sábado, 6 de maio de 2017


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que semanalmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de quartas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
255: (03.05.2017) Boa Tarde para Você, Pedro Jorge Pinho Malzoni
Eu não tenho dúvida alguma que ainda muito além de minha geração a história de Juazeiro do Norte estará sendo meticulosamente revista e ainda construída, e com isso quero especialmente me refirir a capítulos que distam de até mais de dois séculos, recuado no teatro do tempo. A ambiência do Juazeiro, entre o final do século XIX e os meados do século passado, parece resguardar parte da rica cena de fatos notórios e, igualmente, com uma valiosa presença de tipos e personagens que engalanaram essa história por capítulos indeléveis em narrativas emocionadas. Noutro dia constatei, por uma visita à página de Helaine Mendonça, no Facebook, meu caro Pedro Jorge, a riqueza pictórica que orna a residência do amigo, em se tratando de óleos sobre telas, diversas delas realizadas pela criatividade de Luis Karimai, reproduzindo cenas do Joaseiro Antigo. Disso, sobressaiu, como depoimento sincero, o encantamento de Helaine pelo acervo, a referir a sensibilidade do amigo pela guarda e dinamização desses recursos fotográficos como uma contribuição notável para a reescrituração dessa nossa história, desde a mais remota época. Já nos era notória a sua dedicação como colecionador de velhas fotografias e a novidade parece ser essa de ainda ter estimulado diversos artistas na transposição de tão belos retratos de velhos sobrados, derribados por picaretas de plantão que tanto insistem em enfeiar nossa pobre vila. Bastaria, Pedro Jorge, que essas saudades nos remetam ao entorno do velho Quadro Grande, hoje Praça Padre Cícero, para compararmos a pobreza de sua atualidade arquitetônica, diante de um passado de um século, onde o juízo de bons cidadãos se esmerou no embelezamento da cidade. Desses, ao lado de Francisco Alencar, de Manoel Vitorino, de Fenelon Pita, de Damião Pereira, de José Geraldo da Cruz, de José André de Figueiredo, de Doroteu Sobreira, dentre outros, devo ajuntar a figura pouco conhecida do comerciante João Baptista de Oliveira. Pouca coisa se lê ou se ouve falar desse cidadão, especialmente de duas ou três coisas mais notórias de suas andanças e realizações, figurando, especialmente, entre compêndios de dados e publicidade na nascente imprensa citadina, particularmente n´O Rebate de 1909, como comerciante de tecidos. Era o mercado do Juazeiro muito pródigo por aqueles tempos da década de 10, em tecidos – onde se dizia, “fazendas”, com destacados empresários como os já citados, Dorotheu e Fenelon, acrescidos de outros como João Victorino, José Eleuthério de Figueiredo, Ladislau Arruda e Nazário Landim. João Baptista de Oliveira era principalmente desse ramo de negócios, estabelecido na Rua Padre Cícero, 336, mas também se anunciava pelo jornal que vendia estivas, ferragens, chapéus, e mercadorias diversas, nessa dita loja, nomeada de Ao Barateiro, por preços sem concorrência. Falo, então, Pedro Jorge dessa sigular figura de João Baptista, a propósito da sua indagação sobre quem seria o proprietário daquele imponente bangalô, nascido apenas como residencial, e que ficava no centro da Praça, lado da Rua do Cruzeiro, hoje demolido e no local erguida a então residência de Ivan Bezerra, para ser hoje um aprecidado magazine da cidade, de rede nacional. De João Baptista falará o Patriarca Cícero, no epistolário de Roma para a família e amigos, noticiando o desprendimento do cidadão que deixou a cidade e seus negócios para se reunir a João David e José Lobo, indo visita-lo por uns dias em Roma, enquanto desterrado e sofrendo pela causa do milagre eucarístico do Joaseiro, não reconhecido pela hierarquia de sua Santa e Pecadora Igreja. Sumariamente, assim mencionado nas páginas de O Patriarca de Juazeiro, pelo centenário Pe. Azarias Sobreira Lobo, João Baptista é também lembrado por ser um daqueles cidadãos juazeirenses exemplares, cuidadoso na educação de seus filhos a quem legou exemplos. É, portanto, Dr. Pedro Jorge, essa curta e tão pouco expressiva biografia de um juazeirense um tanto obscuro que formou naquela boa força tarefa para prover o desenvolvimento que já antecipara o sucesso da emancipação do município, figurando mesmo como um desses grandes anônimos. Talvez da pouca vaidade de João Baptista sobressaia o seu gosto pela boa vestimenta, pois assim o encontramos em bela fotografia de abril de 1898, muito bem trajado, usando fraque e chapéu fino. A fotografia foi realizada no estúdio da Fotografia Lampo, ao lado do Castelo de Santo Angelo, nas proximidades de onde estava residindo o Pe. Cícero, que terminou mandando presentinhos para a família na bagagem do seu compadre João Baptista, no navio de volta ao Ceará.
(Crônica ainda não lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ VOLANTE (FAMED, BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 12, sexta feira, às 19 horas, o filme O HOMEM ELEFANTE (The elephant man, EUA, 1980, 124min). Direção de David Lynch. Sinopse: A história de John Merrick (John Hurt), um desafortunado cidadão da Inglaterra vitoriana portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado até então, tendo 90% do corpo deformado. Exibido como monstro em circos e considerado débil mental pela sua dificuldade de falar, é salvo por um médico, Frederick Treves (Anthony Hopkins). No hospital Merrick se libera emocionalmente e intelectualmente, além de mostrar ser uma pessoa sensível ao extremo. Sra. Kendal (Anne Bancroft), uma grande atriz, torna-se sua amiga e até a coroa britânica sensibiliza-se com o caso.

CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 12, sexta feira, às 19 horas, o filme GIORDANO BRUNO (Giordano Bruno,ITA/FRA, 1973, 115min). Direção de Giuliano Montaldo. Sinopse: Uma das principais obras do cinema político italiano dos anos 1970. Retrata um dos episódios mais polêmicos da história: julgamento e execução do astrônomo, matemático e filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600). Pensador audaz e independente, ele foi queimado vivo na fogueira da Inquisição em 17 de fevereiro de 1600, na praça de Fores, em Roma. No clímax, um dos inquisidores lhe pergunta: "E a verdade católica?". Giordano responde ironicamente com outra pergunta: "Existem duas verdades: uma católica e outra filosófica?". A fotografia do mestre Vittorio Storaro reproduz a luminosidade gerada por archotes.   

CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 17, sexta feira, às 20 horas, dentro do Festival Mazzaropi, o filme O CORINTIANO (Brasil, 1966, 95min ). Direção de Milton Amaral. Sinopse: Neste filme de 1967, Mazzaropi é 'Seu' Manuel, um barbeiro fanático pelo Corinthians Paulista. Em "O Corintiano", Mazzaropi é capaz das maiores loucuras para torcer pelo seu time do coração, como: andar com um burro preto e branco, bater boca com torcedores de times rivais, fazer promessas malucas, orações, sofrimento e “xingamentos” na arquibancada.

CINE JURIS (FAP, JN)
A Faculdade Paraiso do Ceará (FAPCE) está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri, embora seja restrito aos alunos desta Faculdade. As sessões são programadas para um sábado por mes, de 8:30 às 11:30h, na Sala de Vídeo da Biblioteca, na Rua da Conceição, 1228, Bairro São Miguel. Informações pelo telefone: 3512.3299. Neste mês de MAIO, dia 6, estará em cartaz, o filme THE GOODWIFE (Bang, EUA, 2010, 45min). Direção de Rosemary Rodrigues. Sinopse: A série centra-se em Alicia Florrick, cujo marido Peter Florrick, um ex-advogado do estado de Condado de Cook, foi preso depois de um escândalo envolvendo sexo com prostitutas e corrupção. Depois de ter passado 13 anos como uma mãe atenciosa e dona-de-casa, Alicia retorna ao seu antigo trabalho como advogada e fica com a responsabilidade de criar os seus dois filhos. A série foi parcialmente inspirado no escândalo de prostituição envolvendo o ex-governador de Nova Iorque Eliot Spitzer, bem como outros escândalos sexuais proveniente de políticos norte-americanos, particularmente os de John Edwards e Bill Clinton.

CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 16, sábado, às 17:30 horas, o filme SE MEU APARTAMENTO FALASSE (The apartment, EUA, 1960, 125min). Direção de Billy Wilder. Sinopse: Um funcionário ambicioso (Jack Lemmon) descobre um atalho para subir na companhia em que trabalha: ceder seu apartamento para os encontros amorosos de seus chefes. A tática inicialmente dá certo, mas passa a ser ameaçada quando ele se apaixona pela amante de um de seus chefes (Shirley MacLaine).

V SIMPÓSIO: REPERCUSSÃO (5)
Continuamos destacando nessa Coluna a opinião que vem pela imprensa com respeito à realização do V Simpósio Internacional Sobre Padre Cícero. E transcrevemos abaixo um texto de Leonardo Boff, um dos convidados que esteve presente e que causou uma grande impressão por seu posicionamento. Vejamos.

