sábado, 20 de abril de 2013

COMENDA MEMÓRIAS DO JUAZEIRO, 2013


Aconteceu na noite de ontem, na Chácara do Rei, propriedade da família do presidente da AFAJ – Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte, no Bairro de Alagadiço Novo, distrito de Messejana em Fortaleza, a décima terceira concessão da Comenda Memórias de Juazeiro. Abaixo transcrevo a íntegra do discurso de saudação aos homenageados (in memoriam): Expedito Ferreira Lima, João Maurício e Silva e Teodoro de Jesus Germano.

Excelentíssimo Senhor, Dr. Odival Limeira Lima, Presidente da Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte (AFAJ);
Excelentíssima Senhora, Antonia Limeira Lima, viúva do homenageado, Expedito Ferreira Lima, através de quem saudamos com apreço seus filhos, netos, e bisnetos, e bem assim todos os demais membros da família;
Excelentíssima Senhora, Maria de Fátima Siqueira, filha do homenageado João Maurício e Silva, por quem apresentamos nossos cumprimentos a toda sua família e amigos;
Excelentíssima Senhora, Maria do Perpétuo Socorro Sampaio, viúva do homenageado Teodoro de Jesus Germano, em nome de quem cumprimentamos todos os membros da família e seus amigos;
Excelentíssimas autoridades;
Senhoras e senhores, membros da Diretoria da AFAJ e do seu quadro social;
Minhas senhoras e meus senhores, queridos filhos e afilhados de Juazeiro do Norte.
Eis-nos aqui reunidos, mais uma vez, para celebrar, embora com alguma demora, a festividade de nascimento do Patriarca de Juazeiro, a centésima, sexagésima nona da existência de nosso fundador, Padre Cícero Romão Batista. Pois como é sabido, esta dignidade concedida, nomeada de Comenda Memórias de Juazeiro, foi instituída para homenagear nomes de expressiva significação no nosso desenvolvimento sócio-político-administrativo-religioso e cultural. E tratou-se, na época, de fazer a entrega desta concessão, exatamente no dia ou nas proximidades do 24 de março de cada ano. Ora, se já era verdade que em tempos de nossa meninice escutávamos o bordão cantado por Doca do Oião, pelas ruas e praças do Juazeiro (“meu padim é o dono do lugar”), não é menos verdadeiro que esta menção memorial ligue tão grados e ilustres cidadãos, à sua cidade natal ou adotiva, de Juazeiro do Norte, e o respeito e a admiração à figura do reverendíssimo capelão. Sempre lembrado, agora parece ser finalmente reconhecido como o santo do lugar, a ponto de nos parecer, não muito longe, o dia em que esta mesma Igreja deverá se retratar para reabilitá-lo de culpas atribuídas ao calor da hora, durante o milagre eucarístico, para finalmente, reconciliar a grande Nação Romeira. Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e a Trindade Santa, por cujas luzes tantos foram os inspirados, aqueles que com o suor de seus rostos contribuíram para a construção desta nova Jerusalém.     
É por alguns destes que estamos aqui hoje. Em anos anteriores, foram homenageados com a Comenda Memórias de Juazeiro, as seguintes personalidades: na primeira concessão, em 2001: José Geraldo da Cruz, Manoel Francisco Germano e Odílio Figueiredo; Em 2002: Antonio Fernandes Coimbra, Dário Maia Coimbra e José Monteiro de Macedo; Em 2003: Felipe Néri da Silva, Expedito Pereira e Francisco Erivano Cruz; Em 2004: Francisco Néri da Costa Morato, Mozart Cardoso de Alencar e José Bezerra de Menezes; Em 2005: Expedito Guedes, José Teófilo Machado e Antonio Corrêa Celestino; Em 2006: Samuel Wagner Marques de Almeida, Walter de Menezes Barbosa e Mons. Francisco Murilo de Sá Barreto; Em 2007: Amadeu de Carvalho Brito, Aureliano Pereira da Silva e Edgar Coelho de Alencar; Em 2008: Durval Aires de Menezes, Getúlio Grangeiro Pereira e Tarcila Cruz Alencar; Em 2009: Antonio Conserva Feitosa, Gumercindo Ferreira Lima e Francisca Pereira de Matos; Em 2010: José Perboyre Sampaio Sabiá, José Pereira Nobre e Tereza de Sousa Pereira; Em 2011: Luiz Gonçalves Casimiro, Orlando Bezerra de Menezes e Valdetário Pinheiro Mota; Em 2012: Manuel Rodrigues Veloso, Raimundo Saraiva Coelho e José Feijó de Sá. Neste ano de 2013, são reverenciados os senhores: Expedito Ferreira Lima, João Maurício e Silva e Teodoro de Jesus Germano.
EXPEDITO FERREIRA LIMA
Entre os anos 40 e 50, Juazeiro do Norte viveu os últimos tempos de uma fase dourada de sua existência como centro urbano, bem provinciano. Lembraremos sempre a pertinência de expressão tão consagradora quanto aquela que Dário Maia Coimbra eternizara, ao se referir a um pequeno trecho de sua cidade. Era o quarteirão da Rua São Pedro que começava na Rua São Francisco e ia até 100 metros depois, no cruzamento da Rua da Conceição. Nasceu pelo Centro Regional de Publicidade, na voz do locutor que vos falava, a designação do Quarteirão Sucesso da Cidade. Esta cidade, já estendida desde a Rua do Brejo até por além da Feira do Capim, ia acabando com os ariscos e firmando um novo zoneamento para comércio e residências. Mas, os arredores da Praça ainda guardavam a graça, o buliço e o glamour de jovens tardes de domingos, quando se frequentava o Roulien, para ver cenas inesquecíveis das mocinhas daquele tempo, como Ava Gardner, Bette Davis, Dorothy Lamour, Ginger Rogers, Gloria Swanson, Greta Garbo, Hedy Lamarr, Jean Simmons, Joan Collins, Judy Garland, Kim Novak, Lauren Bacall, Loretta Young, Mae West, Marlene Dietrich, Maureen O’Hara, Rhonda Fleming, Rita Hayworth, Shirley Temple, Silvana Mangano,Virginia Mayo,Vivien Leigh e Yvonne De Carlo, dentre tantas, e outros tantos astros consagrados como para em seguida se deliciar com o sorvete da Sorveteria Havai, de Guimarães, ou um combinado de salda de frutas e sorvete da Sorveteria Rex, de Né Cansanção. 
Bons tempos aqueles em que num percurso meticuloso, palmilhado com gosto se podia ver a elegância da cidade, posta em tantas lojas de calçados, tecidos e presentes. Saindo da Praça, a começar da esquina da Pernambucana, e seguia-se pelo armarinho de dona Sinhá Augusto, passando pelo Armazém Feijó, chegando a Casa Alencar, a Casa Rosada (de Vicente Teixeira), e a Casa Menezes (de Zé Menezes). Do lado oposto, era para se ver as vitrines da Casa Sampaio (de Dorgival Pinheiro), a Casa Branca (de Antonio Ferreira), a Simpatia (de José Gondim Lóssio), a Casa Celeste (de Celestino) e a Sapataria de seu Pereira. Para a elegância masculina, especialmente, era assim: boas lojas de tecidos e ótimos alfaiates. Pela Rua São Pedro e arredores, havia o Moura, o Zé Magalhães, o Zé Catão, o Alcântara e pegado ao seu Pereira, de sapataria e material esportivo estava a Alfaiataria e Camisaria Iracema - Rua São Pedro, 401, telefone 543, de seu Expedito Ferreira Lima. No piso de baixo, o atelier e as vendas, onde se tomavam as medidas e se providenciavam as confecções. Em cima, era a oficina onde até uns 10 colaboradores se esforçavam para por a costura em dia, enquanto que os menos iniciados, a garotada da família, punham os ilhoses da fabricação em massa da velha cueca tipo samba-canção. Era assim, nessa época.
Expedito Ferreira Lima veio à luz no dia 4 de junho de 1919, no município de Serrita, Pernambuco, dos pais Helena Silva Lima e do joalheiro ambulante Virgulino Ferreira Lima. Dona Helena enviuvou muito jovem, ao tempo em que constituira uma família com quatro filhos: Gumercindo, o mais velho, personagem muito referenciada na vida do Juazeiro, Maria Helena, Expedito, e Neuma. Ainda pelos anos 30 a família decidiu mudar-se para Juazeiro do Norte, atraída pela religiosidade da cidade, cujo patriarca, Pe. Cícero Romão Baptista, sempre despertara grande amor e muito devoção. 
Estabelecidos na cidade, Dona Helena montou uma pequena pensão e de sua atividade de costureira, fazendo especialmente peças de camisaria, fez o sustento da família. Gumercindo, o mais velho, já se iniciara no trabalho bem cedo e ajudava a criar os irmãos. Expedito em plena juventude, se fez grande aprendiz da arte de sua mãe, tornou-se autodidata e vem daí a sua grande habilidade com a costura o que o levaria a empreender mais tarde seu próprio negócio, abrindo loja de muitos êxitos no quarteirão sucesso da cidade. 
Em 1941, aos 22 anos de idade Expedito casou com Antonia Limeira Lima, nascida em Cajazeiras na Paraíba, em 15.08.1919, hoje com 94 anos, entre nós, reouvindo estas histórias que viveu. Veio com seus avós para Juazeiro do Norte, onde passaram a residir na propriedade Arraial, nos arredores da cidade. A família de Expedito se fez numerosa, de 13 filhos, embora 6 não tenham sobrevivido e não se criaram. Os que construíram parte destas histórias de Tonha e Expedito mencionamos: Maria Helena Limeira Lima Costa (que conhecemos como Vera Lúcia), graduada em Pedagogia e História, funcionária pública aposentada, casada com Nelson Costa, com três filhas médicas e duas netas; Oduvaldo Limeira Lima, oficial do Exercito Brasileiro, reformado, solteiro, residente em Fortaleza; Odival Limeira Lima, economista e administrador de empresas, casado com Graça Cruz Limeira Lima, com 4 filhos e 2 netos; Orivaldo Limeira Lima, administrador de empresas, casado com Cláudia Maria Macedo Lima, com 4 filhos; Osélio Limeira Lima, cirurgião dentista, solteiro, com 2 filhos; Oriel Limeira Lima, médico, casado com Elisabete Lima, 2 filhos; Ana Lúcia Limeira Lima Leite, bacharel em História, casada com Hernane Leite, com 3 filhos; e Maria do Socorro Lima, pedagoga, casada com o jornalista Eliomar de Lima, com 2 filhos. 
No início de sua atividade profissional, Expedito já era reconhecido como profissional habilidoso, mercê de sua experiência doméstica com a costura. E princípio foi operário da costura na alfaiataria do Moura, de grande conceito na sociedade de Juazeiro. Homem humilde e destemido, muito trabalhador, Expedito alcançou uma larga simpatia por seu trabalho, tornando-se o mais famoso alfaiate da cidade, confeccionando especialmente roupas personalizadas para a elite juazeirense da época. Expedito Ferreira Lima fundou a Alfaiataria e Camisaria Iracema no seu primeiro endereço da Rua São Pedro, em 1952. Ali ele confeccionava produtos que comercializava em sua loja ou atendia clientes sob encomenda e sob medidas do interessado. Também vendia tecidos. Sua loja empregava cerca de 10 operários de máquinas e também locava mão de obra de diversas costureiras em Juazeiro que trabalhavam em suas casas. 
Em 1956, Expedito promove uma mudança da sua empresa que passou a atender no novo endereço da Rua da Conceição esquina com Rua São Paulo, apenas como alfaiataria. Era um trabalhador incansável, esticando a jornada até altas horas, para prover meios com os quais pode se dedicar à educação de seus filhos, pondo-os para estudar nos melhores colégios da cidade e fora dela, até que atingissem a sua formação universitária.  
O hobby por excelência de Expedito Ferreira Lima era o futebol. Grande entusiasta do esporte em nossa terra, era de sua cadeirinha cativa, pequena e desmontável, transportada para o velho campo da LDJ em memoráveis tardes domingueiras em tempos de Treze e Guarani. Era assim que já se reconhecia à distância , Expedito o torcedor vibrante e entusiasmado, na beira do campo. Fundou uma equipe com o nome de Panamá Esporte Clube, integrado pelos operários de sua empresa. No emblema do time o símbolo de sua tarefa diária, uma tesoura. 
A gradual saída dos filhos de Juazeiro do Norte para a educação na capital do Estado fez com que dona Tonha e Expedito Ferreira Lima decidissem por vir morar em Fortaleza, por volta de 1970-71. Deixando o ramo de alfaiataria para trás, empreendeu atividade com os filhos, montando uma farmácia no centro da capital. Antes de deixar Juazeiro do Norte, onde viveu cerca de 40 anos, foi diretor do Matadouro Industrial da cidade, nos anos 60. Também procurou diversificar seus negócios, abrindo um bar. Mas a alfaiataria, a confecção, a arte de costurar roupas era algo visceralmente ligado à sua vida. Em diversas ocasiões foi para os serviços de alfaiataria que ele se voltou. Como foi o caso de, já em Fortaleza, ir trabalhar numa alfaiataria especializada em roupas militares, na Rua Liberato Barroso. 
Com a sua aposentadoria encontrou mais tempo disponível para ajudar os filhos e a viver mais intensamente a experiência de vovô, o chefe de família que tinha imensas alegrias em reunir a família para os almoços dominicais e ter todo o tempo do mundo para brincar com os netos e encher-lhes os bolsos de balas e bombons.  
Expedito Ferreira Lima faleceu em Fortaleza, próximo dos seus 83 anos de idade, no dia 10 de março de 2002 e está sepultado no Cemitério Parque da Paz. 
JOÃO MAURÍCIO E SILVA
A história oficial do Bairro de São Miguel, segundo os livros, teve um marco principal quando foi eregida a Capela de São Miguel, fundada pelo Padre Cícero, cuja construção operária se deve ao Beato Manoel Cego, por cima do antigo cemitério dos variolosos. Muitos anos depois, a paróquia de Nossa Senhora de Lourdes foi instituída no dia 1º de Maio de 1958, pelo então bispo diocesano Dom Francisco de Assis Pires, cuja cerimônia litúrgica da bênção oficial se deu em 4 de Outubro. Sendo a segunda paróquia de Juazeiro do Norte, depois da Matriz de Nossa Senhora das Dores, ela teve como seu primeiro vigário o padre Antônio Onofre de Alencar, recentemente falecido, que foi empossado em 29 de Setembro do mesmo ano. No dia 10 de Outubro de 1958 foi erigida a via-sacra da Igreja, pelo frade capuchino Frei Egídio. Em 12 de Outubro aconteceu a primeira cerimônia da crisma, tendo 720 pessoas crismadas, pelo então bispo Dom Vicente de Paulo Araújo Matos. A sede provisória ficou sediada na Capela de São Miguel, próxima ao Hospital São Lucas. Em 12 de Maio de 1959, teve início a construção da nova igreja de São Miguel que passou a sediar em definitivo a Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes.
Como se percebe, neste sumário relato, o nome de João Maurício e Silva não aparece, mesmo que modestamente, ai citado. Contudo, não se pode omitir que no desenvolvimento daquela parte da cidade, o nome de João Maurício já figurava como Presidente da Sociedade Pró Melhoramentos do Bairro São Miguel, fundada em 29 de setembro de 1956. Por sua iniciativa pessoal, ele fez a instalação de um gerador de luz para servir à Casa Paroquial de São Miguel, fundada em 29 de setembro de 1956, ainda como capelania. 
Alguns ainda não esqueceram que ele fez a reforma desta capela que a tornaria sede da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes. E que foi ele quem fez a cessão e reforma da casa, outrora pertencente a sua genitora, na Rua São Francisco, para instalação da Casa Paroquial e residência do primeiro Vigário, Padre Onofre, efetuando transferência definitiva no Cartório Machado. Sem falar que era ativo participante do movimento paroquial, tendo sido Presidente da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Paróquia. Também, de suas preocupações com o novo bairro, foi ele quem fez a cessão de um prédio de sua propriedade para instalação da Delegacia de Polícia, à Rua São Benedito.
O Bairro São Miguel tinha em João Maurício o mais expressivo dos seus beneméritos. Por sua iniciativa, também se pode alardear a construção de 3 “barragens” para obstruir os antigos “valados” ou trincheiras da  Guerra de 1914, nas Ruas São Benedito e do Cruzeiro, construídos como parte do Círculo da Mãe de Deus, para defesa do Juazeiro, por Padre Cícero e Floro Bartolomeu da Costa e a doação de uma quadrada de terreno de sua propriedade, no Sítio Malvas, para construção de internato e escola para as crianças pobres e abandonadas.
Tão simplesmente assim apresentado, este era João Maurício e Silva. Um juazeirense nascido em 20 de julho de 1901, no Sítio Timbaúbas. Seus pais eram Joaquina Maria da Conceição e Manuel Maurício da Silva. Exerceu, exclusivamente, a profissão de agricultor até que, em sonho, foi convencido pelos conselhos do Padre Cícero e, trabalhando sob a inspiração do Dr. Miguel de Oliveira Couto, passou a estudar e cultivar plantas e ervas medicinais, exercendo a prática da medicina alternativa de então. Para isto, fabricava o “Bálsamo de Babosa” (Bálsamo Amargo).
Durante sua vida, atendeu a todos sem discriminação, preferencialmente as pessoas pobres e, gratuitamente, as viúvas e órfãos, receitava auscultando o pulso. Após fixar residência em Juazeiro, em 1957, exerceu sua arte nos estados nordestinos, em viagens e, no sertão de Ouricuri, Pernambuco, a partir da Fazenda Viração, percorreu estradas receitando e distribuindo medicamentos (ervas e bálsamos), ajudando em partos difíceis, acidentes com agricultores na roça ou com animais, etc.
João Maurício casou em primeiras núpcias com Idalina Maria da Conceição, e o casal teve um único filho, Januário Maurício da Silva. Viúvo, contraiu segundas núpcias com Maria Gomes de Siqueira e Silva, e geraram os filhos: Deusdedit Maurício Silva, Tarcísio Maurício e Silva, Maria Gomes de Queiroz, Heleniza Maria de Siqueira, Expedito Maurício da Silva, Francisco Maurício e Silva, Epifânio Siqueira Neto, Joaquina Maria de Siqueira, Maria de Fátima Siqueira e Silva, Hermínia de Siqueira e Silva, João Bosco de Siqueira e Silva e Cícero Elias Siqueira e Silva. Viúvo, novamente, aos 71 anos de idade, convolou novas núpcias com Maria das Dores Bezerra e Silva, e tiveram os filhos Maria das Dores Bezerra e Silva, Emanuel Maurício Bezerra e Silva, Márcia Maria Bezerra e Silva, Maura Bezerra e Silva e Marcos Robério Bezerra e Silva.
