domingo, 15 de janeiro de 2017


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que semanalmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de quartas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
243: (11.01.2017) Boa Tarde para Você, Maria das Dores Bernardino Santos (Dorinha do Horto)
Revendo um release do Geopark Araripe, ali encontro que o “Geossítio Colina do Horto compreende as rochas mais antigas da região do Cariri cearense, originadas no interior da Terra, há aproximadamente 650 milhões de anos. Repito: 650 milhões de anos!!! O Horto, na Serra do Catolé, para nós não tem mesmo essa idade, a tirar pelas notícias que falam quando da decisão do Pe. Cícero em fazer dali o local aprazível, com sua moradia de verão, a partir mesmo do início do século passado, conforme está no frontispício do casarão, escrito como 1907. O Horto para nós é como desses lugares sagrados que gostaríamos de ver longamente preservados como o conhecemos na meninice e na juventude, para que não se perca jamais essa ligação íntima, tão visceral com a nossa existência, pelo que inspira de religiosidade, de história e de cultura. E o Horto, convenhamos, é uma simplificação metafórica para nos poupar da mais inevitável citação de sua cena física, com rua, casario e acidentes, que abriga algo riquíssimo, antropologicamente, em sua cena humana, em ritos, crenças e singularidades. É neste cenário que quero reencontrar a minha querida amiga Dorinha do Horto, pelo quanto, e nesses dias, ela foi lembrada, como mestra da Lapinha da Vila Bom Jesus, coisa que a torna jovem e feliz por além do seu sexagenário existir, muito do qual dedicado a essa manifestação. Com imensa fidelidade e disponibilidade, a comunidade do Horto tem acompanhado essa missão de Dorinha, desde 1966, como ela a recebeu de sua mãe, dona Maria dos Benditos, também mestra e compositora de cânticos e formadora de grupos mais antigos. Portanto, Dorinha, não foi uma marca simples, essa recentemente conquistada, de cinquenta anos ininterruptos, fazendo com as próprias mãos, aos sofrimentos de contar quase sempre com a meninada da Vila do Horto e suas famílias, sempre solidárias à existência da arte. Recentemente, ouvidos pela nova equipe municipal, vários de nós, identificados generosamente com esses caminhos da cultura popular, nos posicionamos pelo fortalecimento desses grupos, institucionalmente, de uma forma mais regular para evitar o seu gradual desaparecimento. A burocracia deve ser a mínima para não estancarmos em obstáculos intransponíveis no tocante a esses subsídios, mas que eles não faltem, porque nenhuma ordem, nenhuma decisão, seria em si suficiente para prover o brilho, a disponibilidade e o entusiasmo para fazê-lo pelo povo. Por isso, Dorinha, é notável o que você consagrou em vida nesse trabalho pela permanência do seu grupo da Vila do Horto, cumprindo principalmente uma missão que tem a ver essencialmente com o seu encanto, a sua determinação, porque atrelou a sua própria vida a existência da Lapinha. Faz gosto ver a função desses grupos, entre igrejas, residências e lugares públicos a nos impregnar com a alegria própria do tempo natalino, o que está na liturgia entre o tempo do advento, a natalidade e a epifania, transmutado em festejo pela chegada do Divino Salvador. Recordo de minha infância, pelas ruas do Juazeiro nos anos 50-60, a presença desses grupos, participando em nossas casas, nas praças e nas igrejas, visitando os presépios montados e celebrados aos sons festivos, com a graça dos jovens, pastores, camponesas, caboclos, ciganas e anjos, e ao som inconfundível, tão melodioso na canção “Bate o Sino, pequenino, sino de Belém...” De longa data já se falava em família sobre as velhas lapinhas, como a Lapinha da Beata Angélica dos Santos (na Rua São Pedro), a Lapinha de Dona Cristina Almeida (na Rua da Conceição) e a Lapinha de Dona Tatai (na Rua Santa Clara). Houve tempo que eram umas trinta lapinhas, lembrando o entusiasmo de Pe. Murilo em fomentar suas atividades, naquilo que trata da perenidade e até da inovação pela inclusão de personagens aparentemente díspares à cena do presépio, como a beata Maria de Araújo e o Padre Cícero. Já não temos mais o incentivo do festival com o apoio municipal, mas elas resistem aos tempos e incertezas, como a d´O Menino Jesus, de Dona Têta (nos Salesianos), e as de Nossa Senhora Aparecida, de Dona Fátima e a d´Os três Reis Magos, de Dona Zefinha (no Romeirão). Por essas coisas todas, aqui tão pobremente relembradas, querida Dorinha do Horto, asseguro-lhe esse testemunho de quem escreve para acertar contas com a infância, como já ouvi dizer, mas principalmente para louvar a grandeza do seu gesto, em vida dedicada que se renova a cada ano.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 11.01.2017)

BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! Por Renato Casimiro
No artigo anterior fizemos uma menção para analisar aqui a questão da frota de veículos que temos no município e como isto impacta sobre a desorganização do trânsito, de modo a exigir grande cuidado, redobrados esforços em planejamento, investimentos em engenharia de tráfego e gestão por parte do poder público. O Anuário do Cariri de 1949, ano em que nasci, registra para a cidade de Juazeiro do Norte os seguintes números de veículos em circulação: Automóveis (30); Caminhões (40); ônibus (3); Motocicletas (2); Bicicletas (18); Carros de bois (14); Carroças (14); Cabriolés (4), num total de 125 veículos. Bem mais recentemente, segundo as estatísticas do IBGE, de 2013, tínhamos naquela ocasião, os seguintes números: Automóveis (30.536); Caminhões (1.898); Caminhões-trator (129); Caminhonetes (6.463); Caminhonetas (1.117); Micro-ônibus (195); Motocicletas (45.928); Motonetas (7.953); Ônibus (231); Tratores (0); Utilitários (441), num total de 94.891 veículos. Os dados mais atuais são os do próprio DETRAN-CE que registram até outubro de 2015 os seguintes números: Automóveis (32.185), Caminhões Trator (142), Caminhões (1.958), Caminhonetes (7.094), Camionetas (1.048), Micro-ônibus (195), Motociclos (48.172), Motonetas (8.582), Ônibus (248), Reboques (1.023), Semi Reboques (1.023), Utilitários (499) e Outros (relacionando as seguintes categorias: Ciclomotor, Triciclo, Trator de Esteiras, Trator misto, Quadriciclo, Motor casa e Side-car), num total de 101.519 veículos registrados. A primeira coisa a considerar é evolução na diversidade desta frota, vista aqui historicamente pelos tipos de veículos e suas circunstâncias, tais como dimensões, potência, etc. Ora, qualquer gestão municipal veria obrigatoriamente, no seu planejamento, estes aspectos, de modo a minimizar elementos mais arrogantes da projeção que faríamos para o futuro, em vista do crescimento vegetativo desta frota ao clima tão pacato da cidade de então. Minimamente, isto requereria um novo olhar que aos poucos fosse contemplando algumas novas necessidades com respeito a dimensões de vias públicas, zoneamento para o trânsito e até mesmo as faixas exclusivas que iriam sendo necessárias. A realidade destes últimos anos, especialmente entre 2013 e 2015, demonstra que no período acumulamos uma variação de frota por volta de 7%, mas nela destacamos fatos relativamente novos como a variação na categoria de motos em 10%, observando que esta categoria, e assemelhados, numericamente já representa cerca de 56% do total da frota circulante. A frota de motociclos e assemelhados, espalhada por todo o município já demanda um estacionamento que ocuparia mais de 15 hectares e isto em parte é responsável por um dos componentes da pressão do trânsito sobre os problemas de mobilidade. Ultimamente tem-se tentado algumas estratégias para conter a desorganização inevitável por conta da excessiva frota, própria ou o total circulante, em razão do que ingressa na área central da cidade vindo de mais de uma centena de municípios. É o caso das centenas de vans e mini vans que chegam à cidade desde as primeiras horas da manhã, motivado pelos atrativos que a cidade exerce em sua área de influência, como pólos comercial, de educação e serviços em geral. Como a maioria aqui permanece por várias horas, a área mais central da cidade se reduz temporariamente em uns dois hectares. Algumas iniciativas tem minorado a questão, como o estabelecimento de zona azul, novos estacionamentos rotativos e algumas concessões do município, em áreas reservadas, particularmente nas romarias. Sobre as romarias, nota-se apenas um pequeno esforço concentrado nos períodos críticos e pouca coisa em termos de engenharia de tráfego. Veículos muito pesados trafegam danificando os leitos e este estado de coisas permanece sem uma reavaliação do problema que continua abrindo ruas juntando pedras para um capeamento dos mais medíocres e vagabundos. Ora, esse fluxo intenso de transporte coletivo é extremamente benéfico aos interesses do município, mas falta à municipalidade, como responsável pela organização destas atividades ligadas ao transporte intermunicipal um disciplinamento desejável e também a iniciativa de prover solução, inclusive com benefícios para a arrecadação. Agora mesmo, com o reinício da temporada chuvosa, já começamos a verificar como esta malha viária é precária. Alguém já usou a expressão sonrisal para qualificá-la muito bem, pois basta um pouco de água das primeiras chuvas e tudo se desfaz, como se solubilizasse todo o revestimento, restando montes de pedras a complicar mais ainda a vida dos motoristas. Quem anda pela periferia da cidade constata facilmente a estreiteza mental do gestor público em continuar repetindo os mesmo erros. A cidade se espalha e tudo acontece como se nada tivesse mudado neste tempo, pois as ruas continuam estreitas e se mostrarão incompatíveis com o trânsito mais denso e confuso que experimentaremos em anos futuros. Não vale a pena aqui discutir este aspecto, mas não podemos nos esconder diante da evidente irresponsabilidade dos gestores em não elaborar um novo plano diretor para a cidade, coerente com o momento que vivemos. Requeremos também uma revisão no código de posturas e o estabelecimento de novos e honestos critérios para a aprovação de novos loteamentos na área do município. Como podemos constatar com muita facilidade, estes loteamentos são barganhas que transitam com farta desonestidade entre os poderes do município e isto sem dúvida alguma compromete a qualidade de vida pela qual tanto lutamos e que à nossa revelia é negociado de forma infamante. Na etapa final destes modestos considerandos, vamos nos deter um pouco, mesmo superficialmente, sobre alguns pressupostos que a engenharia de trânsito preconiza, com o objetivo de agilizar soluções para este problema que já assume status de gravidade. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 08.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
