sábado, 16 de dezembro de 2017














BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO!
(XXV) Oh... Ópera! (8ª. Parte)
Por Renato Casimiro
Contrariando o que havia dito o colunista Catão, de Luta Democrática (RJ), Dona Mag realmente respondeu a Lourival Marques, usando seu espaço, na sua coluna no Diário de Notícias, edição de 04.12.1958. Ao que parece, não reclamou o direito de resposta, junto ao Diário Carioca, procurando minimizar a repercussão, assim me pareceu. Eis aqui seus comentários, sem qualquer novidade sobre sua argumentação, já manifestada em diversas colunas anteriores e objeto das respostas de Lourival Marques. Transcrevo-as. “A ENTREVISTA – Não me surpreenderam os termos da entrevista concedida a um matutino pelo Sr. Lourival Marques a propósito dos comentários desta cronista ao seu programa “Oh... Ópera!”, transmitido pela Rádio Nacional. Transparece na citada entrevista o mesmo estilo boçal da produção radiofônica e, sob outro aspecto, pode ser visto na diatribe um repugnante retrato moral do Sr. Lourival Marques. Não possuindo cultura suficiente para produzir um programa operístico, nem mesmo sob a forma de sátira musical, seria mesmo de esperar-se que o Sr. Lourival Marques só soubesse debater o assunto fora do terreno da erudição, servindo-se das armas torpes da calunia, que são as armas da covardia e da ignorância. Qualquer pessoa sensata, lendo a entrevista, chegará a essa conclusão. O cronista Catão da “Luta Democrática”, analisando a entrevista do Sr. Lourival Marques, escreveu ontem no seu jornal: “O produtor da Rádio Nacional, inconformado com as críticas dirigidas ao seu programa, apelou para a ignorância e respondeu aos comentários de Mag com acusações que envergonham a qualquer homem decente”. E acrescentou: “Toda a crítica especializada sofreu com a afronta recebida pela colega, e, nesta oportunidade, estou inteiramente ao lado de Mag”. Assim, o sr. Lourival Marques ficará sozinho a remoer este triste incidente que restará, apenas, como mancha negra na sua inexpressiva carreira radiofônica. O PROGRAMA – Como é do conhecimento dos leitores, a Rádio Nacional lançou recentemente o programa intitulado “Oh... Ópera!”, produção do Sr. Lourival Marques. Possui o programa valorosos recursos artísticos como um grupo de bons cantores populares. Ótima orquestra, excelentes orquestradores e maestros. Com tais elementos, poderia o Sr. Lourival Marques apresentar um programa popular de agrado geral, sem recorrer, como o faz, a deturpações de textos históricos e literários, numa pretendida sátira a um gênero musical consagrado, isto é, o operístico. Entre outros resumos escritos pelo Sr. Lourival Marques para o programa “Oh... Ópera!” já criticados nesta coluna, limito-me agora a citar um pequeno trecho: “Iracema, a virgem dos lábios de mel, toma banho na mata quando à sua frente surge o guerreiro branco. Iracema supõe que ele é do Texas, pensa que ele é o famoso Caramuru, mas o guerreiro se irrita. “Não uso nome de fogos de São João”, diz ele. Acalmado o receio da virgem, Martim vai ao encontro de Araken, cacique tabajara e pai de Iracema”. Como verificam os leitores, isso não é sátira de coisa nenhuma. Trata-se de criminoso atentado a um episódio que as crianças estudam nos colégios. CONCLUSÃO – Apesar da longa, desaforada e inconsistente entrevista do Sr. Lourival Marques, não caíram por terra os meus argumentos contra o seu programa, que são apenas os seguintes: 1º - O título do programa (ópera) não corresponde ao material irradiado (“script” e partitura); 2º - Sendo o programa uma contrafacção de uma obra musical consagrada (ópera), considero a respectiva transmissão imprópria para a Rádio Nacional, emissora que pertence ao Governo e que deve cumprir os objetivos culturais e educativos da radiodifusão no Brasil, não aceitando “scripts” de má qualidade literária e artística.” A esses termos, Lourival Marques não mais se refere e não ocupou mais qualquer espaço de imprensa escrita para completar o seu posicionamento. Embora a esse fim de conversa a questão tenha sido assumido pelo jornalista da Luta Democrática, ele também provocará o aborrecimento de um grande amigo e colaborador de Lourival que, enfim, também entrará na questão para ir em defesa do amigo. Trata-se de Nestor de Holanda que será objeto de alguns textos a seguir. No mais, a questão parece ter sido esclarecida no sentido do que se firmou, por a colunista do Diário de Notícias se precipitou ao analisar o programa, antes de conhece-lo, e além do mais, havia contra si algumas questões expostas por Lourival e que envolvia a sua conduta administrativa e a antipatia pessoal pelo produtor. Nesse clima, de fato, eclodiu a crise que se revelou. (Continua na 9ª. Parte)

Na Foto: Lourival Marques (Rádio Nacional, 1954)













BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV)
Oh... Ópera! (9ª. Parte)
Por Renato Casimiro
O artigo de Catão, no Luta Democrática, de 04.12.1958, fazia menção ao envolvimento pessoal e crítico do jornalista Nestor de Holanda (Cavalcanti Neto), um conhecido jornalista pernambucano, nascido em Vitória de Santo Antão, em 01.12.1921 e que faleceu precocemente no Rio de janeiro, em 14.11.1970. Nestor era grande amigo e admirador de Lourival, com o qual partilhou muitos projetos na Rádio Nacional e também em empreendimentos fora dali, mas relacionado ao rádio. Além de jornalista, um escritor muito farto, e de produção muito extensa, em teatro, jornais, livros, etc. O que encontro de Nestor de Holanda está no Diário Carioca de 16.12.1958, na sua coluna diária, Rádio e Tv. Não encontrei algo de Nestor que fosse imediatamente após a publicação nesse mesmo Diário Carioca, próximo da resposta de Lourival. Então completando esse quadro das críticas ao “Oh... Ópera”, vamos transcrever o que diz Nestor, para não deixar uma “ponta solta” nesse painel que foi construído pelas aleivosias de dona Magdala. “Está rolando por aí encrenca danada. Claro que o leitor que tem mais o que fazer não toma conhecimento desses bate-fundos. Mas a verdade é que o produtor Lourival Marques e a bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira só não se mataram ainda porque sabem que existe o 121 do Código Penal, invenção de utilidade Pública, que tem zelado pela existência de muitos (e, modéstia a parte estou entre esses muitos. Outro comentarista de assunto de rádio não sei porque entrou na questão. A “Radiolândia” publicou declaração do Lourival, já divulgadas pelo DC. A bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira escreveu artigo, dizendo que o produtor da Rádio Nacional se serviu de “armas da covardia e da ignorância”. Lourival enviou à bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira cópia de reportagem assinada por Eustórgio Cunha, na revista “Cartaz do Rádio”, na qual a bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira fôra acusada de desvios de verbas e “otras cositas más” no tempo em que era diretora da Roquete Pinto. E, o pau está comendo solto. Tudo começou porque a bondosa senhora dona Magdala da gama Oliveira, que faz (ou pensa que faz) crítica de televisão e rádio no “Diário de Notícias” e se assina “Mag”, arrasou o programa “Oh...Ópera” antes de ouvir a coisa. Depois, não satisfeita, continuou atacando a produção de Lourival Marques, impiedosamente, menos porque – segundo provou o atacado – é cacoete da bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira, xingar a Nacional, seus filhos, pais, outros parentes, afins, descendentes e ascendentes. E Lourival, não tendo como se defender concedeu a entrevista ao DC. Agora, o autor de programas (de bons programas) da E-8 na carta que endereçou à bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira deixou o comentarista que entrou na briga definitivamente envolvido. Disse ele: “Quanto ao cronista que tomou a sua defesa creio que a senhora terá razões de sobra para ficar zangada com o rapaz. Diz ele que eu a chamei de “tarada” (a palavra está lá). Ora, eu nem a ofendi com esse termo nem fiz sequer, quaisquer insinuações a tal respeito. Não seria melhor esclarecer esse detalhe, também publicamente? Acho que o cronista deixou-a em má situação.” Mas, quanto a isso, minha impressão é de que Lourival Marques se enganou. O comentarista não defendeu a bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira. Em primeiro lugar, nunca vi alguém defender usando aquele qualificativo. Em segundo lugar, o comentarista votou no concurso da “Radiolândia”, integrando a comissão dos “Maiores do Rádio”. Como se sabe foi convencionado esse pleito, que todas as decisões seriam unânimes. Os resultadores diziam: “Maior produtor – Lourival Marques, pelo seu cada vez melhor “Oh...Ópera”. Maior orquestrador – Léo Peracchi, fazendo os arranjos e conduzindo a orquestra do “Oh...Ópera”. Em outras palavras, isso quer dizer que o comentarista em questão e toda a crítica especializada estão contra a bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira, em seus ataques sistemáticos ao “Oh...Ópera”. E, evidentemente, hipotecaram solidariedade ao Lourival (Nestor de Holanda). Então, em palavras finais, diz Nestor de Holanda que o ano de 1958 se encerrou com a escolha dos melhores, por críticos de rádio e tv, a exemplo do que já vinha acontecendo desde 1954, Lourival foi escolhido como um dos melhores. Isso era, pelo menos para mim, a confirmação do que doze anos antes já preconizava outro grande crítico de rádio, o jornalista Alziro Zarus, nas páginas do jornal A noite, de 10.09.1946: “Há dias, focalizei aqui a obra de um dos novos autores de programas do rádio carioca: Lourival Marques. Esse moço, pertencente ao “cast” da Rádio Globo, é, realmente uma esperança em marcha. Tem feito o suficiente para merecer o estímulo da crítica, num “broadcasting” cujo lema, para a maioria, é FAMA E PREGUIÇA... Não lhe fiz, portanto, nenhum favor. Entretanto, o jovem “producer” da PRE-3 acaba de enviar-me a carta seguinte: “Ilmo. Sr. cronista radiofônico de A NOITE. Embora atrasado, quero agradecer suas referências a mim e a alguns programas que tenho tentado fazer aqui na Rádio Globo. Na verdade, tais audições estão abaixo da crítica, e não vale a pena atribuir a este ou àquele motivo o fato de não atingirem o fim desejado. Naturalmente, na sua coluna, preferiu não fazer restrições, levando em conta que sou um dos novos e, além de tudo, luto contra umas tantas barreiras. Por isso mesmo é que tomei suas palavras como um valioso estímulo. Renovo aqui, o meu “muito obrigado”. Lourival Marques”. Ora, em dez anos de crônica de rádio, tenho notado que a displicência é a característica dos asteroides do éter. A vaidade não lhes permite agradecer coisa alguma. Seu valor é imenso, e o crítico tem mesmo de lhes prestar vassalagem... De modo que, para encurtar razões, esse Lourival Marques é uma “avis rara” na Parvônia sonora da Radiolândia carioca... (Alziro Zarur). (Continua na 10ª. Parte)

(Na Foto: Lourival Marques, com sua esposa Luci Landim e dois filhos, 1955)













BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV)
Oh... Ópera! (10ª. Parte)
Por Renato Casimiro
A menção de Nestor de Holanda por nós transcrita, anteriormente, segundo a qual Lourival enviara à “bondosa senhora dona Magdala da Gama Oliveira” cópia de reportagem assinada por Eustórgio Cunha, na revista “Cartaz do Rádio”, na ela fôra acusada de desvios de verbas e “otras cositas más” no tempo em que era diretora da Roquete Pinto, nos permite um retorno aos argumentos de Nestor. Não encontramos o texto inserido na revista em questão, por sinal, periódico que foi fundado por Lourival e do qual ainda voltaremos a nos referir. Mas, em maio de 1959, muito próximo ainda da querela havida com Lourival, dona Mag volta às colunas de arte, rádio e tv, para ser referida com a sua demissão do serviço público, pelo motivo que se descreve sem maiores detalhes, nesse texto de Nestor de Holanda. “TELEGRAMA - Não costumo dar atenção a todas as cartas que me enviam sobre assuntos focalizados por esta coluna. O leitor bem intencionado se identifica. Manda o endereço certo, embora, às vezes, peça que seu nome seja omitido na publicação, o que é absolutamente respeitado. As cartas sem remetentes vão para a cesta. E ganham o mesmo destino as que fazem acusações sem provas. Assim, recebi várias cartas sobre a demissão da sra. Maria Magdala da Gama Oliveira, da Escola de Bailados do Teatro Municipal. Traziam acusações violentas à ex-violinista. Outras encerravam ofensas graves. Joguei-as fora. O assunto não é meu. Além disso, não estou aqui para servir de inocente útil às vinganças alheias. E, sobretudo, os signatários não se identificaram devidamente. Hoje, porém, recebi telegrama sensibilizador, que me envaideceu, que me transformou em homem cada vez mais convencido de que a opinião pública sabe da força que representa a lisura que é cumeeira desta seção. Eis o texto do honroso telegrama: “Peço ter maior noção de ética jornalística, abstendo-se de comentar minha demissão da direção da Escola de Bailados do Teatro Municipal. Qualquer comentário em sua apagada e inexpressiva coluna, a soldo do partido político situacionista, receberá o troco de ação judiciária. (a) Maria Magdala da Gama Oliveira.” “Obrigado dona Mag.” E continua Nestor de Holanda: “Li os motivos da demissão da diretora, numa coluna de “O Jornal TV”, intitulada “Ballet em foco” e assinada por Evelyne G. Perlov. A história ali contada era até das mais honrosas para a ex-coleguinha do Nicolau (Paganini). Por se tratar de elemento ligado ao rádio, talvez lhe fizesse aqui um elogio. Mas, pelo telegrama que recebi, estou proibido de comentara demissão, sob pena de receber o troco de ação judiciária... Somente por isso não louvo a atitude da ex-diretora da Escola de Bailados. Quanto “ao partido político situacionista” que, no dizer do telegrama, paga a esta coluna, ainda não descobri qual, porque não sei bem qual o dono da situação: o PSD do presidente ou o PTB do Vice? O PSP do prefeito de São Paulo ou a UDN da demitida da Escola de Bailados? Se é algum desses, está atrasado, em muitos anos, no soldo que me deve. Preciso saber, com urgência, qual o partido e a quem cobrar... Se isso não é verdade, Dona Mag. Acaba de caluniar (art. 138), de difamar (art. 139), e de injuriar (art. 140) profissional da imprensa e jornal, ambas honradas e acreditadas pela opinião pública. Tenho a grande esperança, porém, de acabar descobrindo que o telegrama não é da autoria de D. Magdala da Gama. Deve ser obra de seus inimigos, tentando comentários contra a ilustre rabequista. Esta coluna, de fato, sai apagada, às vezes, pois nem sempre a impressão é boa. Por que, então, o pavor antecipado de comentário que não seria aqui inserido? Muito obrigado, mais uma vez! No caso de o telegrama ser mesmo de D. Mag., jamais vi coisa tão estapafúrdia em toda a minha vida. Só se justifica porque, segundo me disseram, a infância volta depois de certo tempo. E, embora a velhice não seja feia, embora seja linda e dignificante, há velhices feias... Finalmente, continuo duvidando de que D. Mag., depois de me caluniar, injuriar e difamar, intentasse ação judiciária. Ela não é de mandar meirinho à casa de ninguém. Tanto prova que certa vez, o repórter Eustórgio Cunha publicou provas de desvio de verbas da Prefeitura, isto há oito anos atrás, quando ela dirigia a Rádio Roquete Pinto, e não aconteceu nada. Lourival Marques, recentemente, lhe fez sérias acusações e não foi processado. Como iria, portanto, me acionar se meu comentário sobre sua demissão seria elogioso, e se jamais tive intenção de ofender à veneranda senhora?” (Nestor de Holanda, Diário Carioca, 12.05.1959).

