sexta-feira, 22 de setembro de 2017



BOM DIA! (1)
A INDUSTRIALIZAÇÃO DO CARIRI (I)
Por Renato Casimiro
A eletrificação do Nordeste brasileiro começou a ser executada com a constituição da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) em 03.10.1945. Como sabemos, em 1953, um encontro providencial de lideranças do Cariri, membros atuantes dentre as classes produtoras da região e que integrariam no fim dos anos 50 o Comité Pró-Eletrificação do Cariri, com o então presidente da República, Getúlio Vargas, em Paulo Afonso, determinou o início do planejamento para a nossa eletrificação, tornada mais ágil a partir da constituição da Companhia de Eletrificação do Cariri, em 1960, inicialmente uma subsidiária da CHESF, e posteriormente da SUDENE. Uma excelente revisão desse histórico capítulo do desenvolvimento do Cariri está na Dissertação de Mestrado de Assis Daniel Gomes (UFC, 2016) que pode ser consultado na internet. Efetivamente, a eletrificação do Cariri foi o marco fundante da industrialização da região, pensada inicialmente entre a Universidade do Ceará (futura UFC) e a Universidade da Califórnia-UCLA, campus de Los Angeles. O professor Antonio Martins Filho, cratense muito ilustrado, fundador e reitor da Universidade do Ceará (UC), em 4 mandatos, em sua apreciada obra História Abreviada da UFC revela que a partir da criação das faculdades de Filosofia, em Crato e em Sobral, a UC pensou em concretamente realizar um projeto de interiorização da universidade, a partir de 1961. A Universidade havia sido criada em dezembro de 1954. Isso estava inserido na sua percepção de que teria de firmar acordos com organismos internacionais (Aliança para o Progresso, Usaid, universidades americanas) bem como organismos nacionais como BNB e o Ministério da Agricultura, para melhor capacitar seu pessoal docente, especialmente na área de ciências agrárias, além de investir ao mesmo tempo, tanto no Cariri como em Sobral, através de um plano de industrialização. Martins Filho tinha sido informado por Raul Barbosa (BNB) e Rubens Vaz da Costa (BID) que era do conhecimento deles que o prof. Morris Asimow, da UCLA (na foto), “estava coordenando um projeto que provavelmente seria destinado à Índia, no sentido da instalação de pequenas e médias indústrias que poderiam transformar uma zona-problema numa região industrializada.” A esse primeiro entusiasmo dos três, surgiu logo o convite para que Asimow viesse ao Ceará. De fato, em janeiro de 1962 o professor Asimow veio ao Ceará e entre reuniões em Fortaleza (UFC, BNB) e uma viagem para conhecer a região do Cariri, especialmente Crato, Juazeiro e Barbalha. Quem era Morris Asimow? Ele era um engenheiro metalúrgico formado pela Escola Superior Politécnica, da Universidade da Califórnia (UC), em Los Angeles. Nasceu na cidade de Milwaukee, estado de Wisconsin, EUA, em 27.11.1906, filho de Harry Asimow (*1880; +1975) e de Celia Slotnikow Asimow (*1885; +1951), imigrantes russos. Optou pelo campus de Berkeley, da mesma UC, onde obteve todos os seus graus acadêmicos (Bacharel, Mestre e Doutor), sempre na área de metalurgia, tanto no magistério como na pesquisa industrial, concomitantemente com uma sólida carreira de consultor industrial em empresas. Em 1972, com mais de 30 anos dedicadaos à UCLA, ele se aposentou e passou a se dedicar a outros trabalhos profissionais na sua área de competência em engenharia metalúrgica. Morris Asimow morreu acometido de um câncer aos 75 anos de idade, em 10.01.1982. O prof. Asimow deixou para a vida acadêmica uma obra clássica “Introdução ao Projeto de Engenharia”, editada no Brasil pela Editora Mestre Jou, São Paulo, 1968, traduzida da primeira edição americana (Introduction to Design Fundamentals of Engineering Design, Prentice-Hall, Inc., 1964.). É um texto que ainda hoje, segundo uma resenha “preenche a proverbial lacuna na bibliografia em cursos de escolas de engenharia e de administração de empresas. O projeto de engenharia muitas vezes traduzido erroneamente por "desenho", uma vez que design é o ato completo de concepção e projeto - ainda é ensinado no Brasil com base em preleções de arquitetos de projeto. Asimow apresenta a quantificação necessária para que o administrador e o engenheiro possam usar o que o arquiteto fez com a economia que o meio escasso (dinheiro) exige.” Em demorada permanência no Cariri, o prof. Asimow fez muitos contatos, reuniu-se com muita gente de governos municipais, lideranças empresariais, estabelecimentos de ensino, etc. Lembro muito bem quando no Ginásio Salesiano São João Bosco recebemos em nossa sala, do então segundo ano ginasial, início do ano letivo de 1962, todos de pé para cumprimentar o prof. Asimow. Alguém que traduzia a sua fala terminou por nos dizer que ele estava ali para realizar um projeto pela industrialização do Cariri e que nós seríamos chamados para participar, provavelmente trabalhando nas empresas que se instalariam. Foi um reboliço essa afirmativa, pois cada um de nós, no que imaginávamos para nossa vida futura, não tinha em mente uma perspectiva como aquela. De volta ao entendimento com BNB e UFC em Fortaleza, o prof. Asimow firmou a sua posição em alterar seus planos originais, destinando a concepção do seu projeto, agora destinado ao Cariri. As primeiras tratativas para assimilar as ideias do Projeto Morris Asimow, já agora denominado burocraticamente como “Programa de Implantação de Pequenas e Médias Indústrias e Capacitação de Recursos Humanos”, vieram com a objetividade de estabelecer os termos de um convênio que foi firmado entre a UCLA e UC que previas e bem definia as competências e as responsabilidades das partes, e resumidas em dois objetivos: 1) Treinamento de pessoal, envolvendo novos professores, formação de técnicos nas áreas de pesquisa e extensão, treinamento de estudantes universitários na aplicação prática de aprendizagem curricular e a formação e aperfeiçoamento de gerentes e diretores para as pequenas e médias empresas que seriam constituídas; e 2) Implantação das novas indústrias no interior do Nordeste, a começar pelo Cariri. Evidentemente, tudo isso se justificava pela perspectiva de fomentar uma nova mentalidade empresarial, elevar o nível de renda, mais oportunidades de emprego, diversificação da produção regional, aproveitamento de recursos naturais, poupança e oferta de bens industriais. Vários anos depois, por volta dos anos 80, a UFC ainda refletiu sobre os obstáculos e o final melancólico do Projeto Morris Asimow para o Cariri, fazendo uma análise sobre os seus erros e acertos. Para alguns, como o médico Newton Gonçalves, uma questão fundamental foi a visão enviesada do prof. Asimow de que o Cariri era uma região em desenvolvimento, quando na verdade o Cariri do princípio dos anos 60 ainda se mostrava decadente. Antevia-se com isso um impacto substancial sobre o que se desejava transformar a partir da introdução de tecnologias inovadoras. Essa série de textos irá detalhar o que foi possível realizar nesse Projeto e a sua repercussão até os dias atuais.

Na foto: Prof. Morris Asimow, (*27.11.1906; +10.01.1982).
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 20.09.2017)
BOM DIA! (2)
A INDUSTRIALIZAÇÃO DO CARIRI (II)
Por Renato Casimiro
Para fazer valer todos os sonhos que emanaram desses primeiros procedimento para viabilizar o Projeto Morris Asimow, a Universidade do Ceará procurou por à disposição toda a sua infraestrutura de apoio, não só através de cursos acadêmicos (especialmente nas áreas de Engenharia e Agronomia), de departamento (particularmente Economia, Zootecnia e Engenharia) e institutos, como o de Antropologia, sob a direção do extraordinário Thomaz Pompeu Sobrinho que já se dedicava a estudar o Cariri, através do Projeto Ceará, com olhares sobre muitos dos seus aspectos culturais, sociais e econômicos. A Reitoria tratou nesses primeiros momentos de formalizar uma equipe bipartite formada por técnicos da UCLA e da UC cujo empenho inicial era o da identificação de vocações e circunstâncias para abrigar os primeiros projetos que seriam formulados pela equipe. Inicialmente se tratava de levantar ocorrências e disponibilidades de recursos naturais bem como de lideranças que seriam capacitadas dentro das premissas do desenho industrial concebido na California. Em vista do avançado que se concebia com respeito a inovações em tecnologia e gerenciamento, não foram poucas as críticas que dominavam os bastidores das ações da equipe, em razão, especialmente, do arrojo e sobretudo do idealismo que se revestia o discurso do prof. Asimow. Mas isso, felizmente não contaminou negativamente o ânimo dos cearenses, porque depois de alguns meses de trabalho saiu a primeira proposta de uma lista de cinco empresas que seriam concebidas para alavancar o desenvolvimento do Cariri, através de sua industrialização em novo estilo. A partir da consideração sobre matérias primas e vocações por atividades incipientes existentes na industrialização de alimentos, materiais cerâmicos e em metal-mecânica, essas cinco empresas seriam destinadas a industrialização de: 1) milho; 2) cimento; 3) madeira prensada; 4) máquinas; e 5) cerâmica. Nesse particular, para produzir os perfis iniciais que gerariam os respectivos projetos, a UC designou o Instituto de Pesquisas Econômicas, na pessoa do engenheiro João José de Sá Parente. Aqui abro um parêntese para falar do meu sentimento sobre João Parente. Ele foi meu professor na antiga Escola de Engenharia da UFC, em 1970, na disciplina de Economia Industrial. Foi, seguramente, um professor extraordinário, alguém que nos deixou uma marca profunda de sensibilidade para as questões regionais. Aliás, essa marca se distribuiu por duas outras pessoas de sua família: sua mulher a química Letícia Tarquínio de Sousa Parente, minha professora de Química Inorgânica, e seu irmão, o engenheiro químico Expedito José de Sá Parente, pois eles foram muito importantes para a formação de profissionais químicos de uma valiosa geração, ainda hoje atuante no Ceará e pelo Brasil. João Parente foi peça importante para a definição específica dos projetos que determinaram a criação das empresas que o Projeto já concebia. Foram elas, as primeiras: 1. Cerâmica do Cariri S.A. – CECASA, com fábrica em Barbalha e sede administrativa em Crato, para a produção de materiais cerâmicos destinados à construção civil; 2. Indústria Eletromáquinas S.A. – IESA, com sede em Juazeiro do Norte, para a produção de máquinas de costura, motores industriais, aparelhos eletrodomésticos e a montagem de rádios transistorizados; 3. Politex – Comércio e Industrial S.A., com sede em Juazeiro do Norte, para a fabricação, de madeiras prensadas; 4. Indústria e Moagens do Cariri S.A. – IMOCASA, com sede em Crato, para a industrialização de milho e a fabricação de farinhas, óleo comestível e farelo; e 5. Indústria Barbalhense de Cimento Portland – IBACIP, com sede em Barbalha, face as reservas naturais de excelente calcáreo. Ainda como parte da assimilação e, particularmente da institucionalização do Projeto Asimow, no âmbito da UC, a Reitoria estabeleceu a criação do organismo denominado pela sigla PUDINE – Programa Universitário de Desenvolvimento Industrial. Dessa forma, embora se continuasse a falar de Projeto Morris Asimow, efetivamente o Pudine era a sua nova designação, sob a direção de João Parente. Muitas vezes, ainda como estudante na UFC eu fui ao Pudine para utilizar sua extraordinária biblioteca que contemplava um acervo fantástico, inclusive de textos básicos em engenharia e tecnologia química que muito nos atraia, estudantes. O Pudine foi criado porque isto se fazia necessário na medida que, adentrando o segundo ano de atividades, a UC grangeava a simpatia de grandes parceiros financeiros, como a Fundação Ford, o Banco do Nordeste e o Governo do Estado do Ceará. O Pudine teve, inclusive, um papel de grande relevância, pois o seu modelo de ação foi adotado em outros estados nordestinos, onde no âmbito das suas universidades foram criados organismos semelhantes, nos Estados do RN, PB, AL, PE e BA. Interessante é observar que nesses estados o Projeto foi denominado RITA, que é a sigla americana concebida na Califórnia para o conhecido Projeto Asimow, mas que originalmente era “Rural and Industrial Technical Assistance”, quando o pensamento era conduzi-lo para a Índia. Ao aporte financeiro já comentado, se seguiram intensos intercâmbios técnicos com organismo como USAID-Nordeste, SUDENE, Aliança para o Progresso, e outros. Convém também mencionar o relevante papel que foi cumprido pelo Instituto de Tecnologia Rural, então existente no organograma da Escola de Agronomia do Ceará, da então UC. Ele era dirigido por Dario Soares, emérita figura da docência e da pesquisa da instituição, um dos primeiros adeptos do Projeto Morris Asimow, tendo acompanhado o prof. Asimow desde a sua primeira viagem ao Cariri. Também é importante relembrar nessa resenha que o Projeto Morris Asimow, como de certa forma, também irradiou para outros Estados nordestinos, também internamente no Ceará, ele se fez sentir objetivamente na zona norte, tendo como polo a cidade de Sobral. Nessa fase e pelos estudos realizados, o Projeto contemplou dois empreendimentos industriais, com as empresas Companhia Sobralense de Material de Construção – COSMAC e Laticínios Sobralenses S.A. – LASSA. O entusiasmo na região Norte do Estado, Sobral, particularmente, era flagrante e já se falava em “uma dezena” de indústrias nas mais distintas áreas de processos, contemplando a manufatura de derivados de minerais, couro e pescados. Esses investimentos, convém relembrar, faziam parte do clima que havia na área da Sudene, a partir de 1961, com a criação dos incentivos do Sistema 34/18, com os quais se visava estimular a iniciativa privada, as inversões públicas em infraestrutura e os setores de base. O Sistema 34/18 correspondia “ao Artigo 34 do Decreto nº. 3.995, de 14 de dezembro de 1961, e as alterações introduzidas pelo Artigo 18, do Decreto nº. 4.239, de 27 de junho de 1963, que criaram e regulamentaram os incentivos para as inversões no Nordeste. Ele relacionava agentes: a empresa optante (ou depositante), a empresa beneficiária (ou investidor) e a SUDENE. A empresa optante era a pessoa jurídica, situada em território nacional, que poderia deduzir do seu imposto de renda, determinada parcela a ser investida no Nordeste. A beneficiária era responsável pela elaboração, implantação e desenvolvimento dos projetos a serem implantados no Nordeste. Já a SUDENE, era responsável pela aprovação e fiscalização da aplicação dos recursos, de acordo com os planos traçados para o desenvolvimento regional.” Isso me lembra muito o entusiasmo de meu pai, pequeno empresário do ramo de material elétrico na Rua São Pedro, colecionando comprovantes dessas aplicações perante a Receita Federal, agora sob forma de ações que passava a ter nessas empresas nas quais investia o seu modesto e rico dinheirinho.