O propósito desta pequena série de argumentos para iniciar uma discussão sobre a questão do trânsito na cidade pode ser completado aqui com alguns elementos da nossa própria observação em torno das dificuldades que enfrentamos no cotidiano. Provavelmente elencaremos como a primeira delas a condição das vias de tráfego, sempre muito maltratadas em vista da má conservação, fruto de péssima manutenção dispensada pelo poder público. Já falamos brevemente sobre o péssimo estilo de abertura de vias e a construção dos leitos, com tal fragilidade que não resistem bem a esta temporada de chuvas, por exemplo. O nível de compactação também é precário para a diversidade da frota que já inclui no livre trânsito o uso por veículos de grande porte, pleno de cargas além da capacidade que se poderia estabelecer. Junte-se a isto o proselitismo político que sempre visualizamos pelos governos, como agora que estabelece um medíocre plano de pavimentação de vias, absolutamente secundárias diante do necessitado para o momento. Neste instante, por exemplo, as principais vias da cidade estão necessitando um grande reforço de manutenção, mas um passeio por um desses bairros de grande adensamento eleitoral está ganhando uma pavimentação horrorosa para o devido efeito populista do gestor. Outra coisa lamentável decorre da insuficiente sinalização, tanto vertical como horizontal, exatamente pela mesma demanda de manutenção que exige pronta atenção da engenharia de trânsito. Mas este cuidado parece não despertar muito interesse, pois o que vemos é o trivial, aquilo que normaliza o trânsito no básico como direções, uma certa sistemática de fluxo que privilegia apenas grosseiramente o tráfego. Veja por exemplo a falta de sensibilidade para com diversos cruzamentos importantes da cidade, nos quais, por absoluto desleixo não se produz algo mais em agilidade quando é possível. Relevo neste caso o exemplo do cruzamento das avenidas Castelo Branco com Padre Cícero, na altura do Shopping, onde não se sinaliza para as possibilidades de duas vias simultâneas de direção em decorrência do semáforo instalado. Não há sinalização adequada e o sentimento é de que as alternativas sensatas são proibidas, mesmo porque fortemente vigiadas por foto sensores. E isto se repete em outros locais. Aliás, a questão dos foto sensores ainda carece de uma melhor caracterização de sua aplicação. Do modo como são instalados eles cumprem eficazmente a função punitiva em detrimento da sua razão educativa para melhor utilização das vias. Neste particular, basta ver o engano cometido na péssima sinalização de um destes últimos instalados na Av. Ailton Gomes, que só avisa o limite de velocidade no exato momento em que é “flagrado”. A cidade cresce, e há a necessidade de estabelecer limites bem diversificados de velocidades. Por isso mesmo já não somos capazes de memorizar locais, limites e circunstâncias destas advertências se não for por uma sinalização adequada. Outra coisa que requer um disciplinamento e disso já tratamos brevemente aqui é a repercussão sobre as rampas de acesso para estacionamentos privativos, especialmente o das residências. A construção livre, sem qualquer licenciamento da prefeitura, se dá, geralmente, com duas rampas: uma na própria via de tráfego de veículos, por vezes com cerca de um metro de extensão, e outra sobre a calçada. Essas construções em muitas ruas chegam a provocar obstáculos de até dois metros no afunilamento da via que já é tão estreita para a necessidade local. Outro fato lamentável nos nossos espaços de trânsito é o que decorre de alguns serviços básicos, principalmente como a manutenção na distribuição de água, o péssimo serviço de esgoto a céu aberto e drenagem de águas pluviais, pessimamente estabelecida, como podemos ver agora na temporada de chuvas. Por estes dias mais uma romaria toma conta da cidade e as condições de trânsito são postas em cheque por serem elementos importantes. São impactos notáveis em poucos dias, é verdade, mas que trazem repercussões mais duradouras para todos os setores da cidade. Também por estes dias estamos novamente enfrentando o retorno às aulas e isto significa um trânsito mais frequente da nossa frota, est mais própria da cidade, em muitos locais críticos das proximidades de escolas, faculdades, universidades. Mas isto também é bem verdadeiro por um expressivo número dos chamados veículos alternativos vindos de dezenas de cidades do nosso entorno, da nossa área de influência. Todos estes são partes interessadas no equacionamento das questões e trânsito, na expectativa de melhoria continua para tais serviços. Enfim, por todos estes elementos mencionados, mais como observador do que como técnico, já nos indica para a devida oportunidade de tempo para que os órgãos competentes e tão comprometidos com estas questões promovam estudos para implementar melhorias neste setor. Fica a sugestão para que tanto estes segmentos quanto o da Câmara de Vereadores também assuma parte destas insatisfações, realizando audiências públicas para ouvir sugestões que orientem a aplicação de soluções eficientes para minimizar os transtornos decorrentes do caos urbano que nos aflige. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 09.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Sou grato ao comentário de Fátima Bezerra de Oliveira que lamenta o estado degradado da Rua São José, especialmente no seu trecho inicial, o mais antigo da via. E sobre ele eu tenho a considerar o seguinte. A Rua São José é das mais antigas da cidade. Era uma das oito projetadas ruas iniciais da vila. Ela nasce exatamente no local que se denominou Rua, ou Beco, do Sovaco (continuação da Rua dos Brejos, para usar a expressão de Octávio Aires de Menezes), iniciando-se estreita, e com pequena curva na altura do antigo Orfanato Jesus Maria José. Conforme se lê em Mário Bem Filho(Juazeiro e seu espaço físico), a Rua São José “é a primeira paralela oeste à Rua Padre Cícero, início da Rua do Brejo, sentido Norte/Sul, termino na Rua Leão XIII”, no Bairro dos Salesianos, com o CEP indicado pelos Correios como 63.010-421. Os primeiros registros desta rua parecem ser os que encontramos em dois documentos. O primeiro deles é uma planta elaborada pelo referido Octávio Aires de Menezes, a pedido do historiador Ralph della Cava, e que reproduz a Vila de Joaseiro, de 1875, pouco depois da chegada do Padre Cícero. A vila não tinha senão 32 casas, a maioria de taipa, e a nossa rua era tida como “Futura” Rua São José. Não havia qualquer casa neste trecho. A Rua São José era o limite para os Brejos, o que se denominava de terras de baixio, na direção do Salgadinho, o rio que passava pela aldeia, e que em tempos de chuvas, sobretudo de bom inverno, alagava e chegava a espalhar suas águas pela rua. O outro documento que faz parte dos Arquivos do Padre Cícero, é um recenseamento da Vila, feito em 1º de janeiro de 1909, certamente para encaminhar o pleito de emancipação, encomendado por Doutor Floro Bartholomeu da Costa. A Rua São José ali se apresenta com uma população de 1.100 habitantes, o que se depreende poderia conter por volta de 200 casas. A povoação de Joaseiro tinha naquela data, 18 ruas, e 4 travessas, com uma população de 15.050 habitantes. A Rua São José era a quarta mais populosa, ficando atrás das Ruas Padre Cícero(2.000 habitantes), Santa Luzia(1.538), e Grande do Salgadinho - hoje Av. Leandro Bezerra, (1.136). Concentrava, portanto, 7,3% da população da cidade. Alguns registros sobre a Rua São José indicam que ela foi configurada à semelhança de outras ruas, a partir dos anos 20. Rua estreita, calçada com pedra tosca, com coxia para escorrer águas pluviais, calçadas altas em tijolo aparente e fachadas de casas comuns, sem recuo. As casas eram quase sempre modestas, na maioria de porta e janela. Apesar desta ocorrência comum, a Rua apresentava muitos exemplos de ótimas construções que ao longo dos tempos serviram de residências e algumas instituições. Na sua primeira quadra, desde a Rua dos Brejos, ainda hoje constatamos a presença de parte daquele casario miúdo, em torno de 25 casas, na porção mais estreita da rua, até chegar ao Orfanato Jesus Maria José, em frente ao que chamávamos vulgarmente de Beco da Bosta, porque era a passagem de animais para o brejo e vivia constantemente sujo. Sobre o Orfanato, valho-me de ótimas referências de Generosa Alencar, Fátima Menezes, e Amália Xavier de Oliveira. O Orfanato tinha como finalidade o amparo de meninas desvalidas, pobres e órfãs, propiciando-lhes educação.  Ai, algumas beatas como Raimunda da Cruz Neves (Munda), Joana Tertulina de Jesus (Mocinha), e Cotinha, assim como a profa. Donata Bezerra, ensinavam catecismo, trabalhos manuais, educação e cultura. O prédio tinha o número 79 e tudo indica que logo foi construído, conforme fotografia estampada no livro do doutor Floro Bartholomeu da Costa, de 1923. Era bem larga, constando de duas portas e nove janelas nas laterais. Padre Cícero Romão Batista  o fundou no dia 08.04.1916, e entre esta data e 1934, quando ele morreu, foi seu mantenedor com doações financeiras voluntárias de romeiros e amigos. As filhas de Santa Tereza de Jesus, por interveniência do Padre Cícero junto ao Bispo da Diocese do Crato, Dom Francisco de Assis Pires, foram as sucessoras, assumindo a direção em 1935. Mas, antes disto, o Orfanato foi transferido para a velha casa de campo do Deputado Floro Bartholomeu da Costa, situando-se hoje na Rua Cel. Antonio Pereira, 64, Bairro de Santa Teresa. No prédio do Orfanato já funcionou a Escola Normal Rural, logo após fundada em 1934. A Escola se mudaria em 04.09.1934, daí para o local onde funcionou até sua extinção, na Rua Nova (depois Av. Dr. Floro). Com a morte do Padre Cícero, o prédio do Orfanato foi herdado pela Congregação Salesiana. Também funcionou neste endereço o Educandário São José, sob a direção das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, a partir de 02.10.1948. O Dispensário, como era conhecida a casa das freiras, existiu anexo, destacando-se a sua capelinha, sob a responsabilidade de vários capelães, dentre os quais eu me lembraria mais dos Padres Cícero Coutinho e Silvino Moreira Dias. Em frente, havia dois prédios de propriedade de "seu" Rochinha. Num deles funcionou a fábrica de doces de José Figueiredo - nosso compadre e grande amigo. Depois, ali existiu uma oficina mecânica na qual foi montado um avião da missão americana, sob direção do Mr. Harold. Vizinho, a casa de Rochinha, anteriormente, minha mãe -  Doralice Soares, e suas amigas, as professoras Zuila Belém e Nazaré Pereira, fundaram e mantiveram por alguns anos o Instituto Dom Vital, uma escola primária particular. No prédio seguinte, um edifício com dois pavimentos, se falava que havia sido construído para abrigar a futura Diocese do Cariri, sonho do Padre Cícero. Nele morou o prof. Agostinho Balmes Odísio e sua família – mulher e sete filhos, entre 1934 e 1940, quando se mudou para Fortaleza. Agostinho era italiano, escultor e arquiteto. Ele fora discípulo de Auguste Rodin, em Paris, em 1904. Veio para Juazeiro, saindo de Minas Gerais, atraído pela curiosidade em torno do Padre Cícero. Este prédio, pelos anos 50, serviu de morada para os primeiros frades Franciscanos que vieram para Juazeiro, a partir da pedra fundamental do Santuário de São Francisco, em 06.01.50, data fatídica em que foi assassinado o Mons. Joviniano Barreto. Junto a este prédio estava o Abrigo - ou Asilo Nossa Senhora. das Dores, sob a responsabilidade da Sociedade de Amparo aos Mendigos(SAM). Em frente, tínhamos os fundos da casa do primo José Teófilo Machado, ou mais precisamente de Zefa, a governanta da casa. Ainda vizinho, lado par, vinham duas casas onde também morou o Padre Cícero, e que nos anos 50-60 foi residência de nossos compadres Dolores e José Figueiredo. Embora ainda hoje se possa encontrar residindo famílias, ou seus descendentes, desde o começo do século, é natural que muitos dos imóveis tenham sido transacionados por compra e venda, doação ou permuta. Novamente recorro a Paulo Machado, aliás o autor é virtualmente um antigo morador da Rua São José, pelo fato de sua antiga residência da Rua Padre Cícero ter fundo correspondente com a São José. No seu excelente trabalho - Cartório como fonte de pesquisa, encontrei a súmula de transcrição destes negócios de imóveis, envolvendo 17 deles, no período de 24.10.24 a 04.08.42, onde figuravam como proprietário, ou adquirente, o Padre Cícero ou a Beata Mocinha. Dois destes imóveis são particularmente importantes. O primeiro, a casa de nº 29, hoje 79, já construído para o Orfanato Jesus, Maria e José, doado em 23.07.30 pelo Padre Cícero para a Congregação das Irmãs da Ordem Terceira Franciscana, freiras Capuchinhas, com a cláusula de obrigatoriedade de manutenção do estabelecimento. Isto acabou por não acontecer, motivando a transferência do estabelecimento para as Filhas de Santa Teresa de Jesus, conforme já mencionei. O segundo, envolvendo os prédios de números 242(onde o Padre Cícero residiu e hoje é o Museu) e 258, uma residência. A Beata Mocinha, em 04.08.42, portanto, já após a morte do Padre Cícero, doava à Congregação da Filhas de Maria Auxiliadora (Irmãs Salesianas) para que ai instalassem um colégio. Como no prazo de dois anos isto não aconteceu, a doação ficou incorporada ao patrimônio da Congregação Salesiana do Norte do Brasil, herdeiros universais do Padre Cícero e já instalados na cidade. Talvez ainda volte a esse assunto, pois a Rua São José é o meu xodó há muitos anos, com um acervo extraordinário em sua história. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 10.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Estou aproveitando a mudança de endereço recente para ir completando a doação prometida à UFCA de boa parte do acervo histórico que Daniel Walker e eu temos reunido em mais de cinquenta anos de estudos e pesquisas. Isso se iniciou quando formalmente nós dois fizemos a entrega do primeiro lote, em 03.11.2009 com reunião pública, homenagem, pergaminho, pompa e circunstância. Tudo isso, à época, à sombra da generosidade de Fanka Santos e sua instituição para nos encher de orgulho pessoal pelo gesto e recepção. Depois, em duas outras ocasiões o material continuou a ser entregue, mas parou em virtude de pequenos obstáculos como a carência de espaço para abrigar o que tivemos tanto em empenho em reunir. Recentemente fomos convidados para ver de perto o LACIM (Laboratório de Ciência da Informação e Memória), sob a coordenação da professora Ariluci Goes Elliott. Ali estão realizando o projeto de pesquisa sob o título de Preservação e Dinamização da Memória Documental da Região do Cariri, que visa dar visibilidade ao acervo existente no LACIM, vinculado ao Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Para isso, conduzem a sistematização e a organização do acervo, a fim de preservar e dinamizar a memória documental para consulta e pesquisa da comunidade acadêmica e da comunidade externa. Nosso acervo é constituído basicamente de: Documentos Históricos, Livros, Opúsculos, Folhetos, Boletins, Jornais, Literatura de Cordel, Fotografias, Mapas, Vídeo, Áudio, Cinema, Xilogravura, Catálogos, Cartazes, Correspondência, Monografias, Dissertações, Teses, Arte Popular, Relatórios, Originais de livros (já impressos ou inéditos), etc. O acervo cobre, preferencialmente Juazeiro do Norte, mas há amplo material bibliográfico sobre quase todas as cidades do Ceará, e especialmente do Cariri. E nesses termos, são contempladas referências: 1. De autores juazeirenses (toda e qualquer obra escrita por um juazeirense nato, ou “adotivo”; 2. De temas juazeirenses (tais como religiosidade, história, literatura, etc; 3, Edições juazeirenses (publicações editadas localmente); 4. Coleções completas ou quase isso de grandes títulos cearenses, como a Revista do Instituto do Ceará, Academia Cearense de Letras, Hyhité, Itaytera, A Província, Aspectos, Boletim do ICVC, e muitas outras. Alguns destaques podem ser mencionados:  Documentos Históricos (quase todos os documentos do arquivo do Pe. Cícero (alguns originais e a maioria em digitalização); Livros, Opúsculos, Folhetos, Boletins, Catálogos, Monografias, Dissertações, Teses, Catálogos, Cartazes (milhares de peças que procuramos reunir, dando ênfase, especialmente a formação de uma autêntica biblioteca juazeirense; Jornais (mais de setecentos títulos, alguns dos quais completos, desde o nascimento da imprensa local, com o Rebate e tantos outros ainda hoje são mantidos ativos, e sobre os quais nos empenhamos, tanto realizando o inventário atualizado (2017), bem como coletando tudo o que vai saindo em novas edições; Literatura de Cordel (coleções as mais completas de diversos autores caririenses, bem como todas as edições dos clássicos da Lira Nordestina, novos autores, etc; Fotografias (amplo catálogo, com mais de 20 mil peças, todas digitalizadas, especialmente de Juazeiro do Norte, remontando ao século XIX; Mapas (antigos e atualizados, de Juazeiro e do Ceará), Vídeo (boa coleção de DVDs sobre fatos e personagens do Ceará), Áudio (CDs e gravações ainda em fita magnética de eventos, depoimentos, e música); Cinema (alguns filmes em super8 e 16mm, sendo a maior parte já telecinado para DVD); Xilogravura (uma das mais ricas coleções brasileiras de xilógrafos do Cariri, com cerca de 17 mil peças, já digitalizadas e catalogadas, de mais de setenta artistas regionais; Arte Popular (muitas peças de artistas, especialmente dedicados ao entalhe em madeira); Correspondência, diversa, particularmente a do Pe. Cícero e outros personagens (agora estamos tratando de digitalizar e catalogar a correspondência do Mons. Azarias Sobreira Lobo). Enfim, tanto Daniel Walker como eu podemos hoje olhar para isso tudo realizado e ter nitidamente a sensação agradável de ter cumprido uma missão que se fazia necessário, pois ainda hoje não temos arquivos estruturados que se façam a partir desse material mencionado. Infelizmente é isso, nenhuma cidade do Cariri pode ainda contar com um arquivo público, pois tudo é descartável. Tivemos sempre, e ainda hoje, muita tristeza em relatar o descaso das pessoas para com esses elementos primários. Por isso mesmo, esse acervo se enriqueceu ainda mais porque a ele dedicamos o melhor zelo para que tudo se conserve. O futuro ainda dirá melhor sobre o que fizemos. Justo é mencionar alguns esforços que vão sendo observados nesse mesmo sentido, como pçor exemplo, a dedicação do DHDPG (Departamento Histórico Diocesano Padre Gomes, sob a coordenação do Pe. Roserlândio, na Diocese de Crato, bem como o que está sendo feito na URCA com precioso arquivo cartorial de um tabelionato cratense, e outros mais que vão se somando para resgatar essas imensa dívida que cresceu, pois poucos tem a sensibilidade de conservar a “velharia”. O nosso mais sincero agradecimento, sempre renovado, vai para a UFCA (Universidade Federal do Cariri), através do curso de Biblioteconomia, e mais de perto pelo empenho da professora Ariluci Góes Elliot, que coordena a implantação do projeto que contempla essa doação que fizemos à instituição, acreditando nos seus propósitos, e feito como se estivéssemos entregando o nosso próprio coração. Bom dia!
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 11.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Falando antes de ontem sobre a Rua São José, veio-me a vontade de reler o que há muito tenho escrito, e que formatado, um dia, será um livro denominado Memória da Rua São José. Nele conto histórias e relato fatos idos e vividos, do tempo em que, entre 1953 e 1963 ali residia. Num dos capítulos desse livro em elaboração, conto a história da existência de uma onça, pertencente ao então prefeito Antonio Conserva Feitosa, na casa de número 618, fato que assim relatei, exatamente motivado pela ambiência zoológica que se vivia na Rua São José. Vejamos: Um dos encantos que registro da minha existência como morador na Rua São José vem de um quase zoológico que se espalhava por diversas casas da Rua. Na casa de minha avó havia umas burguesas que vadiavam, com elegância, pela casa. E quando o tio Sizenando vinha de São Paulo, ele comprava pássaros e ali os mantinha em gaiolas durante suas férias. Bichos, muitos, eram os pássaros e aves na casa dos tios Silvanir e Ananias. Muitos pássaros, entre galos de campina, sabiás, canários belgas, corrupiões, graúnas, muitos mais, e uma grande criação de pombos. Quando queríamos ver bichos exóticos íamos ao Museu, pois a velha casa do Patriarca guardava uma larga coleção de insetos, borboletas lindas, animais empalhados e um enorme aquário no quintal, sob a sombra generosa de pés de cajaranas. Um Urubú-Rei havia na casa de Júlia, do doce, no número 200 da Rua. Júlia era a fiel zeladora do animal, trazido de não sabemos onde, por um romeiro, de presente para o padrinho. Recentemente, visitando o Parque do Macuco, em Foz do Iguaçu, Paraná, encontrei numa placa a menção que transcrevo: “Urubu-Rei (81cm). Sarcaramphus papa Linnaeus, 1758. Habita florestas virgens. Vive em sociedade. Possui um vôo majestoso e possante, atingindo grandes alturas. Alimenta-se de carniça de animais mortos, tanto de mamíferos, como de répteis e peixes. A maneira de buscar alimentos nas florestas é feita, inclusive, através do olfato. Em extinção no Paraná”. Há poucos dias, em 06.12.2001, um encontro casual com Marco Antonio Assunção Feitosa, trouxe-me de volta a lembrança deste animal. Marco tinha à mão uma foto do Urubu-Rei, de Júlia, que fora obtida de Nair Silva, tomada do bicho em sua jaula na casa da Rua São José. E me deu de presente a foto, pela coincidência agradável de ter-lhe lido este apontamento que guardava na carteira, tomado no Paraná, em outubro daquele ano, transcrito acima. E foi com Marco que relembrei um fato pitoresco daquela nossa infância na Rua São José. No quintal de sua casa havia parte deste zoológico que me referi, e se espalhava pela cidade. Lembro de anta, cobras, aves diversas, tartarugas, macacos, patos, pavões, gatos maracajás, e outros mais. Dr. Antonio Conserva Feitosa, o prefeito de então, tinha um gosto particular pelos animais e assim os mantinha em casa. Uns livres, e outros bem enjaulados. Ai pelo ano de 1961, ou 62, um romeiro trouxe para Juazeiro, a título de promessa a ser paga, uma bela onça, apanhada em terras de Mato Grosso. O vigário da paróquia, ao que consta, não quis receber a fera e indicou o prefeito, que a comprou do romeiro. O animal estava preso numa jaula de toros de madeira rústica, amarrados com arames. Ele foi colocado numa sala da casa de número 618, vizinho a dos meus padrinhos Maria Germano e José Magalhães, e que servia ao prefeito como seu consultório médico. Nós sabíamos das idas e vindas dos filhos de Dr. Feitosa, em visita à onça. O animal era tratado por João de Assis, um jardineiro da casa da família de Dona Heloisa e de Dr. Feitosa, a imensa morada no cruzamento das ruas São José e Sta. Luzia. Parte do seu ritual diário, João de Assis ia apanhar vitelos (fetos bovinos) no matadouro público, extraídos de animais abatidos, e os trazia para a alimentação da onça. Num desses dias, Frederico e Marco Feitosa acompanharam João de Assis para este serviço junto à jaula do animal. Abriram a porta da sala e constataram que a onça havia quebrado a jaula e tinha escapulido. No entanto, a onça estava ali, mesmo, na sala, bem atrás deles. Pense aí no clima de terror e a corrida louca que os três fizeram para chegar na porta e batê-la no focinho da fera. João de Assis ficou segurando a porta, enquanto o bicho empurrava de lá. Marco e Fred, em desabalada carreira, foram pedir socorro em casa. Felizmente logo vieram Dr. Feitosa, com uma arma de calibre 12, e seu filho Fernando, com um rifle. Subiram na casa e foram destelhando a coberta para localizar a posição da fera na sala. Enquanto isto, e a duras penas, João de Assis se esforçava para segurar a porta, ao som aterrorizante dos rugidos da onça. De cima, e com tiro certeiro, a fera foi abatida, não sem antes ter dado um salto para o alto, tentando alcançar os dois em cima da casa. Fernando ainda conseguiu dar uma coronhada na cabeça da onça, que caiu sem vida no chão da sala. A essa altura a rua estava cheia de curiosos, todos temendo um desfecho diferente. Depois, a história da morte da onça correu pela cidade e muita gente veio bater na porta do prefeito em busca da carne e das vísceras do animal. Infelizmente esta aventura não virou folheto de cordel, mas tinha tudo para ser. Dr. Feitosa ficou com a bela pele da onça, e segundo me disse o Marco, ainda hoje ela é mantida como troféu de suas aventuras e da onça que, pondo pânico em toda a Rua São José, e redondezas, quase mata João de Assis, que saiu dali todo urinado. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 12.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Em seu livro “Os Construtores de Juazeiro”, o radialista, jornalista e escritor Dario Maia Coimbra, o Darim, conta que Aderson Borges de Carvalho nasceu em Caririaçu, no dia 29 de agosto de 1922. Ele passou a residir em Juazeiro a convite do então prefeito Antônio Conserva Feitosa. Depois de exercer a função de secretário municipal, ocupou o cargo de tesoureiro da Coletoria Especial Estadual. Como contador de destacada capacidade, integrou a equipe de contabilidade da Aliança de Ouro, então em plena ascensão, de onde saiu para gerenciar a Fábrica de Bebidas São Geraldo, de Luciano Teófilo. “Apegou-se ligeiro a Juazeiro e seus juazeirenses, dando uma louvável contribuição para o desenvolvimento da cidade”, afirma Darim. Dotado de larga visão de futuro e ciente da importância estratégica do setor secundário para a economia do município e da região, foi Aderson Borges de Carvalho o coordenador da equipe que promoveu a I Feira da Indústria do Cariri (FIC). Mesmo não tendo sido exclusivamente do segmento, a promoção foi um marco até hoje lembrado pelos cidadãos mais engajados na preservação da memória do município, e plantou a semente da Feira de Negócios do Cariri (Fenec), que teve dezenas de edições pelos anos seguintes. O próprio Aderson Borges de Carvalho falou sobre a primeira edição da FIC em seu livro “Crônicas do Cariri”. “Chegava do Rio e São Paulo e fui convidado para uma reunião no Clube dos Doze. Por iniciativa de João Barbosa, socialmente, sempre atuante, projetava-se a realização de uma festa naquele clube, precedida de disputa para a eleição da ‘Rainha’, entre seis jovens beldades de nossa terra, que teriam  patrocínio de indústrias locais”, conta. Apesar de considerar a ideia interessante, Aderson avaliou que não daria retorno aos patrocinadores em termos de eficiência publicitária, “por realizar-se num salão, que, elitista, seria inibidor da presença de pessoas, socialmente mais modestas”. Sugeriu então que se fizesse um evento de maior amplitude, “partindo para uma mostra onde os expositores fossem indústrias de toda a região, já que estávamos empolgados e ansiosos pelo sucesso do “Plano Asimov” em incipiente implantação”, relembrou. Designado presidente do Comitê de Organização, a ideia da FIC ganhou a adesão de diversas personalidades e instituições. “Tinha uma ideia geral do que seria um certame desse porte enquanto eficiente meio de publicidade, que muito visitara nas amiudadas viagens ao Sul do País e capitais nordestinas. Com as adesões que foram chegando, demos início a estruturação e adaptação de toda a área coberta ou não, do Treze Atlético Juazeirense, (antiga sede) na Praça São Vicente”. Os stands, de acordo com ele iam sendo preparados, os convites expedidos para as mais altas autoridades do país e do estado, Presidente, Ministros, Governador, Secretários, Deputados, com dia e hora marcados. Na última hora, a Feira da Indústria quase é impedida de ser realizada pelo Delegado do Ministério da Indústria e Comércio. “Por telegrama, o delegado avisava ao Prefeito Mauro Sampaio – que não participava da promoção, - e aos presidentes do Rotary, Lions e Câmara Júnior, que a feira estava proibida de funcionar, por descumprimento das exigências legais sobre feiras e exposições. Rápido, procurei os destinatários, para que nada divulgassem”. Era época de ditadura militar, e somente após um intenso esforço junto àquela autoridade e uma intervenção por meio de ofício junto ao ministro, o trabalho de promoção da FIC pôde ser levado adiante. Dario Maia Coimbra recorda também em seu livro que, em 1970, indicado pelo prefeito Mauro Sampaio, Aderson Borges coordenou a equipe que viajou ao Rio de Janeiro para uma exposição no Museu de Arte Moderna. “Seu prestígio fez com que, merecidamente, fosse eleito presidente da Associação Comercial, realizando profícua administração, deixando a elevada função por injunção política, que patrocinou a candidatura de um cidadão que não era sequer comerciário quanto mais comerciante. Prevaleceu a imposição político-econômica”, escreveu. Na vida social, Aderson Borges integrou o Rotary Club, onde exerceu vários cargos, incluindo o de presidente. Apesar de não ter sido militante desportista, presidiu a Liga Desportiva Juazeirense (LDJ). Enveredou ainda pela política, com eleições para dois mandatos de vereador e duas candidaturas para prefeito, sem entretanto obter êxito para chefias o Executivo Municipal. Segundo Darim, Aderson Borges de Carvalho atuou como farmacêutico e escreveu, também, crônicas carregadas de honestas críticas aos fatos do cotidiano regional. Trabalhou, ainda, no Jornal do Cariri, como redator-chefe. Por fim, sua visão empreendedora o levou a ser empresário do ramo de metalurgia e marmoraria, com maior sucesso na primeira delas. Participou das campanhas em prol da eletrificação e telefonia do Cariri, da construção do Aeroporto e das instalações da agência do Banco do Brasil, do Sesi e do Senai. Aderson Borges de Carvalho faleceu em 24 de abril de 1999. O Liceu de Juazeiro, uma escola estadual de ensino profissionalizante, leva seu nome como uma das poucas, mas justa homenagem a quem tanto se dedicou ao crescimento da terra do Padre Cícero. Bem recentemente foi criada em Juazeiro do Norte uma Organização Não Governamental denominada Casa do ABC (Aderson Borges de Carvalho) que agora está situada na Rua Santa Rosa, esquina de Pe. Pedro Ribeiro. É uma instituição voltada para a promoção humana, congregando jovens e adultos em diversas atividades de formação cidadã, como música, arte, clube do idoso, etc. É assim que se faz para perpetuar a vida e a obra de um dos mais completos exemplos de cidadania que me foi possível conhecer, e que estava entranhado na personalidade de Aderson Borges de Carvalho. Quem está à frente da ONG é o Danilo Abençoado, com uma grande equipe de trabalho. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 13.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
A história mais remota da vida religiosa de Juazeiro do Norte recorre cronologicamente ao instante marcante da pedra fundamental da primeira capelinha, em honra de Nossa Senhora das Dores, assentada no recuado 15 de setembro de 1827, encravada nas terras desse lado fértil do Cariri. Daí por diante, eclesiasticamente dependente da Freguesia de Nossa Senhora da Penha (Crato), e da Diocese de Olinda, sucederam-se alguns capelães, até que, já constituída uma nova Diocese, o primeiro Bispo do Ceará, D. Luiz, proclamou a provisão com a qual Cícero Romão Baptista, se tornaria em 11.04.1872 o seu sexto capelão. Amália Xavier, em seu relato sincero, registra que aquele foi um “apostolado fecundíssimo, com suas práticas religiosas e, sobretudo, com seu exemplo, conseguiu regenerar os habitantes, descendentes dos escravos do Pe. Pedro (Ribeiro), que após a sua morte se haviam entregues a toda a sorte de degenerescência, esquecidos dos ensinamentos recebidos.” O zelo exemplar de Pe. Cícero estendeu as bases para que aquela pequena capela, expandida em duas ocasiões, reformada em outras tantas, se constituísse no núcleo fundamental sobre o qual cresceria suas atenções sobre o fenômeno religioso e sobre todas as injunções que fizeram daqui o epicentro da religiosidade popular emanada da grande nação romeira e nordestina. Muito depois, 45 anos após, no dia 20 de janeiro de 1917 a Diocese de Crato criou a primeira Freguesia da Vila do Joaseiro, designando o seu primeiro vigário o Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves. Essa ficou conhecida como Paróquia-Matriz, ou Igreja-Matriz, uma longa primazia por outros longos 51 anos, até que fosse criada a segunda paróquia da cidade. Agora, depois de uma história memorável, através da qual abrigou todos os filhos desta heroica cidade, em congraçamento com a gente romeira dos sertões e elevada às dignidades de Santuário e de Basílica Menor, ela se prepara para celebrar o seu primeiro centenário, plena das graças da Igreja que está em Cristo e em cada um de nós. A celebração deste primeiro século de evangelização e de um intenso pastoreio se fará por uma ampla programação, para a qual estamos todos convidados a rememorar e a festejar tudo aquilo que se emanou da velha capelinha e que invadiu lares e oficinas, entre oração e trabalho, para ser entre nós o privilégio, na proximidade do Reino de Deus. Em toda a sua existência, a Paróquia-Matriz foi regida por dez vigários, na atualidade denominados de Párocos, enquanto vigários paroquiais são os coadjutores ou auxiliares. Revisei recentemente a relação desses vigários/párocos, para indicar abaixo os seus principais dados. Observe que dois deles (Monsenhores Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves e José Alves de Lima) foram vigários em dois períodos.
PRIMEIRO VIGÁRIO: Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves; Nascimento: 29.01.1879 (Crato, CE); Ordenação: 30.11.1898 (Fortaleza, CE); Vicariato (I): De 21.01.1917 a 16.09.1921; Falecimento: 01.10.1934 (Juazeiro do Norte, CE);
SEGUNDO VIGÁRIO: Pe. Dr. Manoel Correia de Macedo; Nascimento: 16.06.1894 (Barbalha, CE); Ordenação: 03.04.1920 (Roma, Itália); Vicariato: De 26.01.1923 a 06.01.1925; Falecimento: 06.07.1959 (Campinas, SP);
TERCEIRO VIGÁRIO: Pe. José Alves de Lima; Nascimento: 05.05.1889 (Crato, CE); Ordenação: 30.11.1912 (Fortaleza, CE); Vicariato (I): De 13.05.1927 a 06.06.1933; Falecimento: 30.08.1969 (Juazeiro do Norte, CE);
QUARTO VIGÁRIO: Mons. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves; Nascimento: 29.01.1879 (Crato, CE); Ordenação: 30.11.1898 (Fortaleza, CE); Vicariato (II): De 17.04.1933 a 01.10.1934; Falecimento: 01.10.1934 (Juazeiro do Norte, CE);
QUINTO VIGÁRIO: Mons. Joviniano da Costa Barreto; Nascimento: 05.05.1889 (Tauá, CE); Ordenação: 21.12.1911 (Fortaleza, CE); Vicariato: De 26.03.1926 a 06.01.1950; Falecimento: 06.01.1950 (Juazeiro do Norte, CE);
SEXTO VIGÁRIO: Mons. José Alves de Lima; Nascimento: 05.05.1889 (Crato, CE); Ordenação: 30.11.1912 (Fortaleza, CE); Vicariato (II): De 07.01.1950 a 28.02.1967; Falecimento: 30.08.1969 (Juazeiro do Norte, CE);
SÉTIMO VIGÁRIO: Mons. Francisco Murilo de Sá Barreto; Nascimento: 30.10.1930 (Barbalha, CE); Ordenação: 15.12.1957 (Barbalha, CE); Vigário Cooperador: De 06.02.1958 a 28.02.1967; Vigário: De 28.02.1967 a 04.12.2005; Falecimento: 04.12.2005 (Fortaleza, CE);
OITAVO VIGÁRIO: Pe. Paulo Lemos Pereira; Nascimento: 25.09.1970 (Juazeiro do Norte, CE); Ordenação: 19.10.1999 (Crato, CE); Administrador Paroquial: De 06.02.2006 a 07.01.2011;
NONO VIGÁRIO: Pe. Joaquim Cláudio de Freitas; Nascimento: 15.07.???? (Santana do Cariri, CE); Ordenação: 08.06.2007 (Crato, CE); Vigário Paroquial: De 01.01.2008 a 01.01.2011; Pároco: De 08.01.2011 a 30.07.2015;
DÉCIMO VIGÁRIO: Pe. Cícero José da Silva; Nascimento: 15.01.1975 (Brejo Santo, CE); Ordenação: 04.08.2012 (Crato, CE); Vigário Paroquial: De 01.01.2011 a 31.07.2015; Pároco: desde 31.07.2015.
De amanhã até o dia 20 estarão concentrados os principais eventos com os quais será celebrado o primeiro centenário da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. Em verdade, estendendo-se por todo o ano de 2017, em diversas outras ocasiões, ainda será a oportunidade para festejar esse grande momento. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 14.01.2017)

CARIRI REVISTA EM CARTAZ

Já está circulando a mais nova edição da Cariri Revista. Trata-se do número 28, uma edição especial contemplando uma ótima matéria sobre a relação da Romaria com Juazeiro do Norte. Vale a pena ler. A revista é distribuída gratuitamente em diversos pontos da cidade, do Cariri e em Fortaleza.

