sábado, 14 de julho de 2018


PADRE CÍCERO (VEJA O FILME E LEIA O LIVRO)
O livro Padre Cícero, o filme, de autoria de Raymundo Netto, estreia a Coleção Memória do Audiovisual Cearense, de fomento ao acervo e preservação do patrimônio audiovisual brasileiro. A obra traz uma história breve dos primeiros 50 anos do cinema no Ceará (1924-1974), recorte que vai desde a primeira exibição cinematográfica no estado até o ano em que o diretor e roteirista Helder Martins inicia a sua luta para filmar o primeiro longa-metragem colorido do Ceará e primeira obra audiovisual ficcional sobre a vida de padre Cícero, considerado ainda hoje o maior líder espiritual brasileiro. Padre Cícero: os milagres de Juazeiro (1976), um filme tão controverso quanto o seu personagem, foi filmado em vários sítios cearenses e teve um elenco composto por artistas de grande nome do cinema nacional da época e atores, hoje referências do teatro e da TV cearenses, como Jofre Soares, Dirce Migliaccio, José Lewgoy, Rodolfo Arena, Manfredo Colasanti, Cristina Aché e os cearenses Ana Miranda, Nildo Parente, Ricardo Guilherme, Seny Furtado, Haroldo Serra, Walden Luiz, Marcus Miranda, além de vinte e cinco técnicos, cem coadjuvantes e cerca de mil figurantes. O projeto, que contou com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e como patrocinadores M. Dias Branco, Estácio, Banco do Nordeste e Empresa Vitória, em vasta pesquisa, conta a sua história, desde a concepção e filmagens ao seu lançamento, incluindo a ficha técnica, curiosidades e fotos. Como anexo, a obra traz o roteiro original do filme (simulação de fac-similar), com notas, e o encarte da reprodução do pôster em tamanho original, com a ilustração de Benício, autor de diversos cartazes de filmes de sucesso na época. Também disponível estojo com 2 DVDs (filme original, trailer e documentário com a participação de membros da equipe técnica e atores, mais de 40 anos depois).

SERVIÇO
1. Lançamento documentário e livro Padre Cícero, o filme
Com a presença de Renato Casimiro, responsável pela pesquisa na equipe técnica (1975), e Valmi Paiva, membro da equipe de produção e ator coadjuvante (1975). Quando: 20 de julho, sexta-feira, a partir das 10h; Onde: Fundação Memorial Padre Cícero (Praça do Cinquentenário, s/n, Juazeiro do Norte)
Outras Informações: (88) 3511.4487
2. Lançamento longa-metragem “Padre Cícero: os milagres de Juazeiro” e livro Padre Cícero, o filme. Quando: 20 de julho, sexta-feira, às 18h; Onde: Teatro Centro Cultural Banco do Nordeste – Cariri (Rua São Pedro, 337, Centro, Juazeiro do Norte); Outras Informações: (88) 3512. 2855; Investimento: Livro (com roteiro original) + Poster + Kit-estojo (2 DVDs: Filme/Trailer + Documentário): R$ 60,00

