quinta-feira, 2 de abril de 2015

BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
137: (30.03.2015) Boa Tarde para Você, prof. Geraldo Alves Silva
Uma das primeiras notícias sobre a história desta nossa cidade já era a sua atenção para com a educação dos seus filhos, a partir da constituição de nossa primeira escola Régia, oriunda de uma decisão imperial, antecedendo a república proclamada. Contudo, algumas obras livrescas escritas entre os anos 20 e 50, estão carregadas de muito ranço, descarregado sobre o nosso Patriarca, como se ele não tivesse realizado algo substancioso para que o perfil daquele miserável lugar se alterasse a partir de melhores ações sobre a educação. Felizmente, prof. Geraldo Alves, a história sincera do nosso município é bem outra e de há muito foi possível resgatar a verdade dos fatos, creditando ao Padre Cícero, quando prefeito, uma conduta exemplar nos cuidados e zelos para que pudéssemos chegar aonde estamos. Uma destas grandes referências neste particular foi a criação da nossa primeira escola pública, o que se denominou de Grupo Escolar Padre Cícero, homenagem que foi prestada por iniciativa do então juiz da comarca, Dr. Juvêncio Joaquim de Santana, ao lembrar o nosso maior benemérito. Em 1924, data que o Grupo passou a existir, embora ocupando outros edifícios, ele foi dirigido por uma das maiores educadoras da história de nosso Estado, a professora Maria Gonçalves da Rocha Leal, a terceira das nossas professoras públicas, a quem coube reorganizar o estabelecimento, já com 5 professoras e a construir a sede que ainda hoje conservamos. Depois, em sua longa história, de mais de noventa anos, o Grupo Padre Cícero pode e deve ainda hoje lembrar grandes nomes como Leontina Sobreira, Elvira Medeiros, Amália Xavier, Generosa Alencar, Alacoque Bezerra, Heloísa Camilo, Deceles Bezerra, Cícera Germano, Delce Vileicar, Maria Maia, José Alves Francisco, Conceição Souza Dantas, e a atual diretora Maria Helena Macedo Sampaio. Desde 2003 esta hoje denominada Escola de Ensino Infantil e Fundamental Padre Cícero que outrora pertencia à rede estadual de ensino foi transferida para o município e quando foi reaberto em 2005 passou também a abrigar atividades destinadas a alunos com necessidades educacionais especiais, em atenção aos direitos cidadãos inclusivos. É também merecedor de elogios o funcionamento do Núcleo de Atendimento Pedagógico Especializado, para atender às necessidades dos Alunos Especiais, como também aos alunos que têm déficit de aprendizagem através de atenções de especialistas. Isso é parte da gratidão que queremos manifestar ao esforço desta terra em resgatar pela cidadania e pela educação os mais legítimos caminhos de construção de seu povo que não pode desconhecer este direito e a obrigação do poder público para retirarmos estas diferenças que tanto nos segregam. Lembro particularmente que em administração passada, a propósito que o Padre Cícero havia sido parcialmente esvaziado pela transferência de seu alunado para um novo estabelecimento construído na Av. Dr. Floro, tentou-se encerrar as suas atividades, pelo fato de estar sendo subutilizado. Ao saudá-lo, nesta tarde, prof. Geraldo Alves, exatamente porque recai sobre sua pessoa as responsabilidades mais marcantes de um gestor público, como dirigente da Secretaria Municipal de Educação, desejo tão somente chamar sua atenção para que o Padre Cícero continue a ser esta escola sobre a qual se mantém os grandes ideais da missão educacional entre nós. Essa tradição de velhas escolas é algo que precisa permanentemente instigar nossa criatividade reciclando programas e procedimentos para que não percamos nunca este contato imprescindível de prover nosso desenvolvimento ao arrimo de suas luzes. E há nesta preocupação algo que se identifica com sua própria trajetória profissional quando dirigiu estabelecimentos como o Colégio Agrícola de Lavras, e a velha Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte, de cujos bancos saíram grandes homens públicos de nossa terra. Finalmente, prof. Geraldo Alves, queremos tributar-lhe a nossa confiança para que a educação de nosso município encontre em suas forças, na sua mente e na sua vocação de educador, o melhor para que estes equipamentos e a formação continuada de nossos quadros não deixem nunca de ser as atenções maiores de sua gestão e empenho.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 30.03.2015)

BOA TARDE (II)
138: (01.04.2015) Boa Tarde para Você, Luiz Palmeira
Num dia como este, meu abençoado amigo Palmeira, não esqueço o quanto você gosta destas informações sobre a memória da história, para lembrar que a Igreja Católica celebra neste primeiro de abril o dia de São Hugo, homem de família nobre francesa, bispo de Grenoble que viveu 50 anos de um grande apostolado. Talvez seja oportuno também lembrar-lhe que neste dia foi proclamada a Lei abolindo a escravidão dos índios no Brasil e nasceram personalidades marcantes como o compositor Sergei Rachmaninoff; o escritor Roger Bastide, antropólogo francês que, inclusive, viveu no Brasil e escreveu sobre Juazeiro; e a atriz Debbie Reynolds, que vimos tantas vezes aqui no cine Eldorado. Mas, este dia se consagrou mesmo, Palmeira, porque “No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1828, com a notícia do falecimento de D. Pedro, desmentida no dia seguinte.” Verdades e mentiras fazem parte da construção da notícia e um dia como este de hoje, quero crer, é muito apropriado para se fazer uma análise, mesmo que superficial ainda, sobre esta tendência que se abriga na imprensa e que não foge à constatação mais perversa dos psicólogos. Dizem eles que todo ser humano trapaceia, engana e mente, porque aparentemente convive bem com o hábito de elaborar mentirinhas, pequenas invencionices que se espalham, de forma determinada e bem resoluta, com alguma elaboração e não raras vezes, com critério de crueldade. Assim, Palmeira, a mentira é parte de uma estratégia de sobrevivência neste mundo conturbado, onde nossa atenção e cuidados nem sempre respondem bem a todos os compromissos e nisto seguimos dando pequenas desculpas, mentiras inventadas para nos desculpar pelo que não somos capazes de cumprir à risca. Neste universo, ser repórter de uma imprensa como você se propõe, Palmeira, a verdade tem um significado importante como critério básico de fidelidade à missão, embora aí não haja nada de novo ao se reafirmar este compromisso com o que intimamente se liga com o sincero, com o verdadeiro e, portanto, com a ausência da mentira. Fica claro, meu caro amigo, e você bem sabe, que a mentira no jornalismo deve ser, quando muito, o folclore, a informação que se deturpa desde a origem, no entorno da notícia, e que abre espaço para uma outra e expressiva missão do jornalista com a investigação que esclarece e desmascara. Tenho particular admiração por seu trabalho, Palmeira, porque você como profissional tem um perfil no qual se sobressai esta busca permanente pela verdade, com o desejo de comprovar a veracidade dos fatos e de fazer a distinção entre o verdadeiro do falso, primando pelo melhor serviço que se insere em um jornal como este, cuja colaboração é imprescindível. No dia de hoje, como em tantos dias mais recentes de nossa própria história, estar antenado com as noticias de todas as esferas, é uma tarefa ingrata e muito sofrida, pois isto realimenta a imensa frustração em saber o quanto esta pais ainda terá que percorrer para se livrar da mentira, da enganação, da mistificação desenfreada por valores inúteis à nossa cidadania. Por isso mesmo, Palmeira, o caminho da verdade no jornalismo é parte integrante desta cruzada diária para nos estimular na esperança e pela construção de um novo pais, à margem desta gente mentirosa que não honra cargos públicos, funções administrativas, e a cidadania de que são investidos. No caso particular do nosso Juazeiro do Norte e de todo o Cariri que queremos ver grande e muito maior que as nossas próprias ambições pessoais, a imprensa e este compromisso com a verdade se apresentam como parte deste ar que respiramos e que nos trás vida e vida em abundância. Nós, Luiz Palmeira, ouvintes de rádio, leitores de jornais, assistentes de televisão e usuários de mídia eletrônica, cobramos ainda mais de toda esta gente valiosa que há na imprensa deste pais, formando a opinião que promove a nossa nação para melhores conquistas, a voz contundente e esclarecedora para que tudo que seja dito, escrito e mostrado seja de fato o espelho de uma verdade irretocável.  
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 01.04.2015)

GRUPO ESCOLAR PADRE CÍCERO
A prefeitura municipal está divulgando a celebração dos 80 anos do Grupo Escolar Padre Cícero, com a seguinte nota; “A Escola Padre Cícero que foi inaugurada no início da Rua Santa Rosa pelo então prefeito José Geraldo da Cruz, em maio de 1935, vai comemorar 80 anos e a diretora Maria Helena Macedo Sampaio prepara uma programação para festejar a data. Recentemente, o prédio passou por uma profunda reforma já que o prefeito Raimundo Macedo assumiu o cargo encontrando a mesma escorada por estacas para não desabar. Em virtude da necessidade de uma reestruturação no estabelecimento, o município investiu recursos da ordem de R$ 331 mil e a escola ganhou uma pintura geral nas cores do município, nova cantina com depósito, forro em PVC, recuperação do telhado e das instalações elétricas e hidráulicas, bem como todo um reforço na estrutura.  Atualmente, são 320 alunos dos quais 30 especiais por integrar a proposta de inclusão social. Em recente contato com Raimundão, a diretora disse que a escola pleiteia como presente da municipalidade todo um revestimento cerâmico e ele prometeu executar tão logo seja possível. Trata-se de um dos mais antigos estabelecimentos de ensino de Juazeiro e integra o patrimônio arquitetônico do município estando bem ao lado do Memorial Padre Cícero que foi inaugurado mais de 50 anos depois.
Obs.: Convém salientar que esta celebração é devida a idade do edifício que atualmente abriga o o então Grupo Escolar, pois em verdade, o Grupo como escola, já tem 91 anos, tendo funcionado em outros locais, antes da construção do prédio referido.