O PADRE CÍCERO À LUZ DO PAPA FRANCISCO
Acompanhando, lendo e ouvindo as palavras e especialmente os gestos do bispo de Roma, como gosta de ser chamado, o Papa Francisco e a imagem que ele se faz do padre para os dias de hoje logo me veio à mente, o Padre Cicero Romão Batista. Surpreso disse para mim mesmo: o que ele está apresentando é exatamente aquilo que o Padre Cícero fazia. O estilo de padre vivido pelo Padre Cicero agradaria, seguramente, o atual Papa.
1.Características do Papa Francisco
Para começar, permitam-me dizer algumas palavras sobre Francisco, porque é uma das melhores bençãos que aconteceu para a Igreja e para a Humanidade nos últimos anos. Em primeiro lugar ele trouxe uma primavera para a Igreja depois de um longo inverno que significaram os pontificados de João Paulo II e de Bento XVI. Papas da de volta à grande disciplina e às doutrinas severas Em segundo lugar, fez da Igreja uma casa com portas e janelas abertas no lugar de uma fortaleza fechada e imaginriamente cercada de inimigos. Em terceiro lugar, ele quis se chamar bispo de Roma, em vez de Papa. Propô-se dirigir a Igreja com a caridade e não com o direito canônico. Disse claramente, excetuando os pedófilos e os ladrões do Banco Vaticano, não quer condenar ninguém.
Em quarto lugar, deixou o palácio papal e foi morar numa hospedaria onde os padres que vem a Roma se hospedam. Ele quis um quarto comum como o dos hóspedes. Come junto com todos, na fila, dizendo, com humor: “assim é mais difícil que me envenenem”. Em quinto lugar, prefere o encontro existencial com Cristo do que a proclamação de doutrinas sobre Cristo. E disse: é a pessoa de Cristo que nos salva não as doutrinas. Em sexto lugar deve-se passar da exclusão para a inclusão. A Igreja Católica deve incluir e reconhecer as outras Igrejas que também levam avante a herança de Jesus e juntas porem-se a serviço do mundo, especialmente dos mais pobres. E dialogar com total abertura com as demais religiões e caminhos espirituais. Em sétimo lugar, o centro não é ocupado pela Igreja mas pelo mundo que precisa de esperança, de alegria e de salvação. A Igreja deve ser uma espécie de hospital de campanha que não olha se o ferido é muçulmano, negro ou cristão. Basta saber que está sangrando e que deve ser cuidado. Em oitavo lugar, devemos passar do mundo aos pobres. Francisco deseja “em saida para as periferias existenciais”, antes de tudo uma Igreja dos pobres, com os pobres e para os pobres. Para onde chega, sempre vai visitar os pobres, entra em suas casas, abraça-os, beija-os e toma um cafezinho com eles. Em nono lugar, quer que os pastores, padres e bispos tenham cheiro de ovelhasquer dizer, que andam no meio do povo, que” tenham sempre um sorriso de um pai que contempla os seus filhos e os seus netos, que não tenham cara de vinagre, nem tristes como se fossem ao próprio enterro”. Que sejam testemunhos da alegria do evangelho, uma categoria essencial de sua pregação. Em décimo lugar quer que todos façam revolução da ternura e da misericórdia, acolhendo a todos com o coração aberto, exercendo a misericórdia ilimitada diante dos que fracassaram e pecaram, mostrando-se como o pai do filho pródigo que se alegrou com o filho que se perdeu e voltou à casa paterna. Estes são os pontos mais relevantes da figura de Francisco que veio do fim do mundo, do caldo cultural e eclesial que se criou na nossa América Latina. Depois de ouvir as lições da teologia da libertação na versão argentina, que é a teologia do povo oprimido e da cultura silenciada, isso o diz seu professor ainda vivo, Juan Carlos Scannone, ficou tão impressionado que já como estudante fez uma opção pelos pobres e prometeu visitar toda semana uma favela. Como Cardeal, não morava no palácio, ia de ônibus, de metro ou a pé. E fazia sua própria comida. Como bispo de Roma, se despojou de todos os títulos de honra e glória, especialmente o manto sobre os ombros cheio de joias, simbolo do poder absoluto dos imperadores e dos papas e começou a usar um mantozinho branco. A cruz é de prata barata sem qualquer adorno. E vai sozinho ao barzinho perto do Vaticano comer um pastel que gosta. E coisa espantosa, que nunca ocorreu antes na história da Igreja: por quatro vezes, tres em Roma e uma em Santa Cruz de la Sierra na Bolívia convocou os representantes dos movimentos sociais populares do mundo inteiro. Queria saber da boca deles os sofrimentos que padacem e que indicassem quem no mundo coloca essa cruz nas costas deles. Nenhum Papa antes deles condenou tanto a idolatria do dinheiro, e aqueles que saqueiam os escassos bens e serviços da Mãe Tera. Pensa sempre no capitalismo como um sistema anti-vida.
É dele a encíclica “Laudato Si: cuidando da Casa Comum” que o colocou, segundo os especialistas, na ponta da discussão ecológica integral, do mundo inteiro.
O Padre Cícero antecipador do tipo de padre querido pelo Papa Francisco
Vamos agora refletir rapidamente sobre a prática pastoral do Padre Cícero, o grande Patriarca do Nordeste, o Padrinho Universal, o Intercessor junto a Deus em todos os problemas da vida, o Santo cuja intercessão nunca falha. Os devotos e os romeiros sabem disso. Não vou resumir sua história que todos conhecem. Apenas digo que, para mim, há três fases principais na vida dele que têm a ver com aquilo que ensina o Papa. A primeira é a fase de Juazeiro que começa no dia 11 de abril de 1872Quando era jovem sacerdote de 28 anos foi chamado rezar uma missa em Juazeiro, uma vilazinha com duas ruas, 36 casas e uma capelinha dedicada a Nossa Senhora das Dores. Atendeu aquele povo mas não gostou do lugar. Pensava ser professor no seminário da Prainha em Fortaleza. Foi quando, cansado de ouvir confissões, foi tirar uma soneca na escolinha próxima. E ai teve um sonho que mudou a sua vida. Como sabemos, o sonho é uma forma como Deus se comunica, como com São José que nunca disse uma palavra mas que teve sonhos, nos quais acreditou. O Padre Cícero viu em sonho o Sagrado Coração de Jesus, sentado à mesa com os 12 Apóstolos. De repente entrou na sala uma multidão de retirantes, famintos e maltrapilhos. Jesus começou a falar com eles. E de repente voltou-se ao Padre Cícero e disse:”E você Padre Cícero tome conta deles”. O Padre Cícero, perplexo e até assustado, logo entendeu a mensagem: devia ficar em Juazeiro. Foi para Crato, trouxe a mãe, as duas irmãs e uma jovem escrava liberta e se mudou definitivamente para Juazeiro. A segunda é a fase do milagre do sangue na hóstia, fase da Maria de Araújo. Começa no dia primeiro de março de 1889. Às 5 da manhã o Padre Cícero deu a comunhão, antes da missa, às várias mulheres piedosas, chamadas de beatas. Deu a comunhão a Maria de Araújo, negra, costureira e lavadeira, de 28 anos. Sem nenhuma explicação ela caiu por terra e junto foi a hóstia consagrada. De repente viu que a hóstia estava tingida de sangue. O mesmo se repetiu por dezenas de vezes, sempre recolhendo o sangue num paninho. Para o Padre Cícero e assistentes, não havia dúvida: era o sangue sagrado de Cristo. Os panos foram colocados numa urna de vidro. Durante dois anos multidões do vale do Cariri começaram a chegar a Juazeiro par ver os panos e tocar na urna. Contam que aconteciam muitos milagres. O bispo de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira mandou por duas vezes analisar a situação. Na primeira se concluiu tratar-se realmente de um milagre. Mas esse resultado não agradou o Bispo. Mandou teólogos ao lugar que acabaram concluindo tratar-se de um embuste. Esta versão foi acolhida pelo bispo. Devido a ocorrência cada vez maior de romeiros, o Bispo Dom Joaquim intepretrou aquele fenômeno como um cisma, quer dizer, uma divisão na Igreja. De forma muito autoritária suspendeu o Padre Cícero, proibindo-o de pregar, confessar e orientar os fiéis. Mas podia celebrar a missa. O bispo Joaquim, temeroso, mandou toda uma documentação para o Santo Ofício, a antiga Inquisição, em Roma. Esta não reconheceu o milagre. Ao contrario disse     que se tratava de “gravíssima e detestável irreverência e ímpio abuso à Santíssima Eucaristia”. Bastou esta declaração para o Bispo Joaquim interditar todos os atos religiosos em Juazeiro e proibir o Padre Cícero de celebrar Missa. Mais tarde em 1916 veio de Roma a excomunhão mas que nunca foi aplicada e nem o Padre Cícero teve conhecimento dela, creio que por medo do bispo Dom Joaquim da reação dos romeiros. Deixando para trás estes fatos, perguntamos: como agia pastoralmente o Padre Cícero? Aqui, me parece que ele se coloca na linha do que o Papa Francisco gostaria que todos os pastores fizessem. O Padre Cícero usava três métodos: 1) Convivência direta com o povo, cumprimentado a todos; 2) Visita a todas as casas dos sítios, falando com todos, abraçando as crianças e abençoando a casa, os animais e as pessoas. Andava quase sempre a pé com o seu bastão; 3) Orientar o povo nas pregações e nas novenas; ao anoitecer, diante da casa fazia reuniões diárias com povo onde incentivava a vivência dos bons costumes, o estudo nas escolinhas, encaminhava para os vários ofícios e dava dicas de ecologia como veremos logo a seguir. A fama correu pelo sertão todo. De longe vinham receber seus conselhos e suas bençãos, porque era inteiramente dedicado ao povo, sempre disponível, atento em ouvir, carinhoso em receber a todos até ricos que vinham conhecê-lo. Era impecável em sua vida pessoal, vivendo pobremente e não cobrava nada por seu trabalho pastoral (José Comblin, O Padre Cícero do Juazeiro, Paulus 2011). Era extremamente obediente. Nunca se queixou dos castigos pesados que recebeu. Amava profundamente a Igreja e respeitava a figura do Papa e dos bispos. De todas as partes vinham romeiros pedir-lhe conselhos. Tinha a fama de pacificador e de resolver todos os conflitos; conhecia as ervas e remedios caseiros para as doenças e até tinha a fama de bom casamenteiro. Ele se interessava pelo bem estar do povo: criou centros onde se aprendiam as profissões de marcineiro, ferreiro, alfaiate, artesão com couro ou palha e outros ofícios. Até criou uma relogoaria que fabricava bons relógios. Abriu 12 escolinhas particulares e duas publicas além de um orfanato e a primeira Escola Normal Rural. A Terceira fase é do Padre Cícero politico. As portas da Igreja se fecharam para ele. Mas para continuar a servir o povo entrou na política. Aqui cabe lembrar uma frase do Papa Francisco quando esteve no Brasil: “É uma obrigação para o cristão envolver-se na política. Devemos envolver-nos na política, pois a política é uma das formas mais altas da caridade”. Vai mais longe o Papa Francisco ao afirmar: ”Atualmente, se um cristão não é revolucionário não é cristão. Deve ser revolucionário da graça.” Importa esclarecer que o Padre Cícero entrou na política a contragosto, com a idade de 67 anos, mas aceitou para ser o mediador-conciliador entre vários coronéis em litígio. Por 20 anos até 1927 foi prefeito de Juazeiro, comparecendo como a figura mais respeitada do Cariri. Em 1912 foi eleito vice-governador do Ceará por dois mandatos. Mas cansado se retirou da política pública e atendia os romeiros e politicos em sua casa. Sua preocupação maior era poder continuar com sua missão pastoral e voltar a celebrar missa. Chegou ir a Roma em 1898 ficando lá oito meses. Conheceu os salesianos e entusiasmou-se com o seu caarisma a ponto de herder a eles quase tudo o que possuia em Juazeiro. Pôde encontrar-se rapidamente com o Papa Leão XIII que lhe permitiu rezar missa em Roma e na volta novamente em Juazeiro. Mas foi em vão. O bispo manteve a proibição. Mas vendo as multidões que vinham pedir conselho, ele, por amor ao povo, exerceu a desobediência leal: desobediência a uma lei eclesiástica e humana em função de uma lealdade ao mandamento maior do amor e do serviço aos pobres que ela amava do fundo do coração. Era tido como pai dos pobres. Foi padrinho de batismo de dezenas de crianças (daí a expressão “meu padim Padre Cícero),o consolador dos abandonados dos sertões. Distribuía com calma e serenidade, por horas a fio, conselhos e bençãos a todos os que o procuravam. Essa desobediência não era opor-se pura e simplesmente às autoridades eclesiásticas, mas etendender que o amor ao pobre e vulnerável possui autoridade maior, pois vem do Evangelho e de Jesus. O Padre Cícero, pai dos pobres, incansavelmente dedicou 62 anos de sua vida à causa dos deserdados do Nordeste. Faleceu a 20 de julho de 1934.
3.Qualidades do sacerdote pregadas pelo Papa e vividas pelo Padre Cícero.
Muitas vezes o bispo de Roma falou aos sacerdotes e aos estudantes dos vários colégios pontificios. Ai delineia qualidades para o sacerdote, qualidades essas que o Padre Cícero viveu em antecipação.
-Ao Espiscopado italiano em 16 de maio de 2016 diz ”O padre não pode ser burocrático mas alguém que é capaz de sair de si, caminhando com o coração e o ritmo dos pobres”. Não viveu a vida inteira assim o Padre Cicero? -Na missa do crisma na Basílica Vaticana no dia 17 de abril de 2014 afirma:”a disponibilidade do sacerdote faz da Igreja a casa dos pobres, o lar dos que andam pelas ruas, o acampamento dos jovens e o lugar da cura dos doentes”. Na vida inteira o Padre Cícero não fez outra coisa. -Aos bispos recém sagrados em 18 de setembro de 2016 proclama:”o pastor deve ser capaz de escutar e de encantar e atrair as pessoas pelo amor e pela ternura”. Essa era uma qualidade eminente do Padre Cicero, testemunhada por todos. – Falando aos seminaristas lombardos lhes diz:”busquem o caminho da simplicidade que facilita encontrar o outro, simplicidade na linguagem e evitar doutrinas complicadas de modo que todos os possam entender e encontrar o Cristo vivo, morto e ressuscitado”. A simplicidade extrema do Padre Cícero era notória e permitia que todos se aproximassem confiantes de serem abraçados por ele. -Num sermão de 6 de março de 2014 o Papa Francisco foi enfático ao dizer:” o sacerdote está chamado a ter um coração que se comove; deve ser uma pessoa de compaixão e de misericórdia. Deve ser como Jesus que se comovia diante do povo disperso e desalentado; deve estar cheio de ternura para com os excluidos e fracos; por amor é preciso consolar e curar as feridas dos machucados”. Foi o que o Padre Cícero viveu a vida inteira em seu contacto com o povo.
O Padre Cícero, antecipador da ecologia integral
Como é sabido, o Papa Francisco publicou uma importantíssima encíclica Laudato Si: cuidando da Casa Comum (2015). Não se trata de uma encíclica verde, meramente ambientalista, mas uma encíclica sobre a ecologia integral que incorpora a natureza, a sociedade, a política, a educação e a espiritualidade. Com grande surpresa nossa, o Padre Cícero publicou seus 10 famosos mandamentos ecológicos que me permito transcrever mas enfatizando apenas alguns, válidos até hoje: –não derrube o mato nem mesmo um só pé de pau; –não toque fogo nem no roçado nem na caatinga.
-não cace mais e deixe os bichos viverem; -não crie o boi nem o bode soltos: faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer; -não plante em serra acima, nem faça roçado em ladeira   muito em pé; –deixe o mato protegendo a terra para que a   água não a arraste e não se perca a sua riqueza; –faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água da chuva; –represe os riachos de cem em cem metros ainda que seja  com pedra solta; plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer até que o sertão seja uma mata só; –Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca; Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer; -Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só”. (Pensamento vivo do Padre Cícero, Ediouro, Rio de Janeiro 1988).
5.Conclusão: a atualidade do modelo sacerdotal do Padre Cícero.
Para a Igreja popular, o Padre Cícero sempre foi reconhecido como santo. Padeceu sob a mão dura do bispo de Fortaleza e da Inquisição, sem queixa e livre de qualquer amargura e sem deixar de amar a Igreja e seus pastores. Nunca se rebelou. Mas está chegando o o tempo de a Grande Igreja se reconciliar com com os romeiros que o veneram e com o Padre Cícero, tido como pastor ideal.
Vale uma Igreja que distribui sacramentos, missas, confissões, batismos, casamentos e enterra mortos embora corra o risco de se fazer burocrática. Mas é importante que a Igreja seja, além disso, a grande companheira do povo, participando de seus padecimentos e alegrias, acolhendo com ternura a todos, dando conselhos e benções. É esse tipo de Igreja, preferida pelo atual Papa, sem deixar de dar valor ao outro tipo mais tradicional. E é dessa Igreja popular que o povo mais aprecia e mais precisa não só no Nordeste mas no Brasil todo. Graças ao bispo local, Dom Fernando Panico, beneficiado com uma cura de um cancer incurável, pela intercessão do Patriarca do Nordeste e do Brasil, tudo está tomando o rumo da reconciliação. Dom Frei Luiz Cappio, meu ex-aluno em Petrópolis, conversou em 2010 com o Papa Francisco sobre a figura excepcional de sacerdote e de santo que foi o Padre Cícero. O Papa conhecia o caso e prometeu acelerar o processo de reabilitação e de reconciliação. A Congregação da Doutrina da Fé de 27 de outubro de 2014 afirmou num documento “não poder proceder à solicitação de reabilitação do sacerdote” Padre Cícero Romão Batista (primeiro Omnes). Mas, quase de forma contraditória assevera que “julga oportuna uma certa forma de reconciliação histórica…que coloque em luz também os lados positivos de sua figura”(segundo Omnes). Para entender esta aparente contradição devemos entender a forma como esta instância doutrinária profere suas sentenças. Estas são de suas ordens: de tuto e de vero. Afirmação de tuto significa afirmação de “segurança” e de “prevenção” sem querer decidir acerca da verdade do fato analisado. De vero é quando se quer decidir sobre a “verdade” do fato. Esta é a sentença mais peremptória. Tudo leva a entender, dada a segunda observação (Omnes 2) que a Congregação para a Doutrina da Fé se ateve ao aspecto da segurança (de tuto) que possui um valor menor e não ao aspecto da verdade(de vero) que fecharia totalmente a questão. Isso fica mais claro na carta do Secretário de Estado do Vaticano, a primeira pessoa depois do Papa em autoridade, o Card. Pietro Parolin, enviada ao bispo Dom Fernando Panico, bispo diocesano do Crato em 20 de outubro de 2015. Este documento vem de uma instância mais alta que aquela da Congregação da Doutrina da Fé. O Card. Parolin como Secretário de Estado é a primeira pessoa após o Papa. Explicitamente escreve em nome do Papa Francisco. Deixa para trás a discussão do passado, e vai logo ao centro da questão que é pastoral:”põe em realce a figura de Padre Cícero Romão Batista e a nova Evangelização, procurando concretamente ressaltar “os bons frutos que hoje podem ser vivenciados pelos inúmeros romeiros que, sem cessar, peregrinam a Juazeiro atraíados pela figura daquele sacerdote”. Insiste que se deve “por em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como atualmente é percebida pelos fiéis”. O ponto alto da afirmação do Card Parolin se encontra no númer 5 de sua carta onde afirma:”No momento em que a Igreja inteira é convidada pelo Papa Francisco a uma atitude de saída, ao encontro das periferiais existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui, sem dúvida,um sinal importante e atual”. Por fim enfatiza que “a presente mensagem foi redigida por expressa vontade de sua Santidade o Papa Francisco”. Temos aqui, portanto, um pronunciamento da autoridade papal, a mais alta da Igreja, abrindo o caminho para a reconciliação. E dadas as virtudes eminentes do Padre Cícero e a conclamação a “agradecer ao Senhor por todo bem que ele suscitou por meio do Padre Cícero” se criam as condições para a sua beatificação e, por graça do Altíssimo e por amor dos romeiros, seja também oficialmente canonizado para ser santo não apenas do Nordeste, mas de toda a Igreja Universal, podendo ser venerado em todos os países onde há católicos. O Padre Cícero será o grande santo do novo estilo de caminhar com o povo, com “cheiro de ovelha” porque o ama e sabe conduzi-lo pelo caminho das verdes campinas e das águas límpidas como o diz o Bom Pastor do salmo 23. Que nossa geração possa ainda ver esta glória como veremos no dia 15 de agosto de 2017 a canonização pelo Papa Francisco, do bispo Dom Oscar Arnulfo Romero de El Savador, mártir dos direitos humanos e da libertação dos oprimidos. Estou seguro de que o dia chegará para o Padre Cícero Romão Batista: será beatificado e canonizado como um santo original e típico de nossa terra, batida pela seca e terra dos homens e das mulheres fortes e invencíveis e cheios de fé. (Leonardo Boff, teólogo e escritor.)
Bibliografia essencial
-José Comblin, O Padre Cícero do Juazeiro, Paulus, 2011.
-Ralph della Cava, Milagre em Juazeiro, Paz e Terra, 1985.
-Amália Xavier de Oliveira, O Padre Cícero que eu conheci, Editora Massangana, Recife 1981.
-Azarias Sobreira, O Patriarca de Juazeiro, Vozes, Petrópolis 1968.
-Therezinha Stella Guimarães e Anne Dumoulin, O Padre Cícero por ele mesmo, Edições INESP, Fortaleza, 2015.
-Annette Duloulin, Em sonho.. Uma boa conversa entre o romeiro Sebastião e Padre Cícicero, Paulinas, 2017.
-Antônio Romero Siqueira Dodou, De Tabuleiro a Juazeiro. Reflexões sobre Cícero:o homem, o padre e o líder, Edição do autor, 2016.
-Ercíclia Maria Braga de Olinda, Adriana Maria Simão da Silva (org.) Vidas em romaria, Ed UECE, Fortaleza, 2016.
-Pe. Neri Feitosa, Análise juridica das Pastorais de Dom Joaquim sobre o Padre Cícero e o milagre de Juazeiro, Canindé, 2005.
-Carlos Alberto Tolovi, Mito, religião e política: Padre Cícero e Juazeiro do Norte, Editora Primas, Curitiba, 2017.
-Maria do Carmo Pagan Forti, Padre Cícero e Dom Fernando: uma relação que deu certo, edição da autora, Juazeiro, 2013.
-Pe.José Oscar Beozzo, Pe. Cicero nos textos e no contexto do seu tempo Anaes do II Simpósio Internacional de 12 de outubro de 2004.
-Pe. José Oscar Beozzo, Uma cronologia comparada da vida do Pe.Cícero com os eventos eclesiásticos e civis de seu tempo, pesquisa inédita, São Paulo, 2004.
Obs.: O artigo UM PADRE COM CHEIRO DE OVELHAS: O PE.CICERO ROMÃO BATISTA, de autoria de Leonardo Boff, já publicado por essa Coluna, foi traduzido para o francês e o italiano e, por curiosidade pode ser consultado nos seguintes links, abaixo. Somos gratos por sua iniciativa, pois seu autor é pessoa muito influente na Europa.
1. UN PRETE CON ODORE DI PECORA: IL PADRE CICERO ROMÃO BATISTA
2. UN CURA CON OLOR A OVEJA: EL PADRE CICERO ROMÃO BATISTA

