sexta-feira, 21 de abril de 2017

MONSENHOR AZARIAS SOBREIRA LOBO
CENTENÁRIO DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL
Transcorre no dia de hoje, 22.04.2017, o centenário de Ordenação Sacerdotal de Mons. Azarias Sobreira Lobo. Ele foi o primeiro juazeirense a ser ordenado na então mais nova Diocese do Ceará, a Diocese de Crato. Sobre ele, há alguns anos atrás eu escrevi uma pequena memória a seu respeito que abaixo transcrevo:
HOMENAGEM AO MONSENHOR AZARIAS SOBREIRA LOBO
É da recomendação experimentada de um velho franciscano missionário que acompanhou um grupo de romeiros do Juazeiro, tempos atrás, pelas terras da Judéia, da Galiléia e da Samaria, que é muito útil, em momentos como estes que a nossa reflexão se aprofunde para que o nosso conhecimento dos fatos e da vida não sejam abordagens superficiais, de esmalte de fácil remoção. E isto é tão mais valioso quando a nossa prospecção se estriba em textos que traduzem e refletem o pensamento cristalino das idéias, ao contexto que nos permite situar as suas relações com o mundo, os pretextos que motivaram ações e reações, e as entrelinhas que freqüentemente guardam enclausuradas as razões mais convincentes de suas decisões e gestos. Os textos, de longa data, já nos permitiram conhecer do Pe. Azarias Sobreira Lobo, do seu porte, uma figura exemplar no seu ministério. Desta análise, lembraria as expressões de Luitgarde Barros quando afirma: “Filólogo, profundo conhecedor da história eclesiástica, dos costumes, do adagiário e da genealogia cearenses. Era um deslumbramento beber tanto conhecimento temperado com um bom humor irresistível, leveza de crítica dos costumes, transmitido numa linguagem escorreita, um singular conhecimento da alma humana.” O contexto de sua época, em transformação substancial, sobretudo após o Vaticano II, não alterou o seu itinerário de vida, como autêntico missionário do Cristo. Ao contrário, atualizou-o e reforçou a sua primitiva opção pelos pobres e desassistidos deste Ceará interiorano de flagrantes contrastes e injustiças. Um dia, já próximo de sua morte, escreveu: “Se, neste meu ablativo de vida, me perguntasse qual a marca que me parece mais saliente em meu espírito, eu não teria medo em responder: uma inata tendência para admirar. Não propriamente os que fizeram fortuna ou conseguiram altas posições sociais, e sim os que se impuseram pela coragem das convicções, pelo domínio de seus apetites desordenados, pela compaixão para com os injustiçados e oprimidos.” Abriu-se na vida de Azarias Sobreira o pretexto extraordinário da celebração da data centenária de ordenação de Cícero Romão Batista. A história lhe fará justiça ao mencionar a sua determinada intenção de esclarecer a opinião pública, à época, ainda muito desinformada, até em segmentos da intelectualidade, plena de preconceitos e radicada em julgamentos emocionais apressados. Nas entrelinhas de suas ações estavam as notas maiores de sua grande fidelidade ao Cristo que lhe inspirou uma vida de dedicação à Igreja. Mas, estava também o reclamo mais que patente de sua consciência que não repousava se por sua atitude, solidária ao seu bispo diocesano, em Fortaleza, ele não empunhasse o estandarte da revisão histórico-eclesial das punições que determinaram a extensa e renitente punição ao santo do Juazeiro. Para homenagear este homem, este santo homem - diríamos, este irmão do chão amado do Juazeiro, aqui estamos. Quase que nos passava despercebida a ocorrência destes seus 90 anos de opção pelo sacerdócio, vocação que ele nos diz que nasceu aos 5 anos de idade, quando desejou ser um simples padre. Que grave pecado teríamos cometido ! Felizmente, por este gesto amoroso e cordial de sua família, tão pleno de simbolismo, que entrega ao povo de Juazeiro a guarda permanente, neste Memorial Pe. Cícero, do cálice que lhe acompanhou por longos anos na celebração do Mistério, enseja-nos a oportunidade de relembrá-lo, sobretudo aos mais novos, aos que porventura nem tenham tido o privilégio de conhecê-lo. Por isto mesmo, agradecendo a delicadeza de terem me convocado para esta homenagem, permitam-me que eu possa lhes dizer um pouco mais do amigo que tive e por cujas saudades, lágrimas e apertos no coração se fizeram sentir por estes anos, em momentos como estes. Era o dia 30 de maio de 1970, um sábado. Já residindo em Fortaleza, fazia uns cinco anos. Reservei aquela tarde para satisfazer uma velha expectativa: conhecer de perto o Pe. Azarias Sobreira Lôbo, de quem acabara de ler sua mais alentada obra “O Patriarca de Juazeiro”. Na sua casa da Av. Dom Manoel, fui recebido com atenção. Essa gentileza se repetiria inúmeras vezes, até 1974, face a sua morte em 14 de junho. Daí por diante, e sempre com as queixas de Da. Messias e de Joana, a que cuidava dos serviços domésticos, fui espaçando as visitas, até que, no início de 1977, me mudei para São Paulo e não mais as visitei. Quando voltei, Da. Messias já havia falecido, a casa já era endereço comercial, até reformada, e de Joana tinha poucas notícias. Na primeira visita encontrei-o aos 76 anos. Naquele dia recebeu-me com carinho e tanta atenção que me surpreendi com tal gesto. Estava ali não só pela curiosidade pessoal, mas, também, por sugestões insistentes de amigos comuns como Amália Xavier de Oliveira, Maria Assunção Gonçalves e José Oswaldo Araújo. Identificado por estes e iniciado nas leituras da vasta literatura sobre o Pe. Cícero, o Pe. Azarias me acolheu como um dos seus mais íntimos e, a partir daí, por minha insistência e, sobretudo, com sua paciência em responder serenamente a intermináveis questionamentos, passamos a nos encontrar semanalmente, aos sábados e domingos, em sua casa. Várias vezes saímos a fazer visitas a amigos e locais. Vivíamos o ano de 1970 e o Pe. Azarias estava vivamente empenhado na reabilitação do Pe. Cícero, cem anos após a sua ordenação, no Seminário da Prainha. Azarias era, na verdade, o único sacerdote a encarar frontalmente a questão e, a partir dos escritos e do posicionamento público de seu bispo - D. José de Medeiros Delgado, firmou-se como articulador das celebrações do centenário de ordenação sacerdotal do Pe. Cícero, no âmbito da Diocese. D. Delgado havia lançado duas publicações: Juazeiro, Padre Cícero e Canindé (1968) e Padre Cícero, Mártir da Disciplina (1970). No dia 26 de janeiro de 1973, D. Delgado revelaria a mim e a profa. Luitgarde Oliveira Cavalcanti que, "quando ainda redigia o segundo texto, recebeu formalmente, por escrito, da Diocese do Crato, a única censura por este posicionamento público assumido em favor da reabilitação de Cícero". Para D. Delgado, não havia tratamento errôneo em considerar o Patriarca de Juazeiro um mártir da disciplina. Reabilitá-lo perante a Santa Sé era, no mínimo, revisar a injustiça que se cometera contra o próprio povo do Nordeste. No dia 30 de novembro de 1970, no auditório do Seminário da Prainha, com a presença do Pe. Azarias - destacado pelo depoimento que daria, realizava-se a sessão solene com a qual a Arquidiocese de Fortaleza abria um ciclo de estudos sobre o Pe. Cícero. Além de Azarias, falaram o bispo D. Delgado e o jornalista Luís Sucupira. Suas falas foram depois publicadas num folheto comemorativo. Nos meses subseqüentes, por diversas vezes, o Pe. Azarias me chamaria para participar de alguns encontros com intelectuais e amigos seus, com os quais viabilizariam o ciclo de estudos. Lembro-me de alguns: Parsifal Barroso, Raimundo Girão, Dr. Fernandes Távora, Luís Sucupira, Rachel de Queiroz, José Aurélio Câmara, Gal. Carlos Studart, Pe. Tibúrcio Grangeiro, Irmã Marciana Maria, D. Raimundo de Castro e Silva, dentre outros. No dia 6 de janeiro de 1971, na Sala de História Eclesiástica da Prainha, o Pe. Azarias reunia um pequeno grupo que ele julgava dar suporte executivo às pretensões do ciclo de estudos. Deste grupo faziam parte alguns dos já mencionados. Os propósitos iniciais eram: articulação com o Clero, com intelectuais, com Juazeiro, com a Diocese do Crato, etc. Fiquei encarregado de organizar o arquivo e de levantar informações bibliográficas, documentos e tudo mais para o desempenho da equipe. Começamos a trabalhar com um pouco de livros, jornais e documentos que estavam ao nosso alcance, e o resultado foi logo aparecendo, tal era a determinação do Pe. Azarias na coordenação dos trabalhos. No dia 11 de janeiro, durante uma destas reuniões, o Pe. Azarias me pediu que relatasse uma série de documentos que haviam sido localizados, principalmente a longa carta de Mons. Monteiro a D. Joaquim, narrando os fatos extraordinários do Joaseiro. Destes, também me lembro que faziam parte várias cartas de Pe. Quintino ao bispo D. Joaquim, dando conta do movimento de pessoas, sobretudo o Pe. Cícero, Conde Adolpho van den Brule, Floro Bartholomeu da Costa, José Xavier de Oliveira, e outros, em Juazeiro e até fora dali. Uma delas chamou a atenção de todos, pelo fato de que se seguiu à sua leitura. Era uma carta do vigário do Crato, pe. Quintino a D. Joaquim, em 01.07.1903, nos seguintes termos: "Tenho a honra de comunicar a VExe. Revma. que levei ao conhecimento do Revmo. Pe. Cícero Romão Batista o ofício de VExe. mandando suspender as obras da capela que aquelle sacerdote estava construindo perto da povoação do Joaseiro, e elle me respondeu que obedecia promptamente a VExe. suspendendo o serviço, o que e.ffectivamente fez. Deus guarde a VExe. Revma.". D. Delgado, nem bem terminei a leitura, levantou-se e indagou: ''Afinal, onde estão estes padres do Crato que não exergam que estamos tratando de um mártir da disciplina? ". O Pe. Azarias esteve sempre muito entusiasmado com o andamento dos estudos e com as reuniões que fazíamos. A mim, pessoalmente, este entusiasmo era contagiante. Guardo, anotado numa agenda, os inúmeros passos que empreendi em seu nome, entrevistando pessoas e reunindo material para as pesquisas. Lembro-me de haver entrevistado Hugo Catunda, J. de Figueiredo Filho, Pe. Antônio Gomes de Araújo, Amorim Sobreira, Otacílio Anselmo, F.S. Nascimento, Durval Aires, Amália Xavier de Oliveira, Pe. Cícero Coutinho, Raimundo Girão, Pedro Gomes de Matos, Ananias Eleutério de Figueiredo, Sebastião Marques e Pe. Helvídio Martins Maia (a revelia de Azarias, como relatarei adiante). Em 6 de março daquele ano eu estava no Rio de Janeiro e aprofundava meu conhecimento sobre a trajetória política de Floro Bartolomeu. Depois, combinei com Pe. Azarias e voltei ao Cariri, continuando as pesquisas. No dia 30 de março, ele me confidenciou, como já havia feito a Amália Xavier de Oliveira, que sua exposição de motivos ao Sr. Bispo Diocesano havia gerado um expediente para a Nunciatura, em tom de consulta, sobre a criação de uma Prelazia, em Juazeiro do Norte. Além deste município, somente Caririaçu seria englobado. A indicação do Prelado recairia sobre o Pe. Francisco Murilo de Sá Barreto. Esta seria a sua maior satisfação. Azarias queria que este procedimento significasse o retorno da velha idéia pela qual Pe. Cícero tanto lutara, como se pretendeu fazer novamente, de criar uma Diocese em Juazeiro. Quanto à idéia de Pe. Azarias / D. Delgado, nunca mais se ouviu falar, nem mesmo voltou a comentar comigo. Havia uma questão posta sobre a distância da futura Prelazia pretendida e a sede da Diocese, em Crato. Pareceu-me que este argumento, à época, teve algum peso. O ciclo de estudos prosseguia. O entusiasmo de Azarias, lotando novamente o auditório da Prainha, era grande para receber o depoimento e as reflexões de RacheI de Queiroz. Bem à sua frente acompanhei sua comoção em algumas oportunidades, recolhendo as lágrimas ao tom emocional da narrativa e à argumentação irretorquível de quem, como ele, não via outra alternativa senão a reabertura do processo em Roma, pela reabilitação do Pe. Cícero. Por fim, reconheço e lhes afirmo que seria enfadonho continuar, página a página, revendo estas anotações e fazendo estas relembranças daquele ano, particularmente tão ativas e ricas de emoções para Azarias Sobreira. Guardo-as como um preito de saudade daquele que me conferiu o imenso privilégio de ter, por tão pouco tempo, entre os que se achegaram à sua casa, à sua mesa, ao seu afeto. Inúmeras vezes me recebeu à porta com a exclamação: - Ó meu santo! No que respondia: - Mas padre, o Sr. me escuta em confissão e ainda assim me faz passar por este vexame? Acompanhei-o algumas vezes, no martírio das dores na coluna que o acometia. Usávamos um pequeno aparelho de ondas curtas às quais chegavam às suas costas por duas placas. A coluna vertebral freqüentemente impunha ao querido amigo, penas mais que suportáveis. Erguê-lo, da cadeira ou da cama, era um suplício. Para não gemer, ouvia-se o ranger dos dentes, num esforço sobre-humano. Por Juazeiro, e diante de tantas coisas imputadas ao Pe. Cícero, Azarias não mais respondeu. Considerou sempre que “O Patriarca de Juazeiro" era a sua melhor e antecipada resposta. A serenidade dos últimos anos se contrapunha à indignação dos tempos de "Um Civilizador do Cariri". Esse artigo, escrito por Pe. Antonio Gomes de Araújo na revista A Província, (Crato,1955), aparentemente nada provocaria. Mas, seu autor resolveu na tiragem de separatas do artigo e na formatação de pequeno opúsculo, inserir comentários sobre os fatos extraordinários do Joaseiro, nas expressões grosseiras de Basílio Gomes de Araújo, seu avô. Foi o suficiente. Pe. Azarias respondeu com veemência, e fez publicar o opúsculo Em Defesa de um Abolicionista (I), respondendo às acusações dirigidas à memória do professor José Joaquim Telles Marrocos. No ano seguinte, 1956, o Pe. Antonio Gomes de Araújo faz nova investida de acusações, procurando mais ainda desmistificar os fenômenos do Joaseiro e acusando ainda mais José Marrocos como o falsário e embusteiro. Neste ano o longo artigo, Apostolado do Embuste, saiu pela revista Itaytera e o seu autor fez a publicação de numerosos exemplares em opúsculo. Indignado com a atitude medíocre do historiador, Pe. Azarias escreve e publica Em Defesa de um Abolicionista (II). A polêmica continuou em bastidores por longos anos. Até a festa do cinqüentenário de Juazeiro, em 1961, foi abalada por novo e virulento artigo deste grupo de caririenses que orquestravam, intelectualmente, a destruição do Juazeiro e do Pe. Cícero. Nesses outros tempos, o "Pe. Gomes" era outro. Agora é o Pe. Helvídio Martins Maia, ex-padre, casado, reintegrado ao sacerdócio, paroquiando Pindoretama. No jornal "A Fortaleza", uns 10 artigos publicados, abriam um novo surto da mesma virulência já reconhecida, sob o título de Pretensos Milagres do Juazeiro, posteriormente editados em livro pela Vozes, em 1974. Pe. Azarias lia aquilo tudo e em silêncio sofria muito. Em duas ocasiões tentei abordar o assunto. Propus ao Pe. Azarias procurá-lo para uma conversa. Até então não tínhamos muita certeza onde a coisa ia desaguar. Não aceitou a sugestão, desaprovando a conversa. Mesmo assim, procurei o Pe. Helvídio, tendo conversado com ele em 15 de julho de 1971. Eu havia escrito alguns trabalhos no ano anterior para um jornalzinho de Juazeiro, editado por Wellington Amorim. Trabalhando com os documentos encontrados, dei o título de Pretensos Milagres do Juazeiro. Helvídio não gostou nem um pouco que tivesse usado este título e para ele o havia "roubado" de sua futura e pretensiosa obra. Naquele momento, os capítulos apresentados eram análises de documentos fotocopiados e devidamente autenticados pelo bispo D. Vicente de Paulo Araújo Matos. Eram peças do processo, sobretudo da 2ª Comissão chefiada pelo indigesto Mons. Antonio Alexandrino de Alencar. Uma semana depois de nossa conversa, comuniquei, em detalhes, tudo que havíamos tratado. Tive de amargar a completa desaprovação pela iniciativa. Ele achava, e de fato isto se confirmou, que o Pe. Helvídio era uma reedição péssima da catilinária de Pe.Antonio Gomes de Araújo, de Otacílio Anselmo e Silva, de Nertan Macedo de Alcântara, e de outros que se articularam com este intento. Na verdade, aí pelos anos 50, partiria desta gente a decisão de elaborar uma obra que acabasse de vez com o "mito", e por via de conseqüência, com o Juazeiro. O modo era um relato de uma "realidade" vista friamente através de documentos que suportariam análises exaustivas, cheias de ilações que se confrontariam, mais tarde, como equivocadas em boa parte. Mas, o propósito era este mesmo. Exatamente isto aconteceu, conforme me foi confirmado recentemente por um dos antigos articulistas da revista A Província. No número 25, que acaba de sair, com data de 2007, seu editor registra com deselegância, a propósito destas questões, a expressão “...a teimosia do Juazeiro em forçar a reabilitação e canonização do Pe. Cícero...”, exatamente ao comentar o artigo de D. Fernando. O ranço continua e é lamentável que estejamos falando da terra do Santo. Em 1971 já estávamos organizando a 2ª exposição fotográfica do Juazeiro Antigo, e o Pe. Azarias colaborava emprestando fotos e facilitando a obtenção de outras entre instituições e famílias. Levei diversas vezes ao seu conhecimento o nosso desgosto pela forma como vinha sendo tratado o patrimônio histórico de Juazeiro e o pouco caso do poder público, no que, quase me consolando, citava Siqueira Campos: À pátria nada se nega,
À pátria tudo se dá.
À pátria nada se pede,
Nem mesmo a compreensão.
Homem de profundas convicções religiosas, Pe. Azarias tinha uma fé inabalável nos desígnios da Providência. Acreditava que por tais desígnios, sua vida chegara a tanto. Lembrava sempre uma mocidade de saúde precária que não lhe projetaria aos anos 70. Suas orações diárias e o inseparável breviário, companheiro até de pequenos passeios, eram o memento sagrado da sua renovação e do sustento espiritual de sua vida. Sete padres, seus irmãos no ministério - como mencionava, mereciam um cuidado especial. Disse-me algumas vezes e guardei-lhes os nomes: Pe. Cícero Romão Batista, D. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, Pe. Vicente Sóther de Alencar, Pe. Joaquim Sóther de Alencar, Mons. Francisco Rodrigues Monteiro, Pe. Guilherme Vaessen e Pe. Plácido de Oliveira. Essa lembrança diária, em suas orações, era edificante e bem revelava seu espírito elevado, de homem de Deus. Quando foi nomeado Monsenhor, em 19 de Março de 1973, dia do padroeiro do Ceará – São José, fui cumprimentá-lo logo à saída da missa. Dizia-me que só tinha pensado mesmo em ser um bom padre, numa paroquiazinha do interior, como fora no Aracati, em Milagres e noutras paragens. Sua casa era, permanentemente, um recanto de acolhimento de gente amiga, vinda dessas diversas cidades onde residira. Ali conheci admiráveis sertanejos simples, que Azarias não se cansava de classificá-los como "Santos homens de Deus", "homens de bem" e por aí. Certamente porque deles ouvira, muitas vezes, os relatos de suas vidas que indicavam os caminhos do bem, do servir ao próximo, Gente de palavra, de fortes convicções, Gente de fibra, como era Azarias Sobreira. Quando faleceu em 14 de junho de 1974, eu estava no Cariri, e não lhe assisti nos últimos momentos como desejara sempre, vendo que o agravamento do seu estado de saúde nos levaria a este desenlace. Visitei-o uma única vez no hospital, e saí desolado. A notícia veio pelo rádio. Aconteceu e foi profundamente triste. De lá para cá, duas ou três vezes ao ano, vou ao seu túmulo onde me aguardam essas lembranças, sobretudo, as mais felizes daqueles quatro anos de amizade. Nunca duvidei que haveríamos de ter mais um santo a interceder por todos nós.
Para abrir espaço para as celebrações que desejamos realizar para lembrar essa grande figura do cleo cearense, na manhã de hoje haverá uma missa em Ação de Graças, na Basílica, às 9 horas e que será também transmitida na WebTv. Como parte das celebrações, diversas homenagens serão prestadas ao Mons. Azarias Sobreira, ao tempo em que tratamos de cataslogar a sua correspondência, bem como de tratar da iniciativa de criar o Instituto Mons. Azarias Sobreira Lobo, com o qual se pretende realizar um amplo trabalho de ação cultural e social. No Memorial Padre Cícero, em data a ser divulgada, acontecerá uma exposição sobre o homenageado, dispondo de documentos, fotografias, livros e objetos.   

BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! (76) Por Renato Casimiro
JOAZEIRO: CEM ANOS ATRÁS (1917): Recorro a uma velha publicação, o Almanak Laemmert, anuário que era editado no Rio de Janeiro, de grande conceito desde 1839, para ali encontrar preciosas informações sobre Joazeiro, no ano de 1917, então município e villa, pertencente à Comarca do Crato. Interessante observar que em data tão próxima à sua emancipação, sua superfície territorial era de 72 quilômetros quadrados (hoje temos aproximadamente 248,832km2). Revendo outras publicações, os números oscilam bastante, pois já encontramos registrados dados (confiáveis, ou não), valores de 304 (em 1945) e 219 (em 1987). Na agricultura, destacávamos com as culturas de cana de açúcar, algodão, borracha de maniçoba e também se plantava fumo. Eram considerados agricultores e lavradores: Antonio Dias Ferreira, Pe. Cícero Romão Baptista, Damião Ferreira dos Santos, Cel. Francisco Nery da Costa Morato, João Bezerra de Menezes, João Francisco Gonçalves, Joaquim Bezerra de Menezes e Nazário Furtado Landim. Os criadores, especialmente de bovinos eram: Pe. Cícero, João Bezerra, João José Moreira, Joaquim Bezerra e Joaquim Ferreira de Sá. E a população girava ao redor de 25.000 habitantes. Nossa imprensa dispunha de dois periódicos: O Recato e O Mensageiro. A repartição dos Correios & Telégrafos tinha dois encarregados: Pelúsio Correia de Macedo (telegrafista) e Generosa Bezerra de Menezes (Agente), além de dois estafetas (Pedro Belmiro de Menezes e Francisco Bastos da Silva). A Justiça Federal estava a cargo de um suplente de juiz seccional, João Duarte Pinheiro. A administração pública municipal tinha como intendente (prefeito) o Pe. Cícero Romão Baptista. A intendência dispunha de um secretário (Severino Pires de Brito), fiscais (Sebastião Marques dos Santos, pai do jornalista Lourival de Melo Marques; João Casimiro Piancó; João Cyriaco dos Santos e Quintino Alves Feitosa). O porteiro da Intendência era Leandro Bezerra de Menezes Sobrinho, mas a repartição não tinha nem procurador, nem tesoureiro. A Câmara Municipal, ou melhor, o Conselho Municipal, era presidido por Francisco da Cruz Neves, e os vereadores eram: tenente-coronel Fenelon Gonçalves Pita (pai do futuro prefeito Antonio Gonçalves Pita); tenente-coronel José Eleuthério de Figueiredo; major Raymundo Nonato de Oliveira (Natim) (bisavô do atual governador do Ceará, Camilo Sobreira de Santana); major Manoel Victorino da Silva; major Fausto da Costa Guimarães (secretário do Pe. Cícero); capitão João Bezerra de Menezes (ex-prefeito); tenente-coronel Cincinato José da Silva. A administração Judiciária estava a cargo de juízes substitutos: Pedro Fernandes Coutinho e Deomedes de Siqueira Passos; O adjunto de Promotor era Severino Pires de Brito. O Tabelião do 1º Ofício era Vicente Pereira da Silva e contava com os seguintes oficiais de justiça: Fausto Secundo de Sá e Moysés Firmino de Maria. Consta que mesmo dispondo de um distrito policial, o cargo de Delegado na administração policial estava vago. A Instrução Pública funcionava com a inspectoria de Francisco Alencar Landim, e eram professoras na época: Josepha de Alcântara Leite, Maria Luiza Landim, Angélica Soares da Silva (futura senhora Luciano Teophilo de Melo), Conceição Esmeraldo da Silva (sra. Sebastião Marques da Silva), Donata Bezerra de Araújo e Maria Christina de Castro. Na instrução particular havia os estabelecimentos do major Guilherme Moreira de Maria e de Miguel Ferreira. Na Coletoria Estadual, o titular era o coronel Francisco Nery da Costa Morato (pai de meu amigo Francisco Neri Filho) e o escrivão era Ananias Eleuthério de Figueiredo (filho de José Eleuthério e pai de Edite Viana). Consta, embora erradamente, que a Capela de Nossa Senhora das Dores estava sem titular. Na verdade, já havia a primeira paróquia, desde 21.01.1917, cujo vigário era Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves. Vejamos as atividades produtivas do município e os seus líderes, em comércio, indústria e profissões. Havia fábricas de descaroçar algodão de propriedade de Pe. Cícero Romão Baptista, Joaquim Bezerra de Menezes, Raymundo Cesário da Silva e Theodomiro Ramalho & Cia. Tinha Engenhos de açúcar e rapadura, de Abel Sobreira, Antonio Dias Ferreira, Antonio Felix, Antonio Leôncio, Pe. Cícero Romão Baptista, Cel. Francisco Nery, Hermínio Gomes, João Bezerra de Menezes, Manoel Dantas de Araújo, Ramalho & Cia., e viúva Sobreira da Cruz. Eram comerciantes de tecidos: Aristides de Andrade, Dorotheu Sobreira da Cruz, Fenelon Pita, João Baptista de Oliveira, João Victorino da Silva, Joaquim de Paulo e Silva, José Eleuthério de Figueiredo, José Ferreira de Souza, José Pereira da Silva, Ladislau de Arruda Campos, Manoel Victorino da Silva, Nazário Furtado Landim, Ramalho & Rangel e Umbelina Silva & Cia. Eram proprietários de barbearias: Antonio José de Mello, Firmino Ignácio Rodrigues, Galdino Antonio dos Santos (esse muito conhecido de minha geração, tendo conhecido ainda ativo, com seu Salão Alagoano, na Praça Pe. Cícero, antes na Rua São Pedro, depois na Rua São Francisco), José Domingos, José Gomes, José Martins, Manoel Furtado landim, Pedro Fernandes e Vicente Francisco Gonçalves. Como carpinteiros, no fabrico de móveis e serviços gerais em madeiras, eram: Antonio Felippe de Oliveira, Antonio José de Mello, João Calixto dos Santos, João Thomaz da Silva, Manoel Virginio de Oliveira, e Militão da Costa Duarte. Os ferreiros de então eram: Antonio Campos, Antonio Guerra, João Domingos, Manoel Honorato, Salviano Rodrigues e Serapião Bispo dos Reis. Os funileiros eram: Caetano Souza, João Antonio Furtado, Pedro Belmiro Maia, Pedro Fernandes Coutinho (aliás, uma peça extraordinária que ele realizou foi a maquete da Igreja do Horto, que ainda hoje se encontra no Museu Pe. Cícero, na Rua São José) e Vicente Francisco Gonçalves. Os ourives, para uma cidade que se diz que teve mais de mil, ainda eram poucos: José Gomes da Silva, Olympio Josino Oliveira, Raymundo Nunes Branco, Vicente Ferrer de Oliveira e Vicente Mattos e Silva. Pedreiros não eram muitos: Antonio Duvirge (Edwirge), Antonio Nivardo Maciel, Domingo Porphirio, José Simão, Mamede Salomão de Lima, Manoel da Costa e Simão Francisco das Chagas. Já havia algumas farmácias, como as de: Dr. Isidro Moreira S. de Oliveira, José Geraldo da Silva, José Sebastião de Carvalho e Luiz Costa e Lima. Dentre os fabricantes de calçados, os sapateiros eram: Francisco Domingos, Irineo Cabral de Oliveira, Joaquim Sobral, José Batista da Silva, José Bento, José Luiz, José Mendes, José Pinheiro, José de Sequeira brito, Mariano dos Santos e Theodoro Francisco Bezerra. O comércio de gêneros alimentícios era mais conhecido como de Secos e Molhados e eram a maioria dos estabelecimentos, das propriedades de: Alexandre Furtado Landim, Antonio Santino de Oliveira, Antonio Salu, Antonio Thimóteo dos Nascimento Flor (o pai do Pe. José Jesu Flor, e da professora Neném Flor), Artur Ramos de Vasconcelos, Aureliano Pereira da Silva (a mais típica figura de romeiro do Juazeiro, biografado por Geraldo Menezes Barbosa), Damião Pereira da Silva (mais conhecido por Damiãozinho, o que tinha a propriedade mais conhecida como Coqueiros de Damiãozinho, além da Boca das Cobras), Domingos Gomes da Silva, Fausto da Costa Guimarães, Firmino Teixeira Lima (figura que conheci com sua bodega extraordinária para a minha lembrança, na Rua São José, esquina de São Francisco), Ignácio Rodrigues, João Antonio Furtado, João Corrêa de Lima, João Francisco Gonçalves, João Leocádio da Silva, João de Moura Lima, João Paulo, João Severino Leite, José Batista da Silva, José Evangelista de Sant´Anna, José Gomes Sobrinho, Josias da Franca (esse chegou a ser delegado de polícia e o fundador do Tiro de Guerra da cidade, onde se prestava serviço militar até os anos 70), Lúcio Barbosa & Cia., Manoel Carneiro da Motta, Possidônio Silva de Almeida, Raymundo André de Sá Barreto e Pedro Cabral de Oliveira (esse, pai de Lauro Cabral de Oliveira, fotógrafo excepcional, que eu ainda conheci, vivendo seus últimos dias em Fortaleza, o homem que fotografou Lampião em Juazeiro, em 1926. Bom Dia!