Permitam-me que introduza aqui este emocionado testemunho filial, de Expedito Maurício da Silva sobre seu pai. “João Maurício retornou para de onde veio ao por do sol de 19 de outubro de 2001, nesta santa cidade de Juazeiro do Padre Cícero Romão Batista, exatamente aos cem anos de sua existência, neste Nordeste onde a vida é conquistada a duras penas e a morte tem que ser sempre tangida para longe, pois sua presença é insidiosa e permanente. Os nove meses que lhe faltaram aos cem anos já tinham sido vividos com a nossa avó Joaquina Maria da Conceição, já ida, na juventude dos seus quase noventa anos. Foi-se nosso pai como se vão estes inúmeros bravos nordestinos, estes inúmeros e teimosos homens que só se vão após pelejar uma longa vida, numa dura terra que parece querer reter seus filhos em seus caminhos e veredas, num pacto de sobrevivência, pois a cada partida, vai-se um pouco dela; e ela é como uma mãe que morre um pouco na morte de cada filho seu. João Maurício, este nosso pai de cem anos, criou e recriou seus dezoito filhos como se fosse eterno, na ilusão de que nunca os deixasse. Certamente, pela dureza de sua vida, quisesse permanecer vivo, numa morte sempre adiada até que cada um criasse ramas na terra ou todos fossem capazes de se transportarem, dirigindo seus próprios passos, rumo sul ou norte de suas vidas. Nosso pai, João Maurício, sabia da natureza da vida e de como comprá-la, pois a vida para ele tinha que ser vivida à vista, como ele começou a vivê-la nos sertões de Ouricuri, nas caatingas no Navio ou nas ribeiras do Pajeú onde as alpercatas ferradas do Capitão Virgulino Ferreira da Silva deixou guias e o Santo Antônio Aparecido, o Conselheiro, deixou cruzes para serem seguidas até os vales dos Cariris, para onde ele se dirigiu com sua récua de meninos para aprenderem a ler e escrever na cartilha do Padre Cícero Romão Batista, de Dona Clara Taveira e Dona Maria Pedrina, já iniciados pela professora Adelina. Assim ele nos falava em suas longas conversas com o compadre Antônio Neco e nossa mãe Maria Gomes de Siqueira e Silva, no alpendre da casa das Malvas. João Maurício comprou sua vida e adiou suas mortes à vista, desde sua infância quando, escapando da Guerra de Quatorze, refugiado no Círculo da Mãe de Deus, vindo da Timbaúba, começou a entregar leite na casa do Padrinho Cícero, recebendo a sua paga das mãos da Beata Mocinha. Aprendeu a comprar sua vida e adiar suas mortes observando a dureza da vida do Beato José Lourenço no Caldeirão da Santa Cruz, três vezes corrido e quatro vezes voltado ao Santo Juazeiro onde, hoje, repousam no Cemitério do Socorro, bem próximos de onde também deveria estar a santa dos pobres Maria de Araújo. Das três vidas de João Maurício da Silva me vem, de imediato, após a notícia de sua morte da UTI da Clínica São José, lembranças da primeira, no sertão de Ouricuri, onde nosso pai era um homem de mil atividades, um fazedor de coisas de sobrevivência, do viver de cada dia, da feira de cada semana, das safras ou secas de cada ano. Sempre na preocupação de alimentar e cuidar dos seus meninos foi um homem que dominou as manhas da terra da Fazenda Viração, onde plantava o milho para quando não tivesse o arroz, andu para quando não tivesse o feijão, a manjirioba para quando não tivesse o café, o jerimum, a abóbora, a cana, a banana e coisas mais para trocar nas feiras pelo açúcar e o sal que são podia fazer. Onde a água mais falta construiu com a ajuda de seus meninos e de seus compadres três açudes: o de beber, o dos animais têm o mesmo direito dos homens, um na dependência do outro. A segunda vida de João Maurício transcorreu nos quarenta e cinco anos de Bairro São Miguel para onde ele levou a meninada com o objetivo de aprender a ler e escrever e, lembramos bem, quando o caminhão atravessou o Arco do Santo Juazeiro. Vimos a luz elétrica pela primeira vez, conhecendo o gelo nos picolés da Praça Almirante Alexandrino e a massa de milho já pronta, pois isto pula três séculos num só dia, conhecendo o progresso deixado pelo Padre Cícero e que era isto que ele queria para o povo  da Mãe de Deus. João Maurício e Silva, chegado ao Juazeiro, continuou no seu hábito de fazedor de coisas. Botou os meninos no Grupo Escolar Padre Cícero, as meninas na Escola de Dona Anita e um no seminário, que tinha de ter um padre na família e nos levou para conhecer o trem, ver os Franciscanos e tomar a bênção a Frei Francisco e Frei Jesualdo. Meteu-se a melhorar as portas da Igreja de São Miguel, a fazer uma parede de cimento na Rua São Benedito, esquina com a do Cruzeiro, para assorear a areia dos aguaceiros que desciam pelo imenso valado do Círculo da Mãe de Deus ainda existente e melhorar as ruas, pois o Bispo do Crato viria medir, como veio, a passos largos o cumprimento e a largura da igrejinha construída pelo Beato Manoel Cego para aprovar ou não a Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes. Instalou até um motor de luz que funcionava com óleo comprado na Cirol para ajudar na iluminação da Igreja e melhorou a casa da nossa avó para hospedar o primeiro Vigário, Padre Antônio Onofre de Alencar, pois João Maurício tinha a instituição de um futuro melhor para aqueles ariscos, antigo cemitério de variolosos.  Ajudou a fundar e foi Provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Participava com orgulho das longas rezas e procissões com seus irmãos de fé e do jejum cuja ceia se fazia como muita solenidade, seriedade e respeito,  com reza antes e depois. João Maurício gostava dos pobres e era com redobrado orgulho que os atendiam, receitando pelo pulso, mais ouvindo queixas a lamentações como se fora um psicólogo das vidas desafortunadas e ajudando-os na cura com alguns medicamentos que receitava, sempre acompanhados do seu bálsamo de babosa, feito em casa, num ritual e fórmula que levou consigo. A sua profissão de receitador e de curador espalhou-se pelo Nordeste inteiro e não houve uma cidade cruzada pelas sandálias de Frei Damião, como curador das almas, que João Maurício não tenha visitado e onde não deixasse a certeza de uma pessoa salva, como curador do corpo. Admirador e defensor das manifestações culturais do Nordeste eram longas suas conversas com José Bernardo da Silva, da Tipografia São Francisco, cujos cordéis nos levavam ao mundo mágico do Príncipe Oscar e a Rainha das Águas, do Pavão Misterioso, da Donzela Teodora e outros romances destes vendedores de sonhos nas feiras semanais. Uma das satisfações de João Maurício era trazer o reizado para suas evoluções guerreiras e coloridas, na sala, e em frente a nossa casa da Rua Cruzeiro, com o alarido do Mateu correndo atrás da meninada curiosa. Como esquecer também o seu orgulho em fazer-nos ouvir as vozes potentes de João Alexandre, Antônio Aleluia, Pedro Bandeira, seus irmãos e outros nos embates plangentes de violas afinadas e desafios gigantescos, marcos e mourões perguntados e romances violados que acordavam e adormeciam o Cariri, como se todas as cantigas árabes se tivessem transportado para esta terra, oásis do Nordeste. João Maurício viveu sua terceira vida ao lado de sua terceira família, agora já preocupado em visitar os meninos que estudavam na capital, em acompanhar formaturas e casamentos, conhecendo netos e bisnetos, sempre cheio de afazeres e ainda criando os cinco mais novos. Quando sua mente se iluminava e voltava aos seus momentos de lucidez sempre perguntava pelo seus amigos Frei Egídio e Frei Virgílio, por andava Dom Beda e por outras pessoas do seu mundo. Com olhos miúdos nos olhava e se recolhia em um silêncio profundo e triste como desistindo, sem querer demonstrá-lo, de tentar forçar a vida e espantar a morte. Deve ter soluçado silenciosamente na certeza de que não controlava mais vidas e talvez isto tenha apressado a sua. Mas agora João Maurício se foi de verdade nos seus duzentos anos, como bem lembrou e disse o Poeta Pedro Bandeiro pois duas vida tem que ser contada em dobro: cem anos de dias e cem anos de noites, tanta a sua vontade de viver que já nos acostumava com a eternidade de sua presença. Nosso pai João Maurício se foi junto com o por-do-sol, tão ele no outro dia, cedo como era acostumado a fazer. Que os sinos do São Miguel e dos Franciscanos dobrem as tuas excelências, meu pai, dizendo que “a hora é hora, ajunta os carregadores que o corpo quer ir embora e quando passares em Jordão e fores perguntando sobre o que é que levas, dize que levas cera, capuz e cordão, mais a Virgem da Conceição...”
João Maurício e Silva faleceu em Juazeiro do Norte, na Rua da Luz, 26 – Bairro Juvêncio Santana (Sítio Malvas), onde morou seus últimos tempos,  em 19 de outubro de 2001, com quase cem anos. Sua família considerou muito significativa a homenagem prestada pelo prefeito Raimundo Antônio de Macedo que, através da Lei nº 3.303, de 23 de fevereiro de 2006, deu o nome de João Maurício e Silva ao PSF – Posto de Saúde da Família, situado à Avenida Dr. Floro, 1514 – Bairro Juvêncio Santana (antiga Malvas).
TEODORO DE JESUS GERMANO
Daqui a poucos dias, em primeiro de maio, vamos celebrar os cinqüenta anos do Icasa Esporte Clube, fundado, portanto, em 1963. Não haverá, nesta ocasião, no campo de futebol, pela cidade, e em muitas partes deste pais, como não lembrar de Teodoro de Jesus Germano, por ter sido, dos fundadores, aquele que mais se sobressaia pela determinação e entusiasmo.  Doro Germano, pelo nome afetivo de família, nasceu na Rua do Horto, em Juazeiro do Norte em 26 de fevereiro de 1934. Seus pais, os romeiros alagoanos Manoel Francisco Germano e Maria Francisca Germano, vieram de Murici, casados e com três filhos (Maria das Dores, a primogênita, professora normal rural), nascida em 1918; Manuelzinho (o Noé, que seria Padre Jesuita), de 1919, e José (que faleceria aos 14 anos de idade). Seu Manoel, pela segunda vez estava decidindo pela vida em Juazeiro. Na tristeza da família, a morte de Luzia, ainda em Alagoas, a segunda filha, com 3 anos de idade. A família seria muito numerosa, e antes e depois de Doro, se seguiram: Antonio, (que seria o Pe. Jesuíta) nascido em 1927; Maria de Jesus,( a Zuis, freira Salesiana) de 1929; Cícera, (a professora normal rural), de 1931; Maria Dircíola, (a Loló, outra professora normal rural), de 1932; Ceilde (que o escrivão registrou como Maria Cleide), de 1935; Francisco Alcides (o Alci, o engenheiro pelo ITA e primeiro PhD da UFC), de 1936; o economista José Milton, de 1938; João Célio, que faleceria precocemente, em 1940; Carlota Célia (a Celita, professora da UFC), de 1941; e Maria Luisa (a Isa, professora ruralista que completava um clã de 12 irmãos), de 1942.   
Doro Germano fez os seus estudos iniciais, o curso primário, no então Instituto Salesiano Padre Cícero, quando ainda recém fundado. Em meados dos anos 40 transferiu-se para a Escola Apostólica de Baturité, onde cursou dois ou três anos do ginásio. Deveria ter sido o terceiro padre jesuíta da família, mas resolveu deixar e voltar para Juazeiro e reingressar no Instituto Salesiano retomando os estudos de ginasiano, até 1952. Seguiu com o irmão Alci, em 1953, para o Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, quando cumpriu os estudos no nível do então científico. Retornou a Juazeiro do Norte em 1956, quando então se dedicou a auxiliar os negócios de compra e venda de algodão e às atividades agropecuárias com seu pai, em diversas propriedades da família. Foi por excelência o herdeiro da vocação para os negócios, pois a escola de seu pai tornou-se uma legenda em matéria de êxito empresarial, somente afetada quando da grande crise, pelo advento da praga do bicudo.
Em 1957, Doro Germano começou a participar, em sociedade com Antonio Correia Celestino e José Feijó de Sá, da empresa Industrial de Óleos Cariri S.A., que sucedia à velha organização fundada por Fenelon Gonçalves Pita e seqüenciada por seu filho Antonio Gonçalves Pita, cuja atividade industrial era a produção de algodão em pluma e a extração de óleo comestível, na sua sede da Rua São Francisco, onde hoje está o Banco do Brasil. Esta razão social foi a precursora da que se tornou mais conhecida, algum tempo depois, como Indústria e Comercio de Algodão Sociedade Anônima - ICASA. Em 1961, face o desenvolvimento deste grande empreendimento, a empresa se transfere, da sua sede na praça Almirante Alexandrino, para a margem da rodovia Juazeiro-Crato, onde novo parque industrial é construído, implementado por moderníssimos equipamentos no processamento de pluma e óleo. 
Sobre a presença de Doro Germano nestes primeiros anos de atividade da ICASA, damos a palavra a um antigo colaborador da empresa, Geraldo Moreira, que nos diz: “Conheci Doro Germano na ocorrência da explosão de uma bomba em sua mão, tirando-lhe um pedaço de seu dedo indicador para sempre. Transcorria o ano de 1958, mês de junho, comemoração da copa do mundo na Suécia. No início dos anos sessenta (61/62) passei a trabalhar na ICASA - Indústria e Comércio de Algodão S.A., da qual Doro era o seu Diretor Industrial. Jovem, rico, bonito, vaidoso, dinâmico e organizado. Fazia o que gostava e sentia-se muito à vontade na execução de suas atividades. Diariamente, visitava o parque industrial, várias vezes, verificando o seu funcionamento, a qualidade dos produtos, como o algodão em caroço que entrava, buscando junto a Jaime Melo, não somente o volume, classificação e a fibra do algodão bruto. A qualidade do algodão em pluma, o caroço de algodão, a linter e na parte destinada a indústria de óleo lá estava Doro querendo saber do encarregado Domício como estava a acidez do óleo, a qualidade do resíduo e da torta de caroço de algodão, estes dois últimos produtos responsáveis pela engorda  do rebanho bovino e sua produção de leite. Doro, quando necessário, também atuava na área financeira, solucionando problemas inerentes às instituições financeiras da época. Doro era organizado, exigente e disciplinado. Seus objetos de uso pessoal, no escritório da Icasa, sempre estavam nos mesmos lugares, a sua disposição. Esse procedimento era, também, cobrado de seus subordinados.”
Em 1963, Doro Germano sensibiliza seus sócios para a fundação do Icasa Esporte Clube. Na verdade, Doro na sua juventude tinha um bom relacionamento com o esporte, especialmente o futebol, tendo inclusive integrado a equipe do então Volante Atlético Clube, formando uma zaga que se anunciava como Doro, Bagaceira e Zé Moleque, o que desagradava profundamente Seu Manoel Germano. Ouçamos, a continuação do depoimento de Geraldo Moreira: 
“Na área esportiva, Doro era um apaixonado pelo futebol de campo, tendo certa habilidade com a bola, em que pese a resistência e até a proibição, quando estudante, por parte de seu pai, Manoel Germano. Atuou no futebol de salão, na época em que figuras como Dr. Nei, Dr. Zí, George, e outros que praticavam o esporte da bola pesada. Pesada porque, naquela época, a bola era confeccionada com crina de cavalo. O dia-a-dia do esporte juazeirense era acompanhado "pari passu" por aquele desportista, torcedor do Fortaleza e do Vasco da Gama e foi em primeira mão que ele teve a notícia da possível extinção do Volante Atlético Clube, então clube juazeirense. Preparou o ambiente junto a José Feijó de Sá para abrigar grande parte dos jogadores que atuavam no clube dos motoristas para formar uma nova equipe. Na ICASA, sob o incentivo de Doro e Feijó, existiam duas equipes de futebol, formadas por operários da Usina de Algodão e Indústria de Óleos e dois ou três funcionários do escritório. As equipes eram denominadas de ÓLEO e ALGODÃO e geralmente disputavam entre si, memoráveis partidas nas tardes de domingo. Assim, praticamente, houve apenas uma transferência de jogadores do Volante Atlético Clube para a nova equipe com a denominação de Icasa Esporte Clube. O Icasa Esporte Clube nos idos dos anos sessenta, sob a direção de Doro Germano, como presidente, cumpria fielmente suas obrigações, bem como seus jogadores. Assim, cada jogador dispunha de um pequeno armário onde continha, um par de chuteiras, um par de meiões, calção, camisa, suporte, ataduras e protetores de canela. Cada jogador apanhava o seu material e ao final do treino colocava o que precisava de lavagem separado dos demais. Jogador de futebol se submeter a esse tipo de procedimento, à época, era por demais admirável. E essa maneira de ser ficou bastante evidenciada quando na véspera de uma decisão do campeonato juazeirense, entre Icasa x Guarani, o famoso zagueiro do Icasa, Pirajá, revoltado com a qualidade da comida, arrasta a toalha  da mesa de jantar existente no local da concentração e tudo vem ao chão. Doro, comunicado do fato, lá compareceu e dispensou a “muralha” da lateral direita do Icasa. Enquanto torcida e dirigentes do Guarani vibravam com a notícia, no Icasa a preocupação era enorme, mas o apoio a medida extrema era unânime por parte da diretoria alviverde. Para surpresa de todos, no dia seguinte, lá estava Pirajá arrependido e pedindo desculpas a Doro e uma nova oportunidade para continuar defendendo as cores do maior campeão juazeirense de todos os tempos. Com a compreensão de Doro, e superada a questão, o Icasa foi novamente campeão, o que se repetiria por oito vezes consecutivas, coisa nunca antes vista no futebol juazeirense.”                         
Com o desaparecimento prematuro do empresário José Feijó de Sá, o Pe. Manoel Germano Filho, seu irmão, assumiu o cargo de Presidente da ICASA, Antonio Correia Celestino, o de vice-presidente, e Reginaldo Duarte como Diretor Industrial. Doro Germano passou a ocupar o cargo de Diretor-Gerente. A organização chegou a contar com uma folha de cerca de uma centena de colaboradores. Todo o algodão que beneficiava era negociado paro o pólo algodoeiro e têxtil do Nordeste, mostrando o papel expressivo desta empresa para o desenvolvimento regional.
Em 1976, o nome de Doro Germano foi posto como alternativa para a sucessão municipal de Juazeiro do Norte, pós interventoria sob a chefia de Erivano Cruz, pela ARENA. O partido estava dividido na cidade, em dois grupos. De um lado, um grupo numeroso que era chefiado pelo então governador do Estado do Ceará, Cel. José Adauto Bezerra, e do outro um grupo menor cujo mentor era o então deputado federal Mauro Sampaio. No dia 27.08.1976, aconteceu na Câmara Municipal, presidida pelo Dr. Possidônio da Silva Bem e secretariado por Gumercindo Ferreira Lima, a Convenção do Partido que deliberou pela homologação das duas chapas, Arena 1 (com 32 votos, pela eleição de Ailton Gomes de Alencar, prefeito municipal e Getúlio Pereira Grangeiro, vice-prefeito) e Arena 2(com 13 votos, pela eleição de Teodoro de Jesus Germano, prefeito municipal e Severino Gonçalves Duarte, vice-prefeito). No dia 15.11.1976, as eleições foram realizadas em 137 seções, com um total de 38.267 voantes habilitados. Houve uma abstenção de cerca de 18,6%. No resultado, a chapa da Arena 1 foi vitoriosa por uma maioria de 9.581 votos. Os adeptos da candidatura de Doro Germano ficaram indignados com os resultados e jamais se convenceram de que aquele pleito e aquela apuração tivessem sido realizados dentro de critérios aceitáveis de honestidade.       
Com 26 anos de idade, Doro Germano contraiu primeiras núpcias com Maria Mirtes Assunção Feitosa, filha de Heloisa e Antonio Conserva Feitosa. Deste relacionamento conjugal nasceram os filhos: Mitzi Maria Costa, formada em Enfermagem, divorciada do empresário Olivio Costa, de cujo consórcio nasceram os filhos Olivio Costa Neto e Lucas Germano Costa; Mirna Maria Feitosa Germano, graduada em Enfermagem, solteira e residente nos Estados Unidos; Cícero Teodoro Germano, agropecuarista, divorciado, pai de Cícero Teodoro Neto, Mateus e João Pedro; e Heloisa Maria Feitosa Germano. Divorciado, Doro Germano contraiu segundas núpcias, em 31 de janeiro de 1990, com a odontóloga, graduada pela UFPE, Maria do Perpétuo Socorro Sampaio, filha de Rosa Arrais Sampaio e Antonio Oliveira Sampaio. 
Depois da Icasa e dos desenganos que a política lhe trouxe, Doro Germano ainda empreendeu atividades de agropecuarista nas suas propriedades Fazendas Faustino (município do Crato) e Emboscada (município de Missão Velha). Também realizou empreendimentos imobiliários em Juazeiro do Norte. Ainda nos anos 70 teve um empreendimento em sociedade com Reginaldo Duarte, cuja razão social era CONDISPEL, cujo objeto de negócio era a venda do combustível querosene, enlatado.
Teodoro Jesus Germano faleceu em 14 de março de 2007, e está sepultado em Juazeiro do Norte.  Bem recentemente, em 22.07.2012, foi prestada uma homenagem a Doro Germano, com a inauguração de uma praça, no Bairro Leandro Bezerra, dentro das comemorações dos 101 anos de Emancipação Político Administrativa de Juazeiro do Norte. 
Meus senhores e minhas senhoras:
Estes são os homenageados desta décima terceira versão da Comenda Memórias de Juazeiro. A AFAJ está plenamente gratificada com a presença de suas distintas famílias que nesta noite recebem o nosso tributo. Feliz é nossa gente e nossa cidade querida, a Juazeiro do Norte de seu santo padrinho, por terem tido o privilégio de tê-los como figuras beneméritas de sua cidadania. 
Muito obrigado. 
(Discurso pronunciado por Antonio Renato Soares de Casimiro, em nome da Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro – AFAJ, na noite do dia 20 de Abril de 2013, por ocasião da sessão solene para a entrega da Comenda Memórias do Juazeiro, na Chácara Recanto do Rei, no Bairro Alagadiço Novo, Distrito de Messejana, em Fortaleza, Ceará).

