quarta-feira, 7 de janeiro de 2015



BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
105: (07.01.2015) Boa Tarde para Você, Francisco Demontier Cândido Tenório
Agradeço-lhe, mais uma vez, a sua generosidade frequente, com o envio das matérias publicadas no Miséria, como a de ontem, com a qual você relembrou aquele fatídico 6 de janeiro de 1950, o do assassinato de Mons. Joviniano da Costa Barreto. Gostaria de dizer-lhe, Demontier, que tenho muito gosto em ler estes seus textos, especialmente porque você é dos poucos jornalistas desta mais nova safra que tem um cuidado especial para com as lições do passado, indo sempre, como dizia um dos seus leitores, ao baú da história para dali retirar elementos importantes para suas matérias. É o caso deste capítulo horroroso que Juazeiro viveu naquela primeira sexta feira do ano, quando o fato aconteceu, pelos anos por mim inteirado com os comentários em família, e que me deixavam muito curioso para compreender a trama e suas circunstâncias. Há uns bons anos, Demontier, eu venho procurando, à luz de uma revisão de textos da imprensa e do panfletário, revisitar o contexto da época, para tentar compreender o pretexto do brutal assassinato, analisando as entrelinhas que guardaram opiniões e juízos que até perpetraram o tresloucado gesto do doente mental Manoel Pedro da Silva. Monsenhor Joviniano assistiu o nascimento de minha família, casando meus pais em 08.12.1948, na Igreja-Matriz de Nossa Senhora das Dores, onde ele também me batizou na manhã do dia 22.10.1949, 75 dias antes de morrer. Na minha adolescência, Demontier, a tradição oral era de exaltação ao mártir, vítima de um negro maluco que teve a sua pretensão contrariada, pois queria que Monsenhor fizesse o seu casamento com uma mulher casada. Frequentei escolas e agremiações que não faziam, senão, a elegia de seus grandes méritos de sacerdote cristão, à margem das grandes intrigas, decorrentes da sua determinação de combater o Pe. Cícero e o propalado fanatismo religioso da cidade. Tenho uma coleção de boletins apócrifos que pontuavam os conflitos de grupos com Mons. Joviniano, marcados por sua inequívoca perseguição, desde que assumiu a Paróquia de Juazeiro, com o objetivo de destruir o amor que os romeiros manifestavam ao Padre Cícero. Esses boletins, Demontier, são extremamente virulentos e a sua linguagem panfletária não escondia uma trama que elegeu Pe. Cícero, romeiros, Salesianos e Diocese, e que terminaria por armar o débil mental Manoel Pedro com uma peixeira para assassinar Monsenhor. Veja só este pequeno trecho, meu amigo: “O Padre Cícero deixou no seu lugar os Padres Salesianos. Os Padres Salesianos que tem vindo para cá, quando se tornaram queridos dos romeiros, por causa da sua humildade e grandes virtudes, e começaram a chamar a atenção dos romeiros para o Colégio. O Monsenhor Joviniano começa logo a fazer campanha para botá-los para fora do Juazeiro. Frei Damião está proibido pelo Monsenhor Joviniano, a nunca mais pisar aqui. Mas, sabem vocês, romeiros, porque é isso? É por causa do dinheiro!!! Os romeiros estavam se passando para os Salesianos, deixando a Matriz. As esmolas da caixa de Nossa Senhora das Dores que o Monsenhor todos os anos despesca, atingem a mais de quinhentos contos de reis e de agora em diante este dinheiro ia para a construção do Templo de Nossa Senhora Auxiliadora. Esse dinheiro atualmente está sendo desviado para o Bispado do Crato, para a construção de casas da Obra das Vocações Sacerdotais, naquela cidade. Isto reverte em prejuízo para o Juazeiro.” E vai por aí, meu amigo. Confesso a você, Demontier, que da revisão destes momentos, ainda fica para mim a sensação de que o cadáver de Mons. Joviniano, se revira no túmulo, a cada nova romaria que nos chega, exatamente ele que achava que isto não duraria 10 anos. E, desgraçadamente, 10 anos nem ele mesmo durou...
