sábado, 4 de março de 2017


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que semanalmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de quartas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
250: (01.03.2017) Boa Tarde para Você, Geraldo Moreira de Oliveira
Pelo respeito e admiração que lhe devoto, Geraldo, leio nas redes sociais as suas observações sobre esse nosso Juazeiro, sem uma representação digna, nem de deputado estadual, federal, ou senador, ao tempo desse último vexame, com desacertos sobre a redivisão territorial, pela Assembleia. Concordo consigo ao afirmar que a culpa cabe exclusivamente a nós, povo, que tão ingenuamente delegamos competência aos políticos, os mesmos que propõem e votam em estranhos e causas, sem qualquer compromisso com a cidade, em troca de vantagens, quase sempre inconfessáveis. É óbvio que necessitamos de uma campanha para a conscientização dos eleitores, para que Juazeiro eleja pessoas competentes e ligadas à terra e não forasteiros, “paraquedistas’”, como é o habitual, mas em 2014, quando nos competia contribuir com a seleção de um bom quadro de representantes para a nossa Assembleia, éramos 147.655 eleitores habilitados, e votamos 133.989, em 501 seções, com 115.295 votos válidos, sem pensar muito nessa necessidade. Para deputado estadual, o eleitorado juazeirense preferiu pulverizar sua força votando em 544 candidatos, embora os primeiros colocados na votação tenham sido Dr. Santana, com 24.034 votos e o Dr. Vasques, com 8.975 votos, que tiveram 29,41% dos votos possíveis para suas eleições. O fato é que, literalmente, nós perdemos ao por na lata do lixo, um quantitativo de 70,59% dos nossos votos, da nossa força cidadã para escolher bem os nossos representantes, exatamente porque, desgraçadamente, nós não vamos passar o resto da vida sem precisar deles. Agora, Geraldo, estamos perplexos com o que nos aconteceu, porque a Assembleia alterou a divisão do território estadual, procurando equacionar eventuais conflitos de fronteiras, aprovando para a sanção governamental, já efetivada, a famigerada Lei 16.198, publicada em 16.01.2017. A palavra famigerada, Geraldo, é parte da indignação que sentimos, em razão de alguns expressivos indicadores, sendo o primeiro deles a inusitada “solapação” do espaço territorial juazeirense, num quantitativo que nem sabemos ainda ao certo, em detrimento dos quatro confrontantes. No barulho, ainda não está devidamente explicado o que perdemos naquilo que demorou pouco mais de cem anos para que retirado indevidamente, parte do que foi o grande acordo das lideranças de então para que aparecêssemos no mapa do Ceará, apesar de tão pequena área. Mas, apesar dessa tão pequena em área, hoje essa comunidade contabiliza números, valores, referências e outros marcos que enche esse Estado de um certo orgulho, pela exuberância de sua resolução desenvolvimentista, verdadeira a partir dessa sua liderança perante os 4 limitantes. Juridicamente, Geraldo, como sabemos a questão nasceu no Governo, o executivo, que para a Assembleia enviou estudos que seus órgãos competentes realizaram para subsidiar o que o colegiado teria que decidir. Dos atuais 46 deputados na Assembleia que necessitaram juntos 2.613.836 votos dos cearenses (de um eleitorado de 6.271.554, apenas 42%) para estarem lá, 26.560 saíram das urnas de Juazeiro do Norte, que embora represente apenas 1,02%, é parte indissociável de todos os 184 municípios. Relevo, primordialmente que moralmente, em causa justa a ser considerada, há um condicionante a ser destaque, pois todos eles, sem exceção, tiveram votos em Juazeiro do Norte, em número que é apenas um pouco menor que o concedido aos dois principais candidatos da terra. E que não se elegeram, pois apenas um ficou suplente, já efetivado na barganha com o governo, sempre a propósito da velha mania de nomear secretários dentre os membros do legislativo, como prática reprovável de acomodação de acordos que não se revelam publicamente. Outra coisa da qual lamentamos muito é a ingenuidade dos senhores deputados que agora se verão com a impetração de Ação de Inconstitucionalidade que, se procedente como estratégia de sobrevivência da nossa parte interessada, poderá restaurar nossos direitos sobre a terra ocupada. Isso põe em cheque a competência da sua retaguarda que não viu a tempo que a necessária causa passaria entre uma consulta plebiscitária e um grande entendimento como já enfrentamos em 1911. Agora, Geraldo, correndo atrás do prejuízo, o povo espera que a advocacia municipal consiga reverter essa disposição para surgir uma solução favoravelmente à nossa causa, pois afinal, como se diz, sapientissimamente, por aí, o negócio só é bom se for bom para os cinco.
(Crônica a ser lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em ??.03.2017)

BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! (57) Por Renato Casimiro
A FAMILIA DE MEUS AVÓS, ANTONIO E EUDÓCIA (I)... A matriz étnica mais importante de minha existência, sem dúvida alguma, é a minha ascendência materna, de romeiros alagoanos vindos para Juazeiro do Padre Cícero, desde o berço da civilização alagoana. Meu avô materno, Antonio Soares da Silva chegou a Juazeiro no começo do século passado, no ano de 1910, se supõe. Veio como milhares de conterrâneos seus, alagoanos, que ainda hoje continuam a vir, em atenção ao último desejo do Padrinho: “- Não deixem de vir ao Juazeiro, depois de minha morte.” Soares, pode não ter vindo ao Juazeiro em romaria, mas tudo indica. Católico fervoroso, era devoto de Nossa Senhora das Dores, devoção cultivada pelo Patriarca, e que fez crescer a afluência de alagoanos, sobretudo nesta data maior da Paróquia-Matriz, 15 de Setembro, a grande festa da padroeira, que de longa data se configurou numa das maiores e mais expressivas romarias do ano. Para milhões de nordestinos, especialmente os de Alagoas, o Juazeiro era, e ainda hoje é, a paragem obrigatória de seu encontro com o Reino de Deus. Muitos vieram para a cura de seus males, pela fé, pela esperança, num ritual sofrido, percorrendo légua tirana, em busca de uma terra prometida. É provável que Antonio Soares tenha vindo por estes mesmo motivos, decidido a refazer sua vida, trazendo mulher e com filhos para criar. Vamos falar um pouco da sua origem. Para isto já nos bastaria uma lida no seu Batistério: Parochia do Senhor do Bomfim, Viçosa, Diocese de Maceió. Certifico que a folha 241, do livro 9 de registro de batisados, desta parochia, encontrei o de Antonio, assim escripto: “Aos dois de fevereiro de mil oitocentos e oitenta e quatro, na Capella do Barro Branco, o Padre Francisco de Borja Barros, baptisou solennemente ao parvulo Antonio, tendo dose dias, filho legitimo de Manoel Soares da Silva e Vicência Maria; foram padrinhos Severino Soares da Silva e Severina Maria. O vigário Francisco Manoel da Silva.” E nada mais. Ita in fide parochii. Viçosa, 8 de Março de 1919, Vigário Cônego Durval Góis. Reconheço serem verdadeiras e de próprio punho do signatário a letra e firma retro do Cônego Durval Góis; do que dou fé. Em termo da verdade. Viçosa 8 de Março de 1919. Pe. José Carlos de Hollanda Padilha. Esta cópia do seu Batistério, nos guardados de família, tem data posterior ao seu segundo casamento e, provavelmente, foi solicitado ao pároco de então para uma outra finalidade. Nele, algumas observações. Embora conste Viçosa, na verdade seu nome era Vila de Assembléa, então pertencente à comarca de Atalaia. Só oito anos depois, em 14 de Maio de 1892, foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Viçosa, por Decreto n. 7, do então governador de Alagoas (1892-1894), Marechal Gabino Besouro. O local de nascimento, um dos municípios mais expressivos em toda a existência da romaria de Juazeiro, segundo me disseram, é “o berço da civilização das Alagoas”, “a Atenas de Alagoas”. Ao redor de Viçosa encontraremos outros núcleos que muito contribuíram para o crescimento de Juazeiro. Podem ser citados: Murici, Atalaia, São Miguel dos Campos, Pilar, União dos Palmares, Cajueiro, Capela, Rio Largo, Messias, e tantas outras. A vida de Antonio Soares, enquanto viveu em Viçosa, solteiro, segundo a oralidade familiar, foi a de um simples agricultor, vivendo com os pais na localidade de Riacho Seco. Por não terem terras, trabalhavam para os senhores donos do engenho do lugar. Aos vinte dois anos de idade contraiu o seu primeiro matrimônio com Cesina Ferreira de Albuquerque. Registremos aqui a certidão destas núpcias: Certidão de Casamento. Contrahentes – Antonio Soares da Silva – Dona Cesina Ferreira de Albuquerque. O escrivão José Candido de Castilho. Certifico, por me ser pedido verbalmente, que revendo os livros onde se acham lavrados os termos de casamentos deste município, em um deles à fl. 172 encontrei o assento do teor seguinte: Aos seis dias do mês de junho do ano de mil novecentos e quatro neste engenho denominado Riacho Secco, do município de Viçosa, Estado de Alagôas, em casa de residência do cidadão Romualdo Ferreira do Nascimento, às duas horas da tarde, perante o cidadão Major Numa Pompílio de Barros Correia, Juiz Districtal em exercício, commigo escrivão de seo cargo abaixo assignado e as testemunhas Antonio Soares da Silva e Manoel Romualdo de Albuquerque, ambos agricultores, residentes neste engenho acima falado, receberam-se civilmente em matrimonio o cidadão Antonio Soares da Silva e dona Cesina Ferreira de Albuquerque; aquele solteiro, de vinte e dois annos de idade, natural deste Estado, agricultor e filho legítimo de Manoel Soares da Silva e de Vicencia Maria da Conceição, ambos fallecidos, e esta solteira, de dezoito anos de idade, também natural deste Estado e filha legitima de Romualdo Ferreira do Nascimento e de Joanna Florentina de Albuquerque, residentes no engenho Riacho Secco, acima fallado; os quaes declararam nessa mesma occasião serem parentes no quarto gráo e não haver impedimento dos declarados pelo juiz;  eu firmei do que lavrei este termo que vai por todos assignada, assignando a rogo da nubente que declarou não saber escrever o cidadão Vespasiano da Rocha Tavares. Numa Pompílio de Barros Correia. Antonio Soares da Silva. A rogo de Cesina Ferreira de Albuquerque, Vespasiano da Rocha Tavares. Manoel Romualdo de Albuquerque, casado, de vinte e nove anos de idade, agricultor, residente neste município. Julio Pereira do Nascimento, casado, de vinte e dois anos de idade, agricultor residente neste município. O escrivão José Candido de Castilho. Era o que se continha em dito assento que fielmente copiei do original a que me reporto e dou fé. Viçosa, 6 de Abril de 1918. José Candido de Castilho, Escrivão. Deste seu primeiro casamento, nasceram-lhes os filhos Sizenando (Nane) (16.06.1904), Maria José (Zuza) (1906?) e Etercília (10.07.1910). Aí por volta do fim de 1910, aproximadamente, o casal decidiu deixar Viçosa e vir morar em Juazeiro. Foram vários dias de viagem – viagem para mais de oitenta léguas a cavalo, pelo interior dos Estados de Alagoas e Pernambuco, antes de chegar ao Sul do Ceará, trazendo pequena mudança no lombo de animais. Os filhos vieram em caçuás, grandes cestos de vime, arrumados nas montarias. Em Juazeiro, foram morar em casa simples na Rua São Sebastião (hoje Delmiro Gouveia). Com parcos recursos, do que foi possível se desfazer em Alagoas, a família montou pequeno negócio de mercearia, a tradicional bodega interiorana, vendendo um pouco de tudo, entre gêneros de primeira necessidade e utilidades domésticas, na parte da frente da residência. No final de 1911, conforme relata o jornal cratense Correio do Cariri, de 19 de novembro, “a varíola estendeu o seu campo de ação, caminhou ao longo da via férrea, estacionou em Suçuarana, chegou ao Juazeiro e agora até nós”. No ano de 1912, pouco mais de um ano de sua permanência em Juazeiro, Cesina foi acometida de varíola e não se curou, falecendo. Já se fazia vacinação na região, mas no seu caso, certamente, a prevenção não aconteceu. Seu sepultamento ocorreu em uma área reservada da cidade, nas proximidades do, hoje, Hospital São Lucas, onde havia um cemitério, dito, dos variolosos (bexigosos), mandado construir por Pe. Cícero, segregado dos dois outros cemitérios da cidade – o do Socorro e o da Rua Nova. O cemitério dos variolosos foi, anos depois, completamente desfigurado, pois, por sobre ele, em parte reformou-se a capelinha construída pelo beato Manoel Cego que já era dedicada a São Miguel, hoje Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, e de outra parte se construiu o hospital já referido. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 26.02.2017)
BOM DIA! (58) Por Renato Casimiro
A FAMILIA DE MEUS AVÓS, ANTONIO E EUDÓCIA (II)... Viúvo, Soares continuou criando os seus filhos e vivendo para o seu trabalho. Conheceu, então, Eudócia Maria da Conceição (Neném), sua conterrânea alagoana, também de Viçosa. Namoraram, noivaram e, em pouquíssimo tempo, casaram-se em 09.11.1912. Anoto, aqui, a certidão do seu segundo casamento: Certidão. O cidadão Vicente Pereira da Silva, Oficial do Registro Civil do Município do Juazeiro, Estado do Ceará, etc. Certifico, que revendo em meu cartório o livro do Registro Civil dos Casamentos, sem número, no qual escrevia o escrivão Enoque Miranda Nogueira, dele às folhas trinta (30) verso e trinta e uma (31), consta, sob o número de Ordem quarenta (40), o assento do casamento do teor seguinte: “Termo de casamento civil celebrado entre os contrahentes Antonio Soares da Silva e dona Eudócia Maria da Conceição, tudo como abaixo se vê, etc. Aos nove dias do mez de novembro de mil novecentos e dose, nessa villa do Juazeiro, termo deste nome, comarca de Crato, Estado do Ceará, em casa de residência do Juiz de Casamentos desta villa, major Pedro Fernandes Coutinho, presente este, commigo Official de seu cargo abaixo nomeado, ahi, pelas três horas da tarde e a portas abertas, receberam-se em matrimonio Antonio Soares da Silva, de trinta e cinco annos de idade, viúvo, commerciante, natural de Viçosa, Estado de Alagoas, e actualmente residente nesta villa, filho legitimo de Manoel Soares da Silva e dona Vicência Maria da Conceição, já fallecidos; e dona Eudocia Maria da Conceição, de dezenove annos de idade, solteira, costureira, natural de Viçosa, Estado de Alagoas, filha legítima de Tertuliano Barbosa da Silva e dona Maria Alves da Silva, residentes nesta villa, todos conhecidos de mim tabellião e das testemunhas abaixo. Declaram que já se haviam habilitado perante o respectivo Oficial de Casamentos civil, e que também já se haviam casado religiosamente, no dia quatro de setembro do andante anno de mil novecentos e dose. E de tudo, para constar, se lavrou este termo, em que assignam o juiz, os cônjuges, e as testemunhas Pedro da Costa Nogueira, Ananias Eleutherio de Figueirêdo e Antonio Baptista de Sousa Carneiro, assignando á rogo da contrahente, a testemunha Pedro da Costa Nogueira, que tudo dou fé. Eu, Henoc Miranda Nogueira, Escrivão interino dos casamentos civil, o escrevi (assignados) Pedro Fernandes Coutinho – Antonio Soares da Silva – Pedro da Costa Nogueira, de quarenta e nove annos de idade, casado, empregado público, residente em Milagres – Ananias Eleuthério de Figueirêdo, de vinte annos de idade, solteiro, commerciante, residente nesta Villa – Antonio Baptista de Sousa Carneiro, de cincoenta e seis annos de idade, casado, artista, residente nesta villa – José Gonçalves d´Oliveira”. Está conforme com o original. Dou fé. Eu, Expedito Pereira, escrevente, a datilografei. E, eu, Vicente Pereira da Silva, Oficial do Registro Civil, a subscrevo, dato e assino. Juazeiro, 23 de Novembro de 1941. Casado com Eudócia (Neném), a família continuou morando na Rua São Sebastião por pouco tempo, talvez uns três anos, pois dos filhos que se criaram, aí somente nasceu Maria dos Anjos (Dosanjos) em 02.08.1915. Lembraria, Ivaniza, que este fato era dito por brincadeira na juventude das filhas de Soares: “ela foi a única que nasceu nos Ariscos”, pois era assim que se tratava a periferia da cidade. Naquela época, o lugar era um povoado, onde quase tudo acontecia ao redor de um quilometro da igreja, sob o olhar vigilante do Pe. Cícero. As terras eram protegidas pelos valados da Mãe de Deus, imensas trincheiras que circulavam a cidade e que lhe permitiram rechaçar as forças policiais do Governo do Ceará, na triste página da Sedição de Juazeiro (fins de 1913 - começo de 1914). Felizmente, aconteceu a vitória das forças comandadas pelo deputado federal Floro Bartholomeu da Costa, com o apoio do então presidente da república Hermes da Fonseca, trazendo a tranqüilidade de famílias pacatas, como a de Soares e de Neném que apenas começavam nova vida. Sobre estes primeiros anos da vida de Neném e Soares na Rua São Sebastião, cabe aqui mencionar que, segundo relato que a tia Dosanjos me fez, há muitos anos, quando iniciei apontamentos genealógico sobre a família, ela referiu que antes do seu nascimento o casal tivera duas filhas, ambas falecidas em tenra idade: Maria Nazaré, provavelmente nascida em 1913, e Maria Custódia, em 1914. A família permaneceu aí, então, até o final de 1915, quando Soares comprou uma nova casa na Rua São Francisco. Todos os demais filhos de Soares e Neném nasceram na nova morada da São Francisco. Doralice, minha mãe, veio ao mundo em 19.03.1917. A Dosanjos e a ela se seguiram: José (23.12.1919), Edmilson (06.06.1923), Ivaniza (21.08.1924), Silvanir (01.11.1925), Zuleica (15.02.1928), Maria (29.06.1929), e Maria José, falecida pouco tempo depois de nascida, em 1930. Meu avô teve diversas atividades no comércio. De fato, esta era a sua vocação. Depois da bodega da Rua São Sebastião, instalou uma padaria que ficava na Rua São Francisco, 100, vizinho à residência da família, onde hoje é o depósito da Aliança de Ouro, no número 318 (nova numeração). A padaria era uma casa maior que a de residência, uma casa simples de porta e janela. A padaria tinha dois cômodos e um quintal. No primeiro havia a parte de vendas com balcão e prateleiras. Na segunda sala havia pequenos equipamentos para a fabricação dos pães, como mesas, guarda de farinha, cilindros e um forno de alvenaria. No quintal se mantinha a lenha para fazer o aquecimento do forno. Na padaria se faziam pães em bisnagas de 200 g, bolachas populares de um tipo chamado Canela - doces e arredondadas, e outras, ditas secas, salgadas e quadradinhas. Havia também os pães dos tipos doce, carteira, e outros mais. Na padaria não trabalhava nenhum dos filhos, mas dentre os empregados havia alguns sobrinhos do vovô. As matérias primas meu avô as adquiria no armazém do português Manoel Simões Loiro, em Crato. Ouvi diversas vezes estórias e até conheci um antigo colaborador de Soares, vendedor da velha Padaria. Numa destas estórias se falava que a padaria fornecia pães para a alimentação de contingente para-militar, de grupos como os Pedros, os Pinheiros e outros que se mantiveram ativos depois da Sedição. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 27.02.2017)
