quarta-feira, 19 de novembro de 2014

BOA TARDE
085: (19.11.2014) Boa Tarde para Você, Maria de Fátima Morais Pinho

Aos nossos olhos, recai sobre si na atualidade a grave responsabilidade de manter e dirigir o IPESC, Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Socioculturais, da Universidade Regional do Cariri.

Em novembro de 1987, professora Fátima Pinho, a Delegacia Regional de Ensino sediada em Juazeiro do Norte, promoveu o Seminário “URCA, seu Papel, seu Espaço”, tratando da Regionalização da Universidade, cuja preocupação emergia na sociedade caririense.

Convidado a participar do evento, eu me pronunciei sobre a nossa preocupação em tornar a URCA um forte instrumento de modernização e desenvolvimento do Cariri, a partir de uma maior presença nas demais cidades, além da sede da Reitoria.

Eu propus, por exemplo, que diversos órgãos suplementares fossem criados para estimular esta participação dos municípios, sobretudo por não se poder realizar naquele momento, e como se desejava, a implantação de cursos e faculdades nas diversas comunidades.

Deste modo, Fátima, havíamos pensado em criar em Juazeiro do Norte um Centro de Documentação, ou um Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais que encerrasse núcleos de preservação da memória histórica, arquivos, biblioteca, hemeroteca, salão de exposições e outras atividades correlatas para dinamizar o que tínhamos mais evidente como o folclore, o artesanato, a literatura de cordel e a religiosidade popular.

Em 12 de maio de 1989, perante o Conselho Universitário presidido pelo seu reitor, o Prof. Dr. José Teodoro Soares, apresentamos formalmente a proposta de criação do Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Socioculturais do Cariri - IPESC.

Entre 17 e 20 de abril de 1988, a URCA havia realizado com êxito o I Simpósio Internacional sobre Pe. Cícero e os Romeiros de Juazeiro do Norte.

E em vista do que já se consolidara desde o Seminário de 1987 e as recomendações da síntese conclusiva do I Simpósio Internacional, para nossa imensa alegria, Fátima, a Reitoria baixou uma Resolução do Conselho Universitário, em 23 de maio de 1989, criando o IPESC, com sede em Juazeiro do Norte.

Na mesma data, uma Portaria designava os professores José Boaventura de Sousa, Peterus Antonius Tegenbosch, Francisca Fernanda Anselmo, Edmilson Martins Lima, Daniel Walker Almeida Marques, Antonio Renato Soares de Casimiro, José Bendimar de Lima e Francisco Hélio Germano, para sob a presidência de Boaventura, formar a Comissão que efetivamente implantou o novo órgão.

Vinte e cinco anos decorridos, dos quais nos lembraremos eternamente, pelo imenso serviço prestado ao Cariri, o IPESC continua no nosso imaginário a representar uma grande esperança no nosso desenvolvimento continuado e sustentável, a partir de seus objetivos maiores.

E nisto, Fátima, em fase áurea, primamos pela realização de atividades científicas e culturais, pela recuperação e constituição de acervos documentais, pela produção e disseminação de conhecimentos; conjugamos suas atividades de pesquisa e extensão cultural às atividades implementadas pelos cursos ministrados na URCA; captamos recursos de fontes financiadoras para projetos de pesquisa; mantivemos as áreas de extensão cultural, de documentação e de editoração; realizamos cursos, seminários, simpósios e ciclos de estudos; firmamos convênios com entidades do país e do exterior para intercâmbio cultural e executamos programas de treinamento de pessoal nas áreas de pesquisa objetivando a melhor qualificação de graduados da URCA.

Finalmente, professora Fátima, reconhecemos em si esta responsabilidade histórica sobre o acervo que você herdou. Esperamos, sinceramente, que esta seja também uma permanente luta em sua vida profissional, como foi para cada um daqueles que um dia tiveram a ideia de criar o IPESC e mantê-lo até quando foi possível, pois já era uma grande missão.

(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 19.11.2014)