CINE ROULIEN
O que os nossos pais assistiam antigamente? Voltamos aos cartazes dos cines Roulien (Rua São Pedro, 389) e Eldorado (Rua Santa Luzia, 429) durante o ano de 1949. No dia 04.03 o Roulien exibiu em sua sessão às 19:30h o filme O Pirata dos sete mares. A ficha técnica da película é: Título original: The Spanish Main; Estados Unidos, 1945; Direção: Frank Borzage; Elenco principal: Paul Heireid, Maureen O'Hara e Walter Sleakaz; Sinopse: Primeiro numa série de filmes technicolor contratados pela RKO, O Pirata dos Sete Mares é um típico filme de pirata ajudado imensamente pela performance enérgica de Heireid, O'Hara e Sleakaz. Sleazak faz um vilanesco governador espanhol que ordena destruir um navio e esscravizar os marinheiros holandeses e seu capitão, Henreid. Os holandeses escapam no entanto, e formam uma gang de piratas que se concentram na costa espanhola. Em busca de vingança, Henreid e seu homem de confiança, capturam O'hara, prometida de Sleazak, e a levam no navio para o méxico. Henreid força O'hara a casar-se com ele, mais pela segurança dele que enfrentará toda a armada espanhola em retaliação sobre sua cabeça. Henreid leva então O'hara a sleazak para evitar um massacre. Inafortunadamente para Sleazak, O'hara apaixona-se por Henreid e ela torna-se assistente do capitão pirata em seus esforços para tê-la de volta.
CINE ELDORADO
O Eldorado exibia no dia 04.03: Deuses de barro. A ficha técnica, sumariamente, é: Título original: Disputed Passage; Estados Unidos, 1939; Direção: Frank Borzage; Elenco principal: Dorothy Lamour, Akim Tamiroff, John Howard, Judith Barrett e William Collier; Sinopse: Praticidade versus idealismo é a tônica deste filme , ricamente executado, baseado em um romance de Lloyd C. Douglas (The Robe Obsession). O filme é estrelado John Howard como o jovem estudante John médico Beaven Wesley. No curso de sua educação, Beaven está dividido entre duas filosofias: o pragmatismo frio do Dr. Forster (Akim Tamiroff) e as atitudes humanistas do gentil Dr. Cunningham (William Collier) A crise de Beaven vem à cabeça quando ele deve escolher entre sua carreira e seu casamento iminente com Audrey Hilton (Dorothy Lamour). Um clímax literalmente explosivo no devastado pela guerra na China traz a história de uma solução lógica e satisfatória.