Na foto: Cautelas de ações pertencentes a Luiz Gonçalves Casimiro, referentes a aplicações financeiras realizadas ao calor da industrialização do Cariri.

(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 21.09.2017)
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINEMA NORDESTE (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), tem apresentado um panorama do cinema nordestino em sessões mensais, com entrada gratuita. Neste mês de setembro exibe no dia 27, quarta feira, às 18 horas, os seguintes filmes:

QUEM PASSOU PRIMEIRO FOI SÃO BENEDITO (Curta Metragem) (Doc., 2017. 14 min) Direção: Bicho d’ água. Sinopse: “Quem passou primeiro foi São Benedito” é um curta documental que retrata a história de Maria Luiza, coureira e mãe de santo, mostrando a trajetória de seus laços religiosos no tambor de crioula e no tambor de mina. Com 78 anos, quase todos dedicados à encantaria e à Punga, Dona Maria tece narrativas sobre suas experiências religiosas que se alargam em toda a sua história de vida. São apresentados seus movimentos cotidianos, seus afetos e um constante retorno à sua ancestralidade e trajetória familiar.

LUÍSES - SOLREALISMO MARANHENSE (Longa Mestragem) (Ficção, 2013, 75 min) Direção: Lucian Rosa. Sinopse: Enquanto uma serpente do tamanho de uma ilha cresce adormecida nas galerias subterrâneas da cidade de São Luís, os ludovicenses enfrentam situações surreais para seguirem vivendo em meio a um cotidiano bruto, e sem perceberem que estão passando por tal situação. O real e o imaginário caminham juntos nessa história que dá início a um movimento: o solrealismo.

CRIANÇA E ARTE

CINE CAFÉ VOLANTE (URCA, MISSÃO VELHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Missão Velha (URCA, Campus Missão Velha, Rua Cel. José Dantas, 932 – Centro), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 28, quinta feira, às 19 horas, o filme LUZES DA CIDADE (City Lights, eua, 1931, 87 min). Direção de Charles Chaplin. Sinopse: Um vagabundo (Charles Chaplin) impede um homem rico (Harry Myers), que está bêbado, de se matar. Grato, ele o convida até sua casa e se torna seu amigo. Só que ele esquece completamente o que aconteceu quando está sóbrio, o que faz com que o vagabundo seja tratado de forma bem diferente. Paralelamente, o vagabundo se interessa por uma florista cega (Virginia Cherrill), a quem tenta ajudar a pagar o aluguel atrasado e a restaurar a visão. Só que ela pensa que seu benfeitor é, na verdade, um milionário.
CINE CAFÉ VOLANTE (FAMED, BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 29, sexta feira, às 19 horas, o filme A FAMILIA SAVAGE (The Savages, EUA, 2007, 114 min). Direção de Tamara Jenkins. Sinopse: Wendy (Laura Linney) e Jon Savage (Philip Seymour Hoffman) sempre buscaram escapar do jeito dominador de seu pai (Philip Bosco), sendo que agora lidam apenas com suas próprias vidas. Wendy trabalha como dramaturga no East Village e passa seus dias buscando doações, namorando o vizinho casado e roubando material de escritório. Já Jon trabalha como professor universitário em Buffalo, tendo escrito alguns livros sobre assuntos obscuros. Um dia eles recebem um telefonema que os informa que seu pai, Lenny, está aos poucos sendo consumido pela demência e que apenas eles podem ajudá-lo. Isto faz com que Jon e Wendy voltem a morar juntos, o que não ocorria desde a infância, com ambos tendo que lidar com as excentricidades do outro. 
CINE GOURMET (FJN, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) agora também está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri. As sessões são programadas para as terças feiras, duas vezes ao mês, de 15:00 às 17:00h, no Auditório do Bloco I, na Rua São Francisco, 1224, Bairro São Miguel, dentro do seu Projeto de Extensão denominado Cine Gourmet, sob a curadoria de Renato Casimiro. Informações pelo telefone: 99794.1113. No próximo dia 29, estará em cartaz, o filme OS SABORES DO PALÁCIO (Les Saveurs du palais, França, 2012, 95min). Direção de Christian Vincent. Sinopse: Hortense Laborie (Catherine Frot) é uma respeitada chef que é pega de surpresa ao ser escolhida pelo presidente da França para trabalhar no Palácio de Eliseu. Inicialmente, ela se torna objeto de inveja, sendo mal-vista pelos outros cozinheiros do local. Com o tempo, no entanto, Hortense consegue mudar a situação. Seus pratos conquistam o presidente, mas terá sempre que se manter atenta, afinal os bastidores do poder estarão cheios de armadilhas.
CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 29, sexta feira, às 19 horas, o filme FONTE DA JUVENTUDE (BRA, 2017, 58min). Direção de Estevão Ciavatta. Sinopse: A partir de uma série de entrevistas com especialistas das áreas de agricultura, saúde e culinária, "Fonte da Juventude" aborda a obesidade e a má alimentação da população brasileira. Além disso, o documentário traz a proposta de uma plataforma de conscientizaão a partir da mostra da biodiversidade como resposta para superar a má nutricão no país. 
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 30, sábado, às 17:30 horas, o filme O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE? (What Ever Happened to Baby Jane?, EUA, 1962, 134 min). Direção de Robert Aldrich. Sinopse: Em uma mansão de Hollywood vivem Jane Hudson (Bette Davis) e sua irmã Blanche (Joan Crawford). Jane foi uma famosa atriz-mirim e hoje vive em decadência; Blanche é obrigada a suportá-la por estar em uma cadeira de rodas por conta de um acidente trágico.
MUDANÇAS NA CERTIDÃO DE NASCIMENTO
O texto permite que a certidão de nascimento indique como naturalidade do filho o município de residência da mãe na data do nascimento, se localizado no País. O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5) proposta que altera a Lei de Registros Públicos para permitir que a certidão de nascimento indique como naturalidade do filho o município de residência da mãe na data do nascimento, se localizado no País. Atualmente, a lei prevê apenas o registro de onde ocorreu o parto como naturalidade da criança. O texto aprovado, que segue para a sanção presidencial, é um projeto de lei de conversão da senadora Regina Souza para a Medida Provisória 776/17, com duas emendas aprovadas pelos senadores. Uma das emendas aprovadas pelos senadores prevê que os cartórios poderão prestar, mediante convênio, outros serviços remunerados à população em credenciamento ou em matrícula com órgãos públicos e entidades interessadas. A emenda foi mantida pelos deputados, mesmo após alguns partidos terem se manifestado contra o que chamaram de “cheque em branco” aos cartórios. “Quando a gente passa a emissão de documentos para os cartórios, teremos uma dupla cobrança para o cidadão, além de tirar a responsabilidade do Estado”, criticou Ságuas Moraes (PT-MT). “Alguns documentos, como o passaporte, já são pagos para o órgão público emissor e, com essa emenda, a pessoa terá que pagar também pelo serviço realizado pelo cartório”, completou. Favorável à medida, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), autor de emenda inicialmente rejeitada pela Câmara e aprovada pelo Senado, disse que atualmente as prefeituras já podem emitir a Carteira de Trabalho e Previdência Social, o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e outros documentos, mas, por questões de organização e de custo, acabam obrigando os cidadãos a se deslocarem por longas distâncias até agências do Ministério do Trabalho ou da Receita Federal. “Queremos maior capilaridade aos serviços prestados ao cidadão, desburocratizar. Ninguém está querendo avançar nas competências dos cartórios, nem dar a eles qualquer atribuição estranha às suas atribuições originárias”, rebateu. A outra emenda aprovada pelos senadores mantém no atual texto da Lei de Registros Públicos dispositivo que torna obrigatório o registro de nascimento de criança de menos de um ano mesmo diante de óbito. A mesma emenda também mantém regras específicas para a cremação, como manifestação de vontade ou interesse público, além de atestado de óbito firmado por dois médicos ou por médico legista e, no caso de morte violenta, manifestação favorável da autoridade judiciária. O texto aprovado promove outras mudanças na lei para adequar a norma ao novo conceito de naturalidade. Uma das adequações determina que o registro (assento) e a certidão de nascimento farão menção à naturalidade, e não mais ao local de nascimento. No registro de matrimônio, também constará a naturalidade dos cônjuges em substituição ao lugar de nascimento. De acordo com o texto aprovado, o Ministério Público não precisará mais ser ouvido antes da averbação de documentos em cartórios e seu parecer será solicitado pelo oficial do cartório apenas se ele suspeitar de fraude, falsidade ou má-fé nas declarações ou na documentação apresentada. Terá ainda de indicar, por escrito, os motivos da suspeita. As averbações são observações de mudanças determinadas por juiz ou por ocorrência de fatos nas vidas das pessoas, como casamento e divórcio, por exemplo. O Ministério Público também não precisará mais ser consultado pelo oficial do cartório de registro no caso de correção de erros que não precisem de questionamentos para a constatação imediata dessa necessidade. A mudança poderá ser de ofício ou a pedido do interessado e abrangerá ainda erros na transcrição de termos constantes em ordens e mandados judiciais e outros títulos; erros de inexatidão da ordem cronológica e sucessiva na numeração do livro ou folha e da data do registro; ausência de indicação do município de nascimento ou naturalidade do registrado; ou em casos de elevação de distrito a município ou alteração de suas nomenclaturas por força de lei. Por fim, o texto aprovado permite o registro do falecimento na cidade de residência da pessoa, facilitando o processo de obtenção do atestado quando o óbito ocorrer em cidade diferente. Hoje, a lei prevê que apenas o oficial de registro do lugar do falecimento poderá emitir o atestado necessário ao sepultamento. A íntegra da proposta pode ser acessada aqui MPV-776/2017




