segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016


BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
215: (10.02.2016) Boa Tarde para Você, José Galvão de Oliveira
No ano passado, em 9 de março, uma tardinha num auditório no Crato, em audiência com o ministro da Cultura, eu me assustei, e isto não me sai do juízo, quando um camarada esquisito se levantou para protestar sobre as enormes dificuldades da sobrevivência dos artistas locais. Foi a primeira vez que o vi de perto, José Galvão – Galvão do Juazeiro, bradando alto, forte e seguro, para que os recursos financeiros chegassem aos Pontos de Cultura, como única forma de reverter este estado de penúria, nesta nossa indigente e mendicante cultura regional. Quero, afinal, dizer-lhe que a surpresa daquele momento não foi exatamente pelo seu tipo, pelo que sua pessoa física demonstra, sertanejo forte e bravo, senão pela forma autêntica e contundente como você se propõe estar na linha de frente desta defesa intransigente pelo valor de suas ideias. Felizmente, se pôde ouvir ali, na sensibilidade do ministro, que os Pontos de Cultura são importantes para o reconhecimento da criatividade e do protagonismo social de instituições nacionais, para, enfim, contribuir para o fortalecimento cultural do país. O pronunciamento oficial acalmou a situação naquele momento, embora creia eu, que por conta do que lhe ouvi aqui noutro dia, nesta emissora, neste Jornal, você continua “brabo”, a propósito de que entre o verbo, o verso e o vil metal há distâncias continentais e os governos são os mesmos. Numa coisa, Galvão, declaro minha admiração a você, figura quixotesca da cultura regional, determinado a plantar aqui um Museu do Sertão, na sua propriedade da Vila Carité, sem um vintém de dinheiro público, qual esmoler itinerante, mendigando muito mais atenção que moedas. Pode não parecer, pois temos estratégias bem diferentes, mas as minhas aspirações guardam pequena distância com seus ideais de homem que pensa a memória de sua gente e a preservação de suas tradições através do tombamento, da preservação e da exposição de bens culturais importantes. Nos últimos cinquenta anos eu pesquisei e reuni uma quantidade enorme de mais de duas dezenas de categorias de objetos que reconhecidamente servem ao propósito da permanência da memória e isto poderia configurar pelo menos três equipamentos museais na mídia, na história e nas artes. No caso do seu pretendido Museu do Sertão, Galvão, não resta qualquer dúvida no fato de que você exorbitou admiravelmente no hábito de colecionar para preservar, na intensão de transferir este acervo para a sociedade que, a rigor, muito pouco disto reconhece como bem da humanidade. Lamentavelmente, este nosso Cariri, a partir mesmo do nosso CRAJUBAR, tem uma pequena convivência com esta atividade, embora se reconheça que dela seja tão carente, pois nossas cidades tem tristes histórias com respeito aos seus museus, entre os poucos que existem, “pobres de espírito”, os fechados pela irresponsabilidade, e os que ainda nem saíram do papel, pelo descaso. Destaco, Galvão, a figura de outro Quixote do nosso meio, em parte assemelhado a você, o cidadão Alemberg Quindins, que tanto admiro e tem feito coisas extraordinárias em pequenos museus que está projetando e executando, entre o significado e as tradições do couro, do algodão e do ferro. Seria bom que você o ouvisse, não para baratear seus custos intransferíveis, mas porque tenho certeza que ele agregaria ao seu propósito alguns elementos fundamentais na luta por uma instituição como esta que você pretende e para a qual já perdeu tanto suor e sangue. Oficialmente, ainda muito pouco, mas é animador, reconheçamos, o que tem sido objeto de uma atenção oficial, de governos, como o que já aconteceu em setembro passado na proclamação e registro da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha, no patrimônio do Brasil. Agora, o IPHAN se volta para Juazeiro do Norte, desejando fazer um registro semelhante, dos lugares sagrado das romarias, em reconhecimento ao natural inventário de locais considerados como patrimônio da cultura nacional, imaterial ou material será definido pela comunidade e pelo próprio romeiro, principal protagonista do processo. Essa sua luta, Galvão do Juazeiro, deve ser a nossa também, de cada um dos que aqui estão e tem uma relação íntima com o que Guimarães Rosa já dizia, no “ser tão sertão”, que é para continuar fazendo história e contando esta mesma história para o mundo. Ora, se você mesmo nos diz que o Cariri que te abriga e até te maltrata é uma banda do mundo, o que não seria por este Museu do Sertão contar a história do Cariri para este outro resto de mundo?
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 10.02.2016)

BOA TARDE (II)
216: (12.02.2016) Boa Tarde para Você, Pedro Andrade
No dia de hoje haveremos de lembrar, na memória, no respeito e nas orações, os setenta anos do falecimento do beato José Lourenço Gomes da Silva, paraibano nascido em Pilões, em 12 de janeiro de 1872, notável figura histórica que chegou aqui no Juazeiro por volta de 1890. Em atenção ao seu convite, Pedro Andrade, em nome da ONG Beato José Lourenço, estarei ao lado de muitos outros convidados na missa que será celebrada para reverenciar o líder e todos os outros grandes heróis do Caldeirão, logo mais às 17 horas na Capela do Perpétuo Socorro. Como parte deste momento tão importante, é digno de menção a sensível homenagem que também será prestada a dez personalidades que contribuem para a cultura regional: Alice Alves de Araújo (remanescente do Caldeirão); Célia Camelo de Sousa (pedagoga e pesquisadora da UFC); João Hilário Coelho Correia (radialista e professor); José Bernardo da Silva Neto (jornalista da Folha de Juazeiro); José Carlos dos Santos (professor); José Roberto dos Santos Júnior (historiador e pesquisador); Leandro da Silva Freire (jornalista e responsável pelo Projeto Caldeirão Vivo); Maria Loureto de Lima (professora e coordenadora pedagógica da Universidade Patativa do Assaré); Raimundo Antonio de Macedo (médico e político) e a Universidade Patativa do Assaré (Instituição de ensino que atua no resgate e na promoção da cultura local). É desnecessário dizer, Pedro, mas Caldeirão está vivo, Zé Lourenço está vivo e estão vivos todos os ideais que fizeram a ideologia que sustentou esta experiência fascinante, permanentemente redescoberta segundo novos olhares, como os da Academia que hoje a enxerga menos rançosa. A Comunidade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto é uma das nossas riquezas históricas e culturais porque sua trajetória ainda se nos apresenta plena, e cada mais fortalecida pelo heroísmo e pela trajetória redescoberta na narrativa de seus remanescentes. Essa riqueza, Pedro, na contemporaneidade é mais referendada quando a literatura popular não esquece o Caldeirão, Zé Lourenço e seu povo, como o fez meu amigo Jairo Costa no Rio de Janeiro, recentemente em sua primeira produção de literatura de cordel. Essa riqueza, na atualidade é avalizada pela transposição mais popular na festa carnavalesca, levando o Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraiso do Tuiuti a vencer com seu enredo, “A Farra do Boi”, o desfile que levou a Escola para o grupo especial do Rio de Janeiro. Essa riqueza nos dias atuais continua sendo vista quando a inteligência sensível deste pais, como a que representa Antonio Máspoli de Araújo Gomes, professor da USP e da Universidade Presbiteriana Mackenzie se debruça sobre o conflito religioso do Caldeirão em belíssimo artigo. Essa riqueza atualizada e revisitada, Pedro Andrade, é fruto do seu trabalho e de tantos outros, como Mazé Sales, Renato Dantas, Regis Lopes e Gilmar de Carvalho, no resgate da memória dos que viveram as angustias do massacre e herdaram no silêncio o nosso respeito. Essa riqueza que mais e mais experimentamos é revivida a cada nova Romaria ao Caldeirão, espaço sagrado deste sentimento coletivo que nos toma para a reverência devida e para o testemunho inequívoco de um novo entendimento sobre sua realidade social. Essa riqueza fortificada como a vemos hoje em dia é parte do papel magnífico das artes como fizeram o cinema, o teatro, a literatura e as artes plásticas, emprestando cada uma sua linguagem, sua estética e seus mestres que assumiram o Caldeirão como objeto de sua luta. Essa riqueza cotidiana, Pedro, passa diariamente pelo túmulo do beato José Lourenço, nos dias mais simples pela reverência de todos aqueles que enxergaram em seus gestos concretos de vida e obra, a iluminação radiante de um autêntico servo de Deus. Num dia como este de hoje, lembrar José Lourenço Gomes da Silva, também cidadão cearense reconhecido tantos anos depois, e em sua memória, já não é um dia triste como outro qualquer. Desnecessário é dizer, Pedro Andrade, que essa riqueza esteja viva e seja palpável porque Caldeirão está vivo, Zé Lourenço está vivo, como estão vivos Severino Tavares, Eleutério Tavares, Marina Gurgel, Maria de Maio, João Silva, Henrique Ferreira, Maria Lourença, e vivos estão todos os remanescentes e seus descendentes que continuam sem medo a sua jornada pela paz. Só as víboras, Pedro, essas sim, se não morreram todas, restam poucas e já não nos fazem medo.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 12.02.2016)
COLUNA CIDADE & CIDADANIA
No Portal da Raio Padre Cícero, FM 104,9, de Juazeiro do Norte, está sendo publicada uma página semanal em que deverei continuar abordando questões de interesse de nossa cidade e de nossa cidadania. Nesta coluna estes textos serão reproduzidos, como faço agora com o segundo sobre os problemas do lixo na cidade.
O LIXO (II)
Vale a pena inserir neste segundo texto sobre o assunto que tratamos, algo que nos discipline com respeito à coleta do lixo. Para trata-lo, será inicialmente necessário revisar quais os nossos procedimentos para minimizar a geração dos resíduos sólidos. Esta é parte insubstituível da responsabilidade social que nos cabe, pois a gravidade da questão se apresenta, significativamente, pelos quantitativos produzidos, inicialmente por conta do pouco que fazemos para gerar lixo. De tudo nós fazemos lixo, às vezes desnecessariamente e, pelas limitações que o sistema de coleta tem, cronicamente, este é o primeiro impacto que se verifica. Vejamos o caso primeiro, o mais antigo tipo de resíduo produzido pela humanidade, resíduos sólidos orgânicos, restos de comidas prontas, cascas, folhas e resíduos de alimentos básicos, durante os preparos e porções deterioradas. Países e comunidades mais desenvolvidos, mas principalmente mais conscientes, procuram reduzir estes volumes a partir de procedimentos domésticos com os quais os resíduos, por exemplo, devidamente liquefeitos e diluídos vão para a rede coletora de esgoto e passam ao sistema de esgotamento sanitário e tratamento de efluentes. Cidades como esta nossa que tem uma rede coletora cobrindo uma parte expressiva desta demanda bem poderiam dispor, estimulando para que esta estratégia muito simples servisse para auxiliar o esforço pela minimização do problema. Na prática, ainda não temos a consciência deste fato, a ligação com a rede de esgoto, pois de fato não somos sensíveis à necessidade de ligar as nossas descargas ao serviço público, optando pelo caminho menos acertado, de enterrar estes resíduos e excrementos para não pagar a devida taxa pelo serviço prestado. Água potável tem o seu custo bem relevado na atualidade pelas dificuldades de se manter mananciais em clima de crise climatérica e os problemas acelerados pela demanda crescente por parte da população. Mas, convenhamos, quando ela nos falta, tais são os transtornos que enfrentamos que por vezes concluímos que ainda é um produto barato. Muita gente não sabe que o tratamento de efluente é bem mais dispendioso, pois envolve processo bem mais demorado, instalações e procedimentos complexos. Muitos se recusam a pagar esta fatura sob o argumento de que aplicar a mesma tarifa do tratamento e serviço de distribuição de água à coleta de esgoto é algo extorsivo, incoerente, inconsistente. No geral, nossa postura mais direta é ensacar o resíduo sólido, nem sempre satisfatoriamente, e despachar para a coleta pública, às vezes incerta em dia e horário, de modo que aquele resíduo entra em putrefação e é objeto de manejo por catadores em busca de restos de alimentos ou de algo mais valioso que possa gerar renda. Enfim, um aspecto horroroso da miséria que existe nos centros urbanos. Junte-se a isto a presença de animais que fuçam estes depósitos, rasgam invólucros e espalham pela via pública aquilo que nem gostaríamos de ver em nossas portas. A segunda questão deste nosso esforço mínimo é o acondicionamento do lixo que produzimos, hoje quase todo acomodado em sacolas plásticas, a maior parte advinda das embalagens dos supermercados, a despeito do grande protesto que isto tem motivado pelo galopante crescimento do acumulado lixo plástico, especialmente em ambientes aquáticos. Outrora, nosso lixo era objeto de uma coleta única, mantido em depósitos feitos de pneus velhos, recipientes de combustíveis, caixas de madeiras, etc. Entra em cena, neste momento a nossa insensibilidade de não prover a respectiva separação do lixo, como produzimos. Ora, em casa, se pode ter uma diversidade de mais de uma dezena de categorias de materiais, como vidros, metais, papeis, plásticos, madeiras, sem falar dos mais raros como lâmpadas, pilhas, baterias, lixo eletrônico, e outras coisas que já mencionamos antes. Na prática, nós não realizamos a nossa coleta seletiva, indispensável para reduzir este flagrante atropelo do acumulo imenso dos servíveis e inservíveis que terminam por complicar a vida das cidades através dos lixões. Outra coisa importante e daí de corrente é que, quando circulamos pelas ruas de Juazeiro do Norte, temos a nítida impressão que o serviço público já é incapaz de recolher tudo que se põe nas ruas. E é que não estou considerando o fato de que esta coleta apressada termina por espalhar lixo pelas ruas, deixando parte do trabalho para a varrição. A despeito da gama variada de resíduos, já seria de bom tamanho a separação entre o orgânico e o restante reciclável. Não custa nada que cada um, cada residência, cada estabelecimento gerador de lixo promova uma “campanha” de esclarecimento dentre os seus, família e empregados, no sentido de sensibiliza-los para uma melhor conduta diante do lixo gerado. Quero crer que as escolas estejam neste momento realizando algum trabalho no sentido de plantar uma nova semente pela questão ambiental. Isoladamente, especialmente pela iniciativa privada na Educação, sabemos de fatos muito concretos. Mas é importante que isto se generalize, pois se não for por mudanças de hábitos, o que nos põe em cheque diante da nossa própria cultura, nada acontecerá e o caos, de vez, se estabelecerá. Mas, felizmente, cresce aos poucos esta iniciativa de cooperativas de catadores de lixo com verdadeiros batalhões de soldados do meio ambiente, apanhando de toda a sorte, estes materiais que vão sendo colocados, até aleatoriamente, em nossas portas. Exatamente porque eles agora são parte daquilo que queremos que cresça muito: emprego e renda. E de quebra, o meio ambiente agradece penhoradamente. 
(Coluna Cidade & Cidadania, postada para www.radiopadrecicero.org.br, na data de: 10.02.2016)