JUANORTE: TRISTE FIM DE UMA TRINCHEIRA (X)
Estamos concluindo hoje a sequência às transcrições de artigo originalmente veiculados no jornal eletrônico JUANORTE, editado em Brasília pelo jornalista Jota Alcides, onde ali por mais de ano eu mantive uma coluna semanal, através de opinião pessoal sobre questões de interesse em assuntos juazeirenses. Pelo fato de um ataque de hackers e a destruição dos arquivos, o próprio editor resolveu desativar o jornal. Então eu resolvi reeditá-los aqui. A seguir, os últimos 7 destes textos.
AS MARAVILHAS
Recebi por e-mail, uma provocação de João Carlos Rodrigues de Menezes, com respeito à intenção da PMJN de nomear as Sete Maravilhas de Juazeiro do Norte, em vista do Centenário. Claro que, no dia 22.07, ao meio dia, haverá também uma crônica pelas emissoras locais. Para facilitar o nosso trabalho (hoje, em tudo a gente quer que alguém facilite nossa vida), a encomenda veio com a citação de um elenco de vinte indicações para que mais à vontade os votantes escolham o melhor. Os indicados foram: Aeroporto Regional do Cariri; Arco do Salesiano; Basílica Menor do Santuário de Nossa Senhora das Dores; Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; Casa dos Milagres; Casarão do Horto; Centro Cultural Mestre Noza; Escola Normal Rural; Estação Ferroviária da Estrada de Ferro de Baturité; Estádio Municipal Dr. José Mauro Castelo Branco Sampaio (Romeirão); Estátua do Padre Cícero; Grupo Escolar Padre Cícero; Luzeiro do Século; Memorial Padre Cícero; Museu do Padre Cícero; Parque Ecológico das Timbaúbas; Praça Almirante Alexandrino de Alencar (Praça Pe. Cícero); Relógio Lunar (Coluna da Hora); Santuário de São Francisco das Chagas (Franciscanos); Santuário do Sagrado Coração Jesus (Salesianos). Antes de dizer-lhes e ao Joca, a minha seleção, é necessário ponderar algumas coisas. A primeira é que maravilha é alguma coisa de excepcional. Não pode ser escolhida por mera votação de Internet. Quem quer escolher seriamente apela para modos mais honestos e civilizados, embora resida aí a crítica que não é “moderno”, ou “prático”. A segunda, é que a lista, como está advertido, deve ser completada com coisas como o casario da Rua São José (a morada de Juvêncio Santana, as casas do Pe. Cícero e a sede do Bispado, o sobrado onde residiu Agostinho Odísio), etc. Um terceiro comentário é quanto lamentamos o que foi destruído nestes anos e ainda continuam a fazê-lo, como denunciei aqui a transformação da Casa Paroquial. Esta questão é séria e se arrasta há muito tempo. Uma quarta coisa importante é a vinculação deste patrimônio à sua significação no imaterial, no imaginário popular. Assim, o que aparentemente seria notável no Juazeiro, não tem o respectivo respaldo sob esta ótica (Luzeiro, Aeroporto, Romeirão?). Ou a idéia é só escolher cartão postal? Por último é para se dizer que é relevante uma escolha deste tipo através de uma boa enquete como esta, para que a PMJN possa avançar ainda mais com esta iniciativa, como recentemente no tombamento de bens materiais no entorno da Praça. Afinal, a oportunidade de celebrar o Centenário é não só o de reavivar a nossa memória, mas também de realizar um belo trabalho pela preservação da cidade naquilo que ela tem de maravilha. Por outro lado, não é só maravilhoso o que é antigo, ou no nosso caso, o que desapareceu ou está por isto. É maravilhoso também que a cidade se vista de modernidade, pois só assim ela contemplará a sua inserção neste dito mundo globalizado para auferir benesses de inovações que promovam o bem estar de sua gente. Desde que haja o respectivo respeito ao que foi maravilhoso em seu passado. Enfim, poderei chocá-los na minha escolha. Pelo que reflito sobre a maravilha que o Juazeiro representou para toda esta nação romeira, e apenas limitado a sete itens, os meus votos vão para: Basílica Menor do Santuário de Nossa Senhora das Dores; Casarão do Horto; Escola Normal Rural; Estação Ferroviária da Estrada de Ferro de Baturité; Grupo Escolar Padre Cícero; Praça Padre Cícero e Santuário de São Francisco das Chagas. 
(JUANORTE 26.12.2010)
CRESCIMENTO LESTE
Já estamos no ano do Centenário. Há quem dirá que estamos falando isto com o atraso de nove dias, pelo menos. Notícias dizem que bons ventos sopram para o Leste com estas primeiras chuvas. Olhando o mapa do município e as tendências que se observam em torno da ocupação urbana para as bandas de Betolândia, Vila São Francisco, Aeroporto, Brejo Seco, Pedrinhas, Marrocos, São Gonçalo, Sabiá, Touro e outras localidades, é inegável que a cidade cresce nesta direção. Parece que chegou a onda que nos impulsiona para um abraço mais afetuoso a Missão Velha, para completar este aconchego generoso de povo que nos presenteou com parte do seu próprio território, para nos fazermos município, há exatos 100 anos. Quem sabe, não só por este gesto concreto, mas também por este marco simbólico e expressivo, o Centenário, Juazeiro do Norte e Missão Velha passem a ser mais íntimos no seu desenvolvimento, mercê, não de uma reclamação antiga, mas de um novo, moderno e inovador processo de integração por um Cariri maior e melhor. Não faz muito tempo, o modelo de implantação do metrô do Cariri foi apresentado em grande fórum, longe daqui, como algo vitorioso na sua proposta de consolidar núcleos conurbados em vias de uma regionalização metropolitana. Devemos trabalhar para que seja esta a oportunidade de estreitar laços com esta Missão Velha, a quem tanto devemos, trazendo-a, de fato, mais para perto de serviços e facilidades que já são factíveis entre nós. O que se pode ver da cabeça da pista do aeroporto na direção leste não pode ser uma miragem, ao longe, tão poucos quilômetros nos separam. Há muitos anos atrás meu pai me deixou a inveja de ter feito o caminho entre a oficina Linard e o Juazeiro num jipe 54, por estrada que até hoje não conheço. Fiz noutro dia esta travessia pelo Google earth com a sensação de uma navegação fascinante e o gosto de ter desbravado terra desconhecida, até chegar nas proximidades do aeroporto. Nestes anos tenho me perguntado o que fez esta pobre e inexpressiva representação política do Cariri que ainda não tirou este rabisco de projeto de qualquer gaveta do armário da má vontade. O século XXI não comporta mais opções menores como as que se verificaram nas construções de rodovias como a 116 e a do algodão. Infelizmente, ainda hoje, em parte, este foi o modelo que perpetrou o trajeto alternativo da Pe. Cícero, a rodoenganovia de eleitoreiras virtudes, salvo em alguns trechos. Esse Brasil, do já trem-bala, tem que encarar, por seus homens públicos, as demandas mais modestas das médias cidades, por soluções criativas para sua infraestrutura, como a de vias de transporte. Sintomaticamente, é pelos caminhos de Missão Velha que vislumbramos horizonte mais próximo. A ligação entre Missão Velha e o Pecém, em construção, é a porta de uma nova saída para a produção do Cariri. Por isso, louvo a mínima sensibilidade da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte quando firma parcerias com CEF e o setor privado para estimular a ocupação urbana com moradias populares na região leste do município. Também não era para menos. Com os preços que se praticam a especulação imobiliária entre Juazeiro-Barbalha e Juazeiro-Crato... Agora já pensamos mais alto e para isto necessitamos do concurso de novos líderes comprometidos com estes projetos ambiciosos. O Cariri procura outra vez por visionários, por malucos, por doidos varridos que já colecionamos na história recente desta região, para que tenhamos novamente a ventura de viver as grandes conquistas necessárias ao nosso melhor viver. (JUANORTE 09.01.2011)
JUAZEIRO (I)
Esta semana que passou ficará na história. Por ela, já tínhamos escrito a crônica da tragédia anunciada. O que nos perguntamos se reduz a um simplório questionamento: merecíamos, tudo isto? O que fizemos para merecê-lo? Ouvi de tantos esclarecidos o lamento que a página que não se virou ocorre em meio a uma véspera de centenário. Que centenário é este? Que povo é este? Que política é esta? Que personagens são estas? Que fatos são estes? De tudo nos perguntamos para nos reconhecermos perplexos diante do maniqueísmo a que somos submetidos, sem o menor escrúpulo. Bem se vê que não basta apenas dar um voto consciente. A verdade é que depois da dita diplomação, a delegação se aplica e adeus povo, adeus eleitor. Os que votaram no prefeito atual parecem que ainda são capazes de conceder-lhe a ovação pública, quando uma minoria pede a execração. Onde há o erro? Será que só se deseja dizer que se votou bem e é isto mesmo? Nada mais. Dizem os autos do que já foi escrito: houve roubo e há ladrões. Ou a jurisprudência do Tribunal equivocou-se, digam-nos. Os autos do que está para ser escrito prometem que aí também se falará de roubos, de ladrões, de desonestos e de inocentes “inúteis”. Haverá autos que levem em consideração denúncias de cinismo, de marginalidade, de traição, de corrupção? Ou não se falará de quem “está em casa, guardado por Deus, e contando o vil metal”, como diz o poeta? Pobre gente, esta minha gente simples, ordeira e trabalhadora do Juazeiro... Tão habituada ao apoucamento de suas exigências, como se nos disséssemos que sua felicidade é baratinha. Algo de satisfações menores, como recolher o lixo, não deixar faltar a água, passar o asfalto em frente de casa... Mas, se abusar, pedindo que se construa escola com verba do Fundeb, aí verás que o filho teu não é mais aquele... As imagens que vieram dos fatos dizem que houve convulsão, o inacreditável, o surreal de tão inesperado. Faz-se mergulhar em desânimo e descrença um povo que ainda não reagiu, como deve, à pouca importância que se dá aos seus tristes ais. Aí se sofre, aí se adoece. Esta semana, ainda lhes posso dizer, sofri, adoeci. Dizem que psicologicamente a imunidade caiu, e tudo pode acontecer quando isto ocorre. Tenho tentado viver sem o Juazeiro dentro de mim. Inútil. A ligação é visceral. É íntima demais. E quando não se concilia, há uma batalha intestina. Dolorosa, amarga e perversa. Houve uma batalha, um dia, em que se falava de dois lados: os filhos da terra e os que vieram de fora. Por vezes penso que esta primeira, a minoria degredada de hoje, concedeu por uma santa ingenuidade, o privilégio de uma tutela que nos carregou para um fosso imenso. Pensávamos que isto era passado, não fosse ele hoje o recrudescimento de coisas mal apreendidas, por atos de força que pareciam nos guiar em caminho seguro. Vã ilusão. Já, já estaremos novamente imersos na temporada de uma outra caça à esta crença benfazeja de eleitores incautos, onde estará proibido escolher quem quer que seja por critérios de probidade, de competência, de honestidade e de responsabilidade social. Quem sabe, nosso povo não vai estar lembrado desta gente, inculta e feia, despreparada para a missão e o serviço público. Se um dia contarem essas histórias, tin tin por tin tin, aos netos de nossos netos, talvez ainda se possa lembrar que momentos como os que vivemos recentemente (“deve ser a gota d’água...) nos inspiraram a tristeza e a angústia de uma missa de réquiem. (JUANORTE 2011.01.16)
JUAZEIRO (II)
2010 está se configurando como um ano que não quer terminar. A rigor, ele sempre vai nos remeter ao trauma de ter vivido uma coisa maluca, surreal, quando tantos foram acusados de ladroagem à sombra de generoso joazeiro centenário. A semana seguia, aparentemente em paz, quando eis que de repente, recebemos pelo correio, a remessa do relato sucinto das traquinagens do nosso parlamento tupiniquim. Agora, vamos sabendo que ao lado da troca de insultos que pareciam, de um lado, o esforço do executivo em acobertar o secretário deseducado, não demorou a contundência de averiguações do tribunal, revendo contas mal feitas e mal apresentadas para encobrir uma suposta sucessão de roubalheiras, perpetradas pelos legisladores. A peça se descreve como sendo um Processo, de número 29.164/10, originado no TCM, sobre Tomada de Contas Especial, investigado na CMJN, para o qual se responsabiliza seu presidente José Duarte Pereira Júnior, nos exercícios de 2009 e 2010. Na investigação foram constatadas irregularidades nos seguintes itens: LOCAÇÃO DE VEÍCULOS; AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS; AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE CONSUMO; AQUISIÇÃO DE PRODUTOS JUNTO À EMPRESA “RAMOM MACHADO DA SILVA–ME”; CONTRATAÇÃO DA EMPRESA “CONSULTEC–CONSULTORIA E ASSESSORIA TÉCNICA LTDA.”; CONTRATAÇÃO DA “BOAVENTURA E LAVOR ADVOGADOS, CONSULTORES E ASSES. LTDA.”; CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE PUBLICIDADE; e RETENÇÕES E REPASSES DO IRRF. Oferecendo informações que levam a quantificação do imbróglio, chegamos à soma de mais de 2,7 milhões. Só como exercício aritmético, para verificar a extensão da responsabilidade solidária entre presidente e seus pares, chega-se a um valor, per capita, ao redor de cem mil reais/ano. Evidentemente, os senhores legisladores virão a público, não tenho dúvida, para esclarecer este nosso estado de perplexidade que vai de juízes a pagadores de impostos. Logo vejo que isto não vai demorar para que todos se confessem desapontados, porque, afinal, ninguém sabia disto. Seria uma coisa horrorosa que em meio a este bate-boca que resiste, ainda tenhamos que suportar a revelação descabida de formação de quadrilha. Aí, no Juazeiro de meu santo padrinho, padre Cícero? Não é possível. Não, não é verdade. Isto é coisa de planaltos, nada de planícies. Em passado recente, este estilo, “não sei de nada, não vi nada, não ouvi nada, não conheço ninguém” já foi atribuído até ao presidente da república. Vejam só a leviandade a que se chega. Tomara que tudo isto não passe da ocorrência mais simples de “atecnias”, tal a complexidade de registros contábeis, quase sempre enigmáticos aos não iniciados. Ao confessar-lhe o meu desapontamento diante deste estado de crise em que temos mergulhado, espero que tenha ficado claro que nossa crença se desfaz ao sabor desta manipulação continuada que nos impõem estes ditos representantes, na infidelidade aos votos conquistados. O que me angustia reside na prevalência de uma claque inflamada que não reflete minimamente sobre este destroço com que se quer enterrar esperanças e sonhos por um Juazeiro melhor. Esta claque é absolutamente ignorante e servil, encontrável na manifestação fácil das mesmas ruas sujas, fétidas e esburacadas, na denúncia flagrante da omissão e do descaso de todos. Onde estamos que vamos ainda suportar isto por mais tempo? Já não temos o mesmo ânimo para ir protestar nas ruas com a mesma determinação com que enfrentamos, em outros tempos, o descaminho político alimentado por gente desonesta. Ai de ti Juazeiro, terra de eleitor menopausado, incapaz e incompetente, até para saber o que caçar e o que cassar. 
(JUANORTE 2011.01.23)
JUAZEIRO (III)
Quais são os principais impactos poluentes das águas do Rio Batateiras, que chega ao município de Juazeiro do Norte, para ser apelidado de Salgadinho? Fiz esta pergunta a um técnico da Companhia estadual e a resposta veio depressa: Primeiro - a carga de esgotos domésticos e a contribuição industrial lançado ainda no município de Crato, que não tem nem saneamento nem esgotamento sanitário, através do Rio Grangeiro; segundo – a carga poluente oriunda de frigorífico / curtume / ourivesarias em Juazeiro do Norte, e terceiro – o lançamento clandestino de esgotos domésticos urbanos em JN. O que se disser a mais é de pouca importância neste contexto. Faço esta consideração a respeito de algumas notícias que alinhavam olhares para com a região do riacho, numa expectativa de que ele ainda nos sirva, mais que nos angustie. O povo de Juazeiro do Norte, tutelado pela falta de visão de politiqueiros populistas inconsequentes fechou questão em não querer pagar pelo serviço de tratamento de esgoto. Já abordei isso aqui, estranhando que os números da cobertura da rede de esgoto não é das piores, mas na contra-mão, damos preferência a fossas, e ao lançamento indevido na via pública, do que pagar o legítimo pelo serviço. Se a tarifa não é justa, isto não impede que se faça algum entendimento com respeito a adaptá-la a um critério mais justo, em razão da enorme dificuldade de se custear serviços públicos. Penso, mesmo, que o próprio governo deveria tomar a iniciativa de propor uma estratégia que supere este impasse. Assim, ninguém vai resolver a questão do impacto ambiental sentido superficialmente até várias vezes ao dia, pela fedentina espalhada pela região central e adiante. Por vezes nem somos capazes de estender esta reflexão sobre a repercussão de mais longo custo, especialmente sobre o que nos faz um povo tão dependente de serviços e atenções de saúde. Também é aceitável que a Companhia não se estimule para prover melhorias ao serviço. É um critério cidadão aceitar que os serviços públicos devem ser remunerados. Não há engano nem mistérios. Quem vai pagar a conta? Se disserem que é a viúva, cabe a indagação: e quem sustenta a viúva? Ora, paga-se luz, água, telefone, etc., e por que não esgoto? A revitalização do Salgadinho é um projeto complexo e caro. De nada vai adiantar mexer na bacia do riacho se outras medidas não forem tomadas. Um fato de extrema gravidade vem a propósito que o Granjeiro e o Salgadinho são contribuições que chegam ao Salgado em péssimo estado. Crato e Juazeiro do Norte são as duas cidades que mais contribuem para a poluição do Salgado. Estima-se que pelo menos metade dos dejetos humanos e resíduos industriais destas duas cidades seja despejada no rio. De nada vai adiantar um programa de educação ambiental se não houver uma intervenção séria para revitalizar este trajeto entre os municípios de Crato e Juazeiro. Agora mesmo se fala numa possibilidade de se construir, como obra do Centenário, uma avenida junto à margem direita. Este projeto provavelmente será abortado porque a urgência da festa não vai sensibilizar nem demover a equipe técnica da Semace, a quem cabe licenciar a obra para sua implantação. Ela tem no seu traçado, numa de suas áreas, parte da terra degradada, marginal ao Salgadinho, nas proximidades da Basílica, num certo e chamado santuário de garças, considerado intocável. Bem, mas a questão central do foco na rede coletora e equipamento de tratamento de esgotos no Juazeiro do Norte já deveria ter sido um caso consagrado de eleição prioritária, tal a mazela que representa. A realidade é que estamos começando a aceitar a celebração com uma centena de outras obras, a começar pela número um que foi dedicada ao populismo político-eleitoreiro. Imagine a centésima... (JUANORTE 2011.01.30)
A COMISSÃO (I)
Na audição de uma entrevista pela Rádio Padre Cícero, na última quinta feira (03.02) fiquei sabendo pela viva voz de Diana Barbosa, nova “coordenadora” o que já se configurara informalmente há vários meses: a prefeitura municipal de Juazeiro do Norte desqualificou a primeira Comissão do Centenário, anteriormente constituída, sem pompa e circunstâncias. Suas alegações me pareceram por demais burocráticas e não são aceitáveis. Deve ter havido na última sexta feira uma segunda reunião promovida por esta nova coordenação, com a qual se pretendeu consolidar todas as ações preconizadas para a programação celebrativa do primeiro Centenário de nossa cidade. Nisto, eu como membro nato daquela primeira, e não sendo mais convocado para esta nova fase, nem por ato civilizado, me surpreendi pela desfaçatez com que algumas coisas se verificaram no caminho desta carruagem. No início, o prefeito municipal distinguiu seu tio, Dr. Geraldo Menezes Barbosa, figura que até então eu respeitava, como presidente da dita primeira Comissão. Este ato era frontalmente contrário à minha vontade expressa. Em gesto isolado, felizmente, face ao silêncio dos demais, formalizei de viva voz numa reunião, ainda em 2009, porque me rebelava contra aquele ato, surpreendendo a todos. O futuro presidente se antecipara trazendo ao nosso conhecimento uma minuta de decreto municipal, elaborado pela procuradoria, nomeando-o como tal, para nossa perplexidade. Era nítido o desapontamento de todos e compreensível que o respeito pessoal à criatura os levava a um silêncio respeitoso. Nascia, assim, a organização da Comissão em meio a um ato de pretenso domínio privilegiado, familiar, e por nítido tráfico de influência, contrário à postura do grupo que ainda discutia o modus operandi da Comissão, antes de se firmar em nomes para os cargos de “carregador de piano”, de “penitente de gabinetes”, de “saco de pancadas municipais” e, evidentemente, as demais funções honorárias. A primeira Comissão começou a trabalhar a seu tempo e a tempo hábil para a grande celebração, disto não reclamamos. A própria abertura da temporada de dois anos de comemorações, havida em 18.07.2009 – quando o centenário de O Rebate foi lembrado, até preconizava uma jornada imensamente produtiva e animadora para a festa que se desejava realizar. Um mínimum minimorum de facilidades, felizmente, foi concedido para que pudéssemos realizar uma lista enorme de eventos entre encontros com comunidades, viagens, relações com empresários, instituições, grupos expressivos da sociedade, de clubes de serviços, instâncias políticas (Fortaleza e Brasília). A pauta resultante configurou um elenco expressivo de obras estruturantes, com verbas aparentemente generosas. Íamos colecionando promessas e algumas, digamos, até muito sérias e convincentes, que já somavam recursos de mais cem milhões nas costas de dinheiros ministeriais, boa vontade do governador Cid Gomes, Programa de Aceleração do Crescimento II, para os quais contribuíram expressivamente as gestões pessoais de grandes amigos de Juazeiro do Norte. As maiores obras que prevíamos para o Centenário eram de pequeno número, mas um conjunto valioso para nossas demandas e expectativas de soluções para crônicos problemas urbanos. Só Deus sabe o que ainda tivemos de agüentar para corrigir certos rumos, renunciando a algumas propostas que estavam formuladas, depois da grande escuta que nos impusemos para buscar do seio desta gente o que seria a dimensão exata de uma festa como poucas. Continuarei. (JUANORTE 2011.02.06)
A COMISSÃO (II)
Desde o início das atividades da primeira Comissão do Centenário foi reclamado à municipalidade um mínimo de condições para que tantas demandas fossem atendidas. Um local para se reunir, papel para preparar os planos (nesta época não sabíamos que a Câmara gastava tanto papel inutilmente). As mínimas condições com reuniões só aconteceram porque eu estava dirigindo o Memorial. Não havia dinheiro, de espécie nenhuma. Era uma ilusão programar um Centenário às custas de promessas de deputados. Dos estaduais, disseram aí no Memorial, um dia, que só na feitura do orçamento para 2011. Sonho de uma noite de verão. Foi um banho de água muito fria. Dos federais até hoje criticam que só José Nobre tenha tido a sensibilidade de nos acompanhar nos gabinetes brasilianos. Ficou tão acintoso que um dia começaram a falar de Pacto pelo Centenário. Na verdade, a estratégia era outra. Era usar o Centenário para resolver outras questões político-partidárias, cujas diferenças geravam bate-bocas sobre quem ainda não destinara nenhum tostão para a terra dos milagres. Da parte da PMJN havia o compromisso de uma mensagem à Câmara para destinar parte do IPTU, como financiador dos gastos da empreitada. Em que ficou? O gato comeu. Idéias? Tinha muito mais de 200. Havia umas que só Deus realizaria. Mas a nossa missão era acolhê-las, sem discriminação qualquer. De que valeria falar aos setores que queremos manifestações, sugestões, se já ridicularizamos. Ridicularia tivemos que agüentar quando algumas destas idéias chegavam às altas esferas do executivo. “–Que história é esta de fazer rancho pra romeiro? Deixem isto para a iniciativa privada. Fazer para depois entregar, por privatização?” E lá se foi o Rancho Mons. Murilo, abortado no ridículo daquele momento. Portais da cidade? Que coisa mais cafona esta de encher (eram 5) esta cidade com estas coisas bestas e démodé? Bom, deixa pra lá. Agora, se tem a nítida impressão que os melhores itens reunidos naquela programação foram abandonados. Agora falam de cem obras. Como é um número cabalístico, vale tudo como a rótula do Rubão. Mas a rótula do Rubão não foi pedida pelos que nos deram a honra de dizer como seria o Centenário. Ninguém pediu fonte luminosa, senão que a Praça tivesse a sua restaurada. Pouca vergonha. Então, só tem sentido falar numa nova programação, porque é deste modo que se abandona o que foi pensado, para fazer o possível sob o mesmo rótulo. Posso lhes falar, especialmente, de uma seção deste elenco com o qual se desejava marcar, culturalmente, estas celebrações. Elaboramos, exclusivamente, com o apoio de Daniel Walker, José Carlos dos Santos e Renato Dantas, um programa editorial que seria negociado com instituições como os governos federal e estadual, UFC, BIC, BNB, FBB, CEF, etc. Cresceu uma lista de até 100 obras que seriam editadas, gradualmente. Isto está em curso com algumas ações: A UFC se comprometeu com a PMJN a reeditar, partilhado, o livro O Patriarca de Juazeiro, de Mons. Azarias Sobreira; a URCA está honrando a reedição de dois volumes (Efemérides do Cariri, de Irineu Pinheiro e Joaseiro do Padre Cícero, de Floro Bartholomeu da Costa), e o BNB deve assinar convênio com o Memorial Padre Cícero para que sejam reeditados e editados velhos títulos e novos estudos acadêmicos. O desprendimento dos que trataram deste objetivo tem sido exemplar. Poucos sabem o que isto representa de trabalho voluntário para mediar este propósito, pelo amor ao Juazeiro e a estima pessoal aos 20 autores. Espero, sinceramente, que para a finalização deste intento não haja mais nenhum atropelo. (JUANORTE 2011.02.13)
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI


CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na quintas feira, dia 19, às 19:30 horas, dentro da sessão GRANDES FAROESTES, o filme MATAR OU MORRER (High noon, EUA, 1952, 85 min). Direção de Fred Zimmermann. Sinopse: Will Kane (Gary Cooper) é um xerife que fica sabendo na hora de seu casamento que ao meio-dia chegará um trem trazendo Frank Miller (Ian MacDonald), um criminoso que mandou para a cadeia e planeja se vingar. Apesar de Amy (Grace Kelly), sua noiva Quaker, argumentar que devem ir embora, ele acha que fugirá para sempre se não enfrentar a situação. A população (com raras exceções) se refugia sem ajudá-lo, apesar dele pedir aos cidadãos para enfrentarem o pistoleiro e seus cúmplices.