NOVAS RUAS
Foram designados nomes oficiais para novas ruas abertas na cidade, conforme as leis abaixo:
LEI N.º 4450, DE 23 DE MARÇO DE 2015, pela qual fica denominada de RUA JOSÉ ALVES DE SOUSA, a rua projetada que inicia na rua Hilton Grangeiro Xavier e termina nos limites da casa de n.º 99, da rua Francisca Correia Cruz, no sentido Leste/Oeste, no bairro Leandro Bezerra, desta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. AUTORIA: Vereador Rubens Darlan de Morais Lobo.
LEI Nº 4424, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2014, pela qual fica denominada de artéria pública do Loteamento Conviver Life-II, nesta urbe, a RUA JOSÉ SOUSA ALVES – (Rua Projetada 21), com início na Avenida Edgar Alvino Leite, sentido leste/oeste, no bairro Aeroporto. AUTORIA: Vereador Rubens Darlan Lobo.

sábado, 28 de março de 2015

BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
134: (23.03.2015) Boa Tarde para Você, Francisco Mendes Filho
O papa Francisco continua nos surpreendendo com os seus discursos, simples e diretos, como no pronunciamento no último sábado em Scampia, um dos bairros da periferia de Nápoles, tradicionalmente vinculado à máfia local, a Camorra. Guardo de você, Mendes, também um discurso contundente e muito claro sobre este abominável sinal, permanentemente vistoso em nosso país nos últimos tempos, especialmente na atividade política de parlamentos municipais, estaduais e federais, com a anuência de nosso voto. E olha que o Bispo de Roma foi particularmente elegante, diria mesmo – quase ingênuo ao dizer que "a corrupção é suja", e que "uma sociedade corrupta é uma porcaria", e que aquele que permite a corrupção não é cristão e também "fede". E como sempre fala, urbi et orbe, Mendes, o papa não deixou de nos incentivar na “luta contra o mal e a ter o valor e a coragem de ir pelo caminho do bem e da justiça, de ir adiante limpando a própria alma, a alma da cidade e da sociedade para que não exista esse cheiro putrefato que tem a corrupção". E era o que cabia mesmo como uma luva, a esta santa e objetiva investida ao nosso esclarecido sentimento de revolta, por parte de alguém que está muito acima de qualquer suspeição, para nos permitir algo que vá da reflexão necessária ao gesto concreto de nossa intolerância. Ontem, em matéria preciosa, Mendes, o programa Fantástico nos mostrou uma pista mais que razoável a merecer a nossa crença, no exemplo do Japão, com respeito a este combate sistemático à desonestidade e à corrupção, a partir da educação de nossos próprios filhos. Mas, sintomaticamente, este câncer maligno está tão visceralmente impregnado no cotidiano de nossas vidas que por todos os títulos é lamentável que o homem público brasileiro seja o réu indiscutível de todos os desvios de recursos pretensamente aplicáveis na educação deste pais. Há quem calcule, Mendes, que o ralo desta indescritível roubalheira atinja quase 70% de todos os montantes de valores aplicados nas transferências governamentais do FUNDEB - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, e que não chega à sala de aula. Juazeiro do Norte, teve em 2014 um repasse global do FUNDEB da ordem de 90, 4 milhões de reais, e a previsão é de que receba neste ano corrente 4,5% mais, numa estimativa do próprio governo fixada em 94,5 milhões. 
Atentar contra isto, e é assim que penso Mendes, é declarar a manifesta intenção de sequer estarmos interessados em honrar o necessário incremento de alunos em sala de aula, para permitir-lhes vida livre pelas ruas da cidade, na marginalidade, na violência, no crime e nas drogas. Tristemente, no nosso caso municipal, há gente sem escrúpulos que não hesitou em fazê-lo e a cometer isto que pelo menos para mim, como educador, não pode haver crime mais hediondo que esta atitude irresponsável de gestores que pratica toda sorte de desvios. Considero particularmente importante, Mendes, o que a Rede Globo deflagrou ontem, no dia mundial da água, na campanha Menos é Mais, para discutir, de forma ampla, como podemos gerar sustentabilidade para garantir para as próximas gerações as condições que temos hoje. Trata-se de falar de tudo que nos angustia, e não apenas do drama da crise atual da falta de água, aquilo que mais facilmente se vê e que sai pelo ralo do esgoto, mas tudo mais que nos falta por uma conduta defeituosa e que atenta contra a sociedade, ética e moralmente. Eu e você, Mendes, o Zé do Mercado, a Maria da Escola, o Chico da Praça, o vereador Tarso, o prefeito Raimundão, o governador Camilo, a presidente Dilma, enfim, todos, não temos outra chance, outra opção, senão estarmos do lado desta cruzada para merecermos a vida digna pela qual lutamos sem parar. Quando um dia o futuro nos cobrar sobre o que fizemos por esta dignidade, que não nos lembrem, como o poeta Francisco Otaviano: “Quem passou pela vida em branca nuvem. E em plácido repouso adormeceu. Quem nunca sentiu o frio da desgraça. Quem passou pela vida e não sofreu. Foi espectro de homem, não foi homem. Só passou pela vida, não viveu.”
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 23.03.2015)

 BOA TARDE (II)

135: (25.03.2015) Boa Tarde para Você, Sávio Leite Pereira
Vez por outra, felizmente, eu tenho a sensibilidade de manifestar zelo e gratidão pelo que tem sido esta construção generosa, extensa e muito valiosa, de muitas pessoas que contribuem para uma melhor história de minha terra. Isto tem acontecido, não somente pelas edições livrescas, mas por novas mídias eletrônicas que vão acumulando muitas páginas, em face da dinâmica destes recursos, o modo mais prático e barato de como podem ser dispostas e a forma democrática que se estabelece no acesso e na interatividade. Por isso mesmo, Dr. Sávio Pereira, cabe-lhe da nossa parte, embora com algum atraso, um agradecimento e um louvor à sua dedicação em vir participando conosco no blog do Portal de Juazeiro, tratando de questões da nossa história mais contemporânea. Quem se dispuser, acessando aquele endereço, vai se deliciar com prazerosos relatos, bem ilustrados com significativas imagens fotográficas de seu arquivo, desde aqueles com respeito ao Juazeiro dos anos 50, até estes últimos escritos, sob o título frequente de confidências políticas. Revendo estas matérias, constato que este arquivo já vai corporificando uma obra memorialística e, seguramente, não deixará de partir de todos nós que as lemos, gratificados, um incentivo para que você não perca a oportunidade de mandar imprimi-las em requintado volume gráfico. Aproveito também esta oportunidade, meu caro Sávio, para agradecer-lhe a gentileza de ter remetido em dias passados o arquivo eletrônico de um livro organizado pelo cineasta e produtor Marcello Laffite, com o apoio da Caixa Econômica, com bela e merecidíssima homenagem ao nosso José Wilker. Trata-se do título José Wilker: 50 anos de Cinema, um dos marcos da vida deste juazeirense tão ilustrado, José Wilker de Almeida, nascido entre nós em 20 de agosto de 1944, e falecido no Rio de Janeiro em 5 de abril de 2014, depois de ter sido festejado em vida como um dos mais importantes personagens do cinema, do teatro e da televisão deste país. Na verdade, o livro é o catálogo de uma Mostra de exposição restrita a público carioca, com curadoria do próprio Marcelo Laffitte, que busca celebrar a carreira do ator de cinema e TV através de uma seleção criteriosa de suas principais participações cinematográficas. A retrospectiva presta uma homenagem sincera a um dos maiores atores brasileiros e com isto a Caixa reafirma sua política cultural de estimular a discussão e a disseminação de ideias, promover a pluralidade de pensamento, mantendo viva sua vocação de democratizar o acesso à produção artística. Destaco particularmente a sua felicidade, Sávio, em abrir o volume com seu primeiro texto, delicioso, contando memórias de adolescência, histórias dos tempos iniciais da sua relação pessoal com Wilker, no Ginásio Salesiano e na vida cotidiana deste Juazeiro dos anos 50. Aliás, todo o volume, incluindo a revisão mais aprofundada da obra cinematográfica de Wilker é um extenso relicário de afetos, manifestados com grande sensibilidade em depoimentos de amigos, como Moema Cavalcanti, Marcos Flaksman, Joaquim Ferreira do Santos, Orlando Senna, Braz Chediak, Zé Celso Martinez Correa, Ney Latorraca, Aderbal Freire-Fillho, Hildegard Angel, Daniel Filho, Luiz Carlos Barreto, Cacá Diegues, Zezé Motta, Lauro Escorel, Betty Faria, Lucélia Santos, Paulo Betti, Denise Saraceni, Maitê Proença, Sergio Rezende, Francisco Ramalho Jr, Lidia Franco, Claudio Rangel, Vera Holtz, Aracy Balabanian, Mariza Leão, Rodrigo Fonseca, Andréa Beltrão, Beto Brant, Lourdes Hernandez, Walter Carvalho, e Marçal Aquino. Lamento que este livro, tão maravilhosamente concebido e tão rico pelo painel que montou para contar toda a vida e a obra de Wilker tenha a circulação limitada aos espaços da Mostra. Não posso deixar de dizer-lhe, Sávio, que como você, imagino, estimo e desejo ardentemente que a Caixa Econômica Federal seja sensível a uma possível montagem desta mostra no Cariri, para os olhos, corações e mentes de nossa gente, tão plena de ardorosos admiradores do Wilker. Não seria pedir de mais para que não percamos a oportunidade de revê-lo, vivo e autêntico, magistral e grandioso, na arte que o consagrou para a eternidade de nossa memória.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 25.03.2015)