PADRE MURILO (XI)
GEOVÁ SOBREIRA

O atual capítulo da História de Juazeiro exige do analista e do historiador “de oficio” cuidados especiais e uma leitura mais abrangente das mudanças em gestação na cúpula da Igreja Católica diante da imensa evasão de fiéis, perdendo espaços e adeptos para as Igrejas Pentecostais, para compreender o novo posicionamento da Diocese do Crato, liderado pelo novo bispo, Dom Fernando Panico, desde sua chegada ao Cariri no sul do Estado do Ceará A população de Juazeiro e a “família romeira” estavam, de fato, realmente extasiadas de contentamento vendo, pela primeira vez, um Bispo do Crato enaltecendo publicamente as excelsas virtudes do Padre Cícero e dedicando grande parte do seu tempo às ações da pastoral aos romeiros. Nunca se tinha visto isso antes.Como já afirmaram muitos estudiosos de diversas áreas das Ciências Humanas “Juazeiro é um mundo” e o movimento religioso popular liderado pelo Padre Cícero é um dos mais complexos e ricos movimentos de sincretismo religioso e cultural da História do Brasil. Por essa razão, a população de Juazeiro ficou surpresa com as declarações do novo bispo diocesano, que era um italiano, que ainda jovem ingressou na Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, que fez seus estudos esclesiásticos na memorável, rígida e ultraordoxa Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, reduto mais conservador dominado pela Cúria Romana e com mestrado e doutorado em Teologia Litúrgica. Dona Assunção Gonçalves disse-me entusiasmada: só um bispo estrangeiro assumiria a defesa da causa de Juazeiro. Dom Fernando Panico chegou ao Brasil, em 1974, com vigário da cidade de Pinheiro (MA), logo em seguida foi nomeado Reitor do Seminário e chanceler da Cúria Diocesana. Em 1982, foi nomeado Reitor do Seminário Interdiocesano de São Luís (MA). Naquela época, muitos membros da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) viam com muita preocupação o crescimento vertiginoso do movimento eclesial de base, influenciado e dirigido por renomados teólogos adeptos, defensores e militantes da Teologia da Libertação e por isso a CNBB se empenhava em ter, principalmente no Nordeste, bispos de sólida formação eclesiástica e com fortes laços intelectuais com a . Cúria Romana. O sacerdote Fernando Panico, ex-aluno da Pontifícia Universidade Gregoriana, ex-Reitor do Seminário Diocesano de Pinheiro (MA) e do Seminário Interdiocesano de São Luís (MA) preenchia o perfil definido pela CNBB para ocupar uma diocese no semiárido sertão nordestino onde se tornavam cada vez mais tensas as relações sociais em razão da miséria em que viviam populações inteiras atingidas por secas inclementes. Assim, em 1993, foi eleito bispo da Diocese de Oeiras (PI), com uma imensa área de mais de 15 mil km², contando, no entanto, com apenas 7 paróquiaa e 12 sacerdotes. Em 2001, nomeado Bispo do Crato Dom Fernando Panico iniciou suas atividades pastorais em uma Diocese detentora da mais dramática, rica, densa, tensa história de todas as dioceses da Igreja Católica do Brasil com centenárias cicatrizes ainda sagrando e tendo como epicentro Juazeiro, cidade santa, com seu maravilhoso e fantástico sincretismo cultural e religioso e lugar sagrado para milhões de romeiros e devotos do Padre Cícero, santo do povo e grande patriarca de todo o nordeste. Seus primeiros atos, após tomar posse como Bispo da Diocese do Crato, foi permanecer o maior tempo possível em Juazeiro, não como Visita Pastoral e sim como assumisse as funções de Vigário da Matriz de Nossa Senhora das Dores, procurando imitar os gestos e as falas do Padre Murilo, inclusive diante dos romeiros usando um surrado chapéu de palha, numa imitação grotesca do Padre Murilo. Era fácil perceber que Dom Fernando Panico estava assumindo todas as funções do Vigário de Juazeiro, desestruturando o grupo de pesquisadores e estudiosos reunido em torno do Padre Murilo e procurando pessoalmente controlar e dirigir todas as romarias. O fato mais concreto desse objetivo de Dom Fernando Panico foi afastar o Padre Murilo da Capela do Socorro, que é o centro vivo da devoção romeira e onde está o túmulo do Padre Cícero. A Capela do Socorro foi desmembrada da Paróquia de Nossa Senhora das Dores e transformada em Reitoria, ligada à Cúria Diocesana e ao Conselho Presbiterial, com status de paróquia. O desmembramento da Capela do Socorro da Matriz de Nossa Senhora das Dores e o afastamento do Padre Murilo com a nomeação do Padre Bosco Lima, como seu vigário da Capela do Socorro foi um golpe horrível e doloroso para o Padre Murilo que, a partir da posse do Padre Bosco Lima, nunca mais foi convidado sequer para celebrar uma única Missa nos dia 20 “in memoria” do Padre Cícero. Essa decisão da Diocese do Crato foi o princípio da Via Crucis do Padre Murilo depois de mais de 40 anos servindo com dedicação total à Igreja e à Diocese do Crato. Iniciava-se sua caminhada para o Calvário.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

SEU LUNGA CONTINUA VIVO
Falecido recentemente, seu Lunga continua vivo. É o que se pode dizer, sem trocadilho e gozação porque tudo aquilo que gerou a sua enorme notoriedade na mídia de nosso país continua ainda repercutindo. Noutro dia, passando pelos aeroportos do Rio de Janeiro e de Recife encontrei folhetos de cordel falando do personagem. Como este aí de Zé do Jati que já tirou diversas edições muito alentadas. Este é o seu 6º volume, falando da chegada de Lunga no Céu. Penso que isto é absolutamente normal, pois muitas pessoas ganham este status. Uma vez mortas, divinizam-se e são elevadas a esta condição de pelo menos serem recebidas por São Pedro. Acredito que ninguém vai ousar falando de uma possível chegada ou discussão de Lunga com o satanás. Mas, nunca se sabe. Deste mesmo autor, Zé do Jati, há outros 5 volumes, alguns deles já na sua edição trigésima. Também, é digno de menção a realização de um programa de tv, na Tv Verdes Mares Cariri, nas manhãs de sábados, que é finalizado quando alguém conta histórias de seu Lunga. Enfim, uma figura que ficou e assim permanecerá eterna entre nós.