BOA TARDE!
A partir dessa publicação, dou continuidade à divulgação nesta página das pequenas crônicas com as quais semanalmente estarei prestando minha modesta homenagem a gente de destaque pelo trabalho em favor de Juazeiro do Norte, independentemente se isso também receber alguma guarida em algum órgão da imprensa impressa, radiofônica, televisiva ou midiática.
254: (19.04.2017) Boa Tarde para Você, José Leite de Souza.
Seguramente, você bem sabe da enorme alegria que vários juazeirenses, como eu, Zé Leite, sentimos ao reencontrá-lo em visita costumeira a esse seu amado chão do Juazeiro, como é do seu hábito, deixando a sua Ilhéus adotiva, em gesto tão típico desses nossos conterrâneos expatriados. Uma graça, para mim, pelo menos, que de tão pouco lhe conheço, não esquecendo aquela manhã festiva em tempo de celebração do nosso primeiro centenário, quando coordenando luzida comitiva de baianos, com bispo, prefeito e gente notável, aqui aportou para abrilhantar a festa. De quebra, ainda legou ao nosso espaço urbano a merecida, embora por uns questionada, homenagem ao general Dr. Floro Bartholomeu da Costa, esse elo comum entre caririenses e baianos, traduzida pelo fincamento de um monumento em via pública, na antiga Rua Nova. Aprendi por esses seis últimos anos, José Leite, que isso é uma marca indelével de sua alegria de viver, dessa honorária condição de nosso grande embaixador que não se cansa de estar realizando alguma coisa que traduza esse entusiasmo constante pelo nosso desenvolvimento e bem estar. Então, mais uma vez, ocorre-me o dever civilizado de saudá-lo por essa mania, e desculpe-me ao fazê-lo à moda irreverente, e bem humorada, tão ao gosto de sua convivência, onde de tudo se ri um pouco e se tem sempre uma boa tirada de espírito leve e solto à margem do sisudo da vida. Revi-o por esses dias, entre a reza dominical na Basílica e o refresco da Praça Pe. Cícero, para nos trazer a lembrança desse esforço continuado pela completa reabilitação do Padre Cícero, a se realizar com gesto mais completo, pelo menos com a proclamação desse servo de Deus. Com o respeito que lhe devotamos, assimilamos a sua postura de grande insatisfação, ainda, pelo fato de que aquela carta do cardeal Pietro Parolin, em nome de Sua Santidade Francisco é ainda pouco para o nosso esperado e a exigir ainda mais da Santa Sé para uma solução da causa. A tirar por declaração dita aqui na Diocese, não se constitui novidade que o Santo Padre tenha dito que ainda deverá fazer muito mais por essa alma intranquila, à espera do que ele mesmo disse e reafirmou, de que a sua própria Igreja seria capaz de reabilitá-lo, um dia, se bem tão demorado. Mas a mansidão e a serenidade que nos deixou o Patriarca ao partir naquele 20 de Julho de 1934 parece ainda persistir no íntimo coração de seus romeiros, de modo que prevalece a esperança, muito mais que a indignação e a convulsão por desafio tão longevo às suas expectativas. Nisso, Zé Leite, ainda parece residir a grande diferença entre essas posturas, a lembrar os rótulos tão bem aplicados por Ralph della Cava, os de filhos da terra e de adventícios, aqueles mais intolerantes, esses aparentemente mais apáticos, muito mais crentes na santidade de seu santo. Fato novo, desses dias pós Quaresma, com seu testemunho ocular, presença e fala, é a iniciativa de uma frente parlamentar, gesto coordenado por políticos, no sentido de continuar a sensibilização, não se deixando de lado o que até parece ser, o de produzir uma atitude de pressão popular. Evidentemente, e bem imaginávamos, por descrença, apatia e desobediência, aí não formaria qualquer eminência eclesiástica solidária ao movimento, como se a denotar antecipado as sábias palavras da escritura, para continuar separando o que é de César e o que é de Deus. Assim segue, por braços generosos, por mentes saudáveis como essa sua, José Leite, que nos traz frequentemente lembretes impressos, distribuindo com simpatia por entre praças e ruas movimentadas, reavivando a necessária luta e renovando a esperança para se obter, seja lá como for, contanto que seja breve, para desfazer o velho nó de que um dia “Roma locuta, causa finita”.  Quero crer que por vezes ainda nos parece presentes os ranços inquisitoriais que impregnavam o clima e as emoções da época, relembrando o que figuras notáveis do clero cearense que, por incrível que pareça, não deixaram de manifestar sua descrença nos milagres, alegando que “Nosso Senhor Jesus Cristo não deixaria a Europa para operar milagre no miserável lugar do Joaseiro.”  Incrível é imaginar que uma frase dessas tenha nos trazido tanto desconforto espiritual, a ponto de realçar a nossa indignação por mais de cem anos, sem nos arrefecer a mais funda convicção. Nem eu nem você, Jose Leite de Souza, acreditamos nisso, pois se de tudo ficou uma grande lição, sem dúvida foi aquela com a qual nos convencemos que, de fato, aqui Juazeiro do Norte foi o grande milagre de Nosso Senhor Jesus Cristo e o nosso Santo Padrinho foi o seu maior servo.

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ VOLANTE (MISSÃO VELHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Missão Velha (Auditório do Centro Social Urbano, CSU), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 27, quinta feira, às 19 horas, o filme O VENCEDOR (The Fighter, EUA, 2010, 115min). Direção de David O. Russell. Sinopse: 1993. Dicky Ecklund (Christian Bale) teve seu auge ao enfrentar o campeão mundial Sugar Ray Leonard em uma luta de boxe, colocando a pequena cidade de Lowell no mapa. Até hoje ele vive desta fama, apesar de ter desperdiçado a carreira devido às drogas. Micky Ward (Mark Wahlberg), seu irmão, tenta agora a sorte no mundo do boxe, sendo treinado por Dicky e empresariado por Alice (Melissa Leo), sua mãe. Só que a família sempre o coloca em segundo plano em relação a Dicky, o que impede que Micky consiga ascender no esporte. A situação muda quando ele passa a namorar Charlene Fleming (Amy Adams), que o incentiva a deixar a influência familiar e tratar a carreira de forma mais profissional.  

CINE CAFÉ VOLANTE (FAMED, BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 28, sexta feira, às 19 horas, o filme MEU PÉ ESQUERDO (My Left Foot, Inglaterra, 1989, 103min). Direção de Jim Sheridan. Sinopse: Christy Brown nasceu em 5 de junho de 1932 e faleceu em 7 de setembro de 1981. De nacionalidade irlandesa, foi escritor, artista plástico e poeta, autor do livro que se chama My Left Foot (Meu Pé Esquerdo) e que deu origem ao filme de mesmo nome. Casou-se com sua enfermeira, Mary Car, em 5 de outubro de 1972. O filme relata as dificuldades vividas por Christy. Ele que nasceu com deficiência física e paralisia cerebral, o que lhe impedia de movimentar praticamente todo o seu corpo, exceto seu pé esquerdo. Ele conseguiu superar diversos obstáculos como o preconceito, o desrespeito, o descrédito social, além dos problemas familiares como um pai extremamente autoritário e incompreensível (Sr. Paddy), que o julgava como estorvo, uma dificuldade a mais em sua existência. Sua mãe era carinhosa (Sra. Bridget) e, com muito amor e esperança, lhe ensinou o alfabeto e motivou na busca pela superação de seus limites. Esforçou-se na economia para a compra de uma cadeira de rodas, chegando a fazer a família passar frio por falta de carvão no inverno e a se alimentar precariamente para cumprir esse objetivo. Ela confiava que ele poderia encontrar soluções pessoais para as suas eventuais dificuldades. Ao lado de seus 13 irmãos buscava incluí-lo nas atividades de recreação, tanto quanto possível. Mesmo com a atrofia de um dos membros e da paralisia cerebral, Christy, usando seu pé esquerdo, fez os seus primeiros rabiscos num pequeno quadro negro que tinha no chão de sua casa. Sua mãe conheceu a Dra. Eileen Cole, que era especialista em paralisia cerebral. Ela convidou Christy a freqüentar sua clinica na cidade de Dublin. Ele não se adaptou por ser tratado como criança. Mas resolveu aceitar a ajuda da médica que, com uso de técnica da logopedia, fez com que ele pronuncie melhor as palavras (até então só sua mãe o entedia). Com todos esses avanços ele alcançou o reconhecimento de sua família e notáveis realizações na arte e na literatura. Percorreu uma fascinante trajetória de vida, conseguindo vencer vários obstáculos com a ajuda de sua mãe e irmãos. Foi capaz de se auto-sustentar e sustentar sua família. A história de Christy é um convite à reflexão e conscientização, pois nos ajuda a compreender as dificuldades e as necessidades de quem tem algum tipo de deficiência, nos convidando ao respeito e alteridade dos deficientes.

CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 28, sexta feira, às 19 horas, o filme A VIDA É BELA (La Vita é Bella, Italia, 1997, 116min). Direção de Roberto Benigni. Sinopse: Em 1938, na região italiana da Toscânia, o simpático judeu Guido apaixona-se por Dora, um professora que está noiva de um funcionário local. Guido, porém, não desiste até ao momento do casamento de Dora que acaba por fugir, em plena cerimónia, com o seu "delicioso cavaleiro andante". Durante cinco anos vivem felizes na companhia do seu delicioso filho Giosuè até que as medidas de perseguição e detenção aos judeus são implementadas na Itália. Guido e Giosuè são deportados para um campo de concentração e Dora decide acompanhá-los. Pai e filho ficam juntos e durante todo o tempo de prisão Guido, de forma engenhosa e com o auxílio dos outros prisioneiros, convence o garoto que estão num campo de férias a jogar um longo e emocionante jogo. Guido consegue transformar cada momento de humilhação, repressão e violência em hábeis situações do suposto jogo em que o garoto vai participando divertido. Finalmente, já perto do fim, Guido morre para salvar o filho, que se reune à mãe no dia da Libertação. "A Vida é Bela" foi um dos mais estrondosos sucessos do cinema italiano dos últimos anos, que comoveu e divertiu o mundo com uma incrível história dramática contada em tom de fábula cómica sobre o Holocausto. Foi igualmente, a consagração mundial do talentoso comediante e cineasta italiano Roberto Benigni, que com este magnífico trabalho conquistaria inúmeros prémios, entre eles o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes e três Oscares da Academia de Hollywood, para ele próprio como Melhor Ator, para Melhor Filme de Língua Estrangeira e para a Melhor Banda Sonora. Apesar da polémica que suscitou ao abordar em tom de farsa a tragédia do genocídio dos judeus às mãos do Fascismo, Benigni conseguiu o prodígio de criar momentos delirantes de contagiante humor sem nunca perder quer o tom de fábula amarga quer a evocação brutal do Holocausto, em toda a sua extensão de perversidade sanguinária. Tudo isto num filme exemplarmente escrito, realizado e interpretado, dominado pela presença de Benigni que produziu um dos mais belos, divertidos e comoventes hinos de sempre à vida, à liberdade e ao amor.

CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 29, sábado, às 17:30 horas, o filme MELHOR É IMPOSSÍVEL (As Good as it Gets, EUA, 1997, 139min). Direção de James L. Brooks. Sinopse: Melvin UdalL (Jack Nicholson) é um escritor de romances de sucesso em NY. Ele é racista, homofóbico, anti-semita, e misantropo. Sofre de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), que aliado à sua misantropia, o isola de seus vizinhos e de qualquer outra pessoa em seu apartamento em Manhattan. Come todos os dias na mesma mesa do mesmo restaurante usando talheres descartáveis que ele mesmo leva consigo. Ele se interessa pela garçonete Carol Connelly (Helen Hunt), a única funcionária do restaurante que tolera seu comportamento abusivo. Um dia, um vizinho de Melvin, o artista plástico homossexual Simon Bishop (Greg Kinnear) é internado em um hospital por causa de um assalto à sua casa. Melvin é forçado a cuidar de Verdell, o cachorro de Simon. Apesar de Melvin odiar o cachorro, ele acaba criando laços de amizade com o animal à medida em que começa a ganhar mais atenção da garçonete. Suas vidas começam a se misturar a partir da volta de Simon do hospital.

BIENAL DO LIVRO
Nesse fim de semana está sendo encerrada em Fortaleza mais uma Bienal do Livro com intensa programação. De olho nos eventos incluídos na programação, constatamos uma expressiva representação caririense em discussões, palestras, mesas redondas, lançamentos de livros, etc. Isso é ótimo. São pessoas ligadas ao meio universitário, xilógrafos, cordelistas, estudantes e intelectuais. Repassando rapidamente o olho nessa programação, constatamos os seguintes eventos: 1) O lançamento de um novo livro do juazeirense Alberto Farias, com o título de Por que?; 2) 19h - Lançamento de 15 títulos da Coleção Terra Bárbara (Edições Demócrito Rocha): perfis e personalidades cearenses cujas trajetórias traduzem e compõem histórias do Ceará, como por exemplo D. Mocinha (Joana Tertulina de Jesus), além de outras reedições como Pe. Cícero e Mestre Noza; 3) Diversos lançamentos de cordéias sobre Seu Lunga; 4) Diversos lançamentos de cordéis de Hamurabi Batista, com os títulos: A história da África, A dívida pública e Mitologia indígena brasileira.