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 07.01.2015)

ADENDOS
Eu me sinto na obrigação de fazer duas considerações sobre qualquer repercussão com respeito a esta crônica que fiz para saudar Demontier Tenório. A primeira diz respeito a detalhar um sem número de fatos nos quais a pessoa de Mons. Joviniano da Costa Barreto esteve envolvida e que refletiam a sua intolerância com respeito a Juazeiro e suas questões políticas e religiosas. Isso não foi feito por falta de tempo de rádio. Mons. Formava ao lado de prefeito juiz e delegado. E frequentemente eram vistos e tratados como “Estado Maior” ou também chamada de “Corte Celeste”. Mas os tempos eram outros: vivia-se ditadura política, mando inquestionável de diocese e uma força policialesca acintosa. Essa conjuntura, por exemplo, bem próximo do assassinato de Monsenhor Joviniano também o fortaleceu para não abrir a pequena capela de São Miguel para receber o velório do beato José Lourenço Gomes da Silva. Muitos anos depois, uma pessoa insuspeita com relação a Mons. Joviniano, como o Pe. Azarias Sobreira Lobo me confidenciaria ainda com muita tristeza. “Foi um grave erro, um grave pecado. O que pensar de um irmão no sacerdócio que peca contra a caridade?” Ainda com relação a este assunto, eu já tive oportunidade de registrar nesta coluna os detalhes deste fato, exibindo algumas preciosas fotografias que mostravam como o velório do beato José Lourenço transcorreu com grande afluência, debaixo de chuva e com as portas da capela fechada por determinação do pároco Mons. Joviniano.
Outro fato que necessita complemento vem do fato de ter inserido a frase: “Na minha adolescência, Demontier, a tradição oral era de exaltação ao mártir, vítima de um negro maluco...” Tratei em assim referir como de fato se dizia na época, onde o preconceito racial era ainda muito mais flagrante que nos dias de hoje. Não há, da minha parte, nenhuma simpatia para que o tratamento hoje seja mantido. Procurei, tão somente, ser fiel ao sentimento da época, que está bem expressa nos jornais da época.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015



BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
104: (05.01.2015) Boa Tarde para Você, Dr. Francisco Danúbio Alves Pinto
O calendário que já estamos vivendo neste novo ano de 2015 enseja-nos neste mês de janeiro as oportunidades de celebrar, ou mesmo de nos sensibilizarmos por diversas causas como a dos enfermos, dos hemofílicos (aliás, ontem), da liberdade dos cultos, das religiões, do controle da poluição, dos aposentados, da memória das vítimas do holocausto, do combate ao trabalho escravo, e dezenas de outras motivações. Janeiro, como porta de um novo tempo, é também a ocasião propícia para celebrações do que, a rigor, nem precisaria ter dia específico para assinalar e guardar a nossa sensibilidade e respeito. E assim, estão no calendário deste mês os dias da fraternidade universal (abrindo o ano), do riso, da solidariedade, da hospitalidade, da saudade e o dia da gratidão que se pode celebrar amanhã, mas de preferência, todos eles, por todos os dias de nossas vidas. Dou Graças a Deus, Dr. Danúbio, porque em todos os momentos de minha vida eu fui instruído, esclarecido, orientado, protegido e servido por um sem número de pessoas, como você, para os quais eu procurei manifestar a minha gratidão por tantas atenções, cuidados