BOA TARDE (III)
136: (27.03.2015) Boa Tarde para Você, Pe. Antenor de Andrade Silva
Em 1963, aluno do Ginásio Salesiano São João Bosco, eu fiz alguma coisa reprovável no comportamento em sala de aula, fato que gerou do professor de português a aplicação de um castigo para aprender a recitar uma das mais lindas poesias do poeta Casimiro de Abreu. Era o poema Meus Oito Anos, do poeta que se finou tão novo e deixou esta beleza de versos inesquecíveis: “Oh! que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais! Tantos anos afastado deste velho casarão de minha juventude, muitas vezes eu pensei neste fato, nestes versos e tudo mais que a vida me reservou daí por diante, sempre lembrando que o ginásio e estes versos eu cantei e cantarei para lembrar a minha própria existência. Logo mais, às 18:30 devo viver mais uma vez, um destes instantes de reencontro com estas saudades, para também saudá-lo, Padre Antenor, durante o lançamento de seu mais novo livro, Pe. Cícero: O Calvário de um profeta dos Sertões. Se não me distrai pelo caminho, este é o seu quinto livro, precedido pelos anteriores: Os Arquivos do Padre Cícero, de 1977, Cartas do Padre Cícero, de 1982, Padre Cícero - mais documentos para a sua história, de 1989, e Padre Cícero - sacerdote, médico e conselheiro, de 1992. Agora você nos trás este mais novo que se afirma por um mais amplo painel de releitura sobre o Pe. Cícero, feito com a propriedade de quem mergulhou profundamente no amplo documentário e na bibliografia que se construiu em mais de um século de estudos. Se duas ou três coisas se pode dizer de sua pessoa, padre Antenor, uma é fazer coro com a expressão de Núbia Ferreira que lhe reconhece no meio intelectual “como um dos importantes colaboradores da historiografia sobre instituições religiosas e educacionais, especialmente, com as suas publicações sobre o Padre Cícero e o Juazeiro do Norte.” Dirigindo este Colégio Salesiano em meados dos anos 70, quero crer que você foi tocado pela necessidade de explorar aquele rico acervo documental que até então somente servira a Ralph della Cava, para nele mergulhar de forma quase definitiva a ponto de ensejar a sua reabertura à pesquisa que tanto tem contribuído para a biografia sincera de nosso Patriarca. O seu livro trás algumas das questões inquietantes para todos aqueles que desejam aprofundar o conhecimento desta realidade de Padre Cícero e Juazeiro do Norte, especialmente através de indagações que se tornaram permanentes em nossas especulações. Vejamos algumas das que você aponta: Qual seria a fisionomia religiosa do Cariri e do Nordeste do Brasil sem a presença de Cícero Romão Batista no Juazeiro do Norte?  Como seria a situação social, política e econômica do Juazeiro sem a influência do padre? A história do Pe. Cícero seria diferente, se os Bispos de Fortaleza e Crato tivessem sido mais abertos, mais sensíveis a um dialogo vis a vis, presencial com o acusado? Que teria acontecido em termos religiosos, se o sacerdote tivesse se insurgido diretamente contra as normas de Fortaleza e Crato? O padre deveria ter esperado mais, ter consultado seu bispo e aguardado o parecer dele, antes de acreditar no episódio de Maria de Araújo como miraculoso? O fato de as duas Comissões de Inquérito terem conclusões diferentes não é sintomático? Alguma trama, algum cambalacho? Que aspectos do comportamento do Pe. Cícero nos parecem hoje, mais significativos? Sem Maria de Araújo e José Marrocos teria acontecido o “Milagre” do Juazeiro? Por que havia interessados em denegrir, a figura do Pe. Cícero? Concordo inteiramente consigo, pois “A história, queiram ou não, continuará se ocupando com as figuras polêmicas e queridas do pastor dos sertões e da beata Maria do Juazeiro. Um dia a verdade será totalmente esclarecida.” Desejo especialmente louvar e fazer-lhe um agradecimento particular pela missão que empreendeu, pois suas luzes e seu trabalho diligente marcaram toda uma geração de gente acadêmica que foi capaz de por novos olhares e novos sentimentos na riqueza dos personagens e dos fatos de Joaseiro. E não há dúvida alguma, Pe. Antenor, que esta mesma cidade que mereceu o grande entusiasmo dos seus verdes anos, ainda continuará a tributar-lhe o merecido reconhecimento a quem tão generosamente a isto se entregou e que se renova a cada novo livro que nos trás.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 27.03.2015)


PADRE CICERO: NOVOS LIVROS
Na quinta feira, 26 e na sexta feira, 27, foram lançados três livros sobre Padre Cícero Romão Baptista.  Em Fortaleza, dia 26, na Livraria Cultura (Aldeota), foi lançada a obra Padre Cicero: Mitificação e desmitificação, de Fátima Oliveira Malahosky (Editora Prismas, SP, 169 páginas). O livro derivado desse belo trabalho apresentado com mérito e louvor, se intitula com muita adequação “Padre Cícero: Mitificação e Desmitificação”.  Ele é constituído de uma introdução, três capítulos e uma conclusão norteados por um aparato teórico bem definido e destinado a apontar as contradições da figura do pároco da cidade cearense Juazeiro do Norte, Cícero Romão Batista. Com esse roteiro, prima pela riqueza da literatura secundária, ou seja, do acerco crítico que descreve a vida e os eventos em torno do sacerdote, seja julgado inadequado por uns, ou ovacionado por outros, em todo caso, por aqueles que se dão o direito ou se arvoram do poder de julgar. A linguagem prima pela correção, é condizente com o conteúdo apresentado e proporciona uma leitura fluente, que torna agradabilíssima a assimilação do seu conteúdo mágico. O corpo temático envolve, fascina pela dose de exotismo, extraída dos eventos pretensamente míticos ou sobrenaturais, aqueles em torno da beata Maria de Araújo e o fenômeno hierofania do milagre da hóstia, isto é, pelos rasgos de um realismo maravilhoso, que tangencia o gênero fantástico. Sua autora é escritora, professora, fundadora da revista de informação cultural Café das Artes e mestre pelo programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP.
Em São Paulo, dia 27, na Martins Fontes (Av. Paulista), foi apresentado o livro Os Sons do Adeus - Da Origem aos últimos Dias de Padre Cícero, de Gouveia de Hélias (pseudônimo de Expedito Alves Gouveia) (Editora Pasavento, 264 páginas). O livro foi fruto de uma paixão que o acometeu ao recolher da tradição oral informações interessantes, a maioria delas dentro de sua própria família, sobre a vida do sacerdote e sobre os grandes eventos acontecidos no Vale do Cariri. Esses subsídios da tradição oral juntados à pesquisa de campo o habilitaram a escrever sobre Padre Cícero, dando, porém, ênfase e primazia aos sertanejos daquelas eras e à poesia que nascia agreste de suas manifestações religiosas apaixonadas. Gouveia de Hélias nasceu em Redenção, cidade serrana do Estado do Ceará, estudou, na década de 1960, no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza – Seminário da Prainha – instituição por onde passaram figuras polêmicas de nossa história contemporânea como Padre Cícero Romão Batista e D. Helder Câmara.  Gouveia de Hélias deixou o Seminário e mudou-se para o sul do país onde cursou Filosofia na Universidade de São Paulo. Em 2010, na XXI Bienal Internacional do Livro de São Paulo, lançou seu primeiro trabalho, o “Dias Sem Compaixão”, um livro onde contava histórias do mundo do cangaceirismo.
Em Juazeiro do Norte, também no dia 27, no Colégio Salesiano, foi lançado o livro Padre Cícero: O Calvário de um profeta dos sertões (Maqisa, 209 páginas).  O livro se inicia com o momento em que Padre Cícero se instalou na cidade, em 1872, em pleno regime Monárquico- republicano; desta forma, passa a falar sobre a Sociedade brasileira, para contextualizar as atividades religiosas, sociais e políticas do Capelão do Juazeiro, sem esquecer da questionada relação entre o Estado e a Igreja. Na segunda parte do texto encontra-se outro aspecto controvertido desta história. Utilizando as cartas do Padre Cícero faz importantes revelações sobre os dois Inquéritos que deram inicio a “uma saga plena de torturas morais e psicológicas, motivadas por correspondências entre Juazeiro, Fortaleza, Crato, Roma e outras cidades do Nordeste e Sul do pais”. Trata-se do momento em que o padre Cícero, mesmo fazendo de forma brilhante a sua defesa, não conseguiu evitar que fosse cassada sua atividade apostólica, o que o impedia de realizar, adequadamente o trabalho espiritual junto ao seu povo. Seu autor, Padre Antenor de Andrade Silva é um historiador engajado, nascido em Tabaiana, PB, graduado em Filosofia, Letras, Administração Escolar, História e Teologia. Estudou nos Seminários de Recife, Lorena (SP) e Pio XI (SP). Escreveu oito obras publicadas e algumas inéditas. Fez alguns cursos em Buenos Aires, Roma, Palestina e Inglaterra. Foi diretor do Colégio Salesiano em Juazeiro do Norte no período 1974-1976.

JUAZEIRO: LANÇAMENTO DE LIVRO
Participei na noite da sexta feira passada do lançamento do livro Padre Cícero: O Calvário de um Profeta dos Sertões (Maqisa, Recife, 209 páginas), de autoria do Pe. Antenor de Andrade Silva. Transcrevo abaixo o discurso de apresentação da obra.
Caríssimo Padre Antenor de Andrade Silva, Estimada comunidade salesiana, Meus senhores e minhas senhoras: Entre 1961 e 1964, tempo em que cursei o antigo ginásio na minha formação básica neste então Ginásio Salesiano São João Bosco, por diversas ocasiões, eu e outros colegas subíamos ao pavimento superior deste edifício, pois aí havia uma biblioteca, um auditório, e a residência dos padres. Em algumas destas oportunidades, chamava-nos a atenção um pequeno quarto, uma espécie de depósito que guardava alimentos, diversos materiais e muitos papeis velhos.

