dois segundos mais votados eleitos para os cargos de Vice Presidente e Secretário. § 5º - Os representantes, titular e suplente, dos órgãos e entidades, serão indicados pelas respectivas instituições e nomeados pelo Prefeito. § 6º - A substituição de representantes será efetivada mediante justificativa aprovada pela maioria, mantendo-se inalterada a sua constituição. § 7º - A inclusão de novos representantes ou entidades se dará mediante lei. § 8º - Os membros do CMPDA que não comparecerem a três reuniões num prazo de 12 (doze) meses perderão o mandato, devendo ser informado, de imediato, o órgão ou entidade que os indicou, para, num prazo de 15 (quinze) dias, providenciar a substituição. Art. 5º - O CMPDA reunir-se-á ordinariamente, no mínimo, 1 (uma) vez a cada dois meses e, extraordinariamente, na forma que dispuser seu Regimento Interno. § 1º - A convocação será feita por escrito, enviadas por correios ou correio eletrônico, com antecedência mínima de7 (sete) dias para as sessões ordinárias e de 24 (vinte e quatro) horas para as sessões extraordinárias. § 2º - As decisões do CMPDA serão tomadas com aprovação da maioria simples de seus membros, com presença de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) dos membros, contando com o Presidente, que terá o voto de qualidade. § 3º - As sessões plenárias do CMPDA serão abertas à participação de todos os cidadãos, entidades da sociedade civil e movimentos populares, com o objetivo de analisar os trabalhos realizados, orientar sua atuação e propor projetos, programas ou ações específicas afeitas ao tema. Art. 6º - O CMPDA deverá elaborar seu Regimento Interno no prazo de 90 (noventa) dias, a contar da data de publicação desta Lei. Art. 7º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Palácio Municipal José Geraldo da Cruz, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, aos 11 (onze) dias do mês de outubro do ano dois mil e dezessete (2017). JOSÉ ARNON CRUZ BEZERRA DE MENEZES PREFEITO MUNICIPAL DE JUAZEIRO DO NORTE Autoria: Vereadora Jacqueline Ferreira Gouveia Coautoria: Vereadores Damian Lima Calú e Rita de Cássia Monteiro Gomes
DIA DO CAPELÃO
Confesso que não sei lhes informar quanto são os capelães de Juazeiro do Norte. Mas, seguramente, a invocar o primeiro deles, o nosso santo padrinho Pe. Cícero, enche-se de mérito a celebração em honra dos que na atualidade, em parte o sucedem. Então, parece ser essa a razão da Lei que cria o dia do Capelção, para ser celebrado anualmente em 20 de novembro. Vejamos o ato formal. LEI Nº 4.774, de 11.10.2017: Art. 1º - Fica instituído o “Dia do Capelão” no âmbito do Município de Juazeiro do Norte, a ser comemorado, anualmente no dia 30 de novembro. Art. 2º - O evento ora instituído passará a constar no Calendário Oficial de Eventos do Município de Juazeiro do Norte. Art. 3º - As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotação orçamentária próprias, suplementadas se necessário. Art. 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 5º - Ficam revogadas as disposições em contrário. Autoria: Vereador Francisco Demontier Araújo Granjeiro; Coautoria: Vereador Damian Lima Calú.

Aeroporto Orlando Bezerra, em Juazeiro do Norte (Foto: Infraero/Divulgação)
A VENDA DO AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE

Diz-se “Privatização”, para o que se fará com o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes. E é o que farão também com outros doze aeroportos em outras localidades do país, de acordo com publicação no Diário Oficial da União, em 25.10.2017. A palavra específica, desse tal espírito neoliberal não deveria esconder a realidade: tira-se do povo e se dá ao mais guloso que tudo pode. É uma expropriação tornar privado o que é público, especialmente quando não se tem zelo pelo patrimônio do contribuinte. De há muito tudo isso foi pago por nós. Agora perderemos, sob a alegativa de que será mais ágil, poderá ser modernizado segundo os interesses de novos donos. O Aeroporto Regional do Cariri vai passar a novos comandos, como os demais: Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, em Vitória (ES); Aeroporto Gylberto Freyre, em Recife (PE); Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande (MT); Aeroporto de Macaé, em Macaé (RJ); Aeroporto Presidente Castro Pinto, em Bayeux (PB); Aeroporto Presidente João Suassuna, em Campina Grande (PB); Aeroporto Santa Maria, em Aracaju (SE); Aeroporto Zumbi dos Palmares, em Maceió (AL); Aeroporto Maestro Marinho Franco, em Rondonópolis (MT); Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, em Sinop (MT); Aeroporto Piloto Oswaldo Marques Dias, em Alta Floresta (MT) e Aeroporto de Barra das Garças, em Barra das Garças (MT). Paciência. Se alguém vai ganhar muito dinheiro com isso, que pelo menos preste melhor serviço, pois continuaremos pagando o quanto eles quiserem.