e zelo. Lembro-me que em 1984, quando encerrei a elaboração de minha tese doutoral, com a qual trinta anos depois eu fui reconhecido, também, pela Faculdade de Juazeiro do Norte, sob a sua direção, para ter ingressado no corpo de sua equipe, eu já tinha mencionado na primeira página daquele documento a expressão que me vale neste instante como uma lembrança ativa e pessoal do que me tem seguido pela vida. Disse-nos um dia o prof. Albert Einstein: “Cem vezes ao dia eu lembro a mim mesmo que minha vida, interior e exterior, depende dos trabalhos de outros homens, vivos ou mortos, e que devo esforçar-me a fim de devolver na mesma medida que recebi e recebo.” É com este espírito, Dr. Danúbio, que nesta tarde eu me dirijo ao senhor, essencialmente, para que não lhe tarde, nesta manifestação pública, talvez desnecessária, o reconhecimento de quanto sou grato e reservo parte daquilo que a vida me garantiu para servir, não apenas à instituição que o senhor dirige magistralmente, mas também para assegurar o quanto desejei continuar servindo, pela competência que a vida me assegurou. Quando me for desta, a despeito de tão pouco ter colaborado para um mundo melhor, eu gostaria de ser lembrado que por toda a existência eu não me descuidei em reconhecer o quanto devo ser ou grato, o quanto vali por isto e quase não vali por qualquer outra coisa. Eu apenas gostaria de ser reconhecido como um homem cujo legado refletirá a gratidão pela graça de ter tido a vida que viveu, dos homens e mulheres que conheceu, da família que lhe gerou e abrigou em seios de carinho e afeto, e de instituições como a Universidade Federal do Ceará e a Faculdade de Juazeiro do Norte que me permitiu o reingresso na docência, neste recente passado 2014, retirando-me da tão desejada aposentadoria. Na nossa tradição cristã, o dia de amanhã se reserva para a histórica e litúrgica celebração da Epifania, na figura dos reis magos que visitam o Salvador e tributam, simbolicamente, o melhor de suas vidas, certos de que já não eram os únicos responsáveis pela sua própria condição. A gratidão que eu ainda espero demonstrar-lhe, Dr. Danúbio, nada tem a ver com o servilismo, com a bajulação, ou com a subserviência hierárquica. Ela se arrima num mínimo de habilidades, ponteadas por predicados de serviço, de fidelidade, de identidade de propósitos, de admiração, de respeito e amizade que vou construindo com entusiasmo, ao tempo em que vivemos juntos o grande desafio da educação brasileira.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 05.01.2015)

FESTA DE SÃO SEBASTIÃO NO BREJO SECO
A comunidade do Brejo Seco, em torno da Capela de São Sebastião, da Paróquia Menino Jesus de Praga está convidando para a celebração da Festa anual em honra de São Sebastião, a acontecer de 11 a 20, próximos. Antecipadamente agradeço, especialmente ao administrador da Capela, Antonio Alves dos Santos, pela distinção de juntar meu nome ao de diversas pessoas que serão homenageadas no encerramento da festa, homenagens motivadas pela colaboração destas pessoas em serviços comunitários à cidade de Juazeiro do Norte. Estaremos juntos: Cícera Lopes de Oliveira, Romana Menezes Silva, Maria do Rosário Lustosa da Cruz, Aguinaldo Carlos de Sousa, Carlos David, e em memória também será homenageado o Mons. Murilo de Sá Barreto. Veja na ilustração da coluna a programação da novena.