terça-feira, 18 de novembro de 2014



BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
082: (12.11.2014) Boa Tarde para Você, José Alcy Pinheiro
Você não imagina, meu caro amigo, a enorme alegria em tê-lo abraçado ontem, depois de vários anos, para saber que, finalmente você está concluindo o seu esperado depoimento sobre a eletrificação do Cariri. Eu penso que este é um capítulo de nossa história recente que de fato precisa ser bem contado por alguém que viveu esta saga por dentro, com você, o primeiro funcionário da então Companhia de Eletrificação do Cariri, e por muitos anos. A propósito desta eletrificação, Zé Alcy, eu já relembrei aqui, numa destas crônicas, que este fato teve diversos episódios memoráveis e importantíssimos. Num primeiro momento é oportuno lembrar a bravura de uns caririenses que lutaram contra a enviesada concepção da extensão das redes, desde Paulo Afonso, em flagrante confronto com os interesses do então ministro Virgílio Távora. Virgílio havia costurado um acordão que envolvia lideranças da Paraíba e do Rio Grande do Norte, e por ele a linha a ser construída passava por Campina Grande e Mossoró, para atingir Fortaleza. Os técnicos da CHESF, tendo a frente a extraordinária figura do engenheiro Antônio José Alves de Souza se opunham a esta obra, pois já tinham, se detido substancialmente sobre a viabilidade da rota Paulo Afonso-Milagres. Ganhamos isto, Zé Alcy, perante Getúlio Vargas, em 1953, também pelas vozes altivas de Felipe Neri da Silva, de Antônio Correa Celestino, de José Maria de Figueiredo e de Colombo de Sousa. Esta história é particularmente importante porque no caso do Ceará, como já muito bem referia o professor Antônio Martins Filho, de enorme e saudosa memória, toda a marca de desenvolvimento do Estado se assenta sobre duas coisas: a eletrificação e a sua universidade. E nisto ele tinha absoluta razão, pois se aplica com o uma luva no Cariri, pois os fios de Paulo Afonso chegaram primeiro, embora só 50 anos depois vimos um meio universitário pujante, fruto das atenções do poder público, e do grande esforço manifestado pela iniciativa privada, semeando cursos às dezenas em nossa terra. Por mais que tenha tentado, Zé Alcy, infelizmente eu não pude construir uma cronologia que me esclarecesse o passo a passo desta grande conquista. O mais que pude foi me debruçar sobre fatos isolados, e nisso aguardo a precisão do seu relato. Há alguns livros que tangenciam o caso do Cariri, pela situação mais emblemática de que ela iniciou o grande surto do Estado. No início desta história, com a determinação do governo federal, foi fundada a SOELCA – Sociedade de Eletrificação do Cariri, uma iniciativa de curta duração que logo foi substituída pela criação da CELCA – Companhia de Eletrificação do Cariri, constituída em 28.10.1960. Ela foi fundada como sociedade anônima de economia mista formada por capitais da União, através da CHESF, do Governo do Ceará, das Prefeituras e do povo do Cariri. Como você, Zé Alcy, tão bem sabe, sua criação foi determinada primordialmente para que houvesse um organismo responsável pela construção do sistema e a comercialização da energia gerada, depois de ter realizado a construção do sistema (estação abaixadora, posteamento, rede de distribuição). Tanto que a sede da Companhia, já funcionava a partir de 01.05.1960. Quero crer que aí você, Zé Alcy, já estava no batente e juntando fatos que desembarcarão em breve neste livro ansiosamente aguardado. O prof. Espedito Cornélio, o segundo superintendente da CELCA, entre 09.12.1966 e 14.08.1968, publicou um livro sobre a Saga da Eletrificação, mas infelizmente a obra não respondeu à maior parte de nossa ansiedade, não obstante a obra poética que legou. Enfim, José Alcy Pinheiro, estamos atentos e ansiosos para ler este livro a que você tem se dedicado e que é parte relevante de sua própria existência.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 12.11.2014)
083: (14.11.2014) Boa Tarde para Você, Célia Maria e Silva Morais.
Um pequeno desconforto, coisa natural de um transeunte apressado nas ruas de Juazeiro, me levou esta manhã a reler o poema As Calçadas de Juazeiro, de Célia Morais, a quem cumprimento nesta tarde.
Ai que saudades que eu tenho / Das calçadas de Juazeiro / Quando eu era bem pequena / E brincava o dia inteiro / Nas calçadas de tijolo / Sempre eu chegava primeiro;
Eram calçadas tão largas / Mais pareciam uma pista / Andava de bicicleta, patinete e patins / As da Rua Padre Cícero / Eram lindas de morrer / E nas Malvas nem se fala / Pois foi lá onde eu morei;
Calçadas também escutavam / Histórias de assombração / Depois vinham as brincadeiras / Camaleão olha o rabo dele / Noites passam depressa / Não tinha televisão;
Passou-se o tempo e eu passei / A ver o que não queria / A ver o que aconteceu / E acho que não gostei / Calçadas de Juazeiro / Não tem mais, desapareceu;
Tem calçada que sobe / Tem calçada que desce / De repente ela encurta / De repente ela cresce / E nesse vai e vem / A coluna é que padece;
Você acha isso certo? / Você acha isso bom? / Ver o povo na rua / Pois calçada não tem / E já se perguntou? / Porque isso acontece?
Só encontra a resposta / Quem dirige um transporte / Você acha isso grosseiro? / Falta de educação? / Pois isso só acontece / Pra quem mora em Juazeiro / E é coisa sem solução;
Eita terrinha sem lei / Terrinha sem urbanismo / Aqui não dá para cantar / “Se essa rua fosse minha…” / Pois se você for tentar / Você cai é num abismo;
Uma coisa vou lhe dizer / É uma pena que seja assim / Pois eu amo essa terrinha / Terrinha do meu Padim / E tomo a liberdade / De achar isso ruim;
Com calçada ou sem calçada / Vou ficando por aqui / Estou beirando os setenta / Não ando mais de patins / Pra que calçada tão grande? / Pra que calçada sem fim?
Você escreveu estes versos há uns seis anos passados, Célia, e a minha leitura me enseja um misto de sentimento saudosista em quase tom profético. Esse, sem dúvida é um dos inúmeros motes que podemos recolher de velhos moradores desta antiga vila para lamentar, mas, principalmente, para refletir sobre o que temos feito ou o que temos nos permitido que se faça com esta nossa cidade amada. Perdão, Célia, mas não vale a pena dizer que a cidade é mais errada pelos descaminhos de suas calçadas, mas nunca poderemos deixar de lado e nos conformar que tenhamos atravessado todo um século sem que merecêssemos a atenção de um plano diretor urbanístico. Hoje vivemos uma quase dicotomia entre a cidade velha e seu centro, e os largos e ainda promissores novos espaços da urbanização que repetem o vexame de sempre, com imóveis geminados e sem recuos, calçadas estreitas e acidentadas, lotes que fazem vexame até diante de casas populares e ruas que logo se saturam pela avassalagem de motos e carros. Não sei mesmo, Célia, onde nos distraímos para não ter cobrado com a veemência necessária que tantos gestores não passassem por aqui sem uma solução marcante e estruturante para este nosso crescimento e inchaço. Não sei mesmo como justificar que seja tão difícil rever os gabaritos das nossas premissas urbanísticas, como também não sei como justificar que seja tão difícil construir nesta cidade as avenidas e as praças que ela tanto reclama, para que respiremos mais aliviados. Aceito e louvo, Célia, a sua provocação poética, os versos simples de um coração magoado e carinhoso para com seu chão amado. Sempre que conto com suas reflexões sobre as postagens regulares da Memória Fotográfica de Juazeiro do Norte, em página do Facebook, quando ficamos muitas horas a admirar a riqueza arquitetônica que herdamos da velha cidade do Patriarca, logo me vem à cena o verso inesquecível de Maria Gonçalves da Rocha Leal: “Meu Juá, meu Juazeiro/ como te vejo hoje, e como te vi primeiro”. E olhando para aquelas imagens, Célia, também vou lembrando o verso inesquecível de Drumond, vivendo a mesma angústia e que me permite dizer, analogamente: “Juazeiro é apenas uma fotografia na parede. Mas, como doi...”
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 14.11.2014)

084: (17.11.2014) Boa Tarde para Você, Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros
Como a 43 anos já passados e vividos, será muito prazeroso, logo mais, abraçá-la neste reencontro durante a abertura do IV Simpósio Internacional sobre Padre Cícero, aqui no Memorial. Será inevitável, Luitgarde, que me ocorram velhas lembranças desde aquele dia, numa manhã ensolarada de domingo, na residência de Mons. Azarias Sobreira, em Fortaleza, quando dele recebi a incumbência para protegê-la e facilitar-lhe a vida nas pesquisas a caminho do Juazeiro. O que foi possível fazer desde então, varou este novo século, carregando para a atualidade uma maravilhosa vivência de nossas famílias, de tantas outras famílias deste Cariri, em torno da memória e das histórias destas nossas terras. Pena que o tempo abateu do nosso convívio um grupo numeroso de gente maravilhosa que fazia este relacionamento, velhas e amadas criaturas, guardiãs da tradição e de afetos que marcaram definitivamente os nossos trajetos curiosos. Agora você está de volta, aos apelos intransferíveis dos que partilharam grandes emoções, trabalhos e reflexões acadêmicas, para revisitar os caminhos antigos. E aí, jagunça? (para lembrar-lhe o apelido posto e merecido, do seu velho colega docente de faculdade, Darci Ribeiro), que ânimo ainda lhe traz a esta santa terra do Tabuleiro Grande, em busca dos caminhos de nosso Patriarca? No começo de 1971, Luite, você era uma estudante na UFRJ e depois na PUC de São Paulo, e chegou aqui para realizar a pesquisa que redundaria no belíssimo A Terra da Mãe de Deus, sua dissertação de mestrado, depois tornada livro de leitura e menção obrigatórias a quem desejasse continuar-lhe a missão. Fazia pouco, mas você havia deixado a Fisioterapia, graduação anterior pela Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro, em 1966, para se tornar antropóloga, licenciando-se e bacharelando-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1968. Daí por diante, foi o que vimos e pelo qual tanto vibramos: Doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 1980; Pós-Doutorado em Antropologia pela UNICAMP, em 1999 e, de novo, outro Pós Doutorado em Ciência da Literatura pela UFRJ, em 2008. Invejo-a, Luite, por vê-la sempre com tanto gás, agora, depois da aposentadoria na UFRJ, novamente professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tanto em graduação quanto em pós-graduação, porque não é fácil, e seria temeroso, dispensar a sua larga experiência na área de Antropologia, com ênfase nos temas de pensamento social brasileiro, movimentos sociais, catolicismo popular, antropologia política, antropologia da violência, antropologia da literatura, memória e história oral. Tenho num canto especial da biblioteca aqui de casa, com grande afeição, o ajuntamento magnífico das leituras de quase tudo o que você produziu nestes anos em livros sobre Padre Cícero, Arthur Ramos, Lampião, Nelson Werneck Sodré, Octávio Brandão, Nise da Silveira, Guerra-Peixe e a memória e a história oral dos bairros portuários do Rio de Janeiro, bem como uma boa parte da mais de uma centena de capítulos de livros e artigos em periódicos e jornais, no Brasil e no exterior. Aí eu a encontro, firme, ereta, digna e competente para transitar leve e solta por conteúdos tão apaixonantes. Aí eu a encontro irredutível nas suas convicções, a não fazer concessões fáceis e a interpretações simplórias que nos ajudam a compreender esta realidade que ainda nos cerca, por exemplo, no contexto da grande nação romeira. Seja bem vinda a esta sua terra, professora Luitgarde Barros, você que é cidadã juazeirense de tantos méritos. Méritos estes lembrados por serviços continuados de permanente atenção a tantos quantos que se socorreram da sua competência em todos estes anos.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 17.11.2014)