BOM DIA! (59) Por Renato Casimiro
A FAMILIA DE MEUS AVÓS, ANTONIO E EUDÓCIA (III)... A vizinhança dos Soares na Rua São Francisco, no quarteirão entre as Ruas São Pedro e São Paulo, poderia assim ser resumidamente descrita: Do lado impar da rua, desde a São Pedro: a loja e a residência das proprietárias, as beatas, dentre as quais a beata Angélica (depois foi loja de tecidos de Mundinho Figueiredo); a morada da família de Mariana e Ezequiel Almeida, e os filhos, Ferrer, Assis, Gezo, Dão, Maura, Terezinha e Alacoque; alguns quartinhos de Ezequiel Almeida; a Usina de Algodão, de Antonio Pita (hoje é o Banco do Brasil); a residência de Doninha e Manoel Chaves, e as filhas Isaura, Alacoque, Francisquinha e Nair; o escritório da firma P. Machado, processadora de algodão em pluma, sob a gerência de Aderson Brito; e na esquina da São Paulo, a casa da família de dona Nininha e Sandoval, pais de Juarez e Leide, que se casaria com José Viana Filho. Do lado par da rua, a começar do “oitão” da Farmácia Brasil, pois a família de dona Zila e do proprietário Dr. Manoel Belém de Figueiredo residia na Rua São Pedro, 337: a residência de Jamil Jereissati, a única casa da rua que era recuada e tinha jardim à frente (depois ela se tornou morada de um outro casal de libaneses, gente muito amiga dos Soares, embora com dificuldade de expressão, pois só falavam sua língua de origem e francês, e eram católicos, dona Georgete e seu Barakat, com as filhas Arlete e Samira); a morada da família de Maria Feitosa; casa de dona Maria (Mariinha) e Mestre Manuel (Neco) e os filhos José (Zezinho), Pedro, Nerci, e uma irmã freira; a Padaria e a moradia dos Soares; a casa de Conceição e Sebastião (Sebasto) Marques e os filhos Lourival (radialista de grande importância, desde o CRP até a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro), Maria Alice e Iraci; a família de dona Maria Miranda (funcionária pública que eu já fui conhecer na Escola Normal Rural); a residência de Vicentina e Raimundo (Mundinho) Coimbra (Dárim, José, Lenita, Stela, Raimundo Olavo, Ditinha, Antonio (Mascote); a casa de morada de Francisca (dona Tica) e Mariano Garcia, e as filhas Balbina  Maria de Lourdes (que depois se tornaria freira salesiana, residente em Manaus), e João; e os armazéns da firma P. Machado, na esquina da São Paulo, onde hoje é a Rádio Progresso. Por volta de 1923, Antonio Soares abriu uma loja de tecidos na Rua São Pedro, 293, do lado da Praça Pe. Cícero, onde funcionaria depois o Grêmio Mons. Joviniano Barreto, dirigido pelo prof. Elias Rodrigues Sobral. Desta loja as filhas já não lembram quase nada. Talvez que havia um quintal vasto onde meu avô criava galinhas e engordava capões. As dificuldades da economia da época (a quebra do algodão) já nos anos 30, e o fiado, levaram a sua falência. Conseguiu pagar os credores e fornecedores. Mas, faliu. Com isto, também fechou a padaria e vendeu a casa de residência, se passando para a padaria, que era maior. Nesta época, seu bem material mais valioso e que ele poderia dispor, sem comprometer o bem estar da família, era um relógio de ouro, presente do seu compadre Francisco (Chico) Alencar. Vendeu-o e com o dinheiro fez capital de giro para novo empreendimento. Tornou-se ambulante, vendia facas e punhais, e viajava pelo interior do Ceará. Frequentava as festas interioranas, principalmente em Canindé e Acarape, onde estabeleceu um depósito. O tio José, já rapazinho, ia frequentemente na companhia do vovô, e até residiu em Acarape, à margem da velha estrada de ferro da Rede Viação Cearense, que já ligava Juazeiro a Fortaleza, desde 1926. Suas viagens tornaram-se muitos comuns. Às vezes voltava para casa no trem da feira que chegava a Juazeiro pelas 11 horas e já às 14 horas estava voltando, carregado de mercadoria para atender ao mercado. Era apenas o tempo de arrumar a mercadoria em sacos de estopa e passar os pacotes para a cabeça do chapeado 11, uma figura inesquecível, que os levava para a estação ferroviária onde seriam despachados. Depois do almoço, a despedida com a família e pegar o caminho de volta, para a luta da sobrevivência. Depois, meu avô passou a vender variedades. Podia ser cebola, sapato, chocalho, cordas, qualquer coisa que tivesse mercado. Sapatos, parece ter sido o melhor negócio. Nessa fase de vendedor ambulante, Antonio Soares conseguia fazer outro tipo de negócio, pois comercializava material de sucata. O quintal da casa da Rua São Francisco se enchia de material sucateado, trazido de caminhões das bandas da capital, para servir de matéria prima para fundições, principalmente na produção de chocalhos para gado, um tipo de artesanato que muito prosperava no Juazeiro. “Ciço Preto”, pai de meu amigo José Carlos Pimentel e Silva, era um destes transportadores frequentes. E vovó Neném ficava encarregada de fazer as vendas, enquanto Antonio ganhava o mundo para continuar sobrevivendo e alimentando a família. Pouco se sabe do relacionamento de Soares com seus sogros. Ao tempo em que residiam na São Francisco, Tertuliano Barbosa da Silva (pai Terto) e dona Maria Alves da Silva (Madrinha Santa), os pais de Eudócia, já residiam na Rua São José, número 846. Dosanjos, das filhas mais velhas de Soares, assim se referia aos seus avós: “Pai Terto era um homem alto, moreno e forte. Madrinha Santa era baixinha, branca e de olhar miúdo. Já viúva, Madrinha Santa manteve a bodega que a família tinha na Rua São José. Anos depois, encerrou os negócios, e mudou-se para uma casa na Rua da Conceição, no terreno onde depois se construiria o Clube dos Doze. Aí, numa casa simples, de fundo correspondente ao da residência de meus avós na Rua São Francisco viveu seus últimos anos. Sua casa era frequentada pelos netos. O quintal da casa de Madrinha Santa dava para o Cine Roulien. José Soares, Dão Almeida, (Dr.) Ney Tavares e outros rapazes, a turma da época, pulavam o muro para entrar de graça no cinema.” Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 28.02.2017)
BOM DIA! (60) Por Renato Casimiro
A FAMILIA DE MEUS AVÓS, ANTONIO E EUDÓCIA (IV)... A despeito de ter sido uma pequena morada para a família, significativamente a casa da Rua São Francisco foi a única que abrigou todos os filhos de Soares, ao todo 11 filhos. Mas, foi na Rua São Francisco que a família começou a se separar. De início foi o empenho de meu avô com a educação de Sizenando, no Colégio Militar do Ceará, em Fortaleza, para onde foi mandado em regime de internato. Nane fugiu do colégio e meu avô teve grande desgosto. Seu casamento com Altina foi em 1923.  Eles moraram na mesma Rua São Francisco numa casa que pertencia a meu avô. Aí nasceu o primeiro filho Milton, em 17.06.1925. Zuza casou com Cândido Lopes da Silva, da localidade Lameiro, Crato, e foi morar na Rua São Francisco. Aí nasceu a primeira filha, Zelita. Depois mudaram-se para Aracati e Limoeiro do Norte. Em Limoeiro nasceram-lhes os filhos Hamilton (22.05.1929) e Ivanildo (30.09.1930). Depois foram para São Paulo. Em 1937 Etercília casou com Álbis Irapuan Pimentel, na época funcionário da Usina de Algodão de Antonio Pita. Foram morar na Rua São Pedro, junto a área de comércio, onde nasceram os filhos Eugênio Paceli e Eugênia Celi. Anos depois se mudaram para a Rua Pe. Cícero, 413 e aí ficaram até falecer. Etercília se referia a parentes em Palmeira dos Índios. A residência da família na Rua São Francisco entre os anos 20 e 1935 foi ficando desconfortável, pois havia, em frente à casa de vovô, a Usina de Algodão de Fenelon Pita, posteriormente administrada por seu filho Antonio Pita. Essa vizinhança trouxe para a família alguns inconvenientes. Em primeiro lugar, havia pequenos acidentes com fogo que poderiam precipitar, a qualquer momento, grandes incêndios com pluma de algodão. Quando isto acontecia vinha um desespero dentro de casa e várias vezes os móveis e objetos tiveram que ser levados para o fundo do quintal da casa, prevendo-se o pior. Outra coisa era a atmosfera do lugar. Por causa da poeira do algodão, principalmente a minha tia Dosanjos, recentemente falecida aos 89 anos, padeceu de asma e alergia respiratória. Como se não bastassem estas duas coisas, dia e noite, o movimento de cargas, com caminhões à porta, tomavam a frente das casas e o tratamento do pessoal de capatazia era desrespeitoso. Não queriam nem saber e, freqüentemente, até fechavam as entradas das portas, impedindo a família de ir e vir, livremente. Meu avô então, ouvindo recomendação expressa do médico Dr. Mozart Cardoso de Alencar, pela questão da saúde dos filhos, mudou a família para uma casa alugada na Rua São Pedro, 525. Isto foi quase ao final de 1939. Na nova casa, pouco tempo passaram, coisa de um ano e meio. Meu avô continuou procurando outro imóvel adequado à família. Encontrou a que desejava na Rua São José, 478. Quando submeteu a aquisição a minha avó, a sua reação foi contrária. Não queria, não tinha gostado, a localização não era boa, pois pela Rua abaixo corria uma água vinda da lagoa que havia onde depois se construiu a casa do prefeito Feitosa. Até se usava a expressão “a lagoa encantada”. Ela achava que as condições seriam insalubres, com mosquitos e doenças. Mas, Soares, mais jeitoso, convenceu dona Neném a aceitar a compra da casa, e a família se mudou para lá, em maio de 1941,definitivamente, hoje sabemos. Contudo, a casa era, ainda, pequena para comportar o casal e filhos. Algum tempo depois, vovô compraria a casa vizinha - o que se chamava de meia-água, o número 484. Com uma boa reforma a casa passou a ter sala de visitas, dois quartos, sala de jantar, despensa e cozinha, além de instalações sanitárias no quintal. Foi assim que já fomos encontrá-la, Ana Célia, eu, Doralice, e Luiz, quando passamos a residir na Rua, vindos da São Francisco. Por um tempo, manteve-se a individualidade de ambas, embora interligadas por uma porta, na altura das salas de jantar. Na Rua São José a família continuou se reduzindo. José casou, em 1943, com Angélica, uma sobrinha da beata Angélica, que tinha uma loja de variedades na Rua São Pedro, esquina com São Francisco. Moraram na Rua São Francisco e depois se mudaram para a Rua da Conceição onde a família comprou casa. Aí nasceram seus 5 primeiros filhos (Antonio Carlos, Ângela Marta, Ana Lívia, Adauto e Ana Lúcia). Depois partiram para São Paulo. Com os bons resultados e a evolução dos negócios de ambulante, meu avô voltou a se estabelecer no comércio de Juazeiro, entre 1942 e 1948. Montou uma sapataria, na Rua São Pedro, 619. Nela trabalharam os filhos Ivaniza (na parte comercial), José e Edmilson (na oficina). A oficina da sapataria ocupava dois prédios, próprios, na Rua Santa Luzia, perto do Cine Eldorado. Aí se fabricavam diversos tipos de sapatos masculinos e femininos. A peça de combate era, principalmente, as alpercatas de rabicho, tão usadas pelos sertões. O tio Edmilson era exímio artesão e era o mestre dos cortes e conferia os acabamentos, com zelo e perfeição. Ainda por vários anos, Antonio Soares manteve-se como fabricante de calçados e os negócios em vários municípios pelo interior do Ceará, particularmente ao longo da via férrea para Fortaleza. Dos prédios da Santa Luzia, ele viria a perder um deles em pagamento de uma dívida contraída por Antonio Duda, pessoa casada com uma sobrinha de meu avô, e por ele avalizada. Duda não pagara nem os juros ao agiota José Pedro da Silva, fato que deixara meu avô muito abalado. Isso já foi no começo de março de 1948, e até se acredita que a sua angústia diante deste fato seria a causa de sua súbita crise de angina. Na manhã do dia 11.03.1948, logo após o café, foi para o trabalho na loja da Sapataria que funcionava na Rua São Pedro 619. Daí um pouco voltou em casa e se queixou a Neném que estava sentindo uma dor no braço esquerdo, que se estendia pelo peito. Vovó lhe preparou um chá e o tranquilizou, recomendando uma visita ao consultório de Dr. Mozart. Mas, ele não esperou que o médico chegasse, e voltou ao trabalho. Em seguida, pela permanência dos sintomas, voltou para casa e vovó foi procurar pelo médico que o socorreu. Com a ausculta, Dr. Mozart não encontrou nenhuma alteração e até achou que seria uma dor reumática que lhe atacava. Prescreveu uma injeção e recomendou repouso. À tarde, dona Dade (Soledade) Magalhães, diligente enfermeira de todo o Juazeiro por aqueles tempos, veio aplicar-lhe a injeção e, enquanto, fazia a esterilização do aparelho, ouviu-se o alarme. O infarto (dizia-se na época, colapso cardíaco) foi fulminante. Eram 17 horas do dia seguinte àquela grande contrariedade que tivera, acima mencionada, quando perante o tabelião da cidade, assinara a escritura de transferência do imóvel que perdera. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 01.03.2017)
BOM DIA! (62) Por Renato Casimiro