sábado, 3 de janeiro de 2015



 BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
103: (02.01.2015) Boa Tarde para Você, Espedito Veloso de Carvalho
No dia em que Espedito Veloso de Carvalho nasceu na Fazenda Poço do Novilho, em Arneiroz, sertão dos Inhamuns, em 29.10.1939, seus pais Raimundo Pinto de Carvalho e Maria Pastora Veloso, viviam modestamente da agricultura de subsistência e da fabricação de selas para animais que sequenciava habilidades de pais, avós e bisavós. Essa atividade patriarcal marcou tanto sua vida que hoje, sem exagero, pelo mundo inteiro se ouve falar de um grande mestre do artesanato coureiro do nordeste brasileiro, com o nome de Espedito Seleiro. Seleiro, hoje, é quase um sobrenome, uma identidade que se fez, para quem, por artes e ofícios, vividos ainda numa ponta do grande ciclo rural do couro, de herança de família, como escola de formação profissional, conquistou nossa admiração e reverência. Exatamente porque há varias décadas, você Espedito, se mantém ativo, hoje aos 75 anos de existência, fiel a esta tradição de fazer bolsas, sapatos, chapéus, carteiras, gibões, roupas, peças mobiliárias, acessórios, e outros objetos, participando de feiras pelo Brasil, exposições em New York, como agora você se prepara. No bom sentido, a vida lhe pregou esta peça, Espedito, simplesmente porque pela sobrevivência ou não, você se entregou à arte para ajudar pais e família, criando soluções para a sobrevivência no agreste, para vaqueiros, ao mesmo tempo em que selou, com mãos tão habilidosas, a grande arte da caatinga. Quem vai à Nova Olinda, além da obra magnânima da Fundação Casa Grande, não pode deixar de ir conhecê-lo, como o fiz na semana que passou. Quero dizer-lhe Espedito, que mesmo conhecendo seu trabalho, desde ainda as modestas presenças na ExpoCrato nos anos 80, eu fiquei encantado com as dimensões que sua arte terminou por semear neste rico e cultural Cariri. Seu complexo de trabalho, constituído por ateliê, oficinas, exposição, loja e museu é uma parada obrigatória para quem vai à Nova Olinda porque o seu mundo não é mais a vila de poucos habitantes e seus trabalhos são reconhecidos e já integram coleções de grifes internacionais, exportados para vários países do mundo. O mundo descobriu a sua genialidade em retratar em tantas peças, especialmente as utilitárias, estes ingredientes que o levavam a cumprir todas as etapas do artesanato mais típico, a partir da obtenção das peles e a própria curtição do couro com cinzas e taninos. A pressa deste mundo, a curiosa demanda por esta arte em tempos de hoje, não violentaram o seu compromisso artístico pela inserção de couro de cabrapelica e camurça, senão por enriquecê-lo com muita criatividade e versatilidade. E pensar que tudo isto começou quando você faliu comercialmente como bodegueiro e resolveu recriar sandálias como aquelas que seu pai fez para Lampião e Maria Bonita... Destaco, especialmente, a sua sensibilidade de ter construído com seus próprios recursos o Museu do Couro, o Memorial de Espedito Seleiro, um bem montado equipamento que oferece ao visitante os elementos significativos do ciclo do couro para contar capítulo importante da história do Cariri. Ao conhecê-lo recentemente, na maturidade de toda esta existência criativa e produtiva, Espedito, eu tive a sensação de ali descobrir, no sorriso tímido de um menino, grandioso tradutor artístico de seu povo, as razões desta pessoa simples que a todos nos encanta e mostra ao mundo uma arte destes sertões que só você é capaz de realizar. Mais ninguém!