Na Foto: Lourival Marques, na Rádio Nacional, entre músicos da orquestra, 1954)











BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV)
Oh... Ópera! (11ª. Parte/Final)
Por Renato Casimiro
O “Oh...Ópera” não teve vida muito longa. Talvez apenas entre a sua estreia, em 23.09.1958 e 21.04.1959 (o que me pareceu ser a última audição, a confirmar). São essas as duas datas que se encontra nas noticias da imprensa carioca. Mas certamente, pelos títulos dos programas, bem se vê o grande esforço de Lourival Marques para recontar capítulos memoráveis da construção de grandes obras, de grandes vultos, de grandes episódios, objeto de obras extraordinárias, tanto de ficção como da história. O programa, como mencionamos desde o início, foi apresentado em primeira audição no dia 23.09.1958. Em 1959, “Oh... Ópera!”, passada a temporada de má reputação, continuou no ar, talvez até o final de abril. Dificuldades na pesquisa não permitiram localizar com precisão o término da temporada. Conseguimos identificar 16 dos 31 programas, dentre os espetáculos, programas que foram ao ar, nas suas respectivas datas, a seguir nomeados: 23.09.1958: A Bela Adormecida (Estreia); 30.09.1958: Helena de Troia; 21.10.1958: Romeu e Julieta; 28.10.1958: Colombo; 11.11.1958: Cleópatra; 18.11.1958: O Belo e a Fera; 25.11.1958: Sansão e Dalila; 16.12.1958: Tristão e Isolda; 06.01.1959: Madama Maria, o amor de Lampião; 13.01.1959: Um Ianque na Corte do Rei Chaveco; 20.01.1959: Príncipe Ígor; 27.01.1959: O Descobrimento do Brasil; 03.02.1959: Dom Quixote; 17.02.1959: Chapeuzinho Vermelho; 03.03.1959: Os 12 Trabalhos de Hércules; 24.03.1959: Carlota Joaquina; 21.04.1959: O Conde de Monte Cristo. Não encontramos precisão nas datas em que teriam sido levadas ao ar os seguintes programas: Príncipe Igor; Iracema; Otelo; O Barbeiro de Sevilha. Portanto, além desses nomeados, devem ter ficado de fora, pela duração da temporada, cerca de 11 outros espetáculos. Durante as suas apresentações, a Rádio Nacional enviava para a imprensa, especialmente os colunistas de jornais, da área de rádio e tv, uma súmula do programa que contemplava o seu título específico dentro da série “Oh... Ópera”, um pequeno texto sobre o argumento, a relação de pessoal envolvido e demais detalhes técnicos. No geral, a maior parte das divulgações se fazia apenas com os dados técnicos, sem o sumário do argumento. Algumas referências foram recuperadas e são transcritas a seguir: 1) “Oh, Ópera” em sua audição de hoje, pela PRE-8, apresentará a produção de Lourival Marques, com orquestração do maestro Léo Peracchi, “Helena de Troia”, cujo resumo é o seguinte: “O rei Príamo e a rainha Hécuba resolveram mandar seu filho Páris (Paris, para os íntimos), como embaixador de Esparta junto a Menelau, rei de Tróia. Fascinado pela beleza de Helena, esposa de Menelau, Páris procede deslealmente, seduzindo-a. Quando Menelau volta de uma viagem (e ele estava sempre viajando) descobre a maroteira... Helena havia fugido em companhia do jovem embaixador. É a passagem mais comovente da ópera, quando, então, ele canta a célebre ária “Eu ontem cheguei em casa, Helena, te procurei e não te encontrei...", etc. Diante dos fatos, só resta ao soberano ofendido um caminho: a guerra. Todos os reis gregos a ele se aliam e, enquanto o diabo esfrega um olho, eles sitiam Tróia. Fizeram, nos arredores, uma aterrissagem forçada (cavalo de pau) e acabaram entrando na cidade, onde exterminaram até o último dos troianos. Infelizmente não há “happy end” nesta história e emocionante narrativa. Os papeis dessa apresentação de “Oh, Ópera!” estarão assim distribuidos: Lenita Bruno (Helena de Tróia), Gilberto Milfont (Páris), Nuno Roland (Menelau), Zezé Gonzaga (Hécuba), Abelardo Magalhães (Príamo) e, em outros papéis: Albertinho Fortuna, Arací Costa, Hélio Paiva, Jamelão, Cleide Moura, Consuelo e o Grande Côro dos Troianos, dirigido por Carlos Monteiro de Souza.” 2) “Lourival Marques apresentou “Principe Igor”, recentemente, em seu “Oh... Ópera”, baseado num velho poema russo. A direção foi do próprio Lourival Marques e a direção musical esteve a cargo de Léo Peracchi. Aurélio de Andrade foi narrador. O elenco foi o seguinte: Helio Paiva, Lenita Bruno, Gilberto Milfont, Cosme Teixeira, Marly Cardoso, Luis Bandeira, Galvez Morales, Carlinhos, Francisco Monteiro (cantor juazeirense, por sinal), Pedrinho Zaza Gonzabor, Venilton Santos, Albertinho Fortuna, Zezé Gonzaga e Consuelo Leandro, e coro dirigido por Carlos Monteiro de Souza.” 3) Hoje: “Oh...Ópera!” – O programa “Oh...Ópera!”, hoje, da Rádio Nacional, apresentará uma sátira de “Carlota Joaquina”, original de Lourival Marques com orquestrações de Lirio Panicalli e regência do maestro Leo Peracchi. Participarão do programa de hoje, além de Grande Coral, os seguintes artistas: Zezé Gonzaga, Hélio Paiva, Rui Rey, Cosme Teixeira, Venilton Santos, Consuelo Sierra, Marli Cardoso, Luis bandeira, Nuno Roland, Carlos M. Sousa, Francisco Monteiro e Romeu Fernandes. A narração é de Aurélio de Andrade. 4) Revendo a cotação de programas de rádio, expediente habitual de informação ao ouvinte, encontramos em Radiolândia Sobre o Programa “Oh... Ópera” de 03.03.1959, um dos últimos erem apresentados, a crítica favorável, com os seguintes comentários: “Neste dia, “Oh...Ópera!” contava a história dos 12 trabalhos de Hércules. O tom jocoso e brincalhão, a participação de cantores e cantoras – dos melhores da Nacional – interpretando paródias ilustrativas da história em foco, os arranjos bem-humorados (nesse dia, se não nos enganamos, de Lírio Panicali) não impediam que o público tomasse conhecimento de uma lenda da “mitologia grega”, narrada corretamente no seu essencial. O programa divertia, e ensinava, sim. Sem querer, rindo e achando graça, o público tomou conhecimento das maldades do irmão de Hércules, que temeroso de sua força o fez lançar-se em 12 ousadas tarefas, enfrentando a Hidra de Lerna, o Leão de Neméia, etc e tal. Portanto, um bom programa, dos que instruem e divertem. Realização maiúscula da E-8. Cotação: 8 (oito).”

Na escolha dos Melhores do Rádio em 1959, realizada na Associação Brasileira do Rádio (ABR), quando se reuniram 26 cronistas de rádio e tv, Lourival Marques foi novamente, como em anos anteriores, exceto o de 1958, pelo que já foi comentado, escolhido o melhor produtor, com votos de 18 membros do júri. Um escore alto, pois o mais votado nesse certame foi o humorista Antonio Carlos (pai da atriz Glória Pires), com 22 votos de 26 membros. (Fim). 

Na Foto: Parte do elenco do programa “Oh... Ópera: Jamelão, Gilberto Milfont, Nuno Roland, Lenita Bruno, Zezé Gonzaga e Aracy Costa, 1958)
















BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO!
(XXVI) Rádio Nacional: Como contar uma História
que se perdeu. (1ª. Parte)
Por Renato Casimiro
Lourival Marques de Melo ingressou na Rádio Nacional em 1949. Antes disso ele havia passado pelas seguintes emissoras: Ceará Rádio Clube, Fortaleza; Rádio Baré, Manaus; Rádios Tupi, Globo e Mayrink Veiga, as três do Rio de Janeiro. Já firmei aqui que prefiro trancrever depoimentos e fontes primárias para não correr o risco de deturpar, mesmo que a minha narrativa o faça minimamente, a inteireza dos acontecidos, em fidelidade ao que necessitamos conhecer. Tenho tido muita sorte no tocante a textos que refiram, particularmente a Lourival Marques, enquanto grande executivo e homem de criação e produção da emissora, nos jornais da época. Contudo, li recentemente dois livros, artigos, dissertações e teses acadêmicas e fiquei particularmente intrigado porque a riqueza da produção de Lourival Marques, especialmente nos anos 40 e 50, estando em muitos jornais, não chegou com sinceridade a estes livros, artigos e puyblicações acadêmicas. Não entro em detalhes para referir as grandes omissões desses últimos. Assim, optei por transcrever nesse capítulo, com o propósito de ter uma avaliação do que foi a Rádio Nacional, enquanto Lourival ali trabalhou, o texto elaborado pela jornalista Mirian Alencar (Jornal do Brasil, (RJ), edição de 22.08.1976, como a seguir: “Na fase áurea do rádio no Brasio – décadas de 40 e 50 – ainda está viva na memória de muitos e pode ser recordada por produtores, locutores, artistas, pessoal técnico, que ajudaram a fazê-la. Mas quase que só recordada. Documentalmente, grande parte dessa história – apesar de recente – está perdida. Que o diga o produtor Lourival Marques, responsável pelo programa 40 anos de Rádio Nacional, iniciativa da atual direção da emissora e apresentado todas as segundas feiras, com reprise no domingo seguinte. O programa é rico em depoimentos, mas tem que contentar-se com uma precária documentação – o importante acervo da Rádio Naciona perdeu-se, dispersou-se pelos anos afora, num processo que acompanhou o próprio declínio de uma fórmula radiofônica que teve naquela emissora seu grande modelo. A direção da Rádio Nacional tenta recompor, em parte, aquele acervo. Mas como reconstituir os discos de Alma de Vidro, os Instantâneos Sonoros, de Almirante, os prefixos de Um Milhão de melodias, do Almanaque Kolynos? Alguns de seus jingles famosos como “Só Esso dá ao seu carro o máximo”, ou aquele do Nescafé, “Agora é fácil beber um bom café...”, ou ainda o que dizia que “Coca-Cola faz um bem...” Lourival Marques perdeu a conta dosjingles que fez, mas tem na memória as 21 novelas que escreveu, entre elas Quando Morre o Dia, Almas Selvagens, Três Homens Sem Medo e Frank e Maria. Seu Criado, Obrigado, outra criação sua, ficou no ar durante 20 anos, e só acabou quando morreu seu apresentador, César Ladeira, enquanto o Calendário Kolynos, transmitido em horário especial, às 20h 30min, após o Repórter Esso, foi ouvido durante 15 anos consecutivos. Nos seus 26 anos de Rádio nacional, Lourival Marques é um pouco da própria história da Rádio, que já teve um dos mais valiosos arquivos radiofônicos do Brasil. Ninguém melhor do que Lourival Marques para recompor os 40 anos da emissora, tarefa que não tem sido fácil, como ele explica: - A idéia de mostrar os 40 anos de Rádio nacional é excelente e partiu da direção atual da emissora. Nessa história, há coisas pitorescas e inesquecíveis e os exemplos são muitos: como a primeira novela de sucesso apresentada no rádio, Em Busca da Felicidade, que ficou no ar durante três anos. Nela, Amaral Gurgel fazia o papel de um médico, e se identificou tanto com o público que era procurado diariamente na emissora para dar consultas. As vezes, para se livrar, ele se arriscava a indicar um remediozinho caseiro e inócuo. O Saint´Clair Lopes tamvbém teve sérios problemas por seu famoso personagem O Sombra. O Almirante quando fez pela primeira vez um programa folclórico, pedia aos ouvintes que mandassem pregões de todo o Brasil, e citava exemplo dos pregões do Rio. Um dia, recebeu um pregão de ferro, de verdade. Mas o forte do programa são depoimentos de pessoas que ajudaram a construir a casa, como Paulo Tapajós, Haroldo Barbosa, Amaral Gurgel, Floriano Faissal, José Mauro, cada um na sua especialidade, ou então, falando sobre os companheiros já desaparecidos. Além da intenção de mostrar a história da Rádio Nacional, que irá ao ar até o dia 31 de dezembro, existe a de reconstituir um acervo que foi quase que totalmente destruído. Essa é a parte mais dramática e mais difícil para Lourival Marques, que procura explicar por que se perdeu o arquivo da Rádio: “- A partir de 1940 (a Rádio foi fundada em 1936, os programas passaram a ser gravados em discos para serem arquivados ou repetidos. Isso não acontecia com nenhuma emissora. Eram discos de 16 polegadas com alma de vidro (a alma – hoje de alumínio – recebia por cima o acetato), verdadeiras preciosidades que não podem ser reconstituídas em nenhuma hipótese, que começaram a ser “arquivados” numa determinada época, nos banheiros da emissora. Como a alma de vidro era quebrável, eles se perderam integralmente. Entre esses discos, estava uma série extraordinária – a do programa Instantâneos Sonoros do Brasil, feito por Almirante e que condensava o que havia de melhor no verdadeiro folclore brasileiro. Os poucos discos que existem hoje são de 1947 em diante, de pouco valor. “ (Continua na 2ª. Parte)

Na Foto: Edifício A Noite, Rádio Nacional, Rio de Janeiro)

BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO!
(XXVI) Rádio Nacional: Como contar uma História
que se perdeu. (2ª. Parte)
Por Renato Casimiro
Continuando o depoimento de Lourival Marques de Melo, ex-integrante do cast e da administração da Rádio Nacional, à jornalista Mirian Alencar (Jornal do Brasil, (RJ), edição de 22.08.1976, prosseguimos com a transcrição: “Conta Lourival Marques que há cerca de 10 anos (1966) a Nacional começou a fazer um museu, um embrião bem valioso. Tudo desapareceu, ninguém sabe como. Entre as peças que integrariam o museu estavam a primeira válvula do transmissor da Rádio; os primeiros programas com artistas que já não vivem mais; a primeira revista interna, feita em papel couché, com muita categoria, que era distribuída para o mundo inteiro; objetos de sonoplastia; livros de impressões de visitantes ilustres e discos. Uma parte desse acervo foi doado ao Museu da Imagem e do Som. Essa doação incluiu mais de 100 mil partituras originais de Radamés Gnatalli, Lírio Panicalli, Leo Peracchi e outros maestros; e a discoteca com todos os discos de 78 rpm, contendo talvez a mais completa e mais valiosa coleção de jazz existente no Brasil, pacientemente organizada por Haroldo Barbosa. A propósito, o Jornal do Brasil publicava em 04.09.1975, sob o título Acervo do MIS corre perigo, o seguinte: “Para tentar salvar ao menos a terça parte das 100 mil partituras do acervo musical da Rádio Nacional que foram doadas ao MIS em 1972, e desde então estão apodrecendo em salas úmidas do prédio vizinho, a diretora da Fundação Estadual de Museus do Rio de Janeiro, Sra. Neuza Fernandes, vai convocar técnicos em restauração, antes que seja tarde.”Mas isso é apenas uma parte, e Lourival Marques é enfático: “- A Rádio Nacional não tem mais acervo artístico, que acredito foi até um dos mais importantes do mundo, já que a Rádio chegou a fazer programas com a participação de até 100 elementos. O material de 1950 para cá está salvo. Isso porque descobrimos, por acaso, vários discos guardados no depósito da torre transmissora, em Parada de Lucas. Entre o que se perdeu está a gravação original do prefixo da Rádio nacional, o famoso Luar do Sertão, tocado em xilofone. Tivemos que regravá-lo para o programa dos 40 anos, há poucos dias. Também não existem mais os conhecidos prefixos do Repórter Esso, dos programas Um Milhão de Melodias, Rádio-Almanaque Kolynos, entre outros. Só para se er uma idéia, tambémhá dias regravamos com Saint Clair Lopes aquela famosa frase do Sombra, que também não existe mais: “Quem sabe o mal que se esconde nos corações humanos? O Sombra sabe.” A Rádio Nacional chegou a ter no ar 14 novelas por dia, por volta de 1945(cerca de 150 novelas por ano). A maioria se perdeu. De 1936 a 1959, não temos nada. Se ainda temos gravações de Celso Guimarães, que foi o maior galã de novelas, é material muito recente, não do período áureo.” Outro exemplo citado por Lourival Marques é o da novela O Direito de Nascer. “- A adaptação feita pela Nacional foi tão boa que seu autor, o cubano Felix Cagnet, pediu-a. Considerou a adaptação muito melhor que o original. A gravação da novela não existe mais. A Rádio Nacional foi a emissoraa emissora que ditou a forma de fazer grandes programas, inclusive divulgando a música erudita em programas que duraram anos, como Festival GE. Infelizmente, as novelas não podem ser reapresentadas nesse programa dos 40 anos. Alguns dos autores tem seus scripts. O que ficou na nacional foi destruido pelo cupim, pelas traças, pelas baratas e pelos ratos. A nacional tinha coisas fantásticas, como seus estúdios. Basta dizer que o estúdio principal era separado do auditório por três gigantescos vidros importados da Tcheco-Eslováquia. Esses vidros vieram acompanhados por um engenheiro da fábrica. Ao ver que eles tinham que subir 22 andares, o engenheiro não se responsabilizou pelo que acontecesse. Eles levarammais de um mês para chegarem, pelo lado de fora, até o 22º andar. Os três vidros eram móveis: subiam ou desciam mecanicamente. Um dia, no final da década de 50, alguém esqueceu um banco justamente no local onde eles baixavam. Na hora que isso aconteceu, o vidro do meio partiu-se contra o banco. E nunca mais pode ser reconstituido ou colocado outro. São coisas inestimáveis. Para a parte de sonoplastia (ruidos e sons), foi montada uma casa de verdade, com tanque, torneiras, e tudo que pudesse representar um ruido real. Essa casa era uma perfeição. Hojepouco resta do que foi.” Dentro de todo esse quadro, um aspecto atinge diretamente Lourival marques. Um estudioso, voltado permanentemente para a pesquisa, livros, ele tinha um arquivo pessoal, feirto à sua custa, com 50 mil letras de músicas fichadas; 5mil vozes gravadas, incluindo as de Florence Nightingale, Thomas Edison, John Kennedy fazendo seu discurso de posse na Presidência dos Estados Unidos, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart; mais de 40 mil anedotas e piadas fichadas; e uma biblioteca especializada com 6 mil volumes. “Cerca da metade desse material foi destruida por sucessivas mudanças de local, dentro da própria emissora e, ultimamente, por goteiras de chuva. O último lugar onde os livros estiveram era o da amtiga boate da Ráio, no 23º andar. O que se salvou, levei para casa ou para a TV Educativa, onde também trabalho. De forma geral, as coisas se perderam no decorrer dos anos por serem colocadas nos locais mais absurdos. Eu tinha também mais de 10 mil partes de piano impressas. Salvei a metade. O resto a água destruiu.” Atualmente, além do prorama 40 Anos de Rádio Nacional, Lourival Marques faz também Best Sellwer,um programa que divulga o movimento literário do Rio. Quando fala nisso, ele relembra a frase de Roquete Pinto: “O cinema e o rádio (não havia TV) são a escola dos que não tiveram escola.” “ Com programas assim, nós estamos tentando mostrar que a frase de Roquete Pinto está tão viva hoje como no passado, apesar de tudo. Por isso, também o programa 40 anos de Rádio Nacional é uma das iniciativas mais louváveis da atual direção, já que estamos tentando reconstituir a história da Nacional, que é a história do próprio rádio no Brasil.” (Fim)


Na Foto: Auditório da Rádio Nacional nos Anos Dourados, anos 50.