sexta-feira, 15 de setembro de 2017



BOM DIA!
A ESTRELA DO CEARÁ (II)
Por Renato Casimiro
Concluído seu curso normal, a professora Maria Gonçalves da Rocha Leal retornou a Joazeiro e já em 1924 ela participou do primeiro momento que redundaria na fundação do nosso Grupo Escolar, o primeiro estabelecimento educacional estadual da cidade que até então só contava com escolas particulares. Gonçalves, como já referimos, por seus méritos, pelo brilho de sua formação na Escola Normal, ficou conhecida do educador Lourenço Filho que nessa época estava dirigindo a Instrução Pública do Estado, no governo de Justiniano de Serpa. Isso rendeu a Gonçalves a escolha de sua fixação através da criação de uma cadeira pública onde desejasse. Ela preferiu sua terra, e em 1924 é nomeada como detentora da terceira cadeira docente da cidade sendo a responsável pela instalação da escola que funcionou até 1934, provisoriamente na esquina das ruas Padre Cícero e São Francisco (hoje a velha residência da família de José Viana de Sousa, mas que na época estava com a fisionomia antiga, um misto dos velhos casarões de José André de Figueiredo e do Cel. Fernandes). Somente onze anos depois é que o Estado do Ceará concluiria a construção da sua sede própria, na antiga Rua Santa Rosa (hoje Mons. Joviniano Barreto), como hoje o conhecemos, o eterno Grupo Escolar Padre Cícero, promessa política de vários presidentes do Estado, desde João Thomé de Saboia e Silva, passando por Justiniano de Serpa, Ildefonso Albano, José Moreira da Rocha, Eduardo Henrique Girão e José Carlos de Matos Peixoto. Em 28.09.1927, Pe. Cícero recebe um telegrama do Dr. Juvêncio Santana, Secretário do Interior, nos seguintes termos: “Diretor Instrução (Lourenço Filho) acaba me informar que por ato hoje, foi criado Grupo Escolar dessa cidade sendo nomeada Diretora, Profa. Maria Gonçalves pt. Para completar número professores necessário funcionamento Grupo, foi transferida de Araripe conforme pedido Pedro Silvino, D. Luiza Alencar e nomeada acordo sua promessa a Fenelon (Gonçalves Pita) D. Stela Pita pt. Presentemente não é possível outras nomeações. Saudações. Juvêncio Santana.” Em outubro de 1927 ela viajou para Recife, em tratamento de saúde, e foi substituída pela professora Leonina Sobreira Milfont. De volta do Recife, Maria Gonçalves reassume a sua função docente, embora não mais diretora e permanece no magistério até 1931. Nessa época, Lourenço Filho já havia deixado o Ceará e juntamente com alguns amigos como Anísio Teixeira e Fernando Azevedo eles conceberam o projeto histórico, denominado Escola Nova, segundo a qual, “...defendia a ideia da escola "sob medida", mais preocupada em adaptar-se a cada criança do que em encaixar todas no mesmo molde, e que julgava que o interesse e as atividades dos alunos tinham papel determinante na construção de uma "escola ativa". Entre 1928 e 1931, Gonçalves continuou sua dedicação ao magistério em sua cidade, quando procurou colaborar na reformulação pedagógica do ensino no Ceará, implementando procedimentos decorrentes da reforma Lourenço Filho. No período de 1932 a 1937, Lourenço Filho dirigiu o Instituto de Educação do Distrito Federal, no Rio de Janeiro e modificou a estrutura curricular do Curso Normal, tornando-o exclusivamente profissionalizante, e formulando um modelo para ser adotado nas unidades federativas. Por isso mesmo Lourenço Filho teve grande empenho para desencadear um processo de “formação de professores para a prática em sala de aula e para o domínio das competências profissionais.” Em 02.04.1932 o Governo do Ceará enviou ao Rio de Janeiro uma turma composta de dez professores primários para fazerem cursos especiais no Instituto de Educação. Dentre estas, duas eram de Juazeiro. Amália Xavier de Oliveira, então Diretora do Grupo Escolar, e Maria Gonçalves da Rocha Leal, professora do mesmo Grupo. Era então Diretor da Instrução o Dr. Joaquim Moreira de Sousa. Como em tudo que se atirou, Maria Gonçalves fez um curso brilhante e foi reconhecida pela direção da escola e do corpo discente por sua elevada performance. É dessa época que ganhou a referência de “Estrela do Ceará”. Aos olhos de Gonçalves o mundo parecia convergir para suas expectativas de realizar o possível para o desenvolvimento de sua cidade. Social e politicamente ela havia estado junto de importante movimento que redundara na formação da Associação Comercial de Juazeiro. Esse fato, de grande densidade política, face a existência do Deputado Federal Dr. Floro Bartholomeu da Costa, levara Gonçalves a se associar aos liderados de José Geraldo da Cruz para concluir pela fundação da Associação, construindo uma sede própria, na Rua São Pedro, que fora viabilizada a despeito da truculência do doutor coronel, porque Gonçalves havia cedido um terreno no qual se instalara a agremiação, congregando pequenos empresários do comércio local. Mas a sanha do coronel não cedeu a isso e a vingança veio no empastelamento do jornal O Ideal, mantido por Zé Geraldo, que afinal teve até que se afastar com sua família para fora do Juazeiro. Gonçalves foi poupada de qualquer revanchismo e assim continuou seu trabalho pela melhor expressão do setor educacional de sua terra, para o qual ela reservava as forças de seu entusiasmo. Procurando ser sempre discreta, como assim foi por toda a vida, ela era fiel a cada 24 de março, a presença certa no almoço anual da casa do Patriarca pela celebração de sua idade, quando os melhores amigos iam ali para celebrar a existência do velho padrinho. Figura sempre requisitada, presente em grandes momentos de sua contemporaneidade. Quem por exemplo lê um pouco da memória dessa cidade vai encontrar aí sinais de sua existência e de seu trabalho. Em 17.02.1932, por exemplo, foi inaugurado o primeiro Aeroporto de Juazeiro. Estiveram lá o Pe. Cícero, o prefeito Municipal Cel. Zacarias Albuquerque; o Juiz Municipal, Dr. Plácido Aderaldo Castelo e o Comandante da 7° Zona de Recrutamento Militar, Tenente Antonio Francisco da Silva. Aterrissou a aeronave “WACO 21”, pilotada pelo então tenente José de Macedo Sampaio (o cratense e depois brigadeiro Macedo) e pelo observador, 1° Ten. Nelson Wanderley. Um ato muito simples, mas tão grandioso para o futuro do Juazeiro, ficou para eternidade conforme os termos de uma Ata de Inauguração lavrada naquele momento pela professora Maria Gonçalves da Rocha Leal.

Na foto: Maria Gonçalves da Rocha Leal, na juventude, em Joazeiro, sem data

(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 08.09.2017)


BOM DIA!
A ESTRELA DO CEARÁ (III)
Por Renato Casimiro

Professora, eternamente, e com olhares presos a velhas dívidas para com o futuro de sua terra, Gonçalves viu nascer a Escola Normal Rural de Juazeiro, a primeira do gênero no pais. Em 09.12.1933, foi fundado o Instituto Educacional cujo principal objetivo já a antecipação para encampar a Escola Normal Rural que se pretendia inaugurar na cidade. Plácido Aderaldo Castelo, então juiz municipal, presidiu a sessão e, no dia 13.12.1933, foram lidos, discutidos e aprovados os estatutos da instituição e fixou-se o valor de 500$000 (quinhentos mil reis) a serem pagos por cada ação adquirida por acionista membro do referido Instituto. A sociedade foi fundada com uma quantia inicial de 30:000$000 (trinta contos de reis), contando com a colaboração dos seguintes membros fundadores: Dr. Plácido Aderaldo Castelo, 4 ações, Cr$ 2.000$000 (dois contos de reis); Antônio Gonçalves Pita, 3 ações, 1.500$000; Adília Sobreira, 1 ação, 500$000; José Francisco da Graça, 2 ações, 1.000$000; Francisco Néri da Costa Morato, 2 ações, 1.000$000; Amália Xavier de Oliveira, 4 ações, 2.000$000; José Bezerra de Menezes, 1 ação, 500$000; Nair Figueiredo, 2 ações, 1.000$000; Elza Figueiredo, 2 ações, 1.000$000; Dirceu Inácio de Figueiredo, 2 ações, 1.000$000; José Hermínio Amorim, 2 ações, 1.000$000; José Pedro da Silva, 2 ações, 1.000$000; José Pereira e Silva, 2 ações, 1.000$000; Dr. Manuel Belém de Figueiredo, 4 ações, 2.000$000; José Geraldo da Cruz (para sua filha Marieta Estácio da Cruz), 4 ações, 2.000$000; José Geraldo da Cruz (para sua filha Tarcila Estácio da Cruz), 4 ações, 2.000$000; José Geraldo da Cruz, 8 ações, 4.000$000; Dr. Jacinto Botelho de Sousa, 2 ações, 1.000$000; Dr. Mozart Cardoso Alencar, 1 ação, 500$000; Padre Cícero Romão Batista, 4 ações, 2.000$000; Dr. Juvêncio Joaquim de Santana, 2 ações, 1.000$000; Doroteu Sobreira da Cruz, 1 ação, 500$000. Essa composição do capital do Instituto foi excludente para Maria Gonçalves da Rocha Leal por motivos óbvios, a se reunir na justificativa dos parcos recursos de sua família, diferentemente de todos os que ai estão citados, empresários (comerciantes e agropecuaristas), profissionais liberais e funcionários públicos graduados, subscritores de si e de suas filhas. Graças a Deus existiram esses que não se fiavam apenas nas suas competências intelectuais e que deram um grande testemunho de interesse pelo desenvolvimento da terra. Pelos anos a dentro, Gonçalves lamentou que a sua não participação estivesse condicionada a esse critério. Tanto assim que não foi sequer convidada a integrar o quadro docente da nova Escola. Pelo Decreto 1.218, de 10.01.1934, com o Estado do Ceará sob a Interventoria de Roberto Carneiro de Mendonça, a ENR foi encampada. O primeiro diretor foi Dr. Plácido Castelo, até 23.11.1934. Com o retorno de Dr. Plácido a Fortaleza, assumiu o juiz Dr. Jacinto Botelho, até 11.01.1937, quando Amália Xavier de Oliveira foi nomeada, pelo Governador Menezes Pimentel, a nova diretora da ENR. A propósito dessa terceira nomeação, depoimentos importantes que ouvi na época, indicavam que Maria Gonçalves era o valor mais expressivo, a de melhor formação técnica e cultural para a constituição da primeira Escola Normal Rural do Brasil, efetivamente instalada em sua terra, em 13.06.1934. Divergências de ordem política impediram isso e Amália foi a escolhida. Até hoje só imaginamos, mas não sabemos aquilatar com precisão o que teria acontecido a essa escola, talvez existindo até hoje, como ainda existe a de Limoeiro do Norte, se tivesse acontecido uma decisão sensata de reunir Amália e Gonçalves no mesmo empreendimento, o que não aconteceu por intolerância de Amália. Em março de 1934 Maria Gonçalves foi trabalhar no Colégio Santa Teresa, em Crato. No mês seguinte, em abril, a Congregação criou o Jardim da Infância e designaram Gonçalves para dirigi-lo. E o fez exemplarmente, e inovando pela introdução de normas montessorianas. Por essa mente privilegiada muita coisa era entendida na ação docente e inovadora da professora que frequentemente surpreendia alunos e gestão. Maria Gonçalves, por exemplo, estabeleceu no dia a dia do Santa Teresa um programa denominado Hora Pedagógica, com o qual, semanalmente ela e o corpo docente exercitavam a necessidade de um momento para se fazer discussões, reflexões, planejamento e estudos voltados para a missão educacional, coisa que até era prevista em lei, e conceitualmente identificado com os propósitos da Escola Nova. Por sua voz esse era um dos diferenciais que tanto agregaram a matrícula do estabelecimento, sempre crescente e vistoso para a cena educacional do Cariri. O Santa Teresa viveu essa fase esplendorosa de toda a força de uma grande vocação de professores sintonizados com trabalho educativo. As relações de Gonçalves com o mundo exterior, muito além do Cariri, eram muito importantes, especialmente nos fins de anos letivos quando o Colégio recebia professores da Escola Normal Pedro II para presidir os exames finais. A matrícula da escola no ano de 1935 elevou-se para 341 alunas. E Maria Gonçalves era parte dessa liderança que justificava a qualidade do ensino que ali se praticava. Entre 1934 e 1937, Gonçalves se dedica mais intensamente ao magistério na cidade de Crato, quando colaborou na reformulação pedagógica do ensino no Ceará, implementando procedimentos decorrentes da reforma Lourenço Filho. Além de lecionar Pedagogia, Didática, Inglês e Francês no Colégio Santa Teresa, também o fazia para as duas línguas estrangeiras no Ginásio Diocesano. Bom dia.