PACTO DOS CORONÉIS
Lentamente estamos formando uma galeria para identificar todos os participantes do Pacto dos Coronéis, em Juazeiro do Norte. Agora nos é fornecida por João Tavares Calixto Júnior uma foto do representante da cidade de Aurora.  Agradeço e transcrevo abaixo a anotação que João Tavares Calixto Júnior fez na minha página do Facebook. “O Coronel Cândido Ribeiro Campos (Cândido Fernandes da Silva), conhecido em seu tempo por Cândido do Pavão, era natural do sítio Antas em Aurora. Filho de Matias Fernandes da Silva (pedreiro que trabalhou na ampliação da Capela do Senhor Menino Deus em 1864) e Antônia da Encarnação Monteiro, substituiu o sobrenome Fernandes da Silva por Ribeiro Campos, por ocasião de “qualificar-se”, para tirar o título eleitoral. Foi um dos mais importantes chefes políticos do Cariri em sua época, e pai de prole numerosa, sendo o Padre Januário Campos, o filho de atuação mais marcante. Casou-se com Ana Maria de Jesus (Naninha), instalando-se no sítio Martins, de seu tio materno João Monteiro. Transferiu-se em 1902 para o sítio Pavão, antiga propriedade do mosteiro de São Bento, de Olinda, à época, em poder do padre Cícero Romão Batista, que a havia comprado. Era encarregado da cobrança dos dízimos dos que ocupavam as terras sob o domínio eclesiástico, as quais mediam três léguas de comprimento por uma légua de largura, de ambos os lados do rio Salgado, estendendo-se do riacho dos Mocós até o riacho do Juiz. Tornou-se, por força da arrecadação das alíquotas, de grande confiança do Padre Cícero Romão Batista, o que lhe conferiu notoriedade, ocupando cargos importantes em Aurora, como o de suplente de Juiz substituto, presidente da Câmara e Prefeito Municipal, cargo, este último, ocupado em face aos fatídicos episódios de 1908, onde, com a deposição do coronel Totonho do Monte Alegre, assume ele, Cândido do Pavão, o cargo de Intendente Municipal de 1908 a 1914, e posteriormente, de 1921 a 1926. Em carta do Padre Cícero ao Cel. Cândido do Pavão, datada de 13 de outubro de 1916, observa-se referências sobre a situação de perda de seu rebanho bovino, ora localizado em suas terras em Aurora. Segue trecho do lançamento: “... A paz de Deus o guarde e família. Tendo precisão de fazer minha criação de gado e animais nesta propriedade que comprei aos padres de S. Bento, mandei lá José Xavier e o meu vaqueiro e disseram-me eles que o lugar que presta é o Pavão. Havia passado procuração bastante ao Sr. José Xavier para tratar de qualquer negócio com qualquer um que estivesse no lugar mais apropriado, e resolver, como fosse justo. O Pavão foi o melhor que acharam. Portanto, não estranhe em exigir para estabelecer-me que boto aí, eu perco o resto da criação que está mal colocada. Portanto, lhe aviso que não posso mais arrendar aí, e em janeiro mandarei o José e o vaqueiro para aí. A respeito de sua casa, cercados, indenizo por preço razoável. Eu lhe digo com pena porque lhe desejo a si e a todos todo bem que posso desejar, porém não tenho outro lugar que se preste para a criação que já estou perdendo. É muito melhor que compre uma propriedade onde firme seus trabalhos e deixe sua família colocada em propriedade sua. Reflita bem que verá que é mais justo e melhor. De seu amigo e compadre. P. Cícero Romão Batista”. Participante no famoso episódio do "Pacto dos Coronéis", representando o município de Aurora, Cândido atuou de forma ativa na truculenta briga pelo litígio do poder no Cariri, figurando em diversas cenas do coronelismo regional, como na "Questão do Coxá", Ataque de 8 em Aurora, Morte de Izaías Arruda, entre outros. Veio a falecer aos 24 de julho de 1936.
(Para rever a participação de Cândido Ribeiro Campos no Pacto dos Coronéis, consulte:

terça-feira, 11 de novembro de 2014



BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
076: (29.10.2014) Boa Tarde para Você, Maria das Graças de Oliveira Costa Ribeiro
Há poucos dias foi apresentada, julgada e aprovada com grandes méritos a Tese “Dores e cores nas mal traçadas linhas dos devotos do padre Cícero: As trocas linguísticas instauradas entre o discurso eclesial e o discurso epistolar dos romeiros”, da professora Maria das Graças de Oliveira Costa Ribeiro. Quero agradecer-lhe, Maria das Graças, a gentileza de me ter enviado uma cópia desta substanciosa e preciosa contribuição que você realizou nos seus estudos, vinculados à Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sua carreira docente já tem brilho desde os anos 90 pelos percursos realizados no Colégio Diocesano Geo Stúdio, no Seminário São José, na URCA, para em 1995 ingressar no Instituto Federal de Educação, em Crato. No ano 2000 integrou-se ao programa de Extensão da URCA, concluiu em 2005 a sua Especialização em Metodologia do Ensino da Arte, e o mestrado em Ciências da Educação pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em 2008.  Sua Tese de Doutoramento tem amável dedicatória às irmãs Annette Dumoulin e Ana Teresa Guimarães (in memoriam), pois você as declara “ousadas águias que partiram do solo europeu para pousar nas bandas caririenses, provando que Nosso Senhor pode, sim, deixar a Europa para fazer o milagre do protagonismo romeiro em Juazeiro do Norte.” E nisto, além da bela homenagem, Graça, há uma propriedade que você enxergou com precisão: foram exatamente estas duas criaturas de Deus as que de forma ousada e pioneira, mostraram ao mundo o pensamento do Patriarca de Juazeiro, por ele mesmo, através de seu vasto arquivo de cartas. O seu trabalho pôs os olhos sobre tantas outras cartas que todos os dias, e mais intensamente em tempo de romarias, são depositadas no cofre, do Museu do Padre Cícero, no Horto, e no seu túmulo, no Socorro. Ao analisar estas que os romeiros do Nordeste continuam a enviar ao Patriarca, o seu estudo as compara com as homilias proferidas a esses devotos, focalizando os apelos ali contidos, para traçar uma relação entre as necessidades contidas nas cartas e o discurso dos religiosos, com o objetivo de encontrar relações entre as necessidades gritantes expressas nestas missivas com o que os padres proferem para os romeiros. Também concordo consigo, pois ao se constatar a continuidade desta maneira de ser, o romeiro se mantém fiel à relação de filiação paternal, e usa a correspondência para ultrapassar os limites entre céu e terra, para fazer chegar a sua súplica de intercessão ao Padre Cícero. Relevo, igualmente, esta preocupação de encontrar e compreender como se dá o processo de inter-relação entre o discurso escrito dos devotos, com o discurso clerical, no que se refere ao atendimento dessa demanda, observando, sobretudo, o jogo de força nesse campo religioso. Essa história não tem fim. Você apenas deu continuidade e o fez magistralmente. Daí porque não devo terminar, senão dando-lhe voz ao que praticamente fecha seu trabalho, quando nos diz: “Confesso-lhes que a emoção aprontava-me vez em quando, uma vez que também eu, enquanto sujeito histórico não podia conceder-me ao luxo de ser um cadáver analisando cadáver. Assim, as lágrimas, os risos e o encantamento pousavam e descansavam no teclado enquanto compunha esta pesquisa. Incontáveis foram as vezes em que numa repentina trégua, parava estaticamente numa carta, lendo-a, relendo-a, não para dessecá-la cientificamente falando, mas por ela ter conseguido me enlaçar numa mágica relação entre leitor e texto. Daí, emoção e cognição se confundiam até o despertar aos postulados acadêmicos. Repreendi-me, muitas vezes, por deixar-me conduzir ao sabor da emoção, mas não me arrependi quando a mesma escapou e na sua teimosia, resistiu ao meu garimpo epistemológico, e fincou-se entre o ver e o sentir, fazendo morada nesse meu registro.” Belas palavras, Maria das Graças e nossos agradecimentos, tanto quanto nossos parabéns.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 29.10.2014)

 BOA TARDE (II)
077: (31.10.2014) Boa Tarde para Você, Tereza Neuma Macedo Marques
Há mais ou menos um mês, eu li no Portal de Juazeiro a notícia antecipada de sua mudança para o Novo Juazeiro. Já estava em acabamentos a nova casa que vocês, Neuma e Daniel, e aí se anunciava a mudança, que aconteceu recentemente. Um pouco antes, eu estive na construção e, me permita lhe dizer, pensei silenciosamente comigo: como puderam se despojar de tão largos espaços e no conforto da casa da Santa Rosa para se animar por estes cômodos menores no novo bairro? Fiquei pensando também, Neuma, que um traço marcante de sua personalidade desembarca exatamente na convivência amiga com vizinhos e isto é parte da sua saudável e espontânea relação de amizades.
Quando se demora quase quarenta anos num só endereço, bem imaginamos o que nos ocorre à hora de mudarmos de casa, de rua, de bairro, e expor nossas vidas a complexas perturbações, em nova cena urbana que se vai conhecer e explorar. Reconheço em vocês, Neuma, este desprendimento exemplar com o qual, finalmente, se puseram a caminho para realizar o que de há muito planejavam. Quase às vésperas da mudança, eu li no Portal que você promoveu uma confraternização com o seu círculo de amigas, especialmente as que estiveram por perto da família nos últimos 37 anos de Rua Santa Rosa, como as das primeiras horas: a Salete; a dona Maria e as filhas; a Rosimar e a Dulcimar; a Dôra, de dona Lucy; a Francisquinha; a dona Lourdinha e a Iranir. E as que se foram chegando depois e pelos anos: a Inácia (Naná); a Creusa; sua prima Fátima; a dona Nazaré e sua filha, Mundinha; Ivone e Isa; Adriana e sua filha, Letícia; a Ana Paula; a Rosa, sua filha Sílvia e os netos João Lucas e Ana Luísa. E até as mais recentes como a Maria, que veio da Rua do Horto e sua amiga, Toinha, sua aluna na Escola Maria Amélia. Sem esquecer, também, a sua fiel companheira de caminhada, a madrinha Francisquinha, de uma destas fogueiras de São João) e a vizinha, D´Arc. Quando soube disto e vi fotografias, fiquei imensamente feliz por este gesto tão fraterno de vocês, convocando a fiel escuderia afetiva para marcar este sentimento que desponta, em hora tão festiva, onde não faltaram algumas lágrimas pela face, porque o aperto do coração não foi dos menores. Todos sentimos, Neuma, aquela saudade natural que se avizinha de nós, quando perdemos de vista alguém muito estimado. Frequentei a casa de vocês nos três primeiros endereços, das Ruas São José, Pe. Cícero e Santa Rosa, desde que vocês se casaram em 1972. Nestes mais de quarenta anos de convivência, vocês me permitiram a amizade generosa e a acolhida cordial que sempre me brindou com os mimos da casa, em conversa solta a perder o tempo, sempre plena de novidades tão animadas e os petiscos das merendas, recheados pelos predicados da senhora dona da casa, com deliciosos biscoitos, doces e sorvetes. Continuarei a ter vocês dois por perto, no meu afeto. Mais uns dias e encontro a oportunidade para estarmos juntos, para abraçá-los, parabenizar-lhes pela nova morada, na mais recente aventura. Mas, se bem lhe conheço, Neuma, não vai demorar outro encontro para ser marcado, e reunir novos e antigos vizinhos para um daqueles agradabilíssimos momentos, ao aroma gostoso de suas flores, aos encantos de uma conversa para se medir de metro, e aos sabores deliciosos de sua culinária. Em tudo isto, a lembrança que a vida é bela, tanto mais quando em tais momentos voltamos a repetir, com graça e com carinho, o reencontro entre velhos amigos.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 31.10.2014)