(XXVII) DILÚ MELO, Uma legítima intérprete
do nosso folclore musical.
Por Renato Casimiro
Posso assegurar que, em vista do que foi narrado pelo próprio Lourival Marques em capítulo anterior, ao lado do lamento sentido que manifestamos porque de sua lavra parece que quase tudo virou pó, é muitíssimo agradável ainda garimpar para encontrar esparsos escritos com os quais se torna inevitável o deleite com uma redação correta, atraente e elegante. Na revista Carioca, edição 538, de 26.01.1946 encontramos uma dessas preciosas referências. É algo que muito revela sua predileção pelo perfil, pela biografia e pela feitura de arquivos com dados fundamentais com a gente de Rádio. Assim já mencionamos que nasceu o seu Dicionário, através da Revista Radiolândia. Dilú Melo não consta da relação dos seus perfilados no Dicionário. Essa sua primeira grandeza, como assim parece ser a classificação que ele mesmo daria, mereceu esse texto que vamos transcrever: “O aplauso veemente deu-nos que pensar. Dilú Melo estava encerrando mais um programa em que fizera valer, como exímia acordeonista, cantora, violonista e compositora, toda a beleza da música regional brasileira. Não havia dúvida. O público retribui o esforço dos que lutam pela difusão da música nativa, compensando com o seu entusiasmo um trabalho que não é de hoje, mas começa a ser compreendido. Não se poderia negar à artista daquela noite, o primeiro lugar entre os bandeirantes de nosso folclore musical. Nas canções que ela interpreta como ninguém, encontramos retalhos maravilhosos da terra sem fim que é o Brasil. O Rio-Mar dos botos e aguapés, Belém das Festas de Nazaré, a Terra de Iracema e sua legenda de sol e Heroísmo, Recife das ponte e cantigas, Bahia das Igrejas e das lendas, Os Pinheirais e os Pampas... de tudo nos fala o tesouro de canções recolhidas por Dilú Melo em todo o Brasil. Um comentário que fizemos sobre o êxito do seu programa, foi o início de alguns minutos de palestra. O aplauso expressivo – Dilú respondeu nossa pergunta – “mostra que estou no caminho certo. A música regional brasileira, uma das mais ricas vale todos os sacrifícios que eu tenho feito em prol de sua difusão.” Lembramos que a vitória é bem sua, à persistência de seu trabalho, deve a nossa canção típica, grande parcela do triunfo alcançado. E não se deve pensar que o interesse pelas suas audições esteja limitado ao Rio de Janeiro. Cartas de todo o país – capitais e cidades mais afastadas, elogiam calorosamente a música do seu repertório e a interpretação personalíssima que ela lhe dá. Soubemos, mais tarde, que Dilú detém um recorde de correspondência entre as cantoras, e que não são somente do Rio, de quase todos os Estados. - São palavras de estimulo que bem me ajudam. Sem elas, é como se estivesse à sós num mundo vazio. Fizemos alusão ao calango mineiro “Dezessete e Setecentos”, incluído entre os mais populares nos programas que ela apresenta. É justo afirmar que, Dilú Melo é quem mais canta o 17$700. Todos falam nela, todos dizem – olhem a pequena de 17$700 – explica-se. Dilú é a única acordeonista e cantora e quando apresenta o calango de Miguel Lima e Luiz Gonzaga, é acompanhando-se ao acordeom onde faz “misérias” – como se diz na gíria. Assim Dilú se expressou quando abordamos o assunto: - “não sei, mas os ouvintes só por causa do público como também porque os autores são meus bons amigos. Dilú trazia no peito, um curiosíssimo broche com o nome do calango mineiro – “Dezessete e setecentos” – Sorriu à nossa curiosidade. – Foi presente de um fã. Pode ver, é um lindo trabalho e uma lembrança feliz que me comoveu profundamente. De fato, é um delicado e belo trabalho. O fã homenageara a cantora pela sua interpretação, oferecendo-lhe o raríssimo broche a canivete em madeira escura, sobre a qual, em marfim, um gatinho toca sanfona e uma legenda – 17$700. (...) Dilú, você é muito amiga de Antenogenes Silva, não é? – Por que? Porque você gravou um número com ele deixando de gravar composições suas para gravar dos amigos – Miguel Lima e Antenogenes Silva... – Sim, gravei “Cesário!”. Gosto do Antenogenes, é um velho e grande amigo. Foi ele quem muito contribuiu para que eu comprasse um acordeom. Há muitos anos ele lutava por esse momento – momento em que eu pudesse interpretar músicas, acompanhando-me ao acordeom. Fizemos ver que várias canções de sua autoria, figuravam no repertório de outros artistas. – Sim, respondeu-nos – algumas foram mesmo lançadas por eles e somente a eles atribui o sucesso obtido. Estelinha Egg criou “Alecrim” e “Meninos dos olhos tristes”, dois números que o público aceitou muito bem e que parece gostar deles, quase sempre algum me diz: “ouvi Estelinha cantando “Alecrim”, ouvi cantando “Menino dos olhos tristes”. Ela canta muitos números meus e com isso tenho satisfação, gosto dela e estou satisfeito com suas interpretações. Jorge Fernandes muito contribuiu para que eu aparecesse como cantora e harmonizadora. Ele tem numerosas composições minhas. “Rolete de cana” foi gravado por ele e a crítica referia-se ao pregão nordestino em termos que desvaneceram – a mim como autora da letra e ao Jorge como o artista correto que é. Dilú Melo tem boas razões para sentir-se feliz. Querida por milhares de fãs, festejada entre colegas de “broadcasting” e compreendida por todos que acompanham a sua devotada carreira artística, vê abrir-se, diante de si, um futuro ilimitado. Dilú Melo bem o merece – para todos tem uma palavra amiga e sincera conforta, ajuda aqueles que se aproximam pedindo auxilio. Há poucos dias ouvimos em magnífica orquestração sinfônica do maestro Bob Miller, “Fiz a cama na varanda” – Schotisch em estilo gaúcho de sua autoria e parceria do poeta Ovídio Chaves. – É um dos números que logram maior número de pedidos, esclareceu Dilú – e Bob Miller sentindo isso – aproveitou-o e fez um dos seus maiores trabalhos conforme ele mesmo me disse. ... O tempo transcorrera, Dilú falando mais dos outros do que de si. E a sua carreira merece uma longa reportagem. É a história dos que lutam por um ideal, sem recusar diante de obstáculos, sem temer insucessos. Sentimos, naquele momento, que Dilú Melo está no apogeu. Um público imenso aplaude a sua apresentação e um recorde de correspondência atesta a sua popularidade em todo o pais. A vitória da música folclórica do Brasil é a sua própria vitória. Cantora, acordeonista, violonista e compositora, Dilú é a artista mais completa em seu gênero. Uma grande artista.”

Na Foto: Dilú Costa, 1946
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no dia 21, quinta feira, às 19:30 horas, dentro do Festival Grandes Faroestes, o filme SILVERADO (Silverado, EUA, 1985,133min). Direção de Lawrence Kasdan. Sinopse: Velho Oeste. Um cowboy, Emmett (Scott Glenn), é atacado num lugar isolado por três desconhecidos, que ele consegue matar. Dois dos cavalos fogem, mas Emmett quer saber quem é o dono da marca que o animal carrega, assim o leva quando ruma para Turley. No caminho encontra um cowboy desacordado, Paden (Kevin Kline), pois fora roubado por alguns "amigos", que o deixaram só com a roupa de baixo. Paden passa a cavalgar o outro cavalo e ambos rumam para Turley. Lá descobrem que haverá um enforcamento e conhecem Mal (Danny Glover), um negro que é discriminado no saloon quando apenas queria tomar uma bebida e dormir em uma cama, algo que não fazia há 10 dias. O preconceituoso dono e mais dois "seguranças" provocam Mal, que luta com os três e os vence. Chega então o xerife John Langston (John Cleese), que fica sabendo que Mal não tinha começado a briga, pois Emmett e Paden estavam ali tendo uma refeição e disseram que Mal não tivera culpa. Entretanto o xerife tem uma noção de justiça bem particular e, apesar de não o responsabilizar pelos danos, ordena que Mal deixe logo a cidade. Após a saída de Mal, Langston vai conversar com Emmett e Paden e pergunta se vieram para o enforcamento. Eles dizem que não e Emmett acrescenta que está procurando uma pessoa e depois seguirá viagem. Langston pede que a descreva e então os leva até o condenado, que é Jake (Kevin Costner). Fica claro que Jake será enforcado por ter matado em legítima defesa. Emmett diz que nada pode fazer para ajudar Jake, mas ao sair explica para Paden que terá de arrumar um jeito de tirá-lo da cadeia, pois é seu irmão. Paden diz que os caminhos deles se separam ali, mas vão até o saloon tomar uma bebida. Lá Paden encontra um "amigo", que tenta atirar nele e acaba morto. Paden também é preso por assassinato e colocado na mesma cela de Jake. Emmett distrai a atenção do xerife incendiando a forca e, enquanto isto, Jake e Paden iludem um auxiliar de Langston e fogem da prisão. Há um início de tiroteio, no entanto Emmett aparece com mais dois cavalos e os três fogem. Eles são perseguidos por um grupo comandado por John, mas não são capturados graças à ajuda de Mal, que deu tiros desencorajadores e fez o xerife parar a perseguição. Os quatro rumam para Silverado, sem imaginar que quando lá chegarem encontrarão a cidade dominada por um antigo amigo de Paden, Cobb (Brian Dennehy), que se tornou um xerife corrupto que, com "assistentes", espalha o medo.

CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no dia 22, sexta feira, às 19:30 horas, dentro do Festival de Lançamentos, o filme A MÚMIA.(The Mummy, EUA, 2017, 111min). Direção de Alex Kurtzman. Sinopse: Na Mesopotâmia, séculos atrás, Ahmanet (Sofia Boutella) tem seus planos interrompidos justamente quando está prestes a invocar Set, o deus da morte, de forma que juntos possam governar o mundo. Mumificada, ela é aprisionada dentro de uma tumba. Nos dias atuais, o local é descoberto por acidente por Nick Morton (Tom Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), saqueadores de artefatos antigos que estavam na região em busca de raridades. Ao lado da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), eles investigam a tumba recém-descoberta e, acidentalmente, despertam Ahmanet. Ela logo elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador.
CINE CAFÉ VOLANTE (FAMED, BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina, UFCA), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 22, sexta feira, às 19 horas, o filme UMA SECRETÁRIA DE FUTURO (Working girl, EUA, 1988, 115 min.). Direção de Mike Nichols. Sinopse: Tess McGill (Melanie Griffith) é uma secretária de origens humildes, que trabalha para a conceituada executiva Katharine Parker (Sigourney Weaver). Após sua chefe sofrer um acidente e quebrar a perna, Tess rouba o lugar de sua chefe, propondo uma inteligente jogada financeira a um grande empresário.
CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 22, sexta feira, às 19 horas, o filme UMA ODISSEIA NO ESPAÇO (2001: A Space Odyssey, EUA/Reino Unido, 1968, 141 min). Direção de Stanley Kubrick. Sinopse: Desde a “Aurora do Homem” (a pré-história), um misterioso monólito negro parece emitir sinais de outra civilização, interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada a Júpiter para investigar o enigmático monólito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000.Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.

CIDADANIA JUAZEIRENSE
Nove personalidades acabam de ser agraciadas com o título de Cidadão Juazeirense, através da iniciativa da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte. Vejamos os atos que os escolheram.

RESOLUÇÃO N.º 875, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Ilustre Senhora IVA JEAN PETERSON, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: José Adauto Araújo Ramos; Subscrição: Glêdson Lima Bezerra, Paulo José de Macêdo, Herbert de Morais Bezerra, José Barreto Couto Filho, José David Araújo da Silva, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Diogo dos Santos Machado, Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, Rubens Darlan de Morais Lobo, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Jacqueline Ferreira Gouveia. 

RESOLUÇÃO N.º 876, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Ilustre Senhora MARIA DOLÔRES ALENCAR ROCHA BARRETO, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Rosane Matos Macêdo; Coautoria: José Adauto Araújo Ramos, Paulo José de Macêdo e Glêdson Lima Bezerra; Subscrição: José David Araújo da Silva, Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, José Barreto Couto Filho, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Rubens Darlan de Morais Lobo, Herbert de Morais Bezerra, Diogo dos Santos Machado, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Jacqueline Ferreira Gouveia. 

RESOLUÇÃO N.º 877, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor GENIVAL PEDRO NETO, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Glêdson Lima Bezerra; Subscrição: Paulo José de Macêdo, José David Araújo da Silva, Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, José Adauto Araújo Ramos, Damian Lima Calú, José Barreto Couto Filho, Herbert de Morais Bezerra, Diogo dos Santos Machado, Rita de Cássia Monteiro Gomes, Rosane Matos Macêdo, Auricélia Bezerra e Jacqueline Ferreira Gouveia. 

RESOLUÇÃO N.º 878, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor JOÃO JANUÁRIO MACIEL, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Glêdson Lima Bezerra; Subscrição: Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, Damian Lima Calú, José Adauto Araújo Ramos, Diogo dos Santos Machado, Paulo José de Macêdo, José Barreto Couto Filho, José David Araújo da Silva, Herbert de Morais Bezerra, Rita de Cássia Monteiro Gomes, Rosane Matos Macêdo, Auricélia Bezerra e Jacqueline Ferreira Gouveia. 

RESOLUÇÃO N.º 879, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Ilustre Senhora MARIA ZULEIDE BARROS, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: José David Araújo da Silva; Subscrição: Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Rubens Darlan de Morais Lobo, Antônio Vieira Neto, Damian Lima Calú, José Adauto Araújo Ramos, Diogo dos Santos Machado, Paulo José de Macêdo, José Nivaldo Cabral de Moura, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Jacqueline Ferreira Gouveia. 

RESOLUÇÃO N.º 880, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor JOÃO BOSCO PEREIRA DE OLIVEIRA, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Domingos Sávio Morais Borges; Subscrição: José Adauto Araújo Ramos, Cícero Claudionor Lima Mota, José David Araújo da Silva, Márcio André Lima de Menezes, Damian Lima Calú, Glêdson Lima Bezerra, Herbert de Morais Bezerra, José Barreto Couto Filho, Diogo dos Santos Machado, Rita de Cássia Monteiro Gomes, Jacqueline Ferreira Gouveia, Auricélia Bezerra e Rosane Matos Macêdo. 

RESOLUÇÃO N.º 881 de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Senhora Juíza DÉBORA AGUIAR DA SILVA SANTOS, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Francisco Demontier Araújo Granjeiro; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura, Antônio Vieira Neto, José Adauto Araújo Ramos, Cícero Claudionor Lima Mota, José David Araújo da Silva, Márcio André Lima de Menezes, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calu, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Jacqueline Ferreira Gouveia. 

RESOLUÇÃO N.º 882, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Advogado LEONARDO JOSÉ MACÊDO, pelos inestimáveis serviços prestados a esta comunidade. Autoria: José Nivaldo Cabral de Moura; Subscrição: Paulo José de Macêdo, José David Araújo da Silva, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Antônio Vieira Neto, Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, Rubens Darlan de Morais Lobo, José Adauto Araújo Ramos, Damian Lima Calú, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Jacqueline Ferreira Gouveia. 

RESOLUÇÃO N.º 883, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor LUIZ CARLOS VALENTIM DOS SANTOS, pelos relevantes serviços prestados à comunidade. Autoria: Diogo dos Santos Machado; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura, Antônio Vieira Neto, José Adauto Araújo Ramos, Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calú, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Gledson Lima Bezerra, Herbert de Morais Bezerra, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Rosane Matos Macêdo. 

RESOLUÇÃO N.º 884, de 05.12.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor JORGE JOÃO ALVES DE ALMEIDA, pelos relevantes serviços prestados à comunidade. Autoria: Herbert de Morais Bezerra; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura, Antônio Vieira Neto, José Adauto Araújo Ramos, Cícero Claudionor Lima Mota, Márcio André Lima de Menezes, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calú, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Gledson Lima Bezerra, José David Araújo da Silva, Diogo dos Santos Machado, Cícero José da Silva e Rosane Matos Macêdo. 

sábado, 9 de dezembro de 2017



BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXIV)
Por Renato Casimiro
Uma revista de variedades, das mais famosas que foram editadas no Brasil, e que circulava amplamente em todo o território nacional, foi o Jornal das Moças, que como periódico semanal foi editado entre 1914 e 1965, embora tenha sido fundado em 1913, por Agostinho Menezes, no Rio de Janeiro, que para tal criou a empresa Editora Jornal das Moças Ltda. Cada edição tinha cerca de 75 páginas, com bons textos e ilustração farta. Seu foco era a preferência feminina, através de matérias de seu amplo interesse, nas áreas de economia doméstica, literatura em prosa e verso, humorismo, curiosidades, culinária e gastronomia, moda, sociedade, etc. Na Biblioteca Nacional há uma excelente coleção digitalizada para consulta on line, pela internet. Segundo uma ótima Tese de Doutoramento, de uma professora da UECE, (Almeida, Nukácia Meyre Araújo. Jornal das Moças: leitura, civilidade e educação femininas (1932-1945). 2008. UFC, Faculdade de Educação, Fortaleza-CE, 2008: “O projeto editorial do Jornal das Moças (JM), assim como outras revistas ilustradas da 1ª metade do século XX, inspirava-se nos magazines ilustrados ou nas revistas de variedades do século XIX, os quais, por sua vez, copiavam modelos europeus, sobretudo os franceses. Destinada ao público feminino, o JM seguia os padrões das publicações de sua época inclusive em relação ao nome. Como no início da imprensa, jornal e revistas se distinguiam mais pelo conteúdo do que pelo formato, consideravam-se revistas as publicações que, mesmo tendo a aparência de jornal, continham maior variedade de assuntos, principalmente no que dizia respeito à ficção, à poesia e a outros tipos de texto de entretenimento. Aos jornais caberiam os textos de opinião e a discussão de ideias, por exemplo. Apesar de haver essa divisão, alguns periódicos femininos brasileiros tinham no nome jornal, mesmo tratando-se revistas”. A redação do ‘Jornal das Moças’ publicava gratuitamente, depois de completamente julgados todos os trabalhos, em prosa ou verso, que lhe fossem remetidos por qualquer leitor, assinante ou não. Mas Lourival Marques, provavelmente, descobriu a revista para alçar um voo maior, porque mesmo residindo em Joazeiro, seu horizonte era vasto. Nessa época ele já se tornara redator de jornal e já tivera experiência de editoração. Do JM ele participou de duas formas: sendo divulgador e vendedor de assinaturas e colaborador, remetendo matérias para publicação. Quanto ao primeiro encargo, na edição de 06.12.1934, Lourival Marques (Joazeiro, Ceará) é citado pela editora como um dos seus muitos representantes espalhados pelo pais, como agentes de venda avulsa de exemplares. Pelo entendimento, esses agentes recebiam uma determinada quantidade de exemplares de cada edição e faziam a sua venda visitando as “moças” em suas cidades. As contas eram ajustadas no mês seguinte. E a outra forma de estar presente nesse expressivo veículo de entretenimento nacional foi o de colaborar mandando matérias para serem submetidos à publicação. E pelo menos um texto seu nos foi possível localizar, na edição 981, de 05.04.1934, o conto intitulado “O FIM TRISTE DO HOMEM TRISTE”, que a seguir transcrevemos: “A Avenida regurgita de gente alegre. Letreiros luminosos, músicas, rádios, eletrolas... Um barulho ensurdecedor. Por entre a fina elite que passeia e se diverte, o homem triste passa a vagar, com o olhar perdido na multidão. Cinemas... Arranha-céus... Automóveis... Carros e mais carros que deslizam no asfalto sem fazer ruído. Bondes. O homem triste vai rompendo a multidão delirante de alegria... A gola do paletó está levantada, a roupa desbotada é enfeitada com remendos. A camisa, que não se vê, é rota. Os sapatos, rasgados. As vezes, uma tosse seca o sacode como a brisa da tarde sacode as arvores da Avenida... O homem triste sofre a terrível doença transmitida pelo bacilo de Koch... O rosto magro, pálido, os olhos fundos, brilhantes, o andar trôpego, vacilante, bem o demonstram. Mas ninguém o conhece. Há alguém que o vê e, querendo fazer graça, o qualifica: - Um vencido na vida... E ele é bem isso... Indiferente a tudo que o rodeia, o homem triste prossegue de cabeça baixa, os passos incertos. Para onde caminha? Ninguém o sabe. Ele mesmo... Faminto, sem trabalho, doente, o que ele pode encontrar em seu caminho é a morte. E o homem triste sofre, porque sabe que essa morte será longa como uma noite de inverno. Aos seus ouvidos, chega, como uma atração que ele mal pode vencer, o ruído do mar, de encontro ao paredão do cães. Não. O cães é perigoso. No cães há tantos imbecis que era bem capaz de algum atirar-se à água para salva-lo... Salvá-lo? Chega ao fim do passeio. É uma esquina. Sinais de cores, veículos, guardas, apitos. O homem triste cambaleia e apoia-se ao poste... Sorri um instante. Depois, fazendo um esforço, atira-se ao asfalto liso, brilhante, sob as rodas dos automóveis, dos bondes, de uma onda de veículos que passa indiferente. O guarda apita. Sinal encarnado. Tráfego interrompido. Telefone. Aglomeração... Assistência... Uma massa enorme é apanhada do chão. Regulariza-se o tráfego. Carros... carros... bondes... A ambulância roda... Dentro vai o resto do homem triste. Dispersa-se o ajuntamento... Ninguém sabe quem foi... Na Avenida colossal os bondes continuam a passar. E os ônibus. E os automóveis... Os letreiros dos arranha-céus apagam-se e ascendem-se compassadamente... Passa um carro fechado... É a Assistência. Nele vai dormindo um homem. É o homem triste que dorme o último sono... o sono eterno... Lourival Marques”. Pode ter sido essa a primeira grande experiência que já revelaria o grande valor intelectual de seu autor. Nesse ano, como já vimos em textos anteriores, Lourival Marques, por um simples desafio e uma carta a um amigo em Alagoas, escreveu um texto que se tornou clássico para contar o dia de tristeza, quando da morte do Pe. Cícero. Isso também foi em 1934, depois da sua permanência na redação do jornal A Cidade do Pilar (AL). Depois disso só as edições juazeirenses de Província e Roulien Jornal, já mais próximas da viagem que o tornaria famoso, o homem de publicidade, de rádio e tv, mas, acima de tudo, um grande intelectual de sua nação.