Na foto: Maria Gonçalves participa do almoço em homenagem aos 90 anos do Pe. Cícero, em 24.03.1934.

(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 09.09.2017)

BOM DIA!
A ESTRELA DO CEARÁ (IV)
Por Renato Casimiro

Na minha juventude, em diversas ocasiões ouvi menções a Maria Gonçalves. Nessas referências a maior ênfase era dada ao fato dela ter sido a fundadora e por dez anos a diretora da Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte, no vale jaguaribano. Essa história foi detalhada a partir de um depoimento ao NUDOC-UFC, em 21.03.1984, prestado pelo ex-deputado Franklin Gondim Chaves. Segundo ele, nos anos 30 “o ambiente de Limoeiro do Norte, do ponto de vista cultural, era atrasado. Havia lá duas casas onde tinha estantes com livros: era a casa de seu padrinho, o vigário, e a casa de um advogado, José Osterne Ferreira. Havia uma escola primária só e um colégio à noite, de um rapaz que chegou lá em Limoeiro, mas muito atrasado.” Franklin ainda revela o seguinte no seu depoimento: “Ouvi falar que tinha sido fundada em Juazeiro, uma Escola Normal Rural. Com os contatos com a Ação Integralista, eu me dei muito com o Padre Helder Câmara. Nesse tempo o Padre era mocinho, tinha saído do seminário, inteligente, falava muito bem. Conversa vai, conversa vem, falamos da Semana Ruralista (Aliás, observo que a 1ª Semana Ruralista aconteceu em 22.07.1935). O Padre Helder Câmara fora convidado por Menezes Pimentel para ser Diretor da Instrução... Então ele disse: você não quer ir ver essa Semana Ruralista lá em Juazeiro? Eu não tinha nada com esse negócio de educação. Era comerciante, mas fui. Peguei o trem de Quixadá, eu fui no mesmo trem com eles... Foi quando conheci o Plácido Castelo. Nessa oportunidade conheci a D. Maria Gonçalves da Rocha Leal, uma professora ruralista que havia em Juazeiro. Então ela começou a contar o drama dela. Uma moça pobre, órfã, e ainda tinha duas irmãs, estudou com muita dificuldade, ajudada pelo Padre Cícero. Fez um curso de especialização no Rio de Janeiro, em ruralismo. Criaram a Escola Normal Rural, ela esperava ser convidada para ser diretora, não foi. Foi convidada a D. Amália Xavier, que era irmã de um Deputado Federal. Ela ficou traumatizada... Eu disse: D. Gonçalves, me diga uma coisa: se lá em Limoeiro a gente tivesse condições de fundar uma escola dessa, a sra. iria nos ajudar, lá? Ela disse: Vou. Eu vi naquilo uma possibilidade.” Aliás, Maria Gonçalves participou ativamente da Semana Ruralista, pois era a representante da Associação dos Empregados do Comércio de Crato, como palestrante e debatedora. Franklin ficou muito entusiasmado com a instituição que conhecera, uma escola cujo “modelo de ensino, que preparava moças para exercerem o magistério em pequenas cidades do interior.” Ao retornar para Limoeiro, ele convocou as lideranças da cidade para analisar a possibilidade de criação de uma escola semelhante à de Juazeiro. Decidiram ir adiante com o projeto de Franklin, constituíram uma Sociedade Pró-Educação Rural de Limoeiro, abrindo subscrições com as quais reuniram 29.000$000 (vinte e nove contos de reis), o suficiente para a aquisição de um terreno de cinco hectares (no futuro chegaria a 9 ha) e o início das obras da construção da escola. Na memória dessa escola, como encontraremos em Wikipedia, e sobre Gonçalves, Franklin deixou registrado: "Dentro de pouco tempo estávamos presos por uma grande amizade, e então, numa tarde morna de julho, abrigados a sombra de uma parceria os três nos encontrávamos. A palestra girou em torno de assuntos educacionais e D. Gonçalves apontava a necessidade de encaminhar-se o ensino no Brasil, por moldes novos, pois, a escola devia ser o pivô dos momentos de renovação nacional que se esboçava no País. O Pe. Hélder traçava planos e apontava os rumos que desejava dar à Instrução no Ceará. Tudo aquilo me entusiasmava e de tal forma, que propus criar uma Escola Normal, em moldes novos, aqui em Limoeiro. Aceita a ideia, ficou combinado o seguinte: eu fiquei com a responsabilidade de conseguir recursos necessários para a construção da escola; o Pe. Hélder incumbiu-se de fornecer a planta e de preparar o esboço do plano educacional; e D. Gonçalves comprometeu-se de vir dirigi-la." Por todas as gestões da Sociedade criada para esse fim, a Escola Normal Rural de Limoeiro foi instalada em 15 de fevereiro de 1938, e por ela, iniciativa privada, totalmente mantida. A sua oficialização, contudo, só ocorreu em 23 de Janeiro de 1939, quando o governo sancionou o Decreto Lei de nº. 485. Aliás, esse Decreto cria, nomeia Gonçalves e equipara a nova escola à pioneira, de Juazeiro do Norte. Dessa forma, pode-se ler nos anais da história do baixo Jaguaribe que a “criação de uma escola de formação do professorado rural constituiu evento de envergadura para ainda pequena cidade de Limoeiro do Norte.” Naquele dia de janeiro de 1939, segundo a memória do estabelecimento “Em um dos salões do Grupo Escolar Joaquim de Meneses, da cidade, com a presença dos srs. Custódio Saraiva, Prefeito Municipal, Manfredo Oliveira, Presidente da Sociedade Pró-Educação Rural de Limoeiro, várias professoras do Grupo Escolar, grande número de alunas e muitas pessoas gradas, realizou-se a sessão inaugural dos trabalhos da Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte, fruto da cooperação do dinâmico povo Limoeirense.” Relembrando esse fato, eis o que relata Plácido Castelo, em 1951: “Concretizava-se o projeto de criação de uma Escola Normal Rural em Limoeiro do Norte. A Escola gozara de muito prestígio na região, sendo equiparada à de Juazeiro do Norte pelo seu idealismo e pelo tempo que perdurou fiel ao seu propósito de formação da professora rural. E é justamente a mestra vinda de Juazeiro do Norte que assumiu a tarefa de implementar uma escola nos moldes da escola caririense. Na solenidade de inauguração da ENRLN, a Diretora Fundadora, Dona Maria Gonçalves da Rocha Leal, proferiu eloquente discurso sobre o importante papel que competia essa escola de formação docente e o que ela representaria para o meio rural: “Mostrando a sua influencia como renovadora da mentalidade em geral, particularizou a missão socioeconômica desta mesma escola, preparando professores para o hinterland, dentro da sadia política da fixação do homem ao “habitat rural”. Vivamente aplaudida, a oradora perorou tecendo um hino elogioso ao povo limoeirense pela esplêndida iniciativa que naquele momento se concretizava e lembrou a todos o dever de ajuda-la, na alta missão a que tinha sido chamada, nesta cidade, numa cooperação feliz em que colocava em plano superior os interesses da Pátria e o respeito às nossas crenças religiosas...” Entre 1939 e 1948 Maria Gonçalves dirigiu aquela escola reunindo em torno de si uma enorme legião de alunos, professores e a população que até hoje, não se cansa de tributar-lhe um grande preito de respeito e admiração. Por todos era muito querida. Era “a estrela do Ceará” como lembraria uma de suas ex-alunas. Em 1973 eu ouvi parte dessa história, agora mais detalhada. Para me conta-la, seus olhos brilharam e algumas lágrimas ficaram no lenço que ela segurava com leveza e elegância. Disse-me por fim que em seu coração não cabia mais ressentimentos, pois tudo havia sido superado. E aí me contou finalmente que em 08.09.1941 ela voltou a Juazeiro com um grupo numeroso de estudantes da sua Escola, exatamente para visitar a ENRJN e sua diretora Amália Xavier de Oliveira. Hoje sabemos que a extraordinária experiência ruralista de Juazeiro do Norte, tendo à frente Amália Xavier de Oliveira, durou apenas 38 anos. É uma escola quase esquecida, e um ainda belo prédio abandonado. Também sabemos que a extraordinária experiência ruralista de Limoeiro do Norte, tendo à frente Maria Gonçalves da Rocha Leal, tem durado 78 anos. É um prédio antigo que permite que uma instituição viva e continue educando um povo que a edificou com tanto amor e zelo. Bom dia. 

Na foto, Maria Gonçalves quando assumiu a direção da Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte, em 1938

(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 10.09.2017)