A FAMILIA DE MEUS AVÓS, ANTONIO E EUDÓCIA (V)... Não era somente da gente da sociedade do Cariri, naquela época, que fazia a amizade próxima do casal Neném e Antonio. Muita gente mais simples, dos sítios, fazendas e distritos tinha o apoio de Antonio Soares, a sua cordialidade e consideração. Fosse como comerciante, fosse como amigo, pois era fiel, companheiro e colaborador dedicado. Por isto mesmo, os filhos tinham sempre a grata alegria de receber deles, todos, os primeiros frutos das safras. Eram presentes generosos que enchiam as despensas das casas, desta gente amiga que nunca dispensou o tratamento de reciprocidade, a altura dos gestos generosos do casal. Outra coisa era a acolhida que Soares e Neném tinham na casa de Pe. Cícero, em vida, e após a sua morte, recebidos pelo carinho de Joana Tertulina de Jesus (a beata Mocinha) a quem chamavam de Madrinha Mocinha. A casa dos Soares era uma hospedaria, pois para ela, frequentemente afluía gente dos sítios, de Caririaçu (família Borges-Adélia e Afonso Borges, e os filhos Ceci, Dada, Adalgisa, Paulinho e outros, família Morais, família de Chico Chagas), do Cedro (Pereira Fernandes), de Crato, de Barbalha, de outras cidades. Eram amigos, parentes, compadres que nos visitavam. Neném e Soares eram padrinhos de Francisquinha que seria Sra. Alfeu Guimarães, irmã de Neném Bezerra. (Verificar o nome dos pais e a data de nascimento dela.), também padrinhos de Lelí Figueiredo, sra. Manoel Pereira Cansanção (Né), portanto compadres do casal Raimundo (Mundinho) Figueiredo. Com a morte de Soares, minha mãe, Doralice, assumiu a frente dos negócios e tentou levar o empreendimento à frente. Infelizmente a conta de fiados devidos à Sapataria era grande e pouca gente honrou o compromisso. Chegou um momento em que o apurado não dava para pagar os custos de matérias primas, empregados e outros custos fixos. Então se decidiu encerrar a loja naquele ano de 1948. Doralice casou com Luiz Casimiro em dezembro de 1948, e foram morar na Rua São Francisco, 398. Aí nasceram seus dois filhos, Antonio Renato e Ana Célia. No começo dos anos 50 foram morar na Rua São José 484, vizinhos de Neném Soares, já viúva. Doralice estudou na Escola do prof. José de Anchieta Caminha Gondim, nos anos 20. Na Escola Normal Rural esteve entre 1934 -1938, quando se diplomou professora rural. Em 1939 fundou o Instituto Dom Vital, que funcionou na Rua São José 102, por pouco tempo. Foi professora da Escola Técnica de Comércio. Obteve um contrato com o Governo do Estado e se tornou professora primária de escola pública, prestando serviço no Círculo Operário São José, até quando se aposentou. Inicialmente se dedicava ao ensino no turno matutino. Em 1954, segundo semestre, passou a trabalhar à noite, pelo motivo de estar agora também dedicada ao comércio, com a fundação do Centro Elétrico. Casamento na manhã do dia 08.12.48, na Capela de Nossa Senhora de Lourdes. Mamãe era Filha de Maria. À noite, Mons. Joviniano Barreto compareceu à casa dos noivos, na Rua São Francisco, 398, e fez a entronização do Sagrado Coração de Jesus e do Sagrado Coração de Maria. Silvanir casou com Ananias Araújo em 02.09.1950. Na minha lembrança, não posso deixar de referir a figura da Zefa. Zefa (Josefa Maria da Conceição, nascida em Viçosa, AL, em 1884) foi uma empregada que viveu com os Soares ainda desde a Rua São Francisco, seguindo com a família pelos outros locais (Rua São Pedro e Rua São José). Era uma preta baixinha, de feições muito rústicas. Era uma serviçal extraordinária, disposta e para toda obra. Lavava roupa, cozinhava, fazia toda a faxina da casa. Frequentemente levava roupa da casa para lavar na boca das cobras, no salgadinho. Foi a babá da tia Silvanir, por quem se afeiçoou muito. Assim, quando Silvanir se casou com Ananias Araújo, Zefa foi morar com eles, na Rua Nova, acompanhando-os de volta para a Rua São José, em 1951. Já nos últimos momentos de sua vida, voltou para a casa das tias que cuidaram dela até morrer, em 07.11.1977. Zefa tinha muito receio de não ser sepultada dignamente. Assim, minhas tias sepultaram-na no jazigo da família. Sizenando casou com Altina, que era de família de Lavras da Mangabeira, e morou na Rua São Francisco, em frente à casa dos pais. Neste endereço nasceram seus primeiros filhos (Milton e Moacir). Com a mudança para São Paulo, Nane foi servir na Força Pública do Estado de São Paulo. Zuza casou com Candido Lopes da Silva, cratense da localidade do Lameiro, e foi morar na Rua São Francisco. Depois viajaram para Aracati e Limoeiro do Norte, onde moraram por pouco tempo. Os filhos Hamilton e Ivanildo nasceram em Limoeiro. Maria diplomou-se pela Escola Normal Rural em 1948. Já em 1949, era professora primária no Internato Santa Terezinha, dirigido por Amália Xavier de Oliveira. No ano seguinte, 1950, estava lecionando no Grupo Rural Modelo. Em 1956, Dona Maria Gonçalves da Rocha Leal veio a Juazeiro recrutando moças para o serviço de extensão rural na ANCAR – Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural. Através de tia Etercília, que conhecia Gonçalves, Maria foi selecionada e aí começou a sua atividade de extensionista rural, servindo nos escritórios da empresa nas cidades de Recife e Tapera – PE; Tucano e Coração de Maria – BA; Baturité, Pacajus, Maranguape, Guaiúba e Uruburetama-CE. A doença de minha avó levou-a a pedir demissão e voltar ao Juazeiro, em 1961. Dona Neném adoeceu em 1961, quando lhe aconteceu um acidente vascular cerebral, a conhecida trombose. Ficou hemiplégica. Lembro de alguma coisa do seu tratamento, como a famosa aguardente alemã. O médico que mais de perto lhe acompanhou foi o Dr. Mário Malzone, embora algumas vezes Dr. Mozart Cardoso de Alencar tenha prestado seus serviços. Havia sofrimento, dores e quase não dormia pelas noites. O tratamento com Dr. Mário, aos poucos, foi contornando o quadro e foi-lhe proporcionando uma melhor qualidade de vida, permitindo que dormisse melhor, diminuindo as dores e o desconforto do quadro. Infelizmente, com o agravamento do quadro circulatório, sua saúde foi definhando. Nas noites de maior angústia, minha mãe nos levava para noites intermináveis de vigília junto da rede da vovó, até que veio a falecer em 1963, quando já tínhamos deixado a Rua São José e já estávamos morando na Rua Santa Luzia. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 02.03.2017)


BOM DIA! Por Renato Casimiro
A MORTE DE FELIPE NERI DA SILVA (I)... A grandeza de uma cidade se constrói, também, com a memória da vida e dos exemplos de seus cidadãos. Felipe Neri da Silva foi um destes valiosos contributos ao desenvolvimento de Juazeiro do Norte, homem nascido aqui em 30.04.1908, de egressas raízes romeiras alagoanas. Talvez, pouco lembrado diante de coisas que nos fazem fiéis aos modismos e ao exercício continuado de uma certa curta lembrança sobre fatos históricos. Raimundo Araújo e Mário Bem Filho, na obra Dados Biográficos dos Homenageados em Logradouros Públicos de Juazeiro do Norte, vol. 1 (Fortaleza: ABC Editora, vol., pp 248-249, 2000) já o perfilaram para indicar em síntese a trajetória deste homem. Eu o conheci tão pouco e dele guardei sempre tanta admiração, que o ato final, de uma despedida antecipada, motivada pelo trágico de sua morte me deixou por anos a comoção de um menino de 10 anos à porta de concorrido velório, depois de dias de espera para o pranteado zelo de seus restos mortais no velho casarão da Rua Pe. Cícero. Partida antecipada, de certo, de quem se ligará eternamente aos marcos fundantes desta nova civilização do Taboleiro, ansiosa por um progresso que nos legasse legitimamente os caminhos do desenvolvimento e da plena satisfação de uma cidade que começava a se reerguer entre os anos 40 e 50, após ter experimentado a dura orfandade de sua liderança inconteste – Pe. Cícero Romão Baptista. Felipe era destes, dos primeiros a cerrar fileiras para que tivéssemos comércio dinâmico, associações de grande credibilidade, telefonia, eletrificação, vida social, serviços comunitários, transportes e, caprichosamente, aeroporto. Pois foi, exatamente à aproximação daquele outrora mais movimentado aeroporto do país que frustrou a todos nós, nos privando de uma maior convivência com este homem. Falamos da tragédia que foi sua morte em circunstâncias ainda pouco esclarecidas, não obstante o inquérito pertinente, conduzido pela Aeronáutica. A vida de Felipe Neri foi, basicamente, a de um empresário de comércio. No início de sua vida profissional era viajante pelo interior do país, até quando deixa os percursos itinerantes e se estabelece com a sua Casa Neri, em 1935, seis anos depois do seu casamento com a pernambucana Maria de Vasconcelos Neri, a dona Lili – a senhora, a grande dama, para quem pouco ainda era um simples cumprimento, seguido do gesto de abrir-lhe à passagem por uma calçada qualquer da cidade, como vi tantas vezes fazerem. Lili foi por toda a sua vida, a marca indelével deste conceito que tinha no patriarca Felipe um peso pesado de dignidade e respeito. No comércio, Felipe Neri não era empresário que se acomodasse à vidinha pacata da cidade que mal se levantava. Era irrequieto, inovador, apostou com muita determinação nesta vocação primeira de nosso centro e a ele agregou um estilo de negócios que fluía muito bem ao sucesso dos empreendimentos. Foi o primeiro a acreditar na realidade que se impunha, à sua época, com os combustíveis, mal o país criara a Petrobrás e abrisse o mercado às destilarias estrangeiras. Comerciante de relevo, era necessário viajar, ir aos centros produtores e conhecer de perto as novidades que o mercado demandava e receberia. Foi numa destas viagens ao Sul que sua vida entre nós se encerrou. Em 24 de junho de 1960, Felipe Neri da Silva estava em Belo Horizonte, a caminho do Rio de Janeiro. Dizem-nos os relatos de família que nesta ocasião ele encontrou um amigo, deputado federal, que desejava ir com urgência ao Rio de Janeiro. Felipe então, cedeu-lhe a marcação de seu bilhete e se transferiu para o vôo seguinte, o RL 435, da Real Aerovias, partindo do Aeroporto da Pampulha (PLU) para o Aeroporto Santos Dumont (SDU), no Rio de Janeiro, onde pousaria às 19:15h. A aeronave utilizada neste trecho era um Convair 340-62, prefixo PP-YRB, com número de registro 191 da Real. O equipamento fora fabricada em Junho de 1954 e entregue a Real 07.07.1954. A companhia, contudo, divulgou na época que a aeronave tinha apenas dois anos de uso, e que estava segurada no seu valor de mercado, cerca de 500 mil dólares.  Segundo documento oficial, transcrevemos algumas notas copiadas do relatório do inquérito: “Às 17:22P o PP-YRB de 24.06.1960 decolou de Belo Horizonte para o Santos Dumont com 46 passageiros e 5 tripulantes. Desse total, 17 passageiros eram provenientes de Brasília e embarcaram em BH como conexão. O Comandante da aeronave era João Afonso Fabrício Belloc, coronel da FAB, na reserva, que fora na Itália o comandante da 1a. ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação). Reformado, era piloto de grande experiência (18.000 horas de voo, também na aviação civil, desde 1947 na Real). Seu copiloto era Orlando Gonzales Fernandes (29 anos, desde 1953 na companhia), o radio operador de voo era João Batista Valadão (45 anos, desde 1951 na Real) e os comissários de bordo Antonio Jorge Santos Pombal (25 anos, na Real desde 1955) e Lúcia Maria Vieira Lima Jaguaribe (22 anos, recentemente admitida).  Às 17:49P foi feito o contato com a  posição Barbacena (MG); às 18:15P com o Pico do Couto (Petrópolis-RJ), às 18:25P sobre o rádio farol Q (Ilha dos Ferros) a 600m, e recebeu autorização do Controle de Aproximação para fazer o procedimento de descida e aproar ao rumo 036º. Na ocasião, chuva leve contínua, 3/8 de Stratus a 150m, 6/8 de Stratocumulus a 600m e 8/8 de Altostratus a 2.200m, temperatura 19º, ponto de orvalho 18º. São os dados técnicos do voo, devidamente registrados. Após pedir autorização para pouso no Aeroporto Santos Dumont, o comandante informou que não havia teto e que deveria aguardar o momento certo para aterrissagem. Além disso, o Comandante havia reclamado de problemas na transmissão e recepção de mensagens. A essa altura o Convair estava sobrevoando a Ilha dos Ferros, próxima à Ilha de Paquetá. O avião desapareceu caindo no mar entre as Ilhas do Sol e Jurubaiba, um local de muitas pedras e raso. Numa das edições de um jornal carioca, se encontra um mapa indicando a situação geográfica das ilhas e o local do acidente do voo RL 455. O horário do acidente foi calculado por volta das 21 a 22 horas. Portanto, se estima que a aeronave, em busca de melhores condições de finalização teria sobrevoado a área por cerca de duas horas, coisa que não está bem esclarecida, em vista do registro do último contato. Após o bloqueio de Q o avião não mais se comunicou com o Controle ou a torre. O acidente aconteceu quando a aeronave efetuava o procedimento de descida e tinha informado o bloqueio do radio farol da Ilha dos Ferros. Quando o avião entrou no espaço aéreo carioca, o Aeroporto Santos Dumont, que estivera com as pistas de pouso fechadas por causa da neblina, acabara de voltar a funcionar. O avião colidiu em voo com o mar, em rumo de aproximadamente 350º. O acidente foi notificado em vista da falta de comunicação e também porque um soldado da Aeronáutica que estava nas proximidades do local ouvira um barulho de avião caindo, mas quando foi procurar, nada encontrou. Apenas escuridão. Sem fogo, sem luz, o imenso veículo aéreo havia desaparecido nas águas tranquilas da Guanabara, sem deixar rastro. A Marinha e a Aeronáutica, no início, mobilizaram forças para fazer buscas por todo o Estado, procurando destroços, inclusive e locais mais distantes como em Campos (litoral) e Itaperuna (Norte). Após o acidente foram iniciadas as buscas aos destroços que só começaram a ser achados por volta da 1 da madrugada. Um pouco mais tarde, o helicóptero do Serviço de Salvamento da Força Aérea Brasileira levantava voo para buscar possíveis sobreviventes. Já alta hora da madrugada foram encontrados vários corpos mutilados nas proximidades da Ilha Redonda. Somente um corpo foi encontrado vestido e inteiro. Por volta das 2 da madrugada os barcos do Serviço de Busca e Salvamento retornavam com informações da não possibilidade de haver sobreviventes. No raiar do dia 25 de junho, após horas de buscas incessantes, dez dos 53 mortos foram encontrados por oficiais da Marinha. Bom dia
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 03.03.2017)
BOM DIA! (64) Por Renato Casimiro
A MORTE DE FELIPE NERI DA SILVA (II)... Quando acontece uma tragédia como esta, o primeiro momento de quem escuta a notícia, se refere obrigatoriamente à lista de passageiros e tripulação vitimados. Certamente, ela foi divulgada, mas tardou. O fato é que pelo que havia acontecido com Felipe e relatamos antes, baseado em informações da família, seu nome nem constava na relação das vítimas. O segundo momento é a especulação ou a confirmação das causas do acidente. E, geralmente é demorado. Enquanto isto não é oficialmente revelado, corre pela imprensa uma série de hipóteses prováveis, mediante consulta a autoridades em aeronáutica e voos comerciais, dentre pilotos e técnicos. No caso do Convair 340-62, prefixo PP-YRB, que aparece hoje no registro de acidentes aéreos no Brasil como “destruído”, diversos foram os motivos do acidente. Contudo, apesar de várias partes da aeronave terem sido recuperadas, não se soube a causa exata que provocou a queda no mar. Provavelmente o inquérito aponta numa direção, mas desconhecemos. Entretanto, baseado em levantamento de informações contidas hoje na internet podemos mencionar algumas indicações e constatações: 1.  A fuselagem foi encontrada com portas trancadas e sem qualquer indício de fogo e houve quem mencionasse uma possível reversão acidental das hélices; 2. Uma referência ao último contato que o piloto fez com a torre de comando carioca, pelas 18h, informando que o avião estava ficando sem combustível. A assessoria da Real, no entanto, negou; 3. As condições de tempo podem ter influído, pois neste mesmo ano um outro acidente aéreo ocorrera no Rio de Janeiro com uma aeronave da mesma companhia. Em fevereiro, um avião comercial destroçou-se no ar ao colidir com uma aeronave, vinda de Buenos Aires, que transportava uma banda norte-americana, matando 66 pessoas sobre o Forte de São João, na Urca; 4. No dia 26 de junho, apareceu na capa de um jornal: “Só explosão de carga proibida explicaria a catástrofe do Convair”. E a notícia dizia: “Ontem foi confirmado que 48 pessoas morreram na catástrofe aérea com o PP-YRB da Real Aerovias na Baía de Guanabara. Uma violenta explosão dentro do compartimento da bagagem é até o presente momento a causa mais aceita para o desastre do aparelho da Real”; 5. Outra hipótese dizia que o avião teria se desintegrado no ar e mergulhado nas águas da Baia de Guanabara, quando da aproximação para o Santos Dumont; 6. Pilotos aventaram a hipótese de que houve um “disparo de hélice” que, provavelmente, tenha atingido a fuselagem. Sendo aeronave pressurizada, deve ter explodido; 7. Uma testemunha em Magé (RJ) disse que por volta das 22 horas um avião passara voando muito baixo e com os motores completamente paralisados. Um pouco depois um forte clarão foi visto vindo do mar; 8. E dentro das hipóteses usuais, não podia faltar uma suspeita muito comum: a de falha humana, por excesso de trabalho e cansaço. Com o decorrer das investigações, revelou-se, aparentemente sem contestação, que a tripulação da aeronave estava voando desde as 5 horas da manhã, daquele dia, fazendo escalas por cidades do Brasil. Portanto, pelo menos 16 horas de atividades interruptas; 9. Quando uma das rodas do trem de pouso foi encontrada, constatou-se que havia um tipo de argila vermelha aderida aos sulcos do pneu, que fez crescer a hipótese, dentre oficiais da Aeronáutica, de que a aeronave antes de mergulhar no mar havia tocado no solo do cimo de uma das ilhas da baia. De fato, o trem de pouso desgarrado da fuselagem poderia explicar o instante inicial da explosão que se verificara, e ouvida por testemunhas, mas que não redundaram em incêndio, porquanto o avião logo mergulhara nas águas; 10. Por último, há quem afirme que o “o escrito pelo comandante Carlos Ari César Germano da Silva, no seu livro "O Rastro da Bruxa – história da aviação brasileira através de seus acidentes: 1928-1996, 2ª. Ed., EdiPUCRS, 384p, 2008 (cap. O Mistério da Ilha dos Ferros, pp 190-193)", ainda é o mais próximo da realidade. Tem inclusive, um depoimento do Cabo Ramos, lotado no destacamento da Aeronáutica, na Ilha dos Ferros, que é muito interessante, bem como liquida de modo definitivo o boato que corria na época, referente ao desprendimento da porta traseira direita”. O relato que se encontra neste livro nos permite ainda registrar alguns aspectos. a) O número de vítimas foi realmente 54 (5 tripulantes e 49 passageiros), embora existam referências a 50 ou 53 mortos; b) a versão mais próxima da realidade, até posta no inquérito, embora não conclusiva, foi a de que, conforme assinala o autor do livro, “Talvez um grave defeito no sistema de controle do passo da hélice direita tenha levado as pás a ultrapassarem o ângulo limite de passo mínimo em voo, fazendo com que a hélice girasse em alta velocidade, com rotação muito superior à permitida pelo projeto, gerando força centrífuga de magnitude tal que arrancou as pás do próprio eixo. Estas, atingindo com violência a fuselagem, destruíram a resistência estrutural do avião, causando-lhe a desintegração em pleno voo”.  