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 02.01.2015)

DIVIDA DA PMJN COM A PREVIJUNO
Agora é pra valer, e não mais suspeições como parecia a intriga da oposição para com o executivo municipal. Através de dois Termos de Acordo de Parcelamento e Confissão de Débitos Previdenciários, celebrado entre Previjuno, por seu gestor, Jesus Rogério de Holanda, e a PMJN, por seu titular, Raimundo Antônio de Macedo, está reconhecendo os débitos da municipalidade para com a Previdência Municipal, em dois períodos: Primeiro (Reparcelamento): Decorrente do não repasse de Contribuição Patronal entre Julho a Dezembro de 2012 (ADMINISTRAÇÃO SANTANA); e Janeiro a Novembro de 2013 (ADMINISTRAÇÃO RAIMUNDÃO), no valor de R$ 9.495.938,41. Segundo (Parcelamento): Decorrente do não repasse de Contribuição Patronal entre Junho a Outubro de 2014 (ADMINISTRAÇÃO RAIMUNDÃO), no valor de R$ 4.309.857,58. Total: R$ 13.805.795,99 (Treze milhões, oitocentos e cinco mil, setecentos e noventa e cinco reais e noventa e nove centavos). Detalhes: os parcelamentos serão em 60 (sessenta meses), a partir de 31.01.2015, cada uma no valor de R$ 230.096,60 e a correção se dará mediante a aplicação do IPCA, mais juros de 1% e multa, conforme a legislação. Esta dívida, em 60% do seu valor, já está consolidada para o próximo prefeito, em 75% do período da gestão futura, uma vez que a esta administração caberá apenas 24 de 60 parcelas. Melhores esclarecimentos podem ser lidos na publicação dos dois Acordos, na edição do Diário Oficial do Município, de 30.12, que entrou no site da PMJN na tarde do dia 02.01.2015. Junte-se a isto uma dívida de quase R$2 milhões pelo não repasse de contribuição patronal para com os empregados da Câmara Municipal.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
102: (31.12.2014) Boa Tarde para Você, Francisco Alemberg de Souza Lima
Na semana passada eu satisfiz a minha curiosidade, de há muito instigada, para conhecer uma instituição sobre a qual eu não perdoava a minha ignorância, e fui ver de perto a Fundação Casa Grande e o seu Memorial do Homem Kariri, fundado por Alemberg Quindins, em Nova Olinda. A Fundação e seu Memorial, de natureza cultural e filantrópica, foram fundados em 19 de Dezembro de 1992, e já são declarados de utilidade pública municipal, estadual e federal, tombados pelo patrimônio histórico municipal, e registrados perante diversos Conselhos de Assistência Social pelo país. Enfim, Alemberg, eu fui ver a sua grande obra, talvez o milionésimo curioso, destes últimos mais recentes a estar ali, assinando o livro de visitantes deste ano, já perto dos 50 mil. Que extraordinário fato este que a Fundação desencadeia ao proporcionar a este Sul cearense um novo e importante vetor de destino turístico, e de núcleo de pesquisa, ampliando muito o que possibilitou a inserção definitiva do município de Nova Olinda no roteiro cultural do Cariri! Isso foi tão importante que quebrou a aparente polarização de outrora em torno de Patativa do Assaré e o sítio paleontológico da serra de Santana, sem falar na hegemonia deste Crajubar. Fui recebido à porta por uma garota muito simpática, Yasmin, minha guia de apenas 9 anos, instrumentista de cordas, produtora e apresentadora de um programa de rádio sob o título “O meu olhar sobre a Escola”. O que é isso, meu amigo Alemberg? Aliás, a resposta você já nos havia dado muito antes ao dizer que a Fundação veio para transformar pois, “Transformar é reconhecer talentos e criar oportunidades para que eles desabrochem.” Nestes anos de trabalho, necessário se faz citar os prêmios recebidos, os reconhecimentos nacional e internacional, por Angola, Moçambique, Portugal, Itália, Alemanha e outros, e os projetos desenvolvidos em frentes diversificadas que contemplam a memória do homem kariri, a arte, o turismo e a cultura que integram os programas de capacitação de crianças e adolescentes. É muito relevante, Alemberg, esta visibilidade internacional que tem sido dada ao projeto, graças às atividades que são realizadas como workshops, exposições itinerantes e apresentações de shows com as crianças e jovens da