NOVO LOGRADOURO: HOMENAGEM
Uma nova rua da cidade presta homenagem a Maria Leandro Pereira. Vejamos o ato: LEI Nº 4717, de 06.05.2017: Art. 1º – Fica denominada de TRAVESSA MARIA LEANDRO PEREIRA (MARIA LEANDRO), a primeira rua paralela ao oeste da rua José Bernardo da Silva, sentido norte/sul, com início na rua Cecília Meireles, terminando na rua Hildegarda Barbosa (Linha Férrea), no bairro Cajuína. AUTORIA: Vereador Domingos Sávio Morais Borges.

RECONHECIMENTO PÚBLICO: IDJURC
O IDJURC passou a merecer o reconhecimento municipal através da LEI Nº 4718, de 06.05.2017: Art. 1º – Fica reconhecido de utilidade pública o INSTITUTO DOS DIABÉTICOS DE JUAZEIRO DO NORTE E REGIÃO DO CARIRI – IDJURC., também designado pela sigla IDJURC, fundado em 20 de fevereiro de 2014 como pessoa jurídica de direito privado, na forma de sociedade civil com autonomia administrativa e financeira, sem fins econômicos, sem cunho político ou partidário, constituída por tempo indeterminado, sendo uma associação civil de caráter sociocultural, organizacional, filantrópico, assistencial, promocional, recreativo, esportivo, como também nas áreas de saúde, e que se regerá pela legislação aplicável e pelo Estatuto. AUTORIA: Vereadora Auricélia Bezerra.

NOVOS CIDADÃOS JUAZEIRENSES.
Em diversos atos, a municipalidade distingue algumas pessoas com o título de cidadania juazeirense. Vejamos esses atos.
RESOLUÇÃO N.º 840, de  25.04.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor MARCELO MOTA GURGEL DO AMARAL, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura, Antônio Vieira da Silva, José Adauto Araújo Ramos, Cícero Claudionor Lima Mota, José David Araújo da Silva, Domingos Sávio Morais Borges, Márcio André Lima de Menezes, Valmir Domingos da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calu, Luciene Teles de Almeida, Auricélia Bezerra, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Jacqueline Ferreira Gouveia. (Na foto:Marcelo Mota é o atual presidente da OAB Ceará)
RESOLUÇÃO N.º 841, de 25.04.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre médico ANTÔNIO FERNANDO COUTINHO, pelos inestimáveis serviços prestados à nossa comunidade. Autoria: José Barreto Couto Filho; Subscrição: José Adauto Araújo Ramos, Paulo José de Macêdo, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Antônio Vieira Neto, Damian Lima Calu, Cícero José da Silva, Domingos Sávio Morais Borges, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Márcio André Lima de Menezes, José David Araújo da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, Valmir Domingos da Silva, Jacqueline Ferreira Gouveia, Luciene Teles de Almeida e Auricélia Bezerra. (O homenageado é médico, clínico geral e cirurgião),
RESOLUÇÃO N.º 842, de 25.04.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Dr. GUSTAVO MARTINS DOS SANTOS, pelos inestimáveis serviços prestados à nossa comunidade. Autoria: Francisco Demontier Araújo Granjeiro; Coautoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva; Subscrição: José Adauto Araújo Ramos, Damian Lima Calú, Cícero José da Silva, Glêdson Lima Bezerra, Rubens Darlan de Morais Lobo, Márcio André Lima de Menezes, José David Araújo da Silva, José Nivaldo Cabral de Moura, José Barreto Couto Filho, Cícero Claudionor Lima Mota, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Luciene Teles de Almeida. (Gustavo Martins dos Santos é Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2004). Médico Nefrologista com Residência Médica pela Universidade Federal do Ceará e Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Nefrologia. Atualmente médico da Cental de Transplantes da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, Professor Assistente da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte e Coordenador do Serviço de Clínica Médica do Hospital Regional do Cariri.)
RESOLUÇÃO N.º 843, de 02.05.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor JOSÉ BARRETO COUTO FILHO, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade. Autoria: Paulo José de Macêdo; Coautoria: Márcio André Lima de Menezes, José Adauto Araújo Ramos; Subscrição: Cícero Claudionor Lima Mota, Domingos Sávio Morais Borges, Valmir Domingos da Silva, Damian Lima Calú, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Glêdson Lima Bezerra, Antônio Vieira Neto, Luciene Teles de Almeida, Jacqueline Ferreira Gouveia, Rosane Matos Macêdo e Auricélia Bezerra. (JOSE BARRETO COUTO FILHO foi candidato a Vereador em Juazeiro do Norte. Sua candidatura foi pelo PPS-PARTIDO POPULAR SOCIALISTA através da coligação PPS - PARTIDO ISOLADO. Tem como atividade SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL e nasceu em 28.03.1956. Seu grau de instrução é SUPERIOR COMPLETO e seu estado civil CASADO).