sábado, 15 de abril de 2017


COMENDA MEMÓRIAS DE JUAZEIRO: BIOGRAFIAS
Na noite do último dia 13 aconteceu no Memorial Padre Cícero a entrega da Comenda Memórias de Juazeiro, promoção anual da AFAJ – Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte. No ato solene foram homenageadas as seguintes personalidades, cujas biografias foram lidas, antecedendo a cada concessão: José da Cruz Neves (Zeca da Cruz), Maria Assunção Gonçalves e Juvêncio Joaquim de Santana.
JOSÉ DA CRUZ NEVES (ZECA DA CRUZ)
As terras desse Vale foram habitadas, primitivamente, por índios da nação Cariri. Depois veio a colonização portuguesa que entrelaçou famílias e realizou uma ação civilizadora gerando clãs expressivos e numerosos, como esse Cruz Neves. Esses sobrenomes, assim como tantos outros, não surgiram no Brasil, por uma simples razão de que foi colonizado por gente estrangeira. Estes são sobrenomes portugueses de origem cristã eram comuns nas famílias que adotavam esses sobrenomes, de origem religiosa, a fim de que os mesmos trouxessem saúde e prosperidade para toda a família. Cruz ou da Cruz, faz referência à cruz carregada por Jesus Cristo no caminho para a crucificação, prestando homenagem ao cristianismo. O sobrenome Neves está relacionada a Nossa Senhora das Neves, como forma dos antepassados desta família homenagearem a santa que era conhecida também por Santa Maria Maior. Cruz e Neves são partes que se ligam à narrativa de vida de José da Cruz Neves, que a maioria de nós já foi conhecer na maturidade, simplesmente como Zeca da Cruz. José da Cruz Neves nasceu em Milagres, no dia 17 de Julho de 1896, filho de João da Cruz Neves e de Maria Clara (Dondon) da Cruz Neves, e por eles também batizado em Milagres. Muito jovem, Zeca da Cruz foi residir em Jardim, numa propriedade rural, denominada Riachão, onde teve de uma professora primária, em apenas 5 meses, as bases do seu aprendizado entre a leitura dos primeiros textos e as quatro operações, coisas que ele, por absoluto autodidatismo soube valorizar e dinamizar para vencer os obstáculos da vida. Essa sua ligação íntima com Jardim lhe ensejaria na juventude dos seus anos a fundação de um distrito, com o nome de Vila Santos Dumont, hoje nomeado de Jardim Mirim. Para isso, ali construiu Capela, Praça e outros melhoramentos com os quais o habilitou ao desenvolvimento para ser o distrito. A genealogia de José da Cruz Neves é parte da estirpe oriunda no velho Engenho de Santa Teresa. Conforme observa Joaryvar Macedo, entre os séculos XVIII e XX no Cariri cearense ela remonta ao “casal colonizador Cap. José Pais Landim e Geralda Rabelo Duarte, de quem descente o Cap. Domingos Paes Landim que se matrimoniou com Isabel da Cruz Neves, natural de Cabrobó, filha legítima do português da cidade do Porto, sargento-mor Manuel da Cruz Neves, e da baiana de Pambu, Joana Fagundes de Sousa, filha de Manuel de Barros e Sousa, português, e de Joana Fagundes da Silveira.” Zeca da Cruz, nascido dessas linhagens, casou, pelo início dos anos 20, em primeiras núpcias com Gerturdes de Sá Barreto tendo tido o casal dois filhos: João Barreto Cruz e Rocildo Barreto Cruz. João desposou em primeiras núpcias a Otanísia Cruz e o casal teve cinco filhos: Janisa, José Otávio, João Lúcio, Epitácio e Marcelo. Em segundas núpcias com Severina Cândido Cruz, eles tiveram os filhos Rocildo, Jane e Luciana. Rocildo Barreto Cruz, o primeiro, faleceu precocemente, solteiro. Mais tarde, aos 30 anos, Zeca da Cruz casou em 1926, com Angelita Quezado Cruz, de pouco mais de 14 anos. Nasceu daí uma família numerosa, a partir dos treze filhos que tiveram, muito embora apenas sete se criaram: 1) Maria de La Salete, nascida em 1927, casou em 5 de fevereiro de 1949 com o agropecuarista Leandro Bezerra de Menezes, de cujo matrimônio nasceram: Tereza Fátima, José Arnon, José Arnaldo, Tereza Margarida, Luiz Ivan e Domingos Sávio. Salete foi muito solidária às atividades do marido, tanto no empresariado, no comércio, como na vida política e nos empreendimentos agropecuários. Em 1972 fundaram a Associação dos Carroceiros e Carregadores de Juazeiro, no quintal de sua residência. A entidade proporcionava atendimento às famílias dos associados com educação, profissionalização, assistência médica e jurídica. Ainda hoje, durante a Festa da Padroeira, tem-se a presença do tradicional e bonito cortejo da Procissão das Carroças, coordenado por Dona Salete. Merece destaque a criação, no ano 2000, da Fundação Leandro Bezerra, e de uma emissora de rádio comunitária. 2) Epitácio Quezado Cruz nasceu no povoado Santos Dumont, em Jardim, em 1928. Licenciou-se em Línguas Neolatinas pela Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, em 1953. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Ceará em 1954. Epitácio foi jornalista, procurador do Conselho de Contas dos Municípios, deputado estadual (1963-1967), secretário da Fundação Educacional Edson Queiroz, Secretário Geral da Universidade de Fortaleza (Unifor), diretor do seu Centro de Ciências Humanas e professor das disciplinas de Direito Comercial e Administrativo. Epitácio foi casado com Fernanda Diogo e tiveram 5 filhos: Diogo, Epitácio Cruz Filho, Fernando Antonio, Cláudio e Nice. 3) Erivan da Cruz Neves é natural de Barbalha, nasceu em 3 de março de 1933. Iniciou os estudos no Grupo Escolar Martiniano de Alencar. Graduou-se em Direito na Universidade do Brasil, do Rio de Janeiro. Estagiou na Procuradoria Geral da Justiça, como adjunto de Promotor, estimulando-o a ingressar no Ministério Público. Atuou na advocacia, patrocinando interesses de diversos bancos, além de empresas na área de transportes. Exerceu o magistério, na faculdade de direito da URCA. Erivan da Cruz Neves convolou primeiras núpcias com Marluce Alves e tiveram 3 filhos: Rosiane, Evane, Erivan Júnior. Em segundas núpcias, casou com Maria Aquino, e são pais de dois filhos: Dalmo e Daniel. 4) Edmilson da Cruz Neves, natural de Jardim, nasceu em 28 de junho de 1938. Bacharelou-se em Direito, pela UFC em 1961. Durante a graduação concluiu o curso de Aspirante a Oficial, no posto de 1º tenente da Infantaria. Ingressou na magistratura para a Comarca de Ipueiras, em 1966. Foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça do Ceará, em 22.09.1994. Faleceu em 15.02.2006. Edmilson da Cruz Neves casou com Marta Onofre e tiveram 5 filhos: Ana Valéria, Edmilson Júnior, Ângela Hilda, José da Cruz Neves Neto e Ana Cristina. 5) Maria Selma, nascida em 1938, e já falecida, foi casada com o industrial Ari Queiroz e tiveram 5 filhos: Yeda Maria, Maria Arilane, Célia Socorro, Carla Roberta e Ari Queiroz Júnior. 6) Eroceano, nascido em 1940, e já falecido, desposou Emília e tiveram o filho Eroceano Júnior. 7) Elmo, nascido em 1941, matrimoniou-se com Angélica Liguri e tiveram 3 filhos: Ângela, Luciana e Elmo Filho. Em Jardim Mirim, Zeca da Cruz viveu vários anos, onde exerceu atividade comercial, e tendo propriedade na qual havia engenho e até geração de energia, coisa que não se tinha ainda na sede do município, permitindo uma ligação mais efetiva com o mundo através de ondas de rádio. Com o crescimento dos filhos e a necessidade de prover-lhes estudos, foi necessário sair de Jardim Mirim em 1937, vindo para Barbalha, onde a família passou a residir no Sítio Cabeceiras. Com essa aquisição, Zeca da Cruz trabalhou intensamente por um ano, duro trabalho para o sustento da família. Quando a filha Salete veio estudar no Colégio Santa Teresa em Crato, Zeca também construiu uma morada para a família, na Rua Nelson Alencar, em Crato. Por filantropia, auxiliou financeiramente o Colégio Sacramentinas, mantido pela Congregação das Religiosas do SS. Sacramento, em Salvador, para a construção de sua Capela.  Sua pouca instrução motivou o grande interesse pela formação dos filhos e a vaidade pela família que construiu. Desejava, por exemplo, que Salete seguisse a carreira de Química Industrial, e acompanhava os filhos com natural vaidade por suas vitórias. No início dos anos 50, residindo em Santana do Cariri, Zeca da Cruz dedicou-se às atividades agropecuárias junto a uma de suas propriedades. Em 1952, em seu terceiro matrimônio, José da Cruz Neves nupciou-se com Margarida Soares Cruz, e foram pais de seis filhas: 1) Maria Lúcia da Cruz Arruda, casada com Francisco Arruda Salomé, de onde provêm os filhos Clarice, Cecília e Fátima Carolina Cruz Arruda; 2) Maria Verônica Cruz de Lucena, casada com Antonio Sérgio Oliveira de Lucena, pais de Nahami e Manuela (Manu) Cruz de Lucena; 3) Maria de Fátima Cruz Orsolete, casada com José Orsolete, pais de Maria Cláudia, Maria Gláucia e Maria Flávia Cruz Orsolete; 4) Maria Lucimar Cruz Fonseca casada com Fernando da Fonseca de Souza, pais de Fernanda e Fernando Lúcio Cruz da Fonseca; 5) Maria Verúcia Cruz Gouveia casada com Edmilson Albuquerque Gouveia, pais de Thayse e Thamis Cruz Gouveia; e 5) Maria Terezinha Cruz Barbosa, casada com Claudiel Barbosa, já falecidos, sem descendentes. A esses netos, a descendência de Zeca da Cruz também se enriquece com 3 bisnetos. A partir de 1959 a família veio residir em Juazeiro do Norte, no bairro da Timbaúba. Zeca da Cruz manteve, a partir dos anos 70 e por muitos anos, uma Cooperativa Agrícola de Crédito, a primeira da cidade, para dinamizar empreendimentos no setor agropecuário. Essa, sem dúvida era a maior contribuição de seu esforço arrojado. Por seu grande empenho, tornou-se o maior fornecedor de cana quando a região ganhou a sua Usina de Açúcar. Mas ele também, era processador de cana em suas fazendas, como as Cabeceiras e Roncador, em Barbalha; a Rangel em Santana do Cariri; As Abelhas, em Jati, e a Timbaúba, em Juazeiro do Norte, que até se podia considerar um enorme latifúndio, entre a linha férrea e o aeroporto. Não só na produção de cana, mas também como criador de gado de linhagem holandesa, para leite e corte. Era expositor obrigatório das Exposições do Crato, vencedor de concursos e mostras do plantel. Por um lado, até se dizia que Zeca da Cruz era um desses herdeiros do perfil típico de um coronel do sertão, mas que não se filiou a qualquer violência, senão à conciliação de conflitos, feito juiz de paz para trazer a concórdia e as boas soluções para os entraves. Um homem que envelheceu o semblante, mas não envelheceu o coração e a mente para olhar sempre com grande interesse a educação dos seus filhos, entre os primeiros que vieram e, especialmente, também visto nessa última geração de suas filhas. Ele foi agraciado com o título de Cidadão Juazeirense, pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, através da Resolução 64, de 29.11.1976, mas que somente em 08.12.1984, lhe foi entregue, data em que seu filho Dr. Epitácio Cruz, presente à sessão e falando em nome da família, celebrava os seus 30 anos de bacharelado em Ciências Jurídicas. José da Cruz Neves faleceu em 03.11.1986, aos 90 anos de idade e o seu corpo repousa no jazigo da família, no Cemitério de Barbalha.
MARIA ASSUNÇÃO GONÇALVES
Falar de Maria Assunção Gonçalves, que nasceu em Juazeiro do Norte, de família a qual se associa às nossas origens, pois daquelas que já habitavam o chão sagrado, muito antes que nós fôssemos, é tarefa muito simples. Por um tempo eu fiquei imaginando que elaboraria um ótimo texto para lhes falar de minha professora no Ginásio Salesiano, amiga de minha mãe, na companhia da qual se diplomou em 1938 na querida Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte. Mas, decidi que muito melhor que essa louvação, seria dar-lhe voz nessa festividade para abrir ouvidos e coração para escutarmos o que ela mesma conta de sua existência. É o texto que se segue que é a transcrição de seu Depoimento, durante o III Simpósio Internacional sobre Padre Cícero – e quem é ele?, realizado no dia 21 de julho de 2004, no Memorial Padre Cícero. Ouçamos:
Eu me chamo Maria Assunção Gonçalves, professora primária aposentada da Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte, sem faculdade. Sou filha de Francisco Gonçalves de Menezes e Isabel Teles de Menezes. Nasci dia 10 de junho de 1916. Nesse tempo, não tinha vigário em Juazeiro. Nasci muito doente. Tive quatro irmãos que morreram logo ao nascer. Assim que eu acabei de nascer, meus padrinhos me levaram para a casa do Padre Cícero, já que não tinha vigário, porque não queriam que eu morresse sem ser batizada. Quando Padre Cícero acabou de botar água na minha cabeça, a minha madrinha disse: “Seu Padre (era assim que a gente chamava o Padre Cícero) a menina não vai morrer, não?” Ele olhou para ela e disse: “No ano que entra vai chegar o primeiro vigário dessa cidade, (foi monsenhor Esmeraldo). Eu batizei com água e ele vai dar os santos óleos. Não esqueçam de levar essa menina logo que chegar a Paróquia”. Aí, todo mundo ficou alegre porque eu não ia morrer e eu pedi, depois que cresci, ao Padre Cícero, e eu estou ainda pedindo a ele, para me conservar até que eu possa ver... como se chama esse protocolo do Vaticano... não sei..., o Papa que tem que anunciar qualquer coisa... não sei! Estou sonhando com isso... como eu conheci de estar aqui... apesar de estar tremendo e muito nervosa, mas estou muito feliz, agradecendo a Deus. Eu sou descendente do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e minha avó, Maria Gambeira Teles de Menezes, era filha do quinto filho do Brigadeiro, Gonçalo Luis Teles de Menezes. Meus avós foram as pessoas mais chegadas ao Padre Cícero. Devo a eles essa devoção que tenho ao Padre Cícero. Conviveram muito com ele, e disso, tenho gratas recordações. Antes de começar a contar para vocês essas recordações com o Padre Cícero, eu tenho que apresentar-lhes uma pessoa que, se não fosse ela, eu não teria tido essa aproximação com o Padre Cícero: José Xavier de Oliveira que eu chamo de Dedé. É o pai de Amália Xavier de Oliveira, minha prima. Esse nome, eu vou citar muitas vezes: Dedé... é José Xavier de Oliveira. Eu escolhi aqui algumas lembranças que eu faço questão de dizer. As coisas que mais me chamaram atenção, umas que até me chocaram desse convívio com o Padre Cícero. Chegou aqui em Juazeiro, vindos do Piauí em carro de boi, uma família com um moço doente e mais duas irmãs e três irmãos. Diziam que o moço doente estava com o “cão no coro” e vinha todo amarrado em cordas. O carro ficou nas imediações e foram arrastando o homem até a casa do Padre Cícero numa esteira. Eu fiquei apavorada e minha primeira reação foi de correr para a casa do Padre Cícero. Eu entrava por uma porta especial e o pessoal entrava por outra porta. A cozinheira da casa do Padre Cícero, Martina Sebastiana, que era muito minha amiga, (eu tinha mais ou menos 6 anos) reconhecia o jeito que eu batia na porta e abria para mim, e eu entrei correndo e encontrei o Padre Cícero na rede. Ele ficava sempre nessa rede, aqui na Rua Dr. Floro. Aí eu disse: “Seu Padre, depressa vem um homem com o cão no corpo e o senhor tem que tirar esse cão”. Então Dedé disse: “Espere aí menina, calma”. Padre Cícero pediu que Dedé pegasse a batina dele, vestiu-se e foi encontrar o pessoal. Eu ouvi uma zoada forte que o moço fazia. Era horrível, espumando e eu apavorada. A mãe do rapaz disse: “Seu Padre, meu Deus, são nove dias de viagem, só o senhor pode com este.” Então o Padre Cícero pegou o breviário, água e aí disse: “Tirem as cordas do moço”. Quando ele disse “tirem as cordas, tirem as correntes!”, aí eu não estava mais lá. Saí correndo... não vi nada! Não sei o que aconteceu! Então, quando serenou a coisa, eu fui chegando devagarzinho, vi que Dedé estava lá perto e eu tive coragem de chegar perto de Dedé. O homem estava completamente abatido, mole e o Padre Cícero disse: “Xavier, leva esse rapaz lá na casa do motor”. E disse: “Hoje não dá alimentação nenhuma, só um chazinho de erva cidreira e à noite uma xícara de leite e ele vai começar se alimentar amanhã.” Então eu fiquei pra lá e pra cá vendo sempre esse homem lá, a família estava com ele e quando cheguei no outro dia, ele já estava sentado. Quatro dias depois, eu me encontrei com ele na casa do Padre Cícero. Levei a família toda para olhar o Padre Cícero que tinha tirado o cão do couro desse sujeito. Outra coisa que eu vi também, e me chamou muita atenção, foi a alegria que eu vi no rosto do Padre Cícero na inauguração daquela estátua de bronze que tem lá na praça. Eu lembro que Padre Cícero usou um chapéu e uma capa nova, toda pregueada... E a beata tinha esquecido de dar o cheiro que ele sempre usava quando saia. Ela me chamou, molhou minha mão com o perfume e disse: “passa na capa.” E eu tive a maior alegria de passar esse cheiro na capa do Padre Cícero. Sei que ele ficou muito satisfeito com essa estátua de bronze na praça. Outra coisa foi em 1925. Agora, a inauguração da Estação da estrada de ferro... isso eu não posso esquecer... nunca esqueci. Juazeiro era muito pequeno e na Praça da Estação só tinha os casebres de um lado e do outro. A Estação era muito imponente, a calçada muito alta e eu estava lá porque o Padre Cícero tinha feito muita propaganda da chegada do trem no Juazeiro. O trem ia melhorar muito o Juazeiro que ia crescer muito, ia chegar muita gente com a passagem bem barata. Vinha comida, vinha não sei o que mais... Não sei porque, chamaram-no o Santo Lastro. Antes do trem chegar, o Padre Cícero estava conversando com algumas pessoas. Quando ele olhou do lado de Missão Velha, ele disse: “Olha, Juazeiro vai crescer tanto que vocês vão ficar abismados. Quem for vivo (e eu estou abismada mesmo!) vai crescer tanto... olhem pelo lado de lá!” Aí ele mostrou o lado do nascente: “Vai ter campo de aviação, vai ter avião pequeno, avião grande, vai ter tanto cemitério que vai ser uma coisa horrível!” Aí eu disse: “Não é possível! Será que o Padre Cícero está caducando? Dedé, porque é que ele disse isso?” “Menina, você não ouviu dizer que o Juazeiro ia crescer? Naturalmente, tem que enterrar muita gente, né?” E hoje, vocês estão longe de saber a emoção que eu tive quando eu fui naquele lado de lá que eu vi o Anjo da Guarda, que é um cemitério enorme... mas, foi uma emoção muito grande. Eu me tornei menina de recado do Padre Cícero e Dedé era o homem de confiança dele. qualquer negócio que o Padre Cícero queria, era com Dedé. Por exemplo, ele mandou que Dedé conseguisse homens para buscar a imagem do Coração de Jesus e de Nossa Senhora para trazer para a Matriz. Padre Cícero previa tudo, ele escrevia demais. Então eu ficava sempre lá sentada e ele escrevendo. Ele escrevia para o Papa, para rei, para rainha, para qualquer coisa que o Juazeiro precisasse; ele sabia já os endereços e fazia a carta. Ele escrevia e eu ficava passando o mata-borrão. Eu trouxe aqui um mata-borrão para vocês verem o que era. Hoje não existe mais... E depois, outras pessoas me deixaram muitas lembranças, principalmente Martina e a beata Mocinha. Havia um peso, de vidro, que é este aqui, que ficava em cima dos papeis. Quando Dedé me deixava de castigo ali, dizendo que o Padre está precisando de mim, eu ficava sentada no chão ao lado do Padre, olhava o peso e o rodava... tão bonito... e eu ficava rodando o peso, assim (mostra como fazia). Então o Padre Cícero me dizia: “Menina”, ele nunca me chamava de Assunção e eu tinha raiva dele por causa disso. Ele só me chamava