sábado, 7 de janeiro de 2017

BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que eventualmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
242: (04.01.2017) Boa Tarde para Você, D. Gilberto Pastana de Oliveira
Abraço-o, fraternalmente, como já o fizera muitos dias atrás, nesse mesmo estúdio da FM Padre Cícero, ao receber a sua agradabilíssima visita, pois nos chegava como bispo coadjutor, para a missão, de há pouco investido na Diocese de Crato. Li com atenção a sua mensagem de posse, qual homilia simples, serena e convicta das imensas responsabilidades que assume perante um território largo de chão, paróquias e comunidades que o desafiarão a continuar esse trabalho missionário, centenário no seu tempo. Reservo-me aqui, e permita-me Vossa Reverendíssima, repetir sua expressão de que “Nesta terra nasceram e viveram pessoas boas e santas, que representam para nós ícones de caridade e serviço ao próximo, a exemplo do Padre Cícero, da menina Benigna Cardoso da Silva, do Padre Ibiapina e de tantos outros, cuja existência, mesmo no anonimato, representa bênçãos e nos animam a enfrentar as adversidades.” Mesmo assim, Senhor Bispo, os verbos no passado nos animam para assumir esses exemplos de santidade para que, no caso do Juazeiro, não se diga mais como o então vigário Mons. Lima: Na Matriz do Juazeiro são âmbulas e mais âmbulas e santidade, nada... A propósito, lembrei-me imediatamente, por algum viés, as palavras de São João Paulo II, ainda na visita de 1991, segundo o qual “O Brasil precisa de santos; o Brasil precisa de muitos santos!”, pois de fato esses nominados são exemplos marcantes em nossa religiosidade e isso não pode deixar de ser considerado como parte da santidade da Igreja de Cristo. Assume Vossa Reverendíssima a titularidade de uma Diocese que tem, sem dúvida, essa preocupação, plantada no entendimento de seu povo pelos modelos exemplares a partir da matriz significativa do Padre Mestre Ibiapina, reforçada no catolicismo rústico de seus beatos. Por isso mesmo essas expectativas se renovam, como foi o caso mais recente do desfecho em torno do processo de reabilitação histórico-eclesial de Cícero Romão Baptista, que trouxe às angústias da Nação Romeira um novo alento para o reconhecimento pleno do seu modelo e testemunho. Como Vossa Reverendíssima bem lembra, também entre nós, nestes torrões do Tabuleiro Grande, também remontamos ao albores do século XVIII, com vida devotada, oração e trabalho. Por circunstâncias outras somente há cem anos essa Igreja do Juazeiro superou os traumas de um milagre eucarístico não reconhecido para existir na oficialidade, graças a generosidade e a caridade cristã de um primeiro bispo. Hoje, mercê de Deus e da crença inabalável do seu povo aqui residente, o território minúsculo e profundamente adensado populacionalmente, felizmente é assistido em doze paróquias, tendo sido constituída essa última bem recentemente. Ó tempore, Senhor Bispo, lembrando uma Juazeiro de minha infância e juventude, agigantada já aí pelos anos 60, e a contar apenas com os pioneiros olhares e fazeres de uma Paróquia Matriz que o tempo reservou história exuberante para ser a Basílica romeira desses sertões. Renova-se essa Diocese por sentimento, consciência, vocação e dedicação de seu novo Bispo na oportunidade em que, em sintonia com a atualidade terrena a Igreja deve ser presença obrigatória para mediar a superação das crises, especialmente as éticas e morais que assolam a nacionalidade. Clama-se pela redobrada atenção sobre a família do Cariri, tão profundamente marcada por sinais evidentes da degradação social e espiritual, e padecendo das misérias desses tempos, entre drogas, violência e desesperança. Gostaria de ver, Senhor Bispo, também nessa Diocese que o senhor assume, a inauguração de atenções e serviços, no tocante ao necessário diálogo inter-religioso, temática tão antiga quanto o Vaticano II, mas que na região, por timidez e falta de iniciativa, se vem protelando, ensejando cenas desnecessárias de intolerância religiosa, como aqui e acolá se manifesta em centro de romarias. Ao cumprimentar Vossa Reverendíssima, apresso-me em desejar-lhe que o fardo lhe seja leve, que tenhamos juntos, sempre presente, as atitudes de disponibilidade e entrega para que, de fato, “Amemos esta Igreja, sejamos esta Igreja, fiquemos nesta Igreja”, e que louvando Nosso Senhor Jesus Cristo, digamos com muita fé: “Venha o Teu reino”.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 04.01.2017)

BOM DIA!
O meu grande desejo de manter uma coluna diária sobre questões urbanas, enfocando problemas e realizando comentários sobre fatos notórios me levou a, a partir de 01.01.2017, recentemente, a iniciar uma publicação regular nesse sentido, através da minha página no Facebook. Já há alguns protestos, inclusive sobre a complexidade e o tamanho dos textos. Isso vem a propósito como tais pessoas desejam manter sua presença na rede social para publicar coisas inúteis e na maior parte um verdadeiro lixo que não conseguem esconder. Então, deem-me licença, também tenho o direito de fazer o melhor que posso, com todo respeito aos que me acolhem. Cordialmente, também aqui nesta coluna haverá a reprodução condensada do que sair pela semana. Muito obrigado pela compreensão.
BOM DIA! (1), Por Renato Casimiro
Cumprimento-os na certeza de que não se trata apenas de mais um novo dia. Estamos adentrando um novo ano com grandes esperanças para tudo: pelos projetos longa e loucamente acalentados, na crença que esse país saia do imenso atoleiro em que foi mergulhado, no desejo ardente de que os empossados nesse dia honrem o compromisso cidadão, para antes de tudo não venha a desapontar a criança que foi um dia. Amanheço hoje carregado desse sentimento que nos nutre para que vivamos, enfim, em uma nova realidade que nos anime para produzir intensamente, para fazer a nossa parte intransferível, por pior que seja a crise que nos abate. Cada um de nós sabe de cor e salteado uma ou várias histórias de imensas frustrações nesse caminho. Continuamos convivendo com a lastimável lista de improvisados homens públicos, ultimamente descobertos na lata do lixo, roubando esperanças e muito dinheiro necessário para a manutenção dos serviços essenciais de saúde, educação, energia, infraestrutura, para não ir mais longe entre o básico do básico. Acordei pensando nessas coisas, não pelo pessimismo doentio com que muitos são acometidos, mas pelo necessário exercício civilizado que nos ocorre diante do que temos pela frente, ao se tratar de realizar junto aos poderes a limpeza completa dessa lama podre e fétida do mau-caratismo deslavado e ainda prevalente entre os poderes da república. Quero dizer com isso que deve sobressair em nós a compreensão necessária para encarar a nossa responsabilidade social para continuar construindo a sociedade que nos serve, sem servilismo, mas voltado para o realce à nossa condição de críticos e de formadores de opinião, analisando e refletindo com grande empenho os fatos que vão surgindo, muitos dos quais objeto de manipulações que não nos interessam. Vejam só a questão relevante de hoje com a posse de representantes escolhidos ou não, tanto para a Câmara Municipal, quanto para a Prefeitura. No primeiro caso, o noticiário dos dias anteriores já revelavam o tamanho da marmota para a eleição do quadro dirigente do podre poder. De nada adiantou o discurso severo do juiz em dia de diplomação. Não tiveram nenhum escrúpulo em deixar de lado o interesse da comunidade para realizar a negociata que lhes servem a partir do dinheiro sujo que já começam ganhando servindo a interesses escusos. É sempre assim: nada a constatar diferente do que se sabe que esse velho mundo será sempre governado por esses interesses. Cabe-nos protestar pois eles em nada se parecem com aquele que orientam as decisões de gente decente. Quanto ao quadro de auxiliares do novo prefeito, ficamos ansiosos para conhecê-lo e na revelação não deixamos de constatar arranjos fisiológicos contrários aos nossos interesses. Mas é assim mesmo: seguimos esperançosos que sirvam ao município e se distanciem das más condutas para melhor servir ao povo. Dito isso, à guisa de uma boa preliminar, já lhes dou o tom dessa minha proposta de ser um vigilante atento para continuar pensando as nossas questões candentes. Desejo com isso me manter ativo pela palavra e pela reflexão, esperando não me trair por nenhuma circunstância e  trazendo diariamente o meu sentimento sobre questões relevantes da comunidade. Pretendo me envolver com imprensa, com a administração pública, com os acontecimentos da cidade e com tudo aquilo que exige a nossa participação. Assim, diariamente será postado um texto nessa página do Facebook, com esse formato. Espero contar com a participação dos leitores para um melhor enriquecimento desse debate, na medida em que ele serve prioritariamente a subsidiar o nosso exercício cidadão para contribuir para o crescimento e o desenvolvimento de nossa cidade. Não tenho nenhuma outra pretensão ou orientação senão essa, e procurarei ser fiel aos princípios éticos e  
morais que devem nos guiar por essas veredas em situações muitas vezes embaraçosas para um melhor exercício dessa crítica e do seu efeito benfazejo. Nesse primeiro dia do ano, quero formular para todos esses que me conferem o privilégio de sua leitura atenciosa os meu votos sinceros para que este ano que se inicia reserve no seu andamento a realização de muitos sonhos, tanto no plano pessoal, como na realização comunitária. Não há muita ilusão de que será um ano muito difícil pela conjuntura adversa que enfrentamos, fruto das crises que se acumularam mais recentemente, tanto na esfera econômica quanto no plano político. Mas seguimos com o otimismo que nos caracteriza, acreditando que vale a pena e por isso mesmo melhores dias virão. Bom dia!
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 01.01.2017)
BOM DIA! (2), Por Renato Casimiro
Nos últimos dias de 2016 eu mudei de endereço residencial, e logo naquele dia enfrentei um desses problemas urbanos com um dano na rede pública de distribuição de água, pois uma tubulação se rompeu em frente a mim (literalmente eu assisti o fato acontecer em tempo real). Não telefonei, mas fui pessoalmente à Cagece porque o volume de água desperdiçado era expressivo para as minhas contas (e o vazamento pode esperar até mais tarde). Registrei o fato e me prometeram para 24 horas depois. Voltei para casa chateado porque não tive prioridade (claro, enfrentei fila – é o normal, até para essa questão) não à minha pessoa, mais que sexagenário, mas ao fato em si, a perda intensa do que a imprensa chama vulgarmente de precioso líquido. Aliás, abro um parêntese aqui para relatar algo surrealista no atendimento na Cagece. Ao informar o endereço do fato, como em frente a minha residência, sou surpreendido com a informação de que tal endereço não existe. Pelo meu CPF, sou informado que, mesmo a despeito de tantas placas na rua, inclusive com CEP, eu não moro na rua tal, de Carvalho, bairro X, mas rua tal, da Silva, bairro Y. E mais, que a casa não é 832, mas 1048. Bom, ficamos nesse impasse, prevalecendo a sapientíssima posição da companhia que não sabe onde moro, enquanto o Correio me entrega correspondência no endereço informado e contestado. Por esta e outras, eu voltei mais preocupado com o desperdício de água. Esperei, em vão umas seis horas e terminei por chamar o pessoal da obra que ainda se fazia em casa, para quebrar o calçamento, fato que, pela ousadia, me levaria a assumir inteiramente a iniciativa, aparentemente descabida. Eles terminaram por descobrir que uma obra recente feita pela Cagece, ou terceirizados, aliás – mal feita, foi a causadora do problema. Eu havia pedido a troca de posição do hidrômetro (estava enterrado na calçada, como antigamente) para um outro local, na parede do muro da casa. Sem melhores condições, autorizei que deixassem o local parcialmente aberto para uma mais fácil identificação a ser procedida pela Cagece, quando nos atendesse, para fazer conforme o figurino da companhia, e não como a “gambiarra” que eu mesmo autorizara. Resolvido parcialmente o problema, me veio o sentimento confortável de que estancara essa “hidrorragia” poupando o aborrecimento de que continuamos lamentando os desperdícios de água em tempos de muita seca por estes sertões. Quatro dias depois disso, a equipe de uma terceirizada pela Cagece me telefone para tentar localizar o meu endereço onde o problema ainda estaria acontecendo. E eu fiquei me perguntando se tudo isso era verdadeiro, pois discutira com a atendente que não abriu mão para me dizer que certamente eu não sabia onde morava. Agora são os prepostos da Cagece, como terceirizados, que me perguntam pelo telefone, por indicação de um ponto de referência. Enfim, acharam, fizeram o reparo definitivo (assim espero) retirando a gambiarra que estava feita. Esse acontecido me leva a refletir sobre algumas coisas, entre organização urbana e os serviços da Cagece. Em primeiro lugar fiquei imaginando: e se a Cagece, “nos finalmentes”, vendesse algo mais importante e valioso que água, que tratamento se daria para os vazamentos, os desperdícios, a falta de água, etc? A burocracia, a ineficiência e a limitação de recursos parece comprometer fortemente os serviços da estatal. Quanto a outra questão, o do endereço, a conta mensal, emitida pelo operador ao pé do medidor, na porta de nossa residência, e posta na caixa do correio, à rua fulano de tal de Carvalho, 832, continua vindo para o mesmo titular, e no impresso se lê rua fulano de tal da Silva, 1048. Argumentei que seria necessário sanar este problema e me falam que tenho de arguir a PMJN para tal correção, mesmo porque na escritura do imóvel está tudo como eu sei – afinal, onde moro. Recentemente eu fiz um minucioso levantamento sobre a nomenclatura de ruas em nossa cidade. Coisa de quem não tem o que fazer. Constatei o óbvio, com os seguintes ingredientes: nomes errados, duplicidade, etc. Dando uma volta pela cidade, também se constata que a maior parte das placas não serve para nada. Ou porque, em vista do processo corrupto no ato licitatório da compra, o material adquirido foi de má qualidade e nada mais se lê ali ou porque na nomenclatura muito se perpetua de confusão e desinformação, entre homenagens, CEP, etc. Aliás, sobre homenagens, ainda estamos necessitando uma melhor atenção de nossa Câmara Municipal para com as que se prestam e se veja prioritariamente o mérito do homenageado. Bom dia!