Casa Grande que divulgam as potencialidades da região, o meio ambiente, a cultura popular, e a própria entidade. Vocês fazem também o resgate da cultura local nas áreas de arqueologia, mitologia, artes e comunicação, usando canais de rádio e TV, uma editora de gibis e um museu que conta com um rico acervo de milhares de títulos de livros, gibis, clássicos do cinema, com o objetivo de desenvolver a capacidade de liderança das crianças a partir de laboratórios de produção. O que há de essencial em todo este vitorioso projeto, Alemberg, eu penso que é sem dúvida a sua determinação e a de Rosiane Limaverde em realizar com todo o empenho todas estas ações que de outra sorte talvez só acontecessem se isto gerasse recursos financeiros aos seus empreendedores. Vocês se atiraram a este propósito e é surpreendente que façam um amplo programa de formação pessoal e social de crianças de Nova Olinda a custos tão reduzidos, a partir de uma cifra como R$0,70 por cada visitante, independentemente se é turista, pesquisador, ou estudante que procure a Fundação. Mesmo reconhecendo que a função primordial da Fundação não é profissionalizar o jovem, forçoso é reconhecer que a missão da Casa Grande termina por produzir novos valores que já estão invadindo espaços midiáticos muito nobres, para ações culturais por este país. Testemunho aqui, Alemberg, com os meus parabéns e reconhecimento público, um tanto tardio, mas sincero, desta imensa e meritória missão que vocês vêm cumprindo à frente da Fundação Casa Grande, que existe para a nobilíssima tarefa de ampliar o horizonte de vida dos nossos jovens e de quebra resgata a história deste homem kariri.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 31.12.2014)

TENTANDO MELHORAR
Recolho no Diário Oficial do Município de Juazeiro do Norte estas duas preciosidades que se inserem na tentativa de dispor de um instrumento que moralize a vergonhosa situação das licitações para aquisições de materiais e serviços por parte do Executivo. Parece até que isto vai dar certo contra a bandidagem que assola este setor da administração pública. Muito mais rapidamente que se espera vamos nos encontrar sabendo de notícias sobre a fraude que se verificará na burla destes Decretos. Enquanto não, vamos esperar que, de fato, não estes, mas outros procedimentos, dentro mesmo do corpo administrativo da municipalidade honrem o necessário para corrigir estas imoralidades. Querer coibir abusos com fotografia de fachada do prédio onde a empresa funciona e o livro de empregados, é demais. Mas, vejam os Decretos:
DECRETO N.º 139/2014, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2014. Estabelece obrigatoriedade de apresentação de fotografia da fachada do prédio em que exerce suas atividades por parte das pessoas jurídicas concorrentes em licitações promovidas pelo município de Juazeiro do Norte – CE e adota outras providências. O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE, Estado do Ceará, no uso de suas atribuições que lhe confere o art. 72, inciso VII e IX da Lei Orgânica do Município de Juazeiro do Norte, Considerando a necessidade conferir a maior lisura e transparência possível nas licitações públicas; Considerando que muitas empresas que se apresentam para concorrer em licitações existem apenas formalmente, sem possuírem sequer uma sede onde desempenhe suas atividades; DECRETA: Art. 1.º - Em todos os procedimentos licitatórios, incluindo aditivos, promovidos pelo município de Juazeiro do Norte – CE é obrigatório para as pessoas jurídicas concorrentes a apresentação, juntamente com a documentação exigida pela Lei n.º 8.666/93, de fotografia com registro de data da fachada do prédio onde exerça as suas atividades. Art. 2.º - O prédio constante na fotografia de que trata o artigo anterior deverá possuir o mesmo endereço constante no CNPJ da concorrente, em sua inscrição estadual e municipal quando for o caso, bem como em seu registro comercial ou contrato social conforme se tratar de empresa individual ou sociedade. Art. 3.º - A fotografia de que trata este Decreto somente será considerada válida pela Comissão Central de Licitação se a sua qualidade for considerada suficiente para auferir sua autenticidade e for datada com até sessenta dias na data da sua apresentação. Art. 4.º - A Comissão Permanente de Licitação do Município de Juazeiro do Norte – CE fará constar a exigência contida neste Decreto em todos os editais de licitação a seu cargo. Art. 5.º - O não atendimento ao disposto neste Decreto implicará na desclassificação do concorrente. Art. 6.º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Registre-se, Publique-se. Juazeiro do Norte (CE), 23 de dezembro de 2014. RAIMUNDO MACEDO Prefeito Municipal