CINEMA (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões de cinema, com entrada gratuita, exibe no dia 20, Sexta feira, às 18:00 horas, o filme PADRE CÍCERO: OS MILAGRES DO JUAZEIRO (Brasil, 1975, 118 min). Direção de Helder Martins de Morais. Sinopse: A primeira metade da vida e da obra religiosa da figura polêmica e excêntrica de Cícero Romão Batista, mais conhecido como Padre Cícero, um padre que sempre exerceu suas funções às margens das diretrizes da Igreja Católica, tornando-se um personagem político influente e um líder religioso fervorosamente adorado por milhões de fiéis até os dias de hoje.
CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita, exibe no próximo dia 20, sexta feira, às 19 horas, o filme RATATOUILLE (Ratatouille, EUA, 2007, 110 min). Direção de Brad Bird. Sinopse: Paris. Remy (Patton Oswalt) é um rato que sonha se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a ideia, além do fato de que, por ser um rato, ele sempre é expulso das cozinhas que visita. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau (Brad Garrett). Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Remy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na sexta feira, dia 20 às 19:30 horas, dentro da sessão FILMES INESQUECÍVEIS, o filme O CONDE DE MONTE CRISTO (The Count of Monte Cristo, EUA, 1934, 113 min). Direção de Rowland V. Lee. Sinopse: Edmond Dantes (Robert Donat) é um marinheiro que tinha recebido há pouco uma promoção e estava a ponto de se casar a bela Mercedes (Elissa Landi). Raymond de Villefort Jr. (Louis Calhern), Fernand de Mondego (Sidney Blackmer) e Danglars (Raymond Walburn), todos secretamente partidários do deposto Napoleão (Paul Irving), fizeram de Dantes um bode expiatório em uma trama envolvendo Bonaparte. Embora inocente, Dantes foi preso e condenado à prisão perpétua no Chateau d'If, que era praticamente à prova de fugas, pois ficava em uma ilha. Ele padeceu durante anos neste presídio, tentando manter a esperança, mas envelheceu rapidamente em virtude dos maus tratos e da pouca comida. Em sua horrível solitária ele ficou sabendo que Villefort ficou ainda mais importante, Mondego casou com sua noiva e Danglars ajudou na sua condenação, para favorecer sua ascensão na carreira naval. Um dia Dantes houve uma batida na parede da sua cela e começa a cavar com uma colher. Dantes remove uma pedra e acha outro prisioneiro, Faria (O.P. Heggie). Os dois começaram a cavar um túnel juntos e, enquanto trabalhavam, Faria deu a Dantes seu vasto conhecimento acadêmico, que incluía a localização secreta de um grande tesouro de piratas na ilha de Monte Cristo. Quando Faria morreu, Dantes enterrou o corpo dele em um túnel e então tomou o lugar dele dentro do saco, onde deveria estar o corpo de Faria. Depois que o saco foi lançado no oceano Dantes lutou para se libertar e acabou sendo ajudado por piratas, para quem retribuiu o auxílio. Eles o levam até Monte Cristo, onde acha o fabuloso tesouro e se torna imensamente rico, se intitulando Conde de Monte Cristo. O porte dele e a coragem de intelectual, aprendidas com Faria, o ajudaram em estabelecer sua nova identidade. Mas, apesar de todo o dinheiro e poder que possuía, só vingança existia nos planos de Dantes. Entretanto ele não desejava simplesmente matar aqueles que o traíram e sim fazer que seus inimigos perdessem tudo que tinha, do mesmo jeito que aconteceu com ele.
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 21, sábado, às 17:30 horas, o filme TRÊS ENTERROS (The three burials of Melquiades Estrada, EUA/França, 2005, 121 min). Direção de Tommy Lee Jones. Sinopse: Pete Perkins é o capataz de um rancho no Texas. Quando seu melhor amigo Melquiades Estrada é morto e enterrado, ele decide fazer com que um dos assassinos o ajude a desenterrar o corpo e levá-lo para sua família no México, cumprindo assim com uma promessa feita a Estrada. 
A SEMANA NA HISTÓRIA DE JUAZEIRO (IX)
Estamos continuando a publicação de efemérides da história de Juazeiro do Norte, agora em sua segunda edição, referente aos dias 15 a 21 de Julho.
15 de Julho de 1911: Uma semana antes da promulgação da Lei que criou a Vila de Joazeiro, a comunidade, tendo à frente os seus líderes Pe. Cícero Romão Baptista e Floro Bartholomeu da Costa, bem como muitos outros influentes comerciantes aqui sediados, escolheram o primeiro Conselho Municipal da Vila de Juazeiro, constituído dos seguintes membros: Efetivos: Major Fenelon Gonçalves Pita, João Bezerra de Menezes, José Eleutério de Figueiredo, Raimundo Nonato de Oliveira (Natim) (bisavô do atual governador do Ceará), Tenente-Coronel Cincinato José da Silva, Manoel Vitorino da Silva, Ernesto Rabelo (Farmacêutico), Fausto da Costa Guimarães. Membros Suplentes: João Gonçalves Sobreira, José Xavier de Oliveira, José Julio Carneiro, João Duarte Pinheiro, José Alves da Silva, Pedro Fernandes Coutinho, Firmino Teixeira Lima e João Batista de Oliveira. Essa escolha se antecipava numa prévia para a eleição da primeira Câmara Municipal do município.
16 de Julho de 1890: Em viagem o Pe. Cícero Romão Baptista chega a Fortaleza, atendendo um chamado do Bispo do Ceará, D. Joaquim José Vieira. Pe. Cícero é alvo de manifestações públicas de júbilo e curiosidade do povo da Capital. Essa convocação de D. Joaquim se prendia à repercussão que havia causado em certos setores da sociedade fortalezense, com respeito ao depoimento do médico Dr. Madeira, um dos que haviam participado na averiguação sobre o estado de saúde da beata Maria de Araújo, após os fatos extraordinários das transformações das hóstias dadas em comunhão às devotas. E, evidentemente, havia uma expectativa de que o Bispo da Diocese era instado a oferecer esclarecimentos.
17 de Julho de 1890: O Pe. Cícero Romão Baptista responde em Fortaleza o questionário ou “Auto de Perguntas” que lhe foi apresentado por D. Joaquim José Vieira, Bispo da Diocese, jurando com a mão direita num dos Santos Livros do Evangelho, dizer a verdade do que soubesse e lhe fosse perguntado”. Testemunhas presentes: D. Joaquim, Bispo Diocesano, Mons. Hipólito Gomes Brasil, Vigário Geral; Pe. Clycério da Costa Lobo, secretário ad-hoc. Este documento é peça fundamental para a compreensão dos fatos que aconteceram a partir de março de 1889 e é bastante longo e transcrito em diversos livros que tratam da história de Juazeiro, especialmente referindo-se ao seu Patriarca.
18 de Julho de 1909: O Pe. Joaquim de Alencar Peixoto funda em Juazeiro o “O Rebate” jornal que em suas edições assim se denominava: “Jornal pioneiro, fundado com o propósito da emancipação política da vila do Joaseiro do Cariry; Data de Circulação (Primeiro Número): 18.07.1909; Data de Encerramento (Última edição): 03.09.1911; Redator Chefe: Pe. Joaquim Marques de Alencar Peixoto, Gerente: Felismino de Alencar Peixoto; Colaboradores: Floro Bartholomeu da Costa, José Joaquim Telles Marrocos, Adolphe Achille van den Brule (Conde), Manoel Soriano de Albuquerque, Leandro Gomes de Barros; Redação, Gerência e Typographia: Rua Padre Cícero, 343 (Atualmente, imóvel sob a numeração 207); Dimensões: 38,0 cm x 50,0 cm; Periodicidade: semanal; Veiculação: Venda, assinatura e distribuição gratuita. Foram 104 edições. Coleções incompletas poderão ser consultadas tanto na Universidade da Flórida, quanto na Biblioteca Nacional, através dos seguintes endereços eletrônicos: 
19 de Julho de 1909: Um dos grandes personagens da história do Cariri, sem dúvida alguma foi José Joaquim Telles Marrocos. No início do século passado era um caririense como poucos: trabalhava incansavelmente pelo desenvolvimento das três cidades. Tinha escolas e jornais nas três cidades. Pela grande afinidade com seu primo, Pe. Cícero era particularmente dedicado ao Juazeiro. Para se conhecer um pouco mais sobre essa figura extraordinária, vejamos o texto de uma pequena carta que Marrocos escreve de Barbalha, nesta data, ao seu amigo de tantos anos, Pe. Cícero: “Todo o sábado (17 de julho de 1909) passei à espera da participação da festa inaugural da imprensa do Juazeiro; queria selar com minha humilde assistência o novo progresso duma terra que sempre foi de minha estima e por cuja prosperidade trabalhei o pouco que me foi possível. Esperei em vão e desapontado senão muito contrariado, assumi outros compromissos... em todo caso muito senti, não ter testemunhado o novo progresso do Juazeiro, mas creia-me que não sou nem posso ser-lhe indiferente e daqui mesmo exclamo: Viva o Juazeiro”.
20 de Julho de 1934: Faleceu em Juazeiro o Pe. Cícero Romão Batista, às 6h:30min, após 5 dias de grandes padecimentos. Às duas horas da manhã, recebeu o viático e a extrema Unção, oficiados pelo Vigário, Mons. Pedro Esmeraldo da Silva. Uma das mais expressivas manifestações, narrando o que aconteceu naquele dia foi elaborada pelo jornalista Lourival Marques de Melo, nos seguintes termos: “Acordei pelo tropel de gente que corria pela rua. Fiquei sem saber a que atribuir aquelas carreiras insólitas. Quando cheguei à janela tive a impressão de que alguma coisa monstruosa sucedia na cidade. Que espetáculo horroroso, esse de milhares de pessoas alucinadas, correndo pelas ruas afora, chorando, gritando, arrepelando-se... Foi então que se soube... O Padre Cícero falecera... Eu, sem ser fanático, senti uma vontade louca de chorar, de sair aos gritos, como toda aquela gente, em direção à casa desse homem, que não teve igual em bondade e nem teve igual em ser caluniado. 
Um caudal de mais de 40 mil pessoas atropelava-se, esmagava-se na ânsia de chegar à casa do reverendo. O telégrafo transbordava de pessoas com telegramas para expedição, destinados a todas as cidades do Brasil. Para fazer ideia, é bastante dizer que só em telegramas, calcula-se ter gasto alguns contos de réis. Logo que os telegramas mais próximos chegaram ao destino, uma verdadeira romaria de dezenas de caminhões superlotados, milhares e milhares de pessoas a pé, marcharam para aqui. Joaseiro viveu e está vivendo horas que nem Londres, nem Nova Iorque viverão jamais... O povo, uma onda enorme, invadiu tudo, derrubando quem se interpôs de permeio, quebrando portas, passando por cima de tudo. Pediu-se reforço à polícia, mas o delegado recusou, alegando que o Padre era do povo e continuava a ser do povo. 
Arranjaram, no entanto, um meio de colocar o cadáver exposto na janela, a uma altura que ninguém pudesse alcançar e, durante todo o dia, várias pessoas encarregaram-se de tocar com galhos de mato, rosários, medalhas e outros objetos religiosos, no corpo, a fim de serem guardados como relíquias. Milhares de pessoas continuavam a chegar de todos os pontos, a pé, a cavalo, de automóvel, caminhão, de todas as formas possíveis. 
Quatro horas da tarde... Surge no céu o primeiro avião do exército. Depois outro. Lançam-se de ponta para baixo, em voos arriscadíssimos, passando a dois metros do telhado da casa do Padre Velho. Duram muito tempo os voos. É a homenagem sentida que os aviadores prestam ao grande vulto brasileiro que cai... Desceram depois no nosso campo, vindo pessoalmente trazer uma riquíssima coroa, em nome da aviação militar. 
A cidade é uma colmeia imensa; colmeia de 60 mil almas, aumentada por mais de 20 mil, que chegaram de fora. Nenhuma casa de comércio, de gênero algum, barbearias, cafés, bares, nada abriu. A Prefeitura decretou luto oficial por três dias. O mesmo imitaram as cidades do Crato, Barbalha e outras. Todas as sociedades e sindicatos têm o pavilhão nacional hasteado a meio-pau com uma faixa negra, em funeral. (20 de julho de 1934).”
21 de Julho de 1934: Foi sepultado no dia 21, após a missa na Matriz e as demais cerimônias religiosas. Multidão enorme, calculada em 70 mil pessoas, acompanhou o corpo, chorando até a capela do Socorro, no Cemitério. Está sepultado ao pé do altar. O prefeito decretou luto oficial por três dias. Um avião vindo da base Aérea de Fortaleza, fez evoluções pela cidade fazendo cair uma coroa mortuária, homenagem dos seus amigos ausentes.
ESTUDOS ACADÊMICOS (VI)
Estamos continuando a publicação de informações sobre a produção acadêmica enfocando problemas educacionais, culturais, religiosos e econômicos da cidade de Juazeiro do Norte. Desejamos dar um pouco mais divulgação sobre essas relevantes contribuições para nosso desenvolvimento.
Título: Formação de Professores (as) Ruralistas em Juazeiro do Norte (CE) (1934-1973): Um Projeto Emancipatório;Autoria: Pedro Ferreira Barros; Tese de Doutorado; Instituição: Universidade Federal do Ceará (UFC), 2011; Resumo: O objetivo principal deste trabalho é conhecer como a formação recebida da Escola Normal Rural de Juazeiro – ENRJ contribuiu para a conquista de espaços de emancipação por alunas nas suas trajetórias de vida, para identificar práticas educativas e culturais usadas, que possam iluminar o processo de educação das gerações presentes contribuindo para a elaboração de políticas públicas. Para este fim foi enfocado o período de 1934 a 1973, tempo durante o qual foi desenvolvida nos níveis descritivo e explicativo como estudo de caráter sócio-antropológico e histórico, numa abordagem fenomenológica na perspectiva da etnometodologia. Os sujeitos da pesquisa foram professoras formadas pela ENRJ. Na execução do trabalho de campo foram colhidas através de entrevistas semi-estruturadas quatro relatos histórias de vida de ex-alunas formadas nos anos de 1938, 1942, 1950 e 1959, e, cinco depoimentos de ex-alunas, gravados do arquivo da Sala de Memória Amália Xavier de Oliveira, datada de 2009, narrando memórias de suas vivências na família, escola, sítios, cidades e práticas profissionais, os quais, como resultados da pesquisa foram analisados para resposta à pergunta central que relaciona formação e emancipação. Foram usadas fontes de outras naturezas como: registros escolares, discursos de autoridades, professores e alunos, e a fonte hemerográfica. No percurso teórico-metodológico a oralidade é destacada como importante fonte de pesquisa. Coloca-se, por este meio, no âmago da história educacional cearense de meados do Século XX, a mulher, a educadora, a professora normalista, sua formação ruralista em Juazeiro do Norte e a questão da sua emancipação pela educação e pelo trabalho. 
Título: Gestão da Imagem Organizacional da Biblioteca Pública na Sociedade da Informação: As Bibliotecas Polos do Estado do Ceará; Autoria: Maria Cleide Rodrigues Bernardino; Tese de Doutorado; Instituição: Universidade de Brasília (UnB), 2006; Resumo: Investiga a imagem organizacional da biblioteca pública a partir das variáveis propostas por Justo Villafañe, autoimagem (imagem que a organização tem de si mesma), imagem intencional (imagem que a instituição projeta para o público) e imagem funcional (estrutura tecnológica e comercial da instituição). A pesquisa se dá nas bibliotecas públicas do Estado do Ceará, especificamente nas bibliotecas polos, que é um projeto de descentralização da coordenação do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Estado do Ceará - SEBP/CE. Tem o objetivo de identificar a imagem organizacional da biblioteca pública no Ceará, revelando sua imagem pública na sociedade da informação. Tendo como pressuposto a hipótese que esta deve atuar significativamente na sociedade da informação, entretanto, construiu uma imagem de descaso e abandono, amparada pelos questionamentos: qual a imagem da biblioteca pública do Estado do Ceará na sociedade da informação? Qual a mudança operacional na imagem da biblioteca pública do Estado do Ceará, a partir da criação das bibliotecas polos? Como as bibliotecas públicas do Estado do Ceará se veem? Como essas bibliotecas se projetam para a comunidade usuária? Como essas bibliotecas estão estruturadas tecnologicamente e comercialmente? E como se relacionam com a comunidade usuária? O modelo conceitual se baseia nas Teorias da Gestalt (Psicologia) e Institucional (Administração), para a construção do campo organizacional da biblioteca pública. A metodologia é alicerçada no método dialético e nos métodos de procedimento comparativo – a partir do isomorfismo mimético (teoria estruturalista) –, e método monográfico e funcionalista (representação imagética da biblioteca pública). O delineamento foi a partir de uma pesquisa quali-quantitativa em quatro etapas e a mensuração dos dados coletados por meio da Escala de Likert, do modelo de quantificação adaptado de Villafañe e pela análise de conteúdo. Por fim, a investigação revelou uma imagem negativa da biblioteca pública na sociedade da informação no Estado do Ceará e as bibliotecas polos não representou nenhuma mudança organizacional para o SEBP/CE.
Título: Espaço, Indústria e Reestruturação do Capital: A Indústria de Calçados na Região do Cariri - CE; Autoria: Fábio Ricardo Silva Beserra; Dissertação de Mestrado; Instituição: Universidade Estadual do Ceará (UECE), 2007; Resumo: Em Espaço, Indústria e Reestruturação do Capital: A Indústria de Calçados na Região do Cariri – CE, analisa-se o processo de formação e desenvolvimento da indústria de calçados na Região do Cariri, localizada ao sul do Estado do Ceará. Esta indústria tem sua origem a partir da segunda metade do século XIX, em moldes artesanais e utilizando o couro como matéria-prima principal. Nos dias atuais a Região alcança destaque nacional, situando-se entre os três maiores produtores calçadistas do País e tendo sua produção distribuída por diversos lugares do mundo. A investigação privilegia os últimos 20 anos, Nesse período, a produção calçadista é alvo de uma sensível expansão, associada a uma série de transformações. A análise se propõe crítica e tem como perspectiva entender a indústria como atividade produtiva capaz de transformar o conteúdo do espaço geográfico. Este espaço é visto não como um palco da atividade humana, mas como uma produção histórica e social, condição e meio de toda a atividade humana. Este espaço é produto das relações alicerçadas na divisão do trabalho, vigente no sistema sociometábolico do capital. Nossos procedimentos metodológicos buscaram dar conta de registros, dados, indicadores, entre outros, elementos que foram fundamentais para a escolha das decisões, hipóteses e técnicas adotadas. Ainda foram realizadas entrevistas com alguns dos principais agentes do processo analisado. Também foram indispensáveis às pesquisas de natureza empírica, nas quais, com a apreensão da paisagem, pôde-se seguir na análise da produção do espaço regional caririense. Deste modo, o contato com a realidade pesquisada foi um instrumento metodológico fundamental no sentido de resistir à tentação de esquecer o conjuntural em nome de uma leitura generalizante. Acredita-se, ao realizar esta pesquisa, contribuir para o entendimento da realidade do Ceará, sobretudo no que concerne à atividade industrial e nas novas configurações do espaço cearense que essa atividade produz. Certos de que a discussão está longe de ser esgotada, a torcida é para que este trabalho auxilie no avanço das pesquisas analíticas sobre os rumos que tomam a industrialização no território cearense.
Título: Os Benditos Populares em Juazeiro do Norte: Vozes Ecoantes do Discurso Religioso; Autoria: Natália Brito Bessa; Dissertação de Mestrado; Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB), 2008; Resumo: O presente estudo discute as relações entre o discurso, a história e a memória, a partir dos cânticos religiosos conhecidos como Os Benditos do Padre Cícero, na cidade de Juazeiro do Norte – CE; analisa os sentidos produzidos na prática discursiva da oralidade popular, sendo este viés oral da linguagem o principal meio de transmissão desses discursos religiosos. Os olhares compreendem, ainda, como os benditos religiosos constituem a cultura popular local, revelando sentidos e manifestações típicas daquele povo. O material de pesquisa constitui-se, essencialmente, dos benditos populares cantados pelos benditeiros do lugar, além de entrevistas com outras pessoas da comunidade, autoridades religiosas e pessoas devotas do Santo nordestino. A coleta de dados foi realizada, principalmente, pela observação da manifestação cultural das crianças benditeiras; consulta e análise de documentos de diversas modalidades: biografias sobre o Padre Cícero, publicações referentes ao “milagre” em Juazeiro do Norte, fotografias. Entretanto, o foco principal da investigação foi a observação da entoação dos benditos por parte dos meninos ali inseridos. A análise deste material procurou elucidar os sentidos da história que circulam nos benditos do Padre Cícero; analisa os aspectos referentes à memória histórica, reativada pelos sujeitos, nesta comunidade narrativa; discute a relação entre a língua, a cultura popular e história cotidiana, a partir das práticas discursivas dos sujeitos pelos discursos dos benditeiros; reconhece momentos significativos da história religiosa de Juazeiro do Norte, a partir da narrativa dos benditos, além de disponibilizar o registro destes, visto que os mesmos não têm registro oficial nenhum. Os fundamentos teórico-metodológicos que nortearam a pesquisa basearam-se nos estudos da Análise do Discurso, de orientação francesa, especialmente os postulados de Michel PÊCHEUX, Mikhail BAKHTIN e Michel FOUCAULT. Outras fontes de estudos também fundamentaram este estudo, a exemplo de LE GOFF, Walter BENJAMIN, Michel DE CERTEAU, dentre outros, no campo da história e cultura popular. Outras contribuições significativas para a pesquisa foram os estudos de Ecléa BOSI sobre as relações existentes entre a memória e a sociedade, além dos escritos de Sebe Bom MEIHY sobre a história oral, recurso metodológico principal utilizado para a coleta de dados. Constatou-se, pela presente investigação, que as narrativas orais dizem muito sobre a história cotidiana e as práticas culturais de um lugar, nesse caso, relembradas pelos discursos ideológicos, convertidos na construção de sentidos que emanam dos benditos do Padre Cícero.
Título: Padre Cícero Sociologia de um Padre Antropologia de um Santo; Autoria: Antônio Mendes da Costa Braga; Tese de Doutorado; Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 2007; Resumo: Um dos maiores santos de devoção popular no Brasil – principalmente no Nordeste -, Padre Cícero Romão Batista foi e continua sendo um personagem capaz de suscitar muitas polêmicas dentro da Igreja Católica e no meio acadêmico brasileiro. É objeto de diversas pesquisas e sua vida suscita as mais diferentes interpretações. Inserindo-nos dentro do universo de estudos e debates acadêmicos que tem Pe. Cícero e sua devoção como temática, neste trabalho procuramos analisar sua vida e trajetória social, assim como o processo através do qual ele se converteu num importante líder religioso e, subsequentemente, num santo de devoção popular. O trabalho se inicia com uma análise de sua trajetória e vida social desde sua infância, passando por sua formação sacerdotal, sua ordenação, sua decisão de tornar-se capelão de Juazeiro do Norte e seus primeiros dezoito anos de capelania naquele povoado. Num segundo momento abordamos como o evento conhecido como o “milagre de 1889” influenciou e teve conseqüências para sua vida e a do Juazeiro, transformando esse lugar num importante centro de peregrinação no Nordeste e Pe. Cícero num grande líder religioso no Brasil das primeiras décadas do século XX. Interessa-nos também compreender como se desenvolveu a relação de Padre Cícero com seus seguidores – usualmente conhecidos como romeiros ou afilhados – pelos quais passou a ser tratado como o Padrinho Cícero. Por fim analisamos como se desenvolveu após sua morte o culto a sua santidade, notadamente em torno do Juazeiro sagrado e de suas romarias.