Em 1963, pelo então diretor, Pe. Gino Moratelli, numa manhã ensolarada, durante o seu bom dia costumeiro, nós fomos apresentados ao prof. Ralph Della Cava que estava na cidade para realizar a sua tese de doutoramento na Columbia University, em New York, e por algum tempo seria frequentador assíduo daquele aparente e insignificante ambiente, espremido entre apartamentos e a biblioteca.
Foi nesta ocasião que soubemos que ali se guardava parte importante da herança do Padre Cícero Romão Baptista, aquilo que tocara à Congregação Salesiana na partilha dos bens do Patriarca, e se configurava como o seu arquivo pessoal, e que com bastante surpresa para todos nós, começaria a ser revelado em novembro de 1970, quando do lançamento da edição americana de Miracle at Joaseiro.
Em 1975 a obra de Della Cava mereceu tradução e edição em português e assim passamos a saber com maior riqueza de detalhes o que aquele quartinho continha e de cuja riqueza jamais nenhum de nós suspeitou.
Mas, e também não sabíamos, Della Cava deixou, como fruto de seu diligente trabalho, uma organização de todo o documentário por ele utilizado em seus estudos, em dezenas de pastas, e assuntos sistematizados de acordo com os seus critérios de historiador e frente ao seu projeto de doutoramento.
No começo dos anos 70, já estava conosco o Pe. Antenor de Andrade Silva, dirigindo esta casa e vivamente interessado num melhor domínio sobre este documentário, cujo conhecimento ainda não chegava, senão a uns poucos privilegiados da convivência com o historiador americano.
Parte deste entusiasmo foi sua iniciativa de reproduzir expressiva porção daquele documentário, tendo para isto empreendido uma viagem e permanência em Brasília para fotocopiar (e era esta a tecnologia mais disponível para o propósito) em uma dezena de cópias que ele generosamente distribuiu entre instituições e pesquisadores, tendo eu mesmo sido um dos distinguidos.
Isso, felizmente, Pe. Antenor, foi o início, a disseminação de um vírus potentíssimo, se assim posso comparar, que nos motivou e nos pôs a caminho para tentar realizar uma das mais emocionadas jornadas de resgate histórico que se tem notícia em torno de um personagem histórico neste pais. 
Devemos lembrar que, com o tempo, mais de uma centena de pessoas e instituições terminaram por se envolver naquilo que sua iniciativa disparara, e que resultou em projetos de pesquisa, organização de acervos, artigos técnicos e científicos, e também de divulgação, elaboração de monografias, dissertações, teses, muitos livros, além da criação de instituições, com o foi o caso do Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Sociais, sem falar dos eventos marcantes de fóruns, simpósios, mesas redondas, palestras, conferências, e a formação continuada de muitos jovens pesquisadores.
Com imenso atraso, mais de 40 anos, é esta a oportunidade de lhe confessar e publicamente, um agradecimento pessoal, de grande valia para a relação de minhas dívidas contraídas ao longo da vida, particularmente referentes a esta mania de pretensamente ter me consagrado pesquisador das coisas do Juazeiro que de alguma forma nasce por sua deferência em me fazer participante desta partilha que você empreendeu e que num primeiro momento também contemplava a professora Luitgarde Oliveira Cavalcante Barros, então estudante de Mestrado na PUC-São Paulo, e que seria vitoriosa com o extraordinário livro A Terra da Mãe de Deus.
Lembro, especialmente, quando daqui de Juazeiro saímos com um imenso volume de documentos para reproduzir em Fortaleza, algo inusitado que dois meninos, tão jovens e inexperientes ganhavam a confiança do então diretor, para retirar daqui acervo tão precioso, sem a exigência mínima de um inventário, tal era a confiança depositada.
Você mesmo, Pe. Antenor, não ficou à margem disto, apenas como o gestor que era, o organizador de algo a se entender como de grande utilidade, como se fosse um daqueles surtos que nos ocorrem na vida, especialmente na juventude, e para os quais concorremos com toda a emoção, a paixão desenfreada que nos promove diante dos horizontes insuspeitos, na pesquisa e no conhecimento.  
Hoje estamos aqui para receber mais um dos seus livros, este quinto volume do seu projeto, sempre ativo, aqui iniciado há uns 45 anos, e que recebe o título de “Pe. Cícero: O Calvário de um Profeta dos Sertões”, que nos chega precedido pelos anteriores: Os Arquivos do Padre Cícero, de 1977, Cartas do Padre Cícero, de 1982, Padre Cícero - mais documentos para a sua história, de 1989, e Padre Cícero - sacerdote, médico e conselheiro, de 1992.
Em diversas ocasiões, momentos como estes, sempre nos ocorre a vontade de lembrar a sensível percepção de Pe. Murilo de Sá Barreto a nos testemunhar a grandeza histórica desta cidade e de seu povo. Pois bem, ainda lamentamos o quanto não nos foi possível avançar para constituir um grande acervo, de preferência como um Arquivo Público para esta cidade, de modo a preservar todos estes elementos que se configuram em dezenas de itens, como documentos, livros, fotografias, jornais, folhetos, gravações, vídeos, filmes, monografias, dissertações, teses, literatura de cordel, xilogravura, arte popular, folhetos, catálogos, boletins, correspondência, etc.
Deixo aqui esta insatisfação que temos porque isto, e me permita que assim possa referir, é parte de uma pauta que está inserida nesta missão salesiana como herdeiros do Pe. Cícero e que toca não somente a tarefa educacional com este colégio e o que mais possa ser semeado, mas também pelos sítios históricos que contemplam a Colina do Horto, o Museu Casa do Pe. Cícero e este acervo documental de que falamos, o famoso Arquivo do Padre Cícero. Creio piamente que a oportunidade é a de se pensar em algo mais, não mais episódico, mas institucional, para alargar mais ainda esta responsabilidade social candente e que coloca na atualidade equipamentos e instituições que congregam a visão atualizada dos filhos de Dom Bosco pelo mundo, e a atenção particular desta terra que os recebe, os abriga e os auxilia prazerosamente na sua missão evangelizadora.
Este seu livro mais recente está respaldado numa avaliação preliminar de Núbia Ferreira, tão conhecedora desta questão memorial dos filhos de Dom Bosco, exatamente ela que já nos deu para o conhecimento mais que aprimorado, a trajetória educacional deste colégio e dos seus mais experimentados educadores não deixando de referir a você como “reconhecido no meio intelectual como um dos importantes colaboradores da historiografia sobre instituições religiosas e educacionais, especialmente, com as suas publicações sobre o Padre Cícero e o Juazeiro do Norte.”
A obra que você nos entrega tem uma marca pessoal de revisar a história local, desde o pano de fundo de um contexto de sociedade brasileira, revisitando as relações de Estado e Igreja, dos quais não se dissocia a presença e o peso da Santa Sé, naquilo que você considera a pré-história dos factos do Joaseiro.
Por isso mesmo a sua narrativa esta coerentemente sintonizada com algumas das premissas eleitas nos estudos acadêmicos de que o movimento de Juazeiro influiu e foi influenciado pelos movimentos sociais de sua época, ao tempo em que aqui se constatou que o mundo dos beatos parecia criar uma Igreja dentro da Igreja.
É de grande valia o foco desta sua obra, enfatizando o Calvário que se constituiu a trajetória do Patriarca de Juazeiro, em toda a sua vida. Isto ainda vai comportar muitas reflexões, especialmente pelo passivo que se acumulou na interpretação e no reconhecimento de suas virtudes, como podemos ver na atualidade, em razão dos esforços para a sua reabilitação canônica.
A obra encerra algo de muito valioso e que nos remete à maturidade do seu entendimento sobre a biografia do personagem que não se contenta apenas no ajuntamento temporário de documentos e achegas para as pesquisas, mas percorre ao lado desta biografia heroica, com a inserção de documentos que suportam as análises necessárias e que desembocam na melhor compreensão de sua vida.
Considero particularmente importante a inserção dos anexos, especialmente os que derivaram de documento substancioso elaborado por Mons. Francisco de Assis Pereira, em consulta reservada à Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, em 2005 e que revela parte dos bastidores deste Calvário vivido pelo Pe. Cícero, até hoje, tantos anos após a sua ressureição. 
Por último, considero gratificante que sua inquietação ainda se debruce sobre questões que a atualidade impõe para que não sejamos apenas contadores e escutadores de histórias, procurando nas entrelinhas destes escritos e que respondem por indagações como estas que você nos faz (me permita aqui reler):
Qual seria a fisionomia religiosa do Cariri e do Nordeste do Brasil sem a presença de Cícero Romão Batista no Juazeiro do Norte?  Como seria a situação social, política e econômica do Juazeiro sem a influência do padre? A história do Pe. Cícero seria diferente, se os Bispos de Fortaleza e Crato tivessem sido mais abertos, mais sensíveis a um dialogo vis a vis, presencial com o acusado? Que teria acontecido em termos religiosos, se o sacerdote tivesse se insurgido diretamente contra as normas de Fortaleza e Crato? O padre deveria ter esperado mais, ter consultado seu bispo e aguardado o parecer dele, antes de acreditar no episódio de Maria de Araújo como miraculoso? O fato de as duas Comissões de Inquérito terem conclusões diferentes não é sintomático? Alguma trama, algum cambalacho? Que aspectos do comportamento do Pe. Cícero nos parecem hoje, mais significativos? Sem Maria de Araújo e José Marrocos teria acontecido o “Milagre” do Juazeiro? Por que havia interessados em denegrir, a figura do Pe. Cícero?
Apresento-lhe nossos parabéns, Pe. Antenor. Mais que isto, nosso agradecimento sincero por toda esta obra historiográfica que seu esforço construiu em tantos anos de pesquisas, leituras, reflexões e estes seus preciosos livros, como este último. 
Muito obrigado! É de coração que o fazemos.
(Discurso pronunciado no lançamento do livro Pe. Cícero: O Calvário de um Profeta dos Sertões, do Pe. Antenor de Andrade Silva, no Colégio Salesiano de Juazeiro do Norte, em 27.03.2015)