sábado, 13 de abril de 2013



MULTA DO TCM
Eu fui com tanta disposição, e de coração e mente abertos para dirigir a Fundação Memorial Padre Cícero que ultimamente estou colhendo o lado pior desta disponibilidade. Em muitas oportunidades meus amigos me advertiram sobre a ingratidão deste serviço público a que somos chamados, mas que somente alguns loucos e outros tantos desonestos aceitam. Depois que deixei, aliás fui demitido, já tive que providenciar defesa para dois processos movidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) por irregularidades das quais, efetivamente, não participei, pois só pagava quatro contas: luz, água, telefone e folha de pessoal. Outra qualquer assinatura foi numa ou outra licitação para compra de material de expediente, onde tantos outros secretários também assinaram. Mas, chegou uma outra, a terceira e desta por irresponsabilidade do setor de contabilidade da PMJN não teve mais defesa. Embora as contas tenham sido julgadas regulares com ressalva, aplicaram-me uma multa de R$ 744,87. É mais uma que uns safados vão ter que me pagar, nem que seja no inferno, onde deveremos estar todos juntos.
(Nota do Editor do blog: Hipotecamos ao nosso colunista a mais irrestrita solidariedade pelo vexame imerecido pelo qual está passando, pois conhecemos sua honestidade, reputação, capacidade e amor a sua terra natal. Renato Casimiro, ninguém duvida,  é um cidadão probo no mais extenso e legítimo sentido do termo. Um ilustre professor universitário, filho de Juazeiro, a quem a cidade muito deve pelos seus relevantes e indiscutíveis serviços prestados). 

LIVRO
Depois da Glória – Ensaios sobre personalidades e episódios controversos da História do Brasil e de Portugal, é um dos novos livros do embaixador Vasco Mariz editado pela Civilização Brasileira (2012, 375p, ilus.). Este seu último livro, inclui 18 ensaios sobre personagens mais ou menos ilustres da história do Brasil e de Portugal desde o século 16 ao 19. Propõe o exercício interessante de analisar problemas gerais a partir de um personagem central conjugado a um episódio capital na história luso-brasileira. Uma viagem fascinante ao percurso de grandes nomes da história, que nos convidam a conhecer o cômico e o trágico de suas vidas. Por meio de um texto consistente, elegante e bem-humorado, Vasco Mariz nos leva ao encontro de personagens que costumam desaparecer no esquecimento dos livros escolares. Visita momentos candentes como as invasões francesas, a presença flamenga, a guerra do Paraguai dentre outros tantos episódios complexos e controvertidos. O leitor encontrará neste volume 18 ensaios, em ordem cronológica, sobre temas variados da história do Brasil e, indiretamente, de Portugal. São textos que apresentam curiosidades a respeito da "história depois da história", a vida "depois da glória". Desfilam no livro personagens de grosso calibre, a exemplo de Antônio Vieira, Maurício de Nassau, D. Pedro I, Duque de Caxias, Joaquim Nabuco, Villegagnon, Domingos Fernandes Calabar, e Pe. Cícero, dentre outros. 

PÚBLICO
O Governo Municipal sancionou e promulgou a LEI Nº 4167, DE 04 DE ABRIL DE 2013 que reconhece como de utilidade pública a ASSOCIAÇÃO VIDA PARA TODOS, fundada em 23 de fevereiro de 2013. Ela é uma associação civil, de direito privado, de caráter beneficente e cultural, sem fins lucrativos, de duração indeterminada, doravante denominada AVPT, com atuação em todos os municípios do Brasil, com sede e foro no município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, regendo-se por seus estatutos sociais bem como, pelas leis usos e costumes nacionais. O projeto foi de autoria do vereador Cláudio Sergei Luz e Silva. Comentário: Pode parecer estranho que a municipalidade tenha declarado de utilidade pública uma instituição que acabou de ser fundada na cidade. Contudo esta organização existe em muitas cidades do país e reconhecidamente vem prestando relevantes serviços às suas comunidades.

CINE ROULIEN
O que os nossos pais assistiam antigamente? Voltamos aos cartazes dos cines Roulien (Rua São Pedro, 389) e Eldorado (Rua Santa Luzia, 429) durante o ano de 1949. No dia 25.02 o Roulien exibiu em sua sessão às 19:30h o filme Tudo por uma mulher. A ficha técnica da película é: Título original: Along came Jones; Estados Unidos, 1945; Direção: Stuart Heisler; Elenco:Gary Cooper, Loretta Young e Dan Duryea; Sinopse: Os astros do cinema, Gary Cooper e Loretta Young, estrelam este western com pitadas de humor. Melody Jones (Cooper) é um cowboy que mal sabe a diferença entre um 6 tiros e uma carabina, mas quando ele chega a Paynesville imediatamente conquista o respeito e também o medo de toda a população da cidade. Populares pensam que ele é o famigerado Monte Jarrad (Dan Duryea), um fora-da-lei que aterroriza a todos praticando violentos assaltos. Inicialmente Jones gosta da fama adquirida, mas ela rapidamente acaba quando ele se vê no meio do fogo cruzado entre um homem da lei e o verdadeiro Jarrad. 
CINE ELDORADO
O Eldorado exibia no dia 26.02.1949: A volta de Monte Cristo. A ficha técnica, sumariamente, era: Título original: The return of Monte Cristo; Estados Unidos, 1946; Direção: Henry Levin; Elenco: Louis Hayward, Barbara Britton e George Macreadt; Sinopse: Edmond Dantes, sobrinho do Conde de Monte Cristo, está determinado a receber a riqueza do seu antepassado. Quando Dantes chega em Marsaille para receber a herança, ele é preso como impostor pelo juiz Lafitte de la Roche. De La Roche e Blanchard forjaram um golpe para que a filha de Blanchard, Angela, receba a herança, e, que De la Roche case com Angela para controlar o dinheiro que pode compensar Blanchard do desfalque do banco nacional. Dantes é preso e enviado para a Ilha do Diabo, mas consegue escapar. Chegando na França, Dantes busca vingança contra os adversários e usa disfarces e meios para prender cada conspirador, um por um, agindo rápido, antes de que De la Roche possa enviar força policial para conter Dantes e se casar com Angela para completar sua plano. 

MEMORIAL
Está sendo instalada na cidade do Crato o Memorial da Imagem e do Som do Cariri. É uma iniciativa de Jackson Bantim e será abrigado do edifício do Instituto Cultural do Cariri. Excelente iniciativa. Estamos nos congratulando com todos pelo acerto desta providência e aqui fica a sugestão para que o Memorial, na verdade, também se estenda a todos os elementos que implicam na preservação da história do Cariri, como uma grande biblioteca temática, hemeroteca e a arte criativa da região. É em boa hora que isto ocorre, e sinceramente espero que haja um efeito multiplicador, não só no Cariri, mas em outras regiões, pois não podemos nos consagrar como gente de pouca memória.

MEU PAI, CENTENÁRIO  
Luiz Gonçalves Casimiro, meu pai, tinha em seus documentos fundamentais, registrado que nascera na cidade paraibana de Sousa, no dia 06.12.1916. Nas histórias familiares, esta menção sempre era referida com certo humor, pois minha mãe nos lembrava que o cartório do registro civil de Sousa havia se incendiado e daí que seu Luiz teve de realizar novo registro e aí teria alterado a data de seu nascimento. Mas, na prática, nunca tivemos qualquer comprovação e a coisa era tratada com bom humor. Recentemente encontrei em meio a diversas correspondências de meu pai uma cópia do seu batistério, emitida pela Paróquia matriz de Nossa Senhora dos Remédios, em 28.11.1948. Interessante que isto foi a apenas 10 dias do seu casamento. E o que diz aquele documento? “ Certifico que revendo os livros de termos de Batismo realizados nesta Paróquia, foi encontrado o do seguinte teor (Livro 34, fls 121,nº 56): Aos onze de dezembro de mil novecentos e quatorze , em oratório particular, batisei solenemente a Luiz, nascido nesta Freguesia, aos vinte e três de novembro do dito ano, filho legítimo de Antonio Alves Casimiro e Ana Maria de Jesus, naturais e moradores nesta Paróquia. Padrinhos Joaquim Gomes da Cunha e Luisa Amaral de Sousa. E para constar mandei fazer este termo que assino.O Vigº Cônego Bernardino Vieira da Silva.Nada mais se continha no dito termo a quem me reporto, o qual foi fielmente copiado do original ITA IN FIDE PAROCHI. Matriz de Sousa, 28 de Novembro de 1948. Cônego José Viana. Aí está, surpreendentemente. De fato, ao invés de ter nascido em 06.12.1916, meu pai, efetivamente nasceu em 23.11.1914. Logo, para o ano deveremos, em família, lembrar Seu Luiz Casimiro, celebrando-lhe o centenário. Quando faleceu, em 28.08.1989, ele estava aos 74 anos, há 87 dias dos 75 anos.         

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA
Relembramos a visita do então Presidente da República, Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco a Juazeiro do Norte em 1965, sendo recebido com sua comitiva no Hospital São Lucas. Na foto de cima a saudação feita pelo Dr. Possidônio da Silva Bem, vendo-se, da esquerda para a direita: Gregório Calou de Sá Barreto, Dr. Hildegardo Belém de Figueiredo, dona Odorina Castelo branco Sampaio, Dr. Leão Sampaio, Dr. Mário Malzoni, o presidente Castelo Branco e o general Ernesto Geisel. Na foto inferior, na mesma ordem, são vistos: O presidente Castelo Branco, Dr. Mário Malzoni, Dr. Mauro Sampaio, Dr. Newton Gomes de Alencar, Dr. Leão Sampaio e Dr. Hildegardo Belém de Figueired

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Acervo Memorial


ACERVO DO MEMORIAL
Eu dirigi a Fundação Memorial Padre Cícero, tendo este privilégio por pouco tempo, apenas sete meses. Mas eu o conhecia intimamente bem antes que o tivessem inaugurado, pois fui dos primeiros entusiastas para formar-lhe o seu acervo, o seu patrimônio material. Desconfio que também tenha contribuído bastante para que sua imagem de instituição tenha se consolidado e hoje seja um dos museus mais visitados em todo o país. Por isto, excetuando-se apenas a administração de Abraão Bezerra Batista e a recente, do prof. Chesmman (por recente e desconhecimento meu) temos uma longa pauta de queixas sobre seus serviços, patrimônio e funcionamento. Nisto, claro, eu reconheço que eventualmente esteja inteiramente inserido no meio destas críticas, pois não sou melhor ou pior que tantos outros. Falo deste assunto porque foi com certa apreensão que ouvi no Jornal da Tarde (FM Pe. Cícero, de 29.03, pp.) uma matéria relevante elaborada por Murilo Siqueira com respeito às deficiências do Memorial que praticamente não tem memória sobre tantos eventos ali acontecidos e as suas instalações padecem de diversos males. Uma coisa gravíssima já era evidente de longa data: o desaparecimento misterioso de muitas coisas que pertenciam ao acervo e dos quais se tem até registro, pois tombadas ao patrimônio da instituição. Não há mistério. O Memorial, equiparado a uma secretaria municipal, praticamente, não obstante esteja sob tutela da atual Secretaria de Cultura e Romarias, não goza de nenhuma autonomia. Nenhum secretário da administração o tem. Ele parece até ter dinheiro e caneta, e não tem nenhum dos dois. Por isto mesmo, até em consonância com as suas responsabilidades civis e do cargo que ocupa, o secretário, com o presidente da Fundação, é submetido a grandes vexames por ingerências de terceiros que, aparentemente nada tem com a linha administrativa da Fundação. Fica muito difícil (e foi isto que observei, vivenciei e sofri), assumir as dores, a defesa intransigente do órgão e realizar o que ele necessita para ser o que se propõe. Fácil, isto sim, é usá-lo como trampolim, escritório de negócios, cabide de emprego, ambiente de pose para suas vaidades pessoais, e por aí. Fazer como vi fazer o “maluco” do Abraão Batista, indispondo-se com Deus e o diabo, para por ordem na casa, para ter tudo sob controle no seu patrimônio, para não permitir que qualquer um depredasse suas instalações ou qualquer coisa que ameaçasse a sua integridade – eu mesmo, avisado a tempo e a hora, não fui capaz de imitar palidamente. Daí porque, quando se fala do que o Memorial se ressente, é de nós – os gestores que por lá passaram, inclusive eu, que se põe sob suspeição, especialmente na crença de que esta casa seja dirigida, não por outro maluco (sem aspas) que lhe apareça. Mas por alguém que consiga sensibilizar o chefe-prefeito de que aquilo é das coisas mais sérias que este município já teve o acerto em criar.         