NEZINHO PATRÍCIO, IN MEMORIAM
Ao me presentear com esta nova edição da A Província Editora, dirigida exemplarmente por Jurandy Temóteo, Armando Lopes Rafael já me assegurou que a obra será lançada em Crato no próximo mês de setembro. Trata-se de um belo trabalho de Manuel Patrício de Aquino, com o título de Alguma Coisa (Poemas, Contos e Versos) que será dada a conhecer ao público neste belo trabalho gráfico, com grandes requintes de composição, diagramação e ilustração. Deverá ser, sem dúvida uma grande homenagem ao Nezinho que muito se empenhou para manter uma ação cultural voltada para a tradição de qualidade dentre os intelectuais do Cariri. Nezinho nasceu em Crato, em 04.09.1941, e faleceu também em Crato, em 23.05.2016, pouco antes de completar 75 anos de vida. Dirigiu o Instituto Cultural do Cariri (ICC) e nos seus três mandatos prestou um enorme serviço à instituição que dirigiu, bem como à comunidade do Cariri. Agradeço a Armando Lopes Rafael a gentileza do presente, pois já me permitiu conhecer mais a fundo a volumosa e expressiva produção de Manuel Patrício de Aquino.
CIDADÃO JUAZEIRENSE

Mais um cidadão é distinguido com a honraria de Cidadão Juazeirense. Vejamos o ato: RESOLUÇÃO N.º 911, de 03.07.2018. Concede Título Honorífico de Cidadão Juazeirense e adota outras providências. O Presidente do Poder Legislativo de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, faz saber que a Câmara Municipal aprovou e eu promulgo, a seguinte Resolução: Art. 1.º - Fica concedido o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor MÁRIO GOMES DA SILVA, pelos inestimáveis serviços prestados à nossa comunidade. Art. 2.º - A presente Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3.º - Revogam-se as disposições em contrário. Sala das Sessões da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, aos 03 (três) dias do mês de julho do ano de 2018. Glêdson Lima Bezerra, Presidente. Autoria: Glêdson Lima Bezerra; Coautoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Damian Lima Calú; Subscrição: Rubens Darlan de Morais Lobo, José Barreto Couto Filho, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Antônio Vieira Neto, José David Araújo da Silva, Márcio André Lima de Menezes, José Adauto Araújo Ramos, Valmir Domingos da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, Jacqueline Ferreira Gouveia, Auricélia Bezerra, Rita de Cássia Monteiro Gomes.

sábado, 7 de julho de 2018


AV. MONS. FRANCISCO MURILO DE SÁ BARRETO
Nova e significativa homenagem ao Mons. Murilo acaba se ser publicada no Diário Oficial do Município de Juazeiro do Norte (Ano XX, nº 4772, de 28.06.2018, p.1), denominando uma nova avenida no território urbano, conforme os termos da Lei: LEI Nº 4.870, de 22.06.2018 Denomina artéria pública e adota outras providências. O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE, Estado do Ceará, no uso de suas atribuições legais que lhe confere o art. 72, inciso III, da Lei Orgânica do Município. FAÇO SABER que a CÂMARA MUNICIPAL aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei: Art. 1° Fica denominada de AVENIDA MONSENHOR FRANCISCO MURILO DE SÁ BARRETO, a Avenida Projetada “A”, do Loteamento Jardim Buriti, via principal do citado loteamento, início na Rua Dr. Luciano Torres de Melo, sentido Norte/Sul, prolongando-se até o Município de Barbalha, bairro Frei Damião. Art. 2° Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3° Ficam revogadas as disposições em contrário. Palácio Municipal José Geraldo da Cruz, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, aos 22 (vinte e dois) dias do mês de junho de dois mil e dezoito (2018). José Arnon Cruz Bezerra de Menezes. Autoria: Vereador Glêdson Lima Bezerra.