(Na Foto: Capa de época da tradicional revista Jornal das Moças, Rio de Janeiro.) 

BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV) Oh... Ópera! (1ª. Parte)
Por Renato Casimiro
O que virá a seguir, no meu entendimento, é algo que só comporta a apresentação e transcrição integral de textos, para melhor análise e esclarecimento do leitor. Penso que aqui não me cabe fazer juízo de mérito sobre fatos, motivos, razões e atitudes. Ficarei à margem para apenas reunir argumentos que nos permitam compreender o andamento do acontecido. Para tanto, dada a complexidade, a sistemática será a de ir introduzindo textos em obediência a certa cronologia e à conveniência da nervosa interlocução. Trataremos de um fato muito representativo na vida de Lourival Marques, e que num certo período, entre 1957 e 1958, trouxe-lhe grande desconforto, e se bem imagino, com grande repercussão sobre sua carreira profissional, vida pessoal e familiar. De alguma forma, eu penso também que Lourival administrava bem a sua relação com o contraditório, com as opiniões que divergiam de suas ideias e criações. Mas, ele justificava isso, diária e plenamente, pois era perfeccionista, detalhista, competente em lidar com fontes e era, sobretudo, um intelectual de ótima formação. Portanto, “avis rara” que tinha livre trânsito no ambiente das suas “navegações”. Pois a lembrar o poeta, “navegar é preciso, viver não é preciso”. Nem sempre foi compreendido, e a história que aqui se tentará recompor, lamentavelmente, para contá-la em detalhes, reflete esse intenso ruído diante do que não foi a atitude sensata e generosa de alguém que muito o machucou, através da imprensa. Tristemente, a sua reação, o palavreado destemperado, terminou por lhe comprometer perante amigos e público e Lourival, ele mesmo, sofreu duramente por isso. Refiro-me ao incidente que o vitimou diante de críticas muito ácidas, saídas da lavra da senhora Maria Magdala da Gama Oliveira, ou simplesmente Mag. (como era e será citada daqui por diante), jornalista de grande prestigio e popularidade, nesse período referido, assinando uma coluna diária sobre rádio e tv no jornal Diário de Notícias (RJ) (citado daqui por diante como DN), com redação supostamente independente, a ponto de irritar e incomodar muita gente, sem se preocupar se doeria ou não, em quem quer que fosse. Já em 1956, seu comportamento era motivo suficiente para um samba de Haroldo Barbosa, amigo e colega de Lourival, na Nacional, com o título “Pra que discutir com Madame?” Em 1957 algumas de suas notas no DN já irritavam Lourival. Vejamos essas que se encontram nesse jornal, nas datas de 26.03, 05.11 e 21.11: “A ENCICLOPÉDIA – Não precisamos saber o prefixo da estação para sentir “no ar” o velho estilo da Nacional. Tem a emissora a melhor orquestra de nosso “broadcasting”, o melhor grupo de rádio atores, bons cantores populares, ótimos redatores. Ora, com tudo isso, a Nacional podia apresentar bons programas. No entanto, um micróbio, desconhecido, e dos mais perniciosos, afasta sempre a estação das realizações sérias, dignas de louvores. Esse micróbio é o da vulgaridade. Estranho conceito leva a Nacional a temer as realizações plenamente artísticas, e todos os seus programas devem levar o condimento do humorismo plebeu, numa adaptação ao estilo impingido ao povo, desde a fundação da emissora, um estilo arcaico sem nenhum conteúdo cultural. A começar pelo título, o programa “Enciclopédia Maisena” é mais uma desagradável mistura de coisas austeras e ridículas. O redator Lourival Marques cita, na letra “G”, o compositor Carlos Gomes, o poeta Gonzaga, vocábulos como Graça, Gol, etc. Até aí, ótimo. Pior são as anedotas de almanaque enxertadas no texto... Um doente procura o médico, e este receita “alimentos preferidos pelas crianças, os quais o doente interpreta a seu modo, terra, ponta de lápis, etc” Positivamente, isso não tem graça nem senso. O micróbio de vulgaridade destrói o mérito das excelentes execuções da orquestra sob a regência do maestro Léo Peracchi, as referências inteligentes do redator a palavras usuais, e dos demais elementos que fariam da “Enciclopédia” um magnífico programa. O estilo da Nacional deve ser renovado. Para o assunto, pedimos a atenção do Sr. Moacyr Arêas, diretor da importante emissora oficial. Mag. (Diário de Notícias (RJ), 26.03.1957)”. “AS FORTALEZAS – LOURIVAL MARQUES acaba de ser designado assistente da direção-geral da Rádio Nacional com atuação direta sobre toda a parte artística da emissora. Se as coisas continuarem como estão na dita emissora, Lourival Marques terá pouco trabalho. A parte verdadeiramente “artística” da emissora se resume nos “Festivais GE”, aliás, já entregues ao comando competente do maestro Léo Peracchi, e o setor musical da programação, também subordinado a elementos de valor como Radamés Gnatali e os músicos que compõem a orquestra sinfônica da estação da praça Mauá. E o resto? Três “fortalezas” se erguem no centro da Nacional, repelindo quaisquer investidas de gente bem intencionada para salvar a emissora do cafajestismo ali predominante: os programas “Manuel Barcelos”, “Paulo Gracindo” e “César de Alencar”. A Nacional, de fato, não pertence ao governo, mas a esses magnatas do auditório, empresários do histerismo de “inocentes úteis” feitores de cozinheiras transviadas que abandonam os empregos, ou servem mal às patroas, atraídas pela tabela tentadora dos desmaios remunerados e a “claque” teleguiada. Que estratégia poderá empregar o Lourival Marques para derrubar as “fortalezas”? Ousará o cerco? Terá armas para isso? É de duvidar. Ao assumir a direção da Nacional, faz alguns anos, o Sr. Marcial Dias Pequeno convidou a cronista do “Diário de Notícias” para dirigir a parte artística da emissora. O assunto divulgou-se nos corredores da estação, e logo surgiu uma anedota. Diziam que a Emilinha Borba procurara o maestro solicitando-lhe uma ária da “Traviata”. Pouco depois a Marlene fez o mesmo, pedindo um trecho da “Aida”. E, assim, várias cantoras, mas queriam as óperas em ritmo de samba. Perplexo, o maestro quis saber a razão da preferência. – Dona Mag vem aí!, explicaram-lhe. Dona Mag, sabida, não foi? Conhecia as “fortalezas” e outros entraves irremovíveis na época, e até agora. Quem tinha e tem a faca na mão é o governo, mas este nada faz sem a espada de ouro. Eis que surge no campo de batalha o Lourival Marques. Não sabemos se traz a armadura de Dom Quixote ou se possui uma arma secreta, eficaz. Queremos ver para crer. Mag. (Diário de Noticias (RJ): 05.11.1957)”. “ESTRÉIA INFELIZ – A Nacional estreou uma produção de Lourival Marques, recentemente nomeado “diretor artístico” dessa emissora. E o que ouvimos, foi uma calamidade radiofônica que não é produção, nem programa, nem nada. Parece incrível que um cidadão culto, inteligente, dispondo de situação de prestígio na radiodifusão carioca, como Lourival Marques, tenha autorizado a referência ao seu nome como autor da baboseira intitulada “Musical Singer”. Dona Emilinha Borba cantou quase o tempo todo músicas mal escolhidas, em péssimos arranjos do maestro Alexandre Gnatalli, orquestra e coro mal ensaiados. Duas “piadas” maliciosas, com Zezé Macedo e Apolo Correia, marcaram a falta de gosto de Lourival Marques como redator. O pior foi o berreiro do auditório, e outra expressão não existe senão “gritos histéricos” do auditório para consignar a presença dos “fã-clubes” de dona Emilinha Borba. Lá apareceu, também, um artista convidado, um tal de Luis Cláudio, cantor que não impressiona bem pela sua voz grave-aguda, forte-fraca, voz desigual, portanto, na melodia de Tito Madi, “Quero-te assim”. Na balbúrdia de “Musical Singer” apenas se aproveitou a atuação do locutor Paulo Gracindo, que se absteve de exageros. Como vemos, a Nacional mergulha cada vez mais fundo na mediocridade radiofônica. Até o inteligente Lourival Marques é envolvido nas trevas intelectuais que caracteriza a emissora do Governo... E, a propósito, fomos informados que será inaugurada em Brasília, brevemente, uma filial da Nacional do Rio, por iniciativa do sr. Juscelino. O povo paga tudo. E só recebe em troca transmissões horrorosas como “Musical Singer!”, e outras no estilo da Praça Mauá. Lamentável. Mag. (Diário de Notícias (RJ), 21.11.1957)”. (Continua na 2ª. Parte)

(Na Foto: Na Rádio Nacional, Lourival Marques e Manoel Leite, então Chefe do Depto. de Rádio Cinema e Televisão da Mac-Cann Erickson do Brasil, representando o cliente-patrocinador Esso do Brasil.)

BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV) Oh... Ópera! (2ª. Parte)
Por Renato Casimiro
As notas que estou transcrevendo já nos permitiram sentir o clima que rodeava Lourival Marques no seu cotidiano de produtor e diretor da Nacional. A bem da verdade, não era esse o clima meramente pessoal, pois a atmosfera já estava se carregando com os boatos de que o governo Juscelino estava tramando o fechamento da Nacional e havia grandes interesses em jogo. Seguramente, Lourival era conhecedor minucioso dessas manobras e disso tomou parte no que seria a reação com a instalação da Tv Nacional em Brasília, projeto que já se estruturava por esses anos. Produtor de grande efervescência, sua cabeça “fumaçava” para conceber novos programas, e atrações na emissora, de modo a superar a crise de audiência que vez por outra se instalava. Foi assim que ele investiu muito de sua inventiva para criar o “Oh... Ópera!”, importante desafio de sua genialidade que foi anunciado brevemente em releases da Nacional. Valho-me da melhor impressão dessas leituras da imprensa da época, transcrevendo aqui o sentimento de Moisés Weltman, no editorial da revista semanal Radiolândia (11.10.1958): “Outro registro que queremos fazer é o de uma estreia radiofônica, Oh...Ópera, programa de Lourival Marques que será lançado ao ar, pela Rádio Nacional. Dizemos hoje, dia em que escrevemos esta crônica. Ainda não o ouvimos. Traz, porém, a assinatura-garantia de Lourival Marques. Sabemos que se trata de um programa elaborado, com “script” complexo e bem escrito. Uma paródia inteligente, e não grotesca, de óperas famosas. Tudo em versos. Tudo cantado. Arranjos especiais, que se constituirão em autênticas partituras semanais, a cargo de Leo Peracchi. As melhores vozes do elenco da Nacional defendendo texto e música, Ora, só pode sair coisa boa. Esperamos que “Oh... Ópera” venha a ser um dos grandes sucessos radiofônicos do ano. Somos do que vem combatendo a orientação de programas fáceis, que dominou o “broadcasting” carioca nestes últimos anos. Chamamos programas fáceis aos que tem produtores de renome, mas praticamente não tem texto. Programas bem arrumadinhos, bem organizados, mas que, no fundo, não passam de “programas de legendas”. Sabemos que nem sempre a culpa é dos produtores, mas da atmosfera rotineira e medrosa que domina certas estações. A própria Nacional andou um tempo fazendo esta política do fácil. Felizmente, está havendo reação. Em passado recente vários programas montados foram lançados pela E-8, e também pela Tupi e Mayrink. E é com alegria que aplaudimos o lançamento de “Oh... Ópera”. Que não fique nesta dose, porém, são os nossos votos. Queremos mais e melhores programas como este, difíceis, trabalhados. Bons.” As críticas muito ruins da senhora Magdala para com a produção de Lourival continuaram saindo no Diário carioca. Ao noticiar a estreia ela põe uma pitada de veneno, nomeando o tópico como “Escandalo”. Vejamos mais alguns textos. “ESCANDALO – Do produtor Lourival Marques, a Rádio Nacional lançará, na próxima terça feira, às 21h05m, o programa “Oh... Ópera!”. Tomarão parte nessa audição, entre outros, os seguintes vocalistas que viverão os personagens da curiosa versão de “A bela adormecida”: Zezé Gonzaga, Gilberto Milfont, Leo Vaz, Lenita Bruno, Hélio Paiva e Albertinho Fortuna. Orquestrações do maestro Leo Peracchi. Narração de Aurélio de Andrade. (Diário de Notícias (RJ), 20.09.1958).” “CONTRAFAÇÃO – Como não parece existir no Brasil um Ministério da Educação e Cultura, a Rádio Nacional levará ao ar, hoje, às 21h05m, a estreia do programa “Oh... Ópera!” no qual será apresentada uma versão de “A Bela Adormecida”, cujo resumo foi enviado aos jornais pela emissora do Governo: “O rei Balandráu I de Bangolândia e sua esposa, a augusta rainha Bronzilda, são avisados pelo sapo misterioso de que nascerá no palácio uma formosa princesa. No dia do nascimento da princesa Belindalinda, celebra-se uma grande festa para a qual são convidadas doze fadas. Mas, quando maior é a alegria, surge a fada número treze, a tal que fora rifada (sic), e prediz que a princesa morrerá aos quinze anos. O sortilégio é atenuado por uma das fadas bondosas, que transforma a morte anunciada EM UM SONO QUE DEVERÁ DURAR CEM ANOS. Um século mais tarde, surge não se sabe de onde, o formoso príncipe Papanicos Papanicôcos, Senhor de Bahia, o qual, penetrando na mata encantada, descobre a Princesa adormecida e desperta-a com um beijo. E tudo acaba em felicidade, como convém nas histórias de pessoas de boa qualidade”. Serão intérpretes dessa ópera de fancaria os vocalistas Zezé Gonzaga, Léo Vaz, Lenita Bruno, Hélio Paiva, Abelardo Magalhães, Albertinho Fortuna, Jamelão, Nuno Roland, Gilberto Milfont, Araci Costa e o “Côro dos sapos” dirigido por Carlinhos.” (Diário de Notícias (RJ), 23.09.1958). “ALFACE E ÓPERA – Pela manhã, antes de escrever esta crônica, fui ao supermercado de Copacabana comprar alface para o almoço. Pediram-me vinte e quatro cruzeiros por um pé de alface. Isto quer dizer que, numa quitanda ou na feira, a mesma alface estará custando trinta cruzeiros. Essas coisas não surpreendem mais a ninguém. Culpamos o presidente da República por tudo que desgraça o Brasil, mas devemos ver que o sr. Juscelino, sozinho, não poderia tabelar o preço da alface, como, sozinho, não pode tomar conta dos programas da Rádio Nacional. Aqui, nesta coluna, fiz uma advertência ao ministro da Educação e Cultura sobre o programa a ser estreado na Rádio Nacional, sob o título: “Oh... Ópera!”. Que o sr. Clovis Salgado não entenda muito de Educação e Cultura, ainda se perdoa. Não se justifica, porém que o ministro não entenda de ópera, pois essa é a sua vida nos corredores do Teatro Municipal. O sr. Clovis Salgado cruzou os braços, ou melhor, permaneceu na sua atitude predileta, que é ficar de braços cruzados, e o programa “Oh... Ópera!” foi para o ar. Quem ouviu a estreia, mesmo não entendendo de música, verificou que se tratava de um programa super-vulgar, nem cômico, nem artístico, nem entrosado na boa técnica de produção radiofônica. Cantores péssimos. Arranjos musicais horrorosos. O programa seria considerado abaixo da crítica, se esta coluna não houvesse previamente solicitado a atenção do ministro da Educação e Cultura para o crime contra a arte que pretendiam cometer na Rádio Nacional com o lançamento de “Oh... Ópera!”. O ministro cruzou os braços, o programa foi para o ar e a cronista comprou um pé de alface para o almoço. Confirma-se a bagunça como uma das metas da ditadura mineira que desgraça o Brasil.” (Diário de Notícias (RJ), 25.09.1958). (Continua na 3ª. Parte)