 BOA TARDE (III)
078: (03.11.2014) Boa Tarde para Você, Pe. Neri Feitosa
Apresso-me em dizer-lhe que, felizmente, recebi sua última carta, muito gentil, me falando da velha pendenga do Vaticano para com nosso santo Patriarca. Ocorre que esqueci de lhe comunicar, meu bom padre Neri, que deixei para trás as sombras dos velhos e acolhedores coqueiros, das belas praias, para estar aqui mais perto do altar-mor de nossa Mãe das Dores. Em vias tortas, por minha absoluta responsabilidade, sua missiva de 26 de julho passado chegou para minha leitura, trazendo a sua provocação, na outra carta que endereçou ao Cardeal Gerhard Ludwig Muller, atual prefeito da Congregazione Per La Dottrina Della Fede, com respeito aos “negócios do Juazeiro”, na questão aberta com a tal reabilitação. Achei interessante, oportuno e procedente que o senhor tenha se disponibilizado para estudar, lá no Dicastério, o que de fato se traduz como embaraço que esteja acontecendo para a finalização dos estudos. Na verdade, um destes últimos príncipes que aportaram em festa centenária da Diocese, terminou por afirmar que o embrulho é por aqui mesmo, face às divergências, velhas rixas entre membros obscuros da velha guarda do presbitério. Mas, o que poderiam eles fazer, estes outros do Santo Ofício, senão manifestar o respectivo desprezo à sua disposição, com dois anos de silêncio? Vá me desculpando Pe. Neri, se lhe digo que à argumentação do tal tempo de Roma, Vossa Reverendíssima saiu ganhando, pois nosso santo aguarda um novo conceito há mais de 120 anos. Já estamos fartos desta ditadura clerical que nos fala de comportamento heterodoxo. Realmente, ortodoxo seria o comportamento do Cardeal despachado por improbidade, por pedofilia e por tramar a morte de Bento XVI, sem falar no assassinato de João Paulo I? Penso que está bem respondida a questão do politico Patriarca em tais momentos graves de nossa vida. Afinal, o que dizer destas últimas canonizações, para citar os casos dos papas, políticos, Chefes de Estado e com representação diplomática? Enfim, como o senhor me lembra, felizmente temos tido grandes papas, embora para muitos o Vaticano seja esta grande vergonha da comunidade cristã, espalhada pelo mundo. O que sofreram todos estes e o que ainda sofrerá Francisco? Aliás, vale a sua menção, referida ao santo padre Paulo VI, segundo a qual “O demônio deve ter entrado no Vaticano por frestas de alguma janela”. Para que de nós, desgraçadamente, seja possível completar: E de lá nunca mais saiu. Quero lhe agradecer, Pe. Neri, a gentileza de me remeter a cópia do original da carta do Santo Ofício, de 4 de janeiro passado, na qual nada de novo, efetivamente, ali se encontra, a não ser os velhos e conhecidos termos que pude colher em seu texto, como escreve o funcionário: “A este respeito (tratando da reabilitação), tenho a honra de informar-lhe que este departamento tem um longo estudo com abundante documentação apresentada em apoio do pedido de reabilitação do sacerdote. Logo que concluir o exame vamos dar a conhecer, através dos canais apropriados, a sua decisão sobre o mérito, etc, etc”. E ao que me pede, identifico a assinatura do atual Sotto Segretario: Monsenhor Damiano Marzotto Caotorta. Ele é o quarto na hierarquia do Departamento, abaixo do Cardeal Muller, desde 2013. Por fim, meu querido amigo, Pe. Neri Feitosa, louvo publicamente esta sua quixotesca cruzada de estudos, preocupações e enfrentamentos, em apoio incondicional à causa deste notável servo de Deus. Prefiro ainda discordar do seu lamento, segundo o qual o processo do Padre Cícero não terá andamento. Há quem diga que se traduziu muito mal a afirmação de João Paulo II, ao dizer que este país necessita de muitos santos. Se por um só, com todo este sentimento que o Juazeiro viu recentemente na maior romaria de seu ciclo, na fé de seu povo romeiro, isso não bastasse, resta-nos a crença nas luzes do Espírito Santo, por sobre as mentes desta hierarquia, da nossa Santa e pecadora Igreja. Por fim, meu caro Pe. Neri Feitosa, não me deixe aqui, impaciente, sem a sua providencial benção, na graça de Deus.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 03.11.2014)

BOA TARDE (IV)
079: (05.11.2014) Boa Tarde para Você, Frei Raimundo Barbosa Filho
Durante a recente romaria, a grande Romaria da Esperança, eu desejei e tive a oportunidade de percorrer o que há de mais importante nesta cidade, para tentar fazer minhas reflexões sobre a importância deste acontecimento. E assim, meu caro Frei Barbosa, começava por sentir a força do que se tem falado e que resulta de uma característica própria de nós – gente sertaneja, como se vive a espacialidade de uma romaria, distribuída por um amplo e generoso roteiro de fé. Lembro bem que ainda nos anos 50, vivendo as limitações que a Igreja impunha à então única paróquia do lugar, com silêncio e pouca dedicação ao romeiro, tudo não ia além do complexo Matriz-Socorro-Horto-Museu. Parecia isto ser o único lenitivo que se reservava a esta nação nordestina de devotos do Padre Cícero e de nossa Mãe das Dores. Mas, em 1956 estava erguido, e majestoso, o outro grande Santuário de Juazeiro, o de São Francisco das Chagas. Bem sabemos, Frei Barbosa, que a decisão de construir esta grande igreja, relembra as convicções da Ordem Capuchinha em continuar o apostolado missionário em terras do Ceará, alargando a missão que já se estabelecera com o Santuário de Canindé, bem no coração do nosso sertão. Importante é mencionar que a partir deste fato, estabeleceu-se uma relação inquebrantável entre estes dois santuários, principalmente no último trimestre de cada ano, como destino da migração interna, em busca de conforto espiritual. Isso mostra claramente que na religiosidade do nosso povo sertanejo e na consciência do devoto, Juazeiro e Canindé, ambos assistidos por esta determinação franciscana, fazem parte da nossa peregrinação em busca da Jerusalém Celeste. Hoje, Frei Barbosa, o senhor pastoreia esta comunidade e realiza uma obra notável, não só nestas oportunidades das romarias, mas com um calendário de atividades religiosas, e outras de grande repercussão em obras sociais, que recolhem, aos milhares, a gente desta cidade, do nosso Cariri, e da nordestinidade andante. Em 1958, pouco tempo depois da sua inauguração, minha família recorreu ao altar de nosso irmão Francisco, para que eu fosse confirmado na fé, aí recebendo a primeira eucaristia. Sempre que aí estou, eu vivo aquela sensação grandiosa, e renovada, da emoção que tive e que começava aos olhos miúdos, atentos e curiosos de um menino de calças curtas, com a grandeza e a imponência da igreja que nos recebia. Pelos anos, nos meus silêncios, eu reservo sempre algum tempo para recorrer ao Santuário, em dias de calmaria, e aí ficar recolhido, em conversa com meus santos. Na romaria recente, voltei aí para encontrar e sentir o que é esta grande força e entusiasmo da Ordem Franciscana entre nós, a serviço do Reino.  Diria, até, Frei Barbosa, que em devoções como esta não é estranho que alguma coisa se repita, simploriamente, para significar força e ânimo. Como um Antônio pelo batismo, lembrei, por exemplo, o fato marcante do grande encontro de Antônio, de Lisboa, com o Francisco, de Assis, ainda no século XIII. O que estes homens fizeram pela humanidade, felizmente nos contam muitas páginas de memórias das vidas e obras de inúmeros missionários. Na atualidade, o que não continuarão fazendo Antônios e Franciscos por tantos Josés e Marias e por todo o povo santo de Deus? Quanto à missão dos frades franciscanos de Juazeiro do Norte, quero dizer-lhe, Frei Barbosa, o quanto temos nos endividado por tantas atenções e obras meritórias que esta comunidade continua, e continuará a realizar por este povo nordestino. Seguramente, isto já fazia parte dos desejos daquele homem, nosso Patriarca, que um dia sonhou que a grande obra que aí surgiria, à margem da ferrovia que marcava o limite para a construção de uma nova cidade. Era para que tivéssemos ficado atentos a tudo, pois como dizia o poeta Fernando Pessoa: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 03.11.2014)
 