JUANORTE: TRISTE FIM DE UMA TRINCHEIRA (IX)
Estamos dando sequência às transcrições de artigo originalmente veiculados no jornal eletrônico JUANORTE, editado em Brasília pelo jornalista Jota Alcides, onde ali por mais de ano eu mantive uma coluna semanal, através de opinião pessoal sobre questões de interesse em assuntos juazeirenses. Pelo fato de um ataque de hackers e a destruição dos arquivos, o próprio editor resolveu desativar o jornal. Então eu resolvi reeditá-los aqui. A seguir mais 7 destes textos.
REINVENTAR O JUAZEIRO
Diariamente, qual maníaco, me surpreendo com o olhar preso na minha Juazeiro. Procuro por tais vias (a imprensa, os livros, pessoas e fatos) me debruçar neste exercício continuado de observação que me faça entender para onde estamos indo. E não é muito simples. Como uma terra que ainda tem tudo a realizar, por uma melhor qualidade de vida para seus filhos e afilhados, percebemos que elegeu-se a improvisação como a via mais freqüente para fugir aos caminhos necessários. A esperteza, ou quem sabe a “expertise” é insistir no percurso de trilhas que adiam o nosso sucesso como comunidade operante. Falei noutro dia sobre a questão do planejamento municipal e a discussão ingênua ao redor de recursos orçamentários. O trajeto é mais simples do que se pensa, pois a tutela de Estado é perversa. Tem-se a impressão de que no centro há uma preocupação real pelos municípios. Falsa impressão. Tal não acontece. A gênese de tudo é a disponibilidade de somas astronômicas para programas diversos – muitos necessários, convenhamos, o que, à aparente vista é uma via fácil para barganhar dinheiros, provocando desvios nas prioridades da cidade. Vivemos presos a estas oportunidades, correndo para Brasília para pegar uma beiradinha das somas, com projetos mal alinhavados. Os milhões são anunciados e passa-se ao sofrimento da burocracia para fazer chegá-los a termo, o que por vezes acaba com mais da metade da disponibilidade. Quando a questão aperta o juízo das partes interessadas (quero dizer que isto, verdadeiramente, não inclui o povo) fala-se no apelo sempre recorrente de um pacto. Um pacto pelo Juazeiro, por sua governabilidade; um pacto pela cidade centenária, por seu desenvolvimento, etc. Um pacto, enfim. Evidentemente, antes disto, é necessário conversar, permitir-se um entendimento que nos promova e não a meia dúzia de gente profissional de grandes acordos. Como se renega este pressuposto, este pré-requisito importantíssimo, parte-se para os destemperos orais, sem conseqüências benéficas para a cidade ansiosa. Juazeiro do Norte, queiram ou não, é fruto de uma invenção. Sua existência e carreira fulgurante não era prevista antes de 11.04.1872. Interessante, isto, não? Tem data, até. Inventado por uma estratégia que reuniu o binômio fé e trabalho, o povoado agigantou-se diante de curto espaço geográfico para onde foi, aos poucos, convergindo saberes, olhares e pensares que ousaram pô-lo no mapa, como a paragem real de uma utopia sertaneja. Um lugar de paz e realização, o refrigério. Por aí vai se entendendo a longa trajetória desta cidade centenária, mercê do trabalho de seus verdadeiros heróis, o povo romeiro. Na contra-mão deste caminho chegaram Igreja, Governo e Comércio. Três poderes fortíssimos que alimentaram, desde aí até a data presente, a turbulência de capítulos imemoriais de sua história. Mas, a invenção já estava consolidada. Tratava-se, tão somente, de administrar o conflito turbulento das lutas, o que tem nos consumido tempo, vida e ânimo. O que se deseja para este momento é a revisão desta invenção, algo como se reengenheirar toda uma estrutura social delicada e crítica. Tarefa para todos nós, mormente em dias de governo frágil. Melhor fazer assim do que esta prática medíocre de reuniões improdutivas de qualquer conselho municipal formado sem convicções sérias de que a cidade necessita mudar. Uma conclusão inevitável diante da turbulência que ora enfrentamos, exatamente por não sabermos como contornar as tribulações deste momento é trazer de volta esta inquietação para um amplo fórum em que se possa manifestar a necessidade de sua reinvenção. Qual o futuro da cidade centenária? Precisamos urgentemente de um inventor de boa capacitação, não um gerente de bodega. Afinal, como já dissera William Shakespeare, a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo.
(JUANORTE 07.11.2010)
ALÉM DE 300 MIL
Leio pela Internet: 244.701 habitantes. Recorro aos dados do IBGE para colher detalhes deste número e encontro 249.829 como estimativa. Por aí, digamos, dentro da amostragem regular do censo IBGE. Esta é nossa população. Juazeiro experimenta em muitos períodos do ano alguns números soberbos de romarias que, dizem, fecha nos 2 milhões. Provavelmente o número oficial não levou em conta esta população flutuante. Se ela for distribuída com alguma regularidade, isto poderia se elevar, na média, ao valor de uns 267 mil. Bem, alguns já vieram a público para dizer: só? Realmente já houve muita apelação de enganadores que tentaram mostrar que somos uma cidade de muito mais que isto. Mas, convenhamos, qual é a vantagem de se ter mais que isto se ainda muito falta para se justificar a qualidade de vida esperada por tanta gente, no mínimo das responsabilidades dos poderes públicos? Em que pese a euforia de se ver o nosso meio “evoluindo”, qualquer dia destes vamos sentir falta da aparente tranqüilidade que se experimentava quando éramos felizes e não sabíamos. Coisa de fotografia antiga, pregada em algum álbum de família. Na atualidade, ruas cheias, fluxo emperrado de trânsito, lixo por muitas rampas, fedentina nas coxias de calçadas, roubalheira que nos desanima na hora de pagar tributos, falta de compromisso cidadão com o eleitor, coisas assim. As projeções indicam que a população de Juazeiro do Norte deve continuar crescendo numa taxa elevada. Então, no rastro da reflexão passada, vale a pena elencar, pelo menos, alguns destes sentimentos com os quais poderíamos, com atraso, ir nos preparando para dias vindouros. Uma das prioridades para superar esta turbulência urbana deve ser o transporte coletivo. É notório que a entrada dos alternativos conturbou exageradamente as vias. Também, pudera, o que houve de planejamento para admitir a novidade das primeiras topics? Elas chegaram como solução arrogante, buscando agilizar o leva-e-traz de passageiros, sempre avexados para chegar em algum lugar do mapa e se impuseram como detentoras de todas as prerrogativas e liberalidades. Trazê-las, todas, para um ponto final no entorno da praça foi um grande erro. Ora, devemos falar que neste instante o poder público se investe de regular, o que concede, limitando os abusos e privilegiando o melhor desempenho para um ótimo serviço. Não é o que se vê. Agora um desafio que deve ser bancado é a articulação com os demais elementos da malha viária para permitir fluidez e desconcentração no centro. O caso do metrô do Cariri bem poderia servir para uma nova tentativa de solução. Ao que me contam, é enorme a subutilização, pois como o centro não foi reorientado como previra Pe. Cícero em 1925, agora não é possível convencer usuário a ir para a estação “tomar o trem”. Certamente que a integração ônibus-alternativo-metrô não pode ser mais protelada. Não só o Juazeiro reclama, mas o Cariri como um todo, especialmente Barbalha e Missão Velha que ficaram, por enquanto, à margem desta solução. Insisto, particularmente, nesta preparação para um grande salto no equacionamento das questões urbanas do triângulo, especialmente. E assim poderíamos arbitrar, deixando que o contraditório se manifeste. Basicamente, estender o atendimento do metrô nas seguintes direções: 1. No Crato, atingindo o Pimenta, entre Urca e ExpoCrato; 2. Para Barbalha, a se definir trajeto, via Lagoa Seca, que poderia terminar a caminho de grandes áreas já povoadas, no rumo de Malvinas; 3. Para Missão Velha, chegando ao centro. As soluções para o Cariri já não podem ser amadoras, e por isso devemos sonhar muito mais alto, de preferência com arrogância, sem fraquejar na determinação que nos fez chegar até aqui. 
(JUANORTE 14.11.2010)
O ARTISTA E O POVO
Uma pesquisa recente do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada nos diz que cerca de 70% da população nunca foram a museus ou a centros culturais e pouco mais da metade nunca vão a cinemas e shows de música. Mas, 78% assiste TV e a DVDs todos os dias. 58,8% ouve música diariamente. A intenção do Ipea era analisar também as barreiras para o acesso à cultura. A maioria, 71%, afirma que os preços altos são um importante empecilho ao acesso cultural. Isto vale, na média, para as cinco regiões do país. Outros fatores foram elencados, como a má distribuição dos equipamentos culturais, distante de onde moram. Esses resultados trouxeram algumas preocupações com o que é gasto para fomentar atividades de entretenimento e lazer. Na verdade, o povo brasileiro, em geral, está cercado pela oferta de eventos de má qualidade, seja no cinema, no teatro, nas artes, na música, em qualquer área. Há muita porcaria disponível, tentando atrair os incautos. Vende-se tudo isto como arte de excelência. Um engodo. Os prefeitos, por exemplo, preferem aplicar somas consideráveis em promoções de gosto e qualidade discutível. Nada contra, mas o que se pode tirar de proveito de um programa de bandas de forró? A lei de incentivos fiscais para a cultura, do governo federal, disponibiliza anualmente, mais de três vezes o próprio orçamento do ministério da cultura, credenciando empresas para abate de imposto de renda. Na prática, ainda são muito tímidas as ações que levam à formação de platéias, seja pelo teatro, pela música, pelo cinema, pela dança e por outras eventos que tornem o esforço mais permanente em cada município. Isto, na maior parte, fica com o Sudeste, que não perde a oportunidade de capitalizar com aquilo que é proveitoso para a arte brasileira. Já entre nós, basta ver as enormes dificuldades relatadas pelo voluntariado que insiste em manter no âmbito dos municípios uma banda simples de música, um grupo coralista, o financiamento do artista popular, os grupos de teatro amador, e até as próprias bibliotecas públicas. Juazeiro do Norte não está à margem destes números chocantes. Mesmo a despeito de esforços notáveis, especialmente vindos do setor privado, o estímulo deve continuar a ser mantido com participações e parcerias público-privado, de modo a consolidar esta tendência de se fazer uma autêntica revolução pelas asas da cultura. A advertência é antiga: “todo artista tem que ir aonde o povo está”. Eis aí um mote que rompe com o comodismo de se manter equipamentos de elite, distantes das moradias, o que via de regra provoca o afastamento da platéia, em vista de custos adicionais pelos deslocamentos e outras facilidades não implementadas pelos programas culturais. Para mim, poderia lhes dizer, que foi um choque, quando mêses atrás, na praça do Memorial Padre Cícero, recebíamos uma grande orquestra européia, com uma delícia de programação, numa exibição pública caída do céu. Naquele dia, não obstante o custo elevado de se montar a produção (iluminação, som, camarins, etc) os desencontros correram pelos ruídos entre os poderes públicos que praticamente abortaram a apresentação. Não fizeram a divulgação necessária. Contavam-se os gatos pingados, até os moradores das redondezas. Noutro canto da cidade, a municipalidade investia na popularidade fácil de uma banda de forró, destas que não tem nada a nos oferecer. É importante fortalecer as nossas convicções sobre nossa riqueza cultural. Nem sempre percebemos. Um belo dia alguém de fora volta para nos surpreender, elegendo estas manifestações como arte de grande requinte. Falta-nos um projeto cultural para esta cidade centenária. Algo que transcende em muito a realização de eventos que levam pelos dedos das mãos o minguado dinheirinho das parcas disponibilidades que nem de longe competem com os empregos da dita infra-estrutura urbana. Ninguém pensa em cultura como condicionante da nossa própria infra-estrutura cidadã. Daí porque é melhor improvisar, para irmos empurrando com a barriga esta onda populista de fazer brincadeira com coisa séria. 
(JUANORTE 21.11.2010)
MARCOS DE UM CENTENÁRIO
Todos sabemos que por inúmeras provocações, surgidas na imprensa e noutras instâncias, ainda em 2008, a comunidade de Juazeiro do Norte começou a ouvir falar que uma data muito importante se aproximava. Não era novidade. Em tantas ocasiões foram celebrados momentos únicos do nosso desenvolvimento e este era mais um. Mas, um especialíssimo, pois nele abriríamos grandes espaços para reavaliar textos, contextos, pretextos e entrelinhas de uma história marcante. Nascia a grande campanha direta e muitas vezes por estratégia subliminar que nos levaria às comemorações do fato notório de nossa emancipação política havida em 1911. Com a repercussão, mudança de governo, até a nossa mania de deixar tudo para as últimas, a pauta de tão agigantada, foi se acumulando com um certo sentimento de que não daríamos conta. Na mudança recente de governo municipal veio a institucionalização com a qual uma comissão iniciou trabalhos acelerados para ouvir os segmentos da sociedade, colher sugestões, convocar parceiros, elaborar projetos, negociar financiamentos e estabelecer metas e cronogramas para comemorar condignamente esta data. Afinal, a complexidade não se fazia apenas porque tudo desembocava numa data. Era, por natureza, uma grande festividade, aberta emblematicamente com o centenário de nossa própria imprensa libertária, nas páginas imemoriais de O Rebate. Demos partida, ótimo começo. Depois de algum tempo começou a baixar um certo desânimo pela constatação simples de que nem tudo conspirava para o objetivos firmados. Mas, não sejamos pessimistas. Muita coisa houve desde então, aí embutido também as frustrações de que tudo isto não se faz senão com os recursos públicos que fizeram comissionados e gestores perambular pelos gabinetes e ouvir promessas de campanha, pois estávamos em ano eleitoral e o pleito celebrativo se situava exatamente na entressafra de batalhas pelos mandos estaduais e federais e o municipal que se avizinha, para depois destes cem anos. Tenho fé no que ainda virá. Nas obras que estão começando a ser realizadas, como este espaço de um marco zero. Não apenas um marco zero de requinte urbanístico, centrado na exata medida onde se iniciava a Rua Grande, mas o zero de todas as nossas páginas. Marco da casa grande de um patriarca, o brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, que plantou no primeiro e velho sítio do Joazeiro as bases desta civilização, desde 1827. Marco também de uma capelinha que abrigou um milagre tão expressivo quanto enigmático às nossas leituras atualizadas, por onde se assentariam os alicerces de uma pastoral romeira, da grande Nação de nordestinos, como ainda somos hoje, fiéis à devoção e ao trabalho. Marco de um projeto urbanístico de cidade gestada nos recuados primeiros anos do século passado, com régua e compasso de um planejamento rudimentar e mínimo que projetaria a grandeza desta, hoje, desajeitada cidade que não aprendeu lições do tempo e não se corrigiu à hora das pressões e demandas de sua gente, na ignorância e omissão de seus gestores. O centenário será grandioso, certamente, pelas adesões do sentimento de cada um que se julga responsável por este nosso estado cidadão: povo, juventude, setores produtivos, igreja, poderes públicos, imprensa. Basta um exercício: livremo-nos da banda podre que há em cada um deles, a marginália de plantão. Cada um tem a sua parte. Não espere por promessas, celebre à altura de suas convicções, por atos de dignidade assumida pelo papel legítimo de cada um. Esperar que este dia seja pleno de algo inusitado pode nos fazer ainda muito mal. Morremos um pouco com nossas próprias frustrações. O centenário está dentro de nós e por ele damos graças por viver estes instantes onde sentiremos que muito maior é a nossa força e determinação, insubmissas ao que querem ou não querem fazer por nós. 
(JUANORTE 28.11.2010)
BRIGADEIRO LEANDRO BEZERRA, 270 ANOS
O dia 5 do mês passado assinalou a passagem dos duzentos e setenta anos de nascimento de Leandro Bezerra Monteiro. A história de sua família, Bezerra de Menezes, no Cariri cearense e em duas outras regiões do Estado do Ceará (Riacho do Sangue – em torno da atual Solonópole, e na Zona Norte), em fins do século XVIII, remonta a ascendentes de origens espanholas e portuguesas. A mais antiga registrada na história é a da contribuição étnica de um núcleo familiar de pecuaristas do Reino da Galícia, norte da Espanha, no século XIII, onde aí viveu João Gonzáles Annes, nascido na localidade de Becerreá, em 1255. Hoje esta região é parte do município de Lugo, da província galega. O nome Becerra foi incorporado voluntariamente por este primeiro precursor, passando ao registro definitivo de João Gonzáles Annes Becerra. Da vocação e atividades destes primeiros membros da família releva-se a criação de gado, sendo também um grupo familiar que aos poucos ascende à nobreza e por fidelidade e atos de bravura incorpora títulos e fama de sangue guerreiro. Leandro Bezerra Monteiro descende em linha direta desta longa genealogia. Nascido em 05.11.1740, no sítio Moquém, município de Crato, ele era filho do sergipano Antonio Pinheiro Lôbo e Mendonça e da pernambucana Joana Bezerra de Menezes. Muito jovem perdeu o seu pai e continuou vivendo com sua mãe, até que se muda para Sergipe, em 1764, aí se demorando quinze anos. Neste período, Leandro recebeu a herança que cabia a si e seus irmãos, em decorrência do falecimento do avô paterno, o sargento-mor José Pinheiro Lobo. Afeiçoou-se de sua prima Rosa Josefa do Sacramento, casou e constituiu numerosa família, com os filhos: Luisa Joana Bezerra de Menezes, Pe. Antonio Pinheiro Lobo de Menezes, Simeão Teles de Menezes, Gonçalo Luiz Teles de Menezes, Joaquim Antonio Bezerra de Menezes, José Geraldo Bezerra de Menezes, Ana Maria Bezerra de Menezes, e Manuel Leandro Bezerra de Menezes. Dedicou-se por estes anos ao empreendimento que comprara à margem do Rio Vaza-Barris, o Engenho São José. Retornando ao Cariri, em 1779, foi residir no Sítio Porteiras, até falecer. Efetivamente, mesmo no século XIX, Leandro não residiu no Sítio Joazeiro, então propriedade de seu neto, o Pe. Pedro Ribeiro da Silva. Mas recebeu esta herança do seu neto, depois legada aos seus filhos, pelos anos 1840. Conforme registra Joaryvar Macedo, Leandro era “homem de preponderante atuação política, sua participação ativa na contra-revolução de 1817, quase octogenário, foi que o projetou na história política da província, sem o que talvez sua vida tivesse decorrido em tranqüila obscuridade”. Seu título de Brigadeiro, atribuído neste princípio do século XIX foi dado em razão de sua grande fidelidade à monarquia brasileira e portuguesa. É interessante observar, portanto, que o marco fundante da futura cidade de Juazeiro do Norte repousa sobre a fixação da família Bezerra de Menezes no Cariri, uma vez constituída religiosa, social e cartorialmente, e já na posse da outrora Fazenda Zoróes (Icó). Mais de perto, as terras da Fazenda Moquém-Crato, que seriam o legado da filha Joana Bezerra de Menezes e do seu marido, Antonio Pinheiro Lobo e Mendonça. O Sítio Joazeiro, cujas terras o vulgo chamaria como parte do Tabuleiro Grande, marco zero da cidade, hoje centenária, já era propriedade da família no final do século XVIII. No ato que passaria a História, em 15.09.1827, na sala de orações do Sítio, uma capela tem a sua pedra fundamental celebrada, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores. Com essa proteção e a dedicação da Família Bezerra de Menezes, o Sítio se tornaria Povoado em meados do século XIX. No começo do século XX a Família estaria presente na luta pela Emancipação, em 22.07.1911. Daí por diante, nunca mais deixou de participar do seu desenvolvimento, até os dias presentes. Uma saga ilustrada pela exuberância de vida e obra de personagens, incorporadas na História de uma civilização que já percorreu mais de duzentos e setenta anos. 
(JUANORTE 05.12.2010)
AINDA, O BRIGADEIRO
A propósito do texto desta coluna, na semana passada, acerca da memória do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, recebi atenciosa correspondência do historiador Armando Lopes Rafael. Exatamente porque, reconhecidamente, cometi alguns erros graves no relato sucinto sobre a vida deste personagem, e retorno a este espaço com os devidos reparos, especialmente para expressar-lhe, e aos leitores, as minhas desculpas pelos equívocos e para agradecer ao Armando a diligente e atenta leitura de meus modestos escritos. Ainda, assim, reforço a expressão desta gratidão por ter tido a iniciativa de reproduzir o dito texto, sem a crítica necessária, em outros espaços de blogs caririenses. Ensejou-me, deste modo, que voltasse ao assunto restabelecendo a verdade sobre alguns fatos. O primeiro deste, mesmo que tenha uma explicação pouco convincente, com base em livro de F.S.Nascimento (O Clã Bezerra de Menezes), diz respeito à data de nascimento de Leandro, que foi no dia 5 de dezembro de 1740, e não como foi dito, em 05.11.1740. Noutro momento eu dissera: “Efetivamente, mesmo no século XIX, Leandro não residiu no Sítio Joaseiro, então propriedade de seu neto, o Pe. Pedro Ribeiro da Silva”. Armando cita Denizard Macedo (in “Notas Preliminares” à 2ª edição da “Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro”, à página 19): “Recorrendo ainda às documentadas informações do Pe. Gomes, em seu trabalho citado, vê-se que, na conformidade de seu inventário ainda conservado em cartórios cratenses (...) veio a falecer (o Brigadeiro) do dia 4 para 5 de julho de 1837, quase centenário, pois contava mais de 96 anos bem vividos, tendo firmado o testamento em 20 de junho de 1837, datado do seu recente domicílio da casa-grande do Juazeiro” (grifos meus). E prossegue, Armando: “Creio que fica, assim, configurada a residência do Brigadeiro na Fazenda Tabuleiro Grande, origem de Juazeiro do Norte. Ademais é forte tradição oral que a capelinha de Nossa Senhora das Dores, "ficava ao lado da residência do Brigadeiro", como ficou eternizado nas telas da nossa querida Assunção, e fruto de pesquisas que a pintora fez - décadas atrás - entre os velhos habitantes de Juazeiro do Norte. O próprio fato de o Brigadeiro ter sido sepultado na capelinha do antigo cemitério de Juazeiro do Norte – localizado onde hoje estão residências na Av. Dr. Floro Bartolomeu, esquina com Rua Padre Cícero – comprova que Leandro Bezerra Monteiro viveu seus últimos dias na Fazenda Tabuleiro Grande, origem de Juazeiro do Norte. Amália Xavier (ver “O Padre Cícero que eu conheci”) escreveu: “nesta capela foram sepultados o Brigadeiro e sua mulher, pelo menos no local onde a mesma foi construída. Lá estava uma lousa marcando o lugar onde foram depositados os restos mortais de ambos. A lousa foi retirada para depois ser colocada na parede da capela, mas, infelizmente, desapareceu”. Ao finalizar suas observações, Armando me diz: “Considere-se ainda o que escreveu Joaryvar Macedo em artigo na Revista do Instituto do Ceará: “Transferiu-se, (o Brigadeiro Leandro) no ocaso da vida, para a casa grande do Juazeiro que lhe legara o Padre Pedro Ribeiro e cuidou da conclusão da capela erguida pelo neto”. O que comprova que quem realmente construiu a capelinha foi o velho Brigadeiro...). Creio que não existem dúvidas de que o Tabuleiro Grande foi, por algum tempo, residência do Brigadeiro, local onde ele sepultou (antes anos de falecer) também o corpo da esposa, como atestou Amália Xavier, finaliza”. Tudo isto que Armando assevera, à luz de bem estribadas leituras de pesquisas bem fundamentadas, muito nos ajuda a continuar formando um maravilhoso perfil biográfico do homenageado. Contudo, ainda não temos como certeza o local onde de fato o Brigadeiro foi sepultado, se no velho cemitério da Dr. Floro, ou se no interior da velha capelinha do Pe. Pedro. Quando Octávio Aires de Menezes desenhou a planta da povoação do Joazeiro, em 1875, havia uma capelinha no cemitério velho da futura rua do dr. Floro. Teria sido esta a capelinha fundada pelo neto do Brigadeiro?
(JUANORTE 12.12.2009)
MAIS MUSEUS
Um estudo (Museus em números) do Ibram – Instituto Brasileiro de Museus, vinculado ao Ministério da Cultura, revela que o Brasil já tem mais de 3 mil museus. O trabalho, que envolveu mais de 30 profissionais diz, pela primeira vez na história, que o Brasil conta com um estudo aprofundado sobre a quantidade e qualidade de seus museus. Um release do Ibram nos informa, preliminarmente: “O resultado deste “censo museológico” revela que o Brasil, que iniciou o século XX com 12 museus, já conta com 3.025 instituições museais mapeadas. Dessas, 1.500 responderam à pesquisa, sobre localização, acervo, caracterização física, acessibilidade, infraestrutura para o recebimento de turistas estrangeiros, funcionamento, segurança, atividades, serviços, recursos humanos e orçamento foram os aspectos investigados. A edição traz dados estatísticos comentados sobre a realidade de cada Unidade da Federação no que se refere ao quantitativo e perfil de seus museus, além de situar a realidade brasileira no cenário museológico internacional. Analisadas por uma equipe multidisciplinar, as informações colhidas trazem à tona as particularidades de caráter nacional e regional que determinam a atual configuração do setor, apontando avanços e desafios. A idéia é que a publicação seja periódica, com edições trienais, e sirva de referência para o planejamento de políticas públicas, o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao setor e a participação social. Veja a seguir alguns destaques da pesquisa: 21,1% dos municípios brasileiros possuem museus; o número de museus já ultrapassa o de teatros e de salas de cinema no País; a maior parte dos museus é pública e gratuita; a maioria das instituições tem menos de 30 anos.” Essa introdução nos coloca diante de uma das opções da chamada política pública de, por intermédio do fomento a atividades culturais, os museus cumpram funções importantes, tanto na questão da formação cultural do povo brasileiro, como noutras direções pelo desenvolvimento de destinos turísticos, como é o caso de Juazeiro do Norte. Na verdade, tímidas são as iniciativas das partes. Poder público e iniciativa privada hesitam muito nesta opção. Lembro que quando com todo o calor e entusiasmo, ainda pelos anos 80, tentávamos dinamizar o IPESC, na sua primeira fase, como núcleo pensante para formatar idéias e realizações para programas sócio-culturais em Juazeiro do Norte, o estímulo à constituição de museus aparecia como uma das primeiras iniciativas a serem sedimentadas. Idéias, acervos, oportunidades, tudo isto nos aparecia com uma clareza indisfarçável. Pensávamos na vocação artesanal, envolvendo utilitários e decorativos, ourivesaria, xilogravura, cordel, sem esquecer o que nos parecia mais imediato, no campo da história, pela exuberância de fatos e personagens, através de uma biblioteca específica, renovada, imprensa e hemeroteca, arquivo público, imagem e som, e tanta coisa mais. O fato é que a ambiência histórico-cultural de Juazeiro do Norte sempre ensejou e continua a despertar muitos caminhos explorativos de sua própria memória, de sua própria e expressiva cultura. Não falamos para adjetivá-la, popular, mas aquela que deve contribuir para a formação do cidadão, fruto de sua vivência, de seus hábitos, costumes e expressões. Neste ponto, Juazeiro do Norte é uma cidade providencial. Destino turístico e de romaria para mais de dois milhões de visitantes ao ano, isto mostra o potencial enorme para que boas idéias museais sejam muito facilmente eleitas como equipamentos dos mais visitados no país. Isto é o que se pode sentir do desempenho da modesta amostra que dispomos. Os três museus da cidade hoje podem contabilizar uma visitação anual beirando os 100 mil. Diante dos milhões que nos visitam, bem se pode ver o espaço enorme a ser trilhado para conquistar toda esta afluência. Este é o desafio: conceber equipamentos que traduzam esta nordestinidade em que estamos mergulhados. Quem sabe, deste modo fazemos mais um pouco para que, nem contra ou a favor de quem quer que seja, até por ignorância, má vontade ou interesses menores (estado, igreja, iniciativa privada, etc) nos acertemos na hora de promover o nosso desenvolvimento. Nesta hora, logo saberemos de que lado cada um de nós está. Nem precisa perguntar. 
(JUANORTE 19.12.2010)
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI
SESSÃO CURUMIM (SÍTIO MONTE, CARIRIAÇU)
A Sessão Curumim, do projeto Arte Retirante também ocorre no próximo dia 10, terça feira, às 19 horas, na Comunidade do Sítio Monte, Caririaçú, CE, o filme PONYO – UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR (Gake no eu no Ponyo, Japão, 2010, 111 min). Direção de Hayao Miyazaki. Sinopse: Sosuke é um garoto de cinco anos que mora em um penhasco, com vista para o Mar Interior. Um dia, ao brincar na praia, encontra Ponyo, uma peixinha dourada cuja cabeça está presa em um pote de geleia. Ele salva a peixinha e a coloca em um balde verde. Trata-se de amor à primeira vista, já que Sosuke promete que cuidará dela. Só que Fujimoto, que um dia foi humano e hoje é feiticeiro no fundo do mar, exige que Ponyo retorne às profundezas do oceano. Para ficar ao lado de Sosuke, Ponyo toma a decisão de tornar-se humana. 