A lista de passageiros demorou a ser divulgada. Ela só aparece na Nota Oficial da Companhia, estampada nos jornais do país, do dia 28 de junho, portanto, de três a quatro dias depois. Até o então presidente da república, Juscelino Kubitschek de Oliveira, teve de apelar para o comandante da aeronave da presidência da república, João Milton Prates – seu conterrâneo de Diamantina (MG) e para Armando Ribeiro Falcão, ao tempo em que era Secretário de Justiça do Estado da Guanabara, para que intercedessem de modo que ele conhecesse a lista. E isso veio aparecer na Nota Oficial da Real Aerovias: Em aditamento ao nosso comunicado de ontem, lamentamos informar que a nossa aeronave PP-YRB, efetuando vôo 435 foi localizada acidentada próximo à ilha dos Ferros, na baia da Guanabara, quando se preparava para pousar no aeroporto Santos Dumont, não havendo sobreviventes entre os passageiros e tripulantes. A última comunicação transmitida pelo avião minutos antes do acidente, nada revelava de anormal a bordo. As causas do acidente estão sendo apuradas pelas autoridades competentes do Ministério da Aeronáutica e pela companhia. A tripulação da aeronave era a seguinte: comandante João Afonso Fabrício Belloc; piloto Orlando Gonzalez Fernandez; comissário Antonio Jorge Santos Pombal; comissária Lúcia Maria Vieira Lima Jaguaribe. Viajavam a bordo da aeronave os seguintes passageiros: Ruben F. Novo, Bento Queiros Barros Junior, Luis Frota Sales, João Calíchio, Edgar Borges Lima, Adauto C. Aquino, Nei Gonçalves, Vitorino Ildefonso, Antonio Occo, Geraldo Pereira Vasconcelos, Hugo Mud, Maria L. M. Bahury, José M. Sousa, Enio B. Lemos, Antonio F. Cabral, Hermann M. da Silva, Eleatéria A. Sousa, Maria José A. Santos, Felipe Neri Silva, ten. Alex Gustasson, ten. Renato dos Santos Van Bockel, Geraldo de C. Rego, Artur A. Moura, Álvaro Brasil,  Dr. Atos Alkimim, Fernando Lago, Sócrates M. Diniz, Dr. Nelson Freddy Saba, Max A. S. Sousa, Janete Slater, Igor Pokator, Luis Maurício S. Vanderlei, Lauro Candido S. Leite, Georg Pfeisteres, Edmundo Montalvão, Manuel Henrique Figueira, Argemiro Coutinho, Sergio Veres Henrique, Newton B. Tompson, Valter Moura, Carlos Nering Filho, Vasco de Sousa, Silvia Correia do Lago, Edna Christina (colo),  Carmelinda A. Rosa, Antonio F. E. da Silva, Alberto C. Carvalho, mister H. W. Lee e Alceu Carvalho. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 04.03.2017)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ VOLANTE (MISSÃO VELHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Missão Velha (Auditório do Centro Social Urbano, CSU), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 9, quinta feira, às 19 horas, o filme CENTRAL DO BRASIL (Brasil/França, 1998, 105min).  Direção de Walter Salles. Sinopse: Dora (Fernanda Montenegro) trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Ainda que a escrivã não envie todas as cartas que escreve - as cartas que considera inúteis ou fantasiosas demais -, ela decide ajudar um menino (Vinícius de Oliveira), após sua mãe ser atropelada, a tentar encontrar o pai que nunca conheceu, no interior do Nordeste.

CINE CAFÉ VOLANTE (BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 10, sexta feira, às 19 horas, o filme TOOTSIE (Tootsie, EUA, 1982, 112min). Direção de Sidney Pollack. Sinopse: Michael Dorsey (Dustin Hoffman) é um ator perfeccionista que não consegue emprego devido ao seu temperamento. Quando George Fields (Sydney Pollack), seu empresário, diz que ninguém vai contratá-lo por causa de seu gênio difícil, ele resolve se vestir de mulher. Com o nome de Dorothy Michaels consegue um papel em uma novela diurna que se torna um grande sucesso, mas existe um problema: ele está se apaixonando por Julie (Jessica Lange), uma das atrizes com quem contracena.

CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 10, sexta feira, às 19 horas, o filme ENSINA-ME A VIVER (Harold and Maude, EUA, 1971, 91min). Direção de Hall Ashby. Sinopse: Harold (Bud Cort), rapaz de 20 anos com obsessão pela morte, que passa seu tempo indo a funerais e simulando suicídios, um dia conhece Maude (Ruth Gordon), uma senhora de 79 anos apaixonada pela vida. Eles passam muito tempo juntos e, durante esta intensa convivência, ela o apresenta a beleza da existência.
CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 11, sábado, às 17:30 horas, o filme SUSPEITA (Suspicion, EUA, 1941, 99min) Direção Alfred Hitchcock. Sinopse: Lina McLaidlaw (Joan Fontaine), uma moça rica e tímida, se apaixona pelo malandro Johnnie Aysgarth (Cary Grant), um playboy que vive apostando com o dinheiro dos amigos. Os dois se casam, mas logo após a lua de mel Lina começa a conhecer a verdadeira personalidade de Johnnie e passa a desconfiar que o marido é um assassino que fará dela sua próxima vítima.
15ª SEMANA NACIONAL DE MUSEUS
Até ontem, 03.03 estavam abertas as inscrições para que museus e outras entidades culturais possam participar dessa ação coordenada pelo Ibram – Instituto Brasileiro de Museus.  O tema central será: “Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus.” A Semana Nacional de Museus acontece anualmente para comemorar o Dia Internacional de Museus, 18 de maio, quando museus brasileiros, convidados pelo Ibram, desenvolvem uma programação especial em prol dessa data. A eficácia das atividades desempenhadas pelo setor museal na realização dessa ação comprova que o concerto nacional de programações culturais é um verdadeiro instrumento de ampliação do acesso à cultura e de visibilidade dos museus. Ademais, ela é responsável por um significativo aumento de público: durante a semana em que ocorre, a média de visitantes dos museus participantes sobe mais de 79% (fonte: pesquisa sobre a 14ª Semana Nacional de Museus, disponível em http://www.museus.gov.br/os-museus/economia-de-museus/). Museus e outras entidades culturais interessadas em participar da 15ª edição da Semana devem inscrever eventos e promover sua realização entre os dias 15 e 21 de maio de 2017, chamando, assim, a comunidade a refletir, discutir e trocar experiências sobre o tema sugerido pelo ICOM (Conselho Internacional de Museus): Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus. A realização das atividades fica sob a responsabilidade da própria instituição que as inscrever, bem como a viabilização para seu desenvolvimento. Ao Ibram cabe divulgar a programação nacional da Semana de Museus e produzir e distribuir o Guia da Programação.  O Memorial Padre Cícero já fez a sua inscrição e deve promover diversas ações vinculada s ao espírito dessa Semana.

A LEI 16.198
Se alguém tem alguma curiosidade sobre os limites do Município de Juazeiro, alterados pela lei referida, em 29.12.2016, que estão sub judice, uma vez que o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará suspendeu os efeitos dessa legislação, transcrevemos abaixo o seu teor, usando o Anexo LXXIII a que se refere essa Lei, com o Memorial Descritivo (Descrição dos Limites):
Com o município de CRATO - A oeste. Começa no ponto de coordenadas [461.731 / 9.196.878] A, na Rua Dr. Luciano Torres de Melo; segue por uma rua sem denominação até o ponto de coordenadas [461.618 / 9.197.394] E; por uma reta, segue para o ponto de coordenadas [461.451 / 9.198.067] F, ainda nesta rua sem denominação; por outra reta, segue para o ponto de coordenadas [461.276 / 9.198.029] G; por mais uma reta, segue até o cruzamento da estrada de ferro com o Riacho São José [460.645 / 9.201.296]; vai, por outra linha reta, ao ponto de coordenadas [459.713 / 9.202.753], no Rio Batateira; vai em linha reta até o ponto de coordenadas [459.534 / 9.208.155], no Alto da Cruz do Alegre, na estrada que liga Cruz do Alegre a Sítio Novo e Vila Padre Cícero; segue por esta estrada até seu entroncamento na estrada que vai para Sítio Novo e Retiro [462.170 / 9.210.753]; segue por esta estrada até seu entroncamento com a estrada que liga Ponta da Serra a Retiro e Sítio dos Carneiros [462.086 / 9.213.832]; segue por esta estrada até o ponto de coordenadas [462.418 / 9.213.847] e vai em linha reta até o ponto de coordenadas [462.437 / 9.214.230], no divisor de águas entre o Riacho dos Carneiros e o Riacho do Retiro.
Com o município de CARIRIAÇU - Ao norte. Começa no ponto de coordenadas [462.437 / 9.214.230], no divisor de águas entre o Riacho dos Carneiro e o Riacho do Retiro; segue em linha reta até a ponta noroeste do Alto Grande da Volta [467.682 / 9.214.069]; segue pelo divisor de águas entre o Riacho Riachão e o Riacho dos Olhos d'Água até o ponto de coordenadas [468.693 / 9.215.716], no cruzamento da estrada Sítio Cidade / Sítio Riachão / Placas; segue pelo divisor de águas entre o Riacho Damião e o Riacho dos Carás até o ponto de coordenadas [476.866 / 9.212.473], no cruzamento com a estrada Sítio Patos / Sítio Xavier dos Barnabé / Gameleira e segue pelo divisor de águas entre o Riacho Jenipapeiro e o Rio Batateira até a ponta sudeste do Alto Grande da Volta [478.637 / 9.209.716], na convergência das vertentes do Riacho Jenipapeiro, do Riacho Lameiro e do Rio Batateira.
Com o município de MISSÃO VELHA - A leste. Começa na ponta sudeste do Alto Grande da Volta [478.637 / 9.209.716], na convergência das vertentes do Riacho Jenipapeiro, do Riacho Lameiro e do Rio Batateira; segue pelo divisor de águas entre o Rio Batateira e o Riacho Jenipapeiro até o pico da Serra da Suçuarana [478.315 / 9.206.404]; segue pela cumeada desta serra até sua ponta meridional [476.302 / 9.201.779] e segue em linha reta até o ponto de coordenadas [474.115 / 9.201.197], na Colina do Cipoal.
Com o município de BARBALHA - Ao sul. Começa no ponto de coordenadas [474.115 / 9.201.197], na Colina do Cipoal; segue por uma linha reta até o ponto de coordenadas [462.797 / 9.196.106] D, em uma rua sem denominação; segue por esta rua até seu cruzamento com a Rua Dr. Luciano Torres de Melo [462.699 / 9.197.012] C; continua por esta última rua até o ponto de coordenadas [461.744 / 9.196.824] B; ainda pela Rua Dr. Luciano Torres de Melo, segue até o ponto de coordenadas [461.731 / 9.196.878] A.

sábado, 25 de fevereiro de 2017


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que semanalmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de quartas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
249: (22.02.2017) Boa Tarde para Você, Anibal Couto Gondim
Semana passada, no Facebook, Anibal Couto Gondim comentava: “Decepcionado e ao mesmo tempo revoltado com os serviços prestados pelos Correios. Não entregam as correspondências. E nós que arquemos com as consequências. Pior que não temos a quem reclamar. Uma vergonha.” Cada um de nós, meu caro Anibal, sabe contar no geral e no particular inúmeras histórias que engradecem, mas que ultimamente só contribuem para denegrir a instituição que outrora era mais reverenciada pelo povo brasileiro, tendo se constituído por anos, aliás, séculos, como algo absolutamente unânime na simpatia de nossa gente, a Empresa Brasileira dos Correios e Telégrafos. Mas, vou lhe contar, Anibal, uma bela história, à margem dos Correios que envolveu um juazeirense pouco conhecido, hoje em dia muito menos lembrado, Hilton de Sá e Silva, filho de um empresário muito referido nessa cidade dos anos 30-50, na pessoa de Jonas Anastácio da Silva. Ainda jovem, Hilton foi residir no sul do pais e se tornou muito conhecido pela empresa que constituiu, a Servencin, que dentre outras coisas explorava serviços de malotes para empresas, mas que também realizava transporte de encomendas e correspondência, ao abrigo da lei. Eu fui conhecer a Servencin em 1971, estudante universitário, bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas, que necessitava frequentemente remeter relatórios para o órgão, dando cumprimento a exigências sobre a minha condição de iniciante de pesquisa, pela bolsa a mim concedida. Os relatórios que fazíamos estavam próximos dos prazos estipulados e nessas circunstâncias remetíamos para o Rio de Janeiro para cumprir a exigência, entregando a Servencin de Fortaleza, até às 17 horas do dia anterior ao prazo para que ela protocolasse no CNPq na hora exata. Quero dizer com isso, Anibal, que a empresa, 46 anos atrás, cumpria exemplarmente a sua proposta de ser eficiente no trato com as nossas encomendas honrando a entrega de correspondências e encomendas em prazos restritos, sem as facilidades que hoje temos em transporte e comunicações. No dia 4 de janeiro eu postei um envelope pelo Sedex, com um Aviso de Recepção e a encomenda foi entregue no dia seguinte, mas o AR somente me chegou de volta no dia 15.02, depois que eu mesmo rastreei o objeto e verifiquei, vários dias antes, que ele de fato havia sido entregue. Nesse mesmo dia 15 passado, com o que acabo de mencionar, depois de quase um mês que nenhuma correspondência eu recebia, chegaram para mim 18 envelopes, sendo que em 3 deles havia contas a pagar, ainda de meados de janeiro. E se não é tripudiar, Aníbal, ainda fui comemorar essa entrega, pois quanta coisa eu perdi nesses últimos anos quando mudei de endereço e vários envelopes não foram entregues, apesar do meu cuidado de ter procedido a mudança de domicilio junto aos habituais remetentes. Tenho particular estima e consideração com os carteiros que são esses heróis anônimos, tendo mesmo já homenageado um deles numa dessas minhas croniquetas, mas não se pode dizer o mesmo sobre a alta direção, para falar daqueles que de fato decidem e nem sempre a nosso favor. Estou torrando sua paciência, Aníbal, e a rigor sem finalidade, pois solidários, nós sentimos profundamente como os Correios foram mergulhar nessa infinidade de desacertos que só tem paralelo com a calamidade das operadoras de telefonia e outras coisas vexatórias das privatizações. Não é de hoje que se fala em entregar esse serviço do Correio brasileiro a algum aventureiro, um bilionário imundo e desonesto desses que emporcam e não ornam o mundo velho em que vivemos, falsos empresários que um dia, a exemplos de outros tantos, vem negociar delações premiadas. Tem razão os sindicatos de operários dos Correios quando bradam pela sobrecarga de trabalho e pela escassez de braços no quadro, inchado por terceirizações sem instrução, sem competência, em contratos que bem sabemos não são os filiados às reais finalidades da empresa. Diz-se que a internet deve assumir parte dessa culpa pois já não nos anima escrever carta em papel e cumprir um ritual de remeter e esperar resposta, sendo essa mesma culpa distribuída por coisas como a rede bancária e outros serviços onde a informática e a comunicação são fundamentais. Associo-me, Anibal, ao seu clamor e ao de tantos mais sobre esse descalabro, afinal, cobrando R$1,70 por apenas 20 gramas, o Correio devia honrar esse serviço, mas lamentamos, pois seu interesse é por um produto que é muito melhor remunerado. É a lógica do mercado, negando o serviço público.  