O PAPA E O PADRE
A possível, e ainda pouco provável, atenção do pontífice Francisco com respeito à pauta existente na Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, com respeito à reabilitação histórico-eclesial de Cícero Romão Baptista continua estimulando muitas reflexões pelos jornais e pela imprensa, de um modo geral. Nas redes sociais, então, nem se fala. E isto vai durar muito, se pensarmos que em Roma o tempo é eterno. Mas os cardeais não precisam exagerar muito nesta demora. Assim esperamos (tanto do verbo esperar quanto do esperançar). Aproveito a oportunidade para expressar a minha gratidão a Cristiana e Rui Aguiar, pois estando no Vaticano, no dia da inauguração do novo Pontificado, eles passaram numa banca de revistas e me trouxeram de presente a edição especial do L´Osservatore Romano, comemorativa do Habemus Papam. Um documento precioso, para ler (não sem muita dificuldade para este ignorantão em italiano) e guardar. Vai que o Papa Francisco tem algo para nos dizer em breve... Seria uma graça!!!  

RECONHECIMENTO PÚBLICO
O Governo Municipal acaba de sancionar Leis com as quais oferece o seu reconhecimento, tornando-a de utilidade pública, às seguintes instituições, manifestação e eventos: 
ASSOCIAÇÃO DOS GUIAS DE TURISMO DO CARIRI CEARENSE – AGTURC (LEI Nº 4161, DE 27 DE MARÇO DE 2013), fundada em 03 de fevereiro de 2012, tembase territorial e atuação em toda região do Cariri Cearense, com sede e foro nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, é uma entidade de direito privado, constituída por tempo indeterminado, sem fins lucrativos, de caráter organizacional, filantrópico, assistencial, proporcional, recreativo e educacional, sem cunho político ou partidário, com a finalidade de atender a todos que a ela se dirigirem, independentemente de classe social, nacionalidade, sexo, raça, cor ou crença religiosa, regendo-se por seus estatutos sociais e bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Paulo José de Macedo; Subscrição: Danty Bezerra Silva.
ASSOCIAÇÃO CULTURAL ARTE BRASIL CAPOEIRA – EABC, (LEI Nº 4162, DE 27 DE MARÇO DE 2013), fundada em 18 de abril de 2012, sociedade civil, sem fins lucrativos, de caráter sócio-cultural, de duração indeterminada, com sede e foro no município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, regendo-se por seus estatutos sociais e bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. Autoria: Rubens Darlan Lobo; Subscrição: José Tarso Magno Teixeira da Silva.
ASSOCIAÇÃO DE MORADORES E AMIGOS DO BAIRRO DE FÁTIMA, (LEI Nº 4163, DE 27 DE MARÇO DE 2013), fundada em 18 de abril de 1993, entidade de sociedade civil, sem fins econômicos, de natureza assistencial e de proteção aos associados, com duração por tempo indeterminado, com sede à rua José Barbosa dos Santos, n.º 109, bairro Vila Fátima, em Juazeiro do Norte, registrada no Cartório do 2.º Ofício, Livro A-9, fls. 030/031, registro n.º 1345, protocolo n.º 41.585, inscrita no CNPJ/MF n.º 10.789.504/0001-96, regendo-se por seus estatutos sociais e bem como pelas leis, usos e costumes nacionais.
A MÚSICA GOSPEL e os eventos a ela relacionados como manifestação cultural (LEI Nº 4164, DE 27 DE MARÇO DE 2013). A Secretaria Municipal de Cultura e Romaria – SECROM fica autorizada a destinar recursos do Fundo Municipal de Cultura para a realização de projetos que atendam a música e os eventos gospel. Fica, também, criada a Semana da Expocristã com o festival Juazeirense de Música Gospel, feira de exposições de produtos do segmento, a ser realizada na 2.ª semana do mês de julho de cada ano. Institui no Município de Juazeiro do Norte, o dia 20 (vinte) de julho como o Dia do Evangelho, onde serão desenvolvidas manifestações em alusão ao Evangelho de Cristão Jesus, com apresentações culturais dentro da Semana Expocristã. Autoria: Glêdson Lima Bezerra; Coautoria: Firmino Neto Calú e José Tarso Magno Teixeira da Silva; Subscrição: Antônio Alves de Almeida, Antônio Vieira Neto, José Nivaldo Cabral de Moura, Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha, José Ivan Benjamim de Moura, Paulo José de Macedo, João Alberto Morais Borges, Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro, Cláudio Sergei Luz e Silva, Danty Bezerra Silva, Cícero Claudionor Lima Mota, José Adauto Araújo Ramos, Ronaldo Gomes de Lira, Maria Calisto de Brito Pequeno e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
Se não me equivoco, a quase totalidade da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte deseja que o dia 20 de julho (data do falecimento de Padre Cícero), um dia em que a cidade se enche de romeiros, católicos-apostólicos-romanos, seja um dia para uma ampla programação ecumênica, com muita música, e de preferência a que romeiro não canta. Entendi tudo.

CINE ROULIEN
O que os nossos pais assistiam antigamente? Voltamos aos cartazes dos cines Roulien (Rua São Pedro, 389) e Eldorado (Rua Santa Luzia, 429) durante o ano de 1949. No dia 06.02 o Roulien exibiu em sua sessão às 19:30h o filme Simbad, o marujo. A ficha técnica da película é: Título original: Sinbad, the Sailor; Estados Unidos,1947; Direção: Richard Wallace; Elenco: Douglas Fairbanks Jr., Maureen O'Hara, Walter Slezak, Anthony Quinn, George Tobias, Jane Greer, Mike Mazurki, Sheldon Leonard, Alan Napier, John Miljan; Sinopse: Numa época de fantasia, nos tempos do califa Harun-Al-Rashid, na antiga Pérsia, o marujo Simbad (Douglas Fairbanks Jr.) narra suas aventuras espetaculares - algumas mentirosas, outras verdadeiras. Conta como salvou um navio em companhia do amigo Abbu, quando se apossou do mapa do tesouro de Alexandre o Grande. Na perigosa jornada, Simbad enfrenta Emir (Anthony Quinn) e Melik (Walter Slezak), dispostos a qualquer coisa para se apossar do tesouro. A bela Shireen também é disputada por heróis e vilões. Simbad, o Marujo é uma das maiores aventuras épicas da história do cinema, uma grandiosa produção da RKO Radio Pictures, com cenários exuberantes, figurinos deslumbrantes e uma caprichada fotografia em Technicolor. Douglas Fairbanks Jr. esbanja carisma e demonstra suas habilidades acrobáticas durante as lutas. O humor comanda a ação, mas há espaço também para as malvadezas de Anthony Quinn, no papel de um vilão árabe. A beleza estonteante da ruivíssima Maureen O´Hara também merece uma menção. Simbad é um contador de histórias que tece grandes aventuras sobre si mesmo. Se elas são verdadeiras ou não, ninguém sabe. Em sua oitava peripécia, ele conta sobre o que aconteceu num navio, durante uma viagem diferente e misteriosa. Num dia muito especial, um mapa do tesouro que mostra o caminho para as riquezas de Alexandre, O Grande, desaparece sem deixar pistas. Os suspeitos são, a bela Shireen (mulher que roubou o coração de Simbad), o diabólico Amir, obcecado pelo valioso artefato, e o mortal Melik, que fará de tudo para chegar ao tesouro, inclusive dar cabo da vida de quem o atrapalhar. Uma viagem perigosa para onde acreditam estar escondida uma das grandes riquezas deixadas pelo maior general da antiguidade.
CINE ELDORADO
O Eldorado exibia no dia 06.02.1949: A mulher de branco. A ficha técnica, sumariamente, era: Título original: The woman in white; Estados Unidos, 1948; Direção: Peter Godfrey; Elenco: Alexis Smith, Eleanor Parker, Sydney Greenstreet, Gig Young, Agnes Moorehead, John Abbott, John Emery, Curt Bois, Emma Dunn, Matthew Boulton, Anita Sharp-Bolster, Clifford Brooke; Sinopse: Um jovem pintor se depara com uma variedade de caracteres estranhos em uma propriedade Inglês onde ele foi contratado para dar aulas de arte a bela Laura Fairlie. Entre eles estão Anne Catherick, uma estranha mulher jovem vestida de branco que ele encontra na floresta e que carrega uma semelhança impressionante com Laura; astúcia Conde Fosco, que espera obter uma herança para Sir Percival Glyde nobre, a quem ele tem planos para Laura casar, o Sr. Fairlie, um hipocondríaco que não podem estar para ter alguém fazer o menor ruído, e Fosco Condessa excêntrico que tem seu próprio segredo obscuro. O artista também se sinta atraído por Marion Halcomb, um parente distante de Laura quem o Conde também tem planos para.

ENCONTRO
No próximo fim de semana, 13 e 14, vou conhecer uma das mais esquecidas cidades do interior cearense: Salitre. É que ali vai acontecer o “XI Encontro Estadual de Jornalistas, Radialistas e Blogueiros”.  Espera-se a participação de centenas de comunicadores do Ceará, Pernambuco e Piauí, estarão no Cariri.  O evento acontecerá é promovido pela Associação Cearense de Jornalistas do Interior (ACEJI) e pelo Sindicato dos Correspondentes de Jornais e Emissoras de Rádio e Televisão do Ceará (SINCORCE). Será a oportunidade adequada para discutir questões pertinentes à categoria e a problemática regional. São palestrantes o jornalista Juciê Cunha, Júnior Pentecoste e este colunista. Também serão celebrados os 50 anos da ACEJI. Será outorgada, durante o encontro, a algumas personalidades a Comenda Jornalista Dutra de Oliveira, concedida pela ACEJI. Entre os agraciados estão o governador do Ceará, Cid Gomes, o vice-governador, Domingos Filho, e o bispo diocesano de Crato, Dom Fernando Panico. Meu conhecimento sobre a existência da Associação Cearense de Jornalistas do Interior (ACEJI) data de 1969. Nos dias 19 a 23 de junho a ACEJI se reuniu em Juazeiro do Norte na realização do seu V Congresso de Jornalistas do Interior, nas sede do antigo Juá Tenis Clube (antigo Clube dos Doze) tendo a organização envolvido alguns dos que militavam como correspondentes na região, e de Juazeiro, especialmente Walter Menezes Barbosa, Geraldo Menezes Barbosa, Daniel Walker Almeida Marques, Francisco Francílio Dourado, Fátima Dourado, Sílmia Sobreira, José Maurício Xavier de Oliveira, Roberto Almeida, Jucier Lima de Sousa e Pedro Bandeira Pereira de Caldas, dentre outros. Na foto acima, os jornalistas interioranos visitam as obras do Estádio Romeirão, ciceroneados pelo próprio prefeito Mauro Sampaio, dentre os que estão sendo vistos na foto, Luiz Bezerra de Sousa, José Maurício Xavier, Espedito Cornélio e Francílio Dourado. Foram visitadas outras obras, incluindo a Estátua no Horto.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI  
Na Reunião Ordinária Deliberativa da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, da Câmara Federal, o Relator do Projeto PL 2208, que cria a Universidade Federal do Cariri, o relator dep. José Nobre Guimarães apresentou Relatório e Voto favorável, sem reparos ou emendas, à criação da UFCA. Abaixo o inteiro teor dos textos lidos na Reunião:
PROJETO DE LEI Nº 2.208, DE 2011 Dispõe sobre a criação da Universidade Federal do Cariri – UFCA, por desmembramento da Universidade Federal do Ceará – UFC, e dá outras providências. AUTOR: Poder Executivo RELATOR: Deputado José Guimarães
I - RELATÓRIO
O Projeto de Lei nº 2.208, de 2011, cria a Universidade Federal do Cariri - UFCA, de natureza jurídica autárquica, vinculada ao Ministério da Educação, com sede e foro no Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará.  A nova Instituição terá por escopo ministrar ensino superior, desenvolver pesquisa nas diversas áreas do conhecimento e promover a extensão universitária, caracterizando sua inserção regional mediante a atuação multicampi. Para tanto, passam a integrar a UFCA os campi já existentes de Juazeiro do Norte, Barbalha e Crato, que serão desmembrados da Universidade Federal do Ceará – UFC, além daqueles criados pelo presente projeto, os campi de Icó e de Brejo Santo. Conforme explicita a Exposição de Motivo Interministerial (E.M.I) nº 186/2011/MP/MEC, que acompanha a proposição, a UFCA será pautada por princípios orientadores que visam à integração da região e o desenvolvimento dos municípios da região do Cariri e entorno, destacando-se entre esses princípios o desenvolvimento regional integrado, o acesso ao ensino superior, a qualificação profissional e o compromisso de inclusão social, o desenvolvimento do ensino da pesquisa e da extensão, e a interação entre as cidades e os estados que compõem a região. A proposição tramitou pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP), Comissão de Educação e Cultura (CEC) e pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT) tendo sido aprovada, unanimemente, em todas as comissões.
CÂMARA DOS DEPUTADOS - Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. No âmbito da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, onde a proposição será examinada quanto à constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa não foram apresentadas emendas durante o prazo regimental. É o relatório.
II – VOTO
O projeto de lei em exame observa os requisitos constitucionais relativos à competência legislativa da União, às atribuições do Congresso Nacional e à iniciativa parlamentar, nada havendo a obstar o prosseguimento da matéria no que concerne à sua constitucionalidade formal ou material. No que se refere à juridicidade, entendo que o projeto não diverge de princípios jurídicos que possam obstar sua aprovação por esta Comissão. Ainda, quanto á técnica legislativa, não tenho reparos a fazer. Com relação a emenda saneadora apresentada na Comissão de Finanças e Tributação, não cabe a esta comissão analisar o mérito da matéria, mas tão somente a constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. À luz do exposto, sou, portanto, favorável à aprovação do projeto de Lei nº 2.208, de 2011, que dispõe sobre a criação da Universidade Federal do Cariri – URCA, por desmembramento da Universidade Federal do Ceará – UFC, e da outras providências. Sala da Comissão, em 03 de abril de 2013. Deputado José Guimarães, Relator
Comentários: Mesmo eufóricos, ainda não conseguimos a UFCA. Saibam que, mesmo festejando, o que se conseguiu foi o trâmite normal. Terminada a temporada de comissões, o projeto vai para a decisão do plenário da Câmara. Se aprovado, como acreditamos, mesmo emendado, irá mudar de casa, indo para o Senado Federal, onde não deve haver surpresa, e passará pela etapa decisiva. 