CINE CAFÉ VOLANTE (CASA GRANDE, NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 13, sexta feira, às 19 horas, o filme OS INCRÍVEIS (The Incredibles, EUA, 2004, 123 min). Direção de Brad Bird. Sinopse: Roberto Pêra (Craig T. Nelson) já foi o maior herói do planeta, salvando vidas e combatendo o mal todos os dias sob o codinome Sr. Incrível. Porém, após salvar um homem de se suicidar, ele é processado e condenado na Justiça. Uma série de processos seguintes faz com que o Governo tenha que desembolsar uma alta quantia para pagar as indenizações, o que faz com que a opinião pública se volte contra os super-heróis. Em reconhecimento aos serviços prestados, o Governo faz a eles uma oferta: que levem suas vidas como pessoas normais, sem demonstrar que possuem superpoderes, recebendo em troca uma pensão anual. Quinze anos depois, Roberto leva uma vida pacata ao lado de sua esposa Helen (Holly Hunter), que foi a super-heroína Mulher-Elástica, e seus três filhos. Roberto agora trabalha em uma seguradora e luta para combater o tédio da vida de casado e o peso extra. Com vontade de retomar a vida de herói, ele tem a grande chance quando surge um comunicado misterioso, que o convida para uma missão secreta em uma ilha remota. 

CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na quintas feira, dia 12, às 19:30 horas, dentro da SESSÃO CINEMA NOIR, o filme UMA RUA CHAMADA PECADO (A streetcar named desire, EUA, 1951, 122 min). Direção de Elia Kazan. Sinopse: Blanche DuBois, uma mulher frágil e neurótica (Vivien Leigh), vai visitar sua irmã grávida (Kim Hunter), em Nova Orleans, em busca de um lugar que possa chamar de seu, já que, após seduzir um jovem de 17 anos, ela foi expulsa da sua cidade natal no Mississipi. Sua chegada afetará fortemente a vida da sua irmã, do seu cunhado e a sua própria vida.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na sexta feira, dia 13, às 19:30 horas, dentro da SESSÃO CINEMA NACIONAL, o filme O CANTO DA SAUDADE (Brasil, 1952, 83 min). Direção de Humberto Mauro. Sinopse: A jovem Maria Fausta está apaixonada por João do Carmo, mas seu padrinho, o Coronel Januário, já arranjou o casamento com o acordeonista Galdino. Tentando fugir do matrimônio, a garota encontra um esconderijo para partir com João do Carmo, mas o casal é logo descoberto por Galdino. Embora o casamento seja inevitável, na hora da cerimônia, Galdino desaparece, triste por descobrir que não é amado por Maria Fausta.
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 14, sábado, às 17:30 horas, o filme CACHÊ (Caché, Alemanha/Austria/França/Itália, 2005, 117 min). Direção de Michael Haneke. Sinopse: Georges, um apresentador de um programa literário de TV, recebe um pacote contendo vídeos dele com sua família – feita secretamente na rua - e desenhos alarmantes cujos significados são obscuros. .
A SEMANA NA HISTÓRIA DE JUAZEIRO (VIII)
Estamos continuando a publicação de efemérides da história de Juazeiro do Norte, agora em sua segunda edição, referente aos dias 08 a 14 de Julho.
08 de Julho de 1945: Fundação em Juazeiro do Norte da Sociedade São Francisco das Chagas do Hospital Maternidade São Lucas, sob a direção do médico Dr. Mário Malzoni.
09 de Julho de 1897: Pe. Cícero envia de Salgueiro um telegrama ao Cônego Antonio Fernandes Távora em Roma (Via Portughesi, 2): Apelamos Papa infalível Telegrafei Mons. Bessa Amor de Deus, paz religiosa milhares almas obtenha por pedra serpente, pão e peixe. Responda telegrama
Ass. Pe. Cícero (Efemérides, Irineu Pinheiro, p. 169). A resposta do Pe. Távora foi nos seguintes termos: “Sem a sua presença o recurso é impossível. (Obs.: Essa correspondência é parte da justificativa que levou o Pe. Cícero a viajar para Roma para se defender perante o Santo Ofício)
10 de Julho de 1910: Segundo o advogado José Ferreira de Menezes, natural de Juazeiro do Norte, amigo do Pe. Cícero e de Dr. Floro, “Um dos principais encontros de políticos de Juazeiro, verificou-se no dia 10 de julho de 1910, na loja de Manoel Vitorino da Silva. Ali foi decidido organizar um comício para o dia 15 de agosto partindo do Colégio de José Marrocos. A morte repentina daquele professor, no dia 14 de agosto transformou o comício em Funerais”.
11 de Julho de 1914: A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, sob a presidência do Dr. Floro Bartholomeu da Costa, autorizou o Governo a realizar as operações de crédito para indenizar as despesas ocorridas com a Revolução de Juazeiro. Nos Anais da Assembléia, um registro sob o número 11, encontra-se: “A Assembleia Legislativa do Ceará decreta: Artigo 1º - Fica o Presidente do estado, autorizado a realizar as necessárias operações de Crédito até o máximo de 400 contos de réis, para o fim de indenizar, aos respectivos donos, o fornecimento de gado, gêneros alimentícios e outras mercadorias, feito as forças que operaram no último movimento, que restabeleceu a ordem constitucional no Estado; 1º A indenização se fará em vista das requisições feitas pelo Presidente da Assembleia Legislativa, então reunida em Juazeiro, na qualidade de substituto em exercício do Presidente do Estado. 2º O governo expedirá instruções para a execução da Lei. Artigo 2º - Revogam-se as disposições em contrário. Sala das sessões da Assembleia Legislativa, 11 de julho de 1914. Assinaturas dos 12 deputados na ordem seguinte: Ass. 1º Manoel Sátiro, 2º Leonel Chaves, 3º Emílio Gomes, 4º Armando Monteiro, 5º Lourenço Arruda, 6º Cesário Arruda, 7º Pe. Máximo Feitosa, 8º Alfredo Dutra, 9º Tibúrcio Gonçalves, 10º Pompeu Costa Lima, 11º Edgard Borges, 12º Pedro Silvino de Alencar. O Presidente Benjamim Barroso vetou a Lei. Dr. Floro Presidente da Assembleia, fez passar por 2 terços, convertendo em Lei. Deu-se o primeiro atrito entre o presidente do Estado e a Câmara. A luta seria inevitável se as conveniências do Partido não tivessem levado o Presidente a reconhecer a dívida depois da Assembleia reformar o Projeto, concluindo que seriam pagos em prestações anuais de 50 contos de réis, acrescidos dos juros equivalentes. 
12 de Julho de 1893: O Pe. Vicente Sóter de Alencar, responde a carta de D. Joaquim, datada de 17 de maio de 1893. Iniciou a carta agradecendo ao Sr. Bispo o atendimento de seus pedidos oficiais. Prossegue a mesma carta dizendo não lhe ser possível responder o questionário, pelo Sr. Bispo apresentado acerca do que aconteceu em Barbalha por ocasião da comunhão dada à beata Solidade, respondeu repito, “não lhe ser possível dar, com toda minudência exigida, porque não testemunhei o fato desde o início, conforme já lhe havia informado, na 1ª carta sobre o mesmo assunto”. Explicou que as perguntas sobre a atitude da beata no caso em apreço “somente ela poderia responder”. Disse mais o que aqui vai transcrito: “Os objetos de que ela se servia estavam todos ao seu alcance, pois pela intimidade que ela, a beata, tem com minha mãe, sempre tem em mão qualquer coisa que necessitasse em sua residência. Meus familiares passaram com ela a noite em vigília, enquanto durou o fenômeno extraordinário, não a deixando sozinha nem um instante; enquanto as testemunhas, quase todas de minha família, na verdade, nunca viram sua palavra de honra e de consciência posta em dúvida. “Se não são ricos, tem contudo, sua representação social e jamais consentiram que se duvide do seu crédito e de sua honra. Uma das testemunhas foi o meu irmão, Antonio Augusto de Alencar, que examinou com uma lente e viu o sangue saindo da sagrada partícula, levantando borbulhas como um sangue vivo. Não comunicaram ao vigário da Freguesia porque eu recomendei a todos que guardassem reserva para evitar qualquer ajuntamento de povo ou qualquer outra inconveniência ou indiscrição”. Quanto aos objetos que foram pedidos, para entregar ao Vigário do Crato, o Pe. Vicente Sóter, informou “que já havia entregue ao Pe. Cícero, mesmo sem ter purificado os panos ensanguentados”. Termina e Ass. Pe. Vicente Sóter de Alencar
13 de Julho de 1976: Nesta data foram iniciados os trabalhos de asfaltamento das ruas da cidade de Juazeiro do Norte, pela Construtora Andes. O entorno da Praça Pe. Cícero foram as primeiras vias a receber a camada asfáltica que foi inaugurada no dia 22, “Dia do Município”. No mesmo dia, com a presença do Secretário da Fazenda, general Assis Bezerra, foi aberto o Seminário de Aperfeiçoamento Fazendário, reunindo os Delegados da Fazenda das Regiões Administrativas de Juazeiro do Norte e Crato, além de mais de 30 agentes fazendários do Cariri.
14 de Julho de 1852: Faleceu em Cabrobó – PE, onde era Vigário Colado, o Padre José Alexandre Arnaud Bezerra de Menezes, filho de Semeão Teles de Menezes e Joaquina Marreiros Arnaud. O Pe. Alexandre era neto do Brigadeiro, Leandro Bezerra Monteiro, e como Seminarista assistiu o lançamento da pedra fundamental da Capelinha de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro, em 15.09.1827. Em 1838, era Vigário em Missão Velha. 
ESTUDOS ACADÊMICOS (V)
Estamos continuando a publicação de informações sobre a produção acadêmica enfocando problemas educacionais, culturais, religiosos e econômicos da cidade de Juazeiro do Norte. Desejamos dar um pouco mais divulgação sobre essas relevantes contribuições para nosso desenvolvimento.
Título: A Saga de Lampião pelos Caminhos Discursivos do Cinema Brasileiro; Autoria: Matheus José Pessoa de Andrade; Dissertação de Mestrado, 2007; Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Resumo: Com base na perspectiva francesa de Análise do Discurso, o presente trabalho trata do texto fílmico como materialidade – verbal e imagética – sobre a qual os processos discursivos atuam movendo sentidos. Neste processo, aborda-se o discurso do cinema brasileiro sobre o cangaço e seu legítimo representando: o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Assim, o trabalho consiste em analisar os aspectos discursivos da reutilização das imagens originais do Capitão Virgulino e seu bando no filme Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, datado em 1996. As imagens documentais são do filme Lampião, o Rei do Cangaço, realizadas por Benjamin Abrahão, em 1936. O remanejamento de tal materialidade para outro texto fílmico, consequentemente, implica na rearticulação de sentidos diversos devido à nova condição histórica e enunciativa das únicas imagens de Lampião, refletindo, diretamente, em efeitos de sentido pelo jogo discursivo em questão e na reconstrução discursiva, no cinema brasileiro, do autêntico Rei do Cangaço.
Título: O Impacto da Judicialização de Delitos Provenientes da Violência Doméstica Contra a Mulher após a Vigência da Lei Maria da Penha, no Cariri Cearense; Autoria: Antonia Cileide de Araújo; Dissertação de Mestrado, 2017; Instituição: Universidade de Santa Cruz do Sul, RS (UNISC); Resumo: A presente investigação objetiva verificar o impacto da Lei Maria da Penha, enquanto política pública de inclusão social, no enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher no Cariri. A pesquisa foi realizada em três dos municípios: Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, adotando como recorte o período de 2008 a 2015. A problemática da pesquisa configura-se na necessidade de compreender a percepção da judicialização dos delitos provenientes da violência contra a mulher no Cariri, como decorrência do impacto da Lei Maria da Penha. Para tanto se fez inicialmente uma discussão sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher, a partir de três enfoques: violência de gênero, violação de Direitos Humanos e o estudo da evolução do Direito da mulher na legislação Constitucional e Civil no Brasil. Enfoca as matrizes culturais que formataram os papéis sociais da desigualdade entre homem e mulher - Igreja, família, mundo do trabalho e Estado, através das leis – como estruturante da violência contra a mulher. Aborda a violação de Direitos Humanos no contexto da contemporaneidade, utilizando-se como fonte os principais documentos internacionais de Direitos Humanos e de proteção aos direitos da mulher. Na análise do processo de evolução do direito da mulher na legislação constitucional e civil no Brasil, percorreu-se desde a luta pelo voto no início dos anos de 1930, as conquistas albergadas na Constituição Federal de 1988. Na sequência, fez-se uma síntese sobre Políticas Públicas no Brasil, enfocando a conceituação, historicidade e as principais políticas públicas de inclusão social da mulher levadas a efeito pelo Estado Brasileiro. Enfatizou-se o estudo da Lei 11.340/2016, abordando inicialmente o caso Maria da Penha no âmbito internacional, seguindo da análise da Lei na perspectiva do enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. O impacto dessa Lei no enfrentamento da violência contra a mulher no Cariri foi estudado através da análise dos movimentos sociais das mulheres e das ações e mecanismos implementados nas três cidades para o enfrentamento da questão e do panorama da judicialização dos delitos provenientes da violência doméstica e familiar contra a mulher, com base nos dados do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Juazeiro do Norte. Demonstra-se que a partir da vigência da Lei Maria da Penha ocorreu um aumento significativo na notificação dos casos na região. Adotou-se como método de investigação o hipotético dedutivo e o procedimento analítico. Como técnica para coleta de dados fez-se pesquisa bibliográfica e documental: relatórios, inquéritos e processos.
Título: Mulheres Letradas e Missionárias da Luz: Formação da Professora nas Escolas Normais Rurais do Ceará – 1930 – 1960; Autoria: Fátima Maria Leitão Araújo; Tese de Doutorado; Instituição: Universidade Federal do Ceará (UFC), 2006; Resumo: A presente tese tem por objeto o estudo da proposta de formação docente das escolas normais rurais do Ceará em idos de 1930 a 1960. Propõe responder aos questionamentos acerca da compatibilização entre o ideal preconizado pelos discursos e documentos oficiais e o perfil de professora produzido na prática cotidiana da sala de aula. Os caminhos percorridos a partir da pesquisa, leva a que se entenda a proposta de formação docente das escolas normais rurais do Ceará, analisando a sua inserção no contexto sociopolítico e ideológico do Ceará/Brasil pós-1930 (Era Vargas), além de compreender o significado do projeto escola normal rural na definição de um perfil ideal de educadora para o meio rural. Dessa forma, analisam-se as idéias, experiências, práticas, representações e o lugar reservado às professoras ruralistas naqueles efervescentes anos das primeiras décadas do século XX. A escrita ora apresentada é fruto da persistente busca dos vestígios deixados e dos relatos expressos pelas personagens que fizeram parte da trama cotidiana de histórias que se cruzam, na consecução de idéias e práticas vividas no âmbito da educação escolar daqueles idos. As fontes utilizadas foram de várias naturezas, tais quais: oral, relatórios, arquivos escolares e particulares, documentos oficiais, discursos de autoridades políticas e intelectuais, diretores, professores e ex alunas, monografias de conclusão de curso, fotografias e fonte hemerográfica. Em tal percurso teórico-metodológico, destaquei a oralidade como importante fonte da pesquisa., haja vista a tentativa de efetivar a (re)construção histórica numa perspectiva da “história vista de baixo”, dando voz às pessoas que tiveram papel central no projeto escolar encetado pelas escolas normais rurais do Ceará. Assim, coloca-se no cerne da história educacional cearense de meados do século XX, a mulher, ou seja, a professora rural, a educadora e missionária que assumiria a árdua tarefa de iluminar o sertão via luz da instrução primária.
Título: Os Novos Espaços Produtivos: Relações Sociais e Vida Econômica no Cariri Cearense; Autoria: Iara Maria de Araújo; Tese de Doutorado; Instituição: Universidade Federal do Ceará, 2006; Resumo: Este estudo analisa a formação de um “novo espaço produtivo”, localizado no Cariri, cearense, definido como um arranjo produtivo local. No ano de 1996, uma grande unidade industrial, juntamente com outros setores da cadeia produtiva calçadista instalaram - se no local. Essa iniciativa fez parte da política industrial do programa de sucessivos governos do Estado do Ceará, que atrai empreendimentos industriais por meio de incentivos fiscais e aproveitamento de espaços regionais. Na definição do arranjo produtivo local aqui empreendida, buscou-se compreender como as influências da nova ordem produtiva se fundem nas teias de relações já estabelecidas, suas implicações e os processos sociais daí decorrentes. Referida definição se baseia na argumentação de que esse novo espaço produtivo não é o resultado da simples invasão de empresas. O arranjo tem marcas e características de uma produção constituída historicamente — e não de uma experiência brusca — decorrente de inúmeras tramas derivadas do entrelaçamento de antigas vivências locais com novas influências globais. O viés das redes sociais permitiu compreender a construção social do arranjo, perceber como as relações sociais entre os atores e a vida econômica se entrelaçam no ambiente produtivo, mediando as trocas. Este apresenta uma capacitação local incorporada nos indivíduos, fruto de uma difusão por meio de relações pessoais e familiares. Essa prática urdiu um ambiente socioprodutivo que sustenta um conhecimento tácito no lugar. Observa-se que as articulações estabelecidas pelos produtores locais são decisivas para a visibilidade e dinamismo do arranjo, embora a entrada das empresas de fora tenha sido um fator importante pelo crescimento do número da produção e entrada de novas tecnologias. Os recursos culturais e simbólicos, assim como as formas encontradas de inserção na nova economia mediante a ampliação do círculo de relações no âmbito político, econômico e social, engendraram o processo produtivo atual no lugar. As mudanças ocorreram num jogo de forças fundadas em mudanças e permanências, nas tramas da tradição e da modernização, na imbricação da preservação e reinvenção. 
Título: Religiosidade e questões sociais em Juazeiro do Norte; Autoria: Maria de Fátima Figueiredo Barbosa; Dissertação de Mestrado, 2008; Instituição: Universidade Estadual do Ceará (UECE); Resumo: O presente trabalho de pesquisa, cujo título é Religiosidade e Questões Sociais em Juazeiro do Norte, fundamentou-se em uma pesquisa bibliográfica e de entrevistas com sujeitos diversos (romeiros, historiadores, gestores do governo municipal e lideranças locais), busca refletir como a questão da religiosidade em Juazeiro do Norte, através da devoção dos romeiros a Padre Cícero interfere na conduta política dos governantes do município e no seu próprio desenvolvimento. Objetivando o alcance desta proposta o estudo possui três capítulos, além da introdução e da conclusão. Inicialmente, apresenta-se a religiosidade a partir de enfoque teóricos, expondo seus principais conceitos, abordagens e o conteúdo político inserido nesse contexto. Em seguida expõem-se as romarias como foco das políticas públicas, abordando-as a partir de suas questões sociais, além disso analisa o comportamento e a fé dos romeiros sobre o prisma da assistência social e o impacto socioeconômico das romarias para Juazeiro do Norte, identificando as principais fontes de geração de renda e principais setores beneficiados. O terceiro capítulo as romarias são apresentadas a partir de sua origem e evolução, expondo sua história e o significado para o povo, principalmente no cenário de Juazeiro do Norte. Para tanto, é primordial analisar a importância de Padre Cícero para os romeiros e para a cidade de Juazeiro do Norte, a partir da construção da imagem de um santo. Ao final, a pesquisa evidenciou certo dinamismo na cidade por parte do governo para dar um melhor suporte e comodidade aos devotos ao mesmo tempo em que torna claro o desenvolvimento de Juazeiro do Norte a partir da atuação de Padre Cícero e após a crença dos que acreditam em seu poder milagroso.
CORDELTECA DO SESC TIJUCA
O Sesc Tijuca, no Rio de Janeiro, abriu no dia 15 de junho, a exposição “Cordel e Cantadores - Brasil, a República do Cordel”, em evento que integra as celebrações pelos 100 anos de falecimento do poeta Leandro Gomes de Barros (1865-1918), considerado um dos patronos da literatura de cordel, o primeiro a montar uma estratégia de distribuição nacional. Na cerimônia de abertura, o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão receberá do presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), Gonçalo Ferreira da Silva, a medalha Leandro Gomes de Barros. A mostra apresenta a história do cordel e da arte de xilogravura, dois importantes destaques da cultura nordestina. O público terá acesso a uma coleção com cordéis de Leandro Gomes de Barros. Também estará em exibição uma coleção de cordéis comemorativos do Centenário de Juazeiro do Norte (2011), município fundado por Padre Cícero, um dos maiores incentivadores do cordel e das expressões culturais e artísticas nordestinas. Estampas obtidas através da xilogravura para capas e ilustrações de cordéis, assim como xilogravuras em alto relevo sobre madeira, também estão entre os destaques. Um boneco com a imagem de Leandro Gomes de Barros, confeccionado pelo artista plástico Pedro Ferreira, dará as boas-vindas aos visitantes. Uma barraca de praça, onde tradicionalmente os cordéis são vendidos em cidades do nordeste e em feiras típicas do Sudeste, compõe a ambientação da exposição, que contará ainda com imagens de Padre Cícero em borracha reciclada, uma alusão ao engajamento do sacerdote cearense às causas ambientais. A abertura da exposição marca também a inauguração da Cordelteca do Sesc Tijuca, que ganhou o nome do presidente da ABLC: Gonçalo Ferreira da Silva. Trata-se da 27ª cordelteca chancelada pela academia no país, a quarta no Estado do Rio. O espaço, que fica dentro da biblioteca da unidade, é inaugurado em um momento importante para essa manifestação artística: a literatura de cordel está prestes a ser reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Imaterial Brasileiro. Para celebrar a abertura da exposição e da cordelteca, o cantor Junu, idealizador da festa e do bloco Terreirada Cearense, apresenta show com repertório de canções com ritmos nordestinos, como baião, xaxado, samba, xote, ciranda, marcha, cabaçal e coco. Haverá também apresentação de cordelistas do Rio e de São Paulo. Entre as personalidades que confirmaram presença estão o cantor e compositor Moraes Moreira e o poeta Mestre Egídio, de Juazeiro do Norte. A exposição “Cordel e Cantadores - Brasil, a República do Cordel” fica em exibição no Sesc Tijuca até o dia 17 de agosto. Depois, parte para o Sesc Campos, no Norte do estado, onde fica entre 5 de setembro e 31 de outubro. O Sesc Nova Iguaçu recebe a mostra de 10 de novembro a 30 de dezembro. 
ARTESANATO E FOLCLORE DO CARIRI (CAMPOS, RJ)
O Sesc de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, abriu dia 13, pp. a exposição “Artesanato e Folclore”, com peças exclusivas do Cariri, região do Ceará que engloba os municípios de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. Além do artesanato produzido na região, a mostra apresenta peças alusivas a personalidades importantes para a história, a cultura e o folclore local. Após a abertura, a Orquestra Sanfônica do Rio, liderada pelo sanfoneiro Marcelo Caldi, faz apresentação gratuita às 20h. Padre Cícero (1844-1934) e Maria de Araújo (1862-1914) estarão representados por dois grandes bonecos. Assinados pelo artista plástico Pedro Ferreira, as obras têm cabeças e mãos de barro sustentadas por armação de madeira e ferro recobertos por tecidos. O líder religioso nascido em Crato teve enorme influência social e política no sertão cearense e em todo o Nordeste. Nascida em Juazeiro do Norte, Maria Araújo era artesã e ensinava o ofício a crianças. Outra peça remete a uma figura icônica da música brasileira. Um manequim lembrará Luiz Gonzaga, que eternizou o traje usado por vaqueiros da região e que hoje representa a figura do cantador nordestino. A obra foi confeccionada por Expedito Seleiro, artesão do sertão cearense reconhecido nacionalmente pelo seu trabalho com couro, ofício herdado de seu pai, que calçou Lampião. O Sesc traz a Campos também um pouco do Geopark Araripe. Localizado no sul do Ceará, é o primeiro geopark das Américas reconhecido pela Unesco. Além de 10 quadros do meio ambiente, serão expostas réplicas de fósseis encontrados na região confeccionadas em Pedra Cariri. As peças são elaboradas pelos artesãos Graça e pela Família do Ateliê Pedra Sobre Pedra, do município de Nova Olinda. Também são destaque na mostra as bonecas de pano produzidas pelo Grupo Bonequeiras do Pé de Manga, os bonecos de areia e jornal, assinados pelo artesão Wilton, além das tradicionais miniaturas de Padre Cícero, do Centro de Arte e Cultura Mestre Noza. A exposição “Artesanato e Folclore” tem entrada gratuita e fica em exibição no Sesc Campos até o dia 12 de agosto.
SEBRAE/SC E O TURISMO RELIGIOSO
Dado interessante revelado por relatório sobre Turismo Religioso produzido pelo Sebrae Santa Catarina, através de seu Serviço de Inteligência Setorial, com base em pesquisa do Ministério do Turismo: Aparecida do Norte, em São Paulo, o principal destino do segmento no Brasil, atrai anualmente cerca de 10 milhões de turistas. É mais do que recebem, no mesmo período, outros famosos destinos religiosos internacionais: no Vaticano, são cerca de 6 milhões de turistas; em Israel, foram 3,5 milhões de pessoas visitando a Terra Santa em 2017. Segundo o levantamento, o Brasil tem mais de 300 destinos de turismo religioso, que geram mais de 20 milhões de viagens por ano. Grande parte dessas atrações são cristãs, mas há outras como budistas, espíritas, do candomblé. Regiões que apresentam um forte potencial de turismo religioso são Juazeiro do Norte (CE), terra de Padre Cícero, e a pequena Nova Trento, em Santa Catarina, onde está o santuário dedicado a Santa Paulina, que recebe anualmente em torno de 840 mil visitantes, especialmente em outubro, mês da comemoração da beatificação de Madre Paulina (Amabile Lucia Visintaine) e em maio, quando se celebra a canonização de Santa Paulina pelo papa João Paulo II. O Sebrae/SC considera que, além da busca por igrejas, templos, roteiros e monumentos históricos, o turismo religioso movimenta a economia local, como hotéis, pousadas, restaurantes e lojas de suvenires, entre outros estabelecimentos – principalmente em datas como Páscoa e Natal. E chama a atenção de operadores de turismo e agentes de viagens sobre o potencial do segmento, que registra no Brasil perto de 18 milhões de viajantes. O essencial, segundo o relatório, é o profissional do turismo conhecer a religião com a qual se propõe trabalhar e ter sensibilidade em oferecer o produto/serviço certo para a pessoa certa: no período da quaresma que antecede a Páscoa, para os católicos, restaurantes não podem deixar de oferecer peixes e frutos do mar, por exemplo. E recomenda: fiquem por dentro de todas as datas e comemorações religiosas de sua região. Assim, é possível traçar estratégias para receber esse público e se planejar com antecedência se diferenciando da concorrência.
LOJA DO MESTRE NOZA NO SHOPPING
Loja do Centro de Artesanato Mestre Noza já está funcionando no Shopping. Essa foi uma iniciativa muito importante para divulgar ainda mais os valores artísticos do nosso artesanato entre escultura, xilogravura, e literatura de cordel. Essa é uma iniciativa conjunta da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social e a Central de Artesanato do Ceará (CEART), por articulação da primeira dama do Estado, sra. Onélia Leite. O artesanato de Juazeiro do Norte e do Cariri bem merece este prestígio. Espera-se que isto não seja apenas enquanto dura a reforma das instalações do Centro Mestre Noza, na Rua São Luiz. Segundo a imprensa, “a reforma está sendo realizada com recursos da ordem de R$ 241.371,24, e contempla a instalação de um Café Cultural e uma área de convivência para os artistas e visitantes. Os locais onde os artistas realizam suas criações passarão por readequações para que possam oferecer segurança e conforto aos trabalhadores. Também será criado um ambiente adequado para o armazenamento da matéria-prima utilizada pelos artesãos, bem como para armazenar os produtos criados.”
30 ANOS DO MEMORIAL 
Ainda este ano estará sendo celebrado o aniversário de 30 anos da Fundação Memorial Padre Cícero. Para esse evento, a sua direção está, dentre outras iniciativas, preparando uma publicação contando a trajetória da instituição, bem como a realização de uma exposição sob o título “Sob as bênçãos do Padim: Memorial Padre Cícero e outras histórias”. O Memorial Padre Cícero foi inaugurado no dia 22 de julho de 1988, na administração do Prefeito Manoel Salviano Sobrinho. Seu projeto de arquitetura foi assinado por Jorge de Souza, da SERGEN Serviços Gerais de Construção (Rio de Janeiro) e levou 18 meses para ser executado. De acordo com Abraão Batista, o seu edifício lembra uma “enorme tartaruga de concreto, armado e estilizado, simbolizando longevidade, eternidade e felicidade”, com uma área total de 25 mil m². A entidade mantenedora do Memorial, a Fundação Juazeiro do Norte, foi criada quase um ano depois, por Lei Municipal nº 1439, de 9 de maio de 1989. Posteriormente, em 20 de março de 1993, recebeu a denominação atual: Fundação Memorial Padre Cícero. Pela instituição já passaram vários diretores nesses quase 30 anos de sua existência: Liz Bezerra Batista, José Bendimar de Lima, Geraldo Menezes Barbosa, João Batista Menezes Barbosa, Antonio Renato Soares de Casimiro, Maria do Carmo Ferreira da Costa, Marcelo Henrique Fraga Rodrigues, Cícero Ricardo Ferreira Lima, Altamiro Pereira Xavier Júnior, Antônio Chessman Alencar Ribeiro, Maria Solange Cruz e Cristina Rodrigues Holanda, sua atual diretora. Um fato relevante para a sua importância, uma vez que abriga um Museu, é que este equipamento está entre os 10 mais visitados no Brasil, de acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Museus. (IBRAM), do Ministério da Cultura.
MESTRES DA CULTURA (I)
Em 2004, através de um Edital da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará, foi criado o Programa Mestres da Cultura, cujo objetivo primordial era homenagear os chamados tesouros vivos da cultura do Ceará, exatamente aqueles que, através das mais distintas manifestações culturais e populares, tinham prestado um amplo serviço à comunidade por “ produzir, conservar e transmitir a cultura popular. Desde então e a cada ano, o Estado tem sido fiel ao relevo público desses artistas, premiando-os a cada ano. Apenas por curiosidade, transcrevemos aqui a longa lista desses agraciados, dentre os quais muitos juazeirenses notáveis. 
Francisco Pedrosa De Souza (Mestre Panteca) (Sobral) († 2006)
Joaquim Mulato De Sousa (Mestre Joaquim Mulato) († 2009) (Barbalha)
Joaquim Pessoa Araújo (Mestre Juca Do Balaio) († 2006 (Pacatuba))
José Aldenir Aguiar (Mestre Aldenir) (Crato)
Lúcia Rodrigues Da Silva (Mestra Lúcia Pequeno) (Limoeiro Do Norte)
Manoel Antônio Da Silva (Mestre Bigode) († 2017) (Juazeiro Do Norte)
Maria De Lourdes Cândido Monteiro (Mestra Maria Cândido) (Juazeiro Do Norte)
Maria Margarida Da Conceição (Mestra Margarida Guerreiro) (Juazeiro Do Norte)
Miguel Francisco Da Rocha (Mestre Miguel) (†) (Juazeiro Do Norte)
Raimundo José Da Silva (Mestre Raimundo Aniceto) (Crato)
Raimundo Zacarias (Mestre Doca Zacarias) (Milagres)
Walderêdo Gonçalves De Oliveira (Mestre Walderêdo) († 1967) (Crato)
Antônio Batista Da Silva (Mestre Piauí) (Quixeramobim)
Antônio Rodrigues Trajano (Mestre Antônio Hortênsio) (Varjota)
Dina Maria Martins Lima (Mestra Dona Dina) (Canindé)
Francisca Rodrigues Ramos Do Nascimento (Mestra Dona Francisca) (Viçosa Do Ceará)
Francisco Das Chagas Da Costa (Mestre Chico) (Limoeiro Do Norte)
Gertrudes Ferreira Dos Santos (Mestra Dona Gerta) (†) Fortaleza)
José Demétrio De Araújo (Mestre Cirilo) (Crato)
José Francisco Rocha (Mestre Zé Pio) (Fortaleza)
José Pedro De Oliveira (Mestre Zé Pedro) (Barbalha)
Maria Alves De Paiva (Mestra Dona Branca) (Ipú)
Maria Edite Ferreira Meneses (Mestra Dona Edite) (São Luis Do Curu)
Zilda Eduardo Do Nascimento (Mestra Dona Zilda) (Guaramiranga)
Antônio Pinto Fernandes (Mestre Antônio) (Aurora)