Maria, Maria de Xavier, Mariazinha, mas não me chamava de Assunção. Então eu dizia: “Meu nome é Assunção!” Este peso de vidro, tão bonito... ninguém me deu, não. Eu devo ter roubado. Nunca confessei esse pecado. Eu cuidava da cadeira e do genuflexório do Padre Cícero na Igreja para ficar tudo prontinho quando ele chegasse e depois eu ficava na calçada, esperando por ele. Quando ele ia descendo do carro, tinha um bocado de gente, de homens de amigos dele, todos querendo o direito de leva-lo para assistir a missa e muitas vezes levavam. Mas, no domingo, quando ele me via, botava a mão no meu ombro, eu bem pequenininha, e ele não queria saber de mais ninguém e eu o levava. Esse era um domingo feliz. Ele gostava demais de receber os pobres e doidos. Vocês acreditam? Nesse tempo, tinha uma doida aqui, no Juazeiro, chamada “Carrapicho”. O Padre Cícero falava com ela que era uma beleza e ela respondia até direito. Tinha respeito por ele. Do jeito que ele recebia os ricos, ele recebia os pobres. Não tinha nenhuma diferença. Ele dava sempre alguma coisa às pessoas pobres que vinham chegando. Muitas vezes, o pessoal chegava: “Aqui meu Padrinho, já dei a minha esmola a Nossa Senhora. Eu trouxe esta aqui para o Senhor dar.” Chegava outra pessoa dizendo assim: “Meu Padrinho, minha casa caiu, foi aquela coisa, meu menino está doente”. Ele tirava o dinheiro sem contar e dava para aquela pessoa. Isso aconteceu muitas vezes. Outra coisa. Chegou uma família, não sei se do Piauí ou do Rio Grande do Norte, de automóvel. Nesse tempo, automóvel era o Ford de salto alto. A gente chamava assim: Carro de salto alto. Essa família chamou atenção. Era um senhor já de idade com uma senhora e tinha um rapaz que vinha com eles. Parece que era estudante de medicina. Eles conversavam com Padre Cícero e eu ouvi bem direitinho quando eles estavam dizendo isso. O rapaz pediu ao pai dele, não teve coragem de se dirigir ao Padre Cícero, pediu ao pai dele para perguntar o que ele achava da Igreja o ter excluído. Aí o pai disse: “O meu filho está perguntando ao senhor para dar alguma palavra dessa falta de direito que o senhor tem na Igreja Católica”. Aí ele disse assim... ele deu uma risadinha, ele tinha uma voz muito gostosa. “Meu amiguinho”, olhando para o moço, “não se incomode com isso, não, quando chegar o tempo, é a minha própria Igreja Católica Apostólica Romana que fará esse trabalho”. Vocês acreditam nisso? Acreditam que eu ouvi isso? É a minha própria Igreja Católica Apostólica Romana que vai fazer isso por mim. E outra coisa: o meu povo, quer dizer, o pessoal Xavier de Oliveira, Figueiredo, Sobreira, esse pessoal todo que vivia aqui naquele tempo do Padre Cícero, até a morte dele, conversando a respeito desses casos, de Maria de Araújo, dizia assim: “Olhe, o Padre Cícero só terá vez aqui no Juazeiro, na Igreja Católica quando vier um bispo estrangeiro”. Vocês acreditam que eu ouvi isso minha gente? Eu não ouvi o Padre Cícero dizendo isso, eu ouvi meu povo dizendo isso. E quando iam dizer isso, falar qualquer coisa do Padre Cícero ou de Maria de Araújo, eles trancavam a porta para ninguém saber porque mão se podia falar nisso. Mas eu também cheguei a dizer isso a muita gente que me perguntava. Enquanto não chegar um bispo estrangeiro para a diocese do Crato, o Padre Cícero não terá vez. Agora, minha gente, no dia em que eu soube que D. Panico era italiano e ia ser bispo do Crato, ninguém sabe o que eu senti. Eu quase morria. Eu tive uma sucessão de ideias tremendas, eu me lembrei daquilo tudo, do sofrimento do Padre Cícero, porque Padre Cícero tinha um quarto lá na casa de Dedé onde ele chorava, entrava pela rua, a casa tinha acesso pela Rua São José. Dedé deu uma chave do portão e do quarto. Eu tenho a rede em que o Padre Cícero deitava (Ela está escondida a sete chaves. Eu não mostrei a ninguém). Nesse quarto ele chorava, depois lavava o rosto e ia para a Igreja rezar. Quando me contaram que D. Panico estava em São Paulo e tinha visto uma imagem do Padre Cícero em cima de um móvel, e que ele disse: “Não sei se é ele que vai precisar de mim ou eu que vou precisar dele”. É isso mesmo, Sr. Bispo? Daí eu tenho um amigo muito grande aqui no Juazeiro que se chama Armando Rafael que estava no Crato assistindo a posse de D. Fernando e quando o bispo deu um viva ao Padre Cícero, o Armando me ligou por telefone para eu ouvir o que D. Fernando estava dizendo. Tinha uma pessoa comigo na sala, mas ela estava dormindo. Quando eu ouvi isso, não sei como foi que eu não endoideci. Eu chorava, eu gritava, e me maldizia porque meu povo todo tinha morrido e eu não tinha uma só pessoa para contar isso. O bispo está falando no Padre Cícero.., esse bispo estrangeiro...! Só quero dizer uma coisa a vocês: eu chorei muito, gritei, mas ninguém me ouviu... e eu fiquei calada. Mas deixa eu dizer: foi Nossa Senhora das Dores que fez a coisa toda. Vocês estão longe de saber quem foi Nossa Senhora das Dores. Parece que ela é só de Juazeiro. Chegaram muitos vigários, mudaram o altar do Padre Cícero, não queriam mais aquele. Queriam que o povo esquecesse porque era fanatismo falar do Padre Cícero. Mas chegou uma pessoa chamada Francisco Murilo de Sá Barreto. Murilo começou a sua missão na Igreja de Nossa Senhora das Dores. Foi uma graça toda especial de Nossa Senhora e de seu bendito Filho que colocou esse rapaz no Juazeiro. Amália dizia assim: “Padre Murilo, quando foi gerado, Nosso Senhor disse: vai ser vigário no Juazeiro. Eu estou precisando desse moço para ajeitar as coisas com o Padre Cícero.” E foi bem assim. Ele começou muito bem, começou a receber os romeiros, com tanta paciência. Eu ficava impaciente de ver a paciência dele... recebendo aquele povo que contava cada coisa! Aí eu disse, é... Amália tinha razão, nasceu para ser padre no Juazeiro. E não se podia ainda falar no Padre Cícero. Um belo dia (eu sou muito amiga dele, da família dele, quero muito bem a ele; eu o chamo de Murilão, escondido...) chegou, começou a falar com os romeiros, a dar apoio, a evangelizar o povo romeiro que tinha que ser evangelizado, evangelizar o povo do Juazeiro que precisava ser evangelizado, não estava direito ainda, mas ele começou a endireitar e um belo dia, esse sujeito, chamado Pe. Murilo deu um viva ao Padre Cícero. Eu quase morri de susto. Meu Deus, o que é que vai ser daquele padre! Mas ele já tinha falado com o bispo, ouvia os romeiros, sabia o que os romeiros transmitiam para ele e começou a trabalhar, trabalhava demais. E nós ajudávamos. Eu fui “barata de Igreja” durante muito tempo. E Nossa Senhora disse mais uma coisinha: Ele está precisando de reforço. Sabe o que ela fez? Tirou uma moça da Bélgica, professora, chamada Annette Dumoulin que com Ana Teresa que também era professora... Isso aí tudo é por Nossa Senhora das Dores. Hoje nós estamos vendo o que está acontecendo. Chega uma pessoa dessa como Ralph Della Cava, lá nos Estados Unidos e faz o relato de defesa de Juazeiro. E como tudo mudou. Nós estamos unidos ao Crato, fazendo este Simpósio. E eu agradecendo a Deus, todo dia. Pedindo para me dar forças para eu ver o Papa... Eu queria dizer mais uma coisa: minha avó tomou parte nisso que eu vou contar. Era o momento das nove sextas feiras. Quem fizesse nove sextas feiras e perdesse uma tinha que começar da primeira, senão não ia para o céu. Então minha avó reunia-se com umas dez ou doze mulheres, iam para o Crato para se confessar. E muitas vezes chegavam lá e não tinha mais padre confessando porque passava da hora. E elas voltavam, e minha avó não sabia como resolver isso. Mas o Padre Cícero dizia: “olha, vocês não vão ver isto que eu vou dizer, mas os netos de vocês, as netas de vocês, vão ver. Aqui vai ter tanto padre, tanta Igreja, que não vai haver falta de confissão.” Quem me contava isso era minha avó. Eu vi, agora que estou vendo o crescimento de Juazeiro. Padre Cícero previu a chegada dos Franciscanos, a construção dos franciscanos aqui em Juazeiro. Ele disse a Dedé: “Olha eu passei por um lugar aí, um lugar que tem uma areia, bonita... pega 60 tarefas, faz um quadrado de 60 tarefas. Vai aí e plante feijão, macaxeira, o que você quiser. E divida comigo.” Dedé fez isso mesmo. Marcou o lugar onde hoje é o Santuário de São Francisco, plantou e deu tanto feijão que Padre Cícero quando chegou e viu o tanto de feijão ficou surpreso! “É o feijão que o senhor mandou plantar lá onde o senhor disse que será o seminário.”, disse Dedé. Mas, aí acabou o feijão. Padre Cícero morreu, acabou tudo, e nada de seminário. Um belo dia chegou frei Francisco aqui – nesse tempo Mons. Joviniano era vigário de Juazeiro – e estavam conversando lá na casa de Dedé, sentados na calçada, e dizia que tinha vindo para escolher um lugar para o Santuário de São Francisco. Dedé sabia da coisa, todo mundo sabia que Padre Cícero tinha dito, mas não disseram nada... Na casa de Dedé (nesse tempo que não tinha televisão) todo mundo ficava na calçada, e eles chegaram e disseram: “Xavier, fomos para o lado do Salgadinho, o Padre Francisco não gostou, fomos pra acolá e lá e nada...” Dedé disse: “Vocês já foram lá pros lados da Estação?” Não, mas está programado para hoje.” E foi assim... Mas olha que aquela quadra custou muito para ser Santuário. Durante esse tempo todinho chegou a ser campo de futebol. Aí um belo dia chega esse frade, e constrói esse Santuário. Até aqui ouvimos esse depoimento maravilhoso de nossa homenageada. Assunção Gonçalves, professora ruralista diplomada em 1938 pela Escola Normal Rural de Juazeiro, minha inesquecível professora de desenho, eterna secretária pedagógica de sua Escola, “barata de Igreja, como se dizia na Pia União das Filhas de Maria da Paróquia Matriz de Nossa Senhora das Dores, artista plástica memorável desse seu velho Juazeiro transposto para telas belíssimas de cintilantes cores, faleceu nesta sua cidade num dia de domingo, dia 19 de maio de 2013, tendo seu corpo sido sepultado no campo santo do Perpétuo Socorro. Neste ano de 2017 e por esta modesta homenagem, estamos fechando a comemoração do seu ano centenário. Suas palavras, há pouco lidas, ficarão eternas, lembrando a criatura extraordinária que foi Maria Assunção Gonçalves de Menezes. Mas já bem cedo ela não gostava de assim ser chamada. Foi ao cartório, simplificou e por toda a sua existência e agora na eternidade, simplesmente, como Maria Assunção Gonçalves.
JUVÊNCIO JOAQUIM DE SANTANA
Juvêncio Joaquim de Santana, bacharel em Direito, Juiz de Direito e Desembargador, era filho do Coronel Antonio Joaquim de Santana (chefe político do município de Missão Velha) e Josefa Maria de Jesus. Nasceu no dia 19 de janeiro de 1888, no sítio Serra dos Matos, município de Missão Velha, Ceará.  Eram seus irmãos: Dr. Antonio Joaquim de Santana Jr. (engenheiro, ao qual foi prestada uma homenagem pela prefeitura municipal de Fortaleza, nomeando importante avenida com seu nome, Av. Santana Jr.), Dr. Manoel Joaquim de Santana (desembargador do Tribunal de Justiça do Ceará), Maria Josefa, Cícero, Jacinta Josefa, Honória Josefa, Ana Josefa, Maria Luiza, Paulo, Luzia Maria e outros, todos falecidos. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 17 de dezembro de 1912, pela Faculdade de Direito da Universidade do Recife. Juvêncio Santana casou-se com a jardinense Beatriz Barreto Gondim, filha do casal José Caminha de Anchieta Gondim (de alcunha Coronel Daudeth) e de Maria Barreto Gondim. A cerimônia aconteceu no dia 27 de janeiro de 1916, em Jardim. Não tiveram filhos. Adotaram como filhos Acilon Aires de Alencar (Promotor de Justiça, radicado em São Paulo, SP) e Terezinha Gondim Medeiros, ambos sobrinhos de D. Beatriz. Dr. Juvêncio era amigo incondicional e afilhado de crisma do Padre Cícero Romão Batista. Juvêncio Santana na década de 1920 foi professor do Colégio 24 de Abril, de Jardim, Ceará, fundado pelo Dr. Francisco de Lima Botelho, em 1919, tendo funcionado por sete anos. Lecionou Geografia, História e História Natural. De acordo com um depoimento histórico de Fausto Guimarães, “Quando em 11 de novembro de 1922 pelo simples pedido do Pe. Cícero ao Dr. Justiniano de Serpa, Presidente do Ceará,  este mandou que a Assembleia restaurasse a Comarca do Juazeiro e assim sucedeu, justamente no dia 11 de novembro de 1922. Nomeado logo após o Dr. Juvêncio Joaquim de Santana para Juiz de Direito, tendo lugar a inauguração da Comarca e posse do primeiro magistrado da Comarca no dia 24 de fevereiro de 1923, no dia de sábado, a uma hora da tarde, tendo no solene ato comparecido a Câmara no lugar de costume, Rua São Pedro, o seu prefeito municipal Pe. Cícero Romão Batista que empossou o referido Juiz de Direito. Presente toda Câmara e mais todas as autoridades estaduais e federais e o Cel. Ernesto Medeiros, comandante do Corpo de Polícia no Crato, representando o Governador do Estado; Cel. Pedro Silvino de Alencar - Prefeito de Araripe; Deputado Estadual Dr. Sebastião Azevedo, de Fortaleza; Vigário da Freguesia, Pe. Manoel Correia de Macedo e grande cortejo da massa popular, inclusive famílias e comerciantes. Declarou o Dr. Juiz de Direito, em palavras repassadas de civismo e patriotismo que estava inaugurada a Comarca e ele, Juiz, empossado. Tomou a palavra o Revmo. Pe. Cícero, pronunciando um discurso substancioso abrangendo todos os pormenores do ato presente em frases variadas e muito significativas e bem elaboradas. O eminentíssimo chefe e prefeito Padre Cícero Romão Batista que a todos emocionou, não esquecendo de falar do civismo másculo do ex-Presidente Dr. Epitácio Pessoa e, como do atual presidente da República Dr. Artur Bernardes, não esquecendo de falar no amigo ausente Dr. Floro que o enalteceu, sendo saudado por uma grande salva de palmas. Tocando na ocasião a banda de música Padre Cícero brilhante dobrado e uma grande girândola de foguetes estourou no espaço, estando o edifício da Comarca bem ornado com o devido estilo, bandeira içada, sendo nesta ocasião inaugurados os retratos do Dr. Epitácio Pessoa, Dr. Artur Bernardes - Presidente da República, Dr. Floro Bartolomeu da Costa - Deputado Federal, ausente, nos trabalhos do Congresso Federal. Usando da palavra o orador oficial, jornalista Dr. Leopoldino Costa Andrade, jornalista da Folha no Rio de Janeiro, que muito de boa vontade cooperou para o brilhantismo da festa em todos os seus detalhes, pronunciando discurso escrito, bem elaborado a respeito do solene ato, trazendo a baila o nome do Dr. Epitácio Pessoa, que muito enalteceu suas qualidades de estadista emérito e criterioso, como do Dr. Artur Bernardes, sincero e competente para o cargo que ocupa de Chefe da Nação, atualmente, e como do Prefeito Municipal Pe. Cícero o que de melhor pode dizer, como do povo e progresso da terra, lembrando-se também do amigo ausente Dr. Floro Bartolomeu que em lisonjeiras palavras, bem o disse. E assim, depois de dissertar o seu magistral discurso findou suas últimas palavras debaixo de uma grande salva de palmas. Aí assomou a tribuna o vigário Macedo que dissertou um belo discurso que muito agradou com suas bem elaboradas frases de sacerdote virtuoso e inteligente ao grande auditório que muito o aplaudiu, e assim por diante outros usaram da palavra com brilhantismo compreendendo bem o dever de oradores que falavam no momento, muitas palmas e vivas ecoavam no grande salão do cerimonial. Conservando-se o dia restante em festa seguida pela noite em casa do Dr. Floro Bartolomeu onde o distinto Juiz Dr. Juvêncio Joaquim de Santana se achava hospedado e mais amigos, e presente o Revmo. Pe. Cícero que a todos confortava com a sua presença de justo. Ali postada a banda de música em suas harmoniosas tocatas bem significava o Juazeiro em festa, do maior regozijo de um povo livre e independente. Teve lugar em casa do mesmo Dr. Floro um lauto jantar às 5 horas da tarde do que todos os circunstantes serviram-se, oferecido pelo Revmo. Pe. Cícero Romão Batista. Foram oferecidos exemplares do livro "Sertão a Dentro" pelo autor Dr. Leopoldino Costa Andrade, do Rio de Janeiro. Obra de algum valor para o Juazeiro defendendo o Revmo. Pe. Cícero das acusações injustas que os inimigos gratuitos faziam com o mais descaso, nas conversações pelos jornais do Rio de Janeiro. Foi desfeita essa maledicência caluniosa com o "Sertão a Dentro". Parabéns ao Sr. Costa Andrade, jornalista da "Folha" no Rio de Janeiro, jornalista inteligente. Ainda o cerimonial da posse do Juiz de Direito: tirada uma comissão de pessoas da primeira classe, acompanhada da banda de música, saímos da casa da Câmara, fomos ver em casa do Dr. Floro Bartolomeu da Costa o Dr. Juiz de Direito e o Revmo. Pe. Cícero Romão Batista, Prefeito Municipal distinto Dr. Juvêncio de Santana, o Juiz, o primeiro magistrado da Comarca, então acompanhadas as duas autoridades por grande número de amigos e admiradores e a banda de música Pe. Cícero, chegamos ao salão da Câmara, com as honras de estilo foram recebidos Juiz e Prefeito pelo corpo municipal, autoridades locais e muitos cavalheiros e senhoritas, sendo recebidos por grande salva de palmas, sendo oferecida a cadeira de honra ao Revmo. Pe. Cícero, o que recusou-se a princípio, porém, depois aceitou, continuando a leitura da ata da inauguração da Comarca e posse do íntegro Dr. Juiz de Direito, tudo com as formalidades do estilo. Depois lida em altas vozes, foi assinada pelas autoridades competentes que ali se achavam. Depois do ato solene foi servido todo auditório por uma cerveja regularmente distribuída. Eis, em resumo, todo conteúdo da inauguração da Comarca e posse do Juiz de Direito, no dia 24 de fevereiro de 1923. Na inauguração da Comarca, na fala que fez a respeito do ato, o Revmo. Pe. Cícero Romão Batista falando sobre o Juazeiro disse com segurança que o Juazeiro continha 56 ruas, com 30 mil habitantes, contendo em todo município 50 mil almas, e assim concluiu seu belo discurso deixando em todo auditório a mais grata impressão.”  Anos depois, Dr. Juvêncio afastou-se do cargo de Juiz da Comarca de Juazeiro do Norte para assumir a Secretaria de Interior e Justiça do Estado do Ceará, no Governo do Dr. José Moreira da Rocha. Foi eleito deputado Estadual em 1928. Por vários anos despendeu esforços pela prosperidade de Juazeiro do Norte e pelo benefício de seus habitantes. Muito respeitado e estimado por todos, desempenhou sua missão com integridade de caráter. A 1º de agosto de 1940, o Dr. Juvêncio foi mais uma vez nomeado Juiz de Direito da Comarca de Juazeiro do Norte, permanecendo no cargo até o dia 8 de setembro de 1957, quando veio a falecer, em Juazeiro do Norte e se encontra sepultado no túmulo da beata Mocinha (Joana Tertulina de Jesus), no Cemitério do Perpétuo Socorro, em nossa cidade. Terminou sua brilhante carreira de Magistrado, ocupando o elevado cargo de Desembargado do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Foi o Desembargador Juvêncio Joaquim de Santana um dos juízes mais cultos do Estado do Ceará. Homem de envergadura moral ilibada, político de bastante prestígio, autoritário, porém de fino trato, enfim uma das figuras mais importantes da história de Juazeiro do Norte. Em sua homenagem a cidade nomeou uma praça, um bairro e o Fórum da Comarca, com o respeitável nome do Desembargador Dr. Juvêncio Joaquim de Santana.  