sábado, 21 de março de 2015

DENOMINAÇÕES DE VIAS E EDIFÍCIO
Mediante novas Leis municipais, diversas novas ruas e um edifício público ficaram nomeados por iniciativa de alguns vereadores. Vejam os Atos:
LEI N.º 4432, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2015, – Fica denominada de RUA EXPEDIDO RAMOS DA SILVA, o prolongamento da artéria projetada que se limita ao leste com a Quadra “P”, do Loteamento Parque Santos Dumont, com início na Rua Ary Cruz e término na Rua Otílio Gomes de Souza, no bairro Leandro Bezerra, nesta cidade. AUTORIA: Vereador Ronaldo Gomes de Lira;
LEI N.º 4441, DE 09 DE MARÇO DE 2015, – Fica denominada de RUA LUIZ CALIXTO DOS SANTOS, a primeira rua paralela leste com a rua projetada 01, primeira paralela oeste com a rua José Mendes Parente, ao sul com a rua Padre João Moretti, ao norte com a rua Maria Dircíola Germano, no bairro Jardim Gonzaga, Juazeiro do Norte-Ceará. AUTORIA: Vereador Paulo José de Macedo; SUBSCRIÇÃO: Vereador Cícero Claudionor Lima Mota;
LEI Nº 4443, DE 11 DE MARÇO DE 2015, – Fica denominada de RUA FRANCISCO PEREIRA DA SILVA, (SINVAL), a rua projetada 03, entre as Avenida Cantor Tim Maia e Sebastião Mariano da Silva, sentido norte/sul, no loteamento Parque José Neto, bairro Tiradentes. AUTORIA: Vereador José Tarso Teixeira da Silva;
LEI Nº 4444, DE 11 DE MARÇO DE 2015, – Fica denominada de AVENIDA CANTOR TIM MAIA, a Avenida projetada 01, paralela à Avenida Sebastião Mariano da Silva, sentido oeste/leste, no loteamento Parque José Neto, bairro Tiradentes. AUTORIA: Vereador José Tarso Mago Teixeira da Silva;
LEI Nº 4445, DE 11 DE MARÇO DE 2015, – Fica oficializada a RUA AFONSO DIAS GUIMARÃES, a primeira rua paralela oeste a rua Manoel Soares Couto, com início na rua José Sabiá, sentido norte/sul e término na Avenida Cantor Tim Maia, no loteamento Parque José Neto, bairro Tiradentes. AUTORIA: Vereador José Tarso Mago Teixeira da Silva;
LEI Nº 4446, DE 11 DE MARÇO DE 2015, – Fica denominada de RUA GOVERNADOR EDUARDO CAMPOS, a rua projetada 02, entre as Avenidas Cantor Tim Maia e Sebastião Mariano da Silva, sentido norte/sul, no loteamento Parque José Neto, bairro Tiradentes. AUTORIA: Vereador José Tarso Mago Teixeira da Silva;
LEI Nº 4447, DE 11 DE MARÇO DE 2015, – Fica denominada de RAIMUNDA LOPES DE ARAÚJO, o CRAS – Centro de Referência em Assistência Social, localizado à rua Joaquim Leandro de Souza, no bairro Pedrinhas, em Juazeiro do Norte-Ceará. AUTORIA: Vereador Paulo José de Macedo;
LEI Nº 4448, 11 DE MARÇO DE 2015, – Fica prolongada a RUA OTÍLIO GOMES DE SOUZA, a primeira até pública paralela sul à rua Ary Cruz, com início na rua Horácio Campelo e término na rua Expedito Ramos da Silva, no sentido oeste/leste, no bairro Leandro Bezerra, desta cidade. AUTORIA: Vereador Ronaldo Gomes de Lira.
Na foto: Da esq. para a dir.: Tim Maia (Sebastião Rodrigues Maia); Eduardo Campos (Eduardo Henrique Accioly Campos e Afonso Dias Guimarães.

RECONHECIMENTO PÚBLICO
Duas instituições foram recentemente reconhecidas como de utilidade pública, pelo Município de Juazeiro do Norte. Vejam os Atos:
LEI N.º 4433, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2015, – Fica reconhecida de utilidade pública a ASSOCIAÇÃO DOS PERMISSIONÁRIOS DO MERCADO GONZAGA MOTA - APMGM - (Mercado do Pirajá), pessoa jurídica de direito privado, constituída na forma de sociedade civil sem
finalidades lucrativas, com autonomia administrativa e financeira, com sede e foro na cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, com prazo de duração indeterminado, regendo-se por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. AUTORIA: Vereador Cláudio Sergei Luz e Silva
LEI Nº 4437, DE 06 DE MARÇO DE 2015, – Fica reconhecida de utilidade pública o INSTITUTO
CASA DA ESPERANÇA SÃO PIO DE PIETRALCINA, FUNDADO em 13 DE JUNHO DE 2007, CNPJ/MF Nº 08.921.624/0001-53, sociedade civil de direito privado, de caráter social, sem fins lucrativos, tendo por finalidade promover atividades junto a população carente e idosa, no atendimento as necessidades de saúde e assistência social com duração por tempo indeterminado,
com sede e foro nesta cidade à rua do Ancião, nº 100, bairro Tiradentes, nesta cidade de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, regendo-se por seus estatutos sociais, bem como pelas leis, usos e costumes nacionais. AUTORIA: Vereadora Maria de Fátima Ferreira Torres; COAUTORIA: Vereador José Nivaldo Cabral de Moura.

TURISMO ESCOLAR NA CIDADE
O Governo Municipal instituiu um programa de incentivo ao turismo para envolver alunos, pais  e professores. Vejam o Ato:
LEI Nº 4438, DE 09 DE MARÇO DE 2015, Art. 1º – Fica instituído o Programa “Turismo Escolar em Minha Cidade”, que consiste em realizar atividades de turismo para alunos, pais de alunos e profissionais da educação da rede municipal de ensino de Juazeiro do Norte, com o objetivo de valorizar os aspectos culturais, históricos, turísticos e sócio religioso de nossa cidade. Parágrafo único – As atividades de turismo escolar, no âmbito de Juazeiro do Norte serão organizadas e programadas pelas próprias escolas municipais e deverão utilizar os próprios ônibus escolares para o transporte dos mesmos.  Art. 2º – As atividades de turismo de que trata esta lei consiste em visitas a museus, memoriais, monumentos históricos e/ou culturais, universidades, órgãos públicos, praças, parque ecológico, igrejas antigas, ruas e bairros históricos da cidade de Juazeiro do Norte, dentre outros de caráter histórico-cultural. AUTORIA: Vereador Normando Sóracles Gonçalves Damascena

BIBLIOTECA PÚBLICA POSSIDÔNIO DA SILVA BEM
A biblioteca pública lançou o seu Projeto para o II CONCURSO LITERÁRIO: POESIA E PROSA, com o Tema: O PADRE CÍCERO EM SUA DIVERSIDADE, reconhecendo na sua apresentação que a biblioteca pública é instrumento de formação de leitores, atuando como mediadora de leitura; às vezes culminando no desejo de escrever que requer um bom acervo literário para constituição do intelecto dos novos autores. O II CONCURSO LITERÁRIO: POESIA E PROSA da BIBLIOTECA PÚBLICA DR. POSSIDÔNIO DA SILVA BEM, tem por finalidade estimular os participantes a refletirem sobre a diversidade de elementos a partir da pessoa do Padre Cícero Romão Batista, cearense do século XX e um dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos. O lançamento do Regulamento deste Concurso foi divulgado no dia 10 de março de 2015 na abertura da programação dos 50 anos da BIBLIOTECA PÚBLICA DR. POSSIDÔNIO DA SILVA BEM. Conforme a notícia oficial, a comissão organizadora visitará as instituições fazendo essa divulgação até a véspera do início das inscrições. Comentário: quero crer que esta celebração está atrasada pelo menos um ano, a não ser que haja algum ato formal que desconheça, mas na sua sede original, no antigo Bosque Dr. Luiz de Queiroz, em frente a Matriz de Nossa Senhora das Dores, a Biblioteca Pública, já com a homenagem a este grande e benemérito médico, funcionava ali entre os anos 1963 e 1964.