(Na Foto: A jornalista Maria de Magdala da Gama de Oliveira, do jornal Carioca, Diário de Notícias)

BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV) Oh... Ópera! (3ª. Parte)
Por Renato Casimiro
Damos continuidade à transcrição dos textos saídos no Diário de Notícias carioca, da lavra da senhora Magdala, em sua coluna, com sua metralhadora voltada para todos os lados, a perseguir produtor, maestro, diretor da emissora, ministro de Estado, presidente da República, etc. Não sabemos ao certo se essa indignação era em si apenas para com o programa, ou se isso já anteciparia uma encrenca maior que o fato ressuspendeu. Para tanto, vamos mais uma sequência indigesta da sua catilinária. “CRIME CONTRA A ARTE” – Enviou-nos o Departamento de Divulgação da Rádio Nacional a seguinte nota: “Novo lançamento – “Oh... Ópera!” é o programa que a Rádio Nacional lançará no dia 23 do corrente, às 21:05 horas. Na audição de estreia tomarão parte os seguintes vocalistas: Zezé Gonzaga, Leo Vaz, Lenita Bruno, Hélio Paiva, Abelardo Magalhães, Albertinho Fortuna, Jamelão, Nuno Roland, Consuelo, Odaléia Sodré, Vera, Ivone Rabelo, Cleide Moura, Araci Costa, Gilberto Milfont e o grande coro dirigido por Carlinhos. Produção e direção de Lourival Marques. Orquestrações e regência do maestro Leo Peracchi. Narração de Aurélio Andrade”. Trata-se de uma iniciativa lamentável sob todos os aspectos. É incrível que numa estação como a Nacional, que pertence ao governo, ninguém saiba o que seja uma ópera, como gênero musical, e as características de seus interpretes, que devem ser cantores líricos. É lamentável que os Srs. Moacir Arêas e Floriano Faissal tenham aprovado semelhante programa, como a dar prova de ignorância e incompetência na direção da mais importante emissora de rádio do Brasil. Pedimos, no caso, a intervenção direta do Sr. Clovis Salgado, Ministro da Educação e Cultura, a quem caberá coibir a irradiação de um programa que será nocivo ao nosso pais, pela boçalidade de suas intenções, com o aproveitamento de artistas populares que também merecem respeito e não devem ser lançados numa aventura humorística sob o título ridículo: “Oh... Ópera!” (Diário de Notícias (RJ) 18.09.1958). “SUGESTÃO – Continua a Rádio Nacional a levar ao ar o pior programa até agora apresentado pelas emissoras cariocas. Trata-se de “Oh... Ópera!”, produção que terá inexplicavelmente, a cumplicidade do maestro Léo Peracchi, sem dúvida artista de talento, músico que merece o respeito de todos nós que cultivamos a verdadeira arte. No entanto, o maestro Léo Peracchi vem comprometendo o seu próprio nome, seus princípios estéticos, nesse infeliz programa de rádio. Não quero envolver nesta censura os elementos que participam do “cast” de “Oh... Ópera!”, entre os quais destaco a brilhante cantora Lenita Bruno. Considero, ainda, responsáveis pela péssima obra radiofônica o sr. Moacir Arêas, diretor da Nacional, e o sr. Ministro da Educação e Cultura. Eu, sinceramente, gostaria de saber as opiniões do diretor e do ministro sobre a paródia de “Romeu e Julieta” irradiada anteontem. Não foi a primeira vez que a tragédia de Shakespeare sofreu o humorismo irreverente de pessoas sem imaginação, pessoas sem imaginação, pessoas que perpetram programas de rádio, roteiro de revistas para a praça Tiradentes, “shows” de televisão, etc. O que espanta, no caso, é se tratar de iniciativa de prestigiosa emissora oficial que tem a cumprir finalidades culturais e educativas. Se o sr. Moacir Arêas ainda não ouviu “Oh... Ópera!”, peço-lhe que promova uma audição de “Romeu e Julieta”, convidando para o debate da mesma críticos musicais e críticos de rádio e televisão. Aqui fica a sugestão, não o desafio. Confio na honestidade, na inteligência, no bom senso do sr. Moacir Arêas, certa de que o sr. Moacir Arêas não recusará esta oportunidade de conhecer o julgamento da crítica esclarecida, se assim solicitada, quanto ao mérito de um programa da emissora a seu cargo.” (Diário de Notícias (RJ), 23.10.1958). “EM DEFESA DO POVO – Ao que parece, o sr. Moacir Arêas, diretor da Rádio Nacional, permanece de braços cruzados com referência ao programa “Oh... Ópera!”, que continua a provocar náuseas nos ouvintes da importante emissora. Temos hoje, mais uma prova de que o programa é irracional, deseducativo, cretino, o que passamos a demonstrar, com a transcrição do roteiro distribuído para a próxima terça feira, sob o título “Colombo...”: “Quando Colombinho nasceu, sua atração pelo mar se manifestou quase prontamente. Já moço, depois de muitas viagens, Colombo vai ter a Lisboa e aí se casa e tenta convencer o rei D. João II a confiar-lhe o descobrimento da América. O rei “cozinha” (sic) o navegador e às escondidas, manda seus próprios navios pelo mar. Revoltado e desgostoso, Colombo mudou-se para a Espanha e ofereceu seus serviços a Isabel. A rainha esvaziou as prisões e entregou a Colombo toda a gente “bem” (sic) que lá estava esperando a força ou as galés perpétuas como castigo de crimes cometidos. A expedição partiu de Palos rumo a São Domingos. Oitenta e oito feras famintas, revoltadas, que Colombo teve de dominar. E a tragédia não se consumou porque apareceu no horizonte a primeira tanga e a primeira palmeira. Os indígenas, na praia, perguntaram a Colombo se ele era Colombo e ao ter a resposta afirmativa fugiram gritando “Deus salve a América”. Felizmente, a Espanha já possuía um cônsul naquela região: Xavier Cugat, que recebeu festivamente os descobridores. Era 12 de outubro de 1492”. Eis prezados leitores, o capítulo da História do Brasil que a Rádio Nacional vai narrar ao povo brasileiro, na próxima terça-feira. E o sr. Clóvis Salgado, ministro da Educação e Cultura, continua a sonhar com a ópera “Fausto”, de Gounod...”. (Diário de Notícias (RJ), 26.10.1958). (Continua na 4ª. Parte)

(Na Foto: O produtor Lourival Marques e o narrador do programa “Oh! Ópera”, Aurélio Andrade).
BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV) Oh... Ópera! (4ª. Parte)
Por Renato Casimiro
Mesmo reconhecendo que “coisas sérias” deram ótimos ganchos para a produção de humor, a cronista do Diário carioca se mantém irredutível na sua cruzada para advertir a inteligência do pais contra o abuso e a arrogância que um produtor da Rádio Nacional, um redator já bem elogiado, teve de ousar para recontar com graça alguns flagrantes da história da civilização. Esses escritos irritaram e vão ser, oportunamente, esclarecidos pelo que será dito no futuro, em resposta, pelo próprio Lourival Marques que até então, guarda o silêncio necessário para não explodir diante de tanta e sistemática provocação. Enquanto isso, vamos continuar “ouvindo” o que ela insiste em nos dizer: “CONTRA A CULTURA DO POVO” – Continua a Rádio Nacional a realizar obra contra a cultura do povo, transmitindo às terças feiras o programa “Oh...Ópera!”, com a cada vez mais lamentável colaboração do ilustra maestro Leo Peracchi. Recebemos, ontem, um resumo do próximo “espetáculo” que passamos a transcrever: “O Belo e a Fera – Mamãe Roscofézia é uma viúva, mãe de três rapazes: Serigaito, Pasouquilo e Planildo. Certo dia, indo viajar, ela pergunta aos filhos o que desejam como presente. Os dois primeiros pedem presentes de alto preço, mas Planildo só deseja um envelope azul. Quando regressava, Mamãe Roscofézia, fugindo da tempestade, abrigou-se num castelo misterioso. Ali, depois de jantar, encontrou o envelope que o filho mais moço lhe havia pedido. Mas, ao invés de tirar apenas um ou dois, recomendava um aviso escrito na parede, encheu as mãos do precioso alivio efervescente. Logo apareceu uma fera apavorante que lhe censurou a ação e, para não matá-la, exigiu que voltasse para casa e de lá trouxesse o primeiro ser vivo que encontrasse. Por desgraça, foi Planildo a pessoa a quem primeiro avistou, sendo obrigada a levá-lo para o castelo da fera. Esta insiste para se casar com o mancebo, mas ele se recusa e foge. A fera adoece de amor. Planildo se compadece a voltar para dizer que aceita o casamento. Imediatamente, da pelo horrenda do monstro sai uma preciosa princesa com quem o nosso herói se casa. O enredo, evidentemente, não tem originalidade, mas a redação constitui mais uma demonstração de ignorância que muito compromete o diretor da Rádio Nacional, Sr. Moacir Arêas.

(Diário de Notícias (RJ) 15.11.1958). “AINDA” – Na semana passada, o programa “Oh... Ópera!” teve um roteiro ainda pior. Não vamos gastar espaço com a transcrição integral do libreto, pois algumas linhas bastam para apontar, mais uma vez o crime que o Sr. Moacir Arêas vem praticando, na emissora oficial, contra a educação do povo: “Quando Alexandria era capital do Egito, existiu uma jovem e encantadora rainha que se chamava Cleópatra. Entre dois “rock “n” roll” e um jogo de tênis, ela se disfarçava de baiana e ia escutar as belas canções do Nilo”. Chega! Isso é uma vergonha. (Diário de Notícias (RJ) 15.11.1958). “OUTRA OPINIÃO – Como é do conhecimento do leitor, consideramos o programa “Oh... Ópera!”, da Nacional, o pior do rádio brasileiro. A transmissão de terça-feira foi mais uma calamidade. Mas, não estamos (.........) na repulsa a essa vergonhosa iniciativa. Vamos transcrever o comentário publicado no “Jornal do Brasil” de ontem, seção de rádio e televisão (CF): “O Belo e a Fera” foi o título da última apresentação do programa “Oh... Ópera!”, na Rádio Nacional. A velha lenda do século XVIII, da qual Jean Cocteau, em 1916, soube extrair uma das obras-primas do cinema francês, filme cheio de poesia e que nunca envelhecerá, foi inteiramente assassinada por essa chanchada que a Nacional levou ao ar na noite de terça-feira. De tremendo mau gosto a ideia de utilizar o texto para propaganda comercial de determinado produto, insistindo a torto e direito nas citações do remédio contra azia e chegando a substitui-lo pela “rosa” do pedido feito ao pai por Belo (nossa apresentação: Pianildo...); nesse sentido, a peça não passou de um enorme e estafante anúncio do produto patrocinador. Infelizmente, nada, absolutamente nada, aproveitou-se disso tudo. O humorismo fraco e sem espontaneidade. Por que a troca de sexo de todas as personagens... O texto sem qualquer poesia e os versos primários e vazios. As músicas totalmente inadequadas. A própria orquestra do maestro Léo Peracchi merecia melhor emprego e é de lastimar que se preste a essas coisas. Enfim, o nome da viúva, Roscolézia, define o programa... roscof”. Com esse comentário do “Jornal do Brasil”, vemos que, de fato, “Oh... Ópera!” é mesmo considerado o pior programa do rádio brasileiro, como asseguramos em diversas crônicas, traduzindo igualmente, a opinião de numerosos leitores desta coluna.” (Diário de Notícias (RJ), 21.11.1958). Até então isolada nos seus comentários, dona Mag. Começou a colher simpatia na classe dos críticos de rádio e televisão, na pessoa de um certo CF, do Jornal do Brasil, que na edição do JB referida (20.11.1957) atribuiu ao programa a nota 2. Assim ela deverá ir colhendo outras impressões que reforçam as suas certezas, e não deixaremos de relacioná-las e transcrevê-las para uma visão mais abrangente de sua causa. (Continua na 5ª. Parte)

(Na Foto: O produtor e diretor musical Lourival Marques e o maestro Léo Peracchi)
BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV) Oh... Ópera! (5ª. Parte)
Por Renato Casimiro
Às provocações da cronista do Diário de Notícias (RJ), a comunidade radiofônica carioca aguardava a mais contundente resposta de Lourival Marques. E é através de uma edição dominical do Diário Carioca, em 30.11.1958 que ele se expressa, como abaixo vamos transcrever, na matéria que veio encimada com a seguinte manchete: “Lourival responde às Ofensas que Sofreu (Em declarações ao DC responde o produtor)”. Por simples questão de ética, e, ao mesmo tempo, a fim de dar direito de defesa aos que são violentamente criticados, é hábito nosso ceder espaço, neste suplemento dominical, a elementos da TV e do rádio que desejem responder às censuras sofridas, tanto da parte do redator especializado deste diário como de qualquer outro. E é escusado acrescentar que as declarações aqui inseridas são sempre de absoluta autoria dos entrevistados, não se responsabilizando o DC pelo que elas encerram, assim como o jornal não endossa as opiniões dos que emitem, dessa forma, seus pontos de vista. Assim, divulgamos hoje, o depoimento de Lourival Marques, produtor da Rádio Nacional. “OH, ÓPERA” – Lourival Marques lançou, pela PRE-8, recentemente, o “Oh, Ópera”, às terças feiras, às 21,05 horas, programa que ele mesmo chama de “brincadeira musical”. Bem recebido pela crônica radiofônica (alguns comentaristas o situaram entre os melhores, senão o melhor programa do ano), o “Oh, Ópera”, foi desde o primeiro dia, violentamente atacado pela crítica Mag. do “Diário de Notícias”. E Lourival nos prestou, a propósito, as seguintes declarações: “-Não sei se foi Fernando Lôbo... Sei que, há alguns anos atrás, um cronista de rádio estudou a personalidade da comentarista que me ataca, em nota que intitulou de “Uma cronista desonesta”!. Não foi o primeiro nem último estudo inspirado naquela senhora. Muitos já a definiram em palavras que não desejo repetir. Mas, talvez possa dar minha contribuição a essa literatura pitoresca, nem sempre capaz de ser reproduzida.” CRITICA: Continuou Lourival Marques: “- Nunca fui de atitudes violentes. Não respondo às críticas. A crítica é um direito. O crítico tem inteira liberdade para gostar ou não gostar de um trabalho. E ninguém negará os efeitos salutares da crítica construtiva.” Adiante: “- Mas criticar um programa antes de o mesmo ser lançado, sem conhecer sequer, seu conteúdo, tendo como única referência um título, não é só desonesto; é, também, inédito. Não sei e maior prova de má fé. Foi o que fez d. Mag.” E acrescentou: “- Quem abrir o jornal em que aquela senhora escreve – qualquer exemplar, de qualquer data – observará sua constância nos ataques à Rádio Nacional, aos seus dirigentes e aos seus artistas. É uma psicose.” PROVEITO: Analisando o trabalho da jornalista, comentou o popular produtor: “-Quem acompanha a coluna de rádio dela, observa também esta constância: a cronista usa o espaço que lhe é dado para fim útil, em seu proveito pessoal. Quem se der ao trabalho de ler o que ela vem escrevendo há 15 anos, mais ou menos, chegará facilmente a esta conclusão. Dona Mag só teve até hoje, um objetivo: dirigir uma destas três emissoras: Nacional, Ministério da Educação ou Roquete Pinto. É só alguém observar suas crônicas. Subitamente, ela desaba com seu melhor vocabulário sobre uma dessas estações. E, durante uma temporada, numa “assinatura” às vezes longa, às vezes curta, desanca-a com ou sem pretexto, com ou sem motivo.” “GAZUA”: Prosseguiu: “-Foi com essa “gazua” que ela conseguiu o cargo de diretora da Rádio Roquete Pinto. Que fez a cronista ao se instalar naquele importante posto? Transformou a emissora cultural em estação comercial, nesse rádio comercial que ela tantas vezes combate (para uso externo). Ainda estamos lembrados de seu fracasso. Em boa hora felizmente, a emissora voltou às suas finalidades e a mãos competentes. E com um sorriso: - É por isso que as más línguas dizem que ela precisa, urgentemente, de um prefixo onde apresentar seus “brotinhos”... Se me demoro nestes detalhes é para explicar por que não dei atenção às “críticas” de dona Mag. Para mim, elas sempre se dirigiram (embora indiretamente) aos Governos (de Getúlio para cá) que nunca se lembram de convidá-la para a direção da PRE-8.” FACCIOSISMO: Insistindo na argumentação de que as críticas ofensivas a ele dirigidas pela citada senhora são de parcialidade irritante, Lourival Marques disse: “– Querem outra prova de seu facciosismo? Todos sabem que a Nacional educa o povo através de inúmeros programas. A Nacional faz arte da melhor qualidade quando irradia programas como “Festivais GE”. A Nacional instrui e informa em programas como “Seu Criado, Obrigado”. Nenhuma pessoa honesta poderia negar a boa influência da Rádio Nacional na educação do povo. Especialmente do interior, pois como sabemos, é uma estação de cobertura nacional. Pois bem, quantas vezes a cronista já se ocupou em elogiar aqueles e outros programas? Quantas vezes já enalteceu o esforço honesto da Rádio Nacional? Gostaria de que respondessem...” EQUIPE: Tratando especificamente do “Oh, Ópera”, além daquela desonestidade que foi a crítica feita antes de o programa haver sido realizado, a cronista tem insistido em que ele deseduca porque deturpa os fatos. Ela escreveu para as autoridades, na esperança de que estas leiam as crônicas sem ouvir o programa. Por outro lado, rádio é equipe. O maestro, o orquestrador, o músico, o cantor são pelas do conjunto. Recebem uma tarefa que devem realizar, de acordo com um contrato assinado. Censurar uma dessas partes pela sua participação no trabalho é ignorância ou má fé. Nos ataques fitos por dona Mag ao maestro Léo Peracchi há má fé e “boçalidade” (perdoem o termo, mas faz parte de uma das últimas crônicas dela). E não confundem nenhum leitor, por mais leigo que ele seja... Foi depois das tragédias gregas que surgiram as sátiras. O teatro satírico é, ainda hoje, um sucesso. O cinema também. A idéia de “Oh, ópera” nem sequer é nova no rádio: muitos já a fizeram antes. O que há de novo no meu trabalho é o tratamento, o carinho do orquestrador, dos cantores, dos músicos (professores do Teatro Municipal e da Sinfônica). SATIRA Sempre a repetir que se acha profundamente magoado com a “assinatura” ofensiva a irritante, para a qual não acha que dê razão, continuou Lourival Marques: “-Não posso crer que dona Mag desconheça o sentido da palavra “sátira”. Lendo seus conceitos, ao invés de acusá-la de burrice, prefiro atribuir-lhe má fé e velhacaria, porque nem com a máxima má vontade se poderia ver no meu programa um insulto à opera ou atentado à Arte. Não há nem pode haver, em “Oh, ópera” a menor dúvida sobre o seu sentido satírico, claramente anunciado. O tratamento jocoso é tão pronunciado que nem o mais analfabeto dos analfabetos iria imaginar, por exemplo, que, chegando à América, em 1492, Colombo realmente lá houvesse encontrado Xavier Cugat como cônsul da Espanha. Se fosse uma sátira Brasília ou a general Lott, dona Mag estaria batendo palmas com entusiasmo. Porque isso, pelo menos neste momento, consultaria a seus interesses. E finalizando: “- A crítica radiofônica do Rio tem inúmeros cronistas. Mas não sei de nenhum outro que use a sua coluna para fazer chantagem. Não sei de nenhum que use essa linguagem vulgar de estivador, tão ao gosto de dona Mag (vide sua literatura a propósito do “Oh, Ópera”). Destruir é fácil, quando se tem coluna de jornal para usar sem escrúpulos. Difícil é ajudar a construir, criticando para melhorar, com isenção de ânimo e autoridade. Isso dona Mag não tem”. (Até aqui a entrevista-resposta de Lourival Marques.) (Continua na 6ª. Parte)

(Na Foto: A cantora Lenita Bruno, e os cantores Carlos Galhardo e Albertinho Fortuna cumprimentam o produtor Lourival Marques pelo êxito de seu programa.)

BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV) Oh... Ópera! (6ª. Parte)
Por Renato Casimiro
A revista Radiolândia, periódico semanal que contava com Lourival Marques como seu colaborador, desde a sua fundação, através das matérias: Dicionário da Gente de Rádio e Seu Criado, Obrigado), através de sua coluna de Cotação de Programas, sobre a edição de lançamento, em 23.11.1958 – A Bela Adormecida, fez o seguinte comentário para ao final atribuir uma nota (de 0 a 10): “Nenhuma restrição se poderá fazer no tocante à execução desse novo programa de Lourival Marques, em sua audição de estreia. De difícil feitura, decorreu toda ela praticamente sem falhas, quer por parte dos cantores, quer por parte da orquestra. Mesmo Aurélio de Andrade, a quem foi confiada a narração, desempenhou-se satisfatoriamente de sua missão. A partitura, composta por Leo Peracchi, a despeito da irreverência para com algumas árias consagradas, era tecnicamente perfeita. Também é louvável que a Rádio Nacional tenha substituído um programa de perguntas banal e desinteressante por outro de maior envergadura, resistindo assim à lamentável tendência para o primarismo que vimos notando ultimamente em sua programação. Achamos apenas que a primeira audição de “Oh... Ópera”, como sátira, não alcançou o seu objetivo. Faltava-lhe graça, não só no texto, como na interpretação dos cantores que, não sendo comediantes, preocupavam-se apenas com a própria voz, roubando a graça que o “script” porventura pudesse ter. De qualquer modo, um bom programa, que por certo irá se firmando e melhorando a cada semana, pois seu produtor é dos melhores e mais responsáveis, com que conta o nosso rádio. Cotação: 7 (sete)”. Também a Radiolândia, na sua edição de 20.12.1958, repercute sobre a questão Lourival x Mag e, a propósito de inserir ali textos da senhora Mag e fragmentos da entrevista de Lourival ao Diário Carioca, faz constar também o seguinte posicionamento: “LOURIVAL MARQUES é, muito justamente, considerado um dos maiores, dos mais sérios, dos mais competentes e dos mais mais que se possam inventar no rádio brasileiro. Mag (pseudônimo de D. Magdala da Gama Oliveira) é uma das mais combativas, das mais intransigentes, das mais lidas cronistas especializadas do Rio de Janeiro. Sua seção no conceituado matutino “Diário de Notícias” tem sempre grande repercussão. Pois Lourival Marques e Mag estão numa briga feroz, por causa de “Oh... Ópera!”, ou melhor, não era propriamente uma briga, pois somente a cronista atacava e o produtor agüentava calado. Agora, porém, a coisa muda de figura. É uma briga mesmo. E nós não temos nada com isso. Respeitamos a ambos, dando-lhes o justo conceito que conquistaram, cada um no seu setor, através de anos e anos de trabalho. Limitamo-nos a transcrever - coma devida vênia da autora – trechos de crônicas de D. Mag e declarações do produtor Lourival Marques, da Rádio Nacional. O público que tome o partido que lhe aprouver e dê razão a quem tiver.” Interessante é retomar esse texto da entrevista, em comparação ao da Radiolândia, pois na última aparecem alguns detalhes que parecem ser acréscimos que Lourival inseriu ou o DC havia previamente censurado, como a seguir: “Certa vez, Mag foi pedir emprego na Rádio Nacional. Queria tocar violino na orquestra. Fez uma prova. Não passou. Não conseguiu o emprego. Isso foi há muito tempo, já. Teria guardado rancor? Prefiro acreditar no mais evidente: a cronista uma a sua coluna como uma “gazua” para atingir o que deseja: a direção da emissora”. “De outra feita, quando eu ocupava a direção de “broadcasting” da Radio Globo, deixei-a falando para microfones desligados. É que a cronista “doublé” de “radialista” desobedecia as constantes reclamações do contra-regra. Seu programa passava da hora, prejudicando o patrocinador do programa seguinte.” “Mandei avisar que se continuasse excedendo o tempo previsto, cortaria o programa. Não fui obedecido. Com minha autorização o contra-regra fez o corte. Seria rancor, lembrança desse episódio? Não acho. O que Mag quer é dirigir uma emissora. Uma grande emissora”. Outro fato relevante é o que diz Lourival em detalhes, em apoio ao maestro Leo Peracchi. Ele reafirma a bacharia que é se voltar para o maestro como se ele fosse um ingênuo e não soubesse de suas responsabilidade pelo contrato que mantinha com a Nacional. Diz ele que “O programa nada tem que deslustre o nome do excelente orquestrador e regente. Mas se tivesse, a ele nenhuma censura poderia ser feita. E isto ela sabe muito bem. (...) Se não se tratasse de má fé patente, eu lhe pediria que abrisse um dicionário e verificasse o significado da palavra “sátira”. Lá está: “composição destinada a censurar ou ridicularizar defeitos ou vícios. Censura jocosa”. As sátiras existem desde que surgiram as tragédias gregas. Qualquer um sabe disso. E é o que o “Oh...Ópera!” faz. Transforma um assunto sério em piada. Com todos os exageros possível. (...) Ninguém censurou o Professor Madeira de Freitas quando escreveu “O Brasil Pelo Método Confuso”. Até um analfabeto sabia que se tratava de uma simples brincadeira. Os termos em Radiolândia reafirmam o que dissera antes no DC: “A verdade simples e clara é que Mag nada tem contra o programa “Oh... Ópera!”, nem – acredito – contra o seu produtor, que sou eu. Sua guerra – que já vem durando mais de quinze anos (quem quiser consulte as crônicas ali publicadas) é contra esses teimosos homens de governo que até hoje, obstinadamente, tem-se recusado a convidá-la para dirigir a Rádio Nacional. Ou a Rádio Ministério da Educação. Ou a Rádio Roquette Pinto. Periodicamente – quando lhe parece oportuno – ela recrudesce a sua campanha contra uma destas emissoras. E foi assim que conseguiu a direção da Rádio Roquette Pinto”. (Continua na 7ª. Parte)

(Na Foto: O produtor Lourival Marques no seu ambiente de trabalho na Rádio Nacional, RJ.)
BOM DIA!
LOURIVAL MARQUES, SEU CRIADO, OBRIGADO! (XXV) Oh... Ópera! (7ª. Parte)
Por Renato Casimiro


Havia quem apostasse em panos frios, enquanto outros torciam pelo agravamento da crise, com novos elementos, já que Lourival teria dito que não dissera tudo e que não estava arrependido das acusações à sra. Maria Magdala da Gama de Oliveira. Ela iria responder, mas as notícias eram desencontradas, a ponto que um partidário, o colunista Catão, do jornal carioca Luta Democrática de vinculação ideológica nitidamente comunista, falava que Mag teria dado o caso por encerrado. Tal não foi. ENTREVISTA VIOLENTA (I) (Luta Democrática 03.12.1958). O produtor Lourival Marques, da Rádio Nacional, concedeu domingo passado, entrevista ao Diário Carioca para difamar a jornalista Magdala da Gama de Oliveira, cronista de rádio e TV do “Diário de Notícias”. “Tarada”, “chantagista”, “velhaca” e “desonesta” foram adjetivos com os quais o sr. Lourival Marques mimoseou a jornalista pelo crime de ter, segundo ele, o afirma atacado sistematicamente o seu programa “Oh, Ópera”. Acontece que “Mag” limitou suas críticas ao espetáculo radiofônico, sua feitura, finalidade e interpretações. Em nenhuma delas enveredou pela vida privada do sr. Lourival Marques, do maestro Peracchi ou de seus cantores. Ficou ali, na crítica ao programa, sem bem que reconhece, usando termos que traduziam uma revolta ocasional, mas nunca infamantes. Mag agiu, portanto, no desempenho de suas funções naquela prestigiosa folha, comentando um programa da Rádio Nacional. Externou com ênfase sua desaprovação a sátira musical que aquele produtor semanalmente escreve para a Rádio Nacional. A resposta imprudente de Lourival Marques na entrevista que concedeu ao “Diário Carioca”, foi tão violenta que o redator do jornal eximiu-se de qualquer responsabilidade, fazendo do lide essa declaração: “as declarações aqui inseridas são sempre da absoluta autoria dos entrevistados, não se responsabilizando “Diário Carioca” pelo que elas encerram, assim como o jornal não endossa as opiniões que emitem e, dessa forma, seus pontos de vista”. O sr. Lourival Marques, naquela oportunidade, uma vítima com pele de lobo, assacou diretamente contra a honra da cronista “Mag”, estendendo suas opiniões à vida privada da jornalista. Chamou-a de doente, de desonesta. Acusou-a de possuir personalidade de psicopata, reportando-se aos 15 anos de serviços prestados pela cronista ao “Diário de Notícias”. Enfim, perdeu a serenidade que sempre manteve e que o fez admirado de todos. Mal comparando o produtor da Rádio Nacional, inconformado com as críticas dirigidas ao seu programa “apelou para a ignorância” e respondeu aos comentário de “Mag” com acusações que envergonham a qualquer homem decente. A sra. Magdala está, agora, no direito de responder em espécie às injustas acusações e o vexame sofrido. Pode até caluniar ou agir, sub-reticiamento (sic) como o sr. Lourival Marques, entrando indiscretamente na sua sua vida particular, se preferir. Há o recurso legal do processo por difamação e calunia. Ontem, um amigo me informava que de jornal em punho, o produtor da Rádio nacional vangloriava-se de que impensada atitude afirmando, ainda, que “não dissera tudo e que não estava arrependido. Toda a crítica especializada sofreu com a afronta recebida pela colega e, nesta oportunidade estou inteiramente ao lado de “Mag”. Volto ao assunto amanhã, trazendo minha solidariedade à cronista agredida pelos diatribes do sr. Lourival Marques, antes considerado um homem sereno e equilibrado. ENTREVISTA VIOLENTA (II) (Luta Democrática 04.12.1958). “A maldade do homem não está em odiar, mas em odiar o que devia ser amado (Monte, “Formação do Caráter”). E prossegue: “Diante da cólera animal que se caracteriza na agressão real de tudo destruir, e ante a cólera simulada, típica em procurar intimidar o agressor, sobrepuja a cólera intelectiva; a mais perigosa de todas as cóleras: o ódio”. Ontem, tratei da agressão sofrida pela cronista “Mag”, do Diário de Notícias” por intermédio do jornalista Nestor de Holanda. Ela mesma, “Mag” me explicou que a afronta veio mais particularmente do jornalista que a odeia sem motivo aparente. E explicou que há anos sofre desmedidos e injustos ataques de Nestor a quem nunca ofendeu nem ao menos conhece. O sr. Lourival Marques erro. Perdeu a serenidade em assacar contra a vida particular da jornalista que criticara um seu programa. Argumentou em defesa de sua criação radiofônica com sandices, num linguajar que surpreendeu a tantos quantos o conhecem e o admiram. Foi uma decepção ler a sua entrevista e, mais ainda, ter conhecimento de que no dia seguinte, ele se mostrava eufórico com os insultos que imprimiu em corpo 8, na edição dominical de prestigioso matutino contra a mulher que criticara, unicamente, um programa por ele escrito. Não compro a briga dos outros, por prazer. Mas, na oportunidade não poderia ficar alheio a trama maldosa que foi vítima uma colega de profissão. Nestor de Holanda, moço inteligente, deveria, já não digo por educação, mas por ética, ter suavizado a cólera ocasional do produtor Lourival Marques, levando em conta que tal como foi publicada a matéria só prejudicou a Rádio Nacional, às vésperas de um pleito cujos eleitores são todos cronistas radiofônicos. Mas, surpreendentemente, ele que é elemento ligado à PRE-8, como produtor, como colega do sr. Lourival Marques e amigo do sr. Floriano Faissal, preferiu alimentar sua osmose congênita publicando a entrevista. Está claro que não agiu bem e a essa altura já está arrependido. Comentei o caso, pondo-me ao lado da vítima, não por prazer como já disse, mas porque, em circunstâncias idênticas gostaria de ter a solidariedade dos colegas. Se a cronista “Mag” fosse um homem, ante a violência da agressão que sofreu, as coisas teriam se desenrolado de modo diverso. De minha parte, lamento a atitude de Nestor que conto entre meus amigos, e mais ainda do produtor da Rádio Nacional, pela desilusão que causou a seus velhos admiradores. A calúnia e as infâmias não prevalecerão e “Mag” nem as responderá porque tem um passado honrado e um nome prestigioso a velar (sic). Na verdade ela já deu o caso por encerrado, dando aos seus inimigos uma lição de humildade e nobreza respondendo com a máxima do Espírito Santo: “Bem-aventurados os que sabem perdoar, porque eles triunfarão de seus inimigos”. (Sobre o Sic, anotado atrás: Não seria zelar, observo eu? Se é para “velar”, é porque o coitado do prestígio já é declarado morto. Imagino ao tempo, a gargalhada do Lourival, lendo esse texto, de tão ignorável redator). Este segundo comentário desse colunista termina por expor, nas entrelinhas, um fato lamentável. Estava em curso, promovido pela Revista do Rádio, como anualmente, para acontece no dia 18.12.1958, reunindo a crônica radiofônica, na sede da ABI - Associação Brasileira de Imprensa, as eleições para a escolha dos Melhores do Rádio, de 1958. E por suas palavras, ficava claro que os cronistas se inclinariam a assimilar o caso para prejudicar a Rádio Nacional que não se pronunciaram sobre o caso. Com os resultados divulgados no dia seguinte, em 19.2.1958, não dá para perceber que a Rádio Nacional tenha sido prejudicada como um todo, mas Lourival Marques que novamente seria o franco favorito perdeu para Dias Gomes, na sua categoria de produtor (Continua na 8ª. Parte)