RESOLUÇÃO N.º 844, de 02.05.2017: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense à Senhora ELIANA NUNES ESTRELA, pelos relevantes serviços prestados a esta comunidade na área educacional. Autoria: Auricélia Bezerra; Subscrição: José Nivaldo Cabral de Moura, Cícero Claudionor Lima Mota, José David Araújo da Silva, Domingos Sávio Morais Borges, Márcio André Lima de Menezes, Valmir Domingos da Silva, Rubens Darlan de Morais Lobo, Damian Lima Calu, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Paulo José de Macêdo, Glêdson Lima Bezerra, Cícero José da Silva, José Barreto Couto Filho, Luciene Teles de Almeida, Rita de Cássia Monteiro Gomes, Jacqueline Ferreira Gouveia e Rosane Matos Macêdo. (Eliana Nunes Estrela é Graduada em PEDAGOGIA pela Universidade Regional do Cariri (1996). Especialista em Administração, Supervisão e Orientação Educacional; e em Gestão Escolar. Atua na educação desde 1992, como professora e gestora. Atualmente é coordenadora da 19 CREDE - SECRETARIA DA EDUCAÇÃO CEARÁ. Cursando Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública pela Universidade Federal de Juiz de Fora/MG.)

sábado, 29 de abril de 2017


BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! (77) Por Renato Casimiro
A REFORMA DA PRAÇA: Quando ultimamente se tem falado sobre a Praça Pe. Cícero, quatro coisas logo se expressam: Primeiro, o seu estado lamentável, marcado por um abandono absurdo, imposto por administrações anteriores a esta que vivenciamos; Segundo, como consequência, a imperiosa e necessária reforma que se impõe para restaurar lhe beleza, encanto, propriedade, funcionalidade, etc, etc.; Terceiro, a posição já expressa desde a campanha de que a atual gestão municipal levará a frente esse desejo da comunidade, resgatando a grande estima por seu principal logradouro; e, por último, Quarto, a instância municipal competente já elabora o projeto da reforma. Como ilustração dessa coluna, estou expondo uma foto de Lauro Cabral de Oliveira, tomada de uma das janelas superiores do sobrado de João Baptista de Oliveira, na lateral da praça, lado da Rua do Cruzeiro, em 1938. A exposição dessas imagens quase sempre nos trazem de volta uma certa nostalgia e até parece que uma eventual reforma nessa Praça deve ser encarada como um retorno às velhas concepções de antigamente, o que nos remete a uma certa nostalgia, algo romântico que nem sempre se coaduna com a premência da atualidade. Realmente na dinâmica do tempo a motivação e os condicionantes são bem outros e esses é que devem ser os motivos para o novo desenho que se fará para a nova Praça. Mas isso tem limite, pois temos inúmeros casos nos quais se perpetrou verdadeiros aleijões. Muitas praças nesse pais foram profundamente violentadas. Poderia citar o caso da reforma da Praça do Ferreira no início dos anos 60, que tantos males trouxe à capital do Ceará. Aqui mesmo, entre nós, reformas já realizadas recentemente foram de uma total inabilidade do gestor público para conceber melhoria ao logradouro. Uma coisa que se espera, com sinceridade, é que a atual gestão seja sensível para submeter o seu projeto à uma consulta pública para que o cidadão possa opinar sobre as melhorias que serão realizadas. Nessa foto que ilustra a coluna, alguns elementos aparecem e são parte do nosso desejo para que a referida e anunciada reforma contemple: 1. A arborização e o ajardinamento como forma de conferir “vida” à esse recanto, associado isso a formação de um microclima que torne o ambiente menos agressivo à nossa permanência e deleite. Nesse particular, a velha arborização, especialmente pelas imensas palmeiras, deverá ser objeto de um bom diagnóstico sobre como revitalizá-las, antes que se pense que elas foram esgotadas e até poderão ser abatidas. A outra coisa é a implantação de jardins e espaços para arbustos tão típicos desse modo de ajardinar espaços públicos. Não se deve descurar sobre a necessidade de que a nova arborização permita um bom sombreamento de áreas, pois na maior parte do ano, nossa terra é fortemente ensolarada e a temperatura elevada é parte do desconforto na maior parte do tempo para se dispor da praça como ambiente de lazer. 2. A liberação dos largos espaços da praça para a convivência que sempre foi a tônica maior desse equipamento, pois as pessoas sempre lembram que a Praça era o lugar de encontros, conversas e um clima de grande bem estar marcado pela amizade e relacionamentos. A propósito, em diversas reformas implementadas em outras administrações, foi perpetrado, diria – “o crime hediondo” da apropriação do público pelo privado, tornando a praça cada vez menor pela concessão imprópria ao espaço público que se tem, permitindo que nele se instale um mercado desnecessário, desleal, imundo – do ponto de vista sanitário, e próprio para o que isso termina por ensejar: violência, criminalidade, abusos, consumo de drogas, e toda a sorte de lamentos que tenhamos a manifestar. A bem da verdade, penso que é inegociável qualquer que seja a insinuação pela permanência de antigos acertos mediados pela incompetência e desvinculação com os interesses públicos, admitidos como jogo de barganha por prefeitos, secretários e vereadores. Isso sempre foi uma coisa calamitosa e vergonhosa, a ponto de não se ter o que comentar. 3. A funcionalidade das vias incluídas no seu traçado para que ela continue sendo o trajeto necessário para quem a cruza em todos os sentidos, não só Norte-Sul, Leste-Oeste, mas também ao cruzamentos de diagonais, Nordeste-Sudoeste, Noroeste-Sudeste. Outrora se optara por duas vias preferenciais, em x, se encontrando no centro geométrico do quadro. Sem prejuízo dessa “geografia” os espaços devem ser revistos para privilegiar a sua ocupação pelo povo, reduzindo os desvios que tem sido perpetrados pelas construções nada necessárias. Uma coisa que ao meu juízo muito se impõe é a relocação do que seria o velho coreto como espaço de tribuna popular e de ambiente para manifestações culturais, políticas, religiosas e sociais. Outro fato importante é que a nova Praça deve oferecer espaços de convivência com colocação de bancos que sejam anatomicamente confortáveis, pois isso enseja ocupação e permanência prolongada. A colocação deve ser orientada para formar pequenas ilhas que nuclearão essa convivência, como hoje se pode experimentar, embora precariamente, o grupo fiel das manhãs domingueiras. 4). O entorno da Praça deve ser ocupado por alguns serviços de eleição pública e notória, como serviço de taxi, por exemplo. Seria desejável que um espaço fosse reservado para o estacionamento temporário de veículos de turismo. O entorno da Praça também tem que ser revisto pelo fato de ter-se o velho hábito de se ocupar indevidamente esses espaços marginais com pequeno comércio ambulante, para o qual não se deve ter nenhuma complacência, porque não é essencial e nos aparece como manifesta esperteza de partes que negociam em nosso nome, sem nossa autorização. O poder público deve ser firme no sentido de não admitir qualquer pressão, parta de quem partir, para conceder a comerciantes o uso da praça, nem que a ela seja remetido. Por exemplo, o lado da Rua São Francisco tem comprometido seriamente alguns dos propósitos da Praça, pelo fato de que avança-se em demasia, a ponto de reduzir a pista da via, sob a alegação de que o fluxo de veículos no período noturno é bem reduzido. Reforço o posicionamento de que o entorno da praça, isto é, as faixas marginais das quatro via públicas (São Pedro, Pe. Cícero, São Francisco e Cruzeiro, somente devem ser usadas, além de espaço delimitado para taxi, por circunstâncias e circunstantes protegidos por legislação específica, como deficientes motores, idosos, gestantes, autoridades, serviços públicos, etc. Também não se deve deixar de lado a grande importância de suas instalações como a disponibilidade de água para todas as necessidades de higienização e irrigação. Também é necessário resgatar a condição técnica do relógio. Se o mesmo aí ainda instalado há 80 anos, já se tornou imprestável, que um outro seja instalado, se possível com o mesmo perfil do anterior, preservando as quatro faces da coluna da hora. Melhor seria o seu resgate técnico pleno. Por fim, gostaria de me posicionar sobre a necessária inteligência pública com respeito à iluminação. Que seja tecnicamente bem concebida e nos livre das ilhas de escuridão por onde entra na praça toda espécie de marginalidade, abuso e desrespeito. Se nós é que vamos pagar a conta, muito justo é que digamos como queremos fazer. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 29.04.2017)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

ARTE RETIRANTE (SESSÃO CURUMIM)
O Centro Cultural BNB promove de forma itinerante (Arte Retirante) uma sessão de cinema para crianças, denominada Sessão Curumim, em diversas cidades do Cariri, com entrada gratuita, exibe no próximo dia 5, sexta feira, às 14 horas, no Orfanato Jesus Maria e José (Bairro Santa Teresa, Juazeiro do Norte), o filme A NOIVA CADÁVER(Corpse Bride, EUA, 2005,75min ). Direção de Mike Johnson / Tim Burton. Sinopse: Em um vilarejo europeu do século XIX vive Victor Van Dorst (Johnny Depp), um jovem que está prestes a se casar com Victoria Everglot (Emily Watson). Porém acidentalmente Victor se casa com a Noiva-Cadáver (Helena Bonham Carter), que o leva para conhecer a Terra dos Mortos. Desejando desfazer o ocorrido para poder enfim se casar com Victoria, aos poucos Victor percebe que a Terra dos Mortos é bem mais animada do que o meio vitoriano em que nasceu e cresceu.


CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 5, sexta feira, às 19 horas, o filme LADRÕES DE BICICLETA (Ladri di Biciclette, ITA, 1948, 93min). Direção de Vittorio de Sica. Sinopse: Em Roma um trabalhador de origem humilde, Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani), luta para sustentar a família. Precisando de uma bicicleta para começar em um novo emprego, Ricci penhora as roupas de cama da casa. Para desespero da família, a bicicleta é roubada e Antonio sai junto com o filho Bruno (Enzo Staiola) para procurá-la pela cidade.

CINE CAFÉ VOLANTE (FAMED, BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 5, sexta feira, às 19 horas, o filme UM ESTRANHO NO NINHO (One Flew Over the Cuckoo’s Nest, EUA, 1975, 133min).
Direção de Milos Forman. Sinopse: Randle Patrick McMurphy (Jack Nicholson), um prisioneiro, simula estar insano para não trabalhar e vai para uma instituição para doentes mentais. Lá estimula os internos a se revoltarem contra as rígidas normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Louise Fletcher), mas não tem idéia do preço que irá pagar por desafiar uma clínica "especializada".

CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 5, sexta feira, às 20 horas, dentro do Festival Oscar (1977), o filme ROCKY, UM LUTADOR (Rocky, EUA, 1977, 120min). Direção de John G. Avildsen. Sinopse: Rocky é um desconhecido boxeador da Filadelfia que complementa sua renda como coletor a um agiota. Nesta cidade ocorrerá a disputa pelo campeonato mundial de pesos pesados está marcada para o dia de Ano Novo de 1976, o ano do bicentenário da Declaração da Independência dos Estados Unidos. Porém, o desafiante do campeão Apollo Creed se machuca, e o promotor Jergens encontra dificuldades de encontrar outro oponente. Creed apresenta a ideia incomum de lutar contra um lutador local, de origem italiana: sua escolha recai em Rocky, apelidado Rocky, The Italian Stallion (O Garanhão Italiano), imaginando ser um grande apelo para a mídia. Ao mesmo tempo envolve-se romanticamente com Adrian, a irmã tímida de seu amigo Paulie, um trabalhador de frigorífico. Rocky treina na academia de Mickey, um ex-lutador, que duvida de sua capacidade - que chega ao ponto de remover seus pertences do armário para passa-lo a outro. Porém, após o anúncio que ele lutará contra o campeão, Mickey oferece-se para treina-lo. Passa a treinar intensamente, inclusive socos nas carcaças penduradas na câmara fria de Paulie. Creed inicialmente não leva a luta a sério, mas Rocky inesperadamente derruba-o no primeiro assalto. A luta torna-se intensa, com cada lutador sofrendo grandes machucados. Ao fim da luta Creed fala a Rocky que não haverá revanche e este responde que não quer e chama por Adrian, que corre até o ringue. Apollo Creed é anunciado como vencedor por uma decisão apertada dos árbitros.

CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 6, sábado, às 17:30 horas, o filme O DORMINHOCO (Sleeper, EUA, 1973, 89min). Direção de Woody Allen. Sinopse: Um saxofonista (Woody Allen) que foi congelado em 1973 é trazido de volta 200 anos depois por um grupo contrário ao poder vigente que tenta derrubar o governo opressor. No entanto, ele quer conhecer este novo mundo, totalmente diferente da realidade em que vivia. Com as inúmeras modificações ocorridas nestes dois séculos, este homem vai entrar em diversas confusões.

“DE JUAZEIRO A CANINDÉ – NA TRILHA DA FÉ”
Recebemos e divulgamos com prazer: “Marcar na memória da população da cidade de Cedro, na região Centro-Sul do Ceará, um paralelo entre dois destinos religiosos cearenses tão presentes na memória e afetos do nosso povo. Com esse objetivo o município de Cedro recebe nesta quinta-feira (27/04) a exposição “De Juazeiro a Canindé – Na Trilha da Fé” idealizado pelo curador Ícaro Bastos. As artes serão expostas na Praça Nilo Viana Diniz, a partir das 18 horas. A mostra contempla esculturas, fotos, instalações, vídeos e performances e percorrerá doze municípios do Ceará, nas regiões Centro-Sul e do Cariri cearense: Várzea Alegre; Iguatu; Acopiara; Cedro; Farias Brito; Juazeiro do Norte; Crato; Barbalha; Altaneira; Nova Olinda; Santana do Cariri e Assaré receberão a amostra. O projeto foi contemplado no Edital de Incentivo as Artes pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Ícaro Bastos é o idealizador da exposição que já está na terceira etapa e envolveu pesquisas importantes, além de dados e informações para a composição do Projeto. “O objetivo é fomentar ainda mais a fé do povo, além de divulgar os modos de como essa fé gera um comércio tão complexo que não fica restrito somente a Juazeiro e Canindé através das figuras de Padre Cícero e São Francisco das Chagas, mas que move outras populações, em prol do que se convencionou denominar Turismo Religioso”. A secretária de Cultura de Cedro, Aparecida Evangelista, explica que a população contará com belíssima exposição com foco na forma de promover ideias e valores religiosos. “É com alegria que nosso povo irá conferir um pouco da religiosidade que atravessa gerações, recordando que as romarias em Juazeiro do Norte e Canindé tem grande significado no roteiro turístico”. Para o Prefeito de Cedro, Dr. Nilson Diniz, a exposição tem significado especial como legitima manifestação cultural, merecedora do apoio do poder público e da presença da população. “Com este pensamento elevamos nosso apreço a arte e apoiamos sua vinda ao município”, o prefeito também relembra a renovação da fé do povo cedrense. (Fonte: Diário Centro Sul).