MOSTRA A DITADURA REVISITADA
O Cinematógrapho (SESC, Juazeiro do Norte), com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, dá prosseguimento a Mostra A Ditadura Militar Brasileira Revisitada, com a exibição de filmes sempre às 4as feiras, às 19 horas, no SESC Juazeiro do Norte-CE, com entrada gratuita. Já fizemos referência nesta Coluna sobre a excelente qualidade da seleção de títulos que integram a Mostra, e isto deverá ser acrescido com novas películas sobre D. Helder Câmara, João Goulart e outros grandes personagens desta fase da vida brasileira. A última exibição foi a do filme Cidadão Boilensen, Documentário (Brasil, 2009) com roteiro e direção de Chaim Litewski, com duração de 92 min. Sinopse: Através de diversos depoimentos, o documentário revela as ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do famoso grupo Ultra, da Ultragaz, com a ditadura militar. Seu apoio, assim como de muitos outros empresários, financeiro ao movimento de repressão violenta e também a sua participação na criação da temível Oban – Operação Bandeirante, espécie de pedra fundamental do Doi-Codi. Crítica: Você gosta de documentários? Não? Então prepare-se porque Cidadão Boilesen pode mudar seu ponto de vista. Com um título notoriamente inspirado no clássico Cidadão Kane, Chaim Litewski produziu ao longo de 16 anos um documento audiovisual de qualidade ímpar em termos de pesquisa, impacto e apuro técnico. Em sua abertura, com uma levada diferente, o filme revela o Curriculum Vitae de Boilesen (batido a máquina) e vai tecendo a sua história através dos depoimentos de vítimas de tortura, diplomatas, militantes de organizações de esquerda, políticos, militares da reserva, religiosos e até ex presidentes. Litewski costurou de maneira sublime uma história que tinha tudo para ser chata, principalmente, pela quantidade de material visual estático (fotos em preto & branco), mas não é o que se vê na tela. A pesquisa minuciosa investigou boletins de escola e estabeleceu conexões de seu comportamento quando jovem e depois de adulto. E é impressionante ver como um homem de notável capacidade de liderança, criador de mecanismos de auxílio ao novo trabalhador como o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) sucumbiu ao "lado escuro" numa clara demonstração de que – de fato – o poder corrompe. O longa não perde nunca a verve da denúncia, impondo em alguns momentos um ritmo até frenético com edição competente embalada por boa trilha sonora com direito até a regravação do clássico "Eu Te Amo Meu Brasil" de Don & Ravel. O documentário desnuda de maneira contundente o dinamarquês mais famoso do Brasil (condecorado pelo rei de seu país), revelando um homem frio, calculista, capaz de participar de sessões de tortura e até importar instrumentos para este fim como a máquina que ficou conhecida como "Pianola Boilesen". Com narrações e imagens originais, o espectador é a todo instante inserido no contexto da época, podendo, até certo ponto, ter uma dimensão aproximada de quem viveu aqueles momentos. depoimentos e documentos comprovam a conexão estabelecida entre os caminhões da Ultragaz e as prisões políticas. Assim como as ligações dele com o delegado Fleury e a guinada do Esquadrão da Morte, que passou a perseguir militantes políticos, revelam os bastidores do plano maquinado em 1969 para arrecadar fundos para financiar a OBAN (Operação Bandeirante). Criada para combater o terrorismo, misturando policiais civis e militares, acabou virando uma espécie de pedra filosofal do famigerado DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna). E não por acaso, você verá gente como o cineasta Roberto Faria e Celso Amorim, na época na Embrafilme, falando dos problemas de Pra Frente Brasil, e o ex ministro Delfim Netto revelando empresas famosas da FIESP que cederam a pressão "mafiosa" de Boilesen que, segundo um embaixador, não era agente mas falava com a CIA. E até o ex presidente Fernando Henrique Cardoso não poupa saliva para falar do "golpe do golpe" em 64 e afirmar "um a menos" sobre o assassinato de Boilesen em 1971 com 19 tiros, a maioria, na cabeça. Assim, Cidadão Boilesen é acima de tudo um documento moderno sobre um tema antigo. Sem sombra de dúvida um filme que ajuda a entender determinados mecanismos do poder e suas ligações históricas com um passado não tão distante do Brasil de João Goulart, do ódio ao comunismo, dos militantes de esquerda e de um exército no poder. E se o Kane de Welles era ficção inspirada na realidade, o Boilesen de Litewski é realidade baseada em não ficção. Por mais que seu filho (no doc mesmo) negue tudo e ainda pergunte "por que". Obrigatório para quem busca o saber. Imperdível para quem curte documentário e cinema. (Por Roberto Cunha, http://www.adorocinema.com/filmes/filme-182848/criticas-adorocinema)
A próxima exibição será do filme Marighella, Documentário (Brasil, 2012), Dirigido por Isa Grinspum Ferraz, tendo no elenco Lázaro Ramos, como narrador .

AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE
Como em meses anteriores, estamos voltando a analisar brevemente os últimos dados oficiais, divulgados pela Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) sobre a movimentação dos 60 aeroportos sob o seu controle administrativo, no tocante a passageiros, e cargas. De modo particular, lançamos aqui também os dados evoluídos ao correr de um ano (Março, 2014-Fevereiro, 2015) com respeito ao pouso e decolagem de aeronaves. Este propósito é movido pelo nosso interesse particular em acompanhar a evolução do aeroporto de Juazeiro do Norte, tendo em vista a sua grande importância para o desenvolvimento regional, visto a partir do contexto de variáveis como a categoria de aeródromos (Domésticos e Internacionais) e sua posição geográfica (Brasil e Norte/Nordeste). De modo sumário, o mês de fevereiro pp., comportou o embarque e desembarque de 29.399 passageiros, bem como o envolvimento de 550 pousos e decolagens de aeronaves, especialmente as das três companhias que operam o aeroporto. Isto significa, embora a média não seja bem real, uma ocupação da ordem de pelo menos 53 passageiros em cada operação (embarcado/desembarcado).
Neste particular, o aeroporto regional está se mantendo nas posições relativas frente a diversas situações destacadas, aleatoriamente por nosso interesse, conforme se vê nas tabelas 78ª e 7b, onde o destaque é a posição que o Orlando Bezerra ocupa, destacando-se em terceiro lugar dentre os aeroportos do interior do Norte e Nordeste do Brasil. Na sua categoria e no país, ele se mantém na 16ª posição, sendo de qualquer modo, em qualquer avaliação de movimentação de passageiros, 35º do pais. Sobre Cargas, desempenho que estamos ainda reunindo dados para uma série histórica em 12 meses, e conforme se vê nas tabelas 15ª e 15b, o melhor desempenho está na sua categoria de doméstico, em todo o país, ocupando a sétima posição, com uma movimentação de 48.663 kg em fevereiro, acumulando 100.526 kg no ano 2015, e inclusive, surpresa pelo menos para mim, ligeiramente superior ao de Petrolina, que Internacional, é muito expressivo para esta movimentação. Estes me pareceram os destaques destes últimos resultados. Faça cada um a sua própria análise.
A grande notícia, já longamente esperada, foi a comunicação oficial de que uma nova operadora se instalará no Aeroporto de Juazeiro do Norte. A TAM fez este comunicado em dias passados e isto trouxe muita euforia a todos nós. Destaco e transcrevo, abaixo, um texto encontrável na internet, gerado pela própria companhia, com respeito a este início de operações. A divulgar em manchete, inclusive, “Para ampliar conectividade de sua malha aérea no Brasil, companhia investe em novos voos para todas as regiões do país”, a companhia ilustrou a matéria em página da internet, com uma foto de uma de suas aeronaves em decolagem de Juazeiro do Norte. (www.latamairlinesgroup.net) Vejamos o texto, de 11.03.2015: “A TAM Linhas Aéreas acaba de dar início aos novos voos domésticos previstos para este início de 2015. As novas operações foram planejadas de acordo com a demanda de mercados em todas as regiões do país, e vão ampliar a conectividade e a rapidez no deslocamento dos passageiros com origem ou destino em algumas cidades já atendidas pela companhia. “É nosso compromisso oferecer o melhor produto ao cliente. Por isso, mesmo diante do cenário econômico desafiador para 2015, mantivemos os nossos investimentos e seguimos acreditando no potencial do país, operando estrategicamente com disciplina de capacidade e com o melhor aproveitamento das aeronaves”, afirma Claudia Sender, presidente da TAM Linhas Aéreas. “Estudamos constantemente as oportunidades de mercado e estamos conseguindo melhorar o acesso e a conectividade aérea para muitas pessoas que pretendem viajar pelo Brasil com mais conveniência, menos escalas e mais opções de horários e de voos”. Na região Norte, por exemplo, onde a TAM já começou a operar diariamente o primeiro voo direto (ida e volta) entre Macapá e Brasília, acaba de estrear uma nova rota da empresa entre Boa Vista e a capital federal, com operação de ida e volta todos os dias da semana, exceto aos sábados. Em abril, também terá início a operação de outra nova rota, no voo direto e inédito entre Santarém (PA) e Brasília, que será oferecido todos os dias (exceto aos sábados). O litoral nordestino também está sendo contemplado com pelo menos três lançamentos. Na Bahia, por exemplo, a TAM prepara para abril o início de um novo voo que será operado três vezes por semana entre Ilhéus e Brasília, e já deu início a um novo voo entre Porto Seguro e a capital federal, operado diariamente (exceto às terças-feiras). Em Aracaju, acaba de estrear o primeiro voo direto e diário de ida e volta entre a capital sergipana e Brasília. No Sul e no Sudeste, a TAM já lançou o primeiro voo direto entre São José do Rio Preto (SP) e Brasília, operado cinco dias da semana, e também vai dar início em abril ao primeiro voo direto entre Foz do Iguaçu (PR) e a capital federal, que será oferecido todos os dias, exceto aos sábados. Planejamento: novos destinos da aviação regional Como empresa aérea que mais investe no Brasil, a TAM já havia anunciado, no final de 2014, que decidiu atender de quatro a seis novos destinos regionais brasileiros por ano. A empresa já solicitou autorizações à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) para começar a operar voos em duas cidades do interior de São Paulo — Bauru e São José dos Campos — e no município cearense de Juazeiro do Norte. Além disso, a TAM também já se prepara para ser a primeira companhia aérea a operar voos regulares no aeroporto de Jaguaruna (SC). A TAM planeja realizar voos entre São José dos Campos e Brasília e também entre Bauru e Brasília. No caso de Juazeiro do Norte, estão previstos voos entre a cidade cearense e a capital federal, e também entre Juazeiro e Recife. Em Jaguaruna, a previsão é de voos entre a cidade catarinense e São Paulo/Congonhas. No momento, a companhia aguarda a avaliação das autoridades para prosseguir com a definição destes voos e anunciar as datas de início das operações regionais. Sobre o Grupo LATAM Airlines: LATAM Airlines Group S.A. é a nova denominação da LAN Airlines S.A., resultado da sua associação com a TAM S.A. O LATAM Airlines Group S.A. agora inclui a LAN Airlines e suas filiais no Peru, Argentina, Colômbia e Equador, e LAN CARGO e suas filiais; bem como a TAM S.A. e suas filiais TAM Linhas Aéreas S.A., incluindo suas unidades de negócios, TAM Transportes Aéreos del Mercosur S.A. (TAM Airlines (Paraguai)) e Multiplus S.A. Esta associação gera um dos maiores grupos de companhias aéreas do mundo em malha aérea, oferecendo serviços de transporte de passageiros para cerca de 135 destinos, em 24 países, e serviços de carga para aproximadamente 144 destinos, em 26 países, com uma frota de 320 aviões. No total, o LATAM Airlines Group S.A. tem em torno de 53 mil funcionários e suas ações são negociadas nas bolsas de Santiago, Nova York (na forma de ADRS) e São Paulo (na forma de BDRs). Cada companhia aérea opera independentemente, mantendo suas respectivas identidades e marcas. Qualquer consulta deve ser feita em www.lan.com e www.tam.com.br, respectivamente. Mais informações em www.latamairlinesgroup.net. 
