COLUNA CIDADE & CIDADANIA
No Portal da Raio Padre Cícero, FM 104,9, de Juazeiro do Norte, está sendo publicada uma página semanal em que deverei continuar abordando questões de interesse de nossa cidade e de nossa cidadania. Nesta coluna estes textos serão reproduzidos, como faço agora com o primeiro sobre os problemas do lixo na cidade.

O LIXO (I)
De maneira muito sintética, entende-se por lixo os resíduos produzidos por atividades humanas que não tenham utilidade. Pode ser uma visão muito simplista para um problema complexo, uma vez que, na prática, do lixo hoje em dia muitas atividades estão gerando emprego e renda, exatamente pelo caráter da reciclagem de diversos materiais que se acumulam e se descartam como inservíveis pela população em geral. Assim, o primeiro indivíduo que habitou a terra seguramente gerou o primeiro resíduo, feito lixo, a partir de sua alimentação, atividades fisiológicas e a luta pela sobrevivência, o que não lhe servia, e que deve ter sido depositado em algum lugar, ao acaso. Estamos falando de algo que é inerente à nossa existência, fato que já deveria ter sido resolvido há milênios, mas que nos dias de hoje se configura como um problema ambiental da maior gravidade. 
Historicamente, o primeiro grande impacto nos aparece com o advento da Revolução Industrial que introduziu a diversidade na geração de resíduos sólidos à cena que antes só comportava, praticamente, os resíduos orgânicos de alimentos e excrementos. Esse foi o fato gerador que aos poucos foi incrementando complexidade a partir da acumulação de materiais diversos, como restos de alimentos, resíduos agrícolas, papel, madeira, etc, para atingir hoje coisas mais complexas como plásticos, metais, vidros, produtos químicos tóxicos, medicamentos, pilhas, baterias, tintas, lixo eletrônico, lixo industrial, lixo hospitalar e até resíduos nucleares. Lamentavelmente, ao abordar este problema, temos que mencionar o nosso grande atraso no seu enfrentamento, pois se reconhece que muito pouco tem sido feito para reduzir seus efeitos sobre as comunidades. A questão do lixo urbano é algo tão grave na sociedade que o princípio de uma ação efetiva para seu equacionamento se inicia com a nossa consciência socioecológica, o que depende fundamentalmente do nosso esclarecimento e da educação das novas gerações. Em primeiro lugar relevamos que o acúmulo e os destinos equivocados do lixo trazem implicações sérias com a disseminação de insetos e outros animais, hospedeiros de agentes etiológicos de doenças, produção de odores extremamente desagradáveis e resíduo líquido que contamina o lençol freático, poluindo nossas reservas de água potável, além da contaminação de pessoas que estão em contato com estes resíduos em degradação, para sermos bem sumários. Estas coisas, todas, aparentemente, são do nosso pleno conhecimento, mas estranhamente não são capazes de produzir um efeito importante na nossa própria conduta como gerador deste lixo. Em um grande centro como este nosso, minimizar estes impactos requer uma drástica intervenção do poder público no tocante ao disciplinamento de toda a cadeia que pode resolver o problema do destino final dos resíduos. Nesta esfera, União, Estados e Municípios, geram aparatos legislativos com normas que estabelecem procedimentos para implementar soluções básicas na contenção com respeito a coleta, reciclagem e destino final dos resíduos. Depois de muitos anos de estudos e debates há hoje uma legislação que aos poucos vai sendo aprimorada, com vistas a solução dos complexos problemas da geração e destino de resíduos sólidos. Falamos da Lei nº 12.305, de 02.08.2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em, seus termos estão preconizados “princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis.” Do corpo dessa legislação emerge o mais recente conceito sobre lixo, tecnicamente denominado de “resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d'água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível.” Segundo o Ministério do Meio Ambiente, este instrumento visa também colocar “o Brasil em patamar de igualdade aos principais países desenvolvidos no que concerne ao marco legal e inova com a inclusão de catadoras e catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis, tanto na Logística Reversa quanto na Coleta Seletiva. O Ministério também preconizou uma meta relativamente ambiciosa para alcançar o índice de reciclagem de resíduos de 20% em 2015. Ao lado deste fato, onde ficam explícitos direitos e deveres do cidadão comum, mas também de toda a sociedade, por todos os seus segmentos produtivos e geradores de resíduos, há um longo trabalho a ser concretizado a partir da escola, na vivência doméstica e comunitária, no sentido de formar uma consciência coletiva por práticas adequadas que mitiguem estes impactos do lançamento inadequado de resíduos no meio ambiente. Precisamos fortificar estes esforços para formar estas novas gerações com uma visão moderna sobre a geração de resíduos e o correto manejo no seu descarte. E isto é um trabalho longo, porque terá pela frente a mudança de comportamento, culturalmente sedimentado em séculos nos quais isto foi pouco questionado. No próximo texto vamos nos deter um pouco sobre o que deve ser o esforço da sociedade para aprimorar a sua educação ambiental de modo a formar a sua própria consciência ecológica 
(Coluna Cidade & Cidadania, postada para www.radiopadrecicero.org.br, na data de: 02.02.2016)

sábado, 30 de janeiro de 2016

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINEMARANA (SESC, CRATO)
O Cinemarana (Teatro Adalberto Vamozi, SESC, Rua André Cartaxo, 443, Crato), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 01.02, segunda feira, às 19 horas, o filme DANÇANDO NO ESCURO (Dancer in the dark). Direção de Lars von Trier.Elenco: Bjork (Selma Jezkova), Catherine Deneuve (Kathy), Vladica Kostic (Gene Jezkova), David Morse (Bill Houston), Peter Stormare (Jeff), Joel Grey (Oldrich Novy), Jean-Marc Barr (Norman), Cara Seymour (Linda Houston), Vincent Paterson (Samuel), Siobhan Fallon (Brenda), Zeljko Ivanek (advogado). Sinopse: O filme se passa nos EUA, no ano de 1964, e a protagonista é Selma Jezková (BJork)), uma imigrante tcheca que se mudou para aquele país com seu filho Gene (Vladica Kostic)). Selma aluga um trailer na propriedade do policial local Bill (David Morse) e sua esposa Linda (Clara Seymour)), onde vive muito humildemente. Para sobreviver, trabalha em uma fábrica de indústria metalúrgica pesada com sua melhor amiga Kathy (Catherine Deneuve)) e com Jeff (Peter Stormare) que quer ficar com Selma.
CINENINHO (SESC, CRATO)
O CineNINHO (Casa Ninho, do Grupo Ninho de Teatro, em frente a RFFSA, Crato), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 02.02, terça feira, às 19 horas, o filme A PELE DE VÊNUS (La Vénus a la fourrure, França/Polônia, 2013, 96min). Direção de Roman Polanski. Elenco: Emmanuelle Seigner (Vanda), Mathieu Amalric (Thomas). Sinopse: Um livro de 1870 que deu origem à história, sobre um homem que por paixão e fetiche se torna escravo de uma mulher, com direito a chicote e roupas de couro, já é notoriamente autobiográfico. O austríaco Leopold von Sacher-Masoch reproduziu em Venus im Pelz as relações de dominação que mantinha em sua vida íntima, e sua figura se tornou indissociável do elemento central da novela, o masoquismo (termo cunhado a partir do sobrenome do escritor). No filme de Polanski, adaptação ao cinema da peça off-Broadway homônima de David Ives, um diretor de teatro procura uma atriz principal para sua releitura de Venus im Pelz, e o processo também traz à tona suas idiossincrasias. No filme, Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski, vive Vanda, a atriz aspirante que aparece numa noite chuvosa no teatro onde o diretor Thomas (Mathieu Amalric) passou o dia fazendo testes com atrizes para sua montagem. Na trilha sonora lúdica de Alexandre Desplat, que neste começo de filme sugere uma premissa de terror (acompanhada dos devidos efeitos de relâmpagos na tempestade), e na câmera de Polanski, que desliza do lado de fora do teatro como um fantasma, a figura de Vanda imediatamente pode ser confundida com uma projeção: vinda dos sonhos ela invadiria o espaço de Thomas como materialização dos desejos e das fraquezas do dramaturgo.

CINEMATÓGRAPHO (SESC, JN)
O Cinematógrapho (Teatro Patativa do Assaré, SESC, Rua da Matriz, 227, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia 03.02, quarta feira, às 19 horas, o filme O MENINO E O MUNDO (Brasil, 2013, 80min). Direção de Alê Abreu.