CÓDIGO DE POSTURAS
Pode ser que esteja desinformado. Mas, pelas contas, já passa dos setenta e cinco anos que o Código de Posturas, à sua época, tenha tido uma publicação como merece. Mal comparando, a Constituição do Município que foi promulgada pouco depois da Constituição da República Federativa do Brasil, exatamente para se adaptar às novas normas, é o Estatuto de nossa cidadania municipal. Já o Código de Postura, por assim dizer, é o Regimento Interno do Município. Por isto mesmo, sempre que ele vier a ser alterado dever-se-ia fazer a sua respectiva publicação. Claro que no âmbito do Diário Oficial isto já acontece, mas ele é um documento que mexe com cada um de nós, munícipes. E seria desejável que ele estivesse disponível para compra por interessados, em livraria, pelo menos. Este cuja capa está mostrado, surgiu ainda no governo do prefeito José Geraldo da Cruz. Agora que o vereador Cláudio Luz está tentando sensibilizar a própria Câmara Municipal para a publicação de um volume consolidado de leis municipais, nada melhor que se esperar pela inclusão obrigatória deste Código de Posturas.  

LIVRO
Esta semana, soube pelo seu autor, amigo Mário Bem Filho, que dentro de poucos dias sairá a 4ª. Edição do seu livro, Juazeiro do Norte, seu espaço físico (1ª. Edição, 1999, Juazeiro do Norte: Gráfica Mascote Ltda., 176p; 2ª. Edição, 2001, Fortaleza: ABC Editora, 296p; 3ª. Edição, 2007, Fortaleza: ABC Editora, 208p). Este trabalho de Mário é um documento precioso para o acompanhamento do expressivo crescimento de nossa cidade. Ele é do ramo. Engenheiro de profissão, sempre ligado a obras públicas, faz questão de que esta nova edição se apresente atualizadíssima, incluindo os quatro novos bairros criados e, inclusive, o que está em planejamento, Alacoque Bezerra, que deverá compreender as áreas de Salgadinho e Logradouro, dentre outras. Saúdo, portanto, com grande entusiasmo, a continuação deste esforço fabuloso do engenheiro Mário Bem Filho em dotar Juazeiro do Norte de um instrumento muito efetivo na hora do planejamento urbano desta cidade. Um livro que deve ser uma espécie de Vade mecum do urbanismo juazeirense. Nossos parabéns, e a nossa disposição para divulgar o seu valioso trabalho.

BENJAMIM ABRAHÃO BOTTO
Na biografia de Benjamim Abrahão Botto, recentemente lançada pelo escritor Frederico Pernambucano de Melo, este secretário do Padre Cícero é apresentado como um espertalhão, por ter se locupletado com a amizade e o cargo de confiança que ocupou na casa do padre. E é uma verdade. No início já havia uma mentira, pois ele dissera na apresentação que nascera na terra de Jesus. Em verdade, Benjamim nasceu no Líbano, na cidade de Zahle. Mas, julgue o leitor ao conhecer um pouco mais desta figura. Benjamim tinha negócios em Juazeiro, como um jornal e uma loja de tecidos. Também era proprietário de um rancho para romeiros. Veja o que ele diz neste boletim de publicidade que estampamos acima. “CASA DOS ROMEIROS DO PADRE CÍCERO, de Benjamim Abrahão. Antiga Casa São Jorge. Aviso a todos os romeiros que a Casa dos Romeiros do Padre Cícero, não trata de negócio, pois foi aberta por ordem do Padre Cícero, exclusivamente para receber os Romeiros pobres e ricos, dar-lhes ranchos asseados e facilitar-lhes a entrada na casa do mesmo Padre, grátis, e sem nenhum interesse, respondendo as suas cartas, com a máxima brevidade. O encarregado desta casa é amigo íntimo do Padre Cícero, residindo ou morando com ele. Portanto, os Romeiros devem procurar a Casa dos Romeiros do Padre Cícero que serão bem servidos. Os Romeiros não devem iludirem-se com certas pessoas suspeitas que fazem pelas estradas propaganda contra esta casa que é a única que não explora ninguém, e é amiga de todos os romeiros. Encarregado geral: Benjamim Abrahão, Escrivão do Padre Cícero, Joazeiro-Ceará.” Deu para entender aí, ou querem que eu explique? Interessante que na lateral do boletim está a expressão: Para evitar disgosto, a casa não acceita pessoas com moléstias contagiosas. 

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA (I)
De vez em quando nos aparece uma fotografia nova do Padre Cícero. Ou sozinho, ou em grupo. É o caso desta que me chegou através de uma cópia muito precária. Nela, sem data, mas pela fisionomia do Padre e as vestimentas dos figurantes, pode-se dizer que ela deve ser dos primeiros anos do século 20. Talvez da década de 10. Nela, só identificamos dona Joana Tertulina de Jesus, a beata Mocinha. Se algum leitor souber quem é o casal, seus três filhos e a babá, agradecemos por uma notícia. Pode ser que seja alguma família em visita a Juazeiro, e não uma família aí residente.     

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA (II)
A primeira oportunidade que tive para conversar com Rachel de Queiroz foi no ano de 1970, quando participei de uma equipe que celebrou, no Seminário da Prainha, o centenário de ordenação sacerdotal do Padre Cícero Romão Baptista. O Mons. Azarias Sobreira me pedira que eu a atualizasse acerca das pesquisas que se faziam sobre novos documentos sobre diversas questões ligadas à vida do Patriarca de Juazeiro. E foi só, uma tarde na Sala de História Eclesiástica da Prainha.  Depois, só uns trinta anos mais tarde me foi possível reencontrá-la durante um evento cultural em Fortaleza, ligado à realização do Cine Ceará, quando ela foi homenageada. E não é que ela se lembrava disto... Foram uns poucos minutos, deliciosos, com aquela mulher extraordinária que eu tanto admirava. Não pense o leitor que o copão de cerveja à frente era meu. A Rachelzinha tomou depressa este aí e eu chamei o garçom para servir um outro. E ela aceitou de bom grado.   

sexta-feira, 29 de março de 2013

Revista Melhores

REVISTA MELHORES Encontra-se na internet (http://revistamelhores.com/) esta Revista Melhores, editada apenas eletronicamente, por uma equipe constituída por: Diretora Geral: Vanda Carneiro; Diretor Executivo, Projeto Gráfico e Jornalista Responsável: Dante Moreira; Diretor de Marketing Institucional: Igor Moreira. Sua proposta é a de veicular matérias sobre o desenvolvimento sócio-político-econômico e cultural do norte-nordeste brasileiro. Sua periodicidade é bimestral. Nos dois primeiros números disponíveis para leitura, a Revista foca em personalidades do nosso desenvolvimento, destacando especialmente o setor produtivo, cuja performance mais recente tem trazido grande animação a toda a cidade. Os dois números teriam sido veiculados no ano passado, mas em nenhum momento há uma data registrada para cada uma das duas edições. 

ESTATISTICAS Nas recentes celebrações de nascimento do Pe. Cícero, li pela imprensa a menção de que Juazeiro do Norte deve estar recebendo cerca de 2,5 milhões de visitantes por ano. Este número é uma estimativa quase sempre feita por uma amostragem que não se sabe que base técnica ou científica tem. Mas é o tal negócio: na hipótese de que seja falsa, de tanto repetir, virou verdade e o que era, há pouco, uns 2 milhões, agora se acresce mais uns 25%. E como por estes dias também foi divulgado uma listagem de destinos turísticos mais visitados no mundo, aproveito para por um pouco de discussão neste nosso dado. Vejam, na tabela abaixo, com dados que estão disponíveis na internet, os números de visitantes/ano em cinqüenta cidades, em todo o mundo. A prevalecer a nossa “verdade”, Juazeiro do Norte estaria num 33ª posição, acima de reconhecidos deste ranking. Faltam-me elementos concretos para avaliar e certificar esta nossa inserção neste hall. A maior suspeita é que isto é mentira. Ou, se alguém achar melhor, digamos, uma meia verdade. Veja o caso de Paris. As autoridades francesas divulgaram que a cidade recebeu em 2012 cerca de 15 milhões de turistas. Isto é bem mais que a tabela abaixo registra. 

CINE ROULIEN O que os nossos pais assistiam antigamente? Estamos procurando relembrar alguns dos cartazes da programação ordinária dos cines Roulien (Rua São Pedro, 389) e Eldorado (Rua Santa Luzia, 429) durante o ano de 1949. Nesta época, ambos exibiam em sessões noturnas únicas, às 19:30h. Vamos relembrar o que estava no Roulien, no dia 26.01.1949: Uma Vida Roubada. Na ilustração, um cartaz de divulgação encontrável na internet. A ficha técnica da película é: Título original: A stolen life; Estados Unidos,1946; Direção: Curtis Bernhardt; Elenco: Bette Davis, Glenn Ford, Dane Clark, Walter Brennan, Charles Ruggles, Bruce Bennett e Peggy Knudsen; Sinopse: Drama no qual duas irmãs gêmeas, uma virtuosa e outra mentirosa, estão apaixonadas pelo mesmo homem. Vários acontecimentos levam a um acidente que muda o destino de todos. 
CINE ELDORADO O Eldorado exibia no dia 27.01.1949: Noite de Surpresas. A ficha técnica, sumariamente, era: Título original: Boston Blackie's Rendezvous; Estados Unidos, 1945; Direção: Arthur Dreifuss; Elenco: Chester Morris, Frank Sully, George E. Stone, Richard Lane, Steve Cochran, Nina Foch e Iris Adrian; Sinopse: Boston Blackie, um ex-ladrão de joias que torna-se detetive amador, ajuda um refém de um maníaco a fugir. Interessante observar que nesta semana, no dia 29, um sábado, o Eldorado iniciava a exibição de um seriado, cujo título era Bandidos das Selvas, que foi mostrado, em 15 capítulos, ao final da exibição do filme principal, com o neste caso, com A Diligência de Sonora (Sonora Stagecoach), produção americana de 1944, dirigida por Robert Emmett Tansey, que tinha no seu elenco, Hoot Gibson; Bob Steele; Chief Thundercloud; Gene Alsace; Betty Miles; Glenn Strange; George Eldredge, e cuja sinopse era: Rocky Cameron (Hoot Gibson) é acusado de um crime que não cometeu e pede ajuda ao Trail Brazers (Bob Steele) para provar sua inocência. Aliás, para saudosistas militantes, este seriado, em DVD, poderá ser encontrado em lojas especializadas, consultando pela internet. 

Azarias e Floro
AZARIAS Um dos juazeirense mais ilustrados que conheci foi o Mons. Azarias Sobreira Lobo (*Juazeiro: 24.01.1894; +Fortaleza: 14.06.1974, ordenado sacerdote em Cristo, em 22.04.1917). Vez por outra me lembro que seria desejável que alguém tomasse para si escrever-lhe um belo perfil biográfico, pois sua vida foi exemplar no ministério que assumiu. Agora sei, e com isto fico muito contente, que Geová Magalhães Sobreira está produzindo este texto para uma publicação próxima. Trata-se de um resgate histórico sobre um pioneiro dentre alguns que tem tratado da necessária revisão histórico-eclesial do Patriarca de Juazeiro. Aliás, esta sua obra prima, encerra um dos títulos mais adequados a padrinho de todos os sertões nordestinos. 
FLORO Voltou-se a falar de Floro Bartholomeu da Costa por ocasião da celebração dos 169 anos de nascimento do Pe. Cícero Romão Baptista. E no meu sentimento, com dois equívocos. Primeiro: No começo dos anos 70 eu visitei seu túmulo no Cemitério São João Batista, na Rua Real Grandeza, em Botafogo, Rio de Janeiro. Seus restos mortais continuam lá, e não em Salvador. Segundo: é um grande erro trazer o que restou deste pobre homem para junto do túmulo do Pe. Cícero. Até lembro a reação de Amália Xavier de Oliveira, ao tempo em que, no governo de Orlando Bezerra, se falou nesta hipótese, pela primeira vez. Quando lhe comuniquei que isto estava em gestação, ela prontamente se levantou da rede, fez-se um silêncio constrangedor e, finalmente me disse: É ele entrando por aquela estrada e eu saindo pelo Logradouro. Realmente, não era para menos, pois a perseguição que sofreu a família Xavier de Oliveira, especialmente o filho Toinho (Dr. Antonio Xavier de Oliveira) foi algo que começou pela publicação do livro Beatos e Cangaceiros e só foi terminar quando o doutor-coronel-deputado morreu no Rio de Janeiro, precocemente. 
UFCA No cronograma de apreciação do Projeto (PL 2208/2011) de criação da Universidade Federal do Cariri, em Juazeiro do Norte, já foi encerrado no dia 21, pp, o período de apresentação de emendas a serem submetidas à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Nenhuma emenda foi apresentada, e agora começou a transcorrer o prazo para que o relator, dep. José Nobre Guimarães (PT-CE) apresente o seu Parecer. Isto, certamente é tarefa de rápida execução, uma vez que o referido deputado, em outra comissão, já deu seu parecer favorável ao mesmo projeto. Aguardemos para os próximos dias novas noticias atualizadas através de: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=518566. Em breve conversa com o prof. Jesualdo Pereira Farias, inteiramente informado deste andamento, ele me assegurou que no mais tardar em agosto próximo será sancionada a lei de criação da Universidade Federal do Cariri. E aqui fica uma sugestão que faço ao magnífico reitor, aquele que será encarregado de fazer a transição UFC – UFCA: No dia 04.03.2014 (uma terça feira) alguns poderão lembrar que neste dia, há 100 anos, determinou-se pelo estabelecimento do Estado de Sítio no Ceará, o final da famigerada Sedição de Joazeiro. Não antes der ser perpetrada a violência dos ataques e tomadas de Crato, Barbalha e Missão Velha. Se esta data, apesar dos pesares, histórica, não puder ser apagada de nossas memórias, que em seu lugar surja uma nova celebração para este Cariri, hoje progressista e aparentemente pacificado, com a instalação, neste dia, de nossa Universidade, coincidindo, provavelmente, com a abertura do seu primeiro ano letivo, de uma longa história, que muitos de nós não assistiremos. Fica a sugestão. 