sexta-feira, 20 de março de 2015

BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
130: (13.03.2015) Boa Tarde para Você, Cícero Batista Lúcio
Amanhã, 14 de março, completa-se o primeiro ano desta minha atividade de cronista do cotidiano, inserido no Jornal da Tarde, para oferecer em cada oportunidade e a cada personagem destacado no Boa Tarde para Você, uma palavra de reconhecimento, de homenagem, de estímulo e de gratidão. Foram cento e trinta pequenos e bons momentos para 134 personagens que fui escolhendo, ao sabor de motivos diversos, sempre num conexão com a atualidade, e em vista da memória que acumulamos e que sempre nos traz, por vezes com atraso, esta imagem de um resgate necessário. Revejo o primeiro texto, ainda tão tímido para o que aos poucos foi se afirmando, e era ele dedicado a uma quase vizinha, a senhora Marlene Balbino, que acordara naquela madrugada para ver o seu pobre filho abatido com balas traiçoeiras de uma madrugada, na calada do sono da Rua São José, que eu há tão pouco tempo experimentava. Nasceu deste modo, Cícero Lúcio, ao tom fortíssimo da violência urbana destes nossos dias, coisa que você conhece tão bem, o meu sentimento de indignação diante de cenas fortes que eu nem imaginava encontrar no retorno com a vida nesta minha terra, tantos anos longe daqui. Confesso, e me perdoe por isto, que demorei a ter alguma consideração por este trabalho que você realiza no rádio e na televisão, pois ele carrega para dentro de nós as angústias vividas por esta cidade amada, cada vez mais recheada do sofrimento de seu povo diante do perverso e das dores inimagináveis.  Posso lhe dizer, Cícero Lúcio, que tive de me reeducar para ouvi-lo e vê-lo entre rádio e televisão, de modo a assimilar a importância desta presença nos noticiosos como um serviço que a mídia deve e não pode se escusar de fazer, porquanto se faz porta-voz de uma comunidade que quer ser ouvida em seus lamentos e aos relatos de seus dramas. É sempre difícil imaginar que a Folha Policial seja um serviço necessário, quando necessário sempre nos parece que é a luta insana de um povo para merecer a tranquilidade que o embala na vida em sociedade, no trabalho digno e no lazer tão merecido. Mas, enfim, Cícero, você está aí, abrindo este jornal com as notas mais tristes, com as informações precisas e pauta sempre cheia de acontecimentos lamentáveis, trazendo principalmente, a sua denúncia, a orientação, a investigação que reclamamos, como igualmente reclamamos a escalada desta violência que parece não cessar nunca. O jornalismo policial brasileiro não é um gênero recente, pois é tão antigo quanto a violência vivida nas comunidades que diariamente reclamaram da imprensa o seu papel contundente de denúncia. Os fatos mais recentes que o torna vistoso e com programas de grande audiência ganhou muito fôlego nos casos dos grandes sucessos experimentados na televisão, como o Cidade Alerta, da Rede Record, o Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes e o Linha Direta, da Rede Globo. O programa policial na mídia brasileira, televisiva ou pelo rádio, se configura com um estilo próprio e é muito marcado pelo sensacionalismo, pelo que se tem denominado de Datenismo, numa referência explicita ao apresentador Datena, que é um dos expoentes do estilo no Brasil. Realmente, este estilo tem elementos importantes desta empatia com o público curioso pela tragédia das ruas, especialmente no encontro com a linguagem coloquial, a interatividade com apresentadores populares e, especialmente, com o tom de veracidade e autenticidade necessário para firmar este pacto cativo com o ouvinte. Eu encontro nestas premissas, Cícero Lúcio, uma justificativa razoável para o seu sucesso, com o Rota e aqui entre nós no Jornal, pois apesar do traço comum, você foi capaz de esmerar-se num estilo que colabora e dialoga com a humanidade, como sentido de vida, abstraindo destes infortúnios o choque traumático que se faz pela banalização da violência. Cumprimento-o por isto, e mais pelo esforço continuado para prestar este serviço através do qual tem se tornado admirado, profissional competente, respeitado e valioso para falar em nome deste povo que tanto sofre. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 14.03.2015) 

BOA TARDE (II)
131: (17.03.2015) Boa Tarde para Você, Jefferson de Albuquerque Júnior
Na semana passada, por ocasião da visita empreendida pelo ministro Juca Ferreira a uma parte deste nosso Cariri cultural, vimos como você, de viva voz, protestou pela programação parcial da comitiva que, dentre outras coisas, excluiu uma participação mais amiudada com setores de Juazeiro do Norte. Algumas desculpas oficiais foram oferecidas, como o curto tempo disponível, e outras ficaram mesmo evidentes que se tratou de fazer uma certa manipulação da agenda para contemplar apenas Nova Olinda e Crato, não obstante nesta última, um encontro com os mestres do Cariri. Não é de hoje, meu caro Jefferson, que temos nos habituado a vê-lo a assim proceder, pois sua voz tão esclarecida e o seu trabalho tão diligente, competente e persistente por todas estas atividades da arte, especialmente no audiovisual, o tem credenciado a ser a interlocução desta cena autêntica em nossa defesa. Em todos os campos, mas especialmente nas áreas da cultura, o Cariri está se incomodando muito ultimamente para que de fato façamos uma revisão sobre o divisionismo que nos marcou há uns tempos, pois a emergência desta região nos tem imposto uma postura nova para novas conquistas. Damos graças para falar que gostaríamos muito que fossem para mais longe os velhos tempos das lutas meramente paroquianas quando o clientelismo serviçal e governista presidia os ganhos que amealhávamos em pretensões muito louváveis para preservar tradições e para firmar programas e equipamentos por esta cultura regional, tão rica e valiosa. Você é parte importantíssima disto, Jefferson, porque devemos lembrar que “corre nas vossas veias o sangue velho de avós e vós não amais o que é fácil”, e esta é uma grande diferença naquilo que prepara, elege, purifica, legitima e consagra o líder que fala por todos nós. Mais que isto, é parte de sua formação ética, estética, moral e cidadã, uma visão avançada e muito aperfeiçoada que esta terra de bravos pais é hoje motivo de nossas maiores atenções, pois aqui vivemos e continuamos, para fazer como você nestes dias, pondo nos braços ansiosos e felizes, a netinha Bárbara, que só pelo nome já nos lembra o sentido desta missão libertária nestes ideais. Você, Jefferson Júnior, é parte indissociável desta nossa caminhada, por um Cariri forte e firme em sua vocação de grande centro irradiador de como uma sociedade constrói, pela manifestação cultural de seu povo, um futuro que nos anima a prosseguir na caminhada. Não há como protelar até perder de vista o novo foco destes interlocutores da arte e da cultura caririense a um grande acerto de contas para que a região se afirme no que resta ainda de barganha frente ao poder de Brasília que mergulhou sem apelação aos impositivos do sudeste. No caso específico da lei de incentivos fiscais, Jefferson, onde se procura identificar parcerias para a proteção, o fomento e o financiamento das atividades, necessário se faz que o Cariri se sensibilize para empenhar este apoio, via renúncia fiscal, de modo a garantir a sua sobrevivência. Inaceitável é conviver com a mínima atenção do espírito maligno que perdura na feitura de orçamentos municipais, destinando tão pouco para algo que realmente reforma e modifica a sociedade, ao lado das imensas demandas de Educação e Saúde por dinheiros públicos. O Cariri almeja que a região cresça com grandes eventos culturais em calendários mais permanentes e que isto não se sobreponha à necessária manutenção e construção de equipamentos efetivos tão desejáveis como museus, teatros, cinemas, bibliotecas, salas de exposições e centros culturais. Felizmente, Jefferson, nossa convivência, herança de um tempo juvenil em dezenas de anos de lutas e trabalhos é hoje o testemunho eloquente desta vocação de serviço comunitário que você, mais que cada um de nós, exercitou e continua a manifestar para legar a este chão adorado do Cariri, o melhor da colheita, de tudo o que se plantou desde aqueles anos dourados. Salve esta Nação Cariri, de grandes terreiros e de grandes mestres e salve, salve, principalmente, a voz, o espírito, a vocação e a emocionante dedicação de um dos seus filhos, nascido Jefferson de Albuquerque Júnior, cuja vida e competência tão necessárias, continua nos emocionando pela vida afora.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 17.03.2015) 