Elenco: Alê Abreu, Vinicius Garcia, Emicida, Melissa Garcia, Nana Vasconcelos. Sinopse: Um garoto mora com o pai e a mãe, em uma pequena casa no campo. Diante da falta de trabalho, no entanto, o pai abandona o lar e parte para a cidade grande. Triste e desnorteado, o menino faz as malas, pega o trem e vai descobrir o novo mundo em que seu pai mora. Para a sua surpresa, a criança encontra uma sociedade marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspectivas.
CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 05.02, sexta feira, às 20 horas, na programação de OSCAR de Melhor Filme, o filme AMOR SUBLIME AMOR (West side story, EUA, 1961, 152min). Direção de Jerome Robbins e Robert Wise. Elenco: Natalie Wood (Maria), Richard Beymer (Tony), Russ Tamblyn (Riff), Rita Moreno (Anita), George Chakiris (Bernardo), Simon Oakland (tenente Schrank), Ned Glass (medico), William Bramley (oficial Krupke), Tucker Smith (Ice), Tony Mordente (Action), David Winters (A-Rab), Eliot Feld (Baby John), Carole D'Andrea (Velma), Jay Norman (Pepe), Tommy Abbott (Gee-Tar). Sinopse: À semelhança do que acontece na peça Romeu e Julieta de Shakespeare, o filme apresenta Tony, antigo líder da gangue de brancos anglo-saxônicos chamados de Jets, apaixonado por María, irmã do líder da gangue rival, os Sharks, formada por imigrantes porto-riquenhos. O amor do casal protagonista floresce entre o ódio e a briga das duas gangues e seus códigos de honras, tal qual a desavença histórica entre os Capuletto e os Montechio mostrada em Romeu e Julieta.

COLUNA CIDADE & CIDADANIA
No Portal da Raio Padre Cícero, FM 104,9, de Juazeiro do Norte, está sendo publicada uma página semanal em que deverei continuar abordando questões de interesse de nossa cidade e de nossa cidadania. Nesta coluna estes textos serão reproduzidos, como faço agora com o quarto da série dedicado aos problemas do trânsito na cidade.
O TRÂNSITO (IV)
O propósito desta pequena série de argumentos para iniciar uma discussão sobre a questão do trânsito na cidade pode ser completado aqui com alguns elementos da nossa própria observação em torno das dificuldades que enfrentamos no cotidiano. Provavelmente elencaremos como a primeira delas a condição das vias de tráfego, sempre muito maltratadas em vista da má conservação, fruto de péssima manutenção dispensada pelo poder público. Já falamos brevemente sobre o péssimo estilo de abertura de vias e a construção dos leitos, com tal fragilidade que não resistem bem a esta temporada de chuvas, por exemplo. O nível de compactação também é precário para a diversidade da frota que já inclui no livre trânsito o uso por veículos de grande porte, pleno de cargas além da capacidade que se poderia estabelecer. Junte-se a isto o proselitismo político que sempre visualizamos pelos governos, como agora que estabelece um medíocre plano de pavimentação de vias, absolutamente secundárias diante do necessitado para o momento. Neste instante, por exemplo, as principais vias da cidade estão necessitando um grande reforço de manutenção, mas um passeio por um desses bairros de grande adensamento eleitoral está ganhando uma pavimentação horrorosa para o devido efeito populista do gestor. Outra coisa lamentável decorre da insuficiente sinalização, tanto vertical como horizontal, exatamente pela mesma demanda de manutenção que exige pronta atenção da engenharia de trânsito. Mas este cuidado parece não despertar muito interesse, pois o que vemos é o trivial, aquilo que normaliza o trânsito no básico como direções, uma certa sistemática de fluxo que privilegia apenas grosseiramente o tráfego. Veja por exemplo a falta de sensibilidade para com diversos cruzamentos importantes da cidade, nos quais, por absoluto desleixo não se produz algo mais em agilidade quando é possível. Relevo neste caso o exemplo do cruzamento das avenidas Castelo Branco com Padre Cícero, na altura do Shopping, onde não se sinaliza para as possibilidades de duas vias simultâneas de direção em decorrência do semáforo instalado. Não há sinalização adequada e o sentimento é de que as alternativas sensatas são proibidas, mesmo porque fortemente vigiadas por foto sensores. E isto se repete em outros locais. Aliás, a questão dos foto sensores ainda carece de uma melhor caracterização de sua aplicação. Do modo como são instalados eles cumprem eficazmente a função punitiva em detrimento da sua razão educativa para melhor utilização das vias. Neste particular, basta ver o engano cometido na péssima sinalização de um destes últimos instalados na Av. Ailton Gomes, que só avisa o limite de velocidade no exato momento em que é “flagrado”. A cidade cresce, e há a necessidade de estabelecer limites bem diversificados de velocidades. Por isso mesmo já não somos capazes de memorizar locais, limites e circunstâncias destas advertências se não for por uma sinalização adequada. Outra coisa que requer um disciplinamento e disso já tratamos brevemente aqui é a repercussão sobre as rampas de acesso para estacionamentos privativos, especialmente o das residências. A construção livre, sem qualquer licenciamento da prefeitura, se dá, geralmente, com duas rampas: uma na própria via de tráfego de veículos, por vezes com cerca de um metro de extensão, e outra sobre a calçada. Essas construções em muitas ruas chegam a provocar obstáculos de até dois metros no afunilamento da via que já é tão estreita para a necessidade local. Outro fato lamentável nos nossos espaços de trânsito é o que decorre de alguns serviços básicos, principalmente como a manutenção na distribuição de água, o péssimo serviço de esgoto a céu aberto e drenagem de águas pluviais, pessimamente estabelecida, como podemos ver agora na temporada de chuvas. Por estes dias mais uma romaria toma conta da cidade e as condições de trânsito são postas em cheque por serem elementos importantes. São impactos notáveis em poucos dias, é verdade, mas que trazem repercussões mais duradouras para todos os setores da cidade. Também por estes dias estamos novamente enfrentando o retorno às aulas e isto significa um trânsito mais frequente da nossa frota, est mais própria da cidade, em muitos locais críticos das proximidades de escolas, faculdades, universidades. Mas isto também é bem verdadeiro por um expressivo número dos chamados veículos alternativos vindos de dezenas de cidades do nosso entorno, da nossa área de influência. Todos estes são partes interessadas no equacionamento das questões e trânsito, na expectativa de melhoria continua para tais serviços. Enfim, por todos estes elementos mencionados, mais como observador do que como técnico, já nos indica para a devida oportunidade de tempo para que os órgãos competentes e tão comprometidos com estas questões promovam estudos para implementar melhorias neste setor. Fica a sugestão para que tanto estes segmentos quanto o da Câmara de Vereadores também assuma parte destas insatisfações, realizando audiências públicas para ouvir sugestões que orientem a aplicação de soluções eficientes para minimizar os transtornos decorrentes do caos urbano que nos aflige. (Coluna Cidade & Cidadania, postada para www.radiopadrecicero.org.br, na data de: 26.01.2016).

CÍCERO: DE ORADOR EM ROMA A GURU DO SEBRAE
Transcrevo com prazer o artigo abaixo, escrito por Emílio Vieira, professor universitário, advogado e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, da União Brasileira de Escritores de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa (evn_advocacia@hotmail.com) publicado no Diário da Manhã, Goiânia (GO), edição de 27.01.2016. http://www.dm.com.br/opiniao/2016/01/cicero-de-orador-em-roma-a-guru-do-sebrae.html

“Há nomes que sugerem notoriedade, como por exemplo, Cícero, que lembra o célebre orador latino (106 a 43 a.C.), que se destacou em Roma antiga por sua eloquência forense e sobretudo quando se insurgiu no Senado romano contra a conspiração urdida por Catilina, pronunciando suas famosas Catilinariae Orationes e assim tornando-se reconhecido como salvador da república. A história parece repetir-se, sobretudo quando vemos agora grassar a corrupção no Parlamento brasileiro e então ouvimos o eco das palavras do célebre orador romano: “Oh tempora! Oh mores!” (Ó tempos! Ó costumes!). Essa impressão eu tive ao ouvir pela primeira vez o conferencista cearense, Cícero Sousa (foto), advogado e orador espírita, em recente palestra proferida na Irradiação Espírita de Goiânia, sobretudo quando se reportou aos tempos de sua formação jesuítica em Roma e traçou o panorama de sua experiência existencial e espiritual, agora com a missão assumida de iluminar a alma do povo. O título da palestra era, a propósito, “Alumeie”. Com diferença que o Cícero cearense (ao contrário do legendário padre Cícero de Juazeiro), não se interessa por política partidária e revelou-me que, embora convidado, jamais se dispôs a falar na Câmara dos deputados, porque ali eles mal ouvem a si mesmos e são cegos e surdos aos clamores do povo. Cícero Sousa hoje presta serviços ao Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas) na condição de consultor e tutor (ou coordenador) do Projeto DET (Desenvolvimento Econômico Territorial). O trabalho que vem desenvolvendo em Goiás, como já o fez em outros estados, consiste no esforço de agregar em torno do Sebrae, entidades empresariais de classe, bancos oficiais, cooperativas, agências de desenvolvimento regional e até universidades, formando redes de cooperação entre a administração pública e a iniciativa privada, não agindo de cima para baixo, mas de baixo para cima, dialogando com as comunidades locais, a partir da mobilização dos pequenos produtores. O Projeto DET vem operando em Goiás nas regiões Oeste, Norte, Noroeste e Entorno de Brasília. E seu coordenador, Cícero de Sousa, desde agosto de 2015 já visitou todas essas regiões, que, segundo observa, destacam-se por diferenças impactantes.

Diferenças regionais
O nordeste goiano, que tem por cidades-polo, Posse e Campos Belos, ao olhar de Cícero, é a região mais rica em recursos naturais e a menos desenvolvida do ponto de vista socioeconômico. O norte, que tem por cidades-polo Uruaçu e Porangatu, é a região que melhor vem correspondendo às intervenções do Sebrae, até porque conta com grandes empreendimentos ligados inclusive a projetos de empresas multinacionais, principalmente no setor de mineração. O oeste goiano, tendo por cidade-polo São Luís de Montes Belos que abriga uma gerência regional, destaca-se pela agropecuária e pela presença de pequenas indústrias de confecções. A região noroeste, que tem Goianésia como sede de uma gerência regional que se estende ao município de Jaraguá, é o maior centro de confecções do Estado de Goiás. Já o entorno de Brasília, que se caracteriza pela densidade populacional das cidades circunvizinhas, tem por principal foco as atividades de comércio e serviços, sendo que as cidades-dormitório da circunvizinhança funcionam como fornecedoras de mão-de-obra à Capital federal. A principal preocupação do Sebrae nesta primeira etapa do Projeto DET, segundo Cícero, é fortalecer os pequenos negócios no sentido de aí reter a renda produzida e agregar valor à produção local. O projeto está previsto para durar até 2017 com recursos do Sebrae nacional, que nesta primeira fase já conseguiu envolver a sociedade civil numa rede de cooperação com o poder público. 