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 02.01.2017)
BOM DIA! (3), Por Renato Casimiro
Reencontrei há poucos dias na estante o denso volume (810 páginas) da biografia do pernambucano Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Athayde, o conhecidíssimo Austregésilo de Athayde, um dos mais importantes jornalistas brasileiros no século XX, escrita por Cícero e Laura Sandroni (Ed. Agir, 1998). Interessa-me nesse instante rever flagrantes da vida desse homem, especialmente na sua juventude, seminarista na Prainha, ao tempo em que privou com o juazeirense Azarias Sobreira Lobo. O livro em questão é excelente no que toca a uma revisão sobre a vida social no começo do século, especialmente da vida dos seminaristas e vai me servir muito para retomar a biografia de Azarias, agora que estamos prestes a celebrar o centenário de sua ordenação sacerdotal. Em verdade, por motivo de saúde, Azarias deixou a Prainha vindo para o Crato e aí foi ordenado em 22.04.1917 por D. Quintino. Portanto, esse ano, deveremos nos lembrar da ocorrência do centenário de ordenação sacerdotal de Azarias Sobreira Lobo, com uma programação que marque e nos relembre a grandeza desse notável juazeirense. Observo que anteriormente, em 24.01.1994 já tínhamos festejado o seu centenário de vida, com uma bela comemoração promovida pelo então Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Sociais, IPESC, da URCA. Na ocasião, sob a coordenação de Raimundo Araújo, foi publicado um pequeno livro com depoimentos diversos sobre o nosso homenageado. Participaram desse livro: Raimundo Araújo, Antonio Taumaturgo Salviano, Armando Lopes Rafael, Daniel Walker, José Boaventura, Sílmia Sobreira, Edilberto Sobreira, Napoleão Tavares Neves, Francisco Neri Filho, Renato Casimiro, Walter Barbosa, José Valdivino, João Alves Teixeira, Geraldo Barbosa, Eurides Dantas de Souza, Gilberto Sobreira, Antonio Telles, Luitgarde Barros, Mauro Sampaio e Micol Sobreira Gomes (única irmã do Pe. Azarias, na época já falecida, mas que deixou um memorial extraordinário, com um depoimento minucioso, especialmente no tocante à batalha vivida por ele para superar a debilidade de sua saúde, ainda no seminário). Eu o conheci entre 1970 e 1974, quando faleceu. Tive o enorme privilégio de privar intimamente com ele e Deus me concedeu essa graça, pois logo entendi que era de fato um homem iluminado, generoso, inteligentíssimo, sensível, alguém que viveu sempre franciscanamente, despojado de vaidades e na simplicidade de ser missionário. Com certeza, muitos de nós, aqui no Cariri vai lembra-lo eternamente pelo quanto se dedicou à reabilitação do Padre Cícero, não só pelas obras que escreveu, desde numerosíssimos artigos pela imprensa, até obras alentadas como O Patriarca de Juazeiro, sua maior contribuição, vinda a lume em 1969. Nesse ano de 2017, como parte das minhas atenções para com a memória do Juazeiro, já venho cuidando de sua correspondência particular. Fui distinguido por pessoas de sua família, especialmente as Dras. Ermengarda Sobreira de Santana e Angela Sobreira Gomes, que tendo cedido esse precioso acervo, me ensejam promover o resgate, através de catalogação, digitalização e transcrição paleográfica de centenas de documentos que integram a sua correspondência, ativa e passiva. Iniciei no ano passado esse trabalho sentindo prazerosamente uma grande emoção por reencontrar Azarias Sobreiras em vasta correspondência com sua irmã Micol, mas também com seu primo José Sobreira de Amorim (Amorim Sobreira, como era mais conhecido) notável intelectual cearense, já falecido, ex-professor de Direito Romano na Faculdade de Direito da UFC, além de inúmeros membros do clero cearense, políticos e profissionais liberais, cidadãos comuns, seus grandes amigos. Infelizmente o tempo é curtíssimo para que tudo isso que tenho pela frente se concretize neste seu ano centenário. Mas, assim espero realizá-lo na medida do possível para deixar acessível esse legado extraordinário, de uma das mais completas vocações sacerdotais de nosso clero. A biografia e o testemunho de vida de Azarias Sobreira Lobo nos indicam para este sentimento. Os que o conheceram também firmaram seus depoimentos com a mesma generosidade com que o conheceram. Era um santo homem, pessoa de profundas convicções religiosas, uma criatura de fé inabalável. Mesmo reconhecendo por quase toda a sua vida que sua saúde era de grande fragilidade, não se abateu e resistiu bravamente para cumprir a missão que lhe cabia no ministério. Para mim, pelo menos, foi mais um santo que subiu aos céus e a quem recorro frequentemente nas minhas desesperanças. Bom dia!
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 03.01.2017)
BOM DIA! (4), Por Renato Casimiro
Vou dedicar as próximas duas postagens diárias à questão do lixo, e como vejo essa problemática em nossa cidade, usando uma série de textos que escrevi tempos atrás. De maneira muito sintética, entende-se por lixo os resíduos produzidos por atividades humanas que não tenham utilidade. Pode ser uma visão muito simplista para um problema complexo, uma vez que, na prática, do lixo hoje em dia muitas atividades estão gerando emprego e renda, exatamente pelo caráter da reciclagem de diversos materiais que se acumulam e se descartam como inservíveis pela população em geral. Assim, o primeiro indivíduo que habitou a terra seguramente gerou o primeiro resíduo, feito lixo, a partir de sua alimentação, atividades fisiológicas e a luta pela sobrevivência, o que não lhe servia, e que deve ter sido depositado em algum lugar, ao acaso. Estamos falando de algo que é inerente à nossa existência, fato que já deveria ter sido resolvido há milênios, mas que nos dias de hoje se configura como um problema ambiental da maior gravidade. Historicamente, o primeiro grande impacto nos aparece com o advento da Revolução Industrial que introduziu a diversidade na geração de resíduos sólidos à cena que antes só comportava, praticamente, os resíduos orgânicos de alimentos e excrementos. Esse foi o fato gerador que aos poucos foi incrementando complexidade a partir da acumulação de materiais diversos, como restos de alimentos, resíduos agrícolas, papel, madeira, etc, para atingir hoje coisas mais complexas como plásticos, metais, vidros, produtos químicos tóxicos, medicamentos, pilhas, baterias, tintas, lixo eletrônico, lixo industrial, lixo hospitalar e até resíduos nucleares. Lamentavelmente, ao abordar este problema, temos que mencionar o nosso grande atraso no seu enfrentamento, pois se reconhece que muito pouco tem sido feito para reduzir seus efeitos sobre as comunidades. A questão do lixo urbano é algo tão grave na sociedade que o princípio de uma ação efetiva para seu equacionamento se inicia com a nossa consciência socioecológica, o que depende fundamentalmente do nosso esclarecimento e da educação das novas gerações. Em primeiro lugar relevamos que o acúmulo e os destinos equivocados do lixo trazem implicações sérias com a disseminação de insetos e outros animais, hospedeiros de agentes etiológicos de doenças, produção de odores extremamente desagradáveis e resíduo líquido que contamina o lençol freático, poluindo nossas reservas de água potável, além da contaminação de pessoas que estão em contato com estes resíduos em degradação, para sermos bem sumários. Estas coisas, todas, aparentemente, são do nosso pleno conhecimento, mas estranhamente não são capazes de produzir um efeito importante na nossa própria conduta como gerador deste lixo. Em um grande centro como este nosso, minimizar estes impactos requer uma drástica intervenção do poder público no tocante ao disciplinamento de toda a cadeia que pode resolver o problema do destino final dos resíduos. Nesta esfera, União, Estados e Municípios, geram aparatos legislativos com normas que estabelecem procedimentos para implementar soluções básicas na contenção com respeito a coleta, reciclagem e destino final dos resíduos. Depois de muitos anos de estudos e debates há hoje uma legislação que aos poucos vai sendo aprimorada, com vistas a solução dos complexos problemas da geração e destino de resíduos sólidos. Falamos da Lei nº 12.305, de 02.08.2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em, seus termos estão preconizados “princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis.” Do corpo dessa legislação emerge o mais recente conceito sobre lixo, tecnicamente denominado de “resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d'água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível.” Segundo o Ministério do Meio Ambiente, este instrumento visa também colocar “o Brasil em patamar de igualdade aos principais países desenvolvidos no que concerne ao marco legal e inova com a inclusão de catadoras e catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis, tanto na Logística Reversa quanto na Coleta Seletiva. O Ministério também preconizou uma meta relativamente ambiciosa para alcançar o índice de reciclagem de resíduos de 20% em 2015. Ao lado deste fato, onde ficam explícitos direitos e deveres do cidadão comum, mas também de toda a sociedade, por todos os seus segmentos produtivos e geradores de resíduos, há um longo trabalho a ser concretizado a partir da escola, na vivência doméstica e comunitária, no sentido de formar uma consciência coletiva por práticas adequadas que mitiguem estes impactos do lançamento inadequado de resíduos no meio ambiente. Precisamos fortificar estes esforços para formar estas novas gerações com uma visão moderna sobre a geração de resíduos e o correto manejo no seu descarte. E isto é um trabalho longo, porque terá pela frente a mudança de comportamento, culturalmente sedimentado em séculos nos quais isto foi pouco questionado. No próximo texto vamos nos deter um pouco sobre o que deve ser o esforço da sociedade para aprimorar a sua educação ambiental de modo a formar a sua própria consciência ecológica. Bom dia!