(Na Foto: O produtor Lourival Marques no seu ambiente familiar, com o filho Igor.)
SAUDADES DE MONS. MURILO
Por Renato Casimiro
Alguém, em algum lugar no passado, disse com rara felicidade uma dessas expressões que ainda nos toca bem, de perto: “o Vigário do Nordeste”. Muito provavelmente, ao observador atento, tratava-se de designar alguém que ao longo de várias décadas alçara a credibilidade, manifestara a dedicação amorosa e cumprira fielmente o zelo pastoral, características marcantes dos que abrem o coração para missionar em nome do Cristo. Penso que isso, na melhor parte, sintetiza a razão de ser de Francisco Murilo de Sá Barreto entre nós. O tratamento, aplicado a quem tantos benefícios deixou na memória de seu povo, é sinal de uma honra que se confere a privilegiados dentre a sua gente. Não um tratamento burocrático, mas uma menção afetuosa e permanente entre todos os que entenderam a sua missão vivificadora. Nesse mês, lembramos Pe. Murilo na frieza do calendário que nos faz recordar do tempo de sua ausência. Depois daquele trauma horroroso, em quatro de dezembro de 2005, esses doze anos nos fortificaram na crença da imensa felicidade que foi conhecê-lo, de tê-lo junto de nós, para receber de sua mente, de seu coração e de seus braços, parte das energias que nos promoveram a uma comunidade melhorada, mais solidária e fiel a esse desígnio de acolhida e abrigo em romaria. Não é possível descrever sumariamente o longo, proveitoso e eficiente serviço para consolidar o ciclo de Romarias de Juazeiro do Norte, a despeito das imensas reservas que ele viveu, historicamente. Superou-as todas e nos legou a certeza maior de que a Igreja não tardaria a reconhecer a grandeza da religiosidade do povo romeiro. Nesse sentido, e ao tempo em que nos encontramos, para recordar tantos fatos relevantes recentemente acontecidos, sempre nos ocorre a sensação de que nos lembramos desse ausente-presente, nas saudades que cada um refere, pelo amigo que se foi. Essas saudades que naturalmente sentimos em sua ausência são sinais evidentes do quanto nos fazem falta a sua palavra esclarecida, o gesto concreto e preciso para superar tantos obstáculos, a vigilância esmerada que sempre parecia nos proteger, em tanto momentos, como vimos nascer e crescer na caminhada que empreendemos para construir essa civilização sertaneja. Pelo exemplar serviço à nossa Igreja, e à comunidade a que foi tão e exemplarmente servidor, Pe. Murilo de Sá Barreto é alvo acrescido às nossas invocações, a situá-lo dentre os nossos santos, os credores maiores de nossas reverências, orações e crenças. Sabe disso o povo nordestino que tantas vezes foi solidário ao seu chamamento, à devoção de Nossa Mãe das Dores e aos rogos do santo padrinho do Juazeiro, fortalecendo essa vocação de missionário. Cada um de nós vai lembrar, enquanto for possível, o papel importante que cumpriu, à frente da principal paróquia desse Juazeiro do Norte. Felizmente, entronizado em nossos corações, ele é parte dessa fortaleza que nos entusiasma e que nos acalma, é parte dessa esperança que nos anima, e é parte do futuro que nos aguarda. (Informativo Romaria, Dez., 2017)
OS MÉDICOS DA TURMA DE FLORO (VI)
CHRISTOVÃO COLOMBO DA GAMA
Por Renato Casimiro
Neste sexto texto sobre os médicos que integraram a turma de Floro Bartholomeu da Costa, vamos sentindo que os dados vão rareando pois nem todos foram figuras brilhantes e notórias. É preciso garimpar bastante para ir tirando leite de rocha para se conhecer mais alguns. É o caso desse dr. Christovão Colombo da Gama, cuja tese de doutoramento foi intitulada de “Da Tuberculose na Bahia”. Pouco dele se soube. Vamos encontrar muito mais informações sobre sua esposa, Corina Caçapava, sobre quem diremos algumas coisas por transcrição de dados da internet. Por exemplo, sabemos que: Nasceu Corina Caçapava Barth em 30 de setembro de 1884, sendo filha de João Leite de Oliveira Caçapava e Argentina Ribeiro Caçapava. (...) A professora Corina Caçapava Barth, paulista de Tietê, casou-se com o médico baiano Christovam Colombo da Gama em maio 1906, nesta mesma cidade de Faxina (atual Itapeva), no mês seguinte ao do citado evento acima. A partir de então, ela passou a assinar Corina Caçapava da Gama. Eles tiveram os seguintes filhos: Carlos Gilberto da Gama, Jovita da Gama Botto, Yolanda da Gama Macedo e Celso da Gama. Não encontramos nenhuma informação sobre a atividade médica do Dr. Christovam. Apenas a nota de falecimento que saiu no Estado de São Paulo nos seguintes termos: “Dr. Christovam Colombo da Gama – Faleceu no dia 10 do corrente (outubro), em Taquaritinga, onde era clinico, o dr. Christovam da Gama, natural da Bahia. Deixa viúva a sra. D. Corina Caçapava da Gama e quatro filhos. D. Jovita da Gama Botto, casada com o dr. Collemar Botto, alto funcionário bancário, residente em Botucatu, senhorita Yolanda da Gama e os meninos Celso e Carlos Gilberto. Era irmão dos senhores drs. Durval Gama, lente da Escola de Medicina da Bahia e Rodrigo Gama, clínicos residentes na Bahia. Era genro do sr. farmacêutico João Caçapava e da sra. D. Argentina Caçapava, e cunhado dos srs. Dr. Corino Caçapava, clínico em Lins, casado com a sra. D. Flávia Almeida Caçapava; César Caçapava, farmacêutico químico da Cia. Rhodia Brasileira, casado com a sra. D. Maria de Castro Caçapava, funcionário estadual, residente em Faxina, casado com a sra. D. Marietta Brisola Caçapava; Orestes Caçapava, cirurgião dentista, residente em Catanduva, casado com a sra. D. Carmen Amaral Caçapava, e Celiano Caçapava, alto funcionário bancário, residente nesta capital (SP), viúvo da sra. D. Maria izalina Almeida Caçapava, e das sras. D. Carlina de Mello, casada com o sr. farmacêutico Pedro Martins de Mello, residente em São Bernardo; d. Cacilda de Oliveira, casada com o sr. José Maurício de Oliveira, prefeito municipal de Guarulhos, e de d. Celina Azzi, casada com o sr. dr. Ricardo Azzi, engenheiro agrônomo, residente nesta capital.” Consta que d. Corina, poetisa e música concertista, no dia 14.12.1935, em Itapetininga (SP), a viúva do dr. Christovam, casou-se em segundas núpcias com o também viúvo João Barth, farmacêutico natural desta mesma cidade. A partir de então, ela passou a assinar “Corina Caçapava Barth. Consta também que no dia 11.02.1950, ela faleceu em São Paulo aos 66 anos incompletos de idade, cuja notícia foi publicada no jornal “O Estado de São Paulo” em 16.02.1950. Ao casal Corina e Christovam o governo do Estado de São Paulo prestou duas homenagens: Hospital e Maternidade Doutor Christóvão da Gama, em Santo André, inaugurada em 30 de setembro de 1954 pelo Doutor Celso Caçapava da Gama. O nome foi uma homenagem ao seu pai, o Doutor Christovam Colombo da Gama, e a data escolhida para a inauguração foi a do aniversário de nascimento de sua mãe, a Professora Corina Caçapava, que estaria completando 70 anos, caso estivesse viva. Devido ao seu progresso, menos de 6 anos depois, o hospital inicial foi ampliado e no dia 24 de fevereiro de 1960 foi inaugurado o atual Hospital e Maternidade Doutor Christóvão da Gama. A Escola Estadual Professora Corina Caçapava Barth como uma justa homenagem, foi dado o nome da professora Corina a um Grupo Escolar já existente em Itapetininga, através do Decreto No 27.556, de 22 de fevereiro de 1957, publicado no DOSP em 23.02.1957. Como não foi possível obter a imagem do Dr. Christovam, ilustramos esse texto com um recorte de jornal da época da inauguração do hospital em homenagem a ele, omnde são visto um flagrante da inauguração, o Dr. Celso, filho do homenageado e um ângulo do Hospital inaugurado. 

UMA IMAGEM E MUITAS HISTÓRIAS (III)
LOTT EM JUAZEIRO DO NORTE (1ª. Parte)
Por Renato Casimiro
A imagem que apresentamos aqui é a do desembarque do general, Ministro da Guerra desde o governo Café Filho até o governo JK, Henrique Batista Duffles Teixeira Lott (*Antonio Carlos, MG: 16.11.1894; +Rio de Janeiro, RJ: 19.05.1984), militar que atingiu o antigo posto de Marechal. Lott chegou em Juazeiro do Norte, por volta das 11 horas da manhã do dia 25.07.1959. O gesto que ele faz, apresentando continência virou manchete de primeira página no jornal Diário Carioca, de 28.07.1959, “Lott no Nordeste fez continência ao Povo”, como mostra a outra ilustração, da primeira página do jornal. Fazendo uma breve retrospectiva, o ano de 1959 foi um ano marcante, pois estávamos próximos da inauguração da eletrificação do Cariri pela Hidroelétrica do São Francisco, em Paulo Afonso (BA). Já em 5 de fevereiro, nosso aeroporto recebeu o primeiro avião comercial de porte médio, um C-46 da Real Aerovias Aeronorte, para 40 passageiros. Esse avião fazia a rota Rio de Janeiro-Fortaleza incluindo Juazeiro do Norte na escala. O prefeito da época era o médico Antonio Conserva Feitosa, que havia sido eleito no ano anterior e tomou posse em 25 de março. Dona Amália, nas suas memórias, narra que no dia 13 de junho, comemorou-se o vigésimo quinto aniversário da Escola Normal Rural. Lembro com saudade que no Bosque Luiz de Queiróz (lateral direita da Igreja-Matriz), o Clube Agrícola Alberto Torres organizou uma feira livre, pois era um sábado, dia da tradicional feira da cidade. Eu era aluno da professora Chiquinha Cornélio, no terceiro ano primário, estava com 9 anos de idade, e a nossa participação na feira foi com a banca de ervas medicinais. Os alunos do Curso Ginasial constituíram um corpo de fiscais, instalaram uma Delegacia, para evitar as desordens dos feirantes. De noite houve a sessão solene no auditório da Escola, sendo orador oficial o Dr. Plácido Aderaldo Castelo, fundador da Escola e seu 1º Diretor. Foi instalado o Círculo de Pais e Mestres. Dr. Moreira de Sousa, ex-diretor da Instrução do Ceará, idealizou e localizou a Escola em Juazeiro, e também se fez presente às solenidades. Não havendo o Prefeito Municipal de então permitido que os acionistas do Instituto Educacional erguessem na Praça Pe. Cícero um obelisco comemorativo daquele grande evento, a Diretora da Escola instalou uma placa de cimento numa das portas de entrada do prédio ao lado da Avenida Dr. Floro colocando na mesma os seguintes dizeres: “1934-1959, 13 de junho: Inaugura-se oficialmente a Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte.” No dia 25 de julho, um sábado, a cidade recebeu festivamente o visitante general Lott. Deixando o ministério e passando a reserva, desejou candidatar-se a presidência da república em 1960, pela coligação PTB/PSD. Seria derrotado por Jânio Quadros. Na sua campanha veio ao Ceará (essa é a primeira em campanha, viria noutra ocasião a Fortaleza) e a um dos mais importantes colégios eleitorais da época, o município de Juazeiro do Norte. A sua saída do Rio de Janeiro para Fortaleza sofreu atraso porque o avião teve uma pane num dos motores da aeronave, um Costelation, da Panair, que teve de retornar ao aeroporto do Galeão. Enquanto aguardavam providências para a troca de aeronave, o general conheceu a grande atriz Marlene Dietrich que desembarcava. A bordo de uma nova aeronave, um DC 6C, chegaram a Fortaleza pelas 23 horas da sexta feira. No dia seguinte, após compromissos, vieram para Juazeiro do Norte em dois aviões DC-3 da Real Aerovias. Na comitiva do ministro estavam: o governador do Ceará, José Parsifal Barroso, o deputado Armando Falcão, há pouco nomeado ministro da justiça, deputados cearenses do PTB e do PSD e jornalistas. A previsão era de que o general pernoitaria em Fortaleza para seguir na manhã do outro dia para Juazeiro do Norte. Interessante é a descrição que um repórter faz da viagem do general. Na manhã de sábado, depois de visitas em Fortaleza, o ministro chegou ao aeroporto com sua comitiva depois das 9 horas e embarcaram em dois aviões C-46 da Real Aerovias Aeronorte. Ainda no trajeto Rio-Fortaleza, o general confidenciou ao comandante Fontana, da presidência da república, que a sua vocação teria sido a de aviador. E terminou por dizer que gostaria de pilotar aquela aeronave. O comandante fez uma breve verificação da habilidade do general e o colocou na poltrona do co-piloto. Verificando que teoricamente o general sabia pilotar. Deu instruções rápidas e autorizou a fazer a decolagem. (Continua na 2ª. Parte)
UMA IMAGEM E MUITAS HISTÓRIAS (III)
LOTT EM JUAZEIRO DO NORTE (2ª. Parte)
Por Renato Casimiro
A bordo dessa aeronave estavam Parsifal, Armando Falcão, deputados Oliveira Brito, Bias Fortes, Carlos Murilo, Último de Carvalho, Colombo de Souza, Crisanto Moreira da Rocha, Expedito machado, o vice-governador Wilson Gonçalves, e os generais ajudantes de ordens, Pradel e Portugal e 3 ou quatro jornalistas. O DC-3 correu n pista e alçou vôo sem dificuldade. O general colocou-o na rota e o dirigiu até as vizinhanças de Juazeiro do Norte, num percurso de 1 hora e 40min. Na hora da aterrissagem o general passou a tarefa para o comandante Fontana. – Não quero descontar em ninguém – disse o general depois aos jornalistas, explicando que decolar é fácil – é sentir o avião pegar e puxar a alavanca – mas aterrissar é difícil – depende do golpe de vista e da intimidade com os pedais. Foi esse o primeiro voo do general Lott. O segundo, completo, com aterrissagem, ele faria na viagem de volta a Fortaleza. No desembarque, à porta da aeronave, há esta imagem do general fazendo continência, claro às patentes militares ao pé do avião, mas foi interpretado mais amplamente pela imprensa. 

Ainda na pista do aeroporto, o ministro da Guerra passou em revista a tropa do Tiro de Guerra 210, cumprimentou e foi cumprimentado por autoridades de toda a região e se encaminhou para um veículo que o levou diretamente para o local do marco comemorativo da ereção do primeiro poste da rede de eletrificação de Juazeiro do Norte, e por extensão, de todo a região do Cariri. No trajeto havia muita animação pelas ruas, em clima festivo pela visita e o ato que se realizaria, denominado de Festa do Poste. O local escolhido era à margem da rodovia Juazeiro-Crato-Barbalha, na altura do cruzamento da linha férrea (situando hoje: seria o cruzamento das avenidas Pe. Cícero e Paulo Maia, do lado do Hiper). Aí já estava instalado o marco, como uma pedra em granito e uma placa de bronze, com dizeres que transcreverei adiante. Consta que no local, simbolicamente, o ministro fez o aterramento do poste que foi fincado para receber as linhas elétricas. 

No andamento do ato, usaram da palavra vários deputados e políticos locais. Os oradores locais assinalaram a significação daquele ato e manifestaram a esperança de que o general Lott como presidente da República, aceleraria o processo de eletrificação e industrialização do Cariri. Colombo de Souza, um dos mais ativos e participantes dessa campanha recebeu grande manifestação dos presentes. Nesta ocasião, em nome da comunidade, especialmente representada pelo Comitê Pró Eletrificação e Industrialização do Cariri, que reunia lideranças das cidades de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, usou da palavra, visivelmente emocionado, o Dr. Hildegardo Belém de Figueiredo, Presidente do Comitê, que terminou seu discurso com as palavras seguintes: "Meus senhores: Encimado da verde flâmula que simboliza a luta, uma causa, um ideal, aqui ficará, marginando a estrada, este primeiro poste, sentinela de esperança. No alto, verão quantos por aqui passarem, o verde retângulo desfraldado ao beijo suave de todas as brisas do Nordeste, simbolizando a fé cívica de um povo em eterna vigília, marchando das trevas para a luz. Símbolo de uma parcela do Brasil Nordeste que deseja conduzir o seu próprio destino e construir também o progresso da pátria. Um dia, este frio corpo de cimento perderá a verde bandeira que o engalana. Nesse dia, meus senhores, a paisagem sertaneja que nos cerca terá rutilantes cintilações de esplêndida alvorada. Nesse dia, o Cariri estará recebendo através das artérias metálicas dos fios condutores, a vibrante energia que, ora, tumultua, em cada sístole, o dadivoso e turbulento coração de Paulo Afonso."

O clima eleitoreiro do evento ainda hoje é percebido através das críticas feitas ao tempo da denominada Festa do Poste, resistem, por escrito, num discurso do líder da oposição a PTB-PSD, do então deputado Guilherme Gouveia, na Assembleia, em 1960, com os seguintes comentários sobre a vinda de Lott ao Juazeiro: “Certo, conseguiu o chefe do Executivo sobredoirar uma derrota evidente com ribombos festivos no vergel do Cariri. E até como atração central conseguiu-se a presença do Senhor Marechal Teixeira Lott, Ministro da Guerra e candidato do situacionismo federal à presidência da República. (...) O show do Cariri procurou atingir várias "metas", segundo se diz, agora, na novíssima gíria administrativa da República. Uma delas, a principal, por certo, terá sido a de derivar a atenção pública desse espetáculo de alarmante inoperância, que tão bem define o atual governo, através do pano de amostra de quatro meses de desorientação e esterilidade. (...) A Festa do Poste deve ser traduzida como comemoração de um nítido triunfo das administrações Paulo Sarasate e Flávio Marcílio, a cujo crédito deve levar-se, ainda, a abertura da concorrência para o estudo do Plano de Eletrificação do Ceará... O ilustre General Lott, a sua comitiva, o governador, os turistas da República que foram visitar o túmulo do Pe. Cícero, diante do qual ainda se ajoelham legiões da plebe sem terra do Nordeste, vindas em romarias, dos mais longínquos feudos, - toda essa gente, Senhor Presidente, foi assistir ao atual governo do Ceará fazer cortesia com o chapéu alheio.” (Continua na 3ª. Parte)

UMA IMAGEM E MUITAS HISTÓRIAS (III)
LOTT EM JUAZEIRO DO NORTE (3ª. Parte)
Por Renato Casimiro
A placa comemorativa fixada para marcar a instalação do primeiro poste que ligou a energia de Paulo Afonso a Juazeiro do Norte resistiu naquele local por muitos anos. Depois sumiu. Felizmente temos a sua imagem fotográfica. Nela se lia: “Marco comemorativo da instalação do primeiro poste que ligará a energia elétrica de Paulo Afonso ao Cariri. 25 de Julho de 1959. Presidente da República: Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira; Ministro da Viação e Obras Públicas: Almirante Lúcio Meira; Governador do Estado: Dr. José Parsifal Barroso; Vice-Governador do Estado: Wilson Gonçalves; Presidente da CHESF: Eng. Antonio José Alves de Sousa; Executor do Plano de Eletrificação: Eng. Bernardo Bichucher; Prefeito Municipal de Juazeiro do Norte: Dr. Antonio Conserva Feitosa.” As personalidades citadas na placa comemorativa da Festa do Poste, à exceção do presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, estavam presentes ao ato. Mas, havia dois ilustrados e naturais convidados para a festa que não estiveram presentes, por motivos diversos: o engenheiro, diretor técnico da CHESF, dr. Antonio José Aves de Sousa e o empresário Felipe Neri da Silva (membro ativo do Comité Pró Eletrificação do Cariri). Aliás, ambos também não assistiriam a ligação definitiva, na festa da Eletrificação em dezembro de 1961: Alves de Souza faleceria em Paulo Afonso, em 18.12.1961, e Felipe Neri teve morte trágica no Rio de Janeiro, quando o avião que o transportava, mergulhou nas águas da Baia da Guanabara, em 24.06.1960.