MUSEUS Como bem já nos advertiu o Mons. Murilo de Sá Barreto (“Juazeiro é uma terra de pouca Geografia e muita História”), nossa cidade é uma comunidade que ao se estabelecer e a exibir este primeiro século de cidadania, até merece um acréscimo na sua rede de museus. É preciso referir a datas, fatos e personagens que constituíram esta trajetória, antes que nos esqueçamos, ou que algum novo m modismo nos faça de memória curta. Por isto mesmo, louco a iniciativa do jornalista Demontier Tenório ao inserir na Revista Costumes (Mercadinhos São Luiz) uma pequena, mas expressiva menção sobre os museus da terrinha que estão se ocupando de revisar a trajetória do personagem mais ilustre. Seria só? Claro que não. Admitimos que Juazeiro do Norte tem razões de sobra para ter outros espaços para sua memória, como para romarias, imprensa, cidade, industria, folclore, etc. Até me preocupa o destino que poderão ter alguns dos imóveis velhos da cidade, em mãos de quem, nem sabemos, como o conjunto da Rua São José onde funcionou o velho Abrigo da SAM, o velho prédio que seria destinado à Diocese de Juazeiro e o sobrado de Agostinho Balmes Odísio. O que vai ser disso, entregues à sua própria sorte, sem conservação? 

SEU LUNGA A jornalista Adriana Negreiros, esposa do escritor Lira Neto, colocou no ar a sua página na internet (www.adriananegreiros.com) com diversas entrevistas que realizou enquanto participava das equipes de Veja, Cláudia e Playboy. Uma desta matérias saiu pela Playboy e até já comentamos nesta página, enfocava Seu Lunga. Ela veio ao Ceará, foi conhecer Seu Lunga em Juazeiro do Norte e produziu deliciosa matéria que pode ser lida em sua página, bem como de outras importantes e ótimas matérias e entrevistas. Boa leitura. 

LIVRO Desde o ano passado está pronto um dos mais novos livros do prof. Gilmar de Carvalho, e que trata de tirar do ineditismo nove folhetos de cordel de autoria do poeta Expedido Sebastião da Silva. Me diz o Gilmar, ao me presentear com um exemplar, que qualquer dia destes será lançado. Expedito foi um dos mais importantes colaboradores de José Bernardo da Silva, a partir de 1948, tendo ali ficado até o encerramento melancólico da velha Lira Nordestina. Os direitos de publicação destes nove folhetos foram adquiridos por Abraão Batista que o cedeu a Gilmar para o fim específico desta publicação (A Lira do poeta Expedito. Fortaleza: Expressão Gráfica, 176p, ilus.). O livro trás também um estudo introdutório sobre a obra de Expedito, além de entrevistas transcritas com o poeta. E bem ilustrado por João Pedro do Juazeiro, com xilogravuras. Um obra que deve ser celebrada, Sem dúvida, uma celebração à altura da memória de Expedito, que há pouco mais de 15 anos nos deixou. 

SEMANA SANTA NO HORTO O governo municipal baixou um Decreto (nº 15, de 27.03.2013, publicado no DOM da mesma data) através do qual se diz que: CONSIDERANDO as festividades alusivas à Semana Santa que ocorre na colina do Horto, onde os fiéis fazem suas visitas de fé e orações, e que à administração municipal compete controlar o uso e coibir abuso por parte de pessoas que visitam a Estátua do Padre com o fito de consumir bebidas alcoólicas e promover algazarras durante as festividades; Fica(m) proibido(s) a venda, distribuição, transporte e consumo em público de bebidas alcoólicas na Colina do Horto do Padre Cícero e adjacências; e que a proibição compreende o dia 28 (vinte e oito) quinta-feira santa até as 12:00 horas do dia 30 (trinta) de março de 2013, sábado de aleluia; e que as Secretarias Municipais de Turismo e Romaria e de Segurança Pública exercerão a fiscalização necessária ao cumprimento deste Decreto, podendo inclusive solicitar o auxílio da força policial. Comentários: A PMJN deveria, há mais tempo, ter estabelecido isto como Lei Municipal, propondo à CMJN, para evitar a reedição deste instrumento que é tão autoritário. Outra coisa é a natural delimitação da área em proibição. A menção de Colina do Horto não está clara, pois bem que poderia envolver, desde o início da Rua do Horto, até à entrada do espaço privado da Congregação Salesiana. Pois, como sabemos, embora com função social e pública, o Horto que freqüentamos, com todas as suas instalações, casarão, museu, etc, tem dono. Isto, no mínimo, merece uma discussão para esclarecer as pessoas onde pisam, e todos conheçam muito bem os limites entre o público e o privado. Afinal, até onde vai a competência do poder público em legislar sobre o assunto? 

ESTRADA Num velho mapa rodoviário do Estado do Ceará, de 1936, encontro a projeção de construção da estrada Joazeiro – Missão Velha. Ô estrada difícil de sair. Há bem pouco tempo alguns segmentos das sociedades destas duas cidades se mobilizaram e publicamente procuraram sensibilizar as autoridades para a sua necessária construção. Missão Velha, neste caso, não deve ser observada apenas como um atalho a um melhor acesso à rodovia federal que corta o Cariri. Temos que enxergá-lo, igualmente, diante do que está posto como ponto importante da futura ligação ferroviária, transnordestina. Outra coisa importante, é que a ligação se faz pela extremidade municipal a partir do aeroporto, algo que interessa muito para uma maior disponibilidade de toda esta região onde se situam municípios como Barro, Milagres, Aurora, Brejo Santo, apenas para referir os mais importantes. O descanso já foi satisfatório, precisamos voltar à trincheira, insistindo com nossas lideranças para que Juazeiro do Norte – Missão Velha saia do papel, deste velho papel só encontrado em arquivo, e olhe lá. 

DAVI BORGES O leitor me pede indicação de onde adquirir os livros que andei mencionando em colunas anteriores. Sempre tive estas preocupação de fazer um registro sobre textos de nosso interesse. Procurei recuperar no arquivo e constatei que a maior parte destas referências são da minha coleção pessoal que venho construindo há pelo menos uns 50 anos. A maioria pode ser encontrado pacientemente em sebos pelo Brasil. Em Juazeiro do Norte, mesmo, é possível encontrar alguns, mas em geral são edições já esgotadas e há raridades que não é possível encontrar. Lembro até o caso de um destes livros, de Xavier de Oliveira, que demorai perto de uns 30 anos para conseguí-lo. De modo que eu recomendo que através da internet vasculhe, desde o site mais reconhecido (www.estantevirtual.com.br) e outros, pois o mercado livreiro de antiquário é bastante dinâmico e há um sem número de pequenas, médias e grandes empresas disponibilizando seus acervos. 
MEMÓRIA FOTOGRÁFICA Em novembro de 1922, uma comissão de estudos do Nordeste, esteve em Joazeiro, como parte do longo itinerário que foi percorrido por um grupo de vinte pessoas, ocupando seis automóveis, dentre políticos e técnicos, e membros de suas famílias. Pe. Cícero os recebeu em sua casa e ofereceu um banquete. No livro que publicaria no ano seguinte, com o texto de uma conferência sobre esta comissão, Paulo de Moraes Barros fez pesadas críticas ao Pe. Cícero. Esta fato mereceu prontamente a repulsa do deputado Floro Bartholomeu da Costa que respondeu em longo discurso na Câmara Federal. Na foto 1, aspecto da comissão, numa parada pela estrada; Na foto 2, em frente à casa do Pe. Cícero na Rua Grande (atual Pe. Cícero), da esquerda para a direita, estão: Paulo de Moraes Barros, Pe. Cícero, Marechal Rondon e Ildefonso Simões Lopes; Nas fotos 3 e 4, aspecto do trânsito de automóveis pelas estradas, com membros da comissão sendo transportados por dois dos seis veículos. Algumas breves informações sobre estes visitantes: Paulo de Moraes Barros (*Piracicaba, 16.06.1866 — +São Paulo, 15.12.1940) foi médico sanitarista e político. Durante a República Velha foi encarregado da Secretaria dos Negócios da Agricultura, Obras públicas e Comércio do Estado de São Paulo. Exerceu por cerca de vinte anos a presidência da câmara municipal, tendo sido deputado federal e senador. Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon (*Santo Antônio do Leverger, 05.05.1865 — +Rio de Janeiro, 19.01.1958), foi militar e sertanista. Sua biografia é muito rica. Dentre outras funções, de 1919 a 1924, foi diretor de Engenharia do Exército. Foi nesta condição que, participando da Comissão, esteve em Joazeiro. Ildefonso Simões Lopes (*Pelotas, 19.11.1866 — +Rio de Janeiro, 04.12.1943) foi deputado estadual pelo Partido Republicano Rio-Grandense (1897-1904). Como deputado federal (1906-1908; 1913-1919; 1922-1930) participou das comissões de Viação, Agricultura, Fazenda, Especiais e Orçamento, da qual foi relator. Foi Ministro da Agricultura, Indústria e Comércio (1919-1922). 

FELIZ PÁSCOA Deixo convosco, leitores meus muito diletos, uma mensagem pela Paz entre os povos, na convicção de que a Fé no Ressuscitado é a nossa maior Esperança. Felicidades a todos.

domingo, 24 de março de 2013



AEROPORTO
A Infraero voltou a atualizar as suas estatísticas, divulgando para o público, por meio da sua página na internet, os números de Fevereiro, que como sabemos, acumula com os do mês anterior, para indicar os desempenhos de cada um dos 63 aeroportos sob sua jurisdição, no tocante a pousos e decolagens, movimentação de passageiros e cargas.  Na coluna passada demos a posição de Janeiro e hoje vamos continuar analisando a performance do Aeroporto de Juazeiro do Norte, frente aos demais. Como novidades, já anunciada, a Gol deixou de operar Fortaleza-Juazeiro do Norte direto no dia 27.02. E a Passaredo suspendeu suas operações em 02.03. Estes dois fatos, como já comentados, já dariam impacto sobre os números de março. Contudo, já agora em fevereiro, por algumas circunstâncias, o nosso aeroporto deu uma despencada, não muito expressiva, mas não foi capaz de segurar o que foi em janeiro. Hoje são 12 operações (pousos e decolagens) diárias (Avianca 06124/06125; 06376/0,6377 e 06378/06379; Azul 0477/0478; Gol 01630/01645), de acordo com o painel de informações da Infraero. Isto quer dizer que, computando a oferta de lugares nestes vôos, até 1.440 passageiros, aprox., podem transitar pelo nosso aeroporto, diariamente. Em fevereiro tivemos apenas 25.645, contra 40.632 em janeiro. Assim, aquele que era o melhor desempenho do Regional, frente aos congêneres domésticos do interior do Norte-Nordeste, passou da 2ª posição, logo abaixo de Ilhéus, para voltar à 3ª. colocação, abaixo de Ilhéus e Petrolina. Tempos melhores virão. 


CINE ROULIEN (I)
O que os nossos pais assistiam antigamente? Vamos procurar mostrar diversas produções do cinema que estavam em cartaz tanto no Cine Roulien (Rua São Pedro, 389), quanto no Cine Eldorado (Rua Santa Luzia, 429) durante o ano de 1949. E começamos com este O Exilado, que segundo o Correio de Juazeiro estava sendo exibido naquele dia 16.01.1949, no Roulien, em sessão única às 19:30h. Na ilustração, a publicidade no jornal e um cartaz de divulgação encontrável na internet. A ficha técnica da película é: Título original: The exile; Estados Unidos,1947; Direção: Max Ophuls; Elenco: Douglas Fairbanks Jr., Maria Montez, Rita Corday, Henry Daniell, Nigel Bruce, Robert Coote, Otto Waldis, Eldon Gorst, Milton Owen, Colin Keith-Johnston, Ben Wright, Colin Kenny, Peter Shaw, Will Stanton, Ramsay Hill; Sinopse: Charles II, o rei da Inglaterra, se encontra em exílio na Holanda, onde ele se apaixona por uma bela menina da fazenda. Para assistir um pequeno trecho do filme acesse: http://saladeexibicao.blogspot.com.br/2013/01/o-exilado.html

CINE ELDORADO (I)
O segundo filme que estamos selecionando, Tarzan e a caçadora, esteve em cartaz tanto no Roulien (23.01.1949), como no Eldorado (25.01.1949). Título original: Tarzan and the Huntress; EUA, 1947; Direção: Kurt Neumann; Elenco: Johnny Weissmuller, Brenda Joyce, Johnny Sheffield, Patricia Morison, Barton MacLane, John Warburton, Charles Trowbridge, Ted Hecht, Wallace Scott; Sinopse: Para povoar novamente um zoológico após a 2ª. Grande Guerra, uma grande expedição de caçadores, consegue a permissão de um rei nativo para capturar um macho e uma fêmea de cada espécie de animal em uma área perto do rio sob a proteção de Tarzan. Tarzan, é claro, não vai deixar que capturem nada em seu lado do rio. Entretanto, o ganancioso sobrinho do rei faz um acordo com o chefe da expedição. Ele permite que os caçadores capturem todos animais que desejarem e, em troca, recebe uma grande soma em dinheiro. Esse acordo também inclui um tiro "acidental" que irá matar seu tio para que ele se torne o novo rei. Todo o plano parecia estar indo muito bem, até que Tarzan descobre que os caçadores estão capturando mais animais do que deviam e chama todos eles para seu lado do rio. Os caçadores ignoram os avisos e Tarzan e cruzam o rio atrás dos animais. Um grande confronto entre Tarzan e os caçadores tem início. Uma luta na qual Tarzan deverá empregar toda sua força para evitar que os animais sejam capturados e levados para fora da selva.