BOM DIA!
A ESTRELA DO CEARÁ (V)
Por Renato Casimiro
Toda a formação clássica de Maria Gonçalves é fortemente impregnada do movimento ruralista no Brasil, através dos seus grandes porta-vozes, como Sud Menucci e muitos outros vinculados à Sociedade dos Amigos de Alberto Torres. As Semanas Ruralistas, por exemplo, ao lado de incentivar a formação voltada para o campo, com questões objetivas em muitas culturas, especialmente nas alimentícias, trataram de oferecer um painel realista das demandas com respeito à alimentação e nutrição, particularmente no Nordeste. Isso repercutiu até o centro do poder. O Decreto Lei Nº 2.478, de 05.08.1940, durante o governo Vargas criou o Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS) no Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Na sua redação, o Serviço era, “destinado principalmente a assegurar condições favoráveis e higiênicas à alimentação dos segurados dos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões subordinados ao respectivo Ministério.” Com o propósito de “propiciar aos trabalhadores alimentação adequada e barata, o Serviço promoverá: 1º, ampla divulgação, nos meios trabalhistas, das vantagens que o trabalhador de se alimentar convenientemente, bem como, nos meios patronais, da utilidade de se lhe garantir alimentação adequado e oportuna; 2º, a propaganda dos órgãos do Serviço encarregados do fornecimento de refeições aos trabalhadores; 3º, a formação, na coletividade, de uma consciência familiarizada com os aspectos e problemas da alimentação; 4º, a instalação e funcionamento de restaurantes destinados aos trabalhadores; 5º, o fornecimento de alimentos, por parte das empresas, nos refeitórios; 6º, a seleção dos gêneros alimentícios e o barateamento dos respectivos preços; 7º, o funcionamento dos órgãos necessários à integral execução dos seus trabalhos, conforme determinar o regulamento deste decreto-lei. A Escola de Nutrição Agnes June Leith, foi criada no Ceará em 17.08.1944, dentro do organograma do SAPS com o intuito de preparar mulheres jovens com formação normalista para atuarem na educação e mudança de hábitos alimentares dos operários, escolares e suas famílias. Localizava-se na rua Adriano Martins, 436, no Jacarecanga em Fortaleza, ao lado do restaurante do SAPS, que ficava na av. Francisco Sá. Nesse endereço, hoje, funciona o Colégio Militar do Corpo de Bombeiros do Ceará. Possuía salas de aulas, sala de estudo, diretoria, sala de costura, cozinha, biblioteca, almoxarifado, secretaria, horta e auditório com piano. Existiam acomodações para as alunas, quando havia internato. Em 1950, sob a direção de Maria Gonçalves, a Escola de Nutrição Agnes June Leith passou a ser denominada de Escola de Visitadoras de Alimentação – EVA. O nome Agnes June Leith fora uma homenagem à nutricionista americana do Curso de Economia Doméstica do Colégio Bennet (RJ), e foi uma incentivadora da mudança de hábitos alimentares desde cedo, trabalhando junto às crianças americanas para que elas incorporassem os novos hábitos alimentares à sua rotina diária. Ministrou também aulas de Economia Doméstica, em 1943, e Arte Culinária, em 1944, na sede do SAPS, no Rio de Janeiro, para o Curso de Auxiliares de Alimentação, do qual foi diretora em 1943. A EVA do Ceará foi inicialmente dirigida, entre 1944 e 1946, por Clara Sambaquy. Sucedeu-a Elerissa Ellery Barroso, nesse 1946. A terceira, também em 1946 até 1948 foi Maria Odete André Gomes. Maria Gonçalves foi a quarta na sucessão, entre 1948 e 1951. Não lembro exatamente como ela me teria dito como chegou lá, mas Gonçalves já era uma figura notável da educação no Estado e tinha uma extensa rede de relações. Em verdade, ela chegou à direção da Escola em 21.04.1948, depois da demissão da diretora que a precedeu, Maria Odete. Nessa menção sobre as diretoras da Escola, é oportuno citar também que Maria Semíramis de Oliveira Costa, sobrinha de Maria Gonçalves, posto que filha de sua irmã, Clara, foi uma das primeiras formandas pela EVA, na turma de 1951. Ela permaneceu na Escola, era docente, inicialmente na Creche do SAPS e depois em Educação Física e Recreação Infantil, foi sua última diretora, em 1966. Tanto como Escola de Nutrição, como Escola de Visitadoras de Alimentação – EVA, a instituição produziu frutos extraordinários para formar pessoal capacitado para as jornadas que se apresentavam para resolver as questões da nutrição e da alimentação nas comunidades nordestinas. A capacitação técnica do professorado era excelente, havia um intenso intercâmbio com outras escolas do pais e do exterior e ela participou ativamente das discussões que aprimoravam e instituíam no pais as formações de nutricionistas e de economistas domésticos. Pode-se encontrar na internet e vale muito a pena ver isso, um áudio visual muito interessante sobre essa instituição. De acordo com a indicação “Este filme mostra as fotografias da exposição da Escola de Visitadoras de Alimentação. As visitadoras de alimentação eram moças formadas pela Escola de Visitação Alimentar Agnes June Leith para desenvolver atividades de educação alimentar nos restaurantes populares e nos postos de subsistência do SAPS, mas principalmente junto às famílias de operários e trabalhadores do meio urbano e rural. Essa escola foi instalada na cidade de Fortaleza, Ceará, no ano de 1944, onde funcionou formando visitadoras de alimentação, até 1966, ano em que o SAPS entrou em processo de extinção.” Em meados de 1951, Maria Gonçalves deixou espontaneamente a direção da Escola de Visitação Alimentar, e foi ocupar novas funções, agora na ANCAR-CE, Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural. A EVA passou a ser dirigida por Aldenor Nunes Freire, entre 1951 e 1953; Nesse ano de 1953 teve mais dois diretores: Fernanda Gondim de Araújo e Djanira Figueiredo Rodrigues. Sucedeu Djanira, entre 1953 e 1966, a professora Eunides Maria Maia Chaves, por sinal, uma das filhas de um dos maiores amigos de Gonçalves, Franklin Chaves. Em 1966, como já mencionamos, e por curtíssimo tempo, a EVA foi dirigida por Semiramis, sobrinha de Maria Gonçalves da Rocha Leal. Bom dia.

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BOM DIA!
A ESTRELA DO CEARÁ (VI)
Por Renato Casimiro
Já fizemos menção que Maria Gonçalves da Rocha Leal tinha como base da sua formação os cursos pedagógicos na antiga Escola Normal Pedro II (depois Escola Normal Justiniano de Serpa, Fortaleza), concluindo em 1923 e a sua especialização também em pedagogia no Instituto de Educação do Rio de Janeiro, entre 1931 e 1932, com os professores Anísio Teixeira, Isaias Alves, Fernando de Azevedo e Lourenço Filho. Esse primeiro e muito importante programa de treinamento incluía conteúdos como Biologia Educacional, Psicologia Educacional, Sociologia Educacional, História da Educação, Introdução ao Ensino (Princípios e Técnicas), Matérias de Ensino (Cálculo, Leitura e Linguagem, Literatura Infantil, Estudos Sociais, Ciências Naturais), e Prática de Ensino. De diversos outros cursos de alto nível, Maria Gonçalves foi aluna, como a seguir relato: Ainda dirigindo a Escola de Visitadoras de Alimentação - EVA, em 1949, ela fez o Curso Intensivo de Educação Alimentar, dirigido por nutricionistas do SAPS, no Ministério do Trabalho, no Rio de Janeiro. Esse curso tinha por objetivo formar pessoal qualificado para o Serviço de Alimentação da Previdência Social, recém-criado, pois era crescente a preocupação com o problema alimentar no País. Em 1949, o Decreto n.º 26.822 mencionava a carreira de nutricionista e exigia dos candidatos à nomeação no serviço público federal, para essa especialidade, diploma dos cursos mantidos pelo SAPS. Em 1951, antes de deixar a EVA cumpriu o Curso de Educação Nutricional, ministrado por nutricionistas do SAPS, no Ministério do Trabalho, no Rio de Janeiro. Em 1954, de 20.06 a 30.07, participou do Curso Intensivo de Economia Doméstica, em cooperação com a Escola Doméstica de Natal e a Associação de Crédito e Assistência Rural (ANCAR), em Natal. Em outubro de 1957, fez o Curso de Educador de Base na Campanha Nacional de Educação Rural, no Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro. Em 1960, fez o Curso de Ciências Domésticas, na Universidade de Porto Rico, em San Juan, dentro do Programa “Agricultural Home Economics Extension”. Em 1961, fez o Curso de Ciências Domésticas, na Universidade do Tenessee, em Knoxville, USA, oportunidade em que conheceu a extensão e o significado do Tenessee Valey Authority (TVA). Aí, Gonçalves conheceu um jovem mineiro, Allysson Paulinelli, da Escola Superior de Agricultura de Lavras, professor de hidráulica, de quem se tornou amiga, exatamente porque era um entusiasta da extensão rural no Brasil, tendo ela me confessado a grande satisfação de vê-lo chegar ao elevado posto de ministro da agricultura no governo Geisel. Na minha última visita que lhe fiz, Gonçalves leu para mim um pequeno trecho da correspondência em que o ministro, em resposta, agradecia a manifestação que ela fizera por sua investidura no cargo. Em 1962, foi aos Estados Unidos para participar do Curso de Comunicação, na Michigan State University, em East Lansing, com duração de 6 meses. Em 1963, participou do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Rural e Florestal, na Universidade Rural do Estado de Minas Gerais. Em 1964, realizou o Curso de Aperfeiçoamento em Educação Rural na Universidade Federal de Minas Gerais, campus de Viçosa. Olhando de perto essa formação bem focada e esmerada de Maria Gonçalves, percebe-se que sua dedicação mais e mais se encaminhava para a educação rural, a economia doméstica e a extensão rural. E foi exatamente na Extensão Rural que Gonçalves dedicou boa parte do seu trabalho profissional de educadora. O serviço de extensão rural no Brasil teve inicio em 1948, em Minas Gerais, através da criação da Associação de Credito e Assistência Rural – ACAR. A extensão rural é parte integrante de uma estrutura econômico-social e, como tal, deve ser considerada como um dos elos de uma corrente de atividades necessárias para executar os planos de desenvolvimento agrícola e rural. Pelo sucesso da ACAR-MG, junto aos produtores rurais e suas famílias, em 1954 foi fundada a ANCAR – Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural. Entre 1953 e 1954, Gonçalves foi Assessora Técnica na instalação do Serviço de Extensão Rural no Nordeste, especialmente nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Essa missão preliminar teria outros desdobramentos porque ela passou dez anos, entre 1954 e 1964 como Coordenadora dos Cursos de Treinamento de Economia Doméstica a cargo da ANCAR, bem como todos os programas de Economia Doméstica realizados pela ANCAR-CE, entre 1954 e 1966. E também colaborou com a instalação da Campanha Nacional de Educação Rural nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. 

Por volta de 1959, Maria Gonçalves, então sediada em Recife e chefiando a área de recrutamento e treinamento da ANCAR, auxiliada por Yolanda Bezerra Furtado e Luiz Góes Vieira, ela veio ao Cariri para selecionar jovens vocacionadas para o magistério rural, dentre pessoas que haviam cursado a ENRJN ou outra formação de qualidade. Uma dessas jovens foi Maria Soares da Silva, minha tia, irmã de minha mãe, que seguiu o caminho dos treinamentos iniciais, entre Recife e Salvador. Outras jovens de Crato (Teresa Siebra, Teresa Pinheiro Teles) e Juazeiro (Tereza de Almeida Lavor, Luiza Morais Bezerra) também foram recrutadas e seguiram para Recife. Depois de ter passado pelos escritórios de alguns municípios baianos, como o de Coração de Maria, minha tia veio se fixar no Ceará, em Uruburetama, mas antes passando pelos escritórios de Baturité (supervisionado por Luiz Gonzaga Sales, irmão de Miranice Gonzaga Sales, ali também extensionista) e de Maranguape (supervisionado por José Waldir Pessoa, que no futuro seria secretário da agricultura do Ceará) e tendo Miranice como extensionista. Falar com elogios de Gonçalves nessa fase de ouro da extensão no Ceará era a voz corrente. Estimuladas por Gonçalves e com o apoio do então reitor Martins Filho, Miranice, Maria Iracema de Sá (cratense) e Fátima Sampaio (barbalhense) foram para os Estados Unidos e graduaram-se em 1967 em Home Economics Education (Educação em Economia Doméstica) pela Universidade do Arizona, em Tucson. Miranice, Iracema (ambas falecidas), e Fátima foram do primeiro time desse trabalho extraordinário de criação e manutenção do Curso de Economia Doméstica na UFC. Bom dia.