COMENDA MEMÓRIAS DE JUAZEIRO: O LIVRO
Foi lançado no último dia 13 no Memorial Padre Cícero, o livro Comenda Memórias de Juazeiro, editado pela AFAJ – Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte. A obra contempla um pouco da história da Associação, bem como as 51 biografias dos hemenageados com a Comenda Memórias de Juazeiro, instituída em 2001.  Eis a relação dos biografados: Em 2001: José Geraldo da Cruz, Manoel Francisco Germano e Odílio Figueiredo; Em 2002: Antonio Fernandes Coimbra (Mascote), Dário Maia Coimbra e José Monteiro de Macedo; Em 2003: Expedito Pereira, Francisco Erivano Cruz e Felipe Néri da Silva; Em 2004: Francisco Néri da Costa Morato, José Bezerra de Menezes e Mozart Cardoso de Alencar; Em 2005: Antonio Corrêa Celestino, Expedito Guedes e José Teófilo Machado; Em 2006: Mons. Francisco Murilo de Sá Barreto, Samuel Wagner Marques de Almeida e Walter de Menezes Barbosa; Em 2007: Amadeu de Carvalho Brito, Aureliano Pereira da Silva e Edgar Coelho de Alencar; Em 2008:  Durval Aires de Menezes, Getúlio Grangeiro Pereira e Tarcila Cruz Alencar; Em 2009: Antonio Conserva Feitosa, Francisca Pereira de Matos  e Gumercindo Ferreira Lima; Em 2010: José Perboyre Sampaio Sabiá, José Pereira Nobre e Tereza de Sousa Pereira; Em 2011: Luiz Gonçalves Casimiro, Orlando Bezerra de Menezes e Valdetário Pinheiro Mota; Em 2012: José Feijó de Sá, Manuel Rodrigues Veloso e Ten. Raimundo Saraiva Coelho; Em 2013: Expedito Ferreira Lima, João Maurício e Silva e Teodoro de Jesus Germano; Em 2014: Antônio Araújo Silva, Bartolomeu Alves Feitosa e Cel. Firmino Araújo; Em 2015: Francisco Edmilson Brito, Maria Alacoque Bezerra de Menezes e Milton Sobreira da Cruz; Em 2016: José Mauro Castello Branco Sampaio, Leandro Bezerra de Menezes e Odílio Camilo da Silva; Em 2017: José da Cruz Neves (Zeca da Cruz), Juvêncio Joaquim de Santana e Maria Assunção Gonçalves. Os eu desejarem adquirir a obra poderão procurar essa Coluna ou por telefone, com Graça Cruz (85)996030807, ou através de mdgcll@gmail.com


GILMAR DE CARVALHO
Em recente matéria bem substanciosa no Diário do Nordeste Gilmar de Carvalho fala de sua vida literária, seu ingresso como grande produtor cultural através de uma extensa relação de obras editadas, fruto de um extraordinário trabalho de pesquisa sobre nossa cultura. Já me referi algumas vezes e publicamente que a vida e a obra desse homem é algo que me comove. A palavra tem a ver com esse fato impactante que me leva a reverenciá-lo como uma das marcas inequívocas do nosso tempo, mercê de seus predicados, não só intelectuais, como cidadão de notável sensibilidade e de uma postura ética e moral que nos assombra. Gosto de ver suas notícias quando as temos pela imprensa, quase sempre devassando sua intimidade mais resguardada, dedicado impenitentemente à cultura do Ceará. Outrora o tínhamos aqui no Cariri mais frequentemente. Quero crer que o Cariri não seja para ele uma fotografia na parede. Vivemos desejando seu retorno, um reencontro com esse Vale tão fértil para suas andanças e pesquisas, desde o tempo em que só viu por aqui a grande motivação para realizar uma obra que foi marcada por uma visita permanente às nossas manifestações culturais, aos xilógrafos, cantadores, poetas de literatura de cordel, Patativa do Assaré, e tanta coisa mais. Salve Gilmar de Carvalho que me emocionou mais uma vez há poucos dias nas páginas da imprensa da capital. Na ilustração ele segura esse livro que tanto prazer me deu, pois de certo modo o fizemos juntos, eu apenas como a fonte do material que lhe permitiu conceber a obra, impressa com grande presente, dele e da UFC, ao colecionador que guardou Noza para muito além da morte.  
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 21, sexta feira, às 19 horas, o filme MEUS CAROS AMIGOS (Amici Miei – Atto I, Itália, 1975, 140min). Direção de Mario Monicelli. Sinopse: Conhecido como "o rei da comédia italiana", o diretor Mario Monicelli dirigiu nos anos 70 está irreverente e engraçadíssima história sobre velhos amigos de escola.Através do jornalista e narrador Giorgio Perozzi (Philippe Noiret) conhecemos o cotidiano de cinco cinquentões que adoram pregar peças e passar trotes em quem se atrve a passar na frente deles. Pequenas histórias do grupo que contadas por Perozzi nos apresenta Lello Mascetti (Ugo Tognazzi), o conde falido; o Doutor Sassaroli (Adolfo Celi), o arquiteto Rambaldo Melandri (Gastone Moschin) e Necchi (Duílio Del Prete). Para morrer de rir!   

CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 21, sexta feira, às 20 horas, dentro do Festival de Filmes Inesquecíveis, o filme SEMPRE NO MEU CORAÇÃO (Always in my heart, EUA, 1942, 92min). Direção de Jo Graham. Sinopse: Depois de passar muitos anos na prisão, Mackenzie Scott (Walter Huston) finalmente consegue sua liberdade e se muda para a Califórnia, à procura de sua família, que há muito havia deixado. Ao retornar, descobre que sua mulher Marjorie (Kay Francis) está envolvida com Philip (Sidney Blackmer).
Marjorie não sabe que Mackenzie está livre e, ele se reaproxima de sua filha Victoria (Gloria Warren) sem que a jovem o reconheça. Os dois tornam-se grandes amigos, e o pai, que antes trabalhava como condutor de harmônicas e que está, aos poucos, reconstruindo sua vida, percebe na filha um grande talento e a incentiva a cantar. Marjorie descobre que Mackenzie está na cidade e vai à sua procura. Este reencontro, depois de tantos anos, ocasionará muitas mudanças na vida de todos, principalmente quando Victoria descobre a verdade sobre seu pai... O filme é uma bela história de amor e compreensão, que mostra o poder da música ao unir novamente uma família.

V SIMPÓSIO: REPERCUSSÃO (2)
Sempre que possível, estaremos reproduzindo aqui algumas impressões sobre o mais recente Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero, há pouco realizado. É o caso desse artigo, divulgado através do blog de Leonardo Boff, com o título de "UM PADRE COM CHEIRO DE OVELHAS: O PE.CÍCERO ROMÃO BATISTA”.
Nos dias 20-24 de março se realizou em Juazeiro do Norte, Ceará, o Vº Simpósio Internacional Padre Cícero com o tema “Reconciliação…e agora?” Fiquei admirado pelo alto nível das exposições e das discussões com a presença de pesquisadores nacionais e estrangeiros. Tratava-se da reconciliação da Igreja com o Pe. Cícero que sofreu pesadas penas canônicas, hoje questionáveis, sem jamais se queixar, num profundo respeito às autoridades eclesiásticas e reconciliação com os milhares de romeiros que o consideram um santo. Indiscutivelmente o Pe. Cícero Romão Batista (1844-1034), por suas múltiplas facetas, é uma figura polêmica. Mas mais e mais as críticas vão se diluindo para dar lugar àquilo que o Papa Francisco através do Secretário de Estado Card. Pietro Parolin, numa carta ao bispo local Dom Fernando Panico de 20 de outubro de 2015, expressamente diz que no contexto da nova evangelização  e da opção pelas periferias existenciais a “atitude do Pe. Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui, sem dúvida, um sinal importante e atual”. O Pe. Cícero corporifica o tipo de padre adequado  à fé de nosso povo, especialmente nordestino. Existe o padre da instituição paróquia, classicamente centrada no padre, nos sacramentos e na transmissão da reta doutrina pela catequese. É um tipo de Igreja que se autofinaliza e com parca incidência social em termos de justiça e defesa dos direitos humanos especialmente dos pobres. Entre nós surgiu um outro tipo de padre como o Pe.  Ibiapina (1806-1883), que foi magistrado e deputado federal, tendo abandonado tudo para, como sacerdote, colocar-se a serviço dos pobres nordestinos, como o Pe. Cícero, o Frei Damião, Pe. José Comblin entre outros. Eles inauguraram um outro tipo ação religiosa junto ao povo. Não negam os sacramentos, porém, mais importante é acompanhar o povo, defender seus direitos, criar por toda parte escolas e centros de caridade (de atendimento), aconselhá-lo e reforçar sua piedade popular. Esse é o tipo de padre adequado à nossa realidade e que o povo aprecia e necessita. Esse era também o método do Pe. Cícero que se desdobrava em três vertentes: primeiro conviver diretamente com o povo, cumprimentando e abraçando a todos; em seguida visitar todas as casas dos sítios, abençoando a todos, a criação dos animais e as plantações; por fim orientar e aconselhar o povo nas pregações e novenas; ao anoitecer reunia as pessoas diante de sua casa e distribuía bons conselhos e encaminhava para o aprendizado de todo tipo de ofícios para tornarem independentes. Neste contexto o Pe. Cícero se antecipou ao nosso discurso ecológico com seus 10 mandamentos ambientais, válidos até os dias de hoje (“não derrube o mato nem mesmo um só pé de pau” etc.). O Pe. Comblin, eminente teólogo, devoto do Pe. Cícero e que quis ser enterrado ao lado do Pe. Ibiapina escreveu com acerto: ”O Padre Cícero adotou amorosamente os pobres e advogou a causa dos nordestinos oprimidos, dedicando-lhes incansavelmente 62 anos de vida. E o povo pobre o reconheceu, o defendeu e o consagrou, continuando a expressar-lhe o seu devotamento, porque viu e vê nele o Pai dos Pobres. Antecipou em muitos anos as opções da Igreja na América Latina. É impossível negar a sincera opção pelos pobres, como foi dito por um deles: "Meu padrinho é padre santo/como ele outro não há/ pois tudo o que ele recebe/ tudo de esmola dá” (O Padre Cícero de Juazeiro, 2011 p.43-44). Curiosamente, se recolhermos os muitos pronunciamentos do Papa Francisco sobre o tipo de padre que projeta e quer, veremos que o Pe. Cícero se enquadra à maravilha, ao modelo papal. Não há espaço aqui para trazer a farte documentação que se encontra no meu blog (www.leonardoboff.wordpress.com) que recolhe minha intervenção em Juazeiro: “O Padre Cícero à luz do Papa Francisco”. Repetidas vezes enfatiza o Papa Francisco que o padre “deve ter cheiro de ovelha”, quer dizer, alguém que está no meio de seu “rebanho” e caminha com ele. Cito apenas dois textos emblemáticos, um proferido ao episcopado italiano no dia 16 de maio de 2016 onde diz: ”O padre não pode ser burocrático mas alguém que é capaz de sair de si mesmo, caminhando com o coração e o ritmo dos pobres”. O outro aos bispos recém sagrados no dia 18 de setembro de 2016: "o pastor deve ser capaz de escutar e de encantar e atrair as pessoas pelo amor e pela ternura”. Estas e outras qualidades foram vividas profundamente pelo Pe. Cícero, tido como o Grande Patriarca do Nordeste, o Padrinho Universal, o Intercessor junto a Deus  em todos os problemas da vida, o Santo cuja intercessão nunca falha. Os romeiros e devotos sabem disso. E nós secundamos esta convicção.

V SIMPÓSIO: REPERCUSSÃO (3)
Embora não tenha sido uma voz em repercussão sobre o recente V Simpósio, mas pelo fato relevante de que o prof. Ìerre Sanchis foi um dos participantes do I Simpósio sobre Padre Cícero, damos notícia de um dos seus artigos, publicado em Religião e Sociedade, Vol. 27, fasc. 2, Rio de Janeiro, 2007, com o título de “DESPONTA NOVO ATOR NO CAMPO RELIGIOSO BRASILEIRO? O PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA”, cujo Resumo é: É em torno dos vários sentidos possíveis do qualificativo de "popular" que gira a problemática deste artigo. A figura carismática do Pe. Cícero Romão Batista, patriarca de Juazeiro, integra de há muito o panteão da devoção popular de milhões de romeiros, mas era objeto até hoje de amplas reservas no seio da Igreja oficial. O momento parece ser de revisão destas perspectivas. A reabilitação institucional do "padrinho" pode estar em curso. Pergunta-se aqui em que medida e com que condições esta transformação da sua imagem pode confluir com certa metamorfose do que se convencionou chamar de "Igreja Popular", de modo a dotar inesperadamente de novo ícone o catolicismo brasileiro em seu conjunto. Pierre Sanchis é Antropólogo, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais. Publicou vários volumes sobre o Catolicismo, entre eles Arraial, a Festa de um povo, Lisboa, 1983; ed. francesa, 1997. Continua estudando o Catolicismo, especialmente na sua relação com modernidade e sincretismo.(e-mail: psanchis.bhe@terra.com.br).Esse eutigo podsser acessado através do link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-85872007000200002

V SIMPÓSIO: REPERCUSSÃO (4)
Outro artigo muito interessante é “O OLHAR DE PADRE CÍCERO SOBRE AS RELAÇÕES SOCIEDADE NATUREZA E SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO DE NÚCLEOS RURAIS NO CARIRI CEARENSE”, de Judson Jorge da Silva (Mestre em Geografia pela Universidade Federal do Ceará – UFC. Professor da Universidade Estadual do Piauí – UESPI, Campus de São Raimundo Nonato). Ele foi publicado na Vozes, Pretérito & Devir (Revista de História da UESPI), Ano I, Vol. I, Num. I (2013) e pode ser acessado através do link:
revistavozes.uespi.br/ojs/index.php/revistavozes/article/download/36/38  O Resumo é: Esse artigo apresenta uma análise sobre a influência do Padre Cícero Romão Batista no processo de surgimento de comunidades rurais na região do Cariri Cearense. A partir das romarias ocorridas em virtude dos supostos milagres envolvendo o sacerdote, desenvolveu-se um acelerado processo de povoamento regional, com pessoas oriundas de várias partes do nordeste, que passaram a desenvolver atividades agropecuárias no local. A organização dessas comunidades, suas práticas de trabalho, oração e convivência com o semiárido, estavam pautadas em aconselhamentos dados pelo “Padrinho Cícero”. Nesse sentido, esse trabalho busca também compreender como a formação cultural, intelectual e clerical do sacerdote influenciou seu entendimento sobre as relações sociedade-natureza, difundida nos aconselhamentos dados aos migrantes que se estabeleceram na região do Cariri – CE.
O MAIS RECENTE JORNAL
No nosso inventário da imprensa juazeirense, esse é o título de número 578. Assim, entre 1909 (a partir do primeiro, O Rebate) e 2017 esse é mais um jornalzinho de circulação dirigida, especialmente para os filiados à previdência municipal. Como sua identificação, registramos apenas: 2017.01.00.02.578 – Informativo Bimestral PREVIJUNO. Jornal do Fundo Municipal de Previdência Social dos Servidores de Juazeiro do Norte-CE. Edição e Revisão de Textos: Evaniê Corrêa de Caldas; Direção de Arte e Produção Gráfica: Ícaro Coelho Tavares Alves; Gráfica: não informada; Periodicidade: Bimestral; Dimensões: 21,0cm x 29,5cm; Tiragem: não informada; ANO I (1 edições: I (1) 01/02.2017, 4p. Quem desejar alguma informação sobre imprensa juazeirense, consultar a Coluna. Pode ser que tenhamos a resposta. E à propósito, acabamos de identificar que em 1917 circulavam em Juazeiro dois jornais: O Recato e O Mensageiro. Aliás, sobre o Mensageiro temos duas informações: Senhorzinho Ribeiro, num dos seus livros faz menção a esse título, bem como há um registro de que seu primeiro número faz parte de Coleção Oswaldo de Araújo, na guarda da Hemeroteca da Associação Cearense de Imprensa (Fortaleza).