sexta-feira, 21 de abril de 2017

MONSENHOR AZARIAS SOBREIRA LOBO
CENTENÁRIO DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL
Transcorre no dia de hoje, 22.04.2017, o centenário de Ordenação Sacerdotal de Mons. Azarias Sobreira Lobo. Ele foi o primeiro juazeirense a ser ordenado na então mais nova Diocese do Ceará, a Diocese de Crato. Sobre ele, há alguns anos atrás eu escrevi uma pequena memória a seu respeito que abaixo transcrevo:
HOMENAGEM AO MONSENHOR AZARIAS SOBREIRA LOBO
É da recomendação experimentada de um velho franciscano missionário que acompanhou um grupo de romeiros do Juazeiro, tempos atrás, pelas terras da Judéia, da Galiléia e da Samaria, que é muito útil, em momentos como estes que a nossa reflexão se aprofunde para que o nosso conhecimento dos fatos e da vida não sejam abordagens superficiais, de esmalte de fácil remoção. E isto é tão mais valioso quando a nossa prospecção se estriba em textos que traduzem e refletem o pensamento cristalino das idéias, ao contexto que nos permite situar as suas relações com o mundo, os pretextos que motivaram ações e reações, e as entrelinhas que freqüentemente guardam enclausuradas as razões mais convincentes de suas decisões e gestos. Os textos, de longa data, já nos permitiram conhecer do Pe. Azarias Sobreira Lobo, do seu porte, uma figura exemplar no seu ministério. Desta análise, lembraria as expressões de Luitgarde Barros quando afirma: “Filólogo, profundo conhecedor da história eclesiástica, dos costumes, do adagiário e da genealogia cearenses. Era um deslumbramento beber tanto conhecimento temperado com um bom humor irresistível, leveza de crítica dos costumes, transmitido numa linguagem escorreita, um singular conhecimento da alma humana.” O contexto de sua época, em transformação substancial, sobretudo após o Vaticano II, não alterou o seu itinerário de vida, como autêntico missionário do Cristo. Ao contrário, atualizou-o e reforçou a sua primitiva opção pelos pobres e desassistidos deste Ceará interiorano de flagrantes contrastes e injustiças. Um dia, já próximo de sua morte, escreveu: “Se, neste meu ablativo de vida, me perguntasse qual a marca que me parece mais saliente em meu espírito, eu não teria medo em responder: uma inata tendência para admirar. Não propriamente os que fizeram fortuna ou conseguiram altas posições sociais, e sim os que se impuseram pela coragem das convicções, pelo domínio de seus apetites desordenados, pela compaixão para com os injustiçados e oprimidos.” Abriu-se na vida de Azarias Sobreira o pretexto extraordinário da celebração da data centenária de ordenação de Cícero Romão Batista. A história lhe fará justiça ao mencionar a sua determinada intenção de esclarecer a opinião pública, à época, ainda muito desinformada, até em segmentos da intelectualidade, plena de preconceitos e radicada em julgamentos emocionais apressados. Nas entrelinhas de suas ações estavam as notas maiores de sua grande fidelidade ao Cristo que lhe inspirou uma vida de dedicação à Igreja. Mas, estava também o reclamo mais que patente de sua consciência que não repousava se por sua atitude, solidária ao seu bispo diocesano, em Fortaleza, ele não empunhasse o estandarte da revisão histórico-eclesial das punições que determinaram a extensa e renitente punição ao santo do Juazeiro. Para homenagear este homem, este santo homem - diríamos, este irmão do chão amado do Juazeiro, aqui estamos. Quase que nos passava despercebida a ocorrência destes seus 90 anos de opção pelo sacerdócio, vocação que ele nos diz que nasceu aos 5 anos de idade, quando desejou ser um simples padre. Que grave pecado teríamos cometido ! Felizmente, por este gesto amoroso e cordial de sua família, tão pleno de simbolismo, que entrega ao povo de Juazeiro a guarda permanente, neste Memorial Pe. Cícero, do cálice que lhe acompanhou por longos anos na celebração do Mistério, enseja-nos a oportunidade de relembrá-lo, sobretudo aos mais novos, aos que porventura nem tenham tido o privilégio de conhecê-lo. Por isto mesmo, agradecendo a delicadeza de terem me convocado para esta homenagem, permitam-me que eu possa lhes dizer um pouco mais do amigo que tive e por cujas saudades, lágrimas e apertos no coração se fizeram sentir por estes anos, em momentos como estes. Era o dia 30 de maio de 1970, um sábado. Já residindo em Fortaleza, fazia uns cinco anos. Reservei aquela tarde para satisfazer uma velha expectativa: conhecer de perto o Pe. Azarias Sobreira Lôbo, de quem acabara de ler sua mais alentada obra “O Patriarca de Juazeiro”. Na sua casa da Av. Dom Manoel, fui recebido com atenção. Essa gentileza se repetiria inúmeras vezes, até 1974, face a sua morte em 14 de junho. Daí por diante, e sempre com as queixas de Da. Messias e de Joana, a que cuidava dos serviços domésticos, fui espaçando as visitas, até que, no início de 1977, me mudei para São Paulo e não mais as visitei. Quando voltei, Da. Messias já havia falecido, a casa já era endereço comercial, até reformada, e de Joana tinha poucas notícias. Na primeira visita encontrei-o aos 76 anos. Naquele dia recebeu-me com carinho e tanta atenção que me surpreendi com tal gesto. Estava ali não só pela curiosidade pessoal, mas, também, por sugestões insistentes de amigos comuns como Amália Xavier de Oliveira, Maria Assunção Gonçalves e José Oswaldo Araújo. Identificado por estes e iniciado nas leituras da vasta literatura sobre o Pe. Cícero, o Pe. Azarias me acolheu como um dos seus mais íntimos e, a partir daí, por minha insistência e, sobretudo, com sua paciência em responder serenamente a intermináveis questionamentos, passamos a nos encontrar semanalmente, aos sábados e domingos, em sua casa. Várias vezes saímos a fazer visitas a amigos e locais. Vivíamos o ano de 1970 e o Pe. Azarias estava vivamente empenhado na reabilitação do Pe. Cícero, cem anos após a sua ordenação, no Seminário da Prainha. Azarias era, na verdade, o único sacerdote a encarar frontalmente a questão e, a partir dos escritos e do posicionamento público de seu bispo - D. José de Medeiros Delgado, firmou-se como articulador das celebrações do centenário de ordenação sacerdotal do Pe. Cícero, no âmbito da Diocese. D. Delgado havia lançado duas publicações: Juazeiro, Padre Cícero e Canindé (1968) e Padre Cícero, Mártir da Disciplina (1970). No dia 26 de janeiro de 1973, D. Delgado revelaria a mim e a profa. Luitgarde Oliveira Cavalcanti que, "quando ainda redigia o segundo texto, recebeu formalmente, por escrito, da Diocese do Crato, a única censura por este posicionamento público assumido em favor da reabilitação de Cícero". Para D. Delgado, não havia tratamento errôneo em considerar o Patriarca de Juazeiro um mártir da disciplina. Reabilitá-lo perante a Santa Sé era, no mínimo, revisar a injustiça que se cometera contra o próprio povo do Nordeste. No dia 30 de novembro de 1970, no auditório do Seminário da Prainha, com a presença do Pe. Azarias - destacado pelo depoimento que daria, realizava-se a sessão solene com a qual a Arquidiocese de Fortaleza abria um ciclo de estudos sobre o Pe. Cícero. Além de Azarias, falaram o bispo D. Delgado e o jornalista Luís Sucupira. Suas falas foram depois publicadas num folheto comemorativo. Nos meses subseqüentes, por diversas vezes, o Pe. Azarias me chamaria para participar de alguns encontros com intelectuais e amigos seus, com os quais viabilizariam o ciclo de estudos. Lembro-me de alguns: Parsifal Barroso, Raimundo Girão, Dr. Fernandes Távora, Luís Sucupira, Rachel de Queiroz, José Aurélio Câmara, Gal. Carlos Studart, Pe. Tibúrcio Grangeiro, Irmã Marciana Maria, D. Raimundo de Castro e Silva, dentre outros. No dia 6 de janeiro de 1971, na Sala de História Eclesiástica da Prainha, o Pe. Azarias reunia um pequeno grupo que ele julgava dar suporte executivo às pretensões do ciclo de estudos. Deste grupo faziam parte alguns dos já mencionados. Os propósitos iniciais eram: articulação com o Clero, com intelectuais, com Juazeiro, com a Diocese do Crato, etc. Fiquei encarregado de organizar o arquivo e de levantar informações bibliográficas, documentos e tudo mais para o desempenho da equipe. Começamos a trabalhar com um pouco de livros, jornais e documentos que estavam ao nosso alcance, e o resultado foi logo aparecendo, tal era a determinação do Pe. Azarias na coordenação dos trabalhos. No dia 11 de janeiro, durante uma destas reuniões, o Pe. Azarias me pediu que relatasse uma série de documentos que haviam sido localizados, principalmente a longa carta de Mons. Monteiro a D. Joaquim, narrando os fatos extraordinários do Joaseiro. Destes, também me lembro que faziam parte várias cartas de Pe. Quintino ao bispo D. Joaquim, dando conta do movimento de pessoas, sobretudo o Pe. Cícero, Conde Adolpho van den Brule, Floro Bartholomeu da Costa, José Xavier de Oliveira, e outros, em Juazeiro e até fora dali. Uma delas chamou a atenção de todos, pelo fato de que se seguiu à sua leitura. Era uma carta do vigário do Crato, pe. Quintino a D. Joaquim, em 01.07.1903, nos seguintes termos: "Tenho a honra de comunicar a VExe. Revma. que levei ao conhecimento do Revmo. Pe. Cícero Romão Batista o ofício de VExe. mandando suspender as obras da capela que aquelle sacerdote estava construindo perto da povoação do Joaseiro, e elle me respondeu que obedecia promptamente a VExe. suspendendo o serviço, o que e.ffectivamente fez. Deus guarde a VExe. Revma.". D. Delgado, nem bem terminei a leitura, levantou-se e indagou: ''Afinal, onde estão estes padres do Crato que não exergam que estamos tratando de um mártir da disciplina? ". O Pe. Azarias esteve sempre muito entusiasmado com o andamento dos estudos e com as reuniões que fazíamos. A mim, pessoalmente, este entusiasmo era contagiante. Guardo, anotado numa agenda, os inúmeros passos que empreendi em seu nome, entrevistando pessoas e reunindo material para as pesquisas. Lembro-me de haver entrevistado Hugo Catunda, J. de Figueiredo Filho, Pe. Antônio Gomes de Araújo, Amorim Sobreira, Otacílio Anselmo, F.S. Nascimento, Durval Aires, Amália Xavier de Oliveira, Pe. Cícero Coutinho, Raimundo Girão, Pedro Gomes de Matos, Ananias Eleutério de Figueiredo, Sebastião Marques e Pe. Helvídio Martins Maia (a revelia de Azarias, como relatarei adiante). Em 6 de março daquele ano eu estava no Rio de Janeiro e aprofundava meu conhecimento sobre a trajetória política de Floro Bartolomeu. Depois, combinei com Pe. Azarias e voltei ao Cariri, continuando as pesquisas. No dia 30 de março, ele me confidenciou, como já havia feito a Amália Xavier de Oliveira, que sua exposição de motivos ao Sr. Bispo Diocesano havia gerado um expediente para a Nunciatura, em tom de consulta, sobre a criação de uma Prelazia, em Juazeiro do Norte. Além deste município, somente Caririaçu seria englobado. A indicação do Prelado recairia sobre o Pe. Francisco Murilo de Sá Barreto. Esta seria a sua maior satisfação. Azarias queria que este procedimento significasse o retorno da velha idéia pela qual Pe. Cícero tanto lutara, como se pretendeu fazer novamente, de criar uma Diocese em Juazeiro. Quanto à idéia de Pe. Azarias / D. Delgado, nunca mais se ouviu falar, nem mesmo voltou a comentar comigo. Havia uma questão posta sobre a distância da futura Prelazia pretendida e a sede da Diocese, em Crato. Pareceu-me que este argumento, à época, teve algum peso. O ciclo de estudos prosseguia. O entusiasmo de Azarias, lotando novamente o auditório da Prainha, era grande para receber o depoimento e as reflexões de RacheI de Queiroz. Bem à sua frente acompanhei sua comoção em algumas oportunidades, recolhendo as lágrimas ao tom emocional da narrativa e à argumentação irretorquível de quem, como ele, não via outra alternativa senão a reabertura do processo em Roma, pela reabilitação do Pe. Cícero. Por fim, reconheço e lhes afirmo que seria enfadonho continuar, página a página, revendo estas anotações e fazendo estas relembranças daquele ano, particularmente tão ativas e ricas de emoções para Azarias Sobreira. Guardo-as como um preito de saudade daquele que me conferiu o imenso privilégio de ter, por tão pouco tempo, entre os que se achegaram à sua casa, à sua mesa, ao seu afeto. Inúmeras vezes me recebeu à porta com a exclamação: - Ó meu santo! No que respondia: - Mas padre, o Sr. me escuta em confissão e ainda assim me faz passar por este vexame? Acompanhei-o algumas vezes, no martírio das dores na coluna que o acometia. Usávamos um pequeno aparelho de ondas curtas às quais chegavam às suas costas por duas placas. A coluna vertebral freqüentemente impunha ao querido amigo, penas mais que suportáveis. Erguê-lo, da cadeira ou da cama, era um suplício. Para não gemer, ouvia-se o ranger dos dentes, num esforço sobre-humano. Por Juazeiro, e diante de tantas coisas imputadas ao Pe. Cícero, Azarias não mais respondeu. Considerou sempre que “O Patriarca de Juazeiro" era a sua melhor e antecipada resposta. A serenidade dos últimos anos se contrapunha à indignação dos tempos de "Um Civilizador do Cariri". Esse artigo, escrito por Pe. Antonio Gomes de Araújo na revista A Província, (Crato,1955), aparentemente nada provocaria. Mas, seu autor resolveu na tiragem de separatas do artigo e na formatação de pequeno opúsculo, inserir comentários sobre os fatos extraordinários do Joaseiro, nas expressões grosseiras de Basílio Gomes de Araújo, seu avô. Foi o suficiente. Pe. Azarias respondeu com veemência, e fez publicar o opúsculo Em Defesa de um Abolicionista (I), respondendo às acusações dirigidas à memória do professor José Joaquim Telles Marrocos. No ano seguinte, 1956, o Pe. Antonio Gomes de Araújo faz nova investida de acusações, procurando mais ainda desmistificar os fenômenos do Joaseiro e acusando ainda mais José Marrocos como o falsário e embusteiro. Neste ano o longo artigo, Apostolado do Embuste, saiu pela revista Itaytera e o seu autor fez a publicação de numerosos exemplares em opúsculo. Indignado com a atitude medíocre do historiador, Pe. Azarias escreve e publica Em Defesa de um Abolicionista (II). A polêmica continuou em bastidores por longos anos. Até a festa do cinqüentenário de Juazeiro, em 1961, foi abalada por novo e virulento artigo deste grupo de caririenses que orquestravam, intelectualmente, a destruição do Juazeiro e do Pe. Cícero. Nesses outros tempos, o "Pe. Gomes" era outro. Agora é o Pe. Helvídio Martins Maia, ex-padre, casado, reintegrado ao sacerdócio, paroquiando Pindoretama. No jornal "A Fortaleza", uns 10 artigos publicados, abriam um novo surto da mesma virulência já reconhecida, sob o título de Pretensos Milagres do Juazeiro, posteriormente editados em livro pela Vozes, em 1974. Pe. Azarias lia aquilo tudo e em silêncio sofria muito. Em duas ocasiões tentei abordar o assunto. Propus ao Pe. Azarias procurá-lo para uma conversa. Até então não tínhamos muita certeza onde a coisa ia desaguar. Não aceitou a sugestão, desaprovando a conversa. Mesmo assim, procurei o Pe. Helvídio, tendo conversado com ele em 15 de julho de 1971. Eu havia escrito alguns trabalhos no ano anterior para um jornalzinho de Juazeiro, editado por Wellington Amorim. Trabalhando com os documentos encontrados, dei o título de Pretensos Milagres do Juazeiro. Helvídio não gostou nem um pouco que tivesse usado este título e para ele o havia "roubado" de sua futura e pretensiosa obra. Naquele momento, os capítulos apresentados eram análises de documentos fotocopiados e devidamente autenticados pelo bispo D. Vicente de Paulo Araújo Matos. Eram peças do processo, sobretudo da 2ª Comissão chefiada pelo indigesto Mons. Antonio Alexandrino de Alencar. Uma semana depois de nossa conversa, comuniquei, em detalhes, tudo que havíamos tratado. Tive de amargar a completa desaprovação pela iniciativa. Ele achava, e de fato isto se confirmou, que o Pe. Helvídio era uma reedição péssima da catilinária de Pe.Antonio Gomes de Araújo, de Otacílio Anselmo e Silva, de Nertan Macedo de Alcântara, e de outros que se articularam com este intento. Na verdade, aí pelos anos 50, partiria desta gente a decisão de elaborar uma obra que acabasse de vez com o "mito", e por via de conseqüência, com o Juazeiro. O modo era um relato de uma "realidade" vista friamente através de documentos que suportariam análises exaustivas, cheias de ilações que se confrontariam, mais tarde, como equivocadas em boa parte. Mas, o propósito era este mesmo. Exatamente isto aconteceu, conforme me foi confirmado recentemente por um dos antigos articulistas da revista A Província. No número 25, que acaba de sair, com data de 2007, seu editor registra com deselegância, a propósito destas questões, a expressão “...a teimosia do Juazeiro em forçar a reabilitação e canonização do Pe. Cícero...”, exatamente ao comentar o artigo de D. Fernando. O ranço continua e é lamentável que estejamos falando da terra do Santo. Em 1971 já estávamos organizando a 2ª exposição fotográfica do Juazeiro Antigo, e o Pe. Azarias colaborava emprestando fotos e facilitando a obtenção de outras entre instituições e famílias. Levei diversas vezes ao seu conhecimento o nosso desgosto pela forma como vinha sendo tratado o patrimônio histórico de Juazeiro e o pouco caso do poder público, no que, quase me consolando, citava Siqueira Campos: À pátria nada se nega,
À pátria tudo se dá.
À pátria nada se pede,
Nem mesmo a compreensão.
Homem de profundas convicções religiosas, Pe. Azarias tinha uma fé inabalável nos desígnios da Providência. Acreditava que por tais desígnios, sua vida chegara a tanto. Lembrava sempre uma mocidade de saúde precária que não lhe projetaria aos anos 70. Suas orações diárias e o inseparável breviário, companheiro até de pequenos passeios, eram o memento sagrado da sua renovação e do sustento espiritual de sua vida. Sete padres, seus irmãos no ministério - como mencionava, mereciam um cuidado especial. Disse-me algumas vezes e guardei-lhes os nomes: Pe. Cícero Romão Batista, D. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, Pe. Vicente Sóther de Alencar, Pe. Joaquim Sóther de Alencar, Mons. Francisco Rodrigues Monteiro, Pe. Guilherme Vaessen e Pe. Plácido de Oliveira. Essa lembrança diária, em suas orações, era edificante e bem revelava seu espírito elevado, de homem de Deus. Quando foi nomeado Monsenhor, em 19 de Março de 1973, dia do padroeiro do Ceará – São José, fui cumprimentá-lo logo à saída da missa. Dizia-me que só tinha pensado mesmo em ser um bom padre, numa paroquiazinha do interior, como fora no Aracati, em Milagres e noutras paragens. Sua casa era, permanentemente, um recanto de acolhimento de gente amiga, vinda dessas diversas cidades onde residira. Ali conheci admiráveis sertanejos simples, que Azarias não se cansava de classificá-los como "Santos homens de Deus", "homens de bem" e por aí. Certamente porque deles ouvira, muitas vezes, os relatos de suas vidas que indicavam os caminhos do bem, do servir ao próximo, Gente de palavra, de fortes convicções, Gente de fibra, como era Azarias Sobreira. Quando faleceu em 14 de junho de 1974, eu estava no Cariri, e não lhe assisti nos últimos momentos como desejara sempre, vendo que o agravamento do seu estado de saúde nos levaria a este desenlace. Visitei-o uma única vez no hospital, e saí desolado. A notícia veio pelo rádio. Aconteceu e foi profundamente triste. De lá para cá, duas ou três vezes ao ano, vou ao seu túmulo onde me aguardam essas lembranças, sobretudo, as mais felizes daqueles quatro anos de amizade. Nunca duvidei que haveríamos de ter mais um santo a interceder por todos nós.
Para abrir espaço para as celebrações que desejamos realizar para lembrar essa grande figura do cleo cearense, na manhã de hoje haverá uma missa em Ação de Graças, na Basílica, às 9 horas e que será também transmitida na WebTv. Como parte das celebrações, diversas homenagens serão prestadas ao Mons. Azarias Sobreira, ao tempo em que tratamos de cataslogar a sua correspondência, bem como de tratar da iniciativa de criar o Instituto Mons. Azarias Sobreira Lobo, com o qual se pretende realizar um amplo trabalho de ação cultural e social. No Memorial Padre Cícero, em data a ser divulgada, acontecerá uma exposição sobre o homenageado, dispondo de documentos, fotografias, livros e objetos.   

BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! (76) Por Renato Casimiro
JOAZEIRO: CEM ANOS ATRÁS (1917): Recorro a uma velha publicação, o Almanak Laemmert, anuário que era editado no Rio de Janeiro, de grande conceito desde 1839, para ali encontrar preciosas informações sobre Joazeiro, no ano de 1917, então município e villa, pertencente à Comarca do Crato. Interessante observar que em data tão próxima à sua emancipação, sua superfície territorial era de 72 quilômetros quadrados (hoje temos aproximadamente 248,832km2). Revendo outras publicações, os números oscilam bastante, pois já encontramos registrados dados (confiáveis, ou não), valores de 304 (em 1945) e 219 (em 1987). Na agricultura, destacávamos com as culturas de cana de açúcar, algodão, borracha de maniçoba e também se plantava fumo. Eram considerados agricultores e lavradores: Antonio Dias Ferreira, Pe. Cícero Romão Baptista, Damião Ferreira dos Santos, Cel. Francisco Nery da Costa Morato, João Bezerra de Menezes, João Francisco Gonçalves, Joaquim Bezerra de Menezes e Nazário Furtado Landim. Os criadores, especialmente de bovinos eram: Pe. Cícero, João Bezerra, João José Moreira, Joaquim Bezerra e Joaquim Ferreira de Sá. E a população girava ao redor de 25.000 habitantes. Nossa imprensa dispunha de dois periódicos: O Recato e O Mensageiro. A repartição dos Correios & Telégrafos tinha dois encarregados: Pelúsio Correia de Macedo (telegrafista) e Generosa Bezerra de Menezes (Agente), além de dois estafetas (Pedro Belmiro de Menezes e Francisco Bastos da Silva). A Justiça Federal estava a cargo de um suplente de juiz seccional, João Duarte Pinheiro. A administração pública municipal tinha como intendente (prefeito) o Pe. Cícero Romão Baptista. A intendência dispunha de um secretário (Severino Pires de Brito), fiscais (Sebastião Marques dos Santos, pai do jornalista Lourival de Melo Marques; João Casimiro Piancó; João Cyriaco dos Santos e Quintino Alves Feitosa). O porteiro da Intendência era Leandro Bezerra de Menezes Sobrinho, mas a repartição não tinha nem procurador, nem tesoureiro. A Câmara Municipal, ou melhor, o Conselho Municipal, era presidido por Francisco da Cruz Neves, e os vereadores eram: tenente-coronel Fenelon Gonçalves Pita (pai do futuro prefeito Antonio Gonçalves Pita); tenente-coronel José Eleuthério de Figueiredo; major Raymundo Nonato de Oliveira (Natim) (bisavô do atual governador do Ceará, Camilo Sobreira de Santana); major Manoel Victorino da Silva; major Fausto da Costa Guimarães (secretário do Pe. Cícero); capitão João Bezerra de Menezes (ex-prefeito); tenente-coronel Cincinato José da Silva. A administração Judiciária estava a cargo de juízes substitutos: Pedro Fernandes Coutinho e Deomedes de Siqueira Passos; O adjunto de Promotor era Severino Pires de Brito. O Tabelião do 1º Ofício era Vicente Pereira da Silva e contava com os seguintes oficiais de justiça: Fausto Secundo de Sá e Moysés Firmino de Maria. Consta que mesmo dispondo de um distrito policial, o cargo de Delegado na administração policial estava vago. A Instrução Pública funcionava com a inspectoria de Francisco Alencar Landim, e eram professoras na época: Josepha de Alcântara Leite, Maria Luiza Landim, Angélica Soares da Silva (futura senhora Luciano Teophilo de Melo), Conceição Esmeraldo da Silva (sra. Sebastião Marques da Silva), Donata Bezerra de Araújo e Maria Christina de Castro. Na instrução particular havia os estabelecimentos do major Guilherme Moreira de Maria e de Miguel Ferreira. Na Coletoria Estadual, o titular era o coronel Francisco Nery da Costa Morato (pai de meu amigo Francisco Neri Filho) e o escrivão era Ananias Eleuthério de Figueiredo (filho de José Eleuthério e pai de Edite Viana). Consta, embora erradamente, que a Capela de Nossa Senhora das Dores estava sem titular. Na verdade, já havia a primeira paróquia, desde 21.01.1917, cujo vigário era Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves. Vejamos as atividades produtivas do município e os seus líderes, em comércio, indústria e profissões. Havia fábricas de descaroçar algodão de propriedade de Pe. Cícero Romão Baptista, Joaquim Bezerra de Menezes, Raymundo Cesário da Silva e Theodomiro Ramalho & Cia. Tinha Engenhos de açúcar e rapadura, de Abel Sobreira, Antonio Dias Ferreira, Antonio Felix, Antonio Leôncio, Pe. Cícero Romão Baptista, Cel. Francisco Nery, Hermínio Gomes, João Bezerra de Menezes, Manoel Dantas de Araújo, Ramalho & Cia., e viúva Sobreira da Cruz. Eram comerciantes de tecidos: Aristides de Andrade, Dorotheu Sobreira da Cruz, Fenelon Pita, João Baptista de Oliveira, João Victorino da Silva, Joaquim de Paulo e Silva, José Eleuthério de Figueiredo, José Ferreira de Souza, José Pereira da Silva, Ladislau de Arruda Campos, Manoel Victorino da Silva, Nazário Furtado Landim, Ramalho & Rangel e Umbelina Silva & Cia. Eram proprietários de barbearias: Antonio José de Mello, Firmino Ignácio Rodrigues, Galdino Antonio dos Santos (esse muito conhecido de minha geração, tendo conhecido ainda ativo, com seu Salão Alagoano, na Praça Pe. Cícero, antes na Rua São Pedro, depois na Rua São Francisco), José Domingos, José Gomes, José Martins, Manoel Furtado landim, Pedro Fernandes e Vicente Francisco Gonçalves. Como carpinteiros, no fabrico de móveis e serviços gerais em madeiras, eram: Antonio Felippe de Oliveira, Antonio José de Mello, João Calixto dos Santos, João Thomaz da Silva, Manoel Virginio de Oliveira, e Militão da Costa Duarte. Os ferreiros de então eram: Antonio Campos, Antonio Guerra, João Domingos, Manoel Honorato, Salviano Rodrigues e Serapião Bispo dos Reis. Os funileiros eram: Caetano Souza, João Antonio Furtado, Pedro Belmiro Maia, Pedro Fernandes Coutinho (aliás, uma peça extraordinária que ele realizou foi a maquete da Igreja do Horto, que ainda hoje se encontra no Museu Pe. Cícero, na Rua São José) e Vicente Francisco Gonçalves. Os ourives, para uma cidade que se diz que teve mais de mil, ainda eram poucos: José Gomes da Silva, Olympio Josino Oliveira, Raymundo Nunes Branco, Vicente Ferrer de Oliveira e Vicente Mattos e Silva. Pedreiros não eram muitos: Antonio Duvirge (Edwirge), Antonio Nivardo Maciel, Domingo Porphirio, José Simão, Mamede Salomão de Lima, Manoel da Costa e Simão Francisco das Chagas. Já havia algumas farmácias, como as de: Dr. Isidro Moreira S. de Oliveira, José Geraldo da Silva, José Sebastião de Carvalho e Luiz Costa e Lima. Dentre os fabricantes de calçados, os sapateiros eram: Francisco Domingos, Irineo Cabral de Oliveira, Joaquim Sobral, José Batista da Silva, José Bento, José Luiz, José Mendes, José Pinheiro, José de Sequeira brito, Mariano dos Santos e Theodoro Francisco Bezerra. O comércio de gêneros alimentícios era mais conhecido como de Secos e Molhados e eram a maioria dos estabelecimentos, das propriedades de: Alexandre Furtado Landim, Antonio Santino de Oliveira, Antonio Salu, Antonio Thimóteo dos Nascimento Flor (o pai do Pe. José Jesu Flor, e da professora Neném Flor), Artur Ramos de Vasconcelos, Aureliano Pereira da Silva (a mais típica figura de romeiro do Juazeiro, biografado por Geraldo Menezes Barbosa), Damião Pereira da Silva (mais conhecido por Damiãozinho, o que tinha a propriedade mais conhecida como Coqueiros de Damiãozinho, além da Boca das Cobras), Domingos Gomes da Silva, Fausto da Costa Guimarães, Firmino Teixeira Lima (figura que conheci com sua bodega extraordinária para a minha lembrança, na Rua São José, esquina de São Francisco), Ignácio Rodrigues, João Antonio Furtado, João Corrêa de Lima, João Francisco Gonçalves, João Leocádio da Silva, João de Moura Lima, João Paulo, João Severino Leite, José Batista da Silva, José Evangelista de Sant´Anna, José Gomes Sobrinho, Josias da Franca (esse chegou a ser delegado de polícia e o fundador do Tiro de Guerra da cidade, onde se prestava serviço militar até os anos 70), Lúcio Barbosa & Cia., Manoel Carneiro da Motta, Possidônio Silva de Almeida, Raymundo André de Sá Barreto e Pedro Cabral de Oliveira (esse, pai de Lauro Cabral de Oliveira, fotógrafo excepcional, que eu ainda conheci, vivendo seus últimos dias em Fortaleza, o homem que fotografou Lampião em Juazeiro, em 1926. Bom Dia!