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A ESTRELA DO CEARÁ (VII)
Por Renato Casimiro
Um dos fatos mais pitorescos da vida de Maria Gonçalves foi a sua participação como pedagoga numa banca de Concurso para a Cadeira de Didática da Escola Normal Justiniano de Serpa, em 1933. Esse concurso é referido na história recente do Estado do Ceará como o concurso de maior repercussão em toda a história. Nessa época Gonçalves estava dedicada ao Colégio Santa Teresa em Crato, mas era reconhecida em todo o Ceará como uma pessoa brilhante. Por isso mesmo foi chamada para integrar juntamente com João Hipólito de Azevedo e Sá, então diretor da Escola, José Leite Maranhão, Thomas Pompeu de Sousa Brasil, e José Martins Rodrigues, a banca do concurso posto mediante Edital, ao qual concorreram Heribaldo Dias da Costa, um pernambucano de grande inteligência e fama aqui no Ceará, Domingos Braga Barroso e o poeta Antonio Filgueiras Lima. O concurso, realizado no Teatro José de Alencar, em razão do grande interesse público por sua realização, já começou com declaração de suspeição, partida do candidato Domingos Braga, alegando que a banca estava comprometida com Heribaldo. Logo no dia da primeira prova, Domingo faz inflamado discurso de protesto e se retira da disputa. A primeira prova era a escrita e os concorrentes teriam que discorrer sobre as principais correntes da Educação. Como resultado a banca atribuiu as seguintes médias aos dois concorrentes: Antonio Filgueiras Lima: 9,687 e Heribaldo Dias da Costa: 9,062. A prova oral era constituída por duas etapas: uma em que teriam de dar uma aula expositiva para alunos do primeiro ano da Escola Modelo, tratando de História do Brasil e outra aula sobre Trabalhos Manuais para as alunas de Didática da Escola Normal. Os resultados finais apresentaram a seguintes médias: Antonio Filgueiras Lima: 10,45 e Heribaldo Dias da Costa: 10,35. Apesar do clima de cordialidade entre os competidores, Heribaldo entrou com um recurso contra a decisão final, junto à Interventoria do Estado do Ceará. O interventor federal, capitão Roberto Carneiro de Mendonça, em parecer datado de 15.12.1933, negou provimento ao requerimento, e com isso o resultado foi confirmado e o concurso foi concluído com a proclamação do vencedor, Antonio Filgueiras Lima, caririense de Lavras da Mangabeira que figura na história do Ceará como um dos mais brilhantes intelectuais e educadores. Maria Gonçalves ainda voltaria À Escola Normal Justiniano de Serpa para ser membro de uma outra banca, a que daria em 1950 a condição de catedrático a José Denizard Macedo de Alcântara, frente ao seu competidor, Walmik Sampaio de Albuquerque (ex-secretário da Educação do Ceará, no governo Faustino de Albuquerque). Em 1964, a convite da Universidade Federal do Ceará, a professora Maria Gonçalves coordenou a seleção de quatro jovens candidatas para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Domésticas, fruto do acordo da UFC com a Universidade do Arizona (EUA), e que resultaria, na prática, com o retorno dessas profissionais, com a constituição na UFC do curso de Economia Doméstica, em 1968, embora o primeiro vestibular só tenha sido realizado em 1972. Esse curso foi recentemente, em 2014, descontinuado, como assim também aconteceu em outras universidades. No caso da UFC, ele transformou-se em três outras graduações: Nutrição, Gestão de Políticas Públicas e Design de moda. Em 1974, Maria Gonçalves ainda colaboraria com a UFC integrando uma banca de seleção para professor junto ao Departamento de Economia Agrícola, do Centro de Ciências Agrárias, para a área específica de Organização e Administração do Lar. Dos prêmios, homenagens e reconhecimento a Maria Gonçalves, pela ordem do tempo relatamos: Em 1965 ela é reconhecida com a cidadania Limoeirense, pela Câmara Municipal, no dia 29 de agosto. Em 1972, por um Decreto Estadual, do dia 9 de outubro, assinado pelo governador Cesar Cals de Oliveira Filho, o Estado do Ceará distinguiu a professora Maria Gonçalves da Rocha Leal com a mais elevada honraria da educação, a Medalha Justiniano de Serpa. Convém lembrar que essa honraria havia sido criada no mês anterior, em 18 de setembro, pela Lei nº 9.619, exatamente para agraciar os membros do Magistério, personalidades ou instituições que prestam relevantes serviços à educação no Ceará. A entrega dessa medalha somente aconteceu no dia 15 de outubro de 1979, sete anos depois, e mesmo assim, por seu estado de saúde, bem debilitada, dona Gonçalves foi representada por sua sobrinha Terezinha Gonçalves Cavalcante. Em 28 de janeiro de 1973, em cerimônia acontecida no salão nobre do Palácio da Abolição, contando com a presença do ministro Jarbas Passarinho, da Educação e Cultura, Medalha Justiniano de Serpa foi entregue a diversos educadores cearenses que também contribuíram para o desenvolvimento do ensino no Ceará: Amália Xavier de Oliveira, Adélia Brasil Feijó, Antonieta Cals de Oliveira, Antônio Filgueiras Lima (post-mortem), Antônio Martins Filho, Antônio Martins de Aguiar e Silva (Martinz de Aguiar), Antônio Urbano da Silva, Luís Mozart da Costa e Silva (Mozart Solon), Otávio Terceiro de Farias, Paulo Sarasate Ferreira Lopes (post-mortem) e Raimundo Valnir Cavalcante Chagas. Essa Medalha ainda foi concedida em outras oportunidades a Adísia Sá, Lauro de Oliveira Lima, Pe. Luiz Rebufini, José Valdivino de Carvalho, Paulo Ayrton Araújo, Cláudio Martins, Odilon Braveza, Luis Sucupira, Cônego Misael Alves de Sousa, e outros que tanto honraram a causa da educação em nosso Estado. Em 1973, dia 23 de novembro, ao completar 84 anos, os funcionários da Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural – ANCAR, em Fortaleza, prestam-lhe significativa homenagem por seus 50 anos de magistério. Em 1974, a Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural – ABCAR confere-lhe a Medalha Wilson Cardoso Alves, pelos relevantes serviços prestados ao Sistema Brasileiro de Extensão Rural. Em 1975, o Conselho Departamental do Centro de Ciências Agrárias (CCA), da Universidade Federal do Ceará, em reunião de 28 de agosto, aprovou a criação de um prêmio denominado Maria Gonçalves, que se destinava a estimular o ensino e a pesquisa voltados para problemas de interesse regional, no âmbito do currículo do Curso de Engenharia de Pesca, que será oferecido ao aluno que mais se destacar no último semestre letivo do curso. O prof. Antonio de Albuquerque Sousa Filho, então diretor do CCA fez a comunicação oficial em 04.09.1975. Duas outras homenagens foram prestadas a Maria Gonçalves quando ela já se encontrava afastada de todos os encargos que assumira, especialmente com respeito à ANCAR. Foram as duas oportunidades em que ela retornou a Limoeiro do Norte nas datas de celebração dos 25 e 30 anos (respectivamente 1963 e 1968) da Escola Normal que ela ajudara a fundar e a dirigir. Nas duas ocasiões ela foi alvo de intensa manifestação de carinho por parte de professores, alunos e ex-alunos do estabelecimento. Postumamente, o nome de Maria Gonçalves da Rocha Leal foi aplicado à biblioteca da Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte, a dois colégios estaduais (Limoeiro do Norte e Fortaleza), e a duas ruas (Juazeiro do Norte e Limoeiro do Norte). Bom dia.

Na foto: Na Celebração dos 25 anos da Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte: Da esquerda para direita: Cônego Misael Alves de Sousa, Franklin Gondim Chaves, Francisco Nonato Freire (Mixico), Aurelice Arrais, Carmusinda Monte Arraes Freire, Maria Gonçalves da Rocha Leal, Maria Eunides Maia Chaves, Maria Creuza Marques Freire, Rosalba Monte Arrais.

(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 13.09.2017)

BOM DIA!
A ESTRELA DO CEARÁ (VIII)
Por Renato Casimiro
Ao tentar reconstituir a trajetória de vida de Maria Gonçalves a primeira providência foi identificar pelo Cariri, e onde mais fosse, a sua parentela. E nisso fui bem satisfeito, não como genealogista pretenso, para anotar muitos detalhes da relação familiar, competências, datas e demais informações que importam na recomposição de uma autêntica árvore genealógica, mas para inclusive fazer chegar a esses seus familiares parte dessas revelações e descobertas que só confirmam o que a família mesmo tinha pleno conhecimento, sobre seu valor extraordinário como criatura. Encontrei em sua sobrinha Ieda Maria Neri Maia, filha de uma irmã – Elvira, a disponibilidade de me oferecer o maior número possível de dados que hoje são relativamente facilitados pelas redes sociais, pela web, pelas comunicações que nos colocam mais facilmente em contato com as pessoas. Assim, valho-me disso e desse início de conversa que tive com Gonçalves, ainda em 1973, com o qual ele me diz a sua origem de família, seus pais. Nisso lamento não ter aprofundado, indo em busca de seus remotos ascendentes. Antes de mais nada, convém relembrar que Gonçalves, Rocha, Leal, Teles, Bezerra de Menezes, Landim, Sobreira, etc. (não muitos) são a essência dessa etnia no Tabuleiro Grande, formando as famílias iniciais que povoaram as terras dos velhos Joazeiros, lugar de paragens de viajantes, no então oásis do Cariri, demandando para o Crato ou em busca dos sertões nordestinos, mais adentrados. Como tal, a partir de tão poucas informações quanto as necessárias, o que aqui se apresenta é um relato mínimo para configurar a tão desejada árvore. Ficam em dívida muitos dos detalhes sobre ascendentes, descendentes e colaterais, locais de nascimentos, falecimentos e vivência, dados sobre formação escolar e competências, e diversos dados outros geralmente interessantes para informar a própria família que nem sempre conhece os seus plenamente, especialmente os que nem privaram entre si. Na relação a seguir, destacamos as abreviaturas: P (pais: João Francisco / Maria Cândida); e a seguir, F (filhos); N (netos); Bn (bisnetos); Tn (trinetos). Seguem-se também as abreviaturas n: nascido(a); f: falecido(a); cc.: (casado(a) com); d.: (divorciado(a) de. Então, vejamos o que foi possível reunir, e agradecendo muito, destaco a extraordinária colaboração de Ieda Maia Neri (sobrinha de Maria Gonçalves), sem a qual nada disso se relataria.

GENEALOGIA DA FAMILIA GONÇALVES DA ROCHA LEAL

P: João Francisco Gonçalves da Rocha Leal, n. em Joazeiro, cc. Maria Cândida Gonçalves da Rocha Leal, n. em Joazeiro, pais de:

F.1: Maria Gonçalves da Rocha Leal, (“Tiêta”), professora, n. em 23.11.1899, em Joazeiro, f. em 17.02.1980, em Fortaleza, CE, e sepultada no Cemitério Parque da Paz, em Fortaleza, inupta; 

F.2: Elvira Gonçalves Maia, n. e f. em Juazeiro do Norte, cc. Francisco Maia, nascido em Morada Nova, pais de:

N.2.1: Antonio Haroldo Gonçalves Maia, cc. Terezinha Lisieux Coimbra Maia, pais de:

Bn.2.1.1: Lúcia Coimbra Maia Campos, cc. José Wagner Campos, pais de:

Tn.2.1.1.1: Maria Lisieux Coimbra Maia Campos; Tn.2.1.1.2:Luciana Coimbra Maia Campos;

Bn.2.1.2: Cícero Sávio Coimbra Maia; Bn.2.1.3: João Luiz Coimbra Maia;

Bn.2.1.4: Maria Aparecida Coimbra Maia, d., mãe de:

Tn.2.1.4.1: Maria Luisa Maia Santos;

N.2.1: Francisco Humberto Gonçalves Maia, cc. Círia Damasceno Maia, pais de:

Bn.2.1.1: Fred Damasceno Maia, cc. Darlene de Sousa Monteiro Maia, pais de:

Tn.2.1.1.1: Matheus Monteiro Maia; Tn.2.1.1.2: Maria Sofia Monteiro Maia;

Tn.2.1.1.3: Artur Monteiro Maia;

Bn.2.1.2: Flaviane Maia Campelo, cc. Francisco Delânio Campelo Almeida, pais de:

Tn.2.1.2.1: Francisco Humberto Gonçalves Maia Neto; Tn.2.1.2.2: João Vitor Maia Campelo;

Bn.2.1.3: Flávio Damasceno Maia, solteiro; Bn.2.1.4: Flaviano Damasceno Maia, solteiro;

N.2.2: João Hermano Gonçalves Maia, médico, residente em Morada Nova, CE, cc. Marluce Andrade Girão Maia (Família Girão – História e Genealogia, de Guilherme Girão, 2007) pais de:

Bn.2.2.1: Herluce Girão Maia, fisioterapeuta, cc. Dionísio Alípio de Oliveira Neto, pais de:

Tn2.2.1.1: Caio Hermano Maia de Oliveira; Tn2.2.1.2: Maria Clara Maia de Oliveira;

Bn.2.2.2: Germana Maia Gurgel, fonoaudióloga;

Bn.2.2.3: Gisele Maia Braga, dentista, cc. José Alexandre Mota Braga, pais de:

Tn.2.2.3.1: Priscila Maia Braga; Tn.2.2.3.2: Levi Maia Braga;

N.2.3: Luiz Homero Gonçalves Maia, cc. Luzia Menezes Maia, pais de: 

Bn.2.3.1: Luciene Menezes Maia, cc. em primeiras núpcias com Douglas, pais de:

Tn.2.3.1.1: Nicole Menezes;

Bn.2.3.1: Luciene Menezes Maia, em segundas núpcias, cc. Isael, pais de: 

Tn.2.3.1.2: João Luiz;

Bn.2.3.2: Luiz Menezes Maia, cc. Regina;

N.2.4: Emanoel Hélio Gonçalves Maia;

N.2.5: Paulo Hortêncio Gonçalves Maia, falecido inupto;

N.2.6: Antonio Eládio Gonçalves Maia, cc. Aldair Ferreira Maia, pais de: 

Bn.2.6.1: Élida Ferreira Maia Sales, cc. Augusto César de Vasconcelos Sales, pais de:

Tn.2.6.2.1: Beatriz Maia Sales; Tn.2.6.2.2: Gabriel Maia Sales;

Bn.2.6.2: Glícia Ferreira Maia Lemos, cc. José Silvio Monteiro Lemos, pais de:

Tn.2.6.1.1: Vitória Maia Lemos;

N.2.7: Ieda Maria Maia Neri, nascida em 07.08.1947, em Juazeiro do Norte, cc. Demerval Vasconcelos Neri, n. em 04.12.1947, em Juazeiro do Norte, empresário, residentes em Juazeiro do Norte, CE, pais de: 

Bn.2.7.1: Felipe Neri da Silva Neto, cc. Ilana Maria Brasileiro Maia, residentes em Senhor do Bonfim, BA, pais de:

Tn.2.7.1.1: Larissa Brasileiro Neri; Tn.2.7.1.2: Felipe Brasileiro Neri;

Bn.2.7.2: Christiane Maia Neri, biomédica, n. em 08.03.1974, cc. Pedro Natal Flores, empresário, n. em 08.1953, em Carlos Barbosa, RS, residentes em Juazeiro do Norte, CE, pais de:

Tn.2.7.2.1: Pedro Neri Flores, estudante, n. em 28.07.2009, em Barbalha, CE; 

Tn.2.7.2.2: Levi Neri Flores, estudante, n. em 28.07.2009, em Barbalha, CE;

F.3: Priscila Gonçalves da Rocha Leal, cc. Alírio, pais de:

N.3.1. João Perboyre; N.3.2. César; N.3.3. Carlos; N.3.4. Luiz; N.3.5. Arilo; N.3.6. Hélio; N.3.7. Terezinha; 

F.4: Clara Gonçalves de Oliveira, cc. (?), mãe de: N.4.1: José Gonçalves Oliveira;

N.4.2: Maria Semíramis Oliveira Costa; N.4.3: Odete Roseli Oliveira Costa;

N.4.4: José Olímpio Gonçalves de Oliveira; N.4.5: Orlando Gonçalves de Oliveira, solteiro, f.;

F.5: Luiz Gonçalves da Rocha Leal;

F.6: Antonio Gonçalves da Rocha Leal, cc. (?), pais de: N.6.1: Priscila; N.6.2: João.

Bom dia.

Na foto: Ieda Maria Maia Neri, nascida em 07.08.1947, em Juazeiro do Norte, cc. Demerval Vasconcelos Neri, n. em 04.12.1947, em Juazeiro do Norte, filho de Felipe Neri da Silva e de Maria (Lili) de Vasconcelos Neri, empresário, residentes em Juazeiro do Norte, CE,

(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 14.09.2017)

BOM DIA!
A ESTRELA DO CEARÁ (IX)
Por Renato Casimiro
Do pouco que se tem escrito sobre esse fascinante perfil de mulher educadora e intelectual, tem sido possível garimpar algumas expressões da felicidade comum com aqueles que a conheceram. Eu pincei algumas dessas expressões e as transcrevo aqui, finalizando pela inclusão do que eu mesmo escrevi num artigo, tão modesto, inserto no Jornal do Cariri, quando do seu centenário.

“Desbravadora da inteligência, seu nome atravessou as fronteiras do Ceará com extensão nos estados limítrofes. O brilho do facho de luz por ela empunhado empanou as trevas, transubstanciando-as em valores de centenas de professores dignos e eficientes. Aí está o vulto inconfundível e iminente cuja vida imperecível a História guardará para enaltecer a educação do nosso Estado. Ela é Maria Gonçalves da Rocha Leal, Estrela do Ceará”.

(Carmusina Monte Arrais Freire, Limoeiro do Norte-CE)

“Maria Gonçalves não era apenas uma estrela a refulgir na pessoa da mestra. Ela era o saber manipulado pelo coração. Era justa sem ser inflexível, era compreensiva para com os erros alheios e severa para com os seus insignificantes deslizes. Soberanamente humana, compreendia e aceitava as fraquezas do próximo, sem guardar rancores ou ressentimentos aos agravos. Partiu sem levar em seu coração, mágoas e sem jamais ter permitido o exercício de qualquer tipo de vendita”. 

(Nilza Costa Negreiros Bessa, Limoeiro do Norte-CE)

“Importa não esquecer Ana Nery, exemplo ímpar de dedicação ao próximo... e, entre estas, que não são todas, alinhemos agora, o nome de uma outra mulher de talento e virtudes, Maria Gonçalves da Rocha Leal, com atuação marcante e influência estelar, como educadora emérita, no setor que a Providência se serviu de apontar-lhe”. 

(Dr. Hélio Ideburque Carneiro Leal, Fortaleza-CE)

“Inegavelmente, o trabalho da exímia mestra no campo da instrução e educação nesta região, foi dos mais edificantes, valendo ressaltar que, dezenas e dezenas de discípulas, vindas dos mais diferentes pontos do nosso Estado, colaram grau pela Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte e hoje ocupam cargos públicos de relevo em órgãos públicos e privados, além de brilharem no jornalismo”.

(Meton Maia e Silva, Limoeiro do Norte-CE)

“Maria Gonçalves da Rocha Leal, nome que escrevo com muito carinho e respeito, minha mestra cuja figura evoco num quando de relembranças que emoldura a minha juventude... Para mim ela era diferente das demais; o entusiasmo, as ideias, a convicção daquilo que pretendia fazer sem receio dos obstáculos que assomavam à sua frente. ...Foi um astro, pois, que surgiu no cenário educacional brasileiro cuja irradiação benéfica se reveste de calor e perenidade. 

(Risette Cabral Fernandes, Foraleza-CE)

“... Esta personalidade marcante e de real valor que honra as letras cearenses, foi a educadora Maria Gonçalves da Rocha Leal, filha ilustre da nossa Juazeiro do Norte, que pelos seus méritos foi colocada no panteon da Cultura Feminina do Ceará, e hoje decantamos as suas qualidades nobres, sua inteligência excepcional, o valor de sua cultura, a grandeza de suas belas realizações”.

(Elias Rodrigues Sobral, Juazeiro do Norte-CE)

“A professora Maria Gonçalves soube viver na realidade o sonho poético de Gabriela Mistral, para quem toda a natureza é um anelo de serviço... Sofria de ver a extensão rural inicialmente destinada a habilitar o agricultor e sua família nas atividades de produção, ir paulatinamente mudando de rumo. As escolas normais rurais foram riscadas, abolidos os seus programas e currículos, ao mesmo tempo em que se destruía toda uma infraestrutura assistencial com o abandono de suas bases físicas”. 

(Francisco Alves de Andrade, Fortaleza-CE)

“D. Maria Gonçalves tinha a capacidade de formar personalidades, descobrir valores e se impunha pelos seus próprios valores: cultura geral muito vasta, conhecimento profundo dos valores universais da pessoa humana que ela punha a serviço da causa e incutia es suas educandas o amor e dedicação às tarefas mais variadas em favor dos menos favorecidos. E mais, a sua maneira de ser despretensiosa, seu porte sem ostentação, com humildade, conseguia incutir no pessoal uma mística de servir a alguém, sem ver a quem”.

(Dom Eliseu Simões Mendes, Feira de Santana-BA)

“Surpreendeu-me, contudo, sua veia poética encontrada em material bem organizado, visando a publicação de um livro intitulado Mensagem, datado de 1974, cuja dedicatória é feita a amiga cratense Maria de Lourdes Esmeraldo. Nessa obra, todo o pensamento de Maria Gonçalves se alça como um pássaro liberto. São louvações que se transformam em reminiscências românticas”.

(Olga Monte Barroso, Fortaleza-CE)

"Quanto a D. Maria Gonçalves da Rocha Leal, você tem razão. Era uma gigante, física, moral e intelectualmente e tive o prazer e a dita de conviver com ela. Éramos quatorze jovens professoras na Escola Normal de Limoeiro do Norte, todas internas, mas com uma liberdade responsável. Saíamos nos fins de semana, íamos ao cinema e às festinhas, mas sabíamos que do nosso comportamento lá fora, brotava o exemplo para a totalidade das alunas. Grande mestra, grande educadora era D. Maria Gonçalves! Lembro-me de Terezinha e de Semíramis, as sobrinhas, estudantes naquela época".

(Telina Teles Lobo Mendes - cratense, residente no Rio de Janeiro, em carta a Napoleão Tavares Neves)

“Lembro do afeto que ela manifestava nesta sua ligação com Limoeiro do Norte, tendo para mim lido uns versos, talvez um soneto, que fizera para externar este encanto que marcara boa parte de sua existência. Falava com orgulho da evolução daquela cidade, de como havia encontrado e como estava hoje, um polo de desenvolvimento no vale jaguaribano. “Meu limão, meu Limoeiro... Como te vejo hoje ! Como te vi primeiro !” Este refrão nunca mais me saiu da cabeça, tal a sonoridade dos seus versos”. 

(Renato Casimiro, Fortaleza-CE))

Estamos quase concluindo aqui essa breve resenha sobre a vida e a obra de uma juazeirense muito ilustre, Maria Gonçalves da Rocha Leal. Muito mais se poderia dizer do seu percurso, do seu itinerário. Seguramente, as palavras a mais que se ajuntarem a esse relato modesto ainda serão para realçar e engrandecer sua existência. Bom dia.

Na foto: 1968: Festa de Formatura na Associação Cultural, baile dançante das professorandas e comemoração dos 30 anos da Escola Normal. Da esquerda para direita (em pé): Maria de Fátima Chaves, Dilce Lucena, Maria Gonçalves da Rocha Leal, Judite Chaves. Sentados (na mesma posição): Eunides Chaves, Cônego Misael Alves, Fernando Leite (reitor da UFC).

(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 15.09.2017)

BOM DIA!
A ESTRELA DO CEARÁ (X)
Por Renato Casimiro
Para finalizar essa série de textos, com o propósito de firmar modesto perfil sobre Maria Gonçalves da Rocha Leal, escolhi mencionar alguns flagrantes de sua atividade mais intelectual, entre o que sonhou, o que falou e o que deixou por escrito. Não foi uma mulher de relações amplas com as academias, mas por elas sempre mereceu reverências por serem sempre estribadas na sua competência, no brilho invulgar de uma inteligência que usou para o bem do Ceará. Assim, do seus escritos encontramos poesias, como essa dedicada às 

RENDEIRAS DO ARACATI

“Quem te ensinou / A criar beleza? / Tecendo fios, / Trocando bilros, / Sentada na areia, / Em frente à choupana, / Banhada das águas, das águas tão verdes, / Franjadas de espumas, / Que se rebatem, Em teus pés descalços?

Artista nasceste / E a vida tu levas / Do mar copiando / Os arabescos / Que as ondas deixando, / No frio areal, / Formando elas vão / Modelo ideal / De renda tão fina / Que imitam sem jaça, / Tão branca, tão pura, / Tão cheia de graça!

O sol, no ocaso, / Vai se escondendo / E os olhos apertas / Para o alfinete enxergar / Metendo-o na trança / Da renda que crias / Cantando, baixinho / A toada do mar. 

Na tela de grandes pintores / Teu rosto sem cores, teus dedos magoados / Outros verão / Em telas pintados, / Ornando um salão / Porque tu és símbolo / De um tempo passado, / No qual, recamado, / De brilho espontâneo, / Tua renda figura, / Como a mais pura / Das melodias da música de bilros / Que criaste, / Sentada na areia, / Qual outra sereia / Com que nunca sonhaste!”