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 23.02.2017)

BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! (50)  Por Renato Casimiro
OS CIRCOS. “O palhaço, o que é? É ladrão de mulher...” Um dos meus encantamentos, entre a infância e a juventude, foram os circos. Talvez não me lembre de muitos, mas do Garcia, do Orlando Orfei, e do Nerino, pelo menos, e esse último, então, algo que merece sem dúvida uma imensa memória nessas páginas. Entre 1913 e 1964, o Circo Nerino foi um dos mais emblemáticos no Brasil, pois era dotado de uma competência pela reunião de diversas famílias circenses, com atrizes e atores fantásticos. O Nerino teve a sua estreia na cidade de Curitiba, em 01.01.1913, e com mais de 50 anos de existência, como se diz, “baixou a lona” na cidade de Cruzeiro (SP), em setembro de 1964, oferecendo o último espetáculo. Naquela fase, dos anos 50-60, o circo era parte do nosso imaginário, na pluralidade de seus espetáculos, na diversidade de suas atrações que incluía até teatro (os mais dotados), pois o circo era o encanto. Quando um deles entrava na cidade e víamos o desfile de astros, animais, equipamentos, acrobatas, palhaços, nós corríamos atrás para não perder nada, desde esse momento inaugural. Com o Nerino também não foi diferente. Era o maior espetáculo da terra, para lembrar o belo filme de Cecil B. DeMille que assistimos no Cine Eldorado, no começo dos anos 60. Os líderes do Nerino eram o casal Armandine e Nerino Avanzi. O Nerino, em verdade, era uma grande família, pois congregava diversas famílias de tradição circense, como os Ribolá, os Bouglione, os Garcia, os Avanzi, os De Vielmond, dentre outros. Mas o grande astro era o seu filho, Roger Avanzi, uma espécie de galã cinematográfico, ao vivo, a encantar por suas figurações, como ator, acrobata, trapezista e, principalmente como o palhaço Picolino. O Circo Nerino, segundo seus próprios documentos em arquivo bem preservado, realizou pelo Brasil doze grandes excursões, que era como tratava as suas temporadas ininterruptas em todos os estados brasileiros. Juazeiro do Norte fez parte de duas dessas temporadas, as de números VIII e IX. Na primeira vez, que correspondia uma jornada entre 1948 e 1951, o circo se instalou em Juazeiro entre 02.12.1948 e 02.02.1949, depois de ter passado pelo Crato e a seguir, indo para Missão Velha. Na segunda excursão, entre os anos 1952 e 1953, o Nerino foi montado em Juazeiro entre os dias 15.07.1953 e 05.08.1953, depois de vindo do Crato, seguindo posteriormente para Barbalha e Missão Velha. Quando um circo chegava à cidade, certamente o extrato mais sensível e entusiasmado era o nosso, das crianças, que só ao desfile dos caminhões carregando toda a parafernália de equipamentos, sem falar do mais evidente como animais e atores, quase sempre em posição de desfile, descendo a Rua São Pedro, vibrávamos com a perspectiva da festa que se instalaria na Pracinha do Socorro. Esse local, a velha pracinha, foi o local prevalente das temporadas circenses. Houve outros, entre o São Miguel, o quadro hoje denominado Praça Juvêncio Santana, ou os Franciscanos. No ritual, alguns dias para montagem da grande tenda. Caminhões enfileirados dava o tom da “vila”, a morada de todo o pessoal, com destaques para as estrelas e as famílias. Concluída a montagem chegava-se ao grande dia da estreia. Os circos habitualmente tinha um só espetáculo de terça a sexta. A segunda feira era repouso ou manutenção para reparos. Nos sábados eram duas sessões, à tarde e noite. E aos domingos poderíamos ter até três “funções”. As noites eram sempre às 20 horas. Nosso maior envolvimento com o circo, já que a Pracinha não era tão longe da Rua São José, se dava em seu entorno, até que conseguíamos penetrar-lhe um pouco mais, chegar à grande tenda, onde o espaço comportava camarotes reservados, umas 4 pessoas, cadeiras numeradas, outra parte de cadeiras não numeradas e o velho poleiro, as gerais com a arquibancada de tábuas corridas. Nas manhãs e às tardes podíamos arriscar a ver um pouco da convivência das famílias que sempre estavam nos ofertando pequenos souvenirs, como fotos do circo em espetáculos, e fotos dos astros e atrizes, especialmente as que estavam em comedidos maiôs (hoje podemos dizer isso). O que o Nerino tinha de melhor? De um tudo, para que não fique a impressão de um modesto circo de interior. Havia teatro, um condensado de peças famosas como O Ébrio, A Mestiça, Deus lhe pague, Compra-se um marido, etc, que se destinava ao público adulto. Para as matinais e vesperais, a função era preferencialmente de acrobatas em cima de belíssimos cavalos amestrados, trapezistas arrojadíssimos, apesar da rede de proteção, um grupo de palhaços que era a maior farra, especialmente pela liderança do Picolino, anões que faziam a comédia mímica e satírica, corpo de dança com belíssimas coristas. Enfim, o maior espetáculo que poderíamos desejar, particularmente pela permanência em tantos dias, o que nos permitia retornar e ver coisas novas a cada vez. Encontrei na imprensa local de então, no jornal Correio do Juazeiro, na sua primeira edição, de 16 de janeiro de 1949 uma matéria sobre a presença do Nerino entre nós. Com o título, jargão muito apreciado: “Hoje tem espetáculo? Tem sim senhor..., Antonio Taumaturgo Nogueira faz ótima matéria sobre o Circo, entrevistando o líder Gaetan Ribolá, e colhe daí a satisfação de que a temporada juazeirense estava acima das expectativas, diante do que se reservava para grandes cidades do interior do pais. A previsão era de 30 espetáculos, mas esse sucesso esticaria a temporada para quase o dobro da permanência, anteriormente estimada. Nessa temporada, a comunidade circense teve dois sobressaltos. Na época, o palhaço Picolino (Nerino Avanzi) teve que realizar num hospital em Crato uma cirurgia de varises. Nessa temporada em Juazeiro, o Picolino foi desempenhado pelo filho Roger Avanzi. Outro fato foi que a polícia local capturou o famoso marginal João Leandro, tido e havido como exímio descuidista pela crônica policial, que havia furtado dias antes, a quantia de 800 cruzeiros da bilheteria do Circo. O dinheiro foi devolvido ao Circo. Mas, em dias subsequentes, pelo menos uma vez, na edição de 13.02.1949, quando o Circo já estava montado em Missão Velha, o Correio do Juazeiro faz duras críticas sobre a atenção que a população deu ao espetáculo, em detrimento da celebração do dia de Nossa Senhora das Candeias. Três textos estão nessa edição e dois deles, com pseudônimos (Zé Mutuca e Vileido Mildan) e um outro escrito por Odílio (Figueiredo). Zé Mutuca, com o título de Pantomima, escreve: “Nossa Senhora das Candeias, tanto, a Senhora da Luz, e, portanto das damas celestiais, a de cérebro mais iluminado, a santa, por excelência, clarividente e apolítica da corte celeste, percebendo que a parada do acendimento e benzimento das velas, planejada para a sua noite, no dia dois do corrente, em frente à Matriz, como fora anunciada pelo microfone maçônico do "Circo Nerino”, não passava de um movimento político, leigo-clerical, um juvinodillhada em preparativos para as futuras eleições, ela a terrível Nossa Senhora das Candeias, mandou logo, de véspera, o que os miltrados e bargados figurões não precisavam e, hipocritamente iam lhe pedir: chuva, chuva e muita chuva...” (Um texto forte e contundente, que esconde no anonimato uma inteligência brilhante, sem dúvida.) Já Vileido Mildan, na coluna Caleidoscópio, redigiu: “Sento-me e conversamos enquanto ''Pascolino" de cara caiada, grotesco, com trejeitos aparvalhados arranca aplausos dos habitués ele interiormente rir da plateia que parodeia pois que a humanidade é um palhaço, ora de circo, ora de comédia e ora de tragédia depende do palco e cenário.” Odílio (Figueiredo) por sua vez, no texto Eduque-se lendo... escreveu: “Passou, por aqui, o Circo Nerino, companhia de teatro, aliás, a melhor que tem visitado o Cariri. desde todos os tempos. Em todos os lugares onde armou sua tenda de espetáculos, muito agradou. Crato, como a mais civilizada da Zona, naturalmente soube valorizar as representações, e, por isto, além de ter assistido todas as exibições em seu próprio meio, não esqueceu de mandar, todas as noites, o que tinha de melhor do seu povo. O valor do Circo era de tal expressão artística que mesmo sendo, como é, constituído de uma verdadeira ''loja maçônica", os senhores Padres, de Crato, não perderam senão algumas noitadas. Houve noite de se contar nove ilustres sacerdotes em redor do picadeiro. O povo delirava.../ Tudo passou... E, ontem, estava saindo de uma casa comercial quando apareceu uma comissão de fora na próxima esquina e o meu companheiro, que estava falando do assunto e defendendo a coerência dos dirigentes das nossas almas, com um gesto interessante, falou: "E hoje tem espetáculo ? !...” Como se pode depreender, nessa época as tensões sociais em Juazeiro do Norte eram bem relevantes e, lamentavelmente, isso vai desembocar no assassinado do Mons. Joviniano da Costa Barreto, em 06.01.1950, no ato da pedra fundamental do Santuário Franciscano.
Um detalhe que apreciei, especialmente lendo o belíssimo livro Circo Nerino, de Roger Avanzi e Verônica Tamaoki, foi algo que não está explícito na narrativa, mas que por indicações, de fato, parece-me, aconteceu. Dessa temporada em que o Circo Nerino se instalou em Juazeiro do Norte, há um registro fotográfico de Gaetan Ribolá, Armandine Avanzi que tem em seus braços uma garotinha de uns dois anos, de nome Renée, nascida em julho de 1953, filha do sobrinho Georges Le Blum de Vielmond e da mãe Lourdes Maria de Vielmond, que estava grávida quando passou por Juazeiro, já que a família tin há se juntado ao circo em desde 1949. Essa garota que tinha o mesmo nome da avó, Reneé de Vielmond é na maturidade uma grande atriz que brilhou em novelas da Rede Globo, porque, de certo modo, estreou como figurante numa manjedoura num auto de Natal, no Circo Nerino, com cinco meses de idade, em dezembro de 1953, em Feira de Santana (BA). Em 1976, no auge da sua carreira de atriz, Renée casou-se com o juazeirense José Wilker Almeida, em relacionamento que durou até 1984, e no qual tiveram uma filha, Mariana Wilker. Mãe e filha vivem atualmente no Rio de Janeiro. Renée recusa convites para voltar à Tv, tendo recentemente amargado uma dura notícia falsa de seu falecimento. Mariana cuida do extraordinário acervo deixado por seu pai, entre bibliografia, hemeroteca, arquivo de cinema, teatro e televisão. Seu pai, José Wilker, é aquele mesmo que um dia qualquer em 1953, aos sete anos de idade, muito possivelmente deve ter saído da casa da tia Dade, na Rua Pe. Cícero, para assistir uma daquelas inesquecíveis vesperais domingueiras do Circo Nerino, sem a menor noção do que a vida lhe reservaria a partir daquele circo, na Pracinha do Socorro. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 19.02.2017)             
BOM DIA! (51) Por Renato Casimiro
VIZINHOS... A ambiência na Rua São José, enquanto lá vivi entre 1953 e 1963, foi extremamente agradável. Havia amigos de íntima relação e alguns, felizmente poucos, de apenas um conhecimento superficial, trato respeitoso, cordialidade. Ainda hoje, por esses primeiros, com os quais mais proximamente vivíamos posso falar com saudades de muitas particularidades. Dos nossos vizinhos na Rua São José, começo por relatar os que estiveram na casa de número 488, à nossa direita. Ali, conforme relato da minha família, residiram Rosa (Rosinha) Pereira Muniz e seus filhos Graziela, Grauber, Mundinha, Dircíola, Maria, Euticiano, Alberico e Sófocles. Pouco tempo depois, talvez em 1953, a família se mudou para Fortaleza e eu só me lembro de ter contato com as filhas, Grauber e Graziela, numa visita que fizemos, no fim dos anos 50. Na década de 30, como me narrou Agenor Pereira, “Era “moda” em Juazeiro os rapazes com suas namoradas ou não, irem à estação ferroviária esperar o trem, a Maria Fumaça que vinha de Fortaleza. O calçadão ficava apinhado de passageiros, bagagens e visitantes. Era uma festa. O trem apitava, procedente da Timbaúba, última parada – denominada Caixa d´Água (uma grande caixa em ferro, que guardava a água de qualidade para a caldeira da locomotiva), para abastecer o trem. Sob aplausos e vivas a composição aproximava-se da estação, enquanto as pessoas se precipitam, querendo ver de perto o luxuoso carro de 1ª. classe, com o trem ainda em movimento. No empurra-empurra, meu primo, Alberico Pereira Muniz, que pra variar estava cheio da “tiúba” (cachaça), desequilibrou-se e caiu entre os trilhos. As rodas do último vagão passaram por cima de suas pernas, esmagando-as.  Socorrido na Farmácia Brasil, do Dr. Belém, o pronto socorro da época, sua perna esquerda foi amputada na altura do joelho, e a direita na altura da canela. Exímio ourives, tendo como sócio da oficina seu irmão Sófocles, depois desse acidente preferiu enveredar pelo caminho da cachaça, que o levou à morte”. Eu não me lembro de Alberico, mas ouvi muitas estórias de como Dona Rosinha Muniz e de suas irmãs lidavam com Beriquinho, como o chamavam em família. Nesta casa, nossa vizinha, de propriedade de Ângelo de Almeida, depois reformada (aí, sim, eu me lembro da reforma) onde foram morar Socorro Cansanção e Geraldo Militão. Aí nasceram suas filhas Geni, Jane e Enia. Fruto desta amizade com nossa família, até hoje, minha tia Zuleica foi madrinha de batismo de Jane, enquanto minha irmã Ana Célia foi a madrinha de “apresentação”. Nessa casa residiram depois Ceilde (Maria Cleide Germano), seu marido João Pedro de Oliveira e os filhos, dentre estes me aproximei mais de D´Arc (Joana DÁrc Germano Macedo), Lúcia e Everardo (Vevé). O imóvel hoje está literalmente abandonado, decadente, pertencente ao espólio de Ismênia Almeida Abreu, filha de Angelo de Almeida. Na casa em frente, a de número 477, morava a família de Alice Macedo e Raimundo Siqueira, os filhos Djalma (do primeiro casamento de seu Siqueira), Ivanildo, Ivoneide, João Bosco, Liduina (afilhada de meu pai, na sua formatura de professora) e Demontieux. Seu Siqueira tinha um comércio de carvoaria, na Rua Santa Clara. Freqüentemente íamos lá, eu e o Bosco, para apreciar o movimento. Às vezes íamos para providenciar compra de carvão para nossa casa, e um empregado vinha deixar num carrinho os sacos de carvão, “bem pesados”, conforme dizia Seu Siqueira, para alimentar os fogões, sob o comando de Nana (na casa de minha avó) e da Dina (em nossa casa). As animadas tertúlias promovidas por Djalma, que também era funcionária do nosso primo Cipriano Casimiro de Oliveira, na sua Movelaria Casimiro, com loja na Rua da Conceição e oficinas na Rua São Paulo. Nestas tertúlias ouvíamos os últimos lançamentos de discos de todos os cantores da época, como Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Orlando Silva, Orlando Dias, Anísio Silva, Caubi Peixoto, o pessoal da jovem guarda que começava a despontar. Até acompanhava as idas e vindas de um vendedor que trazia estes discos, das lojas de Fortaleza – Aequitas e Vox, e que eram comprados, avidamente por Djalma. Em sua casa havia uma radiola, em móvel bonito e caixas de som separadas, e potentes. Nos fins de semanas uma boa