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 04.01.2017)
BOM DIA! (5), Por Renato Casimiro
Continuando para finalizar essas rápidas considerações sobre lixo. Vale a pena inserir neste segundo texto sobre o assunto que tratamos, algo que nos discipline com respeito à coleta do lixo. Para trata-lo, será inicialmente necessário revisar quais os nossos procedimentos para minimizar a geração dos resíduos sólidos. Esta é parte insubstituível da responsabilidade social que nos cabe, pois a gravidade da questão se apresenta, significativamente, pelos quantitativos produzidos, inicialmente por conta do pouco que fazemos para gerar lixo. De tudo nós fazemos lixo, às vezes desnecessariamente e, pelas limitações que o sistema de coleta tem, cronicamente, este é o primeiro impacto que se verifica. Vejamos o caso primeiro, o mais antigo tipo de resíduo produzido pela humanidade, resíduos sólidos orgânicos, restos de comidas prontas, cascas, folhas e resíduos de alimentos básicos, durante os preparos e porções deterioradas. Países e comunidades mais desenvolvidos, mas principalmente mais conscientes, procuram reduzir estes volumes a partir de procedimentos domésticos com os quais os resíduos, por exemplo, devidamente liquefeitos e diluídos vão para a rede coletora de esgoto e passam ao sistema de esgotamento sanitário e tratamento de efluentes. Cidades como esta nossa que tem uma rede coletora cobrindo uma parte expressiva desta demanda bem poderiam dispor, estimulando para que esta estratégia muito simples servisse para auxiliar o esforço pela minimização do problema. Na prática, ainda não temos a consciência deste fato, a ligação com a rede de esgoto, pois de fato não somos sensíveis à necessidade de ligar as nossas descargas ao serviço público, optando pelo caminho menos acertado, de enterrar estes resíduos e excrementos para não pagar a devida taxa pelo serviço prestado. Água potável tem o seu custo bem relevado na atualidade pelas dificuldades de se manter mananciais em clima de crise climatérica e os problemas acelerados pela demanda crescente por parte da população. Mas, convenhamos, quando ela nos falta, tais são os transtornos que enfrentamos que por vezes concluímos que ainda é um produto barato. Muita gente não sabe que o tratamento de efluente é bem mais dispendioso, pois envolve processo bem mais demorado, instalações e procedimentos complexos. Muitos se recusam a pagar esta fatura sob o argumento de que aplicar a mesma tarifa do tratamento e serviço de distribuição de água à coleta de esgoto é algo extorsivo, incoerente, inconsistente. No geral, nossa postura mais direta é ensacar o resíduo sólido, nem sempre satisfatoriamente, e despachar para a coleta pública, às vezes incerta em dia e horário, de modo que aquele resíduo entra em putrefação e é objeto de manejo por catadores em busca de restos de alimentos ou de algo mais valioso que possa gerar renda. Enfim, um aspecto horroroso da miséria que existe nos centros urbanos. Junte-se a isto a presença de animais que fuçam estes depósitos, rasgam invólucros e espalham pela via pública aquilo que nem gostaríamos de ver em nossas portas. A segunda questão deste nosso esforço mínimo é o acondicionamento do lixo que produzimos, hoje quase todo acomodado em sacolas plásticas, a maior parte advinda das embalagens dos supermercados, a despeito do grande protesto que isto tem motivado pelo galopante crescimento do acumulado lixo plástico, especialmente em ambientes aquáticos. Outrora, nosso lixo era objeto de uma coleta única, mantido em depósitos feitos de pneus velhos, recipientes de combustíveis, caixas de madeiras, etc. Entra em cena, neste momento a nossa insensibilidade de não prover a respectiva separação do lixo, como produzimos. Ora, em casa, se pode ter uma diversidade de mais de uma dezena de categorias de materiais, como vidros, metais, papeis, plásticos, madeiras, sem falar dos mais raros como lâmpadas, pilhas, baterias, lixo eletrônico, e outras coisas que já mencionamos antes. Na prática, nós não realizamos a nossa coleta seletiva, indispensável para reduzir este flagrante atropelo do acumulo imenso dos servíveis e inservíveis que terminam por complicar a vida das cidades através dos lixões. Outra coisa importante e daí de corrente é que, quando circulamos pelas ruas de Juazeiro do Norte, temos a nítida impressão que o serviço público já é incapaz de recolher tudo que se põe nas ruas. E é que não estou considerando o fato de que esta coleta apressada termina por espalhar lixo pelas ruas, deixando parte do trabalho para a varrição. A despeito da gama variada de resíduos, já seria de bom tamanho a separação entre o orgânico e o restante reciclável. Não custa nada que cada um, cada residência, cada estabelecimento gerador de lixo promova uma “campanha” de esclarecimento dentre os seus, família e empregados, no sentido de sensibiliza-los para uma melhor conduta diante do lixo gerado. Quero crer que as escolas estejam neste momento realizando algum trabalho no sentido de plantar uma nova semente pela questão ambiental. Isoladamente, especialmente pela iniciativa privada na Educação, sabemos de fatos muito concretos. Mas é importante que isto se generalize, pois se não for por mudanças de hábitos, o que nos põe em cheque diante da nossa própria cultura, nada acontecerá e o caos, de vez, se estabelecerá. Mas, felizmente, cresce aos poucos esta iniciativa de cooperativas de catadores de lixo com verdadeiros batalhões de soldados do meio ambiente, apanhando de toda a sorte, estes materiais que vão sendo colocados, até aleatoriamente, em nossas portas. Exatamente porque eles agora são parte daquilo que queremos que cresça muito: emprego e renda. E de quebra, o meio ambiente agradece penhoradamente. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 05.01.2017)
BOM DIA! (6), Por Renato Casimiro
Inicio uma nova série com o propósito de aqui estabelecer comentários e reflexões sobre a nossa problemática urbana, como exercício periódico para analisar e sugerir, modestamente, soluções que contemplem e contribuam para uma melhor qualidade de vida em nossa cidade. Não tenho a pretensão de ser um expert, um entendido em tantos assuntos quantos sejam os nossos problemas, mas me ocorre o dever cidadão de expor, comentar e refletir sobre tantos temas que nos afligem, pois sou parte dessas angústias, aqui vivendo e experimentando o que há de ótimo a nos felicitar e também o que há de péssimo a nos martirizar. Começo por tratar da questão do trânsito urbano, de como a cidade se resolve para dispor, ao alcance de todos, o acesso aos equipamentos (comércio, indústria, serviços, educação, saúde, lazer, etc), especialmente aos serviços essências e tudo mais que nos importa nos nossos deslocamentos. Data de 1909 o primeiro planejamento, ainda muito rudimentar, sobre o crescimento da cidade, quando uns poucos amigos e fieis colaboradores do Padre Cícero, preparando o instante da nossa emancipação política, sacramentada em 1911, se dispuseram a fazer levantamentos, anotações e projeções. É um pequeno exercício mental imaginar o que era aquela vila de umas 15 mil pessoas (5% do que somos hoje), oriunda de uma velha e ancestral fazenda, um lugarejo de pouquíssimas ruas, duas ou três praças, uma área urbana que não chegava a 0,1% do que dois anos depois seria município, com pouco mais de duas centenas de quilômetros quadrados. Hoje, dizem os números da estatística oficial, já ocupamos mais de 95% desse território. Os primeiros sinais de que o trânsito de veículos começava a representar um sinal evidente na problemática urbana nos aparece em meados dos anos 20 quando cidadãos abastados começaram a importar os primeiros “fordinhos”. Era um luxo experimentar este passeio fogoso, entre as Malvas e a Praça, ou ir até Crato e Barbalha, alargando veredas que haviam sido abertas apenas para os animais. Nessa época, por alguma iluminação, o Patriarca arbitrou, diria – profetizou, que o centro da cidade seria o largo da recém construída estação ferroviária da Rede Viação Cearense, cujos trilhos acabavam de chegar, estirados desde Missão Velha. Nos próximos cinquenta anos, desde este fato, não existiu nenhuma preocupação maior para a necessária atualização daquele incipiente planejamento estruturado em 1909 e os grandes marcos que foram plantados na década de 60 pelo desenvolvimento da cidade. Esta referência é necessária, pois aí já estávamos agregando a este desenvolvimento alguns elementos importantes como a expansão e maior diversificação do comércio, a industrialização, aeroporto, eletrificação, comunicações (rádios, jornais, inclusive tv) rede escolar, e uma certa modernidade nos serviços públicos, ainda por um tímido modo de gestão pública. O plano da expansão urbanística, não bastassem os inúmeros exemplos históricos de soluções alentadoras, de cidades do porte médio no país, foi ficando para trás porque fomos perdendo quase todos os prazos que poderiam resgatar confortavelmente e a menor custo a atualidade necessária para um plano diretor que norteasse os novos rumos de nosso desenvolvimento. Nessa fase, no plano geográfico da urbe, lamentavelmente, pouquíssimo temos a contabilizar, pois não construímos largas avenidas que estruturassem as vias de circulação, mantivemos a “bitola” estreita de ruas como se ainda fossem apenas satisfatórias ao trânsito acomodado em dois sentidos, convivendo com certa harmonia poucos carros, carroças, bicicletas e umas algumas motocicletas. Em muitos casos, numa tentativa de salvar alguns traçados, sacrificamos calçadas, algumas de via ampla, reduzindo-as até meio metro de largura. A partir dos anos 70 esta cena urbana foi alvo de profundas modificações, especialmente pela vocação maior do município como centro comercial. Isso nucleou com extremo vigor a liderança que hoje vivenciamos em nossa cidade, pela referência de centenas de municípios que recorrem a nós, diariamente, mercê da diversidade de soluções que aqui se abrigam, entre comércio, indústria e serviços, em ampla satisfação às demandas regionais e em território mais largo, na sua área de influência. A verdade é que à expressão mais simples de um transeunte, motorizado ou não, de um certo caos no trânsito da cidade, hoje em dia, se deve agregar esta constatação mais simples de que ainda carecemos de uma visão mais larga de planejamento urbano para gerar e gerir soluções que mitiguem os impactos ambientais que vivenciamos. A essa questão básica, de como congelamos as melhores soluções para o nosso crescimento, algumas observações podem ser agregadas ao painel que formamos sobre a compreensão destes descaminhos: 1. Protelamos até mais não poder a descentralização, a desconcentração da cidade, contida no dito centro histórico; 2. Praticamos uma visão equivocada de zoneamento da cidade e das terras do município, de tal maneira que em certas e curtas áreas podemos perceber a desordem da convivência conflituosa de moradia, serviços, comércio, indústria, lazer; 3. Raras foram as iniciativas de prover a cidade com largas avenidas e praças, como se o poder público não fosse o maior latifundiário do lugar; 4. O sentimento precoce da explosão e emergência do centro urbano não foi acompanhado por um planejamento de uma ampla perimetral nos limites do município, não obstante o traçado de estradas estaduais e vias vicinais; 5. A ocupação do solo continua sendo um ato permissivo, nocivo em certos aspectos, fruto de um clientelismo insustentável frente aos melhores interesses desta nossa cidadania. Essas questões, e muitas outras que poderemos lembrar, estão postas aqui como se ainda tivéssemos tempo e recursos para implementar soluções que remediem e minimizem este panorama um tanto caótico. Apenas lidaremos com graves intervenções, longas e dolorosas, a custo bem mais expressivos para os parcos recursos. Deixo aqui, nesses termos, um tanto recheados de indignação, o pano de fundo de uma grave questão que voltaremos a falar em próximas edições. Se isto for, de fato, uma contribuição para o nosso melhor posicionamento, estarei feliz de ter auxiliado cada leitor num reencontro necessário com a cidade que queremos, espaço sagrado do nosso exercício de cidadania.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 06.01.2017)
BOM DIA! (7), Por Renato Casimiro