Desde muito cedo, os que a ouviram falar em público encantavam-se com o seu linguajar, perfeito, preciso, oportuno, como alguns que o tempo não caducou. No início de 1930 o vigário da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, Pe. José Alves de Lima reuniu um grupo de operários e fundou o Círculo de Operários e Trabalhadores Católicos São José. Nessa oportunidade foi escolhido o seu 1° Presidente, o Sr. Pelúsio Correia de Macedo, à frente de uma diretoria que também tinha a figura de Orador Oficial. Maria Gonçalves foi escolhida para tal. Uma das primeiras reuniões da agremiação aconteceu em 24 de março, quando o Círculo reuniu-se solenemente com toda a comunidade e prestou uma homenagem ao Revmo. Pe. Cícero Romão Baptista. Naquela ocasião, Maria Gonçalves foi a conferencista, pronunciando um discurso sob o título “A Vida Social sobre Alicerces Cristãos”. Algum tempo depois desse fato, esse discurso foi impresso num livreto (24 páginas), editado pela Tip. do Patronato, Rio de Janeiro. Dele pinçamos os seguintes trechos: “Enquanto o engenho humano vai se desenvolvendo em invenções que atingem o inatingível (admitam-me o paradoxo), enquanto sobre os mares cruzam verdadeiras cidades flutuantes; nos ares, rasgam as nuvens possantes aeronaves; na terra os sons atravessam em minutos os espaços ilimitados, nas ondas hertzianas e o espírito humano em lucubrações quer desvendar o infinito, os costumes vão descendo as escadas da degradação, as instituições vão perdendo o seu múnus de verdade e de justiça, os homens já sem consciência e sem razão, escravos das vilezas e das paixões, o homem mercenário vai voltando ao primitivo estado de barbaria.” ... “Meus Senhores do Círculo Católico: Perdoe-me se já vos cansei a paciência, mas eu não poderia partir daqui sem vos lembrar também que a ação católica social, em Juazeiro, espera muito de vós. De mãos dadas não aperteis a vossa cadeia dentro do pequeno recinto deste salão, mas alargai-vos nesta obra de saneamento de nossos costumes, nessa época avassalada pelo despudor do arrivismo!” Durante vários anos, Maria Gonçalves integrou a Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, fundada por Henriqueta Galeno, filha de Juvenal Galeno da Costa e Silva, em 1936, ainda hoje existente em Fortaleza e que ao longo do tempo tem congregado o que de mais expressivo se produziu intelectualmente, não só escrito por mulheres, mas também com grande parte de intelectuais de outras agremiações como a Academia Cearense de Letras, o Instituto do Ceará e muitas outras. Duas outras juazeirenses também integravam esse seleto hall da intelectualidade feminina: Amália Xavier de Oliveira e Tarcila Cruz Alencar, ambas educadoras da ENR de Juazeiro do Norte. Após seu falecimento, seu nome foi imortalizado como Patrona da Cadeira n° 53 da Ala Feminina. Também o Instituto do Ceará, na sua sessão de 21.02.1980 se associou às homenagens a Maria Gonçalves, em decorrência de seu falecimento. Naquele dia, como está na ata, “como conferencista, o sócio Francisco Alves de Andrade falou sobre o falecimento de dona Maria Gonçalves, pioneira da Educação Rural, exaltando a vida e a obra da eminente educadora. A seguir, e abordando a interessante palestra de Francisco Alves, Zélia Viana Camurça acrescentou que Maria Gonçalves foi Diretora da Escola Agnes June Leith e que, selecionada pelo seu trabalho na ANCAR, participou, em Brasília, do I Congresso sobre Desenvolvimento Social da Mulher, certame do qual a referida sócia participou, tendo apreciado, ali, o trabalho intelectual e humano da homenageada. O sócio Raimundo Teles Pinheiro se associou ao necrológio de Maria Gonçalves, louvando o seu trabalho.” O que mais consistente se publicou sobre Maria Gonçalves está num pequeno livro que tem o seu nome, escrito por Hélio Ideburque Carneiro Leal, editado em Fortaleza, em 1983. No prefácio, Nilza Costa Negreiros Bessa, sua afilhada, assim se expressa: “Ao final da década de trinta Limoeiro era uma cidadezinha de hábitos provincianos, pequenina e tristonha, dominada pela definição do certo e do errado no comportamento humano, fazendo com que as pessoas se preocupassem muito mais com a vida dos outros do que com as suas. Essa circunstância como que bloqueava a evolução do pensamento, obliterando a possibilidade de vir a urbe a ser, como hoje o é, capital da cultura, no vale. E a pessoa a quem se deve ter iniciado a grande metamorfose de Limoeiro foi, sem nenhum escrúpulo de faltar com a verdade, Maria Gonçalves. Por situação geográfica, Limoeiro desfrutava da soberania como região rica mas essa sua riqueza como que estava escondida num garimpo à espera de um faiscador.” Por fim, tomei para mim nesses dias a prazerosa missão de reencontrar Maria Gonçalves da Rocha Leal em esparsos registros escritos e na memória daquela curto tempo em que nos conhecemos, para ouvir seu relato de vida e obra, para sentir a fidalguia de seu acolhimento generoso, e para desfrutar do encanto de um perfil que se tornou inesquecível pelos caminhos de minha própria existência. De fato, se não fosse a única, como essa é a entusiasmada e justificada designação, ainda será lembrada como uma Estrela do Ceará. Bom dia.

Na foto: Durante as celebrações dos 30 anos da Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte, Homenagem à profa. Maria Gonçalves. (Da esq. para a dir.): Raimundo de Castro e Silva, Francisco Erivano Cruz, Cônego Misael, Lenira Oliveira, Marta Freitas, Maria Gonçalves da Rocha Leal. 

(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 16.09.2017)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

SESSÃO CURUMIM (EEF. JULITA FARIAS, CARIRIAÇÚ)
O Centro Cultural BNB promove de forma itinerante (Arte Retirante) uma sessão de cinema para crianças, denominada Sessão Curumim, com entrada gratuita, exibe no dia 8, quinta feira, às 8 horas, na E. E. F. Julita Farias, em Caririaçú, o filme ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (Alice in wonderland, EUA, 1951, 75min). Direção de Walt Disney. Sinopse: Alice (Kathryn Beaumont/ Therezinha) é uma garota curiosa e cansada da monotonia de sua vida. Um dia, ao seguir o apressado Coelho Branco (Bill Thompson), ela entra no País das Maravilhas. Lá ela conhece diversos seres incríveis, como o Chapeleiro Louco (Ed Wynn/ Otávio França), o Mestre Gato (Sterling Holloway/ José Vasconcellos), a Lagarta (Richard Haydn/ Wellington Botelho) e a Rainha de Copas (Verna Felton/ Sara Nobre).
CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 22, sexta feira, às 19 horas, o filme NUNCA ME SONHARAM (BRA, 2017, 84min). Direção de Cacau Rhoden. Sinopse: O documentário traça um panorama sobre o ensino médio nas escolas públicas do Brasil sob diferentes pontos de vista, principalmente a partir dos estudantes. Isso é mostrado através de relatos de jovens, professores, diretores de escolas e especialistas. O foco é o valor da educação; Os desafios do presente, as expectativas para o futuro e os sonhos de quem vive essa realidade.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no dia 22, sexta feira, às 19 horas, o filme SISSI E SEU DESTINO (Sissi Schiksalsjahre einer Kaiserin,Alemanha, 1957, 109min). Direção de Ernst Marischka. Sinopse: Última parte da trilogia sobre a vida da jovem Elisabeth da Áustria (1837-1898), que viria a se tornar imperatriz e ficar conhecida apenas como Sissi. Romy Schneider é novamente a protagonista, aqui fazendo uma Sissi ainda com sua beleza jovial, feliz no casamento, mas agora madura e hábil nos negócios do Estado. Sissi, a Imperatriz Elisabeth da Áustria (1837-1898), amadureceu e tornou-se ainda mais bonita. Além de viver um casamento feliz, demonstra habilidade com os negócios de Estado. E, com sua força de espírito, precisa superar todas as adversidades e provar que seu destino é ser uma verdadeira Imperatriz.
CINE PARAÍSO (FAP, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade Paraiso do Ceará (FAPCE) está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri, embora seja restrito aos alunos desta Faculdade. As sessões são programadas pela Coordenação do Curso de Administração, para um sábado por mês, de 14:00 às 18:00h, na Sala de Vídeo da Biblioteca, na Rua da Conceição, 1228, Bairro São Miguel. Informações pelo telefone: 3512.3299. Neste mês de setembro, dia 23, estará em cartaz, o filme STEVE JOBS: BILLION DOLLAR HIPPY (EUA, 2011, 60mn). Sinopse: Documentário essencial na vida de quem deseja empreender e aprender um pouco mais sobre a vida desse fantástico empreendedor que foi Steve Jobs. O documentário junto com o filme, detalham bastante o que foi a vida dele e como e porque tudo começou. Até o nome de sua empresa, teve a sua origem revelada por meio deste documentário. A maneira como tudo em sua empresa está associada ao conceito de beleza merece um capítulo à parte.
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 23, sábado, às 17:30 horas, o filme MÁ EDUCAÇÃO (La mala educacion, Espanha, 2004, 105min). Direção de Pedro Almodovar. Sinopse: Madri, 1980. Enrique Goded (Fele Martínez) é um cineasta que passa por um bloqueio criativo e está tendo problemas em elaborar um novo projeto. É quando se aproxima dele um ator que procura trabalho, se identificando como Ignacio Rodriguez (Gael García Bernal), que foi o amigo mais íntimo de Enrique e também o primeiro amor da sua vida, quando ainda eram garotos e estudavam no mesmo colégio. Goded recebe do antigo amigo um roteiro entitulado "A Visita", que parcialmente foi elaborado com experiências de vida que ambos tiveram. Goded lê o roteiro com profundo interesse. Este relata as fortes tendências de pedofilia que tinha um professor de literatura deles, o padre Manolo (Daniel Giménez Cacho), que vendo Ignacio e Enrique em atitude suspeita diz que vai expulsar Enrique. Ignacio, sabendo que Manolo era apaixonado por ele, diz que fará qualquer coisa se ele não expulsar Enrique. Então Manolo promete e molesta Ignacio, mas não cumpre a promessa e expulsa Enrique. Goded decide usar a história como base do seu próximo filme e, por causa de um isqueiro, vai até a casa de Ignacio e constata uma verdade surpreendente.

NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
Dois novos cidadãos juazeirenses. Recomendo de bom grado aos nobres vereadores para que façam uma mínima apresentação dos nossos homenageados, até no corpo destas resoluções. Infelizmente aqui e agora vão ficar apenas os nomes, pois os “inestimáveis serviços prestados à essa comunidade” ficam para ser esclarecidos depois, porque não é de todo importante. Vejamos os atos.

RESOLUÇÃO N.º 853, de 31.08.2017: Art. 1.º - Fica concedido o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor UDO LOHOFF, pelos inestimáveis serviços prestados à esta comunidade. Autoria: Glêdson Lima Bezerra; Coautoria: Damian Lima Calú; Subscrição: Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Antônio Vieira Neto, Domingos Sávio Morais Borges, Cícero José da Silva, José Barreto Couto Filho, José David Araújo da Silva, José Adauto Araújo Ramos, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Valmir Domingos da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Rosane Matos Macêdo, Auricélia Bezerra, Luciene Teles de Almeida e Jacqueline Ferreira Gouveia. 

RESOLUÇÃO N.º 854, de 31.08.2017: Art. 1.º - Fica concedido o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor JOSÉ MOURA VIEIRA, pelos inestimáveis serviços prestados à esta comunidade. Autoria: Luciene Teles de Almeida; Subscrição: Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Domingos Sávio Morais Borges, Cícero José da Silva, José Barreto Couto Filho, José David Araújo da Silva, José Adauto Araújo Ramos, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Valmir Domingos da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, Damian Lima Calú, Auricélia Bezerra, Rosane Matos Macêdo e Jacqueline Ferreira Gouveia.