turma se reunia aí para dançar. Acho que foi por aí que passei a ter muito gosto pela música. Nós, os moleques, ficávamos a ver todo aquele movimento que acontecia na sala, de olho nos casais que se formavam e iam pela noite dançando naquela salinha apertada. A casa dos Siqueira era de livre acesso. Não havia cerimônia para se chegar ao quintal onde sempre se arrumava uma boa brincadeira com Ivonildo e Bosco. Com a mudança da família de Siqueira, o proprietário – Ângelo de Almeida a reformou e vieram ocupa-la o casal de missionários americanos Eveline e Thomas Wilson, e as duas filhas menores. Demoraram-se pouco, talvez um ano. Veio, então, o Alberto Fabião de Assis, e a família, ainda hoje residente com dona Bibi, filhos, netos e bisnetos, ocupando a casa que adquiriram. À nossa esquerda, na casa 478 aí vivia a família de meus avós, desde 1938. Seu Antonio Soares faleceu precocemente em 1948. Essa casa que ainda hoje conserva boa parte de sua arquitetura tem sido para nós o centro das atenções da família, depois que por tantos anos continuou servindo de sede da família, com a matriarca Eudócia (Neném) e seus filhos Doralice, Ivaniza, Maria dos Anjos (Dosanjos), Maria Silvanir, Maria (Babá), Francisca (Zuleica), José e Edmilson. Ainda falarei demoradamente sobre esse endereço, afetivo e amoroso. Mais à esquerda havia a grande casa 466, do empresário José Pedro da Silva e sua senhora, dona Terezinha, do ramo de curtume, instalado no Salgadinho. Aí viveram também os filhos Paulo, João Pedro, Valdo, Maria José, Isaura, Doralice, Maria e Ivone que fomos vendo sair aos poucos pelos casamentos que contraíram. Será ainda prazeroso rememorar cada uma dessas casas, dessas famílias e o farei com muito gosto. Apresento a seguir uma pequena lista dessas moradias, citando os residentes, naquele que, para mim, foi o retrato mais fiel dessa querida Rua São José. Minha preocupação aqui é flagrar a maior parte daqueles que aí estavam entre 1953 e 1963. Por isso, muitos que residiram nesse trecho não serão citados, por o terem sido em outras épocas. Casa 426: Izabel e Pedro Leandro Menezes (filhos Alice, Otacílio e Valdelice); Alice Xavier do Vale (Irenilce); Irenilce Xavier do Vale (Maria Tereza, Maria Isabel); Casa 432: Adalgisa (Santinha) Gomes de Figueiredo (Paulo Herialdo, Alceu, Audízio, Maria do Socorro (Manina) e Luci); Casa 435: Stael Coelho Alencar; Casa 438: Luizinha Almeida (Auricélio, Célia, Célio); Casa 441/445: Alice e Vicente Xavier do Vale (Irenilce, Girleno e Pedro Sérgio); Casa 444: Miss Mary Elizabeth Mills / Dona Severina; Casa 449: Eridan e Gessi Maciel Lopes (Deusimar, irmãos); Sr. e Sra. Ramalho (William, irmãos); Casa 454: Maria e Izidro Bezerra de Menezes (Cícero Hércules, Robério, Rogério e Marta); Casa 455: Isaura e Olívio Barbosa (Francisco Samuel, José Daniel, Maria do Socorro, Maria de Fátima, Maria Auxiliadora, e Tereza Neuma); Maria Moreira da Silva (Pretinha) e Galdino dos Santos (Francisco Moreira da Silva); Maristela e José Rodrigues (Faber, Fátima, Fabiano, Flavilene, Flávia); e atualmente residência de minha irmã Ana Célia, seu marido Francisco Fechine e dos filhos André e Alexandre; Casa 461: Filomena (Lôzinha) e Raimundo José da Silva (Francisco, Adalio, Ribamar, Carlos, José Pedro, Renato, Ilário, Elizabeth, Ana Cláudia, Tereza Neuma, Adelice e Alice); Casa 465: Cel.  Fausto Guimarães (Adautiva, José Fausto, Maria da Paz, Maria das Mercedes, Maria do Céu, Maria dos Remédios, Evangelista, Maria de Lourdes, Aloísio, Demóstenes); Casa 471/473: Rosa e José Monteiro de Macedo (Garagem, fundos da casa da Rua Pe. Cícero); Casa 496: Otília e Zuza Cafezeiro (Adonias(Tetê), Zuza, Creuza, Nair, Valdênia); Casa 502: João Pedro da Silva; Maristela e José Rodrigues (Faber, Fátima, Fabiano, Flavilene, Flávia); Maria Moreira da Silva (Pretinha) e Galdino dos Santos (Francisco Moreira da Silva); Casa 506: Maria das Dores e Antonio Avelino Mendonça (Dorgival, Carlos Alberto(Lalá), Dário, Darival e Dalva); e, finalmente, na Casa 509: Maria e Ângelo de Almeida (Lídia e Ismênia). Essa era a cena humana das minhas lembranças pela Rua São José. Hoje, o meu sentimento é como se ainda uma parte de mim aí continue residindo. No ir e vir, por vezes até parece que vou encontrando os retratos dessas saudades. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 20.02.2017)             
BOM DIA! (52) Por Renato Casimiro
A FAMILIA CASIMIRO (I). Preciso de um tempo para lhes falar da família Casimiro, como assim eu escrevo. Mas, Casemiro, Cassemiro, Cacimiro, Cascimiro, Cazemiro, Cazimiro, Kazimiro, Kazemiro, Kasemiro, Kasimiro, Kacimiro, Cashimiro, Cashemiro, Casymiro, Cazymiro, Cassymyro, Cascimiro, Cascemiro, Cazzimiro e Cassimiro são algumas das grafias diversas do que me parece seja a família Casimiro, como me assino. Não é um exercício de ficção, estes nomes existem, de fato. Passei anos verificando listas telefônicas pelo Brasil. Ainda estudante no Ginásio Salesiano São João Bosco, em Juazeiro, no começo dos anos 60, eu fui chamado, um dia, perante o zeloso secretário Pe. Mário Balbi, para ouvir dele que, tanto meu pai quanto eu, vínhamos assinando errado o nosso sobrenome.  De fato, naquela época, eu e ele grafávamos Casemiro em nossos nomes. A simples constatação no original de minha certidão de nascimento revelara o equívoco. De lá pára cá, não mais incorri no erro. E meu pai, também, pois a evidência era flagrante. A família Casimiro, e bem assim outras que se associaram por matrimônios nos últimos 100 anos, ou que dela tenham sido geradas, se espalhou largamente pelo país, embora conserve as suas notas de clã sertanejo, nordestino. Ouvi em família, muitas vezes, de suspeitas não comprovadas, as nossas prováveis origens portuguesas, espanholas, ou mesmo polacas. Aliás, segundo uma pesquisa de Raimundo Araújo, Casimiro significa, em idioma polonês, “pregador da paz”. Na verdade, o que se denuncia acima pela grafia do sobrenome, pode ser encontrado fartamente pela Europa, sobretudo na península ibérica, mas também no leste europeu. Pela Internet, constato que o modo de escrever acima é ainda muito mais ampliado, pela introdução de k, z e y. Convém salientar: o acima referido é de informações de pessoas físicas, nascidas e residentes no Brasil. Tenho por hábito, quando viajo, verificar nas listas telefônicas o espalhamento enorme desta velha família do sertão. O núcleo original parece ser o município de Sousa, no alto sertão da Paraíba. Aí, por então distritos (São Francisco, Aparecida, Ramada), fazendas (Carnaúba, Chabocão, São Paulo, Saco de Cavalos), e tantos outros cantos, a família fincou raízes e se conservou dona destes sítios e lugares, povoando estes recantos, provavelmente, desde os meados do século XIX, para se consolidar na propriedade mais importante, a Fazenda Carnaúba, as prósperas terras do Major José Alves Casimiro, brioso oficial da Guarda Nacional. Este meu bisavô, de seu casamento com Josina Maria da Conceição, depois Alves Casimiro, teve 21 filhos, dos quais se criaram, apenas, 16. O primogênito era Antonio, meu avô. Os demais eram: Joaquim, Manuel, Francisco, José, Cândida, Cecília, Soledade, Regina, Joaquina (Quinô), Luiza, Paulina, Rita, Josina, Ana e Maria. José Alves Casimiro e Josina faleceram, respectivamente, em 12.02.1897 e 21.03.1916 e estão sepultados no cemitério da Ramada, nas proximidades do hoje município de São Francisco, outrora distrito de Sousa. Todos os anos, em 2 de novembro, o lugar enche-se de almas vivas, em busca de outras tantas almas, do relicário saudoso da família, para um reencontro emocionado e a assistência à celebração da missa dos finados, às nove da manhã, pontualmente, pelo abusado padre Dagmar. Vez por outra, vamos eu, minha irmã, Fechine e seus filhos, repetir a visita que meu pai fazia e nos levava. Em Julho de 1968 eu fui à Fazenda Carnaúba, levado por meu pai, e visitando os parentes, ele me apresentou ao seu tio, irmão de sua mãe, Manoel Casimiro Pordeus. O tio Pordeus tinha este nome por ser um caso típico da prática muito comum de atribuição de nomes e sobrenomes aos filhos, por famílias cristãs, sobretudo no interior do país, baseada nas referências mais populares do seu devocional religioso. Dentre os Casimiros, principalmente entre as mulheres, sobressaem a homenagens através dos nomes “da Conceição, de Jesus, dos Remédios, das Neves, das Dores, de Lourdes. Assim, o tio Pordeus, que originalmente se assinava por Deus, foi uma primeira referência que tive, a partir desta visita, com relação à minha pretensão de conhecer mais de perto os diversos ramos da família. Sentado junto à sua rede, pois já vivia bem adoentado, eu pude colher os primeiros e preciosos apontamentos que me tem permitido fazer um longo inventário da família Casimiro, entre os séculos XIX e XX, com a intenção de ainda escrever-lhe uma volumosa nota genealógica. Mas, sobre a família Casimiro, não é minha intenção aqui descer a particularidades da sua existência e de sua genealogia, tarefa que já vem sendo cumprida e reservada para uma outra publicação exclusiva, no futuro. Desejo, tão somente, referir ao que desta família permeou as minhas memórias da Rua São José, com a aproximação de familiares muito queridos. De início, uma primeira questão: quando os Casimiros chegaram ao Juazeiro ? Meus avós paternos, Antonio Alves Casimiro (Tonhêro), filho do Major José Alves Casimiro, e Ana Gonçalves (da Silva) Casimiro (Sant´Ana) chegaram ao Juazeiro em 1922, consoantes as estórias da família, uma delas reproduzida por Luitgarde Oliveira Cavalcante Barros, em seu livro A Derradeira Gesta – Lampião e Nazarenos Guerreando no Sertão, p.279, (Mauad/Faperj, 2000), pela narrativa de meu tio, José Gonçalves Casimiro, irmão de meu pai. Meu avô e sua família deixaram a Fazenda Carnaúba para vir morar em Juazeiro depois de um grande desgosto que foi o casamento de seu irmão, José, com a tia Maria Gonçalves da Conceição, sua prima. Não era a única estória de família. Falava-se também de um outro desgosto que viera com a frustração de que o tio Francisco, irmão de meu avô, não seguira o ministério sacerdotal. A casa grande da Carnaúba ainda hoje guarda em seu interior uma capela autorizada pelo bispo da diocese de Cajazeiras, com muitos paramentos e objetos litúrgicos para as celebrações. Por trás, curiosamente, há um quarto onde o Major José Alves Casimiro teria desenterrado uma botija. Mais uma das estórias de família. Mas, a família de Tonhêro foi residir na Rua da Matriz, outrora lugar muito aprazível e recanto de preferência para a moradia de muitas famílias. Meu avô serviu a Floro Bartholomeu da Costa e ao Pe. Cícero Romão Batista. Ele dispunha de veículos e fazia transporte de pessoas e cargas. Meu tio José, neste dito depoimento à profa. Luitgarde, narra um pouco desta atividade da família, particularmente aquela em que envolvia estes dois líderes da política juazeirense, quando da passagem da Coluna Prestes pelo Cariri, nas proximidades de Campos Sales. Depois da morte de Floro, em março de 1926, meu avô retornou à Paraíba com a família. Mas, diversos membros da família permaneceram e continuaram vindo residir em Juazeiro. Sumariamente, vejamos alguns dos Casimiros que alcancei residindo na terra do Pe. Cícero. Cândida Alves Casimiro, Tia Candinha, que conheci já viúva de João (Joca) Lopes Pamplona, residindo na rua São Francisco, já próximo da rua São Jorge. Fumava feito uma caipora. Corpulenta, era uma simpatia. Voz de timbre forte e grave. Dos seus quatro filhos (Noé, José, Luiza e Hermínia), apenas José Lopes de Oliveira, o “seu” Oliveira, próspero comerciante, era estabelecido na Rua São Pedro, com a conhecidíssima Casa das Variedades, onde se encontrava “de um tudo”. Cecília Josina Casimiro, Tia Cecília, que também conheci viúva de Manoel Alves Casimiro, ou Casimiro do Nascimento. Aliás, o nome Nascimento vem da circunstância de que Manoel nasceu no dia do Nascimento do Cristo, 25 de dezembro. Daí a mudança do nome. Os contatos mais freqüentes com tia Cecília eram através de visitas que fazíamos a sua casa, também na Rua São Francisco, vivendo em companhia do filho José, casado com Ubaldina. Luiz, outro filho de tia Cecília, casado com Rita Trajano, veio residir na Rua São José, já nos anos 70. Soledade Alves Casimiro, Tia Soledade, (antes Maria Soledade de Jesus), também já viúva de Domingos Teodósio de Oliveira, residia no começo da Rua Santa Luzia, próximo do Cemitério do Socorro. Dos seus filhos, a nossa aproximação era maior com José Teodósio Casimiro (José de Domingos, como era mais conhecido), casado com Maria Casimiro Chagas. Dos seus filhos, a minha amizade maior era com José Chagas Casimiro (Cimar), meu colega de Ginásio Salesiano. Continuaremos. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 21.02.2017)             
BOM DIA! (53) Por Renato Casimiro
Continuando a falar dos Casimiros que residiam ou ainda residem em Juazeiro, relembro Cipriano Casimiro de Oliveira, filho de Ana Alves Casimiro (Tia Aninha) e de Secundo Alves de Oliveira. Cipriano era um primo muito querido nosso. Empresário muito destacado no ramo de móveis, tinha uma fábrica na Rua São Paulo, e loja na Rua da Conceição. Casado com Nadir Alves Casimiro, tiveram 12 filhos e residiram na Rua São Paulo. Sua Movelaria Casimiro era uma empresa muito bem sucedida. A família de Nadir e Cipriano, puxada pelos filhos mais velhos, como Cícero Ivanildo, foi residir no Rio de Janeiro. Cipriano faleceu, de infarto do miocárdio, aos 74 anos, em 04.12.1984. Francisco Gonçalves Casimiro, Chichico, filho de tio Antonio (irmão de meu pai) e tia de Jesus era exímio carpinteiro e tinha oficina na Rua São Francisco. Foi lá que aprendi a manejar um serrote e a fazer pequenos brinquedos de madeira. Nos fins de tarde, quando voltava da Escola Normal Rural, era para lá que ia, freqüentemente. Quando não estava aprendendo alguma coisa com as ferramentas da oficina, ele me permitia sair pela rua usando sua bicicleta. Foi nela que aprendi a pedalar. Era um deslumbramento. Chichico era dos sobrinhos mais queridos de meu pai e estávamos sempre próximos. Alguns anos depois foi residir em Brasília, pois suas habilidades de artesão o qualificaram soberbamente para aquele momento em que a Capital Federal nascia. E lá, já aposentado, faleceu em 21.08.1997, deixando filhos e netos. Roldão, Creuza e Carlos (Carrim) Casimiro de Lima, três irmãos, são filhos de tia Maria Gonçalves Casimiro e Cícero Firmino de Lima. Dos três, apenas Carrim ainda mora em Juazeiro. Creuza morou conosco na Rua São José por uns tantos anos. Roldão, também, como Carlos, era artesão de carpintaria e ficou bons anos no Juazeiro. Depois voltou para a Paraíba. Com o falecimento de meu avô Tonhêro e de outros parentes mais próximos, ficou “herdeiro” da Carnaúba e até hoje está cuidando daquelas terras, residindo na casa de Tonhêro. Meu pai nunca aceitou a posse das terras que lhe cabiam por herança, preferindo que elas ficassem para os que ali residiam, inclusive Roldão. Um problema que ficou, pois com a morte de meu pai, nenhum papel ficou assinado para esta sucessão. Entre nós, em nossa casa da Rua São José, outros dois sobrinhos de meu pai, vindos da Paraíba, residiram conosco por uns anos. Idelzuito era filho de José, irmão de meu pai, e tia Custódia. Veio para estudar e também nos ajudou muito no Centro Elétrico. Depois foi embora para Brasília. Lúcia era filha de Ivani, irmã de Roldão, Creuza e Carlos, e de Chateubriand Pereira Ramos, ainda hoje residentes em Sousa, PB, gente querida que visitamos vez por outra. Lúcia também veio estudar e só voltou para a Paraíba depois de concluído o curso pedagógico. Hoje, com marido e filhos reside em Brasília. Outros vinham e voltavam rapidamente. Era o caso de Juvino e Santa Gonçalves Casimiro. Vinham da Paraíba, em viagens quase mensais. Eles eram filhos dos tios Rita Gonçalves Casimiro e Manoel Gonçalves da Silva. Também não posso deixar de mencionar José Gonçalves Casimiro, o José de Anísio, filho dos tios Josina e Anísio Gonçalves da Silva. Quando decidiu ir morar em São Paulo, passou uns dias conosco e depois sumiu na poeira das estradas. Levou consigo um livrinho de orações com o qual minha avó Neném Soares lhe presenteou e recomendando leitura nas horas certas do dia, nunca e somente nas aflições. Já no final dos anos 70 fui reencontrá-lo empregado na Tv Record, de São Paulo, como comediante apelidado de Bimbim. Preciso falar também de Moisés e Mimosa. Quantas vezes fomos e viemos à Paraíba no caminhão de Moisés? Foram várias viagens por um roteiro que incluía Sousa, Marisópolis, Divinópolis, Cajazeiras, Lavras da Mangabeira, São Pedro da Serra (hoje Caririaçú). O carro era do tipo meio ônibus, meio caminhão, dispondo de duas ou mais cabines para passageiros e uma parte de carroceria para transportar compras. Moisés e Mimosa eram daqueles que “faziam a feira”. Prestavam este serviço em tempos difíceis de estradas empoeiradas. Bem cedinho de um sábado saiam de casa, onde ainda hoje moram, em São Francisco, e já nos pegavam junto a porta de Maria e Abdias, na saída da Carnaúba. Já de tardinha chegávamos ao Juazeiro, passando pela curva da morte da serra de São Pedro. De longe, o coração batendo forte. Era o Juazeiro chegando. De novo na Rua São José.  