O guru do SEBRAE
O doutor Cícero, com seus dotes de orador (reencarnação romana?) e palestrante espírita, tornou-se uma espécie de guru do Sebrae, que em 1991 o descobriu no estado do Ceará, quando ali compareceu na condição de secretário do governo de Pernambuco (gestão de Joaquim Francisco), para acompanhar um encontro promovido em Fortaleza, com empresários e investidores que se mobilizavam para participar de ações do governo cearense. Apesar de suas constantes incursões na Europa, eis que viveu e estudou em centros cosmopolitas como Paris e Roma, o nobre cearense Cícero Sousa sempre acompanhou o processo de desenvolvimento de seu estado natal, que vê como um dos mais criativos estados nordestinos. Naquele encontro Cícero chegou à seguinte conclusão. O poder público pode, mas não pode tudo. A sociedade civil sabe, mas não sabe tudo. Era preciso somar esforços e então todos se movimentaram no sentido de criar, como de fato criaram um pacto de cooperação entre governo e empresários, admitindo-se que o estado poderia ser administrado na forma de uma grande empresa pública. O pacto cooperativo vingou e o estado do Ceará entrou numa fase de prosperidade servindo de modelo para outras unidades federativas que adotaram a mesma política participativa. Mais tarde, já como secretário Municipal de Juazeiro do Norte (1993-96), Cícero Sousa pensou também num pacto regional de desenvolvimento integrado da região do Cariri, à época uma das mais pobres do sertão cearense, tal como o nosso nordeste goiano, que era aqui estigmatizado como corredor da miséria. A questão seria descentralizar a administração pública da capital (lá Fortaleza, como aqui Goiânia), mediante um plano de desenvolvimento regional. E assim foi feito. A história é longa e, na explanação do doutor Cícero (já agora falando como tutor do Sebrae em Goiás), o que chama mais a atenção é a sua maneira de contar a história, que reflete sua maneira de dialogar com o povo, com a técnica do sim e do não, onde não cabe a palavra talvez. 

A técnica do sim e do não
Primeiro, uma pergunta (lá como aqui). De quem é esta região? É do governo? Não. É de Deus? Não. De quem é? É do povo? Sim. Então esta região é nossa. Sendo assim, paremos de reclamar de Deus pelo fato de que aqui não chove, e paremos de reclamar do governo, que “não chove nem molha”. O povo pode construir seu próprio destino quando se liberta da dependência governamental. Assim nasceu a ideia (lá como aqui) de que o pacto regional pode abranger todos os setores produtivos e não só os projetos dos grandes empresários. Quando a ideia pega, a notícia se espalha, o diálogo se estabelece efetivamente entre os agentes políticos e os representantes da comunidade: eis o que se chama pacto de cooperação. O papel do guru é conscientizar o povo de sua capacidade própria de criar soluções. Pobreza não existe só por falta de recursos financeiros, tecnológicos ou naturais. Pobreza é causada, sobretudo por questões culturais. As pessoas nascem e crescem admitindo ser pobres e nada fazem para mudar essa fatalidade. Como diria o poeta português, Bulhões Pato: “Ribeiros correm aos rios, os rios correm ao mar. São tudo leis deste mundo, que ninguém pode atalhar. Quem nasce para ser pobre, não lhe vale trabalhar.” Cícero reage a esse fatalismo, contando histórias que refletem experiências construtivas que levantam a autoestima das pessoas, mostrando exemplos de como devem reagir às situações adversas. Aqui entra novamente a sua técnica de dialogar. – Alguém aqui já levou uma carreira de boi? Sim ou não? Alguém responde: – Sim. – Então, se você já levou uma carreira de boi e se já saltou na altura de uma vara de dois metros, então você é capaz de saltar adiante na vida e sair de situações menos difíceis do que essa. E deduz que todos se enquadram na condição de saltar adiante na vida, quando acreditam em si mesmos. Cícero sabe levantar as expectativas da plateia, contando histórias em forma de parábolas das quais extrai lições de vida. Certa vez saiu viajando pelo Nordeste afora e, logo na entrada da cidadezinha de Monteiro, viu um monumento erguido em homenagem ao poeta popular da cidade, onde leu a curiosa inscrição: “Poeta é aquele que tira de onde não tem para botar onde não cabe.” Com a risada da plateia, Cícero conclui: – Vocês têm que fazer como o poeta: tirar de vocês mesmos e botar onde parece que não cabe. Interessante é que o povo entende o que Cícero cearense fala, seja no Nordeste como em Goiás (em Posse ou em Nova Roma), assim como o Cícero romano falava e era entendido pela classe dos plebeus na Roma antiga. Como é que esse povo, que tem tal sensibilidade, essa inteligência emocional, esse senso artístico, não é um povo civilizado? Ora, se é um povo civilizado, por que não utilizar seu potencial, mesmo no contexto da cultura popular? 

No nordeste goiano
Observei que Cícero consegue convencer as pessoas de que uma terra não é estéril quando elas têm a mente fértil. Mas como faz para ensinar que uma terra é fértil quando as pessoas têm a mente estéril? A resposta é positiva: “Mexendo no brio delas. Toda pessoa tem seu orgulho, mormente aquela que tem a mente menos fértil. Geralmente a pessoa mais orgulhosa pensa que vale mais do que as outras, então acha que todo mundo é responsável por ela, menos ela própria, inclusive Deus.”

Às vezes é preciso mexer com o brio dessa gente – enfatiza Cícero. – Como? Dando exemplos de como as pessoas de outros lugares reagem a situações mais adversas do que as delas. Mostrar, por exemplo, como aqui no cerrado goiano, há uma abundância de produção natural de pequizeiro e cajueiro nativos, prodigalizando seus frutos. Mostrar que cabe a essas pessoas, pelo menos colher o caju ou descascar o pequi para usufruírem daquilo que a natureza lhes oferece. Mostrar que há lugares piores onde as pessoas não têm outra alternativa, ou cultivam a terra e produzem o que comer, ou morrem de fome. Deus deu a vida, criou a natureza, mas as criaturas hão de produzir seus próprios alimentos com o suor de seus rostos. (Essas palavras aqui alinhadas na forma de discurso indireto livre foram extraídas de uma entrevista com Cícero, acompanhando-o em uma de suas andanças no município de Posse). E assim prossegue com a sua técnica de contar dessas histórias de vida, dar exemplos construtivos e concluir com a sua lógica do sim e do não, como na maiêutica de Sócrates, em que, dialogando com o povo, convence-o na base de perguntas e respostas. Cada história gera uma provocação do tipo: – Ninguém aqui é mendigo. É mendigo? Não. Pode até não ter as duas pernas e os dois braços, mas mendigo não é. Todos aqui têm uma mente sadia, não têm? Sim. Pois então vocês têm uma mente que é fértil, capaz de pensar e resolver seus problemas. Pergunta-se: Deus deu mais inteligência aos alemães? Não. Deus deu mais sabedoria aos japoneses? Não. No entanto, a Alemanha e o Japão, não são hoje potências mundiais? Sim. Mesmo tendo sofrido guerras, terremotos e até bomba atômica, pois não é? E assim arremata: “Nós somos um povo privilegiado, temos um país privilegiado. Goiás, coração do Brasil, é um estado privilegiado. Aqui há rios caudalosos, têm até nomes românticos: Rio Vermelho, Rio Verde, Rio das Almas.” Nessa tônica, o orador já prepara sua peroração: “Passarinho recebe de graça as coisas de Deus? Não. Mas o Pai Celestial se preocupa com eles? Sim. Os passarinhos buscam longe os gravetos para fazer os seus ninhos e nunca vão à prefeitura pedir ao prefeito um ninho popular: eles o constroem como nem a ciência faz igual. A ciência pode até inventar um ninho colorido, de plástico, mas nunca igual ao ninho que só o passarinho sabe construir. Basta olhar em derredor e ver que todos os entes da natureza trabalham para sobreviver, desde as avezinhas que se alimentam das sementes caídas no chão, até os insetos que saem do chão também em busca da própria sobrevivência.” As pessoas ouvem isso (palavras do Cícero), ficam silenciosas e depois se convencem de que têm mesmo que descruzar os braços. O homem do campo, que convive com a natureza e também acredita em Deus, precisa acreditar em si mesmo e ver que a pobreza material é antes de tudo uma pobreza mental. Dizendo essas coisas, o palestrante Cícero convence até as pedras a rolar dos morros, se necessário for, para o bem das comunidades assistidas pelo Sebrae.”

O PRIMEIRO DE 2016
Já está circulando o primeiro jornal editado no corrente ano de 2016. É o Jornal Ideia, jornalzinho impresso, versão das mídias eletrônicas do Grupo Cariri de Notícias, editado por MGM Artes Gráfica Rápida e Jr. Moral, impresso na mesma MGM Artes Gráfica Rápida, com primeiro número 
Saído em 06.01. http://grupocaririnoticias.blogspot.com.br/ ; https://www.facebook.com/Noticias-Cariri-620567057986669/ e https://www.facebook.com/Carirí-Notícias. Endereço: Rua 22 de Julho, esq. Rua Epitácio Pessoa; Periodicidade: semanal / quinzenal; Dimensões: 23,2cm x 31,4cm; Tiragem: 500 / 1000 exemplares. Edições iniciais: I(1):06.01.2016, 4p, I(2):13.01.2016, 4p, I(3):20.01.2016, 4p, I(4):27.01.2016, 4p.


ECOS DA RECONCILIAÇÃO


Transcrevo o artigo abaixo, de uma pessoa com a qual convivi esparsamente em Fortaleza. Ele hoje, ao que parece, vive em sua terra, Cajazeiras, depois que enviuvou há bastante tempo, perdendo sua esposa, nossa querida amiga Helena Cartaxo, uma das dirigentes da Associação Docente da UFC. Muito interessante seu artigo, publicado no jornal Diário do Sertão, de Cajazeiras (PB). Vejamos:


PADRE CÍCERO: POR QUE A IGREJA MUDOU?, por Francisco Cartaxo.