Depois da Festa do Poste, a comitiva, autoridades locais e o povo deslocaram-se para a Praça Pe. Cícero onde aconteceu um comício com a presença do candidato à presidência da república. Na praça um palanque estava montado e o general ficou na frente, posição central, cercado de seus correligionários. Diversos oradores antecederam ao candidato. Quando foi dada a palavra ao general, estouraram-se muitos fogos, vivas ao futuro presidente, e grande delírio na assistência. Isso tudo acontecia, apesar de julho, num dia de forte sol de meio dia, e isso não desanimava o povo que reagia muito bem a tudo. Alguém tomou o microfone e quis saber quais dos ali presentes eram a favor de Lott e que levantassem os braços. Foi uma apoteose. Milhares o fizeram. O general Lott falou de improviso. Lembrou por exemplo, que há uns 51 anos passados, quando era aluno da Escola Militar, assistiu no Rio de Janeiro uma exposição sobre o artesanato cearense, e ele pode ver o valor dessa arte em peças de madeira, de metal, de couro e palha. Agora estava ali na véspera de uma nova redenção do Ceará através da eletrificação. E ele bem imaginava o que seria aquele gosto pelo trabalho e a arte do artesão às portas de ser implementada pela energia elétrica. Finalizou agradecendo a todos, gente de todo o nordeste pela acolhida. Não estava ali para fazer promessas, mas dedicaria todo o seu empenho para trabalhar pelas necessidades do povo. E que isso não era senão a obrigação do homem público, “porque recebe do povo o poder que deve ser exercido para o bem do povo”. 

Logo a seguir, a comitiva e convidados foram recebidos pelo prefeito Dr. Antonio Conserva Feitosa para um churrasco em homenagem ao general Lott. No meio da tarde, todos se dirigiram ao Socorro para uma visita ao túmulo do Padre Cícero, junto ao qual rezou e conversou com romeiros. Antes de retornar a Fortaleza, o general participou na sede o Treze Atlético Juazeirense, na Av. Mons. Joviniano Barreto, de uma mesa redonda com prefeitos da região do Cariri, além de representações políticas, com as quais tratou de questões político-administrativas. Depois, ainda ao final da tarde, o general e sua comitiva se despediram da região no aeroporto. O general Lott foi direto para a cabine de comando de uma das aeronaves, assumiu como piloto, taxiou, levantou voo e tomou a direção que lhe permitiu ver de perto o açude de Orós, tomando, em seguida, a direção de Fortaleza, onde pousou tranquilamente no início da noite. No dia seguinte, retornou ao Rio de Janeiro. 
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

SESSÃO CURUMIM(JUAZEIRO DO NORTE)
A Sessão Curumim promovida pelo Centro Cultural BNB ocorre no próximo dia 11, segunda feira, às 14 horas, no Orfanato Jesus Maria José (Rua Cel. Antonio Pereira, 64, Santa Tereza, em Juazeiro do Norte, o filme FROZEN (Frozen, Estúdios Walt Disney, EUA, 2013, 102 min). Direção de Chris Buck e Jennifer Lee. Sinópse: A caçula Anna (Kristen Bell/Gabi Porto) adora sua irmã Elsa (Idina Menzel/Taryn Szpilman), mas um acidente envolvendo os poderes especiais da mais velha, durante a infância, fez com que os pais as mantivessem afastadas. Após a morte deles, as duas cresceram isoladas no castelo da família, até o dia em que Elsa deveria assumir o reinado de Arendell. Com o reencontro das duas, um novo acidente acontece e ela decide partir para sempre e se isolar do mundo, deixando todos para trás e provocando o congelamento do reino. É quando Anna decide se aventurar pelas montanhas de gelo para encontrar a irmã e acabar com o frio.

SESSÃO CURUMIM (CARIRIAÇÚ)

A Sessão Curumim promovida pelo Centro Cultural BNB, também acontece de forma itinerante no próximo dia 12, terça feira, às 8 horas, na E. E. F. Julita Farias, em Caririaçú, com o filme o filme Frozen (Frozen, Estúdios Walt Disney, EUA, 2013, 102 min) (registro acima) 

CINE GOURMET (FJN, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) agora também está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri. As sessões são programadas para duas vezes ao mês, de 14:00 às 16:00h, no Auditório do Bloco I, na Rua São Francisco, 1224, Bairro São Miguel, dentro do seu Projeto de Extensão denominado Cine Gourmet, sob a curadoria de Renato Casimiro. Informações pelo telefone: 99794.1113. No próximo dia 12, terça feira, estará em cartaz, o filme CHOCOLATE (Chocolat, Reino Unido/EUA, 2000, 121min) Direção de Lasse Hallstrom. Sinopse: Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decidem abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vá durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.
CINE GOURMET (FJN, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) agora também está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri. As sessões são programadas para duas vezes ao mês, de 14:00 às 16:00h, no Auditório do Bloco I, na Rua São Francisco, 1224, Bairro São Miguel, dentro do seu Projeto de Extensão denominado Cine Gourmet, sob a curadoria de Renato Casimiro. Informações pelo telefone: 99794.1113. No próximo dia 14, quinta feira, estará em cartaz, o filme DELICATESSEN (Delicatessen, França, 1991, 97min). Direção de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. Sinopse: Num mundo pós-apocalíptico em que a comida é a principal moeda de troca, Louison (Dominique Pinon), um ex-palhaço, arranja um emprego no prédio que abriga o açougue Delicatessen. Instalado na pensão do andar superior, o novo funcionário acaba se envolvendo com a violoncelista Julie (Marie-Laure Dougnac), filha do sanguinário açougueiro Clapet (Jean-Claude Dreyfus). Perseguido, o rapaz precisa escapar do pai ciumento e dos demais moradores do prédio, que têm planos macabros para sua carne.

CINE CAFÉ VOLANTE (URCA, MISSÃO VELHA)


O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Missão Velha (URCA, Campus Missão Velha, Rua Cel. José Dantas, 932 – Centro), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 14, quinta feira, às 19 horas, o filme A CRIANÇA (L’enfant, 2005, BEL/FRA, 95 min). Direção de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. Sinopse: Sonia (Débora François) é uma jovem de 18 anos, que acabou de dar à luz a um menino. Bruno (Jérémie Renier), o pai, com 20 anos de idade vive de pequenos roubos cometidos por ele e seus comparsas adolescentes. Os dois vêem de maneira bem diferente o significado da chegada desta criança, sendo que os atos de Bruno em relação ao filho colocarão o casal diante de sérios dilemas sobre suas existências. 

CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no dia 14, quinta feira, às 19:30 horas, dentro da programação de Cinema Noir, o filme O GRANDE GOLPE (The Killing, EUA, 1956, 85 min). Direção de Stanley Kubrick. Sinopse: Johny Clay é um fora-da-lei que, após sair da prisão, começa a pensar em um plano que dará, para ele e seus comparsas, ganhos de US$ 2 milhões. Todo o planejamento ameaça ruir quando o amante da esposa de um dos integrantes do bando começa a se meter nas ideias do grupo.
CINE CAFÉ VOLANTE (FAMED, BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 15, sexta feira, às 19 horas, o filme ALBERGUE ESPANHOL (L’Auberge espagnole, Espanha/França, 2002, 122 min.) Direção de Cédric Klapisch, Sinopse: Xavier (Romain Duris) tem 25 anos e está terminando o curso de Economia. Um amigo de seu pai lhe oferece um emprego no Ministério da Fazenda, mas, para assumir o posto, o rapaz precisa saber a língua espanhola. Ele decide acabar seus estudos em Barcelona, para aprender a língua. Para isso, vai ter que deixar Martine (Audrey Tatou), sua namorada há quatro anos. Ao chegar em Barcelona, Xavier procura um apartamento no centro da cidade e acha um com mais sete estudantes, todos estrangeiros. Com eles, Xavier vai descobrir a autonomia e a sexualidade e iniciar a vida adulta.
CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 15, sexta feira, às 19 horas, o filme CONTATOS IMEDIATOS DE TERCEIRO GRAU (Close Encounters of the Third Kind, EUA, 1977, 137 min.). Direção de Steven Spielberg. Sinopse: Em uma pequena cidade americana vive Roy Neary (Richard Dreyfuss), um chefe de família que, ao presentir a chegada de alienígenas, tem o seu comportamento alterado. Ele fica obcecado pela idéia e começa a investigar a situação, buscando o local de contato dos ET's. Como ele, diversas outras pessoas sentem a presença extraterrestre e rumam para o local do pouso da nave. 
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no dia 15, sexta feira, às 19:30 horas, dentro do Festival de Filmes Inesquecíveis, o filme QUO VADIS (Quo vadis, EUA, 1951, 171min). Direção de Mervin LeRoy. Sinopse: Após três anos em campanha, o general Marcus Vinicius (Robert Taylor) retorna à Roma e encontra Lygia (Deborah Kerr), por quem se apaixona. Ela é uma cristã e não quer nenhum envolvimento com um guerreiro, mas apesar de ter sido criada como romana Lygia é a filha adotiva de um general aposentado e, teoricamente, uma refém de Roma. Marcus procura o imperador Nero (Peter Ustinov) para que ela lhe seja dada pelos serviços que ele fez. Lygia se ressente, mas de alguma forma se apaixona por Marcus. Enquanto isso as atrocidades de Nero são cada vez mais ultrajantes. Quando ele queima Roma e culpa os cristãos, Marcus salva Lygia e a família dela. Nero captura os todos os cristãos e os atira aos leões, mas no final Marcus, Lygia e o cristianismo prevalecerão.
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 16, sábado, às 17:30 horas, o filme O MEDO DEVORA A ALMA (Angst essen seele auf, Alemanha, 1974, 94 min). Direção de Dir. Rainer Werner Fassbinder. Sinopse: Emmi (Brigitte Mira), uma sexagenária viúva alemã, se apaixona por um imigrante muçulmano e negro, 20 anos mais jovem, chamado Ali (El Hedi ben Salem). Eles decidem ficar juntos e enfrentam as opiniões contrárias de família, amigos e vizinhos. Ultrapassando o preconceito e as diferenças culturais e sociais, os dois vão vencendo as dificuldades, mas logo começam a questionar os próprios sentimentos e a validade da relação.
O(S) BREVIÁRIO(S) DO PADRE CÍCERO
Quando criança, talvez já me preparando para a primeira eucaristia, lembro de ter ouvido a menção “o breviário do padre fulano”. Cresci com a curiosidade de ver de perto, talvez ler alguma coisa desse livro de que se ouvia falar. O esteriótipo, como vi tantas vezes com o querido amigo Mons. Azarias Sobreira Lobo, era o de vê-lo, debaixo do braço, não importando para onde ia, sempre levando consigo. O tempo acabou com isso, mesmo porque os estereótipos se alteraram, e não se vê mais por aí um padre lendo o breviário em locais públicos. Já preocupado com a pesquisa sobre Pe. Cícero, um dia, em casa de dona Amália Xavier de Oliveira, ele me disse, - “Vou lhe mostrar uma preciosidade”. E me apresentou, deixando que eu o folheasse, o velho breviário do pe. Cícero, aquele que o acompanhou em Roma, e ainda hoje, existente, guarda as lembranças de sua estada na cidade eterna, com alguns apontamentos preciosos que dona Amália transcreveu em sua obra, O Pe. Cícero que eu conheci. Guardou, Amália, por toda a vida aquele documento riquíssimo. Depois de sua morte o livro foi negociado, e comprado com mais algumas peças e hoje está na coleção particular do cel. Humberto Bezerra (Fortaleza). Por esses dias, recebi a comunicação do bibliófilo, Francisco Pereira Lima (Cajazeiras, PB) de que tem conhecimento e até é mediador, que um outro exemplar de um Breviarium Romanum, com assinatura do Pe. Cíucero Romão Baptista está disponível para negócio e será leiloado por algum antiquário. Não tenho maiores detalhes, mas se trata da edição, ou de uma delas, como a foto indica, datada de 1885. Por esta peça, segundo o Pereira, pede-se um lance mínimo de R$1.200,00. Penso que vale, a se confirmar a sua autenticidade. Pela data da edição, pode ser que tenha sido um exemplar que ele, pessoalmente, tenha comprado em Roma, quando ali esteve residindo, entre fevereiro e outubro de 1898, já que aquele seu, tslvez ainda o primeiro, já estava precisando de um substituto. Talvez não por atualização, pois ainda se imprimia esse livro segundo as decisões do Concílio de Trento (1545-1563), com os aditivos dos pontificados de Pio V (1566-1572), Clemente VIII (1592-1605), Urbano VIII (1623-1644) e de Leão XIII (1878-1903). Mas, evidentemente, era esse um livro que se poderia comprar em nosso pais, pois nessa época, se tinha o texto em latim, e o livro era importado, minimamente de Portugal, para onde se destinavam essas edições. 


NOVÍSSIMA EDIÇÃO
Já está disponível para aquisição uma das obras que mais merece a minha reverência pela precisão, oportunidade e serviço, não sendo uma obra para leitura obrigatória mas para ser de consulta muitíssimo obrigatória. Está saíndo a 5ª. Edição dessa obra do engenheiro Mário Bem Filho – Juazeiro do Norte, seu espaço físico, bem volumoso em suas 360 páginas com muitas ilustrações da planta fracionada da cidade, executada pela editora Expressão Gráfica, Fortaleza, com data de setembro de 2017, que por dever de ofício, o engenheiro de obras ligado ao urbanismo da cidade, nos tem legado em diversas oportunidades uma revisão preciosa do mapa da cidade e a perfeita indicação de localização, além de dados que implicaram a respectiva nomenclatura de bairros, ruas e demais logradouros da cidade. Desejo agradecer ao Mário a fineza de ter remetido o exemplar, o que não me exime de ir publicamente festeja-lo, tão logo se anuncie o lançamento. Vou rever a obra tão conhecida, agora ampliada e revisada por seu autor, certamente em edição ainda mais melhorada que as anteriores, inclusive graficamente. Depois terei imenso prazer em confirmar a minha prévia simpatia por sua execução e deverei voltar ao assunto, brevemente. Muito grato ao Dr. Mário Bem Filho.
NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
A cidade ganhou dois novos cidadãos honorários com o gesto da Câmara Municipal. Eis os atos: 

RESOLUÇÃO N.º 873, de 21.11.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadã Juazeirense a Senhora ANA JOARLEINE ROLIM LEITE, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Antônio Vieira Neto; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura, Domingos Sávio Morais Borges, Márcio André Lima de Menezes, Rubens Darlan de Morais Lobo, Glêdson Lima Bezerra, José Barreto Couto Filho, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Cícero Claudionor Lima Mota, Diogo dos Santos Machado, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Herbert de Morais Bezerra, José David Araújo da Silva, Jacqueline Ferreira Gouveia e Rosane Matos Macêdo. 

RESOLUÇÃO N.º 874, de 21.11.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor JOSÉ GERALDO OLIMPIO DE SOUZA, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Antônio Vieira Neto; Coautoria: Glêdson Lima Bezerra; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura, Domingos Sávio Morais Borges, Márcio André Lima de Menezes, Rubens Darlan de Morais Lobo, José Barreto Couto Filho, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Cícero Claudionor Lima Mota, Diogo dos Santos Machado, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Herbert de Morais Bezerra, José David Araújo da Silva, Jacqueline Ferreira Gouveia e Rosane Matos Macêdo.
UMA MANHÃ NO AEROPORTO DE JUAZEIRO     
O aeroporto de Juazeiro do Norte parece não ser um equipamento complicado no seu dia a dia. Mas há uma circunstância em que ele se assemelha a qualquer um outro do universo: quando um voo é cancelado, como o que aconteceu na manhã do dia 8.12, ao voo 6376 Avianca, procedente de Guarulhos, com previsão de chegada às 6:55, diariamente, e que prossegue para Fortaleza, às 7:25. Nesse caso, o prejuízo pode ter sido mais sério, pois ele na sua regularidade, retorna de Fortaleza, com destino a Guarulhos, novamente chegando a Juazeiro às 9:55, com o número 6377. Uma jovem estava angustiadíssima porque tinha de chegar a Fortaleza para apanhar o vestido com o qual se casaria no dia seguinte, de volta a Juazeiro; um professor universitário, do Paraná, estava lamentando porque não cumpriria a sua programação, para o qual fora convidado para palestras num Centro universitário da Capital; outra senhora estava nervosa, sem conseguir a remarcação imediata para outro voo à tardinha, para participar de um concurso na UFC; um político, mesmo sem muita expressão, estava fulo de raiva porque não chegaria a tempo para uma audiência pública na Assembleia; dois empresários se queixavam porque talvez perdessem uma concorrência que seria aberta naquela manhã numa repartição pública; uma senhora estava aflita porque deveria chegar a tempo para a cirurgia de caso sério de um parente; várias outras falavam de consultas médicas, de compromisso sociais e familiares; vários se lamentavam pela eventual perda de conexões entre o Cariri e a região Norte e Nordeste do país, e por aí se estendiam os relatos quase dramáticos. Uns entre choros, outros ao ranger de dentes, de ódio, diante da frieza dos empregados da companhia, ao dizer: só vinte, e encerrou.. É a vida em aeroporto, é a vida... Quem abre o Google e sugere alguma coisa assim, vai encontrar muitas informações para o caso de indenizações e ressarcimentos para os casos diversos. Na verdade, somos habituados a ouvir meias histórias e a perceber mais omissões até da agência reguladora que não obriga a companhia a ter uma postura adequada. Em tempo de internet, whatsapp, e o “escambau” é necessário tomar providências para pelo menos informar o coitado do passageiro, e até obrigar as empresas a honrar com maior responsabilidade o que gera de complicação a todos esses casos, quase todos não contornáveis, e com prejuízos sérios às pessoas. No caso em tela, veja-se que o voo não partiu da sua origem, onde há mais aviões disponíveis, mesmo considerando que o aeroporto local não recebe qualquer um. Mas, provavelmente no dia de hoje os dramas não foram tão numerosos. Não se ouviu dizer que em Guarulhos havia um caos, a ponto de tornar a cena mais dramática. O procedimento foi o de acomodar, ver quem toparia um ajuste para outro dia, e coisas assim. Mesmo com essas alternativas, entre 20 ou pouco mais foram os que foram relocados. E os demais, nem imagino. Uma coisa é significativo nesse cenário, o Cariri merece maior atenção, pois o mercado da região está se afastando de limites críticos. Por aqui as demandas já se avolumam, e é necessário implementar mais voos e destinos alternativos para fazer crescer a malha aérea que serve à região. Esperamos sinceramente, que contra tudo e contra todos seja esta a solução mais evidente para novas empresas e principalmente melhores serviços com aeronaves maiores e dentro de nossas possibilidades, horários novos e flexíveis, e um maior número de alternativas de destino para permitir conexões. A região merece essa consideração e esse respeito aos seus interesses. Temos aeroporto e temos clientes de uma enormidade de origens e que passam por aqui. Os que já terão resolvido os seus problemas, por aí, não começaram exatamente por esse mínimo?