Por último, foram os tios José (irmão de meu pai) e Custódia que se mudaram para o Juazeiro, indo morar na Rua São Francisco. Ambos viveram aqui até falecer. Os filhos foram deixando o convívio com os pais, casaram-se e a maioria foi para Brasília e São Paulo. Por último foi o primo Luizinho que hoje leciona numa escola do Tocantins. Mas, eu também não posso deixar de considerar que outros “Casimiros” já estavam na cidade algum tempo antes. É o caso da minha tia-avó, Joaquina (Canã) Gonçalves Alves Casimiro, irmã de minha avó paterna, Ana Gonçalves Casimiro, filha de Antonio Gonçalves da Silva e Custódia Gonçalves da Silva. De certa maneira foi a tia Canã a responsável pela vinda de suas várias irmãs para Juazeiro, com os motivos maiores para reunir a família, além de viver na terra do Patriarca dos Sertões. A tia Canã casou-se com Luiz Teóphilo Machado e viveram inicialmente em Lavras da Mangabeira. Tiveram os seguintes filhos: João Machado, Newton Gonçalves Machado, Antonio Machado, Geni Machado Amorim, Virgílio Gonçalves Machado e José Teóphilo Machado. Canã e Luiz Teóphilo Machado passaram a residir em Juazeiro e ele se tornaria, inicialmente interino, depois o titular, do segundo tabelionato de Juazeiro, fato referido por seu neto, Paulo Machado, na obra “Cartório como Fonte de Pesquisa”, como ocorrido em 19.12.1921. Amigo pessoal do Pe. Cícero Romão Batista, Luis Teóphilo Machado foi o responsável pela lavratura do famoso Testamento do Pe. Cícero, de 4 de outubro de 1923. É também na obra de Paulo Machado que se registra a presença de um certo João Casimiro do Livramento Piancó, como suplente de delegado de Polícia da Vila do Joazeiro, entre os anos de 1911 e 1914. No dito Testamento do Pe. Cícero, aparece uma citação de um certo Casimiro, que nunca soube quem seria. É provável que mais gente tenha vindo em período anterior a este. Na Rua São José, depois na Rua Santa Luzia, assim como, novamente na mesma São José, nossa casa, afinal, era um recanto de acolhimento de todas estas pessoas da família que nos traziam notícias e sentimentos. E também, por gestos fraternos de generosidade, as coisas boas das terras da Paraiba, bastasse um bom inverno. Lembranças do canavial e do engenho da fazenda Carnaúba, como as rapaduras, batidas e os alfinins, dulcíssimos, envoltos em palhas de bananeiras ou mergulhados em goma de mandioca. Lembranças da casa de farinha, de imorredouras farinhadas e do fabricamento de saborosíssima farinha torrada. Lembranças dos roçados, das primeiras vagens do feijão das águas, gerimuns da horta e ovos das poedeiras do quintal da casa. Presentes que nos chegavam pela estima cativante dos que não esqueciam de Didi, Nato, Dora e Luiz, de Tonhêro. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 22.02.2017)             
BOM DIA! (54) Por Renato Casimiro
ENERGIA ELÉTRICA EM JUAZEIRO (I) ANTECEDENTES... Foi, provavelmente, no final do ano de 1925, entre outubro e novembro, que os lampiões de rua começaram a entrar em desuso. A cidade estava ganhando um serviço, privado, de iluminação, para residências, estabelecimentos comerciais e residências. Limitado, é verdade, ao período noturno, entre as 18 e 21 horas, inicialmente. Há poucas informações sobre esta operação, a não ser as que encontramos transcritas por Paulo Machado, em “Cartório como fonte de pesquisa” (1994), um dos seus mais preciosos livros. E é exatamente aí que vamos iniciando este relato, ao sabor desta lembrança de quase 85 anos que a cidade começou a experimentar este progresso. A primeira referência parece ser esta de 01.10.1925, quando o Dr. Audálio Costa e a dona Joana Tertulina de Jesus (beata Mocinha) registram em cartório o contrato da sociedade que visava a exploração desta Usina Elétrica, para fornecimento de luz e força, e que compreendia também os beneficiamentos de arroz e algodão. O equipamento gerador de energia estava instalado na Rua São José, próximo à casa do Pe. Cícero, coincidentemente, onde funcionaria muitos anos depois a CELCA – Companhia de Eletrificação do Cariri. Em verdade, por ser a ecônoma da família, pode-se dizer sem medo de errar que este foi uma dos investimentos que o Pe. Cícero bancou com recursos próprios, mesmo ocupando o cargo de prefeito. Daí por diante, anoto uma sucessão de fatos: Sem data, a empresa A. Costa & Cia. É sucedida por Alencar & Cia, com a entrada do sócio Pedro Silvino de Alencar; 10.03.1928: Arrendamento da Empresa Elétrica para Alencar & Cia. para José Hermínio Amorim; Sem data, a empresa Alencar & Cia se desfaz e a beata se torna sua proprietária única; 03.09.1929: Joana Tertulina de Jesus firma contrato com a Prefeitura Municipal de Juazeiro, representada pelo prefeito Alfeu Ribeiro Aboim, para a iluminação pública. O contrato tem algumas clausulas bem interessantes, como a obrigação da Prefeitura consumir um mínimo de 6.700 “velas” (wats), a Usina funcionaria de 18 às 24 horas, e tinha o monopólio do serviço, etc, etc; 22.01.1931: Novo arrendamento da Empresa Elétrica para José Hermínio Amorim; 05.06.1933: Renovação do arrendamento da Empresa Elétrica para José Hermínio Amorim; 21.02.1935: Promessa de venda da Empresa Elétrica a Antonio Gonçalves Pita, por 60 contos reis; 07.06.1935: Joana Tertulina de Jesus reafirma a sua promessa de venda a Antonio Pita e lhe dá mais 120 dias de prazo; 25.07.1935: Ao que se deduz, Antonio Pita teria desistido da compra e Joana Tertulina de Jesus contrata José Hermínio Amorim para gerir sua Empresa por 3 anos; 21.12.1935: Prorrogação do contrato da Empresa com a Prefeitura, representada pelo prefeito Francisco Néri da Costa Morato; 24.05.1937: O governo estadual autoriza a prorrogação do contrato da Empresa com a Prefeitura, representada pelo prefeito José Geraldo da Cruz; 12.08.1938: Joana Tertulina de Jesus vende a Empresa Elétrica a Antonio Gonçalves Pita; Sem data, a Empresa Elétrica volta ao controle de Joana Tertulina de Jesus, e se instala na Rua do Cruzeiro, anteriormente denominada São Vicente (atualmente, trecho entre rua São José e Av. Leandro Bezerra); 25.01.1940: A Empresa Elétrica é arrendada pelo Dr. Expedito Pita; 11.11.1948: A Empresa Elétrica é adquirida pela Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, na administração do prefeito Dr. Antonio Conserva Feitosa. A partir desta data, o serviço agora municipal, passou por alguns investimentos para ampliar sua capacidade de atendimento e pelos anos 50 já está instalado nas proximidades do Mercado Público. Somente em fins de 1961 nos chega a energia de Paulo Afonso. Vasculhando arquivos disponíveis na Internet, encontro no acervo do presidente Getúlio Vargas o seguinte: Telegrama do prefeito José Monteiro de Macedo ao presidente da república Getúlio Vargas sobre o projeto que determina a subordinação da Companhia Hidroelétrica do São Francisco à Comissão do Vale do São Francisco. Joazeiro, 07.11.1952: “Solicitamos a atenção de V. Excia. no sentido de impedir que seja aprovado o substitutivo do projeto nr. 1057/50 de autoria do Deputado Manoel Novaes, principalmente o artigo 16 e seus parágrafos porque a subordinação do sistema de burocracia visa integrar a atividade da hidroelétrica de São Francisco que tem dado amostras de maior eficiência em gerir o patrimônio da mesma companhia, demonstrando incontestável capacidade de trabalho aos fatos reconhecidos por autoridades nacionais e estrangeiras que tem visitado as obras de Paulo Afonso. Atenciosas saudações. José Monteiro de Macedo - prefeito municipal, José Maria de Figueiredo - presidente da câmara, Francisco Dias Guimarães - presidente do PTB, Antonio Braz de Oliveira - presidente da UDN, Dr. Mozart Cardoso Alencar - presidente do PSD.” Não vejo dúvida qualquer em afirmar que a eletrificação de Juazeiro do Norte com a rede vinda de Paulo Afonso foi a obra pública do século XX em nossa cidade. Quando o Cariri entrou nos planos da CHESF, outra batalha se travou: de um lado as ponderações técnicas de engenheiros e diretoria da CHESF, pelo chamado Sistema Cariri; de outro o Plano Távora, assim chamado, patrocinado por Virgílio, que previa a eletrificação de Fortaleza, através de um linhão via Campina Grande, muito mais caro e demorado. Venceu, por empenho dos engenheiros da CHESF, Antonio José Alves de Souza e Octávio Marcondes Ferraz, o Sistema Cariri. (Aqui, no nosso relato, há uma enorme simplificação, pois todo este processo somente caberia num denso volume de livro. Restrinjo-me a apontamentos, não sou historiador). Não vamos muito longe para considerar o marco desta vitória, em jornada memorável de alguns “juazeirenses” (Edmundo Morais - Presidente da Associação Comercial de Juazeiro do Norte, José Monteiro de Macedo - prefeito de Juazeiro do Norte, Hildegardo Belém de Figueiredo, Antônio Corrêa Celestino, Felipe Neri da Silva, José Maria de Figueiredo e José Colombo de Souza) que decidiram ir juntos ao então presidente da república, Getúlio Vargas, em dezembro de 1954, para conseguir a extensão das linhas para o Cariri. Vargas estava em Paulo Afonso para inaugurar as duas primeiras turbinas do complexo, e através de José Colombo de Souza foram recebidos e a ele expuseram o seu intento. Edmundo Morais contou, em entrevista a Ary Bezerra Leite (livro História da Energia no Ceará), “a boa acolhida que a caravana teve em Paulo Afonso. Alojados na casa de hóspedes da CHESF, passaram a uma visita à usina e, logo pela manhã, tiveram o primeiro contato com o Presidente Vargas, que ao ser apresentado à caravana do Cariri, sorriu e disse: “Depois do almoço vou soltar uma bomba para o Cariri". No período da tarde, Vargas recebeu as representações dos Estados, reservando uma revelação especial para o Ceará. As declarações do Presidente da República, segundo Hildegardo Belém de Figueiredo, foram: “Já estão bem adiantados os estudos e providências para a pronta realização de uma linha de transmissão que, no sentido norte, atingirá o coração do Ceará na região densamente povoada do Cariri, cujo desenvolvimento econômico e capacidade industrial têm sido testemunhados pelo progresso do artesanato ali existente". O Cariri recebia então o sinal verde e a motivação para entrar na luta pela energia da CHESF, e o mais cedo possível. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 23.02.2017)
BOM DIA! (55) Por Renato Casimiro
ENERGIA ELÉTRICA EM JUAZEIRO (II) COMITÊ, POSTE E CELCA... Em 1956, ante essa nova situação, a confirmação do Presidente Vargas, é reativado o Comitê Pró-Eletrificação do Cariri, compondo-se uma diretoria integrada por representantes de Juazeiro, Crato e Barbalha: Presidente, Dr. Hildegardo Belém de Figueiredo; 1º Vice, Dr. Décio Teles Cartaxo; 2º Vice, Ernani Brígido Silva; 1º Secretário, Dr. Geraldo Menezes Barbosa; 2º Secretário, Zilberto Fernandes Telles; 1º Tesoureiro, Odílio Figueiredo; 2º Tesoureiro, Elony Sampaio; Comissão de Propaganda: Wilson Machado (Rádio Araripe); Coelho Alves (Rádio Iracema); J. Lindemberg de Aquino (Rádio Araripe); Espedito Cornélio (Rádio Iracema); Dr. Antonio Fernandes Telles (Associação Comercial do Crato); Edmundo Morais (Associação Comercial de Juazeiro); Comissão de Defesa: Prefeitos do Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, Dr. Derval Peixoto, Dr. Geraldo Menezes Barbosa e Sr. Neroly Filgueira. De todos os eventos desta jornada, muitos dias de trabalho intenso montando a infra-estrutura, plantando postes, esticando fios, dois deles foram particularmente simbólicos: a chamada Festa do Poste (a instalação do primeiro poste de eletricidade), em 25.07.1959, e a Festa do Século (inauguração da Eletrificação do Cariri), em 28.12.1961. Falemos, inicialmente, do primeiro, a Festa do Poste. A estrela desta festividade foi o então Ministro da Guerra, General Henrique Duffles Baptista Teixeira Lott (*Sítio,MG: 16.11.1894 / +Rio de Janeiro,RJ: 19.05.1984). Uma publicação do Governo do Ceará, editada em 1965, transcreve o discurso que o então deputado Guilherme Gouveia fez na Assembleia, em 1960, com os seguintes comentários sobre a vinda de Lott ao Juazeiro: “Certo, conseguiu o chefe do Executivo sobredoirar uma derrota evidente com ribombos festivos no vergel do Cariri. E até como atração central conseguiu-se a presença do Senhor Marechal Teixeira Lott, Ministro da Guerra e candidato do situacionismo federal à presidência da República. (...) O show do Cariri procurou atingir várias "metas", segundo se diz, agora, na novíssima gíria administrativa da República. Uma delas, a principal, por certo, terá sido a de derivar a atenção pública desse espetáculo de alarmante inoperância, que tão bem define o atual governo, através do pano de amostra de quatro meses de desorientação e esterilidade. (...) A Festa do Poste deve ser traduzida como comemoração de um nítido triunfo das administrações Paulo Sarasate e Flávio Marcílio, a cujo crédito deve levar-se, ainda, a abertura da concorrência para o estudo do Plano de Eletrificação do Ceará... O ilustre General Lott, a sua comitiva, o governador, os turistas da República que foram visitar o túmulo do Pe. Cícero, diante do qual ainda se ajoelham legiões da plebe sem terra do Nordeste, vindas em romarias, dos mais longínquos feudos,  - toda essa gente, Senhor Presidente, foi assistir ao atual governo do Ceará fazer cortesia com o chapéu alheio.” Por ocasião da Festa do Poste, uma placa comemorativa foi fixada para marcar a instalação do primeiro poste que ligou a energia de Paulo Afonso a Juazeiro do Norte. Este monumento ficava na Av. Pe. Cícero, cruzamento com a via férrea, ao lado onde funcionou Cariri Industrial e hoje se constrói um shopping center. Infelizmente, esta placa sumiu e até hoje não foi identificado o seu paradeiro. Felizmente, em nosso arquivo temos uma foto desta placa e por ela vemos os dizeres, aos quais acrescento alguns dados (locais, datas de nascimento e falecimento de cada): “Marco comemorativo da instalação do primeiro poste que ligará a energia elétrica de Paulo Afonso ao Cariri. 