“Padre Cícero morreu amargurado. Punido pelo bispo do Ceará e pela Inquisição, cerceado no exercício de muitas funções sacerdotais. Durante mais de dois terços de seus 90 anos de vida, ele lutou para ser perdoado. Seu infortúnio começou quando se propagou o “milagre” da transformação da hóstia em sangue na boca da beata Maria de Araújo, em 1889, seguido da incontrolável atração de fiéis a Juazeiro, formando-se a onda de fanatismo. A luta de padre Cícero para provar sua inocência foi quase inócua. A reparação só chegou agora, após 81 anos de sua morte. Pelo menos é o que se deduz do anúncio e da leitura de trechos da carta, enviada pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, ao bispo do Crato, dom Fernando Panico. A correspondência, de 20 de outubro de 2015, só foi divulgada em dezembro, de forma parcial, sem o inteiro teor. Segundo o jornal O Povo, de Fortaleza, 30 mil pessoas ouviram a leitura da carta-mensagem, feita por dom José González, ex-bispo de Cajazeiras, na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A mesma capela onde, em 21 de julho de 1934, foi sepultado o corpo do padre Cícero. Nada mais simbólico. Todas as tentativas de obter o perdão, antes e depois de 1934, foram frustradas. Agora ocorre a mudança. Fruto de grande mobilização intelectual e de massa, a diocese do Crato requereu a “reabilitação” do padre Cícero, requisito básico para a instauração do processo de beatificação, passo necessário à santificação. Equipe de especialistas do Vaticano interpretou que “reabilitação” equivale a recuperar as ordens suspensas, o que, à luz do direito canônico, seria ato jurídico-religioso impossível, posto que padre Cícero já havia falecido. Como solucionar o imbróglio? Promover a “reconciliação” da Igreja com o padre Cícero. Vale dizer, trazê-lo novamente ao seio da Igreja Católica Apostólica Romana, da qual foi marginalizado pela Sagrada Congregação do Santo Ofício, em 1894, em processo formal, instruído, em parte, pela hierarquia católica brasileira, fonte de informações e avaliações negativas. A história desse intrigante episódio histórico registra a influência decisiva de, pelo menos, duas autoridades eclesiásticas: dom Joaquim José Vieira, bispo do Ceará, e dom Joaquim Arcoverde. Este, contemporâneo de Cícero no colégio do padre Rolim, de Cajazeiras, na década de 1860. Então a Igreja mudou? Mudou. A Igreja oficial mudou. Demorou, mas fez o mea culpa. Veja-se este trecho da carta do chanceler do Vaticano: “Mas é sempre possível, com distanciado tempo e o evoluir das diversas circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcam a ação do Padre Cícero como sacerdote e, deixando à margem os pontos controversos, pôr em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é atualmente percebida pelos fiéis. É inegável que o Padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”. A longa carta, escrita por recomendação do Papa Francisco, ainda não foi divulgada na íntegra. Lamentável. Afinal, o documento mexe em fatos históricos que transcendem às fronteiras da Igreja. Mexe com as pessoas, fiéis ou não. Por isso, é preciso saber mais a respeito do olhar supremo, atual, da Igreja oficial, que mudou para ajustar-se ao sentimento e a fé do povo. Para este o padre Cícero já era santo. Desde sempre.”

PADRE MURILO (Por Geová Sobreira)
Em coluna anterior (19.12.2015) reproduzimos os oito artigos de Geová Sobreira, em depoimento sobre a vida e obra de Mons. Francisco Murilo de Sá Barreto. Através do Juanorte ele publicou mais um capítulo que aqui transcrevemos. 

PADRE MURILO (IX)
Por mais variadas que sejam as reações do visitante, do romeiro, do adventício, do turista, do pesquisador ao chegar pela primeira vez no Juazeiro a primeira delas e a mais marcante é uma constatação imediata e inevitável: o ambiente social do Juazeiro é atípico e diferente das demais cidades brasileiras. Dentro do registro histórico de recentes impressões de visitantes ilustres sobre a Terra do Padre Cícero, por julgá-la muito ilustrativa, escolho o espanto do senador por Santa Catarina, Jorge Konder Bornhausen, na época exercendo o cargo de Ministro da Educação: “nunca vi uma realidade social tão chocante quanto esta...” A comitiva de autoridades e de políticos que acompanhavam o Ministro da Educação ficou estarrecida com a inesperada reação...De fato, Juazeiro é um mundo. E um mundo diferente. Por essa razão não se é de estranhar que as autoridades eclesiásticas brasileiras e, de modo especial, do Ceará olhassem até com desprezo o movimento religioso popular do Juazeiro, as levas imensas de romeiros e os devotos do Padre Cícero. Adotando essa posição, o Seminário Arquidiocesano do Ceará, o Seminário da Prainha, a mais importante “casa de formação de sacerdotes e que desempenhou importante papel na formação cultural e intelectual do Ceará, até o ano 2000 inculcava sistematicamente em seus alunos de filosofia e teologia severas restrições e acerbas críticas ao Patriarca do Juazeiro, tendo-o por excomungado, embusteiro e aos romeiros e devotos do Padre Cícero taxava-os de analfabetos, jagunços e fanáticos. Foi nesse ambiente adverso que se deu a formação do jovem levita Francisco Murilo de Sá Barreto. Padre Murilo chegou ao Juazeiro, no dia 6 de fevereiro de 1958 como “vigário cooperador” do Mons. José Alves de Lima. Nesse período de quase 10 anos, em que foi vigário cooperador, o jovem sacerdote dedicou o seu tempo a estudar a vasta e complexa história do movimento religioso popular de Juazeiro, a vida do Padre Cícero e mergulhar a fundo na investigação do imaginário popular que fundamenta a romaria. Era um mundo fantástico, fascinante e de fé ardente e generosa que envolve todos os participantes da romaria. Foi nesse período que o Padre Murilo teve que aprimorar os dons de diplomata para não entrar em atritos nem com o vigário da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, Mons. José Alves de Lima, nem com a hierarquia da Diocese do Crato, que tinha como lema combater de maneira radical a memória do Padre Cícero e o que eles chamavam de movimento fanáticos dos devotos do Padre Cícero.Com a morte de Mons. José Alves de Lima, em 28 de fevereiro de 1967, Dom Vicente Paulo de Araújo Matos, sem alternativas aceitáveis para ocupar a Paróquia de Nossa das Dores, porque o clero da Diocese não sentia disposição em assumir os graves desafios que se apresentavam no Juazeiro como vigário dos romeiros. Sem opções disponíveis, Dom Vicente Paulo de Araújo Matos nomeou Padre Murilo vigário de Juazeiro. Para o clero do Crato, aquela foi uma opção amarga em razão das posições defendidas por Padre Murilo em favor de maior assistência espiritual aos romeiros e a criação de uma pastoral totalmente devotada às romarias. Era exigido um delicado equilíbrio ao Padre Murilo: ser obediente ao seu bispo, fiel ao voto de sua ordenação sacerdotal e ao seu dever de pastor de zelar pelos seus fiéis e não eram “ovelhas” tresmalhadas da parábola evangélica. Eram almas generosas em busca da palavra de Deus, dos santos sacramentos, vindo de longe, sofrendo por íngremes caminhos, sofrendo os romeiros o desconforto aboletados em paus-de-arara, e a Igreja não podia fechar as suas portas ao “povo de Deus”, que vinha ao Juazeiro visitar a Mãe de Deus. Padre Murilo conquistou toda a Nação Romeira. A pastoral das romarias passou a ser a atividade principal da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. Em 1994, ano do sesquicentenário do nascimento do Padre Cícero, Padre Murilo movimentou os sertões para prestar uma grande homenagem ao Patriarca do Nordeste. Mais de 190 sacerdotes de diversos pontos do Brasil aderiram e confirmaram presença numa magnífica concelebração eucarística. 5 bispos confirmaram presença na cerimônia religiosa. Nesta euforia, havia nuvens negras que angustiavam a alma do Padre Murilo: o Bispo de sua Diocese, Dom Newton Holanda Gurgel, não confirmava sua presença na Celebração Eucarística. No dia 24 de março de 1994, pressionado e a contragosto, Dom Newton Holanda Gurgel se fez presente no Juazeiro e diante de quase 200 Sacerdotes, 5 bispos de outras dioceses, autoridades políticas e militares participou do maior acontecimento religioso em homenagem ao Patriarca de Juazeiro. Aquele foi um dos dias mais felizes da vida do Padre Murilo.