CASARÃO DO HORTO
Ainda não vi o resultado da nova pintura do casarão do Horto, como foi anunciado, para os dias 18 a 22pp. Soube apenas que um grande produtor de tintas ofereceu o serviço que, imagino, não deva ter custado aos Salesianos mais que um sincero agradecimento. Também a estátua do Pe. Cícero recebeu retoques. O informe diz que teriam gasto cerca de 180 litros de tintas das cores Azul Cabo Frio e Branco, produtos à base de resina acrílica ideal para superfícies com umidade excessiva e altamente suscetíveis à contaminação por fungos. Os técnicos da Sherwin-Williams  informaram que “Escolhemos este produto porque seus pigmentos resistem por um maior período de tempo sem desbotar”. Interessante que os pintores foram recrutados e capacitados pela indústria, dentre os moradores do Horto. Não obstante a generosidade do patrocinador, não se questionou em nada o retorno necessário ao antigo padrão do casarão. Seria desejável. Pessoalmente, confesso a minha total intolerância ao padrão adotado, desta tal cor azul cabo. Isto não tem nada a ver com o que era o velho casarão quando os Salesianos o receberam de presente.
    
MARIA DE ARAÚJO
O vereador Gledson Bezerra (PTB) deve ter apresentado o seguinte requerimento na Câmara de Veradores, ao tempo em que se colocou à disposição para mais sugestões. “REQUERIMENTO: Considerando que neste ano de 2013 estaremos comemorando o sesquicentenário de nascimento de Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo, a Beata Maria de Araújo; Considerando que a Beata Maria de Araújo é, indubitavelmente, uma das personalidades mais importantes da história do nosso município; Requeiro: 1 - Que seja enviado ofício à Secretaria de Cultura e Romaria, solicitando que promova eventos que enalteçam a data histórica, tais como realização de seminários e/ou simpósios, realização de concurso literário, bem como a construção de um busto em sua homenagem, a ser fixado no roteiro turístico deste município; 2 - Que seja enviado ofício à Secretaria de Educação, a fim de que sejam realizadas atividades junto aos alunos das escolas públicas, culminando com uma vasta programação artística, histórica e literária na semana do sesquicentenário; 3 – Que a Câmara Municipal promova uma sessão solene com participação de estudiosos e com a entrega de medalhas condecorativas às personalidades que se destacaram no estudo e divulgação da história dessa grande juazeirense; 4 – Que sejam enviados ofícios ao líder da bancada cearense no Congresso Nacional, para que intervenha junto ao Ministério das Comunicações, bem como ao diretor da Agência Nacional de Correios e Telégrafos, solicitando que seja criado um selo comemorativo, ação que, além de reconhecer a importância da homenageada, ajudaria na divulgação da nossa cidade pelo País.”

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA (I)
Sobre Maria de Araújo, há ainda uma iconografia incerta. Duas imagens fotográficas aparecem em velhas publicações de livros e jornais. A primeira ( a partir da esquerda) aí apresentada parece ser a mais aceita. Contudo, na obra Mistérios do Joaseiro, de Manoel Pereira Dinis, de 1935, a segunda é mostrada como o retrato fiel da beata. Dr. Dinis era um homem muito criterioso, privou intimamente com o Pe. Cícero e deve ter mostrado a ele os originais de seu livro. Mas as duas são muito distintas. E nos perguntamos, qual seria a verdadeira? Pesa também na escolha da primeira o depoimento insuspeito de quem realmente a conheceu, como é o caso dos pais de Maria Assunção Gonçalves (por depoimento da própria), pois eram vizinhos na Rua Pe. Cícero. O fato é que qualquer trabalho mais recente, procurando reproduzir sua imagem, prefere utilizar a primeira foto, como se sobre ela não mais existisse nenhuma dúvida. Esta imagem tem ensejado uma série de recriações por parte de diversos artistas, tanto em aquarelas, como em óleo sobre tela e até mesmo em bico de pena.      

UFCA
Também, em coluna anterior, fizemos notificação sobre a escolha do relator na última comissão (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania - CCJC) que analisará o Projeto 2208/2011, que cria a Universidade Federal do Cariri. Ali, de acordo com informação oficial da (CCJC), na página da Câmara Federal, o relator anteriormente escolhido, no dia 06.03.2013, Dep. Eduardo Sciarra (PSD-PR), foi substituído no dia 13.03, pp., pelo Dep. José Nobre Guimarães (PT-CE). Aliás, o referido Dep. Guimarães, como então membro da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) e relator naquela Comissão, já tinha dado parecer favorável, em 31.10.2012, tendo sido aprovado por unanimidade. Esperamos que agora, nesta nova comissão, ele reafirme o seu parecer. 

COMENDA DÁRIO MAIA COIMBRA 
O Diário Oficial do Município de Juazeiro do Norte republicou o ato de criação da Comenda Dário Maia Coimbra, por conter imprecisões. Por isto mesmo, estamos também aqui republicando parcialmente o que saiu no Portal, pois além do equívoco identificado pela municipalidade, gostaríamos também de corrigir o nome de seu filho (Daíro, e não Dário) que foi por nós publicado e que nas duas publicações do Diário Oficial, também continua errado. Nossas desculpas. A expressão corrigida é: O patrono desta comenda é o cidadão DÁRIO MAIA COIMBRA, nascido em 12 de abril de 1932, e falecido em 22 de julho de 2001, aos 69 anos, filho de tradicional família Coimbra, sendo seus genitores Raimundo Fernandes Coimbra e dona Vicentina Fernandes Maia, de saudosa memória; Ele casou-se em 29 de junho de 1962, com a Sra. Cícera Silva Coimbra, (ex-vereadora de Juazeiro do Norte), com quem teve os filhos DAÍRO, casado com dona Vanúsia Tavares Coimbra e POLYANA, vereadora em Barbalha, casada com o Sr. Jorge Alberto Macedo Cruz; etc, etc. A comenda foi entregue ontem, em sessão acontecida no Memorial Padre Cícero, aos seguintes agraciados: Paulo Ernesto, da TV Verdes Mares Cariri; Elizangela Santos, do Diário do Nordeste; Murilo Siqueira, da Rádio Padre Cícero; Delton Sá, da Rádio Vale FM; Francisco Fabiano, da Rádio Tempo FM e Francisco Silva (Foguinho). Assim, foram agraciados grandes e merecidos nomes que fazem a imprensa local.

SEMANÁRIO LITÚRGICO
Em coluna anterior, referindo-me a novos jornais e edições, louvei a iniciativa da Basílica em substituir O Domingo pelo seu Semanário Litúrgico. Já estou com a terceira edição (17.03) e vejo que gradativamente os editores estão tratando de melhorar sua edição. Por exemplo, só a partir da segunda é que se identifica toda a equipe envolvida com a sua editoração. Mas, estou sabendo que há uma rejeição da parte dos fiéis pelo fato do jornal não inserir os textos da liturgia. Lamento também isto, bem como o que já referi, que não haja a indicação de leituras para os próximos 6 dias. Entendo as razões que levaram o Pe. Aureliano (Editor/Redator) a se justificar com base na falta de concentração pelo fiel na hora da leitura, procurando ele mesmo ler o texto. Mas, o texto, a meu sentimento, é fundamental. Deve figurar. Por questão de espaço, imagino, a diagramação poderia encontrar alguma solução fazendo a inserção dos textos com uma fonte que permita. Vejo que aos poucos surgem adesões para a sustentabilidade de sua tiragem, com patrocínios. Sugiro, também, que o seu título – Semanário Litúrgico, tenha maior destaque, para bem caracterizar o periódico, o que de fato ele é. Naturalmente, deverá prevalecer suas edições para a liturgia dominical, mas acredito que ele venha a circular em outras festas da igreja. Isso seria muito bom.   

LIVRO
Foi lançado no Museu do Ceará, no dia 21 pp, aqui em Fortaleza, o livro de poesias de Geová Sobreira, Canto Insone. Na programação, um recital de Daniel Sobreira, filho do autor, que interpretou ao violão algumas das mais bonitas canções de Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Chico Buarque, Edu Lobo, Braguinha, Vinicius de Moraes, Antonio Carlos Jobim e Elomar Filgueira Melo. Usaram da palavra o ex-reitor da UFC, prof. Paulo Elpídio de Menezes Neto, o editor da obra, prof. Sebastião Moreira Duarte e o autor. Ao final, em meio a sessão de autógrafos, foi servido um coquetel no congraçamento de tantos convidados, dentre os quais podemos citar: o Secretário de Cultura do Estado do Ceará, prof. Francisco Pinheiro, o prof. Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, o ex-governador Lúcio Gonçalo de Alcântara, o prof. Gilmar de Carvalho, o editor Raymundo Neto, o desembargador Durval Aires de Menezes Filho, o prof. Agamenon Bezerra, o jornalista Aldemir Sobreira, e o xilógrafo João Pedro de Carvalho Neto. Foi uma festa perfeita sob a coordenação da Diretora do Museu, Cristina Holanda.


MEMÓRIA FOTOGRÁFICA (II)
Quem não lembra da família de Severino Alves Sobrinho? Empresário de grande sucesso no comércio de Juazeiro do Norte, ele era estabelecido com a sua grande empresa, A Vencedora, no ramo de miudezas, na Rua São Pedro, 524. A organização não mais existe, mas o então e imponente edifício construído pelo empresário ainda está lá, sendo ocupado por uma loja de eletrodomésticos. A família residia na Rua Pe. Cícero, 558, também numa casa cuja arquitetura a fazia um grande destaque. Mas, foi demolida e em seu lugar hoje existe um estacionamento para veículos, lamentavelmente. Na foto, de quase toda a família (estariam faltando duas filhas) vemos, da esquerda para a direita (De pé): Severino Alves Sobrinho, e os filhos Mário, José Maria e Marcondes. (Sentados): Marlene, Silvio (criança), Dona Marieta, Sávio (criança) e Marilê.


A MARCA PADRE CÍCERO
Resgato no arquivo da Universidade da Flórida (http://ufdc.ufl.edu/rdc) a cópia de interessante carta emitida de Recife, em 26 de abril de 1926, destinada ao Pe. Cícero Romão Baptista, assinada pelo tesoureiro da Companhia Agro Fabril Mercantil. Illmo. e Revmo. Padre Cícero, mui digno prelado de Joazeiro. Permita-nos a liberdade de vir a presença de V. Revma. Pedir sua valiosa atenção no que abaixo descrevemos. A nossa Companhia tendo em vista de criar diversas marcas de linhas de coser, procurou reunir os Diretores para tratar deste assunto. Das diversas marcas aventadas, destacamos a marca “Padre Cícero”, tendo um padre fotografado num dos topos do carretel, que julgamos não haver inconveniente algum, pois existe(sic) outras de procedência diferente, marca “Bispo”, etc. A marca projetada, é destinada ao consumo de zona sertaneja, e, assim sendo, pedimos a permissão de V. Revma. para usarmos da referida marca. Uma vez obtendo a permissão de V. Revma., impetramos sua valiosa recomendação aos seus obedientes servos de usarem-na. Enquanto não entramos em fabricação, enviamos a V. Revma., duas grosas de nossa marca “Estrella”, para V. Revma. distribuí-las, provando aos seus consumidores a superioridade desta marca, que será igual a marca projetada “Padre Cícero”. Outro sim: lembramos que, se porventura houver qualquer falta da nova marca, poderão os consumidores fazer uso da marca “ESTRELLA”, até ser a zona sertaneja suprida da nova marca em apreço. É oportuno lembrar a V. Revma., as amistosas relações sempre cultivadas entre V. Revma. E o nosso saudoso Chefe, Coronel Delmiro Gouveia, o criador de nossa indústria e fundador do Empório Fabril da Pedra, Alagoas, instalações hidroelétricas da Cachoeira de Paulo Afonso, etc., cujos herdeiros são hoje os dirigentes da nossa Companhia. Invocando, pois essas relações, apelamos para a reconhecida bondade de V. Revma., confiantes de que será amparada a nossa idéia, da qual claramente se traduz uma sincera homenagem ao patriótico vulto de V. Revma., de quem somos fervorosos admiradores. Nesta expectativa permanecemos, esperançosos de sermos contemplados com sua bondosa resposta, e, renovando os nossos protestos de alta estima e distinta consideração, nos firmamos, Attos. Servos & Admrs. Obgmos. Cia. Agro Fabril Mercantil, (ilegível) Baptista – Diretor Tesoureiro.  
Para se entender este momento que vivia a Companhia, é necessário revisar a sua história, pois esta correspondência ao Pe. Cícero se situa em meio a uma estratégia de tentativa de sua sobrevivência, já nas mãos de herdeiros de Delmiro Gouveia (assassinado misteriosamente em 1917), frente a pressão de mercado desenvolvida pelo grupo inglês Machine Cottons, cujos produtos de linhas para coser  exerciam um concorrência imensa aos produtos assemelhados e altamente competitivos da fábrica da Pedra. Por isto, sugiro a leitura da matéria do Diário de Pernambuco que está no link:
http://memo-delmirogouveia.blogspot.com.br/2008/12/o-desafio-de-delmiro.html
Sobre a carta, em si, observo duas coisas: 1. A ingenuidade do diretor ao fazer a proposta ao Pe. Cícero, sem nenhuma contrapartida pelo uso da marca; 2. Procurei encontrar uma resposta do Pe. Cícero a esta proposta, mas não localizei. Pode ser que tenha existido, embora desconheçamos, por esta época, algum produto assemelhado, com marca Padre Cícero. Pelos tempos, não resta dúvida, o nome Padre Cícero passou a conferir grande credibilidade a produtos comerciais. Alguns destes vemos com muita insistência (pomada, vinho, lojas comerciais, empreendimentos diversos, etc). Sem entrarmos no mérito desta propriedade, até lembraríamos a iniciativa da Ordem Salesiana, mais recentemente, em promover o registro de uma patente sobre o nome Padre Cícero, embora sem sucess