25 de Julho de 1959. Presidente da República: Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira; Ministro da Viação e Obras Públicas: Almirante Lúcio Meira; Governador do Estado: Dr. José Parsifal Barroso; Vice-Governador do Estado: Wilson Gonçalves; Presidente da CHESF: Eng. Antonio José Alves de Sousa; Executor do Plano de Eletrificação: Eng. Bernardo Bichucher; Prefeito Municipal de Juazeiro do Norte: Dr. Antonio Conserva Feitosa.” As personalidades citadas na placa comemorativa da Festa do Poste, à exceção do presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, estavam presentes ao ato. Nesta ocasião, em nome da comunidade, especialmente representada pelo Comitê Pró Eletrificação e Industrialização do Cariri, que reunia lideranças das cidades de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, usou da palavra, visivelmente emocionado, o Dr. Hildegardo Belém de Figueiredo, Presidente do Comitê, que termina seu discurso com as palavras seguintes: "Meus senhores: Encimado da verde flâmula que simboliza a luta, uma causa, um ideal, aqui ficará, marginando a estrada, este primeiro poste, sentinela de esperança. No alto, verão quantos por aqui passarem, o verde retângulo desfraldado ao beijo suave de todas as brisas do Nordeste, simbolizando a fé cívica de um povo em eterna vigília, marchando das trevas para a luz. Símbolo de uma parcela do Brasil Nordeste que deseja conduzir o seu próprio destino e construir também o progresso da pátria. Um dia, este frio corpo de cimento perderá a verde bandeira que o engalana. Nesse dia, meus senhores, a paisagem sertaneja que nos cerca terá rutilantes cintilações de esplêndida alvorada. Nesse dia, o Cariri estará recebendo através das artérias metálicas dos fios condutores, a vibrante energia que, ora, tumultua, em cada sístole, o dadivoso e turbulento coração de Paulo Afonso." Antonio Martins Filho, de enorme e saudosa memória, costumava dizer que toda a marca de desenvolvimento do Ceará se assentava sobre duas coisas: a eletrificação e a sua universidade. E nisto ele tinha absoluta razão. Também no Cariri isto é real. Os fios de Paulo Afonso chegaram primeiro e hoje, 50 anos depois pode-se falar de um meio universitário pujante, fruto das atenções do poder público, e do grande esforço manifestado pela iniciativa do ensino privado, semeando cursos às dezenas em nossa terra. No início desta história, com a determinação do governo federal para a eletrificação do Ceará, foi constituída a Soelca – Sociedade de Eletrificação do Cariri, uma iniciativa de curta duração que logo foi substituída pela criação da CELCA – Companhia de Eletricidade do Cariri. Infelizmente não disponho de uma cronologia mais adequada a este respeito. Posso informar que José Alcy Pinheiro, dos primeiros empregados da Companhia está escrevendo um livro a respeito e deverá dar com precisão os detalhes destes primeiros momentos. O prof. Espedito Cornélio que foi o segundo superintendente da CELCA, entre 09.12.1966 e 14.08.1968, mas tendo ingressado no serviço a partir de 1963, já publicou um livro sobre a Saga da Eletrificação. Infelizmente esta cronologia que me falta não foi possível encontrar em sua obra, mais poética que histórica. Consta que a CELCA foi constituída em 28.10.1960. Ela foi fundada como sociedade anônima de economia mista formada por capitais da União (pela participação da CHESF – Companhia Hidroelétrica do São Francisco), do Governo do Estado do Ceará, das Prefeituras e do povo do Cariri. Sua criação foi determinada primordialmente para que houvesse um organismo responsável pela construção do sistema e a comercialização da energia gerada pela CHESF. Ela foi autorizada a funcionar bem próximo da inauguração da energia em Juazeiro do Norte. O Decreto federal, de número 212, foi assinado em 23.11.1961. Juridicamente, não sei indicar como isto foi contornado, pois nesta data, a construção do sistema (estação abaixadora, posteamento, rede de distribuição) de boa parte do Juazeiro de então já estava pronta. Tanto que a sede da Companhia, já funcionava a partir de 01.05.1960. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 24.02.2017)
BOM DIA! (56) Por Renato Casimiro
ENERGIA ELÉTRICA EM JUAZEIRO (III) A FESTA DO SÉCULO... A inauguração da chegada da Energia de Paulo Afonso, transcorrida em 28.12.1961 foi uma grande festa. Pela porta do Cariri, o Ceará estava sendo energizado. A imprensa da capital registrou: “Com a presença do Ministro Virgílio Távora, representante do Presidente João Goulart, do governador do Estado, Sr. Parsifal Barroso; do superintendente da SUDENE, economista Celso Furtado, do prefeito de Recife, Sr. Miguel Arraes, dos deputados federais Ernesto Sabóia e Dáger Serra, dos comandantes da 10ª Região Militar, Base Aérea e Escola de Aprendizes Marinheiros, de pelo menos 25 deputados estaduais, de dezenas de prefeitos municipais e milhares de pessoas de Juazeiro, Crato, do Cariri e de outras regiões do Estado, realizaram-se ontem à noite, na Praça do Cinqüentenário, em Juazeiro do Norte, sob um ambiente de intensa alegria, as solenidades que marcaram a inauguração oficial da energia de Paulo Afonso no Cariri, juntamente com as festas relativas ao cinqüentenário do município de Juazeiro. Desde a manhã de ontem tornou-se intenso o movimento na cidade, agitada com a presença das duas maiores figuras políticas em evidência no Estado, bem como milhares de pessoas que, por terra ou pelo ar, queriam presenciar o que se convencionou chamar de "Festa do Século". O Ministro Virgílio Távora chegou às 8:30 horas, e o Governador Parsifal Barroso duas horas depois, tendo sido ambos recebidos por centenas de pessoas que se organizaram em cortejo pelas ruas da cidade, até às residências onde esses dois homens públicos se hospedaram. As solenidades propriamente ditas, da eletrificação do Cariri, tiveram início às 17 horas de ontem, quando o Bispo do Crato, D. Vicente de Araújo Matos, sobre um altar erguido defronte ao pavilhão de exposição situado no centro da Praça do Cinqüentenário, oficiou a. "missa do cinqüentenário", assistida por todas as autoridades presentes, inclusive o Ministro Virgílio Távora e o Governador Parsifal Barroso. Logo após o ofício religioso, às 18 horas e 30 minutos, o ministro da Viação, em nome do Presidente da República, descerrou a placa de bronze, fincada no pavilhão da Praça do Cinqüentenário, onde estão gravados os nomes daqueles que mais se bateram pela eletrificação do Vale, destacando-se os nomes dos engenheiros Antonio José Alves de Souza, Carlos Berenhauser Jr. e Nicodemos Lopes Pereira, o ministro da Viação, o Governador Parsifal Barroso, o Prefeito Antonio Conserva Feitosa e os Deputados José Colombo de Souza e Wilson Roriz. Estava oficialmente inaugurada a eletrificação. Após o descerramento da placa, coberta com a bandeira nacional, o Ministro Virgílio Távora pronunciou um discurso no qual, depois de augurar um futuro de progresso para o Vale eletrificado, assegurou o seu empenho de estender a energia até o litoral bem como a promessa do BNDE, de financiar as indústrias básicas da região. Falaram, ainda por ordem, o Prefeito Conserva Feitosa, o Deputado Wilson Roriz e o Governador Parsifal Barroso, além do engenheiro Nicodemos Lopes Pereira, que fez a entrega ao prefeito de Juazeiro das chaves simbólicas da eletrificação da cidade. O governador e o seu líder na Assembleia evocaram as figuras dos que eles chamaram de "grandes ausentes mais presentes do que nunca", que foram o presidente da CHESF, engenheiro Antonio José Alves de Souza, (Obs.: O Eng. Alves de Souza foi o primeiro presidente da CHESF, de 1948 a 1961. Era engenheiro de minas e civil, formado pela Escola de Minas e Metalurgia de Ouro Preto, MG), o “General” Carlos Berenhauser Júnior e o Deputado Colombo de Sousa. Sobre a placa, uma coroa de flores, em homenagem póstuma ao presidente da CHESF, falecido 10 dias antes de ver concretizado o sonho por que tanto batalhou, que foi a eletrificação do Cariri. Em seguida, o Ministro Virgílio Távora, o Governador Parsifal Barroso e os demais membros de suas respectivas comitivas, inauguraram o pavilhão da Exposição Permanente dos produtos da indústria artesanal de Cariri. (Obs.: Este Pavilhão fazia parte do complexo construído sobre a Praça do Cinqüentenário, que também estava sendo inaugurada nesta data). Eles admiraram particularmente o funcionamento de um gigantesco relógio, construído em Juazeiro e que domina o panorama da exposição. Logo após deixarem o recinto da Exposição, as autoridades, com exceção do Ministro Virgílio Távora, dirigiram-se ao palanque armado defronte à Praça Padre Cícero e apreciaram o desfile de carros alegóricos com motivos ligados à eletrificação e à vida de Juazeiro. Despertaram particular atenção os carros da CELCA (Companhia de Eletricidade do Cariri) e a alegoria ao Padre Cícero." Nesta mesma noite, em festa no Treze Atlético Juazeirense, foi feita a escolha da Miss Cinqüentenário de Juazeiro, sendo vencedora a senhorita Neir Sobreira Melo. Como de costume, tanto o evento anterior – a festa do poste, como esta dita festa do século, elas teriam sido perpetuadas através de placas comemorativas, em bronze. E aqui uma outra coincidência desagradável para nossa memória: a segunda placa, referente a Festa do Século, também sumiu. Por uns anos ainda a víamos na parede frontal do pavilhão da Praça do Cinqüentenário (onde funcionou o Tiro de Guerra 210, a Lira Nordestina, etc). Quando a praça foi destruída, para a construção do Memorial Padre Cícero, ela foi retirada e não mais se teve notícia de seu destino. Seria desejável que tanto uma como outra fossem repostas para continuar assinalando este grande marco de nosso desenvolvimento. No caso da placa da Festa do Século, não temos ideia sobre seus dizeres. Mas, fica a sugestão para que, em se tratando de uma justa homenagem para perpetuar o trabalho de tantos homens, a sua redação bem poderia ser, assemelhada a anterior, com homenagens às seguintes personalidades: “Marco Comemorativo da Inauguração da Energia Elétrica de Paulo Afonso. Juazeiro do Norte, 28 de Dezembro de 1961. Presidente da República: Dr. João Belchior Marques Goulart; Homenagem: Dr. Getúlio Dorneles Vargas (In memoriam); Ministro da Viação e Obras Públicas: Virgilio de Moraes Fernandes Távora; Governador do Estado: Dr. José Parsifal Barroso; Vice-Governador do Estado: Wilson Gonçalves; Superintendente da SUDENE: Celso Monteiro Furtado; Presidente da CHESF (1948/1961): Engo. Antonio José Alves de Sousa (In memoriam); Presidente da CHESF (1961): Engo. Amaury Alves de Menezes; Diretores da CHESF: Engo. Apolônio Jorge de Farias Sales; Engo. Octávio Marcondes Ferraz; Engo. Carlos Berenhauser Junior; Superintendente da CELCA: Nicodemus Lopes Pereira; Chefe da Div. Técnica da CELCA: Walter Gomes de Matos; Chefe da Div. Administrativa da CELCA: Gileno Ferreira Gomes; Chefe da Div. Comercial da CELCA: José Izidro Gomes; Executor do Plano de Eletrificação: Engo. Bernardo Bichucher; Deputado Federal José Colombo de Sousa; Deputado Estadual Wilson Roriz; Prefeito Municipal de Juazeiro do Norte: Dr. Antonio Conserva Feitosa; Prefeito Municipal de Crato: Dr. José Horácio Pequeno; Prefeito Municipal de Barbalha: Dr. João Filgueiras Teles; Comitê Pró Eletrificação do Cariri: Hildegardo Belém de Figueiredo; Antonio Corrêa Celestino; Antonio Costa Sampaio; Ernani Silva; Felipe Néri da Silva; Geraldo Menezes Barbosa; Gregório Callou de Sá Barreto; João Lindemberg de Aquino; José Maria de Figueiredo; Neroly Filgueiras; Odílio Figueiredo; Raimundo de Oliveira Borges e Tomaz Osterne de Alencar.” Depois da festa, o que se viu foi uma intensa movimentação da CELCA para estender as redes a todas as demais cidades do Cariri e além, na sua área de influência. E haja postes, saídos da Cavan. A empresa fabricante de postes de concreto,  conhecida como Cavan, nasceu em 14 de Março de 1924, com o nome de Poteaux Cavan, constituída em Anvers, Bélgica. Com a expansão de negócios chega a Portugal, em 23.06.1932, com o nome de Sociedade Portuguesa Cavan S.A. De Portugal, a empresa veio para o Brasil, em 1940, como Postes Cavan S.A. Com a Eletrificação do Ceará sendo iniciada, especialmente com a passagem pelo Cariri, a empresa optou pela montagem de uma unidade fabril em Juazeiro do Norte, a meio caminho da meta Fortaleza, remetendo postes pela via férrea. Depois da Festa do Século há um sem número de obras e gestões que se prolongaram por vários anos até à energização de todas as cidades, distritos e demais localidades, o que já foi acontecer até ao final da gestão de Espedito Cornélio, à frente da CELCA e a sua consequente encampação pela COELCE. Um dos primeiros funcionários da CELCA, José Alcy Pinheiro, está escrevendo densa obra com respeito ao aprofundamento deste importante capítulo da história do Cariri. Por último, convém notar que, por uma coincidência muito feliz, a eletrificação de Juazeiro do Norte aconteceu em meio às festas do Cinqüentenário, em 1961, portanto, o divisor de dois períodos de cinco décadas, para 1911 (Criação do Município) e para cá, 2011 (Centenário do Município). Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 25.02.2017)

FRENTE NA ALCE: BEATIFICAÇÃO DE PE. CÍCERO

A proposta ocorre depois do “perdão” da igreja ao Padre Cícero. A deputada estadual Fernanda Pessoa (PR) (Foto: Máximo Moura/ALCE) quer uma Frente Parlamentar, na Assembleia Legislativa do Ceará (ALCE), para reunir documentos e depoimentos que levem à beatificação do padre Cícero. O movimento da Casa que pode levar o padre a ser considerado santo ocorre depois que a igreja se “reconciliou” com o cearense ainda no final de 2015. A intenção é buscar fatos históricos da vida do padre, demonstrando como ele praticou as chamadas “virtudes cristãs”, além de mostrar de que maneira os fiéis o consideram “santo”. “Padim Cícero continua fazendo história mesmo depois de 83 anos de seu falecimento e com o perdão da igreja nada mais do que justo com os seus fiéis darmos início a Beatificação”, disse a deputada Fernanda Pessoa. A Frente pretende realizar audiências públicas na região do Cariri, ouvir as autoridades locais, a população e reunir representantes da Igreja católica, deputados, pesquisadores e firmar parcerias com a Universidade Estadual do Ceará e a Urca.