BOA TARDE (V)
080: (07.11.2014) Boa Tarde para Você, João Hilário Correia Coelho
Durante toda a vida, e graças a Deus, o homem padece longamente de limitações. Tanto mais ele se conscientiza disto, tanto mais ele amadurece. De todas estas limitações uma que nos é muito flagrante é a da linguagem. Por isso, há muitos anos, um dos meus esforços permanentes, do meu desejo ser, é o de me comunicar por expressões corretas, elegantes, sinceras e objetivas. Se você me permite a irreverência, do exagero hiperbólico da expressão, já lhe digo, meu caro João Hilário, que meu espírito nesta data, ao saudá-lo, é o de, literalmente, “matar dois coelhos de uma só cajadada”. Exatamente porque dois motivos me fazem hoje reservar este cumprimento habitual de uma Boa Tarde para você, João Hilário. O primeiro situa-se bem ao meu desejo íntimo de ser-lhe grato, de expressar publicamente este sentimento, de estar aqui na radiofonia, de escrever estes textos e de transmitir a tantas pessoas já distinguidas com esta saudação, uma mensagem de carinho, de otimismo, e de perseverança neste exercício de vida digna e honrada. A rigor, nasceu assim, com tal pretexto de sua inspiração, a minha prazerosa obrigação, quase diária, de elaborar estes escritos para que no seu conteúdo eles abordem questões atuais ou remissivas históricas, face a algumas circunstâncias do cotidiano, me permitindo que possa até chegar a entrelinhas de afeto e cordialidade. Devo isto a você, João, e tão mais endividado vou colhendo no dia-a-dia o sentimento de tantos ouvintes, gente amável que me pára na rua, que me telefona em casa, que me faz correspondência, para confessar a propriedade das escolhas, e alguns dizem da felicidade de tantas lembranças, em meio a uma pretensa, correta, elegante, sincera e objetiva expressão. No dia de hoje, chego ao octogésimo texto, desde o primeiro, muito tímido ainda, naquele 14 de março passado. Revejo a lista já bem crescida para quem já me dirigi e olho apreensivo ao que há por vir, porque já não é mais apenas a minha vontade própria que responde por estas escolhas semanais. Efetivamente, este é um texto que se bem sucedido, chega aos seus ouvidos porque tem muito dos nossos ouvintes, aquilo que eu ainda não sei dizer claramente o que é, mas que imagino tem um pouco de muitos corações. Quero renovar-lhe o meu agradecimento, e o torno público, por ter me permitido esta experiência fascinante. O segundo motivo é que hoje, sete de novembro, toda esta comunidade radiofônica está celebrando o dia do Radialista. Outrora era o 21 de setembro, data em que, a propósito do velho decreto do presidente Vargas, fixando os níveis mínimos dos salários dos trabalhadores das empresas da radiodifusão, consagrou-se a data. Contudo, um dos governos passados desejou associar isto a uma merecida homenagem a Ary Barroso, um dos mais ilustres radialistas do pais, no dia do seu nascimento. O Rádio tem prestado tantos e relevantes serviços a comunidades como esta nossa caririense, que não é possível que não enxerguemos acima de tudo o seu valor que se encerra, especialmente, nos quadros que o sustentam. O Rádio resiste aos modismos. Deste modo, e numa segunda cacetada neste Coelho, receba você mesmo João Hilário Correia Coelho, os nossos cumprimentos pelo exemplo e dignidade com a qual você realiza esta missão. Ela é integrada, valorosamente, através das equipes que tem formado, dos valores que tem revelado, da renovação que tem promovido, pelo estilo que tem fomentado, pela seriedade como tem respondido aos desafios, pela segurança das informações veiculadas e que fazem a cada nova edição do Jornal da Tarde a crônica atualizada, sincera e histórica dos momentos que vivemos. Por estes motivos, estendo os meus braços para cumprimentá-lo em nome desta radiofonia que aqui existe e se pratica, na certeza de que assim se faz parte substancial da informação que precisa chegar a todos nós. Esta é tarefa respeitosa e verdadeiramente honesta em absoluta obediência a esta expectativa que nos une diariamente nestas horas por onde fluem notícias, entrevistas, debates, depoimentos, serviços e, acima de tudo, uma interação que torna este veículo imbatível diante de tudo que já se inventou para aproximar os povos deste planeta.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 07.11.2014)

BOA TARDE (VI)
081: (10.11.2014) Boa Tarde para Você, Dr. Giovanni Sampaio Gondim
Quero endereçar-lhe neste dia, Dr. Giovanni Sampaio, uma mensagem afetuosa de saúde e paz. Seguramente, não há coisas mais desejadas pelo cidadão simples de nossos dias que esta plena satisfação no gozo de uma boa saúde e do viver em paz entre trabalho, família e sociedade. Em nossos encontros, você tem sido um excelente contador de histórias. Permita-me, Giovanni, que possa lhe retribuir a gentileza, contando esta. Há dias, um cidadão, bom pagador de impostos, hipertenso e aposentado, procurou a Farmácia Popular da cidade para receber sua medicação, cuja embalagem estava chegando ao fim. Ele tentou receber uma nova para não deixar a regularidade do uso, mas o funcionário não liberou o medicamento, porque constava no computador da Farmácia que ele ainda tinha em casa dois comprimidos. Ao ouvir este pequeno relato, Dr. Giovanni, tão pitoresco em nossos dias, eu fiquei me perguntando: que pais é este que consegue com tal perfeição, controlar o fornecimento de um produto que custa centavos, e se perde completamente na investigação de roubos realizados por homens públicos, aos bilhões? Na véspera do recente segundo turno, vi em capa de revista o que já se vinha martelando há tempos: “Eles sabiam de tudo”. Tratava-se da bandalheira que a quadrilha perpetrou, com uma roubalheira escancarada e que atingiu bilhões de dólares na Petrobras. E ainda se ousa dizer que não sabiam e não sabem de nada? Ah! Essa inocência eterna, Dr. Giovanni, maquiada por uma desculpa horrorosa de que se trata de investida golpista da imprensa. Amanheceu este país naquele 27 de outubro, sem nenhum novo signo de esperança, quando a nação, ainda não teria dado um troco ao partido que, literalmente, já foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, sentenciando gente criminosa e lideranças políticas. O que restaria ainda, além da lição que a Suprema Corte impôs a esta quadrilha, senão esta outra lição democrática que o eleitor começou a perpetrar há poucos dias, pela força de seu voto, para banir da cena pública a maior frustração que já existiu na memória recente do país. Por estas coisas todas que não me saem do juízo, ouvi com serenidade a simplificação que você me faz, Giovanni, de sua proposta para sustentar a sua candidatura a prefeito de Juazeiro do Norte. Você me disse que ela não se enche de promessas, e afirma categórico que só pretende fazer uma coisa sensata: não roubar e não deixar que roubem. Dito isto, fica para nós a esperança de que pode sobrar dinheiro para se fazer o necessário pela felicidade deste seu povo eleitor. Não há escrúpulos a preservar, Dr. Giovanni. Verdadeiramente, não há porque não aceitar a legitimidade de uma proposta inovadora como esta, por incrível que possa parecer, diante da nossa vontade de dar um basta a este autêntico e continuado ato de irresponsabilidade e de desrespeito, que também nos tira do sério, numa noite de domingo, vendo o Fantástico. Daqui para lá, daqui para as próximas eleições, vamos ficar esperando que diante das regras do jogo eleitoral, você tenha a legenda esperada, a unção dos chefes políticos que vão compor o acordão, o financiamento da campanha com o apoio do empresariado, para desembarcar aos nossos olhos como opção séria que nos anime. Quando a campanha chegar, nós vamos estar esperando que você, Giovanni, nos diga exatamente como vai resistir a tentação do roubo e como fará para que tantos outros não roubem. E, se me permite, já lhe recomendo respeitosamente que não nos apareça para jogar a podridão nas telas das TVs, com o discurso falacioso e enganoso do horário eleitoral, e na longa sessão de lavagem de roupa suja, para que a nossa escolha não nos revele a sensação frustrante de que apenas estamos trocamos alguns dos bandidos da mesma quadrilha. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 10.11.2014)
 
NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES
Através da Resolução N.º 732, de 09.10.2014 a Camara Municipal de Juazeiro do Norte concedeu o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustríssimo Senhor Ângelo Antônio Sousa dos Prazeres, pelos estimáveis serviços prestados à nossa comunidade. A Autoria foi de: Cícero Claudionor Lima Mota. A Coautoria, de: João Alberto Morais Borges. E as Subscrições, de: José Nivaldo Cabral de Moura – José Adauto Araújo Ramos – Normando Sóracles Gonçalves Damascena -– Firmino Neto Calú – Rubens Darlan de Morais Lobo – Antônio Vieira Neto – José Ivan Beijamim de Moura – José Tarso Magno Teixeira da Silva - Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro - Maria de Fátima Ferreira Torres – Rita de Cássia Monteiro Gomes e Auricélia Bezerra.
Através da Resolução N.º 733, de 16.10.2014 a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte concedeu o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustríssimo Senhor Erasmo Barbosa de Mendonça, pelos relevantes serviços prestados à comunidade juazeirense. Autoria: Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro; Coautoria: Danty Bezerra; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura – José Adauto Araújo Ramos – Normando Sóracles Gonçalves Damascena – Firmino Neto Calú – Rubens Darlan de Morais Lobo – Antônio Vieira Neto – José Ivan Beijamim de Moura – José Tarso Magno Teixeira da Silva – Glêdson Lima Bezerra – Francisco Alberto da Costa – Paulo José de Macêdo - João Alberto Morais Borges - Cícero Claudionor Lima Mota - Maria de Fátima Ferreira Torres – Rita de Cássia Monteiro Gomes e Auricélia Bezerra.
Através da Resolução N.º 734, de 16.10.2014 a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte concedeu o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustríssimo Senhor Reverendíssimo Francisco das Chagas Alves Ferreira, pelos inestimáveis serviços prestados à nossa comunidade. Autoria: Paulo José de Macêdo; Coautoria: João Alberto Morais Borges; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura – José Adauto Araújo Ramos – Rubens Darlan de Morais Lobo – José Ivan Beijamim de Moura – José Tarso Magno Teixeira da Silva - Antônio Cledmilson Vieira Pinheiro – Danty Bezerra Silva – Pedro Bertrand Alencar Montezuma Rocha – Maria Calisto de Brito Pequeno - Maria de Fátima Ferreira Torres – Rita de Cássia Monteiro Gomes.
 
NOVOS LOGRADOUROS E DENOMINAÇÕES
Pela LEI N.º 4395, DE 22 DE OUTUBRO DE 2014, no seu Art. 1.º, ficam denominadas as artérias públicas do LOTEAMENTO RECANTO DO HORTO, no bairro do mesmo nome, na sede do Município, as artérias abaixo:
I – RUA ANTÔNIO BEZERRA LIMA (PREÁ), a Rua Projeta 15, que se inicia entre as quadras 01 e 21 e término entre as quadras 15 e 16, no sentido sul/norte, no Loteamento Recanto do Horto;
II – RUA PROFESSOR GEORGE RONAN PEREIRA PINHEIRO, a Rua Projeta 13, entre as quadras 05, 06, 10 e 11, com início e término entre terras de outros proprietários, no sentido oeste/
leste, no Loteamento Recanto do Horto;
III – RUA RITA SAMARA DE SOUZA VIDAL, a Rua Projeta 14 no sentido oeste/leste, entre as quadras 10, 11, 13 e 14, com início e término entre terras de outros proprietários, no sentido oeste/leste, no Loteamento Recanto do Horto;
IV – RUA JOSÉ LOPES RAMOS, a Rua Projetada 01, no sentido norte/sul, entre as quadras 12 e 19, com início e término entre terras de outros proprietários, no Loteamento Recanto do Horto;
AUTORIA: Vereador Danty Bezerra Silva; COAUTORIA: Vereadora Maria de Fátima Ferreira Torres.
Pela LEI N.º 4396, DE 22 DE OUTUBRO DE 2014, no seu Art. 1.º, ficam denominadas as artérias públicas do LOTEAMENTO RECANTO DO HORTO, no bairro do mesmo nome, na sede do Município, as artérias abaixo:
I – RUA VEREADOR MARCOS DE MATOS SAMPAIO, a Rua Projeta 05, que se inicia entre as quadras 12 e 19 e término entre as quadras 13 e 15, no sentido oeste/leste, no Loteamento Recanto
do Horto;
II – RUA WELLINGTON MAURÍCIO MOREIRA DE OLIVEIRA, a Rua Projeta 11, entre as quadras 01, 02, 05 e 06, no sentido oeste/leste, com início e término entre terras de outros proprietários, no Loteamento Recanto do Horto;
III – RUA MARIA DO SOCORRO MOREIRA DE OLIVEIRA, a Rua Projeta 05 no sentido norte/sul, entre as quadras 14, 16, 13 e 15, com início e término entre terras de outros proprietários, no sentido oeste/leste, no Loteamento Recanto do Horto;
AUTORIA: Vereador José Nivaldo Cabral de Moura; COAUTORIA: Vereadora Rita de Cássia Monteiro Gomes; SUBSCRIÇÃO: Vereadora Maria de Fátima Ferreira Torres.
Pela LEI N.º 4397, DE 22 DE OUTUBRO DE 2014, no seu Art. 1.º, ficam denominadas as artérias públicas do LOTEAMENTO RECANTO DO HORTO, no bairro do mesmo nome, na sede do Município, as artérias abaixo:
I – RUA DIOCLÉCIO RIBEIRO DE MENEZES (DIÓ), a Rua Projeta 15, no sentido oeste/leste, entre as quadras 13, 14, 15 e 16, com início e término entre terras de outros proprietários, no
Loteamento Recanto do Horto;
II – RUA JOÃO EVANGELISTA FILHO, a Rua Projetada 02, no sentido norte/sul, entre as quadras 12, 19, 14 e 18, com início e término entre terras de outros proprietários, no Loteamento Recanto do Horto;
AUTORIA: Vereadora Auricélia Bezerra
(Na foto: Dioclécio Ribeiro de Menezes (Dió).
 