BOA TARDE!
A partir dessa publicação, dou continuidade à divulgação nesta página das pequenas crônicas com as quais semanalmente estarei prestando minha modesta homenagem a gente de destaque pelo trabalho em favor de Juazeiro do Norte, independentemente se isso também receber alguma guarida em algum órgão da imprensa impressa, radiofônica, televisiva ou midiática.
254: (19.04.2017) Boa Tarde para Você, José Leite de Souza.
Seguramente, você bem sabe da enorme alegria que vários juazeirenses, como eu, Zé Leite, sentimos ao reencontrá-lo em visita costumeira a esse seu amado chão do Juazeiro, como é do seu hábito, deixando a sua Ilhéus adotiva, em gesto tão típico desses nossos conterrâneos expatriados. Uma graça, para mim, pelo menos, que de tão pouco lhe conheço, não esquecendo aquela manhã festiva em tempo de celebração do nosso primeiro centenário, quando coordenando luzida comitiva de baianos, com bispo, prefeito e gente notável, aqui aportou para abrilhantar a festa. De quebra, ainda legou ao nosso espaço urbano a merecida, embora por uns questionada, homenagem ao general Dr. Floro Bartholomeu da Costa, esse elo comum entre caririenses e baianos, traduzida pelo fincamento de um monumento em via pública, na antiga Rua Nova. Aprendi por esses seis últimos anos, José Leite, que isso é uma marca indelével de sua alegria de viver, dessa honorária condição de nosso grande embaixador que não se cansa de estar realizando alguma coisa que traduza esse entusiasmo constante pelo nosso desenvolvimento e bem estar. Então, mais uma vez, ocorre-me o dever civilizado de saudá-lo por essa mania, e desculpe-me ao fazê-lo à moda irreverente, e bem humorada, tão ao gosto de sua convivência, onde de tudo se ri um pouco e se tem sempre uma boa tirada de espírito leve e solto à margem do sisudo da vida. Revi-o por esses dias, entre a reza dominical na Basílica e o refresco da Praça Pe. Cícero, para nos trazer a lembrança desse esforço continuado pela completa reabilitação do Padre Cícero, a se realizar com gesto mais completo, pelo menos com a proclamação desse servo de Deus. Com o respeito que lhe devotamos, assimilamos a sua postura de grande insatisfação, ainda, pelo fato de que aquela carta do cardeal Pietro Parolin, em nome de Sua Santidade Francisco é ainda pouco para o nosso esperado e a exigir ainda mais da Santa Sé para uma solução da causa. A tirar por declaração dita aqui na Diocese, não se constitui novidade que o Santo Padre tenha dito que ainda deverá fazer muito mais por essa alma intranquila, à espera do que ele mesmo disse e reafirmou, de que a sua própria Igreja seria capaz de reabilitá-lo, um dia, se bem tão demorado. Mas a mansidão e a serenidade que nos deixou o Patriarca ao partir naquele 20 de Julho de 1934 parece ainda persistir no íntimo coração de seus romeiros, de modo que prevalece a esperança, muito mais que a indignação e a convulsão por desafio tão longevo às suas expectativas. Nisso, Zé Leite, ainda parece residir a grande diferença entre essas posturas, a lembrar os rótulos tão bem aplicados por Ralph della Cava, os de filhos da terra e de adventícios, aqueles mais intolerantes, esses aparentemente mais apáticos, muito mais crentes na santidade de seu santo. Fato novo, desses dias pós Quaresma, com seu testemunho ocular, presença e fala, é a iniciativa de uma frente parlamentar, gesto coordenado por políticos, no sentido de continuar a sensibilização, não se deixando de lado o que até parece ser, o de produzir uma atitude de pressão popular. Evidentemente, e bem imaginávamos, por descrença, apatia e desobediência, aí não formaria qualquer eminência eclesiástica solidária ao movimento, como se a denotar antecipado as sábias palavras da escritura, para continuar separando o que é de César e o que é de Deus. Assim segue, por braços generosos, por mentes saudáveis como essa sua, José Leite, que nos traz frequentemente lembretes impressos, distribuindo com simpatia por entre praças e ruas movimentadas, reavivando a necessária luta e renovando a esperança para se obter, seja lá como for, contanto que seja breve, para desfazer o velho nó de que um dia “Roma locuta, causa finita”.  Quero crer que por vezes ainda nos parece presentes os ranços inquisitoriais que impregnavam o clima e as emoções da época, relembrando o que figuras notáveis do clero cearense que, por incrível que pareça, não deixaram de manifestar sua descrença nos milagres, alegando que “Nosso Senhor Jesus Cristo não deixaria a Europa para operar milagre no miserável lugar do Joaseiro.”  Incrível é imaginar que uma frase dessas tenha nos trazido tanto desconforto espiritual, a ponto de realçar a nossa indignação por mais de cem anos, sem nos arrefecer a mais funda convicção. Nem eu nem você, Jose Leite de Souza, acreditamos nisso, pois se de tudo ficou uma grande lição, sem dúvida foi aquela com a qual nos convencemos que, de fato, aqui Juazeiro do Norte foi o grande milagre de Nosso Senhor Jesus Cristo e o nosso Santo Padrinho foi o seu maior servo.

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE CAFÉ VOLANTE (MISSÃO VELHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Missão Velha (Auditório do Centro Social Urbano, CSU), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 27, quinta feira, às 19 horas, o filme O VENCEDOR (The Fighter, EUA, 2010, 115min). Direção de David O. Russell. Sinopse: 1993. Dicky Ecklund (Christian Bale) teve seu auge ao enfrentar o campeão mundial Sugar Ray Leonard em uma luta de boxe, colocando a pequena cidade de Lowell no mapa. Até hoje ele vive desta fama, apesar de ter desperdiçado a carreira devido às drogas. Micky Ward (Mark Wahlberg), seu irmão, tenta agora a sorte no mundo do boxe, sendo treinado por Dicky e empresariado por Alice (Melissa Leo), sua mãe. Só que a família sempre o coloca em segundo plano em relação a Dicky, o que impede que Micky consiga ascender no esporte. A situação muda quando ele passa a namorar Charlene Fleming (Amy Adams), que o incentiva a deixar a influência familiar e tratar a carreira de forma mais profissional.  

CINE CAFÉ VOLANTE (FAMED, BARBALHA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Barbalha (Auditório da Faculdade de Medicina), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 28, sexta feira, às 19 horas, o filme MEU PÉ ESQUERDO (My Left Foot, Inglaterra, 1989, 103min). Direção de Jim Sheridan. Sinopse: Christy Brown nasceu em 5 de junho de 1932 e faleceu em 7 de setembro de 1981. De nacionalidade irlandesa, foi escritor, artista plástico e poeta, autor do livro que se chama My Left Foot (Meu Pé Esquerdo) e que deu origem ao filme de mesmo nome. Casou-se com sua enfermeira, Mary Car, em 5 de outubro de 1972. O filme relata as dificuldades vividas por Christy. Ele que nasceu com deficiência física e paralisia cerebral, o que lhe impedia de movimentar praticamente todo o seu corpo, exceto seu pé esquerdo. Ele conseguiu superar diversos obstáculos como o preconceito, o desrespeito, o descrédito social, além dos problemas familiares como um pai extremamente autoritário e incompreensível (Sr. Paddy), que o julgava como estorvo, uma dificuldade a mais em sua existência. Sua mãe era carinhosa (Sra. Bridget) e, com muito amor e esperança, lhe ensinou o alfabeto e motivou na busca pela superação de seus limites. Esforçou-se na economia para a compra de uma cadeira de rodas, chegando a fazer a família passar frio por falta de carvão no inverno e a se alimentar precariamente para cumprir esse objetivo. Ela confiava que ele poderia encontrar soluções pessoais para as suas eventuais dificuldades. Ao lado de seus 13 irmãos buscava incluí-lo nas atividades de recreação, tanto quanto possível. Mesmo com a atrofia de um dos membros e da paralisia cerebral, Christy, usando seu pé esquerdo, fez os seus primeiros rabiscos num pequeno quadro negro que tinha no chão de sua casa. Sua mãe conheceu a Dra. Eileen Cole, que era especialista em paralisia cerebral. Ela convidou Christy a freqüentar sua clinica na cidade de Dublin. Ele não se adaptou por ser tratado como criança. Mas resolveu aceitar a ajuda da médica que, com uso de técnica da logopedia, fez com que ele pronuncie melhor as palavras (até então só sua mãe o entedia). Com todos esses avanços ele alcançou o reconhecimento de sua família e notáveis realizações na arte e na literatura. Percorreu uma fascinante trajetória de vida, conseguindo vencer vários obstáculos com a ajuda de sua mãe e irmãos. Foi capaz de se auto-sustentar e sustentar sua família. A história de Christy é um convite à reflexão e conscientização, pois nos ajuda a compreender as dificuldades e as necessidades de quem tem algum tipo de deficiência, nos convidando ao respeito e alteridade dos deficientes.

CINE CAFÉ VOLANTE (NOVA OLINDA)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, promove sessões semanais de cinema no seu Cine Café, na cidade de Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 28, sexta feira, às 19 horas, o filme A VIDA É BELA (La Vita é Bella, Italia, 1997, 116min). Direção de Roberto Benigni. Sinopse: Em 1938, na região italiana da Toscânia, o simpático judeu Guido apaixona-se por Dora, um professora que está noiva de um funcionário local. Guido, porém, não desiste até ao momento do casamento de Dora que acaba por fugir, em plena cerimónia, com o seu "delicioso cavaleiro andante". Durante cinco anos vivem felizes na companhia do seu delicioso filho Giosuè até que as medidas de perseguição e detenção aos judeus são implementadas na Itália. Guido e Giosuè são deportados para um campo de concentração e Dora decide acompanhá-los. Pai e filho ficam juntos e durante todo o tempo de prisão Guido, de forma engenhosa e com o auxílio dos outros prisioneiros, convence o garoto que estão num campo de férias a jogar um longo e emocionante jogo. Guido consegue transformar cada momento de humilhação, repressão e violência em hábeis situações do suposto jogo em que o garoto vai participando divertido. Finalmente, já perto do fim, Guido morre para salvar o filho, que se reune à mãe no dia da Libertação. "A Vida é Bela" foi um dos mais estrondosos sucessos do cinema italiano dos últimos anos, que comoveu e divertiu o mundo com uma incrível história dramática contada em tom de fábula cómica sobre o Holocausto. Foi igualmente, a consagração mundial do talentoso comediante e cineasta italiano Roberto Benigni, que com este magnífico trabalho conquistaria inúmeros prémios, entre eles o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes e três Oscares da Academia de Hollywood, para ele próprio como Melhor Ator, para Melhor Filme de Língua Estrangeira e para a Melhor Banda Sonora. Apesar da polémica que suscitou ao abordar em tom de farsa a tragédia do genocídio dos judeus às mãos do Fascismo, Benigni conseguiu o prodígio de criar momentos delirantes de contagiante humor sem nunca perder quer o tom de fábula amarga quer a evocação brutal do Holocausto, em toda a sua extensão de perversidade sanguinária. Tudo isto num filme exemplarmente escrito, realizado e interpretado, dominado pela presença de Benigni que produziu um dos mais belos, divertidos e comoventes hinos de sempre à vida, à liberdade e ao amor.

CINE CAFÉ (CCBNB, JN)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 29, sábado, às 17:30 horas, o filme MELHOR É IMPOSSÍVEL (As Good as it Gets, EUA, 1997, 139min). Direção de James L. Brooks. Sinopse: Melvin UdalL (Jack Nicholson) é um escritor de romances de sucesso em NY. Ele é racista, homofóbico, anti-semita, e misantropo. Sofre de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), que aliado à sua misantropia, o isola de seus vizinhos e de qualquer outra pessoa em seu apartamento em Manhattan. Come todos os dias na mesma mesa do mesmo restaurante usando talheres descartáveis que ele mesmo leva consigo. Ele se interessa pela garçonete Carol Connelly (Helen Hunt), a única funcionária do restaurante que tolera seu comportamento abusivo. Um dia, um vizinho de Melvin, o artista plástico homossexual Simon Bishop (Greg Kinnear) é internado em um hospital por causa de um assalto à sua casa. Melvin é forçado a cuidar de Verdell, o cachorro de Simon. Apesar de Melvin odiar o cachorro, ele acaba criando laços de amizade com o animal à medida em que começa a ganhar mais atenção da garçonete. Suas vidas começam a se misturar a partir da volta de Simon do hospital.

BIENAL DO LIVRO
Nesse fim de semana está sendo encerrada em Fortaleza mais uma Bienal do Livro com intensa programação. De olho nos eventos incluídos na programação, constatamos uma expressiva representação caririense em discussões, palestras, mesas redondas, lançamentos de livros, etc. Isso é ótimo. São pessoas ligadas ao meio universitário, xilógrafos, cordelistas, estudantes e intelectuais. Repassando rapidamente o olho nessa programação, constatamos os seguintes eventos: 1) O lançamento de um novo livro do juazeirense Alberto Farias, com o título de Por que?; 2) 19h - Lançamento de 15 títulos da Coleção Terra Bárbara (Edições Demócrito Rocha): perfis e personalidades cearenses cujas trajetórias traduzem e compõem histórias do Ceará, como por exemplo D. Mocinha (Joana Tertulina de Jesus), além de outras reedições como Pe. Cícero e Mestre Noza; 3) Diversos lançamentos de cordéias sobre Seu Lunga; 4) Diversos lançamentos de cordéis de Hamurabi Batista, com os títulos: A história da África, A dívida pública e Mitologia indígena brasileira.