BOA TARDE (III)
132: (18.03.2015) Boa Tarde para Você, Marília Pinheiro Falcioni
Há mais ou menos 50 anos, um pouco mais, o Cariri vivia a véspera de um dos seus grandes momentos, talvez o maior de sua história, quando se preparava para a sua autonomia energética, esticando por ruas de suas cidades os postes e fios que trariam a energia de Paulo Afonso até nós. Sem muito esclarecimento e a noção mais perfeita do que aquilo significava, e ainda significaria, eu estava no foco de uma destas trincheiras, pois um menino há pouco saído das calças curtas ajudava seu pai no balcão da pequena loja de material elétrico na Rua São Pedro. Como se de um grande salto no tempo, acordo hoje neste Cariri, e a propósito, Marilia, lendo nesta manhã um folder empresarial que me fala da Falcioni Consultoria e Treinamento que existe entre nós, não sei há quanto tempo, mas que busca conosco reafirmar o sucesso desta região, preparando-a ainda mais para a competitividade necessária aos grandes avanços. Nos dois últimos anos eu reservei um pouco de tempo das segundas feiras para não perdê-la de vista, admirando-a por esta proposta de estar nos falando sobre o seu sentimento mais técnico de uma profissional que se empenha neste foco de resultados pelo desenvolvimento dos negócios. É um hábito meu, muito particular, de me sentir ainda ligado a estas demandas, a estes saltos que empreendemos, fruto do que pude aprender pela vida, como profissional que se ligou por quase 25 anos, a um dos mais importantes grupos empresariais deste pais, o grupo M. Dias Branco. E a cada nova participação sua neste Jornal, Marilia, posso lhe dizer que tem sido bem prazeroso sentir o que se configura neste foco de resultados, preparando profissionais, e capacitando empresas diante dos novíssimos instrumentos de gestão de negócios, por sua atualíssima visão de mundo. E foi exatamente por esta visão de mundo e de como uma empresa de consultoria se propõe a planejar e a auxiliar na gestão de pessoas, de finanças, de comunicação e marketing e da organização e processos que eu comecei a refletir sobre esta necessária parceria que uma empresa que desenha ambições não pode ficar alheia no tempo e ao último trem. Não deixei de olhar, Marília, com certos olhos de melancolia por sobre aqueles tempos de grandes desafios que nos eram impostos a partir das luzes mais permanentes da CHESF, para lamentar que, efetivamente, na maior parte nos faltou este preparo visceral, que nos leva à competência e à competitividade. Foi por aquela época, no bem próximo do pós eletrificação que tivemos, em parte a tutela de um grande projeto da Universidade da Califórnia, através do Plano estratégico de semear indústrias e negócios no Cariri, a cargo do inesquecível professor Morris Asimow. Até que demos partida nisto e vários profissionais foram para os diversos campi da UCLA para depois aqui voltarem assumindo o comando dos empreendimentos em empresas de alimentos, de óleos lubrificantes, de equipamentos eletro-eletrônicos, de materiais cerâmicos e do setor metal-mecânico. Penso, Marilia, que esta foi uma grande lição que ficou nos caminhos do desenvolvimento do Cariri, infelizmente com um tom nostálgico do que vimos de pouca duração, exatamente por falta de assistência para esta atualização das organizações e de seus gestores, em busca da melhoria contínua de gestão, produtos e processos. Aquelas empresas do Projeto Morris Asimow, esperanças plantadas em uma dezena de fábricas, terminaram por serem extintas, mercê de um conjunto de fatores bem conhecidos, mas que principalmente se revelavam no despreparo de como tentavam sobreviver à margem de recursos e estratégias que, enfim, já existiam, mas que não lhes eram ofertados. Agora, Marilia, e é você mesma quem nos diz, o quanto o Cariri é esta região mais madura, que já era exuberante na sua proposta original de mercado, de empreendimentos em vários setores e que conta com gente como você para arejar-lhe os caminhos e os instrumentos destas novas conquistas. Faço melhores votos a você, Marília Falcioni e a toda a sua equipe, por grandes sucessos na trajetória de sua empresa, para que ela de fato continue como já tem feito, honrando os compromissos que a inventaram e que hoje serve à nossa região com tal entusiasmo.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 18.03.2015) 

BOA TARDE (IV)
133: (20.03.2015) Boa Tarde para Você, João Martins Gonçalves
Já mencionei nestes escritos a minha intenção de, sempre que possível, trazer-lhes ao conhecimento as minhas lembranças sobre figuras notáveis que tanto realizaram por esta cidade e seu povo, servindo esta oportunidade, na maioria das vezes para resgatar algumas dívidas que se acumularam. Penso que este é o caso de João Martins Gonçalves, um missãovelhense nascido em 1925 e que há mais de sessenta anos vive entre nós, sendo reconhecido como profissional de alfaiataria e um dos músicos mais versáteis que tivemos a chance de conhecer. Permitam-me, sim, que lhes faça estas anotações biográficas sobre este homenageado de hoje, que já aos 10 anos de idade tocava cavaquinho com grande habilidade, e que paralelamente a este seu gosto musical, dedicou-se a fazer roupas sob encomenda, assim se mantendo até bem recentemente. João Martins e seus irmãos, José Martins (Zezinho), Ancilon, Raimunda (Mundinha), Liquinha, Alzira, Dilzete (Nilza), Geraldo e Angelita são os 9 filhos de Martinho Zacarias Gonçalves e de Maria das Dores do Espirito Santo, todos nascidos em Missão Velha. Em Missão Velha, já alfaiate por profissão e músico diletante, João Martins casou em 1946 com uma sua prima, Maria André Gonçalves e esta união que dura ate os nossos dias, resultou numa familia de seis filhos, 20 netos e 11 bisnetos. Dois anos depois de casados, em 1948, João Martins e Maria se mudaram para Milagres onde ele continuou sua dedicação exclusiva ao trabalho como alfaiate, até que em 1950 um fato mudaria o seu itinerário de vida. Os cantores juazeirenses, Alberto e José Brasileiro, foram realizar um show em Milagres e necessitavam do apoio de um regional que por indicação recaiu sobre João Martins, como lider e organizador, já considerado um músico de grande competência. O resultado foi tão bom que Alberto, uma espécie de cover do cantor Bob Nelson, e seu irmão, o  tenor José Brasileiro induziram João Martins a vir para o Juazeiro, onde encontraria melhores condições de trabalho, tanto na alfaiataria, quanto na música. De fato, João Martins foi aos poucos vindo para cá, tendo inicialmente uma participação no Regional de Badiar, da novíssima Rádio Anhanquera de Juazeiro (depois Rádio Iracema), tendo inclusive figurado no grande show do seu primeiro aniversário, em memorável espetáculo no então Clube dos Doze, em 15 de novembro de 1951. Nessa época - coisas do destino, João Martins retoma o seu contato pessoal com Vicente Alves dos Santos, o inesquecível mestre Coelho Alves, que então dirigia a pioneira, e havia sido seu aprendiz na alfaiataria de Missão Velha. Finalmente, em 1954, João Martins se transfere com sua familia para esta terra, continua seu trabalho profissional de alfaiate, pois a cidade era carente deste serviço, e contava apenas com o velho Moura, e na música formaria um regional, na companhia do saxofonista Maurício de Barros, que se ligaria à Rádio Iracema, até 1958. Neste período, o regional da Iracema participou de grandes temporadas de renomados cantores nacionais, como Jorge Goulart, Nelson Goncalves, Nora Ney, Carlos Gonzaga, Luiz Gonzaga, Blackout, que por sinal fez o show de inauguração da Casa Rosada. No início dos anos 60, João Martins e seu sobrinho Rosiel, formaram no conjunto de Hildegardo, na Rádio Educadora do Cariri. Em 1962, João Martins estruturou o J. Martins e seu conjunto, consigo na guitarra e com os seguintes valores: Antonio Miguel (Piston), Edmundo (Trombone de vara), Geraldo Martins (Baterista), Wilson Borges (Ritmo e Crooner), Roterdan Martins (Contrabaixo) e Zezinho (Acordeon). Em 1969, o grupo passou a ser conhecido como J. Martins Show, cuja existência se alteraria em virtude do encerramento do conjunto de Hildegardo. Os dois articularam uma sociedade, em 1971 e nasceu o HildeMartins Som, nome que prevaleceu até 1978, assim batizado pelo inesquecivel radialista Maciel Silva. Desfeita a sociedade, o conjunto  passou a ser conhecido com a sua denominacao final, Martins Som, até o ano 2000, quando realizaram o último espetáculo, com a seguinte formação: João Martins (Guitarra), Manito (Sax tenor), Zé dos Prazeres (Ritmo e Percussão), Toni (Piston), Pirralho (Bateria), Carlo (Contrabaixo), Antonio (Teclados) e e João Paulo Junior (irmão de Alcimar Monteiro, Crooner). Isto é, sumariamente, um pouco da vida e da obra desta figura notável que hoje vive mais recolhido a sua vivência familiar, habitando a Rua da Gloria, com um pequeno negócio de compra e venda de instrumentos musicais. Só bem recentemente, João Martins gravou o seu primeiro disco, um CD em parceria com sua irmã, Mundinha, e que contem um belo repertório de velhas canções que ele executa magistralmente ao velho e inseparável violão. Gostaria de finalizar esta singela homenagem a João Martins Gonçalves, recomendando a nossa Câmara Municipal a concessao do título de Cidadania Juazeirense, com o qual teremos a oportunidade de tributar-lhe o nosso reconhecimento por tudo quanto fez na música que nos embalou em inesquecíveis momentos de nossas vidas. E só para lembrar-lhes, no próximo dia 29 de agosto de 2015, João Martins Gonçalves estará chegando, felizmente com grande vitalidade e entusiasmo pela vida, na marca dos noventa anos de existëncia, quando seria muito oportuno celebrar esta data dignamente. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 20.03.2015)