DIOCESE DE CRATO: ESPECULAÇÃO E NOVO BISPO
Uma das presenças marcantes na recente festa de celebração do Centenário da Diocese de Crato foi a do bispo D. Darci José Nicioli. Não é a primeira vez que ele está entre nós. Como Reitor do Santuário Nacional de Aparecida, SP, desde 2008, ele esteve aqui algumas vezes, inclusive prestando serviço relevante quanto à orientação da Diocese com respeito a Juazeiro do Norte, como centro de romarias. Recentemente ele foi elevado à dignidade do episcopado, em 2012, nomeado pelo Papa Bento XVI como bispo-auxiliar da Arquidiocese de Aparecida. Em breves palavras, eis como D. Darci é apresentado publicamente: Ele nasceu no dia 01.05.1959, na cidade de Jacutinga, no interior de Minas Gerais. Entrou para o Seminário Redentorista Santo Afonso de Aparecida em 1974, onde cursou o Ensino Médio. Em 1977 iniciou o curso de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Em 1982 fez a sua profissão religiosa na Congregação do Santíssimo Redentor, indo morar em São Paulo para iniciar os estudos teológicos no ITESP – Instituto de Estudos Superiores São Paulo, em São Paulo (SP). Em 1986 foi ordenado padre em sua cidade natal. Neste mesmo ano seguiu para Roma, onde estudou Teologia Dogmática, no Pontifício Ateneo Sant’Anselmo di Roma, conquistando o título de mestre em teologia. Retornando de Roma para o Brasil, exerceu inúmeros serviços na Província Redentorista de São Paulo: Diretor de Seminário (1989-1996), Vigário Paroquial (1989-1996), Conselheiro Provincial (1996-2002), Professor de Teologia Dogmática-Sacramentaria – ITESP/SP e PUCCAMP (1989-1996). Já foi ecônomo do Santuário Nacional de Aparecida entre os anos de 1997 e 2005. Posteriormente, três anos residiu em Roma, ocupando a função de Reitor da Casa Geral dos Missionários Redentoristas e do Santuário Internacional de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
A presença de D. Darci no Cariri permitiu que alguns membros da comunidade eclesial, muito reservadamente, falassem na possibilidade, dita real, de que após esta celebração, realmente será realizada a mudança no comando da Diocese de Crato, saindo o atual bispo, profundamente desgastado perante a opinião pública, e abrindo espaço para que a nomeação de seu sucessor recaia sobre uma personalidade nacional do perfil de D. Darci José Nicioli, com amplo reconhecimento pela Cúria Romana. Por serem especulações, de setores que, inclusive já foram mencionados por D. João Aviz, recentemente aqui no Cariri, com respeito à Reabilitação do Pe. Cícero, estes mesmos informantes acreditam que os critérios de Roma ainda poderão indicar grande surpresa, até no curto prazo. E dizem, sarcasticamente: Quem viver, verá...
MEMÓRIA: WELLINGTON AMORIM
Transcrevo, a seguir, matéria de Demontier Tenório: “O Site Miséria lembra nesta quarta-feira a passagem dos exatos 30 anos da morte do radialista juazeirense Wellington Amorim que nasceu no dia 2 de setembro de 1948. Ele foi vítima de um aneurisma cerebral e terminou socorrido às pressas quando passou mal em sua residência na Rua Boa Vista no centro de Juazeiro do Norte. Após alguns dias internado e submetido a vários procedimentos médicos, Wellington morreu no dia 22 de outubro de 1984 na UTI do Hospital Santo Inácio com apenas 36 anos de idade. Na época, era o assessor de imprensa do então prefeito Manoel Salviano Sobrinho que ainda estava no segundo ano do seu primeiro mandato. Até alguns meses antes apresentou o Circuito Regional da Comunicação noticiário de grande audiência da Rádio Vale do Cariri AM que ia ao ar do meio dia até às 13 horas. Wellington Amorim ingressou ainda jovem na atividade e passou pelas rádios Iracema e Progresso sempre gozando do respeito dos milhares de ouvintes e colegas de profissão. Homem muito centrado e sincero, ele conseguia granjear a simpatia de todos, tinha um espírito imensamente agregador e, nas horas de boemia, sempre estava bem rodeado. Era um radialista simples como simples era a sua maneira de transmitir as notícias na divulgação dos fatos do dia a dia com bastante credibilidade. Sua voz mansa deitava sobre a característica musical com a qual abria o seu programa no caso Melancholy Man de Paul Mauriat. Teve a oportunidade de promover bons debates e entrevistar grandes personalidades como foi o caso de Pelé em abril de 1974 na única vez que o Rei do Futebol veio a Juazeiro. Wellington Amorim foi membro da Associação Juazeirense de Imprensa (AJI) e tinha apenas 18 anos quando vivenciou e até discursou na inauguração do "Bureau" de Imprensa de Juazeiro no Paço Municipal em solenidade com a presença do então prefeito Humberto Bezerra. Ele tinha muito amor pela atividade e era entusiasta no sentido do crescimento das comunicações locais para poder divulgar cada vez mais Juazeiro. Até hoje, nenhuma homenagem lhe foi prestada pelos poderes constituídos. Certa vez, uma ala da Câmara Municipal quis dar seu nome ao Centro de Abastecimento do Pirajá e outra pretendia homenagear o Governador Gonzaga Mota. No confronto de ideias nem um e nem outro com o desejo da homenagem ao radialista caindo no esquecimento.

RECONHECIMENTO PÚBLICO
Pela LEI Nº 4391, DE 16 DE OUTUBRO DE 2014, no seu Art. 1º, fica reconhecida de utilidade pública o CENTRO SOCIAL COOPERADOR SALESIANO JOAQUIM IZIDRO, constituído em 08 de janeiro de 2013 como Sociedade Civil de caráter beneficente, de princípios cristãos, educativo, cultural, de promoção e assistência social, com duração indeterminada, com sede à Avenida Paulo Maia, s/nº., na cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, regendo-se por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. AUTORIA: Vereador José Tarso Magno Teixeira da Silva; COAUTORIA Vereadores Antônio Vieira Neto e Rita de Cássia Monteiro Gomes.
Pela LEI N.º 4398, DE 22 DE OUTUBRO DE 2014, no seu Art. 1.º, fica reconhecido de utilidade pública o INSTITUTO EDUCACIONAL E CULTURAL DO CARIRI, fundado em 07 de fevereiro de 2014, Sociedade Civil, sem fins lucrativos, de natureza assistencial e de proteção aos associados, com duração por tempo indeterminado, com sede à Avenida Padre Cícero, n.º 3310, sala 102- A, bairro Triângulo, em Juazeiro do Norte, inscrita no CNPJ/MF n.º 20.918.183/0001-36, regendo-se por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. AUTORIA: Vereadora Auricélia Bezerra.