domingo, 24 de janeiro de 2016

BOA TARDE (I)
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de segundas, quartas e sextas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
213: (13.01.2016) Boa Tarde para Você, Josenir Amorim Alves de Lacerda
Não faz tanto tempo assim que os nossos brios caririenses se engalanaram com a escolha de Josenir Lacerda, poetisa de tantos predicados, para sua posse em 19.12.2010, no Rio de Janeiro, numa cadeira na Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABCL. Ela se tornou a primeira caririense, filha muito estimada do Crato, ocupante da Cadeira n° 37, portanto – inserida no rol dos membros fundadores da agremiação, patrocinada pelo poeta e repórter paraibano José Soares, um dos quarenta que são referidos como grandes poetas populares. A Academia Brasileira de Literatura de Cordel tem dentre os seus grandes homenageados alguns dos poetas da literatura oral, vates cujas obras, e até parte de suas vidas, estão intimamente ligadas ao Cariri, como Leandro Gomes de Barros, João Martins de Atayde, Expedito Sebastião da Silva, José Bernardo da Silva, Delarme Monteiro Silva, Patativa do Assaré e Manoel Caboclo e Silva. De não menos nomeada, falamos de Josenir Lacerda, a mesma que já nos orgulhava pelo destaque merecido na Academia dos Cordelistas do Crato, em outra ocupação de grande honra, mérito e representação, por ter sido sucessora na cadeira n° 3 do grande Mestre Elói Teles de Morais. A existência de Josenir, felizmente, não é fato isolado porque a propósito da lembrança de Elói Teles, como radialista que manteve por 35 anos um programa radiofônico intitulado “Coisas do meu sertão”, aí começou nos anos 60 a despertar interesse a presença feminina no cordel com poetisas como Nair Silva, Mundinha Torquato, Esmeralda Batista, Bastinha Job, Rosimar Araújo, Anilda Figueiredo e Rosário Lustosa, dentre outras. Seu Elói foi um radialista, um grande folclorista que exerceu enorme influência na difusão da poesia sertaneja e do cordel, tanto de homens, como de mulheres, tendo sido o fundador e primeiro presidente da Academia dos Cordelistas do Crato. Deste modo, a literatura de cordel que habitualmente era o locus preferencial da presença de poetas, homens versejadores de grande excelência, abriu-se magistralmente para esta filiação de grandes talentos, e o Cariri terminou por ensejar a emergência de novos, grandes e surpreendentes talentos. Não posso deixar de mencionar aqui também a excelente contribuição que este feminismo poético no cordel revelou através de Salete Maria, Fanka Santos, Rivaneide, Edianne dos Santos, Madalena de Souza, Luiza Campos, Silvia Matos, Camila Alenquer, especialmente ligados ao grupo da Sociedeade dos Cordelistas Mauditos, aqui em Juazeiro do Norte. E não foi fato isolado apenas na poética, mas também na xilogravura em capas de folhetos que foram surgindo e revelando excepcionais valores femininos com grande sensibilidade para entalhar em umburana a expressão desta nova poesia feminina, através das ilustrações de Erivana, Edianne Nobre, Jô Andrade, Emanuele Alencar, Maria Rivaneide, Áurea Brito, Regilene Stéfanni e Eliane Nobre. Eu só fui conhecer Josenir Lacerda bem recentemente ao descobrir o seu recanto chamoso da Rua José Carvalho, em Crato, diria, a instituição Recanto Cordel e Arte, um local prazeroso para onde convergem figuras notáveis do cordel e da xilogravura, intelectuais e visitantes, todos sempre muito interessados num bom encontro, ótima conversa e um acervo maravilhoso de artesanato e poesia. No cordel, Josenir é uma poetisa de grande fertilidade, explorando com habilidade e criatividade o cotidiano e os seus fatos recorrentes, a linguagem sertaneja e suas raizes, pois se iniciou muito cedo, bem jovem, lendo os clássicos com quem se familiarizou muito com a temática e a construção métrica, de onde foi recolhendo inspiração para os versos que elaborava, caindo no gosto e no reconhecimento de Patativa do Asaré que não lhe regateava elogios. Gosto muito do seu estilo, da sua elegância discreta revelada em quase uma centena de folhetos que vou degustando e colecionando, de tudo que me aparece com seu nome, seja na sua produção regular, ou o que realiza em parcerias, e o que figura em coletâneas. Na minha limitada percepção, trago hoje à consideração esta figura notável de Josenir Lacerda, uma pioneira no que faz, porque dedica corpo e alma à preservação de nossas tradições, de sua riqueza cultural, num esforço continuado por tudo aquilo que vibra e pulsa em sua alma e coração. A vida e o trabalho de Josenir Lacerda é parte insubstituível desta felicidade que há no Cariri. 
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 13.01.2016)
BOA TARDE (II)
214: (21.01.2016) Boa Tarde para Você, Prof. Dr. Melquíades Pinto Paiva
É com imensa alegria, Dr. Melquíades, que o saúdo nesta tarde, por sabê-lo entre nós, visitando o seu Cariri tão amado, e nesta circunstância tão desconcertante: você ao nosso abrigo acalorado e eu, infelizmente, a milhares de quilômetros, nas graças de sua cidade maravilhosa. Malgrado este desencontro que era o não planejado, ambos temos o que falar destes estados de felicidades que invadem nossas almas, reencontrando velhos amigos, revendo paragens tão afetuosas e nos deliciando com o que ainda podemos falar desta convivência que persiste entre o histórico e tradicional, e o que ainda nos envaidece num recanto querido da nação. Você está de volta à sua Lavras de São Vicente Férrer para receber, como primeiro agraciado, a Medalha Prof. Joaryvar Macedo, comenda com a qual a municipalidade lavrense deseja firmar o seu melhor elogio a pessoas como você, gente de história e méritos, filho e glória dessa terra. Felizmente posso falar antecipadamente com algum conhecimento sobre o que a sua cidade viverá no próximo dia 20, por ocasião da cerimônia da entrega desta comenda, pois a vida me reservou nestes anos uma convivência com você e com Joaryvar. Em meados dos anos setenta eu conheci Joaquim Lobo de Macedo – Joaryvar Macedo, uma extraordinária criatura humana, professor, pesquisador e brilhante intelectual neste nosso Cariri, aqui tendo fundado o Instituto Cultural do Vale Caririense, aqui tendo produzido a sua maior riqueza humanística, entre o caráter e a bagagem intelectual que construiu brilhantemente. Tive o privilégio de ter sido um dos que tentaram substitui-lo à frente do ICVC, entusiasmado com o que vira de sua imensa dedicação para elevar no Cariri essa chama ardente e inflamante da pesquisa histórica, rebuscando velhos arquivos para rever e estudar páginas memoriais da história e da genealogia destes Cariris novos. Daqui, o professor Joaryvar Macedo foi chamado e aceitou prontamente para as funções honrosas de secretário estadual dos negócios da cultura, tendo sido o único dos colaboradores daquele governo que permaneceu entre o primeiro e o último dia. Todos sabemos o quanto o Estado do Ceará se beneficiou com a sua lucidez, com a sua competência e a prontidão como realizou uma administração eficiente, voltada para um amplo atendimento de tantas demandas institucionais. A biografia de Joaryvar Macedo foi algo que se enriqueceu substancialmente pela imensa acolhida e aclamação de inúmeras instituições culturais do Estado, todas beneficiadas nos seus propósitos de realizar dinâmicos programas de atuação, como institutos, academias, associações e grêmios. Faleceu precocemente Joaryvar Macedo e a sensação que tenho é que poucas foram as nossas lágrimas para testemunhar naquela comoção o sentido mais íntimo do agradecimento que gostaríamos de partilhar com sua família pelas beneméritas ações que realizara por seu Estado. Tão sumário quanto emocionado, Professor Melquíades, a lembrança de Joaryvar Macedo continua nos comovendo pela grandeza de sua simplicidade como cidadão honrado deste Cariri, agora mais resgatado em sua terra para firmar esta comenda aos que são exemplares à sua imagem. É deste modo que vejo o gesto concreto da Câmara Municipal de Lavras da Mangabeira ao trazer a público, uma vez mais, o conhecimento da grandeza que há na vida e na obra do agrônomo Melquíades Pinto Paiva, o professor emérito – tantas vezes reconhecido, na cidade e no mundo. É deste modo que vejo esta homenagem ao cientista Melquíades Pinto Paiva, uma das glórias do Ceará, aquele que projetou a academia universitária, magistralmente criada por Antonio Martins Filho, inserindo-a brilhantemente, nas mais conceituadas revistas científicas do planeta. É deste modo que teremos a oportunidade de rever em relato sincero a imensa folha de sua contribuição, especialmente a partir da criação da Estação de Biologia Marinha, em 1960, à qual se sucederia em Laboratório de Ciências do Mar – LABOMAR, em 1969, para estar hoje como Instituto de Ciências do Mar, desde a sua transformação em unidade acadêmica da UFC, desde 1998, com competência para ministrar cursos de graduação e pós-graduação, mantidas as características de instituição multidisciplinar voltada para a pesquisa, ensino e extensão. Esta, sem dúvida, é a maior de suas obras em busca do desenvolvimento deste nosso Estado, mas muita coisa ainda se falará sobre seus predicados de diligente pesquisador de nossa História, o “Fideralino” que adentrou fundo nas histórias da vida de Lavras e de seus ricos personagens. Associo-me, mesmo à distância, prazerosamente, a este momento de tão justas e merecidas homenagens a este filho ilustrado de Lavras da Mangabeira, e também agradecido felicito-o fazendo votos por sua felicidade pessoal, com sua amada Arair e toda a família, para enfim, lembrar versos de sua querida amiga Rachel de Queiroz quando escreve: 
"Visitante mui amigo pode entrar, a casa é sua. Ah! como é tão bom nesta vida abrir-se a porta da rua como quem abre um abraço, dizendo assim como eu faço: Entre a gosto, a casa é sua".
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 21.01.2016)
COLUNA CIDADE & CIDADANIA 
No Portal da Radio Padre Cícero, FM 104,9, de Juazeiro do Norte, está sendo publicada uma página semanal em que deverei continuar abordando questões de interesse de nossa cidade e de nossa cidadania. Nesta coluna estes textos serão reproduzidos, como faço agora com o terceiro deles.
O TRÂNSITO (III)
No artigo anterior fizemos uma menção para analisar aqui a questão da frota de veículos que temos no município e como isto impacta sobre a desorganização do trânsito, de modo a exigir grande cuidado, redobrados esforços em planejamento, investimentos em engenharia de tráfego e gestão por parte do poder público. O Anuário do Cariri de 1949, ano em que nasci, registra para a cidade de Juazeiro do Norte os seguintes números de veículos em circulação: Automóveis (30); Caminhões (40); ônibus (3); Motocicletas (2); Bicicletas (18); Carros de bois (14); Carroças (14); Cabriolés (4), num total de 125 veículos. Bem mais recentemente, segundo as estatísticas do IBGE, de 2013, tínhamos naquela ocasião, os seguintes números: Automóveis (30.536); Caminhões (1.898); Caminhões-trator (129); Caminhonetes (6.463); Caminhonetas (1.117); Micro-ônibus (195); Motocicletas (45.928); Motonetas (7.953); Ônibus (231); Tratores (0); Utilitários (441), num total de 94.891 veículos. Os dados mais atuais são os do próprio DETRAN-CE que registram até outubro de 2015 os seguintes números: Automóveis (32.185), Caminhões Trator (142), Caminhões (1.958), Caminhonetes (7.094), Camionetas (1.048), Micro-ônibus (195), Motociclos (48.172), Motonetas (8.582), Ônibus (248), Reboques (1.023), Semi Reboques (1.023), Utilitários (499) e Outros (relacionando as seguintes categorias: Ciclomotor, Triciclo, Trator de Esteiras, Trator misto, Quadriciclo, Motor casa e Side-car), num total de 101.519 veículos registrados. A primeira coisa a considerar é evolução na diversidade desta frota, vista aqui historicamente pelos tipos de veículos e suas circunstâncias, tais como dimensões, potência, etc. Ora, qualquer gestão municipal veria obrigatoriamente, no seu planejamento, estes aspectos, de modo a minimizar elementos mais arrogantes da projeção que faríamos para o futuro, em vista do crescimento vegetativo desta frota ao clima tão pacato da cidade de então. Minimamente, isto requereria um novo olhar que aos poucos fosse contemplando algumas novas necessidades com respeito a dimensões de vias públicas, zoneamento para o trânsito e até mesmo as faixas exclusivas que iriam sendo necessárias. A realidade destes últimos anos, especialmente entre 2013 e 2015, demonstra que no período acumulamos uma variação de frota por volta de 7%, mas nela destacamos fatos relativamente novos como a variação na categoria de motos em 10%, observando que esta categoria, e assemelhados, numericamente já representa cerca de 56% do total da frota circulante. A frota de motociclos e assemelhados, espalhada por todo o município já demanda um estacionamento que ocuparia mais de 15 hectares e isto em parte é responsável por um dos componentes da pressão do trânsito sobre os problemas de mobilidade. Ultimamente tem-se tentado algumas estratégias para conter a desorganização inevitável por conta da excessiva frota, própria ou o total circulante, em razão do que ingressa na área central da cidade vindo de mais de uma centena de municípios. É o caso das centenas de vans e mini vans que chegam à cidade desde as primeiras horas da manhã, motivado pelos atrativos que a cidade exerce em sua área de influência, como pólos comercial, de educação e serviços em geral. Como a maioria aqui permanece por várias horas, a área mais central da cidade se reduz temporariamente em uns dois hectares. Algumas iniciativas tem minorado a questão, como o estabelecimento de zona azul, novos estacionamentos rotativos e algumas concessões do município, em áreas reservadas, particularmente nas romarias. Sobre as romarias, nota-se apenas um pequeno esforço concentrado nos períodos críticos e pouca coisa em termos de engenharia de tráfego. Veículos muito pesados trafegam danificando os leitos e este estado de coisas permanece sem uma reavaliação do problema que continua abrindo ruas juntando pedras para um capeamento dos mais medíocres e vagabundos. Ora, esse fluxo intenso de transporte coletivo é extremamente benéfico aos interesses do município, mas falta à municipalidade, como responsável pela organização destas atividades ligadas ao transporte intermunicipal um disciplinamento desejável e também a iniciativa de prover solução, inclusive com benefícios para a arrecadação. Agora mesmo, com o reinício da temporada chuvosa, já começamos a verificar como esta malha viária é precária. Alguém já usou a expressão sonrisal para qualificá-la muito bem, pois basta um pouco de água das primeiras chuvas e tudo se desfaz, como se solubilizasse todo o revestimento, restando montes de pedras a complicar mais ainda a vida dos motoristas. Quem anda pela periferia da cidade constata facilmente a estreiteza mental do gestor público em continuar repetindo os mesmo erros. A cidade se espalha e tudo acontece como se nada tivesse mudado neste tempo, pois as ruas continuam estreitas e se mostrarão incompatíveis com o trânsito mais denso e confuso que experimentaremos em anos futuros. Não vale a pena aqui discutir este aspecto, mas não podemos nos esconder diante da evidente irresponsabilidade dos gestores em não elaborar um novo plano diretor para a cidade, coerente com o momento que vivemos. Requeremos também uma revisão no código de posturas e o estabelecimento de novos e honestos critérios para a aprovação de novos loteamentos na área do município. Como podemos constatar com muita facilidade, estes loteamentos são barganhas que transitam com farta desonestidade entre os poderes do município e isto sem dúvida alguma compromete a qualidade de vida pela qual tanto lutamos e que à nossa revelia é negociado de forma infamante. Na etapa final destes modestos considerandos, vamos nos deter um pouco, mesmo superficialmente, sobre alguns pressupostos que a engenharia de trânsito preconiza, com o objetivo de agilizar soluções para este problema que já assume status de gravidade.
(Coluna Cidade & Cidadania, postada  em www.radiopadrecicero.org.br,  na data de 19.01.2016)