No texto anterior, situamos apenas alguns pressupostos para a análise do que desejamos realizar com respeito ao trânsito nessa cidade, razão de muitas queixas que firmamos no dia a dia, face aos embaraços que isso nos ocasiona. Vejamos a primeira consideração que propus: “1. Protelamos até mais não poder a descentralização, a desconcentração da cidade, contida no dito centro histórico.” A cidade cresceu a partir de uma visão centralizada no que chamo de centro histórico, e ainda hoje há uma forte prevalência desse primeiro zoneamento. Foi uma pena o que experimentamos por muitos anos em gestos concretos, o que adensou a busca por serviços básicos. A própria administração da municipalidade descuidou-se ao acreditar que um equipamento básico construído no início dos anos 60 ainda seria o suficiente para gerir todas as ações da máquina municipal até depois da mudança de século. Vez por outra se ouve falar da necessidade de uma melhor organização reunindo secretarias e órgãos, como mais recentemente se falou da possibilidade de usar o espaço da velha Usina da Anderson Clayton. Algumas pressões foram determinantes do alargamento da zona de comércio, estirando-a ao longo dos corredores das Ruas São Pedro e São Paulo, até o Romeirão. Já não era possível a permanência e a abertura de novas empresas nas proximidades do velho centro, uma vez que o volume de cargas e a necessidade de estacionamento causava transtornos de grande montante. “2. Praticamos uma visão equivocada de zoneamento da cidade e das terras do município, de tal maneira que em certas e curtas áreas podemos perceber a desordem da convivência conflituosa de moradia, serviços, comércio, indústria, lazer.” Esse zoneamento tardou tanto que as áreas de comércio para novos bairros se faz com a nítida expulsão das moradias unifamiliar. Outro fato notório é a demora em se estabelecer com firmeza uma determinação sobre um distrito industrial, municipal, para contemplar pequenas e médias empresas, especialmente as que implicam em grave impacto ambiental. Outro caso digno de nota é a concentração de um certo pólo de serviços de saúde (clínicas, hospitais, etc) nas Ruas São José e Pe. Cícero. Essas menções denunciam, naturalmente, a grande repercussão sobre o trânsito da cidade que não dispõe de áreas expressivas de estacionamento. “3. Raras foram as iniciativas de prover a cidade com largas avenidas e praças, como se o poder público não fosse o maior latifundiário do lugar.” Aliás, a este respeito, verifica-se que em algumas destas oportunidades, o poder público negligenciou bastante até desvirtuando a real destinação de algumas áreas. As praças continuam sendo construídas, quando se fazem, com uma timidez típica nas enormes dificuldades de pequenas municipalidades, e não das reais necessidades de uma cidade do nosso porte. A abertura de avenidas ainda se faz com uma bitola que contempla em estado ainda precário os deslocamentos da grande frota de veículos em transito pelos bairros. É só ver o que temos de impedimentos na Castelo Branco, na Humberto Bezerra, na Dr. Floro, na Plácido Castelo, dentre outras. “4. O sentimento precoce da explosão e emergência do centro urbano não foi acompanhado por um planejamento de uma ampla perimetral nos limites do município, não obstante o traçado de estradas estaduais e vias vicinais.” O Governo do Estado assumiu a responsabilidade de realizar o Anel Viário da cidade. O seu traçado já nasce miúdo para nossas necessidades, nos trechos em obras. Não se sabe como isto será conduzido, para o restante do trajeto, mesmo porque não há algo que nos informe com precisão com o que se contará nos próximos anos. Uma primeira preocupação é que temos claramente uma pauta primeira de atendimento com as ligações aos 4 municípios que nos cercam (Crato, Barbalha, Missão Velha e Caririaçu). Além do mais, o traçado desta Perimetral deve ser estruturante para outras demandas com respeito às ligações necessárias com a malha viária estadual. Certo é que no presente momento por toda a ausência de informação e de algum planejamento que haja, a dita Perimetral não passa de uma nova avenida na cidade que liga o Salgadinho à Av. Paulo Maia. “5. A ocupação do solo continua sendo um ato permissivo, nocivo em certos aspectos, fruto de um clientelismo insustentável frente aos melhores interesses desta nossa cidadania.” Esse é um elemento grave do estado caótico em que se encontra a organização do nosso plano urbanístico, porque não há nenhuma intransigência do poder público disciplinar e em conter esta apropriação indevida. Poderíamos relacionar dentre estes abusos os seguintes casos isolados, mas que tem um forte componente de intervenção, ampliando sua gravidade: a) O aumento da frota do município levou cada proprietário a modificar sua residência com a construção de uma garagem para o veículo. O acesso se faz, necessariamente pela calçada que assim é modificada a critério do proprietário, tão somente, sem licenciamento, implicando também na extensão de uma rampa através do calçamento que na maioria dos casos produz barreiras e anomalias de 1,5 a 2,0 metro na via pública; b) Naturalmente, por direito adquirido, a abertura de garagem limita o espaço urbano para estacionamentos, e por motivos vários, e não só por isto, este é um elemento a ser considerado na verticalização das moradias na cidade; c) As vias urbanas são drasticamente obstaculadas através de diversos mecanismos de ocupação durante obras de construção civil, geralmente não licenciadas, acúmulo de lixo e depósito indevido de resíduos, sucatas, etc, carga e descarga, negócios comerciais não licenciados, a título de ambulantes, ou de extensão de firmas comerciais, além das calçadas já congestionadas pela exposição de estoque, mostruários, etc. Ainda vamos continuar este assunto, trazendo à análise algumas questões relativas à frota e sua diversidade, para elencar algumas sugestões que nos parecem razoáveis postular no sentido de mitigar estes impactos de que temos falado. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 07.01.2017)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ VOLANTE (MISSÃO VELHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Missão Velha (Auditório do Centro Social Urbano, CSU), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 12, quinta feira, às 19 horas, o filme GIRIMUNHO (Girimunho,  Brasil, 2011, 90min). Direção de Clarissa Campolina e Helvécio Martins, Jr. Sinopse: Esta é a história de duas mulheres que observam os redemoinhos no rio, em pleno sertão mineiro. Uma delas perdeu o marido, e sofre em silêncio, tendo apenas as novidades dos netos como consolação. A outra carrega consigo um tambor, e marca o ambiente com seus sons. Em meio a uma festa com ares de culto as pessoas cantam e dançam misturadas às sombras, provocando um visual ao mesmo tempo atraente e impactante. Assim começa Girimunho, um filme de ritmo próprio cuja proposta maior é fazer com que o espectador mergulhe fundo em seu ambiente. Mas, para tanto, é preciso aceitar sua morosidade e compreender que ela faz parte da própria história.A trama é centrada em Bastú, "interpretada" pela simpática e espirituosa Maria Sebastiana. Entre aspas porque na verdade personagem e intérprete são um só, não na história contada mas em suas características. Bastú tem personalidade e, teimosa, enfrenta a possível presença do fantasma de seu marido na casa em que vive ao mesmo tempo em que convive com a neta. Tudo em uma cidade interiorana, onde o único indício de tecnologia é a presença de um celular já na metade final da história, com tempo mais do que suficiente...
CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 13, sexta feira, às 19 horas, o filme JANELA DA ALMA (Janela da Alma, Brasil, 2001, 73min). Direção de João Jarim e Walter Carvalho. Sinopse: Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo. O escritor e prêmio Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, o fotógrafo cego franco-esloveno Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta Severo, o vereador cego Arnaldo Godoy, entre outros, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade  se é que ela é a mesma para todos.   


NOVAS HOMENAGENS EM LOGRADOUROS
A cidade continua a crescer a ponto de ir ocupando todo o território do município. São novas ruas que são abertas e a Câmara Municipal toma a iniciativa de fazer homenagens na nomenclatura desses logradouros. Vejamos os últimos atos.
LEI Nº 4706, de 09.12.2016: Art. 1º - Fica denominada de RUA PEDRO JOSÉ GERALDO, a artéria pública que tem início na Rua Maria Senhorinha da Silva e término nas terras de Velasc Sabiá, no bairro Betolândia, nesta cidade de Juazeiro do Norte. Autoria: Rubens Darlan de Morais Lobo. Coautoria: José Nivaldo Cabral de Moura.
LEI Nº 4707, de 09.12.2016: Art. 1º - Fica denominada de RUA MARIA SENHORIA DA SILVA, a artéria pública que tem início na Rua Manoel Piraca de Souza, com término no Conjunto Residencial São Sebastião, no bairro Betolândia, nesta cidade de Juazeiro do Norte. Autoria: Rubens Darlan de Morais Lobo. Coautoria: José Nivaldo Cabral de Moura.
LEI Nº 4708, de 12.12.2016: Altera as Leis Municipais nºs 4651, de 06.09.2016 e 4685, de 31.10.2016, que dispõe sobre as ruas Taciano Mendes Barbosa e Manoel Valdir Nogueira e adota outras providências. Art. 1º – O art. 1º da Lei Municipal nº 4651, de 06 de setembro de 2016, que dispõe sobre a denominação da RUA TARCIANO MENDES BARBOSA, passará a vigorar com a seguinte redação: “ART. 1º – A RUA TARCIANO MENDES BARBOSA, terá início na Rua Dão Almeida, sentido Sul/Norte até a Rua João Freire de Araújo, no bairro Lagoa Seca, nesta cidade”. Art. 2º – O art. 1º da Lei Municipal nº 4685, de 31 de outubro de 2016, que dispõe sobre a denominação da RUA MANOEL VALDIR NOGUEIRA, passará a vigorar com a seguinte redação: “ART. 1º – A RUA MANOEL VALDIR NOGUEIRA, terá início na Rua Dão Almeida, sentido Sul/Norte até ao mudo da área construída, confrontando-se ao norte, com a Rua João Freire de Araújo, no bairro Lagoa Seca, nesta cidade”. Autoria: Vereador Danty Bezerra Silva.
LEI Nº 4709, de 12.12.2016: Art. 1º – Ficam por esta Lei denominadas de RUAS, as artérias públicas localizadas no Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira, abaixo discriminadas: I - RUA OURIVES AMARO RODRIGUES PEREIRA, o prolongamento da artéria pública (de mesmo nome), sentido Leste/ Oeste, com início na Rua Radialista José Vanderley Braz e término na Avenida Joaquim Romão Batista, localizada ao lado norte das Quadras 01, 02 e 03 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; II - RUA DORALICE DE FIGUEIREDO ROCHA, a artéria pública que tem início no Anel Viário José Mauro Castelo Branco Sampaio e término na Rua Ourives Amaro Rodrigues Pereira, com sentido Sul/Norte, localizada entre as Quadras 01 e 06 e 01 e 02 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; III - RUA GEORGE OLIVEIRA SANTOS, a artéria pública que tem início no Anel Viário José Mauro Castelo Branco Sampaio e término na Rua Ourives Amaro Rodrigues Pereira, com sentido Sul/ Norte, localizada entre as Quadras 06 e 05, 02 e 04 e 02 e 03 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; IV - RUA ANTONIA MARQUES TAVARES, a artéria pública que tem início na Rua George Oliveira Santos e término na Rua Radialista José Wanderley Braz, com sentido Oeste/Leste, localizada entre as Quadras 03 e 04 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; V - RUA MARCELO NADIER MARTINS, a artéria pública que tem início na Rua Doralice de Figueiredo Rocha e término na Rua Radialista José Wanderley Braz, com sentido Oeste/Leste, localizada entre as Quadras 02 e 06 e 04 e 05 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; VI - RUA JOSÉ NERY ROCHA, a artéria pública que tem início no Anel Viário José Mauro Castelo Branco Sampaio e término na Avenida Otaciano José de Oliveira, com sentido Sul/Norte, localizada entre as Quadras 12 e 13 e 07 e 08 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; VII - RUA ALDENORA BATISTA SOBREIRA, a artéria pública que tem início no Anel Viário José Mauro Castelo Branco Sampaio e término na Avenida Otaciano José de Oliveira, com sentido Sul/Norte, localizada entre as Quadras 15 e 16 e 10 e 11 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; VIII - RUA JOSÉ WELLINGTON OLIVEIRA DOS SANTOS, a artéria pública que tem início no terreno vago do espólio de Edite Carneiro Neves e término no terreno vago do espólio de Walter Gonçalves Ferreira, com sentido Oeste/Leste, localizada entre as Quadras 07 e 12, 08 e 13, 09 e 14, 10 e 15 e 11 e 16 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; IX - RUA JOSÉ CAMILO DA SILVA, a artéria pública que tem início na Rua Francisco de Sales Pereira Tavares e término no terreno vago do espólio de Walter Gonçalves Ferreira, com sentido Oeste/Leste, localizada entre as Quadras 18, 20, 21 e 22 e 19 e 23 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; X - RUA FRANCISCO DE SALES PEREIRA TAVARES, a artéria pública que tem início no Anel Viário José Mauro Castelo Branco Sampaio e término na Rua Joaquina Gonçalves de Santana, com sentido Sul/Norte, localizada entre as Quadras 17 e 18, 17 e 20 e 24 e 25 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; XI - RUA PAULO HERIALDO GOMES DE FIGUEIREDO, a artéria pública que tem início na Rua José Camilo da Silva e término na Rua Joaquina Gonçalves de Santana, com sentido Sul/Norte, localizada entre as Quadras 20 e 21 e 25 e 26 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; XII - RUA JOAQUIM DOS SANTOS RODRIGUES, a artéria pública que tem início na Rua José Camilo da Silva e término na Rua Joaquina Gonçalves de Santana, com sentido Sul/Norte, localizada entre as Quadras 21 e 22 e 26 e 27 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; XIII - RUA MARIA DONA DE MENEZES BEZERRA, a artéria pública que tem início no Anel Viário José Mauro Castelo Branco Sampaio e término na Rua Joaquina Gonçalves de Santana, com sentido Sul/Norte, localizada entre as Quadras 18 e 19, 22 e 23 e 27 e 28 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; XIV - RUA CARLOS FERNANDES DE MORAIS, a artéria pública que tem início no terreno vago do espólio de Edite Carneiro Neves e término no terreno vago do espólio de Walter Gonçalves Ferreira, com sentido Oeste/Leste, localizada entre as Quadras 17 e 24, 20 e 25, 21 e 26, 22 e 27 e 23 e 28 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira; XV - RUA JOAQUINA GONÇALVES DE SANTANA, a artéria pública que tem início no terreno vago do espólio de Edite Carneiro Neves e término no terreno vago do espólio de Walter Gonçalves Ferreira, com sentido Oeste/Leste, localizada ao lado Sul das Quadras 24, 25, 26, 27 e 28 do Desmembramento Residencial Professor Zé Nery Rocha, no Bairro Romeiro Aureliano Pereira. Autoria: Vereador José Adauto Araújo Ramos.

(Na foto, alguns dos homenageados: Doralice de Figueiredo Rocha, José Neri Rocha, José Camilo da Silva e Paulo Herialdo Gomes de Figueiredo, Joaquina Gonçalves de Santana (Quininha), Joaquim dos Santos Rodrigues (Seu Lunga), José Wellington Oliveira dos Santos e Maria Dona de Menezes Bezerra).