DECRETO N.º 140/2014, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2014. Estabelece obrigatoriedade de apresentação de livro de registro de empregados por parte das pessoas jurídicas concorrentes em licitações promovidas pelo município de Juazeiro do Norte – CE e adota outras providências. O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE, Estado do Ceará, no uso de suas atribuições que lhe confere o art. 72, inciso VII e IX da Lei Orgânica do Município de Juazeiro do
Norte, Considerando a necessidade conferir a maior lisura e transparência possível nas licitações públicas; Considerando que muitas empresas que se apresentam para concorrer em licitações promovidas pelo Poder Público existem apenas formalmente, sem possuírem sequer funcionários em seu quadro; DECRETA: Art. 1.º - Em todos os procedimentos licitatórios, incluindo aditivos, promovidos pelo município de Juazeiro do Norte – CE é obrigatório para as pessoas jurídicas concorrentes a apresentação, juntamente com a documentação exigida pela legislação, do livro de registro de funcionários dos últimos 03 (três) meses. Art. 2.º - A Comissão Permanente de Licitação do Município de Juazeiro do Norte – CE fará constar a exigência contida neste Decreto em todos os editais de licitação ou aditivo a seu cargo. Art. 3.º - O não atendimento ao disposto neste Decreto implicará na desclassificação do concorrente. Art. 4.º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua
publicação, revogadas as disposições em contrário. Registre-se, Publique-se. Juazeiro do Norte (CE), 23 de dezembro de 2014. RAIMUNDO MACEDO Prefeito Municipal.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014



BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
101: (29.12.2014) Boa Tarde para Você, Francisca Iêda Sobreira de Carvalho.
Já vai para uns vinte anos que eu tenho uma mania e a alimento pela procura compulsiva da presença de Juazeiro do Norte, por aí, especialmente por pessoas em atividades, funções, cargos e instituições. Foi numa destas buscas, Iêda, agora com o auxílio impressionante da rede mundial de computadores em sites de buscas, há dois anos, que eu fui encontrar notícias sobre as atividades da farmacêutica juazeirense Maria Nelly Sobreira de Carvalho Barreto. Menor não foi a alegria de saber que ela é, aquela mesma, a sua filha, uma profissional que tem um belo currículo e hoje é dedicada professora e pesquisadora da Faculdade Pernambucana de Saúde, na área de atenções básicas. Sempre que me ocorrem momentos como este, e que me trazem de volta ao convívio e a amizade com a família de Tarcila e Celso Gomes Alves, seus pais, eu devo lhe confessar a minha emoção inevitável porque isto me remete ao início dos anos 60, à vivência na nossa Rua São José, quando comecei a conhecê-los, a partir da amizade comum de nossas famílias. Naquele tempo, Iêda, devo lembrar Celso, Tarcila, você e suas irmãs, trazidos de Fortaleza porque ele passou a ocupar a então vistosa função de coletor federal em nossa cidade, precursora da hoje Receita Federal. Por nossa amizade, relação tão próxima como vivenciamos, conheci poucos casais que poderiam exibir, sem afetação, predicados éticos e morais como aqueles que eram marcas fundamentais de Celso Gomes e Tarcila. Com os anos, e lamentavelmente pelos falecimentos de Celso, em 04.01.1991 e de Tarcila, em 24.09.1999, você Iêda, foi se tornando esta herdeira de um afeto comum que sempre nos uniu. Vimos ainda em 1970 quando você, Iêda, concluiu seus estudos no