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI
MOSTRA 21 (SESC, JN)
Teatro Patativa do Assaré, SESC, Rua da Matriz, 227, Juazeiro do Norte, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe nos próximos dias:
Dia 28.01, quinta feira, 14:00h – Lançamento do filme brasileiro “Alone: O início” (Dir. Cheyenne Alencar, Brasil, 2015, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Continuação do curta-metragem “Alone”. Lise Gregório, empresária do ramo de cosméticos, descobre pela internet, imóvel à venda.
MOSTRA 21 (SESC, CRATO)
Dia 25.01, segunda feira, 19:00h – A feiticeira da guerra (Dir. Kin Nguyen, Canadá, 2012, 90 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Menina de 12 anos é raptada por exército rebelde e forçada a ajudá-los durante a guerra.
Dia 26.01, terça feira, 19:00h – Albert Nobbs (Dir. Rodrigo García, Reino Unido/Irlanda, 2011, 113min, classificação indicativa: 16 anos) Sinopse: Um homem é obrigado a esconder sua identidade para poder trabalhar no século XIX.
Dia 27.01, quarta feira,  14:00h – O garoto da bicicleta (Dirs. Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, França, 2011, 87 min, classificação indicativa: 16 anos) Sinopse: O maior desejo de um garoto é morar com seu pai.
Dia 27.01, quarta feira, 16:30h – O silêncio de lorna (Dirs. Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Alemanha/ Bélgica/ França/ Reino Unido, 2008, 105 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Imigrante albanesa tenta a qualquer custo permanecer na Bélgica.
Dia 27.01, quarta feira, 19:00h – Gravidade (Dir. Alfonso Cuarón, EUA, 2013, 90 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Após uma reação de cadeia no espaço, astronauta tenta manter-se viva.
Dia 28.01, quinta feira, 19:00h – Isto não é um filme (Dir. Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Bélgica/França, 2002, 103 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Um carpinteiro tem como aprendiz o jovem que assassinou seu próprio filho.
Dia 29.01, sexta feira, 19:00h – Dois dias, uma noite (Dirs. Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Bélgica/França/Itália, 2014, 95 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Sandra tem pouco tempo para conseguir mudar a opinião de seus colegas de trabalho.
Dia 31.01, domingo, 14:00h – Blue Jasmine (Dir. Woody Allen, EUA, 2013, 98 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Mulher busca encontrar um novo rumo para a sua vida após falência.
Dia 31.01, domingo, 16:30h – O tempo que resta (Dir. François Ozon, França, 2005, 85 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Fotógrafo descobre que tem pouco tempo de vida.
Dia 31.01, domingo, 19:00h – Mommy (Dir. Xavier Dolan, Canadá/França, 2014, 134 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse:Uma viúva tenta conviver com seu filho adolescente.
MOSTRA 21 (CEU, BARBALHA)
Auditório do Centro de Esportes e Artes Unificados Mestre Juca Mulato, Parque da Cidade, Barbalha, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no próximo dia:
Dia 29.01, sexta feira, 14:00h – Birdman or the unexpected virtue of ignorance (Dir. Alejandro González Inárritu, EUA, 2014, 119 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: Astro do cinema em franca decadência resolve estrear um espetáculo teatral.
MOSTRA 21 (CCBNB, JN)
Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe nos próximos dias:
Dia 30.01, sábado, 13:30h – Sessão encoberta
Dia 30.01, sábado, 17h30 – Contra a parede (Dir. Fatih Akin, Alemanha/Turquia, 2004, 121 min, classificação indicativa: 16 anos). Sinopse: O encontro de um casal em uma clínica de reabilitação.
CINE ELDORADO (JN)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe no próximo dia 29.01, sexta feira, às 20 horas, o filme O Agente da UNCLE (The man of UNCLE, EUA, 2015, 116min). Direção de Guy Ritchie. Elenco: Christian Berkel, Christopher Sciueref, Claudia Newman, Daniel Westwood, David Menkin, Elizabeth Debicki Gioacchino Jim Cuffaro, Guy Potter, Hugh Grant, Jorge Leon Martinez, Luca Calvani, Philip Howard. Sinopse: Nos anos 1960, durante a Guerra Fia, o agente da CIA Napoleon Solo (Henry Cavill) e o espião da KGB Illya Kuryakin (Armie Hammer) precisam deixar de lado as animosidades para unirem forças numa missão. Eles são incumbidos de derrubar uma organização criminosa e evitar uma catástrofe mundial.
MEMORIAL PADRE CÍCERO
Eis aqui uma notícia que vale a pena ser reproduzida e bem divulgada, a partir de um release da PMJN: “O Memorial Padre Cícero em Juazeiro do Norte está sendo reformado com o objetivo de oferecer uma melhor condição de acolhimento aos visitantes. A obra orçada em cerca de R$ 200 mil trata da recuperação das estruturas para garantir mais segurança e conforto como explicou a presidente da fundação, Solange Tenório Cruz. Banheiros e camarins estão ganhando novo piso, espelhos e revestimentos de porcelanato nas paredes. Além disso, os banheiros que acolhem milhares de romeiros durante as festas religiosas em Juazeiro vão passar a contar com o acesso para cadeirantes. Já os carpetes das salas de administração, da presidência, da coordenação, corredores e biblioteca estão sendo substituídos, pois são os mesmos da época de sua inauguração há mais de 30 anos. Estes setores do Memorial vão receber piso de granito o que favorecerá até mesmo na hora da limpeza.  Aquele importante equipamento público do município está ganhando ainda dois portões para saídas de emergência no auditório, a fim de atender as normas de segurança apontadas pelo Corpo de Bombeiros. De acordo com Solange, o Memorial estava necessitando desses reparos há bastante tempo e o benefício atende ainda aos funcionários e juazeirenses que ali comparecem para suas pesquisas, além dos romeiros que visitam a cidade.”