Gilberto Ferreira De Araújo (Mestre Gilberto Calungueiro) (Icapuí)

João Evangelista Dos Santos (Mestre João Mocó) (†) (Granja)

Joaquim Pereira Lima (Mestre Joaquim De Cota) (†) (Assaré)

José Matias Da Silva (Mestre Zé Matias) (†) (Caririaçu)

José Pereira De Oliveira (Mestre Seu Oliveira) (†) (Aquiraz)

Joviniano Alves Feitosa (Mestre Joviniano) (†) (Crateús)

Manoel Graciano Cardoso Dos Santos (Mestre Graciano) (†) (Juazeiro Do Norte)

Maria Pereira Da Silva (Mestra Dona Tatai) (†) (Juazeiro Do Norte)

Pedro Alves Da Silva (Mestre Pedro Balaieiro) (Guaramiranga)

Sebastião Alves Lourenço (Mestre Sebastião Chicute) (†) (Capistrano)

Zulene Galdino Sousa (Mestra Zulene) (Crato)

Antônio Gomes Da Silva (Mestre Totonho) (Mauriti)

Getúlio Colares Pereira (Mestre Getúlio) (Canindé)

João Lucas Evangelista (Mestre Lucas Evangelista) (Crateús)

Maria Assunção Gonçalves (Mestra Assunção Gonçalves) († 2013) (Juazeiro Do Noerte)

Maria De Castro Firmeza (Mestra Dona Nice Firmeza) († 2013) (Fortaleza)

Maria José Inácio (Mestra Dona Maria Do Horto) (Juazeiro Do Norte)

Maria Odete Martins Uchoa (Mestra Odete Uchoa) (Canindé)

Moisés Cardoso Dos Santos (Mestre Moisés) (Trairi)

Sebastião Cosme (Mestre Sebastião Cosme) (†) (Juazeiro Do Norte)

Silvino Veras De Ávila (Mestre Vino) (†) (Irauçuba)

Terezinha Lima Dos Santos (Mestra Terezinha Lino) (Beberibe)

Vicente Chagas Gondim (Mestre Vicente Chagas) (Guaramiranga)

Ana Maria Da Conceição (Mestra Ana Maria) (Tianguá)

Espedito Veloso De Carvalho (Mestre Espedito Seleiro) (Nova Olinda)

Francisca Galdino De Oliveira (Mestra Francisquinha Félix) (Alto Santo)

Francisco Marques Do Nascimento (Mestre Cacique João Venâncio) (Itarema)

José Stênio Silva Diniz (Mestre Stênio Diniz) (Juazeiro Do Norte)

Luciano Carneiro De Lima (Mestre Luciano Carneiro) (Crato)

Luís Manoel Do Nascimento (Mestre Pajé Luís Caboclo) (Itarema)

Maria Do Carmo Menezes Morais (Mestra Mariinha Da Ló) (Paracuru)

Raimundo De Brito Silva (Mestre Seu Mundô) (†) (Juazeiro Do Norte)

GRUPOS DE 2008
Grupo De Reisado Da Comunidade De São Joaquim (Senador Pompeu)

Grupo De Reisado Dos Irmãos Discípulos De Mestre Pedro (Juazeiro Do Norte)

Antônio Luiz De Souza (Mestre Antônio Luiz) (Potengi)
Expedita Moreira Dos Santos (Mestra Dona Expedita) (Tianguá)

Francisca Ferreira Pires (Mestra Francisca) (Cascavel)

Francisco Paes De Castro (Mestre Chico Paes) (Assaré)

Francisco Vitor Lima (Mestre Netinho) (Cedro)

Joaquim Ferreira Da Silva (Mestre Joaquim Roseno) (Quixadá)

José Maurício Dos Santos (Mestre Maurício Flandeiro) (Juazeiro Do Norte)

Maria Do Carmo Reis Felício (Mestra Dona Maria Do Carmo) (†) (Alto Santo)

Severino Antonio Da Rocha (Mestre Severino) (†) (Barbalha)

GRUPOS DE 2010
Grupo De São Gonçalo Da Comunidade Do Horto (Juazeiro Do Norte)

Deoclécio Soares Diniz (Mestre Bibi) (Canindé)

Raimunda Lúcia Lopes (Mestra Dona Raimundinha) (Trairi)

GRUPOS DE 2012
Grupo De Incelências De Barbalha (Barbalha)

Grupo Pastoril Nossa Senhora De Fátima (Maracanaú)

José De Abreu Brasil (Mestre Palhaço Pimenta) (Fortaleza)

Josefa Pereira De Araújo (Mestra Dona Zefinha) (Potengi)

COLETIVIDADE DE 2013
Comunidade Da Prainha Do Canto Verde (Beberibe)

GRUPOS DE 2013
Grupo Boi Coração (Ocara)

Grupo De Reisado Nossa Senhora De Fátima (Juazeiro Do Norte)

GRUPOS DE 2015
Francisco Dias De Oliveira (Mestre Françuli) (Potengi)

Francisco Felipe Marques (Mestre Tico) (Juazeiro Do Norte)

Geraldo Ramos Freire (Mestre Geraldo Ramos) (Juazeiro Do Norte)

José Pinheiro De Morais (Mestre Deca Pinheiro) (Assaré)

Maria De Lourdes Da Conceição Alves (Mestra Cacique Pequena) (Aquiraz)

Maria Deusa E Silva Almeida (Mestra Dona Deusa) (†) (Assaré)

Maria José Costa Carvalho (Mestra Dona Mazé) (Caucaia)

Maria Quirino Da Silva (Mestra Dona Tarinha) (Cascavel)

Pedro Coelho Da Silva (Mestre Pedro Coelho) (Acopiara)

GRUPOS DE 2015

Grupo De Caretas Reisado Boi Coração (Quixadá)

Grupo Penitente Do Genezaré (Assaré)

Geraldo Amâncio (Fortaleza). 
Hugo Pereira (Majorlândia). 
Jaime Arnaldo Rodrigues (Barbalha). 
João Paulo Vieira (Meruoca). 
Zé Carneiro (Pacoti). 
Macaúba (Fortaleza). 
José Maria de Paula (Mestre Almeida) (Fortaleza). 
Mestre Zé Renato (Fortaleza).
Paulo Sales Neto (Mestre Paulão) (Fortaleza). 
Geraldo Gonçalves - In Memoriam (Assaré). 
Pedro Bandeira Pereira de Caldas (Juazeiro do Norte). 
Rita de Cássia da Cunha (Sobral). 
Mãe Zimá (Fortaleza). 
Antônio Rafael Sobrinho (Tarrafas). 
Francisca Zenilda Soares (Assaré). 
Mestre Chico Bento Calungueiro (Trairi). 
GRUPOS DE 2018
Maracatu Az de Ouro (Fortaleza)
Reisado da Família Ramos (Serra de Aratuba)
COLETIVIDADE DE 2018
Associação da Mãe das Dores e do Padre Cícero (Juazeiro do Norte)

MESTRES DA CULTURA (II)
Anualmente o Governo do Estado promove um grande evento para a entrega desta homenagem. Assim também foi em 2007, quando entre os agraciados estava a nossa inesquecível Maria Assunção Gonçalves. Por motivo plausível, quanto ao seu estado de saúde, Assunção não compareceu e o seu prêmio foi ficando, à espera de uma oportunidade para que efetivamente fosse entregue. Um dia, uma pessoa da Secretaria de Cultura me telefonou em Fortaleza e me sondou sobre a possibilidade de que eu fosse o portador, em nome do Governo do Estado, para fazer essa entrega em Juazeiro do Norte. Coincidiu que quase imediatamente eu estava vindo ao Cariri e foi exatamente nessa oportunidade em que tivemos um encontro muito prazeroso, entre amigos de Assunção e a querida artista, em sua residência. Dos vários flagrantes que fizemos para registrar esse momento, apresento esse onde estou ao seu lado, juntamente com o jornalista Luiz Carlos de Lima e a professora Candace Slater (UCLA-Berkeley). Isso foi, sem data precisa, em 2007.