velho Monsenhor Macedo, e casou com Cícero Roberto Sobreira de Carvalho, seu parente distante, um radialista de ótimo caráter que se mantém ativo, não obstante a aposentadoria merecida. Vimos depois o crescimento da família com os filhos que iam chegando, como Nely, de quem falávamos antes, sua primeira filha, hoje casada com Cícero Barreto, do TRE pernambucano, e que já lhes deram os netos Ana Thais e Daniel. E depois, a chegada de Celso Gomes Alves Neto que por este nome, diria até, esta legenda, carrega nisto mais que uma identificação familiar, para ser igualmente uma responsabilidade da inquestionável razão de se consagrar como homem de bem, e também a continuar pelo que se desdobrou numa genealogia que contempla mais dois netos, Pedro Henrique e Rafael. Para um orgulho justificado em família, Iêda, Celso Neto hoje é um engenheiro eletricista, do corpo técnico da Petrobrás, em Aracaju, casado com a farmacêutica Keila Alencar. Graças e louvores devem ser ditos a você, Iêda, pois sua missão de mãe e educadora se fez em casa e publicamente, como luz para os filhos que educou, desde a alfabetização aos vestibulares, e a gente que instruiu por seu serviço profissional no magistério no velho e querido Grupo Escolar Pe. Cícero. Hoje vemos você com tempo e entusiasmo para ainda dedicar-se à sua Igreja, ministra da eucaristia como se consagrou, fruto de sua religiosidade exemplar, de um grande voluntariado em nome da fé que professa e que assiste, sempre com alegria, as atividades da paróquia-Basílica. Desejo abraçá-la, Iêda, e bem assim a toda a sua família reunida neste final de ano, em torno da celebração natalina tão familiar, tão afetuosa, na antevéspera das esperanças que nutrimos por vida saudável, por paz neste mundo velho, e por um Ano Novo que nos anime com grandes conquistas e com um serviço como sua vida sempre nos inspira.    
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 29.12.2014)

UFC 60 ANOS
A Universidade Federal do Ceará foi fundada em 1954 e instalada no ano seguinte. Portanto, isto aconteceu há exatos 60 anos. A Instituição está programando para o ano que logo se inicia uma série de eventos com o objetivo de festejar esta grande data, o seu jubileu de diamante. O Jornal da UFC na sua mais recente edição assim divulga parte desta programação logo para o mês de fevereiro: “Uma exposição em comemoração dos 60 anos da UFC será replicada em todos os campi da Universidade, durante o primeiro semestre de 2015, começando por Fortaleza, a partir de fevereiro. A iniciativa irá contemplar a Região do Cariri com uma mostra sobre a relação entre os intelectuais caririenses e a Instituição de ensino. A Exposição passará pela Universidade Regional do Cariri (URCA), em maio; Universidade Federal do Cariri (UFCA), em junho; e Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, em julho.”

SECRETÁRIO DE CULTURA
Na composição do Secretariado do governador Eleito, Camilo Sobreira de Santana, o novo Secretário de Cultura do Estado do Ceará é Guilherme de Figueiredo Sampaio. Ele é originário de duas famílias muito tradicionais de Juazeiro do Norte: Sobreira e Figueiredo. Sua mãe é a educadora Aurélia Sobreira de Figueiredo, filha e neta, respectivamente, dos empresários Odilio Figueiredo e Dirceu Inácio de Figueiredo. Ele nasceu em Fortaleza, em 16 de dezembro de 1970. Educador, graduado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Adminis­tração de Recursos Humanos pela Universidade Mogi das Cruzes (SP). Vereador de Fortaleza (PT) e ex-presidente da comissão de Edu­cação, Cultura, Esporte e lazer da Câmara Municipal por três mandatos. Foi líder da Prefeita Luizianne Lins no mandato passado. Foi conselheiro municipal de Cultura e é autor do capítulo de Cultura da lei orgânica do Município, onde foi instituída a previsão constitucional de criação da secretaria, do conselho, do fundo e do sistema municipal de cultura de Fortaleza. É também autor de várias leis no campo da Cultura, entre as quais destacam-se a lei de isenção do ISS para artistas locais e a legislação de proteção do patrimônio cultural na Lei Orgânica do Mu­nicípio